A Igreja Católica foi fundada por Constantino?


ESTE ARTIGO poderia ser classificado como mais um da série "falácias 'evangélicas'"... Sim, esta é mais uma das "invencionices" dos nossos pobres irmãozinhos afastados. Respondemos à pergunta logo de cara: claro que não, a Igreja Católica NÃO foi fundada por Constantino, e nem poderia ser. Este é um disparate sem tamanho, uma tolice tão grande e evidente por si mesma que dispensaria explicações. No entanto, como vivemos num país de ingênuos e de maioria inculta, damo-nos ao trabalho de publicar este artigo.

Santa Helena de Constantinopla
O imperador Constantino, também conhecido como Constantino Magno, o Grande, ou Constantino I, nasceu em 274 e faleceu em 337; foi imperador durante 31 anos (de 306 a 337). Era filho de Constâncio Cloro e Helena, que era cristã e veio a ser canonizada (Santa Helena de Constantinopla). Casou-se com Faustina, filha de Maximiliano Hércules.

Após a morte do imperador Galério, o poder ficou dividido entre Maxêncio (que se autoproclamou imperador) e Constantino (aclamado imperador por seus soldados). Os dois ambicionavam o poder, e a luta entre eles encerrou-se no dia 28 de outubro de 312, com a histórica vitória de Constantino junto à Ponte Mílvia.

À ocasião, Constantino testemunhou ter visto no céu uma cruz com a inscrição "In Hoc Signo Vinces" ('Com este Sinal vencerás'). Este foi um marco para a sua conversão, que não se deu de uma hora para outra: ele foi batizado somente em 337, no fim de sua vida. Alguns historiadores contestam a conversão de Constantino. De fato, objetivamente não há como se afirmar se a sua conversão foi sincera ou se ele, antes de tudo, adotou uma inteligente estratégia política e militar, pois, ao se declarar cristão, obteve o apoio de uma parcela importante da população e inclusive da nobreza. Essa questão, porém, não tem a menor importância para o fato que estamos demonstrando aqui – o fato de que Constantino concedeu total liberdade de culto aos cristãos a partir do ano 313, com o chamado Édito de Milão, documento no qual constava o trecho seguinte:

Havemos por bem anular por completo todas as restrições contidas em decretos anteriores acerca dos cristãos; restrições odiosas e indignas de nossa clemência, e dar total liberdade aos que quiserem praticar a religião cristã."

Nesse tempo, o Papa era Melcíades, 32º Sumo Pontífice da Igreja depois de São Pedro. Assim, não há como se afirmar que Constantino seja o fundador da Igreja de Cristo, que desde o início sempre foi Católica (que quer dizer 'universal', isto é, não restrita a um grupo escolhido, mas aberta a todos os povos e nações) desde o tempo dos Apóstolos; ele apenas deu liberdade aos cristãos, que obviamente já existiam desde o século I, acabando com mais de dois séculos e meio de perseguição e martírios.

Veja o leitor, por exemplo, o conteúdo da Carta de Santo Inácio de Antioquia aos Esmirnenses (que viveu do ano 67 até 110 dC), a qual, escrita nos primeiríssimos anos do cristianismo, antes mesmo da canonização da Bíblia Sagrada (e séculos antes de Constantino), já denomina a verdadeira Igreja de Cristo como Católica (leia aqui).

Fica claro que não estamos aqui dando "a nossa opinião" sobre o assunto: tudo isso é História bem documentada. Sendo assim, sequer precisaríamos dizer mais nada, pois é fato incontestável que no início do século terceiro o cristianismo já estava espalhado por quase todo o mundo, penetrando inclusive nas classes nobres, mas ainda perseguido pelos imperadores romanos, que tentavam, pelo poder das armas, destruir a Fé.

Como dissemos no começo, trata-se de uma questão extremamente simples, fácil de compreender e impossível de negar. É preciso um altíssimo grau de alienação da realidade para aceitar a ideia de que tenha sido um imperador romano que tenha fundado a Igreja, a partir do século IV. Nenhuma igreja protestante histórica (as mais antigas, como a luterana, a calvinista e a anglicana) adota esse tipo de teoria absurda para renegar a autoridade da Igreja Católica, pois os seus pastores e adeptos, em geral, são pessoas mais esclarecidas. Demonstrado então, acima de qualquer dúvida, que não foi Constantino quem fundou a Igreja Católica, a pergunta que fica é: quem fundou a Igreja Católica?

Foi o próprio Senhor Jesus Cristo. A palavra "igreja" deriva de outra palavra grega que significa assembléia convocada. Neste sentido a Igreja é a reunião de todos os que respondem ao Chamado do Cristo: "...Ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só Pastor" (Jo 10,16).

Ao contrário do que às vezes ouvimos por aí, dito por pessoas sem nenhum conhecimento de causa, Jesus Cristo sem dúvida tinha a intenção de fundar a sua Igreja, e a Bíblia demonstra essa intenção explicitamente, em Mt 16,18 ('Tu és Pedra e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja...'), bem como em diversas outras passagens do Novo Testamento.




A escolha dos doze Apóstolos:

"O Senhor subiu ao monte e chamou os que ele quis. E foram a Ele. Designou doze entre eles para ficar em sua companhia". (Mc 3,13-14). A escolha precisa de doze Apóstolos tem um significado muito importante. O Senhor lança os fundamentos do novo povo de Deus: doze eram as tribos de Israel, surgidas dos doze filhos de Jacó; assim, doze foram os Apóstolos para testemunhar a continuidade do Plano de Deus por meio da Igreja.

Segundo Sto. Agostinho, a Igreja começou "onde o Espírito Santo desceu do Céu e encheu 120 pessoas que se encontravam na sala do Cenáculo". O derramar do Espírito, em Pentecostes, foi como a "inauguração oficial" da Igreja para o mundo.

Sim. Jesus Cristo fundou e instituiu a sua Igreja neste mundo. Atualmente, porém, estamos vivendo um momento em que muitas "igrejas" são inventadas todos os dias, porque são encaradas como se fossem empresas, como negócio comercial. Basta um sujeito "bom de lábia"; que tenha facilidade de convencer os outros com belas palavras. Esta pessoa lê a Bíblia, interpreta do seu jeito particular, abre firma (os custos são mínimos) e aluga um salão, de preferência em local movimentado; compra cadeiras e um púlpito. Pronto! Já nasceu mais uma "igreja"! Para ser "pastor" não precisa entender de História, nem de Filosofia, nem de Teologia: basta querer. Simples assim!


Alguns dados históricos interessantes sobre as 'igrejas' protestantes/'evangélicas':

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A igreja protestante mais antiga é a luterana. Foi fundada por Martinho Lutero em 1524. – Note-se que a Igreja Católica já existia há mais de mil e quinhentos anos quando ela surgiu. Foi chamada de "protestante" justamente porque protestava contra a primeira Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Católica;

# A igreja anglicana foi fundada pelo rei Henrique VIII, em 1534, porque o Papa (Clemente VII) não permitiu que ele se divorciasse de sua primeira esposa para se casar com Ana Bolena;

# A igreja presbiteriana foi fundada por John Knox, em 1560;

# A igreja batista foi fundada por John Smith, em 1609;

# A igreja metodista foi fundada por John Wesley, em 1739, quando decidiu separar-se dos anglicanos (aqui começaram as divisões das divisões das divisões... que continua até hoje);

# Os adventistas do sétimo dia começaram com Guilherme Miller e Helen White, no século passado;

# A congregação cristã do Brasil foi fundada por Luigi Francescom, em 1910;

# As "assembleias de Deus" têm a sua origem no chamado "despertar pentecostal" dos anos 1900, nos EUA. Muitas pessoas saíram de diferentes igrejas protestantes para formar novas congregações pentecostais. Em 1914, mais de cem destas novas "igrejas"(!) se juntaram para formar esta nova organização religiosa;

# A "igreja do 'evangelho quadrangular'" foi fundada na década de 1920, pela missionária canadense Aimeé Semple McPathersom, que passou da igreja batista para a pentecostal (desde sempre houve o famoso 'pula-pula' dos 'evangélicos', de 'igreja' em 'igreja', porque nunca estão contentes, já que não encontram a Igreja verdadeira, simplesmente porque é a Católica, que repudiam);

# A "igreja 'Deus é Amor'" foi fundada por David Miranda, em 1962;

# A "renascer em Cristo" surgiu há poucos anos, já na década de 1990, fundada pelo empresário (e criminoso) Estevan Hernandez;

# A "igreja universal do reino de deus (sem dúvida do deus Mamon)" surgiu em 1977, fundada pelo falso profeta empresário (e criminoso) Edir Macedo;

Nos últimos anos, milhares e milhares de outras denominações menores foram surgindo, com os nomes mais criativos. Cada uma delas se afirma a mais fiel; todas se declaram "conduzidas pelo Espírito Santo", apesar de ensinarem coisas totalmente diferentes umas das outras. Todas elas foram fundadas por homens ou mulheres comuns. A pergunta é simples: como o Espírito Santo poderia animar tantas divisões, Ele que é Fonte da Unidade? E como poderia inspirar tantas doutrinas tão diferentes umas das outras (umas batizam crianças, outras não; umas dizem que o batismo tem que ser em rio, outras que pode ser numa piscina ou tanque, ou por aspersão; umas admitem o divórcio, outras não; umas praticam o que chamam de 'santa ceia', outras não; umas guardam o sábado, outras não, etc, etc...), se as Escrituras dizem que os verdadeiros cristãos tem uma só fé (assim como um só Senhor e um só Batismo – Ef 4,5)?


