Oração: uma fonte de energia divina

Por Padre Matthias von Bremscheid

A ORAÇÃO É UM COLÓQUIO de amor com Deus. A criança, que ama verdadeiramente os pais, gosta de falar com eles, manifesta-lhes tudo que agita seu coraçãozinho. Cada alegria que sente, vai logo comunicá-la à mãe, ou ao pai; expõe-lhes todas as suas dores; narra-lhes os seus receios; conta-lhes os seus interesses.

Se a criança passasse com seus pais um dia inteiro sem lhes dirigir uma só palavra, teriam eles muita razão em se queixar: “Nosso filho não nos ama, pois se nos amasse seria mais comunicativo conosco!”. É o que se dará contigo, jovem cristã: se amares a Deus vosso Salvador verdadeiramente e de coração, sentirás necessariamente que tens que falar com Ele e entreter-te com Ele, isto é, rezar sempre. A oração é para ti um dever sagrado, que não hás de omitir um só dia sequer.

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* Do livro “A Donzela Cristã” (Die christliche jungfrau), lançamento próximo da editora Caritatem com revisão e projeto gráfico de Henrique Sebastião e Frat. Laical S. Próspero


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Causas que configuram um casamento nulo perante a Igreja


MUITAS PESSOAS COMENTAM em nossa postagem sobre nulidade matrimonial, mesmo com o nosso aviso sobre a nossa incapacidade de analisar e/ou decretar quais casos se enquadram ou não em casamentos nulos perante a Igreja, e contam-nos seus casos particulares querendo a nossa opinião sobre se estão ou não vivendo em um casamento nulo. Reafirmamos, então, que os interessados devem procurar o Tribunal Eclesiástico de sua diocese para esclarecer as dúvidas – só este é que tem autoridade para informar e orientar os fiéis católicos – e então decidir se convém ou não entrar com um processo legal.

Além disto, há os casos em que a convivência é verdadeiramente insuportável ou mesmo perigosa à vida de um ou dos dois cônjuges e/ou dos filhos, por exemplo com agressões físicas que inviabilizem totalmente uma convivência minimamente aceitável: nessas raras situações, o fiel católico deve aceitar sua cruz e então poderá viver separado do marido ou da esposa corporalmente; porém sempre na castidade e na mortificação. 

Ditas essas coisas, dada a insistência de muitos, resolvemos alargar a nossa abordagem e esgotar assunto disponibilizando a lista das causas que podem tornar nulo o Matrimônio sacramental

Em primeiro lugar, todos entendam que a Igreja não "anula casamentos" validamente celebrados: o Sacramento contraído e consumado legitimamente não pode ser desfeito; o que pode acontecer é a Igreja, após um minucioso processo eclesiástico, reconhecer que nunca houve de fato aquele casamento, mesmo em alguns casos em que parecia aos familiares e amigos que fosse válido. Mas em que critérios a Igreja se baseia para decretar nulo uma união matrimonial? É o que veremos a partir daqui.


Causas que podem tornar nulo um casamento

As capacidades e limitações psíquicas dos noivos para contrair as obrigações matrimoniais para o resto da vida serão levadas em conta. Não basta analisar o comportamento externo de alguém para o conhecer; às vezes, muitos atos das pessoas são irresponsáveis, assumidos sem consciência plena porque pode faltar o senso de responsabilidade, a maturidade ou a liberdade necessárias para que o ato tenha pleno valor humano e jurídico.

Pode acontecer que o vínculo matrimonial nunca tenha existido, também, se houver algum erro que torne o consentimento dos noivos inválido.

O Código de Direito Canônico (CDC) da Igreja lista 19 motivos que configuram um casamento nulo ou inválido, os quais relacionamos abaixo. É sumamente importante aos interessados que procurem no CDC a descrição ou explicação de cada cânone relacionado, pois em muitos casos o nome que se dá a determinada situação não correspondo àquilo que parece em linguagem comum. Quem não possui este importante documento da Igreja pode lê-lo online ou baixá-lo no link a seguir:

Baixar o CDC (português) em PDF.


Relação das causas que configuram a nulidade de um casamento

A. Falhas de consentimento (cân.s 1057. 1095-1102)

1. Falta de capacidade para consentir (cân. 1095)

2. Ignorância (cânon 1096)

3. Erro (cân. 1097-1099)

4. Simulação (cân. 1101)

5. Violência ou medo (cân. 1103)

6. Condição não cumprida (cân. 1102)

B. Impedimentos dirimentes (cân. 1083-1094)

7. Idade (cân. 1083)

8. Impotência (cân. 1084)

9. Vínculo (cân. 1085)

10. Disparidade de culto (cân. 1086, cf cân. 1124s)

11.. Ordem Sacra (cân. 1087)

12. Profissão Religiosa Perpétua (cân. 1088)

13. Rapto (cân. 1089)

14. Crime (cân. 1090)

15. Consanguinidade (cân. 1091)

16. Afinidade em linha reta (parentesco de descendência direta cân. 1092)

17. Honestidade pública (cân. 1093)

18. Parentesco legal por adoção (cân. 1094)

C. 19. Falta de forma canônica na celebração do Matrimônio (cân.s 1108-1123)


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Os cânones do Código de Direito Canônico sobre cada item seguidos de um artigo explicativo para cada item de forma bastante didática pode ser encontrados no livro “Família, Santuário da Vida” (Ed. Cléofas), do prof. Felipe Aquino.

