A crise do cristianismo no início do terceiro milênio, por Ratzinger


NA SEGUNDA EDIÇÃO do livro “Deus existe? ”, lançado pela editora Planeta, temos a transcrição do debate que ocorreu em 21 de fevereiro de 2000 entre o então Cardeal Joseph Ratzinger e o ateu Paolo Flores d’Arcais. Esse choque de ideias ocorreu em Roma e, devido à sua grandiosidade, quase duas mil pessoas tiverem que assistir às mais de 2h de debate do lado de fora do Teatro Quirino de Roma. Disponibilizamos aqui um texto de abertura do Cardeal Alemão, onde ele expõe – com sua genialidade característica – fatos importantíssimos para a compreensão do que realmente é o cristianismo (sinônimo da palavra catolicismo). Segue.


A pretensão da verdade posta em dúvida – a crise do cristianismo no início do terceiro milênio

No início do terceiro milênio, precisamente no âmbito de sua expansão original –, a Europa –, o cristianismo se encontra imerso em uma profunda crise que é consequência da crise de sua pretensão da verdade. Essa crise tem uma dupla dimensão: em primeiro lugar, questiona-se cada vez mais se é realmente oportuno aplicar o conceito de verdade à religião; em outras palavras, se é dado aos homens conhecer a autêntica verdade sobre Deus e as questões divinas. Para o pensamento atual, o cristianismo de modo algum está mais bem situado que as demais religiões. Ao contrário: com sua pretensão da verdade parece estar especialmente cego diante do limite de nosso conhecimento divino.

Todo este ceticismo frente à pretensão da verdade em matéria de religião se vê respaldado, ainda, pelas questões que a ciência moderna levantou sobre as origens e os conteúdos do cristianismo: com a teoria da evolução parece ter sido superada a doutrina da Criação; com os conhecimentos sobre a origem do homem, a doutrina do Pecado original; a exegese crítica relativiza a figura de Jesus questiona sua consciência de Filho (de Deus e logo Deus); a origem da Igreja em Jesus parece duvidosa etc. O fundamento filosófico do cristianismo se mostra problemático após o “fim da metafísica”, e seus fundamentos históricos são postos em xeque por efeito dos métodos históricos modernos.

Por isso, também é fácil reduzir os conteúdos cristãos ao simbólico, não lhes atribuir maior veracidade que aos mitos da história das religiões, vê-los como uma forma de experiência religiosa que se deveria situar com humildade ao lado de outras. Ao que parece, assim considerado, poder-se-ia permanecer cristão e continuar-se utilizando das formas de expressão do cristianismo; sua exigência, porém, transformou-se radicalmente: a Verdade, que era uma força vinculadora e uma promessa segura, transforma-se em uma forma de expressão cultural do sentimento religioso geral que nos cabe por causa de nossa origem europeia.

Como isso é assim, é preciso levantar novamente a questão já antiga da verdade do cristianismo, por mais supérflua e difícil de responder que pareça a muitos. Mas como? Sem dúvida, a teologia cristã deverá examinar cuidadosamente as diferentes instâncias que se levantaram contra a pretensão da verdade do cristianismo no âmbito da filosofia, das ciências naturais, da história, e terá de enfrentá-las. Mas, por outro lado, deverá tentar, também, obter uma visão geral da questão da verdadeira essência do cristianismo, de seu lugar na história das religiões e sua localização na existência humana.

Em suas origens, como o cristianismo contemplou seu lugar no cosmos das religiões? O surpreendente é que, sem hesitar, Agostinho atribui ao cristianismo um posto no âmbito da “teologia física”, do racionalismo filosófico. Esse fato implica uma evidente continuidade dos primeiros teólogos do cristianismo – os apologistas do século II – com relação ao lugar que Paulo atribui ao cristão no primeiro capítulo da Carta aos Romanos, que, por sua vez, se baseia na teologia da sabedoria do Antigo Testamento e, por meio dela, remonta ao escárnio dos deuses dos Salmos.
Sob essa perspectiva, o cristianismo tem seus precursores e sua preparação interna no racionalismo filosófico, não das religiões. Segundo Agostinho e a tradição bíblica, para ele decisiva, o cristianismo não se baseia nas imagens e ideias míticas, cuja justificação se encontra, afinal, em sua utilidade política, mas faz referência a esse aspecto divino que a análise racional da realidade pode perceber. Em outras palavras: Agostinho identifica o monoteísmo bíblico com as ideias filosóficas sobre o fundamento do mundo formadas em suas diversas variantes na filosofia antiga. A isso se faz referência quando, desde o sermão do Areópago de Paulo, o cristianismo se apresenta com o propósito de ser a religio vera. Portanto, a fé cristã não se baseia na poesia nem na política, essas duas grandes fontes da religião; baseia-se no conhecimento. Venera esse Ser que é o Fundamento de tudo o que existe, o “Deus verdadeiro”. No cristianismo, o racionalismo se tornou religião e não é mais seu adversário.

Partindo dessa premissa, uma vez que o cristianismo foi entendido como um triunfo da desmitologização, como um triunfo do conhecimento e, com isso, da verdade, devia ser considerado universal e levado a todos os povos; não como uma religião específica que ocupa o lugar de outras, não como uma espécie de imperialismo religioso, mas como verdade que torna a aparência supérflua. E justamente por isso, na ampla tolerância dos politeísmos, deve ser considerado incompatível, até mesmo inimigo da “religião ateísmo”: não se limitou à relatividade e à possibilidade de intercâmbio de imagens, com o que perturbava principalmente a utilidade política das religiões e punha em perigo os fundamentos do Estado, em cujo âmbito pretendeu ser não uma religião entre outras religiões, mas sim o triunfo do conhecimento sobre o mundo das religiões.

Por outro lado, essa localização do cristão no cosmos da religião e da filosofia está relacionada também com o poder de penetração do cristianismo. Já antes do surgimento da missão cristã nos círculos eruditos da Antiguidade, havia se buscado na figura do “homem temeroso a Deus” a conexão com a fé judaica, que foi considerada a forma religiosa do monoteísmo filosófico e atendia ao mesmo tempo às exigências da razão e à necessidade religiosa do homem que a filosofia não podia atender por si só: não se reza a um deus que só existe no pensamento. Mas quando o deus que o pensamento descobre se encontra no interior de uma religião como deus que fala e age, então conciliam-se pensamento e fé.

Nessa relação com a sinagoga, ficava, porém, um aspecto não resolvido: o não judeu só podia ser, então, um profano, e nunca se integraria ao todo. Essa limitação é superada no cristianismo por meio da interpretação que Paulo fez da figura de Cristo. Só então o monoteísmo religioso do judaísmo se fez universal e, com isso, a união de pensamento e fé –, a religio vera –, à qual todos podem ter acesso. Justino, filósofo e mártir falecido em 167, pode ser considerado uma figura representativa dessa forma de chegar ao cristianismo como vera philosophia. Com sua conversão ao cristianismo, não renunciou às suas próprias convicções filosóficas, mas foi quando se tornou verdadeiramente um filósofo. A convicção de que o cristianismo era filosofia, a filosofia perfeita, ou seja, a Filosofia que chega até a Verdade, manteve-se vigente para além dos tempos dos Pais [Padres] da Igreja.

No século XIV, essa consideração é evidente na teologia bizantina de Nicolau Cabasilas. Certamente a filosofia não era entendida, então, como uma disciplina acadêmica puramente teórica, mas também, e acima de tudo, sob uma perspectiva prática, como a arte de viver e morrer com probidade a que só se pode chegar à luz da verdade.

A união de racionalismo e fé que ocorreu no desenvolvimento da missão cristã e na construção da teologia cristã introduziu, também, mudanças decisivas na imagem filosófica de Deus, dentre as quais cabe destacar duas em particular. A primeira consiste em que o Deus em que os cristãos acreditam e a quem veneram é, diferente dos deuses míticos e políticos, verdadeiramente natura Deus; nisso concorda com o racionalismo filosófico. Mas ao mesmo tempo também é válido outro aspecto: non tamen omnis natura est Deus, “nem tudo que é natureza é Deus”. Deus é Deus por sua natureza, mas a natureza como tal não é Deus. Existe uma separação entre a natureza universal e o ser que a fundamenta, que lhe dá origem. Então, separam-se claramente física e metafísica. Só se venera ao Deus verdadeiro, ao que podemos reconhecer na natureza por meio do pensamento, mas Ele é mais que natureza. Precede-a, e ela é sua criação. Essa separação entre Deus e natureza leva consigo outro aspecto ainda mais decisivo: não se podia rezar ao Deus que era natureza, alma do mundo ou como quer que fosse seu nome; não era um “Deus religioso”, como havíamos visto. Mas então, segundo estabelece a fé do Antigo Testamento e, principalmente, do Novo Testamento, esse Deus que precede a natureza voltou-se para os homens. Justamente por não ser mera natureza, não é um deus que guarda silêncio. Entrou na História, foi ao encontro do homem e, deste modo, pode o homem encontrar-se com Ele. O homem pode unir-se a Deus porque Deus se uniu ao homem. As duas dimensões da religião sempre estiveram separadas – a natureza sempre dominante e a necessidade de salvação do homem que sofre e luta – aparecem intimamente unidas.

