COMPREEENDENDO PROFUNDAMENTE A DOR de tantos fiéis ditos "tradicionalistas" diante de um incompreensível duplo critério, reproduzimos mais abaixo a poderosa carta pública do Superior-Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, diante da iminente sagração de seus novos bispos em julho próximo (2026).
Trata-se de uma situação sentida por esses nossos irmãos como gravemente injusta e intensamente dolorosa: católicos plenamente fiéis à Doutrina católica e à Liturgia que a Igreja guardou por quase dois milênios, que reconhecem como Papa o atual pontífice Leão XIV, e que suplicam apenas pelo direito de viver a Fé como sempre foi transmitida, desde os Apóstolos — por todos os Santos e Mártires, por todos os Doutores e Papas, pelos Padres da Igreja e pelos seus maiores Doutores em todos os tempos —, recebem em resposta ameaças de excomunhão, enquanto líderes de outras religiões (inclusive aquelas que historicamente foram consideradas hereges) ou que sequer creem em Cristo como Deus e Salvador, são acolhidos benevolamente com gestos públicos de cordialidade, diálogo e “caminhar juntos”.
Declaração de Fé católica endereçada a Sua Santidade, o papa Leão XIV, pelo Pe. Davide Pagliarani, Superior-Geral da FSSPX
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Henrique Sebastião
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Trump vs. Leão XIV: dois líderes americanos poderosos em confronto público
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| Uma das imagens postadas pelo Pres. Trump que geraram controvérsia |
DE UM LADO, o "President" dos EUA criticou duramente o Pontífice católico em postagens nas suas redes sociais, chamando-o de "fraco no combate ao crime" e "péssimo em política externa". Trump afirmou que o papa deveria se concentrar em ser "um grande papa, não um político", especialmente após declarações do Vaticano contra a guerra no Irã e sobre migração.
Fulton Sheen vai ser beatificado. O que isso representa para a Igreja de hoje?
A DATA OFICIAL é 24 de setembro de 2026. Em St. Louis, no Missouri (EUA), o Venerável Fulton Sheen será oficialmente declarado Beato, a última etapa antes da canonização. A cerimônia será presidida pelo Cardeal Luis Antonio Tagle, como representante do papa Leão XIV. Neste artigo opiniático, trataremos mais sobre o significado deste evento para a Igreja Católica dos nossos tempos do que sobre seus detalhes históricos, técnicos ou litúrgicos (falaremos dessas coisas em momento oportuno).
O conceito católico de epiqueia e a sagração dos novos bispos da FSSPX
A virtude da epiqueia (do grego epieikeia, também conhecida como aequitas, equidade em latim) é uma virtude moral que pertence à justiça, especificamente à justiça legal. Ela consiste na disposição de corrigir ou moderar a aplicação rígida da letra da lei quando esta, por ser universal e geral, não se adequa perfeitamente a um caso concreto particular, de modo a seguir o espírito da lei e o bem comum, em vez de sua formulação literal.
Minha noite escura — por que nosso apostolado está quase parando?
O APOSTOLADO "FRATRES IN UNUM", nosso velho parceiro, deixou de atualizar seu site em 18 de janeiro de 2024. Infelizmente, não há nenhuma explicação pública ou anúncio oficial sobre os motivos do cessar abrupto das suas atividades. O blog parou de receber novas postagens naquela data e desde então permanece inativo, sem qualquer comunicado de despedida, explicação do motivo ou transição para outro canal.
Pelo que se observa em fontes tradicionais católicas brasileiras, o silêncio é total. Vários leitores e comentadores notaram a parada repentina e expressaram lamentação, mas ninguém (nem os administradores visíveis, nem colaboradores conhecidos) deu quaisquer detalhes a respeito. Não há indícios de transferência para Instagram, YouTube, Telegram ou outro site.
Possíveis razões (especulações baseadas no contexto tradicionalista brasileiro) incluem o desânimo, um cansaço insuperável que só piora diante da situação da Igreja nestes tempos sombrios. Manter um apostolado como o "Fratres..." (desde 2008) ou como "O Fiel Católico" (desde 2007) — com postagens diárias ou quase, por tantos anos — exige um desgaste enorme, não só de tempo e energia, mas também emocional e espiritual. Chegar a um ponto em que a crise na Igreja (especialmente desde o pontificado de Francisco, com documentos como Amoris Laetitia, sobre a Fraternidade Humana em prol da Paz Mundial e da Vivência Comum, assinado em conjunto com o Grande Imã de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyib, Traditionis Custodes, Fiducia Supplicans e tantos outros, além de constantes pronunciamentos afirmando que todas as religiões dizem a mesma coisa, que nenhuma é melhor que outra, que "Deus não é católico", que é pecado querer converter os povos, etc., etc, etc... (aqui cabem reticências depois do 'etc', sim senhor), tudo leva a um cansaço profundo.
