Os Anjos de Deus


ADICIONANDO-SE A PALAVRA “anjos” a um buscador da Internet, incrível é a quantidade de informação que aparece; são muitas páginas contaminadas pela doutrina new age. Ainda mais curiosa é a busca por imagens de anjos: encontramos desde seres "fofinhos", como bebezinhos gorduchos, a garotinhos meio efeminados com asinhas coloridas lhes saindo pelas costas...

Muitos artigos sobre os anjos estão, sem dúvida, deformados por uma certa cultura esotérica pseudo-mística. Entre outros absurdos, é possível até encontrar um anjo específico para cada dia da semana(!).

Comecemos, então, dizendo o que os anjos de Deus não são: não são "reencarnações"; não são homens ou mulheres alados; não são "lugares" nos quais se sente a Presença do Criador; não são como gnomos ou duendes; não são uma espécie de "energia" nem tampouco algum tipo de fumaça branca.

Apesar de tudo, é preciso dizer que também se pode encontrar informação confiável na rede. Um dos artigos de valor que encontramos na internet é o de P. B. Celestino que, em relação a isso, dizia:

A humanidade no seu conjunto parece obedecer a uma espécie de 'lei do bêbado': depois de uma queda para a direita, procura compensá-la inclinando-se para a esquerda, e acaba caindo nessa direção. Assim, às épocas de racionalismo exacerbado e míope, seguem-se outras em que proliferam as mais tresloucadas fantasias e crendices, e a doutrina sobre os anjos está entre as que mais facilmente se prestam a essas deformações. O nosso tempo inclui-se entre as segundas, a julgar pelo número de 'caricaturas' deformadas desses seres não-humanos, ― sob a forma de duendes, gnomos, espíritos 'desencarnados', deidades e extraterrestres, ― que se misturam inextricavelmente nas estantes das livrarias e lojas de bibelôs, bem como nas cabeças de alguns…

Muito bem dito.

O Calendário Litúrgico Católico celebra duas festas angélicas, uma no dia 29 de setembro, – a Festa dos Três Arcanjos, S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael, – e outra a 2 de outubro, – a Festa dos Anjos da Guarda. Mas, afinal, quem são os anjos?

Talvez o Concílio da Igreja que mais se dedicou a explicar a doutrina sobre os anjos foi o de Latrão IV, do ano 1215. Neste se afirmou, num contexto de profissão da fé, que os anjos foram criados por Deus desde o inicio do tempo. No caso dos demônios, o Concilio diz que foram anjos criados bons, que se fizeram maus pelo uso de seu livre arbítrio. Evidentemente, houve pronunciamentos magisteriais sobre os anjos antes desta data, por exemplo, o do Papa Zacarias, no ano 745, que rejeitou os vários nomes dos anjos, ficando somente com os de Miguel, Gabriel e Rafael, já que são os únicos mencionados pela Sagrada Escritura. O Concilio de Aix-la-Chapelle, no ano 789, fez o mesmo.


O testemunho das Sagradas Escrituras

A palavra anjo vem do grego angelos, que serviu para traduzir a palavra hebraica mal’ak, que, de maneira geral, significa “mensageiro”. O que nos diz a Bíblia Sagrada sobre os anjos? Bastante. Em resumo:

• Os anjos são filhos de Deus (cf. Jó 1,6; 2,1);

• São protetores dos homens (cf. Sl 90,11);

• Vivem nos Céus
(cf. Mt 28,2);

• São de natureza espiritual (cf. 1 Re 22,19-21; Dn 3,86; Hb 1,14);

• Há anjos bons e anjos maus
(cf. Zc 3,1);

• Sabemos que existem os Serafins (cf. Is 6), Querubins (cf. Gn 3,24; Ex 25,22; Ez 10,1-20), Tronos, Dominações, Potestades e Principados (cf. Cl 1,16), Virtudes (cf. Ef 1,21), Arcanjos (cf. 1 Ts 4,15-16; Judas 9) e os anjos que cuidam dos indivíduos (cf. Tb 5; Sl 90,11; Dn 3,49s; Mt 18,10).

Os Evangelhos dizem que os anjos  contemplam a Face de Deus (Mt 22,30; 18,10) e que se alegram pela conversão dos homens (Lc 15,10). Dizem ainda que eles levaram Lázaro ao seio de Abraão (Lc 16,22).

Em relação aos três Arcanjos: 

• Gabriel, seu nome significa “Deus é Força”, aparece em Dn 8,16; 9,21; Lc 1,19.26; 

• Miguel, seu nome significa “Quem (é ou pode ser) como Deus?”, aparece em Dn 10,13.22; 12,1; Jud 9; Ap 12,7. São Miguel é o Padroeiro de toda a Igreja;

• Rafael, seu nome significa “Deus Cura”, aparece em Tb 3,25. 



A hierarquia angélica e as relações com os seres humanos

Segundo S. Tomás de Aquino, a Luz Divina é comunicada aos Anjos de maneira hierárquica, graduada e ordenada, da primeira Hierarquia até a última. A palavra "hierarquia", neste caso, significa Principado Sagrado; a palavra "Principado" compreende duas realidades: o próprio Príncipe e a multidão ordenada sob ele. O Principado Sagrado, entendido no seu significado pleno e perfeito, designa toda a multidão das criaturas racionais e chamadas a participar das coisas santas sob o Governo Único de Deus, Príncipe supremo e Rei soberano de toda esta multidão. Não há uma classificação total e e uniformemente definida na Igreja sobre os Nove Coros dos Anjos. A de Dionísio Aeropagita e a do Papa São Gregório permanecem a referência.

A distinção mais divulgada de uma hierarquia entre os anjos aparece na obra De Coelesti Hierarquia (Sobre a Hierarquia Celeste), atribuído a Dionísio, o Areopagita, datada entre os séculos IV e V. Nesta, os anjos são "classificados" em três Ordens, cada uma formada por três Coros, num total de nove Coros Angélicos: Serafins, Querubins e Tronos fazem parte da primeira hierarquia dos anjos; Dominações, Virtudes e Potestades formam a segunda hierarquia; os Principados, os Arcanjos e os Anjos (como os de guarda) estariam na terceira. Todos esses anjos têm, como resume o teólogo francês J. Daniélou, duas funções: louvar a Trindade Santíssima e guardar e defender tudo o que é de Deus. 

O Catecismo da Igreja Católica diz que os anjos são criaturas pessoais, ou seja, dotadas de inteligência e vontade; são imortais, porque puramente espirituais, e superam em perfeição as criaturas visíveis (CIC §330). A perfeição dos anjos não permite, no entanto, que eles penetrem nossas consciências; temos que manifestar-lhes as nossas necessidades, mas basta falar com eles mentalmente, e nos entenderão. O fato de os anjos serem pessoas nos faz ver que são capazes de relações de amizade e de fraternidade com pessoas humanas. Os santos anjos são nossos amigos. Seria bom se cultivássemos essa amizade frequentemente, conversando com eles, pedindo a sua proteção e agradecendo seus favores. Nessas angélicas relações amistosas, o nosso anjo da guarda ocupa o primeiro posto: é o anjo que mais deveria ser tratado por nós.

