Música Sacra, a revolução gótica

NO VÍDEO abaixo, o ator e ex-corista Simon Russel Beale empreende uma fascinante jornada musical pela velha Europa, em 600 anos de música sacra, em meio a um visual belíssimo. Eventos marcantes como o surgimento dos corais polifônicos, a construção da majestosa Catedral de Notre-Dame, a chamada renascença italiana e o rompimento de Henrique VIII com a Igreja criaram dilemas que influenciaram profundamente os compositores da época e, consequentemente, a compreensão da música como tal.


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Sinais, Gestos e Símbolos da Santa Missa


DESDE OS primeiros séculos, os cristãos sentiram a necessidade de expressar seus louvores a Deus através de gestos, símbolos e sinais, que fossem também compreensíveis a todas as pessoas. Assim, com o passar dos séculos, a Liturgia da Missa se desenvolveu e se enriqueceu. Para aproveitar as inúmeras graças concedidas durante a Santa Missa, todo fiel deve tentar conhecê-la melhor e não simplesmente repetir o que os outros fazem ou dizem, sem saber o porquê. A Missa compreendida pode ser mais amada, e muito bem amada! No entanto, ninguém ama aquilo que não conhece e, dessa forma, acaba por não se beneficiar tanto quanto poderia.


Gestos, Símbolos e Sinais

Assim como toda a nossa vida, também a Missa é formada por gestos, símbolos e sinais. São meios humanos para expressar a adoração, a reparação, o agradecimento e as súplicas que podemos elevar a Deus, além de nossas intenções pessoais. Obviamente, tudo isso possui significado específico dentro da Missa, que deve ser celebrada e assistida de maneira lúcida e não de qualquer modo; em caso contrário, perdem o seu imenso, tremendo valor. Quando fazemos algo sem saber o seu significado e o seu motivo, que valor poderá ter para Aquele a quem é dirigido? Portanto, toda Liturgia é formada por estes três elementos: Sinal, Símbolo e Gesto.



Sinais – Sinal é o que nos faz lembrar ou que representa algo, seja um fato ou um fenômeno, presente, passado ou futuro. Para deixar um exemplo vulgar, quando colocamos galhos ou ramos de árvores em uma curva na estrada, alertamos aos outros carros que pode haver um acidente ou veículo parado na estrada, logo após a curva. Podemos dizer que o sinal ou figura é sempre menor que o seu significado. Um outro e melhor exemplo de sinal, dentro do ambiente cristão, é o uso da vela: a chama de uma vela acesa pode significar a Luz Divina ou claridade da vida eterna, que nunca se acaba. Observe que ambos os exemplos, mundano e sagrado, são do conhecimento universal.



Símbolos – O símbolo, ao contrário do sinal, exige um conhecimento especial prévio. Pode não representar nada para as pessoas que não convivem num determinado meio ou não pertencem a certo ambiente. Os primeiros cristãos desenhavam cruzes e peixes nas catacumbas onde se escondiam da perseguição romana. Por que peixes? Porque a palavra "peixe", em grego (IXTUS), correspondia à abreviação da expressão "Jesus Cristo Filho de Deus Salvador".



Gestos – 
Os gestos são movimentos que fazemos com nossos braços, mãos, pés, cabeça, etc., ou, ainda, com todo o nosso corpo, e que também possuem significados. Na Missa, os gestos devem ser sinceros, pois são dirigidos ao Sagrado. E quando todos fazem o mesmo gesto, demonstra-se a unidade da comunidade. Unir as palmas das mãos durante a oração significa súplica e entrega a Deus; ajoelhar-se pode significar adoração; inclinar a fronte significa concordância; elevar as mãos pode significar louvor e/ou ação de graças. Sentar-se com o tronco ereto e o corpo voltado para o Altar significa atenção.

Quando se evoca a Presença Real de Jesus Cristo na Comunhão Eucarística, é importantíssimo que você compreenda a maravilha e a magnitude do que ocorre naquele momento: o Apóstolo São Paulo diz que quem se aproxima indignamente da sagrada Mesa, come e bebe sua própria condenação (1Cor 11, 28-29). É difícil ser mais severo do que isso, e com toda a justiça! Quando o Corpo e o Sangue de Cristo forem elevados pelo sacerdote, adore e agradeça. Aproxime-se da Sagrada Eucaristia com reverência: é Deus mesmo que você vai receber!

Antes e acima de tudo, lembre-se: você deve assistir à Santa Missa com gratidão e alegria no coração; com devoção, profundo amor e reverência. Você está participando da Renovação do Sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo para a sua salvação e de toda a humanidade. Nunca se esqueça do quão importante é isto.
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Cristianismo, capitalismo e comunismo – conclusão

SEGUE A CONTINUAÇÃO de nosso artigo em resposta à mensagem que recebemos de um leitor sobre a relação, – possível ou não, – entre a fraternidade e comum unidade entre os primeiros cristãos, conforme descrita no Livro de Atos, e as ideias socialistas/comunistas...




A utopia da igualdade

Neste ponto faz-se necessário esclarecer um outro aspecto da questão toda: porque é que afirmamos, ao longo de toda esta nossa explanação, que a proposta de igualdade do comunismo é utópica, isto é, fantasiosa, ilusória, algo que jamais foi realizado no passado (como sabemos) e que nunca será no futuro?

A pergunta pode parecer complexa, mas a resposta é simples: as coisas são assim porque os homens jamais serão iguais, simplesmente porque esta não é a Vontade de Deus.

Muitos encontram dificuldades nesta questão. Mas, sim, é a mais pura verdade teológica apresentada nos Evangelhos e na Sã Doutrina cristã da Igreja de Cristo, desde sempre. O Criador nos fez diferentes, desde o início. Somos diferentes uns dos outros desde o nascimento, e a diversidade talvez seja a maior maravilha da Criação! Não somos fabricados "em série", não somos moldados em fôrmas e nem sequer somos feitos de material genético 100% idêntico. Após décadas de incansável doutrinação marxista, as pessoas de nossos dias andam tão obcecadas pela ideia de "igualdade" que chegam ao ponto de querer igualar a dignidade e os direitos dos seres humanos com os dos animais! Nunca se ouviu tanto dizer que os cachorros são "membros da família", e o pior, não se está afirmando isso figuradamente: muita gente anda realmente igualando seus próprios filhos a cães, em todos os sentidos!

As diferenças na criação são mais do que evidentes, e as diferenças entre pessoas e pessoas são grandes, podendo ser vistas a todo momento e em toda parte. No fundo, todos sabemos e percebemos este fato inquestionável. É o cúmulo da hipocrisia “politicamente correta”, por exemplo, negar que diferentes raças humanas possuem traços genéticos característicos que as definem, e que essas características transcendem os construtos sociais ou a mera cultura adquirida. Poderíamos usar as modalidades esportivas para exemplificar esta óbvia realidade: pessoas negras têm grande e inata facilidade para toda uma gama de esportes, como o atletismo, as corridas e outras. Mas têm dificuldade para a natação (fato estudado por geneticistas respeitados: é por isso que vemos tantos atletas negros em competições de velocidade e resistência, mas praticamente nenhum nas piscinas). Estudos demonstram que o biotipo afro tem o quadril mais proeminente e, geralmente, maior força glútea do que as outras raças (o que facilita em muitos esportes), sendo que, por outro lado, por essa carga, o atleta tem mais atrito e menos flutuabilidade: mais esforço, menos rendimento.

Qualquer um que mencionar o simples fato biológico descrito acima, porém, correrá o risco de ser taxado de "preconceituoso" pela patrulha politicamente correta de plantão.

Já os asiáticos são exímios ginastas olímpicos e, via de regra, possuem aptidão para as lutas, mas não costumam se dar bem em competições de força, que, por sua vez, é uma especialidade dos europeus, e por aí se vai... Mais do que habilidade adquirida, existe uma propensão natural para tanto, uma facilidade física, uma tendência natural, uma aptidão que vem da própria genética, do biotipo, – que por sua vez é dado por Deus a cada um. – E não há nada de ruim nisso, assim como não há nada de errado ou de racista ao reconhecê-lo; pelo contrário, é uma linda arte saber usar e aprimorar ainda mais os nossos talentos individuais, com os quais nascemos.

É claro que poderíamos facilmente extrapolar a dimensão meramente física. Alguns são mais aptos para os estudos e a intelectualidade, outros para a música, outros ainda para outras artes; algumas classes de seres humanos são mais contemplativas, dadas ao silêncio e à quietude, sendo naturalmente disciplinadas, outras são mais expansivas, possuem maior tendência para as relações sociais, etc, etc, etc...

Toda a realidade que mencionamos acima, porém, vai bem além da mera questão racial. Como dissemos, todo e cada ser humano é único, e que tremenda maravilha é isto! Este que vos escreve mesmo, sempre teve facilidade para escrever, desde criança. Mesmo antes de aprender a ler, eu me entretinha por horas a fio com livros e revistas, que preferia aos brinquedos. Aprendi a falar com poucos meses, e a escrever anos antes de ir para a escola; sempre tive habilidade com as palavras. Por outro lado, sempre fui péssimo com a organização; tenho grande dificuldade em administrar o meu tempo, as minhas gavetas, a minha lista de tarefas diárias... Se não fosse minha esposa, não sei o que seria de mim!

Já meu irmão mais velho é completamente diferente: trata-se da pessoa mais organizada e disciplinada que já conheci. E ele sempre foi assim, desde criança. Observe-se bem que, aqui, a diferença não tem tanto a ver com genética, já que somos filhos da mesma mãe e do mesmo pai. Ocorre que nós, seres humanos, somos verdadeiras maravilhas da natureza, individualmente. Cada um de nós é um milagre irrepetível, constituído de um imenso universo de características únicas. Graças a Deus por isso!