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Sobre as 'Missas de cura e libertação' – o Magistério da Igreja tira as dúvidas

Não fosse pela arquitetura e pela presença do padre, não seria possível distinguir esta Missa de um culto protestante pentecostal

VOLTA E MEIA ALGUÉM nos pergunta "o que achamos" ou qual é o nosso parecer a respeito das celebrações das chamadas "Missas de cura e libertação". Entendemos por bem responder a essa questão que parece não querer calar e que representa a dúvida de muitos.

Sobre esse assunto – que invariavelmente gera polêmicas desnecessárias – outros apostolados competentes já prestaram bons esclarecimentos, como é o caso do site nosso parceiro Aleteia. Este estudo, pois, contém trechos de um artigo publicado neste veículo pelo nosso irmão leigo Alex Teles, com excertos e complementos nossos, além de nossos próprios desenvolvimentos e considerações.

[Pedimos àqueles leitores que por acaso não gostem ou 'não concordem' com o exposto neste estudo que leiam até o final ou, se preferirem, que saltem para a última parte, onde apresentamos a simples e fácil solução para toda a polêmica envolvendo o assunto em questão]

Em primeiríssimo lugar, é preciso saber que a ninguém deveria interessar a opinião do Henrique Sebastião ou de qualquer membro da nossa fraternidade, ou mesmo do nosso apostolado como um todo. A opinião de qualquer fiel católico, e mesmo a opinião particular de qualquer sacerdote, ou até a opinião do próprio Papa, não são mais importantes e nem superam a posição definida e oficial da Igreja Católica. No caso em questão, essa definição existe e é bem clara. Vejamos:

No Missal romano há uma seção intitulada “Missas para diversas necessidades”, a qual pode ser utilizada para diversas finalidades particulares. Existem ainda as Missas especiais de Rogações, as Missas para as Quatro Têmporas e a Missa pelos enfermos. Todavia quanto a Missas "de cura e libertação" não existe absolutamente nada.

O Magistério da Igreja jamais promulgou um próprio para alguma Missa do tipo "de cura e libertação", e o motivo, de fato, é bastante óbvio: dizer "Missa de cura e libertação" é um pleonasmo, isto é, uma redundância: é a mesma coisa que dizer "água de molhar" ou "sol de iluminar". A verdadeira Santa Missa, que é uma só, por sua própria natureza e essência, cura e liberta.

De fato, não existem vários tipos de Missa. A Missa é uma só, ainda que possa ser celebrada em ritos diferentes: é a renovação do Sacrifício do Cristo pela nossa salvação, no Calvário, como diz o Catecismo:

O Sacrifício de Cristo e o Sacrifício da Eucaristia são um único Sacrifício: "É uma só e mesma vítima, é o mesmo que oferece agora pelo ministério dos sacerdotes, que se ofereceu a si mesmo então na cruz. Apenas a maneira de oferecer difere". "E porque neste divino sacrifício que se realiza na Missa, este mesmo Cristo, que se ofereceu a si mesmo uma vez de maneira cruenta no altar da cruz, está contido e é imolado de maneira incruenta, este sacrifício é verdadeiramente propiciatório".

A Missa é ao mesmo tempo e inseparavelmente o memorial sacrifical no qual se perpetua o Sacrifício da Cruz, e o banquete sagrado da comunhão no Corpo e no Sangue do Senhor.

A santa Missa é o Sacrifício do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, oferecido sobre os nossos Altares, debaixo das espécies de pão e de vinho, em memória do Sacrifício da Cruz. (...) É o Sacrifício da Missa o mesmo que o da Cruz? O Sacrifício da Missa é substancialmente o mesmo que o da Cruz, porque o mesmo Jesus Cristo, que se ofereceu sobre a Cruz, é que se oferece pelas mãos dos sacerdotes seus ministros, sobre os nossos Altares, mas quanto ao modo por que é oferecido, o Sacrifício da Missa difere do Sacrifício da Cruz, conservando todavia a relação mais íntima e essencial com ele.

Catecismo da Igreja Católica (§§1367. 1382) / Catecismo de São Pio X, qq. 652-653

O Catecismo Romano diz a mesma coisa com clareza e precisão ainda maiores para o que nos interessa neste estudo:

Dizemos , portanto, que o Sacrifício que se oferece na Missa e o Sacrifício oferecido na Cruz são e devem ser considerados como um único e mesmo Sacrifício. Da mesma forma , a Vítima é uma e a mesma, Cristo Senhor Nosso, que uma vez só Se imolou de modo cruento no Altar da Cruz.

"As vítimas", cruenta e incruenta, não são tampouco "duas vítimas", mas constituem uma única, cuja imolação se renova todos os dias na Eucaristia, desde que o Senhor assim determinou: "Fazei isto em Minha memória! " Mas o Sacerdote também é o mesmo, Cristo Nosso Senhor. Pois os ministros que oferecem o Sacrifício, não fazem prevalecer a sua própria, mas a Pessoa de Cristo, quando consagram Seu Corpo e Sangue. É o que mostram as próprias palavras da Consagração. Não diz o sacerdote: "Isto é o Corpo de Cristo" , mas diz: "Isto é o Meu Corpo". Representando, assim, a Pessoa de Cristo Nosso Senhor, converte a substância do pão e do vinho na verdadeira substância de Seu Corpo e Sangue.