O racionalismo pode se transformar em religião porque o mesmo Deus do racionalismo entrou na religião. O elemento que realmente exige fé, a palavra histórica de Deus, é a condição prévia para que a religião possa se voltar, por fim, para o Deus filosófico, que já não é um mero Deus filosófico e que não rejeita o conhecimento filosófico, mas que o assume. E aqui se evidencia um fato surpreendente: os dois princípios fundamentais, aparentemente contrários, condicionam-se e andam unidos; juntos configuram a apologia do cristianismo como religio vera. O triunfo do cristianismo sobre as religiões pagãs foi possível não só pela reivindicação de sua racionalidade. Um segundo motivo teve igual importância. Consiste, em linhas gerais, no rigor moral do cristianismo, que Paulo já havia relacionado com a racionalidade da fé cristã: o que a lei realmente significa, as exigências que o Deus único faz à vida do homem, e que a fé cristã traz à luz, coincidem com o que o homem traz escrito no coração, de forma que o considera bom quando aparece diante dele. Coincide com o que é “bom por natureza” (Rm 2,14s.).

A alusão à moral estoica, a sua interpretação ética da natureza, fica aqui tão evidente quanto em outros textos paulinos, como a Carta aos Filipenses: “Levai em consideração tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama” (Fp 4,8). A união fundamental – embora crítica – com o racionalismo filosófico no conceito de Deus confirma-se e concretiza-se na união igualmente crítica com a moral filosófica. Do mesmo modo que no âmbito religioso, o cristianismo superou os limites das escolas filosóficas ao considerar o Deus que está no pensamento como um Deus vivo, também aqui se deu um passo da teoria ética à prática moral vivida em comum, na qual a perspectiva filosófica é superada pela concentração de toda a moral no duplo mandamento de amor a Deus e ao próximo, e se traduz em ação real.

Simplificando, poderíamos dizer que o cristianismo convenceu pela união da fé com a razão e pela orientação da atuação para a caritas, para a ajuda com amor aos que sofrem, aos pobres e aos fracos, acima de todo limite de condição.

A força que levou o cristianismo a se transformar em religião universal estava em sua síntese de razão, fé e vida; justamente essa síntese fica concretizada na expressão religio vera. Por isso se impõe cada vez mais a questão: por que hoje essa síntese já não convence? Por que hoje, ao contrário, são contraditórios e até excludentes entre si os conceitos de racionalismo e cristianismo? O que mudou no racionalismo, o que mudou no cristianismo para que isso seja assim?

Em sua época, o neoplatonismo, em especial Porfírio, opôs à síntese cristã uma interpretação diferente da relação entre filosofia e religião, que foi considerada uma refundação filosófica da religião dos deuses. Mas hoje essa outra maneira de harmonizar religião e racionalismo parece se impor de novo como a forma de religiosidade que mais se adapta à consciência moderna. Porfírio formula assim sua primeira ideia fundamental: latet omne verum, “a verdade está oculta”. Uma ideia na qual coincidem budismo e neoplatonismo. Segundo ela, sobre a verdade, sobre Deus, só existem opiniões, não existe certeza. Na crise de Roma de finais do século IV, o senador Símaco expressou as idéias neoplatônicas nas fórmulas simples e pragmáticas que podemos encontrar em seu discurso perante o imperador Valentiniano II, no ano 384, em defesa do paganismo e da restauração da deus Vitória no Senado romano. Citarei apenas a frase decisiva e que se tornou célebre: “Todos veneramos o mesmo, todos pensamos o mesmo, contemplamos as mesmas estrelas, o céu sobre nossa cabeça é um, o mesmo mundo nos acolhe; que importa por meio de que forma de sabedoria cada um busque a verdade? Não se pode chegar por um único caminho a um mistério tão grande”.

É justamente isso que diz o racionalismo hoje: não conhecemos a verdade como tal; temos a mesma opinião de formas diferentes. Um mistério tão grande, o divino, não pode se refletir em uma só figura que exclui todas as outras, em um caminho que todos são obrigados a seguir. Muitos são os caminhos, muitas as imagens, todas refletem algo do todo e nenhuma é, por si mesma, o todo. Isso abriga o ethos da tolerância, que reconhece em tudo um pouco de verdade, não põem o próprio acima do desconhecido e integra-se pacificamente à sinfonia polifônica do eternamente insuficiente que se oculta nos símbolos, que parecem ser nossa única possibilidade de alcançar o divino de algum modo.

Terá sido superada, portanto, a pretensão do cristianismo de ser religio vera pelo avanço do racionalismo? Deve abandonar a pretensão e aderir à visão neoplatônica, ou budista ou hinduísta da verdade e dos símbolos, deve se conformar – como propôs Troeltsch – com mostrar a parte do rosto de Deus voltada para os europeus? Deve ir um passo além de Troeltsch, cuja opinião era de que o cristianismo era a religião mais adequada para a Europa, ao passo que justamente hoje a Europa põe em dúvida essa adequação? Essa é a verdadeira questão que a Igreja e a teologia devem levantar na atualidade.

Todas as crises que ocorrem no cristianismo baseiam-se só de forma secundária em aspectos institucionais. Na Igreja, tanto os problemas das instituições quanto os das pessoas derivam, em última instância, do enorme peso desse fato. Esse é o desafio fundamental no início do terceiro milênio cristão. A questão não pode receber uma resposta meramente teórica, do mesmo modo que a religião como atitude última do homem não é só teoria. Precisa desta combinação de conhecimento e ação em que se baseou a força de convicção do cristianismo dos Pais [Padres] da Igreja.

Isso não significa, de modo algum, que se possa prescindir do aspecto intelectual do problema remetendo à necessidade da praxis. Tentarei, por fim, oferecer uma perspectiva que possa indicar a direção. Vimos que a união original, nunca indiscutível, de racionalismo e fé à qual Tomás de Aquino deu uma forma sistemática se rompeu não tanto pela evolução da fé quanto pelos novos avanços do racionalismo. Poderíamos mencionar como etapas dessa evolução: Descartes, Espinosa, Kant. A tentativa de uma nova síntese integradora por parte de Hegel não devolveu à fé seu lugar filosófico, mas tentou transformá-la em razão e suprimi-la como fé. A esse caráter absoluto do espírito, Marx opõe o caráter único da matéria; a filosofia deve se reduzir por completa a uma ciência exata, só o conhecimento exato é realmente conhecimento. Com isso suprime-se a ideia do divino. O anúncio de Auguste Comte de que um dia existirá uma física do homem e que as grandes questões das quais antes se ocupava a metafísica seriam tratadas no futuro de um modo tão “positivo’, como tudo o que já em nossos dias é ciência positiva, teve, em nosso século, uma impressionante ressonância nas ciências humanas.

Cada vez é menor a separação entre física e metafísica introduzida pelo pensamento cristão. Tudo deve tornar a ser “física”. A teoria da evolução tem se mostrado, cada vez mais, como o caminho para que a metafísica desapareça por completo, para fazer parecer supérflua a “hipótese de Deus” (Laplace) e para formular uma interpretação do mundo estritamente “científica”. Uma teoria da evolução que explica todo o real de modo global transformou-se em uma espécie de “filosofia primeira” que, por assim dizer, constitui a base da interpretação racional do mundo. Qualquer tentativa de pôr em jogo outras causas diferentes das incluídas nessa teoria “positiva”, qualquer tentativa de “metafísica”, tem de parecer um retrocesso diante do racionalismo, um abandono da pretensão de universalidade da ciência. Assim, a ideia cristã de Deus é considerada acientífica. Já não corresponde a nenhuma Theologia physica: neste sentido, a única Thelogia naturalis é a teoria da evolução, e esta não conhece nenhum Deus nem criador no sentido do cristianismo - do judaísmo e do islamismo -, nem uma alma do mundo ou uma força interna no sentido da Stoa (ou Pórtico Poecile, local onde Zenão ensinava e de onde vem o termo “estoico”). No máximo, do ponto de vista do budismo, poder-se-ia considerar todo este mundo como aparência e o nada como o verdadeiramente real, e justificar, assim, formas místicas de religião que pelo menos não competem de modo direto com o racionalismo.