Se uns têm talento para as artes, outros para as atividades físicas e outros nascem para exercer a intelectualidade, a sociedade humana precisa de todos nós, cada um com suas habilidades específicas. Alguns de nós são mais fortes, outros mais velozes, outros mais inteligentes, – observando-se neste tópico que existe toda uma gama de inteligências diferentes (lógico-matemática, musical, espacial, emocional, linguística, corporal, interpessoal, intrapessoal, etc) e todas são importantes para o indivíduo e para a coletividade. Sim, é uma verdade inegável: alguns nascem mais aptos intelectualmente, outros fisicamente, e tudo faz parte da maravilha da vida conforme criada por Deus. Não há ofensa em dizer que João é mais inteligente do que José, até porque ser mais inteligente nem sempre é ser melhor. O que diferencia os homens perante Deus é o caráter, a boa vontade, a pureza da alma.



A necessidade da hierarquia

Sempre houve hierarquia no mundo, desde o tempo das tribos errantes, e sempre haverá, porque sem isto reinaria o caos, voltaríamos à pré-Pré-História (embora os homens das cavernas já seguissem um líder); tornaríamo-nos menos até que animais irracionais, já que os bichos também têm as suas hierarquias próprias: o leão mais forte e hábil comanda o bando, o cervo mais rápido conduz os demais, o lobo mais esperto comanda a matilha. Até as formigas, abelhas e vespas têm sua rainha. – Logo, é antes de tudo uma estupidez absoluta e primária pregar a luta de classes, como se a hierarquia fosse algo ruim, como se os mais ricos fossem sempre, necessariamente, os malvados opressores, e os mais pobres fossem sempre os "coitadinhos", as eternas vítimas.

Jesus falava igualmente a todos, ricos e pobres, e tinha bons e próximos amigos ricos. Assentava-se à mesa com justos e pecadores, e também com ricos e pobres. Seu corpo santo, após o Sacrifício salvador, foi resgatado e sepultado dignamente por um homem rico e devoto.

O cristianismo não se opõe à hierarquia nem à existência das classes sociais, muito menos à propriedade privada, muito pelo contrário. No sentido contrário, é a luta contra estas coisas que define o comunismo. Quando perguntaram a Jesus se era justo pagar impostos, deram-lhe a oportunidade perfeita para esclarecer o assunto, de uma vez por todas. Se o cristianismo tivesse alguma coisa a ver com a ideologia comunista, o Senhor teria dito algo como: "Esses impostos são injustos... Vocês estão sendo explorados... Lutem por uma sociedade igualitária... Os romanos são opressores... Vós, da classe trabalhadora, são explorados..."...

Mas o que o Cristo realmente disse? “Dai a César o que é de César” (Mc 12,17). Ele não improvisou um discurso de "libertação" contra a tirania romana nem incentivou a luta armada contra os poderes temporais. Ele fez o oposto disso tudo, e disse também: "e "O meu Reino não é deste mundo" (Jo 18,36), e ainda mais: "Pobres, sempre os tereis" (Jo 12,8). Não há como negar que a pregação de Cristo é o exato oposto de tudo o que propõe o ideário marxista, e para não enxergá-lo é preciso um altíssimo grau de cegueira voluntária!

Além de tudo isto, Jesus Cristo nunca disse que no Reino de Deus todos são ou serão iguais. Ao contrário, Ele nos diz que (atenção) no Céu também há e haverá hierarquia: alguns são maiores e outros menores, assim como João Batista é "o maior entre os nascidos de mulher", porém é "menor que o menor dos habitantes do Céu" (Mt 11,11).

A Sagrada Escritura atesta também que o Arcanjo Miguel é o príncipe das milícias celestes, isto é, ele comanda outros anjos, ocupando um posto hierárquico superior ao de outros anjos ou outras classes de anjos. Neste sentido, a Teologia cristã trata não só da hierarquia dos coros dos anjos como também dos diferentes níveis do próprio Céu (biblicamente são, pelo menos, três Céus). Na parábola do banquete de casamento (Lc 14), o Senhor nos revela que alguns se assentarão mais à frente e mais próximos de Deus, e outros mais atrás, pois a cada um o Criador recompensará segundo suas obras (Rm 2 6).

Em tudo isso vemos que o próprio conceito do comunismo, – a sua ideia central, de igualdade absoluta entre todos os homens, – é contrária ao Plano divino para a sua Criação. Deus não nos fez iguais, e cabe a cada um sua dignidade própria. E ser cristão é, antes de tudo, aceitar a Vontade de Deus. De fato, a negação deste princípio básico constitui, exatamente, a essência do pecado original. Mais do que isso, podemos afirmar sem medo de errar que a essência mesma do comunismo é nada menos que diabólica, e assim o faz a santa Igreja:

Por toda a parte se faz hoje um angustioso apelo às forças morais e espirituais; e com toda a razão, porque o mal que se deve combater é antes de tudo, considerado em sua primeira origem, um mal de natureza espiritual, e desta fonte é que brotam, por uma lógica diabólica, todas as monstruosidades do comunismo.
(Divinis Redemptoris, 77)

Exagero, dirão alguns. Por que tanta cisma, porque tanta aversão ao comunismo? A resposta é elementar: renegar a Vontade de Deus e querer a igualdade foi a primeira tentação de Satanás ao homem: “Sereis iguais a Deus!”. Está aí a tentação primária, original, a quintessência do mal, que nos afasta de Deus. É por isso que todas as vezes em que o regime comunista foi implantado, como resultado, religiosos foram perseguidos, templos foram destruídos, sacerdotes foram massacrados.

O eco da voz da antiga serpente continua ecoando ainda hoje no mundo, com força sempre renovada, pois somos fracos. Queremos ser iguais, não admitimos as diferenças que Deus criou, muito menos as hierárquicas. Não admitimos que alguém saiba mais, possa mais, seja mais ou importe mais do que nós, em qualquer nível. Por isso Caim matou Abel. E quanto mais nos empenhamos em diminuir toda diferença, toda desigualdade, mais próximos estamos do sonho de Satanás de ser igual a Deus, porque no supremo delírio esta é a barreira final a ser derrubada.

Sonhamos com um mundo em que não seremos menores do que ninguém, onde poderemos olhar a todos como iguais. Um mundo onde não haverá pais e filhos, mestres e aprendizes, Criador e criaturas. Um mundo onde não há lugar para Deus. "Imagine que não há Paraíso; é fácil se você tentar; nenhum inferno abaixo de nós e acima de nós apenas o céu", cantou John Lennon. Que não exista nada maior do que eu mesmo, nada acima de mim. Recusamo-nos a reverenciar qualquer um como maior do que nós próprios, porque queremos ser os nossos próprios deuses. Mas esta não é a realidade criada por Deus, esta não é a Vontade divina. Este é o desejo primal do demônio.

Evidentemente, não estamos falando aqui sobre igualdade de oportunidades que a sociedade tem obrigação de dar, aí sim, igualmente, a todo cidadão, sem discriminação de espécie alguma. Não estamos dizendo que uns são superiores e outros inferiores em dignidade. Todo os seres humanos são igualmente dignos e amados por Deus, que saberá julgar a cada um com justiça, não por sua condição social, financeira, racial. Sem dúvida que todos merecem os mesmos direitos, o mesmo respeito e as mesmas oportunidades. Estamos falando, isto sim, de aceitar o óbvio: não somos iguais em sentido absoluto, nunca fomos e não seremos. Graças a Deus por isso!



Sobre o capitalismo, a pobreza e a prosperidade

O post sobre a declaração do cantor “Bono Vox” não elabora (e nem nós o fazemos) uma relação totalmente dependente entre religião e política. O texto não diz (e nem nós dizemos) que o cristianismo não poderia se desenvolver num regime político "A", "B" ou "C", – ainda que a História tenha deixado mais do que claro, como já vimos, que comunismo e cristianismo não se coadunam de maneira nenhuma. O que o texto diz (e aqui sim, concordamos 100% com ele) é que o dito capitalismo (um termo de cunho pejorativo criado por Karl Marx), se humanizado, ainda é o sistema que mais pode fazer pela dignidade do ser humano, pelo fim da pobreza crônica, pela amenização das desigualdades sociais. Tão doutrinados estamos pelo marxismo cultural, nas escolas e pelos veículos de comunicação de massa, que para alguns essa afirmação parece contraditória, mesmo que reflita a mais pura e simples realidade.

Eu e minha esposa trabalhamos por longa data para a Caritas Arquidiocesana de São Paulo, um organismo da Igreja responsável por captar e distribuir recursos, a nível internacional, às populações sofredoras em qualquer parte do mundo. Trabalhamos especificamente no centro de acolhida para refugiados, e pudemos compreender muito bem o caso de alguns dos países mais miseráveis do mundo, como Serra Leoa, Eritreia, Guiné Bissau, etc. Acontece que essas nações recebem todos os anos, sistematicamente, altíssimos volumes em dinheiro (estou falando de muitas centenas de milhões de dólares) dos países mais desenvolvidos, na forma de doações e ajuda humanitária, e esse tipo de ajuda vem aumentando tremendamente na última década (veja aqui).

Qual o resultado desses verdadeiros rios de dinheiro doados? Respondo: concretamente, o fato é que a miséria só aumenta. Observe-se bem que não se trata de opinião pessoal, aqui; estamos citando dados concretos e bem conhecidos (uma breve pesquisa na internet será suficiente para comprová-lo). Dado oficial: nas últimas décadas, aproximadamente 1 trilhão de dólares(!) foram transferidos de países ricos para a África, com resultados concretos iguais a zero1.

Diante de uma realidade tão clara, ver que tanta gente custa a entender o óbvio me leva a crer que há um motivo maior, um propósito divino inexorável que leva o mundo a caminhar para o abismo, porque é assim que tem que ser, ou porque ao príncipe deste mundo foi dado grande poder para produzir o caos. A verdade simples, – óbvia e auto-evidente, – é que o que aquelas pessoas, que vivem em situação de constante sofrimento e humilhação precisam é de desenvolvimento, e não de esmola; sem isso, de nada adiantará repartir as riquezas, porque isso nunca resolverá o problema.

