Políticos pró-aborto não podem receber os Sacramentos nem funeral católico, assinala Cardeal


O PREFEITO EMÉRITO da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, Cardeal Jorge Medina Estévez, explicou que os legisladores que se dizem "cristãos" mas apoiam o aborto não podem receber “funeral público de acordo com os ritos litúrgicos da Igreja Católica”.

O projeto de descriminalização do aborto no Chile foi aprovado tanto pela Câmara dos Deputados como pela dos Senadores, a fim de que esta prática seja realizada em três situações: na “inviabilidade fetal”, no risco de vida da mãe e em caso de estupro. Depois de um apelo realizado há poucos dias, o projeto foi enviado ao Tribunal Constitucional (TC).

A respeito desse tema e sobre o apoio dos políticos ao aborto, o Cardeal Medina enviou uma carta ao jornal chileno "El Mercurio" intitulada “Coerência?”, na qual critica as ações da democrata-cristã e pré-candidata presidencial do Chile, Carolina Goic, que votou a favor do projeto de aborto, apesar de pertencer ao grupo dos democratas-cristãos.

Essas pessoas “se dizem católicas, mas cometeram um pecado grave publicamente, não estão em condições de poder receber os Sacramentos da Igreja, a menos que se arrependessem e manifestassem também publicamente o seu arrependimento, como diz o cânon 915 do Código de Direito Canônico”, explicou o Cardeal chileno.

Se, denominando-se 'cristãs' ou 'católicas', morrem sem ter dado sinais claros de arrependimento, condição necessária e indispensável para sua salvação eterna, não é coerente que solicitem para seus restos mortais, nem lhes concedam, um funeral público de acordo com os ritos litúrgicos da Igreja Católica.”

O Cardeal Medina, que em 2005 anunciou ao mundo a eleição de Bento XVI como sucessor de São Pedro, disse ainda: “Não se trata da minha opinião”, mas assim estipula o Código de Direito Canônico nos cânones 1184 e 1185. O Cânon 1184, §1, assinala que “devem ser privados das exéquias eclesiásticas, a não ser que antes da morte tenham dado algum sinal de penitência:

1º os apóstatas, hereges e cismáticos notórios;

2º os que tiverem escolhido a cremação de seu corpo por motivos contrários à fé cristã;

3º outros pecadores manifestos, aos quais não se possam conceder exéquias eclesiásticas sem escândalo público dos fiéis.”

O Cânon 1185 indica que “a quem se negaram exéquias eclesiásticas, deve-se negar também qualquer Missa exequial”.

Em sua carta, o Cardeal Medina acrescentou que, neste caso, deve-se aplicar a “lógica da coerência”, pois “os funerais da liturgia católica não são eventos folclóricos, e nem são simplesmente sinais de convenções sociais ou de respeitáveis sentimentos pessoais”. Na verdade, são “expressões da fé cristã traduzidas em vivência concreta e na comunhão eclesial visível com a Igreja e com seus verdadeiros pastores”.

Neste nossos tempos em que, mesmo aos clérigos, o respeito humano parece importar mais que a salvação das almas, as palavras do Cardeal Medina não poderiam deixar de provocar críticas da parte de seus pares, e o sacerdote jesuíta (porque não estou surpreso?) Felipe Berríos – que publicamente defende diversas posições contrárias às da Doutrina católica –, disse que a carta está cheia de “agressividade”...

Berríos apelou aos candidatos presidenciais a “terem liberdade, que usem a sua consciência”. De sua parte, Carolina Goic se defendeu argumentando que se sente “mais próxima 'da igreja do Pe. Berríos', dessa igreja que está com os pobres, que está próxima, junto aos mais humildes, a igreja da compaixão e não a Igreja castigadora”. Sim, ela ao menos foi coerente em dizer "a Igreja do Pe. Berrios"; ocorre que "a igreja" de certos padres é realmente fundamentalmente diferente da Igreja Católica de sempre...

Em resposta, o Cardeal Medina disse em uma entrevista ao jornal ‘La Tercera’ que “tentar salvar vidas não pode ser uma liturgia do terror”. 

“Isso é caridade e misericórdia. Esta lei, que é uma legalização, não uma descriminalização, e que todos os chilenos vamos pagar com os nossos impostos nos hospitais, é um ato de terror”, respondeu.

“Confirmam o que eu penso, em relação ao tema de que um católico deve defender a vida e ser contra o aborto. Acho que há católicos que têm a mesma posição que eu e também há pessoas que se dizem católicas e acreditam que é possível ser católico e estar contra a Palavra da Igreja”, sublinhou.


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Nota do editor: a imagem que inescapavelmente vem à mente é a do fundador do PT, que juntamente com aliados representa a principal força de promoção do aborto em nosso país, comungando (ilicitamente) em uma Missa, isto é, recebendo o maior dos Sacramentos, quando os políticos pró aborto estão excluídos da Comunhão da Igreja.

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Fonte:
ACI Digital, Políticos pró-aborto não podem receber um funeral católico público, assinala Cardeal, disp. em:
www.acidigital.com/noticias/politicos-pro-aborto-nao-podem-receber-um-funeral-catolico-publico-assinala-cardeal-58134/
 Acesso em 25/3/2018
www.ofielcatolico.com.br

Os Bispos, a CNBB e os fiéis leigos – Um debate sobre pastores e lobos


UM RECENTE DEBATE entre leigos católicos, ocorrido numa rede social, resumiu bastante bem, ao meu ver, a situação atual da Igreja, o estado de confusão e constante conflito em que vivemos agora.

Há dois grupos claramente distintos e antagônicos que se confrontam: de um lado, o primeiro grupo é o daqueles que. com clara imprudência, "excomungam" por conta própria os bispos envolvidos em escândalos (negação de dogmas, apoio a criminosos condenados pela Justiça, adesão política partidária, etc.). De outro, há aqueles que, também imprudentemente, não se escandalizam com esses crimes contra a Fé e apenas condenam a postura dos que estão no primeiro grupo, unicamente com base na questão do respeito devido à hierarquia eclesiástica.

Na reprodução dos diálogos abaixo, omitimos nomes, editamos alguns trechos, acrescentamos pequenos excertos e corrigimos erros de ortografia e digitação, para facilitar a compreensão de nossos leitores. Os nomes dos debatedores foram omitidos e substituídos por alcunhas. Quem têm razão? Responda o leitor fiel católico.


No dia 20 de março deste 2018, às 19h33, postou o "Católico Legalista" em sua página do Facebook o seguinte:

Ano do Laicato – Expectativa: Leigos conscientes de seu papel na sociedade e na politica. / Realidade: Leigo fazendo cosplay de Bispo.

Respondeu o "Católico Escandalizado" da seguinte maneira:

Ano do Laicato – Expectativa: Leigos discutindo o que fazer e como agir quando seus pastores tomam o partido dos lobos. / Realidade: Católicos esforçando-se para mostrar que está todo mundo errado, menos os traidores no clero.

Vemos aqui, logo de cara, a apresentação das duas claras posturas opostas que encontramos na Igreja de hoje, antagônicas em relação ao que vem ocorrendo e às denúncias aos bispos. O debate entre "Católico Legalista" e "Católico Escandalizado" prosseguiu nos seguintes termos:


Católico Legalista
– Isso mesmo, Escandalizado. Continue deste jeito. O que fazer com a palavra dos legítimos guias da Igreja caberá a cada um. Eu, particularmente, fico com eles.

Católico Escandalizado – Só uma pergunta: o padre que disse que o Catecismo é da década de 80 e por isso já não deve ser aplicado; o bispo que troca o Evangelho pela agenda do "Partidão" e ensina o povo que é preciso que todos sejam socialistas, dizendo que essa sim é a verdadeira mensagem do Evangelho... Eu digo que já não são "guias da Igreja" e sim lobos traidores. Quem está errado: eles ou eu?

Católico Legalista – Até que se prove uma pertinácia, A PARTIR DO MOMENTO QUE FOR COMPROVADO que são culpados, como aconteceu com Dom Duarte[1], ai você está certíssimo

Católico Escandalizado – Do que você está falando, exatamente? Se está falando do bispo e padres acusados de roubar dinheiro (refere-se ao caso de Formosa, GO), bem, isso é entre eles e Deus; um desvio desse tipo não traz risco á Fé; nesse sentido não significa rigorosamente nada. Estou falando dos bispos e padres que trocaram a Igreja pelo socialismo e ensinam socialismo nas Missas, nas homilias, dizendo que aquela ideologia é a verdadeira doutrina da Igreja. Aí sim, é algo gravíssimo!

Católico Legalista – Estude o que é Contumácia e pertinácia.

[Neste ponto, lamentavelmente, somos postos diante de uma triste arrogância. Numa discussão desse tipo, é profundamente desrespeitoso e, de fato, um sinal de covardia simplesmente mandar que seu antagonista 'estude'. Tal reação é típica da parte de quem se julga intelectualmente superior ou mais sábio que o outro; alguém que se vê como 'dono da razão' e imagina que, para que seu interlocutor entenda o que ele diz, precisa estudar mais... Certamente não é a postura de um católico que se apresenta como muito preocupado com o desrespeito dos leigos e lhes cobra uma postura mais caridosa e humilde.]

Católico Escandalizado – Ah, claro, o meu problema é falta de estudo. Se eu estudar mais, vou descobrir que todo esse socialismo pregado como se fosse catolicismo é uma coisa salutar.
Bem, só o fato de misturar as duas coisas –, a perversão da fé e um simples roubo –, mostra que você está tomando como semelhantes coisas de escala de valor infinitamente distantes. O simples desvio de dinheiro, se houve, não é nada comparado ao sequestro da fé que vem acontecendo.

Católico Legalista – Não, pertinácia e contumácia não é isto... Você continua precisando entender os dois termos usados no Direito Canônico e na Teologia Católica, para explicar quando alguém comete um crime canônico ou quando alguém está apenas completamente errado.

