‘Talvez tenhamos chegado ao Fim dos Tempos’: entrevista com Cardeal Burke

Cardeal Raymond Burke fala sobre divisão, o Fim dos Tempos e o que ele faria se fosse eleito Papa

Por Paolo Gambi 
Tradução: Fraternidade Laical São Próspero 


Sua Eminência o Cardeal Burke e Henrique Sebastião, diretor da Fraternidade Laical São Próspero

O CARDEAL RAYMOND BURKE tem estado presente em muitas notícias desde o ano passado. Em novembro de 2016, ele e outros três cardeais presentearam o Papa Francisco com o famoso documento Dubia – contendo cinco questões a respeito da exortação apostólica de Francisco sobre a Família, a Amoris Laetitia

Desde então, o Cardeal norte-americano viu-se envolvido em uma luta pelo poder dentro da Ordem de Malta, da qual é patrono. Isso foi seguido por sua nomeação surpresa para membro do Supremo Tribunal da Signatura Apostólica, o tribunal mais elevado da Igreja. Ele foi prefeito da mesma Signatura de 2008 a 2014, quando foi removido pelo Papa Francisco. 

Cardeal Burke tem falado frequentemente contra o que ele vê como uma crescente confusão dentro da Igreja em relação à Liturgia, à identidade Católica e até mesmo a Fé em si. Eu o encontrei um pouco antes do primeiro aniversário do Dubia, em uma celebração na Basílica de Sto. Apolinário em Classe, em Ravenna, organizado pelo Coordinamento Nazionale del Summorum Pontificum e pela associação cultural São Miguel Arcanjo [Segue a entrevista concedida por Sua Eminência Revma. ao jornalista Paolo Gambi, pelo noticioso Catholic Herald].


Paolo Gambi
Paolo Gambi – Sua Eminência, recentemente o senhor se referiu aos nossos tempos como “realisticamente apocalípticos”. E o senhor adicionou que a “confusão, divisão e erro” dentro da Igreja Católica, vindo dos “pastores” que se encontram até mesmo nas mais altas posições indica que nós “talvez” estejamos no Fim dos Tempos. O senhor nos ajudaria a compreender o que quis dizer com isso?

Cardeal Burke – No momento atual há confusão e erro sobre os mais fundamentais ensinamentos da Igreja, por exemplo em relação ao casamento e à família. Exemplifico com o seguinte, a ideia de que as pessoas que estão vivendo em uma união irregular podem receber Sacramentos é uma violação da verdade quanto à indissolubilidade do Matrimônio e a santidade da Eucaristia. S. Paulo nos diz em sua Primeira Carta aos Coríntios que antes de nos aproximarmos para receber o Corpo de Cristo, nós temos que nos examinar, ou então comeremos da nossa própria condenação, por recebermos a Eucaristia de modo indigno.

Agora, a confusão na Igreja vai ainda mais longe que isso, porque existe hoje uma confusão sobre se existem atos que são intrinsecamente maus e isso, é claro, é o próprio fundamento da lei moral!

Quando este fundamento começa a ser questionado dentro da Igreja, então toda a ordem da vida humana e a ordem da própria Igreja estão em perigo. Então, há um sentimento de que no mundo de hoje, que é baseado no secularismo com uma aproximação completamente antropocêntrica, pelo qual pensamos ser capazes de criar os nossos próprios significados da vida e o significado da família, e assim por diante, a própria Igreja parece estar confusa. Neste sentido, alguém pode ter a sensação de que a Igreja nos dá a aparência de não querer obedecer aos Mandatos de Nosso Senhor. Então, talvez tenhamos mesmo chegado ao Fim dos Tempos.


Paolo Gambi – O senhor poderia, por favor, nos dar uma atualização sobre a “correção formal” [de Amoris Laetitia]?

Cardeal Burke – Eu não posso dizer muito. Em 14 de novembro, completará um ano desde que o Dubia foi publicado. Toda a questão ainda está por ser determinada sobre como proceder, visto que não recebemos nenhuma resposta, nem mesmo um reconhecimento do Dubia, que são questões muito sérias. Penso que não posso dizer mais nada além disso no momento.


Paolo Gambi – Qual é a correta interpretação de sua recente nomeação para a Signatura Apostólica?

Cardeal Burke – Como cardeal, eu tenho servido muitos dicastérios da Cúria Romana. Como questão de fato, eu estou agora servindo somente dois dicastérios, a Congregação para as Causas dos Santos e o Concelho Pontifício para Textos Legislativos. Certamente, eu tenho preparo em Lei Canônica e especialmente em Jurisprudência, então, de algum modo, minha nova nomeação é algo lógico. Além disso, eu não gostaria de especular sobre o que isso significa.


Paolo Gambi – O secretário-geral da Conferência Episcopal dos Bispos Italianos, Bispo Nunzio Galantino, recentemente declarou que a "Reforma" [ou revolução protestante] foi “um evento do Espírito Santo”[!], e todo dia nós lemos sobre prelados lançando piscadelas de olho [em sentido de aprovação] para o mundo protestante. Enquanto isso, nós lemos sobre uma comissão que está trabalhando com a hipótese de uma interpretação sacramental comum da Eucaristia [um rumor posteriormente negado pelo Vaticano]. Todos nós morreremos protestantes?

Cardeal Burke – Bem, eu não vejo como alguém pode dizer que a divisão da Igreja foi uma ação do Espírito Santo. Isso simplesmente não faz sentido. E eu não conheço qual é a natureza dessa comissão, mas não é possível ter uma celebração Eucarística comum com os luteranos, porque eles não creem na Eucaristia como a Igreja Católica ensina, e, muito significantemente, eles não creem na doutrina da Transubstanciação, que diz que a substância do pão e do vinho, no momento da Consagração da Missa, é modificada na Substância do Corpo e Sangue de Cristo.

Para os católicos se empenharem em algum tipo de "Eucaristia ecumênica" seria necessário abandonar a Fé Católica! Isso é um ecumenismo profundamente falso, que faria graves danos à Fé e às almas.


Paolo Gambi – Em uma homilia o senhor pontuou: “A natureza da reforma do Rito da Missa escureceu significativamente em certo sentido; a Ação divina na Santa Missa, que é a união do Céu e da Terra, tem levado alguns a erroneamente pensarem que a Santa Liturgia é uma ação que nós temos fabricado de certo modo e com a qual podemos, portanto, fazer experiências”. É verdade, como muitas pessoas pensam e dizem, que essa nova maneira de celebrar a Missa é uma consequência necessária do Vaticano II?

Cardeal Burke – A forma precisa do Rito da Missa revisado não é necessariamente uma consequência do Segundo Concílio Vaticano (CVII). De fato, a reforma do Rito da Missa como foi realizada não seguiu tão fielmente quanto deveria ter seguido aquilo que o CVII nos ensinou e queria. É por isso que estamos falando hoje em dia sobre a “reforma da reforma”: em outras palavras, nós devemos examinar de novo como o Rito da Missa deve ser mais fielmente reformado de acordo com o Concílio.

Certamente, o Concílio ordenou alguma reforma do Rito da Missa. Entretanto, alguns condenaram a reforma por ter sido feita de modo muito violento, de certa forma, em termos de remover muitos aspectos do rito, o que fez com que ficasse muito difícil de enxergar a continuidade entre os ritos antes e depois do Concílio.

É claro que a continuidade é essencial, porque o Rito da Missa veio até nós desde os primeiros séculos cristãos, como uma realidade organicamente viva; você não pode simplesmente ter uma Missa "nova", no sentido de um Rito da Missa totalmente novo. De alguma forma, nós devemos expressar a Tradição Apostólica como ela veio até nós.


Paolo Gambi – É possível, hoje em dia, pedir pela Liturgia tradicional e não ser considerado, por essa razão, um “inimigo” do Papa Francisco e talvez até mesmo da Igreja inteira?

Cardeal Burke – Sim. De fato, as celebrações de ambas as formas do Rito Romano – a forma mais antiga ou tradicional e a forma ordinária – devem ser consideradas normais na Igreja. Desde o motu proprio Summorum Pontificum de Bento XVI em 2007, os padres são livres para celebrar a forma extraordinária do Rito Romano. Portanto, não deve haver razão para acreditar que celebrá-la é sinal de ser, de algum modo, um manifestante ou um inimigo do Papa.


Paolo Gambi – Mas como podemos usar a palavra “católico” para descrever um cardeal que celebra a antiga Missa e defende os valores da família e, por exemplo, um bispo como François Fonlupt de Rodez et Vabres, que recentemente ordenou um padre seguindo um rito com elementos do hinduísmo? O que pode manter a todos nós juntos?

Cardeal Burke – Melhor do que “o que” é “quem”. Quem nos mantém juntos é Jesus Cristo, que vem a nós na inquebrável Tradição da Igreja, em seu Ensinamento, em sua Oração sagrada, em seus discípulos e em seu Governo. Eu não ouvi sobre o episódio que você mencionou, mas um bispo que finge ordenar um padre de acordo com um rito estranho rompeu a comunhão com a Igreja.


Paolo Gambi – O senhor, como patrono da Ordem de Malta, tem alguma novidade sobre a situação incomum da ordem?

Cardeal Burke – Não. O Papa anunciou que seu único representante na ordem é o Arcebispo Becciu [da Secretaria de Estado do Vaticano]. Ele me deixou com o título de “Cardeal Patrono”, mas eu não tenho nenhuma função no momento. Portanto, não recebo nenhuma comunicação da Ordem de Malta ou do Papa.