A Primeira Hierarquia: Serafins – Querubins – Tronos
Representa Deus nas suas Perfeições mais íntimas: Amor ardente, Luz viva, Santidade inalterável.

A Segunda Hierarquia: Dominações – Virtudes – Potestades
Representa Deus na sua Soberania sobre todas as criaturas: Poder sem limites, Força irresistível, Justiça imutável.

A Terceira Hierarquia: Principados – Arcanjos – Anjos
Representa Deus nas suas ações: sábio Governo, sublimes Revelações, constantes testemunhos de Bondade.


A devoção aos anjos não contraria a centralidade de Cristo

Todos os anjos estão ao serviço de Cristo, e é uma honra para eles servir a Jesus e a todos os seres humanos por amor ao Deus Uno e Trino. O Catecismo da Igreja destaca esse serviço humilde e eficaz a Cristo e a toda a Igreja (Cat. 333-335).

Os santos foram muito devotos dos anjos. São Josemaría Escrivá, por exemplo, deixava que o seu anjo da guarda contasse o número de orações e mortificações que ele ia fazendo, tinha-o presente nos trabalhos apostólicos que realizava, chamava-o “Relojoeirinho” (porque era muito pontual em despertar-lhe e até consertou-lhe um relógio numa ocasião!), dedicava as terças-feiras a tratá-lo mais intensamente, rezava ao anjo da guarda de alguém com quem queria conversar ou escrever-lhe uma carta; viu o Opus Dei no dia 2 de outubro de 1928, Festa dos Anjos da Guarda; confiou os diversos trabalhos dessa nova fundação a cada um dos arcanjos. O livro “Caminho”, um verdadeiro clássico moderno da espiritualidade cristã católica, indica nove pontos seguidos à devoção aos anjos. Como São Josemaría, poderíamos elencar vários outros santos cuja devoção aos anjos nos anima a ser mais amigos desses celestes espíritos.

Os anjos estão presentes na Liturgia da Igreja, muito especialmente quando a Santa Missa é celebrada. Os textos litúrgicos fazem referências a esses celestes adoradores de Deus. O “Glória a Deus nas alturas” foi uma oração entoada por eles (cfr Lc 2,13-14). As Orações Eucarísticas, na sua primeira parte (prefácios), terminam “com os anjos e os arcanjos e com todos os coros celestiais” cantando o hino da glória de Deus que é o “Santo, Santo, Santo”, Hino dos Serafins (cf. Is 6).

Na Oração Eucarística I ou Cânon Romano, a Oferenda é levada ao Deus Todo-Poderoso “per manus sancti angeli”, ou seja, pelas mãos do santo anjo. São Beda dizia que “da mesma maneira que vemos como os anjos rodeavam o Corpo do Senhor no sepulcro, devemos crer que estão fazendo a corte a Jesus na consagração”.

Enfim, toda a vida do novo Povo de Deus, que é a Igreja do Deus vivo, recebe a proteção dos anjos. Nós, membros da Igreja, podemos e devemos intensificar a nossa devoção a esses celestiais guardiões da nossa fé, esperança e caridade, do nosso trabalho pela causa de Deus e do nosso caminho rumo ao Céu. Sejamos gratos aos nossos anjos da guarda e, sobretudo, agradeçamos ao Senhor por esses angélicos companheiros.


Referências bíblicas

• Gênesis 3, 24: Querubins;
• Isaías 5, 2: Serafins;
• Ezequiel 10, 3: Querubins e Tronos;
• Daniel: Miríades Angélicas, Gabriel e Miguel;
• Tobias: Rafael;
• 2 Macabeus: Exércitos Celestes, Miguel;
• 1 Tessalonicenses 4, 16: Arcanjo;
• Romanos 8, 38: Anjos, Principados, Potestades;
• 1 Coríntios 15, 24: Principados, Dominações, Potestades;
• Efésios 1,21: Principados, Potestades, Virtudes, Senhorias ou Dominações;
• Efésios 3, 10: Dominações e Potestades celestes;
• Efésios 6, 12: Principados e Potestades;
• Colossenses 1, 15: Tronos, Dominações, Principados e Potestades;
• Colossenses 2, 10: Principados e Potestades;
• Colossenses 2, 15: Principados e Potestades;
• 1 Pedro 3, 22: Anjos, Principados e Potestades;
• Judas 9: Arcanjo Miguel;
• 2 Pedro 10, 11: as Glórias;
• Hebreus 12, 22: exército incontável de Anjos;
• Apocalipse: os Sete Anjos, Miguel, os Vigilantes, etc.

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Fonte:
Adaptado do artigo do Pe. Françoá Costa, disponível em
http://www.presbiteros.com.br/site/o-misterio-dos-anjos-quem-sao-eles/
Acesso 25/11/014
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Referência bibligráfica:
• A. VACANT, “Ange”, in F. VIGOUROUX (ed.), Dictionaire biblique, I,1 A, Paris : Letouzei et Ané, 1895, pp. 576-590.
• A. V. de PRADA, O Fundador do Opus Dei (3 volumes), São Paulo: Quadrante, 2004.
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, n. 325-336.
• F. F. CARVAJAL, Antología de textos para hacer oración y para la predicación, Madrid: Palabra, 1983, pp. 85-95.
• J. DANIÉLOU, O Mistério do Advento, RJ: Agir, 1958.
P. B. CELESTINO, Os anjos, São Paulo: Quadrante.
• O artigo de P. B. CELESTINO, “Os anjos e o nosso anjo” se encontra em http://www.quadrante.com.br/ sessão “artigos >> doutrina e teologia” (visitada no dia 26/09/2010). • P. M. GALOPIN, “Ángel”, in P.-M. BOGAGERT e outros (responsáveis), Diccionario Enciclopédico de la Biblica, BARCELONA: HERDER, 1993, 73-76.
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Pais são presos por não aceitarem "ideologia de gênero"

O casal Eugen e Luise Martens pode perder a liberdade porque sua filha se negou a participar das aulas obrigatórias de “educação sexual”


Eugen e Luise Martens

O QUE ESTÁ ACONTECENDO com o mundo? Satanás está solto e furioso? Os sinais dos últimos tempos realmente parecem mais do que claros. Vemos igrejas, símbolos religiosos e a própria Eucaristia sendo profanados de maneiras como nunca antes. Cristãos são perseguidos, flagelados, crucificados, mortos.

O socialismo, antes abertamente condenado pela Igreja (e nas aparições reconhecidas de Nossa Senhora), e que muitos consideram um mal debelado, agora se manifesta sob a sua forma mais tenebrosa: a cultura marxista, que parece tomar conta do mundo inteiro, com sua bandeira de ódio a Cristo, à família e a toda moralidade cristã erguida cada vez mais alto. Trema diante do caso desta família, lançada na cadeia por não querer que suas crianças sejam doutrinadas pelo Estado na ideologia de gênero, que sustenta que não existem diferenças reais entre os sexos, que seriam apenas meros construtos sociais, e que os pequenos precisam "escolher" se vão querer viver como meninos ou meninas.

Enquanto o Brasil, até aqui, resistiu bravamente à implantação legal da ideologia de gênero, alguns fatos ocorridos fora do continente podem ajudar a esclarecer ainda mais de que se trata essa grande farsa, concebida para destruir a sociedade, a família e o próprio homem.