[Aqui, vemos uma persistência em mudar o foco do debate: saber o significado dos termos 'pertinácia' e 'contumácia', evidentemente, não vai mudar e nem mesmo minimizar a gravidade do que está sendo exposto pelo 'Católico Escandalizado', mas ao invés de responder sobre isso, ele persiste na tentativa de desqualificar o seu opositor; o que tenta provar, nas entrelinhas, parece ser algo como: 'Eu sei mais do que você; portanto, você não tem qualificação para debater comigo'.]

Católico Escandalizado – Eu não disse que o significado das palavras é esse. Não estou aqui discutindo significados e interpretações de regras, estou apontando um escândalo gravíssimo, como é da minha obrigação! Mas o resumo de tudo o que você está dizendo é o seguinte: está todo mundo errado, todos os que estão confusos e escandalizados estão errados, porque são leigos e têm que ficar imóveis no cantinho deles, só rezando. Deixem o clero vermelho agir à vontade.

Católico Legalista – Corrigir corretamente e seguindo o que diz a Igreja não é o mesmo que se omitir.

Católico Escandalizado 2 [entrando na conversa] – Como se pode corrigir a um clero que, ao ser confrontado em seus erros, responde dizendo que você, por não ser comunista como Dom Hélder, Dom Paulo Arns ou Dom Pedro Casaldáliga, está excomungado?[2] Um clero que aprendeu da praxis marxista que aquilo que eu quero é o certo e que todo resto está errado; que sua vontade é soberana, acima da Tradição, da Bíblia Sagrada e da simples realidade? Achar que padre comunista está realmente aberto para o debate ou desconsiderar o opositor com rococós jurídicos-teologócicos é uma tolice. Mas tem gosto para tudo. Tem gente que prefere seguir um ex presidente criminoso; eu prefiro ficar com os Santos.

Católico Escandalizado – Em suma, eu devo negar a realidade, os simples fatos e aquilo que acontece diante dos meus olhos, porque essa realidade fere a autoridade do clero. Eles mandam abertamente votar no PT de Lula. Você vai votar no PT ou partidos aliados?

Católico Legalista – Leonardo, em suma é assim. Eu não vou votar no PT por 'N' motivos; mas eu devo dizer aos padres e bispos que fazem essas pregações: 'senhores, vocês estão errados, isso é um completo equívoco, até porque não é o papel de vossas excelências indicar partidos e candidatos. Eu penso que os senhores não deveriam fazer isso, e os senhores estão errados ao fazê-lo'.
Mas até que se prove que ele é socialista, até que se prove que ele defende o comunismo, até se provar que há contumácia no seu ato... Eu não devo ir além disso.

Católico Escandalizado 2 – Eles defendem o Frei Betto, chamam a Gleise Hoffmann de 'cria da casa', orgulham-se de apoiar o MST com todos os seus crimes! Nos núcleos da PJ, dirigidos por padres, usam pôsteres do Che Guevara! Dom Pedro Casaldáliga disse publicamente, em um programa de TV, que queria que TODOS OS POLÍTICOS DO BRASIL FOSSEM IGUAIS AO LULA! Pelo amor de Nosso Senhor Jesus! O que mais eles precisam fazer para que fique provado que são socialistas ou apoiadores do socialismo/comunismo? O que mais você quer?

Católico Legalista – A questão é quem nem todos os bispos são iguais, nem todos os envolvidos possuem o mesmo peso. Por isso, normalmente esses casos ficam submetidos à Roma até que exista uma prova, ainda que a denúncia ou a correção pública possa ser feita publicamente. Uma coisa é a denúncia, outra totalmente distinta são os julgamentos antecipados.

Católico Escandalizado – Como, prova? Você está exigindo algo cuja natureza é meramente jurídica para que se demonstre uma realidade vista por todos, que é pública e notória! A realidade e a juridicidade possuem estatutos distintos! Você quer um contrato por escrito e assinado do bispo com o Partido? Os caras propagam todo dia a cartilha marxista e a agenda do Partido! É isso que substancia o estar sob o poder do Partido, e não uma declaração burocraticamente formal.
Os fatos mais óbvios e inegáveis não são demonstráveis, e sim mostráveis. Você aponta o sol e diz que ele brilha. Você vê um sujeito caminhando e diz: "olha, ele está andando". É impossível demonstrar um fato tão simples e tão óbvio. Como exigir que eu tenha uma sentença de um Tribunal Eclesiástico para que eu tenha certeza daquilo que os meus olhos veem e os meus ouvidos ouvem? Não preciso de documento assinado, é só não ser cego e surdo para saber!

Católico Legalista – Não sou eu quem exige isso, é a Igreja.
'Chama-se heresia à NEGAÇÃO PERTINAZ, depois de recebido o Batismo, de alguma verdade que se deve crer com fé divina e católica' [conf. CDC, cân.751). O Catecismo de São Pio X vai na mesma linha e Sto. Tomás idem. O problema é que a Igreja considera que alguém tenha cometido um crime canônico não só pelo fato de ter cometido o erro em si, mas por ter cometido o erro com consciência da gravidade do seu erro. Assim, existe todo um julgamento do Réu até que ele venha a ser declarado culpado. Até lá, eu posso corrigir e mostrar publicamente o erro, mas eu não posso chamá-lo de "lobo".

[A partir daqui, o debate fica realmente interessante.]

Católico Escandalizado – Quem está falando de heresia aqui, meu irmão? As heresias pertencem a uma categoria formal, a qual você pode classificar pela Teologia; uma heresia é um raciocínio com uma conclusão que contrarie o que a Igreja sempre ensinou. Não é esse o problema, aqui. Estamos falando de uma cultura inteira, de uma forma de ver o mundo, de uma forma de ver e viver a fé.
Existem perfis de padres do Facebook em que eles publicamente se declaram adeptos da Teologia da Libertação, que é uma heresia condenada formalmente pela Igreja e pelos Papas!
Mas na verdade isso está bem além da simples heresia: não é um embate de ideias em que uma pode ser condenada e outra absolvida; trata-se de uma cosmovisão, uma forma de entender o mundo e a realidade que é incompatível com o Evangelho.
E essa corrente, esse movimento, tem uma forma de agir e pensar que pode ser condenada mil vezes e não sucumbirá, porque eles são especialistas em se camuflar, em tomar a aparência do que for preciso para enganar e subsistir. Por isso o papa Bento XVI no documento “Eu vos explico a Teologia da Libertação” disse que esse é o pior movimento e a pior heresia que jamais surgiu no interior da Igreja em todos os tempos. Mesmo assim, há padres que se declaram abertamente adeptos dessa coisa, e trabalham pela promoção desse mal condenado, mas eles jamais irão assinar um documento que prove a sua culpa. É preciso fazer alguma coisa para parar este movimento, urgentíssimo!

Católico Legalista – Essa é a natureza da coisa, mas até que alguém incorra nisso, o que seria em último caso apostasia, ele precisaria estar consciente não só da possibilidade do erro, mas estar convicto do erro e ainda assim escolhê-lo. E heresia não é uma ideia que pode ser condenada, ela já é condenada, e em última instância é apostasia por negar o objeto formal da Fé
Alguns leigos estão fazendo 'cosplay' do Papa, outros de secretários responsáveis pelo Tribunal do Santo Ofício, como se fossem legisladores e intérpretes supremos da Lei da Igreja. Alguns comportam-se como se fossem a última instância para que os leigos possam recorrer como salvação "contra" o clero, como se fossem "messias".
Disse Santo Tomás: "E assim é manifesto que o herético descrendo pertinazmente um artigo, não está disposto a seguir em tudo a doutrina da Igreja; se porém, não houver pertinácia, já não é herético, mas apenas errado. Por onde, é claro que tal herético, em relação a um artigo, não tem fé nos outros, mas uma certa opinião fundada na vontade própria".

[Foi citada a Suma Teológica, mas aqui é preciso lembrar que Sto, Tomás disse muito claramente, na mesma Suma: 'Havendo perigo próximo para a Fé, os prelados devem ser arguidos, até mesmo publicamente, pelos súditos.' (Sum. Teol. II-II, XXXIII, 4, ad 2).]

Católico Escandalizado – Essas pessoas nunca vão negar a fé verbalmente, você consegue entender? Eles nunca colocarão em uma forma doutrinária aquilo que eles fazem publicamente, daí que as condenações às ideias não produzem efeito rigorosamente nenhum. Os padres entram lá no sertão e vão transformando povos humildes em grupos de militantes socialistas, e eles não precisam de formulação doutrinária. Precisam apenas dizer às pessoas que o Evangelho é aquilo que eles fazem.
As palavras dos lobos são sempre simples, impressionam os simples.

Católico Legalista – Quem fizesse isso precisaria ser corrigido o mais depressa possível, mas até ele poder ser declarado Lobo, é outra história completamente distinta e que somente a Igreja ou o erro manifesto é que podem dizer.Você está dizendo que o simples erro já torna o sujeito culpado de crime canônico, e portanto passível de rejeição, o que não é verdade. O erro precisa ser seguido de contumácia ou pertinácia, e é lógico que eu devo corrigir isto até que aconteça, mas não posso julgar alguém até ter esta convicção.

