Caminhos do estudante

Autobiográfico por Igor Andrade – Frat. São Próspero



COMO MUITOS, vim à Verdadeira Fé pelo trabalho de algum apostolado – no meu caso, sou fruto do trabalho do Padre Paulo Ricardo. Dele passei a outras fontes de conhecimento: Olavo de Carvalho, movimento monarquista, Thomas Woods, Felipe Aquino, Jason Evert, Scott Hahn, Ayn Rand, Luis F. Pondé, Chesterton e diversos “tutoriais” de Youtube.

Caíram-me as escamas dos olhos. Finalmente descobrira um conhecimento alcançável por vias além da televisão, da escola e do senhor meu pai.

Contudo, como todo bom adolescente “de direita” – como odeio este termo hoje em dia! – Fechei-me nisto. Tinha uns 15 anos.

Algo fez com que, certo dia, de passagem por uma livraria católica – não posso deixar de lembrar o quão encantado ficava ao entrar naquele lugar, embora hoje eu saiba que, de todo aquele acervo, quase nada se aproveita –, tomei todo o dinheiro de que dispunha (dez reais) para comprar um livro que mudaria minha vida: A Vida e os Milagres de São Bento, escrito por São Leão Magno.

– Que interessante, na Igreja há um grupo chamado “monges”, pensava que isso era coisa de budista. Aquela história mística me encantou. Ao mesmo tempo, eu fazia um curso de Teodicéia do Padre Paulo Ricardo – além de querer conhecer o desconhecido, eu, honestamente, queria calar a boca de um “ateu” de 15 anos que me importunava na escola –, onde ele falava muito a palavra “filosofia” e citava muito um tal de Santo Agostinho, bispo de Hipona e autor de "Confissões". Novamente, juntei todo o dinheiro de que dispunha (dezessete reais) e adquiri o tal livro do tal santo.

Foi o primeiro livro de filosofia que li. Boquiaberto a cada página que lia, decidi: vou estudar filosofia, vou ser filósofo e vou ensinar isso aos outros.

– Pai, o que é um filósofo?

– Ah, é alguém que filosofa.

– Ah... pai, o que é filosofar?

– Não sei, deve ser isso que você está fazendo. Agora me passa o tijolo.

Depois deste profundo e clarificante diálogo, descobri que havia uma ordem de São Bento em São Paulo, visitei o mosteiro com dois amigos e – pasmem – eles tinham uma faculdade de filosofia!

– Bom, vou terminar o ensino médio, cursar direito para ganhar dinheiro e depois vou estudar essa filosofia – pensava cá com meus botões.

Porém, Angélica, minha professora de biologia, em sua primeira aula disse que não valia a pena estudar algo por dinheiro e não por gosto, pois isto nos converteria em péssimos profissionais. Mudei de idéia: estudaria filosofia de cara.

– E então, decidiu o que vai cursar na faculdade?

– Sim, pai. Vou estudar filosofia.

Uma freada brusca me fez entender: era provável que meu pai tinha em mente algo como “engenharia”.

– Tem certeza?

– Sim.

A partir do dia seguinte, meu pai converteu-se em meu maior apoio. Na época de começar a faculdade, mais dificuldades financeiras apareceram, mas a Providência Divina e a fé do provedor da família me encaminharam aos estudos e cuidaram de tudo.

Naquela instituição conheci muita coisa, principalmente a maldade humana.

Somente depois de findado o curso, as coisas se me apresentaram claras. Finalmente consegui entender a importância da boa relação entre mestre e discípulo. Finalmente fui grato à minha professora da pré-escola que me permitiu decorar o abecedário aos 5 anos (lembro-me como se fosse hoje: cheguei em casa feliz da vida e fiz minha mãe ligar pra uma tia, para quem recitei todas as letras em ordem); fui grato às minhas professoras do ensino fundamental que me ensinaram matemática, história, gramática, entre outras coisas; fui grato aos professores do Ensino médio que me ensinaram a estudar, sobretudo a uma professora comunista que me odiava, mas me ensinou a escrever – estruturar as idéias de modo que o leitor melhor pudesse compreender.

Estudei em escola pública desde o primeiro governo Lula, minha educação não foi das melhores, mas foi suficiente para que eu, às apalpadelas, encontrasse a saída do labirinto.

Na escola pública aprendi muito do que não devia também: o que é sexo e como acontece a fecundação do óvulo (podem me dizer que isto é importante e deve ser aprendido. Concordo, mas não pra uma criança de 5 anos e sem o acompanhamento dos pais!); aprendi o que é ser injusto e o que é ser vingativo, o que é não se encaixar nos grupelhos, o que é diferença social, o que é preconceito, o que é despotismo, entre outras coisas.

Na faculdade conheci o pior lado dos católicos. Escândalos, boicotes, perseguições, legalismo, catolicismo burguês... a Teologia da Libertação me pareceu brincadeira de criança frente ao ódio velado dos católicos “conservadores”.

Finalmente, vi sentido nos versos de Guerra Junqueiro:

Ó Jesuítas, vós sois dum faro tão astuto,
Tendes tal corrupção e tal velhacaria,
Que é incrível até que o Filho de Maria
Não seja inda velhaco e não seja corrupto,
Andando há tanto tempo em tão má companhia.