Na Alemanha (num pequeno município da Renânia, Norte-Vestfália), um casal, pai de nove filhos, está ameaçado de perder a liberdade, simplesmente porque sua filha se negou a participar das aulas de “educação sexual” previstas para a escola primária(!). A polícia alemã já encarcerou Eugen Martens, em agosto de 2013, e só não prendeu ainda sua esposa, Luise, porque ela está amamentando o filho mais novo (veja matéria na íntegra). O agente policial que visita a família, no entanto, garante: “O escritório da promotoria fará aplicar a decisão do juiz”. Ou seja, mais dia menos dia, também a mãe será presa.

É verdade que, na Alemanha, “a escola é obrigatória, e se uma criança falta às aulas, a escola tem obrigação de denunciar os pais e o tribunal pode multar essa família”. Mas, até aqui, o casal não se tem mostrado negligente em relação à educação de suas crianças: elas têm ido à escola regularmente. Qual o crime cometido por Eugen e Luise? Apenas a filha recusando-se a receber aulas de gênero.

As aulas da chamada “educação sexual” têm um conteúdo perverso, como conta Mathias Ebert, fundador da Associação Besorgte Eltern (Pais Preocupados), fundada justamente para denunciar a corrupção dos seus filhos por parte do Estado: “Não só se ensina às crianças como funciona o sexo entre homens e mulheres, mas se coloca uma ‘variedade’ de práticas sexuais: sexo oral, anal e muito mais. A partir da escola primária, dizem aos meninos que o seu 'gênero' não está determinado, e que não podem saber se serão meninos ou meninas; que devem refletir”(!).

Ebert também afirma que a prisão da família Martens não é um caso isolado na Alemanha. “Não conheço o número exato de pais presos, mas só o pequeno grupo de pais da cidade de Paderborn tem passado, no total, 210 dias presos”, explica. “É um escândalo enorme, também, porque são justamente as crianças que querem sair da aula. Na cidade de Borken, por exemplo, em uma classe, a 'lição' perturbou tanto as crianças que seis delas desmaiaram”(!).


Filme produzido pela Associação Besorgte Eltern
sobre o caso de Eugen e Luise Martens


Não é preciso atravessar o oceano para descobrir uma situação tão ou até mais trágica do que essa. No Brasil, as escolas ensinam às crianças, desde a mais tenra infância, como acontece um ato sexual – chegam a fazer encenações ou demonstrações com objetos de plástico –, como usar um método anticoncepcional, como se masturbar etc. Com a ideologia de gênero, novas perversões estão sendo preparadas: além de aprender o sexo antinatural, as crianças precisariam questionar a própria “identidade” e, como nas escolas alemãs, ser levadas a “refletir” “se são meninos ou meninas”. Os pais "retrógrados" que não concordarem com tudo isso terão o mesmo fim de Eugen e Luise Martens: a cadeia.

É com esse enfoque que a Organização Mundial da Saúde trata da educação das crianças e adolescentes. O documento Standards for Sexuality Education in Europe ('Padrões para a Educação Sexual na Europa'), – após deixar bem claro que o seu "conceito de educação sexual” não tem nada a ver com “preparação para o casamento e para a família”1, – diz que a educação dos pais em matéria de sexualidade “é inadequada para a sociedade moderna”2, – como se coubesse ao Estado a decisão sobre a “medida de todas as coisas”, incluindo a educação de nossos próprios filhos(!).

Pensará a Igreja que a educação sexual não é importante? Pelo contrário: a Igreja reconhece a importância de que “crianças e os adolescentes (...) sejam formados numa educação sexual positiva e prudente, à medida em que vão crescendo”3. O que acontece na Alemanha, porém (e de igual forma em todo o Ocidente), é um desrespeito ao princípio da subsidiariedade. “A educação sexual, direito e dever fundamental dos pais, deve atuar-se sempre sob a sua solícita guia, quer em casa quer nos centros educativos escolhidos e controlados por eles”4, conforme o Papa João Paulo II. Ou seja, a sociedade e o Estado devem colaborar, na medida do possível, com a educação dos pais, e não o contrário. – São “os pais, que transmitiram a vida aos filhos, (...) seus primeiros e principais educadores”, e este direito-dever não só é essencial, mas também insubstituível e inalienável 5.

A fundação Besorgte Eltern tem realizado inúmeras manifestações na Alemanha, exigindo respeito não só ao papel primordial dos pais na formação de seus filhos, como à própria integridade das crianças. “Que não se deturpe os sentimentos das crianças”, pede Mathias Ebert. “Está claro que, se deixaram as aulas, é por causa do clima que respiram em casa. Mas isto é errado? É errado que um menino tenha determinados valores, transmitidos por sua família, e viva com base neles? Creio que não”.


** Não deixe de assistir, abaixo, ao documentário norueguês (2010) que desmontou de uma vez a polêmica e absurda "teoria do gênero", tão querida pelo movimento revolucionário (e pelo nosso atual governo). O vídeo mostra a luta de uma ideologia fabricada contra a mais pura e evidente realidade. – As pesquisas mostram como a suposta "igualdade de gênero" é um mito que não passa por absolutamente nenhum crivo científico.



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Referências:
1. Standards for Sexuality Education in Europe, p. 12
2. Ibidem, p. 21
3. Gravissimum Educationis, 1
4. Familiaris Consortio, 37
5. Ibidem, 36
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Pela Santa Missa agradecemos dignamente a Deus todos os benefícios (Excelências da Santa Missa – VIII)


Leia o primeiro capítulo

Por S. Leonardo de Porto-Maurício, da Ordem dos Frades Menores

S. Leonardo de
Porto-Maurício
A TERCEIRA DÍVIDA ou obrigação é a do reconhecimento pelos benefícios de que nos cumulou carinhosamente nosso DEUS. Computai todos os favores que dele tendes recebido, os bens da natureza e da Graça, o corpo, a alma, os sentidos, as faculdades, a saúde, a vida... A própria Vida, enfim, de seu Filho JESUS, e a Morte que por nós sofreu, elevam além de qualquer medida a divida de gratidão que temos para com DEUS. Como poderemos agradecer-Lhe suficientemente?

Se, duma parte, a lei da gratidão é observada mesmo pelos animais selvagens, que às vezes mudam sua ferocidade em afeição àqueles que lhe fazem bem (como quando recebem alimento ou um afago carinhoso), quanto mais deverá ser ela observada entre os homens, dotados de razão e tão prodigiosamente favorecidos pela liberalidade de DEUS! Doutra parte, porém, nossa miséria é tão grande que não temos sequer o meio de satisfazer pelos menores benefícios recebidos de DEUS. Pois o menor de todos, provindo das Mãos de tão grande REI e acompanhado dum Amor infinito, adquire um preço infinito e nos obriga a um reconhecimento também infinito. Infelizes que somos! Se não podemos suportar o peso de um só benefício, como poderemos arcar com o fardo de Graças inumeráveis?

Sendo assim, portanto, estaremos destinados à triste contingência de viver e morrer ingratos para com nosso Benfeitor. Consolai-vos, porém, pois o meio de dar ações de graças suficientes ao Boníssimo DEUS nos é ensinado pelo rei Davi, que, contemplando com espírito profético o Divino Sacrifício, confessava que só ele bastava para dar a DEUS ações de graças adequadas. "Quid retribuam Domino pro omnibus quae retribuit mihi?", perguntava. “Que retribuirei ao Senhor por todos os benefícios que me tem feito?”