Nestes termos, é preciso ensinar, sem nenhuma hesitação, um ponto que também já foi exposto pelo Sagrado Sínodo. O Sacrossanto Sacrifício da Missa não é apenas um Sacrifício de louvor e ação de graças, ou uma simples comemoração do Sacrifício consumado na Cruz, mas é também um verdadeiro Sacrifício de propiciação, pelo qual Deus se toma brando e favorável a nosso respeito.

Por conseguinte , se imolarmos e oferecermos esta Vítima Sacratíssima com pureza de coração, fé ardente e profunda compunção de nossos pecados, podemos estar certos de que havemos de conseguir "do Senhor misericórdia e graça em tempo oportuno" (Hb 4,1 6).

Pois é tão agradável ao Senhor o perfume desta Vítima, que [por ela] nos dá os dons da graça e da penitência , e desta maneira nos perdoa os pecados . Este é o sentido daquela súplica oficial da Igreja: "Quantas vezes se celebra a memória deste Sacrifício, tantas vezes entra em ação a obra de nossa Redenção" (Secreta da dominga IX depois de Pentecostes). Noutros termos, este Sacrifício incruento derrama, então, sobre nós os abundantíssimos frutos do Sacrifício cruento.

Depois, ensinarão os párocos ser tal a virtude deste Sacrifício que não só aproveita a quem oferece e a quem comunga, mas também a todos os fiéis cristãos, quer vivam ainda conosco aqui na terra, quer já tenham morrido no Senhor, sem estarem de todo purificados. A estes últimos não é aplicado com menos fruto do que se aplica aos vivos, por seus pecados, penas, satisfações, por qualquer desgraça e aflição. Assim o ensina, com absoluta certeza, a Tradição Apostólica.

Catecismo Romano n.s 74-77

É claríssima, portanto, a Doutrina neste sentido: é a única santa Missa – a renovação do Sacrifício de Nosso Senhor – apenas por ser o que já é, e por excelência, a fonte de toda cura e libertação para nós, pecadores.

Portanto, dizer que um determinado tipo de celebração seja em algum sentido superior ou "mais abençoado" do que outro, ou que uma forma de se rezar a Missa seja espiritualmente "mais forte", "mais ungida" ou qualquer coisa semelhante, além de não ter nenhum sentido ou fundamento, ainda se configura em pecado contra a Igreja e contra Deus. É coisa que só diria alguém que ainda não se converteu, pois de fato ainda não conheceu a Igreja nem reconhece a Cristo como Ele é.

Sim, toda Missa cura e liberta, uma vez que basta o Milagre Eucarístico e a sagrada Comunhão para sanar todos os males daquele que tem fé, no tempo oportuno. É e sempre foi esse o ensinamento da santa Igreja Católica Apostólica Romana. Desgraçadamente, porém, nestes tempos tão complicados em que vivemos, essa verdade tão simples quanto inquestionável já não convence a muita gente. A muitos, parece ultrapassado pensar assim, uma vez que temos padres utilizando-se de argumentos "espertos" para dizer o contrário. Dizem que tal padre "celebra de uma forma diferente", que tal Missa é "mais dinâmica" ou "mais próxima do povo", e assim vão introduzindo novidades sem fim, invenções mirabolantes introduzidas "ao gosto do freguês" e que são temerárias, para dizer o mínimo, na medida em que confundem as mentes simples e, via de regra, desvirtuem a sacralidade da Celebração Eucarística.

Para chegar a uma conclusão, é necessário definir as características básicas de uma Missa dita "de cura e libertação", para que possamos analisar com fundamento se a sua natureza condiz ou não com a Doutrina da Igreja:

Através da simples observação, vemos que nessas Missas são introduzidos os seguintes elementos:

• Orações especiais e novas, que não constam do Missal; preces geralmente espontâneas pela cura e libertação dos presentes;

• Abundância de cantos, sempre emotivos e não litúrgicos, muitas vezes até profanos. Por vezes até as orações essenciais, como o Pai-Nosso, são cantadas, e a letra da música não corresponde exatamente à Oração do Senhor, mas contém diversas alterações/adaptações;

• Homilias igualmente sentimentalistas, que buscam a emoção fácil, muitas vezes recheadas de conceitos de "auto-ajuda" estranhos à fé cristã e que destoam completamente da Liturgia da Palavra do dia em que se celebra. Não é raro que se apele a pregações típicas da herética "teologia da prosperidade" protestante;

• Novas ações que não constam da ação litúrgica prevista, como por exemplo a exposição e procissão do Santíssimo Sacramento no Ostensório durante a própria Missa; uma infinidade de gestos alheios  às prescrições do Missal.



Orações especiais’ por cura e libertação

A autoridade perene e inequívoca do Santo Padre, o Papa, foi exercida por meio da Congregação para a Doutrina da Fé, na “Instrução sobre as orações para alcançar de Deus a cura” nos seguintes termos (atenção aos nossos destaques):

Art. 2 – As orações de cura têm a qualificação de litúrgicas, quando inseridas nos livros litúrgicos aprovados pela autoridade competente da Igreja; caso contrário, são orações não litúrgicas.

