Hitler era católico? Era cristão?


RECENTEMENTE UMA de nossas leitoras, cujo nome não fomos autorizados a divulgar, entrou em contato com o nosso apostolado pedindo orientações sobre como se comportar em relação a uma situação tão absurda quanto (lamentavelmente) comum em nossos dias. Contou-nos ela que uma professora havia dito na escola à sua filha –, uma criança –, depois de saber que a menina era católica, que Hitler também era católico, e que até queria ser padre.

Claro e evidente que a intenção desta professora, que – assim como tantas e tantos outros, atualmente – deve ser adepta da ideologia marxista, é doutrinar a futura geração contra o cristianismo, especialmente contra a Igreja Católica. Essa fábula de Hitler "católico" já está bem manjada, mas os professores socialistas que temos hoje em dia (que geralmente não estão minimamente preocupados com a verdade) não perdem oportunidade para atacar a Igreja, seja de que jeito for. São capazes até de defender alguns dos maiores monstros que a humanidade já produziu, como Josef Stalin e Che Guevara, mas para a Igreja só têm ódio e calúnias. Sei o que estou dizendo, também tenho filho em idade escolar, e jé entrei em uma meia dúzia de querelas por conta de assuntos como este...

Bem, a resposta que dei à leitora é muito, muito simples. Nada mais que uma questão de lógica elementar: ora, se Hitler fosse mesmo católico, de fato, ele não teria feito o que fez. Isto não é óbvio? Ponto. Ainda que ele se julgasse e/ou declarasse católico (o que não se aplica), se apenas tivesse feito um por cento do que fez, sem arrepender-se, penitenciar-se e converter-se, já estaria automaticamente excluído da Comunhão da Igreja.

Estamos com isso afirmando que todo católico é moralmente irrepreensível? Evidente que não. Será que já houve, na História da humanidade, famosos católicosmembros do clero ou nãoque se tornaram conhecidos justamente por seus grandes pecados? A resposta é um sonoro "sim". Existem pérfidos criminosos católicos? Sim, sem dúvida, e muitos. Todavia a questão aqui é outra. O problema é que, por trás da fantasiosa teoria do "Hitler católico", via de regra está a clara tentativa de ligar as maldades do Führer, um dos mais célebres monstros da História, à fé católica, o que se traduz num completo absurdo.

Incentivei, então, a leitora a desafiar a professora a mostrar em qual documento a Igreja manda assassinar judeus ou qualquer pessoa. Que ela mostrasse onde é que o Catecismo da Igreja Católica, ou qualquer Papa, ou qualquer Encíclica, Carta apostólica, pastoral ou Bula, ou qualquer outra fonte oficial de doutrina católica, ensina a supremacia racial que Hitler pregava. Ora, se ele era católico, e fez tanto mal por ser católico (a ideia de fundo é essa – puro argumento ad hominem1 e nada mais), então ele teria que ter aprendido a fazer tanto mal na Igreja. Mas se o que ele pratica é contrário àquilo que a Igreja prega, então ele não pode representar a Igreja. Como disse, muito simples.

Mais do que simples, para qualquer pessoa que possua o mínimo de boa vontade. Não é o caso de muitos dos professores que estão formando nossos filhos, neste exato momento; ainda pior é que a maioria de nós não se mostra muito preocupada com isso.

Agora imaginemos que Hitler tenha realmente se declarado "católico" (não é o caso, como veremos com toda a clareza mais adiante: ele proibiu a exibição dos símbolos católicos, pronunciou por diversas vezes a sua aversão ao cristianismo, ordenou o assassinato de milhares de sacerdotes e promoveu o ocultismo no 3º Reich). Ainda que tivesse dito que era mesmo católico, o que a Igreja teria a ver com isso? Qualquer um pode se declarar o que quiser, mas são os atos de uma pessoa que a definem. Ora, o primeiro Mandamento do "Deus dos cristãos" é o amor – ao próprio Deus e ao próximo como a si mesmo –; logo, mesmo que alguém como Hitler se declarasse católico, evidentemente não era, de fato. Essa lorota surgiu, entre outas coisas, porque o pai de Adolf Hitler, este sim, era católico (a mãe era protestante), e quando criança o Führer chegou a ser coroinha. Aprofundaremos a questão, a partir daqui, com fontes e referências bibliográficas, como convém para quem deseja avançar além do "disse-que-disse".

Se existe uma lição elementar que todos os seres humanos civilizados já deveriam ter aprendido, é que não se deve acreditar no que os maus políticos dizem publicamente, pois ao menos em boa parte dos casos se tratam de mentiras para angariar apoio popular. Devemos, sim, observar o que o político realmente faz, na prática. Assim, por exemplo, um político pode, incansavelmente, berrar milhares de discursos pela defesa da democracia, enquanto "por baixo dos panos" trabalha pela instalação de uma ditadura em seu país (nós já vimos acontecer, e qualquer semelhança com o Brasil não é mera coincidência). – Prestar atenção no que um político faz é muito mais importante do dar ouvidos aos seus discursos. Esta verdade, claro, é ainda mais inexorável no caso de um reconhecido mentiroso contumaz como Hitler.

Certos ateus militantes alegam que Hitler era cristão principalmente por causa das declarações do seu livro "Mein Keimpf", no qual o führer alega estar lutando "em nome de Jesus Cristo". Mas os ateus se esquecem de "detalhes" muito importantes. O primeiro se traduz numa pergunta muito óbvia: porque dão tanto crédito a uma declaração de um monstro moral como Hitler, alguém que tão evidentemente não tinha compromisso algum com a verdade?

Outro "detalhe" é o fato histórico de que Hitler mandou retirar a Bíblia das escolas e substitui-la pelo "Mein Keimpf". Um líder cristão faria algo assim? Ora, Hitler não apenas queria aniquilar fisicamente os judeus, mas também acabar com toda e qualquer influência cultural judaica presente na Alemanha, e ele passou a ver o cristianismo a partir de seu origem judaica, como veremos. Existe um amplo material histórico sobre este assunto, incluindo depoimentos de Hitler aos seus oficiais sobre o que os nazistas deviam pensar sobre o cristianismo, e seus planos para destruí-lo no regime nacional-socialista (nazista). Diversos livros, jornais, documentos e documentários produzidos por historiadores reconhecidos provam que Hitler era indubitavelmente um dos maiores anti-cristãos de todos os tempos, e, ainda mais, um homem que procurava recuperar o paganismo nórdico e cultuava entidades pagãs.



A clássica e impressionante obra "Ascensão e Queda do Terceiro Reich", do jornalista e escritor norte-americano William L. Shirer, relata em pormenores a história da Alemanha nazista. É considerada uma das mais importantes obras sobre o assunto escritas até hoje. Shirer, repórter da CBS, esteve na Alemanha durante vários anos, até dezembro de 1940, quando a crescente censura de suas emissões tornaram o seu trabalho impraticável. Escreveu ele:
Sob a liderança de Rosenberg, Bormann e Himmler, apoiados por Hitler, o regime nazista pretendia destruir o cristianismo na Alemanha e, se possível, substituir o antigo paganismo dos deuses germânicos tribais do passado pelo novo paganismo dos extremistas nazistas."



Outra obra importante é "The Swastika against the Cross" (A Suástica contra a Cruz), de Bruce Walker. Relata o autor:
Os nazistas planejaram a eliminação do cristianismo. Uma vez que isso era de conhecimento público, vários escritores reconheceram este fato crucial enquanto os nazistas estavam no poder. Hoje, em um clima político e social encharcado por medo e ódio ao cristianismo, a oposição nazista à religião é história 'politicamente incorreta'. Mas as palavras escritas em livros antigos não podem ser reescritas para se adequar à calúnia contemporânea contra o cristianismo. O registro de mais de quarenta livros publicados enquanto Hitler estava no poder tem clara e forte conclusão: a suástica estava em guerra contra a Cruz." (sinopse)



Em "The Nazi Persecution of the Churches" (A Perseguição Nazista às Igrejas), J. S. Conway descreve, com meticulosidade acadêmica e apoiado em farta documentação, a triste história da Igreja na Alemanha Nazista. Uma característica única do livro é que se baseia em documentos oficiais dos arquivos nazistas para revelar a política oficial para com as igrejas. Alguns membros da hierarquia nazista, como Bormann e Himmler, eram mais abertamente hostis ao cristianismo e acreditavam que a perseguição absoluta era a melhor maneira de lidar com aqueles que se recusassem a aceitar "o novo modelo do Estado". Outros achavam que o cristianismo estava condenado a morrer por si só, e que a política mais sensata era a de impor pressão disfarçada sobre a igreja, além da concentração de esforços em conquistar a simpatia da jovens, evitando usar hostilidade desnecessária que poderia enfraquecer o apoio popular ao governo.

