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Maria Corredentora? Mediação universal de Nossa Senhora? Tire suas dúvidas

O INACREDITÁVEL DOCUMENTO "Mater Populi Fidelis", do Dicastério para a Doutrina da Fé, capitaneado por Dom Tucho, para o espanto de muitos fiéis católicos (não o meu, que nada mais espero dessa nova 'igreja conciliar'), na prática proíbe aos católicos chamarem Nossa Senhora de "Corredentora" ou de "Medianeira" daqui para diante. De fato, o texto é apenas um resumo consolidado dos argumentos geralmente protestantes contra o uso desses títulos-tributos para a Santíssima Virgem Maria.

    O documento "desaconselha" o uso desses títulos, alegadamente, por razões "teológicas, pastorais e... ecumênicas". Nesta última palavra, porém, distingue-se, clara como água, a única verdadeira razão para tal aberração.

    Embora reconheça a cooperação singular de Maria na obra da salvação, o texto afirma que esses termos específicos são teologicamente "ambíguos" e que podem levar a "equívocos". Contra o título "Corredentora", o principal argumento apresentado é o risco de obscurecer a Mediação única de Cristo. O prefixo "co-" poderia sugerir uma participação equivalente à de Jesus, diminuindo a verdade revelada fundamental de que Cristo é o único Redentor. Além disso, o título não possuiria fundamento claro nas Sagradas Escrituras nem na Tradição apostólica antiga, sendo de uso relativamente recente. Lembra que o Concílio Vaticano II (claro...), de forma deliberada, evitou o termo para manter a centralidade de Cristo, e afirma que tal doutrina ainda não é madura para uma definição dogmática.

    Em relação ao título "Medianeira de todas as graças", o documento reafirma que Cristo é o único Mediador entre Deus e os homens, conforme a Escritura (1Tm 2,5). O uso deste título para Maria poderia gerar "confusão doutrinal", sugerindo que ela seja uma fonte de graça "paralela" ou independente de Cristo. A mediação de Maria é de intercessão e de maternidade, um papel subordinado e dependente da mediação exclusiva de Cristo, de quem fluem todas as graças. Por fim (e aqui chegamos ao cerne da questão toda, o motivo real da publicação desse documento) ambos os títulos representam um obstáculo significativo ao diálogo ecumênico com outras denominações cristãs. Bingo!

    A recomendação do documento, por fim, é favorecer títulos como "Mãe do Povo Fiel" ou "Mãe da Igreja", que expressam o papel de Maria de forma teologicamente segura, sem os riscos de desequilíbrio doutrinal associados aos de "Corredentora" e "Medianeira de todas as graças".

*  *  *

    Apresentados os pontos centrais da questão até aqui, passemos a analisá-los com um pouco mais de detalhe:


    1. O título Corredentora aplicado a Maria, juntamente com a noção da sua mediação universal, podem ser mal interpretados e/ou gerar equívocos?


    Sim, sem dúvida. Todavia, o mesmo vale para praticamente todos os outros títulos dogmáticos conferidos a Nossa Senhora. Todos eles requerem boa catequese para serem corretamente  compreendidos. "Mãe de Deus", por exemplo, é um título que igualmente pode soar ambíguo e que tem potencial para gerar equívocos. Tanto é assim que esta é uma das principais armas usadas pelos protestantes desde sempre contra o culto mariano. No entanto, o primeiro a chamar Maria Mãe de Deus foi o próprio Espírito Santo, pela boca de Santa Isabel, como vemos no primeiro capítulo do Evangelho segundo São Lucas: "De onde me vem a honra de vir a mim a mãe do meu Senhor?" (Lc 1,43).

    Essa frase, conforme dita por Santa Isabel inspirada pelo Espírito Santo, no original, é a seguinte:

πόθεν μοι τοῦτο ἵνα ἔλθῃ ἡ μήτηρ τοῦ κυρίου μου πρὸς μέ


    A palavra grega traduzida por "Senhor", aí, é κυρίου (kyriou), que significa exatamente o título divino "Senhor". O κυρίου (Kyriou) em Lc 1,43 é a mesma palavra grega usada no Novo Testamento e na Septuaginta (LXX) para traduzir o Nome divino יהוה (YHWH) do Deus de Israel. Como por exemplo:

    Êxodo 3,14 – “Eu Sou o Que Sou” — ἐγώ εἰμι ὁ ὤν… κύριος — “Eu Sou o Senhor”.