Como saber qual é a verdadeira Igreja de Cristo

Como identificar a Igreja de Nosso Senhor? Algumas chaves simples podem nos levar à conclusão definitiva. Estudar a fundo a Bíblia Sagrada, que os protestantes/evangélicos dizem seguir, e conhecer a Igreja primitiva, que os protestantes/evangélicos dizem representar.

Segundo a Bíblia: a Epístola aos Hebreus (12,22-24) fala da Igreja Celestial, que é a Jerusalém Celeste. O texto bíblico diz que as almas dos justos aperfeiçoados estão no rol da Igreja triunfante, a Assembleia Universal que é a Igreja dos Primogênitos arrolados nos Céus, diante de Deus, Juiz de todos. O ponto fundamental aí é notar que o texto em grego, no trecho que se refere "à universal assembléia e igreja dos primogênitos inscritos nos Céus" (v.23) no manuscrito original poderia tanto ser γενική σύναξη (assembleia universal) quanto γενική eκκλησία ou ainda kαθολικός eκκλησία, que se pronuncia katholikón ekklésia, e quer dizer, exatamente, Igreja Católica.

A Igreja Primitiva, no Concílio de Constantinopla (381), definiu os traços que caracterizam a verdadeira e única Igreja de Jesus Cristo: "Creio na Igreja, Una, Santa, Católica e Apostólica...".

Una: A Igreja deve ser una, isto é uma só, indivisível, uma só Igreja, do mesmo modo como existe "um só Senhor, uma só fé, um só batismo" (Ef 4,5). Jesus Cristo fundou uma só Igreja neste mundo, e Jesus só pode ser a Cabeça de um Corpo, do mesmo modo como somente pode desposar uma noiva, assim como Deus teve um povo entre os vários povos;

Santa: em virtude do seu fundador: Jesus Cristo. Foi ela que recebeu a promessa fundamental: "...as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mt 16,18). Deste modo, a razão da própria existência da Igreja está em ser um instrumento de santificação dos homens: "Santifico-me por eles para que também eles sejam santificados pela verdade" (Jo 17,19).

Católica: a palavra católica quer dizer universal; a Igreja de Cristo é Universal porque foi estabelecida para reunir todos os povos e nações para formar o único Povo de Deus: "Ide, pois, ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28,19).

Apostólica: porque está edificada sobre o "fundamento dos Apóstolos..." (Ef 2,20). A garantia da legitimidade da Igreja está na continuidade da obra de Jesus por meio da Sucessão Apostólica. Tudo o que Jesus quis para a sua Igreja foi entregue aos cuidados dos Apóstolos: a doutrina, os meios para santificação e a hierarquia.

Romana: este título, que pode confundir algumas pessoas, na realidade é muito simples e evidente: “Romana” não implica nacionalismo nem particularismo; não quer dizer que a Igreja pertença ou se limite a Roma, assim como aconteceria com uma empresa; indica apenas o endereço da sede da Igreja, enquanto instituição, neste mundo. Nada mais. A Igreja, atuando no mundo, precisa de um endereço físico e postal, que é o do Bispo de Roma, o Papa, feito Chefe visível por Cristo. Em consequência, a Igreja Católica recebe, como uma espécie de “subtítulo”, a designação “romana”. Isto em nada contraria a sua catolicidade/universalidade. Também Jesus é chamado "Galileu" e "Nazareno", e nem por isso deixa de ser o Senhor e Salvador de todos (saiba mais).

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http://www.ofielcatolico.com.br/2001/02/a-igreja-catolica-foi-fundada-por.html
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4º Domingo do Tempo Comum, ano A, Festa da Apresentação do Senhor


CELEBRAMOS com muita alegria neste domingo, 02 de fevereiro, quarta semana do Tempo Comum, a festa da apresentação do Senhor. As cenas narradas no Evangelho levam-nos até o Templo Santo de Jerusalém, onde estão reunidos José, Maria e Jesus para a sua apresentação ao Senhor e purificação de sua mãe. A oportunidade, coincidentemente, também nos concede a chance de celebrar alguns dos belíssimos títulos atribuídos à Virgem Santíssima, a saber: Nossa Senhora da Apresentação, Nossa Senhora das Candeias ou Nossa Senhora da Candelária. Neste Testemunho de Fé, optamos por meditar as mensagens de Nossa Senhora do Bom Sucesso, um título que, apesar de não ser tão conhecido quanto os demais, possui em seu núcleo uma mensagem extraordinariamente atual para nossa época1.

Esse título de Nossa Senhora ficou alguns séculos escondido - cremos firmemente que por providência da Virgem Maria - justamente para que viesse à tona somente em nosso tempo. As mensagens referem-se diretamente aos séculos XIX e XX, períodos em que se destacaram a perseguição à Igreja e os crimes contra a fé. As previsões são realmente espantosas. É impressionante a maneira como Maria aparece, há quatro séculos, na cidade de Quito, Equador, revelando a uma irmã das redondezas os fatos que abalariam a vida dos católicos durante aqueles anos futuros. É verdade que se tratam de revelações privadas e que, por isso, "não pertencem ao depósito da fé"2. Nada nos impede de rejeitá-las, uma vez que não têm valor vinculante. Todavia, sob os cuidados do Magistério da Igreja, também somos chamados a "discernir e guardar o que nestas revelações constitui um apelo autêntico de Cristo ou dos seus santos à Igreja."3

De fato, as previsões de Nossa Senhora do Bom Sucesso chegam a nos deixar perplexos, pois praticamente tudo o que se diz nelas já aconteceu ou está acontecendo. A sua meditação, portanto, muito nos interessa porque Maria anuncia para nós uma época em que a fé católica será restaurada, sobretudo em um mundo onde esta mesma fé já não existe mais.

Nossa Senhora do Bom Sucesso apareceu à serva de Deus Madre Mariana de Jesus Torres, uma irmã concepcionista de vida exemplar e verdadeiro modelo de santidade, em 1563, na cidade de Quito, no Equador. Madre Mariana foi desde cedo uma menina de hábitos piedosos. Nascida na Espanha, fez sua primeira comunhão aos nove anos de idade, tendo Cristo aparecido a ela para anunciar-lhe que seria sua esposa. Pouco tempo depois, sua tia, também concepcionista, recebe o convite para formar um convento em Quito, no Equador. Mariana, na época com apenas 12 anos, decide partir juntamente com a tia, a fim de se entregar à vida consagrada. Durante a viagem, no entanto, uma forte tempestade atinge a embarcação, quase lhe impedindo a chegada ao novo continente. Com isso, o demônio mostrava que não estava satisfeito com aquela missão. Já com 19 anos, mergulhada numa intensa vida de oração e penitência, Mariana tem a primeira visão da Virgem Santíssima, que lhe aparece dizendo: "Yo soy la Reina de buenas victorias y la Madre del buen suceso" (Eu sou a Rainha das boas vitórias e a Mãe do bom sucesso). Dito isso, a Virgem Santíssima lhe revela fatos trágicos sobre o século XX, ponderando que aqueles que a invocarem sob o título de Nossa Senhora do Bom Sucesso terão uma assistência especial do céu.

A vida de Madre Mariana é um compêndio de fenômenos sobrenaturais. Embora não haja espaço para enumerá-los aqui, convém lembrar ao menos alguns casos interessantes como, por exemplo, as suas repetidas mortes e ressurreições. Madre Mariana morreu e ressuscitou duas vezes. E quando da sua derradeira morte, teve o corpo mantido incorrupto, o qual se encontra ainda hoje no Convento das Concepcionistas. Salta aos olhos a santidade dessa mulher. Somente o seu testemunho seria o suficiente para referendar a veracidade das mensagens de Nossa Senhora do Bom Sucesso, não fossem as incríveis evidências dadas por Maria nesta aparição, que já o fazem.