Católico Escandalizado – "Quem fizesse isso"?? Meu Deus, é preciso ser cego e surdo e totalmente alienado para não perceber que eles ESTÃO FAZENDO ISSO AGORA MESMO, e isso está registrado em muitas gravações, vídeos, áudios, etc.
O que define um lobo um lobo é a sua própria natureza, não uma sentença formal. Você vê, reconhece por meio do senso comum. Negar isso é negar a própria possibilidade de alguma coisa ser simplesmente inteligível.
Você está falando de definições formais e eu estou falando do que vejo, de realidades concretas que levam muitos a acreditar que o evangelho é o comunismo ou o PT, e que Lula é o maior santo que já viveu no Brasil.
Por exemplo, qual a 'heresia' em incentivar e dar espaço para grupos revolucionários na Igreja? Em colocar membros desses grupos para ensinar os leigos? Não há heresia nenhuma nisso! Você pode justificar simplesmente dizendo aquelas frases de bispo: "O exercício da caridade cristã exige o acolhimento de todos à misericórdia divina e ao seio da Madre Igreja". Quem há de discordar disso? Ninguém! Mas há uma clara má intenção, e este é o modus operandi dos lobos: o resultado final é a perversão total, a profanação do sagrado, a submissão do bem ao mal, a confusão entre as hierarquias naturais das coisas.
A dificuldade ou mesmo incapacidade de se dar uma definição formal a algo não torna esse algo menos existente!

Católico Legalista 2 [entrando na conversa] – Católico Escandalizado, uma sentença não declara, realmente, um lobo, mas a percepção da existência de um lobo em "pele de cordeiro" precisa de ser verificada com a perspicácia apurada de quem tem a 'ciência' para tanto, um lobo pelado é fácil de perceber, mas um lobo em pele de cordeiro, não. Assim, a Igreja, que sabe identificar lobos a muito tempo, dá as ferramentas para descobrir se é um cordeiro machucado, zonzo, perdido, enganado ou se é realmente um lobo, portanto a sentença (não formal), mas definida assim por observar os requisitos de sua promulgação, é o único e eficaz meio para identificar o lobo.

Católico Escandalizado – A parte subjetiva não nos cabe. Se o bispo está cometendo crimes contra a Fé por desejo de destruir ou por estar simplesmente enganado, mas de boa intenção, isso é com ele e Deus. O foco do nosso debate é o que ele está fazendo! [aqui foi resumido e citado textualmente o resumo do seu argumento todo] É mais ou menos aquele raciocínio de que a intenção não desnatura a ação. Homicídio culposo e doloso não muda o status da vítima: ela continua tão morta quanto qualquer morto, independente das intenções do assassino. E a vítima, aqui, é a Fé da Igreja, é a Doutrina da Igreja, é a Verdade do Evangelho! Nós precisamos nos manifestar com clareza e com insistência até sermos ouvidos, até que eles nos expliquem o que está acontecendo, porque na realidade eles deveriam ser nossos servidores: é este o voto que fazem quando são ordenados.
Se o padre submete o sacerdócio ao Partido por maldade ou por inocência, é com ele. mas a ação é de lobo, a ação produz dano, a ação destrói.
Essa é outra confusão feita, a das motivações do profanador com o próprio ato de profanar.

Católico Legalista 2 – Apesar de a vítima estar morta, o homicídio pode ser por força de legítima defesa, por motivo fútil, por erro de pessoa, e cada situação mudará a pena ao homicida, podendo até absolvê-lo.
A profanação deve ser reparada imediatamente; a punição do profanador é graduada.

[Aqui, na última frase, o debate parece chegar a um bom termo, uma conclusão sensata. Sim, a profanação deve ser parada e reparada imediatamente, enquanto que a punição dos profanadores precisa ser apurada e julgada com o devido, necessário e justo cuidado. Mas como proceder à cessação da profanação, se os profanadores não são punidos –, nem mesmo advertidos –, e continuam em plena atividade e em pleno gozo de seus privilégios, exercendo suas atribuições com total liberdade e fazendo claro uso indevido da sua autoridade?]

Católico Escandalizado – Fatos: foi o clero vermelho quem construiu e deu poder ao PT. O PT tornou o brasil o país das meninas de 13 anos que já fazem sexo, da promoção do aborto, da destruição da família, do aumento da criminalidade e dos 70 mil assassinatos anuais, da apologia ao homossexualismo e de tudo o que é contrário à moral cristã. Essa parte podre do clero da Igreja foi diretamente responsável por tudo isso. Se o fizeram achando que faziam o bem ou conscientes do mal, isso está além de nós, mas o fato é este: eles contribuíram para uma obra satânica, demoníaca, diabólica que hoje pesa sobre nós.
Foi o clero vermelho que tornou aquele senhorzinho pobre e iletrado um eleitor cativo do PT, por pura ignorância. Essa obra diabólica é o que podemos ver, e se vemos podemos e devemos fazer juízo sobre ela. Se esse juízo não pode ser feito porque precisa de uma sentença formal, então estamos mais perdidos do que parece, pois até as ferramentas que temos para reagir já foram conquistadas.
É preciso parar de raciocinar em termos de conceitos abstratos e nos atermos ao que concretamente ocorre, o que padres e bispos andam falando e fazendo, no que pregam e fazem publicamente. Agora me digam se apontar a realidade visível e constatável, que são pastores que se comportam como lobos devoradores, se isso é um erro. A destruição feita por um Leonardo Boff, por um Casaldáliga e tantos outros clama por punição. Quantos eles mandaram para o Inferno? Quantas almas eles prejudicaram e danaram?

Católico Legalista 2 – Acho que o problema de todo esse embate é o objeto. Você argui que não há necessidade de uma sentença para fazer um juízo. Ok. Mas o meu argumento é que o seu juízo é seu, mas para ele ser efetivamente válido e ser levado em conta como retrato da realidade, ele deve ser balizado nos critérios dispostos pela Igreja.
Faça o juízo que quiser, ele provavelmente poderá concordar com a realidade, mas para ter a certeza disso (não dá profanação, mas da condição do profanador) é obrigatório a observação dos requisitos apresentados pela Santa Igreja, simplesmente porque você pode estar com uma trave no olho e nem ver.

[Cheguei um pouco antes deste trecho. A partir daqui, não resisti e entrei na conversa.]

Henrique Sebastião – A condição de consciência, de culpa ou inocência do profanador, no caso em questão, é um fator secundário. Almas podem estar sendo condenadas, a Sã Doutrina está sendo deturpada e a Casa de Deus profanada. Urge salvar as almas, em primeiríssimo lugar. Reparar o erro, restaurar a verdade, recolocar as ovelhas no caminho reto, em segurança. Para isso, os pastores que se portam como lobos devem ser imediatamente afastados. Que o julgamento das suas intenções demore séculos, depois, é um outro problema, e menos importante.

Católico Obsequioso 2 – Henrique Sebastião, antes de ser afastados, o que não é competência de uma turba de fiéis, devem ser antes admoestados e corrigidos, por quem de direito.

[Mais uma vez um desvio de rumo no debate, com a afirmação de algo que não foi negado por mim, como se eu o tivesse negado.]

Henrique SebastiãoÉ claro que não é da nossa competência, e nem eu estou afirmando isso. Mas nós temos o direito e, muitas vezes, o dever de nos manifestar. Os leigos boicotavam os bispos hereges nos tempos de Sto. Atanásio, por exemplo, e havia muita pressão popular para reabilitar os poucos santos que escaparam da heresia naquele tempo. A pressão dos leigos fez muita diferença para a restauração da ortodoxia da fé.
Manifestar nossos anseios e opiniões (e também o nosso escândalo) é direito nosso garantido pelo CDC (como disse em minha postagem 'Sobre o respeito devido aos bispos e a necessidade do leigo...').

Católico Obsequioso 2 – Henrique Sebastião, a pressão, legítima e nas instâncias certas, é algo querido e salutar.

[Muito bem! É só isso o que eu estava tentando dizer!]

Católico Escandalizado – Não é preciso pronunciamento oficial e formal da Igreja para dizer que água é líquida, que pássaros voam, que o mal está no mundo e que quem apoia o PT dá força para que este ponha em marcha a sua agenda. Você vê um padre disse que o Catecismo é inútil e que esses leigos que ficam querendo homilias que não contradigam o Catecismo são os que atrasam o desenvolvimento da Igreja. Preciso de sentença de Tribunal Eclesiástico para fazer juízo de que esse padre está errado e de que, ao pregar contra o Catecismo usando de sua autoridade, está afastando os fiéis da verdadeira Fé da Igreja?
Preciso de sentença para dizer o óbvio, visto e manifesto: que esses são lobos e não pastores?


* * *

A discussão prosseguiu mais um pouco, tornando-se a partir daqui repetitiva e, como é de praxe nesses casos, sem chegar a conclusão alguma. Achei interessante postar aqui para que mais leitores fiéis católicos tirem suas conclusões sobre realidades tão polêmicas, que são candentes e de fundamental importância para o futuro da Igreja.

Reafirmo o que disse no começo: vi nesse pequeno debate um belo resumo do que vem acontecendo na Igreja e das principais posturas assumidas pelos fiéis católicos no Brasil e no mundo.

Alguns estão muito preocupados com as formas, com o sentido das palavras, com os conceitos, com as regras e normas, com a formalização e classificação de raciocínios. Para estes, os leigos devem se ater ao seu lugar, que seria um lugar de total neutralidade e incompetência para influir nos destinos da Barca de S. Pedro; não lhes caberia, absolutamente, querer atenuar os sofrimentos do Corpo de Cristo, mas apenas rezar e confiar em Deus.

Outros extrapolam o seu direito e mesmo o seu dever de manifestar opinião e participar ativamente naquilo que tange o bem da Igreja, com um desrespeito indevido, que se demonstra também através de xingamentos, sátiras, caricaturas, desafios e coisas do tipo. Sim, aqui está algo condenável e pecaminoso.

Sim, não é prudente e nem é típico de um fiel católico que chame aos bispos, mesmo os claramente culpados, de "lobos" ou outra coisa semelhante. É preciso admoestar com mansidão e com a mínima deferência. Sem dúvida que leigo algum possui o direito ou a competência para julgar e condenar os bispos, excomungando-os por conta própria. Eu digo que alguns desses pastores vêm, sim, comportando-se como lobos, mas não afirmo que sejam lobos (mal intencionados), porque podem estar, eles próprios, simplesmente enganados, até de boa consciência, como foi dito e repetido nesse debate.