Igualmente importante é a descrição detalhada das medidas tomadas pelo governo nazista para limitar as atividades das igrejas e apressar o seu esperado declínio. Muita atenção à lista que reproduzimos abaixo:

• Prisões, tortura e execução de milhares de clérigos em campos de concentração. Entre 1938 e 1945, os nazistas deportaram para o campo de concentração de Dachau 2.579 religiosos católicos, entre padres, seminaristas e monges. Este capítulo da Segunda Guerra, apesar de não muito divulgado, foi registrado pelo jornalista francês Guillaume Zeller em seu livro La Baraque des prêtres, Dachau, 1938-1945 ('O Pavilhão dos Padres, Dachau, 1938-1945'). Veja a entrevista que autor concedeu ao jornal "Le Figaro". Casos famosos são o do  grande São Maximiliano Maria Kolbe, sacerdote católico polonês morto em Auschwitz2 e o da freira Ir. Maria Restituta, denunciada, presa e executada pelo regime nazista por pendurar crucifixos nas paredes do Hospital de Modling, Viena, onde trabalhava como enfermeira chefe, contrariando as ordens de Hitler3.

• Assassinatos de opositores religiosos do regime e agressões físicas sobre clérigos, ignoradas pela polícia, eram comuns;

• Organizações e associações – acadêmicas, juvenis, de trabalhadores ou profissionais, femininas e esportivas – religiosas proibidas;

• Apreensão de bens da Igreja, incluindo imóveis de orfanatos, conventos e escolas (com insígnias religiosas removidas e professores demitidos);

• Demissão de funcionários públicos católicos;

• Publicações da igreja censuradas ou proibidas;

• Reuniões religiosas diretamente atacadas pela S. A.;

• Dissolução dos partidos políticos religiosos;

• Ataques à Igreja e ao cristianismo na imprensa;

• Tentativas de forçar todas as igrejas alemãs a serem controladas pelo Estado;

• Restrição de construção de edifícios religiosos;

• Vigilância dos serviços dos líderes de igrejas;

• Ataques públicos sobre a Igreja por líderes nazistas , incluindo Goebbels e Goering

• Proibição de criação de novos grupos religiosos;

• Funcionários públicos obrigados a retirar seus filhos das organizações religiosas juvenis sob a pena de perda de emprego;

• Orações proibidas nas assembleias escolares;

• Remoção de crucifixos e pinturas religiosas das escolas.

** Com a comprovação histórica de todas as medidas listadas acima, ainda será possível que alguém creia que "Hitler era católico"?



O livro "Hitler’s Table Talk" ('Conversas à mesa com Hitler') reúne conversas de Hitler com outros líderes nazistas, geralmente realizadas à mesa do almoço ou jantar, entre os anos de 1941 e 1944. Citaremos aqui algumas passagens escolhidas, evidentemente as relacionadas ao tema que ora contemplamos, traduzidas:
O golpe mais pesado que já atingiu a humanidade foi a vinda do cristianismo. O bolchevismo é filho ilegítimo do cristianismo. Ambos são invenções dos judeus. (pág. 13)
Não se diga que o cristianismo trouxe ao homem a vida da alma, visto que a evolução estava na ordem natural das coisas. (pág. 13)
O cristianismo é uma rebelião contra a lei natural, um protesto contra a natureza. Em sua lógica extrema, o cristianismo significa o cultivo sistemático da falha humana. (pág. 57)
A melhor coisa é deixar o cristianismo morrer de forma natural. Uma morte lenta tem algo de reconfortante. O dogma do cristianismo se desgasta perante os avanços da ciência. A religião terá de fazer mais e mais concessões. Gradualmente, os mitos desmoronarão. (pág. 65)
O cristianismo, é claro, atingiu o pico do absurdo (...). E é por isso que um dia a sua estrutura irá desmoronar. A ciência já impregnou a humanidade. Consequentemente, quanto mais o cristianismo se apega aos seus dogmas, mais rápido declinará. (pág. 66)
Mas o cristianismo é uma invenção de cérebros doentes: ninguém poderia imaginar nada mais sem sentido, nem qualquer forma mais indecente de transformar a ideia da Divindade em um escárnio. (pág. 150)
Com tudo na mesa, não temos razão para desejar que os italianos e espanhóis devem libertar-se da droga do cristianismo. Seremos os únicos imunes à doença. (pág. 151)
Não se pode ter sucesso ao conceber quanta crueldade, ignomínia e falsidade a intrusão do cristianismo tem escrito para este nosso mundo. (pág. 294)



Em seu livro "Apoiando Hitler – consentimento e coerção na Alemanha Nazista", o historiador Robert Gellately revela que Hitler inicialmente recebeu amplo apoio do povo alemão, por vários motivos, como o assistencialismo econômico, o forte combate ao crime, à prostituição e à degeneração moral, o fortalecimento da economia, a geração de empregos, etc. Hitler era um líder populista e carismático, e é evidente que com suas atitudes energéticas alcançando ótimos resultados, obteria o apoio popular que buscava. Entretanto, o antissemitismo não era ainda o ponto forte do regime nazista àquela época: o führer queria inicialmente conquistar e consolidar o máximo apoio popular, e para isso fez uso também de técnicas de oratória e teatro, com intensa propaganda midiática. Registra Gellately:
Hitler também buscou se aproximar de oponentes, como os católicos, assinando um tratado com o Vaticano em 8 de Julho de 1933. Até então os eleitores católicos mantinham-se leais ao seu Partido do Centro, sendo os principais responsáveis pelo fato de os nazistas não conseguirem maioria eleitoral. Logo os católicos, em pouco tempo, se ajustaram à ditadura. Os protestantes, contudo, desde o início foram mais simpáticos ao nazismo. Nas eleições religiosas de 1933, dois terços dos eleitores apoiaram a seita cristã alemã que desejava integrar nazismo e cristianismo (numa nova religião) e expulsar os judeus que haviam se convertido ao protestantismo. Hitler fez um curto apelo pelo rádio aos protestantes, na véspera dessas eleições religiosas, e pediu-lhes que mostrassem seu apoio às políticas nazistas. Ele não teve como ficar decepcionado pelos resultados pró-nazistas." (Pág. 41)

Ao longo do livro, Gellately vai revelando ainda quem Hitler apontava como "inimigo do Estado":
Outra parte do evento (Congresso) em Nuremberg, frequentemente negligenciada, aconteceu em 11 de Setembro,quando Hitler proclamou o que chamou de 'uma luta contra inimigos internos da nação'. Esses 'inimigos' eram vagamente definidos como o 'marxismo judaico e a democracia parlamentar a ele associado'; 'o moral e politicamente depravado Partido do Centro Católico'; e 'certos elementos de uma burguesia burra, reacionária e incapaz de aprender'. A proclamação não informou quais passos seriam dados, mas soou como o princípio de uma guerra social." (Pág. 76-77)

Algum ateu pode explicar como é que um líder "cristão católico" considera o partido católico como um dos principais inimigos do Estado, o qual ele mesmo comandava? É um estranho problema de lógica que os precisa ser resolvido... Mais ainda:
Precisamente nessa época [1936], o Conselho da Igreja Evangélica Alemã escreveu a Hitler para manifestar reservas a respeito da nova Alemanha. O Conselho expressou preocupação com o quanto o país estava se distanciando do Cristianismo, e os membros também mencionaram que estavam com a consciência pesada pela prolongada existência dos campos de concentração [que os nazistas afirmavam ser apenas prisões temporários para inimigos políticos do Estado] e da Gestapo. Infelizmente, nada resultou desse protesto brando." (Pág. 102)

Não se entende muito bem como é que um líder "cristão", que detém amplos poderes políticos, permitiu que a sociedade, à qual governava com mão de ferro, tivesse se distanciado do cristianismo.


Igreja contra o Nazismo

A Igreja Católica – assim como as protestantes – inicialmente chegou a apoiar o partido nacional-socialista, porque julgava que o objetivo de Hitler era criar um Estado forte e patriota que pudesse reerguer a Alemanha da grave crise social, econômica e política em que se encontrava após a 1ª Guerra Mundial e o fracassado experimento da República de Weimar. Mas nem o nazismo nem o fascismo tiveram apoio da Igreja Católica, e isso é facilmente demonstrável através das Encíclicas Papais de Pio XI, a seguir:

Non Abbiamo Bisogno (Nós Não Precisamos) é o nome de uma das Encíclicas de Pio XI, promulgada em 29 de junho de 1931, na qual o Papa condena abertamente o fascismo italiano. A encíclica tem uma postura fortemente antifascista e, como retaliação à sua publicação, o ditador fascista Benito Mussolini ordenou que fossem dissolvidas as associações católicas de jovens na Itália.

Mit Brennender Sorge (Com Profunda Preocupação) é outra Encíclica papal de Pio XI, escrita em 14 de março de 1937, que condenou o nazismo e sua ideologia racista. A reação do ditador nazista Adolf Hitler também foi violenta, avançando fortemente a perseguição de católicos na Alemanha, incluindo fechamento de igrejas e prisões de padres e fiéis. – É importante que se entenda que foi justamente devido a esse tipo de retaliação da parte dos ditadores, que causavam ainda mais sofrimento e tragédias, que a postura da Igreja não foi mais severa, preferindo trabalhar em silêncio.

Hitler ascendeu ao poder em 1933, através de um decreto que o transformava de chanceler a führer;
em 1937 (apenas 4 anos depois), ao início do conhecimento das perseguições violentas a grupos minoritários, o Papa Pio XI publicou sua Encíclica condenando o nacional-socialismo alemão.

Pergunta sem resposta: se Hitler era mesmo "católico", porque não acatou as ordens do Papa expressas nas referidas Encíclicas? As Encíclicas papais citadas acima, por si só, já refutam completamente a ideia de que a Igreja apoiou o nazismo ou o fascismo.