Madre Mariana de Jesus
A mensagem de Nossa Senhora do Bom Sucesso fala sobre muitas coisas, inclusive da crise da Igreja nos dias de hoje. Para se ter uma ideia de seu conteúdo, vejamos o que diz a quarta aparição, do dia 21 de janeiro de 1610: "Ai dos meninos deste tempo! Dificilmente receberão o Sacramento do Batismo, nem o da confirmação." Nossa Senhora está a falar sobre o futuro das escolas católicas, sobre as quais se abaterá uma seita contra a educação religiosa e moral das crianças, tendo por apoio "pessoas autorizadas", isto é, gente de dentro da Igreja. Ainda mais: "o mesmo sucederá com a sagrada Comunhão" - diz a Virgem à Madre Mariana. Ela continua:

[...] Mas, ai! Quanto sinto ao te manifestar que haverá muitos e enormes sacrilégios, públicos e também ocultos, de profanações à sagrada Eucaristia! Muitas vezes, nessa época, os inimigos de Jesus Cristo, instigados pelo demônio, roubarão nas cidades as hóstias consagradas, com o único fim de profanar as Eucarísticas Espécies! Meu Filho santíssimo se verá jogado ao chão e pisoteado por pés imundos.

Quanto ao Sacramento do Matrimônio, as previsões não são menos chocantes. Pelo contrário, causa-nos tremor tamanha veracidade do que se diz nelas:

[...] Quanto ao Sacramento do matrimônio, que simboliza a união de Cristo com a Igreja, será atacado e profanado em toda a extensão da palavra. O maçonismo, que então reinará imporá leis iníquas com o objetivo de extinguir esse Sacramento, facilitando a todos o viverem mal, propagando-se a geração de filhos malnascidos, sem a bênção da Igreja. Irá decaindo rapidamente o espírito cristão, apagar-se-á a luz preciosa da fé até chegar a uma quase total e geral corrupção de costumes. Acrescidos ainda os efeitos da educação laica, isto será motivo para escassearem as vocações sacerdotais e religiosas.

Acaso podemos negar a verdade contida nestas poucas linhas ditadas por Nossa Senhora? Trata-se verdadeiramente de um script de nossa época; período em que, de fato, como lamentava-se Bento XVI aos bispos do Brasil, em 2007, "a vida social está atravessando momentos de confusão desnorteadora"4. A começar pela estrutura familiar, a qual se ataca impunemente, "iniciando-se por fazer concessões diante de pressões capazes de incidir negativamente sobre os processos legislativos", vemos o avanço dos crimes contra a vida e contra a dignidade da pessoa humana "em nome dos direitos da liberdade individual", como se já não bastasse a propagação da "ferida do divórcio e das uniões livres"5. De igual modo, dentro do sacerdócio, Nossa Senhora traça o terrível panorama da crise da pedofilia, relatando a astúcia do demônio em fazer com que muitos se percam e caiam em desgraça, a fim de escandalizar cristãos e não-cristãos, fazendo "recair sobre todos os sacerdotes o ódio dos maus cristãos e dos inimigos da Igreja católica apostólica romana". Com efeito, a batina dos bons sacerdotes será manchada pelo pecado dos maus cristãos, de sorte que isso atrairá grandes sofrimentos ao clero santo e, em última análise, ao Papa. Diz a profecia:

[...] Com este aparente triunfo de Satanás, atrairão sofrimentos enormes aos bons pastores da Igreja, e à excelente maioria de bons sacerdotes e ao Pastor supremo e Vigário de Cristo na terra, que, prisioneiro no Vaticano, derramará secretas e amargas lágrimas na presença de seu Deus e Senhor, pedindo luz, santidade e perfeição para todo o clero do universo, do qual é rei e pai.

Neste sentido, vemos uma coincidência entre as mensagens de Quito e de Fátima, sobretudo no que diz respeito à figura do Santo Padre, perfeitamente aplicável à de Bento XVI, que tanto sofreu e foi injustiçado por esses crimes. Mas as coisas não param por aí. A 2 de fevereiro de 1634, Nossa Senhora faz nova aparição à irmã, enquanto esta rezava numa capela. Madre Mariana vê a luz do Sacrário se apagar, e Nossa Senhora diz:

[...] A lamparina que arde diante do Altar e que viste apagar-se, possui muitos significados".

O primeiro é que no fim do século XIX, avançando por grande parte do século XX, várias heresias se propagarão nestas terras, então, República livre. E com o domínio delas, apagar-se-á nas almas a luz preciosa da fé, pela quase total corrupção dos costumes. Nesse período haverá grandes calamidades físicas e morais, públicas e privadas.

Essas heresias, por sua vez, trarão grandes dificuldades, perseguições e, em alguns casos, até martírios ao pequeno grupo de fiéis católicos que preservarão os ensinamentos da Santa Igreja.

Diante desses fatos, podemos ser tentados a nos desesperarmos. Mas essa não deve ser a nossa atitude. A promessa de Nossa Senhora vai além desse "vale de lágrimas", e isso nos motiva a ter esperanças na promessa de Cristo de que "as portas do inferno não prevalecerão". Nossa Senhora também previu boas coisas: o dogma da Imaculada Conceição, o dogma da infalibilidade papal e o dogma de sua assunção aos céus. Toda essa crise passará, pois também ela estava no coração de Deus. E sendo Ele o princípio e o fim de todas as coisas, pode muito bem aproveitar da maldade que há no mundo para provar que é Senhor do Céu e da Terra, criando realidades ainda melhores e mais belas que as anteriores, pois "onde o pecado abundou, superabundou a Graça" (Cf. Rm 5, 20).

Nossa Senhora anuncia a vinda de um prelado que guiará o povo por entre essas duras angústias. Todavia, a tibieza com que a Igreja estará submetida atrasará a chegada desse novo pastor, o que causará grandes sofrimentos. Por outro lado, ela também nos consola: "Será chegada, então, a minha hora em que eu, de forma maravilhosa, destronarei o soberbo e maldito Satanás, calcando-o debaixo dos meus pés e acorrentando-o no abismo infernal. Assim a Igreja e a Pátria estarão, por fim, livres de sua cruel tirania".

Eis a providência divina. Seremos salvos pela Graça de Deus, operada por mediação da Virgem Santíssima. Mas, enquanto esse dia não chega, somos chamados a sair da tibieza e avançar na busca pela santidade.

Busquemos o triunfo do Imaculado Coração de Maria, busquemos a Graça de Nosso Bom Deus.

Amém!

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Arquivo para baixar:

Referências:
1. A fim de possibilitar o acesso a todo o conteúdo dessas profecias, disponibilizamos para download (acima) dois links com um excerto do livro Vida admirável da Rev. da Madre Mariana de Jesus Torres mística confidente de Nossa Senhora do Bom Sucesso.
2. Cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 67
3. Ibidem
5. Ibidem
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Fonte:
Site Padre Paulo Ricardo, artigo " Festa da apresentação do Senhor", homilia do 4º Domingo do Tempo Comum,  ano A, disponível em
http://padrepauloricardo.org/episodios/festa-da-apresentacao-do-senhor
Acesso 2/2/014
ofielcatolico.blogspot.com

Quem foi Chico Xavier?

Santo? Insano? Farsante? Amplie seus conhecimentos sobre o assunto


EM 2010 OS ESPÍRITAS de todo o país comemoraram, com amplo apoio da mídia televisiva e impressa, os 100 anos do nascimento deste que consideram o maior "médium" brasileiro. Em 2012, um programa de TV o elegeu, por meio da votação popular, "o maior brasileiro de todos os tempos". Podemos sem dúvida considerar o Sr. Francisco Cândido Xavier (1910-2002), mais conhecido como "Chico Xavier", uma das personalidades mais populares e também mais polêmicas da história recente do Brasil. E como a nossa mídia (incluindo grandes emissoras de TV, redações dos grandes jornais e revistas e o meio artístico em geral) está repleta de militantes do espiritismo, presenciamos frequentemente um verdadeiro festival apologético à figura de Chico Xavier. Filmes nos cinemas, peças de teatro, lançamentos de uma infinidade de livros, especiais de TV, matérias de capa nas revistas.