Diz-se, com isso, a última palavra? Separaram-se definitivamente cristianismo e razão? De qualquer maneira, não há nenhuma via que evite o debate em torno do alcance da teoria da evolução como filosofia primeira e da exclusividade do método positivo como única forma de ciência e racionalidade. Assim, este debate deve ser mantido por ambas as partes com objetividade e disposição para escutar, o que até agora mal aconteceu. Ninguém pode duvidar seriamente das provas científicas dos processos microevolutivos. A questão que um crente levanta frente à razão moderna não faz referência a esse assunto, nem ao da macroevolução, e sim à expansão para uma philosophia universalis que pretende se transformar em uma explicação global do real e não gostaria de deixar de lado nenhum outro nível do pensamento.

Trata-se, enfim, de a razão ou racional estarem ou não no princípio de todas as coisas e em seu fundamento. Trata-se de saber se o real surgiu do acaso e da necessidade, ou seja, do irracional; se, portanto, a razão é um subproduto casual e irracional e carece também de importância no oceano do irracional, ou se continua sendo certa a ideia que constitui a convicção fundamental da fé cristã e sua filosofia: in principio erat verbum, “no princípio de todas as coisas está a força criadora da razão”. A fé cristã é, hoje como ontem, a opção da prioridade da razão e do racional. Esta questão última não pode mais ser resolvida mediante os argumentos das ciências naturais, e também o pensamento filosófico se choca aqui com seus limites. Neste sentido, não existe uma possibilidade última de demonstrar a opção cristã fundamental. Mas pode a razão renunciar à prioridade do racional sobre o irracional, à existência original do logos sem abolir a si mesma? A razão não pode fazer outra coisa a não ser pensar também sobre o irracional a seu modo, isto é, de modo racional, estabelecendo mais uma vez implicitamente, a questionada primazia da razão. Por sua opção em favor da primazia da razão, o cristianismo continua sendo, também hoje, “racionalismo”.

Vimos anteriormente que na concepção do mundo cristão primitivo os conceitos de natureza, homem, deus, ethos e religião estavam indissoluvelmente vinculados entre si, e que essa vinculação havia contribuído para que o cristianismo tomasse consciência da crise dos deuses e da crise do racionalismo antigo. A orientação da religião para uma visão racional da realidade, o ethos como parte dessa visão, e sua aplicação concreta sob a primazia do amor ficaram unidas entre si. A primazia do logos e a primazia do amor ficaram unidas entre si. A primazia do logos e a primazia do amor se mostraram idênticas. O logos se mostrava não só como razão matemática no fundamento de todas as coisas, mas como amor criador a ponto de “compadecer” com o criado. O aspecto cósmico da religião, que venera o Criador em seu poder sobre a existência, e seu aspecto existencial, a questão da redenção, vincularam-se e se transformaram em um só. De fato, toda explicação do real que não possa apoiar também um ethos com razões claras é necessariamente insuficiente.

Na realidade, a teoria da evolução também tenta dar uma nova fundamentação ao ethos do ponto de vista da evolução ao pretender se transformar em uma philosophia universalis. Mas esse ethos relacionado com a evolução, que encontra inevitavelmente seu conceito-chave no modelo de seleção, isto é, na luta pela sobrevivência, na vitória do mais forte, na adaptação com sucesso, pode oferecer pouco consolo. Embora se tente enfeitá-lo de diversas formas, continua sendo um ethos cruel. A tentativa de destilar o racional do que é em si irracional fracassa aqui de forma evidente. Tudo isto é pouco apropriado para uma ética da paz universal, do amor prático ao próximo e da necessária abnegação de cada um.

A tentativa de dar de novo um sentido claro ao conceito do cristianismo como religio vera no meio dessa crise da humanidade deve se basear igualmente, por assim dizer, no reto agir (ortopraxis) e no reto crer (ortodoxia). Seu argumento mais profundo deve consistir – ao fim e ao cabo como então – em que o amor e a razão coincidem como verdadeiros pilares fundamentais do real: a razão verdadeira é o amor, e o amor é a razão verdadeira. Em sua união constituem o verdadeiro fundamento e o objetivo do real.

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RATZINGER. Joseph. Deus existe? São Paulo: Planeta, 2009.
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Centenário de Fátima – Uma experiência única em minha vida

Por Felipe Marques – Fraternidade São Próspero


AQUI DEIXO O RELATO breve de minha peregrinação até Fátima. Espero que esse testemunho, ainda que breve, possa mudar a vida daqueles que o lerem. Lembre-se: A sua vida será contada por aquilo que você fez de bom e não por aquilo que você pensou em fazer de bom.



Motivações

Tudo começou no fim de 2016. Eu assisti a uma palestra de um filósofo católico, na qual ele indagava seus espectadores: “Quem você quer ser quando morrer? Como você será lembrado? ”. Ora, eu nunca havia pensado nisso! Realmente, só há mudança em nossa vida enquanto estamos vivos, pois, quando morrermos, nos encontraremos com Deus do jeito que estivermos no momento exato em que a morte nos ceifar. Se devemos fazer algo bom, devemos fazê-lo antes da morte!

Enfim, após algumas reflexões, cheguei à conclusão de que nossa vida é contada por aquilo que fizemos e não por aquilo que pensamos em fazer. Para o católico, essa sentença ganha um agravante que é o dever de fazer o bem, então, a sentença final fica conforme segue: “A sua vida será contada por aquilo que você fez de bom e não por aquilo que você pensou em fazer de bom”.

No futuro, eu não queria dizer aos meus filhos e netos: “Eu tive a oportunidade de ir à Fátima no Centenário das Aparições, porém, não fui por preguiça ou por outro impedimento. ” Eu realmente queria ter essa história para contar! Eu queria que na narrativa da minha miserável vida, houvesse um momento de grande luz divina, onde a ação de Nossa Senhora ficasse clara para todos e, que assim, muitos se convertessem e amassem nossa Mãe Santíssima.

Além do que já foi exposto, Brasil e Portugal estão vivendo um Ano Jubilar Mariano. A Santíssima Virgem Maria tem derramado copiosas graças sobre seus filhos nesse tempo e Ela merece ser honrada e amada! Porém, infelizmente, no Brasil o que demos à Virgem foi um carnaval profano. Além disso, pouquíssimo se tem falado sobre o Ano Mariano e sobre como podemos vivê-lo de forma a honrar e amar mais, e mais, Nossa Senhora. Se ainda temos algum amor por Maria ou alguma espécie de devoção mariana, ambas estão perto de sua extinção!

É possível viver esse tempo da graça de forma simples: melhorando a récita do Santo Terço ou do Santo Rosário; lendo algum livro sobre a Virgem Maria e consagrando a própria vida à Ela. Porém, eu tive a oportunidade de fazer uma peregrinação até um santuário mariano que fica em um país que se localiza em outra margem do Oceano Atlântico. Foi a forma que encontrei de amar Nossa Senhora e de ser amado por Ela! Então, após participar de um recolhimento com um ótimo sacerdote, fiz o propósito de ir até Fátima e deixei esse projeto nas mãos de Maria. Pedi que esse sonho se concretizasse somente se esta fosse a vontade de Deus e se isso me santificasse.


Reza e trabalha!
          
Agora, mãos à obra! Ora et labora – reza e trabalha – é um lema beneditino que deve ser uma verdadeira regra de vida para os católicos. Rezamos e pedimos que seja feita a vontade de Deus em nossas vidas, e então, vamos trabalhando e colocando os meios para que as bordas do Reino de Deus sejam alargadas cá em baixo na Terra. Durante os preparativos da viagem, tive algumas dificuldades, porém, em 4 meses consegui as seguintes proezas: tirar meu passaporte; reservar um ótimo apartamento em Porto; comprar as passagens de avião (ida e volta) desde o Brasil até Portugal e comprar as passagens de ônibus (ida e volta) desde Porto até Fátima.