Outra coisa, bem diferente, é dizer que existiram casos isolados de clérigos coniventes com o regime de Hitler, por não acreditarem na extrema maldade do regime nazista (que, diga-se de passagem, era inacreditável para milhões de cidadãos alemães, na época). Isto é, sim, fato, que demonstra apenas a desobediência de tais padres à hierarquia eclesiástica estabelecida. Sempre houve presbíteros desobedientes e hereges na Igreja de Cristo, e por certo sempre haverão, até o último dia.

Recomendamos, ainda, o livro "Conspiração contra o Vaticano", do jornalista americano Dan Kurzman, que demonstra – com exuberância de documentos e depoimentos – planos de Hitler para invadir o Vaticano e sequestrar o papa Pio XII(!)


A fraude sobre a "omissão" de Pio XII:

Não há como abordar o assunto nazismo e Igreja sem falar da calúnia que já se tornou clássica. Curiosamente, foram os ateus e inimigos da Igreja em geral, estes sim, que adotaram a tática da propaganda nazista de J. Goebbels, a quem se atribui a frase infame: "Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade" (cf. STILLE, Alexander, em 'The Sack of Rome', 2007, pág. 14; MOORE, Mike, 'A World Without Walls: Freedom, Development, Free Trade and Global Governance', 2003, pág. 63).

Muitos, no correr dos anos, alegaram que o Papa Pio XII foi um pontífice omisso no que tange ao sofrimento dos judeus e ao totalitarismo nazista, em grande parte devido à influência do infame livro "O Papa de Hitler" de John Cornwell. O que não sabem (nem procuram saber) é que o próprio autor desta tese infeliz acaba por desmenti-la, até no mesmo livro, como vemos:
Cardeal Theodor Innitzer (...) , esse príncipe da Igreja, levou sua ousadia a ponto de receber Hitler calorosamente em Viena. Pacelli (o Papa), ficou indignado com este ato de adesão local. Pacelli divulgou um aviso no L’Osservatore Romano declarando que a recepção a Hitler, oferecida pela hierarquia austríaca, não tinha endosso da Santa Sé. (Pág. 222)
A 3 de março, o Berliner Morgenpost declarou: 'A eleição de Pacelli não é aceita favoravelmente na Alemanha, já que ele sempre foi hostil ao nacional-socialismo'. (Pág. 239)




Indicamos aos leitores que desejarem se aprofundar mais neste assunto específico, dois excelentes livros, que constituem aprofundados trabalhos de pesquisa histórica. São eles "Os Judeus do Papa", de Gordon Thomas, e "Pio XII: o Papa dos Judeus" de Andrea Tornielli, que demonstram com precisão como Pio XII articulou um grande plano humanitário para ajudar os judeus, – em sigilo, para não despertar a ira e retaliação ainda maior de Hitler.

Assim é revelado que padres e feiras deram abrigo secreto a milhares de judeus em mosteiros e conventos, e que o Papa efetuou doações de ouro do próprio Vaticano para socorrer refugiados em Roma, tendo escondido milhares deles em sua própria residência enquanto os nazistas bombardeavam a cidade.



Um fato interessante – e bastante revelador – a respeito de Pio XII foi a conversão ao catolicismo, em fevereiro de 1945, de Israel Zolli, rabino-chefe de Roma durante a ocupação nazista e que adotou como nome de batismo Eugênio, em homenagem ao Papa Pio XII.

Por fim, os motivos para a alegação da suposta "omissão" do Papa Pio XII, e os bastidores do que estava realmente acontecendo dentro do Vaticano durante o regime nazista, foram magistralmente dissecados na obra de Peter Godman "O Vaticano e Hitler – a condenação secreta".

De fato, os nazistas esconderam suas reais intenções e seus verdadeiros planos durante os primeiros anos, enquanto utilizavam a educação estatal (e elaborados métodos de propaganda) para corromper a mentalidade do povo e aos poucos instalar o antissemitismo (demonizando os judeus) naquela geração. Quando os nazistas sentiram que a população estava "pronta", como eles queriam, passaram a falar abertamente (inclusive em jornais) sobre as atrocidades que tinham em mente, pois a grande maioria da população já não oferecia mais resistência à ideia (quem oferecesse resistência era imediatamente declarado 'traidor do Estado') e, pelo contrário, já a apoiava. – Quando os nazistas revelaram que seus planos iam além da melhoria econômica e social na Alemanha, e já não escondiam mais os seus sentimentos e planos antissemitas, a Igreja passou a repudiar o regime.


Documentário

Por fim, a todos aqueles que se interessarem em conhecer a verdadeira religião de Hitler e dos nazistas, há um correto documentário do Discovery Channel que esclarece o assunto em detalhes, o qual disponibilizamos abaixo:



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1. A falácia ad hominem (contra a pessoa) se configura na tentativa de se usar o descrédito de um indivíduo com o objetivo de demonstrar que suas afirmações ou posições são falsas: assim, se 'A' afirma 'B', e 'A' é uma pessoa desacreditada, logo, 'B' deve ser falso. Evidentemente, esta linha de raciocínio nem sempre é verdadeira ou aplicável. O argumento ad hominem, de natureza refutativa, via de regra concretiza-se em estratégias dissimuladas, como lançar suspeitas sobre causas ou instituições com base em determinados de seus membros que, por sua própria conduta, não representam aquela causa ou instituição (traidores). Ex.: João afirmou que 1 + 1 = 2; João é mau aluno em matemática; é sujo, desonesto e mau educado; logo, João não pode ter razão quando diz que 1 + 1 = 2. Na realidade, os defeitos de João não necessariamente significam que tudo o que ele diz ou em que acredita está errado.
(Ref.: 
Sofos Expressões Filosóficas, em sofos.wikidot.com)

2. O carisma do apostolado do padre polonês Maximiliano Maria Kolbe foi marcado pelo amor incondicional a Deus, na profundíssima devoção à Virgem Maria e na evangelização, exercida por meio da palavra, impressa e falada. A partir de 1922, com poucos recursos financeiros, instalou uma tipografia católica onde editou uma revista católica, um diário semanal, uma revista mariana infantil e outra em latim, para sacerdotes. Os números das tiragens eram surpreendentes, mas ele precisava de algo mais, por isso instalou uma emissora de rádio católica. Chegou a estender suas atividades apostólicas até o Japão. O seu objetivo era conquistar o mundo inteiro para Cristo por meio de Maria Imaculada. – Teve de voltar para a Polônia para cuidar da direção do seminário e da formação dos novos religiosos, ao início da Segunda Guerra Mundial: em 1939, as tropas nazistas tomaram a Polônia. Padre Kolbe foi preso duas vezes. Na última, em fevereiro de 1941, foi enviado para o campo de concentração de Auschwitz.

Em agosto de 1941, quando um prisioneiro fugiu do campo, como punição foram sorteados e condenados à morte outros dez prisioneiros. Um deles, Francisco Gajowniczek, passou a chorar em alta voz, dizendo que tinha mulher e filhos. Pe. Kolbe, o prisioneiro n. 16670, solicitou então ao comandante para morrer em seu lugar, e este concordou. Todos os dez condenados, completamente nus, foram postos numa pequena, úmida e escura cela subterrânea, para morrer de fome e sede. Duas semanas depois, sobrevivia ainda Pe. Kolbe, junto com mais 
três. Foram mortos então com uma injeção venenosa, para desocupar lugar. Era 14 de agosto de 1941. – Pe. Kolbe foi beatificado em 1971 e canonizado pelo Papa João Paulo II em 1982. O dia 14 de agosto foi incluído no Calendário Litúrgico para celebrar São Maximiliano Maria Kolbe. Na cerimônia de canonização estava presente o sobrevivente Francisco Gajowniczek, dando testemunho do heroísmo daquele que se ofereceu para morrer no seu lugar. – MARTINS, Antônio Maria. É Possível Ser Santo Hoje. São Paulo: Loyola, 1990, pp. 53-55.

3. PETERSON. 
Larry, 'Conheça a freira condenada à morte por um tribunal nazista', Aleteia, disp. em:
http://pt.aleteia.org/2016/04/14/conheca-a-freira-condenada-a-morte-por-um-tribunal-nazista/
Acesso 12/9/016


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Fontes e bibliografia:
• Estudo de Jonh Costa Almeida, 
"Hitler não era cristão e nem teve apoio oficial da Igreja", disponível em
http://diganaoaoesquerdismo.blogspot.com.br/2014/02/hitler-nao-era-cristao.html
Acesso 31/10/14
•  SHIRER, William L. Ascensão e Queda do Terceiro Reich. Rio de Janeiro: AGIR, 2008.
• WALKER, Bruce. The Swastika Against the Cross: The Nazi War on Christianity. Parker: Outskirts Press, 2008.
• STILLE, Alexander. The Sack of Rome, Londres: Penguin Books, 2007. 
• MOORE, Mike. A World Without Walls: Freedom, Development, Free Trade and Global Governance, Cambridge: Cambridge University Press, 2003. 
• CONWAY, J. F. The Nazi Persecution of the Churches. Vancouver: Regent College Publishing, 1997.
• CAMERON, Norman. Hitler's Table Talk, 1941-1944: His Private Conversations. New York: Enigma Books, 2000.
• GELLATELY, Robert. Apoiando Hitler, consentimento e coerção na Alemanha Nazista. Rio de Janeiro: Record, 2012.
• THOMAS, Gordon. Os Judeus do Papa. Alfragide: Casa das Letras, 2012.
• TORNIELLI, Andrea. Pio XII: o Papa dos Judeus. Porto: Editora Civilização, 2003.
ofielcatolico.com.br

29 de outubro: a Igreja celebra a Beata Chiara Badano


NÃO HÁ NADA de extraordinário ou prodigioso na vida de Chiara Luce Badano. Ou talvez deva ser considerado algo de extraordinário o fato de que, na vida desta bela jovem, que gostava de praticar esportes, ouvir música e estar com os amigos, Deus também esteve sempre presente. – Foi assim desde antes do seu nascimento, pelo qual Ruggero e Maria Teresa Badano pediram a Deus durante 11 anos e que obtiveram, surpreendentemente, no dia 29 de outubro de 1971, em Sassello, interior da Província de Savona, Itália.

