Feliz ano novo?


QUE SERIA ESTE tão falado "ano novo", a não ser o encerramento de mais um ciclo, totalmente subjetivo, e o início de um outro? Por que damos tanto valor às datas e símbolos? Ocorre que, psicologicamente falando, o ser humano precisa destes marcos e marcas, destas datas e divisões que organizam e dão sentido à sua vida aparentemente caótica e carente de propósitos.

Você já se perguntou por que o dia 31 de dezembro foi escolhido para simbolizar o fim de um ano, antes do início de um “feliz ano novo”, já que não há como se definir um dia em particular em que a Terra tenha começado a girar ao redor do Sol? 

E há uma outra pergunta importante, que já atormentou as mentes de milhões de pessoas (em especial as dos cristãos) ao redor do globo terrestre, desde os últimos cinco séculos: se o início do ano, na era cristã, é contado a partir do Nascimento de Cristo, porque essa defasagem de uma semana entre a data atribuída ao seu Nascimento (independentemente de ser historicamente precisa ou não), o 25 de Dezembro, e a abertura do novo ano? Parece (e de fato é) totalmente ilógico, não é mesmo?

A ideia de usar o primeiro dia de janeiro como primeiro dia do ano foi do imperador romano Júlio César, – e isso apenas cerca de 50 anos antes do nascimento de Jesus Cristo.

Muitos calendários existiram e existiam antes de Júlio César decidir criar este que usamos ainda hoje, o chamado Calendário Juliano. Mas foi convencionado que, neste novo calendário, o dia primeiro de janeiro seria o primeiro dia do ano, porque era o dia em que os oficiais romanos eleitos tomavam posse de seus cargos.

Mesmo com a popularização do Calendário Juliano, porém, algumas culturas continuaram a usar datas em março e em setembro, por exemplo, para marcar o início de seus anos.

Na Europa Medieval, entretanto, as comemorações de passagem de ano foram consideradas pagãs, então a Igreja determinou que o ano começaria no dia 25 de Dezembro, para coincidir com o dia do Nascimento de Cristo. E, – esclarecendo de uma vez a grande dúvida, – foi apenas em 1570 que o Papa Gregório autorizou a restauração do dia primeiro de janeiro como o primeiro dia do ano. Deste modo, acabamos como que ficando com dois primeiros dias do ano: um com sentido espiritual e outro mundano. Não nega que, hoje em dia, a maioria goste mais de celebrar o tal réveillon do que o Natal do Senhor.

Curiosamente, a própria palavra réveillon, de origem francesa, deriva do verbo réveiller, que, assim como seu sinônimo éveiller, significa "acordar, despertar". Ocorre que esse termo originalmente designava exatamente a ceia da noite de Natal; posteriormente, passou a referir-se à janta da véspera do Ano Novo e, por fim, à própria virada do ano.1

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Pessoa humana, assim é a tua vida:

"O tempo vem correndo e correndo vai-se embora. Numa das mãos traz os paninhos do teu berço e na outra a mortalha para o teu caixão. Homem orgulhoso, de que te ufanas?" (Petöfi)

Feliz ano novo! Eis a saudação vazia que sai da boca de pobres e ricos, cultos e ignorantes, negros e brancos, jovens e velhos. Só o ouvi-la, muitas vezes, causa repugnância ao sábio, porque, como disse Santo Agostinho, na muita sabedoria há muito enfado.

Feliz ano novo! Terá um feliz ano novo aquele cristão que não se preocupou em deixar os vícios junto com o ano velho? Feliz ano novo! Terá um feliz ano novo aquele que continua a carregar demônios em sua alma imortal? Feliz ano novo! Terá um feliz ano novo o cristão que permanece em pecado mortal, mergulhado nas trevas?

Feliz ano novo! Terá um feliz ano novo aquele que vive a correr desesperadamente atrás dos bens materiais e com as costas voltadas para Deus?

Católico, para você ter verdadeiramente um feliz ano novo é preciso:

1. Expulsar o pecado mortal de sua alma através de uma confissão auricular bem feita, e viver na Graça santificante;

2. Fazer todo o bem que estiver ao seu alcance;

3. Entrar no ano que se inicia com fé firme em Cristo Jesus;

4. Entrar no Ano Novo com forte confiança em Jesus Cristo;

5. Entrar no Ano Novo com sérios esforços para alcançar as virtudes;

6. Entrar no Ano Novo com santo amor ao sacrifício.

Católico, seja sábio; aproveite o Ano de 2015 para crescer na santidade. Cuidado! Não o jogue fora; quem sabe esse será o último ano de sua vida neste mundo.


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1. Conf. Prof° Aldo Bizzocchi, em:
revistalingua.uol.com.br/textos/blog-abizzocchi/a-origem-do-nome-reveillon-302700-1.asp
Acesso 31/12/014

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Fontes e ref.:
• Portal Live Science, em:
http://www.livescience.com/32913-why-does-the-new-year-start-on-january-1st.html
Acesso 31/12/014
• Artigo "A Origem do Nome", do Profº Aldo Bizzocchi, em:
http://revistalingua.uol.com.br/textos/blog-abizzocchi/a-origem-do-nome-reveillon-302700-1.asp
Acesso 31/12/014
• Artigo "Ano Novo", do Instituto Missionário dos Filhos e Filhas da Paixão, em
http://www.filhosdapaixao.org.br/anual/ano_novo.htm
Acesso 31/12/014
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Como fui reconduzida à Igreja de Cristo por ação de Nossa Senhora

APRESENTAMOS A SEGUIR a história da conversão de Themis, – de inimiga da Igreja a fervorosa católica.

"Desde criança fui membro da Igreja Presbiteriana e me achava feliz. Trabalhava como superintendente na escola dominical e tinha um único filho do meu casamento, que não foi bem-sucedido. Meu esposo era doente mental e logo no primeiro ano de casamento precisou afastar-se.

Aos quatorze anos, meu filho começou a ficar doente: foi diagnosticada uma anemia, que não sarava nunca. Isso durou até o médico descobrir que não era anemia que ele tinha, mas sim uma leucemia que já estava bem adiantada e não tinha mais cura. Nesse tempo eu cuidava de 11 crianças carentes em casa; achava que essa era uma obra bastante grande em minha vida, e não imaginava as coisas que estavam para acontecer.

Comecei o tratamento do meu filho com o Dr. Simbra Neli, médico e cientista muito importante no Brasil. Meu filho já tinha tumores pelo corpo todo, inclusive no olho e no ouvido direito, não enxergava direito e já não ouvia mais. Quando se aproximava a Páscoa, para o meu espanto, meu filho me disse: 'Mãe, eu queria que você fosse ao colégio (em que ele estudava e no qual eu lecionava pela manhã). Ao fundo do jardim tem uma gruta, e lá há uma imagem que eu não sei de quem é, mas os meninos católicos acendem velas diante dessa imagem para passar de ano, e a imagem está muito suja'. – Nessa época eu pintava pequenas peças de gesso durante a noite para ajudar no sustento das onze crianças e do tratamento do meu filho. Ele continuou: 'Você pega aquela imagem e pinta, para eu deixar de lembrança para o colégio?'.

Naquele momento eu experimentei emoções muito contraditórias, pois o meu filho estava morrendo e eu não queria negar o pedido. Por outro lado, pintar uma imagem católica seria realmente muito desagradável para mim, uma evangélica de crenças bem enraizadas. Mesmo assim, eu fui buscar a imagem. Era uma imagem grande, de mais de 80 cm, e estava muito suja. Eu a peguei pela cabeça e pus embaixo do braço; a diretora do colégio me viu e disse: 'Themis, você não deveria levar a imagem de Nossa Senhora das Graças desta maneira!'...

Foi assim que fiquei sabendo que se tratava da imagem de Nossa Senhora das Graças. Para mim, pouca diferença fazia, eu queria mesmo era quebrar aquela imagem. Mas em consideração ao pedido do meu filho, levei-a para casa; colocando-a em cima da mesa de trabalho, comecei a limpá-la. Já era tarde; à meia-noite eu deveria dar remédio ao meu filho: ele tinha uma violenta febre que subia de repente. De duas em duas horas eu precisava lhe dar remédio, de dia e de noite. Quando o toquei percebi que estava queimando de febre. Ele então abriu os olhos, olhou para a imagem em cima da mesa e disse: 'Como a imagem está linda!'... Eu pensei que ele estivesse delirando por causa da febre, mas ele continuou: 'Eu vou fazer um voto para Nossa Senhora'.

Eu não queria acreditar no que estava ouvindo, pois era um menino criado desde bebê na doutrina protestante, e nunca tinha entrado numa igreja católica. Nesse momento me senti profundamente revoltada, porque 'crentes' não fazem votos. Mas antes que eu pudesse dizer alguma coisa, ele fez o seguinte voto: 'Pelo tempo que eu viver, seja muito ou pouco, quero que minha vida sirva a Deus, e quero ter uma imagem de Nossa Senhora igual a essa em casa, para sempre me lembrar disso'. Logo depois ele voltou a dormir.