No meu caso, depois do esgotamento, passei a buscar a solução no oposto do que me fazia sofrer, e assim flertei com as correntes tradicionalistas mais radicais, incluindo o sedevacantismo, numa tentativa de combater o erro migrando diretamente de um extremo para o outro. E então me decepcionei novamente. Nada mais parecia fazer sentido... e sei que isso é algo que muitos católicos tradicionalistas no Brasil e no mundo estão vivendo nesses últimos anos. É uma espécie de "noite escura" coletiva para muitos que defenderam a Tradição com zelo durante décadas: a sensação de que o barco da Igreja está como que à deriva, que as vozes de alerta são ignoradas ou silenciadas, e que as soluções "puras" acabam se revelando insuficientes ou problemáticas.
Santa Teresa d'Ávila, São João da Cruz e até o próprio São Pio X passaram por fases de aridez espiritual e desânimo diante da crise da Igreja do seu tempo. O cansaço com a situação é, muitas vezes, o peso de carregar sozinho (ou quase sozinho) uma preocupação que deveria ser compartilhada pela hierarquia. Reduzir o ritmo por aqui é como uma forma de autopreservação. Tento manter o fogo aceso, baixo, ao invés de me queimar completamente.
Muitos que passaram ou se encontram nessa situação (inclusive figuras conhecidas no meio tradicional brasileiro) chegam à mesma conclusão: o sedevacantismo resolve a crise na teoria, mas na prática leva à fragmentação e a um isolamento que não edifica a Igreja. Outras posições mais moderadas (como uma resistência forte sem ruptura) também geram fadiga porque parecem uma luta sem fim. O que resta, para muitos, é uma fidelidade mais "interior": apegar-se à doutrina imutável, aos Sacramentos tradicionais (quando disponíveis), à oração pessoal e à formação de pequenos grupos de fiéis, apegando-se à virtude da paciência, sem esperar uma solução geral e definitiva imediata.
Nota aos leitores e amigos de O Fiel Católico
Caros irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo e na Ssma. Virgem Maria,
Desde 2007 este apostolado procura defender, pela graça de Deus, a Fé católica integral, tal como sempre foi ensinada pelos Apóstolos, pelos Mártires, pelos Doutores da Igreja e pelos Papas até o Concílio Vaticano II. Foram quase 18 anos de postagens diárias e quase diárias, revistas, cursos, respostas a dúvidas de consulentes, tudo feito por amor à verdade e às almas.
Nos últimos meses, porém, todos terão notado que nossas atualizações se tornaram mais raras. Não foi por preguiça, falta de material ou mudança de prioridades externas. Foi por um motivo bem mais profundo e doloroso: um cansaço espiritual que me atingiu com força e que, confesso humildemente, ainda parece longe de cessar.
Durante décadas acreditei — e ensinei — que a Igreja Católica é indefectível, que o Papa é o princípio visível da unidade, que a doutrina não pode mudar no seu conteúdo, que a infalibilidade papal e conciliar protege a Fé de contradições substanciais. Hoje vejo e ouço, com meus próprios olhos e ouvidos, declarações e atos dos Romanos Pontífices e de grande parte do episcopado que parecem contrariar frontalmente o que a Igreja sempre ensinou sobre a unicidade salvífica da Igreja, a gravidade objetiva de certas condutas, a imutabilidade da doutrina e da moral e o valor absoluto da liturgia tradicional.
Quando o próprio Papa diz ou deixa dizer — e não corrige — que “todas as religiões são caminhos para Deus”, que a evangelização (conforme praticada pelos apóstolos e por todos os Santos Mártires) é proselitismo e “um grave pecado”, que se pode abençoar uniões que a Santa Igreja sempre considerou objetivamente contrárias à lei natural, que a Missa de sempre pode ser restringida ou até suprimida… fica muito difícil ou praticamente impossível continuar repetindo, com a mesma convicção de antes, que “nada mudou” ou que tudo “é só questão de interpretação”, ou explicar "o que o papa realmente quis dizer", sempre em oposição àquilo que ele efetivamente disse...
