A vitória de Bolsonaro e a via dos cristãos


DEPOIS DE LONGOS DIAS, semanas e meses de tensão e muita guerra de nervos –, com direito a agressões, calúnias, a incessante divulgação de notícias falsas, ameaças, atentado e prenúncios de atentados –, e tudo o que de mais rasteiro, imoral e degradante o ser humano é capaz de conceber e produzir, chegamos, afinal, ao desfecho das eleições nacionais de 2018. Ufa!

Bolsonaro, como já disséramos, era a única alternativa possível aos católicos, por motivos óbvios: representava a única opção contra o criminoso, imoral e anticristão projeto de poder petista, arquitetado para se eternizar no governo do nosso país. Um projeto que foi, desgraçadamente, apoiado por uma grande quantidade de padres e bispos católicos, agindo debaixo das bênçãos da desmoralizada CNBB.

Todavia também não nos faltaram – graças ao Bom Pastor que nos prometeu que o Inferno jamais triunfará contra a sua verdadeira Igreja – honrados e dignos sacerdotes que se levantaram com firmeza e coragem em defesa do único candidato que, malgrado todos os seus muitos defeitos, posicionava-se como homem temente a Deus e a favor da família, da vida, das instituições tradicionais, das liberdades individuais, da propriedade privada, dos sãos valores pátrios – e contra o aborto, as ideologias perniciosas como a da "identidade de gênero", o controle social, a estatização de todos os meios de produção e a implantação do perverso bolivarianismo em nosso país. 

Ficou provado que, assim como o PT e o PC do B, também a CNBB (que até agora não saudou em nota pública o novo presidente democraticamente eleito, como sempre fez com Lula e Dilma) não representa o povo brasileiro. Assim como sucedeu na ocasião do plebiscito sobre o desarmamento (2005) e nos recentes debates sobre a maioridade penal, a conferência de bispos posicionou-se contra a vontade e os anseios da maioria do povo católico. Felizmente, não foram ouvidos, do mesmo modo como em 2015, quando não conseguiram adesão para a sua campanha de assinaturas para a reforma política. 

Faz-nos lembrar do que vaticinou Santo Atanásio de Alexandria, que passou 17 anos de sua vida exemplar no exílio, condenado por bispos hereges, ao escrever, de lá do longínquo século IV, sua eterna "Carta ao meu rebanho":

Ainda que os católicos fiéis à Tradição se reduzam a um punhado, são estes a verdadeira Igreja de Jesus Cristo.

Bravo! Os fiéis católicos – sacerdotes e leigos – triunfam. Mas não podem relaxar e desfrutar o sabor desse triunfo a não ser por um breve momento. O inimigo é formidável em persistência e não se deixa abater. Não foram capazes de esperar mais do que um mísero dia após o domingo da histórica eleição para dar vazão à sua frustração cheia de ódio e rancor: já começaram os protestos, a arruaça e o desrespeito à democracia nas mesmas velhas mentiras berradas a plenos pulmões em suas passeatas. Já o movimento "Povo sem medo" interrompe o trânsito da Avenida Paulista... "Povo"? Ora, mas foi o povo mesmo quem decidiu, pela via genuinamente democrática, escorraçar essas hostes do poder. 

De fato, é tragicômico que falem tão insistentemente em "democracia" quando não aceitam a escolha mais bela e exemplarmente democrática – por ser um fruto espontâneo da conscientização de um povo que tirou do ostracismo um homem simples e que mal sabe elaborar um belo discurso, porém honesto e que diz muito daquilo que queremos ouvir de um governante, que nos representa e é tão transparente quanto o mais fino cristal.

Fará um belo governo? Não sabemos. Decepcionará? Talvez. É um exemplo de cristão? Certamente que não, como já dissemos em outras oportunidades. Aliás, é muito difícil definir se ele é, afinal, católico ou protestante. Mas nós não votamos para Papa, e sim para o Presidente da República, e é certo que estamos diante de um homem que inegavelmente traz o valor da coragem, da humildade e de se posicionar sem meias palavras, qual  "Athanasius contra mundum", contra tudo e contra todos a favor daquilo que é certo. 

Mesmo sem apoio e sem tempo na TV, esse homem investiu obstinadamente e sem medo contra as velhas raposas da velha política, contra a militância estúpida da grande mídia de massa, contra a maior parte dos nossos "artistas" mais populares (e até artistas internacionais icônicos!), contra todos os principais veículos tradicionais de informação do país (que não se furtaram a falsear notícias contra ele) e até contra boa parte da mídia internacional (que lhe taxava com os mesmos rótulos claramente injustos que seus mais radicais adversários inventaram por aqui), contra uma gigantesca seita de professores que domina as nossas escolas e universidades, contra os bispos da CNBB, contra padres midiáticos... E, mesmo assim, mesmo com todos esses poderosos influenciadores de opinião trabalhando juntos, o bom senso venceu: num país cuja população majoritariamente se confessa cristã, a ideologia socialista-materialista foi defenestrada. Ladraram os cães, passou a caravana. 

Não, o povo verdadeiramente cristão não está órfão, ainda que muitos dos seus pastores tenham se bandeado para o lado dos lobos. Quantos testemunhos desesperados recebemos nós, que dirigimos um modesto apostolado, de fiéis católicos que se viram, forçados por suas consciências, a confrontar seus párocos que insistiam em fazer dos Altares sagrados palanques políticos! Mas não se deixaram confundir. O Deus de infinita misericórdia teve piedade de nós. 

Para ao futuro da Igreja no Brasil e o indisfarçável mal-estar que tomou conta das nossas paróquias, é impossível prever um desfecho. Particularmente, creio em um novo cisma, caso as coisas continuem a avançar da mesma maneira como hoje. Num artigo muito feliz, o polêmico e por vezes imprudente, porém necessário apostolado "Fratres in Unum" comparou a situação a "uma procissão em que o andor foi para um lado e o povo foi para o outro…" (leia). 

Sim, é verdade: avançando em direções opostas, cada um segue o seu rumo: os verdadeiros fiéis católicos, que amam a Cristo e se colocam sob a proteção de sua Mãe santíssima, procurando santificar as suas vidas, vão para um lado; para outro, vão os bispos insensatos que clamam contra uma "ditadura" imaginária, enquanto apoiam indiretamente as reais e concretas ditaduras socialistas, sanguinárias e anticristãs, ao redor do mundo de hoje. 

Perceberão esses príncipes da Igreja, algum dia, que abandonaram suas ovelhas? Que, enquanto fazem política, seus filhos erram, abandonados e confusos, desejando ardentemente por quem lhes pregue o autêntico Evangelho? Não notarão que as almas que lhes foram confiadas estão migrando aos milhões para as seitas, onde serão impiedosamente exploradas, até perderem totalmente a fé? Até quando os ungidos de Cristo escolherão servir como cabos eleitorais para os inimigos da vida, da família e do próprio Cristo? Quantos dentre eles entenderão que a grande apostasia já chega? Verão, porventura, os sinais dos tempos? Perceberão que os brasileiros quiseram, por temor a Deus e obedientes ao Evangelho, tomar um rumo oposto ao seu próprio? Regressarão ao bom Caminho e retomarão a verdadeira Fé da Igreja como sempre foi? 

Para essas questões cruciais, não temos as respostas. Mas sabemos que a Verdade liberta e que a oração dos justos pode muito. Reforcemos a cada dia o nosso pacto com a Verdade, que é Jesus Senhor, e peçamos aos Céus com fé inabalável. Nosso Senhor nos dá o poder de decisão e o direito de escolha: façamos uso desses dons preciosos com temor, com amor e com a sabedoria que Ele mesmo nos dá!

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Bolsonaro e o deus ex machina


Por Igor Andrade – Fraternidade Laical São Próspero

NASCIDO NO INTERIOR do Brasil, numa região pobre entre as regiões mais pobres, Enéas Carneiro trabalhou desde os nove anos para sustentar a família. Com esforço e dedicação raros, alcançou lugar de destaque no meio científico. O homem barbudo, formado em Medicina, Matemática e Física, foi professor de Matemática, Física, Química, Biologia e Língua Portuguesa, especializou-se em Cardiologia e ministrou aulas de Fisiologia e Semiologia Cardiovascular e publicou um livro – “O Eletrocardiograma” – estudado mundialmente.

Em meio ao caos da “redemocratização” do Brasil, logo após o chamado Regime Militar, Dr. Enéas Carneiro concorreu à presidência da república, mas perdeu. Seguiram-se após esse evento inúmeras tentativas para cargos políticos, no executivo e no legislativo.

Como pode um homem tão bem formado, referência mundial em um ramo científico, professor de  excelência, amante das ciências naturais e da Pátria, de origem popular e fama internacional, não ter reconhecida sua capacidade para gerir a nação e – ao contrário! – perder o cargo para outro barbudo, um bêbado semianalfabeto amante de uma ideologia antipatriótica?

Alguns poderiam dizer que “Lula era próximo do povo, mas o Enéas não” – e essa é uma infame falsidade que se prova com as seguintes perguntas: a maioria do povo trabalha (como Enéas) ou vive com dinheiro de sindicato (como Lula)? Qual deles amava o povo e a cultura nacional e qual amava mais uma ideologia globalizante, antinacional e inimiga dos homens individuais?

Além dessas respostas, que se olhe para o fim de ambos. O primeiro morreu no ostracismo, mas viveu honestamente, não se vendendo para ideais escusos; o outro viveu uma vida infame, queda preso e (queira a Providência) será esquecido pelo tempo e enterrado na vala comum dos hipócritas totalitários.

Ainda fica a pergunta inicial: o que houve? Houve que a política brasileira, que, desde que o Magnânimo fora expulso de seu trono, é, não a arte do bem comum, como ensinou Aristóteles, mas a arte do “parecer ser”. Porém, recentemente um raio de luz iluminou as trevas da política nacional. Desviamo-nos de nosso “destino” de miséria socialista pela ação de um “deus ex machina”, como dizia-se na antiguidade, um deus da máquina, cuja graça é a Internet. Fruto da mera ação humana ou da Providência agindo por meio dela, o fato é que a Internet deu a homens da linha de Enéas a visibilidade que lhes fora negada.

Da mesma estirpe de Dr. Carneiro, demorará para aparecer um homem no Brasil; contudo, apareceram alguns que possibilitarão este surgimento. Um deles é Jair Bolsonaro, que só tem a devida visibilidade por dois motivos: o primeiro é o fenômeno de loucura ideológica devida aos (des)governos gerados pela “redemocratização”; o segundo é o deus ex machina, a internet.