E responde: Calicem Salutaris, ou, segundo outra versão: Calicem Levabo! “Elevarei ao Céu o Cálice do Senhor”, isto é, oferecer-Lhe-ei um Sacrifício que será infinitamente agradável, e com o qual somente satisfarei a minha dívida por tantos e tão grandes benefícios.

Acresce que este Sacrifício foi instituído pelo nosso Redentor, principalmente para este fim, quero dizer, para reconhecer a divina Munificência e agradecer-Lhe, e por isso chama-se Eucaristia por excelência, o que significa “Ação de Graças”. Ele mesmo nos deu o exemplo, quando na Última Ceia, antes de pronunciar nessa primeira Missa as palavras da Consagração, elevou os olhos ao céu e deu graças a seu PAI: "Elevatis oculis in caelum, tibi gratias apens fregit".

Ó divina Ação de Graças, que nos descobre o fim sublime para que foi instituído este augusto Sacrifício, e nos convida a conformar-nos a nosso Chefe, a fim de que sempre, ao assistir à Santa Missa, saibamos servir-nos de tão grande Tesouro, oferecendo-o em ação de graças a nosso soberano Benfeitor, e associando-nos ao Paraíso todo, à Santíssima Virgem, aos Anjos e Santos, que se enchem de alegria ao ver-nos render a nosso adorável DEUS este Tributo de reconhecimento!



A venerável Irmã Francisca Farnese vivia em contínuos tormentos de Amor, por se ver inteiramente cumulada de Benefícios divinos, sem encontrar o meio de depor tão pesado fardo, dando ao Senhor um reconhecimento suficiente. Certo dia apareceu-lhe a Santíssima Virgem e, depondo-lhe nos braços o Divino Infante (!), disse-lhe: “Toma-O, Ele é teu, e saibas dele servir-te, pois com Ele pagarás todas as tuas dívidas.”!

Ó bem-aventurada Santa Missa, graças à qual o Filho de DEUS é depositado, não em nossos braços, mas em nossas mãos e em nosso coração! Uma Criancinha nos é dada, a fim de que dela nos sirvamos, e não há dúvida de que com ela possamos solver completamente a Dívida de reconhecimento que temos para com DEUS. Mais ainda: se bem refletirmos, na Santa Missa damos, de certo modo, a DEUS algo mais do que Ele nos deu: pois DEUS PAI nos deu somente uma vez o seu Divino FILHO, na Encarnação, enquanto nós lho damos sem cessar neste Santo Sacrifício.

De modo que parece o sobrepujamos, por assim dizer, se não no próprio Dom, pois maior não pode haver que o FILHO de DEUS, mas ao menos em aparência, renovando tantas vezes o mesmo Dom!

Ó imenso, infinito DEUS! Ó DEUS, Fonte do Amor! DEUS todo Amor! Quem dera pudéssemos ter uma infinidade de línguas para agradecer-vos pelo incalculável Tesouro que nos destes, instituindo a Santa Missa! E vós, que fazeis? Abristes enfim os olhos para reconhecer tão preciosíssimo Tesouro? Se, no passado, Ele foi para vós como um Tesouro Oculto, agora que começais a conhecê-lo, não exclamais transportados de admiração: Oh! Que admirável Tesouro! Que imenso Tesouro!

** Ler o nono capítulo 


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Fonte:
MAURÍCIO, Leonardo de Porto. As Excelências da Santa Missa, conforme a ed. romana de 1737 dedicada a S.S. o Papa Clemente XII
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Um homossexual fala sobre a "homofobia" da Igreja Católica

Cardeal Raymond Burke

Por Aleteia – Em um artigo da revista “Celebrate Life” intitulado “Saindo de Sodoma”, Eric Hess, um dos maiores ativistas gays da história dos EUA (Wisconsin), fala sobre sua experiência com o Cardeal Burke, chamado por alguns de "homofóbico" após a sua participação no sínodo dos Bispos sobre a Família

EM SEU ARTIGO, Eric relata sua infância turbulenta (seu pai era dependente de álcool e violento), que o levou, “em meio à dor, a buscar o amor do meu pai nos braços de outros homens”. Após uma juventude de muita confusão afetiva (Eric situa, hoje, a causa das desordens sexuais, do direito ao aborto e dos direitos homossexuais na “mentalidade anticonceptiva predita em 1968 pelo Papa Paulo VI na ‘Humanae Vitae’”), em 1995, ele colocou em uma caixa sua Bíblia e todas as imagens religiosas que conservava da sua infância e as enviou ao bispo de “La Crosse”, Wisconsin, com uma carta na qual declarava sua renúncia à Igreja Católica.

“Para a minha surpresa, reconhece Eric hoje, o bispo Raymond Burke me respondeu com outra carta, na qual me dava a conhecer sua tristeza; disse que respeitava a minha decisão e que notificaria a paróquia na qual fui batizado. Afirmou que rezaria por mim e que desejava que chegasse o momento no qual eu me reconciliaria com a Igreja.”

No entanto, Eric (que, nessa época, era um dos ativistas gays mais atuantes de Wisconsin) lembra ter pensado: “Que arrogante!”. Depois, replicou ao bispo Burke com outra carta, acusando-o de assédio. “Meus esforços por desanimá-lo caíram por terra”, pois o bispo lhe enviou uma outra carta garantindo-lhe que não voltaria a escrever-lhe, mas que, se um dia ele quisesse se reconciliar com a Igreja, ele o receberia de braços abertos.

O tempo passou, mas “o Pai, o Filho e o Espírito Santo nunca desistiram de mim”, conta Eric, que então conversou “com um bom sacerdote”, cujas orações se uniram às do bispo.

Finalmente, “em 14 de agosto de 1998, a graça divina entrou na minha alma, em um restaurante chinês, junto ao meu companheiro de mais de 8 anos; naquela tarde, o Senhor me chamou ao tribunal da sua graça de cura: o santo sacramento da Penitência. O padre com quem eu havia conversado estava me esperando lá. Enquanto eu caminhava até ele, uma voz interior falou ao meu coração; era amável, radiante e clara dentro da minha alma. E me dizia: este sacerdote é a imagem do que você poderia chegar a ser, se voltar a mim”.

A caminho de casa, naquele dia, Eric disse ao seu companheiro: “Preciso voltar à Igreja Católica”. Mais tarde, ligou para o bispo Burke, “para que fosse o primeiro a ficar sabendo que eu estava voltando para a Igreja”. Então marcamos um encontro.

“Um mês depois da minha reconciliação com Deus e com a Igreja, entrei na sala do bispo e ele me abraçou. Perguntou-me se eu me lembrava de tudo aquilo que lhe enviei em uma caixa anos antes. É claro que eu me lembrava. Foi então que o bispo me devolveu a caixa, dizendo que ele sempre acreditou que eu voltaria.”

Vários anos se passaram, o bispo Burke participou do sínodo dos bispos sobre a família e recebeu algumas acusações de homofobia. Eric Hess confessa que o bispo de Saint Louis “é difamado pela sua fidelidade a Deus, à Igreja e às almas. Posso dizer que é um pastor de verdade, que para mim se tornou um pai espiritual, imagem do nosso Pai do céu”.