Ainda que todos os países mais desenvolvidos do mundo abrissem mão da metade de tudo o que possuem e doassem o montante para essas nações miseráveis, em pouco tempo, os pobres estariam pobres de novo, e no mesmo intervalo as nações que antes eram mais ricas estariam novamente mais ricas. O que aconteceria é que meia dúzia de ditadores de ideologia socialista iriam se deliciar com a renda extra por alguns anos, até a fonte secar novamente. Nada mais.

Agora citamos, por exemplo (para citar um exemplo bem conhecido), o caso do empresário e apresentador de TV Sílvio Santos (Senor Abravanel): um homem que claramente recebeu um dom muito especial para produzir e administrar altos recursos, alguém que construiu um grande império praticamente a partir do nada, um empresário talentoso que iniciou sua fulgurante carreira como camelô ilegal, vendendo canetas e capinhas de plástico para título de eleitor nas ruas do centro velho de São Paulo (fugindo da fiscalização, muitas vezes perdendo todo seu investimento e recomeçando seu ‘micronegócio’ do zero). Eu estudei a vida deste verdadeiro gênio do empreendedorismo através de entrevistas e do livro de Arlindo Silva (fora de catálogo, pode ser adquirido na Estante Virtual) e posso afirmar que ainda que tirássemos deste homem, – no auge da sua forma, – tudo o que tinha, em pouquíssimo tempo ele estaria rico de novo.

Da mesma maneira, posso dizer que conheço muita gente que caminha no sentido oposto: pessoas pobres as quais, ainda que recebessem uma fortuna, em poucos anos estariam novamente falidas, dependendo da ajuda alheia. Há uma série de estudos, alguns relativamente bem conhecidos (veja aqui), que apontam que pessoas pobres que ganharam fortunas em loterias, ao redor do mundo, depois de algum tempo caíram na miséria de novo.

Não, a solução para a miséria no mundo não tem nada a ver com luta de classes, nem depende de se dividir a riqueza, como muitos ingenuamente ainda acreditam. O velhíssimo ditado continua válido, porque sempre foi verdadeiro: "Ajuda bem mais aquele que ensina a pescar do que aquele que divide o peixe".

_______________
1. GIANINI, Tatiana, "África: a ajuda não ajuda?", Website Planeta Sustentável, seção "Desenvolvimento", Editora Abril, disponível em:
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/desenvolvimento/filantropia-ajuda-africa-doacao-onu-520647.shtml
Acesso 7/5/014
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A Didaqué: a Instrução dos Apóstolos

Cristograma com Alfa e Ômega – Inscrição escavada na antiquíssima Basílica de São Lourenço Extramuros (Roma, Itália)

O DOCUMENTO conhecido como Didaqué (Διδαχń) é antiquíssimo; remonta aos tempos da primeiríssima geração da Santa Igreja. É anterior a alguns livros da própria Bíblia Sagrada, tendo sido escrito provavelmente antes do Evangelho de S. João, do Apocalipse e de algumas das epístolas.

"Didaqué"
é uma palavra grega que significa "instrução" ou "doutrina", e a obra era conhecida como "A Instrução dos Doze Apóstolos", – o que lembra muito o que diz o livro de Atos (2,42) sobre "o ensinamento dos Apóstolos". Assim como ocorre com relação a alguns livros do Novo Testamento, torna-se uma tarefa mais do que complexa precisar se a obra foi escrita diretamente por algum(ns) dos Apóstolos de Jesus ou sob a sua orientação, e se foi produzida por um só ou por vários autores.

De todo modo, trata-se indiscutivelmente de uma preciosidade documental, um conjunto de textos que nos permite um mergulho profundo no inconsciente dos primeiros seguidores de Jesus, contemporâneos dos Apóstolos e/ou de seus sucessores diretos; um olhar impressionantemente vivo e preciso sobre a maneira de ser e pensar das comunidades cristãs de dois mil anos atrás.

Atualmente, a maior parte dos estudiosos parece concordar que a obra é fruto da reunião de várias fontes escritas e/ou orais, que retratam a tradição viva das comunidades cristãs do primeiro século. Os locais mais prováveis de sua origem são a Palestina e a Síria.

A Didaqué é um manual da Religião, uma espécie de Catecismo dos primeiros cristãos: era o principal referencial escrito com que os primeiros seguidores do Cristo contavam além das Escrituras hebraicas (o conjunto organizado de livros que compõem a Bíblia Cristã, tal como a conhecemos hoje, ainda não estava completo nem definido). Esse documento, portanto, nos permite entender melhor as origens do cristianismo, nos dá uma ideia de como eram a iniciação, as celebrações, a organização e a vida das primeiras comunidades. O(s) autor(es) dirige(m) seus ensinamentos especialmente às comunidades formadas pelos primeiros convertidos, que vinham principalmente do paganismo.

O conteúdo e o estilo da Didaqué lembram imediatamente muitos textos do Antigo e do Novo Testamento, bem como outros escritos do século I dC. – O tom e os temas de muitas exortações se parecem bastante com os da literatura sapiencial e com diversos trechos dos Evangelhos canônicos. Dessa forma, esse Catecismo original é um testemunho incrivelmente preciso do modo de vida da Igreja primitiva. Entre outros elementos essenciais da fé da Igreja de sempre, o texto menciona Bispos e Diáconos, além dos Sacramentos do Batismo, da Confissão ou Penitência e da Eucaristia.

Um ponto notável é o clima de preocupação que a comunidade vive, dentro de uma sociedade estruturalmente pagã, de não se confundir com o ambiente, de não se deixar manipular por aproveitadores oportunistas disfarçados de profetas. Sente-se também uma esperança um pouco nervosa de uma escatologia (fim dos tempos) próxima. O tema da perseverança heroica no caminho da fé é outra característica marcante das comunidades nascentes, que ainda estão descobrindo a sua vocação e a sua missão no mundo.

Abaixo, disponibilizamos o conteúdo integral da Didaqué, para todos aqueles que desejam aprofundar seus conhecimentos a respeito da fé, das origens da Igreja e das raízes da verdadeira doutrina cristã. Que seja útil.



A DIDAQUÉ: A INSTRUÇÃO DOS DOZE APÓSTOLOS

"O Caminho da Vida e o caminho da morte"

Capítulo I

1 Existem dois caminhos: um da vida e outro da morte [Cf Jer 21,8; Dt 5,32s; 11,26-28; 30,15-20; Eclo 15,15-17]. A diferença entre ambos é grande.

2 O caminho da vida é, pois, o seguinte: primeiro amarás a Deus que te fez; depois a teu próximo como a ti mesmo [Cf Dt 6,5; 10,12s; Eclo 7,30; Lev 19,18; Mt 22,37]. E tudo o que não queres que seja feito a ti, não o faças a outro [Cf Mt 7,12; Lc 6,31].

3 Eis a doutrina relativa a estes mandamentos: Bendizei aqueles que vos amaldiçoam, orai por vossos inimigos, jejuai por aqueles que vos perseguem. Com efeito, que graça vós tereis, se amais os que vos amam? Não fazem os gentios o mesmo? Vós, porém, amai os que vos odeiam e não tenhais inimizade [Cf Mt 5,44s; Lc 6,27s; 6,32s].

4 Abstém-te dos prazeres carnais [Cf 1Ped 2,11]. Se alguém te bate na face direita, dá-lhe também a outra e tu serás perfeito. Se alguém te obrigar a mil (passos), anda dois mil com ele. Se alguém tomar teu manto, dá-lhe também tua túnica. Se alguém toma teus bens, não reclames, pois de todo o jeito não podes [Cf Mt 5,39ss; Lc 6,29].

5 Dá a todo aquele que te pedir, sem exigir devolução. Pois a Vontade do Pai é que se dê dos seus próprios dons. Bem-aventurado é aquele que dá conforme a lei, pois é irrepreensível. Ai daquele que toma (recebe)! Se, porém, alguém tiver necessidade de tomar (receber), é isento de culpa. Mas se não estiver em necessidade, terá que se responsabilizar pelo motivo e pelo fim por que recebeu. Colocado na prisão, ele não sairá de lá, até ter pago o último quadrante (centavo) [Mt 5,25s; Lc 12,58s].

6 Mas é verdade que a este propósito também foi dito: Que tua esmola sue em tuas mãos, até souberes a quem dar [Cf Eclo 12,1].


Capítulo II

1 O segundo mandamento da Instrução (dos Doze Apóstolos) é:

2 Não matarás, não cometerás adultério; não te entregarás à pederastia, não fornicarás, não furtarás, não exercerás magia nem bruxaria (charlatanice). Não matarás criança por aborto, nem criança já nascida; não cobiçarás os bens do próximo.

3 Não serás perjuro [Cf Mt 5,33; Ex 20,7] nem darás falso testemunho; não falarás mal do outro nem lhe guardarás rancor.

4 Não usarás de ambiguidade nem no pensamento nem na palavra, pois a duplicidade é uma trama fatal [Cf Prov 21,6].

5 Tua palavra não seja falsa, nem vã; mas, ao contrário, seja cheia de sinceridade e seriedade (comprovada pela ação).

6 Não serás cobiçoso nem rapace, nem hipócrita, nem malicioso, nem soberbo. Não nutrirás má intenção contra teu próximo [Cf Ex 20,13-17; Dt 5,17-21].

7 Não odiarás ninguém, mas repreenderás uns e rezarás por outros, e ainda amarás aos outros mais que a ti mesmo (que tua alma).


Capítulo III

1 Meu filho, evita tudo o que é mau e semelhante ao mal.

2 Não sejas odiento ou rancoroso, pois o ódio conduz à morte; nem ciumento, nem brigão ou provocador, pois de tudo isso nascem os homicidas.