Art. 3 – § 1. As orações de cura litúrgicas celebram-se segundo o rito prescrito e com as vestes sagradas indicadas no Ordo benedictionis infirmorum do Rituale Romanum.

Logo, qualquer oração que não esteja inserida nos textos litúrgicos ou que não tenha sido devidamente aprovada pelo Bispo Diocesano, conforme o Cân. 838 do CDC, não são litúrgicas e não podem ser utilizadas na Missa. O povo católico pode e até deve rezar a Deus espontaneamente, mas não o padre durante a Missa. Da mesma forma, qualquer Missa que deseje rogar a Deus pela cura dos enfermos deve seguir a prescrição canônica em sua forma.

Não são da Tradição cristã e católica e nem foram tratadas ou autorizadas por Roma em qualquer documento as orações por “libertação” durante a Missa, a não ser aquelas dos ritos próprios e os de exorcismo.

Não é permitido inserir orações na Santa Missa alheias àquilo que ordena a Santa Sé. Ponto. Resta questionar, então, se ao menos as orações de exorcismo previstas poderiam ser utilizadas para o fim de libertação nas Missas. Sobre isso diz o mesmo documento:

Art. 8 – § 1. O ministério do exorcismo deve ser exercido na estreita dependência do Bispo diocesano e, em conformidade com o can. 1172, com a Carta da Congregação para a Doutrina da Fé de 29 de Setembro de 1985(31) e com o Rituale Romanum(32).

§ 2. As orações de exorcismo contidas no Rituale Romanum devem manter-se distintas das celebrações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas.

§ 3. É absolutamente proibido inserir tais orações na celebração da Santa Missa, dos Sacramentos e da Liturgia das Horas.

Mesmo assim, o Direito permite, no entanto:

§ 2. Durante as celebrações (...) é permitido inserir na Oração universal ou «dos fiéis» intenções especiais de oração pela cura dos doentes, quando esta for nelas prevista.

Por tanto, mesmo na Oração Universal, a oração pela cura dos enfermos só se faz quando for canonicamente prevista.


Dos cantos emotivos e não litúrgicos

É fato já bastante discutido, em inúmeros documentos oficiais da Igreja – alguns infalíveis – qual a natureza do canto litúrgico (em 'O Quirógrafo de São João Paulo II', na 'Tra le sollecitudini', no Documento da 48ª Assembleia Geral da CNBB, etc).

Mais ainda, a “Instrução sobre as orações para alcançar de Deus a cura” também diz:

Art. 9 – Os que presidem às celebrações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas, esforcem-se por manter na assembleia um clima de serena devoção, e atuem com a devida prudência, quando se verificarem curas entre os presentes. Terminada a celebração, poderão recolher, com simplicidade e precisão, os eventuais testemunhos e submeterão o fato à autoridade eclesiástica competente.

Os padres não devem estimular os choramingos, as histerias, as manifestações ruidosas e os berros eufóricos. O clima da celebração deve manter-se o mesmo de toda celebração litúrgica, principalmente o da Eucaristia: silencioso, devocional, piedoso e amoroso, assim como já aconselhava o Apóstolo desde os tempos apostólicos: "Tudo, no culto a Deus, deve ser feito com ordem e decência" (1Cor 14,40).


Das homilias destoantes da Liturgia da Palavra do dia

O Papa Bento XVI decreta, na Sacramentum Caritatis (SC) e na Verbum Domini (VD), sobre a natureza das homilias:

1) A sua «função [o seu fim] é favorecer uma compreensão e eficácia mais ampla da Palavra de Deus na vida dos fiéis» (SC n. 46 e VD n. 59).

2) «A homilia constitui uma atualização da mensagem da Sagrada Escritura, de tal modo que os fiéis sejam levados a descobrir a presença e eficácia da Palavra de Deus no momento atual da sua vida» (VD n. 59).

3) «tenha-se presente a finalidade catequética e exortativa da homilia» (SC n. 46).

A respeito do caráter exortativo, a VD menciona a conveniência de, mesmo nas breves homilias diárias, «oferecer reflexões apropriadas […], para ajudar os fiéis a acolherem e tornarem fecunda a Palavra escutada» (n. 59).

4) Um ponto importante sobre o foco central da homilia: «Deve resultar claramente aos fiéis que aquilo que o pregador tem a peito é mostrar Cristo, que deve estar no centro de cada homilia» (VD n. 59).

Portanto, não há lugar na homilética litúrgica para homilias como as que costumam figurar nestas Missas, e menos ainda para os padres-estrelas que aparecem mais do que o próprio Cristo.


Dos novos momentos na ação litúrgica

Não raro, os sacerdotes que se dispõem a esses verdadeiros "shows de auditório" na liturgia costumam introduzir momentos estranhos à ação litúrgica que se celebra. Segundas homilias, interrupções à oração eucarística, etc.

Quanto a isso, a Instrução Geral do Missal Romano é também clara e direta (IGMR 46 à 90), indicando que a Santa Missa consta das seguintes partes:

1) Ritos Iniciais (entrada, saudação, ato penitencial, Kyrie, Glória e oração coleta);

2) Liturgia da Palavra (leituras bíblicas, salmo responsorial, aclamação ao Evangelho, proclamação do Evangelho, homilia, profissão de fé e oração universal);

3) Liturgia Eucarística (preparação dos dons, oração sobre as oblatas, oração eucarística, rito da Comunhão, oração dominical, rito da paz, fração do Pão e Comunhão);

4) Rito de Conclusão (notícias breves, saudação e bênção do sacerdote, despedida da assembleia, beijo no altar).