Paolo Gambi – Perdoe-me uma última pergunta tola: o que o senhor faria, como primeiro ato, se fosse eleito papa?

Cardeal Burke – Não creio que haja algum risco de isso acontecer. Penso que, não me referindo a mim mesmo, a primeira coisa que qualquer Papa deve fazer é simplesmente a profissão de fé junto com toda a Igreja, como Vigário de Cristo na Terra [algo que Francisco não fez, optando por um secular 'boa noite' e, logo a seguir, um pedido pelas orações do povo]. A maioria dos Papas fez isso, geralmente por uma primeira Carta Encíclica, como o Papa S. Pio X com sua encíclica E Supremi. Também, a Redemptor Hominis, do Papa S. João Paulo II, é uma espécie de profissão de fé, lembrando novamente que a Igreja é o Corpo de Cristo, que a Igreja pertence a Cristo e que somos todos obedientes em seu serviço. 


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Fonte:
Catholic Herald, ‘Perhaps we have arrived at the End Times’: an interview with Cardinal Burke, em: 
http://catholicherald.co.uk/issues/december-1st-2017/perhaps-we-have-arrived-at-the-end-times-an-interview-with-cardinal-burke/
Acesso: 4/12/2017
www.ofielcatolico.com.br

Provas teológicas da existência do Inferno


DE TEMPOS EM TEMPOS ressurge uma corrente teológica que procura rediscutir/reinterpretar o tema (difícil, reconhecemos) do Inferno. Alguns outros procuram lidar com o problema desdenhando, porque o consideram inoportuno ou mesmo inadmissível para a sensibilidade das pessoas dos nossos tempos. Alguns "católicos do IBGE" (chamados também, especialmente pelos jovens, 'católicos-jububa'), chegam a dizer abertamente que não creem na existência do Inferno.

As Sagradas Escrituras, a Tradição da Igreja e o santo Magistério, porém, não deixam restar dúvida de que o Inferno, sim, existe[1], como confirmaremos no decorrer deste estudo. Não crer neste dado revelado, portanto, é afastar-se da Fé católica.

Saber que existe é um ponto de partida. Outro ponto fundamental é saber que o Inferno existe, mas não é uma criação de Deus, e sim uma invenção diabólica. Os seres humanos podem entrar nele, e dali não há mais saída, mas os que o fizerem o farão usando de sua total liberdade e escolha. Saber disto facilita bastante a compreensão do problema todo.

Na encíclica Spe Salvi, o Papa Bento XVI faz alusão a recentes episódios da história do mundo em que ficou evidente como o uso abusivo da liberdade pode levar, já neste mundo, a uma opção irremediável pelo mal:

Pode haver pessoas que destruíram totalmente em si próprias o desejo da verdade e a disponibilidade para o amor; pessoas nas quais tudo se tornou mentira; pessoas que viveram para o ódio e espezinharam o amor em si mesmas. Trata-se de uma perspectiva terrível, mas algumas figuras da nossa mesma história deixam entrever, de forma assustadora, perfis deste gênero. Em tais indivíduos, não haveria nada de remediável e a destruição do bem seria irrevogável: é já isto que se indica com a palavra 'inferno'.[2]

O Inferno não é, pois, uma mera hipótese, mas uma constatação teológica, cuja possibilidade se torna muito concreta se o ser humano olhar com sinceridade o seu próprio coração. Fatalmente, a criatura tem, sim, o poder de se afastar definitivamente de seu Criador plenamente amoroso.

Na verdade, são justamente as pessoas que deixam de crer no inferno as que terminam cometendo –, por causa disso –, as maiores atrocidades. Como creem que não haverá castigo, sentem-se "para além do bem e do mal", e assim tudo lhes parece permitido.

Mas, na expressão de São Bernardo de Claraval, "impassibilis est Deus, sed non incompassibilis" – "Deus é impassível, mas não incompassível"[3]: embora não possa padecer, Deus Se compadece dos fracos e oprimidos neste mundo. Sua graça, adverte-nos mais uma vez o Papa Bento XVI, "não exclui a justiça", nem "muda a injustiça em direito".

Os que não creem no Inferno imaginam que tudo quanto se fez ou se omitiu nesta Terra –, de bem e de mal, de sacrifício e de prazer, de esforço e de indolência, por amor e por rancor, por altruísmo ou por pura maldade, com coragem heroica ou por covardia –,  termine por ter o mesmo valor, sendo recompensado de maneira exatamente igual. Contra um "Céu" e uma "Graça" deste tipo, protestou com razão, por exemplo, Dostoiévski, em seu romance Os irmãos Karamázov: "Ao final, no Banquete Eterno, não se assentarão à mesa indistintamente os malvados junto com as vítimas, como se nada tivesse acontecido."[4]

Mesmo diante de tantas razões, perguntarão pesquisadores do cristianismo e das religiões: "Quais são, especificamente, as bases bíblicas para se crer no Inferno?". De igual modo, questionarão outros, os racionais e os isentos: "Será ainda conveniente falar sobre o inferno ao homem de hoje?". Algumas respostas a estas questões veremos no correr deste artigo.


Sagradas Escrituras

As Escrituras claramente atestam um lugar de condenação eterna denominado Inferno, às vezes referido como Geena. Os exemplos são diversos: o Cristo disse que o homem que desprezar seu irmão “será condenado ao fogo da Geena” (Mt 5,22). Nosso Senhor também advertiu: “Não temais os que matam o corpo mas não podem matar a alma. Antes, temei Quem pode destruir tanto corpo como alma na Geena” (Mt 10,28).

Jesus disse ainda: “Se a tua mão te faz cair, corta-a. Melhor entrar na vida com uma só mão do que, mantendo ambas as mãos, ir para a Geena de fogo inextinguível” (Mc 9,43). Usando a parábola do joio e do trigo para descrever o Julgamento final, disse ainda: “Os anjos os lançarão [os malfeitores] na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes” (Mt 13,42).

Semelhantemente, em outra ocasião Cristo falou do Julgamento final, em que ovelhas serão separadas dos lobos, Ele dirá ao mau: “Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo perpétuo preparado para o demônio e seus anjos” (Mt 25,41). Também vemos, no Livro da Revelação, cada pessoa sendo julgada individualmente, e os malfeitores sendo lançados em um “fosso de fogo, que é a segunda morte” (20,13-14).

Geena ('Gehenna') era o nome dado a um vale ao sul de Jerusalém, que era utilizado para sacrifícios pagãos de crianças pelo fogo. O profeta Jeremias amaldiçoou o lugar e predisse que seriam um lugar de morte e corrupção. Na literatura rabínica tardia, o termo identificava o lugar de castigo eterno com torturas e fogo inextinguível para os maus.

A partir das provas bíblicas, a Igreja consistentemente ensinou, desde sempre, que de fato o Inferno existe. Que as almas dos que morrem em um estado de pecado mortal imediatamente vão para o castigo eterno no Inferno. O castigo do Inferno é, principalmente, a separação eterna de Deus. Lá, se sofre um sentido de perda incomensurável, a perda do Amor de Deus, que para nós é a própria vida, a perda da vida em Deus que é a Fonte de todos os bens dos quais somos capazes de desfrutar nesta vida. Esta é a perda de qualquer possibilidade de felicidade, amor verdadeiro, plenitude, consolação ou paz, pois todas estas coisas estão relacionadas a Deus, e d'Ele dependem diretamente para existir. Só em Deus o homem encontrará realização (cf. CCE 1035).

As descrições dadas sobre o “fogo do Inferno” pela Constituição Apostólica Benedictus Deus (1336), do Papa Benedito XII, disseram que as almas “sofreriam a dor do Inferno”, e o Concílio de Florença (1439) decretou que as almas “seriam punidas com castigos diferentes”. Diversos santos tiveram visões de inferno. Ir. Faustina o descreveu como

um lugar de grande tortura; é terrivelmente grande e extenso! (...) A primeira tortura que constitui o Inferno é a perda de Deus; a segunda é o remorso perpétuo da consciência; a terceira é que aquela condição nunca mudará; a quarta é o fogo que penetrará na alma sem destruí-la, um sofrimento terrível, como é um fogo puramente espiritual, aceso pela Ira de Deus; a quinta tortura é a escuridão ininterrupta e um terrível e sufocante odor. Apesar da escuridão, os demônios e as almas dos condenados vêem todos os males, os próprios e dos outros; a sexta tortura é a companhia constante de Satanás; a tortura sétima é o horrível desespero, aversão de Deus, palavras vis, maldições e blasfêmias. Estas são as torturas sofridas por todos os condenados, mas isto não é o fim dos sofrimentos. Há torturas especiais dos sentidos. Cada alma sofre sofrimentos indescritíveis, terríveis, relacionados à maneira com que se pecou. Há cavernas e fossas de tortura onde uma forma de agonia difere da outra. Teria eu morrido na visão destas torturas se a onipotência de Deus não tivesse me apoiado. Escrevo isto no comando de Deus, de modo que nenhuma alma pode achar uma desculpa para dizer que não há inferno, nem que ninguém jamais esteve lá e por isso não se pode dizer como ele é.”