E nas demais críticas ao clero (como o genial Auto da Compadecida). Mas nem tudo foram trevas, só a maior parte. Consegui bom amigos, dentre eles, o Henrique Sebastião, que, por algum motivo, viu talento na minha escrita.

“É no fogo que o ouro e a prata são provados”, dizem as Escrituras – e de fato é assim. Também é no sofrimento, nas perseguições e nas dificuldades que descobrimos bons amigos – “quem encontrou um amigo, encontrou um tesouro”, diz ainda a Palavra Santa.

Descobri bons amigos quando me faltou dinheiro para a passagem de ônibus, quando brigaram na faculdade para defender minha inocência frente A falsas acusações vindas de “bons católicos”, quando me faltavam cigarros e o dinheiro do café, quando fiquei doente de estresse e ódio, quando precisei de um ombro pra chorar minhas mágoas, quando viram talento em mim e me motivaram e quando tive que fazer tudo isso também por eles.

O Henrique pediu que eu escrevesse falando um pouco da minha trajetória de estudos. Bom, ela ainda não acabou, mas creio que, por hora, está suficiente.

Termino com isto: de nada adianta “lutar pela verdade, pelos valores, pelas virtudes” e outras abstrações se você fere e mata o irmão que está a seu lado, se você é injusto, se faz tráfico de influência, em suma, se você é uma péssima pessoa.

Cresci muito na Academia, aprendi muita coisa, mas lá é lugar de louco. Enquanto houver pessoas que não valem o feijão que comem (na maioria das vezes, que não valem o caviar que comem), precisamos combatê-los, sobretudo, não os respeitando.


* * *

Pedi ao meu irmão em Cristo, colaborador e bom amigo Igor que produzisse um artigo sobre sua trajetória como estudante de Filosofia até aqui, porque ontem mesmo (27/6/2018) ele apresentou o seu Trabalho de Conclusão de Curso para sua graduação em Filosofia, no desfecho de uma longa trajetória de lutas e dificuldades, que acompanhei de perto e de longe.

Conheci esse verdadeiro guerreiro de Cristo muito jovem, ainda na transição para a sua maioridade, na sala do primeiro ano de Filosofia do Mosteiro de São Bento, sob a tutela de professores como Joel Gracioso e Franklin Leopoldo e Silva, quando integramos o mesmo grupo – pela Graça de Deus estudamos juntos, eu, ele, Guilherme Freire, Moisés Lima, Thiago Gherman e outros bons católicos. De imediato, logo em nossa primeira conversa, fui surpreendido por sua maturidade, virilidade, honestidade e fé genuína – virtudes nada fáceis de encontrar nos homens da sua geração. 

Meu faro de "leão velho" detectou instantaneamente, por detrás da magreza e das feições então ainda suaves, um potencial tremendo e um talento singular em pleno desabrochar, no bom caráter de um autêntico fiel católico. Convidei-o a produzir um texto para a revista O FIEL CATÓLICO, que na época ainda era impressa e distribuída pela paróquia Nossa Senhora do Brasil. E ainda naquele mesmo dia, recebi um artigo sobre ideologia de gênero que superou abundantemente todas as minhas expectativas. O "menino" produzira um texto simplesmente escorreito: uma exposição didática, equilibrada e de agradável leitura, sem uma vírgula sequer fora de lugar! Comentei com minha esposa que conhecera um guri de 18 que escrevia como um ancião de mais de 60...

Este foi o início de uma amizade que, espero, perdure até o nosso ingresso na Pátria Celeste, se nosso bom Deus assim quiser. Lembro-me do dia em que, nos corredores do Mosteiro, discutíamos a escolha do nome de nossa fraternidade católica, e dos tantos pensamentos que compartilhamos. Ontem, algumas horas depois de rezar pelo seu bom êxito, soube que obtivera nota máxima e conquistado sua merecidíssima graduação. Deus vos salve, nobre Igor Andrade, e a Santíssima Virgem vele pela sua vida até a hora final!

Henrique Sebastião


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Impressos redentoristas promovem o marxismo e o movimento 'LGBT' em paróquias






CHEGOU-NOS A DENÚNCIA de que em algumas paróquias católicas de Teresina, PI, estão sendo distribuídos, aos paroquianos e ao povo em geral, jornais ou informativos redentoristas da vice-província de Fortaleza (são postos também junto aos folhetos de Missa) com conteúdos de forte e descarada apologia da famigerada "'teologia' da libertação" – a pior de todas as heresias da história da Igreja, segundo Bento XVI. 

Sobre essa moderna heresia de teor marxista, que impactou profunda e especialmente toda a América Latina e já fora combatida por muitos padres, teólogos e pensadores verdadeiramente católicos e também por todos os Papas desde o seu surgimento, aconselhamos a leitura do magistral documento do cardeal Ratzinger "Eu vos explico a 'teologia' da libertação" (leia) e a série de conferências do padre Paulo Ricardo de Azevedo Jr. intitulada "Revolução e marxismo cultural" (assista).

Sim, os informativos em questão trazem explícito conteúdo ideológico marxista, com uma coletânea de discursos de teor abertamente político partidário e até a apologia do movimento "LGBT". Entre artigos quase inacreditáveis pelo anticatolicismo, insensatez e irreverência para com o Sagrado, um traz o título: "A Paixão de Cristo na paixão dos LGBT (!)"; outro compara, abertamente e sem rodeios, Karl Marx a Jesus Cristo (!!). Mais ainda, os textos contém inúmeras nuances heréticas, defendidas como se fossem parte da Doutrina da Igreja. 