Foi então que entrei num grande conflito de fé, porque eu não poderia ser fiel à minha igreja e deixar meu filho fazer um voto à Nossa Senhora, e muito menos ter uma imagem dela em casa. Eu era a primeira a fazer palestras na minha igreja sobre a inutilidade de pedir para Nossa Senhora!

Comecei a caminhar pela casa, muito nervosa, até chegarem as duas horas da manhã. Fui novamente dar o remédio ao meu filho, mas quando coloquei a mão nele, levei um susto! Achei que ele estivesse morrendo, porque a temperatura corporal tinha baixado, – estava normal, – mas então notei que haviam sumido todos os tumores do seu corpo, até mesmo os tumores do olho e do ouvido! Nesse momento ele abriu os olhos, enxergou bem e exclamou: 'Estou ouvindo! Não sinto dor, estou curado!'.

Depois desse acontecimento fui até minha igreja. Eu tinha um cargo importante lá, tinha que dar satisfações ao pastor e ao conselho da igreja. Chegando lá, ainda confusa, eu disse: 'Quero ficar aqui na igreja presbiteriana, porque gosto muito daqui. Não quero sair e acho que faço um bom trabalho, mas tenho um pedido: no domingo quero falar ao microfone, a todos os nossos irmãos, que Maria Santíssima quer e pode interceder por nós'.

'Ela só não nos faz isso porque nós não pedimos a ela. Ela é mãe dos católicos, e também é mãe dos evangélicos, dos espíritas, dos ateus... Maria Santíssima foi a mãe de Jesus e Ele quis, na última hora de sua vida, fazer dela a mãe de todos nós. Acontece que alguns filhos de coração duro não o percebem, são ingratos. É isso que nós, evangélicos, estamos fazendo, mas eu quero dizer para eles neste domingo que nós devemos voltar para nossa Mãe do Céu.'

O conselho não concordou com a minha ideia, e me disseram para voltar para casa e pensar por dois ou três meses, ler a Bíblia e tentar esquecer tudo aquilo. Aceitei, porque realmente eu precisava de um tempo. Fui para casa. Comecei a ler a Bíblia de novo, e foi só então que eu percebi que naquela mesma Bíblia, de onde eu já havia decorado trechos para atacar os católicos, estava claramente a instituição da Sagrada Eucaristia, que eu sempre desprezara. No Evangelho segundo João, Jesus disse para mim: 'O meu Corpo é verdadeiramente Alimento, o meu Sangue é verdadeiramente Bebida. Quem come da minha Carne e bebe do meu Sangue viverá para sempre'. E me senti apaixonar por Jesus como nunca antes em minha vida.

Então entendi que me aproximar de Maria não significa me afastar de Jesus, ao contrário; porque ela nos leva até Ele, e se aproximar dela é se aproximar dEle! Fui correndo para a igreja e disse aos irmãos do conselho: 'Eu quero muito ficar na igreja evangélica, mas agora em vez de um problema nós temos dois, porque eu não quero ficar só com Maria Santíssima, mas também descobri que preciso da Eucaristia! Quero colocar um Sacrário em nossa igreja e espero que nós possamos aprender alguma coisa sobre o Cristo maravilhoso que é Vida e vem comungar comigo em Corpo, Sangue, Alma... Que transforma a minha simples humanidade em verdadeiro Sacrário!”.

Evidentemente meus antigos irmãos não aceitaram o que tentava compartilhar com eles, porque aceitar seria se converter ao catolicismo. Então eu e minha família nos retiramos da igreja presbiteriana, fomos finalmente batizados como católicos e fizemos a nossa primeira Comunhão: eu, meu filho e as 11 crianças que moravam conosco! O colégio nos deu de presente aquela imagem que eu restaurei. O meu filho cursou o seminário até o 2° ano de Teologia, mas descobriu que sua vocação era outra: aconselhado pelo bispo, voltou para casa. Hoje é casado, tem três filhos e ajuda em nossa casa de acolhida. Atualmente temos um orfanato com trezentas crianças! Foi a partir do momento em que consagrei nossa casa à Nossa Senhora que me deixei levar de fato por Jesus, e desejei instalar um Sacrário dentro de casa, para que Jesus passasse a viver conosco de maneira mais íntima. Foi a partir desse momento que obtive a graça de poder cuidar não de onze crianças, mas de trezentas, – graças a Deus!

E atualmente estamos aumentando nossos trabalhos, estendendo o orfanato também para um asilo, com sessenta velhinhos desabrigados. A mensagem que eu deixo para todos os cristãos é a seguinte: Quer saber se a igreja que você frequenta é a verdadeira Igreja de Jesus Cristo? Olhe bem na sua igreja; se tiver um Sacrário com o Corpo de Jesus, você está na verdadeira Igreja do Senhor. Se não, saia correndo daí, porque essa não é a Igreja que Jesus deixou na Terra!"
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Pérolas aos porcos


NAS REDES SOCIAIS, vemos muitos católicos a desperdiçarem um tempo precioso de suas vidas debatendo com pessoas extremamente hostis à sua fé. Alguns poucos, bem preparados, até ganham os debates, mas o fato é que dificilmente convencem alguém. Outro problema é que, via de regra, se comportam com agressividade exagerada, conseguindo apenas aumentar o ódio gratuito e atraindo aos fiéis católicos a fama de intolerantes.

Pior ainda é que a maior parte dos católicos, sem o devido preparo para minar o falatório desonesto dos seus opositores, acaba ficando sem argumentos diante de meia dúzia de citações bíblicas (quando a controvérsia é com protestantes) ou pseudo-"verdades" científicas (quando se discute com ateus militantes): inadvertidamente, entregam aos seus inimigos toda a munição de que necessitam.

Sim, é duro ficar calado vendo nossa Igreja, nossa fé e valores mais sagrados sendo gratuita e injustamente atacados, profanados, caluniados. E temos mesmo que abrir a boca nas salas de aula, nos ambientes de trabalho, nas reuniões com amigos e com a família, como bons combatentes de Cristo que precisamos ser, até para exigir o devido respeito daqueles com quem convivemos. No mundo virtual, todavia, penso que 90% dessas discussões são uma grande perda de tempo e de energia. – Ainda que um católico bem formado seja habilidoso na defesa da fé e ganhe o debate (dizem que eu mesmo sou um desses), quase nunca o seu opositor reconhecerá que está errado. Sempre que eu entrei em debates deste tipo (às vezes, confesso, não resisto e ainda caio nestas esparrelas) e com argumentos sólidos calei a boca de algum desses sujeitos irresponsáveis, o que recebi em troca foi um simples e irritante "kkkkkk". Que me lembre, nunca, jamais alguém disse: "Obrigado por esclarecer, vou procurar me informar melhor sobre este assunto". E vemos que isto acontece, basicamente, por três motivos:

1. Nosso tempo apresenta um patético fenômeno: há uma multidão que, mesmo conhecendo determinado tema apenas “de orelhada” –, isto é, leram a orelha de algum livro, ou três linhas de algum artiguete de jornal, revista ou blog irresponsável sobre o assunto –, e já se consideram "doutores" altamente especializados, não só para opinar como também para "instruir" os outros. Vivemos dias em que pouquíssimos se dispõem a pesquisar a sério e estudar realmente a fundo (mesmo nas universidades), mas todos se veem como entendedores de tudo.

2. Nas redes sociais, o desejo de se construir uma boa imagem é enormemente potencializado. Todos querem passar a impressão de que são muito sábios, realizados, felizes, bem resolvidos. Assim, o anticatólico, ainda que não consiga sustentar os seus argumentos, nunca dará o braço a torcer, por causa da vaidade: fará de tudo para que a "plateia" online não perceba que ele é só um palpiteiro pretensioso e preconceituoso falando do que não sabe.

3. Vivemos tempos em que reina o relativismo. O gigante cardeal Ratzinger falou em "ditadura do relativismo", expressão cunhada por ele mesmo, brilhante por ser tão verdadeira. A verdade, em nossos dias, simplesmente não importa. As pessoas andam preocupadas em ter razão, em impor seus egos super inflados umas às outras, e estão realmente acreditando que "cada um tem a sua própria verdade". Assim, para a maioria, mais importante do que conhecer a verdade objetiva é impor a sua própria versão de verdade.

Vejamos o exemplo de uma situação muito comum num debate entre um católico e um anticatólico. O anticatólico diz que Pio XII foi "o Papa de Hitler". O católico prova ao sujeito, por "A + B", apresentando fontes confiáveis e documentação histórica, que Pio XII foi, isto sim, um herói do povo judeu, que salvou tantas vidas quanto pôde. O justo seria que o outro reconhecesse seu equívoco e, talvez, por boa educação, até agradecesse pelo esclarecimento. Mas o que normalmente acontece é coisa bem diferente: o caluniador não se dá por vencido, desvia o foco do assunto e começa a falar, por exemplo, da Inquisição ou da pedofilia de padres, vomitando gastos clichês sem o menor pudor. Como dissemos, a verdade, para ele, não importa. Importa apenas ter razão e "sair por cima", fazendo uma bela figura...