Teologia da Tradição e do Magistério

O papa S. João Paulo II, em "Cruzando o Limiar da Esperança" (pp. 185-6), lançou a pergunta: “Pode Deus, que tanto amou o homem, permitir que o homem que O rejeita seja condenado a tormento eterno?”. Citando as Escrituras Sagradas, nas passagens que vimos mais acima, respondeu repetindo o ensino inequívoco de Nosso Senhor. Lembrou-nos também que a Igreja nunca condenou uma pessoa particular ao Inferno, nem mesmo Judas; antes, a Igreja deixa todo julgamento nas mãos de Deus. Entretanto, o Papa, por uma série de perguntas, afirma que o Deus Amor é também o Deus Justiça, que nos faz responsáveis por nossos pecados e assim, por justiça, poderá nos punir.

Devemos suplicar pela Graça de resistir às tentações e seguir o caminho do Senhor, ao mesmo tempo procurando o perdão para qualquer queda em que venhamos a incorrer. Falando sobre a jornada da Igreja Peregrina, a Constituição Dogmática sobre a Igreja do CVII (n. 48) diz que “desde que não se sabe nem o dia nem a hora, devemos seguir o conselho do Senhor e vigiar constantemente, de modo que, quando o único curso de nossa vida terrena for completada, possamos merecer entrar com Ele na Festa das Bodas e sermos numerados entre os abençoados, e não com os serventes maus e preguiçosos, sermos enviados ao fogo eterno, na escuridão exterior onde ‘haverá pranto e ranger de dentes'.”. Por esta mesma razão, rezamos na primeira Oração Eucarística da Missa, “Pai aceitai esta oferenda de toda a vossa família. Concedei-nos vossa paz nesta vida, poupai-nos da condenação final, e contai-nos entre os escolhidos”.

Retomando a questão posta no início, será ainda conveniente falar sobre o inferno ao homem de hoje?  Tal assunto não poderia traumatizar as almas dos nossos tempos, óbvia e visivelmente mais sensíveis que as de tempos passados? A pedagogia divina, expressa na vida dos santos e místicos da Igreja, demonstra que não. Sta. Teresa de Ávila relata, em sua autobiografia, como a visão que teve do Inferno foi "uma das maiores graças" que o Senhor lhe concedeu[5]. Tal experiência, ao contrário de traumatizá-la ou afastá-la do fervor divino, fê-la inflamar-se de tal amor por Nosso Senhor que – como diz ela em seu "Caminho de Perfeição"[6] – estaria disposta a dar mil vidas pela salvação de uma só das almas que se precipitam no horrendo abismo eterno.

Em 1917, em Portugal, Nossa Senhora, nossa Mãe do Céu e a grande mestra da Igreja, também não hesitou em mostrar o Inferno aos pastorinhos de Fátima. "Algumas pessoas, mesmo piedosas" – disse Ir, Lúcia em suas memórias[7] –, "não querem falar às crianças do Inferno, para não as assustar. Mas Deus não hesitou em mostrá-lo a três crianças, e uma de 6 anos apenas, a qual Ele sabia que se havia de horrorizar a ponto de, quase me atrevia a dizer, definhar-se de susto".

Por que permitiu Deus que aquelas frágeis crianças tivessem, diante de si, realidade tão aterradora? Certamente podemos considerar que sua Graça as fortaleceu sobrenaturalmente, mas a razão é que, segundo a própria vidente, Deus quis excitar-lhes o temor. Não uma espécie de temor servil, como o medo que o escravo tinha de seu dono, mas o temor filial, o respeito e a reverência de um filho. De fato, depois de contemplarem o Inferno, Francisco, Jacinta e Lúcia, ao contrário de definharem de pavor, sentiram-se inflamados por um grande amor a Deus, uma disposição nunca experimentada e também uma serenidade absolutamente inexplicável em crianças tão pequenas, mesmo diante de grandes tribulações que viveram. Passaram, a partir daí, a se penitenciar e rezar continuamente pela salvação das almas da condenação eterna. É o que devemos fazer, também nós.


Estará vazio o Inferno?

Mais recentemente, o reconhecido teólogo Hans Urs von Balthasar, considerado um dos pensadores cristãos mais importantes do século XX, aventou uma interessante possibilidade: o Inferno, embora exista, talvez estivesse vazio ('l'inferno vuoto'). 

Será? Este seria, não podemos negar, um pensamento consolador para muita gente. Mesmo os grandes monstros da humanidade, como Judas, Nero e Calígula, Hitler ou Stalin, teriam se arrependido de todas as suas maldades em seus últimos suspiros e, assim, escapado da condenação eterna, resvalando para o Purgatório de purificação – que no caso destes, evidentemente, seria duríssimo.

Ainda que possamos ter esta hipótese teológica como esperança, o fato inescapável é que a Tradição da Igreja não pode corroborar esse pensamento, por várias razões. Primeiro porque Satanás e seus anjos rebeldes já estão condenados no inferno[8]; depois porque Cristo, ao encerrar o seu "sermão escatológico", não deixa dúvidas ao afirmar que os maus "irão para o castigo eterno" (Mt 25, 46).

Devemos lembrar que Deus não deseja que ninguém seja condenado, mas nos confere a Graça atual, que ilumina o intelecto e fortalece a vontade de modo que possamos fazer o bem e nos desviar do mal. Entretanto, uma pessoa, com o consentimento do seu intelecto, pode escolher praticar o mal e, com essa escolha, cometer pecado mortal, e assim rejeitar Deus. Se uma pessoa não se arrepende do pecado mortal, não tem qualquer remorso e persiste por vontade própria neste estado, então esta rejeição consciente e voluntária de Deus continuará para a eternidade. Em resumo: as pessoas não são condenadas, mas condenam-se, elas mesmas, ao Inferno.

Permanecer na fé da Igreja, portanto, é o caminho seguro, a única garantia que temos. Os pregadores da Palavra deveriam voltar a falar do Inferno, e dizer o que e como é, não para aterrorizar o povo, mas para fazer as pessoas crescerem no zelo e na caridade. A caridade não pode ser levada a sério se não se tem uma verdadeira repulsa pelo mal e pelo eterno afastamento do Sumo Bem, que é Deus.

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1. Cf. Catecismo da Igreja Católica, 1033.
2. Papa Bento XVI, Carta Encíclica Spe Salvi (30 de novembro de 2007), III, 45.
3. Sermones in Cantica Canticorum, 26, 5 (PL 183, 906).
4. Papa Bento XVI, Carta Encíclica Spe Salvi (30 de novembro de 2007), III, 44.
5. Livro da Vida, 32, 4.
6. Cf. Caminho de Perfeição, 1, 2; Livro da Vida, 32, 6.
7. ALONSO, Joaquín María; KONDOR, Luigi; CRISTINO, Luciano Coelho. Memórias da Irmã Lúcia. 13. ed. Fátima, 2007, p. 123.
8. Cf. Papa João Paulo II, Audiência Geral (28 de julho de 1999), n. 4.

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Ref.:
• Padre Paulo Ricardo. O inferno existe?, disp. em:
https://padrepauloricardo.org/episodios/o-inferno-existe

Acesso 30/11/2017
• Veritatis Splendor. Sim, existe um Inferno,  disp. em:
http://www.veritatis.com.br/sim-existe-um-inferno/

Acesso 30/11/2017
www.ofielcatolico.com.br

Papa Francisco toca em um assunto quase proibido – a mídia fingiu que nem ouviu


O PAPA FRANCISCO recordou, no último domingo (26/11/2017), as cerca de 3,5 milhões de vítimas da fome provocada deliberadamente nos campos da Ucrânia pelas políticas comunistas perpetradas pelo ditador Joseph Stalin, da antiga União Soviética, entre 1932 e 1933, para "coletivizar" fazendas de gado e terras agrícolas. 

Por algum motivo, sempre que se quer mencionar um ditador terrível, um regime político execrável ou mesmo uma pessoa que seja símbolo da maldade humana, cita-se Adolf Hitler. São dúzias de documentários lançados em redes de TV, livros e artigos escritos, todos os anos, esmiuçando em detalhes o que foi regime nazista e a vida do seu fundador. Entretanto, a maioria dos piores crimes da história da humanidade –, muitos até piores do que os perpetrados pelo nazismo –, foram cometidos por regimes comunistas ao redor do globo terrestre. O abominável episódio lembrado pelo Papa, denominado hoje Holodomor, foi, dentre muitos outros, apenas um dos mais vultosos: neste, foram 1 milhão e meio de pessoas no Cazaquistão e aproximadamente outro milhão de habitantes do norte do Cáucaso e regiões ao longo dos rios Don e Volgam, que sofreram o bárbaro suplício da morte pela fome –, entre homens, mulheres e crianças –, causada propositalmente pelo governo comunista.






Quando você se deparar com um militante esquerdista relativizando os bárbaros crimes cometidos pelo regime que ele defende, lembre-se destas cenas tão pouco divulgadas

Em mensagem ao povo ucraniano, o Papa Francisco mencionou “a tragédia do Holodomor, a morte por fome provocada que deixou milhões de vítimas. "Rezo pela Ucrânia, para que a força da paz possa curar as feridas do passado", disse, em seu tom caracteristicamente pacificador.

O genocídio ucraniano começou devido à resistência de camponeses do país à coletivização forçada, uma das bases do regime comunista, que vê a riqueza não como como valor gerado pelo indivíduo que trabalha e produz, por direito seu, mas como um grande "bolo" que deve ser igualmente dividido entre todos, suprimindo, junto com a liberdade de empreender, os talentos e capacidades individuais, assim como a propriedade privada, que passa a ser vista  como "roubo"[1].