O conceito de “deus ex machina” surgiu no teatro grego. Geralmente, em uma peça teatral, quando o protagonista não tinha alternativas e se encontrava num “beco sem saída”, era assistido por um deus que o livrava da desgraça. Este deus era representado por alguém preso a uma máquina, daí o nome “deus da máquina”.

Numa conversa com um compadre, a imagem à que chegamos é a de um rio correndo em seu leito “normal”. O rio é a política corrupta imposta pelo Golpe da República que deságua na desgraça nacional. Homens da linha de Enéas estavam caminhando com um barco às margens deste rio, aparentemente tentando mudar a política pelo trabalho e pela honestidade – uma mosca branca no meio político nacional. A internet foi uma pedra enorme que caiu no leito deste rio, desviando seu curso justamente para o lado das moscas brancas.

Onde este rio desaguará, não se sabe. Por alguma ironia do destino, pode voltar novamente ao seu curso “normal” e desaguar ainda na desgraça nacional, ou pode mudar completamente seu curso e o nosso destino poderá ser um pouco mais ameno – ainda que nunca perfeito.


Fake news

Alguns anos após a explosão das redes sociais no Brasil (nomeadamente o Facebook e o WhatsApp), popularizadas por volta de 2011, surgiu uma nova expressão: "Fake News". Para aqueles que acompanham o famoso Olavo de Carvalho, este termo tornou-se conhecido em meados de 2016 (talvez antes), mas somente em 2018 as massas populares tomaram conhecimento deste conceito; paradoxalmente, através da grande mídia.

Notícias falsas são muito, mas muito anteriores à Internet. Além do desejo burguês em importar expressões estrangeiras, não há motivo para chamarmos de “fake news” aquilo que popularmente conhecemos por fofoca, diz-que-diz, mentira, intriga, difamação, mexerico, boato, balela e, finalmente, notícia falsa.

Por exemplo, que a proclamação da república teve respaldo popular é fake news, balela; que a Família Imperial era opulenta é fake news, puro boato; que os integralistas eram os “nazistas brasileiros” é fake news, difamação; que a intervenção militar de 64 não teve respaldo popular é fake news, notícia falsa [que os grupos comunistas que deram origem a essa intervenção queriam 'democracia', é outra fake news...].

Os maiores propagadores de notícias falsas não são recentes, mas os maus historiadores (na esmagadora maioria das vezes, ideólogos) e a grande mídia. Mais notícias falsas espalhou a Rede Globo do que qualquer internauta. Digo notícias falsas porque é falsa toda informação manipulada para este ou aquele lado.

Contudo, houve esta explosão de notícias falsas recentemente. A que se deve isso? À falta de confiança que as pessoas comuns têm na grande mídia, que anda de quatro à frente dos líderes totalitários – não só aqui, no Brasil de hoje, mas desde que o ídolo dos comunicadores começou a fazer propaganda nazista. Ele mesmo: Goebbels.

Acabar com esta tosca situação é tão fácil quanto se molhar no mar. Se cada um que recebe uma notícia fizer o simples trabalho de checar a fonte, findado será o problema. Basta fazer duas perguntas básicas: pergunte a si mesmo se isto que é noticiado pode ter acontecido; se a resposta for afirmativa, faça a segunda pergunta a quem te deu a notícia: de onde você tirou isto?

Com essas duas perguntas, as pessoas se libertarão de vez da grande mídia, que criou a “fact-checking” – outro nome importado pelo espírito de porco da classe média estúpida que ama farejar rabo gringo – que nada mais é que o simulacro de uma checagem de fatos. Ora, se você não tem capacidade de, por si mesmo, checar um mero fato, que capacidade terá de agir politicamente? Ater-se à grande mídia para checar um fato é agir como os caipiras da anedota popular que diz que dois compadres andavam quando avistaram algo na estrada. Um deles parou e disse: “Óia, uma bosta”, ao que o outro respondeu: “Num é bosta, não, cumpádi”. E ficaram ambos numa longa discussão de “é” ou “não é”, até que ambos comeram daquilo e concluíram: “É bosta memo, inda bem que nóis num pisô”.

É evidente, quando o objeto da notícia está fora do seu campo de conhecimento, é natural que se recorra à opinião de terceiros, desde que conheçam do assunto. Sobre economia, pergunta-se a um economista (ou mais), sobre medicina a um médico (ou mais), sobre matemática a um matemático (ou mais), e assim por diante, e não a quem é alheio ao tema.

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Igualitarismo, imoralidade, justiça e impiedade

Em uma fábrica de salsichas, exige o controle de qualidade que sejam feitas todas iguais
Pelo Revmo. Padre João Batista de A. Prado Ferraz Costa– Capela Santa Maria das Vitórias

AINDA PRÓXIMOS DO centenário da Revolução Comunista Russa e das Aparições de Nossa Senhora de Fátima, desejaria registrar a publicação de duas obras muito boas que contribuem notavelmente para a compreensão do erro do igualitarismo, um dos erros espalhados pela Rússia comunista, conforme profetizou Nossa Senhora. 

Com efeito, o igualitarismo representa um atentado, que diria de inspiração satânica, contra a obra da criação. Deus estabeleceu uma ordem hierárquica no reino da criação. No reino mineral há minerais mais preciosos ou nobres e outros mais vis; igualmente no reino vegetal onde se veem, por exemplo, árvores mais nobres, como o carvalho e o cedro, e outras mais baixas. Assim também no reino animal. Nenhum criador de cavalo da raça manga-larga diria que um cavalo desta raça substitui perfeitamente a outro da mesma raça e muito menos pode ser substituído por um pangaré. Nenhum chefe de família, nenhum pai, dirá que um filho seu substitui a outro ou que sua mulher amada pode ser substituída por outra. Cada um é único e insubstituível com suas qualidades e defeitos próprios.

O que quero dizer é que igualdade plena só pode haver entre os artefatos humanos produzidos em série: um parafuso pode ser igual a outro e ser substituído por outro, uma fechadura pode ser trocada por outra igual que venha a ocupar o seu lugar e desempenhar perfeitamente sua função. Mas nas criaturas de Deus não há jamais igualdade.

O igualitarismo denunciado pelas obras que passarei a resenhar em seguida tem consequências perniciosas, produzindo um caos em todas as instituições sociais a partir da família, comprometendo o progresso cultural e sócio-econômico de toda uma civilização, na medida em que impede o desenvolvimento das qualidades e aptidões humanas que se encontram distribuídas pelo Criador de forma escalonada e harmoniosa, de maneira que cada criatura concorra para o bem comum. É por isto que Santo Agostinho diz: "Ubi enim nulla est invidentia, concors est differentia" (onde não há inveja a diferença gera a concórdia). E como não há sociedade sem autoridade, o igualitarismo, se não destrói a autoridade, ao menos lhe diminui o prestígio, o que a impede de coordenar as atividades e esforços de todos os membros da sociedade em prol do bem comum.

Uma das boas contribuições para entender os malefícios do igualitarismo no centenário da Revolução Comunista (que prometeu o paraíso da igualdade na terra e instaurou o pior regime de escravidão que jamais houve na história do mundo) é o livro Utopia igualitária – Aviltamento da dignidade humana, do Eng. Adolpho Lindenberg, publicado pela editora Ambientes e Costumes.

De leitura amena e rica de informações e conceitos, a referida obra trata do problema do igualitarismo em uma perspectiva, diria, histórico-sociológica, tantos são os exemplos tirados da história e do dia-a-dia. Recordando inicialmente a igualdade essencial entre os homens decorrente da mesma natureza humana, o autor em seguida desenvolve uma boa explicação das razões pelas quais as desigualdades acidentais são justas e benfazejas. O autor refuta um erro muito comum em nossos dias, segundo o qual a proximidade física entre ricos e pobres é fator de desunião e conflito. O Eng. Adolpho Lindenberg mostra que, pelo contrário, tal proximidade, quando bem concebida, promove a cooperação. E a título de ilustração recordo um fato da vida do grande pintor brasileiro Batista da Costa. Quando era menino pobre, retratava paisagens nos carreadores das fazendas no interior Estado do Rio de Janeiro. Um belo dia um fazendeiro passeando a cavalo encontrou o menino, reconheceu-lhe o talento e a partir de então tornou-se seu benfeitor. Depois que se tornou um artista afamado, Batista da Costa expressava ao benfeitor sua gratidão, presenteando-o com suas belas obras. É um exemplo de uma mentalidade nobre anti-igualitária que vê sempre no superior um benfeitor.

O autor se reporta também a grandes historiadores franceses que estudaram a fundo o Antigo Regime e mostraram como as desigualdades acidentais entre os homens, quando vividas em uma sociedade realmente cristã, não ferem mas sempre concorrem para o bem e aperfeiçoamento de toda a sociedade. O autor analisa como o igualitarismo moderno está destruindo a noção do respeito e da reverência devidos aos mais velhos e aos mestres que se sacrificaram pelas novas gerações. Explica também que defender a autoridade em nome da desigualdade entre os homens não significa defender um regime centralizado, autoritário e muito menos ainda totalitário. Para tanto, o autor explana muito bem o conceito de sociedade orgânica, traçando um paralelo entre a monarquia orgânica medieval e o regime absolutista centralizador. Na minha modesta opinião, poderia ter acrescentado que tal tendência à centralização só fez crescer após a Revolução Francesa como observa Alexis de Tocqueville em O Antigo Regime e a Revolução. Quem sabe, em uma desejável segunda edição, se acrescente esta observação além de uma revisão de alguns lapsos de digitação.

Vale assinalar que o Eng. Adolpho Lindenberg faz ver uma arguta relação de causa e efeito entre o igualitarismo e o ateísmo contemporâneo citando um teórico marxista francês. Com efeito, o igualitarismo, o sufrágio universal, o republicanismo revolucionário, a meu ver, sempre impediram que o homem visse a bondade de Deus no mistério da Encarnação do Verbo. Como um igualitarista poderá reconhecer o aniquilamento de um Deus que se faz homem? Achará que o Verbo Encarnado e ele são iguais.

Por fim, cumpre dizer que são saborosas as recordações do autor com relação a algumas personalidades marcantes que foram exemplos de autoridade moral depois de uma vida de servidos prestados à nação. O autor refere-se ao prestígio do Presidente Wenceslau Brás, à gratidão de toda uma cidade de que gozava a Professora Mimi (que golpeou com sua sombrinha um milico bajulador do Getúlio Vargas) e o respeito de que era cercado o Presidente Washington Luís Pereira de Sousa. deposto em 1930. De fato, as pessoas mais velhas testemunham como o melhor da sociedade paulistana acorreu ao Pacaembu em 1946 para saudá-lo quando o estadista retornou do exílio.