Não estou aqui afirmando categoricamente que o Papa não é Papa (embora continue considerando que a dúvida pode ser honesta diante da situação concreta em que vivemos), menos ainda que a Igreja Católica deixou de ser a Igreja de Cristo. Isso seria cair em soluções extremas com as quais já compactuei e das quais me afastei por não encontrar nelas paz nem segurança, nenhuma união e nem a necessária caridade cristã e católica entre os muitos grupos existentes. Estou dizendo apenas que, para mim, a crise atual é de uma gravidade que eu jamais poderia imaginar que viveria algum dia. E que, diante dela, sinto-me muitas vezes sem palavras para continuar “explicando” o inexplicável ou “defendendo” o que é condenável, como se tudo estivesse perfeitamente normal, como fazem tantos. Minha honestidade não o permite.
Por isso decidi reduzir drasticamente as minhas publicações. Não quero escrever por escrever, nem fingir um entusiasmo que não tenho mais. Prefiro o silêncio à hipocrisia. Quando (e se) Deus me der novamente clareza e força, voltarei com mais regularidade. Por ora, mantenho o site no ar para que o material antigo continue ajudando quem precisar, e respondo, dentro do possível, mensagens privadas de quem busca orientação.
Peço a todos orações. Rezem por mim, pecador, para que eu não perca a Fé nem a caridade. E orem pela Igreja, pela conversão do clero, pelo triunfo do Imaculado Coração de Maria, pelo reinado total de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Não sei quando voltaremos ao ritmo antigo. Mas sei que Nosso Senhor não abandona os seus, mesmo quando tudo parece desabar. Nossa Formação Teológica continua e com a mesma qualidade, embora com ritmo mais lento, e continua sendo aquilo que sempre foi: um meio de auxílio para aqueles que desejam me ajudar a continuar em atividade.
Com afeto, em Jesus e Maria,
Henrique Sebastião
O Fiel Católico
Fevereiro de 2026
Astro de 'The Chosen' é impedido por padre de comungar do modo certo!
Se ele realmente fizer o que está dizendo que vai fazer, isto é, resistir aos bispos e padres irreverentes ao Santíssimo Sacramento que insistem em negar aos fiéis um direito que lhes é garantido, e continuar lá, ajoelhado, sem se mover e recusando-se a comungar na mão, então isso poderá se tornar o início de um santo movimento que faça quebrar essa dureza de tantos sacerdotes sem fé, os quais os pobres católicos devotos precisam enfrentar em suas próprias paróquias.
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Maria Corredentora? Mediação universal de Nossa Senhora? Tire suas dúvidas
O documento "desaconselha" o uso desses títulos, alegadamente, por razões "teológicas, pastorais e... ecumênicas". Nesta última palavra, porém, distingue-se, clara como água, a única verdadeira razão para tal aberração.
Embora reconheça a cooperação singular de Maria na obra da salvação, o texto afirma que esses termos específicos são teologicamente "ambíguos" e que podem levar a "equívocos". Contra o título "Corredentora", o principal argumento apresentado é o risco de obscurecer a Mediação única de Cristo. O prefixo "co-" poderia sugerir uma participação equivalente à de Jesus, diminuindo a verdade revelada fundamental de que Cristo é o único Redentor. Além disso, o título não possuiria fundamento claro nas Sagradas Escrituras nem na Tradição apostólica antiga, sendo de uso relativamente recente. Lembra que o Concílio Vaticano II (claro...), de forma deliberada, evitou o termo para manter a centralidade de Cristo, e afirma que tal doutrina ainda não é madura para uma definição dogmática.
Em relação ao título "Medianeira de todas as graças", o documento reafirma que Cristo é o único Mediador entre Deus e os homens, conforme a Escritura (1Tm 2,5). O uso deste título para Maria poderia gerar "confusão doutrinal", sugerindo que ela seja uma fonte de graça "paralela" ou independente de Cristo. A mediação de Maria é de intercessão e de maternidade, um papel subordinado e dependente da mediação exclusiva de Cristo, de quem fluem todas as graças. Por fim (e aqui chegamos ao cerne da questão toda, o motivo real da publicação desse documento) ambos os títulos representam um obstáculo significativo ao diálogo ecumênico com outras denominações cristãs. Bingo!
A recomendação do documento, por fim, é favorecer títulos como "Mãe do Povo Fiel" ou "Mãe da Igreja", que expressam o papel de Maria de forma teologicamente segura, sem os riscos de desequilíbrio doutrinal associados aos de "Corredentora" e "Medianeira de todas as graças".