3 Meu filho, não sejas cobiçoso de mulheres, pois a cobiça conduz à fornicação. Evita a obscenidade e os maus olhares, pois de tudo isto nascem os adúlteros.

4 Meu filho, não te dês à adivinhação, pois ela conduz à idolatria. Abstém-te também da encantação (feitiçaria) e da astrologia e das purificações, nem procures ver ou ouvir (entender) estas coisas, pois tudo isto origina a idolatria.

5 Meu filho, não sejas mentiroso, pois a mentira conduz ao roubo; não sejas avarento ou cobiçoso de fama, pois tudo isto origina o roubo.

6 Meu filho, não sejas furioso, pois isto conduz à blasfêmia; não sejas insolente nem malvado, pois tudo isto origina as blasfêmias.

7 Sê, antes, manso, pois os mansos possuirão a Terra [Cf Mt 5,5; Sl 31,11].

8 Sê longânime (têm grandeza de ânimo), misericordioso, sem falsidade, tranquilo e bom, e guarda com toda a reverência a instrução ouvida.

9 Não te eleves a ti mesmo e não entregues teu coração à insolência; não vivas com os "grandes" (deste mundo), mas com os justos e humildes.

10 Tu aceitarás os acontecimentos da vida como sendo bons, sabendo que a Deus nada daquilo que acontece é estranho.


Capítulo IV

1 Meu filho, lembra-te dia e noite daquele que te anuncia a Palavra de Deus e o honrarás como ao Senhor, pois onde se proclama sua Soberania aí está o Senhor presente [Cf Hb 13,7].

2 Todos os dias procurarás a companhia dos santos, para encontrar apoio em suas palavras.

3 Não causarás cismas, mas reconciliarás os que lutam entre si. Julgarás de maneira justa, sem considerar a pessoa na correção das faltas [Cf Dt 1,16s; Pr 31,9].

4 Não te demorarás em procurar o que te há de acontecer (adivinhação do futuro) ou não.

5 Não terás as mãos sempre estendidas para receber, retirando-as quando se trata de dar.

6 Se possuíres algo, graças ao trabalho de tuas mãos, dá-o em reparação por teus pecados.

7 Não hesitarás em dar e, dando, não murmurarás, pois algum dia reconhecerás quem é o verdadeiro Dispensador da Recompensa.

8 Não repelirás o indigente, mas antes repartirás tudo com teu irmão, não considerando nada como teu, pois, se divides os bens da imortalidade, quanto mais o deves fazer com os corruptíveis [Cf At 4,32; Hb 13,16].

9 Não retirarás a mão de teu filho ou de tua filha, mas desde sua juventude os instruirás no temor a Deus.

10 Não darás ordens com rancor ao teu povo ou à tua serva, que esperam no mesmo Deus que tu, para que não percam o temor de Deus que está acima de todos. Com efeito, Ele não virá chamar segundo a aparência da pessoa, mas segundo a preparação do espírito.

11 Vós, servos, sede submissos aos vossos senhores como se eles fossem uma imagem de Deus, com respeito e reverência [Cf Ef 6,1-9; Col 3,20-25].

12 Detestarás toda a hipocrisia e tudo o que é desagradável ao Senhor.

13 Não violarás os mandamentos do Senhor e guardarás o que recebeste, sem acrescentar nem tirar algo.

14 Na assembleia, confessarás tuas faltas e não entrarás em oração de má consciência. – Este é o caminho da vida.


Capítulo V

1 O caminho da morte é o seguinte: em primeiro lugar, é mau e cheio de maldições: mortes, adultérios, paixões, fornicações, roubos, idolatrias, práticas mágicas, bruxarias (necromancias), rapinagens, falsos testemunhos, hipocrisias, ambiguidades (falsidades), fraude, orgulho, maldade, arrogância, cobiça, má conversa, ciúme, insolência, extravagância, jactância, vaidade e ausência do temor de Deus;

2 Perseguidores dos bons, inimigos da verdade, amantes da mentira, ignorantes da recompensa da justiça, não-desejosos do bem nem do justo juízo, vigilantes, não pelo bem, mas pelo mal, estranhos à doçura e à paciência, amantes da vaidade, cobiçosos de retribuição, sem compaixão com os pobres, sem cuidado para com os necessitados, ignorantes de seu Criador, assassinos de crianças, destruidores da obra de Deus, desprezadores dos indigentes, opressores dos aflitos, defensores dos ricos, juízes iníquos dos pobres, pecadores sem fé nem lei. – Filho, fica longe de
tudo isso.


Capítulo VI

1 Vigia para que ninguém te afaste deste caminho da instrução, ensinando-te o que é estranho a Deus [Cf Mt 24,4].

2 Pois, se puderes portar todo o jugo do Senhor, serás perfeito; se não puderes, faze o que puderes.

3 Quanto aos alimentos, toma sobre ti o que puderes suportar, mas abstém-te completamente das carnes oferecidas aos ídolos, pois este é um culto aos deuses mortos.


"Celebração Litúrgica"

Capítulo VII

1 No que diz respeito ao batismo, batizai em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo em água corrente [Cf Mt 28,19].

2 Se não tens água corrente, batiza em outra água; se não puderes em água fria, faze-o em água quente.

3 Na falta de uma e outra, derrama três vezes água sobre a cabeça em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

4 Mas, antes do batismo, o que batiza e o que é batizado, e se outros puderem, observem um jejum; ao que é batizado, deverás impor um jejum de um ou dois dias.


Capítulo VIII

1 Vossos jejuns não tenham lugar com os hipócritas; com efeito, eles jejuam no segundo e no quinto dia da semana; vós, porém, jejuai na quarta-feira e na sexta (dia de preparação).

2 Também não rezeis como os hipócritas, mas como o Senhor mandou no seu Evangelho: Nosso Pai no Céu, que Vosso Nome seja santificado, que Vosso Reino venha, que Vossa vontade seja feita na Terra, assim como no Céu; dá-nos hoje o pão necessário (cotidiano), perdoa a nossa ofensa assim como nós perdoamos aos que nos têm ofendido e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal [Cf Mt 6,9-13; Lc 11,2-4], pois Vosso é o Poder e a Glória pelos séculos.

3 Assim rezai três vezes por dia.


Capítulo IX

1 No que concerne à Eucaristia, celebrai-a da seguinte maneira:

2 Primeiro sobre o Cálice, dizendo: Nós vos bendizemos (agradecemos), nosso Pai,
pela santa vinha de Davi, vosso servo, que vós nos revelastes por Jesus, vosso Servo; a Vós, a
Glória pelos séculos! Amém.

3 Sobre o Pão a ser quebrado: Nós vos bendizemos (agradecemos), nosso Pai, pela
Vida e pelo Conhecimento que nos revelastes por Jesus, vosso Servo; a Vós, a Glória pelos
séculos! Amém.

4 Da mesma maneira como este Pão quebrado primeiro fora semeado sobre as colinas e depois recolhido para tornar-se um, assim das extremidades da Terra seja unida a Vós vossa Igreja  em vosso Reino; pois vossa é a Glória e o Poder pelos séculos! Amém.

5 Ninguém coma nem beba de vossa Eucaristia, se não estiver batizado em Nome do Senhor. Pois a respeito dela disse o Senhor: "Não deis as coisas santas aos cães!".


Capítulo X

1 - Mas depois de saciados, bendizei (agradecei) da seguinte maneira:

2 Nós vos bendizemos (agradecemos), Pai Santo, por vosso Santo Nome, que fizestes habitar em nossos corações, e pelo conhecimento, pela fé e imortalidade que nos revelastes por Jesus, vosso Servo; a Vós, a Glória pelos séculos. Amém.

3 Vós, Senhor Todo-poderoso, criastes todas as coisas para a Glória de Vosso nome e, para o gozo deste alimento e a bebida aos filhos dos homens, a fim de que eles vos bendigam; mas a nós deste uma Comida e uma Bebida espirituais para a vida eterna por Jesus, vosso Servo.

4 Por tudo vos agradecemos, pois sois poderoso; a Vós, a Glória pelos séculos. Amém.

5 Lembrai-vos, Senhor, de vossa Igreja, para livrá-la de todo o mal e aperfeiçoá-la no vosso Amor; reuni esta Igreja santificada dos quatro ventos no vosso Reino que lhe preparaste, pois vosso é o Poder e a Glória pelos séculos. Amém.

6 Venha vossa Graça e passe este mundo! Amém. Hosana à Casa de Davi [Cf Mt 21,15]. Venha aquele que é santo! Aquele que não é (santo) faça penitência: Maranatá! [Cf 1Cor 16,22; Ap 22,20] Amém.

7 Deixai os profetas bendizer à vontade.


A Vida em comunidade

Capítulo XI

1 Se, portanto, alguém chegar a vós com instruções conformes com tudo aquilo que acima é dito, recebei-o.

2 Mas, se aquele que ensina é perverso e expõe outras doutrinas para demolir, não lhe deis atenção; se, porém, ensina para aumentar a justiça e o conhecimento do Senhor, recebei-o como o Senhor.

3 A respeito dos Apóstolos e profetas, fazei conforme os dogmas do Evangelho.

4 Todo o Apóstolo que vem a vós seja recebido como o Senhor.

5 Mas ele não deverá ficar mais que um dia, ou, se necessário, mais outro. Se ele, porém, permanecer três dias, é um falso profeta.

6 Na sua partida, o Apóstolo não leve nada, a não ser o pão necessário até a seguinte estação; se, porém, pedir dinheiro, é falso profeta.

7 E não coloqueis à prova nem julgueis um profeta em tudo que fala sob inspiração, pois todo pecado será perdoado, mas este pecado não será perdoado [Cf Mt 12,31].

8 Nem todo aquele que fala no espírito é profeta, a não ser aquele que vive como o Senhor. Na conduta de vida conhecereis, pois, o falso e o verdadeiro profeta.