Chiara foi sempre persistente, não se importando em viver dentro dos esquemas que tenta lhe impor o mundo e os modismos, e é atenta aos mais necessitados. Em 1981, com apenas nove anos de idade, participou do “Familyfest”, um grande encontro do Movimento dos Focolares. Foi para ela uma revelação: "Passei a ter uma nova visão do Evangelho," – escreveu ela a Chiara Lubich, fundadora do Movimento, – "agora quero fazer deste Livro o único objetivo da minha vida!".

Ainda cedo, também, Chiara descobre o sofrimento. Especialmente quando, por incompreensão de uma professora e apesar dos seus esforços, precisou repetir o primeiro ano do ensino médio. – É a primeira vez em que ela precisa confiar a Deus não só alegrias, mas também sofrimento. Escreve a uma amiga: "De imediato eu não conseguia entregar esta dor a Jesus. Precisei de um pouco de tempo para me recuperar...".

Ainda aos seus tenros dezessete anos, durante uma partida de tênis, uma dor aguda no ombro a leva à trágica descoberta: um tumor dos mais graves, um osteossarcoma.

Um veredito difícil de aceitar, e quase impossível para uma jovem tão feliz, cheia de sonhos e encantada com a vida, que ela tem inteira pela frente. Ao voltar para casa, depois das primeiras terapias, sua mãe a espera, e pergunta: "Como foi, Chiara?". Mas ela, sem olhar para a mãe, joga-se na cama, e ali permanece longo tempo, tomada por imensa angústia, empenhada numa intensa luta interior. Somente após intermináveis 25 minutos, com o seu sorriso de sempre, diz: "Mamãe, agora você pode falar!"... – Chiara havia decidido e dito, dentro de si, o seu sim a Deus, e desde então nunca voltou atrás.

Nunca pediu por um milagre, apenas voltou-se à Santíssima Virgem escrevendo-lhe um bilhetinho: "Mãezinha do Céu, tu sabes como eu desejo a cura, mas se tal não está no plano de Deus, peço-te a força para nunca desistir. Tua humilde Chiara".

Naquele momento, como tinha declarado várias vezes, interessa-lhe apenas “cumprir com amor a Vontade de Deus: estar no seu Plano!”. Entrega-se a Ele com total confiança e convida a mãe a fazer o mesmo: “Quando eu partir, confia em Deus e segue em frente!”.

Nesta fase é que lhe foi dado, por Chiara Lubich, seu “nome novo”, com a qual ficaria conhecida mundialmente: "Luce": “Porque nos teus olhos vejo a luz do Espírito Santo”; e desde então passou a ser “Chiara Luce”.


O sorriso aberto e cheio de confiança permaneceu até o fim

O tempo passa inexoravelmente. O fim aproxima-se, e Chiara é bem consciente disso: “A medicina depôs as suas armas, agora só Deus pode”. E acrescenta: “Se agora pudessem me fazer voltar a caminhar, diria que não, porque assim estou mais próxima de Jesus”.

Existia nela um grande desejo de Paraíso, maior que todo o resto, Paraíso onde ela seria “muito, muito feliz”, e por isso ela se prepara para as suas “núpcias”. – "Por Ti, Jesus. Se Tu queres, eu também quero!"; as terapias são dolorosas, mas a oferta é sempre decidida. E Chiara não perde nenhuma ocasião para amar.

"No início tínhamos a impressão de ir ao encontro dela para apoiá-la", – conta um amigo, – "mas logo percebemos que, entrando no seu quarto, nos sentíamos projetados na aventura maravilhosa do Amor de Deus!". E não é que Chiara dissesse frases extraordinárias ou escrevesse páginas e páginas. Ela simplesmente amava!".

Quanto mais a doença progride, mais a experiência de Chiara torna-se intensa. Chega a rejeitar a morfina porque lhe "tira a lucidez, e a dor é a única coisa que eu posso oferecer a Jesus. É só o que me restou!".


Vestida como uma noiva, Chiara entregou-se ao seu Bem-Amado Divino

No dia 7 de outubro de 1990, festa de Nossa Senhora do Rosário, Chiara Luce deixa este mundo e alcança o seu tão amado Esposo. Deixou um último sorriso ao pai, Ruggero, e depois uma palavra à mãe, Maria Teresa: "Mamãe, seja feliz, porque eu já sou!". Uma multidão participa do funeral, sobretudo jovens, celebrado dois dias depois pelo “seu” Bispo, e, como ela mesma havia pedido, é sepultada com um vestido branco, "como uma esposa que vai encontrar Jesus". Por entre lágrimas, o ambiente é de alegria; os cantos que se elevam para Deus exprimem a certeza que Chiara agora está na "Luce" (Luz).

"Os jovens são o futuro. Eu não posso mais correr, mas quero passar a tocha para eles, como nas olimpíadas. Os jovens tem uma única vida, e vale a pena usá-la bem!", ela havia dito pouco antes de morrer. Os 25 mil jovens presentes à cerimônia de sua beatificação, no dia 25 de setembro de 2010, demonstram que, com a sua vida, Chiara Luce Badano testemunhou um modelo de santidade que todos podem viver.

** Página oficial de Chiara Luce Badano

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Fontes:
• MAGRINI, Mariagrazia. Di Luce in Luce, Un Sì a Gesù – Chiara Badano. Ed. San Paolo: Paulus, 2004
• Sítio do Movimento dos Focolares, em
http://www.focolare.org/pt/news/2012/10/29/beata-chiara-luce-badano/
Acesso 29/10/014
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Mais 4 anos?


Por Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa – Capela Santa Maria das Vitórias

MUITA COISA se pode dizer sobre a tragédia ocorrida no último domingo, 26 de outubro de 2014, Solenidade de Cristo Rei. Em primeiro lugar, cumpre sublinhar que, com efeito, não se tratava de uma luta entre um estadista e uma nulidade, mas apenas da oportunidade de, servindo-nos de um instrumento muito deficiente, tentar varrer do Palácio do Planalto uma senhora que, apesar de desprovida da mínima capacidade de gerir sua própria vida doméstica, tem, no entanto, em suas mãos uma caneta apta a infernizar a família brasileira em muitos setores.

Que Madame Rousseff seja inepta está patente e passará para a história do Brasil, graças àquela pérola que ela proferiu respondendo, no último debate, a uma economista cearense, de 55 anos, desempregada: “Matricule-se em um dos cursos profissionalizantes criados pelo governo federal.” Um acinte, um deboche, uma provocação. Uma falta de respeito a quem quer trabalhar e produzir, e não viver como parasita do Estado socialista-lulopetista.

A rainha Maria Antonieta da França foi achincalhada pelos revolucionários que lhe assacaram a autoria da frase: “Se o povo não tem pão, que coma brioches”. Certamente, não disse isso por ironia, se é que realmente disse. Não era a governante e não tinha obrigação de conhecer toda a realidade da França. Ao contrário, a pérola dita pela Rousseff, se o povo brasileiro for inteligente, deverá passar para as gerações futuras como uma prova de que a referida governante era tola ao cubo, além da medida do tolerável. Sem dúvida, era dever dos homens de bem e responsáveis trabalhar para a vitória do Lulécio.

O grande perigo, agora, será querer fazer ao desgoverno lulopetista uma oposição civilizada, como se vivêssemos tempos normais. Temos de tomar consciência de que, efetivamente, vivemos uma guerra disfarçada. A súcia eleita é composta de marxistas que dilapidam diante de nossos olhos o patrimônio moral, cultural e econômico da nação. A oposição terá de ser enérgica e levada às últimas consequências.

Por outro lado, creio que será necessário repensar o sistema político moderno mais a fundo, procurando esclarecer os espíritos retos, que, contudo, ainda nutrem ilusões sobre a partidocracia, o sufrágio universal, a tripartição do poder etc. É preciso mostrar às pessoas que há uma enorme ignorância em torno desse monstro sagrado, desse Moloc, desse Baal que devora seus próprios filhos chamado democracia.