    Atos 2,36 – Pedro no Pentecostes: κύριον αὐτὸν καὶ χριστὸν ἐποίησεν ὁ θεός — “Deus o fez Senhor e Cristo”.


    A forma κυρίου (genitivo singular masculino de κύριος), no contexto da passagem em questão, apresenta Santa Isabel reconhecendo, por Inspiração divina, que o Filho de Maria não é apenas um profeta, mas o próprio SENHOR Encarnado.    

    Note-se, então, que mesmo com o "risco" de alguém entender errado o título de Mãe de Deus, a Igreja não pode negá-lo nem deixar de reconhecê-lo, já que consta da Revelação e foi sempre reafirmado pelo santo Magistério, em todos os Papas, Doutores e Santos da Igreja.

    Entretanto, pessoas ignorantes e/ou mal intencionadas continuam imaginando que dizer isso é um grave erro e até uma blasfêmia, já que Deus é o Criador de todos e Maria é criatura, portanto não poderia ser "mãe de Deus". Evidentemente, o sentido do dogma não é este, mas sim o de que Jesus, sendo Deus e sendo homem a um só tempo, é inteiramente Filho de Maria. Ela, portanto, é sua mãe. Ele sendo Deus, ela é então Mãe de Deus. Ponto.

    Maria, por óbvio, não poderia ser Mãe de Deus Pai (dizer isso, sim, seria blasfêmia), mas é evidentemente a Mãe de Deus Filho. Isso está bem resumido inclusive no catecismo de João Paulo II: "Chamando-a de ‘Mãe de Deus’, a Igreja confessa que Jesus é inseparavelmente verdadeiro Deus e verdadeiro homem" (§ 495).

    Dissemos todo este preâmbulo para esclarecer que a Igreja não teme, nunca temeu e não pode temer proclamar a verdade por receio de ser mal interpretadaDeus não se rebaixa por medo de confusão; a Igreja não adapta a Revelação ao entendimento dos ignorantes ou mal-intencionados. Ela ensinadefende, explica — mas não nega e nem se omite.


    2. O prefixo "co-", de Corredentora, poderia sugerir uma participação equivalente à de Jesus na economia da salvação, diminuindo a verdade fundamental de que Cristo é o único Redentor?


    Não, absolutamente. Por isso mesmo não se diz que Maria é redentora, mas sim corredentora, isto é, que participa, que colabora, que atua conjuntamente. Nossa Senhora é corredentora de modo participativo, subordinado e dependente em relação a Cristo. Nunca houve confusão em relação a esse princípio fundamental em nenhum dos proponentes dessa doutrina. A justificativa apresentada, portanto, não se sustenta.

    Esclarecendo, a Corredenção mariana é a doutrina segundo a qual Maria, por sua livre adesão ao plano de Deus e por sua participação única nos sofrimentos de Cristo (especialmente ao pé da Cruz), cooperou de modo singular na obra da Redenção. Ela não é "redentora" no sentido de ser capaz, por ela mesma, de nos redimir como o Cristo (Ele é, sim, o único Redentor em sentido absoluto, segundo a Igreja Católica confessou desde sempre).

    
É verdade, reconhecemos, que nem a Corredenção e nem a Mediação universal de Maria foram proclamadas dogmaticamente, como verdade de fé (ou seja, não são verdades que obriguem os fiéis a crer de fide); no entanto, essas doutrinas foram ensinadas e corroboradas por numerosos papas (como Pio IX, Leão XIII, Pio X, Pio XI, Pio XII) em encíclicas, alocuções e catequeses, e estão presentes na Liturgia, na oração e em hinos tradicionais aprovadíssimos pelo Magistério. São defendidas por grandes Santos (como São Luís de Montfort, São Maximiliano Kolbe, Santa Catarina Labouré) e Doutores (como São Boaventura, São Bernardo, São Lourenço de Brindisi). São, portanto, parte do ensino constante e perene da santa Igreja e neste sentido podem ser considerados como verdades de fé.

    Um exemplo prático semelhante de verdade católica infalível não definida solenemente é a imoralidade intrínseca do aborto: mesmo sem nunca ter sido definida por um Concílio ou Papa ex cathedra, assim é, porque todos os Papas, em todos os tempos, a ensinaram como certa. Estamos tratando de verdades seguras para serem acreditadas, ainda que não obrigatórias sob pena de heresia.