Os soviéticos, sem mais, confiscaram à força, impiedosa e maciçamente, o gado, as terras e as fazendas dos ucranianos, e lhes impuseram punições que iam dos trabalhos forçados ao simples assassinato sumário, passando por brutais deslocamentos impostos a comunidades inteiras. Apesar de ter sido o extermínio sistemático de um povo, por pressões ideológicas ainda não há, até os nossos dias, um reconhecimento amplo e claro do genocídio ucraniano pela assim chamada “comunidade internacional”.

Certas correntes ideológicas organizadas e altamente atuantes evitam o termo "genocídio" para tratar o caso, alegando que o Holodomor teria sido a mera consequência de "problemas logísticos" associados às radicais alterações econômicas da União Soviética. De fato, para os vermelhos, uma coisa deixaria de ser o que é por ter sido efeito colateral de alegadas "boas intenções". É interessante observar que, recorrente e teimosamente, são elaboradas teorias suavizantes e condescendências "técnicas" para tentar disfarçar a verdade nua e crua sobre o comunismo: aqui está a explicação para o fato de sermos o tempo todo lembrados dos crimes do odioso nazismo, mas não existir a mesma firmeza quanto aos crimes igualmente odiosos, e em muitos casos até mais graves (especialmente em quantidade), do comunismo.

Não se trata, aqui, de comparar horrores, mas de questionar o relativo silêncio em torno a um em comparação com a ampla divulgação que se dá a outro. Só há relativização moral do extermínio humano, afinal, na mente de quem o instrumentaliza. É fato que praticamente todo o mundo que tem acesso à mídia já ouviu dizer que Hitler matou 6 milhões de judeus nos campos nazistas de concentração entre 1933 e 1945 (embora se dê menos atenção ao fato de que esse extermínio também se estendeu a outras minorias, como ciganos, poloneses, prisioneiros de guerra soviéticos, deficientes físicos e mentais, homossexuais, além de minorias clamorosamente 'esquecidas', como as vítimas católicas – São Maximiliano Kolbe e Santa Teresa Benedita da Cruz são exemplos ilustres dentre muitíssimos outros, ignorados, que bastam para questionar a campanha de desinformação orquestrada por quem acusa a Igreja de ter sido 'cúmplice' daquela carnificina).

Sem que se diminua em nada, portanto, a necessidade imperiosa de reconhecer o horror a que foram submetidos covardemente o povo judeu e as outras minorias perseguidas pelo nazismo, é preciso observar igualmente que, em comparação, muitíssimo menos gente já ouviu dizer que Stalin matou, pouco antes, 6 milhões de ucranianos, cazaques e outras minorias soviéticas mediante a imposição da fome massiva. Do mesmo modo são pouquíssimos os que sabem dos outros 14 milhões de pessoas assassinadas pelo comunismo apenas na União Soviética, sem falar do restante de vítimas em uma lista estarrecedora de seres humanos exterminados no mundo todo ao longo do século passado: foram 65 milhões na República Popular da China; 1 milhão no Vietnã; 2 milhões na Coreia do Norte; 2 milhões no Camboja; 1 milhão nos países comunistas do Leste Europeu; 1,7 milhão na África; 1,5 milhão no Afeganistão; 150 mil na América Latina; 10 mil como resultado das ações do movimento internacional comunista e de partidos comunistas fora do poder.

Esta soma petrificante de quase 100 milhões de seres humanos exterminados pelos regimes comunistas é estimada, com fundamento e propriedade, pelos respeitados autores de "O Livro Negro do Comunismo: crimes, terror, repressão", obra coletiva encabeçada por Stéphane Courtois, em 1997. De lá para cá, nas regiões que continuaram sujeitas ao regime comunista e seus métodos intrinsecamente opressivos (comunismo e ditadura são irmãos gêmeos, já que a almejada 'igualdade' precisa sempre, necessariamente, ser imposta à força), como a China, a Coreia do Norte e outras nações que retrocederam em sua trajetória democrática para reeditar essa aberração histórica, como é o caso da Venezuela de Chávez, Maduro e seus parceiros do Foro de São Paulo, uma multidão de novos cadáveres veio aumentar a cifra já assustadora.

Numa época em que as farsas de viés socialista desgraçadamente voltam a ganhar força, apresentando-se ao mundo como "libertadoras do povo" ou as eternas "salvadoras dos pobres" (novamente, vide Venezuela, e regimes de 'fatiamento da riqueza' praticado por governos de ideologia socialista em países como Cuba, Argentina e Brasil), a verdade sobre o comunismo costuma ser "evitada" nos noticiosos de TVs e nos grandes jornais e revistas a serviço desse mesmo projeto de poder (que perfazem a quase totalidade). Este poder, desnecessário seria dizer, não é nunca, exatamente, o poder "do proletariado", como prega a propaganda, mas sim dos partícipes do governo, que invariavelmente vivem no luxo enquanto a população é nivelada por baixo. A este propósito, nunca é demais recordar o magistral resumo feito por George Orwell sobre a 'igualdade' realizada pelo comunismo, em sua obra genial "A Revolução dos Bichos": "Todos são iguais, mas alguns são mais iguais que outros".

Dentro desse contexto ideológico e da tergiversação dos fatos que é uma sua característica indissociável, é digno de aplausos que o Papa Francisco tenha dado nome aos bois – assim como já deu a outro genocídio amplamente “esquecido” pelo mundo até recentemente: aquele que a Turquia otomana perpetrou contra a Armênia cristã em 1915.

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1. No dizer de Pierre Joseph Proudhon (1809 – 1865), pensador revolucionário francês autoproclamado anarquista e tido como um dos mais influentes teóricos e autores do chamado socialismo utópico.
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Adaptado de:
VÊNETO. Francisco. Papa Francisco toca em um assunto quase proibido – a mídia fingiu que nem ouviu, Aleteia, disp. em:
pt.aleteia.org/2017/11/28/papa-francisco-tocou-em-assunto-quase-proibido-e-a-midia-fingiu-que-nem-ouviu/
Acesso 29/11/2017
www.ofielcatolico.com.br

Novela da Record blasfema contra a Igreja Católica: alguma surpresa?


ALGUNS LEITORES VÊM nos pedir que comentemos sobre uma certa novela televisiva estreada recentemente, da TV Record do mercenário da fé e reconhecido falso profeta Edir Macedo. Pelo que pudemos apurar por meio de imagens e matérias disponibilizadas por veículos noticiosos (veja), o tal folhetim coloca o Anticristo como fundador da Igreja Católica (ou um espantalho da Igreja) e outras blasfêmias parecidas com esta.

Mas... o que poderíamos nós esperar de um falso profeta? O que poderíamos dizer sobre ele, além daquilo que as suas ações já não digam (bem melhor do que nós poderíamos) por si próprias?

Que esperar de um homem que, como todo fiel católico pode ver tão claramente, é de fato um servidor de Satanás agindo no mundo? Entendam, meus irmãos, que se alguém receia dizer estas coisas, assim claramente, não é um bom cristão católico.

Que esperar de um promotor do aborto fantasiado de rabino judeu? Um homem que ensina que Deus "é obrigado" a atender os pedidos daqueles que lhe dão dinheiro? Alguém que pretendeu reerguer o Templo de Salomão e trazer de volta a Arca da Antiga Aliança, quando as Sagradas Escrituras –, que ele afirma observar –, dizem que, no tempo da Nova e Eterna Aliança em Cristo, estas coisas teriam passado e nunca mais se falaria delas (conf. Jr 3, 14-17)? Um enganador de almas que, em Nome de Cristo, prega o oposto daquilo que diz o Evangelho?

Nossa única resposta está nas perguntas retóricas feitas por Nosso Senhor: "Acaso pode, de uma mesma fonte, jorrar água potável e água salobra? É possível que uma figueira produza azeitonas, ou uma videira, figos? É possível alguém colher uvas de um espinheiro ou figos das ervas daninhas?" (Tg 3,11-12; Mt 7,16).

Edir Macedo é o que é: uma árvore podre, de frutos venenosos. Ele não pode fazer o bem, pois "as pessoas boas produzem, do bom tesouro do seu coração, o bem, mas as pessoas más produzem toda sorte de coisas ruins a partir do mal que está em seu íntimo" (Lc 6,45). Quanto pior, então, será o caso daqueles que venderam suas almas a Satanás em troca de riquezas materiais?

Não satisfeito em desviar almas para o Inferno, afastando-as do autêntico Evangelho, Macedo sempre fez questão de atacar ferozmente o Corpo de Cristo, que é a verdadeira Igreja; esta mesma Igreja que ele procura copiar nos vitrais, no nome (Igreja Católica quer dizer, exatamente, 'Igreja Universal'), nas suas falsas "novenas"... E ele não começou agora, como pensam alguns desinformados; ele fez isso desde sempre, nas suas pregações, em suas publicações, no jornal da sua falsa igreja, que é impresso e distribuído aos milhões.

O demônio odeia a Igreja Católica mais do que tudo, porque a Igreja é Cristo e Cristo é a Igreja. Edir Macedo, servo do demônio, faz o trabalho do demônio, em troca de poder e luxo. Que surpresa pode haver nisto?

Por fim, quero perguntar aos que nos pedem que conclamemos os fiéis católicos a boicotar a tal novela: será mesmo preciso pedir a um católico que não assista tal espécie de imundície? Será preciso pedir ou mover uma campanha para que os verdadeiros fiéis católicos não assistam uma emissora que blasfema desta maneira contra o Corpo de Cristo?