Dessa parte creio que é válido ressaltar o aluguel do apartamento. Por semanas pensei em reservar um quarto em Fátima, e estava tudo certo, até que de repente o valor do aluguel aumentou de forma espantosa e não consegui fazer a reserva. Fiquei chateado, porém, Deus sabe de todas as coisas e essa viagem estava sob os cuidados de Maria. Então, para minha surpresa, após realizar algumas pesquisas breves, encontrei um apartamento muito bem localizado em Porto, e que estava disponível nos dias que eu precisava – o que era um verdadeiro achado devido à alta demanda por esse lugar. Ótimo, a reserva foi confirmada e agora eu só precisava esperar pelo dia 10 de maio de 2017 para ir até Porto.


Chegada em Porto

Depois de 10h de viagem, cheguei na cidade de Porto no dia 11 de maio na parte da manhã. Essa cidade é incrível, nela conheci ótimas pessoas, fui muito bem acolhido e o mais importante de tudo é que consegui conhecer as seguintes Igrejas: Igreja Monumento de São Francisco, Igreja das Carmelitas, Igreja do Carmo, Igreja Nossa Senhora da Vitória, Mosteiro de São Bento da Vitória, Igreja de São Pedro de Miragaia, Igreja de Santo Ildefonso, Igreja de São João Novo, Igreja dos Clérigos, Igreja dos Congregados e a Igreja de São José das Taipas.


Nesses passeios, compreendi a importância da beleza na vida do ser humano. Compreendi que as pessoas são capazes de fazer coisas grandiosas e belíssimas, obras que perduram durante os séculos como resultados indubitáveis da máxima: Devemos oferecer o melhor para Deus! São Igrejas tão lindas que, ao entrar nelas, você já começa a rezar mesmo sem perceber. Os detalhes fazem com que o católico se sinta destacado do mundo, há a sensação de que estamos diante de algo infinitamente maior que nós, é como se tocássemos um pedaço do Paraíso. Como diz Chesterton: “Todo homem pode ser um criminoso se tentado, todo homem pode ser um herói se inspirado”.

Para provar o que digo, seguem algumas das fotos que tirei em Porto:























Ida para Fátima

No dia 12 de maio, então, fui para Fátima e cheguei lá por volta das 15h10. Logo ao chegar, tive a oportunidade de conhecer o Centro Pastoral Paulo VI e depois disso, me dirigi diretamente para o Recinto de Oração que é o espaço que fica entre a Basílica da Santíssima Trindade e a Basílica de Nossa Senhora do Rosário. Ali compreendi o significado da palavra Católico (vem do grego "katholikos", que quer dizer, para todos ou universal), me deparando com pessoas do mundo inteiro! Vi chineses, angolanos, espanhóis, portugueses, brasileiros e cidadãos de tantas nações que eu parecia estar diante de uma prefiguração do que é narrado no livro do Apocalipse 7, 9 - 10: “Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua: conservavam-se em pé diante do trono e diante do Cordeiro, de vestes brancas e palmas na mão, e bradavam em alta voz: A salvação é obra de nosso Deus, que está assentado no trono, e do Cordeiro ”.

São Luís Maria Grignion estava correto ao dizer que: “Cristo veio ao mundo por meio de Maria, e por Maria Ele deve reinar no mundo ”. Aos pés da imagem de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, milhares de pessoas se reuniram para render graças a Deus pelo dom da vida e pelos demais dons que O Senhor lhes concede por meio de Maria que é a Corredentora, a Medianeira de todas as graças. Foram momentos únicos os que passei naquele solo santo, solo santificado pela presença da Mãe de Deus e Nossa Mãe.


Fiquei a cerca de 20 metros do Papa Francisco quando ele estava rezando na Capelinha das Aparições e foi impressionante ver o sucessor de Pedro rezando com suas ovelhas. Depois da consagração que aconteceu na parte da tarde, de noite, o Papa veio rezar o Santo Terço conosco em diversos idiomas e essa foi mais uma cena memorável. Porém, depois disso, tive algumas dificuldades em Fátima.




A noite como morador de rua

Por falta de alojamento, decidi que não era viável ir para Fátima no dia 12 e retornar para Porto no mesmo dia, e depois ter que voltar para Fátima, logo cedo, no dia 13. Então, passei a madrugada em Fátima. Agradeço a Deus por esses momentos, pois, pela primeira vez senti impresso em minha vida aquilo que Nossa Senhora disse aos pastorinhos: “Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores? ”

Passei a madrugada pedindo a Deus que o dia nascesse logo. O frio, a fome e a busca por um lugar onde eu pudesse ficar protegido da chuva, fizeram com que eu sentisse na pele o que é viver como um morador de rua. Isso foi bom para mim, foi meu “caminho de Damasco”, e além de tudo, pude oferecer meus sofrimentos à Nossa Senhora. É como se diante dos sofrimentos que passei lá e que passo ainda em minha vida, frente ao desejo de desistir, São Francisco Marto me dissesse, assim como disse à Santa Jacinta Marto: “Não quereis também oferecer isso a Deus? ” E então retomo forças e continuo caminhando com Cristo.

Creio que é esta a mensagem que os dois novos santos da Igreja querem deixar para nós... Diante dos sofrimentos e das dores, não devemos abandonar a Deus, devemos, pelo contrário, unirmo-nos mais intimamente a Ele que foi crucificado por nós! Devemos associar nossos sofrimentos aos sofrimentos de Cristo na Cruz. Afinal, como diz São Pedro no episódio narrado no evangelho de São João 6, 67 – 69: “Então Jesus perguntou aos Doze: Quereis vós também retirar-vos? Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus! ”

Só Cristo tem palavras de vida eterna... Só Ele é nosso refúgio, só Ele é nossa salvação! 



Frutos da peregrinação

No dia 13, depois da Santa Missa com o Papa, voltei para meu apartamento em Porto e no dia 17 voltei para o Brasil. Se eu pudesse resumir essa peregrinação em uma palavra, essa seria: conversão! O silêncio amoroso de São Francisco Marto, sua coragem e liderança, sempre orientando Santa Jacinta a oferecer seus sofrimentos a Deus “por Vosso amor [Jesus], pela conversão dos pecadores, e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria” são luzeiros que devem nos inspirar e guiar durante nossa peregrinação terrestre.


Não devemos buscar cruzes, o sofrimento pelo sofrimento não tem valor, mas aceitamos aquilo que o bom Deus nos envia para que nos associemos perfeitamente ao Seu Santo Filho que sofreu os piores suplícios para que, nós, miseráveis pecadores sejamos salvos. Como ensina Santo Agostinho: “Não é o suplício que faz o mártir, mas a causa. ” Que nossa causa seja sempre o Cristo, para que vivamos por Ele, n’Ele e com Ele. Que pela intercessão da Virgem de Fátima, sejamos agradáveis a Deus, que sejamos santos! Só quando Jesus Cristo reinar em cada coração, o Imaculado Coração de Maria triunfará.


Agradecimentos

Agradeço de modo especial a Nossa Senhora, sem Ela essa peregrinação jamais teria acontecido. Eu consigo enxergar a ação de Maria em cada pequeno detalhe dessa viagem, Ela que prepara tudo para que nós, seus filhos, possamos ser santos. Agradeço a Deus por nos ter dado tão bondosa Mãe, Sua própria Mãe Santíssima, e por derramar prodigamente Suas graças sobre nós que somos indignos. Além disso, não posso esquecer de todos que rezaram por mim e me apoiaram, principalmente minha família e de modo especial, meu irmão Paulo que me guiou em todos os preparativos dessa peregrinação.
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Há cem anos, no mês de maio


Por Ricardo Krobel – Fraternidade São Próspero

VIVEMOS UM TEMPO muito especial para nós, católicos –, este maio de 2017 –, pois comemoramos os 100 anos da aparição de Nossa Senhora em Fátima. Maria, em sua simplicidade, escolheu lugares simples para suas aparições – não foram as grandes praças das grandes cidades do mundo, o esplendor dos palácios reais ou as maiores e mais belas igrejas do mundo. Foram lugares remotos e isolados, como Lourdes solitária, Fátima esquecida, Caravaggio, entre inúmeras outras reconhecidas ou não pela Igreja.

Também não escolheu aparecer para grandes pensadores ou teólogos, políticos poderosos ou pessoas de negócios ricas e influentes. Seus escolhidos foram os pequenos que conheciam as lutas de viver com nada, exceto sua confiança em Deus e em sua Providência – pessoas como a jovem e inocente Bernadete, que não conseguia ler ou escrever, ou os pequenos pastores Lúcia, Francisco e Jacinta.