Seguindo fielmente a tradição marxista, tais conteúdos apresentam mentiras como verdades, enquanto que as autênticas verdades da fé cristã são cuidadosamente omitidas ou disfarçadas. Não se menciona, é claro, a absoluta incompatibilidade entre a doutrina marxista e o Evangelho de Nosso Senhor, que levou Papas a publicarem documentos contra o comunismo e até a decretar a excomunhão latæ sententiæ a quem o promove; menos ainda se fala das constantes zombarias e gravíssimas profanações promovidas pelo movimento LGBT à Igreja, aos símbolos sagrados católicos e à fé cristã como um todo.

Nada disso, porém, causa espanto em quem já se acostumou com o teor das postagens no site dos mesmos redentoristas de Fortaleza (veja). Enojam, sim, aos verdadeiros fiéis católicos, mas já não causam espanto, pois o descalabro se tornou uma pavorosa rotina. Como simplesmente aceitar que tais religiosos sigam proclamando livremente a doutrina comunista, enquanto que gozam de plena comunhão com Roma, ao contrário do que ocorre, por exemplo, com os fidelíssimos padres da FSSPX, punidos pelo amor à Tradição e à Liturgia? A resposta é, no mínimo, difícil.

Víboras, cada vez mais numerosas e mais audaciosas, invadiram a Santa Igreja, tomaram os espaços, conquistaram cargos importantes – de comando – na Casa de Deus. Agora estão tomando decisões, ditando regras, controlando seminários, colégios, paróquias, dioceses inteiras. Trabalham unidos, organizada e incessantemente, com inteligência, pois os seus movimentos são orquestrados pela antiga Serpente. Inoculam sua peçonha em pobres vítimas desavisadas, que vão às igrejas com a reta intenção de guardar o preceito da Missa dominical, que procuram a Celebração Eucarística para adorar, prestar culto de ação de graças, obter a reparação dos pecados cometidos e pedir as graças de que necessitam. Mas encontram ambões transformados em palanques de políticos imundos, dissimulados, criminosos, promotores do aborto, do homossexualismo, da prostituição, da mentira e de tudo o mais que vai contra a vontade de Deus para os seres humanos. 

Eu soube de um lobo vestido de cordeiro que foi levar a sagrada e preciosa Eucaristia e um desses políticos malditos, inimigos de Cristo, lá na prisão onde se encontra justamente encarcerado, tratando-o como se fosse um mártir, um santo, um paladino da justiça. Suprema profanação do Corpo de Cristo. O fato é que certos servos do diabo travestidos de religiosos e sacerdotes não amam a Igreja; na realidade, é claro como água que a odeiam, e a odeiam com todas as suas forças, porque a Igreja Corpo de Cristo representa a virtude, o bem e o belo no meio do mundo, e eles amam seus vícios, o mal e a fealdade. O Senhor Jesus pede sacrifício, mas eles sequer possuem a honestidade necessária para considerar tal coisa; querem poder continuar dando vazão aos seus prazeres imorais livremente, entregar-se aos seus pecados sem culpa, chafurdar na lama sem se preocupar com o castigo divino.

Não querem saber do Cristo que é a Verdade, por isso construíram um espantalho com vestidos de revolucionário e o puseram em seu lugar. Pior, já nem temem a luz: o que fazem é escancarado, jogam-nos nas faces suas blasfêmias e imundícies. E riem.

Já conheço dignos padres (evidentemente não citarei nomes) que chegaram a me aconselhar não participar de certas celebrações da Missa que mais se traduzem em agravos a Nosso Senhor do que na renovação do Sacrifício do Calvário. Entre participar de uma verdadeira profanação e rezar em casa, no secreto do lar, talvez seja melhor mesmo a segunda opção. Quem vive nos grandes centros tem ainda a possibilidade de procurar os poucos lugares onde melhor se celebre. E quem não possui tal acesso? Estamos diante de um imenso rebanho de ovelhas sem pastor, como disse Nosso Senhor (Mc 6,34).

Mas o Senhor diz também: "Minha é a vingança" (Rm 12,19). Tenhamos bom ânimo! Ele, que expulsou os vendilhões do Templo, já venceu o mundo (Jo 16,33) e virá, para os que têm fome e sede de justiça (Mt 5, 6); no fim, cada um de nós terá que se apresentar diante d'Ele e prestar contas. Pela fé, sabemos que aqueles que perseverarem até o fim –, em meio a toda a apavorante tempestade –, serão salvos (Mt24,13). Vele por nós a Santíssima Virgem!

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Henrique Sebastião
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Liberdade, fé e esforço humano

A liberdade consiste não em fazer o que gostamos, mas em poder fazer o que devemos. E não há mal a ser enfrentado que Cristo não enfrente conosco. Não há inimigo que Cristo ainda não tenha conquistado; não há cruz que Cristo não tenha suportado por nós, e que não suporte agora, conosco.
São João Paulo II

À MEDIDA EM QUE AVANÇA em sua jornada de fé, construindo uma base firme em Cristo, ajudando outros católicos e fazendo de si mesmo o melhor católico possível, você vai achar necessário eliminar certos espinhos que teimam em crescer no seu caminho e ameaçam sufocar o seu progresso espiritual.