Algumas "pérolas" de Macedo







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São João Paulo II profetizou a invasão da Europa pelos islâmicos em nossos tempos

Por Valerio Pece, La Nuova Bussola Quotidiana
Tradução: Fraternidade São Próspero


A islamização da Europa segue em pleno curso e a ritmo acelerado

Vejo a Igreja do terceiro milênio afligida por uma praga mortal. Chama-se Islã. Invadirão a Europa. Vi hordas marcharem do Ocidente para o Oriente, do Marrocos para a Líbia, do Egito para os países orientais.

EIS A CHOCANTE visão de S. João Paulo II, até agora desconhecida do público. Mons. Mauro Longhi, sacerdote da Prelazia Opus Dei, testemunha uma confissão alarmante, que deve nos deixar a todos muito atentos e tem potencial para provocar convulsões. O Monsenhor, que esteve muitas vezes em contato pessoal com o Papa polonês, durante seu longo pontificado, tornou público o episódio ocorrido no Eremo dei Santi Pietro e Paolo, em Bienno (norte da Itália), durante uma conferência organizada para celebrar João Paulo II, aos 22 de outubro deste 2017, dia em que a Igreja celebra a memória litúrgica do novo santo.

Para fazer os devidos esclarecimentos e dar o contexto da visão profética de Karol Wojtyla, relatada por um sacerdote acima de toda suspeita (Mons. Longhi gozou da estima pessoal não só de João Paulo II, mas também de Bento XVI, a ponto de ter sido chamado, em 1997, para integrar o Dicastério da Congregação para o Clero), precisamos de algumas referências geográficas e cronológicas.

Importante notar que a confissão do Papa Wojtyla remonta a março do ano 1993, duas décadas e meia passadas, quando a situação e a presença islâmica na Europa era, social e numericamente, muito diferente da atual.

Entre 1985 e 1995, o jovem economista da Universidade milanesa Luigi Bocconi, Mauro Longhi (ordenado sacerdote em 1995), acompanhou e hospedou regularmente, de quatro a cinco vezes por ano, ao longo de uma década, o Papa Wojtyla em seus famosos passeios de esqui pelas montanhas. Mons. Longhi o hospedava no que hoje em dia corresponde à casa de veraneio do Seminário Internacional da Prelazia do Opus Dei; na época, porém, tratava-se de uma simples casa de campo, reservada aos membros da Obra em preparação para o sacerdócio e o ensino de Teologia. Encontramo-nos na província de Áquila, na direção de Piana delle Rocche, Ocre:

O Santo Padre saía de Roma de forma bem discreta, acompanhado geralmente de outro carro, o de seu secretário, Mons. Stanislaw Dziwisz, ou de algum outro amigo polonês. Ao chegar ao pedágio da rodovia, o único lugar em que poderia ser reconhecido, ele costumava fingir uma leitura, escondendo-se atrás de um jornal.

Assim começou a conferência de Mons. Longhi, dando início a uma série infinita de histórias interessantíssimas (quase sempre acompanhadas, já que contadas por um zeloso pastor, das oportunas explicações teológicas). Mas foi sem dúvida nenhuma com o Karol Wojtyla místico, de quem pouquíssimo que se sabe, que Mons. Longhi conseguiu a atenção dos que foram a Bienno participar do evento. Trata-se do Papa que Mons. Longhi encontrou à noite, na capela da casa da montanha, ajoelhado por horas num banco de madeira desconfortável em frente ao Tabernáculo. É o Papa a quem surpreendia, sempre de noite, falando, às vezes com entusiasmo, com o Senhor ou com sua Mãe amada, a Virgem Maria.

Mons. Longhi contou o que certa vez lhe confidenciou o cardeal polaco Andrzej Deskur, que foi companheiro de João Paulo II no seminário clandestino da Cracóvia: “Ele tem o dom da visão”. Quando perguntado sobre o que isso queria dizer, respondeu: “Ele fala com Jesus, Deus encarnado; vê-lhe o rosto e também o de sua Mãe”. “Desde quando?”, retorquiu Longhi. “Desde a sua primeira Missa, no dia 2 de novembro de 1946, durante a elevação da Hóstia. Ele estava na cripta de São Leonardo, na Catedral de Wawel, em Cracóvia, onde celebrou sua primeira Missa, oferecida em sufrágio pela alma de seu pai”.

Andrzej Maria Cardeal Deskur,
amigo íntimo de S. João Paulo II
Mons. Longhi acrescenta que o segredo revelado pelo cardeal Deskur – e aqueles olhos fixos de Wojtyla cada vez que levantava o Cálice e a Hóstia – pode ser entendido lendo-se a última Encíclica de João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia. No número 59 da conclusão, o Papa polonês recorda sua primeira Missa e acaba por revelar o mistério que o acompanhou durante toda a vida: “Meus olhos concentram-se sobre a Hóstia e sobre o Cálice onde o tempo e o espaço de certo modo estão ‘contraídos’ e o drama do Gólgota é representado ao vivo, desvendando a sua misteriosa ‘contemporaneidade’”.

Entre os muitos relatos de Mons. Longhi, porém, o que mais impactou seus ouvintes, e que se insere numa das das tantas caminhadas que fizeram juntos pelo Maciço do Gran Sasso, é sem dúvida o que se refere ao Islã e à Europa. Estavam os dois estão encostados em uma rocha, comendo um sanduíche e esperando a chegada do grupo que integravam, quando S. João Paulo II confidenciou sua visão. Segue abaixo o relato textual o relato do revmo. mons. Longhi:

Olhei para ele pensando que talvez precisasse de algo; ele percebeu que eu o fitava enquanto sua mão tremia: era o início do Parkinson. 'Meu caro Mauro, é a velhice', disse-me. Respondi-lhe: 'Não, Santidade, o senhor ainda é jovem'. Quando o contradizia assim em nossas conversas familiares, ele ficava furioso: 'Não é verdade! Se digo que estou velho é porque estou velho!'...

[Segundo o Mons., foi precisamente o passar do tempo e o início da doença que levaram o Papa polonês a sentir a urgente necessidade de comunicar a alguém aquela visão mística]

Wojtyla mudou então o tom de voz e, confiando-me uma de suas visões noturnas, disse: 'Lembre aos que você encontrará na Igreja do terceiro milênio: vejo a Igreja afligida por uma praga mortal, mais profunda, mais dolorosa do que a deste milênio' –, disse-o em referência ao comunismo e ao nazismo –, 'chama-se islamismo. Invadirão a Europa. Vi hordas marcharem do Ocidente para o Oriente', e descreveu-me um a um os países, do Marrocos à Líbia e daí ao Egito, até chegar ao Oriente.

O Santo Padre acrescentou: 'Invadirão a Europa, a Europa será arruinada, uma sombra do que foi outrora, como uma lembrança de família. Vocês, Igreja do terceiro milênio, têm o dever de conter esta invasão. Mas não com armas: elas não são suficientes; antes, com a sua fé, vivida integralmente'.








Em grandes passeatas no Reino Unido (você não leu errado), muçulmanos berram frases como as dos seus cartazes: "A Europa é um câncer, o Islã é a resposta!"; "Para o inferno com a liberdade, não à democracia, queremos só o Islã!"; "Sharia para o Reino Unido!" e "Massacrem quem insulta o Islã!" ou "Decapitem quem insulta o Islã!"...

Eis o precioso testemunho de alguém que durante anos esteve em contato direto e estreito com o Santo Padre, com quem concelebrou inúmeras vezes. Não por acaso, hoje em dia está esquecida a Exortação Apostólica Ecclesia in Europa, de 2003 (leia), na qual S. João Paulo II fala claramente de uma relação com o Islã que deveria ser, ao mesmo tempo, “correta” e conduzida com “prudência, mas com clareza de ideias acerca das suas possibilidades e dos seus limites” (n.57). Apesar da linguagem típica de um documento magisterial, sóbrio e contido por natureza, o Santo Padre parecia advertir para que os cristãos conhecessem o islamismo “de modo objetivo” (n. 57).

Estamos diante de uma leitura e de verdades que precisam ser ditas, que nos foram dadas por um Papa santo, canonizado, mas não são, já que hoje todo tema considerado "politicamente incorreto" é evitado –, inclusive, e talvez até principalmente, pela alta hierarquia da Igreja, muito empenhada na promoção de um "ecumenismo" que não raras vezes omite a própria proclamação da Verdade.

Trata-se, portanto, de um paradigma, sobretudo quando se considera outro trecho da Exortação Ecclesia in Europa, no qual S. João Paulo II, após estigmatizar “o sentimento de frustração dos cristãos que acolhem, por exemplo na Europa, crentes de outras religiões dando-lhes a possibilidade de exercerem o seu culto, e [...] se vêem proibidos de exercer o culto cristão nos países onde tais crentes são a maioria” (n.57), afirma, a respeito dos fluxos migratórios, ser imprescindível “a firme repressão dos abusos” (n.101).

Estamos, insistimos, diante de uma leitura politicamente incorreta do Islã, feita aliás por um Papa santo: uma leitura “profética”, num primeiro momento, convertida depois em ensinamento magisterial (aquela chocante visão deve tê-lo influenciado a escrever a Exortação Ecclesia in Europa).

“Seremos invadidos pelo Islã”. Certamente esta profecia já está se concretizando. Enquanto políticos, mídia e "artistas" europeus, a título de "chamar ao debate e à reflexão", continuam massacrando sem dó nem piedade a religião cristã, nos seus valores e seus símbolos, o Islã cresce e ganha cada vez mais e mais espaços. De maneira aparentemente inexorável, vai-se apagando a Luz na Europa, enquanto se reduz a pó e a meras recordações. S. João Paulo II o previu, alertou. Ainda hoje, convida -nos a resistir à invasão dos anticristãos de toda espécie (e são muitos), simplesmente, com a fé vivida na sua integridade.