A outra obra que me parece recomendável para compreender o problema do igualitarismo é Le dérèglement moral de l’Occident, de Philippe Bénéton. Infelizmente, até o momento, conheço-a apenas por meio de uma entrevista concedida pelo autor à revista Valeurs Actuelles. Em uma perspectiva filosófica o autor disseca o igualitarismo, dizendo que a igualdade moderna é vazia de substância: “O outro é meu igual, não porque tenhamos em comum algo de substancial que nos distingue como seres humanos, mas porque nós não temos nada em comum senão a liberdade de não ter nada em comum. Os indivíduos são iguais porque eles são livres de ser diferentes e as diferenças não fazem a diferença (…) A orientação geral é clara: trata-se de despojar a natureza para guarnecer o cesto da vontade. Todos somos senhores. Nenhuma ordem criada, nenhuma natureza das coisas que fixe uma hierarquia nas maneiras de viver, nenhuma diferença de natureza que seja uma diferença significativa.”

Na mesma entrevista, Philippe Bénéton mostra o absurdo da nova ideologia dos direitos humanos: “Os direitos do homem tornaram-se essencialmente os direitos do indivíduo e esses direitos individuais multiplicaram-se. Não há, no fundo, senão duas categorias legítimas: o indivíduo e a humanidade. Desaparecem então os direitos do cidadão, os direitos da nação e os dos corpos intermediários (em particular os da família), entrementes a lista dos direitos não cessou e não cessa de crescer: direito ao aborto, à criança, à igualdade de gêneros, às diversas “orientações sexuais”

Desenvolvendo sua reflexão, Bénéton diz que o que mudou é o fundamento dos direitos: “Todos esses direitos novos podem basicamente ser agrupados em duas categorias: o direito à autonomia pessoal, o direito a não discriminação. Os princípios que os justificam são as novas versões da liberdade e da igualdade. Em consequência, os novos direitos estão no fundamento de uma nova moral que se substituiu por completo à moral tradicional. A moral das virtudes cede lugar à moral dos que podem tudo (la morale des ayants droit). Sirvam de exemplo as coisas da carne (empregando uma linguagem dos tempos obscuros): a falta não está mais na impureza, ela se encerra, confunde-se doravante com a violação dos direitos do outro. A libertinagem é uma excelente coisa contanto que nenhuma suspeita de desigualdade lance uma sombra sinistra sobre os entretenimentos que se deseja sejam os mais livres possível”.

E conclui Bénéton:
A consciência moral tende, pois, a confundir-se com a consciência jurídica. O permitido e o proibido delimitam o bem e o mal. O direito dos direitos do homem tornou-se nossa nova bússola. Por outro lado, ele é hoje um direito metapolítico que se impõe aos cidadãos sem que os cidadãos possam dizer sua palavra. Os juízes (na Europa, os juízes da Corte europeia dos direitos do homem) desempenham um papel chave em consonância com as minorias ativas. O pequeno número decide pelo grande número.

Como se vê pela análise do filósofo Philippe Bénéton, o  igualitarismo é um dos pilares da democracia totalitária moderna. Esta, baseada no igualitarismo, no individualismo e no relativismo, vem destruindo a sociedade orgânica tradicional. A família tradicional, instituída conforme o direito natural e divino pela união de um homem e de uma mulher para a propagação da espécie, está sacrificada nas aras dos direitos e garantias individuais. Não pode mais haver homens membros de uma família com história e glória próprias. Só pode haver indivíduos. Não pode haver mais cidadãos de uma república e muito menos ainda súditos de um reino. Só pode haver indivíduos representantes da humanidade, membros de uma república maçônica universal. É esta ideologia dos direitos humanos que está destruindo a Europa com a invasão de muçulmanos que conta com as bênçãos de Francisco I. É esta ideologia, tão bem denunciada por Philippe Bénéton, que influenciou o Vaticano II (Dignitatis Humanae sobre a liberdade religiosa e Gaudium et spes sobre a Igreja e o mundo contemporâneo) que está originando uma nova religião do igualitarismo que não reconhece mais a diferença entre o Criador e a criatura, não dá mais glória à Majestade Divina e zomba do Onipotente. Mas de Deus não se zomba.

A primeira parte das profecias de Fátima já se cumpriu ('A Rússia espalhará seus erros pelo mundo'). Aguardemos com fé e esperança o cumprimento da segunda parte: "Por fim, meu Imaculado Coração triunfará".

Anápolis, 29 de novembro de 2017


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Publicado em O FIEL CATÓLICO n.29
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Cenário político do Brasil de hoje


Venho confessar que me incluo no grupo daqueles que já se cansaram do assunto "eleições" no Brasil. Não aguento mais esse massacre. Cansei da maldita, vergonhosa e atrasada polarização que tomou conta de todo e qualquer debate político neste país. Cansado e farto de ver que quase ninguém procura tomar a verdade como regra de suas ações, mas cada um escolhe um lado para integrar e defender, irracionalmente, e, pior, considera que para combater o seu adversário, visto como inimigo mortal, vale usar de toda e qualquer arma disponível: vale mentir, caluniar, maquiar ou escamotear os fatos, propagar boatos, tentar assustar os ignorantes, alarmar a população mais humilde...

Não aguento mais essas hordas que sequer escutam qualquer argumento contrário àquilo que escolheram tomar por verdade, que trocam argumentos e razões por vaias e gritos de guerra, porque veem a todos aqueles que se atrevem a existir fora do seu próprio grupo como vermes desprezíveis. Já não aguento mais a pífia novela dos noticiários, com suas bizarrices e desonestidades diárias, das tentativas cada vez mais baixas e covardes de caluniar adversários. Como católico, não suporto mais ver a atuação patética e podre de tantos daqueles que deveriam ser – por missão e dever sagrado – os zelosos pastores das almas, tomando o partido dos lobos. E ajudando os maus no seu trabalho de espalhar mentiras, desinformação, medo.

Estou cansado de ver a irresponsabilidade criminosa de veículos de mídia importantes, poderosos e tradicionais, que deveriam zelar – ao menos o mínimo – pela imparcialidade e pelo bom senso nas matérias que publicam. Não aguento mais ver militantes partidários imorais travestidos de "jornalistas". Não aguento mais essa gente que não sabe perder e não sabe ganhar. Estou farto de ver que ninguém tenta abrandar o incêndio; ao contrário, vai-se lançando cada vez mais gasolina à fogueira, e ninguém está preocupado com o fim a que isso vai chegar. Não vejo a hora de terminar mais esta (última, ufa!) semana e acabar logo com tudo isso.

Todavia, como desanimar não é opção, venho compartilhar o lúcido texto de Carlos Ramalhete (adaptado para O FIEL CATÓLICO) que, no meu entender, retrata com fidelidade o nosso momento presente. Textos assim são como um bálsamo, porque algo de que precisamos muito é lucidez. Deus nos ilumine a todos.
(Henrique Sebastião, Editor)



* * *

A SITUAÇÃO DO BRASIL é preocupante. Além de todos os problemas costumeiros – miséria, níveis inauditos de criminalidade, corrupção, grupos guerrilheiros que por aqui são chamados de "trabalhadores (sic) sem-terra", etc. Fato é que os anos perdidos com o país nas garras do petismo nos deixaram uma triste herança de divisão. Uma coisa sem base alguma na nossa cultura, mas importada, como costuma acontecer, da política americana pelas esquerdas. Foram 13 anos, ou muito mais (já que o grosso da grande mídia apoiou as campanhas do PT desde muito antes de sua subida ao poder, assim como continua em grande medida a fazê-lo), em que se tentou lançar brasileiro contra brasileiro: pretos contra brancos, pobres contra ricos, ciclistas contra motoristas, "sem-terra" contra fazendeiros, homossexuais contra heterossexuais...

O modo de fazer política do PT é, na verdade, a antipolítica, baseada na divisão da pólis em grupos identitários que só existem por oposição uns aos outros (se deixassem de disputar, a divisão desapareceria e uma colaboração concreta seria possível e viável). Dividir para reinar. Fazendo-se de aliado dos grupos soi-disant (que pretendem ser alguma coisa) minoritários ou "oprimidos", o PT deixou uma herança de ódio que teve sua confirmação mais trágica no horrendo atentado contra o candidato presidencial Bolsonaro.

O próprio Bolsonaro assumiu, e de muito bom grado, aliás, ser a figura de alvo das investidas petistas, com suas declarações politicamente incorretas e, muitas vezes, grosseiras. O atentado que sofreu, diga-se de passagem, foi justamente em decorrência disso: demonizaram-no a tal grau que um militante louco achou estar agindo em nome de Deus ao esfaqueá-lo. Independente de ter havido mandantes do atentado (sérios indícios apontam que sim), não há como negar que o criminoso agiu também tomado por puro ódio. Há deficientes mentais que incendeiam o Reichstag, ainda que outros lhes ponham o archote nas mãos. Em outro nível, mas ainda na lista de ataques absurdos que têm como único objetivo demonizar Bolsonaro, foi um alívio não ter convencido a grotesca acusação de "racismo" feita contra ele por conta de simples grosserias proferidas numa palestra ao eleitorado judeu. Aliás, em flagrante contraste com as delirantes acusações de que ele seria nazista(!), este eleitorado o apoia entusiasticamente em grande medida. É até interessante notar que sua assessoria dispensou a UTI aérea do hospital árabe Sírio-Libanês, que já voara a Juiz de Fora logo depois do atentado para pegá-lo, e transferiu-o, em vez disso, para o Hospital Israelita Albert Einstein.

Mas o problema perdura. O próximo presidente herdará um país dividido, um país em que o ódio e a adesão a visões identitárias da realidade – que, repito, só existem por oposição, pois o preto é o não branco, e não deveria jamais ser o antibranco; o homossexual é o não heterossexual, mas agora é também, em grande medida, anti-heterossexual. Chegamos ao cúmulo dos cúmulos do absurdo de que não poucas mulheres se tornaram (orgulhosamente) anti-homens! Os homens, aliás, andam com medo de ser simplesmente aquilo que são, conforme a natureza lhes fez, e agora tentam a todo custo se parecer mais e mais com as mulheres, por medo de serem tachados de "machistas", "sexistas" ou outro rótulo semelhante. E assim caminhamos, inseridos nessa bizarra e violentíssima visão de mundo que o PT nos legou e que impede a realização de uma verdadeira e honesta política, que só pode ser baseada na civilidade comum. Civis e polis: a origem etimológica da "civilidade" e da "política", são a mesma palavra em latim e em grego.