Não se trata, evidentemente, de propor uma ditadura ou um regime totalitário como solução do problema político que nos aflige. Trata-se de fazer ver às pessoas que ainda guardam um mínimo de bom senso que o problema político resulta de um problema mais grave: a crise espiritual religiosa e moral que vem destruindo a família como instituição fundamental de qualquer sociedade sã. Hoje não temos uma sociedade orgânica, composta por famílias autênticas, com raízes e valores; temos apenas uma poeira humana, um individualismo idolatrado, um rebanho humano que, tangido pelo marketing e outros recursos da sociedade de massas moderna, acorre às urnas. Cujo resultado só pode ser viciado pelos erros já indicados do igualitarismo e individualismo. No Brasil, as eleições são sempre uma tragédia, um terremoto com data marcada, desde Getúlio até nossos dias.

Em suma, é necessário que as lideranças autênticas da sociedade civil, tendo a frente homens prudentes e patriotas, que conheçam realmente a ciência política, procurem dotar o Brasil de instituições políticas mais consentâneas com a índole do seu povo e sua formação história.

Se conseguirmos reconstituir a sociedade civil formando boas famílias, boas escolas e paróquias (que não sejam currais do lulopetismo e outras formas de demagogia revolucionária), se conseguirmos dar uma solução para o seríssimo problema das universidades federais que são institutos de culto à ignorância, às drogas e à imoralidade, quem sabe, depois de muito sacrifício, sangue, suor e lágrimas, teremos a verdadeira política, aquela que promove o bem comum, constrói a civilização e descortina o futuro preservando a tradição. Alguns desses problemas podem ser solucionados sem passar pela política, dependem apenas de cada um de nós cumprir o seu dever de estado, outros são mais difíceis. Mas cada coisa tem a sua hora e vez.

Finalmente, desejaria dizer que, não participando da orgia democrática e não esperando ansiosamente as próximas eleições, confio que na hora em que acabar o dinheiro e começarem a minguar as “bondades” distribuídas pelo governo de Madame Rousseff, quando a inflação disparar e o escândalo do "petrolão" vier a público em seus pormenores escabrosos, os seus quatro anos de mandato estarão seriamente ameaçados, para o nosso bem. Amen. Aleluia.

Pe. João Batista de Almeida Prado Ferraz Costa
Anápolis, 27 de outubro de 2014

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Fonte:
Capela Santa Maria das Vitórias, disponível em:
http://santamariadasvitorias.org/mais-4-anos/
Acesso 28/10/014
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Asia Bibi escreve ao Papa


Lahore (RV) – “Papa Francisco, sou a tua filha Asia Bibi. Imploro-te: reza por mim, por minha salvação e minha liberdade. Neste momento, posso somente confiar em Deus, que é o Todo-poderoso, aquele que tudo pode por mim”. – São palavras da cristã Asia Bibi, condenada à morte por blasfêmia no Paquistão (veja aqui), dirigindo-se ao Papa por meio de uma carta. O tribunal de recurso de Lahore confirmou quinta-feira, 23, a sentença de condenação à morte já emitida em primeira instância, em 2010.

“Estou ainda agarrada fortemente à minha fé cristã e tenho confiança em Deus, meu Pai, que me defenderá e me restituirá a liberdade. Confio também em ti, Santo Padre Francisco, e em tuas preces”, escreve a cristã. “Papa Francisco," – prossegue, – "sei que estás rezando por mim com todo o coração. Sei que graças às tuas orações, a minha liberdade poderá ser possível. Em Nome de Deus Todo-poderoso e de sua Glória, te expresso todo o meu agradecimento por tua proximidade neste momento de sofrimento e desilusão”.

“Minha única esperança," – acrescenta, – "é pode ver um dia minha família reunida e feliz. Creio que Deus não me abandona e tem um projeto de bem e de felicidade para mim, que se concretizará em breve. Estou grata a todas as pessoas que nas comunidades cristãs em todo o mundo rezam por mim e fazem de tudo para me ajudar”, completa.

Segundo um dos advogados de defesa, o cristão Naeem Shakir, “a justiça paquistanesa está cada vez mais nas mãos dos extremistas”.

A cristã foi condenada à morte por enforcamento em novembro de 2010, tendo sido insuficientes os apelos à libertação feitos pelo governador Salman Taseer e o ministro cristão das Minorias, Shahbaz Bhatti, ambos sucessivamente assassinados.

O observatório para a liberdade religiosa no mundo, da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), afirma que no Paquistão, “o pior instrumento de repressão religiosa é a lei da blasfêmia, que continua a causar cada vez mais vítimas”.

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Fonte:
http://pt.radiovaticana.va/news/2014/10/26/crist%C3%A3_condenada_%C3%A0_morte_no_paquist%C3%A3o_escreve_ao_papa/bra-833094
Acesso 27/10/014

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Pela Santa Missa adoramos dignamente a Deus (Excelências da Santa Missa – VI)


Leia o primeiro capítulo

Por S. Leonardo de Porto-Maurício, da Ordem dos Frades Menores

S. Leonardo de
Porto-Maurício
NOSSA PRIMEIRA obrigação para com DEUS é adorá-Lo e honrá-Lo. Sendo DEUS de Majestade infinita, homenagens infinitas Lhe devemos. Infelizes que somos! Onde encontraremos oferenda digna de nosso Criador? Passai vós em revista todas as criaturas do Universo: coisa alguma encontrareis digna Dele.

Ah! é que uma oferenda digna de DEUS não pode ser senão o próprio DEUS. Necessário é que Aquele mesmo. que está assentado no Trono de Sua Majestade, desça para oferecer-se como vítima sobre nossos Altares, a fim de que a homenagem corresponda perfeitamente à Excelência de sua Grandeza infinita.

É isto é o que se realiza na Santa Missa, única Homenagem pela qual DEUS é adorado na medida que merece, porque é adorado por DEUS mesmo, isto é, por JESUS que, pondo-se sobre o Altar em estado de Vítima, adora a SANTÍSSIMA TRINDADE por um ato de inefável dependência tanto quanto Ela merece. E de tal modo que todas as outras homenagens que Lhe possam prestar as criaturas, comparadas a essa Humilhação de JESUS, desaparecem como as estrelas em presença do Sol.

Conta-se de uma santa alma que, totalmente abrasada de Amor a DEUS, traduzia em mil desejos o ardor de sua ternura: “Ah! meu DEUS", dizia ela, "quisera ter tantos corações e tantas línguas como há de folhas em todas as árvores, de átomos no ar e de gotas d´água no oceano, para vos amar e louvar como mereceis. Oh! Se eu os tivesse em meu poder e todos se consumissem de amor por vós, contanto que eu vos amasse mais que todas juntas, mais que todos os Anjos, os Santos e todo o Paraíso!” – Certo dia em que tal desejo se repetia com mais fervor do que nunca, ouviu ela o SENHOR responder-lhe: “Consola-te, minha filha, pois com uma só Missa da qual participas com devoção, dás-me toda esta Glória que me desejas, e ainda mais, infinitamente”.

Admira-vos talvez esta afirmação? Não tendes motivo, pois visto nosso Boníssimo JESUS ser não somente Homem, mas DEUS verdadeiro e Todo-Poderoso, quando Ele se aniquila sobre o Altar, dá com este ato homenagem e adoração infinitas à SANTÍSSIMA TRINDADE. Deste modo nós, que concorremos com Ele no oferecimento deste grande Sacrifício, damos também de nossa parte, a DEUS, honra e homenagem infinitas. Oh! Que coisa sublime! Digamos uma vez ainda, pois importantíssimo é sabê-lo: sim, assistindo à Santa Missa, prestamos a DEUS adoração, honra e homenagem infinitas.

Deixai, aqui, empolgar-vos de admiração, e reconhecei que é absolutamente verdade dizer que, ao assistirmos com devoção à Santa Missa, damos a DEUS mais glória do que lhe dão, com suas adorações, todos os Anjos e todos os Santos juntos: pois, definitivamente, eles são apenas simples criaturas e, portanto, suas homenagens são limitadas e curtas. Na Santa Missa, porém, JESUS se aniquila, e esta Humilhação é de valor e mérito infinitos.

Por conseguinte, a homenagem e a honra que por meio d´Ele prestamos a DEUS na Santa Missa são homenagem e amor infinitos. Sendo assim, como quitaremos bem a nossa primeira dívida com DEUS, assistindo à Santa Missa! Ó mundo obcecado, quando abrirás os olhos para compreender verdade tão importante?

E vós, cristãos negligentes, tereis ainda a coragem de dizer: “Uma Missa a mais, uma Missa a menos...”? Que triste cegueira!

** Ler o capítulo seguinte

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Fonte:
MAURÍCIO, Leonardo de Porto. As Excelências da Santa Missa, conforme a ed. romana de 1737 dedicada a S.S. o Papa Clemente XII
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Mãe de cinco filhos, cristã, pode ser enforcada por "ofender Maomé"


A CORTE DE LAHORE, Paquistão, rejeitou na quinta-feira, 16 de outubro (014), o recurso contra a sentença de morte de Asia Bibi, cristã, mãe de cinco filhos. O caso remonta a 2009, quando Asia, trabalhadora rural, se ofereceu para buscar água para algumas de suas colegas durante um dia quente de trabalho. Estas recusaram, dizendo que não podiam aceitar água das mãos "impuras" de alguém que não fosse muçulmano.

Magoada, Asia discutiu com as mulheres, as quais, por sua vez, reclamaram ao clérigo muçulmano local. Este exigiu que Asia se convertesse ao Islã ou a denunciaria à polícia. Ela se recusou, foi levada à polícia e então sentenciada à morte(!) por ter supostamente "ofendido" o profeta Maomé.