É muito importante, pois, desenvolver a sensibilidade necessária para entender com quem vale a pena debater ou não na web. É preciso reconhecer com quem se pode dialogar honestamente e quem está fechado em seu próprio mundo imaginário, tendo como únicos objetivos difamar a religião alheia e ter razão a qualquer custo.

De modo geral, sou pessimista quanto a debates em redes sociais. Já caí várias vezes na esparrela de discutir com amigos ou estranhos alienados no Facebook, Google Plus e outros canais. O resultado? Frustração e aborrecimento. Em muitas destas, honestamente posso dizer que ganhei o debate, mas não lucrei nada com isso. Comumente, sem conseguir sustentar suas teses absurdas, meus oponentes partem para a desqualificação pessoal, em desesperadas apelações ad hominem. Nas redes sociais, as "pérolas" que oferecemos – fatos históricos comprovados, bibliografia, documentação acadêmica, fontes confiáveis, ponderações teológicas e filosóficas bem fundamentadas – são tidas pelos anticatólicos como nada. Por não serem capazes de reconhecer o valor dessas coisas, não lhes tiram qualquer proveito. Antes, pisoteiam nossos tesouros e os afundam na imundície da lama intelectual e espiritual em que chafurdam.

Em toda página católica que se presta a debater Teologia e Doutrina, leitores rebatem os artigos apresentados, mas raramente ocorre uma troca de ideias realmente produtiva. Fato é que são poucos aqueles sinceramente interessados em compreender o catolicismo. Já dedicamos numerosas postagens especialmente para responder questões trazidas por pessoas que discordam de nós – principalmente "evangélicos", espíritas e pessoas sem religião – por se tratarem de ponderações pertinentes. Por outro lado, há uma multidão que vem até aqui para dizer que a Igreja é "a prostituta do Apocalipse" ou que crer em Deus é idiotice... Com estes, não perdemos tempo: diariamente, são muitos os comentários que vão direto para a lixeira. Hoje mesmo, depois de uma série de ofensas e provocações absolutamente gratuitas, um sujeito me desafiava a mostrar onde a Bíblia fala dessa "tal Maria"...

Considero mil vezes mais útil rezar pela conversão dos incrédulos e pecadores do que me desgastar em debates inúteis nas redes sociais, quando o meu oponente não está realmente interessado nem em trocar ideias nem em aprender algo de novo. As exceções são aquelas situações em que os ataques, por mais absurdos que sejam, trazem a oportunidade de esclarecer pontos importantes da fé para alguns outros, ou até para o conjunto total de nossos leitores. Deus nos ajude a prosseguir.

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Ref.:
Artigo "Católicos, não joguem pérolas aos porcos!", do website "O Catequista", disp. em 
http://ocatequista.com.br/archives/11328#sthash.1igyFjLa.dpuf
Acesso 12/11/014

ofielcatolico.com.br

Não há outra maneira de o celebrar!

Por Jorge Ferraz – Deus Lo Vult!

HÁ TODA AQUELA tendência moderna a que a religião seja considerada como uma questão de foro íntimo, subjetiva e que diga respeito somente às crenças internas de cada indivíduo, sem nenhum reflexo no mundo objetivo dos fatos empiricamente verificáveis. Sustentá-lo é um lugar-comum entre os que se consideram intelectuais e livre-pensadores, mas existe apenas um "pequeno" problema: o Cristianismo não se amolda a esta concepção religiosa de nenhuma maneira.

A Igreja é uma instituição histórica que nasce de fatos históricos: a Encarnação, Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, Deus e Homem Verdadeiro. No início do Cristianismo – a construção é de Bento XVI – não está uma grande ideia, nem uma grande descoberta, nem uma inspiração subjetiva profunda e nem nada do tipo: está uma Pessoa, a de Nosso Senhor – e, em particular, está o Seu Nascimento, celebrado em todo o mundo. O Cristianismo não é uma disposição de alma nem uma maneira abstrata de ver o mundo: o Cristianismo é uma realidade histórica, no sentido mais próprio que esta expressão é capaz de assumir.



Tudo na Igreja Católica tem esta orientação voltada para o sensível, para o empírico: aquilo que os primeiros Apóstolos anunciavam – é São João quem o diz (cf. 1Jo 1,1-3) – é o que eles viram e ouviram e tocaram com as suas mãos. Não se trata de uma ideia: a Fé “que recebemos dos Apóstolos” simplesmente não pode ser reduzida a uma questão de foro interno, a uma decisão meramente subjetiva e individual. Fazê-lo é destruir a própria Fé.

De fato, como sustentar que um Nascimento verdadeiro seja uma questão de foro íntimo? As ideias até podem nascer no universo privado de cada mente individual: os homens, no entanto, nascem no mundo exterior que é comum a todos os homens. Se um Menino verdadeiramente nos nasceu, se Ele veio ao mundo em Belém da Judeia, se isso se passou “na época da centésima nonagésima quarta Olimpíada de Atenas; no ano setecentos e cinquenta e dois da fundação de Roma; no ano quinhentos e trinta e oito do edito de Ciro, autorizando a volta do exílio e a reconstrução de Jerusalém; no quadragésimo segundo ano do império de César Otaviano Augusto, enquanto reinava a paz sobre a Terra” – como cantam as Kalendas de Natal, – se tudo é assim, como é possível então que o Cristianismo seja questão subjetiva que só diga respeito às disposições interiores dos que têm Fé? O caráter histórico da Encarnação é parte constituinte da Fé Cristã! E por mais que as pessoas teimem em “não acreditar”, o Deus-Menino continua nascido em uma estrebaria. 

Por mais que os homens duvidem, os anjos continuam a cantar o Glória a uma turba de assustados pastores. Por mais que os cegos insistam em fechar os olhos, a Luz continua a refulgir nas Trevas, em uma noite fria de dezembro, e de lá a iluminar toda a História. Porque, independente daquilo em que creiam os homens, a realidade se lhes impõe inexorável; a realidade é que o Verbo Divino se fez Carne, e é esse o prodígio que nós celebramos ainda hoje.

Celebramos ad extra, no mundo exterior a nós mesmos, porque foi ao mundo que Ele veio. Celebramos de modo visível e perceptível, porque o dia de hoje é justamente Aquele Dia em que o Deus Invisível Se fez visível e Se colocou ao nosso alcance. Celebramos abertamente, diante de todos, porque a Boa Nova hoje anunciada é causa de “alegria para todo o povo” (cf. Lc II,10). Celebramos, enfim, o Natal em público – porque não há outra maneira de o celebrar.
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O Natal: festa cristã ou pagã?


COM A PROLIFERAÇÃO de seitas que se proclamam “cristãs” e se apresentam como únicas intérpretes autorizadas das Sagradas Escrituras, as tradições mais santas do verdadeiro cristianismo vão sendo contestadas, e a desinformação levanta dúvidas mesmo entre fiéis católicos. Você já ouviu dizer, por exemplo, que “o Natal é uma festa pagã”? Ultimamente, sempre que chega o final de ano, somos afrontados com afirmativas deste tipo, de pessoas que atacam a celebração e a festa do Natal, classificando-a como “pagã”, “idólatra”, “mundana”, etc.

A única coisa de que precisamos, para esclarecer definitivamente a questão, é o desejo sincero de conhecer a verdade: conhecer os fatos antes de formar opinião já é o suficiente. Vivemos tempos em que os católicos são acusados dos maiores absurdos sem que nos concedam, ao menos, o direito de defesa.

Certas teses paranoicas que circulam por aí, entretanto, já estão bem manjadas do público leigo minimamente esclarecido. Os códigos de barra usados no comércio, por exemplo, conteriam o "número da Besta" citado no livro do Apocalipse de S. João, e, assim, o leitinho de todo dia, comprado no armazém da esquina, seria parte de uma mega-conspiração maléfica contra os cristãos. Curioso é que os próprios exemplares da Bíblia Sagrada também são comercializados, hoje em dia, pelo sistema código de barras...

Outros gritam aos quatro ventos que o Anticristo ou mesmo a Besta, também citados no Apocalipse, seriam o Papa! Estranho, já houve 267 Papas até hoje: qual deles seria o Anticristo ou a Besta? A Bíblia não fala em 267 anticristos ou 267 bestas.

Existem mesmo alguns que chegam ao extremo de ensinar que o nome “Jesus” esconderia uma invocação secreta ao deus grego Zeus! Para eles, somente o nome do Senhor em hebraico (Yehshua) seria realmente cristão; todos os muitos milhões de fiéis que, em toda a História da humanidade, até os nossos dias, invocaram o nome “Jesus” – no idioma inglês, espanhol ou português, entre outros – estaríamos, sem saber, invocando um deus pagão(!).

Pois é, haja paciência... Poderíamos citar muitos outros exemplos de bobagens semelhantes, tão malucas ou ainda piores do que as listadas acima, que são ensinadas todos os dias em comunidades que se intitulam “igrejas cristãs”. Ainda mais curioso é o fato de que praticamente todas elas assim se reconheçam mutuamente, mas sejam unânimes em excluir a primeira Igreja de Nosso Senhor, a única fundada diretamente por Ele mesmo e a única que prega a observância não só das Escrituras, mas também da Tradição dos Apóstolos, eleitos diretamente pelo Cristo e autores inspirados da mesma Bíblia.