Nada disso exclui ou anula a participação dos leigos (que sim, deve ser feita com respeito e reverência, e tendo em vista sempre a utilidade comum aos fiéis, isto é, o bem da Igreja). A não ser que o Cân 212 (§§ 2-3) do CDC esteja errado.

Mas há, graças ao Bom Deus, um terceiro grupo, no qual tento humildemente me incluir: o dos leigos católicos que, por um lado, entendem suas limitações e competências próprias, mas por outro não se eximem de cumprir o seu papel. Nesse colossal desafio, estamos muito bem acompanhados, por santos leigos como São Próspero de Aquitânia e Eusébio de Antioquia, e também grandes sacerdotes como Santo Atanásio e São João Fisher.

Deus nos livre de pecar contra os seus ungidos, e também nos guarde de elevar o respeito à hierarquia acima do santo amor à Tradição, ao Magistério e às Sagradas Escrituras!

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1. Refere-se a Dom Carlos Duarte Costa, ex-bispo de Botucatu-SP e ex-bispo de Maura, excomungado pelo papa Pio XII em 1945.

2. Refere-se a Dom Otacílio Luziano da Silva, que disse que todos os leigos que se manifestaram publicamente contra as atitudes dos bispos envolvidos nos recentes escândalos estavam excomungados.

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Antes e depois da Confissão

Nota do autor: esse texto nasce de simples reflexões pessoais a respeito do valor do Sacramento da Confissão, –, que é tão banalizado e desprezado hodiernamente –, após eu mesmo me confessar com um sacerdote santo que deu-me excelentes orientações e foi-me um verdadeiro pai. Caro leitor, estamos na Quaresma, eis o tempo de conversão. Volte para Deus, arrependa-se, confesse-se! Que lhe seja útil.



Por Felipe Marques – Fraternidade Laical São Próspero

Antes da Confissão, meu coração batia e meu corpo movia-se, entretanto, creio que eu estava morto. Era um verdadeiro sepulcro caiado, daqueles que descreve nosso Senhor nos Santos Evangelhos: por fora, uma aparência aprazível, por dentro, podre como um defunto em decomposição. Antes da Confissão, eu pensava que todos os prazeres da vida, inclusive os pecaminosos, poderiam me satisfazer. Todavia, descobri que, sem Deus, até os prazeres deste mundo podem se tornar causa de dor e sofrimento para nós. 

Antes da Confissão, caminhei pelo vale das sombras e temi todos os males, porque, afinal de contas, por minhas próprias culpas e infidelidades, eu havia expulsado a Deus de minha vida. E, sem Deus, há apenas trevas e sofrimentos neste “vale de lágrimas” em que vivemos. 

Antes da Confissão, percebi-me sozinho no mundo, pois, ainda que Deus esteja sempre intentando e buscando que o pecador se converta, eu havia usado mal de minha liberdade e era escravo de meus próprios vícios. Antes da Confissão, enxerguei apenas maldade nas pessoas ao meu redor e dentro de mim mesmo. Por faltar com misericórdia para com o próximo, eu havia faltado com misericórdia para comigo mesmo. Julguei-me imperdoável!

Mas tudo foi transformado por Cristo. Depois da Confissão, minha consciência havia sido acalmada pelo mesmo brado do Mestre que parecia dormir na barca de minha vida, enquanto o mar revolto de minhas paixões lançava-me de um pecado a outro, assim como pareceu dormir na barca em que estava com os Apóstolos.

Depois da Confissão, entendi a paz que sentiram os pastores ao ouvirem os anjos cantarem: "Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade"… Não havia recebido uma paz qualquer, uma paz falsa, egoísta e preguiçosa como a que o mundo oferece. Não!

Paz de Deus aos homens de boa vontade. Depois da Confissão, já não temia a morte. Temia apenas morrer em estado lastimável de despreparo para encontrar-me com meu Senhor e prestar contas das coisas que fiz com o tempo de vida que me foi dado. Depois da Confissão, entendi que os consultórios dos psicólogos estão lotados hoje em dia porque os confessionários estão vazios em nossas paróquias.

Depois da Confissão, o Sopro da Vida, que é o Paráclito, envolveu-me de santo Amor e eu tive a alegria de ser salvo e perdoado, mais uma vez. Depois da Confissão, nada mais faz sentido fora de Deus! Meu verdadeiro Amor, meu verdadeiro Amigo, meu verdadeiro Senhor, é Aquele que entregou-se no madeiro da Cruz por mim, para me salvar. Enxerguei que Ele é o único que está comigo em todos os momentos de minha vida! Depois da Confissão, posso afirmar que sou feliz, ainda que sofra. Depois da Confissão, gozo da verdadeira liberdade, a liberdade dos filhos de Deus! Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!

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A Teologia do Corpo de S. João Paulo II

O artigo abaixo é uma resenha de Igor de Andrade que pretende servir de apresentação do curso online do Prof. Dr. Joel Gracioso* (Fraternidade Laical São Próspero) sobre a célebre "Teologia do Corpo" de S. João Paulo II. A relação completa dos cursos oferecidos pelo professor está disponível aqui.



POR MEIO DA TEOLOGIA do Corpo, o Papa São João Paulo II apresentou de forma inédita profundos ensinamentos sobre o corpo humano em sua masculinidade e feminilidade, expondo de maneira fascinante a beleza da sexualidade humana e o chamado ao amor.

Numa abordagem teológica, aponta o corpo humano como lugar de encontro com Deus. O objetivo deste curso é tornar conhecida a Teologia do Corpo, que foi originalmente publicada em forma de catequeses sobre o amor humano em 129 lições do Peregrino do Amor.

A Teologia do Corpo de São João Paulo II é, neste curso, apresentada com maestria pelo Professor  Dr. Joel Gracioso, profundo conhecedor de Filosofia e Teologia, além de católico exemplar.

Seguindo o costume, Dr. Joel inicia o curso expondo o contexto no qual surgiu a necessidade de uma teologia que estudasse o amor humano. O modo com que o homem e a mulher passaram a ser concebidos pela sociedade, o modo como o amor, a afetividade e a sexualidade humana estavam sendo tratados: essas coisas levaram Karol Wojtyla a entender que as consequências seriam danosas à salvação das almas, o que o fez falar a respeito. Isto lhe rendeu a alcunha “O Papa da Família”, porque defendeu até o fim da vida a dignidade humana.

Mas se o assunto é a vida humana, por que “teologia” do corpo? Porque o principal objeto não é o ser humano, mas sim Deus, pois o papa polonês admite com a Igreja que o corpo humano é sinal do Mistério divino. A Teologia do Corpo é, portanto, um estudo sobre Deus a partir do homem; noutras palavras, à medida em que vamos compreendendo a realidade da sexualidade humana através da análise do corpo (humano), também vamos nos aproximando de Deus, Autor da Criação.

Para lograr êxito nesse estudo, devemos ter claro o que é o homem – pois do contrário corremos o risco de cair no materialismo ou no espiritualismo, como fica claro logo nas primeiras aulas.

Assim como alma e corpo constituem o homem querido por Deus em sua integralidade, assim também a sexualidade deve ser tratada integralmente, pois também foi querida pelo Autor da Vida e não pode ser separada da realidade imaterial do homem.

Deste modo, São João Paulo II expõe as catequeses que são separadas em seis ciclos, os quais são apresentados pelo Dr. Joel ao longo deste excelente curso ministrado por um excelente professor e profundo conhecedor de filosofia e teologia, indicado não só para casais, mas também para todos os que quiserem compreender a realidade afetiva, moral e sexual do ser humano.

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Sobre o respeito devido aos bispos e a necessidade do leigo manifestar seus anseios


ACABEI DE LER o artigo da Ir. Theresa Noble, que tem uma bela história de conversão, no bom site católico "Aleteia", intitulado "Por que é importante respeitar a autoridade do papa e dos bispos?". O texto tem valor, e eu diria até que é necessário, mas infelizmente também é bastante tendencioso; pondera só um lado da questão, que é bastante delicada e complexa nos nossos tempos.

Em dado momento do seu texto, a religiosa diz que 

Na história da Igreja, houve muitas vezes em que tudo parecia estar perdido. Durante o Trinitarianismo (por exemplo), reinava a heresia mesmo entre os bispos. São João Fisher foi o único bispo da Inglaterra a se opor ao rei Henrique VIII; todos os outros cederam. Mas, repetidas vezes, contra todas as probabilidades, o Espírito Santo prevaleceu (e ele nunca precisou da ajuda de blogueiros e ativistas de mídia social).

O que ela se esqueceu de dizer, no meu entendimento, é que não só no caso desse belíssimo exemplo de S. João Fisher, como em muitas outras ocasiões, a presença e atuação dos leigos foi fundamental. Estudando a vida de Sto. Atanásio, por exemplo, vemos como a participação ativa dos leigos foi importante no processo de deposição dos bispos hereges – que na época desse corajoso Santo chegaram a ser maioria absoluta.

E como participavam os leigos nesse processo de purificação da Igreja? Boicotando os bispos hereges, conforme podemos auferir nos registros históricos (como é o caso do Panegírico de Santo Atanásio, por São Gregório Nazianzeno). Isto é um direito e um dever de todo cristão, e é importante lembrar que, nos nossos dias, sempre foram justamente esses bispos "polêmicos" (para dizer o mínimo) que pregaram o protagonismo dos leigos na Igreja. Neste sentido, somos obedientes a eles próprios quando manifestamos a nossa confusão, a nossa angústia e o nosso escândalo.

Outro excelente exemplo é o de nosso patrono S. Próspero de Aquitânia, que, sendo leigo, foi um mestre do clero no seu tempo, especialmente contra a heresia pelagiana. Chegou a ditar ao papa São Leão Magno as cartas contra Euthyches.