Mas o fato é que é muito raro a grande mídia abordar as diversas facetas desse controverso personagem: existe uma outra realidade bem diferente dessa que estamos acostumados a ver nos meios de comunicação, e que pode ser comprovada muito facilmente. A revista "O Fiel Católico" é uma publicação comprometida com a verdade. Longe de querer provocar polêmicas, e com todo o respeito aos espíritas, não poderíamos deixar de tratar desses fatos. Para falar de uma personalidade tão conhecida, o bom senso e a boa consciência nos obrigam a abordar o assunto de maneira responsável e imparcial - algo bem diferente da tremenda propaganda que temos presenciado nos meios de comunicação.

Apresentamos uma série de fatos a respeito de Chico Xavier que é desconhecida da maioria. Advertimos que todas as questões aqui colocadas são fundamentadas na pesquisa documentada, e em depoimentos que foram publicados em veículos reconhecidos.


1. Foi comprovado que Chico Xavier usou truques de mágica e pirotecnia em shows de mediunidade no começo de sua carreira

As fotos ao final deste texto retratam algumas dessas exibições. Existem muitas outras, que se encontram facilmente na internet: em salões alugados, ele se sentava em frente a uma cortina, diante da plateia. Luzes piscavam por detrás do pano, e um cheiro de éter enchia a sala. Aos poucos, vultos surgiam atrás das cortinas e Xavier, junto com outros "médiuns", diziam que eram espíritos se materializando. Fotos da famosa revista “O Cruzeiro” (1964) mostram claramente que eram pessoas vestindo lençóis brancos e com véus cobrindo a cabeça. Mesmo assim, enquanto alguns fossem assistir às apresentações por pura diversão, outros, ingênuos, pareciam acreditar na farsa.

O pesquisador Eurípedes Tahan disse que as pessoas da plateia podiam até tocar as tais alegadas "entidades" e tirar fotos(!). Nessa época, "médiuns" e mágicos costumavam viajar pelo país com seus shows. Chico dizia que usava seus "poderes" para materializar os espíritos. Ele ficava sentado e dizia se concentrar, enquanto que as “entidades” simplesmente saíam de trás do pano. Evidentemente as figuras nunca “apareciam” na frente da plateia, como deveria acontecer se fossem realmente entidades etéreas se materializando. Convenientemente, elas saiam de trás da cortina, como se vê nos shows de mágica mais rudimentares. Anos mais tarde, a farsa veio a ser definitivamente desmascarada, e Otília Diogo, uma das pessoas que se passava por “espírito” (e era apresentada por Chico como a 'Irmã Josefa') chegou a ser presa. Foi com esses shows que Chico começou a se tornar conhecido.

Um fato grave, que por si só já é mais do que suficiente para derrubar o grande mito. Incrivelmente, os defensores de Chico Xavier sempre conseguiram mantê-lo oculto do grande público.


2. O sobrinho de Chico Xavier, em entrevista ao jornal O Diário de Minas, confessou que as psicografias do tio não passavam de farsa

Amauri Pena Xavier, sobrinho de Chico, também se dizia "médium" e afirmava psicografar textos e cartas de pessoas falecidas. Aos 25 anos de idade, sondado por jornalista do referido jornal, ele declarou, textualmente: "Aquilo que tenho escrito foi criado pela minha própria imaginação". Na ocasião, ele também desmascarou o tio famoso, Chico Xavier, dizendo que as cartas "psicografadas" por ele não passavam de fraude: "Assim como tio Chico, tenho enorme facilidade para fazer versos, imitando qualquer estilo de grandes autores. Com ou sem auxílio de outro mundo, ele vai continuar escrevendo seus versos e seus livros".

Sim. O mais incrível é que, depois disso, muita gente tenha continuado a acreditar nas psicografias de Chico Xavier. Foi nessa época que ele, acuado pelas investigações, saiu de Pedro Leopoldo e foi para Uberaba, local onde o espiritismo se encontrava em expansão, onde recebeu apoio institucional.


3. Em 1971, o repórter José Hamilton Ribeiro, da revista Realidade, visitou as sessões de psicografia de Chico, e denunciou que ali aconteciam truques para impressionar os mais crédulos

Declarou o repórter: "Meu fotógrafo viu um dos assessores de Chico levantar o paletó discretamente e borrifar perfume no ar". Chico era famoso pelos aromas que pareciam surgir "do nada" em meio às sessões de "psicografia". "As pessoas pensavam que o perfume vinha dos espíritos", completou Ribeiro.


4. Em muitos livros de Chico Xavier, especialistas encontraram casos claros de plágio de obras literárias publicadas por diversos autores

Entre muitos outros, o pesquisador especializado Vitor Moura, criador do website "Obras Psicografadas", comparou trechos dos livros ditos psicografados por Chico com livros de outros autores e descobriu evidências inquestionáveis. Um dos casos mais impressionantes é o da cópia quase literal de trechos da obra "Vida de Jesus", do filósofo Ernest Renan, no livro "Há dois mil anos", que Chico afirmou ter sido psicografado pelo "espírito Emmanuel".


5. Já foi definitivamente comprovado pela pesquisa histórica que o tal Públio Lentulus, que Chico afirmava ser um procurador da Judeia do tempo de Jesus e um dos seus orientadores espirituais, nunca existiu

Hoje se sabe que, historicamente, não existiu nenhum senador de Jerusalém ou procurador da Judeia de nome “Públio Lentulus”. Além disso, os nomes, datas e detalhes que constam na obra de Chico são incompatíveis com os fatos históricos.

[Para saber detalhes, acesse: obraspsicografadas.haaan.com]

Uma curiosidade a respeito do "guia" de Chico Xavier: em certa ocasião, em uma palestra pública, o padre Oscar Gonzalez Quevedo tentou conversar em latim com o "espírito Públio Lentulus", supostamente incorporado em Chico Xavier, mas este simplesmente fugiu das perguntas, demonstrando claramente que não compreendia o que estava sendo dito e, visivelmente perturbado, retirou-se do ambiente. Mais uma vez, apesar de tudo, muita gente continuou acreditando...


6. Apesar de muitos pensarem que Chico Xavier dizia detalhes que ele não teria como saber sobre os queridos falecidos das pessoas que o procuravam, a verdade é que ele dava um jeito de conseguir esses dados, sem nenhuma ajuda de espíritos

Waldo Vieira, médico que foi uma espécie de sócio de Chico por quase duas décadas (desde o tempo dos ‘shows de mediunidade’), declarou o seguinte: "Funcionários do centro espírita iam às filas pegar detalhes dos mortos. Ou aproveitavam as histórias relatadas por parentes nas cartas em que pediam uma audiência. O que as mensagens de Chico continham eram essas informações".

Chico ou seus assessores faziam uma entrevista com as famílias que participariam das sessões de "psicografia". O engenheiro Maurício Lopes conta que quando seu irmão de 9 anos foi morto num atropelamento, sua família procurou Chico atrás de ajuda. Ele diz: "Chico simplesmente perguntou à minha mãe detalhes da morte e nomes de parentes, e tudo isso foi citado na carta, depois". Algumas pessoas se impressionam muito com esse tipo de coisa, especialmente aquelas que querem acreditar...


7. A teoria de que Chico Xavier, supostamente um semi-analfabeto, não teria como escrever seus livros, é completamente falsa

Chico não foi longe na escola, mas era autodidata. Ele sempre estudou muito por conta própria, e lia muitíssimo. Colecionava recortes de textos e poesias, comprava livros e mais livros e até montou uma biblioteca particular (preservada até hoje em Uberaba), com obras em inglês, francês e hebraico(!). Nessa coleção (por coincidência?) estão os livros dos autores que ele dizia "receber do além” para escrever seus próprios livros, como Castro Alves, Humberto Campos e outros...


8. Apesar de o espiritismo se declarar uma ciência, o fato é que Chico Xavier sempre se recusou a permitir que cientistas estudassem seus alegados poderes. Ele dizia que seu guia não o permitia

Por que a negativa? Se as suas habilidades fossem verdadeiras, as pesquisas só poderiam demonstrar a veracidade dos fenômenos e ajudar na propagação do espiritismo.


9. Otília Diogo era uma charlatã fichada que se cobria com lençóis para se passar pelo espírito ‘Irmã Josefa’ nos ‘shows de mediunidade’ de Chico Xavier e Waldo Vieira – ela foi enquadrada e presa anos depois


10. O repórter Hamilton Ribeiro foi até Uberaba e desmascarou as mensagens ditas psicografadas de Chico, de maneira muito simples:

Ele inventou nome e endereço falsos e os entregou a Chico, passando-se por adepto do espiritismo e pedindo uma psicografia. Na edição de novembro de 1971 da célebre revista "Realidade", ele publicou a conclusão do seu experimento: "Receita psicografada: do pedido que fiz hoje, em nome de ‘Pedro Alcântara Rodrigues, da Alameda Barão de Limeira, 1327, apto 82, São Paulo’ (dados falsos), me veio a orientação espiritual: "Junto aos amigos espirituais que lhe prestam auxílio, buscaremos cooperar espiritualmente em seu favor. Jesus nos abençoe...’”(!).