Paremos por aqui: se fôssemos tentar enumerar todas as barbaridades perpetradas em nome de Jesus Cristo, teríamos que escrever um livro, e um livro bem pesado. Se fossem verdadeiras todas essas teorias terríveis, ninguém poderia se considerar cristão: estaríamos todos perdidos, praticando abominações diante de Deus. E, segundo esses pseudo-cristãos, mais de um bilhão de seres humanos estariam sendo ludibriados pela malvada Igreja Católica. Claro, no fim, a culpa é sempre da Igreja Católica.



Origem da celebração do Natal

Adentrando afinal o tema do Natal, o equívoco inicial é afirmar que os primeiros cristãos não comemoravam o Natal e que essa tradição teria começado com o imperador Constantino (sempre ele...). Errado. É fato histórico, como veremos, que os cristãos já comemoravam formalmente o nascimento do Senhor pelo menos desde o segundo século, e é quase certeza que o faziam informalmente antes disso. Afinal, Deus mesmo determinou que nos alegrássemos pelo nascimento do seu Filho neste mundo –, Deus feito homem para a nossa salvação –, e duas passagens das Sagradas Escrituras muito significativas o revelam. A primeira está no segundo capítulo de Lucas. Os anjos, logo após o nascimento do Menino Deus, clamam aos pastores:

Não temais, eis que vos anunciamos uma Boa Nova, que será de alegria para todo o povo: hoje vos nasceu, na Cidade de Davi, o Salvador, que é o Cristo e Senhor!
(Lc 2,10-12)

Será pecado celebrar o verdadeiro Natal? Antibíblico? Idolatria? Evidente que a resposta para todas essas questões é não, não e não. O nascimento do Salvador é motivo de festa e alegria para toda a humanidade; alegria e festa que integraram o verdadeiro cristianismo desde o início. Cristãos de todos os tempos puderam, podem e devem celebrar essa maravilhosa notícia!

Já no Antigo Testamento, afirmava também o Profeta Isaías que deveríamos festejar o Nascimento do Senhor, numa das mais belas passagens das Escrituras:

O povo que andava nas trevas viu uma grande Luz. Sobre os que habitavam uma região tenebrosa resplandeceu a Luz. Suscitais um grande júbilo, provocais uma imensa alegria! Rejubilam-se diante de vós como na alegria da colheita, exultam como na partilha... Porque um Menino nos nasceu, um Filho nos foi dado; (...) Ele se chama Conselheiro Admirável, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz!
(Is 9,1-5)

Vemos assim, mais uma vez, que o povo cristão, povo de Deus (povo sobre o qual brilhou a Luz de Deus), é admoestado a se alegrar e celebrar a Natividade do Cristo. Tanto o Advento quanto o Evento em si –, Advento e Evento do “Filho que nos foi dado” –, sem dúvida requerem uma santa celebração. E, sim, há registros históricos desta celebração desde o ano 200 de nossa era (muito antes de Constantino, portanto).

Já Clemente de Alexandria (150dC) chegou a declarar (atenção) que os teólogos do Egito “não guardavam nenhum dia do ano a não ser o Natal do Senhor” [conf. o Stromata (I.21)]1. Esses cristãos, que na Antiguidade já celebravam o Natal, bendizendo a Deus pelo nascimento do Messias, jamais poderiam prever, nem nos seus piores pesadelos, que, um dia, falsos cristãos enxergariam num ato de adoração ao Deus Menino um sinônimo de idolatria.


Sobre a data 25 de dezembro

Segundo as teorias paranoicas, a Igreja escolheu o 25 de dezembro, dia em que os pagãos do Império Romano celebravam Mitra, o "Sol Invicto", com a nefasta intenção de introduzir elementos pagãos no cristianismo. Lamentavelmente, a má vontade torna difícil entender o mais óbvio: se a Igreja fez os pagãos aceitarem a Cristo, fazendo que deixassem de comemorar um falso deus para celebrar o Nascimento de Jesus Cristo, então a Igreja é que levou o cristianismo aos pagãos –, convertendo-os ao cristianismo –, e não o contrário.

Contudo, é interessantíssimo e muito importante lembar que recentes estudos acadêmicos vêm apontando que a decisão de celebrar o Natal em 25 de dezembro pode ter sido bem mais alinhada aos fatos históricos e menos catequética do que expusemos até aqui e daquilo que é comumente aceito, mesmo pela Igreja. Baseados na revisão dos cálculos do historiador judeu Flávio Josefo (37–100dC) e na comparação com outros cálculos de datações da época, especialistas atestaram que é totalmente possível – e até provável – a hipótese de que o monge Dionísio o Exíguo estivesse certo ao estabelecer, em 532, a data do Nascimento de Cristo no 8º "Dia das Calendas" de janeiro do ano 754 da fundação de Roma. Ocorre que esta data, para surpresa de muitos, corresponde exatamente ao dia 25 de dezembro do ano 1 a.C.3

Outro estudo do mesmo rol, realizado por Shemarjahu Talmon, docente da Universidade Hebraica de Jerusalém, obteve, através do estudo dos manuscritos de Qumran, calcular a data em que a classe sacerdotal de Abias (a qual pertencia Zacarias, pai de João Batista) oficiava a liturgia no Templo de Jerusalém. Ocorre que a classe de Abias servia duas vezes ao ano, sendo uma delas na última semana de setembro. “Eis, portanto, como aquilo que parecia mítico assume, inesperadamente, uma nova verosimilhança: uma cadeia de acontecimentos que se estende ao longo de 15 meses. Em setembro o anúncio a Zacarias e, no dia seguinte, a concepção de João; seis meses depois, em março, o anúncio a Maria; três meses depois, em junho, o nascimento de João; seis meses depois, o nascimento de Jesus. Com este último acontecimento, chegamos precisamente ao dia 25 de dezembro; dia que não foi, portanto, fixado ao acaso.”4

Desta forma, estudos científicos isentos comprovam não só que a possibilidade de Cristo ter nascido realmente num dia 25 de dezembro seja plausível como também muito provável, apresentando perfeita compatibilidade com as demais datas de festas litúrgicas da Igreja conectadas com esse acontecimento. Em tempo: a ingênua teoria de que a presença de pastores na Noite Santa seria inviável nessa data devido ao inverno é totalmente contestável, pelo simples fato de existirem invernos mais e menos rigorosos, além do fato de o povo do deserto, perfeitamente adaptado aos rigores do clima, não deixar de trabalhar e/ou cumprir sua rotina de fazeres devido ao frio ou ao calor.


* * *

Encerrando definitivamente a questão, a adoção do dia 25 de dezembro de maneira nenhuma pode ser vista como a introdução de qualquer crença pagã pelos cristãos. Ao contrário, é precisamente este o melhor sentido da data de celebração do Natal, no mesmo dia de uma antiga festa pagã – e o será, de maneira ainda mais devastadora, se o Filho de Deus tiver mesmo vindo ao mundo neste dia exato. Não é fraqueza da Igreja diante do paganismo: é uma solene declaração de vitória da fé cristã sobre o paganismo! Cristo triunfa: os falsos deuses são esquecidos, substituídos pela Luz da Verdade. É a conversão dos pagãos. É o nascer do verdadeiro Sol invicto sobre as trevas das antigas crenças: se antes celebravam um mito, agora celebram o Filho de Deus! Aleluia!




Encerramos este estudo com a contemplação do Natal a partir da perspectiva bíblica, por meio da qual vemos que o Nascimento de Jesus Cristo relaciona-se a três temas principais:

1. A adoração e o culto ao Filho de Deus (Lc 2,8-12);

2. A oferta de "presentes" a Deus (Mt 2,1-11), que se reflete ao final na entrega de nossas próprias vidas;

3. A proclamação da paz e da salvação aos "homens de boa vontade" (Lc 2,13-14);

A celebração do Nascimento de Cristo incorpora, assim, estes elementos essenciais: adoração, doação e louvor. Aqueles que nos tempos antigos celebravam o solstício com o dia de um deus-sol, agora convertidos, passaram a celebrar o Dia de Jesus Cristo, Luz do Mundo, Sol verdadeiro que nasceu para os homens de boa vontade. Por isso, S. João Crisóstomo declara, já no século IV:

Nosso Senhor nasceu no mês de dezembro. Eles (os pagãos) chamavam este dia de ‘dia do sol invencível’. De fato, quem é mais invencível que Nosso Senhor? E, se disserem que este é o dia do nascimento do sol, sim, é Ele, Jesus, o Sol da Justiça!2

Louvado seja Deus, o cristianismo venceu. Desafiemos qualquer teórico da conspiração a encontrar, em qualquer celebração de Natal católica, alguém "adorando" um deus pagão...