9 E todo profeta que manda, sob inspiração, preparar a mesa não deve comer dela; ao contrário, é um falso profeta.

10 Todo profeta que ensina a verdade sem praticá-la é falso profeta.

11 Mas todo profeta provado (e reconhecido) como verdadeiro, representando o Mistério cósmico da Igreja, não ensinando, porém, a fazer como ele faz, não seja julgado por vós, pois ele será julgado por Deus. Assim também fizeram os antigos profetas.

12 O que disser, (supostamente) sob inspiração: "Dá-me dinheiro", ou qualquer outra coisa, não o escuteis; se, porém, pedir para outros necessitados, então ninguém o julgue.


Capítulo XII

1 Todo aquele que vem a vós, em nome do Senhor, seja acolhido. Depois de o haverdes sondado, sabereis discernir a esquerda da direita (pois tendes juízo).

2 Se o hóspede for transeunte, ajudai-o quanto possível. Não permaneça convosco senão dois ou, se for necessário, três dias.

3 Se quiser estabelecer-se convosco, tendo uma profissão, então trabalhe para o seu sustento.

4 Mas, se ele não tiver profissão, procedei conforme vosso juízo, de modo a não deixar nenhum cristão ocioso entre vós.

5 Se não quiser conformar-se com isto, é alguém que quer fazer negócios com o cristianismo. Acautelai-vos contra tal gente.


Capítulo XIII

1 Todo verdadeiro profeta que quer estabelecer-se entre vós é digno de seu alimento.

2 Do mesmo modo, também o verdadeiro mestre, como o operário, é digno de seu alimento.

3 Por isso, tomarás as primícias de todos os produtos da vindima e da eira, dos bois e das ovelhas e darás aos profetas, pois estes são os vossos grandes sacerdotes.

4 Se vós, porém, não tiverdes profeta, dai-o aos pobres.

5 Se tu fizeres pão, toma as primícias e dá-as conforme manda a lei.

6 Do mesmo modo, abrindo uma bilha de vinho ou de óleo, toma as primícias e dá-as aos profetas.

7 E toma as primícias do dinheiro, das vestes e de todas as posses e, segundo o teu juízo, dá-as conforme a lei.


Capítulo XIV

1 Reuni-vos no dia do Senhor (Domingo) para a Fração do Pão e agradecei (celebrai a Eucaristia), depois de haverdes confessado vossos pecados, para que vosso sacrifício seja puro.

2 Mas todo aquele que vive em discórdia com o outro, não se junte a vós antes de se ter se reconciliado, a fim de que vosso Sacrifício não seja profanado [Cf Mt 5,23-25].

3 Com efeito, deste Sacrifício disse o Senhor: "Em todo o lugar e em todo o tempo se me oferece um Sacrifício puro, porque sou o Grande Rei – diz o Senhor – e o meu Nome é admirável entre todos os povos" [Cf Mal 1,11-14].


Capítulo XV

1 Escolhei-vos, pois, bispos e diáconos dignos do Senhor, homens dóceis, desprendidos (altruístas), verazes e firmes, pois eles também exercerão entre vós a Liturgia dos profetas e doutores (mestres).

2 Não os desprezeis, porque eles são da mesma dignidade entre vós como os profetas e doutores.

3 Repreendei-vos mutuamente uns aos outros, não com ódio, mas na paz, como tendes no Evangelho. E ninguém fale com aquele que ofendeu o outro (próximo), nem o escute até que ele se tenha arrependido.

4 Fazei vossas preces, esmolas e todas as vossas ações como vós tendes no Evangelho de Nosso Senhor.


O Fim dos tempos

Capítulo XVI

1 Vigiai sobre vossa vida. Não deixeis apagar vossas lâmpadas nem solteis o cinto de vossos rins, mas estai preparados, pois não sabeis a hora na qual Nosso Senhor vem [Cf Mt 24,41-44; 25,13; Lc 13,35].

2 Reuni-vos frequentemente para procurar a salvação de vossas almas, pois todo o tempo de vossa fé não vos servirá de nada se no último momento não vos tiverdes tornado perfeitos.

3 Com efeito, nos últimos dias se multiplicarão os falsos profetas e os corruptores; as ovelhas se transformarão em lobos e o amor em ódio [Cf Mt 24,10-13; 7,15].

4 Com o aumento da iniquidade, os homens se odiarão, se perseguirão e se trairão mutuamente, e então aparecerá o sedutor do mundo como se fosse o filho de Deus. Ele fará milagres e prodígios e a Terra será entregue em suas mãos e ele cometerá crimes tais como jamais se viu desde o começo do mundo [Cf Mt 24,24; 2Tes 2,4-9].

5 Então toda criatura humana passará pela prova de fogo e muitos se escandalizarão e perecerão. Mas aqueles que permanecerem firmes na sua fé serão salvos por Aquele que os outros amaldiçoam [Cf Mt 24,10-13].

6 Aparecerão os sinais da verdade: primeiro o sinal da abertura no céu, depois o sinal do som da trombeta e, em terceiro lugar, a ressurreição dos mortos [Cf Mt 24,31; 1Cor 15-52; 1Tes 4,16].

7 Mas não de todos, segundo a Palavra da Escritura: O Senhor virá e todos os santos com Ele.

8 Então verá o mundo a vinda do Senhor sobre as nuvens do céu [Cf Mt 24,30; 26,64].

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Fonte:

• ALTANER, Berthold & STUIBER, Alfred. Patrologia, São Paulo: Paulinas, 1972, pp. 89/91

• DIDAQUÉ, O Catecismo Dos Primeiros Cristãos Para As Comunidade De Hoje
. São Paulo: Paulus, 1997.
ofielcatolico.com.br

Cristianismo, capitalismo e comunismo - parte 1


NOSSO HABITUAL leitor Filipe Santos enviou-nos, no post "Bono Vox, do U2: 'O capitalismo tira mais pessoas da pobreza do que doações'!", o comentário que reproduzimos abaixo, seguido de nossa resposta. Entendemos que seria importante dedicar uma postagem específica para tratar deste tema, pois a mensagem de Filipe representa uma certa linha de pensamento que é compartilhada por outros leitores. Segue:

Graça e Paz!
Discussão polêmica e extensa! Mas gostaria de dar uma contribuição singela.
Creio que o Cristianismo pode se desenvolver bem, não importa o sistema político vigente, desde que os Cristãos permaneçam fiéis. E isso é o que importa.
Acredito também que a Igreja deve viver num "Comunismo Cristão", segundo o livro de Atos:
Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam suas propriedades e bens, e dividiam o produto entre todos, segundo a necessidade de cada um. Atos 2, 44-45.
Isso é amor entre irmãos. Agora, o problema é o Comunismo Político, porque é um sistema ateu e, portanto, diabólico e que causou muitos males aos Cristãos.

Prezado Filipe, será que estou com a visão turva ou você escreveu mesmo “comunismo cristão”?! Ora, esta é uma expressão tão auto-contraditória quanto seria, por exemplo, falar em “corintiano palmeirense” ou “flamenguista vascaíno”, ou talvez numa “diária noturna” ou numa “noitada diurna”... Ou é uma coisa ou é outra, não tem como ser as duas, porque são antagônicas. Logo, sim, ao menos entre cristãos realmente comprometidos, realmente não há polêmica quanto a este assunto.

Ocorre uma evidente e recorrente confusão da parte de algumas pessoas com relação a termos como comunidade (comum unidade) e comunismo (ideologia comum, no caso, política), o que se confirma através de outras mensagens que recebemos, semelhantes à sua: o assunto é atual e premente. Tentaremos, então, lançar alguma luz sobre ele. A todo que vier a ler este artigo, instamos: leia com atenção antes de nos considerar retrógrados (o título de 'conservador' parece ser hoje mais ofensivo do que o de assassino ou o de ladrão, mas nós o ostentamos com muita honra!). Temos uma sólida convicção: não compensa ser “moderninho” ou “antenado” com o mundo moderno se não estivermos, antes de tudo, “antenados” com a Verdade. E a Verdade é a mesma ontem, hoje e eternamente (Hb 13,8).

Entrando definitivamente no assunto, antes de tudo é preciso saber que o termo comunismo tem um significado muito próprio. Os dicionários definem comunismo como (atenção) “uma doutrina ou sistema que preconiza a comunidade dos bens e a supressão da propriedade privada" (MICHAELIS, Moderno Dicionário da Língua Portuguesa – Melhoramentos) e “ideologia e doutrina política (concebida por Karl Marx) que visa a um sistema social (...) e econômico a se desenvolver a partir do socialismo (...).

Em outras palavras, o termo "comunismo" não tem o simples significado de comunidade, no sentido de grupo que compartilha bens e serviços fraternalmente. Há todo um conjunto de significados envolvidos para o termo comunismo; trata-se, exatamente isto, de uma doutrina bem específica, – ateia desde as bases, posto que é materialista em sua essência. – É por isso que, em todos os lugares onde o comunismo prevaleceu, os cristãos foram perseguidos, sacerdotes e religiosos massacrados, templos destruídos, etc.

O problema e o perigo maior provém, exatamente, dessa ideia tão romântica quanto falsa sobre comunismo; é assim também que os seus simpatizantes tendem a se fanatizar. A cena política atual de nosso país é um exemplo perfeito: o governo do PT, de ideologia declaradamente socialista, mesmo mergulhado na lama da corrupção (com fatos concretos e fartamente comprovados) e pontuado pela mais grossa incompetência, que leva a nação à ruína, conta ainda com um grande grupo de fanáticos apoiadores que se comportam como fundamentalistas religiosos, cegos por opção para a realidade e apelam para as mais esdrúxulas argumentações na defesa dos seus ídolos.

Um fanático é, basicamente, um cego (voluntário) para a realidade objetiva dos fatos. Você lhe dá, por exemplo, o Livro Negro do Comunismo nas mãos; eles leem e dizem: "Não, eu não concordo com o que aconteceu na antiga União Soviética, nem com o que acontece na China Comunista ou na Coreia do Norte... Também não acho certo o que se faz na Venezuela ou em Cuba, e muito menos quero viver em algum país comunista, mas 'eu acho' que os ideais comunistas são bons... Acho que o conceito em si é até compatível com o do cristianismo...".