Nem dentro nem fora desses momentos a liturgia aceita "inovações". Algumas celebrações, em especial as pontificais, possuem de fato momentos adicionais, estes, porém, estão especificamente descritos pela Santa Sé nos livros litúrgicos (Cerimonial dos Bispos, Pontifical Romano, Ritual de Bênçãos, etc) e se prestam à finalidade sacramental para a qual foram criados, em conformidade com a Doutrina e Tradição de sempre.


Da exposição ou procissão do Santíssimo Sacramento do Altar no ostensório durante a Missa

Sobre a exposição ou procissão do Santíssimo com o fim de se pedir graças especiais de curas ou favores particulares, a santa Igreja o considera ilegítimo, conforme o Documento do Cardeal Ratzinger já citado:

“[…]Também estas celebrações são legítimas, uma vez que se altere o seu significado autêntico. Por exemplo, não se deveria pôr em primeiro plano o desejo de alcançar a cura dos doentes, fazendo com que a exposição da Santíssima Eucaristia venha a perder a sua finalidade; esta, de fato, «leva a reconhecer nela a admirável presença de Cristo e convida à íntima união com Ele, união que atinge o auge na comunhão sacramental”».

O auge da união com Cristo se atinge na Comunhão sacramental e esta é parte da Celebração Eucarística. É para Cristo dentro de si que o fiel católico deve olhar, é neste que deve meditar, é com este que deve manter e desfrutar um momento de santa intimidade que resulta na cura da alma, logo após recebê-lo sacramentalmente, e não para fora, uma vez que “dentro” Éle está mais próximo e íntimo do que “fora”. O rito de exposição do Santíssimo, portante, não cabe na Santa Missa, salvos os casos pontificais presentes nos textos litúrgicos.


Dos gestos alheios às prescrições do Missal

A IGMR é clara:

42. Os gestos e atitudes corporais, tanto do sacerdote, do diácono e dos ministros, como do povo, visam conseguir que toda a celebração brilhe pela beleza e nobre simplicidade, que se compreenda a significação verdadeira e plena das suas diversas partes e que se facilite a participação de todos[52]. Para isso deve atender-se ao que está definido pelas leis litúrgicas e pela tradição do Rito Romano, e ao que concorre para o bem comum espiritual do povo de Deus, mais do que à inclinação e arbítrio de cada um.
A atitude comum do corpo, que todos os participantes na celebração devem observar, é sinal de unidade dos membros da comunidade cristã reunidos para a sagrada Liturgia: exprime e favorece os sentimentos e a atitude interior dos presentes.

Assim está demonstrado que, conforme a legítima Doutrina cristã e o ensinamento perene da Igreja de Cristo, não há e nem pode haver "Missa de cura e libertação", como em uma celebração que seja diferente da Missa desde sempre celebrada pela Igreja. Se alguém não é capaz de alcançar as graças de que verdadeiramente necessita mediante a assistência à santa Missa como sempre foi, é porque 1) ainda não atingiu a fé que se espera de um verdadeiro fiel católico ou 2) pela Vontade de Deus, que muitas vezes supera a nossa compreensão. Nesses casos, a paciência e a perseverança são as virtudes pelas quais se demonstra a fidelidade de cada um.


Então, o católico não pode rezar ‘fora da caixa’? – A simples e fácil solução

Sim, pode. Sabemos bem que, para muitos, o que apresentamos até aqui soa rígido, desprovido de caridade, legalista, farisaico. Sempre que alguém tenta explicar a invalidade dessas inovações na santa Missa, vê-se confrontado com testemunhos de pessoas que dizem ter alcançado a conversão e/ou grandes curas por meio dessas celebrações.

É verdade que Deus conhece o coração de cada um, e o Espírito Santo cura, concede graças e age como o vento, que "sopra onde quer" (Jo 3,8), até mesmo fora da Igreja; se assim não fosse, como poderiam os pagãos se converter? Não estamos aqui a julgar os corações e almas de ninguém, apenas apresentamos a posição da Igreja quanto ao assunto.

Não é permitido ou não é possível rezar fora dos moldes, numa relação íntima e mais espontânea do fiel para com Deus? Sim, é permitido; sim, é aconselhável. Padre Pio conversava intimamente com seu anjo da guarda e com outros anjos, e tinha conversas amigáveis com a Virgem Maria e até mesmo com Nosso Senhor em Pessoa.

O que dizemos – que é o que a Igreja diz – é que a Missa não é o lugar para essa espontaneidade e menos ainda para que os fiéis ou padres exerçam a sua criatividade nas orações, nos cantos e outras formas de exercer a fé. É bom que os irmãos troquem seus pios testemunhos, por exemplo. É bom que se relacionem, que rezem juntos espontaneamente, também uns pelos outros. É bom que se apoiem mutuamente: isso só fortalece a fé cristã, que é essencialmente comunitária. Por isso é que em nossas orações dizemos sempre "Pai nosso", e não "meu Pai"; e por isso dizemos "rogai por nós" e não "rogai por mim". Essa convivência fraterna – com a oração fraterna, comunitária, livre e espontânea – é mais do que salutar, é autêntica, desejável e deve ser estimulada... Fora da Missa.