Como?! Não existia ninguém com aquele nome, nem morando naquele endereço, era tudo inventado! Sim, mas os “espíritos de luz” que assistiam ao Chico Xavier se comprometeram a auxiliar essa pessoa de mentira nos "planos espirituais".

* * *

Aí estão alguns dados concretos. Não se tratam de opiniões ou considerações, mas de fatos. Que cada um tire suas próprias conclusões. Encerramos o assunto com a exortação de nosso Mestre maior: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!”. (Mt 11, 15) E quem tem olhos para ver...







Otília Diogo, usando uma tosca barba postiça, passava-se também por 'espírito desencarnado' do Dr. Alberto Veloso. Na imagem acima, vê-se a claríssima e ridícula farsa



Acima, fotografias publicadas na revista "O Cruzeiro" e outras, mostram o jovem Chico Xavier ao lado de “espíritos materializados” nos shows de mediunidade que ele promovia no início de sua carreira. Entre estes, o "espírito" de "Irmã Josefa", que era na realidade a charlatã Otília Diogo vestindo panos brancos (nas últimas imagens vemos o seu rosto em close, ao lado de suas fotografias fantasiada de 'espírito desencarnado'): ela foi desmascarada e presa em 1970 (publ. ‘O Cruzeiro’). Estes fatos raramente constam nas biografias oficiais, e nunca são retratados nos filmes. Chico Xavier nunca voltou a tocar neste assunto, nem foi jamais inquirido publicamente a respeito. O leitor interessado, mediante uma breve busca na internet, poderá encontrar muitas outras imagens dessas fraudes.


* * *


** Aviso aos leitores espíritas e/ou admiradores de Chico Xavier:

O editor deste apostolado pede encarecidamente aos admiradores da figura de Chico Xavier que tomem os seguintes mínimos cuidados antes comentar este artigo:

Leia o texto antes de comentá-lo. Muitos leem apenas as primeiras linhas (quando não apenas o título) e já se apressam em postar mensagens indignadas. Na maioria dos casos, os argumentos usados por esses comentaristas já estão bem esclarecidos no próprio artigo que estão comentando.

Observe os comentários já publicados e as nossas respostas. Praticamente todos os argumentos usados em favor de Chico Xavier já foram respondidos por nós, no espaço para comentários, diversas vezes. Exemplos abaixo:

a) Muitas pessoas já disseram que estamos "julgando" Chico Xavier. Já explicamos, exaustivamente, que apresentar FATOS BIOGRÁFICOS sobre a vida de um indivíduo não é "julgamento" e sim esclarecimento: nesta postagem, não fizemos absolutamente nada além disso e citando as devidas fontes e referências bibliográficas, além de fotografias documentais.

 b) 
Muitas pessoas já disseram que Chico Xavier foi exemplo de humildade e que vivia o que pregava. Respondemos, simplesmente, que isso não é atestado de autenticidade da doutrina que ele pregava. O fato de alguém ser humilde e praticar o que prega não é garantia de que aquilo que ele prega seja verdadeiro. Nossa preocupação e nossa fidelidade é para com a verdade. Ainda que Chico Xavier tenha sido uma pessoa humilde e desapegada, tudo indica também que ele gostava de ser admirado, cercado de atenção e idolatrado – o que ele conseguiu, e como! O que ele deixou de receber em dinheiro, sem dúvida nenhuma, recebeu em atenção, carinho, admiração e uma verdadeira idolatria, que perdura até hoje. Nem sempre a motivação de um charlatão é o dinheiro.

c) Muitas pessoas já alegaram que  estamos "falando do que não conhecemos" ou que o artigo não tem valor porque foi escrito por alguém que não conheceu Chico Xavier pessoalmente. De fato, os autores do artigo não conheceram Chico Xavier pessoalmente, o que não tem a menor importância neste caso: ninguém, por exemplo, precisa ter conhecido Adolf Hitler pessoalmente para saber que foi um déspota cruel e sanguinário. Não estamos comparando Xavier a Hitler, mas o exemplo serve para fazer entender o óbvio: o absurdo de supor que seria preciso conhecer uma pessoa pública pessoalmente para formar juízo de valor. Além disso, o autor principal do texto, Henrique Sebastião, é pesquisador da ciência das religiões há mais de duas décadas e estudou todas as obras espíritas basilares, frequentou centros espíritas, participou de cursos na Federação Espírita Brasileira e até se submeteu a supostos "tratamentos espirituais". O argumento de desconhecimento de causa fica, portanto, completamente descartado.

d) Noventa e nove por cento dos comentaristas indignados com os fatos apresentados nesta postagem limitam-se a atacar a Igreja Católica, mas não comentam nenhuma das verdades aqui apresentadas. POR FAVOR, NOTE QUE O ASSUNTO EM DISCUSSÃO AQUI É CHICO XAVIER. Se você não é capaz de refutar o que estamos demonstrando e comprovando neste artigo, não tente desviar o assunto apontando problemas da Igreja ou fazendo acusações contra os católicos, porque são questões diferentes, e nós já abrimos espaço para essas outras discussões neste website (já tratamos dos assuntos inquisição, cruzadas, pedofilia na Igreja, entre outros). COMPREENDA QUE APONTAR ERROS OU PROBLEMAS NA MINHA RELIGIÃO NÃO É ARGUMENTAR: É FUGIR DO ASSUNTO MUDANDO O FOCO DA DISCUSSÃO.

** Esclarecemos, por fim, que não voltaremos a publicar comentários que se enquadrem na categorias descritas acima, pela simples razão de que não há sentido em nos colocarmos aqui a repetir, indefinidamente, os mesmos argumentos e contra-argumentos, ad nauseam.

Se você chegou até este ponto da leitura, somos gratos pela atenção. A Paz e a Luz de Nosso Senhor Jesus Cristo sejam sobre a sua vida.

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Fontes e ref. bibliográfica:

• FRIDERICHS, Edvino Augusto. Os Méritos da Parapsicologia no Campo Religioso. São Paulo: Loyola, 1993.

• QUEVEDO, Oscar González. Os Mortos Interferem no Mundo? - tratado 5º vol. São Paulo: Loyola, 1992, pp. 32-35.

• KOLPPENBURG, Boaventura. Espiritismo, orientação para os católicos, 8ª ed. São Paulo: Loyola, 2005.

• REVISTA SUPERINTERESSANTE. São Paulo: Editora Abril, ed. 277, pp. 50-60, abril 2010.

• OBRAS PSICOGRAFADAS. Disponível em:
http://obraspsicografadas.haaan.com/2011/materializaes-de-uberaba-otlia-a-mulher-barbada-fotos-inditas/
acesso em 04 abril 2010
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Réplicas da Arca da Antiga Aliança e outras insanidades


A NOVA "MODA" das novas comunidades ditas "evangélicas" é a produção de réplicas da Arca da antiga Aliança (descrita no Antigo Testamento da Bíblia). Tais arcas são expostas durante os cultos e literalmente adoradas pelos pastores e pela assembleia reunida.

Espanta ver o povo que tanto calunia os católicos, chamando-os de "idólatras" por conta do uso das imagens, agir dessa maneira. Parece que, na mentalidade de tais "pastores", a reprodução de imagens dos personagens do Novo Testamento, conforme a Tradição cristã legítima, é proibida e pecaminosa; mas a reprodução das imagens do Antigo Testamento, que já passou e foi consumado, é permitida. Suprema contradição, já que a partir de Jesus Cristo foram renovadas todas as coisas, e estabelecida a Nova e Eterna Aliança entre Deus e os homens: "Se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que tudo se fez novo." (2Cor 5, 17).

E mais uma vez constatamos que os autodenominados "evangélicos", na verdade, nada entendem da Bíblia Sagrada: se as próprias Escrituras proclamam a renovação de todas as coisas, porque renegar os símbolos da Nova e Eterna Aliança e usar os símbolos da Antiga Aliança, das coisas que já passaram e não tem mais nenhum sentido sagrado, como é o caso da Arca?