Far-se-ia necessário um estadista, alguém que conseguisse voltar a unir o país em torno de um projeto comum, de uma visão comum de pátria em que houvesse lugar para todos, lado a lado, sem oposição – pois uma nação dividida contra si mesma jamais prosperará, como já nos advertiu Nosso Senhor (conf. Mt 12,25).

Não há razão alguma para essas oposições identitárias violentas importadas de uma cultura de origem calvinista e, portanto, dualista, em que a divisão (entre winneers/'vencedores' e loosers/'perdedores', pretos e brancos, etc.) é impensada e incontestada. A nossa cultura é outra: aqui somos pelo diálogo, pela tolerância, pela busca do consenso, por uma união que a cultura americana nunca conheceu e não conhece. Importar tal modo de fazer antipolítica foi não apenas um atentado à própria política, à própria arte do compromisso e da busca de consenso, como também um verdadeiro atentado contra a nossa própria cultura brasileira.

Aqui é que surge o problema: onde está o necessário estadista? Que eu saiba, em lugar algum. Bolsonaro tem a vantagem de, nesse "nós contra eles" petista (em que o 'eles' é a maioria da população, mesmo que muitos não o percebam), fazer parte deste último grupo. Na realidade não é difícil perceber, se tivermos um mínimo de boa vontade, que ele não é (ao contrário do que pregam ad nauseam petistas e aliados) um propagador da violência. Bem ao contrário, ele parece ser o único verdadeiramente indignado com os altíssimos níveis da violência – contra os cidadãos honestos – que nos assola. Também não é racista, machista, "homofóbico" ou qualquer coisa desse tipo. Na verdade, costumo dizer que ele poderia ser substituído por algum trabalhador humilde anônimo, aleatório, e ninguém perceberia a diferença. Ele diz o que a maioria de nós pensa, e defende aquilo em que a maioria de nós ainda crê – mesmo depois de décadas de maciça pregação ideológica marxista por professores nas escolas, pelos meios de comunicação de massa, pela maioria dos próprios políticos, etc.

Estamos simplesmente diante de uma pessoa comum, um homem que não se envergonha de ser homem, dotado de inteligência emocional suficiente para "sacar" os anseios do pai e da mãe de família comuns; possuidor de um sistema de valores morais moldado pela experiência militar e sua ênfase em um certo "rusticismo" que, para os desacostumados (ou doutrinados na nova ordem mundial), pode parecer grosseira; ele tem uma religiosidade difusa, confusa e infelizmente desordenada, como é agora a praxe, após mais de meio século de mistura entre espiritismo e protestantismo pentecostalista sobre a base genuinamente católica da nossa cultura.

Ele espertamente assumiu no Congresso, quando o discurso único socialista parecia invencível, uma postura de "bobo da corte" em que seus exageros e grosserias o faziam parecer tão absurdo que ninguém o levaria a sério, e usou esse palco para fazer chegar ao grosso da população a percepção de que havia alguém ali que ainda não tinha enlouquecido. O que parecia loucura para a esquerda militante foi percebido como sanidade pelo eleitorado, ou por uma grande parcela deste. São Paulo Apóstolo aprovaria.

Mas, não, Bolsonaro não é um estadista. Mais ainda: nem ele e nem seu concorrente são estadistas, muito menos o estadista de que o Brasil precisaria. O modo pelo qual ele operou sua subida à posição que hoje ocupa foi derivado da política divisiva do PT, colocando-se como a mais autêntica antítese de todas as teses pregadas por eles. Todavia, na realidade objetiva, não é nem de uma antítese e nem de uma síntese que precisamos, ao contrário do que prega o materialismo dialético que, em versão pós-moderna, orienta o maquiavelismo petista. Precisamos, ou antes precisaríamos (dada a sua inexistência), de alguém que soubesse se colocar acima dessas divisões, não de alguém que as surfa e as usa de rampa de laçamento, como Bolsonaro fez e faz.

Ainda assim, Bolsonaro permanece, de longe, sendo o mal menor na comparação com seu concorrente; uma ascensão sua ao poder fatalmente fará recrudescer a política divisiva petista, que já conseguiu pregar nele, com a sua infeliz colaboração, uma coleção de rótulos tão raivosos quanto falsos. Se ele não se colocou como inimigo da divisão e sim como um componente desta, assumindo a postura de defensor da maioria que ainda pensa, é honesta, cristã, a favor da família e da vida, etc., contra minorias ensandecidas e até criminosas às quais, desgraçadamente, foi dado grande poder pelos últimos governos. Essa postura está longe de ser a ideal, mas não há como não reconhecer que é um papel necessário no parlamento, dado o nosso cenário catastrófico. E afinal, se não fosse por essa via, teria ele chegado onde chegou? Certamente não.

Chegando ao poder, será capaz de realizar uma necessária transição para uma postura mais equilibrada e dialogante? Ele assumiu um papel nesse grande teatro, certamente não por falsidade ideológica, mas por convicção. Seria capaz de desempenhar o papel do estadista, se isso lhe for permitido?

Não sei, sinceramente, se a sua assessoria conseguiria retirá-lo da posição em que se colocou. Com certeza, o PT e seus aliados (basicamente os partidos de todos os seus concorrentes na campanha presidencial, mais a mídia, mais os professores, os sindicalistas, 'artistas', os subversivos profissionais, as inúmeras ONGs e grupos organizados militantes de esquerda, etc, etc.) de tudo farão para continuar a mantê-lo nesse papel e minar todas as suas decisões. Se isso acontecer, o que poderia e deveria ser feito pacificamente por um estadista talvez tenha que ser feito de maneira bruta, calando o discurso divisivo. Problema: como efeito colateral, isso daria àqueles que amam se fazer de vítimas – e que desde sempre atrelaram o vitimismo à sua própria identidade – a oportunidade perfeita; isso fortaleceria o discurso de "coitadinho" do PT, PC do B e aliados. É uma armadilha da qual Bolsonaro, mal menor, teria enorme dificuldade de escapar, por melhores que sejam os seus assessores. Ele saiu do Exército capitão, logo, sem a Escola de Estado-Maior. Ele conhece tática, não estratégia. Curto, não longo prazo. Ação local, não global. Nesse ponto é um alívio que tenha se cercado de generais, mas resta saber o quanto ele os ouviria no Planalto.

E quem é o opositor?

Fernando Haddad (vulgo 'Malddad' e, mais recentemente, 'Falsiddad') é uma piada, nada mais. Um ficha suja que, em outros países, sequer poderia estar concorrendo ao cargo máximo da nação, responde a nada menos que 32 processos na Justiça, que vão do recebimento de dinheiro da Lava Jato a denúncias por improbidade administrativa e superfaturamento de obras. Um candidato que tenta se apresentar como "novo" mas representa à perfeição o modelo petista de malfeitos na gestão pública.

Haddad saiu corrido da prefeitura de São Paulo depois de ter feito fama derramando tinta vermelha pela cidade afora afirmando criar ciclovias. Era o segundo poste/fantoche de Lula. Depois de a Lava Jato ter posto a nu alguns dos horrores e roubalheiras da gestão PT, só os muito ignorantes dos fatos ou aqueles vitimados por lavagem cerebral (ministrada numa escola perto de você, nas aulas que deveriam ser de História, Geografia, Filosofia, Sociologia… e mesmo de Matemática ou Química) conseguem levar a sério o presidiário barbudo. Infelizmente, não são tão poucos e, destes, alguns passam a votar Haddad por ordem do poderoso chefão. Mas Haddad presidente é algo que provavelmente nem a mãe dele quer de fato. Pobre senhora.


* * *

Não tem jeito, sobra Jair Bolsonaro. Para vencer como um político de verdade (e não só nas urnas), ele precisa operar a mágica – que a facada talvez ajude a conjurar – de abrandar sua persona de "bobo da corte" parlamentar, do representante de um lado na disputa entre fulanos e beltranos impetrada pelo PT, e mostrar-se como quem verdadeiramente é: não ainda, infelizmente, o estadista necessário ao Brasil, mas um cidadão de bem. Ele não é um monstro racista, fascista, nazista, eletricista... o que seja. É simplesmente um brasileiro médio com um bom talento para perceber a extrema gravidade do momento que vivemos. Na Presidência, talvez, quem sabe, um brasileiro médio consiga iniciar o que há de ser a longa obra de restaurar a unidade do Brasil.

Ajude-nos Deus a ajudar nossa nação a tomar o caminho da restauração!


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Breves notas sobre o fascismo – real


Por Igor Andrade – Frater. Laical São Próspero

NAS (PRETENSAS) DISCUSSÕES sobre política que abundam nas redes sociais nos nossos dias –, em boa parte das vezes empreendidas por homens e mulheres igualmente incapazes de enxergar um palmo à frente do nariz –, muito se usa um termo obscuro à grande maioria: o fascismo.

Não explicarei a fundo o desenrolar e pormenores dessa ideologia por dois motivos: primeiro, como nenhuma ideologia presta, prefiro estudar as coisas que realmente fazem sentido; segundo, por não gostar do assunto, não dediquei o tempo e o esforço que seriam necessários para que pudesse explicar  o tema em todos os seus numerosos detalhes; então, limito-me a apenas algumas breves notas que não podem ser ignoradas.


O mito

Certo fazendeiro tinha um filho muito orgulhoso de si mesmo. Para ensiná-lo a ser generoso entre seus pares, esse homem mandou o filho recolher e carregar vários gravetos (soltos) de uma vez. O jovem lutou, mas os gravetos quebravam e se espalhavam.

O homem, então, juntou vários dos gravetos espalhados num feixe, amarrou-os juntos e apertou-os bem. Deu a mesma ordem ao filho, que então pôde carregá-los com maior facilidade. O pai lhe explicou:

-Quando os homens são soberbos e não se ajudam mutuamente, qualquer inimigo com facilidade os quebrará. Porém, quando se unem num feixe, tornam-se fortes e facilmente podem ser conduzidos para fazer frente aos inimigos.

Desta fábula tomei conhecimento ao estudar italiano, e, pasmem, é uma fábula usada para disseminar o fascismo na Itália.


Origem do termo

Muitos [possivelmente a esmagadora maioria] dos que usam o termo “fascismo” não fazem a mínima idéia de sobre o que estão falando. Isso se prova pelo desconhecimento da simples origem do termo. O leitor já se perguntou o porquê de fascismo ser escrito com “sc”?