Este é o grande "segredo" e a grande solução para toda a polêmica que envolve o assunto aqui abordado. A coisa toda é muito simples e bem fácil de se resolver. O que é preciso é apenas conciliar o jeito de ser deste povo brasileiro, tão alegre, tão expansivo e tão dançante – características essas muitas vezes incompatíveis com a sacralidade da Celebração Eucarística – com o desejo de adorar e louvar a Deus com liberdade: isto pode-se alcançar com a organização de grupos de oração pelos próprios fiéis, que se reúnam em horários próprios, por exemplo antes ou depois da Missa. Nesse tipo de encontro, sim, pode-se dar vazão a toda essa energia e essa criatividade que sobram.

Mas que não se confundam as coisas e que se compreenda que na Missa estamos diante de uma outra realidade, completamente diferente. Assim, tudo se resolve.


Fala Dom Armando Bucciol


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13 lições do primeiro carnaval da era Bolsonaro


Por Frederico Rodrigues

1. Escolas de samba que possuem ligações com o tráfico e milícias viraram exemplo de consciência social.

2. Depois de hibernar durante 4 governos petistas (corruptos, apoiadores de ditaduras e que geraram milhões de desempregados, além de arruinar a economia do país), escolas e blocos descobriram que é legal criticar o governo. Provavelmente faltou material na era PT...

3. O crime de "atentado ao pudor" é apagado do Código Penal durante 5 dias.

4. É absolutamente proibido ultrajar qualquer religião (inclusive o islamismo e especialmente as ditas 'de matriz africana'), com exceção do Cristianismo: neste caso, quanto mais agressivo, vil e de mau gosto, melhor. Se o alvo for o próprio Jesus Cristo, ganham-se pontos com a Imprensa.

5. Se estiver em um bloco de rua, ao passar na frente de uma igreja ou de um culto cristão, não se esqueça de tirar as calças e mostrar suas partes íntimas aos fiéis que estiverem lá dentro. Esses cristãos precisam aprender sobre tolerância e respeito.

6. Respeite as mulheres, as lésbicas, os gays, os "trans" e os negros. Já os homens héteros e brancos não precisam de respeito, afinal eles são a razão de todos os males do mundo, e além disso não sofrem assédio. Aliás, você, homossexual que levar um fora de um homem hétero, não se esqueça de fazer um escândalo e dizer que está sofrendo homofobia do "macho escroto". Lacração garantida.

7. Para ser abuso contra uma mulher, basta a palavra da alegada vítima. Mas se for uma mulher importunando um homem para ficar com ele, e ele não quiser, nesse caso o correto é fazer piada desse frouxo. Todos contra o machismo!

8. Tolerância e respeito acima de tudo. Mas se vir um carro com adesivo do Bolsonaro na rua, o correto é bater nos vidros e nas portas e apavorar a família que está lá dentro. Não podemos deixar esses fascistas passar impunes. O que quer dizer a palavra "fascismo", mesmo? Ah, não importa. Lula livre!

9. Mesmo que você não soubesse quem era a Marielle Franco antes dela morrer, e mesmo que ninguém saiba quem a matou, diga que ela é "um exemplo de resistência"(?) pra você. Ninguém vai entender ao que você está "resistindo", mas o sucesso é garantido.

10. A esquerda já definiu as regras sobre qual fantasia você poderá usar. Por exemplo, não se pode vestir nem de índio nem de mulher. O problema é que a esquerda também diz que roupa não tem "gênero". Logo é impossível se fantasiar de mulher porque não existe "roupa de mulher". Entendeu? Nem eu.

11. Entretanto é permitido se fantasiar de mulher caso a fantasia seja para zombar do abuso sexual sofrido pela Ministra Damares quando criança.

12. Seu bloco é uma porcaria e você não sabe como aparecer? Acrescente críticas ao Bolsonaro e desfrute de publicidade gratuita e infinita nos grandes veículos da Imprensa "imparcial".

13. De repente tornou-se imprescindível politizar a festa do começo ao fim. Afinal, sabemos que nada será melhor para o país do que seguir a opinião de uma multidão bêbada e descontrolada que emporcalha as ruas enquanto se afoga em drogas e se entrega à promiscuidade desenfreada.

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A Quaresma e São José


Por Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa
– Capela Santa Maria das Vitorias


NORMALMENTE, DURANTE O MÊS de março, a piedade católica se concentra em duas grandes devoções: a Quaresma e a solenidade do glorioso patriarca São José, celebrada dia 19.

Hoje em dia, apesar de toda a secularização, os exercícios espirituais da Quaresma continuam em alta, haja vista ao rito penitencial da quarta-feira de cinzas, que ainda atrai multidões de fiéis.

Como se sabe, a Quaresma é um tempo privilegiado de reflexão, de reconciliação e conversão que nenhum pecador pode desprezar. Parece que na Quaresma Deus nos repete as palavras dirigidas ao nosso pai Adão, depois da desobediência: “Adão, onde estás?” A única coisa diferente deve ser nossa atitude. Podemos (e devemos) ter vergonha dos nossos pecados; devemos ter, sobretudo, contrição dos nossos pecados, mas não devemos esconder-nos de Deus como nossos primeiros pais.