Mais do que isso, na Sagrada Escritura, ainda no Antigo Testamento, o próprio Deus decreta o fim do culto à antiga Arca. Vejamos (atenção ao destaque):

"Convertei-vos, ó filhos rebeldes, diz o SENHOR; pois eu vos desposei; e vos tomarei, a um de uma cidade, e a dois de uma família; e vos levarei a Sião. E dar-vos-ei pastores segundo o Meu Coração, os quais vos apascentarão com ciência e com inteligência. E sucederá que, quando vos multiplicardes e frutificardes na terra, naqueles dias, diz o SENHOR, nunca mais se dirá: 'A Arca da Aliança do SENHOR', nem ela lhes virá mais ao coração; nem dela se lembrarão, nem a visitarão nem se fará outra." (Jeremias 3, 14-17)

Não somos judeus, somos cristãos resgatados pelo Sangue do Cristo Jesus, o Cordeiro de Deus, que nos livra dos nossos pecados! Temos visto o Evangelho sendo deturpado, profanado e distorcido por falsos profetas que chamam a si mesmos de "pastores" e até de "apóstolos"! Esses verdadeiros lobos em pele de cordeiro são incansáveis na criação de todo tipo de heresia e falso misticismo, que vendem como "cristianismo bíblico". Estão cegos, insanos, alienados, e pior: guiam outros cegos.

Deixamos aqui um alerta a todo o povo católico: já passou da hora de desmistificar uma certa ideia de que "evangélico" entende de Bíblia, e católico não. O que os "evangélicos" conhecem bem é a interpretação que seus "pastores" fazem da Bíblia. – E normalmente é uma interpretação completamente literal, deturpada e equivocada. Talvez muitos católicos não tenham o hábito de ler e memorizar versículos bíblicos, mas instintivamente praticam a Palavra de Deus em suas vidas, de modo muito mais coerente e sensato, pois são conduzidos diretamente pela Igreja que Jesus Cristo deixou neste mundo.

Publicamos abaixo uma série de exemplos do que vêm praticando muitos dos líderes chamados "evangélicos" que verdadeiramente invadiram o nosso país nas últimas décadas, e cujas seitas continuam proliferando descontroladamente nos nossos tempos. Seu descaramento parece não ter limites! As imagens e comentários ácidos a seguir não têm a intenção de promover o desrespeito aos pobres coitados que caem nessas verdadeiras arapucas, e sim quer abrir os olhos da população para a verdade evidente: os falsos profetas vêm usando a Sagrada Escritura e o Nome do Cristo para a obtenção de lucro material, e o fazem indiscriminadamente. Pior: estão obtendo grande sucesso! Se, ao se deparar com os vendilhões do Templo, Jesus inflamou-se de ira santa a tal ponto de os expulsar abaixo de chibatadas, imaginemos como deve se sentir agravado hoje, diante destes que transformam a Casa de Deus em casa de comércio da mais baixa espécie.


Algumas barbaridades "evangélicas":






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"Ainda bem que eu não sou católico idólatra..."


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Enquanto isso, na "igreja" abaixo, a ameaça para os "ermão" que não estiverem dispostos a desembolsar uma parte do seu salário para a barganha com Deus fica bem na parte frontal do interior do "templo": "Contribua de acordo com a 'tua' renda, senão"...




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Abaixo, uma cena que já se tornou antológica: a "profetiza" Ana Paula Valadão recebendo a "unção do leão"...




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Já esse trecho da "bíblia de estudo" do "pastor" Malafaia (vulgo 'malacheia') é impagável (e eu que pensava que Jesus havia dito 'Bem-aventurados os pobres'...):


"Bíblia de estudo 'Batalha Espiritual e Vitória Financeira'"


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Campanha da Rosa Consagrada – as pessoas recebem uma "rosa ungida" no culto e levam para casa. Muitas liquidificam essa rosa com suco ou leite, e tomam a mistura para atrair bençãos... Repito: são essas pessoas que rotulam os católicos como "idólatras"...




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As campanhas de "desencapetamento" já se tornaram famosas:




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Campanha do "lenço ungido" na assembleia universal(!?):




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Abaixo, anúncio da "Capela Luterana" (agora deram para plagiar também as protestantes históricas) na Campanha "Volta do Amor". – Qualquer semelhança com as práticas dos terreiros de umbanda não é mera coincidência: ambas propõem barganha com a Divindade.




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Você conhece a "carteira de 'pastor evangélico'"? Mãos na cabeça, coisa ruim! Aqui é a "autoridade evangélica"!




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Falei que tem "evangélico" achando que é judeu? Tem até curso para tocar shofar!




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Já viu "explosão de milagres"? Corre lá nessa "igreja evangélica"! E dieta para quê? "O homem de deus 'hora' e a mulher fica magra na hora!":




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E a "Expo-Cristã", que sucesso! O folheto de propaganda mais parece um catálogo de bizarrices: tem desde réplica da Arca perdida até "chave do reino do céu"...




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Uma dúvida: "fechamento do corpo" não é uma expressão típica da umbanda, quimbanda e candomblé?




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"Fechando as portas do Inferno"... ou escancarando? E não esqueça de comprar também o seu sabonetinho "contra o atraso de vida"!




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E vê se não brinca com o "homem dos mistérios de deus"... Ele é muito poderoso, a julgar pelas façanhas descritas no panfleto abaixo:




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Isso sim é estratégia de marketing: veja como este comércio, quer dizer, empresa, isto é, "igreja" da rede universal está bem localizada (assim fica bem fácil sacar o dinheirinho do salário e deixar a parte do "bispo", de um lado ou de outro):




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Agora entendo o porquê do crescimento "evangélico" no Brasil: tem missionário até com visão de raio X! Superman que se cuide...




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Abaixo, o "óleo sagrado da unção" vendido na campanha da "igreja" quadrangular. Bençãos a preço de liquidação! corra antes que acabe:




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Ele é "pastor" e "profeta", mas pode chamar de "ex-tudo":




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Já o "pastor" anunciado abaixo morreu com uma facada, mas continua desviando, quer dizer, pregando a palavra... Qual palavra não sabemos, mas dizem que ele continua por aí, mesmo depois de morto:




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Alguns singelos pedidos de oração na igreja do Silas Malafaia (AVIÃO EXECUTIVO!?):




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Problemas? "Profetiza Doralice" neles!




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Sabonete de arruda também é moda nas "igrejas evangélicas". Para quê serve? Para a sessão de descarrego, oras! Onde está escrito na Bíblia que arruda "descarrega", afasta "mau-olhado" ou coisa parecida? Deixa pra lá! O importante é lembrar sempre que todo católico é idólatra!





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Mas, pensando bem, melhor que comprar o sabonete é adquirir logo o "sangue do cordeiro", que já vem numa prática embalagem e ainda está em oferta:




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Já o segredo da prosperidade você só encontra na "igreja" neopentecostal mais próxima! Deixe seu pedido e não esqueça de especificar o valor que vai pagar, antecipadamente, pela graça. Afinal, se Jesus é o Caminho, eles são o pedágio!




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E para combater o mal em sua vida, chame logo a "Tropa de Elite de Deus":




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Agora, na época do calor e das chuvas, você pode pedir também a "unção contra a dengue", e ainda ganha de brinde o "cálice com o óleo santo":




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Se você teve estômago suficiente para chegar até aqui, assista também o vídeo que mostra a chegada da "arca da aliança" a uma das maiores "igrejas" evangélicas do Brasil, em MG (e o Indiana Jones, coitado, procurando lá no Oriente Médio...). Destaque especial para o bonitinho vestido de israelita, sentindo-se o próprio Moisés:




+ + +

O ridículo das situações expostas acima pode levar às gargalhadas, mas não podemos nos esquecer, também, que brincar com as coisas santas, como fazem estes que não podemos chamar de "irmãos", é uma grave ofensa Àquele que, sendo Deus, se fez homem e caminhou entre nós, entregando-se à morte de cruz, por Amor, pela nossa salvação. Aos amigos e leitores deste blog, pedimos desculpas por tão terrível festival de blasfêmias e atrocidades. Nossa intenção é alertar e expor o ridículo daqueles que nos atacam. Rezemos para que milhões de pessoas ingênuas e incultas, hoje iludidas, possam libertar-se destes verdadeiros servidores de satanás e mercadores do sagrado. Juntemos nossas orações à voz eterna do Senhor: "Pai, perdoai-os; eles não sabem o que fazem".


Divino Senhor Jesus Cristo, cuja infinita misericórdia para com os seres humanos é correspondida com o esquecimento, a indiferença, o desprezo, ofensas e blasfêmias; eis-nos prostrados diante de Vós, para vos desagravarmos das execráveis injúrias com que é alvejado, de toda parte, vosso Sacratíssimo Coração.

Reconhecendo que também nós cometemos indignidades, como assistir a tantas atrocidades e nada fazer para tentar impedi-las, nem denunciá-las, imploramos a vossa misericórdia, prontos a expiar as nossas próprias culpas e também as daqueles que pecam por ingenuidade ou ignorância, e comprometemo-nos a emendar-nos de nossos erros e nunca mais tornarmos a incorrer nos mesmos pecados.