Todos nós temos nossos conjuntos próprios de pecados, fraquezas, maus hábitos, tentações nas quais sempre recaímos... São como agudos espinhos, que só podem ser eliminados com a Graça de Deus e nossa diligência, persistência e disciplina. 

Na Parábola do Semeador (Mc 4,1-20), o Cristo compara a humanidade a um campo fértil, e o Evangelho às sementes: uns ignoram a Mensagem, outros ficam entusiasmados de início, mas logo sua fé “seca”. Outros têm a fé, mas é sufocada justamente por esses espinhos, que são as tentações do mundo.

Algumas sementes, porém, caem em terra boa e dão muitos frutos. Para crescer em santidade, a alma precisa de um bom solo e de raízes firmes, e a melhor maneira de os adquirir é através da assistência frequente à Santa Missa, da participação contínua nos Sacramentos, da oração regular... E também do interesse em aprender cada vez mais sobre as coisas da fé – que pressupõe o estudo mais e mais aprofundado das coisas santas, porque “só se ama o que se conhece”. 

Por essa razão é que trabalhamos, com muita humildade, na esperança de que nossos esforços possam ser úteis no seu processo de crescimento na fé e na construção de sua sólida base em Cristo.

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40 Hóstias Consagradas são encontradas intactas na igreja destruída por terremoto há mais de um ano e meio

EM NOSSOS TEMPOS, até por uma questão de humanidade, somos forçados a reconhecer que é cada vez mais difícil perseverar na autêntica fé cristã e católica. Como perseverar diante de um mundo cada vez mais relativista, hedonista, violento, insano? Como perseverar, quando tantos membros do próprio clero, que deveriam nos dar o exemplo, avançam cada vez mais em sentido contrário? Quando os fiéis a Cristo e à Tradição da Igreja são perseguidos, dentro da própria Igreja, e aqueles que chafurdam em erro são premiados?


As ruínas de Arquata del Tronto após o terremoto [imagem de 2/11/2016]

Ainda assim, nesses momentos difíceis, somos brindados com sinais que confirmam e fortalecem a nossa fé. Parece ser este o caso ocorrido na igreja de Santa Maria Assunta, cidade de Arquata, Itália, que foi destruída pelo terremoto de novembro de 2016.

Tudo desabou e os restos daquele templo, inclusive obras de arte de valor inestimável, foram dados por perdidos, conforme noticiou o jornal italiano Avvenire.

Mais de um ano e meio depois da calamidade, uma equipe de 'carabinieri', grupo italiano especializado na preservação dos bens culturais, comunicou que havia resgatado o Tabernáculo e o conservava em custódia, e que queria restitui-lo à diocese.

Aconteceu então a surpresa que evocou o Milagre Eucarístico de Siena, ocorrido no ano 1730. Dentro do Tabernáculo do século XVI, encontraram a píxide bem fechada, embora derrubada, e  dentro desta quarenta Hóstias perfeitamente conservadas.

Havia se passado dezesseis meses de completo abandono, mas estavam as Hóstias inacreditavelmente íntegras, sem nenhum sinal de mofo ou alteração de espécie alguma. “Percebia-se ainda o aroma característico de hóstias novas. É como se Jesus tivesse sido engolido pelo terremoto e saído vivo dentre as ruínas”, comentou o bispo de Ascoli Piceno, diocese da paróquia.



O Pe. Angelo Ciancotti, que foi o primeiro em ter a píxide em mãos, foi às lágrimas. Ele tinha promovido tentativas de recuperação só agora efetivadas, retirando o tabernáculo todo marcado pelos choques de detritos e coberto de pó.

As chaves não deveriam servir mais. Pe. Angelo, porém, havia conservado uma na esperança de voltar a abrir a "Casa de Jesus". E essa funcionou imediatamente. “Na primeira tentativa, o Tabernáculo abriu", conta ele. "A píxide estava deitada, mas fechada. Nela, o Corpo de Cristo, após um ano e meio enterrado, estava perfeito, do ponto de vista da cor, da forma e do odor".

“Não havia nenhuma bactéria ou mofo aparece em qualquer hóstia (não consagrada) depois de semanas enclausurada. Ao contrário, após um ano e meio, aquelas pareciam ter sido feitas um dia antes”. Uma profunda sensação tomou conta das testemunhas: “Ele está presente!”.

O terremoto – que à época noticiamos por aqui – teve uma magnitude de 6.6 no local e atingiu a região de Arquata del Tronto e adjacências no dia 30 de outubro de 2016, causando grandes danos. A basílica de Núrsia, erigida no local onde nasceu São Bento, foi quase totalmente destruída. Novos tremores de terra acabaram ceifando as vidas de aproximadamente 300 pessoas.



“Sim, para mim é um milagre”, disse o Pe. Angelo ao jornal regional "Il Resto del Carlino", mas “quem não tem fé não vai acreditar em nada. O Senhor fez tudo por Si próprio”, comentou ao “National Catholic Register” dos EUA.

O sacerdote, que sabia que as hóstias tinham sido produzias pelas freiras do convento de Santo Onofre, ainda foi tirar a limpo com elas se hviam usado algum tipo de conservante na sua produção. “Não", responderam elas, "apenas farinha e água”, como é a norma própria da Igreja desde sempre.

Para o Pe. Angelo, estamos diante de um “achado prodigioso e inexplicável": "Para mim é um milagre e uma mensagem para todos que nos relembra a centralidade da Eucaristia. Jesus nos diz: 'Eu existo e estou convosco. Confiai em Mim'!”.