Apresentados os pontos centrais da questão até aqui, passemos a analisá-los com um pouco mais de detalhe:
1. O título Corredentora aplicado a Maria, juntamente com a noção da sua mediação universal, podem ser mal interpretados e/ou gerar equívocos?
Sim, sem dúvida. Todavia, o mesmo vale para praticamente todos os outros títulos dogmáticos conferidos a Nossa Senhora. Todos eles requerem boa catequese para serem corretamente compreendidos. "Mãe de Deus", por exemplo, é um título que igualmente pode soar ambíguo e que tem potencial para gerar equívocos. Tanto é assim que esta é uma das principais armas usadas pelos protestantes desde sempre contra o culto mariano. No entanto, o primeiro a chamar Maria Mãe de Deus foi o próprio Espírito Santo, pela boca de Santa Isabel, como vemos no primeiro capítulo do Evangelho segundo São Lucas: "De onde me vem a honra de vir a mim a mãe do meu Senhor?" (Lc 1,43).
Essa frase, conforme dita por Santa Isabel inspirada pelo Espírito Santo, no original, é a seguinte:
πόθεν μοι τοῦτο ἵνα ἔλθῃ ἡ μήτηρ τοῦ κυρίου μου πρὸς μέ
Êxodo 3,14 – “Eu Sou o Que Sou” — ἐγώ εἰμι ὁ ὤν… κύριος — “Eu Sou o Senhor”.
Atos 2,36 – Pedro no Pentecostes: κύριον αὐτὸν καὶ χριστὸν ἐποίησεν ὁ θεός — “Deus o fez Senhor e Cristo”.
Entretanto, pessoas ignorantes e/ou mal intencionadas continuam imaginando que dizer isso é um grave erro e até uma blasfêmia, já que Deus é o Criador de todos e Maria é criatura, portanto não poderia ser "mãe de Deus". Evidentemente, o sentido do dogma não é este, mas sim o de que Jesus, sendo Deus e sendo homem a um só tempo, é inteiramente Filho de Maria. Ela, portanto, é sua mãe. Ele sendo Deus, ela é então Mãe de Deus. Ponto.
Maria, por óbvio, não poderia ser Mãe de Deus Pai (dizer isso, sim, seria blasfêmia), mas é evidentemente a Mãe de Deus Filho. Isso está bem resumido inclusive no catecismo de João Paulo II: "Chamando-a de ‘Mãe de Deus’, a Igreja confessa que Jesus é inseparavelmente verdadeiro Deus e verdadeiro homem" (§ 495).
Dissemos todo este preâmbulo para esclarecer que a Igreja não teme, nunca temeu e não pode temer proclamar a verdade por receio de ser mal interpretada. Deus não se rebaixa por medo de confusão; a Igreja não adapta a Revelação ao entendimento dos ignorantes ou mal-intencionados. Ela ensina, defende, explica — mas não nega e nem se omite.
2. O prefixo "co-", de Corredentora, poderia sugerir uma participação equivalente à de Jesus na economia da salvação, diminuindo a verdade fundamental de que Cristo é o único Redentor?
Não, absolutamente. Por isso mesmo não se diz que Maria é redentora, mas sim corredentora, isto é, que participa, que colabora, que atua conjuntamente. Nossa Senhora é corredentora de modo participativo, subordinado e dependente em relação a Cristo. Nunca houve confusão em relação a esse princípio fundamental em nenhum dos proponentes dessa doutrina. A justificativa apresentada, portanto, não se sustenta.
É verdade, reconhecemos, que nem a Corredenção e nem a Mediação universal de Maria foram proclamadas dogmaticamente, como verdade de fé (ou seja, não são verdades que obriguem os fiéis a crer de fide); no entanto, essas doutrinas foram ensinadas e corroboradas por numerosos papas (como Pio IX, Leão XIII, Pio X, Pio XI, Pio XII) em encíclicas, alocuções e catequeses, e estão presentes na Liturgia, na oração e em hinos tradicionais aprovadíssimos pelo Magistério. São defendidas por grandes Santos (como São Luís de Montfort, São Maximiliano Kolbe, Santa Catarina Labouré) e Doutores (como São Boaventura, São Bernardo, São Lourenço de Brindisi). São, portanto, parte do ensino constante e perene da santa Igreja e neste sentido podem ser considerados como verdades de fé.