Por fim, lembramos que as igrejas protestantes históricas também celebram o Natal, e o fazem com muito esmero: essa ridícula e absurda calúnia de "festa pagã" surgiu das novas seitas neopentecostais e seus falsos profetas travestidos de "pastores", que, de fato, só adoram ao dinheiro e às riquezas, não só durante o tempo do Natal como no ano inteiro, e parecem sentir prazer em promover a divisão.

Graças a Deus pelo Natal do Senhor! Graças a Deus pela conversão dos pagãos! Celebremos o Salvador do mundo, nosso Rei Jesus!

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1. Terceiro livro da trilogia deste 'Pai da Igreja' sobre a vida cristã da Igreja primitiva, ao lado do Protrepticus e do Paedagogus.
2. DIEHL. Rafael de Mesquita. As Origens da celebração do Natal, apost. Paraclitus, 2008, disp em:
http://www.paraclitus.com.br/2010/doutrina/sacramentos/as-origens-da-celebracao-do-natal/
Acesso 16/12/016
3. Trata-se de um estudo complexo envolvendo diversos cálculos e diferentes sistemas de datação da Antiguidade. Para maiores informações vide SUNGENIS, Robert A. Boas Novas – Jesus Cristo nasceu mesmo em 25 de Dezembro do ano 1 a.C. Apost. Veritatis Splendor, disp. em:
www.veritatis.com.br/apologetica/deus-uno-trino/boas-novas-jesus-cristo-nasceu-mesmo-em-25-de-dezembro-do-ano-1-ac/
Acesso 16/12/016
4. MESSORI, Vittorio. Jesus nasceu mesmo num dia 25 de dezembro. Disp. em
www.veritatis.com.br/doutrina/deus/jesus-nasceu-mesmo-num-dia-25-de-dezembro/Acesso 16/12/016

Fontes e bibliografia:

• SEMEDO, Alexandre. Paranoia Protestante e a Origem do Natal, Apostolado Veritatis Splendor, disp. em:
veritatis.com.br/inicio/espaco-leitor/5474-paranoia-protestante-e-a-origem-do-natal.
Acesso 19/12/014

• LENZENWEGER, Josef. História da Igreja Católica, São Paulo: Loyola, 2006
• CULLMANN, Oscar. The Early Church, Golden Lane: SCM Press
, 1956, p. 35
• ROBERTSON, A. T. Harmony of the Gospels, New York: Harper & Brothers, 1992, p. 267
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A Ordem Natural – contra o relativismo


A CULTURA MODERNA foi perdendo gradualmente o sentido da ordem à medida em que a Filosofia foi se desvinculando da realidade cotidiana para refugiar-se em um jogo mental (abstrato), sem contato com as coisas concretas. Como consequência desse processo histórico, o homem foi substituindo os dados naturais da experiência pelas construções da razão e da imaginação.


As negações modernas da ordem

Surgiram, assim, nos últimos dois séculos, diversas doutrinas, as vezes opostas entre si, mas cujo denominador comum consiste na negação de uma ordem natural. O materialismo positivista, o relativismo, o existencialismo, coincidem em negar a regularidade, a constância, a permanência da realidade; em particular, a existência de uma natureza humana e de uma ordem natural que sirvam de fundamento para as normas morais e para as relações sociais.

O materialismo positivista sustenta que todo o universo, tanto físico como humano, é constituído por um único princípio, que é a matéria. Afirma que a matéria está em movimento e trata de justificar a variedade de seres de toda espécie, existentes em nosso planeta, dizendo que as diversas partículas materiais vão mudando de lugar e se associam como consequência de forças mecânicas, que iriam se combinando por um acaso gigantesco. O acaso cósmico é erigido para poder negar a existência de Deus e sua inteligência ordenadora do mundo.

Por sua vez, a corrente relativista nega a existência de toda realidade permanente. Apoiando-se na experiência da mudança, das variações que se dão tanto na realidade física quanto na humana, o relativismo nega toda verdade transcendente e todo valor moral universal. Em semelhante concepção todo conhecimento, toda norma ética, toda estrutura social, são relativos a um tempo dado e um lugar determinado, mas perdem a vigência em outros casos. Tudo muda, tudo se transforma incessantemente, sem que se possa falar de uma ordem essencial.

De modo semelhante ao relativismo, a corrente existencialista enfatiza a contingência, nas incessantes variações que afetam a condição humana. O homem carece de natureza – proclama o existencialista ateu Jean-Paul Sartre (foto) – e ao não ter natureza, tampouco existe um Autor da natureza, quer dizer, Deus (ver "L’existencialisme est un humanisme", ed. Nagel, París, 1968, p. 22). Em consequência, o homem constrói a si mesmo através de sua liberdade; é o mero “projeto de sua liberdade”, carece de essência e só existe em um mundo absurdo, sem ordem nem sentido algum. Não há, portanto, outra moral a não ser a que o indivíduo fabrica para si. O existencialismo é um subjetivismo radical, no qual desaparece toda referência à realidade objetiva.


A raiz do erro

Em todos estes apóstolos da mudança pela mudança, a negação da Natureza e de sua ordem procedem de um mesmo erro fundamental. Participam da falsa crença de que falar de “essência”, de “natureza”, de “ordem”, implica cair em uma postura rígida, imóvel, totalmente estática. Isso é totalmente gratuito, pois não conexão alguma entre ambas afirmações. O problema real consiste em explicar a mudança, o movimento. Para poder fazê-lo, devemos reconhecer que em toda transformação há um elemento que varia e outro elemento que permanece.

Se não fosse assim, não poderíamos dizer que uma criança cresceu, que uma semente germinou em planta ou que nós somos os mesmos desde que nascemos há 20, 30 ou 70 anos... Se nada permanecesse, teríamos que admitir que a criança, a planta ou nós mesmos, somos seres absolutamente diferentes daqueles. Para que haja mudança deve haver algo que mudou, quer dizer, um sujeito da mudança. Do contrário, não haveria mudança alguma.

A filosofia cristã opõe a estes erros uma concepção muito distinta e conforme a experiência. Para além de toda mudança, há realidades permanentes: a essência ou natureza de cada coisa ou ser. A evidência da mudança não só não suprime essa natureza mas a pressupõem necessariamente. A experiência cotidiana nos mostra que as pereiras dão sempre peras e não maçãs nem nós moscada, e que os olmos nunca produzem peras. Por não se sabe que "deplorável estabilidade", as vacas sempre têm bezerros e não girafas nem elefantes, e, o que é ainda mais escandaloso, os carneiros têm sempre uma cabeça, uma calda e quatro patas... E quando, em alguma ocasião, aparece algum com cinco patas ou com duas cabeças, o bom senso exclama espontaneamente: “Que barbaridade, pobre animal defeituoso!” – Reações que não fazem senão provar que não só há natureza mas que existe uma ordem natural. A evidencia dessa ordem universal é que nos permite distinguir o normal do patológico, o são do enfermo, o louco do lúcido, o motor que funcionava bem do que funciona mal, o bom pai do mal pai, a lei justa da lei injusta... O bem do mal.


A ciência confirma a existência de uma ordem

O simples contato com as coisas, nos mostra, pois, que o natural existe na intimidade de cada ser. Porque a formiga é o que é, pode caminhar, alimentar-se e defender-se como o faz; porque o joão-de-barro é como é, pode construir seu ninho tal como faz; porque o homem é como é naturalmente, pode pensar, sentir, amar e trabalhar humanamente...

Mas a ciência aporta uma confirmação assombrosa à constatação não só de que cada ser têm uma essência ou natureza, mas de que essa natureza não é fruto do acaso, mas que possui uma Ordem, uma hierarquia, uma harmonia que se manifesta em todos os seres e em todos os fenômenos.

A simples observação nos mostra, com efeito, que há leis naturais que regem os fenômenos físicos e humanos. O homem sempre admirou a regularidade da marcha dos planetas, das inumeráveis constelações; sempre se assombrou com o ritmo das estações, das marés, da geração da vida. Mas o progresso cientifico atual, a física e a química contemporâneas, nos dizem que uma simples molécula de proteína contém 18 aminoácidos diferentes, dispostos em uma ordem bem estruturada. – Uma única molécula de albumina inclui dezenas de milhares de milhões de átomos, agrupados ordenadamente em uma estrutura dissimétrica.

Hoje sabemos que um ser vivo é constituído principalmente por moléculas de proteínas que contém entre 300 e 1000 aminoácidos. As transformações químicas das células são catalisadas por enzimas, que, por sua vez, possuem estruturas particulares. Um só organismo unicelular possui abundantes proteínas, além de lipídios, açucares, vitaminas, ácidos nucleicos.

Como explicar, então, à luz destas constatações, que a estrutura intima da matéria em seus níveis mais elementares exige um ordenamento tão perfeito, tão delicado, tão constante, para poder produzir o mais simples dos seres vivos? Se a isso somamos a existência não de um, mas de milhões de milhões de organismos monocelulares e a complexidade pavorosa dos organismos mais complexos, como sustentar que um acaso cedo preside tanta maravilha?

O moderno cálculo de probabilidades prova a impossibilidade de uma pura combinação fortuita. Em consequência, nem o acaso cego do materialismo, nem o relativismo, nem o subjetivismo existencialista conseguem explicar a ordem assombrosa do cosmo físico e da vida humana.