Com efeito, depois que o Verbo se fez carne e morreu por nós na cruz, devemos ouvir o Pai do Céu que nos chama amorosamente e comparecer diante d'Ele, para com Ele nos reconciliarmos por meio do Sacramento da Confissão, de maneira que não venhamos a perder o Paraíso.

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A outra grande devoção do mês de março, como disse, é a festa de São José. Esta, infelizmente, parece que vem perdendo seu brilho e o lugar de honra que em outros tempos ocupou no coração dos católicos.

Entretanto, São José continua sendo o maior dos Santos. Os bons teólogos esmeraram-se em explanar as glórias do Santo Patriarca.

Para entender a grandeza de São José, convém recordar o que diz Santo Tomás de Aquino. Ensina o Doutor Angélico que uma missão ou tarefa excepcional confiada por Deus a uma pessoa requer desta uma santidade ou dignidade proporcionada (Cf. S. T. III, q. 7. ar. 9). Ora, a missão de São José em relação ao Menino Divino foi a mais alta, abaixo apenas a de Maria Santíssima. Portanto, a dignidade e a santidade de José é a mais alta depois da de Nossa Senhora.

É verdade que há uma controvérsia sobre se a primazia de dignidade e santidade depois da Virgem Maria compete a São José ou ao Santo Precursor São João Batista, que teve o privilégio de ser purificado da nódoa do pecado original ainda no ventre materno. O ilustre cardeal Próspero Lambertini, futuro Papa Bento XIV (um dos papas mais respeitados da história da Igreja por sua vastíssima cultura), diz em sua obra sobre a canonização dos santos que é só provável, mas não certo, que São José seja superior a São João Batista. A questão é saber o que é mais digno: ser pai nutrício ou adotivo de Jesus Cristo ou ser seu precursor, santificado no ventre materno pelas palavras de Maria Santíssima.

A favor da superioridade de São José milita uma razão (mal compreendida, infelizmente, por muitos católicos): São José é verdadeiro esposo da Virgem Maria. É de fé e quem o nega é herege.

Não procede absolutamente a objeção que diz que, havendo Nossa Senhora feito voto de virgindade, não poderia haver contratado verdadeiro matrimônio com São José. Seu casamento seria um casamento aparente. A citada objeção não procede porque no matrimônio se pode distinguir o contrato que dá um direito sobre os corpos dos cônjuges e o uso de tal direito. E o objeto principal do contrato matrimonial é só o direito aos corpos e não uso desse direito. Ora, nada impede que os cônjuges, depois do consentimento matrimonial, que dá direito aos corpos, decidam não fazer uso de tal direito, por um fim mais alto. A Igreja sempre admitiu, em certas circunstâncias e por motivos justos, o chamado casamento josefino.

Ademais, cumpre recordar que é um dogma de fé católica, definido pelo Concílio Lateranense de 649, a perpétua virgindade de Maria Santíssima: Nossa Senhora foi virgem antes, durante e depois do parto.

Em conseqüência, resulta natural perguntar em que consistiu a paternidade de São José. A Igreja ensina que a paternidade de São José em relação a Jesus não é uma paternidade fictícia, embora não seja carnal. É uma paternidade real (ainda que não física) porque São José é verdadeiro esposo de Maria Virgem.

Como se sabe, o Messias, de acordo com as Sagradas Escrituras, devia ser descendente do Rei Davi. Ora, os evangelistas São Mateus e São Lucas atestam que São José pertencia à casa real de Davi e silenciam sobre a ascendência de Maria, porque não era costume entre os hebreus mencionar a genealogia das mulheres, mas, como a lei prescrevia que os casamentos se realizassem dentro da mesma parentela, a genealogia de São José indicada pelos evangelistas vale para Maria Santíssima.

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Por derradeiro, é preciso dizer que a missão de São José é tão sublime que nenhum dos epítetos que se lhe atribuem habitualmente expressa perfeitamente sua dignidade. Pai nutrício, pai adotivo, pai putativo, nenhum desses títulos se adéqua plenamente a São José. Como vimos, é pai real de Jesus, ainda que não biológico.

A Sagrada Escritura, ao referir-se a São José, diz que ele era um varão justo. Na linguagem bíblica, justo é o homem que pratica todas as virtudes. E São Paulo diz que o justo vive da fé.

Qual não seria a fé do Santo Patriarca? Conformou seu proceder, durante toda a sua vida, à Lei de Deus. Confiou em Deus nos momentos mais difíceis: a concepção de Nossa Senhora por obra do Espírito Santo, a noite de natal, a fuga para o Egito etc.

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Que São José nos ajude a guardar íntegra a fé católica nos dias dolorosos por que passa a Santa Igreja.

Que São José seja para todos nós modelo de paternidade. Aos chefes de família, ajude-os a entender que ser pai não é apenas pôr um homem no mundo e assegurar-lhe bem-estar material, mas exercer uma responsabilidade, uma autoridade amorosa, sobre o filho que Deus lhes confiou, para que um dia alcance o céu. Aos sacerdotes, aos párocos, ajude-os também a estar bem convencidos de que não são simples administradores de uma paróquia, que não são simples amigos e companheiros dos seus paroquianos nas iniciativas e eventos sociais da paróquia, mas são sobretudo pais dos seus fiéis.

José justíssimo, terror dos demônios, rogai por nós!