Um exemplo prático semelhante de verdade católica infalível não definida solenemente é a imoralidade intrínseca do aborto: mesmo sem nunca ter sido definida por um Concílio ou Papa ex cathedra, assim é, porque todos os Papas, em todos os tempos, a ensinaram como certa. Estamos tratando de verdades seguras para serem acreditadas, ainda que não obrigatórias sob pena de heresia.
3. O uso desses títulos é mesmo "relativamente recente"? Desde quando a Igreja crê nisso? Quando surgiram essas expressões na História? Quem defendeu essa doutrina pela primeira vez?
1. Raízes antiquíssimas da ideia (séculos II-IV)
- A doutrina não tem nada de nova: baseia-se na participação especialíssima de Maria na salvação, inspirada em passagens bíblicas como Lc 1,38 ("Faça-se em mim segundo a tua palavra") e Jo 19,25-27 (Maria ao pé da Cruz, como "mãe" da humanidade redimida).
- Primeiro defensor do conceito: Santo Ireneu de Lyon (c. 130-202), bispo e teólogo do século II(!), é considerado o pioneiro. Em sua obra Adversus Haereses (c. 180 d.C.), compara Maria à "nova Eva": assim como Eva colaborou na queda do homem por desobediência, Maria colabora na redenção por obediência total a Deus, tornando-se "causa salutis" (causa da salvação) para a humanidade, por meio de seu Filho. Isso é o embrião da ideia de cooperação redentora, mas sem o termo "corredentora".
- Outros Padres da Igreja primitiva, como Santo Efrém, o Sírio (século IV), e São Cirilo de Alexandria (século V), reforçam isso: Cirilo chama Maria de "Tesouro venerável do mundo inteiro" pela qual a Trindade é glorificada, enfatizando sua união com Cristo na salvação.
Essa fase é mais sobre a Maternidade espiritual de Maria e sua associação à Cruz, sem uma terminologia técnica. 2. Evolução medieval: O conceito se aprofunda (séculos X-XIII)
- No século X, surge o título mais ousado de "Redentora" (redemptrix), atribuído a Maria em textos litúrgicos e teológicos, destacando sua intercessão e sofrimento unidos ao de Cristo. Isso reflete uma piedade crescente, mas ainda subordinada à redenção única de Jesus.
- São Bernardo de Claraval (1090-1153), Doutor da Igreja e grande mariólogo medieval, é um dos primeiros a defender explicitamente a participação de Maria na redenção. Em seu Sermão sobre a Assunção (século XII), ele descreve Maria como cooperadora no mistério da redenção, completando o que "falta" à Paixão de Cristo (ecoando Cl 1,24, sobre São Paulo como "corredentor"). Bernardo enfatiza que Maria, ao pé da Cruz, sofreu com Cristo e assim se tornou "mãe dos viventes" na salvação.
3. O surgimento da expressão "Corredentora" (século XIV) - A expressão "Corredentora" surge pela primeira vez no século XIV, em meio ao florescimento da teologia escolástica e da espiritualidade franciscana. Ela expressa melhor o caráter subordinado da participação de Maria (o prefixo "co-" significa "com" ou "junto a", nunca "igual a" Cristo, o único Redentor).
- Quem defendeu pela primeira vez? Não há um único "inventor", mas teólogos como Alberto Magno (século XIII, precursor) e, mais explicitamente, autores franciscanos do século XIV (como São Pedro de João Olivi ou Guilherme de Ware) usam termos semelhantes em tratados sobre a dor de Maria no Calvário. O termo se populariza em escritos devocionais e litúrgicos, como hinos e orações que invocam Maria como "corredentora" pela sua oferta sacrificial.
- Por volta de 1373, o teólogo Jean Gerson (ou outros contemporâneos) o emprega em contextos acadêmicos, ligando-o à ideia de Maria como "reparadora" do pecado original.
- Quem defendeu pela primeira vez? Não há um único "inventor", mas teólogos como Alberto Magno (século XIII, precursor) e, mais explicitamente, autores franciscanos do século XIV (como São Pedro de João Olivi ou Guilherme de Ware) usam termos semelhantes em tratados sobre a dor de Maria no Calvário. O termo se populariza em escritos devocionais e litúrgicos, como hinos e orações que invocam Maria como "corredentora" pela sua oferta sacrificial.
Essa terminologia se torna comum no século XV, com o Concílio de Basileia (1439) discutindo-a, e se universaliza na teologia católica a partir daí.
