Segunda parte de nossa série de conferências dedicada ao conteúdo do livro Iota Unum, a obra-prima de Romano Amerio (1905-1997)
• qual é o método adotado por Romano Amerio;
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| Os Padres do Instituto do Bom Pastor por ocasião da reeleição do Revmo. Pe. Luis Gabriel Barrero como Superior Geral para um segundo mandato, em 9.7.2025. |
A RECENTE DIVULGAÇÃO pelo Dicastério para a Doutrina da Fé (DDF), sob o cardeal Victor Fernández (o polêmico 'dom Tucho'), quanto aos procedimentos para a reconciliação de sacerdotes e fiéis da FSSPX, coloca em evidência uma exigência clara: a adesão integral e irrestrita à doutrina do Concílio Vaticano II e a confissão da legitimidade da missa nova imposta por Paulo VI são condições irrevogáveis para a plena comunhão com Roma.
“Estamos prontos a pagar qualquer preço para salvar a Igreja.”
“Vivemos uma circunstância totalmente excepcional, uma vez que, desde o Concílio Vaticano II até hoje, as autoridades da Igreja manifestam uma atitude contrária à Fé e agem contra a sagrada Tradição.”
“É um dever gravíssimo transmitir a graça do Episcopado a esses sacerdotes.”
“Consideramos que eventuais punições ou censuras contra este ato não têm nenhum valor.”
A FRATERNIDADE SACERDOTAL Sacerdotal São Pio X (FSSPX) dirigiu uma suplicante Carta Aberta ao Papa Leão XIV e ao Colégio dos Cardeais, tornada pública ontem (24 de junho de 2026), acompanhada de uma piedosa Profissão de Fé Católica.
APÓS A DECLARAÇÃO de Leão XIV de que a Fraternidade São Pio X seria impiedosamente expulsa da Igreja, derrubando todas as pontes e levantando um grande e vergonhoso muro (para usar figuras de linguagem que ele aprecia muito) entre a Santa Sé e essa instituição que mantém quase 1 milhão de fiéis associados, 733 sacerdotes, 264 seminaristas, 145 irmãos e 250 irmãs consagrados, com presença em dezenas de países e centenas de capelas e centros de Missa pelo mundo[1], e que o faria principalmente pelo fato de eles não aceitarem certos pontos do Concílio Vaticano II, algo se tornou muito claro nas mentes daqueles que conhecem o básico sobre a Lei da Igreja. É que a fala do papa transmite a nítida impressão de que todo católico está terminantemente proibido de criticar o Concílio em qualquer ponto, e que expressar ressalvas sobre os textos conciliares seria o suficiente para tornar alguém culpado do gravíssimo crime de cisma.
COMPREEENDENDO PROFUNDAMENTE A DOR de tantos fiéis ditos "tradicionalistas" diante de um incompreensível duplo critério, reproduzimos mais abaixo a poderosa carta pública do Superior-Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, diante da iminente sagração de seus novos bispos em julho próximo (2026).
Trata-se de uma situação sentida por esses nossos irmãos como gravemente injusta e intensamente dolorosa: católicos plenamente fiéis à Doutrina católica e à Liturgia que a Igreja guardou por quase dois milênios, que reconhecem como Papa o atual pontífice Leão XIV, e que suplicam apenas pelo direito de viver a Fé como sempre foi transmitida, desde os Apóstolos — por todos os Santos e Mártires, por todos os Doutores e Papas, pelos Padres da Igreja e pelos seus maiores Doutores em todos os tempos —, recebem em resposta ameaças de excomunhão, enquanto líderes de outras religiões (inclusive aquelas que historicamente foram consideradas hereges) ou que sequer creem em Cristo como Deus e Salvador, são acolhidos benevolamente com gestos públicos de cordialidade, diálogo e “caminhar juntos”.
NO DIA 4 de OUTUBRO de 2025, o Papa Leão XIV publicou sua primeira exortação apostólica, intitulada Dilexi Te ('Eu te amei'), documento que se propõe a refletir sobre o amor pelos pobres, inspirado nas palavras de Cristo. À primeira vista, o texto parece uma meditação piedosa sobre a caridade cristã, invocando figuras como São João da Cruz e São John Henry Newman. No entanto, para tradicionalistas fiéis à Doutrina imutável da santa Igreja, essa escolha inaugural revela uma continuidade no mínimo preocupante com o legado altamente problemático (para dizer o mínimo) de seu predecessor, Francisco, priorizando questões temporais e sociais em detrimento da urgente necessidade de reafirmar as verdades eternas da Fé.
A INCLUSÃO DA PEREGRINAÇÃO da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) no calendário oficial do Jubileu de 2025 pela Santa Sé é específica e oficial, não genérica. O site oficial do Jubileu (iubilaeum2025.va) lista explicitamente a Peregrinação da Fraternidade como um evento jubilar, marcando a primeira vez, em décadas, que um grupo com status canônico não regularizado é reconhecido dessa forma em um calendário vaticano. Isso difere de inclusões genéricas, como peregrinações de dioceses ou grupos leigos, pois destaca nominalmente a FSSPX, apesar de todas as tensões históricas.