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Fontes:
• Avvenire.it, Terremoto. Ostie trovate intatte nel tabernacolo. 'Gesù sotto le macerie' di Arquata, em:
avvenire.it/attualita/pagine/tabernacolo-ritrovato-arquata-terremoto
Acesso 21/6/2018
• National Catholic Register, Hosts ‘Miraculously’ Preserved 16 Months After Devastating Earthquake, em:
ncregister.com/blog/edward-pentin/hosts-miraculously-preserved-14-months-after-devastating-earthquake
Acesso 21/6/2018
• Ciência confirma a Igreja, Milagre eucarístico? 40 hóstias intactas na igreja destruída por terremoto há ano e meio, em:
https://cienciaconfirmaigreja.blogspot.com/p/milagres-eucaristicos.html#17100901
Acesso 21/6/2018
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A paixão da Igreja (Corpo de Cristo) e o fim dos tempos segundo Marie Julie Jahenny


MARIE JULIE JAHENNY (diz-se Marrí Julí Jení) é considerada uma grande mística da Igreja. Nasceu na aldeia chamada Blain, Bretanha, oeste da França, aos 12 de fevereiro de 1850, como a mais velha de cinco filhos. Foi criada por pais humildes e piedosos, de fé sólida. 

Nosso Senhor a tratou com muitas graças desde o momento da sua Primeira Comunhão, e ela correspondeu com uma crescente devoção. Ingressou na Ordem Terceira Franciscana com pouco mais de 20 anos, a fim de santificar-se do mundo.

Viveu toda uma vida de grandes sofrimentos em expiação dos pecados da humanidade, em uma pequena cabana situada na aldeia de La Fraudais, próximo de Blain. Dessa maneira, procurou cumprir o desejo de Nosso Senhor, de que buscasse reparação pelos pecados da França e do mundo.

Ela foi agraciada com visões frequentes de Jesus Cristo e Maria Santíssima, e com muitas luzes proféticas. Recebeu em seu corpo franzino, a partir dos 23 anos de idade, os estigmas de Cristo de maneira muito nítida e em escala tremenda: as cinco chagas nas mãos, pés e lado do torso; as feridas da coroa de espinhos; as lacerações e feridas nos ombros pelo peso da cruz; as marcas da flagelação; até mesmo as marcas causadas pelas cordas com as quais foi atado Nosso Senhor. Conviveu com essas chagas até o dia de sua morte, mais de 60 anos depois, aos 4 de março de 1941.

A veracidade das advertências do Céu, das quais foi uma humilde mensageira, é (até hoje) reclamada por sua simplicidade e honestidade, sua obediência exemplar a seus diretores espirituais e a seu Bispo, e, claro, pelo cumprimento de tudo o que profetizou durante sua vida. Com precisão assombrosa, profetizou as duas Guerras Mundiais, a eleição do Papa São Pio X, as diversas perseguições à Igreja. Sua história e suas profecias são pouquíssimo divulgadas, especialmente no Brasil.

Marie Julie tinha o dom maravilhoso de distinguir o Pão Eucarístico do pão comum; distinguir objetos que haviam sido abençoados de outros não abençoados; de reconhecer relíquias de santos e saber de onde se originavam; de entender em vários idiomas as orações litúrgicas.

Durante um período de cinco anos, a partir do dia 28 de dezembro de 1875, sobreviveu apenas da Santa Eucaristia. De acordo com as anotações do Dr. Imbert-Gourbeyre, ao longo deste período não houve excreções líquidas nem sólidas.

Um verdadeiro assombro para os inúmeros médicos e cientistas que a examinaram em muitas ocasiões; desprezada (claro) pelos incrédulos, a mística tinha a admiração de um bom amigo ao longo de sua vida, Monsenhor Fourier, bispo de Nantes, e de um círculo de devotos que se dedicaram a espalhar a sua mensagem a um mundo surdo. 

Durante seus êxtases, Marie Julie tornava-se totalmente insensível à dor e à luz intensa. Foi registrado que alguns desses êxtases eram acompanhados por uma leveza sobrenatural de seu corpo. As Profecias Marie Julie Jahenny teve a visão de um diálogo entre Nosso Senhor e Lúcifer, na qual o segundo disse: “Atacarei a Igreja. Tirarei a Cruz, dizimarei a gente, depositarei uma grande fraqueza da Fé em seus corações. Haverá um grande repúdio da Religião. Por um tempo, serei o dono de tudo, e tudo estará sob meu controle, até mesmo o teu Templo e todo o teu povo”.

São de arrepiar, especialmente, as profecias sobre as mudanças que seriam feitas na Sagrada Liturgia da Igreja. Nos dias 27 de novembro de 1902[1] e 10 de maio de 1904 –, portanto, cerca de 60 anos antes da abertura do Concílio Vaticano II, e é isso especialmente o que torna tal profecia tão assustadora –, Nosso Senhor advertiu sobre novidades que viriam a ser instituídas: 

Advirto-os: os discípulos que não são do meu Evangelho estão trabalhando duro para refazer, segundo as suas ideias e sob a influência do Inimigo das almas, a Missa, que conterá palavras que me são odiosas. Quando chegar a hora fatídica, quando a fé dos meus sacerdotes será posta à prova, serão esses textos que serão celebrados nesse segundo período…

O primeiro período (da história da Igreja) é o do meu Sacerdócio, existente desde Mim. O segundo é o da perseguição, quando os inimigos da Fé e da santa Religião irão impor suas fórmulas no livro da segunda celebração. Esses espíritos infames são aqueles que me crucificaram e estão esperando o reinado do 'novo messias'. Muitos dos meus santos sacerdotes rejeitarão este livro, selado com as palavras do abismo. Infelizmente, entre eles haverá os que o aceitarão.