    3. O uso desses títulos é mesmo "relativamente recente"? Desde quando a Igreja crê nisso? Quando surgiram essas expressões na História? Quem defendeu essa doutrina pela primeira vez?

    A doutrina da Corredenção mariana como a participação única e subordinada de Maria na obra redentora de Cristo tem raízes muito antigas na Tradição da Igreja, ainda que a expressão específica "Corredentora" (ou co-redemptrix em latim) seja um desenvolvimento posterior.

    1. Raízes antiquíssimas da ideia (séculos II-IV)

  • A doutrina não tem nada de nova: baseia-se na participação especialíssima de Maria na salvação, inspirada em passagens bíblicas como Lc 1,38 ("Faça-se em mim segundo a tua palavra") e Jo 19,25-27 (Maria ao pé da Cruz, como "mãe" da humanidade redimida).

  • Primeiro defensor do conceito: Santo Ireneu de Lyon (c. 130-202), bispo e teólogo do século II(!), é considerado o pioneiro. Em sua obra Adversus Haereses (c. 180 d.C.), compara Maria à "nova Eva": assim como Eva colaborou na queda do homem por desobediência, Maria colabora na redenção por obediência total a Deus, tornando-se "causa salutis" (causa da salvação) para a humanidade, por meio de seu Filho. Isso é o embrião da ideia de cooperação redentora, mas sem o termo "corredentora".

    • Outros Padres da Igreja primitiva, como Santo Efrém, o Sírio (século IV), e São Cirilo de Alexandria (século V), reforçam isso: Cirilo chama Maria de "Tesouro venerável do mundo inteiro" pela qual a Trindade é glorificada, enfatizando sua união com Cristo na salvação.

    Essa fase é mais sobre a Maternidade espiritual de Maria e sua associação à Cruz, sem uma terminologia técnica.     2. Evolução medieval: O conceito se aprofunda (séculos X-XIII)

  • No século X, surge o título mais ousado de "Redentora" (redemptrix), atribuído a Maria em textos litúrgicos e teológicos, destacando sua intercessão e sofrimento unidos ao de Cristo. Isso reflete uma piedade crescente, mas ainda subordinada à redenção única de Jesus.

  • São Bernardo de Claraval (1090-1153), Doutor da Igreja e grande mariólogo medieval, é um dos primeiros a defender explicitamente a participação de Maria na redenção. Em seu Sermão sobre a Assunção (século XII), ele descreve Maria como cooperadora no mistério da redenção, completando o que "falta" à Paixão de Cristo (ecoando Cl 1,24, sobre São Paulo como "corredentor"). Bernardo enfatiza que Maria, ao pé da Cruz, sofreu com Cristo e assim se tornou "mãe dos viventes" na salvação.


    3. O surgimento da expressão "Corredentora" (século XIV)

  • A expressão "Corredentora" surge pela primeira vez no século XIV, em meio ao florescimento da teologia escolástica e da espiritualidade franciscana. Ela expressa melhor o caráter subordinado da participação de Maria (o prefixo "co-" significa "com" ou "junto a", nunca "igual a" Cristo, o único Redentor).

    • Quem defendeu pela primeira vez? Não há um único "inventor", mas teólogos como Alberto Magno (século XIII, precursor) e, mais explicitamente, autores franciscanos do século XIV (como São Pedro de João Olivi ou Guilherme de Ware) usam termos semelhantes em tratados sobre a dor de Maria no Calvário. O termo se populariza em escritos devocionais e litúrgicos, como hinos e orações que invocam Maria como "corredentora" pela sua oferta sacrificial.

    • Por volta de 1373, o teólogo Jean Gerson (ou outros contemporâneos) o emprega em contextos acadêmicos, ligando-o à ideia de Maria como "reparadora" do pecado original.

    Essa terminologia se torna comum no século XV, com o Concílio de Basileia (1439) discutindo-a, e se universaliza na teologia católica a partir daí.

    4. Desenvolvimento moderno e Magistério (séculos XIX-XX)

  • Papas como São Pio X (encíclica Ad Diem Illum, 1904) e Pio XII (Mystici Corporis, 1943) usam o termo ou o conceito, afirmando que Maria foi "associada" à redenção por Deus, completando-a com seu sofrimento (novamente, Cl 1,24).