Nada mais absurdo. O fato incontestável é que esse comunismo idealizado, de igualdade para todos, esse sonho quase infantil de um lugar onde todos serão iguais, onde não haverá hierarquia, em que tudo é de todos e nada pertence a ninguém, não passa de completa utopia, um delírio dourado que só tem alguma chance de se concretizar no país das maravilhas (aquele da Alice).

Ou estaremos nós sendo demasiado "chatos", azedos, negativos? Hoje em dia é tão “bacana” ser comunista, é quase que uma obrigação moral declarar-se simpático ao comunismo, que é tão moderno, tão admirável... A maioria dos nossos artistas compartilha desta ideia. E não só os artistas, como também os homens e mulheres que integram a chamada "classe falante", isto é, aqueles à frente dos veículos de comunicação. "Dá ibope" ser comunista. Tomemos o exemplo do arquiteto “comunista” Oscar Niemeyer: nada mais patético do que ver um homem que vivia numa casa cuja área construída é maior do que um quarteirão inteiro do seu bairro, um homem que colecionava automóveis de luxo e imóveis esplendorosos, que frequentava as festas e eventos da mais fina flor da sociedade, desfrutando de todo tipo de regalia que só o capitalismo pode proporcionar... Usando o bonezinho do PC do B! Aí está um legítimo representante da chamada “esquerda caviar”.

Como é fácil declarar-se "comunista" quando se tem à disposição todos os confortos, tecnologias e prazeres que só o sistema capitalista tornam possíveis. Faz lembrar o mito Che Guevara, que adorava Coca-cola e morreu com um belíssimo Rolex no pulso.

Outro fato interessante: a quase totalidade dos grupos de jovens agitadores esquerdistas que promoveram e praticaram o vandalismo nas recentes manifestações populares no Brasil, ostentando foice e martelo em nome da "revolução", era formada por filhos de empresários de classe média-alta, autênticos "filhinho(a)s de papai" que estudam nas melhores universidades particulares, ganham mesadas bem maiores que o meu salário e viajam para os EUA e Europa duas vezes por ano. Os legítimos filhos do proletariado, em sua imensa maioria, cultivam interesses bem mais condizentes com a realidade.


Uma das cenas mais ridículas dos últimos tempos: o deputado Jean Wyllys, militante dos direitos dos homossexuais, caracterizado como Che Guevara. – Parece que ninguém contou para ele que o verdadeiro Che perseguia os homossexuais, sendo que muitos deles foram mortos pela ditadura cubana ou enviados para os "UMAP", campos de concentração cubanos que de tão desumanos geraram protestos internacionais até mesmo dos próprios comunistas...

Para os nossos afetados “artistas” e comunicadores, não há maior símbolo de status social do que ter sido perseguido durante a ditadura militar. Todos eles dizem que foram perseguidos pela ditadura. Ah, a ditadura militar no Brasil! Para muitos, o regime de terror mais hediondo, a monstruosidade mais desumana que já existiu na face da Terra! – Curioso é que os mesmos sujeitos que berram tão indignados diante das quatrocentas e poucas mortes atribuídas, direta ou indiretamente, à ditadura militar no Brasil em 21 anos de existência, são fervorosos partidários de uma ideologia que gerou ditaduras como a da China (que vitimou cerca de 60 milhões de inocentes), da URSS (responsável por cerca de 20 milhões de assassinatos), de Cuba (que ceifou 100 mil vidas), – sem falar das modalidades requintadas de tortura usadas pelos comunas, – e acham tudo isso muito justo ou justificável... Parece que, para essas pessoas, assassinato se justifica quando o número das vítimas ultrapassa a casa dos seis dígitos.


O modo de vida comunitário dos primeiros cristãos

Uma pergunta sem resposta: onde e quando o comunismo deu certo, na História? E, por favor, caríssimo Filipe, não venha citar o modo de vida dos primeiros cristãos, porque esta é uma comparação completamente esdrúxula, estrambótica, estapafúrdia e o que mais começar com “es”... Mais uma vez eu preciso mencionar aquela mesma história, da qual já lhe falei tantas vezes: nós podemos usar da Escritura para justificar qualquer pensamento, qualquer ideologia ou qualquer prática política, por mais nefasta que seja. O sola scriptura permite e até favorece essas aberrações.

Ora, o modo de vida das primeiras comunidades cristãs não tem nada, absolutamente nada a ver com o comunismo, e é exatamente esse tipo de pensamento ingênuo, superficial e utópico que vem corroendo as estruturas da Igreja Católica (e também das protestantes históricas, pelo que sei) a partir de dentro, de um modo que à primeira vista pode ser imperceptível, mas que tem efeitos devastadores. Então vamos, juntos, buscar entender porque uma coisa não tem absolutamente nada a ver com a outra.

Antes de tudo, por favor, compreenda que quando tratamos do sistema social dos primeiríssimos cristãos, conforme descrito brevemente no Livro dos Atos, estamos falando de:

1) Um grupo pequeno: estamos analisando um contexto de alguns milhares de pessoas (no máximo), e, – muito importante: – pessoas fortemente unidas em torno de um mesmo ideal e de uma mesma fé, concentrados num território pequeno e bem demarcado.

a. Estes primeiros "detalhes" fazem toda a diferença! – Imagine tentar implantar este mesmo regime, por exemplo, num país pluricultural como o Brasil, de uma população de 200 milhões de habitantes espalhados por uma área de 8 515 767,049 km2! 

E só para "apimentar" ainda mais este "angu", considere que estamos falando de um povo que idolatra a figura do “malandro”, que acha lindo "ser esperto", que valoriza a tal “malemolência” do brasileiro. Responda sinceramente: você acha que haveria alguma chance (mínima que seja) de um sistema idêntico ao dos primeiros cristãos dar certo dentro desse contexto absurdamente diferente? Ou será que a corrupção da classe política (esta sim a verdadeira 'zélite' de que tanto falam nossos atuais governantes, a verdadeira 'classe opressora' dos trabalhadores) tornaria alguns milionários em detrimento de uma imensa maioria de excluídos?

b. Um sistema comunitário (comunitário, não comunista!) parece ter dado certo, por algum tempo, naquele lugar determinado, com um determinado grupo e sob condições muito, muito específicas, sendo a mais importante destas a fé comum, tendo como elemento principal a Graça santificante de Deus. Além disso, a própria Bíblia deixa transparecer que, mesmo nesse contexto infinitamente mais simples e mais propício, já aconteciam conflitos e disputas: diversas epístolas o evidenciam. Não é preciso pensar muito para notar que a comparação entre comunismo e a Igreja primitiva é, com muita boa vontade, no mínimo ingênua. No mínimo.

2) Além de tudo, os cidadãos que constituíam a Igreja primitiva eram dóceis ao poder do Estado, pois acreditavam (como ainda acreditamos hoje) que toda autoridade temporal tem origem em Deus. Os textos do Novo Testamento são claríssimos neste sentido: ninguém ali pregava a revolução, não se pensava em construir o Reino de Deus aqui na Terra, como certos “teólogos (sic) da libertação” dos nossos tempos.

3) Um outro elemento muito importante nessa história é compreender que os primeiros cristãos esperavam o retorno de Cristo para muito breve. Sabemos historicamente que alguns desses primeiros membros da Igreja não só deixaram tudo o que tinham, como também pararam de trabalhar, achando que a Parousia, – a segunda vinda do Cristo, – era para já, para as próximas semanas ou meses. O Apóstolo Pedro precisou advertir a Igreja a esse respeito, pois já havia murmuração e inquietação, visto que os dias se sucediam e nada acontecia: “Amados, não ignoreis uma coisa, que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia. O Senhor não tarda a cumprir sua Promessa, como pensam alguns, entendendo que há demora; Ele usa de paciência convosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a converter-se. Mas o dia do Senhor virá como ladrão...” (2Pd 3,8-10).

a. Este é um ponto essencial no quadro geral, que não pode ser ignorado: é bem mais fácil para alguém que acredita piamente que o Cristo está prestes a retornar, para julgar os vivos e os mortos, que venda tudo que tem e se entregue à vida comunitária, deixando tudo o que é mundano de lado, do que para alguém que não pensa deste modo.

* * *

Esclarecidos estes pontos fundamentais, busquemos compreender, através do testemunho direto da Sagrada Escritura, se há alguma possibilidade de relação harmoniosa entre as ideias comunistas marxistas-leninistas e o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Que diretivas estavam sendo transmitidas já às primeiras comunidades cristãs pelos Apóstolos? Vejamos:

Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por Ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. Porque os magistrados não são para temor quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela, visto que a autoridade é ministro de Deus para o teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada: ela é instrumento de Deus para fazer justiça e punir quem pratica o mal. É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência. Por esse motivo, também pagais tributos, porque os que governam são servidores de Deus (...). Pagai a todos o que lhe é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra. (Rm 13, 1-7)

A passagem é mais do que clara. Devemos obedecer ao governo que Deus põe sobre nós. Tudo o que esta passagem diz (assim como muitas outras) é o exato oposto do que prega a doutrina comunista revolucionária. Deus mesmo criou o governo, para estabelecer a ordem, punir o mal e promover a justiça (Gn 9,6; 1 Cor 14,33; Rm 12,8). Devemos obedecer ao governo – pagando impostos e seguindo as regras. – E se não o fizermos, estaremos demonstrando desrespeito contra Deus.

Evidentemente existem exceções, como nos casos de violência em que o governo adota medidas anticristãs e precisa ser combatido, como no caso da chamada "Guerra Cristera", no México. Por outro lado, note-se que quando o Apóstolo escreveu esse texto, ele estava sob o governo de Roma e durante o reinado de Nero, um dos mais impiedosos inimigos dos cristãos. Mesmo assim, Paulo reconhece a autoridade do governo e o coloca como regra para o cristão.