Por outro lado, como explicar logicamente a incoerência dos relativistas, para quem, – como já apontado por Aristóteles há 25 séculos, – tudo é relativo salvo o próprio relativismo?

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Fonte:
• SACHERI, Carlos Alberto. El orden natural, 6ª ed. [1. ed de 1975], Buenos Aires: Vórtice, 2008, pp. 45-48.
 – Com "As Muralhas da Cidade", disp. em:
http://muralhasdacidade.blogspot.com.br/2014/12/existe-uma-ordem-natural.html
Acesso 18/12/014
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Antifonas Maiores do Advento


O IMENSO DESEJO pela vinda do Cristo, que caracteriza todo o Advento, se exprime na Liturgia com uma impaciência tanto maior quanto se aproxima do Santo Natal.

"O Senhor vem de longe" (Introito do 1º Domingo Advento). – "O Senhor virá" (Introito do 2º Domingo do Advento). – "O Senhor está próximo" (Intróito do 3º Domingo do Advento)... E esta gradação se acentua cada vez mais. 

Assim começam, no dia 17 de dezembro, as Antífonas Maiores, também chamadas de "Antífonas do Ó" por causa de sua inicial. São um apelo vibrante ao Messias cujas prerrogativas e títulos gloriosos nos declaram.


Die 17 Decembris

O Sapientia

quæ ex ore Altissimi prodisti,

attingens a fine usque ad finem,

fortiter suaviter disponens omnia:

Veni ad docendum nos viam prudentiae
17 de dezembro

Ó Sabedoria

que saístes da boca do Altíssimo

atingindo de uma a outra extremidade

e tudo dispondo com força e suavidade:

Vinde ensinar-nos o caminho da prudência

Die 18 Decembris

O Adonai

et Dux domus Israel,

qui Moysi in igne flammæ rubi apparuisti

et ei in Sina legem dedisti:

Veni ad redimendum nos in brachio extento
18 de dezembro

Ó Adonai

guia da casa de Israel,

que aparecestes a Moisés na chama do fogo

no meio da sarça ardente e lhe deste a Lei no Sinai

Vinde resgatar-nos pelo poder do vosso braço.

Die 19 Decembris

O Radix Jesse

qui stas in signum populorum,

Super quem continebunt reges suum,

Quem gentes deprecabuntur:

Veni ad liberandum nos; jam noli tardare
19 de dezembro

Ó Raiz de Jessé

erguida como estandarte dos povos,

em cuja Presença os reis se calarão

e a Quem as nações invocarão,

Vinde libertar-nos; não tardeis jamais.

Die 20 Decembris

O Clavis David

et Sceptrum domus Israel:

qui aperis, et nemo claudit;

claudis et nemo aperit:

Veni, et educ vinctum de domo carceris,

sedentem in tenebris et umbra mortis
20 de dezembro

Ó Chave de Davi

o Cetro da casa de Israel

que abris e ninguém fecha;

fechais e ninguém abre:

Vinde e libertai da prisão o cativo

assentado nas trevas e à sombra da morte.

Die 21 Decembris

O Oriens

Splendor lucis æternæ, et sol justitiæ

Veni et illumina sedentes in tenebris

et umbra mortis.
21 de dezembro

Ó Oriente

Esplendor da luz eterna e sol da justiça

Vinde e iluminai os que estão sentados

nas trevas e à sombra da morte.

Die 22 Decembris

O Rex gentium

et desideratus earum

Lapisque Angularis,

qui facis utraque unum:

Veni et salva hominem quem de limo formasti
22 de dezembro

Ó Rei das nações

e objeto de seus desejos,

Pedra Angular

que reunis em Vós judeus e gentios:

Vinde e salvai o homem que do limo formastes

Die 23 Decembris

O Emmanuel,

Rex et legifer noster,

Exspectatio gentium,

et Salvador earum:

Veni ad salvandum nos, Domine Deus noster
23 de dezembro

Ó Emanuel,

nosso Rei e Legislador,

Esperança e Salvador das nações,

Vinde salvar-nos,

Senhor nosso Deus.

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LEFEBVRE, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

Com "Em Defesa da Santa Fé", disponível em

http://emdefesadasantafe.blogspot.com.br/2014/12/17-de-dezembro-antifonas-maiores.html
Acesso 16/12/014
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Camilianos arriscam suas vidas na luta contra o ebola


EM MEIO À EPIDEMIA de ebola na África ocidental, – com mais de 17 mil casos e 6 mil mortes, – voluntários continuam pondo em risco suas vidas para ajudar a combater a terrível doença. Entre eles estão os religiosos camilianos, em Serra Leoa. A ordem dos clérigos regulares ministros dos enfermos, ou simplesmente camilianos, foi fundada em 1590 pelo religioso São Camilo de Lellis, e é voltada à assistência espiritual e corporal dos doentes (saiba mais).

Em testemunho à agência Fides, o Padre Baby Ellickal, vigário da província da Índia, contou que quatro novos religiosos de sua equipe devem se juntar aos que já estão em Serra Leoa após um período de treinamento em Roma: “Nosso compromisso é particularmente focado em três áreas de intervenção: a reabertura do Hospital do Espírito Santo da Diocese de Makeni, (...) a assistência à força de trabalho diocesana (...) em matéria de mobilização social e prevenção em meio às comunidades locais, bem como o apoio humanitário às famílias e vilarejos afetados, e o apoio psicológico, individual e comunitário, (...) às famílias em quarentena e, em particular, às crianças vítimas do vírus”.

O religioso conclui seu depoimento afirmando que, como o trabalho é enorme, outros irmãos devem se juntar ao combate, vindos da Índia, da Itália e das Filipinas.

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Fonte:
• Sem. DAVID, Filipe. Arquidiocese de São Paulo, Semanário “O São Paulo” nº 3031, ano 59, seção "Pelo Mundo" p. 9.
Com Ag. News.Va, disponível em:
http://www.news.va/pt/news/africaserra-leoa-camilianos-indianos-em-partida-pa
Acesso 16/12/014
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O culto da Igreja primitiva


COMO SERIA o culto que os verdadeiros cristãos devem prestar a Deus? Com o crescimento de centenas de seitas ditas "cristãs" no Brasil, vemos a soberba de muitos que afirmam que o culto que eles prestam é o único verdadeiro, pois seria o mesmo culto que os primeiros cristãos tributavam a Deus, – tudo supostamente confirmado, como de costume, pela Bíblia Sagrada. – Será?

Seria verdadeiro o argumento dos que se intitulam, a si mesmos, "evangélicos"? Muitos dentre estes também afirmam que a Missa católica é uma "invenção" humana, que Deus não ouve nem aceita, e que, é claro (e só para não variar), não teria "base bíblica" . Alguns chegam ao extremo de dizer que se trata de um sacrifício paganizado.

Para descobrir a verdade dos fatos, analisemos brevemente, juntos, a História da Igreja, para descobrir que tipo de culto e quais ritos os primeiros cristãos prestavam a Deus. – Pelo testemunho bíblico, sabemos que a Igreja primitiva seguia a doutrina e a sagrada Tradição dos Apóstolos, observando o Mandamento direto do Senhor: "Fazei isto em memória de mim. Todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciareis a minha morte, e confessareis a minha ressurreição" (1 Cor 11,26).

Adverte também Jesus no Evangelho segundo S. João “Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos” (Jo 6, 53).

Na Comunhão do Pão e na oração perseveravam os primeiros cristãos após a Ressurreição do Cristo, que formavam o corpo da Igreja primitiva (conf. At 2, 42), já celebrando os santos Mistérios Sacramentais. Sabemos que no inicio do século II usavam a Disciplina do Arcano, com os Mistérios sendo celebrados secretamente para que não se paganizassem e se mantivessem vivos e puros no seio da Igreja. O serviço litúrgico era realizado em casas de membros da comunidade ou em lugares ocultos, como porões e catacumbas, devido à perseguição romana: nos tempos primitivos, muitos Apóstolos ministraram a Liturgia em suas casas, edificações conhecidas como Domus Eclesiae, que mais tarde viriam a se tornar Domus Dei, isto é, edifícios construídos exclusivamente para o culto cristão.

