Concílio de Trento, Sessão II: Decreto sobre as regras de vida e outras atitudes que devem ser observadas no Concílio

Catedral de S. Vigilio, Trento, Itália (imagem atual)

O SACROSSANTO CONCÍLIO Tridentino, congregado legitimamente no Espírito Santo e presidido pelos mesmos três Legados da Sé Apostólica, reconhecendo, como o bem aventurado Apóstolo São Tiago, que toda dádiva excelente e todo dom perfeito vem do Céu e desce do Pai das Luzes, que concede com abundância a sabedoria a todos os que a pedirem, sem se incomodar com sua ignorância, e sabendo também que o princípio da sabedoria é o temor de Deus, resolveu e decretou exortar a todos e a cada um dos fiéis cristãos congregados em Trento, agora, que procurem emendar-se dos seus erros e pecados cometidos até o presente e procedam daqui para a frente com temor a Deus sem condescender aos desejos da carne, perseverando, como possa cada um, na oração e confessando frequentemente, comungando, frequentando as igrejas e, enfim, cumprindo os preceitos divinos; pedindo também deste Deus, todos os dias, em suas orações particulares, pela paz dos príncipes cristãos e pela unidade da Igreja.

Exorta também aos bispos e demais pessoas constituídas da ordem sacerdotal que venham a esta cidade para celebrar o Concílio Geral, para que se dediquem com esmero aos contínuos louvores a Deus, ofereçam seus sacrifícios, ofícios e orações, e celebrem o Sacrifício da Missa, – ao menos nos Domingos, dia em que Deus criou a luz, ressuscitou dos mortos e infundiu em seus discípulos o Espírito Santo, fazendo como manda o mesmo Espírito por meio de Seu Apóstolo, – súplicas, orações, pedidos e ações de graças por nosso santíssimo Padre, o Papa, pelo Imperador, pelos Reis, por todos os que se acham constituídos em dignidade e por todos os homens para que vivamos pacífica e tranquilamente, gozemos da paz e vejamos o aumento da Religião.

Exorta também que jejuem pelo menos todas as sextas-feiras em memória da Paixão do Senhor, doem esmolas aos pobres e que sejam celebradas todas as quintas-feiras na igreja catedral a Missa do Espírito Santo com as liturgias e outras orações estabelecidas para a ocasião, e nas demais igrejas se digam, ao menos nos mesmos dias, as liturgias e orações, sem que o período dos Divinos Ofícios sofra interrupções ou conversações, senão ao que concerne ao sacerdote, em voz alta ou em silêncio.

É também necessário que os Bispos sejam irrepreensíveis, sóbrios, castos e muito atentos ao governo das suas casas; os exorta igualmente a que cuidem, antes de tudo, da sobriedade em sua mesa e da moderação em suas refeições. Além disso, como acontece muitas vezes, evitar na mesma mesa as conversações inúteis, e em vez disso, que seja lida a sagrada Escritura.

Instrua também cada um a seus familiares e empregados que não sejam devedores, alcoólatras, ambiciosos, soberbos, blasfemantes, nem dados a prazeres sensuais, fujam dos vícios e abracem as virtudes, manifestando alinhamento em suas vestes e também atos de honestidade e modéstia correspondentes aos ministros dos ministros de Deus.

Além disso, sendo o principal cuidado, empenho e intenção deste Sacrossanto Concílio, que dissipadas as trevas das heresias, que por tantos anos cobriram a Terra, renasça a luz da Verdade católica, com o favor de Jesus Cristo, que é a verdadeira Luz, bem como a sinceridade e a pureza e se reformem as coisas que necessitam de reforma.

O mesmo concílio exorta a todos os católicos aqui congregados que depois de se congregarem e, principalmente, aos que estão instruídos nas sagradas Escrituras, que meditem por si mesmo com diligência e esmero os meios e modos mais convenientes para poder dirigir as intenções do Concílio, e conseguir o efeito desejado, e com isto se possa com maior rapidez, deliberação e prudência, condenar o que deva ser condenado e aprovar o que mereça aprovação, e todos, por todo o mundo, glorifiquem a uma só voz e com a mesma confissão de fé a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.

A respeito do modo com que se exponham os ditames, logo que os sacerdotes do Senhor estejam sentados no lugar de bênçãos, segundo o estatuto do Concílio de Toledo, ninguém possa fazer ruídos com vozes destonadas nem perturbar de modo tumultuoso, nem tampouco discutir com premissas falsas, vãs, ou obstinadas, sem que tudo o que venham a expor seja atenuado e suavizado de algum modo ao ser pronunciado, para que não se ofendam os ouvintes e nem se perca a retidão do juízo com a perturbação dos ânimos.


Determinação da Próxima Sessão

Depois disto estabelecido, e decretando o Concílio que, se acontecer por casualidade que alguns não tomem o assento que lhes corresponde e expressem suas opiniões, ainda que valendo-se da fórmula de Placet, assistam às congregações e executem durante o Concílio outras ações quaisquer que sejam, e nem por isto serão seguidos de qualquer prejuízo, e nem tampouco adquirirão novos direitos.

Marcou-se, a seguir, o dia de quinta-feira, 4 do próximo mês de fevereiro, para celebrar a sessão seguinte.
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