O juiz, Naveed Iqbal, quem a condenou à morte, ofereceu-lhe a liberdade em troca dela se converter ao islamismo. Asia corajosamente respondeu que preferia morrer como cristã a sair da prisão como uma muçulmana. E ainda disse a seu advogado: "Tenho sido julgada por ser cristã. Creio em Deus e em seu enorme amor. Se o juiz me condenou à morte por amar a Deus, estarei orgulhosa de sacrificar minha vida por Ele".

Medidas de segurança foram tomadas para proteger Asia Bibi na prisão de Shekhupura, pois há sempre uma movimentação de grupos que querem linchá-la até a morte. Ela permanece completamente isolada e prepara sua própria comida para evitar ser envenenada.

Da prisão, Asia escreveu: "Não consigo mais suportar a visão de pessoas cheias de ódio, aplaudindo a decisão de se executar uma pobre trabalhadora rural. Não os vejo mais, mas ainda ouço a multidão que aplaudiu o juiz, gritando: 'Matem-na! Matem-na!'... Allahu Akbar!"1.

O calvário de Asia Bibi vem se prolongando já há terríveis cinco anos. Enquanto isso, certos políticos que nos governam declaram-se muito preocupados com uma tal "islamofobia" supostamente existente em nosso país...

O caso de Asia ainda admite recurso para a Suprema Corte daquele país. Rezemos e participemos ativamente das campanhas pela libertação desta destemida e sofrida irmã em Cristo.

** Assine a petição "Liberdade para Asia Bibi", da Fundação Citizen Go

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1. "Deus é maior, em árabe

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Fontes: 
• Huffington Post, disponível em
http://www.huffingtonpost.co.uk/2014/10/17/asia-bibi-pakistan_n_6002652.html
Acesso 23/10/014
•CNA, disponível em
http://www.catholicnewsagency.com/tags/asia-bibi/
Acesso 23/1/014
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A Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria


TRATA ESTE ESTUDO de um assunto de fundamental importância, não só para a nossa devoção, – nós, católicos, – pela Santíssima Virgem, como também para a fé cristã como um todo: a Imaculada Conceição de Nossa Senhora.

A doutrina da Imaculada Conceição (ou Imaculada Concepção) é um dogma da Igreja, e certamente um dos mais mal compreendidos. Um dogma, como vimos aqui, é uma verdade de fé que deve ser crida por todo cristão (assim como a própria existência de Deus, que é o primeiro dogma: se não cremos em Deus, para começar, não há como nos considerarmos cristãos). Logo, todo cristão deve crer na Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria. Ideal, porém, é conhecer para crer melhor. Para começar, é preciso entender muito bem o que quer dizer, exatamente, “Imaculada Conceição”.

A expressão "Imaculada Conceição" quer dizer que Nossa Senhora foi concebida sem a mancha do Pecado original, não tendo jamais pecado durante toda a sua vida. Mas como pode ser isto?

Antes de tudo é preciso saber que o Pecado original não consiste na dívida de pena eterna, isto é, no castigo condenatório merecido pelos descendentes de Adão, ele que era a cabeça do gênero humano. Segundo a doutrina católica (cf. Concílio de Trento), o Pecado original, verdadeiro e estrito pecado, é a dívida da culpa (cf. Dz 376, 789, 792). Assim é que S. Paulo Apóstolo decreta: "...Todos temos pecado" (cf. Rm 5,19). 

Deste modo, todos herdamos o Pecado original de nossos pais, eles de seus pais e assim sucessivamente até o primeiro homem. – E os efeitos do Pecado original são a tendência para o mal e para a inimizade com Deus. – Assim, a Virgem Maria também precisou ser salva, assim como qualquer um de nós, pelo Sacrifício Redentor de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ela, porém, diferente de nós, já no instante de sua concepção foi preservada do Pecado original; consequentemente, foi poupada dos seus efeitos, já que foi remida não da maneira comum a todos (pelo Batismo), mas de maneira tal que a preservou de cometer pecado ou de sequer desejar cometê-lo.

Quando Pio IX proclamou o dogma, estabeleceu explicitamente que a Imaculada Conceição de Maria ocorreu por causa da Graça única de Deus, em vista dos Méritos de Jesus Cristo. Por isso, o problema da usurpação por parte de Maria do lugar de Cristo não existe. Ao contrário, o privilégio de Maria tem como fundamento a Graça salvífica de Deus em Cristo.

Podemos usar de uma comparação simples para facilitar a compreensão desta diferença: se uma pessoa cai num poço, e chafurda na lama ao fundo até que alguém a tire de lá, esta pessoa foi “salva” por quem a tirou. Perfeito. E se outra pessoa está já caindo no poço, em plena queda, sem chance nenhuma de se salvar por suas próprias forças, mas alguém suficientemente forte a segura em pleno ar e a puxa para a segurança, impedindo que mergulhe abaixo, esta também foi “salva” por quem impediu a sua queda. – Assim Nossa Senhora foi salva, como quem é salvo de cair no poço, ao invés de ser salva como quem já caiu dentro dele, sujou-se todo e se machucou (o caso de todos nós).

E era absolutamente necessário que assim fosse, por uma razão simples: Deus preparou a Virgem especialmente, desde a queda do homem (Gn 3,15), para carregar o Salvador, Deus mesmo, em seu ventre. Seu Filho não era um menino qualquer que depois “virou Deus”. Não. Ele era, ou melhor, é desde sempre e continuará, sem fim, o eterno "Eu Sou": YHWH1; DEUS.

Sim. A partir de sua concepção no seio da Virgem Maria, pelo Espírito Santo (Lc 1,31), Deus tomou nossa natureza humana, sem perder sua Natureza Divina, e fez-se homem. – E como vimos, o Pecado original é transmitido dos pais aos filhos. Segue daí que Jesus, sendo Deus, não poderia jamais vir ao mundo como fruto de um ventre contaminado pelo pecado; não poderia tomar carne e sangue de alguém que, como explica S. Paulo, é escravo do demônio (Hb 2,15), por tender ao pecado em virtude das consequências do Pecado original.

É preciso lembrar que o Sangue de Jesus, que nos salva, é o mesmo sangue de Maria; o Corpo de Jesus, único Sacrifício que pode nos reconciliar com Deus, é o Corpo formado do corpo de Maria, de quem o Senhor tomou sua constituição humana. Você já parou para pensar nisto? Já meditou sobre este Mistério tremendo? 

No Livro do Êxodo (25,10-22) vemos o extremo cuidado que Deus ordena na preparação e no trato para com a Arca da Antiga Aliança, destinada a portar as Tábuas onde Deus escrevera a Lei dada a Moisés (Dt 10,1-2). Para portar a Lei, o SENHOR manda que se faça a arca com muitíssimos e detalhados cuidados, que tem que ser de ouro e madeira de acácia, – os materiais mais nobres e puros, raros e caros na época.

De tão sagrada, esta Arca não pode sequer ser tocada! Em 2Sm 6,6-7, vemos como Oza, filho de Abinadab, ao perceber que os bois que carregavam o carro com a Arca tropeçam, sem pensar corre para a aparar com as mãos; e imediatamente cai morto, fulminado pela Santidade de Deus!

Ora, se para com a Arca da Antiga Aliança, – que guardava Tábuas de Pedra com a Lei do Antigo Testamento, – havia tanto rigor e era necessária tamanha pureza, o que não seria necessário para que a uma mulher fosse concedida a Graça incomensurável de ser, ela própria, o Tabernáculo da Nova e Eterna Aliança, que abrigaria em si mesma não tábuas de pedra, mas sim Corpo e Sangue, Alma e Divindade do Deus Vivo e Verdadeiro! Não teria que ser ela totalmente pura, imaculada? Mais uma vez, cabem as perguntas feitas acima: você já parou para pensar nisto? Já meditou sobre este Mistério tremendo? 

Tente imaginar como foi preparada aquela que levaria o próprio SENHOR e Salvador em seu ventre, aquela cujo sangue nutriria o Verbo de Deus feito Carne, cujo leite alimentaria Deus feito homem(!). Se a Arca que haveria de conter a Palavra escrita precisava ser puríssima, poderia o próprio Verbo do Deus Vivo e Encarnado ser concebido e se desenvolver dentro de um útero minimamente impuro? A Carne de Cristo poderia ter sido tomada e formada a partir de uma mulher comum, escrava do Pecado como qualquer outra?

Vemos claramente que não se trata de uma doutrina desprovida de fundamento, "inventada". É preciso entender que nem tudo as Sagradas Escrituras dizem explicitamente. Muito está dito implicitamente, e para ser compreendido necessita, – não sem razão, mas pelo próprio Desígnio Divino, – do ensinamento da Santa Igreja, que é, segundo as mesmas Escrituras, Casa do Deus Vivo, coluna e sustentáculo da Verdade (1Tm 3,15).