*  *  *

    Aí está, caríssimos irmãos, uma breve apresentação do problema e um brevíssimo resumo da história. Não entraremos em pormenores por ora, mas cabe esclarecer, antes de finalizar, que os termos Redenção e Mediação referem-se a realidades distintas, mas inseparáveis. Redenção é o que fez Nosso Senhor Jesus Cristo ao redimir a humanidade na Cruz, o que representa a parte, por assim dizer, mais importante da sua missão. Já Mediação é como geralmente se designa tudo o que Ele fez e faz para nos ligar a Deus. Jesus é Mediador porque é Redentor: Maria, unida a Ele, participa, de modo subordinado e dependente, dessa mesma missão: ela é Corredentora quando ajuda na obra da salvação, e Medianeira quando faz com que as graças cheguem até nós.

    Por fim, destacamos que o Magistério da Santa Igreja, por meio do seu órgão competente (antigamente a Congregação da Inquisição ou Santo Ofício, criada em 1542), detém plenamente o direito de vetar a promulgação de determinado dogma. Este é o papel que lhe cabe propriamente. Pe. José Eduardo virá rápido e com toda a presteza reafirmar e berrar isso aos quatro cantos. Aqui nos limitamos a demonstrar, apenas, porque as razões apresentadas no documento Mater Populi Fidelis definitivamente não se sustentam segundo a sacra Tradição da Igreja Católica.

Atenção: em razão do ocorrido e visando o esclarecimento do povo católico, a editora Realeza (site 'Obras  Católicas') aplicou temporariamente um desconto especial de 50% à obra clássica do Revmo. Pe. José Bover, SJ, "Maria Medianeira Universal". Este livro não é uma coleção de sentimentalismos devocionais, mas de uma investigação teológica meticulosa e profunda. Acesse por este link e garanta o seu desconto: adquira agora o seu exemplar!

25/7/2025: É reconhecido o 72º milagre de Lourdes!

O 72º milagre de Lourdes, que beneficiou uma italiana de 67 anos, foi oficialmente apresentado na sexta-feira última, dia 25 de julho de 2025, na cidade dos Pireneus. Após os rigorosos controles aplicados a todas as manifestações milagrosas observadas em Lourdes, e confiados ao Departamento de Observações Médicas, este novo evento extraordinário foi aceito como o 72º milagre da Santíssima Virgem Maria.

    A beneficiária da bondade maternal da Imaculada Conceição é uma italiana de 67 anos, chamada Antonia Lofiégo Raco. O milagre não é exatamente novo, pois ocorreu no verão de 2009, quando essa mulher, então doente, veio a Lourdes em peregrinação e mergulhou em uma das piscinas alimentadas pela água da fonte milagrosa.

O impressionante caso da conversão de Afonso Ratisbonne

Afonso Maria Ratisbonne

UM DOS FENÔMENOS mais específicos da vida religiosa é o da conversão interior, espiritual, que para ser autêntica e sincera só pode acontecer pela Graça de Deus. É precisamente por causa disso que a conversão religiosa não pode ser explicada pelas ciências físicas. As tentativas de explicação baseadas somente em vias psicológicas, sem considerar o fator divino, jamais produziram algo total ou definitivamente convincente ou conclusivo.

O que a Igreja Católica ensina sobre aparições e revelações particulares


EPIFANIAS
SÃO ACONTECIMENTOS inexplicáveis e raros. São aparições através das quais a Graça de Deus se manifesta, invariavelmente para fortalecer a Fé dos fiéis, ou para os exortar a permanecer no Caminho, que é Cristo, e guardar a mesma Fé, ou para nos advertir quanto a perigos iminentes. Quanto a este assunto, as aparições da Virgem Maria reconhecidas pela Igreja ao redor do mundo constituem um fascinante capítulo, mas um estudo cuidadoso a respeito se faz necessário, porque o lidar com tais ocorrências tanto pode nos ajudar e fortalecer em nossa jornada neste mundo quanto, se mal interpretadas, induzir ao erro.

    Achamos conveniente, portanto, publicar alguns esclarecimentos a respeito de como a Igreja Católica vê as revelações e aparições chamadas particulares.

8 de dezembro | A festa da Imaculada Conceição de Maria: origens e significados


NESTE DIA DE preceito, rogamos a nossa Mãe do Céu pelas almas e pelas intenções de todos os nossos leitores, irmãos em Cristo e amigos, para que interceda por nós junto a seu Filho e Nosso Senhor:


    Estamos diante de um mistério; diante de um fato que excede nossa inteligência humana. Sim, o mistério não contradiz a razão humana, mas a excede.