Quem conhece um pouco de italiano sabe que “sc” representa o mesmo som que “ch” em português. Sabe também que “fascismo” (se pronuncia 'faxismo') é muito semelhante a outro termo italiano, “fascio”, que em português pode ser traduzido como “facho” ou “feixe” – é por isso que na bandeira da Itália fascista vemos uma águia com um feixe nas patas.

Percebe?

O fascismo tem uma certa origem mitológica e é melhor compreendido através da fábula supracitada.

Essa ideologia carrega em si (no próprio significado da palavra) a idéia de que os homens não são pessoas, mas indivíduos; que esses indivíduos são todos fracos e não subsistem em si. Por conta dessa suposta “fraqueza ontológica”, todos os indivíduos deveriam ser unidos num grande “indivíduo nacional” – cujo nome é Estado.

Para a ideologia fascista, o Estado nada mais é que o indivíduo no qual todos os homens são encerrados. Essa idéia é muito semelhante a um mito maniqueísta (se não me falha a memória) que diz que, no fim, os homens iluminados são como pedaços de manteiga que serão derretidos num grande tacho de leite em fervura, deixando de ser indivíduos e sendo incorporados a um indivíduo maior (ou algo do tipo). Este é um dos motivos pelos quais o fascismo é completamente antagônico ao cristianismo.


Il Duce

Logo depois de fazer o feixe de gravetos, o pai explica ao filho que isso facilita o trabalho de levar os gravetos para onde devem ir. No caso dos homens, eles se tornam mais facilmente conduzidos – aí entra a figura do "condutor", em italiano duce (pronuncia-se 'dutche').

Como Benito Mussolini era conhecido, mesmo?

O condutor, nesse caso, não passa de um manipulador. Como os indivíduos foram todos incorporados pelo Estado, não há mais vontade pessoal dos homens, nem propriedade por direito privada, nem liberdade individual. Essas idéias foram eternizadas na famosa frase: “Tudo pelo Estado, nada fora do Estado” – porque o fascismo, por necessidade, é estatizante.

O duce, porém – interessantemente – não tem sua personalidade encerrada no Estado, mas está fora dele “conduzindo”. Ele é uma espécie de "iluminado" que acha que sabe melhor do que o povo o que o povo precisa. Assemelha-se muito a um certo sindicalista sem um dedo que virou presidente do Brasil e, em 2005, ignorou a vontade popular, majoritariamente contrária ao desarmamento. É como se dissesse: “O povo não sabe o que quer” [e ele, claro, como o 'ser superior' que é, vai fazer o que é melhor para o povo...].

Assim é que procede o Estado brasileiro há muito tempo (vê-se pelas leis absurdas que regulamentam a vida de todos).


O patriotismo

Fascismo não pode ser confundido com amor à pátria, à língua ou à cultura. Cícero ensina que o amor à pátria equivale ao amor devido aos pais – e chamar Cícero de fascista é, no mínimo, um anacronismo desonesto.

O amor à pátria é natural do homem e deve ser fomentado, mas isso não é papel do governo ou do Estado e sim é parte integrante da formação intelectual e cultural do homem. Claro, esse amor deve ser honesto e regido pelo bom-senso. Impedir as pessoas de incorporar em sua cultura certas características de outras culturas é cercear impropriamente as liberdades – e é isto que o fascismo faz.


Coordenadas políticas

Sendo estatizante, o fascismo é de esquerda? Sendo nacionalista é de direita?

Não e não.

Primeiro porque a dicotomia esquerda-direita não reflete a realidade. Fascismo é fascismo, é uma ideologia – e sendo ideologia deve ser descartado como inútil.

Digo-o porque ideologias não têm vínculo integral com a realidade. No site Contra os Acadêmicos há inúmeros textos explicando isso, que todos podem ler, então não serei redundante.


Resumindo

Antes de usar um termo desconhecido, tenha o mínimo de humildade e procure saber as origens desse termo. Liberte-se das amarras dicotômicas e ideológicas e pense como um ser humano decente.

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Vida e obra de São Domingos de Gusmão


Por SS o Papa Bento XVI

EM MINHA AUDIÊNCIA anterior [leia] apresentei a figura luminosa de Francisco de Assis, e hoje gostaria de vos falar de outro santo que, na mesma época, ofereceu uma contribuição fundamental para a renovação da Igreja do seu tempo. Trata-se de São Domingos, fundador da Ordem dos Pregadores, também conhecidos como Padres Pregadores.

O seu sucessor na orientação da Ordem, Beato Jordão da Saxônia, oferece um retrato completo de São Domingos no texto de uma oração famosa: “Inflamado de zelo por Deus e de ardor sobrenatural, pela tua caridade sem confins e o fervor do espírito veemente, consagraste-te inteiramente com o voto da pobreza perpétua à observância apostólica e à pregação evangélica”. É ressaltada precisamente esta característica fundamental do testemunho de Domingos: ele falava sempre com Deus e de Deus. Na vida dos santos, o amor pelo Senhor e pelo próximo, a busca da glória de Deus e da salvação das almas caminham sempre juntos.

Domingos nasceu em Caleruega, na Espanha, por volta de 1170. Pertencia a uma nobre família da Velha Castela e, ajudado por um tio sacerdote, formou-se numa célebre escola de Palência. Distinguiu-se imediatamente pelo interesse no estudo da Sagrada Escritura e pelo amor aos pobres, a tal ponto que chegou a vender os livros, que na sua época constituíam um bem de grande valor, para socorrer com o lucro as vítimas de uma carestia.

Tendo sido ordenado sacerdote, foi eleito cônego do cabido da Catedral na sua Diocese de origem, Osma. Embora essa nomeação pudesse representar para ele algum motivo de prestígio na Igreja e na sociedade, ele não a interpretou como um privilégio pessoal nem como o início de uma carreira eclesiástica brilhante, mas como um serviço a prestar com dedicação e humildade.

Não é porventura uma tentação –, a da carreira, do poder –, uma tentação da qual não estão imunes nem sequer aqueles que desempenham um papel de animação e de governo na Igreja? Recordei-o há alguns meses, durante a consagração de alguns Bispos: “Não procuremos o poder, o prestígio e a estima para nós mesmos... Sabemos como as coisas na sociedade civil e, com frequência, também na Igreja, sofrem pelo fato de que muitos deles, aos quais foi conferida uma responsabilidade, trabalham para si mesmos e não para a comunidade” (Homilia durante a Capela Papal para a Ordenação episcopal de cinco Excelentíssimos Prelados, 12 de setembro de 2009).

O Bispo de Osma, que se chamava Diogo, um pastor verdadeiro e zeloso, observou depressa as qualidades espirituais de Domingos, e quis valer-se da sua colaboração. Juntos, partiram para o Norte da Europa a fim de realizar missões diplomáticas que lhes eram confiadas pelo rei de Castela. Viajando, Domingos descobriu dois desafios enormes para a Igreja do seu tempo: a existência de povos ainda não evangelizados, nas extremidades setentrionais do continente europeu, e a laceração religiosa que debilitava a vida cristã no Sul da França, onde a ação de alguns grupos heréticos criava confusão e o afastamento da verdade da fé.

A ação missionária a favor daqueles que não conheciam a luz do Evangelho e a obra de reevangelização das comunidades cristãs tornaram-se, assim, as metas apostólicas que Domingos se propôs alcançar. O Papa, a quem o Bispo Diogo e Domingos visitaram para pedir conselho, pediu a este último que se dedicasse à pregação aos Albigenses, um grupo herético que defendia uma concepção dualista da realidade, ou seja, com dois princípios criadores igualmente poderosos, o Bem e o Mal. Por conseguinte, esse grupo desprezava a matéria como proveniente do princípio do mal, rejeitando até o matrimônio, chegando mesmo a negar a Encarnação de Cristo, os Sacramentos em que o Senhor nos “toca” através da matéria e a Ressurreição dos corpos. Os Albigenses apreciavam a vida pobre e austera – nesse sentido, eram exemplares – e criticavam a riqueza do Clero daquela época.

Domingos aceitou com entusiasmo essa missão, que realizou precisamente com o exemplo da sua existência pobre e austera, com a pregação do Evangelho e com debates públicos. A esta missão de pregar a Boa Nova ele dedicou o resto de sua vida. Os seus filhos teriam realizado inclusive os outros sonhos de São Domingos: a missão ad gentes, ou seja, àqueles que ainda não conheciam Jesus, e a missão àqueles que viviam nas cidades, sobretudo nas universitárias, onde as novas tendências intelectuais eram um desafio para a fé dos cultos.

Este grande santo recorda-nos que no coração da Igreja deve sempre arder um fogo missionário, que impele incessantemente a fazer o primeiro anúncio do Evangelho e, onde for necessário, a uma nova evangelização: com efeito, Cristo é o bem mais precioso que os homens e mulheres de todos os tempos e lugares têm o direito de conhecer e de amar! E é consolador ver que até na Igreja de hoje são muitos – pastores e fiéis leigos, membros de antigas ordens religiosas e de novos movimentos eclesiais – que com alegria despendem a sua vida por este ideal supremo: anunciar e testemunhar o Evangelho!

Depois, a Domingos de Gusmão uniram-se outros homens atraídos pela mesma aspiração. Deste modo, progressivamente, da primeira fundação de Toulouse teve origem a Ordem dos Pregadores. Com efeito, Domingos, em plena sintonia com as diretrizes dos Papas do seu tempo, Inocêncio III e Honório III, adotou a antiga Regra de Santo Agostinho, adaptando-a às exigências de vida apostólica que o levaram, bem como aos seus companheiros, a pregar, passando de um lugar para outro, mas depois voltando aos próprios conventos, lugares de estudo, oração e vida comunitária. De modo particular, Domingos quis dar relevo a dois valores considerados indispensáveis para o bom êxito da missão evangelizadora: a vida comunitária na pobreza e o estudo.

Antes de tudo, Domingos e os Padres Pregadores apresentavam-se como mendicantes, isto é, sem vastas propriedades de terrenos para administrar. Esse elemento tornava-os mais disponíveis ao estudo e à pregação itinerante, e constituía um testemunho concreto para as pessoas. O governo interno dos conventos e das províncias dominicanas estruturou-se segundo o sistema de cabidos, que elegiam os seus próprios Superiores, sucessivamente confirmados pelos Superiores maiores; portanto, uma organização que estimulava a vida fraterna e a responsabilidade de todos os membros da comunidade, exigindo fortes convicções pessoais.