Realmente, isso é todo o contrário da imagem com que alguns querem identificar o cardeal Raymond Burke e às vezes até a Igreja em si.

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Fonte:
Alfa y Omega, em
http://www.alfayomega.es/noticias_digital/2014/10/20141031_BurkeGay.php
Acesso 15/11/014

• Com o apostolado "Fratres in Unum"
ofielcatolico.com.br

Estado quer obrigar cristãos a celebrar "casamento" gay


UM CASAL DE protestantes em Coeur d'Alene, Estado de Idaho, EUA, abriu processo judicial contra as autoridades locais, que os têm ameaçado repetidamente, – com multa e até prisão!, – para que celebrem "casamentos" entre pessoas do mesmo sexo.

Donald e Evalyn Knapp (foto), um casal sexagenário de protestantes que realiza cerimônias de casamento em sua capela, foram repetidamente advertidos de que seriam processados e arriscariam incorrer em multa de prisão caso se recusassem a celebrar "casamentos" entre pessoas do mesmo sexo. As ameaças tinham como suposto fundamento uma lei regional que proíbe a discriminação pela orientação sexual.

O casal está sendo orientado legalmente pela Alliance Defending Freedom, organização engajada na defesa da liberdade religiosa frente à crescente pressão jurídica enfrentada por cristãos devido aos seus valores e princípios religiosos, ligados à defesa da vida humana desde a concepção e à sacralidade da família. O processo foi aberto para evitar o risco de que as autoridades locais possam puni-los com multa e até seis meses de cadeia, como haviam ameaçado.

† † †


No Estado de Nova Iorque, outro casal de protestantes, responsável por uma igreja, foi condenado em decisão judicial a pagar multa por ter se recusado a celebrar um "casamento" entre duas mulheres. 

O casal, acusado de "homofobia", já provou que não odeia nem discrimina, e inclusive demonstrou ter contratado funcionários declaradamente homossexuais, e e não poderia celebrar a união exclusivamente por questões não de discriminação, mas de princípios religiosos, – o que de modo algum pode caracterizar "crime de homofobia". 

Para o Estado de Nova Iorque, entretanto, isso não é suficiente. Cynthia e Robert Gifford (foto) foram condenados a pagar multa de US$13 mil por sua recusa em realizar a celebração em sua própria fazenda(!), onde moram há 25 anos, onde trabalham e criaram seus filhos.


       Diante de tais precedentes, podemos esperar, para um futuro muito próximo, uma tremenda intensificação da perseguição gayzista. Estamos a um passo de entrar num período de trevas profundas e terríveis perseguições, já que os princípios da doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo vêm sendo sistematicamente criminalizados pelos governos ao redor do mundo, a cada dia que passa.

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Fontes:
ACI/New York Post/Alliance Defending Freedom
ofielcatolico.com.br

Atos de Consagração ao Sagrado Coração de Jesus


Ato de Consagração da Família ao Sagrado Coração de Jesus
(Texto aprovado por São Pio X em 1908)

SAGRADO CORAÇÃO de Jesus, que manifestastes à Santa Margarida Maria o desejo de reinar sobre as famílias cristãs, viemos hoje proclamar vossa Realeza absoluta sobre a nossa família.

Queremos, de agora em diante, viver a vossa Vida; queremos que floresçam, em nosso meio, as virtudes às quais prometestes, já neste mundo, a paz.

Queremos banir para longe de nós o espírito mundano que amaldiçoastes.

Reinareis em nossas inteligências pela simplicidade de nossa fé; em nossos corações pelo Amor sem reservas de que estamos abrasados para convosco, e cuja Chama manteremos pela recepção frequente de vossa divina Eucaristia.

Dignai-Vos, Coração divino, presidir as nossas reuniões, abençoar as nossas empresas espirituais e temporais, afastar de nós as aflições, santificar as nossas alegrias, aliviar as nossas penas.

Se alguma vez, algum de nós tiver a infelicidade de vos ofender, lembrai-vos, ó Coração de Jesus, que sois bom e misericordioso para com o pecador arrependido.

Quando soar a hora da separação, nós todos, os que partem e os que ficam, seremos submissos aos vossos eternos Desígnios. Consolar-nos-emos com o pensamento de que há de vir um dia em que toda a família, reunida no Céu, poderá cantar para sempre a vossa Glória e os vossos benefícios.

Digne-se o Coração Imaculado de Maria, digne-se o glorioso Patriarca São José, apresentar-Vos esta consagração e no-la lembrar todos os dias de nossa vida. Viva o Coração de Jesus, nosso Rei e nosso Pai!



Ato de Consagração Pessoal ao Sacratíssimo Coração de Jesus
(de Santa Margarida Maria Alacoque)

Eu, (seu nome), vos dou e consagro, ó Sagrado Coração de Jesus Cristo, a minha vida, as minhas ações, minhas penas e sofrimentos, para não querer mais servir-me de nenhuma parte do meu ser, senão para vos honrar, amar e glorificar. É esta a minha vontade irrevogável: ser todo vosso e tudo fazer por vosso amor, renunciando de todo o meu coração a tudo quanto vos possa desagradar!

Tomo-vos, pois, ó Sagrado Coração, por único Bem do meu amor, Protetor da minha vida, Segurança da minha salvação, Remédio da minha fragilidade e da minha inconstância, Reparador de todas as imperfeições da minha vida e meu Amparo seguro na hora da morte.

Sê, ó Coração de Bondade, a minha Justificação diante de Deus, Vosso Pai, para que desvie de mim a Sua justa Cólera.

Ó Coração de Amor, deposito em Vós toda a minha confiança, pois tudo temo de minha malícia e de minha fraqueza, mas tudo espero de Vossa Bondade. Extingui em mim tudo o que possa vos desagradar ou que se oponha à vossa Vontade.

Seja o vosso puro Amor tão profundamente impresso em meu coração, que jamais possa eu vos esquecer nem me separar de Vós. Suplico-vos que o meu nome seja escrito no vosso Coração, pois quero fazer consistir toda a minha felicidade e toda a minha glória em viver e morrer como vosso servo. Amém.



Fórmula de Consagração de toda a Humanidade ao Coração Sacratíssimo de Jesus
(Carta Encíclica 'Annum Sacrum', de Leão XIII)

Ó Dulcíssimo Jesus, ó Redentor do gênero humano, lançai um olhar sobre nós, humildemente prostrados diante do vosso Altar! Somos vossos e vossos queremos ser; e para podermos viver mais estreitamente unidos a Vós, eis que cada um de nós se consagra ao vosso Sacratíssimo Coração. Muitos, porém, já não vos conhecem; muitos, ao desprezar os vossos Mandamentos, repudiam-Vos. O Benigníssimo Jesus, tende piedade de uns e de outros; e atraí todos ao vosso Coração Santíssimo.

Oh Senhor, sê o Rei não só dos fiéis que não se distanciaram de Vós, mas também destes filhos pródigos que Vos abandonaram; fazei com que estes retornem à Casa Paterna o quanto antes para não morrerem de miséria e fome. Sê o Rei de todos os que vivem no engano do erro ou que por discordarem de Vós se separaram; chamai-os ao Porto da Verdade e da Unidade da Fé para que assim, em breve, não haja mais que um só rebanho sob um só Pastor.