Nossa Senhora da Conceição Aparecida – antes de 'dia das crianças', 12 de outubro é dia de Nossa Senhora


NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO Aparecida é o título completo que a Igreja dedicou a esta especial devoção brasileira à Santíssima Vigem Maria. “Nossa Senhora Aparecida” é a diletíssima Padroeira do Brasil.


Por que 'Aparecida'?

No Arquivo da Cúria Metropolitana de Aparecida, como também no Arquivo Romano da Companhia de Jesus, constam os registros históricos da origem da imagem de Nossa Senhora cunhada "Aparecida". A história foi registrada pelo Pe. José Alves Vilela no ano 1743, e confirmada pelo Pe. João de Morais e Aguiar em 1757.

A Assunção da Santíssima Virgem Maria

Francesco Botticini (1475-6), 'A Assunção da Virgem'

POR MAIS QUE REFLETÍSSEMOS, por mais que nos esforçássemos e exercitássemos a imaginação, jamais seríamos capazes de conceber uma glória maior do que a que recebeu a santíssima Virgem Maria, – que foi escolhida para ser a mãe de Jesus, isto é, ser mãe do Filho de Deus e, portanto, Mãe de Deus.

O autêntico Segredo de La Salette (fonte primária)


ENCERRANDO ESTA SÉRIE série especial sobre as aparições de Nossa Senhora em La Salette, com o objetivo de esclarecer os fatos e auxiliar àqueles que buscam a verdade sobre um tema tão difícil – já que há muita desinformação e mesmo muita oposição a respeito, da parte de modernistas inseridos na Igreja –, concluímos com os textos verdadeiros, escritos diretamente pelos videntes, sobre o tão falado e tão deturpado Segredo de La Salette. A fonte primária está citada ao final dos textos[1]. Segue.


___________
[1]Como vimos em nosso estudo anterior, no ano de 1999 o Padre Michel Corteville encontrou nos arquivos do Vaticano os documentos originais com as narrações de Maximin e Mélanie escritas em 1851 e enviadas ao papa Pio IX, publicando-as no livro que escreveu junto com o Padre René Laurentin, intitulado Découverte du secret de La Salette (Fayard, Paris, 2001) [https://www.fayard.fr/documents-temoignages/decouverte-du-secret-de-la-salette-9782213612836]. Esses textos podem ser encontrados no original em: http://JesusMarie.free.fr/apparitions_salette_secret.html
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 Tradução de Roberto Mallet. Fonte: BLOY, Léon. Aquela que chora – e outros textos sobre Nossa Senhora da Salette. Campinas: Ecclesiae, 2016, pp. 145-153.

A Aparição da Santíssima Virgem na montanha da Salette em 19 de setembro de 1846 segundo Mélanie Calvat (fonte primária)


Publicado pela Pastora da Salette com o Imprimatur do Mons. Bispo de Lecce[1]

[O texto de autoria de Mélanie Calvat 
de 1879]


– I –


No dia 18 de setembro, véspera da santa Aparição da Santa Virgem, eu estava sozinha, como de costume, cuidando das quatro vacas de meus senhores. Por volta das onze horas da manhã, vi chegar perto de mim um menino. Assustei-me ao vê-lo, pois achava que todos deviam saber que eu evitava todo tipo de companhia. O menino se aproximou e me disse: "Menina, vim ficar contigo; também sou de Corps". Ouvindo isso, minha maldade natural se mostrou e eu lhe disse: "Não quero ninguém perto de mim, quero ficar sozinha". Depois me afastei, mas ele me seguia, dizendo: "Ah, deixa eu ficar contigo; meu patrão me enviou aqui para que cuide das minhas vacas junto com as tuas. Eu sou de Corps"...

A aparição de Nossa Senhora em La Salette: a verdadeira história – parte 5


O DESAPARECIMENTO DOS ESTADOS Pontifícios, o enfraquecimento do poder da Igreja em toda a Europa, o progresso do ateísmo e do anticlericalismo depois a eclosão da Primeira Guerra Mundial, tudo apontava (pensadores católicos famosos como Léon Bloy, Louis Massignon, Paul Claudel e até Jacques Maritain falaram sobre isso) a veracidade do segredo confiado aos videntes de La Salette. 