Agora imaginemos se esses grandes e corajosos leigos tivessem se limitado a se manter escondidinhos, só sofrendo e "respeitando" os bispos, por causa da sua autoridade na Igreja... A autoridade, por si só, não torna os membros do Corpo de Cristo isentos de responder ao povo de Deus; pelo contrário, nós temos o direito e até o dever de cobrar deles satisfações em casos graves como os que temos testemunhado ultimamente. Lembremos que o próprio Judas Iscariotes também era um Apóstolo, escolhido diretamente por Nosso Senhor, e portanto gozava de autoridade máxima.

Ora, Deus não usou de "blogueiros e ativistas de mídias sociais", em épocas passadas, simplesmente porque essas mídias, é óbvio, ainda não existiam. Hoje temos, sim, os chamados "youtubers" e "blogueiros" denunciando gravíssimos escândalos e mesmo heresias da parte de alguns dos nossos bipos. Eles estão errados? Deveriam ficar calados, em nome de um "respeito" à autoridade eclesiástica? O que fazer diante de uma comissão de bispos que, por exemplo, põem em dúvida a fé na Presença Real de Nosso Senhor na Eucaristia, em nome do "respeito" pelas outras religiões, como ocorreu no documento do CONIC intitulado "Hospitalidade eucarística", assinado pela CNBB, que afirma que a Transubstanciação (Presença Real de Nosso Senhor na Eucaristia) é apenas:

...uma fórmula filosófica[!?] adequada para determinado tempo e lugar(...). Dada a precariedade das formulações teológicas[!] e do mistério da presença real, é legítima a diversidade de expressões do mesmo mistério[!!]”

Sim! Estamos nós, clara e inescapavelmente, diante de uma comissão de bispos que endossa uma heresia. Simplesmente põem em cheque e em dúvida a Presença Real de Nosso Senhor na Hóstia Consagrada. Dizem que tal não passa de "fórmula filosófica" presa "a um determinado tempo e lugar", isto é, temporal e não absoluta e imutável, como desde sempre afirmou o dogma da Igreja, e devida apenas à "precariedade das formulações teológicas". Sendo assim, a Teologia de Sto. Tomás, por exemplo, que afirma a Presença Substancial de Cristo na Eucaristia (justamente para evitar a confusão e as interpretações dúbias), seria "precária".

Será, então, pecado ou rebelião indevida contra a hierarquia da Igreja denunciar estes simples fatos? Fatos que são públicos? Até que ponto devemos "respeitar" a autoridade eclesiástica quando ela claramente se coloca contra a verdadeira Sã Doutrina de Nosso Senhor? Contra as próprias bases e fundamentos do que sempre ensinou a Tradição Apostólica? Contra as Sagradas Escrituras? Contra o Magistério da Igreja?

E o que dizer da Cáritas Brasileira, importante organismo da CNBB, e seus muitos braços diocesanos, que vêm publicando e distribuindo numerosos boletins e impressos, além de postagens online em suas páginas digitais nas quais afirma, com todas as letras, que a deposição de Dilma Roussef e todas as investigações contra o ex-presidente Lula são parte de um "golpe" contra a democracia e contra os pobres, aderindo a um jargão claramente ideológico e partidário específico – quando a própria Gaudium et Spes declara que a Igreja não pode estar "ligada a qualquer sistema político determinado, pois é ao mesmo tempo sinal e salvaguarda da transcendência da pessoa humana” (n.76)?

De fato, não é difícil perceber que o entrave para a compreensão – e consequente elucidação – desses gravíssimos problemas internos no Corpo de Cristo, e que vêm gerando tanta discussão, debates inúteis e confusão em redes sociais, é que temos um grupo de católicos(?) absolutamente arrogantes que se atribuem a si mesmos uma autoridade que não têm e se põe a "excomungar", por conta própria, bispos e o próprio Papa, com total desrespeito e sem nenhuma caridade cristã. Tal atitude, claro, é condenável e profundamente equivocada.

Uma coisa, porém, é uma coisa, e outra coisa é outra coisa. Na realidade, definir se o papel de manifestar opinião quanto às atuações e posturas de padres e bispos –, que deveriam ser nossos pastores sagrados –, e dar a conhecer suas opiniões (no caso, indignação e escândalo) cabe ou não aos leigos, está bem definido pela Igreja, oficialmente falando. Para tirar qualquer dúvida, basta procurar no Código de Direito Canônico da Igreja Católica Apostólica Romana o seu Cânone 212:

§2. Os fiéis, conscientes da sua responsabilidade, têm o direito de manifestar aos pastores da igreja as próprias necessidades, principalmente espirituais, e os próprios anseios.
§3. De acordo com a ciência, a competência e o prestígio de que gozam, têm os leigos o direito e, às vezes, até o dever de manifestar aos pastores sagrados a própria opinião sobre o que afeta o bem da igreja e, ressalvando a integridade da fé e dos costumes e a reverência para com os pastores, e levando em conta a utilidade comum e a dignidade das pessoas, deem a conhecer essa sua opinião também aos outros fiéis.
(CDC Cân 212, §§ 2-3) 

Como já observado e dito, a parte sobre ressalvar a reverência para com os pastores e a utilidade comum dessa manifestação de necessidades, opiniões e anseios, vêm sendo imprudentemente posta de lado por muitos, e isso desgraçadamente só faz tirar o foco do problema e da urgência em si, isto é, do conteúdo da coisa – que é a obrigação que tais bispos têm de prestar esclarecimentos ao povo de Deus – para a forma (a irreverência de alguns leigos), que deveria ser, em casos tão graves, encarado como o que é: questão secundária, ainda que importante.

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A Quinta Palavra de Nosso Senhor na Cruz – Da mortificação e do amor a Cristo

Pelo Venerável Servo de Deus Fulton Sheen, Arcebispo


Tenho sede.”
(Jo 19,28)

SE HÁ UM INDÍCIO mais claro do que qualquer outro da degeneração da sociedade, esse indício é o excesso de luxo do mundo atual. Quando os homens se esquecem da sua alma, passam a preocupar-se demais com seu corpo. Há mais academias de ginástica no mundo de hoje do que casas de retiro espiritual; e quem contará os milhões gastos em salões de beleza para glorificar os rostos que um dia serão a comida de vermes?

Não é difícil encontrar pessoas que gastam duas ou três horas por dia em exercícios físicos, mas se lhes pedirmos que dobrem o joelho diante de Deus para fazer cinco minutos de oração, reclamarão, e em seu íntimo acharão que é muito tempo. Somemos a isso a quantidade escandalosa que se gasta anualmente não no prazer normal da bebida, mas no seu excesso. E o escândalo aumenta ainda mais quando se consideram quantas necessidades básicas dos pobres poderiam ser supridas pelas quantias gastas nessa degradação. O julgamento divino do ricaço do Evangelho há de repetir-se forçosamente com muitos integrantes da nossa geração: eles terão de ver como os mendigos, a quem eles haviam ignorado para não terem de interromper sua vida de luxo, se assentarão no Banquete do Rei dos reis, enquanto eles mesmos mendigarão uma gota d'água.

Era preciso expiar de alguma forma toda essa gula, bebedeira e luxo excessivos. A reparação começou com o Nascimento de Nosso Senhor, quando Ele, que poderia fazer do Céu o teto da sua casa e das estrelas os seus candelabros, decidiu ser rejeitado pelos homens e expulso até das menores dentre as cidades de Israel, como um pária que tem de vagar pelos outeiros. Logo no primeiro sermão que pregou, proclamava o desapego: "Bem-aventurados os pobres de espírito, pois é deles o Reino dos Céus” (Mt 5, 3). Depois de iniciar a sua vida pública rios com um jejum de quarenta dias, exortou os homens: "Não vos preocupeis com a vossa vida, de que vos alimentareis, ou com o vosso corpo, com que vos vestireis" (Mt 6,25).

Quando percorria estradas como um profeta, admitiu que continuava tão desprovido de teto quanto por ocasião do seu Nascimento: "As raposas tem suas tocas e as aves do céu o seu ninho; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça" (Mt 8, 20). Também não havia luxo algum no modo como se alimentava; sabemos somente de uma refeição que Ele mesmo preparou, e essa consistia apenas de pão e peixe (cf. Jo 21, 9-10.12).

Finalmente, na Cruz, Ele foi despojado de suas vestes e privado de um sepulcro para sair deste mundo como nele tinha entrado: Senhor dele e, mesmo assim, nada possuindo nele. As águas do oceano eram d’Ele e todas as fontes tinham brotado ao comando da sua Palavra; foi Ele quem soltou as quedas de água da natureza e fechou o mar nas suas comportas: foi Ele quem disse: "Quem beber dessa água voltará a ter sede, mas quem beber da água que Eu lhe der não terá sede para sempre” e “Se alguém tiver sede, venha a mim e beba" (Jo 4. 13-14,7. 37).

Agora, porém, Ele deixa cair dos seus lábios o mais breve dos sete gritos da Cruz, aquele que expressa o mais agudo de todos os sofrimentos humanos em expiação por todas as saciedades humanas: "Tenho sede". Um soldado imediatamente pôs uma esponja cheia de vinagre em uma vara e a pressionou contra sua boca. Assim se cumpriu a profecia feita pelo salmista mil anos antes: “Na minha sede, deram-me a beber vinagre” (Sl 68, 22).

Ele, que alimentou as aves do céu, ficou sem comer; Ele, que transformou água em vinho, teve sede; secaram as fontes inesgotáveis: o Homem Deus soçobrou na indigência. Desde então o "divino "Lázaro está à porta do mundo e mendiga uma migalha e um gole, mas batem-lhe a porta da generosidade na face.

Assim expiou Cristo o luxo no comer e no beber. Quando Mirabeau morria, pediu ópio, dizendo: "Vocês prometeram me poupar sofrimento desnecessário... Apoiem essa cabeça maior cabeça da França". Quando Cristo morria, recusou a droga que aliviaria seu sofrimento (Mc 15, 23). Ele se dispõe deliberadamente a sentir a mais pungente das carências humanas, para que pudesse equilibrar na balança da justiça aqueles que consumiram mais do que precisavam.