Sê finalmente o Rei de todos os que estão envoltos nas superstições do paganismo e não recuseis tirá-los das trevas para traze-los à Luz do Reino de Deus.

Obtende, ó Senhor, a integridade e liberdade segura para a vossa Igreja; dai a todo o povo a tranquilidade da ordem; fazei com que de uma extremidade à outra da Terra ressoe esta única voz: “Seja louvado este Coração do qual provém a nossa salvação! A Ele a Glória e a Honra pelos séculos! Amém!”1






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Acadêmicos reagem à doutrinação socialista no ENEM

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RIO DE JANEIRO – Um conjunto de questões da prova de Ciências Humanas do último exame nacional de ensino médio (ENEM-2014) abriu um debate entre acadêmicos sobre o direcionamento ideológico e a doutrinação dos estudantes por meio do teste. O sociólogo Demétrio Magnoli (foto), que propôs a discussão, disse que algumas respostas tidas como "corretas" estão carregadas de ideologia antiamericana, de ódio à Imprensa e de ideias das políticas racialistas, todos pontos característicos dos governos da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula.

Pelo menos seis questões trariam esses vieses, segundo Magnoli e outros especialistas que se manifestaram publicamente. Como de costume (e como já se pôde observar fartamente na campanha eleitoral petista deste ano), os partidários do governo tentaram defender o tom da prova citando supostos trechos com matiz similar nas primeiras edições do exame, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que é disparado o "saco de pancadas" favorito dos esquerdistas tupiniquins... O fato óbvio é que, ainda que alguma coisa semelhante tenha acontecido no passado (embora esta seja uma afirmação no mínimo controversa), um erro não justifica o outro.

Bem mais plantado sobre a realidade objetiva dos fatos, Magnoli cita a questão em que um texto do filósofo Marcos Nobre versa sobre "política e conservadorismo brasileiros". Pelo gabarito divulgado pelo Ministério da Educação, a resposta "certa" é: “A característica do sistema político brasileiro (...) obtém sua legitimidade da sustentação ideológica das desigualdades sociais”.

"O que há de fundo nessa questão é que é preciso remodelar a sociedade, o que seria feito pelo poder público, a partir de um combate das ideologias difundidas pelos meios de comunicação", – defende Magnoli. – "O que está por trás é que existe uma clara conspiração para difundir uma certa visão de mundo. O que está aí é o núcleo de controle da mídia. Todas as edições do ENEM vão nessa linha".

Num artigo publicado na última segunda-feira no noticiário "O Globo", o sociólogo criticou questões referentes à "Comissão Nacional da 'Verdade' (sic)" e ao "Golpe de 1964", que transmitiram a ideia de que “a imprensa é má e o governo é bom”. Em relação às políticas racialistas, Magnoli fez ressalvas sobre os enunciados referentes à Frente Negra Brasileira e a um parecer do Conselho Nacional de Educação que instituiu o Ensino de "História e Cultura Afro-Brasileira e Africana" nas escolas.

Professora de História do tradicional Colégio Sacré-Coeur, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, Alice da Costa concorda com o sociólogo e criticou o que chamou de “caráter catequizante” das questões de Ciências Humanas:

"A prova apresentou questões de cunho ideológico, como um gesto de catequese ideológica, pelo qual os candidatos seriam forçados a se curvar à doutrina política do governo, repetindo exaustivamente a sua ideologia, sob pena de ficar excluído do ensino superior", – afirma. – "Essas questões que abordam políticas sociais adestram o candidato. De alguma forma, pretendem rebater e criticar os governos neoliberais do passado."


"Não é de hoje", diz pesquisador

Doutor em Ciência Política e pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (RJ), Simon Schwartzman (foto) elogia a análise de Magnoli e ressalta que a crítica se estende a edições anteriores do ENEM: "O texto do Demétrio é excelente, mas não surpreendente, por que não é de hoje que o ENEM inclui questões que supostamente avaliariam o pensamento crítico, mas, na realidade, só avaliam o 'politicamente correto' na visão de seus autores."

No Enem 2012, a polêmica girou em torno da prova de Linguagens. Como noticiado à época, pelo menos oito questões mostravam preocupação excessiva em defender o uso oral e coloquial da língua em detrimento da norma culta. No mesmo ano, candidatos receberam a nota máxima em redação apresentando textos com erros grosseiros como “trousse”, “enchergar” e “rasoavel”(!), além de desvios graves de concordância. Após a revelação na mídia e a indignação da sociedade, o MEC tornou os critérios de correção um pouco mais rigorosos. Na edição do fim de semana, havia duas questões sobre variação linguística. O professor Claudio Cezar Henriques, titular do Instituto de Letras da UERJ, critica esse tipo de abordagem:

"A equipe que elabora a prova de Linguagens é de sociolinguística(!), trabalha com variação linguística, não é de Português(!). A prova tem que usar textos e questões que envolvam a esfera acadêmica e a linguagem padrão contemporânea. Mas, às vezes, o texto traz no conteúdo uma ideologia dos interesses dos partidos políticos que comandam a banca do ENEM."

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Fonte:
http://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/academicos-atacam-doutrinacao-do-enem-14546063#ixzz3Ix9YbPZb
Acesso 13/11/014
ofielcatolico.com.br

Quem não é contra nós está a nosso favor?

Abraço fraterno entre Bartomolomeu I (Igreja Ortodoxa) e Bento XVI

UM LEITOR QUE SE IDENTIFICA apenas como "Gabriel" enviou-nos a seguinte pergunta:


"João disse a Jesus: 'Mestre, vimos um homem que expulsa demônios em teu nome. Mas nós lho proibimos, porque não anda conosco'. Jesus disse-lhe: 'Não o proibais, pois quem não está contra vós, está a vosso favor'.
Pergunta: Aqui ele diz que, quem prega no nome d'ELE está a favor e não contra, isso poderia ser comparar ao Protestantismo e outras 'seitas', ou você poderia nos informar o estudo Teológico desta passagem no todo!) Que Deus lhe abençoe e guie te sempre no caminho da Salvação! Abraços Fraternos e Salve Maria Santíssima!"

Prezadíssimo Gabriel, com a ajuda de Deus e sob a orientação da Igreja, tentaremos responder satisfatoriamente à sua questão, que não é nova. A pergunta pode parecer complexa, mas a resposta é bem simples. Antes de dizer qualquer coisa, é preciso repetir uma máxima primordial da Teologia católica: a primeira realidade que todo leitor da Bíblia deve ter em mente é que o Livro Sagrado só pode ser lido e entendido como um conjunto coeso, de livros que se completam e estão interligados, um dando sentido ao outro. Esta é uma premissa fundamental para a leitura das Sagradas Escrituras. – É muito, muito fácil legitimar qualquer tipo de falsa crença ou mesmo heresia anticristã usando a Bíblia. Basta pinçar uma passagem e usá-la isoladamente, fora do seu devido contexto: o texto, fora do seu contexto, pode servir como pretexto.
A passagem que você citou é um ótimo exemplo desta realidade. Ela vem sendo usada para justificar todo tipo de sincretismo e irenismo. O sincretismo, como você sabe, é a tentativa de misturar ou fundir crenças e sistemas religiosos diferentes, – e/ou até mesmo contrários, – na tentativa de fazer de tudo uma só coisa. O resultado é sempre o surgimento de um novo sistema de crenças: uma nova seita. E irenismo se refere àquela postura (tão comum em nossos dias) de calar diante de injustiças e mentiras em nome da paz e do respeito humano. Para "ficar bem" com todo mundo, a pessoa admite tudo, aceita tudo como certo, que tanto faz, porque no fundo "é tudo a mesma coisa"... Esquecendo-se que "para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada", como já dizia o filósofo (Edmund Burke).