A aparição de Nossa Senhora aos três pastorinhos de Fátima tornou-se uma das devoções mais populares da Igreja Católica. Na Festa dos 100 Anos dessas aparições, estamos ligados através da oração com as centenas de milhares de peregrinos que se reuniram em Fátima para celebrar uma linda festa.

A razão pela qual honramos a Maria é porque o próprio Pai a homenageia. Ele a escolheu de toda a eternidade para ser a Mãe de Deus. Ela é altamente favorecida pelo próprio Deus. Vejam os constantes dons que ela tem concedido ao mundo em suas aparições.

Mas por que celebrar Nossa Senhora de Fátima? Você celebra com alegria e esperança, ou em doença e preocupação? É por devoção profunda? Você celebra para pedir a ajuda e a intercessão de Maria, ou agradecer-lhe pelos favores já concedidos?

Todos carregamos conosco, em nossos pensamentos e orações sinceras, as necessidades de tantos outros, familiares, amigos, entes queridos, vizinhos. Talvez agora, nesta época tão especial, nós estejamos pensando em alguém que pediu para que rezássemos por ele: talvez uma criança, um irmão, uma irmã que esteja doente ou preocupada, talvez um amigo que está deprimido ou abalado pela ansiedade, um vizinho enlutado. Um pai que tragicamente perdeu seu filho ou filha, ou um casal lutando com seu casamento ou família. Talvez um jovem que esteja fazendo exames, ou um amigo procurando trabalho. Talvez você ou alguém que conhece esteja lutando com algum problema ou dependência, um hábito pecaminoso, uma decisão importante ou um relacionamento tenso.

Seja qual for a nossa intenção em procurar Maria, não devemos ter medo de sermos atraídos pelo seu olhar de Mãe, porque nunca se soube que qualquer um que fugisse para sua proteção, que implorasse por sua ajuda ou procurasse por sua intercessão, que tenha sido deixado sem ajuda por ela.

Também não devemos nos surpreender se Maria pedir alguma coisa de nós. Lembre-se que ela foi a que se entregou totalmente à Vontade de Deus, e em Caná ela disse: "Façam o que Ele disser". E ela nos pede, todos os dias, e em cada uma de suas aparições, assim como pediu muito em Fátima: conversão, penitência e reparação.

Os tempos atuais nos chamam à mudança e à profunda cura interior da mente, do corpo e do Espírito, para nós mesmos, para as nossas famílias e entes queridos, para o nosso país e para o mundo. Ao pedir por essa conversão e cura, não precisamos ter medo, porque Maria nossa Mãe está lá para nos proteger.

Foi neste mês de maio que, em 1981, sua "mão invisível" protegeu o Papa João Paulo II de uma morte quase certa na Praça de São Pedro. Agora, em maio de 2017, Maria está pronta para nos proteger também dos perigos em nossas vidas, dos medos e ansiedades, e das armadilhas e ataques do pecado e do mal em nosso espírito.

Nossa Senhora de Fátima,
Rogai por nós!
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O milagre da canonização dos 'Pastorinhos' de Fátima

Ao centro, o pai, João Batista; à direita da foto, Lucila Yurie, mãe de Lucas

LUCAS É O NOME da criança cuja cura foi atribuída à intercessão dos Beatos Francisco e Jacinta, os "pastorinhos" de Fátima, Portugal. Eles declararam, em Fátima mesmo, sua "imensa alegria por ser este o milagre que os leva à canonização".

"Damos graças a Deus pela cura do Lucas e sabemos, com toda a fé do nosso coração, que foi obtido este milagre pelos 'Pastorinhos' Francisco e Jacinta", salientou João Batista, o pai do jovem Lucas, falando em seu nome e de sua mulher, Lucila Yurie. "Sobretudo sentimos a bênção da amizade destas duas crianças que ajudaram o nosso menino e agora ajudam a nossa família", acrescentou no seu testemunho.

Os agradecimentos são também dirigidos a todos os profissionais de saúde que se ocuparam do caso e a todas as pessoas que rezaram pelo seu filho, bem como à Postulação da Canonização dos dois beatos e ao Santuário de Fátima, "pelo convite para este momento de graça".

O caso ocorreu aos 3 de março do ano 2013, em torno das 20 horas, quando Lucas, contando então seus 5 anos de idade, caiu de uma janela, de altura de 6,5 metros.

"Bateu com a cabeça no chão e fez um traumatismo craniano muito grave, com perda de tecido cerebral", relatou o pai, referindo que a criança foi internada em coma gravíssimo. No hospital sofreu duas paradas cardíacas, e os médicos deram-lhes poucas esperanças de sobrevivência.

"Começamos a rezar a Jesus e a Nossa Senhora de Fátima, a quem temos muita devoção. No dia seguinte, ligamos para o Carmelo de Campo Mourão, pedindo às irmãs que rezassem pelo menino. A irmã que recebeu o telefonema não passou o recado para a comunidade", contou, indicando que a mensagem só foi transmitida no dia seguinte. "Uma irmã correu para as relíquias dos Beatos Francisco e Jacinta, que estavam junto do Sacrário, e sentiu esse impulso de oração: 'Pastorinhos, salvem este menino, que é uma criança como vocês'. Conseguiu convencer toda a comunidade a rezar apenas pela intercessão dos Pastorinhos", relatou.

"Assim fizeram. Da mesma forma todos nós, na família, começamos a rezar aos 'Pastorinhos'; dois dias depois, no dia 9 de março, o Lucas acordou, bem, e começou a falar, perguntado pela irmãzinha. No dia 11 saiu da UTI, e no dia 15 teve alta", disse João Batista.

Uma cura, referiu ainda o pai do menino, para a qual os médicos, mesmo os não-crentes, não conseguem encontrar explicação.

A criança está completamente bem, "sem nenhum sintoma ou sequela": "O que o Lucas era antes do acidente ele o é agora: sua inteligência, seu caráter, é tudo igual".


Abaixo o texto do testemunho completo dos pais de Lucas

– Boa tarde.

Meu nome é João Batista. Esta é a minha esposa, Lucila Yurie.

No dia 3 de março de 2013, pelas 20 horas, o nosso filho Lucas, que estava a brincar com a sua irmãzinha Eduarda, caiu de uma janela, de uma altura de 6 metros e meio. Tinha 5 anos.

Bateu com a cabeça no chão e fez um traumatismo craniano muito grave, com perda de tecido cerebral.

Foi assistido na nossa cidade, em Juranda, e dada a gravidade do seu quadro clínico, foi transferido para o hospital de Campo Mourão, no Paraná.

O percurso demorou quase uma hora.

Chegou em coma muito grave. Teve duas paragens cardíacas e foi operado de urgência. Os médicos diziam que tinha poucas probabilidades de sobreviver.

Começamos a rezar a Jesus e a Nossa Senhora de Fátima, a quem temos muita devoção. No dia seguinte ligamos para o Carmelo de Campo Mourão, pedindo às irmãs que rezassem pelo menino. A irmã que recebeu o telefonema não passou o recado para a comunidade. Estavam na hora do silêncio e ela pensou: "O menino vai morrer. Vou rezar pela família".

Os dias passavam e o Lucas estava piorando. No dia 6 de março os médicos pensaram na transferência para outro hospital, uma vez que nem havia os cuidados necessários para a sua idade. Disseram-nos que as possibilidades de o menino sobreviver eram baixas e que se sobrevivesse teria uma recuperação muito demorada ficando certamente com graves deficiências cognitivas ou mesmo em estado vegetativo.

No dia 7, voltamos a telefonar ao Carmelo. Nesse dia, a irmã transmitiu o recado à comunidade. Uma irmã correu para as relíquias dos Beatos Francisco e Jacinta, que estavam junto do Sacrário e sentiu esse impulso de oração: "'Pastorinhos', salvem este menino, que é uma criança como vocês". Conseguiu convencer toda a comunidade a rezar apenas com a intercessão dos 'Pastorinhos'.

Assim fizeram. Da mesma forma todos nós, na família, começamos a rezar aos 'Pastorinhos' e, dois dias depois, no dia 9 de março o Lucas acordou, bem, e começou a falar, perguntado pela sua irmãzinha. No dia 11 saiu da UTI e dia 15 teve alta.

Está completamente bem, sem nenhum sintoma ou sequela. O que o Lucas era antes do acidente ele o é agora: sua inteligência, seu caráter, é tudo igual.