    A partir de 1851, após minuciosa e exaustiva investigação eclesiástica, a aparição foi reconhecida como autêntica, e autorizado o seu culto. Mélanie Calvat tornou-se freira aos vinte anos, assumindo o nome de Irmã Marie de la Croix, dedicando sua vida inteira à divulgação da mensagem recebida do Céu. Sobre a grande apostasia e o subsequente castigo universal descrito na aparição segundo ela, em linhas muito impressionantes, dizia que "essas coisas acontecerão quando a desordem moral seja completa sobre a terra e o mundo esteja entregue às suas ímpias paixões", sem acrescentar datas. 

Aparição de Nossa Senhora em La Salette: a verdadeira história – parte 4

Mélanie Calvat e Maximin Giraud, os videntes de La Salette, retratados pouco tempo após a Aparição que colocaria suas vidas de cabeça para baixo.

Ler a primeira parte

O porquê da polêmica


Católicos modernistas e liberais, poderes civis e associações anticatólicas sabiam que se a mensagem dada em La Salette fosse bem recebida, a causa da Revolução estaria perdida. Para complicar ainda mais o quadro, vários charlatães passaram a espalhar mensagens falsas, atribuindo-as aos videntes. Após a publicação do segredo na data prescrita, os inimigos de La Salette exacerbaram ainda mais a oposição.

A aparição de Nossa Senhora em La Salette: a verdadeira história – parte 3

O Santuário de Notre Dame de La Salette, hoje.

Ler a primeira parte

NO DIA SEGUINTE ao da aparição de 19 de setembro de 1846, a notícia se espalhava como um incêndio. La Salette tinha em torno de oitocentos habitantes, um pequeno vilarejo de camponeses dos Alpes. Muitos vinham perguntar a Maximim e Mélanie o que sucedera, e eles repetiam sempre a mesma história, à exaustão.

    O ocorrido, claro, chegou ao pároco de La Salette, um experiente ancião. A santa Igreja, como Mãe e Mestra, sempre espera o momento certo para se manifestar, pois há critérios estabelecidos para discernir quanto aos casos de aparições. 
E o pároco, num primeiro momento, adotou uma atitude prudente, mas diante da clara sinceridade das duas crianças, e do fato de que ambas se repetiam com precisão ao contar exatamente todos os detalhes do sucedido, logo acreditou. No fim de semana seguinte, ele falou no ambão da paróquia sobre a aparição, o que constrangeu o bispo local, Dom Philibert de Bruillard, que o repreendeu duramente. Todavia, logo na sequência dos fatos, dando-se conta de tantas e tão claras evidências, também ele acreditou na veracidade das aparições. Pouco depois, o cardeal-arcebispo de Lyon, Dom Louis-Jacques-Maurice de Bonald, manifestou-se cético, exigindo das crianças, para que aceitasse a realidade das aparições, a revelação do segredo que lhes fora dado por Nossa Senhora.

Aparição de Nossa Senhora em La Salette: a verdadeira história – parte 2


Ler a primeira parte

NOSSA SENHORA ENTÃO se dirigiu às crianças, dizendo: "Se meu povo não quer se submeter, sou forçada a deixar cair o braço de meu filho. É tão forte e pesado que não posso mais suster". Eis o atributo da Justiça infalível de Deus. Desnecessário dizer que não se trata de uma menção à natureza física do braço de seu divino Filho, que está glorificado no Céu e que detém todo o poder no Céu e na Terra, é o Rei dos reis e Senhor dos Senhores, Alfa e o Ômega de toda a existência. Refere-se ao seu poder soberano que incontestavelmente fará cumprir o seu desígnio, haja o que houver, mas que se deixa ainda conter por sua própria misericórdia, à qual recorre Nossa Senhora em suas súplicas "onipotentes".

A aparição de Nossa Senhora em La Salette: a verdadeira história – parte 1


HÁ UM SITE/BLOG supostamente católico, administrado por leigos que pretendem catequisar outros leigos, com postagens que infelizmente recebem muitos acessos mensais. Digo infelizmente porque há muita desinformação e desonestidade envolvida no trabalho que essas pessoas fazem: sua suposta "catequese" acaba se prestando, frequentemente, a disseminar falsas informações e até terríveis preconceitos que só servem para atacar e minar ainda mais a fé dos católicos realmente fiéis, nestes nossos tempos já tão difíceis.