Como dissemos, porém, a Bíblia precisa ser compreendida em sua totalidade, como aquilo que ela realmente é: um conjunto de livros que, em harmonia, transmitem uma só Mensagem, sem confusão, sem sombras, sem contradições. A Palavra de Deus não pode fazer uma afirmação numa parte, e, depois, renegar esta mesma afirmação numa outra parte. Estaria nosso Jesus afirmando, na passagem em questão, que "a religião da pessoa não importa", desde que acreditemos nEle ou falemos em nome dEle? Vejamos, então, o que a própria Bíblia tem a dizer sobre isto:

"De fato, não há dois Evangelhos: há apenas pessoas que semeiam a confusão entre vós e querem perturbar o Evangelho de Cristo. Mas ainda que alguém, nós ou um anjo baixado do céu, vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que seja anátema! Repito aqui o que acabamos de dizer: se alguém pregar doutrina diferente da que recebestes, seja ele excomungado!" (Gl 1,6-8)

Ninguém gosta de ouvir a palavra "excomungado" hoje em dia. A sensibilidade das mentes atuais vê neste vocábulo uma expressão de autoritarismo, de uma Igreja que tenta impor sua fé à força, na marra. Nestes tempos em que o relativismo reina, absoluto, falar em excomunhão é quase um crime. "Excomungar", porém, simplesmente quer dizer que aquela pessoa, que crê e defende uma doutrina contrária àquilo que Jesus ensinou, não não faz parte da Igreja que Jesus deixou; tal indivíduo não representa a Igreja, não pode ser considerado membro dessa Igreja.

E é assim que deve ser, por motivos óbvios! Se a Igreja não tivesse agido assim desde o começo da sua história, hoje nem haveria mais Evangelho: as crônicas sobre a vida e os ensinamentos do Cristo teriam sido perdidas há muito séculos; as palavras do Mestre haveriam naufragado num mar de doutrinas conflitantes, para nunca mais serem encontradas. E as heresias no meio da Igreja começaram a surgir, como sabemos, desde o tempo dos Apóstolos. Observe como o Apóstolo Paulo, na passagem que ora estudamos, demonstra que já naquela época existiam elementos tentando disseminar um "outro evangelho", em nome de Jesus Cristo, no meio da Igreja, e deixa mais do que claro que tais elementos não poderiam jamais ser considerados como membros da Igreja. A ênfase é tamanha que ele chega a dizer que mesmo um anjo do Céu, se anunciasse um evangelho diferente, deveria ser considerado anátema, isto é, solenemente reprovado, extirpado, afastado da convivência entre os cristãos!

Assim, retornando à afirmação de Jesus no Evangelho de S. Marcos, o que precisamos fazer é ler e analisar não uma parte da passagem, mas ela inteira:

"João disse-lhe: 'Mestre, vimos alguém, que não nos segue, expulsar demônios em teu Nome, e lho proibimos'. Jesus, porém, respondeu-lhe: 'Não lho proibais, porque não há ninguém que faça um prodígio em meu Nome e em seguida possa falar mal de Mim. Pois quem não é contra nós é a nosso favor. E quem vos der de beber um copo de água porque sois de Cristo, digo-vos em verdade: não perderá a sua recompensa. Mas todo aquele que fizer cair no pecado um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe seria que uma pedra de moinho lhe fosse ligada ao pescoço e o lançassem ao mar!'" (Mc 9,38-42)

Observe como o complemento do ensinamento, destacado em negrito, é fundamental para dar sentido e colocar as primeiras afirmações no seu devido contexto. O Senhor Jesus está claramente se referindo àqueles que, em unidade, professam a fé no seu Nome. Mas quem fizer cair em pecado os que creem em Cristo, – mesmo que fale em seu Nome, – será condenado. Também é essencial entender que, na época em que ocorre esse episódio, não existia ainda a Igreja. Alguém expulsava demônios por meio da fé no Nome do Senhor, e a fé em Cristo nunca é ruim, a não ser quando, em nome desta mesma fé, se deturpa aquilo que o próprio Cristo ensinou. E ainda no mesmo Evangelho, no capítulo 13, o Senhor profetiza que muitos falsos profetas viriam em seu Nome, e que os cristãos deveriam rechaçá-los. Fica claro, portanto, que não basta falar em Nome de Jesus para ser confiável ou para estar "a nosso favor".

Concluindo, não é difícil compreender que a afirmação de Cristo, neste caso, não é absoluta, isto é, não podemos considerar "a nosso favor" todo aquele que prega ou fala "em Nome de Jesus", pois nesse caso teríamos que incluir aí os ocultismos, gnosticismos, espiritismos e todo tipo de seita que deturpa completamente a Mensagem do próprio Cristo. De fato, são milhares de seitas perniciosas ao redor do mundo que se pretendem detentoras da "verdadeira" interpretação do Evangelho, e todas elas se contradizem entre si.

Estudando a história da Igreja, vemos que os cristãos católicos sempre se conduziram, fundamentalmente, pela instrução da Igreja Una, a única Igreja fundada diretamente pelo Senhor Jesus Cristo e que guarda a Tradição dos Apóstolos. E o que é a Bíblia Sagrada cristã? É a Tradição dos Apóstolos por escrito: nós só temos a Bíblia e cremos nela, hoje, porque a Igreja, nos primeiros séculos do cristianismo, atestou que deveríamos crer nela, e a separou de muitos outros livros apócrifos, que eram igualmente atribuídos aos Apóstolos e lidos solenemente nas comunidades primitivas da Igreja.

Por isso é que não podem existir muitas "igrejas", cada uma ensinando uma coisa, cada qual disputando contra a outra, baseando-se na interpretação pessoal que cada "pastor" faz da Bíblia. Observe que praticamente todas as igrejas ditas "evangélicas" são unânimes em criticar a Igreja Católica, muitas vezes chamando-a de "prostituta", apontando o Papa como "anticristo" e outras blasfêmias terríveis. Como poderíamos dizer, então, que existem "muitas igrejas", e que todas são iguais perante Deus? Jesus disse: "Sobre esta Pedra (Pedro) edifico a minha Igreja", – no singular, e não "minhas igrejas", no plural. – Só há uma Verdade, e a Bíblia reafirma: "Há um só Senhor, uma só Fé e um só Batismo" (Ef 4,4-5).