Os médicos, incluindo alguns não crentes, disseram não ter explicação para esta recuperação.

Queremos agradecer aos profissionais de saúde que acompanharam o Lucas, bem como à Postulação do Francisco e Jacinta Marto na pessoa da Irmã Ângela, por todo o cuidado prestado durante todo este processo até canonização.

Agradecemos também ao Santuário de Fátima pelo convite para este momento de graça. No entanto, não podemos deixar de agradecer a todos aqueles que rezaram pelo Lucas.

Damos graças a Deus pela cura do Lucas e sabemos com toda a fé do nosso coração, que foi obtido este milagre pelos Pastorinhos Francisco e Jacinta.

Sentimos uma imensa alegria por ser este o milagre que os leva à canonização, mas sobretudo sentimos a bênção da amizade destas duas crianças, que ajudaram o nosso menino e agora ajudam a nossa família.


Vídeo do depoimento


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Fonte:
Página Oficial do Santuário de Fátima, disp. em:
http://www.fatima.pt/pt/news/pais-da-crianca-miraculada-imensa-alegria-por-ser-este-o-milagre-da-canonizacao
Acesso 12/5/017
Com o blog 'Padre Paulo Ricardo', ​'Conheça o milagre da canonização dos Pastorinhos de Fátima', em:
https://padrepauloricardo.org/blog/conheca-o-milagre-da-canonizacao-dos-pastorinhos-de-fatima
Acesso 12/5/017
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DECET ROMANUM PONTIFICEM (Bula de excomunhão de Martinho Lutero)

Esta belíssima escultura da catedral de S. Nicolau (Praga, República Checa), deve parecer um tanto perturbadora às mentes 'politicamente corretas' dos nossos tempos: mostra 'Sto. Inácio de Loyola subjugando a heresia', sendo que esta tem a face de Martinho Lutero

PAPA LEÃO X

“DECET ROMANUM PONTIFICEM”

(aos 3 de janeiro do Ano do Senhor 1521)

Bula de excomunhão de Martinho Lutero

I. Pelo poder que lhe foi conferido por Deus, o Romano Pontífice foi designado para administrar penas espirituais e temporais, segundo corresponda respectivamente a cada caso. O propósito disso é a repressão dos maliciosos desígnios de homens extraviados, que foram tão seduzidos pelo seu degradado impulso de fins perversos que esqueceram o temor de Deus, puseram de lado com desprezo decretos canônicos e mandamentos apostólicos, ousaram formular novos e falsos dogmas e introduziram o mal do cisma na Santa Igreja de Deus ― ou apoiaram, ajudaram e aderiram a tais cismáticos, os quais fazem comércio rasgando a túnica do nosso Redentor e a unidade da verdadeira fé.

Portanto, compete ao Pontífice, por temor de que a barca de Pedro pareça navegar sem piloto ou remador, tomar severas medidas contra tais homens e seus sequazes e, mediante o aumento de medidas punitivas e outros oportunos remédios, fazer com que esses mesmos homens prepotentes, dedicados como são a fins perversos, juntamente com os seus apoiadores, não enganem a multidão dos simples com as suas mentiras e mecanismos enganadores, nem os arrastem juntos na adesão ao seu erro e à sua própria ruína, contaminando-os com o que equivale a uma contagiosa doença.

Corresponde também ao Pontífice, depois de ter condenado os cismáticos, para evitar uma ainda maior perdição e confusão deles, mostrar e declarar pública e abertamente a todos os fiéis cristãos como são tremendas as censuras e penas às quais tal culpa pode levar, para que, por meio de tal declaração pública, aqueles possam, com contrição e remorso, voltar a si, fazendo retratação irrestrita das conversações proibidas, da amizade e, sobretudo, da obediência a tais réprobos excomungados, de maneira que possam evitar os castigos divinos e qualquer grau de participação nas condenações deles.


II. Fomos informados de que, após essa precedente missiva ter sido exposta em público e ter transcorrido o intervalo ou intervalos nela prescritos ― e, com a presente, notificamos solenemente a todos os fiéis cristãos que esses intervalos transcorreram e estão transcorridos ―, muitos daqueles que tinham seguido os erros de Martinho Lutero tomaram conhecimento da nossa missiva e das suas advertências e injunções; o Espírito de um salutar conselho levou-os de novo a si, confessaram eles os seus erros e abjuraram a heresia conforme nossa instância e, voltando à verdadeira fé católica, obtiveram a bênção de absolvição que os mensageiros estavam autorizados a conceder; e, em diversos estados e localidades da Alemanha, os livros e escritos do mencionado Martinho foram publicamente queimados, como tínhamos mandado.

Nada obstante ― e dizer isto nos dá grave dor e perplexidade ―, o próprio Martinho, o escravo de uma mente depravada, teve desprezo em revogar e renegar os seus erros no intervalo prescrito e em nos enviar uma única palavra de tal revogação, como por Nós paternalmente solicitado, ou em vir pessoalmente até Nós; ao invés, como uma pedra de tropeço, não temeu escrever e pregar coisas piores que antes contra Nós, esta Santa Sé e a fé católica, e levar outros a fazerem o mesmo.

Agora é solenemente declarado herege; e assim também os demais, qualquer que seja a sua autoridade e grau, que não tiveram cuidado algum com a sua própria salvação, mas publicamente e perante os olhos de todos os homens se tornam sequazes da perniciosa e herética seita de Martinho; e aqueles que deram a ele aberta e publicamente ajuda, conselho e favor, encorajando-o na sua desobediência e obstinação, ou dificultando a publicação da nossa citada missiva. Tais homens incorreram nas penas estabelecidas naquela missiva e devem ser tratados legitimamente como hereges e evitados por todos os fiéis cristãos, como diz o Apóstolo [Epístola a Tito 3,10-11].


III. O nosso objetivo é que esses homens sejam legitimamente considerados na mesma esteira de Martinho e dos demais réprobos hereges e excomungados, e que, na hipótese de terem aderido com a mesma obstinação ao pecado do referido Martinho, compartilhem também das suas penas e seu próprio nome, trazendo em todos os lugares o título de “luteranos” e as penas que isso acarreta.

As nossas instruções precedentes eram bem claras e eficazmente divulgadas, e, ao se observarem de forma estrita os nossos presentes decretos e declarações, não faltará nenhuma prova, aviso ou citação. Os nossos seguintes decretos são emitidos contra Martinho e os demais que o seguem na obstinação do seu propósito depravado e execrável, assim como contra aqueles que o defendem e protegem com escolta militar e não temem apoiá-lo com recursos próprios ou de qualquer outra forma, e têm a pretensão de lhe oferecer e custear ajuda, conselho e favor. Os seus nomes, sobrenomes e graus ― por mais elevada e fulgurante que seja a sua dignidade ― desejamos que se considerem incluídos nestes decretos com o mesmo efeito que se estivessem elencados individualmente e listados na sua publicação, a qual há de ser promovida com uma energia à altura da força do seu conteúdo.

Sobre todos estes, decretamos as sentenças de excomunhão, de anátema, de nossa perpétua condenação e interdito, de privação de dignidades, honras e propriedades sobre eles e seus descendentes, de declarada inidoneidade para os próprios bens, de confisco dos seus bens e de traição; nestas e nas demais sentenças, censuras e penas que são infligidas pelo direito canônico aos hereges e que estão estabelecidas na nossa missiva supracitada, decretamos terem incidido todos esses homens para sua condenação.


IV. Acrescentamos à nossa presente declaração, pela nossa autoridade apostólica, que os estados, territórios, campos, cidades e lugares em que esses homens temporariamente viveram ou que tiveram a ocasião de visitar, juntamente com as suas posses ― cidades a possuir catedrais e sedes metropolitanas, mosteiros e outras casas religiosas e lugares sagrados, privilegiados ou não privilegiados ―, todos e cada um são colocados sob o nosso interdito eclesiástico; enquanto durar esse interdito, nenhuma pretensão de indulgência apostólica deve valer para permitir a celebração da missa e dos demais ofícios divinos (com exceção dos casos permitidos pela lei e, também ali, por assim dizer, a portas fechadas e excluídos aqueles sob excomunhão e interdito).

Prescrevemos e ordenamos que os homens em questão sejam em toda a parte denunciados publicamente como excomungados, réprobos, condenados, interditados, privados de bens e incapazes de possuí-los. Sejam eles rigorosamente evitados por todos os fiéis cristãos.