* * *

O testemunho de Mons. Longhi (com sua referência à proximidade da terrível visão mística do Papa) merece ser conhecido na íntegra. Sua conferência está disponível no vídeo abaixo (a partir do minuto 48 pode-se ouvir o relato de que falamos aqui).



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Fonte:
PECE, Valerio. La visione di Giovanni Paolo II: 'L'islam invaderà l'Europa', em:
http://www.lanuovabq.it/it/la-visione-di-giovanni-paolo-ii-lislam-invadera-leuropa
Acesso 21/11/2017
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Blasfêmia na Bélgica: vaca crucificada no lugar de Cristo... em capela católica!




UMA VACA FEITA de poliéster branco, em tamanho natural, crucificada em uma cruz, diante de uma piscina cheia de leite, dentro de uma igreja, bem defronte ao Altar. Esta é a instalação artística “holy cow” ('vaca sagrada'), apresentada pelo “artista” plástico Tom Herck (foto), no interior de uma capela católica da cidade de Borgloon, Bélgica. Católicos e até protestantes daquele país, revoltados, têm protestado contra mais esta blasfêmia e vilipêndio à fé dos cristãos, mas até agora foram solenemente ignorados, até pela diocese local.

O site "L'Observatoire de la Cristianophobie" ('Observatório da Cristofobia') foi um dos primeiros a denunciar o crime. Houve protestos na porta da capela no último domingo (19/7/2017). Nos últimos anos, a capela estava fechada, mas continua sendo um templo cristão e ainda pertence à diocese de Hasselt. O local foi temporariamente alugado(!) para funcionar como galeria de arte, mas, aparentemente, não se sabia o que seria exposto naquele solo sagrado. Ainda assim, não se justifica a inércia do clero diante de tamanha profanação. Onde estarão nossos pastores e autoridades eclesiásticas, tão empenhados em questões secundárias como combater o fumo e promover a ecologia, quando nossa fé é assim atacada?

O povo católico daquela cidade invoca o que consideram o cumprimento de uma “profecia” de S. João Maria Vianney, que no século 19 viveu naquela região: “Deixem uma paróquia vinte anos sem um sacerdote e acabaremos adorando animais”.

Como sempre acontece nesses casos de vilipêndio aos símbolos sagrados –, que vêm ocorrendo maciçamente nos últimos tempos –, o "artista" em questão se defende das críticas dizendo que seu objetivo é "gerar um debate" e "provocar a reflexão", neste caso, sobre o desperdício de comida... Contudo, é possível ver nas outras esculturas da exibição que se trata de uma clara provocação ao cristianismo. Uma outra peça é uma cabeça de vaca com uma coroa de espinhos na cabeça e uma cruz no focinho.

Em seu site, Herck afirma que gosta de “questionar o papel da religião”, e é fácil ver, em seu histórico, que a maior parte de suas obras ridiculariza os símbolos cristãos católicos. Numa escultura que instalou em uma praça de Bruxelas, no ano passado, a imagem de Cristo foi pintada em uma “carta” de concreto que fazia parte de um grande castelo de cartas, ao lado de figuras de tiranos como Hitler e Napoleão.

A exibição, que vergonhosamente continuará no local até o dia 3 de dezembro, está sendo celebrada pelos críticos de arte belgas como "provocante" e "desafiadora". Talvez alguém já tenha sugerido ao intrépido "artista" que –, já que gosta tanto de questionar a fé e "desconstruir" os valores religiosos das pessoas –, numa próxima oportunidade experimente ridicularizar a figura de Maomé, pois os islâmicos estão literalmente invadindo a Europa. O fato é que, até agora, ele continua firme no seu "corajoso" ataque à fé... exclusivamente católica. Na Europa, poderíamos dizer que ele está fazendo algo semelhante àquilo que se chama, popularmente, "chutar cachorro morto", já que o catolicismo vive uma fase de franca decadência em praticamente todo aquele Continente.

Enquanto alguns continuam perdendo tempo discutindo se tal barbaridade é ou não é "arte", os inimigos da Igreja fazem a festa. Como percebeu com grande lucidez o jornalista carioca Luciano Trigo, em casos como este não importa saber se é ou se não é "arte". Importa denunciar o crime.


Abaixo o vídeo belga sugerido pelo leitor Bastos, que mostra em detalhes a instalação supostamente artística e certamente criminosa.



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GospelPrime

Observatoire de la christianophobie
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'Bebê milagre', nascida com 21 semanas, completa 3 anos de vida


UMA MENINA NASCEU, no ano 2014, nos EUA, com apenas 21 semanas e 4 dias de gestação(!). Incrivelmente pequena, cabia na palma de uma mão e pesava pouco mais de 400 gramas, mas foi capaz de desafiar a ciência: segundo a medicina, a sobrevivência nesses casos é inviável, e a mãe foi aconselhada pelo médico a não tentar reanimar a criança e nem a empreender esforços para sustentar a sua frágil vida, pois isso não passaria de um sofrimento inútil. 

O fato é que aquele "pinguinho de gente" acaba de completar 3 anos de idade, é hoje uma criança saudável e perfeitamente normal! É chamada por seus pais, até hoje, de "bebê milagre".

A idade fetal recomendada para o parto é entre 39 e 40 semanas. Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), “bebês nascidos muito cedo (especialmente antes da 32ª semana) têm índices altíssimos de morte e deficiência”. Há registros de casos raros de bebês que sobreviveram nascidos após a 22ª semana, mas a caçulinha da família Stensrud não tinha completado sequer esse período de gestação quando nasceu. O caso é tão peculiar que a revista da Academia Americana de Pediatria afirmou que a bebê Stensrud “pode ser a sobrevivente mais prematura já registrada até hoje”.

O Dr. Kaashif Ahmad, neonatologista que atendeu a mamãe Courtney Stensrud e sua filhinha no Methodist Children’s Hospital, em San Antonio, Texas, é o principal autor do estudo publicado pela revista pediátrica. Ele chegou a consolar Courtney “pela sua perda”, em referência à bebezinha nascida na 21ª semana de gestação, mas Courtney não se deu por vencida e perguntou ao médico com veemência: “Você vai tentar?“. O Dr. Kaashif respondeu que sim. “Três anos depois, temos o nosso pequeno bebê milagre”, resume a mamãe, que completa: “Se alguma mulher, antes do parto, for pesquisar no Google, ela vai poder encontrar essa história e um pouquinho de esperança e fé”.

Sobre o momento em que o médico lhe falou das pequenas chances de sobrevivência da bebê, Courtney comenta:

Só senti algo dentro de mim, só tive fé e esperança. Eu não me preocupava que ela tivesse apenas 21 semanas e quatro dias. Eu não me preocupava (...). A partir do momento em que ela entrou neste mundo, ela sempre quis viver. E ela está até agora vivendo a vida!

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CNN e ACI Digital

Com Aleteia

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Por que não temos mais abundantes sinais milagrosos na Igreja?


São Gregório Magno foi Papa no final do século VI, e um dos maiores Papas da história da Igreja. Em um de seus sermões, tratou dos pretensos carismas, palavras de esclarecimento que parecem ser de grande utilidade nos nossos tempos. O referido sermão, que publicamos abaixo, foi proferido no dia da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo, ais 24 de Maio do ano 591, na Basílica de São Pedro.

Eis os sinais que acompanharão aqueles que terão acreditado: em meu nome, eles expulsarão os demônios, eles falarão em línguas novas, eles pegarão em serpentes, e se tiverem bebido algum veneno mortal, ele não lhes fará nenhum mal. Eles imporão suas mãos aos doentes e estes serão curados(Evangelho segundo S. Marcos, 16,16)

SERÁ QUE, MEUS caros irmãos, pelo fato de que vós não fazeis nenhum destes milagres, é sinal de que não tendes nenhuma fé?

Estes sinais foram necessários no começo da Igreja. Para que a Fé crescesse, era preciso nutri-la com milagres. Também nós, quando plantamos árvores, as regamos até que as vemos bem implantadas na terra. Uma vez que se enraizaram, cessamos de regá-las.

Eis porque São Paulo dizia:”O dom das línguas é um milagre não para os fiéis, mas para os infiéis” (I Cor, 14,22).

Sobre esses sinais e esses poderes, temos nós que fazer observações mais precisas?

A Santa Igreja faz, todo dia, espiritualmente, o que ela realizava então nos corpos, por meio dos Apóstolos. Porque, quando os seus padres, pela graça do exorcismo, impõem as mãos sobre os que creem, e proíbem aos espíritos malignos de habitar sua alma, faz outra coisa que expulsar os demônios?

Todos esses fiéis que abandonam o linguajar mundano de sua vida passada, cantam os santos mistérios, proclamam com todas as suas forças os louvores e o poder de seu Criador, fazem eles outra coisa que falar em línguas novas?

Aqueles que, por sua exortação ao bem, extraem do coração dos outros a maldade, agarram serpentes.
Os que ouvem maus conselhos sem, de modo algum, se deixar arrastar por eles a agir mal, bebem uma bebida mortal, sem que ela lhes faça mal algum.

Aqueles que todas a vezes que vêem seu próximo enfraquecer, para fazer o bem, e o ajudam com tudo o que podem, fortificam, pelo exemplo de suas ações, aqueles cuja vida vacila, que fazem eles senão impor suas mãos aos doentes, a fim de que recobrem a saúde?