4. Desenvolvimento moderno e Magistério (séculos XIX-XX)
- Papas como São Pio X (encíclica Ad Diem Illum, 1904) e Pio XII (Mystici Corporis, 1943) usam o termo ou o conceito, afirmando que Maria foi "associada" à redenção por Deus, completando-a com seu sofrimento (novamente, Cl 1,24).
Por fim, destacamos que o Magistério da Santa Igreja, por meio do seu órgão competente (antigamente a Congregação da Inquisição ou Santo Ofício, criada em 1542), detém plenamente o direito de vetar a promulgação de determinado dogma. Este é o papel que lhe cabe propriamente. Pe. José Eduardo virá rápido e com toda a presteza reafirmar e berrar isso aos quatro cantos. Aqui nos limitamos a demonstrar, apenas, porque as razões apresentadas no documento Mater Populi Fidelis definitivamente não se sustentam segundo a sacra Tradição da Igreja Católica.
"Dilexi Te": o frustrante primeiro documento de Leão XIV
NO DIA 4 de OUTUBRO de 2025, o Papa Leão XIV publicou sua primeira exortação apostólica, intitulada Dilexi Te ('Eu te amei'), documento que se propõe a refletir sobre o amor pelos pobres, inspirado nas palavras de Cristo. À primeira vista, o texto parece uma meditação piedosa sobre a caridade cristã, invocando figuras como São João da Cruz e São John Henry Newman. No entanto, para tradicionalistas fiéis à Doutrina imutável da santa Igreja, essa escolha inaugural revela uma continuidade no mínimo preocupante com o legado altamente problemático (para dizer o mínimo) de seu predecessor, Francisco, priorizando questões temporais e sociais em detrimento da urgente necessidade de reafirmar as verdades eternas da Fé.
A tese da falsa Irmã Lúcia: quais as chances?
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| Paulo VI com o Bispo Pereira Venâncio e Ir. Lúcia (ou será que...?) |
NOSSO ARTIGO E VÍDEO sobre a clara e bem evidente possibilidade de a apostasia propiciada pelo Concílio Vaticano II ter sido prevista em Fátima (veja) trouxe alguns comentários sobre a tese da substituição da vidente Ir. Lúcia dos Santos por uma impostora, defendida inclusive por bons amigos e irmãos em Cristo e apologetas que eu respeito, como o prof. Carlos Bezerra. De fato, não é de hoje que me questionam quanto à minha posição sobre o assunto. Segue abaixo a minha resposta, tão sucinta quanto possível.
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Boletim OFC de Notícias Católicas (8 a 19/9/2025): Atentado Contra Católicos – Leão XIV e a Missa de Sempre
BEM-VINDO AO SEMANAL Boletim de Notícias Católicas alinhadas ao Tradicionalismo pela FLSP e prof. Henrique Sebastião! Neste episodio abordamos o período da semana de 8 a 19/9/2025:
• A peregrinação gay ao Vaticano como parte do calendário do Jubileu di Ano Santo 2025;
• A suspensão do Padre Libby Daños por ter abençoado um marco maçônico;
• Cardeal Burke celebra Missa Tradicional no Vaticano com permissão do Papa Leo XIV.
Junte-se a nós para refletir sobre esses e outro assuntos sob a luz da autêntica Fé católica e da Tradição da Igreja. Inscreva-se, ative o sino 🔔 de notificações e compartilhe com outros católicos! Deixe seu comentário com sugestões de temas para os próximos episódios!
Boletim OFC de Notícias Católicas (1 a 7/9/2025): Atentado Contra Católicos – Leão XIV e a Missa de Sempre
Este é o primeiro Boletim OFC de Notícias Católicas alinhadas ao Tradicionalismo pela FLSP e prof. Henrique Sebastião!
Nesta estreia abordamos:
• O trágico atentado à escola católica da Anunciação em Minneapolis;
• A peregrinação da FSSPX a Roma no Jubileu de 2025: um marco para a Tradição;
• Calmaria no pontificado de Leão XIV e silêncio sobre a Missa de Sempre: o que os tradicionalistas podem esperar? Junte-se a nós para refletir sobre esses e outro assuntos sob a luz da autêntica Fé católica e da Tradição da Igreja. Inscreva-se, ative o sino de notificações e compartilhe com outros católicos! Deixe seu comentário com sugestões de temas para os próximos episódios!