A controvérsia protestante

Como sabemos, para nossos irmãos separados tudo o que importa é o que diz o texto da Escritura, – diferentes de nós, católicos, que temos a Igreja de Cristo, Corpo Místico de Cristo, como Mãe e Mestra. – De todo modo, é possível confirmar, sim, que as Sagradas Escrituras textualmente declaram Maria preservada do Pecado original, no Evangelho segundo S. Lucas (1,28), quando o Arcanjo Gabriel se mostra à pobre Virgem de Nazaré e a saúda, dizendo: “Ave, cheia de Graça, o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres!”.

Mesmo assim, a controvérsia existe, porque há discordância na tradução e/ou na interpretação desta tradução. Para entendê-la, vamos apreciar agora, de forma breve, as traduções protestantes desta passagem.

As principais traduções protestantes trazem a palavra "agraciada" ou "favorecida" no lugar de "cheia de Graça", na passagem de Lc 1,28. Para solucionar o problema, basta esclarecer, – o que faremos a partir daqui, – que a tradução literal (do grego koiné) da saudação do anjo a Maria pode ser para "cheia", "plena" ou "repleta" de Graça: a expressão quer dizer, objetivamente, que a Santa Virgem é completamente cheia, totalmente preenchida pela Graça Divina. Não foi sem razão que S. Jerônimo (séc. IV), o maior especialista cristão nas línguas bíblicas, ao traduzir as Escrituras para o latim (a Vulgata), usou a expressão Gratia plena (plena de Graça). E não existem muitas dúvidas quanto a este assunto entre os especialistas realmente importantes de hoje, sejam laicos, católicos, ortodoxos ou protestantes. Pode-se discutir doutrina, Teologia, lógica. Pode-se discorrer e elucubrar sobre as implicações do que o Anjo disse. Mas não se pode mudar o que o Anjo disse.

A expressão “cheia de Graça”, no original grego, é kecharitomene (κεχαριτωμένη), e expressa a Graça de Deus em plenitude. É usada por S. Paulo na Carta aos Efésios (1,5-6): “No seu Amor nos predestinou para sermos adotados como filhos seus por Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua livre Vontade, para fazer resplandecer a sua maravilhosa Graça (Charitou), que nos foi concedida por Ele no Bem-amado”.

Esclarecido este ponto, é preciso saber que há uma disputa insolúvel entre católicos e protestantes sobre a correta tradução do termo kecharitomene. Consideramos infrutífero entrar nessa discussão, a qual não nos pode levar senão a uma "queda de braço" sem vencedor, na palavra de um teólogo contra outro, um especialista em filologia contra outro. O que expusemos acima, evidentemente, é a posição católica, à qual fazemos nossa adesão de fé, de reta consciência diante de Deus. Podemos dizer, neste sentido, que o estudo respeitadíssimo da École Biblique et Archéologique Française de Jerusalém, do célebre Prof. Dr. Pierre Bordreuil e de tantos outros ícones do estudo das Escrituras nos idiomas originais (e também do seu contexto histórico-filológico), concorda 100% com o exposto aqui. A tradução do termo em questão deste renomado instituto é a seguinte:

"Kecharitomene: Cheia de Graça; literalmente: 'Tu que foste e permanecereis repleta do Favor divino".2

Aqui poderíamos entrar num novo debate: este "Favor" divino é o mesmo que Graça divina? Absolutamente sim, mas esta realmente não é a principal discordância entre católicos e protestantes. O que vemos como ponto fulcral das argumentações protestantes sobre o tema é no sentido de insistir que essa Graça ou esse Favor especial da parte de Deus para com Maria seria imerecido. – O que de modo algum é um problema, simplesmente porque é um fato mais do que claro que a doutrina católica jamais afirmou que Maria "mereceu" a Graça por si mesma, ou que foi por seus próprios méritos que recebeu a Graça. Como já dissemos de modo bem claro acima, cremos que Maria foi salva e recebeu essa Graça pelos Méritos de Cristo, único Salvador do gênero humano. Insistimos que também Maria foi salva, resgatada pelo Sacrifício do Cordeiro. – Porém, no caso dela essa salvação se deu de modo extraordinário.

Evidentemente, só pode ser "cheia de Graça" quem foi "agraciada", assim como só pode ser mergulhado quem foi molhado. Entretanto, as traduções “agraciada” ou "favorecida" não transmitem a plenitude da Graça recebida por Nossa Senhora. Tais interpretações do texto original deixam margem para uma imprecisão que simplesmente não se encontra no original grego. O kecharitomene de S. Lucas (1,28) diz, literalmente, que Maria sempre foi e sempre será plenamente cheia de Graça. E a Luz não tem comunhão com as trevas; Graça e pecado não habitam a mesma alma, porque são opostos (Rm 6,14).

Maria, além disso, é a única chamada Cheia ou Plena de Graça. Mais ainda, ela é chamada assim antes do Sacrifício do Cristo(!). Ora, uma mulher comum, uma escrava do Pecado original, alguém que peca e tornará a pecar, não poderia ser plenamente “cheia de Graça”. A Virgem, portanto, foi salva antes, no momento de sua concepção (diferente de nós), pelos Méritos de Cristo (assim como nós).

Que plenitude da Graça era essa que Maria alcançou? Era a Graça original, a Graça perdida, do tempo em que nossa natureza humana não estava sujeita ao Pecado, antes de o gênero humano cair e perder, por sua livre escolha, a Comunhão com Deus. Assim, do mesmo modo como nos tempos de Josué o SENHOR impediu que as águas do Jordão tocassem a Arca da Aliança (Js 3,11-16), o mesmo Deus também impediu que as torrentes do Pecado original tocassem a alma da Virgem no momento de sua concepção, com o fim de preparar o Tabernáculo pelo qual Deus Filho, o Cristo, viria.


"Se Maria é imaculada, porque precisou se purificar no Templo?"

Alguns dizem que a “prova” de que Maria não foi preservada do Pecado está no fato de ter cumprido os rituais de purificação (Lc 2,22) com uma oferenda pelo pecado (Lv 12,2-8). Mas o que o Evangelista diz é que “foram concluídos os dias da purificação de Maria segundo a Lei de Moisés”(Lc 2,22), e não que ela tivesse pecado. Nossa Senhora faz o sacrifício para submeter-se à Lei, assim como o próprio Cristo também o fez (Gl 4,4), mesmo sem precisar: para não ser causa de escândalo (Mt 17,26) e dar exemplo de obediência, para que saibamos obedecer à Lei de Cristo como Ele obedeceu à de Moisés.


"A Bíblia diz que todos pecaram; logo, Maria também pecou"

Outros querem ver na afirmação de S. Paulo (Rm 3,23), de que “todos pecaram”, uma evidência inconteste contra a Imaculada Conceição de Maria. Do mesmo modo, entretanto, esta afirmação não pode ser tomada genérica e literalmente, pois, se assim fosse, Nosso Senhor também teria pecado, pois Ele viveu neste mundo como homem, e a Escritura diz “todos”, genericamente. – Além disso, o mesmo Apóstolo, na mesma Epístola, fala dos que "não pecaram como Adão" (Rm 5,14).

Muitos outros exemplos podemos encontrar, na Bíblia, do uso desta expressão generalizante ('todo'; 'todos') sem o significado literal que não permitiria nenhuma exceção: em Mt 4,24, está escrito: “Trouxeram-lhe todos os que tinham algum mal”, mas é óbvio que nem “todos” os doentes do mundo foram à Galileia, não é?

Em Jo 12,19, está escrito: “Nada conseguis; todos vão atrás dEle”, que é Jesus. E será que realmente todas as pessoas do mundo, sem exceção, seguem Jesus? Quem dera! Do mesmo modo, em Mt 3,5-6, vemos que “toda a Judeia e toda a terra dos arredores do Jordão” ia ser batizada por S. João Batista. Mas nós sabemos que nem todos foram batizados, já que isso deveria incluir todos os fariseus e saduceus, que tinham doutrinas divergentes entre si, e até Herodes, que o mandou matar. Logo, nem "todos" foram procurar o batismo de S. João. Assim como também nem “todo o povo”, sem exceção, assumiu a responsabilidade da morte de Cristo (como está escrito em Mt 27,25); e nem “todo o povo” que morava perto do mar (cf. Mc 2,13) ou que vivia na Cesareia de Filipe (cf. Mc 9,14) foi ouvir a Cristo, não ficando nem uma pessoa sequer em sua casa...

Estamos tratando aqui, simplesmente, de um recurso de linguagem chamado generalização, muito comum na cultura semita. Assim, além da exceção já evidente de Jesus na expressão generalizante usada por S. Paulo em Rm 3,23 (‘todos pecaram’), vemos que a palavra é comumente usada com o significado de “muitos” ou de “maioria”. Portanto, a passagem em questão não é e nem pode ser uma "prova" de que Maria pecou.

Por fim, depois de tantas demonstrações e comprovações claras da santidade especialíssima de Nossa Senhora, o que podemos nós dizer, então, senão o que lhe disse o Anjo?

Ave Maria, cheia de Graça, o Senhor é convosco; bendita sois vós entre as mulheres...