Nesta aberração, os sacerdotes quebrarão seus juramentos. O Livro da Vida contém a lista dos nomes que quebram seu coração.

Pelo pouco respeito que tem para com os Apóstolos de Deus, o rebanho se torna indiferente e deixa de observar as leis. O próprio sacerdote é responsável por esta falta de respeito, porque ele próprio não respeita seu sagrado ministério, e o lugar que ocupa nas suas funções sagradas. O rebanho segue os passos de seus pastores; e isso é uma grande tragédia.

O clero será severamente castigado por sua veleidade inconcebível e sua grande covardia que é incompatível com suas funções.

Um terrível castigo está preparado para aqueles que erguem todas as manhãs a Pedra do Santo Sacrifício. Eu não vim para seus Altares para ser torturado. Sofro mil vezes mais por esses corações do que nenhum outro. Absolvo-vos dos vossos pecados grandes, meus filhos, mas não se pode conceder nenhum perdão a estes sacerdotes.

Jesus Cristo na visão de Marie Julie Jahenny
em novembro de 1902/ maio de 1904

Jahenny diz que “aqueles que governam o rebanho” serão os culpados da crise que viria. Menciona um Papa que, no último momento, inverterá sua política e fará um apelo solene ao clero, mas já não será obedecido; pelo contrário, uma Assembleia de Bispos vai exigir ainda mais liberdade, declarando que não obedecerão.

Diz, então, que a "revolução vermelha" estourará. Fala de uma “religião horrível” que substituirá a Fé Católica, e vê “muitos, muitos Bispos” abraçando essa “religião sacrílega e infame”. Ela anuncia a “dispersão dos pastores” pela própria Igreja, os verdadeiros pastores, que serão substituídos por outros, do Inferno: “… Novos pregadores com novos sacramentos, novos templos, novos batismos, novas fraternidades”.




Demorará ainda o Juízo? O povo, boa parte das vezes, não é culpado, e não podemos julgar as intenções dos corações. Mas podemos ver com clareza que estas cenas podem mostrar tudo, menos o Santo Sacrifício da Missa de Nosso Senhor Jesus Cristo

De modo estarrecedor e muito semelhante àquilo que escreveu S. João Bosco ao Bem-aventurado Papa Pio IX em sua carta profética sobre o fim dos tempos, Jahenny diz da tentativa de retorno do Papa à verdadeira Religião. E então o Santo Padre solicitará à juventude para que combata pela salvação da Igreja. A Terra inteira sofrerá crises terríveis, na Fé e na Religião. Será estabelecido um regime democrático popular, com leis ímpias e perseguições à Igreja, ao nome dos cristãos e à liberdade.

Deus castigará com vara de ferro a apostasia das massas e das nações. Será o império de Satã em toda a Terra, com perseguições religiosas desapiedadas, pilhagens e carnificinas sem conta. Haverá uma apostasia geral. Mas haverá um pequeno número de fiéis que sustentará a fé. Estes serão contraditados, expulsos, ridicularizados, insultados e postos na prisão. Toda a juventude será enganada e imediatamente cairá em uma podridão cujo fedor será insuportável.

** Publicado na revista O FIEL CATÓLICO n.20

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1. O dia do 72º aniversário da Aparição da Medalha Milagrosa de Nossa Senhora
das Graças (N. do E.).
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* Os excertos de profecias são da obra 'Marie Julie Jahenny, La Stigmatisée Bretonne', de Marquis de la Franquerie.
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Uma fé adulta segundo Bento XVI


Prof. Dr. Rudy Albino Assunção – Frat. São Próspero

SEGUINDO COM O TEMA dos valores inegociáveis da Igreja, tal como foram defendidos no pontificado de Bento XVI (como visto em O FIEL CATÓLICO n.16), queremos agora falar do tema da fé adulta. Nestes nossos tempos, em que vivemos a exigência de um autêntico testemunho cristão, não nos é permitido viver uma fé infantil. Nunca nos esqueçamos, evidentemente, que Nosso Senhor nos pediu que fôssemos “como crianças” (cf. Mt 19 13-15; Mc 10, 13-16; Lc 18, 15-17), pois isso implica a acolhida do Reino com a pureza do coração delas. No entanto, se diante de Deus somos verdadeiras crianças –, pois Ele é o nosso Pai –, diante do mundo, ou ainda, no mundo, temos que ser verdadeiros adultos. O que o Iluminismo, o Esclarecimento (Aufklärung) pedia era que o ser humano saísse da menoridade – e Immanuel Kant o disse claramente: Sapere aude! – eis o seu lema. Só assim o ser humano alcançaria a verdadeira maioridade: a da autonomia, a de pensar por si mesmo[1]. Tudo o mais seria submissão e obscurantismo. Isso levou à contestação, pelo indivíduo, de toda instituição, de toda autoridade constituída. E isso afetou diretamente a Igreja.