** Fontes das notícias apresentadas na conferência:
— OFC, "Santa Sé incluiu peregrinação da FSSPX ao Calendário Jubilar, mas perseguição à Missa tradicional continua" (21/8/2025);
Atentado à Escola Católica da Anunciação em Minneapolis:
— Catholic News Agency, “LIVE UPDATES: "Shooting at Annunciation Catholic School in Minneapolis” (28/8/2025);
— Estatísticas citadas:
NCR, "As evangelicals gain, Catholics on verge of losing majority in Brazil";
Christianity Today, "In Brazil, Evangelicals Rise to Record Levels, But Growth Is Slowing" (dados do censo de 2022 do IBGE).
A grande apostasia e o "suicídio da Igreja" foram previstos em Fátima?
EM 1936, POUCO ANTES antes de partir em viagem para os EUA, consta que o Secretário de Estado do Papa Pio XI, o Cardeal Eugênio Pacelli – futuro Papa Pio XII –, disse, de maneira assustadoramente profética, ao Conde Enrico Pietro Galleazzio (negritos nossos):
Suponha, meu caro amigo, que o comunismo seja apenas o mais visível dos órgãos de subversão contra a Igreja e contra a Tradição da Revelação divina; então [se for assim] nós vamos assistir à invasão de tudo o que é espiritual: a filosofia, a ciência, o direito, o ensino, as artes, a imprensa a literatura, o teatro, a religião. Estou obcecado pelas confidências da Virgem à pequena Lúcia de Fátima. Essa obstinação de Nossa Senhora diante do perigo que ameaça a Igreja é um aviso divino contra o suicídio que representaria a alteração da fé, em sua liturgia, sua teologia e em sua alma. (...)
Ouço ao meu redor os inovadores que querem desmantelar a Capela Sagrada, destruir a Chama universal da Igreja, rejeitar seus ornamentos, dar-lhe remorso pelo seu passado histórico. Pois bem, meu caro amigo, estou convicto de que a Igreja de Pedro deve assumir o seu passado ou então ela cavará a sua sepultura.(...) um dia virá em que o mundo civilizado renegará seu Deus, em que a Igreja duvidará, como Pedro duvidou. Ela será tentada a crer que o homem se tornou Deus, que seu Filho é apenas um símbolo, uma filosofia como tantas outras, e nas igrejas os cristãos procurarão em vão pela lâmpada vermelha onde Deus os espera.[1]
12/8/2025 | Brasil é consagrado a São Miguel Arcanjo em sessão solene da Câmara dos Deputados
DIANTE DA IMAGEM PEREGRINA oficial de São Miguel Arcanjo, vinda de Monte Gargano, na Itália, local das aparições do Arcanjo desde os primeiros séculos do Cristianismo, o Brasil foi consagrado à proteção e à intercessão de São Miguel em uma sessão solene no Plenário do Congresso Nacional. A imagem também foi coroada e São Miguel declarado “Comandante Espiritual da Nação brasileira”.
25/7/2025: É reconhecido o 72º milagre de Lourdes!

O 72º milagre de Lourdes, que beneficiou uma italiana de 67 anos, foi oficialmente apresentado na sexta-feira última, dia 25 de julho de 2025, na cidade dos Pireneus. Após os rigorosos controles aplicados a todas as manifestações milagrosas observadas em Lourdes, e confiados ao Departamento de Observações Médicas, este novo evento extraordinário foi aceito como o 72º milagre da Santíssima Virgem Maria.
A beneficiária da bondade maternal da Imaculada Conceição é uma italiana de 67 anos, chamada Antonia Lofiégo Raco. O milagre não é exatamente novo, pois ocorreu no verão de 2009, quando essa mulher, então doente, veio a Lourdes em peregrinação e mergulhou em uma das piscinas alimentadas pela água da fonte milagrosa.
Leão XIV e a cruel revolução do Vaticano II
Traduzimos uma interessantíssima reflexão postada no noticioso "The Remnant" (Minesota, EUA) pelo colunista Robert Morrison: gostaríamos de ter as respostas para as suas perguntas.
EM SEU DISCURSO do Angelus de 27 de julho (2025), o Papa Leão XIV falou sobre a necessidade de nós, católicos “evitarmos a crueldade com o nosso próximo se quisermos poder chamar Deus de nosso Pai”, nos seguintes termos:
Quando recitamos o Pai-Nosso, além de celebrarmos a graça de sermos filhos de Deus, também expressamos nosso compromisso de corresponder a esse dom amando-nos uns aos outros como irmãos e irmãs em Cristo. Refletindo sobre isso, um dos Padres da Igreja escreveu: 'Devemos lembrar... e saber que, quando chamamos Deus de 'nosso Pai', devemos nos comportar como filhos de Deus' (São Cipriano de Cartago, De Dom. orat. , 11), e outro acrescenta: 'Não podeis chamar de Pai o Deus de toda a bondade se conservais um coração cruel e desumano; pois, nesse caso, não tendes mais em vós a marca da bondade do Pai celestial' (São João Crisóstomo, De orat. Dom. , 3). Não podemos rezar a Deus como 'Pai' e depois sermos rudes e insensíveis com os outros.'