O Senhor chegou mesmo a humilhar-se até o fim, a fazer-se o último dos homens, pedindo-lhes uma bebida - mas não uma bebida de água terrena. Não era isto o que Ele queria, e sim uma bebida para o seu coração sedento - uma bebida de amor. “Tenho sede de amor”.

Essa palavra da Cruz nos revela que existem uma fome e sede duplas: uma do corpo, outra da alma. Em muitas ocasiões anteriores, Nosso Senhor as havia distinguido: "Ai de vós que estais fartos, pois haveis de ter fome. Ai de vos que agora rides, pois haveis de gemer e chorar”; "Bem-aventurados vós que agora tendes fome, pois sereis saciados. Bem-aventurados os que agora chorais, pois havereis de rir" (Lc 6, 21.25). A multidão que o seguiu através do mar, Ele disse: "Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até a vida eterna, que o Filho do Homem vos dará" (Jo 6, 27).

À mulher samaritana que veio tirar água no poço de Jacó, Ele prometeu: "Quem beber dessa água voltará a ter sede; mas quem beber da água que Eu lhe der, não terá sede para sempre, mas a água que lhe darei se transformará nele em uma fonte de água que jorrará até a vida eterna" (Jo 4, 13-14).

Por fim – passagem importantíssima entre todas as referência à comida e à bebida do homem interior, em contraste com as do exterior – Ele prometeu o supremo Alimento de Si mesmo: "Pois a minha carne é verdadeira comida e meu sangue verdadeira bebida” (Jo 6,55).

À luz dessa fome e sede duplas, a distinção entre dieta e jejum fica clara. A Igreja jejua; as pessoas mundanas fazem dieta. Materialmente, não há diferença, porque tanto um como outro podem perder nove quilos. A diferença está somente na intenção. Os cristãos jejuam não pelo corpo, mas pela alma; o pagão jejua não pela alma, mas pelo corpo. O cristão não jejua porque o corpo é mau, mas sim para torná-lo flexível nas mãos da alma, como uma ferramenta nas mãos de um hábil artesão.

Isso nos traz ao problema básico da vida. É a alma um instrumento para o corpo, ou o é o corpo para a alma? Deveria a alma fazer o que o corpo manda, ou deveria o corpo fazer o que a alma quer? Ambos têm seus apetites e ambos são imperiosos na satisfação de seus desejos. Se agradamos a um, desagradamos ao outro, e vice-versa. Os dois não podem se sentar juntos no banquete da vida.

O desenvolvimento do caráter depende de qual fome e sede cultivamos. Fazer dieta ou jejuar – esse é o problema. Perder a papada para ficar mais bonito aos olhos das criaturas ou perdê-la para manter o corpo domado e sempre obediente às exigências espirituais da alma - essa é a questão. O quanto um homem vale pode medir-se pelos seus desejos.

Diz-me quais as tuas fomes e as tuas sedes, e eu te direi quem és. Tens fome de dinheiro mais que de misericórdia? De riquezas mais que de virtudes? De poder mais que de serviço? Então, és um egoísta, mimado e orgulhoso. Tens sede mais do vinho da vida eterna que do prazer? Do bem dos pobres mais que dos favores dos ricos? De almas mais que dos primeiros lugares às mesas? Então, és um cristão humilde.

A grande pena é que muitos se preocupam tanto com o corpo que descuidam da alma, e ao descuidarem da alma perdem o apetite para o espiritual. Assim como é possível, no âmbito psicológico, que alguém perca todo o apetite por comida, assim também é possível, no âmbito espiritual, que alguém perca todo o desejo pelo sobrenatural. Gulosas do perecível, essas pessoas tomam-se indiferentes ao eterno. Como ouvidos surdos, mortos para o ambiente da harmonia musical, e olhos cegos, mortos para o ambiente de beleza, assim almas tortas tomam-se mortas a para o ambiente do divino. Darwin nos diz na sua autobiografia que, no seu amor pelo biológico, perdeu todo o gosto que tivera pela poesia e pela música, e que lamentou essa perda todos os dias da sua vida. Nada insensibiliza tanto a capacidade para o espiritual como a dedicação excessiva ao material.

Um amor exagerado ao dinheiro destrói todo o sentido do valor; um amor excessivo pela carne mata os valores do espírito. Chega então o momento em que tudo parece se rebelar contra as leis mais altas do nosso ser. Como diz o poeta: "Todas as coisas te traem a ti, que me trais". A natureza é tão leal a seu Criador que ela sempre termina por ser desleal para com aqueles que abusam dela. "Uma veracidade traidora e um engano leal" é a melhor descrição poética disto, porque, em fidelidade a Deus, ela sempre será instável para conosco.

A quinta palavra de Cristo na Cruz é o apelo de Deus ao coração humano para que busque a sua satisfação somente nas fontes que podem satisfazer. Deus não pode obrigar os homens a terem sede do que é sagrado em vez de daquilo que é vil, ou do divino em vez do humano, por isso seu pedido é uma simples afirmação: "Tenho sede”, significando: "Tenho sede de que tenham sede de Mim”... E a sua sede é a nossa salvação.

Uma dupla recomendação esconde-se neste sermão pregado a partir da Cruz: a primeira é que mortifiquemos a fome e a sede corporais; a segunda, que cultivemos a fome e a sede espirituais.

Devemos mortificar a fome e a sede corporais, não porque a carne é má, mas porque convém que o espírito sempre exerça domínio sobre ela, para que assim ela não se torne uma tirana. Muito além de evitar qualquer excesso, a Cruz exige que minimizemos os nossos gastos com luxo em favor dos pobres. Quantos alguma vez pensam em abster-se de um jantar sofisticado ou de uma ida ao teatro com os amigos por simpatia e afeição genuínas pelos pobres de Cristo? O ricaço da parábola (Lc 16,19ss.) não o fez, e perdeu a sua alma por conta desse esquecimento. Quantos, em circunstâncias mais apertadas, até se negam o prazer de assistir a um filme por mês para depositar o equivalente da entrada na caixa dos pobres, a fim de que Ele, que vê em segredo, possa recompensá-los em segredo?

Não há a menor dúvida de que Deus nos aconselha a continência desses apetites corporais. Em certa ocasião, quando Nosso Senhor foi convidado a uma refeição em casa de um principal entre os fariseus, Ele se dirigiu ao anfitrião dizendo: "Quando deres uma ceia, não convides os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os parentes, nem os vizinhos ricos, porque eles também te convidarão, por sua vez, e assim te retribuirão. Mas, quando deres uma ceia convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos. E serás feliz, porque eles não têm com que te retribuir, e assim terás a retribuição na ressurreição dos justos" (Lc 14, 12-14).

O dinheiro que gastamos nos excessos da fome e da sede corporais não nos servirá de nada no último dia; mas os pobres que ajudamos, graças à nossa temperança e mortificação, se levantarão como advogados diante do Tribunal da Justiça divina e pedirão ao Senhor que tenha misericórdia para com as nossas almas, ainda que elas, alguma vez, tenham estado pesadamente carregadas de pecado. O divino Juiz não pode ser comprado com dinheiro, mas pode ser convencido pelos pobres. Naquele último dia –, o único que realmente conta –, hão de se cumprir as belas palavras proféticas da Mãe de Nosso Senhor: ”Encheu os famintos de bens e dispensou os ricos de mãos vazias” (Le l, 53).

Quando praticarmos esses atos de abnegação do alimento e da bebida supérfluos em favor da nossa alma, devemos realizá-lo em espírito de alegria. "E quando jejuardes, não fiqueis tristes como os hipócritas; porque eles desfiguram os rostos para que apareça aos homens que jejuam. Em verdade, vos digo: já receberam a sua recompensa. Mas vós, quando jejuardes, ungi vossa cabeça e lavai a vossa face; para que não apareça aos homens que jejuais, mas apenas ao vosso Pai, que habita em segredo. E vosso Pai, que vê em segredo, vos recompensará” (Mt 6, 16-18).

Por outro lado, devemos cultivar uma fome e uma sede espirituais. A mortificação dos corporais é só um meio, não um fim; o fim é a união com Deus, o grande desejo da alma. “Provai e vede como o Senhor é bom!" (SI 33, 9).

A grande tragédia da vida não é tanto o que os homens sofreram, mas o que perderam de vista. Só uns poucos podem satisfazer os seus apetites terrenos graças à sua riqueza, mas todos os homem vivos, se o quisessem, poderiam gozar da comida e bebida espirituais que Deus serve a todos os que as pedem(!). No entanto, como são poucos os que alguma vez pensam em alimentar as suas almas! Deveria haver pouquíssimos homens desses em Jerusalém para arrancar do Senhor a suave queixa: "Quantas vezes quis reunir os teus filhos, como a galinha reúne seus pintinhos debaixo de suas asas... e tu não quiseste!" (Mt 23, 37). Quando escutamos a exclamação "Tenho sede", bem poderíamos ouvir o Salvador dizer-nos as palavras dirigidas à mulher no poço de Jacó: "Se conhecesses o Dom de Deus, e quem é que diz: 'Dá-me de beber', tu lhe pedirias, e Ele te daria a Água viva” (Jo 4, 10). Mas, quantos a pedem?



Consideremos o maior Dom de Deus para os homens: o Pão da Vida. Quão poucos se valem da divina Presença para comungar diariamente o divino Alimento da alma! Quantos têm consciência suficiente de que Nosso Senhor está no Tabernáculo para ao menos visitá-lo diariamente na sua prisão de Amor? Se não o fazemos, o que testemunha isso senão a morte da nossa visão sobrenatural? Nosso corpo parece sentir mais falta de uma sobremesa do que nossa alma, da Comunhão.