Mas o Cristianismo sempre se entendeu como o verdadeiro Iluminismo, e Bento XVI o afirmou e repetiu incontáveis vezes[2]. Ele não traz as trevas da ignorância sobre o fiel, mas o ilumina com a Revelação, para levar a sua razão ao conhecimento cada vez mais amplo da realidade. Ela não cega, ela não o diminui, não o apequena; ao contrário, ela o engrandece, fazendo-o ver mais plenamente. E faz chamar a mentira e o erro com seus nomes próprios, não com eufemismos.

O não-conformismo cristão – Mas hoje, com o primado do indivíduo, da subjetividade, uma leitura parcial da história da Igreja também chegou a convencer muitos católicos, fazendo com que se opusessem a Igreja. Permanentemente. Abertamente. Belicosamente. Ser cristão seria contestar, revolucionar, rompendo com qualquer tradição. Só assim se é adulto, “esclarecido”. No entanto, para Bento XVI não é esse o verdadeiro espírito que perpassa a fé cristã, e o Papa alemão recorria à Carta de S. Paulo aos Efésios para demonstrá-lo. O Apóstolo dos Gentios dizia: “Não podemos mais permanecer como meninos inconstantes, levados por qualquer vento de doutrina...” (4, 14). Paulo deseja que os cristãos tenham uma fé “responsável”, uma “fé adulta”. A expressão “fé adulta”, nas últimas décadas, tornou-se um slogan difundido. Ouvimo-lo com frequência no sentido da atitude de quem já não dá ouvidos à Igreja e aos seus Pastores, mas escolhe autonomamente aquilo em que quer ou não crer; portanto, uma fé “ad hoc”. Esta é apresentada como “coragem”, de se expressar contra o Magistério da Igreja. Na realidade, todavia, para isso não é necessária coragem, porque se pode ter sempre a certeza do aplauso público. Pelo contrário, é necessária coragem para aderir à fé da Igreja, não obstante ela contradiga o “esquema” do mundo contemporâneo. Esse é o não-conformismo da fé, ao qual Paulo chama uma “fé adulta”. É a fé que ele quer. Por outro lado, qualifica como infantil o correr atrás dos ventos e das correntes do tempo. Assim, faz parte da fé adulta, por exemplo, empenhar-se pela inviolabilidade da vida humana desde o primeiro momento, opondo-se assim de forma radical ao princípio da violência, precisamente também na defesa das criaturas humanas mais inermes. Faz parte da fé adulta reconhecer o Matrimônio, entre um homem e uma mulher, para toda a vida, como ordenamento do Criador, restabelecido novamente por Cristo. A fé adulta não se deixa transportar aqui e ali por qualquer corrente. Ela se opõe aos ventos da moda. Sabe que esses ventos não constituem o sopro do Espírito Santo; sabe que o Espírito de Deus se expressa e se manifesta na comunhão com Jesus Cristo”[3]. 

Vejamos que acima está toda a lista de valores inegociáveis que a moral cristã defende a todo custo. É fantástico ver como Bento XVI mostra que deve existir sempre um “não-conformismo” cristão. O católico não rejeita o mundo, mas quer purificá-lo daquilo que o afasta de Deus, da vontade salvífica do Senhor. Assim, a Igreja perde precisamente sua voz profética quando quer fazer um uníssono com as correntes societárias mais dissonantes do Evangelho.

Criticar o Papa e os bispos é muito fácil. Difícil é viver uma comunhão de fé diária; difícil é viver uma purificação pessoal para que o próprio pecado não atinga o corpo da Igreja, difícil é enfrentar o establishment que financia programas governamentais antirreligiosos, que patrocina a “cultura da morte”, que fabrica mordaças para tolher a liberdade cristã, sobretudo e que ataca o matrimônio e só exalta o sexo.

Agir na verdade e na caridade – Mas Bento XVI lembra ainda que
Paulo não se detém na negação, mas leva-nos ao grande ‘sim’. Descreve a fé madura, verdadeiramente adulta, de maneira positiva com a expressão: ‘agir segundo a verdade na caridade’ (cf. Ef 4, 15). O novo modo de pensar, que nos foi dado pela fé, verifica-se antes de tudo em relação à verdade. O poder do mal é a mentira. O poder da fé, o poder de Deus, é a verdade. A verdade sobre o mundo e sobre nós mesmos torna-se visível quando olhamos para Deus. E Deus torna-se-nos visível no rosto de Jesus Cristo. Olhando para Cristo, reconhecemos mais uma coisa: verdade e caridade são inseparáveis. Em Deus, ambas são inseparavelmente uma só coisa: a essência de Deus é precisamente esta. Por isso, para os cristãos verdade e caridade caminham juntas. A caridade é a prova da verdade. Sempre de novo, deveríamos ser medidos em conformidade com este critério, para que a verdade se torne caridade e a caridade nos torne verídicos.[4]


O que está por trás dessa afirmação de Bento XVI? Toda a sua apreciação do relativismo moderno. Aqueles que elencam a “caridade” –, o amor –, como princípio único e exclusivo, tendem a classificar todos os que levantam a bandeira da verdade como “intolerantes” (ao que aludi no artigo anterior). Sobretudo no tempo em que se fala de “pós-verdade”, falar em verdade, ou melhor, na Verdade, parece a mais pura autoimposição e falta de sensibilidade pós-moderna diante do “diferente”. Mas a posição da Igreja, defendida por Bento XVI na mais estrita fidelidade ao pensamento paulino, é que o anúncio da verdade deve vir acompanhado da postura amorosa, caridosa. Ou melhor, dizer a verdade é caridade. Um mundo que se engana, um mundo cheio de grandezas mas que caminha para o abismo, precisa ouvir a verdade.