V. Queremos tornar conhecido de todos o mesquinho comércio que Martinho, os seus sequazes e os demais rebeldes estabeleceram, pela sua temeridade obstinada e sem vergonha, sobre Deus e sua Igreja. Queremos proteger o rebanho de um animal infeccioso, para que a sua infecção não se espalhe para as ovelhas saudáveis. Por isso, damos o seguinte mandado a todos os patriarcas, arcebispos, bispos, prelados de igrejas patriarcais, metropolitanas, catedrais e colegiadas, e religiosos de todas as ordens ― inclusive as mendicantes ― privilegiadas ou não privilegiadas, onde quer que se encontrem: que, em virtude do seu voto de obediência e sob pena de sentença de excomunhão, se assim for exigido para a execução destes decretos, anunciem publicamente e façam anunciar por meio de outros nas suas igrejas que esse mesmo Martinho e a sua facção são excomungados, réprobos, condenados, hereges, endurecidos, interditados, privados de bens e incapazes de possuí-los, e dessa forma elencados na execução destes decretos. Três dias serão concedidos: pronunciamos advertência canônica e concedemos um dia de pré-aviso sobre a primeira advertência, outro na segunda, mas, no terceiro, execução peremptória e definitiva da nossa ordem. Isso terá lugar no domingo ou em algum outro dia de festa, quando uma grande multidão se reúne para o culto. Seja alçado o estandarte da cruz, soem os sinos, acendam-se as velas e, após algum tempo, sejam apagadas, lançadas ao chão e pisadas, e pedras sejam lançadas três vezes, e observem-se as demais cerimônias de costume. Os fiéis cristãos, todos e cada um, sejam intimados estritamente a evitar esses homens.

Quiséramos uma outra vez contrastar o referido Martinho e os demais hereges que mencionamos, e, ainda, os seus adeptos, sequazes e partidários: desde já, mandamos a todo e cada um dos patriarcas, arcebispos e todos os demais prelados, em virtude do seu voto de obediência, que, sendo eles precisamente encarregados de dissipar cismas com a autoridade de São Jerônimo, devem, na atual crise, como lhes obriga o seu ofício, erguer uma muralha de defesa para o seu povo cristão. Estes não devem calar-se, como cães mudos que não podem latir [Isaías 56,10], mas incessantemente clamar e levantar a voz da pregação, fazendo com que seja anunciada a palavra de Deus e a verdade da fé católica contra os artigos condenados e heréticos citados acima.


VI. A todos os reitores de igrejas paroquiais, aos reitores de todas as ordens, mesmo as mendicantes, privilegiadas ou não privilegiadas, em virtude do voto de obediência, designados que são pelo Senhor para ser como as nuvens, que espalham chuvas espirituais sobre o povo de Deus, mandamos, nos mesmos termos, que não tenham medo de dar a maior publicidade à condenação dos artigos acima mencionados, como lhes obriga o seu ofício. Está escrito que o amor perfeito expulsa o medo. Que cada um de vós assuma o encargo desse meritório dever com completa devoção; mostrai-vos tão escrupulosos na sua execução, tão zelosos e solícitos em palavras e atos que, por meio dos vossos trabalhos, com o auxílio da divina graça, venha a esperada colheita e, pela vossa devoção, vós não somente ganheis aquela coroa de glória que é a recompensa devida a todos os que promovem a defesa da fé, mas também obtenhais de Nós e da Santa Sé o elogio irrestrito que a vossa diligência merece.


VII. No entanto, uma vez que seria difícil entregar a presente missiva, com as suas declarações e avisos, a Martinho em pessoa e aos outros declarados excomungados, por causa da força da sua facção, a nossa vontade é que a afixação pública desta missiva nas portas de duas catedrais ― ambas metropolitanas, ou uma catedral e uma metropolitana dentre as igrejas da Alemanha ―, por meio de um mensageiro nosso naqueles lugares, tenha uma força vinculante tal que Martinho e os demais que mencionamos devem mostrar-se condenados em todos os pontos peremptoriamente, como se a missiva tivesse sido levada ao seu conhecimento e apresentada a eles pessoalmente.


VIII. Também seria difícil transmitir esta missiva em cada lugar onde a sua publicação pudesse ser necessária. Daí a nossa vontade e decreto legítimo de que cópias suas, seladas por prelado eclesiástico ou por um dos nossos mensageiros anteriormente referidos, e autenticadas pela mão de notário público, tenham a mesma autoridade da proposição e exibição do próprio original.


IX. Nada obste a nossa vontade em constituições apostólicas, em decretos, na nossa já referida missiva precedente ou em quaisquer outros pronunciamentos em contrário.


X. Ninguém em absoluto pode infringir esta nossa decisão escrita, declaração, preceito, injunção, designação, vontade, decreto ou temerariamente contrariá-los. Se alguém se atrever a tentar tal coisa, saiba que incorrerá na ira de Deus Todo-Poderoso e dos Bem-Aventurados Apóstolos Pedro e Paulo.

Dado em Roma, junto de São Pedro, em 3 de janeiro de 1521, no oitavo ano do nosso pontificado.

S. S. PAPA LEÃO X


Bula 'Decet Romanum Pontificem', emitida em 3 de janeiro de 1521, pelo Papa Leão X para efetuar a excomunhão ameaçada em sua bula papal anterior, 'Exsurge Domine', de 1520, caso Lutero não se retratasse. Lutero havia queimado o seu exemplar de 'Exsurge Domine' em 10 de dezembro de 1520, no Portão Elster em Wittenberg, e com esse gesto indicou qual era a sua resposta à advertência do Papa

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I. Aqui S.S. Leão X recapitula o teor da Bula 'Exsurge Domine', de 15/6/1520, mediante a qual denunciou os erros de Lutero; o texto integral pode ser encontrado em [http://agnusdei.50webs.com/exsdom1.htm ].
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Fonte:
https://santamariadasvitorias.org/decet-romanum-pontificem-bula-de-excomunhao-de-martinho-lutero/
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Terrorismo islâmico – com atentado a bomba – atinge São Paulo


VEZ EM QUANDO alguém nos manda um comentário ou mensagem por e-mail dizendo que não deveríamos atacar a esquerda e/ou nem mesmo usar os termos "direita" e "esquerda" para falar de política neste espaço. Muitos acham inadmissível que, enquanto apostolado católico, nos identifiquemos com a direita em qualquer nível. Para eles, o fiel católico não poderia de modo algum diferenciar esquerda e direita, porque ambas teriam – igualmente – suas qualidades e defeitos, contribuições positivas e prejuízos dados à Pátria.

Em primeiro lugar, é preciso saber que os próprios termos "direita" e "esquerda" são invenção da própria chamada esquerda, com origem na revolução francesa e popularização pelos marxistas. O ideal, portanto, seria não utilizá-los. Além disso, sem dúvida  é preciso sair dessa dicotomia limitante (e lobotimizante) "direita vs. esquerda", que vê o mundo em preto e branco e gera os mais ridículos debates entre antagonistas incapazes de enxergar um palmo adiante do nariz. Ainda além disso, reconhecemos que em diversos momentos as iniciativas da chamada esquerda trouxeram avanços para a sociedade.

Ainda assim, não se pode fechar os olhos ao fato de que os termos "direita" e "esquerda" geralmente se popularizaram e solidificaram, sendo comumente usados pela maioria dos grandes pensadores contemporâneos. Assim sendo, não nos furtamos de usá-los e denunciar aquilo que contraria a fé da Igreja. Quase sempre, tais críticas recaem sobre os adeptos da chamada esquerda – dentro e fora da Igreja. Por conta disto, acontecem questionamentos. Pois bem, via de regra, quando sou questionado por conta desse posicionamento, respondo com perguntas diretas e bem objetivas, tais como:

• Que partidos têm a legalização do aborto no nosso país como meta de governo? Os de direita ou os de esquerda, com o PT à frente?

• São militantes da esquerda ou da direita que promovem o feminismo, mas ao mesmo tempo apoiam irrestritamente ditadores islâmicos machistas, estupradores e espancadores de mulheres, com a desculpa de que "é a cultura deles"?

• A apologia do homossexualismo, e mais recentemente do "pansexualismo", com a promoção de todo tipo de deturpação da sexualidade humana segundo a doutrina da Igreja, é uma prática comum (e característica) da esquerda ou da direita?

• Qual tendência política promove, publicamente e com afinco, deturpações sociais como o femismo (disfarçado ou não de feminismo) e outras semelhantes, em nome da "tolerância" e do respeito à "diversidade"? A direita ou a esquerda?