A escolha desse sistema nascia precisamente do fato que os Dominicanos, como pregadores da verdade de Deus, tinham que ser coerentes com tudo quanto anunciavam. A verdade estudada e compartilhada na caridade com os irmãos constitui o fundamento mais profundo da alegria. O Beato Jordão da Saxônia diz de São Domingos: 

Ele acolhia cada homem no grande seio da caridade e, dado que amava a todos, todos o amavam. Fez para si uma lei pessoal de se alegrar com as pessoas felizes e de chorar com aqueles que choravam”.
(Libellus de principiis Ordinis Praedicatorum autore Iordano de Saxonia, ed. H. C. Scheeben [Monumenta Historica Sancti Patris Nostri Dominici, Romae, 1935])

Em segundo lugar, com um gesto intrépido, Domingos quis que seus seguidores adquirissem uma formação teológica sólida e não hesitou em enviá-los às Universidades dessa época, embora não poucos eclesiásticos vissem com desconfiança tais instituições culturais. As Constituições da Ordem dos Pregadores atribuem muita importância ao estudo como preparação para o apostolado. Domingos queria que os seus Padres se dedicassem a isto sem poupar esforços, com diligência e piedade; um estudo fundado na alma de todo o saber teológico, ou seja, na Sagrada Escritura, e respeitador das interrogações formuladas pela razão.

O desenvolvimento da cultura impõe àqueles que desempenham o ministério da Palavra, em vários níveis, que sejam bem preparados. Portanto, exorto a todos, pastores e leigos, a cultivar essa “dimensão cultural” da fé, a fim de que a beleza da verdade cristã possa ser melhor compreendida e a fé seja verdadeiramente alimentada, fortalecida e também defendida. Neste Ano sacerdotal, convido os seminaristas e os sacerdotes a estimar o valor espiritual do estudo. A qualidade do ministério sacerdotal depende também da generosidade com que [o sacerdote] se aplica ao estudo das verdades reveladas.

Domingos, que quis fundar uma Ordem religiosa de pregadores-teólogos, lembra-nos que a Teologia tem uma dimensão espiritual e pastoral, que enriquece a alma e a vida. Os presbíteros, os consagrados e também todos os fiéis podem encontrar uma profunda “alegria interior” na contemplação da beleza da verdade que vem de Deus, verdade sempre atual e viva. O lema dos Padres Pregadores – contemplata aliis tradere – ajuda-nos a descobrir, além disso, um anseio pastoral no estudo contemplativo de tal verdade, pela exigência de comunicar aos outros o fruto da própria contemplação.

Quando Domingos faleceu, em 1221 em Bolonha, cidade que o declarou padroeiro, a sua obra já tinha alcançado grande sucesso. A Ordem dos Pregadores, com o apoio da Santa Sé, difundiu-se em muitos países da Europa, em benefício da Igreja inteira. Domingos foi canonizado em 1234, e é ele mesmo que, com a sua santidade, nos indica dois meios indispensáveis a fim de que ação apostólica seja incisiva.

Em primeiro lugar, a devoção mariana, que ele cultivou com ternura e deixou como herança preciosa aos seus filhos espirituais, que na história da Igreja tiveram o grande mérito de difundir a recitação do santo Rosário, tão querida ao povo cristão e tão rica de valores evangélicos, uma autêntica escola de fé e de piedade.

Em segundo lugar, Domingos, que assumiu o cuidado de alguns mosteiros femininos na França e em Roma, acreditou até ao fundo no valor da oração de intercessão pelo bom êxito do afã apostólico. Só no Paraíso compreenderemos quão eficazmente a oração das irmãs claustrais acompanham a obra apostólica! A cada uma delas dirijo o meu pensamento grato e carinhoso.

Estimados irmãos e irmãs, a vida de Domingos de Gusmão estimule todos nós a sermos fervorosos na oração, corajosos na vivência da fé e profundamente apaixonados por Jesus Cristo! Por sua intercessão, peçamos a Deus que enriqueça sempre a Igreja com autênticos pregadores do Evangelho.

AUDIÊNCIA GERAL (quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010)


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São Francisco de Assis – o verdadeiro

COM O GRAVE ASSUNTO "eleições 2018" dominando todas as esferas, e especialmente dada a grande importância desse evento para o futuro de nosso país, deixamos passar o dia de São Francisco de Assis, 4 de outubro. Com um pouco de atraso, portanto, trazemos o belíssimo texto do papa Bento XVI sobre a vida e a obra deste verdadeiro reformador da Igreja, tão absurdamente deturpadas pela visão modernista e socializante dos nossos tempos.


Afresco de Bencivieni di Pepo (Cimabue), séc. XIII, igreja inferior de S. Francesco, Assis, Itália.

Queridos irmãos e irmãs,

Numa catequese recente já ilustrei o papel providencial que a Ordem dos Frades Menores e a Ordem dos Padres Pregadores, fundadas, respectivamente, por São Francisco de Assis e por São Domingos de Gusmão, tiveram na renovação da Igreja do seu tempo. Hoje, gostaria de vos apresentar a figura de Francisco, um autêntico “gigante” da santidade, que continua a fascinar muitíssimas pessoas de todas as idades e religiões.

“Nasceu no mundo um sol”. Com estas palavras, na Divina Comédia (Paraíso, Canto XI), o sumo poeta italiano Dante Alighieri alude ao nascimento de Francisco, ocorrido entre o final do ano 1181 e o início de 1182, em Assis. Pertencente a uma família rica – o pai era comerciante de tecidos – Francisco transcorreu uma adolescência e uma juventude tranquilas, cultivando os ideais cavalheirescos da época. Com vinte anos participou numa campanha militar, e foi aprisionado. Adoeceu e foi libertado. Depois do regresso a Assis, começou nele um lento processo de conversão espiritual, que o levou a abandonar gradualmente o estilo de vida mundano que tinha praticado até então.

Remontam a esta época os célebres episódios do encontro com o leproso, no qual Francisco, descendo do cavalo, deu-lhe o ósculo da paz, e da mensagem do Crucifixo na pequena Igreja de São Damião. Três vezes Cristo, na Cruz, ganhou vida, e disse-lhe: “Vai, Francisco, e repara a minha Igreja em ruínas”.

Este simples acontecimento da palavra do Senhor ouvida na igreja de São Damião esconde um simbolismo profundo. Imediatamente, São Francisco é chamado a reparar esta pequena igreja, mas o estado de ruínas deste edifício é símbolo da situação dramática e preocupante da própria Igreja naquele tempo, com uma fé superficial que não forma e não transforma a vida, com um clero pouco zeloso, com o refrear-se do amor; uma destruição interior da Igreja que implica também uma decomposição da unidade, com o nascimento de movimentos heréticos.

Contudo, no centro desta Igreja em ruínas está o Crucifixo e fala: chama à renovação, chama Francisco a um trabalho manual para reparar concretamente a pequena igreja de São Damião, símbolo da chamada mais profunda a renovar a própria Igreja de Cristo, com a sua radicalidade de fé e com o seu entusiasmo de amor a Cristo.

Esse acontecimento, que aconteceu provavelmente em 1205, faz pensar em outro evento semelhante que se verificou em 1207: o sonho do Papa Inocêncio III. Ele vê em sonhos que a Basílica de São João de Latrão, a igreja-mãe de todas as igrejas, está a desabar, e um religioso pequeno e insignificante ampara com os seus ombros a igreja, para que não caia. É interessante notar, por um lado, que não é o Papa quem dá ajuda para que a igreja não desabe, mas um religioso pequeno e insignificante, que o Papa reconhece em Francisco que o visita.

Inocêncio III era um Papa poderoso, de grande cultura teológica, assim como de grande poder político; contudo não é ele quem renova a Igreja, mas um religioso pequeno e insignificante: é São Francisco, chamado por Deus. Por outro lado, é importante observar que São Francisco não renova a Igreja sem ou contra o Papa, mas em comunhão com ele. As duas realidades caminham juntas: o Sucessor de Pedro, os Bispos, a Igreja fundada na sucessão dos Apóstolos e o carisma novo que o Espírito Santo cria neste momento para renovar a Igreja. Ao mesmo tempo, cresce a verdadeira renovação.

Voltemos à vida de São Francisco. Dado que o pai, Bernardone, lhe reprovava a demasiada generosidade para com os pobres, Francisco, diante do Bispo de Assis, com um gesto simbólico despojou-se das suas roupas, com a intenção de renunciar assim à herança paterna: como no momento da criação, Francisco nada possui, mas só a vida que Deus lhe doou, em cujas mãos ele se entrega. Depois, viveu como um eremita, até quando, em 1208, teve lugar outro acontecimento fundamental no itinerário da sua conversão: ouvindo um trecho do Evangelho de Mateus – o sermão de Jesus aos Apóstolos enviados em missão – Francisco sentiu-se chamado a viver na pobreza e a dedicar-se à pregação.

Outros companheiros se uniram a ele, e em 1209 veio a Roma, para submeter ao Papa Inocêncio III o projeto de uma nova forma de vida cristã. Recebeu um acolhimento paterno daquele grande Pontífice que, iluminado pelo Senhor, intuiu a origem divina do movimento suscitado por Francisco. O Pobrezinho de Assis tinha compreendido que cada carisma doado pelo Espírito Santo deve ser colocado ao serviço do Corpo de Cristo, que é a Igreja; portanto agiu sempre em plena comunhão com a autoridade eclesiástica. Na vida dos santos não há contraste entre carisma profético e carisma de governo e, se surge alguma tensão, eles sabem esperar com paciência os tempos do Espírito Santo.

Na realidade, alguns historiadores no século XIX e também no século passado procuraram criar, por detrás do Francisco da tradição, um chamado “Francisco histórico”, assim como se procura criar por detrás do Jesus dos Evangelhos, um chamado “Jesus histórico”. Este Francisco histórico não teria sido um homem de Igreja, mas um homem relacionado imediatamente só com Cristo, um homem que queria criar uma renovação do povo de Deus, sem formas canônicas nem hierarquia. A verdade é que São Francisco teve realmente uma relação muito imediata com Jesus e com a Palavra de Deus, que queria seguir sine glossa, isto é, tal qual é, em toda a sua radicalidade e verdade.