De todos os crimes deploráveis, Senhor, queremos hoje desagravar-vos, mais particularmente, pelos crimes hediondos daqueles que corrompem as almas em vosso Santo Nome, dos que usam da vossa Palavra em proveito próprio, desviando vossos buscadores despreparados, e pelas abomináveis blasfêmias contra vós, contra a Virgem Maria e contra vossos santos, pelos insultos ao vosso Sacrifício salvador, e também ao vosso Vigário e ao vosso clero, assim como pelo desprezo e pelas horríveis profanações do Sacramento do Divino Amor e suas expressões.

Recebei, oh Sagrado Coração de Jesus, pelas mãos de Maria Santíssima, a espontânea homenagem deste nosso singelíssimo desagravo.

Concedei-nos a perseverança no fiel cumprimento dos nossos deveres cristãos, até à morte, para que possamos chegar à Pátria Eterna, onde Vós, com o Pai e o Espírito Santo, viveis e reinais pelos séculos dos séculos. É em vosso Santo Nome que imploramos, Jesus, Senhor nosso. Amém.

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A Pedra sobre a qual se fundamenta a Igreja neste mundo

Cristo entrega as Chaves a Pedro, por Guido Reni (1575-1642): Jesus concedeu a Autoridade sobre a Igreja a S. Pedro

O ESTUDO abaixo é bem fundamentado e bastante esclarecedor, leitura recomendada para os que procuram instrução segura a respeito de um tema fundamental. Por tratar-se de uma discussão recorrente, torna-se ainda mais importante conhecer a verdade dos fatos. O artigo abaixo foi adaptado do original "Quem é a Pedra: Jesus ou Pedro?" de Karl Keating, traduzido por Carlos Martins Nabeto e publicado no site do apostoldo Veritatis Splendor.


O argumento a seguir representa uma das alegações usuais dos chamados "evangélicos", quando tentam argumentar que a “Pedra” citada por Jesus no Evangelho segundo S. Mateus (16,18) não seria o Apóstolo Pedro, mas sim o próprio Jesus, uma vez que as Sagradas Escrituras, em outras passagens, identificam o Cristo como “Rocha” e “Pedra Angular”.

Teologicamente, esta é, para dizer o mínimo, uma argumentação infantil. De fato existem passagens bíblicas em que os termos “pedra” e “rocha” se referem a Jesus. Mas é mais do que claro, - é óbvio, - que isso não significa que todas as vezes em que a Bíblia usa essas palavras está se referindo exclusivamente a Jesus. São inúmeros os exemplos e citações bíblicas que poderíamos usar para demonstrar o que estamos afirmando: o próprio Cristo proclamou-se “Luz do Mundo” em Jo 8,12. Mas Ele também disse aos Apóstolos que eles deveriam ser “Luz do Mundo” , como vemos em Mt 5,13. Vemos, então, que nem todas as vezes que a Bíblia fala em "luz" está se referindo exclusivamente a Jesus.

Da mesma maneira, é óbvio que nem todas as vezes que a Escritura fala em "pedra" está se referindo a Jesus. Além da passagem de Mateus, temos Isaías 51,1-2: nesta passagem, a pedra é Abraão. E também em 1 Pedro 2, 4-5, as Escrituras falam das "pedras vivas", que, neste caso, são o próprio Jesus juntamente com os cristãos fiéis.

É mais do que evidente que Jesus ser chamado "Pedra Angular" é uma coisa, e o fato de o discípulo Simão Barjonas ter sido feito, pelo próprio Jesus, a Pedra sobre a qual edificaria a sua Igreja, é outra coisa, totalmente diferente. Tanto isso é claro que até o nome do Apóstolo foi mudado para Pedra (Pedro).

Mais do que isso, o fato de Jesus aplicar a Simão Filho de Jonas um título que a Bíblia aplica também a Jesus, demonstra a intenção do Senhor em fazer de Simão um representante seu na Terra, assim como acontecera antes com Abraão. Também este teve seu nome mudado (antes era Abrão) quando foi escolhido para conduzir o povo de Deus na Terra, e também este foi comparado a uma pedra ou rocha, exatamente como Pedro. E Jesus Cristo ainda confirmou explicitamente sua intenção ao entregar a autoridade a Pedro, quando lhe dá as Chaves do Reino, que lhe permitiriam ligar ou desligar na Terra o que seria ligado ou desligado no Céu!

E além de tudo isso, convenhamos: se Jesus estivesse naquele momento falando de si mesmo, simplesmente diria "Eu sou a Pedra", assim como disse "Eu sou a Luz do Mundo", "Eu sou o Pão da Vida", "Eu sou a Ressurreição e a Vida" ou "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida", por exemplo.

O Senhor Jesus Cristo, sem dúvida alguma, elevou Pedro como um "pai" para a família dos cristãos (Is 22,21), para guiar o seu rebanho. E o "Príncipe dos Apóstolos" é mais uma vez confirmado como o pastor terreno das ovelhas de Cristo logo após a Ressurreição do Senhor: em João 21, 15-17, por três vezes Jesus pergunta a Pedro se ele o amava, e por três vezes Pedro reafirma seu amor e comprometimento. E então o Salvador, à véspera de deixar os seus discípulos, confia a Pedro a guarda do seu rebanho, isto é, da Igreja, e é importante entender que, naquele momento, confiava-lhe o cuidado de toda a cristandade, fazendo questão de entregar a ele a guarda dos "cordeiros" e também das "ovelhas. “Apascenta os meus cordeiros”, repete o Senhor por duas vezes; e à terceira, diz: “Apascenta as minhas ovelhas”. “Apascentar” significa cuidar, conduzir, guiar, assumir a responsabilidade pelo rebanho; neste caso, é receber do Divino Proprietário a autoridade sobre o seu povo. Apascentar os cordeiros e as ovelhas é, portanto, governar com autoridade a Igreja de Cristo; é ser o condutor: é ter o Primado.

Como se não bastasse, além de tudo isso, o contexto do Novo Testamento demonstra que Pedro tinha a palavra final nos assuntos da Igreja primitiva, em diversas passagens:

# É Pedro quem propõe a eleição de um discípulo para ocupar o lugar de Judas e completar o Colégio dos Doze (At. 1, 15-22);

# É Pedro o primeiro que prega o Evangelho aos judeus no dia de Pentecostes (At. 2, 14; 3, 16);

# É Pedro que, inspirado por Deus, recebe na Igreja os primeiros gentios (At. 10, 1);

# Pedro realiza visitas pastorais às igrejas (At. 9, 32);

# No Concílio de Jerusalém, temos a prova definitiva: é Pedro quem põe um fim à longa discussão que ali se travava, decidindo ele que não se deveria impor a circuncisão aos pagãos convertidos, e ninguém ousou opor-se à sua decisão (At. 15, 7-12).

E esta autoridade de Pedro, assim como a de todos os Apóstolos, era e continua sendo transmitida de um homem para outro, sendo eleitos os novos sucessores pelo próprio Colegiado dos Apóstolos, através dos tempos. No caso de Pedro, as Chaves do Reino dos Céus, entregues por Jesus Cristo, vêm sendo transmitidas, nesses dois mil anos de história, através do papado. Dizer que a autoridade de Pedro morreu com ele seria o mesmo que renegar a Promessa do próprio Senhor Jesus Cristo: "Ide e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado. Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém".

Se o Senhor prometeu que continuaria com a sua Igreja até o fim do mundo, também a autoridade que ele concedeu à sua Igreja permanece, até o fim dos tempos. Esta é a doutrina católica. Esta é a Palavra de Deus, segundo as Sagradas Escrituras. Esta é a Tradição Cristã, de dois mil anos de história. Quem pregar o contrário, seja considerado anátema. Porque, "de fato, não existem 'dois evangelhos': existem apenas pessoas que semeiam a confusão entre vós, e querem perturbar o Evangelho de Cristo. Mas ainda que alguém, nós ou um anjo baixado do céu, vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que seja anátema" (Gálatas 1, 6-8). Graças a Deus.

Como os fatos que apresentamos até aqui, quando analisados de perto são inquestionáveis, numa tentativa desesperada de negar a realidade do Primado de Pedro alguns outros chegaram a criar uma outra interpretação (já bastante manjada), que podemos encontrar em diversos websites e redes sociais da internet:

** Argumento "evangélico": "Sim, a Pedra era Pedro, mas em grego a palavra para pedra grande é 'petra', que significa uma rocha grande e maciça. A palavra usada como nome para Simão é 'petros', que significa uma pedra pequena, uma pedrinha."