** Leia a continuação deste artigo
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Sucessão Apostólica – a lista de todos os Papas


EIS AQUI aqui uma das grandes riquezas da Santa Igreja Católica: seus dois milênios de história e parte de sua  riquíssima Tradição estão representados na lista de todos os Sumo Pontífices: todos os Papas que governaram a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, desde Pedro até hoje.

Existem vários documentos que relatam a sequência dos Papas, cujo início consta na Bíblia Sagrada (veja aqui): manuscritos antigos, livros, enciclopédias; há um farto acervo de documentos históricos que comprovam a Sucessão Apostólica; desses, podemos destacar a obra Adversus Haereses ('Contra as heresias') de Santo Irineu de Lião, escrita por volta de 180 dC. Este escrito dá um testemunho da lista dos Papas, desde o primeiro Bispo de Roma, S. Pedro, até o Bispo contemporâneo da época da obra de Santo Irineu, Santo Eleutério, que foi o 12º sucessor do Bispo de Roma. A obra Liber Pontificalis ('Livro Pontifício'), escrita no século VI, apresenta a lista desde S. Pedro até Félix II (526–530). Também os testemunhos patrísticos (primeiros padres da Igreja) confirmam a sucessão apostólica. Todos estes documentos são reconhecidos pela historiografia oficial, e mesmo a Enciclopédia Barsa, no volume 12, página 43, publicou a lista com todos os Papas, desde S. Pedro até S. João Paulo II.

Para aqueles que possam ter dúvidas, é grande o volume dos registros históricos que comprovam que a Igreja de Jesus Cristo continuou nomeando os continuadores de Pedro e dos Apóstolos, como está descrito em detalhes no Didaquê, primeiríssimo manual dos Apóstolos, escrito antes de alguns livros dos livros no Novo Testamento, inclusive o Evangelho Segundo S. João. E como pessoas de fé, é claro que não podemos nos esquecer que no Evangelho segundo S. Mateus (28,19-20) Jesus Cristo garante aos Apóstolos: "Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo".

O mundo, é óbvio, não acabou com a morte de Pedro e os Apóstolos; mas a Igreja precisaria continuar, como o Senhor profetizou, – e Ele com ela, até o fim do mundo. – Por isso tornou-se necessária a ordenação dos sucessores, novas pessoas para dar continuidade à grandiosa missão recebida pela Igreja. Pedro, líder das primeiras comunidades, precisava de um sucessor. E assim foi feito ao longo dos vinte séculos de cristianismo, com o Papa sempre como figura central da Igreja que segue o Caminho, Nosso Senhor Jesus Cristo.

A pesquisa dos escritos dos sacerdotes dos primeiros séculos da era cristã, como os de Inácio de Antioquia, Irineu de Lyon, Justino, Clemente de Roma, Agostinho e inúmeros outros, demonstra que a Igreja fundada por Cristo, da forma como narrada nos Evangelhos, já era uma instituição, que precisou ser organizada e hierarquizada desde o princípio. A Igreja pode ser definida, corretamente, de diversas maneiras, mas ela também é uma instituição, a partir de um conjunto de pessoas com um fim comum: este fim é levar a Mensagem e a Salvação do Senhor à humanidade. Religião é o conjunto organizado de princípios, ideias e orientações que corresponde à doutrina da Igreja.

Assim, o catolicismo (isto é, o cristianismo universal) é constituído de uma doutrina (a Religião) pregada por uma Igreja, que vem sendo perpetuada na Terra, conforme a profecia do Cristo, desde os tempos de Pedro: "Os portais do Inferno não prevalecerão contra ela (...) e eis que estou convosco até o fim do mundo" ((Mt 16, 18; 28,19-20). E aqui na Terra, o comandante deste Corpo, cuja Cabeça é o próprio Deus Filho, é o Papa, assumindo a missão que lhe foi confiada diretamente pelo Senhor: "Bem aventurado és tu, Simão filho de Jonas, (...) pois de agora em diante és a Pedra sobre a qual edifico a minha Igreja. (...) O que ligares na Terra será ligado no Céu, e o que desligares na Terra será desligado no Céu" (Mt 16, 18).

Pedro não viveria eternamente neste mundo, e por isso mesmo precisou ser sucedido por outro Papa. Evidentemente, esses primeiros líderes do cristianismo não foram chamados ainda de "Papas". A palavra papa, – que vem do grego pappas e significa algo como o "pai" espiritual de uma comunidade, – foi, durante vários séculos, usada para designar todos os Bispos do Ocidente: a partir de Gregório VII, no ano 1073, tornou-se de uso exclusivo para o Bispo de Roma, que sempre foi a autoridade máxima da Igreja Católica na Terra.

Uma curiosidade: o Patriarca de Alexandria, autoridade da Igreja Ortodoxa Grega, também mantém o título de "Papa" até hoje. Assim como o costume de chamar de Papa ao Sumo Pontífice, o Bispo de Roma e legítimo sucessor de Pedro, esta se tornou uma tradição que permanece até os nossos dias.

Foram 266 Papas até hoje: a lista de todos os Papas segue abaixo, em ordem cronológica. Nela não estão incluídos os chamados "anti-papas", que foram clérigos eleitos ilegitimamente no decorrer da História: nesses casos houve usurpação do cargo pontifício. A lista está organizada em ordem decrescente, isto é, do último para o primeiro Papa: de Francisco até o Apóstolo Pedro.




2013 - ... - Francisco (Jorge Mario Bergoglio)
2005 - 2013 - Bento XVI (Joseph Ratzinger)
1978 - 2005 - João Paulo II (Karol Woityla)
1978 - 1978 - João Paulo I (Albino Luciani)
1963 - 1978 - Paulo VI (Giovanni Battista Montini)
1958 - 1963 - João XXIII (Angelo Giuseppe Roncalli)
1939 - 1958 - Pio XII (Eugenio Pacelli)

1922 - 1939 - Pio XI (Achille Ratti)
1914 - 1922 - Bento XV (Giacomo Marchese della Chiesa)
1903 - 1914 - Pio X (Giuseppe Sarto)
1878 - 1903 - Leão XIII (Giocchino Vincenzo de Pecci)
1846 - 1878 - Pio IX (Giovanni Conte Mastai-Ferretti)
1831 - 1846 - Gregório XVI (Bartolomeo Cappellari)
1829 - 1830 - Pio VIII (Francesco Saverio Castiglioni)
1823 - 1829 - Leão XII (Annibale della Genga)
1800 -1823 - Pio VII (Luigi Barnaba Chiaramonti)
1775 - 1799 - Pio VI (Giovanni Angelo Conte Braschi)

1769 - 1774 - Clemente XIV (Lorenzo Ganganelli)
1758 - 1769 - Clemente XIII (Carlo Rezzonico)
1740 - 1758 - Bento XIV (Prospero Lambertini)
1730 - 1740 - Clemente XII (Lorenzo Corsini)
1724 - 1730 - Bento XIII (Pietro Francesco Orsini)
1721 - 1724 - Inocêncio XIII (Michelangelo Conti)
1700 - 1721 - Clemente XI (Giovanni Francesco Albani)
1691 - 1700 - Inocêncio XII (Antonio Pignatelli)
1689 - 1691 - Alexandre VIII (Pietro Ottoboni)
1676 - 1689 - Inocêncio XI (Benedetto Odescalchi)

1670 - 1676 - Clemente X (Emilio Altieri)
1667 - 1669 - Clemente IX (Giulio Rospigliosi)
1655 - 1667 - Alexandre VII (Fabio Chigi)
1644 - 1655 - Inocêncio X (Giambattista Pamphili)
1623 - 1644 - Urbano VIII (Maffeo Barberini)
1621 - 1623 - Gregório XV (Alessandro Ludovisi)
1605 - 1621 - Paulo V (Camillo Borghesi)
1605 - Leão XI (Alessandro Ottaviano de Medici)
1592 - 1605 - Clemente VIII (Ippolito Aldobrandini)
1591 - Inocêncio IX (Giovanni Antonio Facchinetti)

1590 - 1591 - Gregório XIV (Niccolo Sfondrati)
1590 - Urbano VII (Giambattista Castagna)
1585 - 1590 - Sisto V (Felici Peretti)
1572 - 1585 - Gregório XIII (Ugo Boncompagni)
1566 – 1572 - Pio V (Michele Ghislieri)
1559 - 1565 - Pio IV (Giovanni Angelo de Medici)
1555 - 1559 - Paulo IV (Gianpetro Caraffa)
1555 - Marcelo II (Marcelo Cervini)
1550 - 1555 - Júlio III (Giovanni Maria del Monte)
1534 - 1549 - Paulo III (Alessandro Farnese)

1523 - 1534 - Clemente VII (Giulio de Medici)
1522 - 1523 - Adriano VI (Adriano de Utrecht)
1513 - 1521 - Leão X (Giovani de Medici)
1503 - 1513 - Júlio II (Giuliano della Rovere)
1503 - Pio III (Francesco Todeschini-Piccolomini)
1492 - 1503 - Alexandre VI (Rodrigo de Bórgia
1484 - 1492 - Inocêncio VIII (Giovanni Battista Cibo)
1471 - 1484 - Sisto IV (Francesco della Rovere)
1464 - 1471 - Paulo II (Pietro Barbo)
1458 - 1464 - Pio II (Enea Silvio de Piccolomini)

1455 - 1458 Calisto III (Alfonso de Bórgia)
1447 - 1455 Nicolau V (Tomaso Parentucelli)
1431 - 1447 Eugênio IV (Gabriel Condulmer)
1417 - 1431 Martinho V (Odo Colonna)
1406 - 1417 Gregório XII (Angelo Correr)
1404 - 1406 Inocêncio VII (Cosma de Migliorati)
1389 - 1404 Bonifácio IX (Pietro Tomacelli)
1378 - 1389 Urbano VI (Bartolomeo Prignano)
1370 - 1378 Gregório XI (Pedro Rogerii)
1362 - 1370 Urbano V (Guillaume de Grimoard)