Não é de espantar que nosso Redentor Crucificado tenha tido sede de nós na Cruz. Ele teve sede dos nossos corações indiferentes e das nossas almas idiotizadas. E não julguemos que sua sede é uma prova de carência da parte d'Ele (o que seria absurdo), mas sim da nossa. Ele não necessita de nós para a sua perfeição (pois Ele já é perfeito e fonte de toda perfeição) mais do que precisamos nós, por exemplo, de uma flor que se abre fora da janela para a nossa perfeição.

Na estiagem, desejamos chuva para a flor plantada num vaso, não porque precisemos dela, mas porque aquela flor, sim, precisa de nós para ser cuidada. Do mesmo modo, Deus tem sede de nós, não porque Ele necessite de nós para sua felicidade, mas porque nós carecemos d'Ele para a nossa. Sem Ele, o progresso é impossível para nós. Exatamente como certas doenças, como o raquitismo e a anemia, aparecem no corpo por uma deficiência de vitaminas necessárias, assim também o nosso caráter se ressente da falta do Espírito. A imensa maioria dos homens e mulheres no mundo de hoje é tão atrasada espiritualmente que, se tal deficiência se mostrasse nos seus corpos, eles seriam monstruosidades físicas.

Quantos milhões de mentes estão, hoje, desprovidas de uma única verdade gratificante que possam levar consigo em meio a suas tristezas e com que se possam consolar na hora da morte? Quantos milhões de vontades ainda não encontraram a meta para a sua vida e, por estarem despojadas dela, voam como borboletas de uma emoção para outra, incapazes de achar repouso? Que ao menos cultivem o gosto por algo mais que pão e circo; que perscrutem as profundezas do seu ser para descobrir os desertos áridos que clamam pelo regresso das fontes inextinguíveis.

É claro que essas almas macilentas não são completamente culpáveis. Elas ouviram pregadores clamando sem "lde a Cristo!" Mas o que significa isso? Voltar para dois mil anos atrás? Se sim, não teriam elas o direito de duvidar da palavra de Alguém que não consegue se projetar através dos tempos? Olhar para o Céu, então? Se é este o sentido da frase, então o que aconteceu com a sua bênção, o seu perdão dos pecadores, a sua Verdade, que Ele disse que duraria até o fim do mundo? Onde está a sua autoridade hoje? Seu poder? Sua vida? Se não está em algum lugar da Terra, então por que veio Ele à Terra? Teria deixado apenas o eco de suas palavras, o registro de seus feitos, e depois ido embora, legando-nos somente uma história e seus professores?

Em algum lugar da Terra, hoje, encontra-se a sua verdade: ”Aquele que vos ouve, a mim me ouve" (Lc 10, 16). Em algum lugar da Terra está o seu poder: "Eis que vos dei poder...” (Lc 10. 19). Em algum lugar da Terra está a sua vida: "O pão que Eu vos darei é a minha carne para a vida do mundo" (Jo 6,51). Onde encontrá-los? Há uma instituição na face da Terra que alega possuir todas essas coisas, e que aqueles que, sedentos, bateram às suas portas, receberam o elixir da vida divina e, com  ele, a paz dos que bebem e não sentem mais sede, comem e não têm mais fome.

Nosso Senhor pergunta a cada um de nós em particular, dentro e fora da Igreja: "Aceitas a Bebida do meu Amor?". Ele tomou nosso cálice de ódio e amargura no Getsemani, e a borra depositada no fundo desse cálice foi tão amarga que o fez exclamar: "Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice"" (Mt 26. 39).
 Mas Ele bebeu cada gota dele. Se Ele bebeu nosso cálice de ódios, por que não bebemos seu Cálice de Perdão? Por que, então, quando chora: "Tenho sede", nós ainda continuamos lhe dando vinagre e fel?

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Fonte:
SHEEN, Fulton. A Cruz, vitória sobre os vícios. São Paulo: Molokai, 2015, pp. 50-58.

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Sugestão de leitura – lançamento


BENTO XVI É um Papa moderno, antimoderno ou pós-moderno? É o que o autor, Rudy Albino de Assunção*, pretende esclarecer em "Bento XVI, a Igreja Católica e o ‘Espírito da modernidade’", um estudo abrangente da obra do Papa Emérito para apresentar o seu pensamento sobre as aproximações e confrontos entre a Igreja e o mundo moderno.

O livro tem prefácio do Prof. Dr. Carlos Eduardo Sell, doutor em Sociologia Política e Visiting Scholar da Universidade de Heidelberg (2011-2012 e 2017-2018), atualmente professor do programa de Pós-graduação em Sociologia Política da Universidade Federal de Santa Catarina, e foi publicado numa co-edição entre as editoras Ecclesiae e Paulus.

Bento XVI exerceu um papado "antimoderno"? Contrário ao Vaticano II? Seus textos refletem essas posturas? Qual leitura o teólogo Ratzinger/papa Bento XVI faz do Concílio no tocante à sua interpretação do mundo de hoje (particularmente na Gaudium et spes)? Como emergiu a modernidade e qual a relação entre a fé, a Igreja e o mundo da tecnociência, da política e da economia segundo o teólogo e papa alemão?

Essas e outras perguntas são respondidas com rigor metodológico e fidelidade aos textos do Papa Emérito neste livro, que proporciona aos leitores uma imagem clara da visão de Bento XVI sobre a modernidade, ao mesmo tempo em que descarta injustos rótulos e caricaturas que lhe foram atribuídos ao longo dos anos.

** Adquirir o livro

*** O evento de lançamento será no dia 23/3/2018, às 19h30, no mosteiro de São Bento de São Paulo, Centro, cartaz abaixo:

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* Rudy Albino de Assunção é natural de Gravatal (SC). Bacharel em Filosofia (2005) pelo Centro Universitário de Brusque – UNIFEBE, Mestre (2010) e Doutor (2016) em Sociologia Política pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. Fez seu Doutorado Sandwich na Universidade de Navarra (Pamplona, Espanha), sob a orientação de Pablo Blanco Sarto. É professor no Centro Universitário Católica de Quixadá (Ceará) e membro colaborador da Frat. São Próspero e revista O FIEL CATÓLICO. Publicou em 2016 o livro 'O Sacrifício da Palavra, a liturgia da Missa segundo Bento XVI (Campinas, Ecclesiae).

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Ficha Técnica :
Título: Bento XVI, a Igreja Católica
e o ‘Espírito da modernidade
Número de Páginas: 356
Editora: Ecclesiae | Paulus
Idioma: Português
ISBN: 978-85-8491-082-3
Dimensões do Livro: 14 x 21 cm
Lançamento, março de 2018.
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Cinco vezes em que a ciência assegurou que a vida começa na fecundação

EM QUE MOMENTO começa a vida humana? Ativistas adeptos de ideologias contrárias à família acham que essa questão não está definida, que é discutível, que precisa ser revista... Em seus discursos, tentam disfarçar uma simples realidade, aliás bastante óbvia e também pública: já há muitas décadas que a ciência vem dando a resposta, amparada na realidade dos fatos empiricamente comprovados e demonstráveis, com muita clareza. E a resposta é esta: a vida humana começa na fecundação.

Recordamos neste artigo (apenas) cinco das muitas ocasiões nas quais a ciência assegurou o simples e evidente fato de que a vida humana começa na fecundação. Segue.



1. No científico 'Embriologia Médica', por Jan Langman

Em 1975, a terceira edição da célebre obra "Medical Embryology" (Embriologia Médica), do autor do "Atlas of Medical Anatomy", Jan Langman, definiu que “o desenvolvimento de um ser humano começa com a fecundação, um processo pelo qual duas células altamente especializadas –, o espermatozoide masculino e o óvulo feminino –, unem-se para dar origem a um novo organismo: o zigoto”. A edição mais recente desse livro, de 2015, volta a insistir que “o desenvolvimento começa com a fecundação”.


2. Fundamentos da Embriologia Humana, por Keith Moore

A obra científica "Essentials of Human Embryology" (Fundamentos da Embriologia Humana), publicado em 1988 pelo autor de "Clinically Oriented Anatomyprof" –, referência para os estudos de anatomia em escolas de medicina nos EUA, Canadá e Reino Unido –, Keith L. Moore, concorda que “o desenvolvimento humano começa depois da união dos gametas masculino e feminino ou células germinais, durante o processo conhecido como fecundação (concepção)”. O óvulo fertilizado, conhecido como zigoto, conforme indica o livro, “é uma grande célula diploide que é o principio, o primórdio do ser humano”.


3. Estudo publicado em 'Nature'

“O ciclo de vida dos mamíferos começa quando um espermatozoide entra em um óvulo”, assegura o estudo “A role for the elongator complex in zygotic paternal genome demethylation”, publicado em 2010 no periódico científico 'Nature', por Yukinori Okada –, Professor da Universidade de Osaka, Japão –, e um grupo de outros cientistas especializados em genética e biologia.


4. Nova pesquisa científica publicada em 2012

Pesquisa por Janetti Signorelli, PHD pela Universidade de Afogasta, Chile –, e membro do departamento biomédico da mesma instituição –, com um grupo de outros cientistas especializados, demonstrou em 2012 que “a fertilização é o processo pelo qual os gametas haploides masculinos e os gametas haploides femininos (espermatozoides e óvulos) se unem para gerar um indivíduo geneticamente diferente”.


5. 'Ser Humano em Desenvolvimento', por Moore, TVN Persaud e Mark Torchia

Em 2015, na última edição da obra 'The Developing Human: Clinically Oriented Embryology' (O Desenvolvimento Humano: Embriologia Clinicamente Orientada), os cientistas Keith Moore, TVN Persaud e Mark Torchia asseguraram que “o desenvolvimento humano é um processo contínuo que começa quando um óvulo feminino é fertilizado por um espermatozoide masculino. (...) O desenvolvimento humano começa na fertilização, quando o espermatozoide penetra em um óvulo para formar uma célula única, o zigoto”, escreveram.