Verdade que, inicialmente, ele não tinha a intenção de criar uma Ordem com as formas canônicas necessárias, mas simplesmente desejava renovar o povo de Deus e, com a Palavra de Deus e com a Presença do Senhor, convocá-lo de novo para a escuta da mesma Palavra e para a obediência verbal a Cristo. Porém, além disso, ele sabia que Cristo nunca é “meu”, mas é sempre “nosso”, que não posso tê-lo “eu” e reconstruir “eu”, indo contra a Igreja, a sua vontade e o seu ensinamento, mas só na comunhão da Igreja construída sobre a sucessão dos Apóstolos é que se renova também a obediência à Palavra de Deus.

É também verdade que não tinha a intenção de criar uma nova ordem, mas apenas de renovar o povo de Deus para o Senhor que vem. Mas compreendeu, com sofrimento e dor, que tudo deve ter a sua ordem, que também o Direito da Igreja é necessário para dar forma à renovação, e assim inseriu-se realmente de modo total, com o coração, na comunhão da Igreja, com o Papa e com os Bispos.

Sabia Francisco, sempre, que o centro da Igreja é a Eucaristia, na qual o Corpo de Cristo e o seu Sangue se tornam presentes. Através do Sacerdócio, a Eucaristia é a Igreja. Onde caminham juntos Sacerdócio de Cristo e comunhão da Igreja, então ali habita também a Palavra de Deus. O verdadeiro Francisco histórico é o Francisco da Igreja, e precisamente deste modo fala também aos não crentes, aos fiéis de outras confissões e religiões.

Francisco e seus frades, cada vez mais numerosos, estabeleceram-se na Porciúncula, ou igreja de Santa Maria dos Anjos, lugar sagrado por excelência da espiritualidade franciscana. Também Clara, uma jovem de Assis, de família nobre, pôs-se na escola de Francisco. Assim, teve origem a Segunda Ordem franciscana, a das Clarissas, outra experiência destinada a dar frutos insignes de santidade na Igreja.

Também o sucessor de Inocêncio III, Papa Honório III, com a sua bula Cum dilecti (1218), apoiou o singular desenvolvimento dos primeiros Frades Menores, que iam abrindo as suas missões em diversos países da Europa e até em Marrocos. Em 1219, Francisco obteve a autorização para ir falar, no Egito, com o sultão muçulmano Melek-el-Kamel, para pregar também ali o Evangelho de Jesus. Desejo ressaltar este episódio da vida de São Francisco, que tem uma grande atualidade.

Numa época na qual se estava a verificar um confronto entre o Cristianismo e o Islã, Francisco, intencionalmente armado só com a sua fé e com a sua mansidão pessoal, percorreu com eficácia o caminho do diálogo. As crônicas falam-nos de um acolhimento benévolo e cordial recebido do sultão muçulmano. É um modelo no qual também hoje se deveriam inspirar as relações entre cristãos e muçulmanos: promover um diálogo na verdade, no respeito recíproco e na compreensão mútua (cf. Nostra aetate, 3). Parece que depois, em 1220, Francisco visitou a Terra Santa, lançando assim uma semente que teria dado muito fruto: de fato, os seus filhos espirituais fizeram dos lugares nos quais Jesus viveu um âmbito privilegiado da sua missão. Com gratidão, penso hoje nos grandes méritos da Custódia franciscana da Terra Santa.

Tendo regressado à Itália, Francisco entregou o governo da Ordem ao seu vigário, frei Pedro Cattani, enquanto o Papa confiou à proteção do Cardeal Ugolino, futuro Sumo Pontífice Gregório IX, a Ordem, que contava cada vez mais adeptos. Por seu lado, o Fundador, totalmente dedicado à pregação que desempenhava com grande sucesso, redigiu uma Regra, depois aprovada pelo Papa.

Em 1224, na ermida de La Verna, Francisco vê o Crucificado na forma de um serafim e, do encontro com o Serafim crucificado, recebeu os estigmas; ele torna-se assim um com Cristo Crucificado: um dom que expressa a sua íntima identificação com o Senhor.

A morte de Francisco – o seu transitus – aconteceu na noite de 3 de outubro de 1226, na Porciúncula. Depois de ter abençoado seus filhos espirituais, ele faleceu, estendido no chão nu. Dois anos mais tarde, foi construída em sua honra uma grande basílica em Assis, que ainda hoje é meta de muitíssimos peregrinos, que podem venerar o túmulo do santo e gozar da visão dos afrescos de Giotto, pintor que ilustrou de modo magnífico a vida de Francisco.

Foi dito que Francisco representa um alter Christus, que era verdadeiramente um ícone vivo de Cristo. Ele foi chamado também “o irmão de Jesus”. De fato, era este o seu ideal: ser como Jesus; contemplar o Cristo do Evangelho, amá-lo intensamente, imitar as suas virtudes. Em particular, ele quis dar um valor fundamental à pobreza interior e exterior, ensinando-a também aos filhos espirituais. A primeira bem-aventurança do Sermão da Montanha – bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus (Mt 5, 3) – encontrou uma luminosa realização na vida e nas palavras de São Francisco.

Deveras, queridos amigos, os santos são os melhores intérpretes da Bíblia; eles, encarnando na sua vida a Palavra de Deus, tornam-na atraente como nunca, de modo que fala realmente conosco. O testemunho de Francisco, que amou a pobreza para seguir Cristo com dedicação e liberdade totais, continua a ser também para nós um convite a cultivar a pobreza interior para crescer na confiança em Deus, unindo também um estilo de vida sóbrio e um desapego dos bens materiais.

Em Francisco, o amor a Cristo expressou-se de modo especial na adoração do Santíssimo Sacramento da Eucaristia. Nas Fontes franciscanas leem-se expressões comovedoras, como esta: “Toda a humanidade trema, o Universo inteiro trema e o Céu exulte, quando no Altar, na mão do sacerdote, está Cristo, o Filho do Deus vivo. Ó favor maravilhoso! Ó sublimidade humilde, que o Senhor do Universo, Deus e Filho de Deus, a tal ponto se humilhe que se esconda para a nossa salvação sob uma modesta forma de pão” (Francisco de Assis, Escritos, Editrici Franciscane, Pádua, 2002, 401).

Neste ano sacerdotal, apraz-me recordar também uma recomendação dirigida por Francisco aos sacerdotes: “Quando quiserem celebrar a Missa, puros e de modo puro, façam com reverência o verdadeiro Sacrifício do santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo” (Francisco de Assis, Escritos, 399). Francisco mostrava sempre uma grande deferência em relação aos sacerdotes, e recomendava que fossem sempre respeitados, também no caso de serem pessoalmente pouco dignos. Dava como motivação deste profundo respeito o fato de que eles receberam o dom de consagrar a Eucaristia. Queridos irmãos no sacerdócio, nunca esqueçamos este ensinamento: a santidade da Eucaristia pede que sejamos puros, que vivamos de modo coerente com o Mistério que celebramos.

Do amor a Cristo nasce o amor às pessoas e também a todas as criaturas de Deus. Eis outra característica da espiritualidade de Francisco: o sentido da fraternidade universal e o amor pela criação, que lhe inspirou o célebre Cântico das criaturas. É uma mensagem muito atual. Como recordei na minha recente Encíclica Caritas in veritate, só é sustentável um desenvolvimento que respeite a criação e que não danifique o meio ambiente (cf. nn. 48-52), e na Mensagem para o Dia Mundial da Paz deste ano ressaltei que também a construção de uma paz sólida está relacionada com o respeito da Criação. Francisco recorda-nos que na Criação se manifesta a sabedoria e a benevolência do Criador. A natureza é entendida por ele precisamente como uma linguagem na qual Deus fala conosco, na qual a realidade se torna transparente e nós podemos falar de e com Deus.

Queridos amigos, Francisco foi um grande santo e um homem jubiloso. A sua simplicidade, a sua humildade, a sua fé, o seu amor a Cristo, a sua bondade para cada homem e mulher fizeram-no feliz em todas as situações. De fato, entre a santidade e a alegria, subsiste uma relação íntima e indissolúvel. Um escritor francês disse que no mundo só existe uma tristeza: a de não ser santo, isto é, de não estar próximo de Deus. Olhando para o testemunho de São Francisco, compreendemos que é este o segredo da verdadeira felicidade: tornar-nos santos, próximos de Deus!

Que a Virgem, ternamente amada por Francisco, nos obtenha este dom. Confiemo-nos a ela com as mesmas palavras do Pobrezinho de Assis:

Santa Maria Virgem, não existe outra semelhante a ti nascida no mundo entre as mulheres, filha e escrava do altíssimo Rei e Pai celeste, Mãe do nosso santíssimo Senhor Jesus Cristo, esposa do Espírito Santo: interceda por nós... junto do teu santíssimo e dileto Filho, Senhor e Mestre!
(Francisco de Assis, Escritos, 163)


AUDIÊNCIA GERAL (quarta-feira, 27 de janeiro de 2010)

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Urgente! – Uma questão de vida ou morte

Por Dom Fernando Arêas Rifan
Bispo da administração Apostólica S. João Maria Vianney



SETE DE OUTUBRO próximo, coincidindo com a votação do primeiro turno das eleições, é o dia de Nossa Senhora do Rosário, festa estabelecida pelo Papa São Pio V como gratidão pela vitória dos cristãos, que, incentivados pelo Papa, pegaram (sim!) em armas para combater os inimigos da fé e da civilização cristãs, na batalha de Lepanto.

De 1º a 7 de outubro, a Igreja no Brasil celebra a Semana Nacional da Vida e, no dia 8 de outubro, o Dia do Nascituro, ou seja, o Dia pelo direito de nascer. “A Semana Nacional da Vida e o Dia do Nascituro são ocasiões para que toda a Igreja continue afirmando sua posição favorável à vida desde o seio materno até o seu fim natural, bem como a dignidade da mulher e a proteção das crianças” (Dom Leonardo Ulrich Steiner, secretário geral da CNBB).

Agradeçamos ao Criador pelo dom da vida que nos deu, e renovemos o nosso compromisso de lutar pela vida daqueles que, como nós também já fomos, ainda não têm voz, mas que são chamados a um dia agradecerem a Deus por tão grande dom.

Diante da atual banalização da vida e de opiniões favoráveis ao aborto, defendido por inúmeras pessoas influentes, é importante lembrar que a Igreja compreende as situações difíceis que levam mães a abortar, mas, por uma questão de princípios, defende com firmeza a vida do nascituro: 

Às vezes, temem-se para o nascituro condições de existência tais que levam a pensar que seria melhor para ele não nascer. Mas essas e outras razões semelhantes, por mais graves e dramáticas que sejam, nunca podem justificar a supressão deliberada de um ser humano inocente.
(S. João Paulo II, Evangelium Vitae n. 58) 

Que Nossa Senhora, Mãe de Deus feito homem, Jesus Cristo, nascituro em seu ventre, proteja todos os nascituros e todo o nosso Brasil. Estamos na ocasião propícia de lutarmos pela vida e de escolhermos os candidatos que são a favor da vida, contra o aborto provocado.