    Ocorre que esses, que se intitulam "catequistas", enquadram-se naquela categoria dos chamados católicos “jujubas” (dos quais já tratamos aqui) e são comprometidos com o tal novo projeto de "igreja sinodal" tão apoiado pelos apóstatas da verdadeira Fé cristã e que está em pleno curso. Já ajudaram a difundir calúnias absurdas contra Dom Lefebvre (veja) e agora se põem a falar sobre as aparições de Nossa Senhora de La Salette, mais uma vez prestando um desserviço ao desinformar aqueles que procuram informações confiáveis a respeito desse tema – que é realmente difícil e de complexa pesquisa.

    Queremos então tentar restabelecer a verdade, servindo, como é de nossa vocação, de auxílio àqueles interessados em conhecer os fatos, independente das opiniões particulares deste ou daquele “formador de opinião” de internet. Felizmente, veio em nosso auxílio o querido Revmo. Padre Wander  de Jesus Maia,  um pesquisador sério do assunto, com sua recém-publicada obra sobre as aparições marianas, intitulada justamente “Aparições marianas: Apelos maternos e avisos proféticos da Mãe de Deus" (Ecclesiae, 2023), a qual recomendamos vivamente.

A mulher 'revestida de sol' (Apocalipse 12) é Maria, Israel ou a Igreja?


A INSTITUIÇÃO DA "RAINHA Mãe" surge, pela primeira vez, na descendência davídica, nos reis que sucederam a Davi.

    Na narrativa bíblica sobre a entronização do rei Salomão, percebe-se a reverência do rei pela mãe, Betsabé, quando esta vem visitá-lo, concedendo-lhe todas as honras e um trono para que ela se assentasse à sua direita (1Rs 2,19).

Sem título

Seria a devoção à Virgem Maria uma reinvenção do culto as antigas deusas pagãs? – conclusão

Por David MacDonald
Tradução de Carlos Martins Nabeto
Adaptação de Henrique Sebastião


Estátuas da Mãe com o Menino


** Ler a primeira parte deste estudo

Alguns sustentam que as imagens de Maria Santíssima com o Menino Jesus nos braços foram inspiradas em estátuas de Isis carregando em seus braços Hórus, ou alguma outra deusa pagã que tivesse sido representada carregando seu filho, ou mesmo (no caso dos mais desonestos) que seria uma forma enrustida de homenagem às tais deusas. Sim, é hilário, mas isso existe. Como responder a essas acusações?

Seria a devoção à Virgem Maria uma reinvenção do culto as antigas deusas pagãs? – parte 1

Cabeça de Artemis

Por David MacDonald
Tradução de Carlos Martins Nabeto
Adaptação de Henrique Sebastião


O "EVANGÉLICO" RALPH Woodrow sustentou a tese de que o culto católico à Virgem Maria seria uma espécie de reedição dos antigos cultos às deusas pagãs. Escreveu um livro a respeito deste assunto que teve boa penetração no EUA, no qual estabeleceu uma ligação forçada entre Catolicismo e paganismo, baseado em um outro livro escrito em 1857 por Alexander Hislop, intitulado "As Duas Babilônias". 

A Consagração da Rússia e a omissão dos Papas – conclusão


Ver todos os artigos desta série (em ordem decrescente)


João Paulo I

 

O pontificado de 33 dias de João Paulo I não lhe deu tempo hábil para responder aos pedidos de Nossa Senhora. Quando Arcebispo de Veneza, ele manifestara interesse e devotamento aos acontecimentos de Fátima, chegando a travar uma longa conversa com Irmã Lúcia, em 11 de julho de 1977, durante uma peregrinação diocesana[51].

Francisco vai consagrar a Rússia ao Imaculado Coração de Maria – duas perguntas são inevitáveis

NO ÚLTIMO DIA 15 de março, fomos todos pegos de surpresa pela quase inacreditável notícia de que o atual Pontífice, Francisco, vai consagrar a Rússia ao Imaculado Coração de Maria. Segundo o website oficial do Vaticano, o ato deverá ocorrer no dia 25 de março próximo (2022), às 17 horas, na Basílica de São Pedro, com o cardeal Krajewski, esmoleiro pontifício enviado do Papa, realizando o mesmo ato, no mesmo dia, em Fátima.

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