No primeiro dia depois do sábado, o "Dia do Senhor" (Ap 1,10), quando S. Paulo diz para partir o Pão (At 20,7), os cristãos cultuavam a Deus mais frequentemente. Faziam a leitura dos Profetas e das Epístolas, as cartas dos Apóstolos às primeiras comunidades da Igreja, suas primeiras paróquias e dioceses. Essas leituras eram explicadas e meditadas em grupo: tratava-se da homilia, do latim, que deriva do grego ὁμιλία e quer dizer discurso, instrução ou conversa, e se traduz numa pregação em estilo simples e quase coloquial do Evangelho e das leituras do dia. Vejamos o que dizem os Pais Apostólicos da Igreja, em registros dos séculos I e II dC:

No chamado 'Dia do Sol'[1], todos os fiéis das vilas e do campo se reúnem num mesmo lugar: em todas as oblações que fazemos, bendizemos e louvamos o Criador de todas as coisas, por Jesus Cristo, seu Filho, e pelo Espírito Santo. (...) Lêem-se os escritos dos profetas e os comentários dos apóstolos. Concluídas as leituras, o sacerdote faz um discurso em que instrui e exorta o povo a imitar tão belos exemplos. Em seguida, nos erguemos, recitamos várias orações, e oferecemos pão, vinho e água. O sacerdote pronuncia claramente várias orações e ações de graças, que são acompanhadas pelo povo, com a aclamação Amem! Distribuem-se os dons oferecidos, comunga-se desta oferenda, sobre a qual pronunciara-se a ação de graças, e os diáconos levam esta Comunhão aos ausentes. Os que possuem bens e riquezas dão uma esmola, conforme sua vontade, que é coletada e levada ao sacerdote que, com ela, socorre órfãos, viúvas, prisioneiros e forasteiros, pois ele é o encarregado de aliviar todas as necessidades. Celebramos nossas reuniões no 'Dia do Sol', porque ele é o primeiro dia da criação em que Deus separou a luz das trevas, e em que Jesus Cristo ressuscitou dos mortos.
(S. JUSTINO MÁRTIR, nascido em 103 dC, filósofo pagão convertido, tornado sacerdote e martirizado, contemporâneo de Simeão – que viu Nosso Senhor Jesus Cristo – e de Sto. Inácio, Clemente – companheiro do Apóstolo Paulo – de Potino e de Irineu, discípulos de Policarpo. Apologia II)


Capela de Santo Ananias – Damasco (Síria), construída no século 1 dC, é exemplo de uma das primeiras casas de culto cristão. Mais que uma reunião de irmãos para louvar a Deus e ler a Bíblia, o centro do culto era a Eucaristia
Inscrição do sepulcro de uma mulher cristã da Igreja primitiva (séc. 6): "Aqui, descansa em paz Maxima, serva de Cristo, que viveu cerca de 25 anos (...) quando o senador Flavio Probus era o jovem cônsul. Ela morava com o marido há sete anos e seis meses. Foi amigável, fiel em tudo, bondosa e prudente." Antes do início do texto, a cruz demonstra que se tratava de uma cristã. Hoje, algumas 'igrejas ivangélicas' chegam a afirmar que a cruz não é símbolo cristão(!)...

Outro atestado é o de Sto. Inácio de Antioquia, (†110) terceiro bispo de Antioquia, sucessor de S, Pedro e de Evódio, contemporâneo dos Apóstolos quando criança, que declarou ter visto Nosso Senhor ressuscitado; ele conheceu pessoalmente S. Paulo e S. João Evangelista. Sob o imperador Trajano, foi preso e conduzido a Roma, onde morreu devorado por leões, no Coliseu. A caminho de Roma, escreveu cartas às comunidades da Igreja em Éfeso, Magnésia, Trales, Filadélfia, Esmirna e ao bispo São Policarpo de Esmirna. Apresenta alguns detalhes sobre a oblação da Eucaristia, na sua primeira carta aos cristãos de Esmirna (leia aqui). Nesta, ficou registrada por escrito, pela primeira vez (ao menos num documento que tenha chegado ao nosso conhecimento), a expressão “Igreja Católica”.

Abstêm-se eles da Eucaristia e da oração, por que não reconhecem que a Eucaristia é Carne de nosso Salvador Jesus Cristo, Carne que padeceu por nos­sos pecados e que o Pai, em Sua Bondade, ressuscitou.
(Epístola aos Esmirnenses: Cap. VII; Santo Inácio de Antioquia)

Sto. Ireneu de Lião, (130-202) eminente teólogo ocidental, confirma-nos o Sacrifício que era prestado pelos primeiros cristãos figurado no Sacrifício de Cristo. Em outra obra ele ressalta a importância e a transubstanciação na Eucaristia:

(Nosso Senhor) nos ensinou também que há um novo Sacrifício da Nova Aliança, Sacrifício que a Igreja recebeu dos Apóstolos, e que se oferece em todos os lugares da Terra ao Deus que se nos dá em Alimento como Primícia dos favores que Ele nos concede no Novo Testamento. Já o havia prefigurado Malaquias. (...) O que equivale dizer, com toda a clareza, que o povo primeiramente eleito não havia mais de oferecer sacrifícios, senão que em todo lugar se ofereceria um Sacrifício puro, e que seu Nome seria glorificado entre as nações.
(Adversus Haereses)

Outro Registro é o Didaqué (leia na íntegra aqui), catecismo cristão escrito por volta do ano 120 aD, antes do Evangelho segundo João e de outros livros no Novo Testamento da Bíblia, um dos mais antigos registros do cristianismo. Este também trata do culto cristão e da celebração dos primeiros crentes após transcrever regras a respeito da celebração da Eucaristia. Diz:

Que ninguém coma nem beba da Eucaristia sem antes ter sido batizado em Nome do Senhor, pois sobre isso o Senhor disse: 'Não dêem as coisas santas aos cães'.
(Didaqué, Cap. IX, Nº 5)

Também diz sobre a reunião dos crentes:

Reúnam-se no Dia do Senhor para partir o Pão e agradecer, após ter confessado seus pecados, para que o Sacrifício seja puro.(Didaqué, Cap. XIV, nº 1)

O que têm em comum estes testemunhos do I e do II séculos? Por meio deles podemos observar que os primeiros cristãos perseveravam na Comunhão e na Celebração Eucarística, e todos comprovam a Liturgia católica como única herdeira da liturgia dos primeiros cristãos em suas reuniões, que no mínimo a partir do séc. III passou a ser conhecida pelo termo "Missa", que procede do latim “mitere”, e significa "enviar". Missa é o particípio que adquire sentido de substantivo: "missão”.

E como ficam os cultos daqueles alegados "cristãos" que atacam a santa Missa, e que não passam de simples reuniões para a leitura da Bíblia, – com a sua inevitável interpretação particular, que as próprias Escrituras condenam (2Pd 1,20), – canto de louvores e orações espontâneas? Como visto, estes sim, são totalmente carentes de embasamento histórico e bíblico!

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Fontes e referência bibliográfica:
• STONE, Darwell. A History of the Doctrine of the Holy Eucharist, Oregon: Aeterna Press, vol.s 1/2, 2014.
• CECHINATO, Luiz. A Missa Parte por Parte, São Paulo: Vozes, 1991.
• PRADO, Alexandre de Castro. Considerações Sobre A Missa No Séc. II segundo S. Justino, São Paulo: USP, 2011.
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Menos Estado, mais caridade


UM CASAL DE CATÓLICOS norte-americanos aposta em iniciativas não governamentais e locais para ajudar os pobres. Agora com quase 80 anos de idade, John Saeman foi um importante executivo no setor de telecomunicações e foi nomeado Cavaleiro de São Gregório pelo Papa João Paulo II, por seu trabalho e dedicação à Igreja Católica e à sua missão.

John e Carolyn, sua esposa, têm três filhos e 14 netos. Ambos trabalharam no conselho da Papal Foundation, uma organização norte-americana criada para ajudar financeiramente o Santo Padre com obras pastorais e de caridade por todo o mundo. John também foi o diretor de outra fundação, a Daniels Found, com investimentos em educação e no combate à dependência de álcool e drogas, entre outas atividades. O casal lembra que o ensinamento social da Igreja se baseia nos princípios da dignidade humana, solidariedade e subsidiariedade:

"A solidariedade estipula que a sociedade deve se unir na busca do bem comum; a subsidiariedade requer que as mazelas sociais sejam tratadas no nível local."

Segundo o casal, os três princípios são ameaçados pela concentração ou centralização de poder. Um dos exemplos disso são os programas governamentais mal projetados, feitos de tal forma que promovem a dependência do auxílio financeiro em vez de ajudar as pessoas a ascender socialmente.

Com essa visão, eles concentram seus trabalhos e dinheiro em apoiar organizações católicas não governamentais, investindo no auxílio a pessoas sem moradia e em um programa chamado "Sementes da Esperança", que oferece bolsas de estudo a jovens de baixa renda, independentemente de raça. cor da pele ou nacionalidade.

O casal não tem medo de afirmar:

"Nossa convicção é a de que um governo [com poder] reduzido é mais conveniente para tirar as pessoas da pobreza"

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Fonte:
Sem. DAVID, Filipe. Arquidiocese de São Paulo, Semanário “O São Paulo” nº 3031, ano 59, seção "Pelo Mundo" p. 9.

Escândalos na Igreja e a perseverança do cristão


RECENTEMENTE, UMA assinante de nossa revista impressa, cujo nome não estamos autorizados a divulgar, enviou ao nosso endereço de e-mail uma interessante mensagem, cujo trecho principal reproduzimos abaixo, seguido de nossa resposta, – esperando, em Cristo, que seja útil também aos nossos demais leitores:

"Tenho um (...) assunto polêmico! O Filme Philomena. Foi muito falado algum tempo atrás. O que mais me incomoda é colocarem as freiras como responsáveis pelas as vendas das crianças que foram adotadas.(cruelmente). Você saberia dizer se isso realmente acontecia? Tenho justificado esse acontecimento pra mim assim: Se os pais puderam abandoná-la grávida, por que cobrar tanto das freiras! Mas dentro de mim, eu sei que elas eram severas e as vezes cruel. E isso me incomoda!
Não sei como pelo menos,amenizar..."