A Igreja não tem partido nem indica candidatos, pois quer que os católicos raciocinem e usem sua razão e consciência ao votar. Mas nos ajuda nessa reflexão, advertindo-nos em quem NÃO votar.

Por isso, seguindo a doutrina da Igreja, você não pode votar em candidatos nem em partidos que defendam, como programa, a legalização do aborto, chamado pelo nosso Papa Francisco de “nazismo de luvas brancas”. Um católico não pode apoiar esse “nazismo”, não pode votar em partidos que militam a favor da morte do nascituro através do aborto provocado.

Estou escrevendo sobre isso porque o Papa Bento XVI, alertando os Bispos a orientarem os fiéis para que não votem em candidatos que defendam o aborto, ensinou que, “quando os direitos fundamentais da pessoa e a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas”.

Assim, lembrando que amamos e respeitamos as pessoas, não as excluindo, mas não promovemos o pecado, alertamos não se pode votar em partidos ou candidatos que, de uma maneira ou outra, incentivem a prática do homossexualismo, o que é contrário ao que ensina o Catecismo da Igreja Católica nem nos que pretendem, sob o pretexto de informação, promover a erotização da infância, através de uma aberrante educação sexual, e a ideologia de gênero. Nem os que equiparam a família natural a outros tipos de união. Referindo-se a esse tema, o Papa Francisco ensina: “Dói dizer isso hoje: fala-se sobre famílias diversificadas, de diversos tipos de família. Sim, é verdade que a palavra família é análoga, e existem a família das estrelas, das árvores, dos animais..., mas a família imaginada por Deus, homem e mulher, é uma só”. Votemos, pois, em quem defende a família natural, idealizada pelo Criador.

Ficam excluídos também do voto católico os partidos e candidatos que apoiam regimes totalitários e ditatoriais, que tanto mal já fizeram e fazem ao povo, com a violação dos direitos humanos.

Além disso, a CNBB pede que votemos em candidatos que são “ficha limpa” e que reprovemos os candidatos que buscam o foro privilegiado, advertindo-nos que não devemos escolher candidatos que promovam a violência. Assim, devemos excluir da nossa escolha também os candidatos e partidos socialistas e comunistas, que apoiam o ódio e a luta de classes, base do socialismo e comunismo, meio de chegar, segundo eles, à ditatura do proletariado. Ficam assim fora todos os que promovem invasão da propriedade alheia e defendem a marginalidade violenta.

Que nessas eleições, com a consciência cristã bem orientada, possamos escolher os melhores candidatos, ou, infelizmente, os menos ruins, os que causarão menos estragos ao povo, à família sobretudo, e ao nosso país.

Rezemos a Nossa Senhora do Rosário pelo bom destino da nossa Pátria, para que tudo corra bem, ordeira e retamente.


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Sermão sobre as eleições

A Primeira Missa no Brasil, por Victor Meireles (1860)

Pelo Revmo. Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa
Capela Santa Maria das Vitórias

XIX domingo depois de Pentecostes

“Eu sou a salvação do povo, diz o Senhor, e ouvi-lo-ei, sempre que na tribulação chamar por Mim; serei o seu Senhor para sempre.”

Meus caros irmãos,

Tendo em vista o eloqüente intróito da missa de hoje, e considerando que no próximo domingo o povo brasileiro cumprirá o gravíssimo dever de escolher seus governantes, parece-me oportuno desenvolver algumas reflexões sobre política. Reflexões politicamente incorretas, digo desde logo.

Todos sabemos que, devido à decadência moral do mundo moderno, a política caiu em descrédito, perdeu seu antigo prestígio e tornou-se um tema repugnante de ser tratado.

Entretanto, nunca podemos esquecer o que disseram os grandes filósofos e os santos doutores da Igreja sobre a verdadeira política: a política é a atividade humana mais nobre que o homem pode exercer, ficando abaixo apenas do ministério sacerdotal, que se ocupa do culto divino e da salvação das almas.

É a atividade mais nobre porque é a arte de organizar a sociedade em vista do bem comum; não é a arte de negociar a própria conveniência.

Com efeito, o homem que se ocupa do bem comum desenvolve uma atividade mais nobre do que aquele que se ocupa só do bem particular.

Não é em vão que nos tempos áureos da cristandade a Igreja canonizou vários reis santos como São Luís de França, São Fernando de Castela, Santo Eduardo da Inglaterra, Santo Estevão da Hungria, Santo Henrique Imperador, ou ainda santas rainhas como Santa Isabel de Portugal e Santa Isabel da Hungria. E não é ocioso lembrar que o Divino Espírito Santo falou por meio de homens públicos, como o santo caudilho Moisés, para dar à humanidade o conhecimento dos 10 mandamentos, e de grandes reis, como Davi e Salomão, para fazer chegar até nós sua eterna sabedoria, consignada nos santos livros dos Provérbios, do Eclesiastes, do Eclesiástico, da Sabedoria e dos Salmos. Poderia ter-se servido de homens de outra categoria, mas quis servir-se de reis.

Mas por que a Igreja tem de falar de política e às vezes tem de fazê-lo do púlpito? Não seria isto profanar a santidade do púlpito? Não, porque, para um católico, a política nada mais é que a aplicação da lei do Evangelho à constituição da cidade, de modo que é natural que ela proceda do trono do Evangelho, que é o púlpito.

Não é profanar a santidade do púlpito, porque, sendo a política a arte de procurar o bem comum da cidade e sendo também a virtude moral da prudência no governo da cidade, somente a Igreja poderá, com a sua sabedoria divina e com sua experiência bimilenar, instruir seus filhos sobre o que vem a ser realmente o bem comum. Porque somente ela conhece a fundo a natureza humana.

Realmente, meus caros irmãos, quantos erros no campo da política surgiram no mundo moderno e causam a infelicidade da sociedade humana?

Assim, por exemplo, um lunático como Rousseau propagou aquele devaneio de um primitivo estado de natureza em que homem vivia feliz e solitário à sombra dos carvalhos; e segundo o mesmo lunático, a sociedade só surgiu para garantir o direito de propriedade quando um homem mais forte cercou um pedaço de terra e disse isto é meu.

Ao contrário dessa quimera tão perniciosa, Igreja nos ensina uma verdade hoje esquecida: Deus criou o homem como um ser social, para que, pela prática das virtudes na convivência com seus semelhantes, merecesse o Céu e, por isso, toda sociedade política deve organizar-se conforme a Lei de Deus.

Os falsos profetas da modernidade, porque não conhecem a natureza humana e não confiam no poder da graça divina para auxiliar o homem na prática do bem, acabaram criando o estado moderno, esse monstro que está escravizando a sociedade, destruindo a família e o próprio homem.

Esta é a triste realidade que salta aos olhos de qualquer observador. É a conseqüência das falsas doutrinas de um Maquiavel, de um Hobbes que dizia que o homem é lobo do homem ou de um Marx que dizia que a luta de classes é o motor da história.

Como vemos, meus caros irmãos, nos tempos modernos o plano maravilhoso de Deus na criação do homem como um ser social, para que fosse bom e feliz praticando as virtudes na convivência com seus irmãos, está ameaçado. Infelizmente, esses erros doutrinários encontraram adeptos até dentro da Igreja após o fracassado Vaticano II nas comunidades eclesiais de base dominadas pela teologia da libertação.

De modo que, meus caros irmãos, nos dias atribulados que vivemos hoje no Brasil devemos rezar o Salmo 17 que diz assim: “Das discórdias do povo me livrastes e me pusestes à frente das nações”, e pedir, como diz o intróito desta missa, que o Senhor seja a salvação do nosso povo, instruindo-o na escolha do único candidato à Presidência da República que defende a concepção de bem comum mais próxima do que ensina a Igreja.

Porque o bem comum não significa apenas a soma dos bens materiais de cada indivíduo, nem a sua simples organização ou distribuição entre os membros de uma sociedade. Bem comum significa todos os bens que interessam à natureza humana.

Entre esses bens os mais preciosos e hoje os mais ameaçados estão os bens morais, os valores morais, as virtudes que compete a um chefe de Estado proteger e promover, a começar pela proteção da instituição da família, santuário da vida hoje ameaçada pela cultura da morte, a começar pela família hoje destruída pela praga do divórcio e desfigurada pela apologia do homossexualismo.

Compete também a um chefe de Estado banir das escolas, com toda energia, a monstruosa ideologia do gênero que corrompe as nossas crianças.

É um grande erro o que muitos políticos e teólogos dizem hoje: é preciso respeitar a tendência homossexual. Como assim? Então vamos respeitar a tendência ao adultério e ao furto? Um homem casado que tenha tendência ao adultério enquanto não adultera não é adultero e não quer que sua tendência ao adultério seja respeitada. Um empresário que tenha tendência à ladroagem enquanto não rouba não é ladrão e não quer tampouco que sua tendência à rapina seja respeitada. Assim também alguém que tenha tendência à sodomia enquanto não comete o pecado nefando não é sodomita e não quer que a tendência à sodomia seja respeitada.

Digo tudo isto, meus caros irmãos, para que vejam o verdadeiro alcance do conceito de bem comum. Este conceito exige muito mais que a simples competência de um chefe de Estado na gestão dos recursos financeiros de uma nação.

Um chefe de Estado ou de governo tem de ter consciência de que o mais importante é preservar os fundamentos morais da sociedade. Em uma palavra, tem de estar a serviço do reinado social de Cristo.

Somente assim, pondo Deus acima de tudo e de todos, somente pondo o próprio Brasil abaixo de Deus, é que um povo, renovado em seu espírito, não dará lugar ao demônio, como diz a epístola de hoje, e se verá livre dos ladrões e terá governantes que trabalhem realmente para o bem comum em tudo o que é honesto e conforme a Lei de Deus.

Rezemos, pois, meus caros irmãos, por estes dias (até o próximo domingo), o Salmo 17 pedindo a vitória do candidato que melhor defende a verdadeira concepção de bem comum para o nosso Brasil tão enxovalhado nos últimos tempos.

Que Nossa Senhora Aparecida, rainha do Brasil, nos ajude a preservar os valores e as tradições da Terra de Santa Cruz.

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