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1. O Tetragrama YHWH ou YHVH, constituído pelas consoantes hebraicas י (Yod) ה (Heh) ו (Vav) ה (Heh), refere-se ao Nome do Deus de Israel. Era escrito da direita para esquerda, ou seja, HWHY. O Tetragrama aparece mais de 6.800 vezes, – isolado ou em conjunção com outro dos diversos Nomes de Deus, – no texto hebraico do Antigo Testamento. Os nomes YaHWeH (traduzido para 'Iavé' ou, latinizado, 'Javé'), ou YeHoVaH (traduzido forçosamente para 'Jeová'), são transliterações possíveis nas línguas portuguesas e espanholas, mas boa parcela de eruditos respeitáveis preferem o uso mais primitivo das quatro consoantes "YHWH". Destes, a maioria favorece a opção "Yavé" ou (latinizado) "Javé" (JaHWeH ou YaHWeH). Das maiores provas disto é a vocalização e grafia da palavra "HalleluJah" ou "HalleluYah" (Aleluia) que é a junção das duas palavras hebraicas: "Hallelu" e "Jah". "Hallelu" é um imperativo de louvor; "Jah" é a forma abreviada do nome de de DEUS. Logo, o Nome de DEUS precisa ser, necessariamente "Jahweh" ou "Yahweh", pois não se diz "Aleluieo", como aconteceria se o Nome correto fosse "Jeová".

Temos ainda o testemunho histórico de fragmentos da Versão dos LXX do Antigo Testamento encontrados em Qumran, datados do primeiro século, demonstra que o tetragrama YHWH, ao invés de ser convertido para "Kyrios" (SENHOR), como é usual hoje, é transcrito para IAO, forma hebraica abreviada de Javé, ou seja, "Iah". Este termo também é usado por Diodoro Sículo (que viveu antes de Cristo). Já Irineu (+ 202 dC), Orígenes (+ 253 dC) e São Jerônimo usaram "Iaho". Clemente de Alexandria (+ 214 dC) usou "Iaoué"(pronuciado em Grego 'Iaué'). Epifânio (+ 403) e Teodoreto de Ciro (+ 438) usaram a forma "Iabé" (pronuciado em Grego 'Iavé'), de acordo com a pronúncia dos samaritanos. – A Enciclopédia Britanica, vol. 23, pág. 867 / Enciclopédia Judaica (1901), vol. 12, pág. 119.

2. Bible de Jérusalem – port., ed. rev. e ampl. São Paulo: Paulus, 2002, p.1789, nota 'g'.

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Fontes e bibliografia:
• O'DONNELL, John. Introdução à Teologia Dogmática, São Paulo: Loyola, 1999.
• BOURGEOIS, Henri; TIHON, Paul & SESBOUE, Bernard. História dos Dogmas III – Os Sinais da Salvação, vol. 3, São Paulo: Loyola, 2005.
• BARREIRO, Álvaro. Assumiu a Nossa Carne e Acampou Entre Nós, São Paulo: Loyola, 1995.
DIVINO AFFLANTE SPIRITU, disponível em: www.vatican.va/holy_father/pius_xii/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_30091943_divino-afflante-spiritu_po.html
Acesso 20/10/014
• Estudo do apostolado "Veritatis Splendor", disponível em
www.veritatis.com.br/inicio/espaco-leitor/5484-leitor-pergunta-se-maria-santissima-e-cheia-de-graca-ou-agraciada
Acesso 19/10/014

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O Arcebispo Stanislaw Gadecki, da Polônia, fala sobre o Sínodo dos Bispos sobre a Família

O ARCEBISPO DE POZNAN, Presidente da Conferência Episcopal da Polônia, Stanislaw Gadecki, lembrou aos fiéis católicos que no Sínodo recente “não aconteceu nada de revolucionário”; uma reação ao alvoroço promovido por certos setores em torno do assunto.

Em 1981, a exortação “Familiaris Consortio”, de João Paulo II, “já expunha tudo isso muito antes (do Sínodo). O que acontece é que todos já se esqueceram (daquele documento), e agora há a impressão de que a Igreja tornou-se subitamente misericordiosa, ao passo que não o era até aqui; ou que tornou-se iluminada agora, como se não fosse antes”.

“Essas são todas ilusões, produto de miopia, do fato de que olhamos para as duas últimas semanas e exclamamos: 'isso não existia antes!'. Ao contrário, tudo isso já existia. Não se pode dar a impressão de que durante dois mil anos não havia misericórdia na Igreja, e que só agora a misericórdia aparece, inesperadamente. A misericórdia faz sentido se ela estiver relacionada à verdade.
 – Arcebispo Stanislaw Gadecki, à rádio estatal polonesa1

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1. Vatican Insider, disponível em:
http://vaticaninsider.lastampa.it/vaticano/dettaglio-articolo/articolo/sinodo-famiglia-37039/
Acesso 21/10/014
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185 igrejas destruídas e 200 mil pessoas postas em fuga



ESSE É O RESULTADO das violências perpetradas nos últimos dois meses pelo grupo Boko Haram, na Diocese de Maiduguri, nordeste da Nigéria. O território da Diocese se estende pelos Estados de Borno, Yobe e uma parte de Adamawa, região que tem sofrido com os atentados do grupo há alguns anos. Os ataques se intensificaram a partir de meados de 2013 e nos últimos dois meses 11 cidades caíram sob o punho de ferro do grupo, que pretende impor à força um novo califado islâmico, exatamente como o grupo Estado Islâmico, no Iraque.

O Padre Gideon Obasogie, diretor de comunicações sociais da Diocese, afirmou que, 30 dias atrás, as comunidades católicas de Gulak, Shuwa, Michika, Bazza e outras foram saqueadas em cruéis ataques do grupo.




"Gwosa e Magadali estão sob o controle despótico e tirânico dos terroristas há 60 dias", afirmou o padre. Ele destacou, também, as más condições em que são obrigados a viver os refugiados, em estruturas improvisadas, recebidos em casas de parentes ou amigos, – às vezes em grupos de até 60 ou 70 pessoas.

Os refugiados pensam naqueles que não conseguiram fugir: principalmente idosos e doentes, mas também jovens. As mulheres são vítimas de violência sexual e aumenta a prática de decapitação de reféns pelos terroristas.

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Fontes:
• Agência ANSA Brasil, disponível em:
http://ansabrasil.com.br/brasil/noticias/mundo/noticias/2014/10/07/Quase-200-mil-nigerianos-fugiram-do-Boko-Haram_8099364.html
Acesso 20/10/014
• Agência Ecclesia, disponível em:
http://www.agencia.ecclesia.pt/noticias/internacional/nigeria-sacerdotes-entre-os-190-mil-deslocados-fogem-do-grupo-boko-haram/
Acesso 20/10/014
• Seção "Pelo Mundo" do Semanário "O São Paulo", órgão da Arquidiocese de São Paulo, ed. 3023, 15 a 21 de outubro/014, p. 9
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Vantagens do Santo Sacrifício (Excelências da Santa Missa – V)


Leia o primeiro capítulo

Por S. Leonardo de Porto-Maurício, da Ordem dos Frades Menores

S. Leonardo de
Porto-Maurício
A GRANDEZA E A BELEZA são dois motivos assaz poderosos para tocar os corações. A utilidade, porém, os persuade e, a despeito de toda repugnância, arrebata quase sempre à vitória.

Ainda que a excelência e a necessidade da Santa Missa não fossem para vós bastante ponderáveis, como poderíeis deixar de apreciar a magna utilidade que ela proporciona aos vivos e falecidos, aos justos e aos pecadores, para a vida e para a morte, e mesmo para depois da morte? Imaginai que sois aquele devedor do Evangelho, cuja dívida se elevara à enorme quantia de dez mil talentos. Chamado a prestar contas humilha-se, implora e pede adiamento para satisfazer completamente o débito: 

"Patientiam hiabe in me, et omnia rddam tibi." – “Tem paciência comigo, que tudo de pagarei” (Mt 18, 26)

Aí está o que deveis fazer, vós que tendes com a Justiça divina não uma, mas mil dívidas. Deveis humilhar-vos e suplicar tempo bastante para assistir à Santa Missa; e ficai certos de que estas Santas Missas saldarão completamente todas as vossas obrigações.

São Tomás de Aquino, o Doutor angélico, nos ensina quais são as dívidas que temos com DEUS. Ele diz que há especialmente quatro. Todas as quatro ilimitadas.

A primeira é de adorar, louvar e honrar este DEUS de majestade infinita e digno de infinitos louvores e homenagens.

A segunda dar-Lhe satisfação pelos pecados que cometemos.

A terceira, render-Lhe graças pelos benefícios recebidos.

A quarta, implora-Lhe, como Fonte de todas as graças.

Ora, como é possível que pobres criaturas como nós, que nada possuímos, nem mesmo o ar que respiramos, possam jamais satisfazer obrigações tão grandes? Consolemo-nos, pois aqui está um meio facílimo. Façamos o possível para participar de muitas Missas e com a máxima devoção; mandemos celebrá-la também o mais que pudermos: e, se bem que nossas dívidas sejam enormes e inumeráveis, não há dúvida de que, com o tesouro contido na Santa Missa, poderemos solvê-las inteiramente. E para melhor compreendermos estas dívidas, explicá-las-ei uma depois da outra, e grande será vossa consolação ao ver a grande utilidade e inesgotável riqueza que podeis haurir de mina abundante, para pagar todas.

** Ler o capítulo seguinte

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Fonte:
MAURÍCIO, Leonardo de Porto. As Excelências da Santa Missa, conforme a ed. romana de 1737 dedicada a S.S. o Papa Clemente XII, pp. 30-34.
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