A peregrinação ocorreu nos dias 20 e 21 de agosto deste 2025, com foco em Roma, como parte das celebrações do Ano Jubilar "Peregrinos da Esperança". A programação principal foi a seguinte:
• No dia 20, a chegada dos participantes e as preparações gerais, incluindo a conclusão da novena à Imaculada Conceição (iniciada em 11 de agosto).
• 21 de agosto: Rosário público no Colle Oppio e Missa Solene na Basílica de São João de Latrão (sim, você não leu errado), e uma procissão até a Porta Santa da Basílica de São Pedro, com o lucro das indulgências jubilares. A celebração culminou na Festa do Coração Imaculado de Maria (22 de agosto), com ênfase em devoções tradicionais.
• Participaram cerca de 600 sacerdotes, 500 religiosas e uma multidão de milhares de fiéis de diversos países, vindos de distritos da FSSPX na Europa, nas Américas e na Ásia...
Suponha, meu caro amigo, que o comunismo seja apenas o mais visível dos órgãos de subversão contra a Igreja e contra a Tradição da Revelação divina; então [se for assim] nós vamos assistir à invasão de tudo o que é espiritual: a filosofia, a ciência, o direito, o ensino, as artes, a imprensa a literatura, o teatro, a religião. Estou obcecado pelas confidências da Virgem à pequena Lúcia de Fátima. Essa obstinação de Nossa Senhora diante do perigo que ameaça a Igreja é um aviso divino contra o suicídio que representaria a alteração da fé, em sua liturgia, sua teologia e em sua alma. (...)
Ouço ao meu redor os inovadores que querem desmantelar a Capela Sagrada, destruir a Chama universal da Igreja, rejeitar seus ornamentos, dar-lhe remorso pelo seu passado histórico. Pois bem, meu caro amigo, estou convicto de que a Igreja de Pedro deve assumir o seu passado ou então ela cavará a sua sepultura.(...) um dia virá em que o mundo civilizado renegará seu Deus, em que a Igreja duvidará, como Pedro duvidou. Ela será tentada a crer que o homem se tornou Deus, que seu Filho é apenas um símbolo, uma filosofia como tantas outras, e nas igrejas os cristãos procurarão em vão pela lâmpada vermelha onde Deus os espera.[1]
O MODERNISMO, ASSIM COMO afirma o gigantesco Santo e Papa Pio X na Encíclica Pascendi Domini Gregis (1907), é “a síntese de todas as heresias” e leva “à destruição não apenas da Religião católica, mas de todas as religiões” (n. 39). A razão de seu terrível poder destrutivo reside no fato de que ele ataca não esta ou aquela verdade, mas sim a própria natureza da verdade.
De acordo com o Modernismo, a verdade não é algo externo ao homem (uma realidade objetiva à qual o intelecto humano deve se conformar); em vez disso, é imanente no homem, algo que misteriosamente borbulha das profundezas de seu subconsciente, ou das "suas entranhas", para citar Joe Biden. Quando esse erro filosófico é aplicado à religião, o resultado é que o Catolicismo — o Depósito único de verdades divinamente reveladas — torna-se meramente uma expressão do "sentimento religioso" dos crentes (como São Pio X o chama em toda a Pascendi) que aderem a uma tradição particular, como a uma questão de herança cultural ou de mera preferência pessoal. E uma vez que as culturas e preferências evoluem com o tempo, o mesmo deve acontecer com todo dogma religioso[1].
EM SEU DISCURSO do Angelus de 27 de julho (2025), o Papa Leão XIV falou sobre a necessidade de nós, católicos “evitarmos a crueldade com o nosso próximo se quisermos poder chamar Deus de nosso Pai”, nos seguintes termos:
Quando recitamos o Pai-Nosso, além de celebrarmos a graça de sermos filhos de Deus, também expressamos nosso compromisso de corresponder a esse dom amando-nos uns aos outros como irmãos e irmãs em Cristo. Refletindo sobre isso, um dos Padres da Igreja escreveu: 'Devemos lembrar... e saber que, quando chamamos Deus de 'nosso Pai', devemos nos comportar como filhos de Deus' (São Cipriano de Cartago, De Dom. orat. , 11), e outro acrescenta: 'Não podeis chamar de Pai o Deus de toda a bondade se conservais um coração cruel e desumano; pois, nesse caso, não tendes mais em vós a marca da bondade do Pai celestial' (São João Crisóstomo, De orat. Dom. , 3). Não podemos rezar a Deus como 'Pai' e depois sermos rudes e insensíveis com os outros.'
Por mais que se trate de uma piedosa exortação, ficamos nos perguntando o que o novo pontífice pretende fazer para lidar com uma das crueldades mais perversas do mundo atual: os ataques contínuos do próprio Vaticano à pura Fé católica, e a sua perseguição às almas que nada mais desejam do que praticar a Religião com fidelidade. Parafraseando São João Crisóstomo, no Angelus, Leão XIV poderá chamar a Deus de Pai se mantiver o silêncio reinante nas últimas duras décadas sobre essas crueldades insondáveis?