Prezadíssima leitora, ficamos realmente felizes em saber que o nosso trabalho esteja, de algum modo, sendo útil na sua jornada. Parabéns por buscar, por estudar e se aprofundar na fé. Isto é sumamente importante; é o que nos pediu o primeiro Papa: "Estejais sempre prontos a dar a razão da vossa esperança diante daqueles que vos questionam" (1Pd 3, 15). E quando você me pergunta sobre o filme "Philomena", eu vejo que preciso lhe dizer algo que será de importância realmente fundamental nesta sua caminhada. [Digo-o porque esta não é a primeira vez que nos escreve com dúvidas deste tipo: 'é verdade que tal católico foi capaz de cometer grandes pecados? Como explicar tal coisa?'] 

O que devo lhe dizer é isto: se você realmente quiser continuar sendo cristã, precisa entender que na Igreja não existem somente pessoas boas, santas ou justas. Se você vai se escandalizar ou ficar psicologicamente abalada a cada vez que ficar sabendo de alguma maldade praticada por padres, freiras, bispos ou mesmo papas, você vai acabar perdendo a fé. Esta questão é realmente muito importante. Chego a dizer que compreendê-la é como um estágio que o cristão precisa superar. Eu (que não sou santo) passei por isso, e todos os santos cujas vidas eu estudei tiveram que superar essa etapa.



Vejamos: quando conhecemos a Igreja de Cristo, nos apaixonamos, porque encontramos a nossa casa, o nosso lugar no mundo; entendemos finalmente o que Deus quer de nós e onde Ele quer que estejamos; queremos comungar com Ele e o servir... É um primeiro estágio da conversão, repleto de felicidade e empolgação. Queremos ajudar as ações da Igreja, queremos mostrar ao mundo que pertencemos a esta Igreja, queremos participar dos seus movimentos e ações pastorais...

Mas aí, com o passar do tempo, fatalmente começamos a nos decepcionar com uma série de coisas. E se a nossa fé não for sólida, se não estiver bem direcionada e ancorada onde deve estar, corremos o risco de deixar que essas decepções tomem conta de tudo e, a médio-longo prazo, até de abandonar a Igreja.

Tudo começa quando vemos que os nosso irmãos católicos não são assim tão santos, como achamos que eles deveriam ser. É uma dura realidade, mas, ao menos na maioria dos casos, boa parte deles parece não ter sequer a mínima boa vontade, e outros tantos nos dão a impressão de que nem mesmo têm fé. Parece que vão à igreja por uma simples questão de preceito, obrigação ou costume, nada mais. Eles não dão bom testemunho, como deveriam, e muitas vezes, pelo contrário, fazem o contrário do que esperávamos deles. Isso entristece, magoa a alma. É uma profunda decepção.

O tempo passa e a coisa só piora. Logo percebemos que o padre da nossa paróquia também não é aquele "santinho" que achamos que ele, – mais do que todos, – deveria ser. Esta decepção pode ser ainda pior. É triste dizer, mas nos nossos dias a situação é realmente difícil. Eu, com a Graça de nosso Bom e Misericordioso Deus, na minha busca, com o passar dos anos, acabei por ser levado a conhecer não um, mas vários sacerdotes dignos e santos. Que a situação geral do clero em nossos tempos é delicada, entretanto, é uma realidade da qual não se pode fugir, e os motivos são vários, desde má formação até a infiltração de uma certa ideologia contrária aos fundamentos de sempre da fé da Igreja, que vem ocorrendo há décadas, cresceu e hoje é impossível de se ignorar, porque contaminou boa parte do clero. É um assunto extremamente polêmico, sobre o qual você pode se informar assistindo a este vídeo, do Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Jr.

O fato de que existem (muitos) traidores no seio da Igreja é indiscutível, mas há um outro fator essencial nesta equação que também não pode ser ignorado: a má vontade da mídia e dos formadores de opinião, no geral, contra a Igreja. Há pouco tempo, por exemplo, depois que a grande mídia passou a divulgar com grande intensidade e sensacionalismo os casos de pedofilia no clero, milhares de pessoas, sentindo-se escandalizadas, deixaram de ir à igreja, não foram mais à Missa... Por quê? Porque essas pessoas confundem as coisas, e é uma confusão muito elementar: elas pensam que se existem padres ruins, então a Igreja não pode ser boa. Acham que se um padre é capaz de cometer uma monstruosidade tal como abusar sexualmente de uma criança, então não vale a pena ser católico, e já não é mais possível pertencer a esta Igreja...



Então, veja que é chegada a hora de todos nós, católicos, amadurecermos na fé, de crescermos e nos tornarmos cristãos adultos e bem formados. É hora de entender que a Igreja nunca foi formada exclusivamente por gente santa, – e isso vem desde o começo, desde os primeiríssimos tempos. É só você pensar que, até mesmo entre os doze que Jesus escolheu diretamente, havia um Judas, e até Pedro, o primeiro Papa, negou o Senhor por três vezes, dizendo: "Não conheço este homem"!

Hoje, a Igreja não é mais constituída por 12, mas por 1200000000 (1,2 bilhões de pessoas)! Se antes era um Judas, agora são milhões deles, e isto não deveria nos surpreender. Compreende o que estou dizendo? O ser humano não é confiável; é falho, está sempre sujeito ao pecado e às tentações do diabo, e a Bíblia é categórica ao nos prevenir: "Maldito o homem que confia no homem! (Jr 17,5). Não é porque alguém se torna padre ou freira que se torna automaticamente santo. Por isso, deixe que eu a previna: em toda a história da Igreja, até hoje, muitos padres, freiras e bispos, e até papas, fizeram coisas horríveis. – Mas (importante!) estas pessoas não representam a Igreja, e você sabe por quê? Simplesmente porque são traidoras da Igreja.

E então, quais são as pessoas que realmente representam a Igreja? Resposta: os santos e santas. Por quê? Ora, porque os santos são aqueles que cumprem os preceitos da Igreja! Só pode representar uma instituição quem está alinhado com ela, quem faz o que ela manda. Não é simples?

Agora eu vou lhe responder com muita objetividade sobre os fatos retratados no filme "Philomena". Eu realmente não sei até que ponto são 100% verdadeiros, mas... Isto não importa nada para a minha fé. Nada mesmo! Se eu sei que os filhos e filhas da Igreja são pessoas humanas, sujeitas ao pecado, assim como todos nós, isso não pode me afetar. Entende isto?

Também é interessante notar que alguns pecados são cometidos por pura maldade ou fraqueza, mas outros acontecem devido ao zelo em se fazer o que é certo e servir a Deus. Sim, e este último parece ter sido o o caso retratado no filme: havia um desejo de pureza, uma ansiedade em se cumprir os preceitos divinos, em não ofender a Deus, que fez com que aquelas pessoas se esquecessem do Mandamento maior, que é o do amor e da compaixão. Mas também é importante notar que estamos falando de uma outra época. O que sei é que a verdadeira Philomena recentemente encontrou-se com o Papa e se sentiu honrada e muito feliz com isso (veja aqui).

Agora, você já reparou como a grande mídia, os diretores de TV e cinema, os jornalistas... os formadores de opinião do "mundão", enfim, adoram apontar erros na Igreja Católica? Curioso, a Igreja é a instituição que mais pratica a caridade no mundo; neste exato momento, literalmente milhões de pessoas ao redor do nosso planeta estão sendo assistidas por algum organismo da Igreja, por milhares e milhares de santos anônimos que nunca têm o seu trabalho divulgado. Mas, se um padre ou uma freira (perdoe o mau jeito) soltarem um "pum" no elevador, isso vai ser noticiado no Jornal Nacional por uma semana inteira, e talvez até façam um filme sobre isso! Você consegue perceber, nesta realidade, o cumprimento da profecia de Nosso Senhor, de que seríamos odiados de todos por amor ao seu Nome?

Então, é isto, Letícia. A Igreja é a Casa de Deus (1Tm 3,15), é o Corpo Místico de Cristo (1Cor 12, 12; Cl 1, 18; Ef 5, 23; Rm 12, 4-5). Jesus diz que Ele é a Videira e nós, os membros da sua Igreja, seus ramos. É por meio da Igreja que recebemos os Sacramentos, desde o Batismo até a Sagrada Eucaristia, que nos põe em santa intimidade com o próprio Deus. Mas Ele nunca disse que todos os ramos seriam perfeitos, ou que não existiria pecado entre aqueles que resolvessem segui-lo. Ao contrário, Ele previu tribulações, tentações e apostasia. Então, se a sua fé vai se abalar a cada vez que você descobrir algum pecado dos filhos da Igreja, ela já está condenada. Saiba disto e aceite isto, ou desista de Jesus.
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