Estes milagres são tanto maiores pelo fato de serem espirituais, são tanto maiores porque repõem de pé, não os corpos, mas as almas.

Também vós, irmãos caríssimos, realizais, com a ajuda de Deus, tais milagres, vós os realizais, se quiserdes.

Pelos milagres exteriores não se pode obter a vida. Esses milagres corporais, por vezes, manifestam a santidade.Eles não criam a santidade.

Os milagres espirituais agem na alma. Eles não manifestam uma vida virtuosa. Eles fazem vida virtuosa.

Também os maus podem realizar aqueles milagres materiais. Mas os milagres espirituais só os bons podem fazê-los.

É por isso que a Verdade diz, de certas pessoas: “Muitos me dirão, naquele dia: “Senhor, Senhor, não foi em teu nome que nós profetizamos, que nós expulsamos os demônios e que realizamos muitos prodígios? E Eu lhes direi:”Eu não vos conheço. Afastai-vos de Mim, vós que fazeis o mal” (Mt 7,22-23).

Não desejeis, ó irmãos caríssimos, fazer os milagres que podem ser comuns também aos réprobos,, mas desejai esses milagres da caridade e do amor fraterno dos quais acabamos de falar: eles são tanto mais seguros pelo fato de que são escondidos, e porque acharão, junto a Deus, uma recompensa tanto mais bela quanto eles dão menor glória diante dos homens


SÃO GREGÓRIO MAGNO, Papa
Sermões sobre o Evangelho, Lv II,
Les éditions du Cerf, Paris,
2008, vol. II, pp. 205 a 209


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Indicação de leitura: '1964 - O Brasil nos arquivos do serviço secreto comunista'


HÁ EXATOS CEM anos, o poder na Rússia era tomado pelos bolcheviques. Iniciava-se um dos mais pavorosos regimes de governo da História, impondo o terror tanto contra os seus inimigos quanto também, posteriormente, contra suas próprias fileiras revolucionárias. 

O executor deste terror, a temível polícia política russa, a Cheka, com o passar dos anos transformou-se em NKVD e, finalmente, no notório serviço secreto soviético, a KGB. No final dos anos 1940, o serviço de segurança estatal tchecoslovaco, a StB, discípulo fiel das tradições do Cheka, adotou o mesmo mecanismo de terror. 

A StB, como um punho do partido comunista, primeiramente perseguiu todos aqueles que foram arbitrariamente declarados inimigos da “ditadura do proletariado”; depois, perseguiu também os próprios adeptos do comunismo. 

Uma parte essencial de toda a StB foi o seu serviço de inteligência político: o Diretório I, que realizava suas operações fora das fronteiras da Tchecoslováquia, incluindo o Brasil. Os leitores brasileiros têm o direito de conhecer a verdade de uma história até agora cuidadosamente omitida, a de que os serviços de inteligência dos países comunistas atuaram em nosso país nos anos 1950 e 1960. Os primeiros passos na divulgação desse conhecimento foram dados nas redes sociais, especialmente na página documental StBnoBrasil.Com. Agora, esse conhecimento está organizado e disponível em forma de livro impresso. A obra intitula-se "1964, O Elo Perdido. O Brasil nos arquivos do serviço secreto comunista".

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Famílias exigem que o Congresso remova a promoção da ideologia do gênero da BNCC, mas são ignorados

Não deixe de assistir este vídeo

ABAIXO-ASSINADO PEDINDO a aprovação do regime de urgência na análise do Projeto de Lei nº 4.486/2016, que determina que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) seja avaliada pelo Congresso Nacional, já conta com 76 mil assinaturas até este momento (17/11/2017). Como o professor Felipe Nery explica no vídeo acima (é importantíssimo que você assista), a BNCC pode afrontar o debate e a vontade popular expressas no Plano Nacional de Educação, especialmente no que diz respeito à imposição da ideologia de gênero.

O texto da BNCC traz determinações perigosas para a formação das crianças, tais como “Discutir as experiências corporais pessoais e coletivas desenvolvidas em aula, de modo a problematizar questões de gênero e corpo”(!). Temos hoje uma enorme quantidade de denúncias de situações de crianças sendo constrangidas por professores de modo a aceitar esta ideologia, mesmo contra a vontade expressa dos pais. O constante incentivo a questionar a relação entre "gênero" e corpo pode fazer com que as crianças entrem em conflito consigo mesmas e resultar em sofrimento psíquico pela dissociação da identidade e do corpo.

O texto da BNCC foi entregue em abril de 2017 pelo Ministério da Educação, chefiado pelo ministro Mendonça Filho (DEM), ao Conselho Nacional de Educação, a quem, segundo a legislação atual, cabe aprová-lo. O projeto de lei nº 4.486/2016 é de autoria do deputado Rogério Marinho (PSDB/RN) e o requerimento de urgência, do deputado Diego Garcia (PHS/PR).

** O abaixo-assinado está disponível pelo Citizen GO. Vote aqui, você também, fiel católico!

Enquanto isso, a grande mídia, sem nenhuma vergonha, veicula a informação absolutamente falsa e enganosa de que a visita de Judith Butler, a inventora da ideologia do gênero, teve "manifestações pró e contra"... Assim como na época das maiores manifestações populares da história do nosso país, contra o governo do PT, tentavam de todas as manerias convencer a população de que se tratavam, simplesmente, de manifestações "contra a corrupção", até que a profusão de cartazes e brados de "Fora PT!" não pode mais ser ignorada e eles foram obrigados a reconhecer o óbvio, agora tentam nos convencer de que a população está "dividida" entre os que são contrários e os que são favoráveis à ideologia de gênero. Nada mais falso. Foram mais de 300 mil manifestações contrárias à visita de Butler, contra grupelhos de poucas dezenas que se postaram às portas do SESC para apoiá-la. Não há divisão. A população brasileira, em sua esmagadora maioria, sabe bem o que queer, e não quer ver seus filhos doutrinados nesta ideologia perniciosa. Sigamos o exemplo do Paraguai e expurguemos de nossa nação esta influência "demoníaca", assim como foi chamada, com todas as letras, pelo papa Francisco.

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Ref.:

Visão Católica, 'BNCC: 40 mil querem que congresso analise', disp. em:
http://www.visaocatolica.com.br/2017/10/bncc-40-mil-querem-que-congresso-analise/
Acesso 15/11/2017
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Quem ama, corrige


COMO DEVE O CRISTÃO católico proceder diante de um familiar, um amigo ou mesmo algum colega de estudos ou do trabalho que erra, que está em pecado ou, melhor seria dizer, um que persista no erro, imaginando que acerta (já que errar todos nós erramos, pecar todos pecamos).

Corrigir os erros alheios pode ser muito difícil. Exige coragem, boa vontade, paciência... e principalmente verdadeiro amor fraterno, que é a autêntica caridade cristã.

Como diz o querido padre Francisco Faus em um de seus admiráveis livros (Tornar a Vida Amável, Cultor & Cleofas) "corrigir um amigo –,  com amor e ânimo de ajudar –, é uma das melhores maneiras de compreendê-lo". 

Antes de entrar na análise da questão, entretanto, importa contextualizá-la. Vivemos hoje o pleno apogeu da temível ditadura do relativismo, contra a qual tanto nos advertia o papa Bento XVI e que já foi também condenada por Francisco como "a pobreza espiritual dos nossos dias". 

Vivendo num mundo em que tudo é relativo e tudo se questiona, por todos, o tempo todo, fica muito difícil dizer a um irmão: "Cuidado, não vá cair em tal erro", porque o mundo grita intermitentemente aos nossos ouvidos que absolutamente tudo é relativo e que ninguém possui autoridade para dizer o que é certo e o que é errado.

Mais além, nossa geração é extremamente orgulhosa e pendente para o pecado da soberba. Nossos pais e avós aceitavam com mansidão a reprimenda dos pais, mestres e superiores hierárquicos, diferente de nós. Eu mesmo não podia reclamar dos meus professores do ensino fundamental ou médio para meus pais (a não ser que se tratasse de algum problema realmente grave), porque, se o fizesse, ganharia apenas uma nova reprimenda. Meu dever era respeitar sempre, e me esforçar ao máximo para aprender e me aperfeiçoar, e não criticar aquele(a) cuja função é justamente me ensinar e disciplinar.

Hoje, se um professor adverte uma criança ou adolescente em sala de aula, terá que responder aos pais, que via de regra já têm como premissa que o aluno, em tudo, está certo, e o professor errado (como aconteceu no caso do professor processado em juízo por ter proibido um aluno de usar o celular durante sua aula).

Temos assim, por um lado, que em nossos tempos é muito difícil corrigir alguém, mesmo quando o erro é flagrante. Por outro, que é muito importante saber corrigir. Ninguém gosta de ser repreendido, em especial se a reprimenda for feita publicamente. Ninguém gosta de se sentir desrespeitado e, a não ser que você mesmo seja perfeito, como poderia apontar o dedo para as falhas do seu próximo? Com que autoridade o faria?