Por mais que se trate de uma piedosa exortação, ficamos nos perguntando o que o novo pontífice pretende fazer para lidar com uma das crueldades mais perversas do mundo atual: os ataques contínuos do próprio Vaticano à pura Fé católica, e a sua perseguição às almas que nada mais desejam do que praticar a Religião com fidelidade. Parafraseando São João Crisóstomo, no Angelus, Leão XIV poderá chamar a Deus de Pai se mantiver o silêncio reinante nas últimas duras décadas sobre essas crueldades insondáveis?
17/7/2025 | Ataque israelense à única igreja católica em Gaza deixa dois mortos e diversos feridos
O PRIMEIRO-MINISTRO ISRAELENSE, Benjamin Netanyahu, divulgou uma declaração após o ataque à única igreja católica em Gaza, que matou duas pessoas na manhã desta quinta-feira, na qual diz: “Israel lamenta profundamente que uma munição perdida tenha atingido a Igreja da Sagrada Família em Gaza. Cada vida inocente perdida é uma tragédia. Compartilhamos a dor das famílias e dos fiéis. Somos gratos ao Papa Leão por suas palavras de conforto. Israel está investigando o incidente e continua comprometido em proteger os civis e os locais sagrados”.
Com a eleição de Leão XIV, sexto papa após João XXIII, prova-se falsa a profecia de Garabandal?
PERGUNTA: NO CONTEXTO DAS PROFECIAS atribuídas às aparições em Garabandal (San Sebastián de Garabandal, Espanha), ocorridas entre 1961 e 1965, a vidente Conchita González disse que haveria três papas após João XXIII. De fato, já tivemos seis: 1) Paulo VI, 2) João Paulo I, 3) João Paulo II, 4) Bento XVI, 5) Francisco e agora 6) Leão XIV. A profecia, então, falhou?
[* Um sedevacantista resolveria de pronto a questão, pela invalidade ou ilegitimidade de todos esses pontífices. Porém, mesmo se considerarmos essa hipótese, ainda teremos que reconhecer que todos eles podem ser chamados "papas do Concílio Vaticano II" ou, ao menos, temos que reconhecer que todos foram os autênticos Chefes do Estado do Vaticano nas últimas décadas, e a referida profecia poderia se referir a eles com esta conotação.]
João Paulo I, por causa do seu curtíssimo reinado, pode ser descartado da lista, mas ainda assim são 5 papas. A profecia, então, falhou? As aparições podem ser definitivamente consideradas como falsas?
A profecia em questão é tema complexo e sujeito a interpretações variadas. Segundo os relatos devidamente documentados, Conchita teria dito que, após João XXIII (falecido em 1963), haveria mais três papas antes do "fim dos tempos", com a ressalva de que um deles "não seria contado", o que se explicaria por um pontificado muito curto — e aqui, inegavelmente, temos algo já impressionante: como explicar que crianças muito humildes, pobres camponesas de 11 e 12 anos, no início da década de 1960, soubessem que haveria, mais de uma década depois, um papa que reinaria por apenas um mês?
A exclusão de um papa, claro, é associada a João Paulo I, com seu pontificado de apenas 33 dias em 1978. Então, que pensar?
Contexto e interpretação da profecia
O que Conchita realmente disse: a principal vidente de Garabandal relatou que a Virgem Maria lhe dissera que, após João XXIII, haveria apenas quatro papas, mas...
Leigo tem que calar a boca? Qual o seu papel na crise da Igreja?

NÃO VEJO ASSUNTO mais importante que este, no momento presente. Vejo com muita clareza que estamos vivendo um momento chave na história da Igreja, e que chega rápido o momento em que essa cisão mal-disfarçada entre luz e trevas no seio do Rebanho de Cristo vai ficando mais e mais nítida, o abismo cada vez mais profundo e, muito em breve, a continuar assim, não será mais possível contorná-lo; a convivência entre esses opostos vai se tornando insuportável e algo realmente importante deve acontecer logo: será impossível ao verdadeiro católico continuar "vivendo de aparências".