De fato, o argumento é tão fraco e desprovido de sentido que, nesse sentido, chega a dificultar a resposta: de tão absurdo, o difícil é saber por onde começar a desmantelá-lo. Principalmente, vemos o quanto são desunidas as denominações "evangélicas", e notamos como o único objetivo que elas têm realmente em comum é negar o catolicismo e a legítima Igreja de Cristo: se o Evangelho de Mateus não está se referindo a Pedro, mas ao próprio Jesus Cristo, então está chamando o Senhor de "pedrinha"!?

Em outras palavras, uma "igreja evangélica" acaba ridicularizando a teoria da outra, na tentativa de negar o catolicismo. Se houvesse mesmo essa alegada diferença nas expressões em grego (que não existe, como veremos), isto só serviria como uma comprovação a mais de que Jesus não estava se referindo a si mesmo nessa frase.

Porém, como sabem os conhecedores do grego antigo (não precisa ser católico), as palavras petros e petra eram sinônimos no grego do primeiro século. Essa diferença de significado pode ter existido séculos antes de Cristo, mas essa distinção já havia desaparecido no tempo em que o Evangelho de Mateus foi traduzido para o grego. Como podemos ter absoluta certeza disso? Simples: a diferença de significados existe apenas no grego ático, e o Novo Testamento foi escrito em grego koiné, um dialeto bastante diferente. No grego koiné, tanto petros quanto petra significam "pedra" ou “rocha”. Se Jesus quisesse chamar Simão de “pedrinha”, teria usado o termo lithos. É uma questão tão simples que até estudiosos reconhecidos das igrejas protestantes históricas o reconhecem: podemos citar, por exemplo, a respeitável obra de D. A. Carson e Frank E. Gaebelein, "The Expositors Bible Commentary".




*** Ignorando a explicação, insiste o "evangélico": "Os católicos pensam que Jesus comparava Pedro à rocha. Na verdade, é o contrário. Ele os contrastava: de um lado, a rocha sobre a qual a Igreja seria construída, o próprio Jesus ('Petra'). De outro, esta mera pedrinha ('Petros'). Jesus queria dizer que ele mesmo seria o fundamento da Igreja, e que Simão não estava nem de longe qualificado para tanto"...

A criatividade do homem não tem limites, e é impressionante perceber até onde chega a sua má vontade: os "evangélicos" adoram interpretar a Bíblia literalmente, em tudo que não faz sentido, como no caso da proibição às imagens, por exemplo (que já estudamos aqui e aqui), e em diversos outros casos. Mas quando é para negar o óbvio, o evidente, o explícito, aí eles vão procurar interpretações desnecessariamente complicadas a partir do texto em grego.

Com certeza é importante estudar os textos sagrados no original. E, por isso mesmo, não podemos nos esquecer que a origem dos Evangelhos não está na língua grega. As narrativas que possuímos hoje foram traduzidas do aramaico, já que esta era a língua falada por Jesus, pelos Apóstolos e por todos os judeus da Palestina. Era essa a língua corrente da região, e sabemos com certeza que Jesus falava aramaico, também, devido a algumas de suas palavras que foram preservadas nos próprios Evangelhos, traduzidas para o grego, como em Mt 27, 46, onde Ele diz, na cruz: Eli, Eli, Lama Sabachtani. Isto é aramaico, e significa, “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?”.

Os livros do NT de que dispomos hoje estão escritos em grego porque não visavam apenas os cristãos da Palestina, mas também os de outros lugares, como Roma, Alexandria e Antioquia, onde o aramaico não era falado, e é por isso que também os Evangelhos foram traduzidos. Muito importante: nas epístolas gregas de Paulo (por quatro vezes em Gálatas e outras quatro em 1Coríntios), preservou-se a forma aramaica do novo nome de Simão. Em nossas Bíblias, aparece como Cefas. Isto não é grego, mas sim uma transliteração do aramaico Kepha (traduzido por Kephas na forma helenística).

Então, sabemos o nome que Cristo realmente deu a Simão, na língua em que eles falavam. Seu nome era Simão, mas Deus lhe conferiu um novo nome, como fizera antes com Jacó e com Abrão, ao entregar-lhes suas missões fundamentais na História da Salvação. Foi assim que o Senhor fez com Simão, mudando seu nome, por ter sido ele o primeiro a confessar que Jesus era o Cristo: Jesus Cristo chamou-o Kepha. E o que significa Kepha, em aramaico? Significa rocha, uma pedra grande e maciça: é este o mesmo sentido de petra, em grego.

Já a palavra aramaica para uma pequena pedra é evna. O que Jesus realmente disse a Simão, numa tradução mais literal, em Mt 16, 18 foi: “A partir de agora tu és Rocha e sobre esta Rocha construirei a minha Igreja”. - O que, mais uma vez, é óbvio; afinal, como construir a Igreja sobre uma pedrinha?

Quando se conhece o que Jesus disse em aramaico, percebe-se que ele comparava Simão à uma rocha; não estava comparando a si mesmo com o Apóstolo, de modo algum; isso seria absurdo. Podemos ver esta realidade, vividamente, em algumas versões modernas e mais apuradas da Bíblia em língua inglesa, nas quais este versículo é talvez melhor traduzido: "You are Rock, and upon this rock I will build my Church". - Já em francês, sempre se usou apenas o termo pierre, tanto para o novo nome de Simão quanto para rocha.

O fato simples e concreto é que não é preciso se perder em estudos linguísticos complexos nem em traduções de línguas orientais antigas para entender a questão. Além de toda evidência gramatical, a própria estrutura da narração de Mt 16 15-19 não permite uma diminuição do papel de Pedro na Igreja, de modo algum. Basta observar a forma na qual se estruturou o texto. Haveria algum sentido em Jesus dizer uma frase mais ou menos parecida com esta: “Bendito és tu, Simão, pois não foi a carne nem o sangue que te revelaram este Mistério, mas meu Pai, que está nos Céus. Por isto eu te digo: és uma pedrinha insignificante, sem valor, e sobre a Rocha, que sou eu mesmo, edificarei a minha Igreja... Eu te darei as chaves do Reino dos Céus, e tudo o que ligares na Terra será ligado no Céu, e tudo o que desligares na Terra será desligado no Céu”!?..

Uma "tradução" deste tipo tornaria-se cômica, não é mesmo? Somente um indivíduo dotado de muita, mas muita má vontade para aceitar uma insanidade dessas. A verdade, que está na Escritura para quem quiser ver, é que Jesus abençoa Pedro triplamente, inclusive com o dom das Chaves do Reino. O Senhor coloca Pedro como uma espécie de comandante ou primeiro ministro abaixo do Rei dos reis, dando-lhe as chaves do Reino. Assim como em Isaías 22, 22, época em que os reis apontavam um comandante para os servir, em posição de grande autoridade para governar sobre os habitantes do reino. Jesus cita quase que verbalmente esta passagem de Isaías, o que torna claríssimo aquilo que Ele tinha em mente.

**** Numa útlima tentativa de argumentar, diz o "evangélico": "Então, se 'kepha' significa o mesmo que 'petra', porque a versão grega não traz 'Tu és Petra'? Por quê, para o novo nome de Simão, Mateus usa o grego 'Petros'?"

A resposta é simples: o tradutor de Mateus teve que fazer isso, simplesmente porque não teve escolha. Grego e aramaico possuem diferentes estruturas gramaticais: em aramaico, pode-se usar somente kepha na passagem de Mt 16, 18. Em grego, encontramos um problema: nesta língua, os substantivos possuem terminações diferentes para cada gênero. Em grego, existem substantivos femininos, masculinos e neutros. A palavra grega petra é feminina. Pode-se usá-la na segunda parte do texto, sem problemas. Mas não se pode usá-la para traduzir o novo nome de Simão, somente porque ele é homem, e não uma mulher. Ao traduzir para o grego, não seria possível usar um nome feminino para um homem. Foi preciso "masculinizar" a terminação do nome. Fazendo-o, surgiu o termo Petros, da mesma maneira que no português não dizemos "Apóstolo Pedra", já que o substantivo pedra é feminino. Também em português foi preciso criar o masculino de pedra, que deu em "Pedro".

Observação: no português, "pedra" pode ser usado tanto para uma estrutura gigantesca como a Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro, quanto para uma pequena pedra que atiramos no rio para formar ondas. Por certo, na tradução do aramaico para o grego perdeu-se parte do jogo de palavras usado pelo Senhor, assim como na tradução para o português.
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