Mesmo assim, é um erro comum pensar que, pelo fato de Nosso Senhor ter nos exortado a "não julgar", isto seria motivo para a omissão, isto é, deixar cada um cuidar da própria vida, sem se importar com o bem do próximo ou com a defesa do bem, da verdade, da justiça. Aliás, as passagens em que o Cristo ensina a "não julgar" estão entre as mais desvirtuadas das Sagradas Escrituras, que também nos mostram claramente como nosso Salvador (e antes d'Ele os profetas, até S. João Batista, e depois d'Ele os santos Apóstolos), apontava com clareza todo erro, onde quer que o encontrasse. Assim é que as Epístolas vão insistentemente nos orientar neste sentido:

Exortamo-vos, também, irmãos, a que admoesteis os insubmissos.
(1Ts 5,14)

Irmãos, se alguém for surpreendido em alguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o, com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado.
(Gl 6,1)

A cautelai-vos. Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se  ele se arrepender, perdoa-lhe.
(Lc 17,3-4)

Irmãos, se alguém for surpreendido em alguma falta, vós, que sois animados pelo Espírito, admoestai-o em espírito de mansidão.
(Gl 6,1).

Especial atenção requer a exortação de S. Judas Apóstolo, por muito precisa: "Procurai convencer os hesitantes (compadecei-vos deles); procurai salvá-los, arrebatando-os do fogo (do Inferno); dos outros, tende misericórdia (sede compassivos), mas com temor, detestando até as vestes contaminadas pela carne" (Judas 22-23).

O resumo de tudo em 4 pontos bem claros. Nosso dever é: 1) proclamar a Verdade do Evangelho; 2) procurar salvar a todos 3); ter misericórdia dos que vagam sem direção, perdidos no erro, sendo compassivos para com eles; 4) mas nada disso exime de manter o temor de Deus, e nem nos desobriga de detestar radicalmente o pecado. Em resumo, devemos ser "imitadores de Deus", amando os pecadores e odiando o pecado.



Muitos confundem as duas coisas: uns são caridosos em excesso, entendendo equivocadamente que, por amarmos os pecadores, deveríamos tolerar também o pecado. Alguns vão tão fundo nesta compreensão espúria que caem no erro ainda mais grave de concluir que até o chafurdar no pecado seria "graça de Deus"...

Outros, seguindo no sentido contrário e igualmente equivocado, por muito odiar o pecado, confundem-no com o próprio pecador, e assim terminam por trocar o Caminho de Cristo por um caminho de ódio e intolerância. Esquecem-se que a Caridade é como que uma das pernas do caminhar do cristão, sendo a outra perna a própria Verdade: se uma das duas falhar, o andar torna-se manco, e em alguns casos o progresso vai se tornar finalmente impossível.

Não basta só a Caridade sem a Verdade. Também os hipócritas e os desonestos são capazes de amar. Já o conhecimento da Verdade, sem a Caridade, será estéril.

Assim como os "bonzinhos" e "politicamente corretos" de plantão dos nossos tempos entendem que seria mais próprio do bom católico "compreender" e concentrar todos os nossos esforços apenas e tão somente em perdoar, relevar e "não julgar"; considerando sempre exclusivamente o lado bom da pessoa, outros comportam-se como fariseus, assentados em seus tronos de hipocrisia e apontando seus dedos duros para todos os lados, como se tivessem já, eles próprios, atingido a perfeição cristã. A solução para o problema está no caminho reto, que não se desvia nem para a direita e nem para a esquerda (Pv 4,11,27).

Nosso Modelo máximo e perfeito, evidente, é o Cristo, e Ele resumiu tudo ao dizer:

Se o teu irmão pecar, vai ter com ele e corrige-o a sós. Se ele te der ouvidos, terás ganho o teu irmão. (Mt 18,15)

Está tudo dito aí, numa única frase:

• Deve o cristão repreender o seu irmão, que caiu ou está em pecado;

• Deve corrigi-lo com caridade e misericórdia, a sós, sem a pretensão de humilhá-lo ou fazer-se superior a ele;

• "Se ele te der ouvidos...": é preciso compreender que aquele irmão pode simplesmente não querer ouvir, não considerar a correção, comportar-se com orgulho e persistir no erro. Nesse caso, não cabe querer forçá-lo e sim, simplesmente, deixá-lo seguir seu próprio caminho, pois quem o julgará é Deus, e não nós, que somos também imperfeitos. Jesus, depois de censurar a pessoa que só enxerga o cisco no olho do irmão, fala mais uma vez do dever de corrigir: "Tira primeiro a trave de teu olho e assim verás para tirar o cisco do olho de teu irmão" (Mt 7,5);

• "...terás ganho o teu irmão". O objetivo do que corrige não é impor-se, disputar, mostrar que tem razão ou qualquer outra coisa desse tipo, mas sim o bem do outro. É ganhar a sua alma para Cristo e para a vida eterna.

Como vemos, o mesmo Cristo que nos ama e perdoa, sempre de novo e de novo, com infinita Misericórdia (louvado seja, por isto, Nosso Senhor!), manda-nos corrigir, exatamente porque quer sempre o nosso bem. Porque nos ama, não hesita em alertar, em corrigir, em repreender, ainda que isso doa, como fez tantas vezes com seus Apóstolos (cf. Mt 16,23 e 20,25-26), seus amigos mais caros.

Nunca é demais lembrar que identificar e acusar os erros é coisa diferente de julgar. Se eu testemunhasse um assassinato, estupro ou tortura, e dissesse que tudo isso é erro, pecado e crime, estaria "julgando"? Não, por certo. Estaria, isto sim, fazendo uso do discernimento racional mais elementar para identificar um comportamento condenável, e nestes casos extremos seria uma obrigação moral denunciar. Julgar tem mais a ver com condenar pessoas do que os atos cometidos por pessoas.

Quem não é capaz de alertar um irmão que se está a perder é o egoísta indiferente, que só pensa em si e prefere não se meter com os problemas alheios, repetindo o mantra maldito dos que não conhecem a caridade: "Cada um com os seus problemas"... E, quando o outro se complica de vez, naufragando em meio a mil dores e dificuldades, amortece a própria consciência repetindo para sim mesmo que não teve culpa, afinal, "cada um...".

Quem não corrige é porque não ama o suficiente, ou não sabe amar; são os frouxos, os covardes, os "mornos" de quem nos fala o Cristo (Ap 3,15-16). Acham que ser bom é aceitar tudo, porque corrigir pode magoar, provocar alguma dor, algum constrangimento... "Passa por cima" de tudo e tudo tolera. Nunca adverte nem corrige, por medo de magoar ou da reação do outro. É a atitude típica dos sentimentais e covardes, e contra estes disse o Espírito Santo no Livro dos Provérbios: "Melhor é a correção manifesta do que uma amizade falsa" (Pr 27,5).

É muito fácil cair na tentação de olhar só as qualidades, dizer sempre somente as coisas boas, os acertos e as virtudes de um parente, um amigo, um colega, um irmão de fé, e fingir que as falhas não existem. Uma falsa tolerância que mais prejudica do que ajuda. Os tolerantes de araque, que são moles de espírito, acham que corrigir alguém vai "traumatizar" ou "tirar a liberdade" do outro, e assim vão todos ficando igualmente moles. Isto é uma grande tragédia dos nossos tempos.

Lembro-me bem da primeira reunião que tive com Felipe Marques, um valoroso jovem que desempenha um belo papel em nosso apostolado. Num momento da conversa, perguntei a ele: "O que você acha de ser repreendido? Como reage quando alguém aponta alguma falha em alguma coisa que você fez? O que acharia de ter os seus textos corrigidos, ou mesmo parte deles reescritos?"; ao que ele prontamente, olhando nos meus olhos, com verdade e numa atitude de cavalheiro, respondeu: "É o que eu espero! Eu quero ser corrigido porque quero aprender, e tenho muito que aprender".

Naquele momento entendi que estava diante de um verdadeiro fiel católico, um guerreiro de Cristo, um jovem cruzado verdadeiramente disposto a fazer a diferença nesta Igreja combalida. E eu respondi: "Muito bem. Somos homens! Não tenha medo em também me corrigir, quando eu cometer alguma falha".

Já se foram alguns anos desta conversa, e de lá para cá a verdade é que temos aprendido um com o outro, sem falsos orgulhos nem vaidades, mas com o amor fraterno que deve existir entre os membros do Corpo de Cristo.

Lembremos, por fim, que para corrigir, antes é preciso dar exemplo, e é preciso cultivar um sincero afeto pela pessoa, além de saber perdoá-la no mais íntimo da alma, conscientes de que nós também erramos. É preciso que a motivação e a razão da correção seja sempre o querer o bem do próximo, como quem estende a mão para ajudar.

Pense que não é obstáculo para corrigir com eficácia o fato de sentir dificuldade em fazê-lo. Quase sempre custa falar de um defeito diretamente com o interessado; é natural que soframos com o receio de que – ainda que falemos com carinho – o outro não entenda e possa se melindrar. Rezemos, então, antes de falar, pedindo a Luz e a Fortaleza do Espírito Santo. Coragem! O mundo só terá a ganhar se nós, cristãos, nos corrigirmos fraternalmente, uns aos outros. Lembre-se: por mais difícil que seja, isto é melhor –, infinitamente melhor –, do que calar-se na presença daquela pessoa, para depois criticá-la pelas costas.

Referindo-se aos comodistas, que preferem calar do que corrigir quando é preciso, disse S. Josemaria Escrivá:

Talvez poupem desgostos nesta vida, mas põem em risco a Felicidade eterna – a própria e a dos outros – pelas suas omissões, que são verdadeiros pecados.
(Forja, n. 577)

Nós, Igreja, precisamos de homens e mulheres de verdade, guerreiros da fé valorosos e destemidos, que saibam respeitar, sim e sempre, mas igualmente saibam se posicionar e proclamar quem são, em que creem, pelo que lutam. Rogai por nós, São Miguel, São Jorge, São Sebastião, Santa Joana d'Arc!


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