Os cientistas também assinalaram que “todas as principais estruturas externas e internas são estabelecidas entre a quarta e oitava semana” de gestação da nova vida, e que “o surgimento das extremidades superiores são reconhecíveis nos dias 26 ou 27 como espécies de "inchaços" nas paredes ventrolaterais do corpo”. No final da oitava semana, indicaram, “o embrião tem características humanas inconfundíveis”. 

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Fonte:
ACI Digital, disp. em:
acidigital.com/noticias/5-vezes-em-que-a-ciencia-assegurou-que-a-vida-comeca-na-fecundacao-78163
Acesso: 12/3/2018
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São João Clímaco e a Escada do Paraíso

O artigo abaixo é uma resenha de Igor de Andrade que pretende servir de apresentação do curso online do Prof. Dr. Joel Gracioso* (Fraternidade Laical São Próspero) sobre Doroteu de Gaza e seus "Ensinamentos Espirituais". A relação completa dos cursos oferecidos pelo professor está disponível aqui.



SÃO JOÃO CLÍMACO (579 – 649)  foi um dos maiores mestres e escritores da Igreja. Sua obra mais famosa, “A Escada do Paraíso” é um tratado completo da vida espiritual: mostra-nos qual é o caminho para a santidade em três etapas: a ruptura com o mundo, o combate espiritual contra as paixões e a perfeição cristã.

A análise feita pelo professor Dr. Joel Gracioso elucida a importância do autor e seu contexto, quais os passos apresentados pelo Santo e até que ponto tal obra é útil para quem não segue o mesmo estilo de vida, monástico. A começar pela importância da confiança no poder da oração, algo que muitos cristãos perderam hoje em dia.

Esse estudo certamente levará as vidas daqueles que o fizerem a atingir singulares benefícios – pois não é destinado somente aos versados em ciências humanas, mas a todos que tenham boa vontade, como queria o autor. Para aqueles que têm sede de direção espiritual, as riquezas desta obra farão que, pelo livre arbítrio, vontade e razão passem por um profundo processo de conversão.

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Fé na Igreja – Por que estar com a Igreja?

Um texto mais do que oportuno para o momento e a situação que vivemos – e que dá sinais de que vai perdurar e piorar, até que as coisas sejam restauradas no interior da Igreja, seja pela ação interna de homens santos movidos pela Inspiração divina –, como ocorreu nos tempos de Santo Atanásio, São Basílio e São Gregório –, seja pela Intervenção divina mais radical, como a volta de Nosso Senhor.


"Edifica a tua casa sobre rocha firme." (Mt 7, 21.24-27)


NO ÚLTIMO CARNAVAL, participei de um retiro de um grupo da Renovação Carismática Católica – depois de alguns anos sem o mínimo interesse em estar em grupos do tipo. O fato é que minha vinda para a Igreja aconteceu diretamente pelo trabalho da RCC: meus pais se conheceram em um grupo de jovens da Renovação, fui catequizado por um integrante dela, conheci algumas práticas de devoção com eles (como, por exemplo, a comunhão de joelhos), etc.; os carismáticos me iniciaram no Catolicismo.

Porém, algumas coisas fizeram eu me afastar da RCC: os gravíssimos abusos litúrgicos e a soberba enorme das pessoas. Esta segunda se manifesta muito claramente no enaltecimento do sentimentalismo (que pode ser notado em frases como “não sei o que, não sei o que, eu sinto isso no meu coração”, etc.); nos erros doutrinais ensinados por muitos “pregadores”, que não pregam nada além de si mesmos, que não conhecem a própria Igreja, e até mesmo falam abertamente contra os seus ensinamentos, que ensinam práticas não-católicas como o puritanismo, o ecumenismo exagerado que culmina na imitação de diversas práticas de protestantes pão-com-ovo; e no fato de que muita gente que aspira ao conhecimento da Doutrina Católica é impedida por não fazer parte deste ou daquele “ministério”.

Essas e outras coisas me afastaram dos carismáticos, o que foi bom, já que consegui saciar fora a sede que tinha lá dentro. Enfim, sempre que tenho a oportunidade de criticar os vícios dos carismáticos, o faço; mas isso não significa que não seja grato pelo trabalho que fazem trazendo as pessoas à Igreja, não vou cuspir no prado onde comi.

Mas por que, então, insisto nessas críticas? De modo geral, o faço pelo apreço e gratidão que tenho pela RCC ter sido minha porta de entrada para a Igreja. Seus membros são homens de carne e osso – como os leitores e este que vos escreve –, são pecadores e falhos; por suposto que isso não justifica os erros de ninguém, mas pelo menos torna-os compreensíveis, e só a partir disso é possível ajuda-los a trilhar o caminho da Verdadeira Fé.

Saí da Renovação e comecei um longo e árduo caminho por grupos ditos “tradicionalistas”. O que encontrei? O mesmo: homens pecadores que – pasmem – também erram: a mocinha de véu e saia era menos controlada que fogueira de São João; o rapaz de terninho e suspensório era tão soberbo quanto o próprio Diabo; o professor famosinho era como que uma encarnação da vaidade, a quem São Pedro Damião condena pela idolatria das Letras. Saí de um ninho de vaidade e ignorância das coisas da Terra e do Céu para entrar noutro de Vaidade, ciência das coisas da Terra e ignorância das coisas do Céu.

Então comecei a entender a frase do Venerável Fulton Sheen: “você diz que não vem à Igreja porque tem muitos hipócritas aqui; eu lhe digo que venha, porque sempre cabe mais um”.

Da minha experiência com a Teologia da Libertação, apenas conto o fato de que fui obrigado a presenciar a invocação de Ogum, Iemanjá e outras entidades pagãs durante a celebração de uma “missa afro” presidida por um bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo (cujo nome não menciono aqui porque pode ser encontrado na lista dos bispos que estiveram presentes no 14º Inter-eclesial das CEBs, e porque Dom Eduardo ficaria muito chateado em ser mencionado com tanto desprezo num texto escrito por um rapaz com menos da metade de sua idade).



Enfim, parei de frequentar grupos católicos por esses motivos, todavia, topei com a hierarquia: leigos influentes, monges, frades, padres, cônegos, bispos... vi tanta miséria, tanta coisa digna de um filme sobre a máfia – coisas que não cito aqui para preservar os estômagos dos leitores –, que, durante uma perseguição que sofria, me vi caído de joelhos na basílica Nossa Senhora da Assunção (a igreja do Mosteiro de São Bento, de São Paulo), dizendo a Cristo Senhor Nosso: “Senhor, muitos motivos me foram dados para largar a Sua Igreja, mas eu não consigo”.

“Eu não consigo”, mas por quê? “A dificuldade em explicar 'Por que eu sou Católico' é que há dez mil razões para isso, todas se resumindo a uma única: o catolicismo é verdadeiro”, disse Chesterton. Eis a minha dificuldade em largar a Igreja: a pesar de todos os males internos de que sofre, ela é Corpo Místico de Cristo, ela é verdadeira, guardiã e mestra da Verdade, nela está Cristo vivo e verdadeiro.

O leitor deve estar se perguntando o motivo de eu ter ido a um retiro carismático no carnaval deste ano, sendo que parei de participar de grupos de qualquer espiritualidade determinada. A resposta é: depois de tudo o que tenho vivenciado, consegui compreender a supracitada frase do Venerável Arcebispo Dom Fulton Sheen. Embora Corpo Místico de Cristo, os membros da Igreja são seres humanos, são falhos, e a pesar disso, cada membro não é a Igreja completa. Os meus erros e pecados são MEUS erros e pecados, e não erros e pecados da Igreja. Por isso fui ao tal retiro, e lá tive a oportunidade de catequizar pessoas sedentas de uma água que não é a do Poço de Jacó (Cf. Jo 4, 5-42).

Uma das pessoas com quem tive a oportunidade de conversar é um rapaz que acabara de se afastar da seita dos Testemunhas de Jeová. Em certo ponto de uma das conversas ele me disse o porquê de ter saído da seita: “tem muita panelinha, muita gente ‘cuidando da sua vida’”, “se você vier pra Igreja pelas pessoas”, respondi, “sairá pelo mesmo motivo”. Em seguida expliquei – e repeti diversas vezes aos amigos que fiz lá – que estamos na Igreja porque ela é Corpo Místico de Cristo, porque Ele a edificou, porque Ele está com ela até o fim dos tempos e porque as portas do Inferno NÃO prevalecerão contra ela. Esta é a nossa Fé. Cremos verdadeiramente em Cristo Senhor Nosso e nas verdades que disse e diz por meio da Igreja.

Recentemente, Bernardo Küster “jogou m*#%@ no ventilador” ao denunciar verdadeiros crimes contra a fé, cometidos por religiosos, padres e bispos comunistas e apóstatas. Isso causou um enorme rebuliço: gente contra, gente a favor, gente contra e a favor (apoiam as denúncias mas contrariam o método), etc.. Muitos começaram a questionar a integridade da Igreja por conta desses erros de seus membros.

Irmãos, tenhamos fé nas palavras de Nosso Senhor: as portas do Inferno não prevalecerão.

É esta a mensagem que quis passar com este texto, para que você, católico devoto, não se perturbe com o fato de que há prelados apóstatas; a estes, o Inferno aguarda (porque 'o chão do Inferno é pavimentado com crânios de bispos', como disse São João Crisóstomo). 

Para você, prosélito, que acaba de chegar à Igreja e encontra a casa bagunçada, não se assuste, o foco e o centro é Nosso Senhor Jesus Cristo; para você, católico de fachada, devoto exterior, converta-se enquanto é tempo; “Convertei-vos e crede no Evangelho”, porque, no final, os Fiéis se salvarão e os Infiéis queimarão pela eternidade no Inferno.

Referi-vos estas coisas para que tenhais a paz em Mim. No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo!” (Jo 16, 33)

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