1352 - 1362 - Inocêncio VI (Etienne Aubert)
1342 - 1352 - Clemente VI (Pierre Roger de Beaufort)
1334 - 1342 - Bento XII (Jacques Fournier)
1316 - 1334 - João XXII (Jacques Duèse)
1305 - 1314 - Clemente V (Bertrand de Got)
1303 - 1304 - Bento XI (Nicolau Boccasini)
1294 - 1303 - Bonifácio VIII (Bento Gaetani)
1294 - Celestino V (Pietro del Murrone)
1288 - 1292 - Nicolau IV (Girolamo Masei de Ascoli)
1285 - 1287 - Honório IV (Giacomo Savelli)

1281 - 1285 - Martinho IV (Simão de Brion)
1277 - 1280 - Nicolau III (Giovanni Gaetano Orsini)
1276 - 1277 - João XXI (Pedro Juliani)
1276 - Adriano V (Ottobono Fieschi)
1276 - Inocêncio V (Pedro de Tarantasia)
1271 - 1276 - Gregório X (Teobaldo Visconti)
1265 - 1268 - Clemente IV (Guido Fulcodi)
1261 - 1264 - Urbano IV (Jacques Pantaleon de Troyes)
1254 - 1261 - Alexandre IV (Reinaldo, conde de Segni)
1243 - 1254 - Inocêncio IV (Sinibaldo Fieschi)

1241 - Celestino IV (Gaufredo Castiglione)
1227 - 1241 - Gregório IX (Hugo, conde de Segni)
1216 - 1227 - Honório III (Censio Savelli)
1198 - 1216 - Inocêncio III (Lotário, conde de Segni)
1191 - 1198 - Celestino III (Jacinto Borboni-Orsini)
1187 - 1191 - Clemente III (Paulo Scolari)
1187 - Gregório VIII (Alberto de Morra)
1185 - 1187 - Urbano III (Humberto Crivelli)
1181 - 1185 - Lúcio III (Ubaldo Allucingoli)
1159 - 1180 - Alexandre III (Rolando Bandinelli de Siena)

1154 - 1159 - Adriano IV (Nicolau Breakspeare)
1153 - 1154 - Anastácio IV (Conrado, Bispo de Sabina)
1145 - 1153 - Eugênio III (Bernardo Paganelli de Montemagno)
1144 - 1145 - Lúcio II (Gherardo de Caccianemici)
1143 - 1144 - Celestino II (Guido di Castello)
1130 - 1143 - Inocêncio II (Gregorio de Papareschi)
1124 - 1130 - Honório II (Lamberto dei Fagnani)
1119 - 1124 - Calisto II (Guido de Borgonha, Arcebispo de Viena)
1118 - 1119 - Gelásio II (João de Gaeta)
1099 - 1118 - Pascoal II (Rainério, monge de Cluny)

1088 - 1099 - Urbano II (Odo, Cardeal-Bispo de Óstia)
1086 - 1087 - Vítor III (Desidério, abade de Monte Cassino)
1073 - 1085 - Gregório VII (Hildebrando, monge)
1061 - 1073 - Alexandre II (Anselmo de Baggio)
1059 - 1061 - Nicolau II (Geraldo de Borgonha, Bispo de Florença)
1057 - 1058 - Estevão X (Frederico, abade de Monte Cassino)
1054 - 1057 - Vitor II (Geraldo de Borgonha, Bispo de Florença)
1049 - 1054 - Leão IX (Bruno, conde de Egisheim-Dagsburg)
1048 - Dâmaso II (Poppo, conde de Brixen)
1047 - 1048 - (Teofilato de Túsculo) - 3º Pontificado

1046 - 1047 - Clemente II (Suidgero de Morsleben)
1045 - 1046 - Gregório VI (João Graciano Pierleone)
1045 - Bento IX (Teofilato de Túsculo) - 2º Pontificado
1045 - Silvestre III, romano
1033 - 1045 - Bento IX (Teofilato de Túsculo) - 1º Pontificado
1024 - 1032 - João XIX (conde de Túsculo)
1012 - 1024 - Bento VIII (conde de Túsculo)
1009 - 1012 - Sérgio IV (Pietro Buccaporci)
1003 - 1009 - João XVIII (João Fasano de Roma)
1003 - João XVII (Giovanni Sicco)

999 - 1003 - Silvestre II (Gerberto de Aurillac)
996 - 999 - Gregório V (Bruno de Carínthia)
985 - 996 - João XV
983 - 984 - João XIV (Pedro Canipanova)
974 – 983 - Bento VII
972 – 974 - Bento VI
965 - 972 - João XIII (João de Nardi)
964 - Bento V
963 - 965 - Leão VIII
955 - 964 - João XII

946 - 955 - Agapito II
942 - 946 - Marino II (ou Martinho III)
939 - 942 - Estevão IX
936 - 939 - Leão VII
931 - 935 - João XI
928 - 931 - Estevão VIII
928 - Leão VI
914 - 928 - João X (João de Tossignano, Arcebispo de Ravena)
913 - 914 - Lando
911 - 913 - Anastácio III

904 - 911 - Sérgio III
903 - Leão V
900 - 903 - Bento IV
898 - 900 - João IX
897 - Teodoro II
897 - Romano
896 - 897 - Estevão VII
896 - Bonifácio VI
891 - 896 - Formoso
885 - 891 - Estevão VI

884 - 885 - Adriano III
882 - 884 - Marino I (ou Martinho II)
872 - 882 - João VIII
867 - 872 - Adriano II
858 - 867 - Nicolau I
855 - 858 - Bento III
847 - 855 - Leão IV
844 - 847 - Sérgio II
827 - 844 - Gregório IV
827 - Valentim

824 - 827 - Eugênio II
817 – 824 - Pascoal I
816 – 817 - Estevão V
795 – 816 - Leão III
772 – 795 - Adriano I
768 – 772 - Estevão IV
757 – 767 - Paulo I
752 – 757 - Estevão III
752 - Estevão [II] (pontificado de apenas 4 dias)
741 – 752 - Zacarias

731 – 741 - Gregório III
715 – 731 - Gregório II
708 – 715 - Constantino
708 - Sisínio
705 – 707 - João VII
701 – 705 - João VI
687 – 701 - Sérgio I
686 – 687 - Cônon
685 – 686 - João V
683 – 685 - Bento II

682 – 683 - Leão II
678 – 681 - Agatão
676 – 678 - Dono
672 – 676 - Adeodato II (ou Deusdedite II)
657 – 672 - Vitaliano
654 – 657 - Eugênio I
649 – 655 - Martinho I
642 – 649 - Teodoro I
640 – 642 - João IV
638 – 640 - Severino

625 – 638 - Honório I
619 – 625 - Bonifácio V
615 – 618 - Adeodato I (ou Deusdedite I)
608 – 615 - Bonifácio IV
606 – 607 - Bonifácio III
604 – 606 - Sabiniano
590 – 604 - Gregório I Magno
579 – 590 - Pelágio II
575 – 579 - Bento I
561 – 574 - João III

556 – 561 - Pelágio I
537 – 555 - Vigílio
536 – 537 - Silvério
535 – 536 - Agapito I (ou Agapeto)
533 – 535 - João II
530 – 532 - Bonifácio II
526 – 530 - Félix III
523 – 526 - João I
514 – 523 - Hormisdas
498 – 514 - Símaco

496 - 498 - Anastácio II
492 - 496 - Gelásio I
483 - 492 - Félix II
468 - 483 - Simplício
461 - 468 - Hilário (ou Hilaro)
440 - 461 - Leão I Magno
432 - 440 - Sisto III
422 - 432 - Celestino I
418 - 422 - Bonifácio I
417 - 418 - Zózimo

40. 402 - 417 - Inocêncio I
39. 399 - 402 - Anastácio I
38. 384 - 399 - Sirício
37. 366 - 384 - Dâmaso I
36. 352 - 366 - Libério
35. 337 - 352 - Júlio I
34. 336 - Marcos
33. 314 - 335 - Silvestre I
32. 310 - 314 - Melcíades
31. 309 - 310 - Eusébio

30. 307 - 309 - Marcelo I
29. 296 - 304 - Marcelino
28. 282 - 296 - Caio
27. 274 - 282 - Eutiquiano
26. 268 - 274 - Félix I
25. 260 - 268 - Dionísio
24. 257 - 258 - Sisto II
23. 254 - 257 - Estevão I
22. 253 - 254 - Lúcio I
21. 251 - 253 - Cornélio

20. 236 - 250 - Fabiano
19. 235 - 236 - Antero
18. 230 - 235 - Ponciano
17. 222 - 230 - Urbano I
16. 217 - 222 - Calisto I
15. 199 - 217 - Zeferino
14. 189 - 199 - Vítor I
13. 174 - 189 - Eleutério
12. 166 - 174 - Sotero
11. 154 - 165 - Aniceto

10. 143 - 154 - Pio I
9. 138 - 142 - Higino
8. 125 - 138 - Telésforo
7. 116 - 125 - Sisto I
6. 107 - 116 - Alexandre I
5. 101 - 107 - Evaristo
4. 90 - 101 - Clemente I
3. 79 - 90 - Anacleto (ou Cleto)
2. 64 - 79 - Lino
1. 33-64 - Pedro Apóstolo


___________
Fontes e referência bibliográfica:
• HACKMANN, Geraldo Luiz Borges. A Amada Igreja de Jesus Cristo - Manual de Eclesiologia como Comunhão Orgânica, Porto Alegre: PUC-RS, 2003.

• BATTISTINI, Frei. A Igreja do Deus Vivo - Curso Bíblico Popular Sobre a Verdadeira Igreja. São Paulo: Vozes, 2010.
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