A Verdade não admite compromissos – Ainda dentro da nossa temática, certa reflexão de Bento XVI feita numa memória litúrgica de S. João Batista nos ajuda também aqui. Lembrando a fidelidade do Precursor aos Mandamentos de Deus, paga com o preço do próprio sangue, o Papa dizia “que o martírio de são João Batista nos recorda, também a nós cristãos deste nosso tempo, que não se pode ceder no compromisso com o amor a Cristo, à sua Palavra e à Verdade. A Verdade é Verdade, não existem compromissos. A vida cristã exige, por assim dizer, o ‘martírio’ da fidelidade quotidiana ao Evangelho, ou seja, a coragem de deixar que Cristo cresça em nós e que seja Cristo quem orienta o nosso pensamento e as nossas ações”[5]. Ainda que isso nos custe os mais variados dissabores e sofrimentos. O que é próprio daquele que é adulto em Cristo. 

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1. Cf. KANT, Immanuel. Resposta à pergunta: o que é o Esclarecimento. Cognitio,
São Paulo, v. 13, n. 1, p. 145-154, jan./jun. 2012.C.
2. Para citar apenas uma delas, cf. RATZINGER, Joseph; D’ARCAIS, Paolo Flores.
Deus existe? São Paulo: Planeta do Brasil, 2009, p. 40.
3. Bento XVI, Homilia nas Primeiras Vésperas por ocasião do Encerramento
do Ano Paulino, Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, Basílica de São
Paulo Fora dos Muros, 28 de junho de 2009.
4. Ibid.
5. Id., Audiência geral, 29 de agosto de 2012.

Artigo publicado na revista O FIEL CATÓLICO n. 18
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Nossos símbolos sagrados: a beleza perdida

Trecho de artigo da revista O FIEL CATÓLICO n. 28



HÁ COISAS QUE me entristecem profundamente no ser católico de hoje, em vista ao que foi ser católico ontem. Não falo por saudosismo e nem por algum sentimento de nostalgia, como o de algumas pessoas que, eternamente iludidas, consideram sempre melhor tudo o que havia no tempo passado do que aquilo que existe no presente. Não. Falo de um sentimento de perda, que é real e bastante concreto.

Entristece-me, entre muitas outras coisas, entrar em igrejas católicas – templos sagrados erigidos em honra do Deus Vivo – e ver que atualmente se parecem com grandes caixotes. Sumiram os ornamentos, a decoração litúrgica, a tapeçaria, boa parte do estatuário (e as estátuas que temos hoje são brutas, rústicas, mal acabadas e mal pintadas), o aroma permanente do incenso, as velas...

As velas... Foram substituídas, em muitos de nossos templos, por feios "velários eletrônicos" nos quais, sob um vidro, são postas velas artificiais, de plástico, que se acendem quando se depõe uma moeda em uma fresta na sua parte frontal – tal qual aqueles papa-níqueis que vemos em shoppings e supermercados, a nos oferecer chicletes ou bolinhas coloridas em troca de moedas.

Lembro-me de quando eu era criança e minha mãe me levava à igreja para rezar. Tenho lembranças especialmente vivas da igreja de Santo Antônio, na Praça do Patriarca, centro de São Paulo, antiga e muito bela apesar de singela. A iluminação era suave, indireta, e velas eram acesas diante do Santíssimo; ali as pessoas se botavam de joelhos para rezar. Eu, aos meus 7 ou 8 de idade, observava atentamente as chamas tremeluzentes diante do estatuário, dos afrescos, do Sacrário... E, mesmo sem querer, quando dava por mim estava entoando, mentalmente ou em sussurro, um Pai-Nosso, uma Ave-Maria ou palavras de ação de graças a Deus, ao Cristo Nosso Senhor ali presente.

Todo o ambiente era convidativo à oração, e a chama das velas tem esse poder de acalmar a mente, reduzir o ritmo dos pensamentos, abrandar a ansiedade (tanto que são usadas em terapias para combater estresse e insônia). Hoje, porém, as velas não estão mais no interior das igrejas. Não pode, é perigoso e blablabla. Os velários que ainda existem foram postos do lado de fora, muitas vezes junto dos banheiros.

Fato inegável é que antes se sentia, de modo incisivo, muito forte, quase inquietante, a Presença de Deus no interior das igrejas ditas "pré-conciliares". Ao entrar, tomava-se imediata consciência de se estar em um ambiente sagrado, digno do maior respeito. Fazer silêncio era automático.

Hoje, lamentavelmente, já não há muita diferença entre os templos católicos e os neoprotestantes, ou entre Altar e ambão e o palco e púlpito dos ditos "evangélicos". Eu sonho –, já sonhei mais, quando tínhamos Bento XVI –, mas ainda sonho com a possibilidade de um resgate, de ver nascer o dia em que tudo o que perdemos será recuperado, quando aqueles homens que deveriam buscar a santidade mais do que todos se cansarem de brincar de revolucionários e voltarem a se apaixonar pelas coisas de Deus.

Henrique Sebastião

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