• Qual tendência política afina-se declaradamente com o ateísmo materialista? A direita ou a esquerda? 

• Qual tendência política é favorável à liberação das drogas? A direita ou a esquerda? 

• Qual partido político vem relativizando a gravidade da própria pedofilia? O PT (saiba mais) e aliados da esquerda ou algum outro alinhado à direita? 

• Políticos progressistas declaradamente anticristãos como Jean Willys, Jandira Fegnali, Lindbergh Farias, Glauber Braga e  muitíssimos outros, integram majoritariamente partidos de direita ou de esquerda?

• O movimento "marcha das vadias" –, cujos adeptos há poucos anos profanaram, acintosamente e das maneiras mais baixas, em praça pública, símbolos religiosos em quantidade, como imagens de Nossa Senhora e crucifixos, que introduziram em seus ânus –, são relacionados com a direita ou a esquerda?

São apenas algumas perguntas. Eu poderia fazer muitíssimas outras, semelhantes. Não há como um verdadeiro cristão não se alinhar mais à direita, politicamente, ainda que a experiência e a História nos mostrem que os extremos devam ser sempre evitados. A verdade é que, mesmo com todos os seus problemas e precisando – ainda e sempre – ser dilapidada pela Sã doutrina de Cristo, a direita respeita o direito à propriedade, às liberdades individuais, à família tradicional e aos próprios valores judaico cristãos. 

Não, a Igreja não tem partido político nem adota ou se coaduna com ideologia de espécie alguma, e nem o nosso apostolado. Todavia sabemos identificar os piores inimigos de Cristo e já conhecemos bem os seus métodos de dissimulação. 

Mais um caso clamoroso, ocorrido ainda antes de ontem, expõe inapelavelmente qual linha de pensamento é verdadeiramente incompatível com o cristianismo. Responda-me o leitor se os autores deste atentado são aliados de algum político ou partido considerado de "direita" ou do socialista PSOL, esquerdista até a medula...

Henrique Sebastião



Ataque terrorista na Avenida Paulista

Por Rose Limeira



SE HÁ UM PAÍS aberto a estrangeiros, esse país é o Brasil! Nossa história é construída a partir de vários povos e várias culturas, dos mais diversos países. Sempre recebemos (muito bem) imigrantes, sendo muitos deles refugiados de países em guerra, haja vista a cidade de São Paulo, cuja população é a mais cosmopolita da América Latina, havendo bairros bem conhecidos por serem povoados, predominantemente, por determinado povo, como é o caso dos italianos do Bexiga, os japoneses da Liberdade, os libaneses, sírios e judeus do Bom retiro, etc, etc.

O Projeto de Lei 2.516/15, aprovado pela Câmara dos deputados e pelo Senado Federal na última quarta-feira (3/5/2017), denominado Lei de Migração, do senador Aloysio Nunes –, conhecido por ter sido motorista do famoso terrorista Carlos Marighella e por sua ligação direta com atentados terroristas e assaltos no período do regime militar –, a partir dessa análise muito objetiva dos fatos simplesmente não faz sentido, uma vez que estrangeiros não são proibidos de virem para o Brasil (bem pelo contrário, quem quer vir para cá já desfruta de toda sorte de facilidades e mesmo incentivos governamentais, como no caso dos haitianos). Por que razão criar tal lei, então? A aprovação se deu às pressas, sem chances de pressão popular, porque trata de escancarar as portas para todos e quaisquer povos (e indivíduos), sem critério algum, e dando-lhes realmente direitos e privilégios que nem os cidadãos nativos possuem. 

No que isso implica? Imagine refugiados vindo da Síria sem nenhuma restrição. Pensou? Sabe aqueles radicais islâmicos que odeiam o Ocidente? Não importará, por exemplo, se cometeram crimes contra a humanidade, pois a lei de migração os protegerá e lhes dará não só o direito de entrarem e permanecerem aqui, mas poderão trazer também suas famílias e amigos, sejam parentes de sangue ou não. No final das contas, nossos governos esquerdistas (falidos em todos os sentidos), que já não contam com a simpatia do eleitorado nativo há tempos, precisarão de eleitores cheios de gratidão para permanecerem no poder, pois os partidários da nova lei querem que todos os estrangeiros tenham também o direito de votar e escolher os nossos governantes (terão iguais direitos aos brasileiros em tudo), fora benefícios que receberão que os próprios brasileiros não têm.

Com o perigo iminente, o movimento "Direita São Paulo", na terça-feira (2/5/2017), foi, exercendo seu direito de livre expressão e com petição protocolada, para a Avenida Paulista cobrar do presidente em exercício que vetasse o projeto aprovado pelo senado. A marcha saiu do prédio da Gazeta e caminhou ao longo da Paulista, até que, na altura da estação Consolação, os manifestantes foram surpreendidos por uma bomba caseira(!) e atacados com socos e pontapés de um grupo de sírios e comparsas. Não fossem a Graça de Deus e a polícia militar, nem se sabe o que seria dos cidadãos brasileiros que integravam essa manifestação. Cerca de seis pessoas se feriram, dentre mulheres, adolescentes e idosos. Chegando a polícia na delegacia, em menos de dez minutos já chegaram pelo menos dez advogados, representantes dos direitos humanos, e, pasmem, intérprete para um dos terroristas que não fala português.

A mídia está tratando o caso como um simples "confronto entre manifestantes", e vitimizando os sírios com o discurso de que a Direita São Paulo é contra os imigrantes. Não se deixe enganar! O chefe do grupinho terrorista é líder do movimento "Palestina para Todos" e sabia exatamente o que estava fazendo. Hasan Zarif é dono do restaurante Al Janiah, no centro de São Paulo, e recebe refugiados (muitos ilegais). Seu restaurante é ponto de encontro para ativistas de esquerda e ele tem ligação com o partido PSOL.



Este é Hassan Zarif, preso portando soco inglês e flagrado em vídeo atirando artefato explosivo. Ele é dono do bar Al Janiah (Rua Rui Barbosa, 269, na Bela Vista). Mais acima, armas brancas que ele portava.

Os terroristas foram enquadrados em doze crimes, mas a defesa deles diz que estavam transitando normalmente na avenida quando os manifestantes radicais os atacaram. É claro que cidadãos caminham amistosamente pelas ruas portando bombas, socos ingleses e martelos, não é? Mas, segundo eles, o DSP (que não portava nenhum tipo de arma) atacou os "pobres transeuntes", porque é uma "extrema direita raivosa". No fim, os agressores foram tratados como vítimas. No Brasil de hoje, ser visto como sendo de “direita” é um crime sem perdão. Os militantes da tolerância e do respeito à diversidade querem ver o mundo inteiro pintado de vermelho.

Um dia anterior à lei ser sancionada, o Brasil teve o primeiro registro de ataque terrorista islâmico. O que acha que virá pela frente, já que o presidente Temer nomeou o muçulmano Hussein Kalout para a secretaria de Assuntos Estratégicos? Pense nisso!


* * *


Os brasileiros dormem em berço esplêndido com relação a essa imediata, concreta e pavorosa ameaça, mas aqueles que querem transformar o Brasil numa sucursal de califado árabe estão bem acordados. Na mesma Avenida Paulista, poucos dias após o ocorrido, houve uma marcha de apoiadores da Lei de Imigração, com manifestantes portando a bandeira do sanguinário Estado Islâmico(!).

Parece mentira, mas infelizmente não é. A ousadia desse pessoal não tem limites. Por fim, nunca é demais lembrar que o Brasil tem hoje 14 milhões de desempregados, e ainda assim quer abrir suas portas para imigrantes virem disputar os raros empregos com os brasileiros. Outro candidato a entrar em massa no país são os venezuelanos, fugindo da catástrofe do chavismo. Em Boa Vista, capital de Roraima, milhares de venezuelanos estão entrando no Brasil. Inclusive centenas de mulheres que estão sendo exploradas e levadas a prostituição para sobreviver. Não se trata de falta de solidariedade com quem precisa, mas de dar prioridade aos problemas do Brasil, que são muitos e urgentes. Brasil em primeiro lugar.


* * *

Abaixo, o vídeo que mostra como o grupo do movimento "Direita São Paulo" se portava com total tranquilidade e absoluta civilidade no momento do atentado, sem nenhuma provocação ou afronta a quem quer que seja; mais abaixo, outro vídeo com os comentários da equipe do canal "Terça Livre".



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