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Pesquisa aponta que católicos que frequentam o rito antigo da Missa são mais fiéis à doutrina católica

Imagem rara mostra o Santo Padre Pio de Pietrelcina
durante celebração da Santa Missa tradicional

UM ESTUDO REALIZADO nos EUA comparou o comportamento dos católicos que frequentam a chamada missa nova – ou missa de Paulo VI – isto é, a do rito ordinário em vernáculo que temos hoje, idealizada no CVII e imposta a toda a Igreja a partir de 1970, com o comportamento daqueles que frequentam a Missa tradicional, de rito extraordinário ou tridentina. O resultado apontou que existe maior fidelidade doutrinária e moral dos católicos que procuram frequentar o rito tridentino do que daqueles que preferem o novus ordo.

A diferença, de fato, é gritante; refere-se às questões mais centrais da fé católica, como o posicionamento com relação ao aborto, os relacionamentos gay, a contracepção, a frequência às Missas e às Confissões, a taxa de fertilidade dos casais e a frequência de doações financeiras. O estudo foi conduzido pelo padre norte-americano Donald Kloster e confirmou a percepção que esse Sacerdote – que há mais de 20 anos celebra alternadamente nos dois ritos – já tinha.

Segue a tradução do artigo publicado no website Catholic Herald, por Henrique Sebastião:


Os católicos nos EUA que frequentam a missa tradicional latina são muito mais fiéis ao ensinamento da Igreja do que aqueles que frequentam o Novus Ordo, segundo pesquisa recente.

Estudo conduzido pelo padre Donald Kloster comparou os católicos que compareceram à missa tradicional (daqui por diante 'TLM', de Traditional Latin Mass, em inglês) com os resultados de pesquisas anteriores de católicos em geral, a grande maioria dos quais participam da Missa Novus Ordo (NOM).

Os autores descobriram que 99% dos católicos que frequentam a TLM cumprem suas obrigações semanais, em comparação com apenas 22% daqueles que vão para a NOM. 98% também vão para a Confissão ao menos uma vez por ano, como é de preceito, e também não deixam de assistir à Missa semanal, em comparação com somente 25% dos participantes da NOM.

A pesquisa também descobriu que os participantes da TLM são muito mais fiéis ao ensino da Igreja sobre questões morais. Apenas 2% dos católicos que frequentam a TLM aprovam a contracepção, 1% aprova o aborto e 2%  apoiam o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Em contraste, pesquisas anteriores sugerem que 89% dos participantes da Missa NOM aprovam a contracepção, 51% são favoráveis ao aborto e 67 % apoiam o casamento entre pessoas do mesmo sexo(!).

Pe. Kloster disse que através dos seus mais de 20 anos celebrando a Missa em ambas as formas do Rito Romano, notou claras diferenças entre os dois grupos. A pesquisa, disse ele, “revela uma variação impressionante entre os católicos presentes ditos tradicionais ou conservadores, que preferem a celebração em latim, versus aqueles que frequentam a NOM. Essas diferenças são dramáticas ao comparar crenças, frequência à igreja, taxas de fertilidade e até mesmo em 'generosidade monetária' (doações e auxílio financeiro às obras de caridade)”.

“É importante ressaltar que as famílias TLM têm um tamanho de família quase 60% maior”, acrescentou o pe. Kloster, "e isso vai se traduzir em uma mudança demográfica dentro da Igreja".

“Os participantes da TLM doam cinco vezes mais, indicando que estes são muito mais comprometidos (concretamente falando) do que os participantes da NOM. Católicos TLM vão à missa todos os domingos, uma taxa 4 vezes e meia maior que seus irmãos NOM. Isso implica um profundo compromisso com a fé. A adesão quase universal à missa dominical retrata os católicos que estão profundamente apaixonados por sua fé e não podem imaginar a falta de seu privilégio dominical ”.

Aí estão alguns simples fatos. Finalizamos este artigo lembrando e ressaltando que ambos os ritos são válidos e lícitos na Igreja Católica. A pesquisa não tinha por finalidade "provar" a invalidade da  Missa nova ou qualquer coisa parecida com isso, já que o próprio autor do estudo é um sacerdote que a celebra com frequência. Todavia é inegável a influência da liturgia e dos ritos para o conjunto do que representa a autêntica Fé cristã como um todo. Não se tratam apenas de detalhes na celebração, não são meras posturas, gestos, posicionamentos e palavras: é a Fé de sempre da Igreja de Cristo sendo apresentada com clareza na sua celebração mais importante: a renovação do Sacrifício do Calvário. Não é "coisa de 'radtrad'" ou de "tradicionalistas" fanáticos: é a simples e inegável realidade, tão clara quanto o mais puro cristal.

Encerramos com dois vídeos bastante didáticos dos padre Jonas dos Santos e do padre Jorge Luís, este último do Apostolado FERR (Adm. Apostólica São João Maria Vianey), abaixo:



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Fonte:
Catholic Herald, em
https://catholicherald.co.uk/news/2019/02/27/traditional-latin-mass-attendees-more-devout-and-orthodox-study-says/?fbclid=IwAR3XZ30Xq-0Tud5jhuL4xeczluHjTOB_7SaVXdC3fJArVUT1g06Ww1XOVAE
Acesso 28/2/2019
www.ofielcatolico.com.br

Paginação numerada



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