Não basta qualquer pessoa ler a Bíblia, interpretar "do seu jeito", se dizer "pastor" ou intitular-se a si mesmo "bispo" ou "apóstolo", registrar uma razão social, alugar um salão e dizer que é "igreja". Igreja não é prédio, não é empresa, não é uma razão social. A Igreja é o Corpo Místico de Jesus Cristo neste mundo (Ef 5,23), e este Corpo não se divide contra si mesmo. A Cabeça deste Corpo é o próprio Cristo, como a Bíblia mesmo ensina, e este Corpo é íntegro e coeso. Uma perna não pode andar para um lado, e outra perna para outro. Um pé não pode querer ir para frente e outro para trás. Os braços não podem golpear o corpo, e cada um dos seus órgãos precisa trabalhar numa harmonia perfeita, em conjunto, para que o Corpo seja saudável. – É a missão do cristão e uma aventura maravilhosa comprovar, a cada nova descoberta, que existe uma caminho certo que nos leva a Cristo e à salvação.

Diante do exposto até aqui, que dizer? Não existem pessoas bem intencionadas em outras comunidades ditas cristãs, que agem de boa consciência e que poderão ganhar a salvação por Misericórdia Divina?

A Igreja crê que existem elementos de santidade e verdade presentes em várias religiões (CIC§819), e isso é uma verdade inegável, da qual poderíamos enumerar muitíssimos exemplos: há alguns anos, o controverso "pastor" Silas Malafaia deu exemplo de postura cristã num debate com o candidato petista à prefeitura de São Paulo; falou como todo bom católico deveria falar; agiu, em relação a determinados assuntos, como deveriam agir os padres e bispos católicos, que muitas vezes são omissos em questões importantes. Antes disso, ele já tinha acertado ao confrontar Edir Macedo quanto à questão do aborto, e também ao defender a Igreja Católica por conta das imagens de santos profanadas na famigerada "parada gay" paulista. E veja bem, estamos falando do representante de um seita indubitavelmente herética, um homem que prega a abominável "teologia da prosperidade" e acusa a Igreja de Cristo de "idólatra".

Veja como é claro que, mesmo podendo dizer algumas verdades, não é por pregar "em Nome de Jesus" que tudo o que alguém diz ou faz esteja certo. Ao contrário: quando alguém se coloca como "mestre" ou "pastor", em Nome do Senhor, e ao mesmo tempo prega contra a Igreja deste mesmo Senhor, seu erro é tremendo. Mesmo assim, por outro lado, até na pregação de um herege podemos encontrar elementos de santidade e de verdade. Não há dúvida de que, em algumas de suas pregações, muitos "pastores" dizem grandes verdades, e que podem interpretar corretamente determinados pontos isolados das Escrituras. E também cremos que a salvação não está fechada para ninguém, até mesmo para os não cristãos, conforme orienta a Santa Igreja. O Catecismo afirma que aqueles que, sem ter opção, não puderam conhecer Jesus Cristo nesta vida, não serão condenados. É o que a Teologia chama de "ignorância invencível".

Mas nada disso muda o fato de que existem uma Só Verdade e uma só Igreja, Corpo Místico de Nosso Senhor, a qual contém em si mesma todas as verdades das quais necessitamos para a nossa salvação.

Concluindo, mais uma vez insistimos, prezado Gabriel, que a Bíblia precisa ser compreendida em sua totalidade. A fala de Jesus claramente alude à unidade que deve existir dentro da Igreja, entre os diferentes grupos, possuidores de diferentes carismas. Também a convivência pacífica e a busca da união entre os cristãos deve ser constante, – e a Igreja tem trabalhado incessantemente neste sentido, – mas é preciso saber reconhecer e diferenciar as coisas. Conviver bem não é sinônimo de sincretismo e nem de irenismo.

Na esperança de que a pergunta tenha sido respondida, e de que o nosso esforço não tenha sido em vão, na Paz de Nosso Senhor agradecemos pela participação e pela confiança em nosso apostolado. Deus abençoe e ilumine com discernimento a todos os que lerem este artigo.

Pela Santa Missa podemos satisfazer a Justiça Divina pelos pecados cometidos (Excelências da Santa Missa – VII)


Leia o primeiro capítulo

Por S. Leonardo de Porto-Maurício, da Ordem dos Frades Menores

S. Leonardo de
Porto-Maurício
A SEGUNDA OBRIGAÇÃO que temos para com DEUS é a de satisfazer à sua Justiça por tantos pecados por nós cometidos. Oh!, que dívida imensa esta! Um único pecado mortal pesa tanto na balança da Justiça Divina que não bastariam, para expiá-lo, todas as boas obras de todos os mártires e de todos os santos passados, presentes e futuros. No entanto, com o Santo Sacrifício da Missa, se considerarmos o seu valor intrínseco e seu Preço, pode-se satisfazer plenamente a Deus por todos os pecados cometidos.

E aqui buscai compreender quanto de reconhecimento deveis a JESUS. Pensai-o bem: é Ele o ofendido; entretanto, não contente de no Calvário ter satisfeito por nós à Justiça Divina, deu-nos e continua a dar-nos incessantemente o meio de apaziguá-la no Sacrifício da Santa Missa, pois aí renova a Oferenda que, na Cruz, fez a DEUS PAI, pelos pecados do Mundo inteiro. O mesmo Sangue que derramou para resgatar o gênero humano é aplicado e oferecido especialmente na Santa Missa pelos pecados daquele que a celebra ou manda celebrar, e de todos os que participam deste augusto Sacrifício.

Não que o Sacrifício da Santa Missa apague por si mesmo e imediatamente nossos pecados, como é o caso do Sacramento da Confissão; mas obtém que eles nos sejam apagados, proporcionando-nos, seja no momento mesmo da Santa Missa, seja em outra ocasião oportuna, boas inspirações, movimentos salutares e graças atuais que nos são indispensáveis para nos arrependermos dignamente de nossas faltas. Só DEUS sabe quantas almas escaparam das garras do pecado pelos socorros extraordinários que lhes provieram deste divino Sacrifício!

Assim conquanto às almas em estado de pecado mortal não lhes aproveite o valor no que tem de propiciatório, todos os pecadores deviam assistir muitas vezes à Santa Missa para alcançar mais facilmente a graça da conversão. Quanto às almas vivendo em paz com DEUS, o Sacrifício da Santa Missa lhes dá uma força surpreendente para se manterem nesse estado e, conforme a opinião comum, são apagados todos os pecados veniais, casso tenham ao mesmo tempo um arrependimento geral.

É o que ensina claramente Santo Agostinho: “Se alguém assiste devotamente à Santa Missa, não cairá em pecado mortal e os pecados veniais lhe serão perdoados”.

Narra São Gregório que uma pobre mulher encomendava a celebração de Santas Missas todas as segundas-feiras, em ação de graças para o seu marido, que ela julgava morto, pois ele caíra nas mãos dos bárbaros. Estava vivo, porém, e durante o tempo em que se celebravam essas Santas Missas, a cadeias se lhe soltavam dos pés e das mãos e lhe caíam as algemas, e ele ficava livre e desembaraçado, como, ao libertar-se da escravidão, pôde contar a sua mulher. Quanto mais devemos crer na eficácia deste Sacrifício para desatar os laços espirituais, isto é, os pecados veniais, que de certo modo mantém cativa a alma, impedindo-a de agir com a liberdade e o fervor que ela teria, não fossem esses entraves.

Ó bem-aventurada Santa Missa, que nos restitui a liberdade de filhos de DEUS, e satisfaz todas as penas devidas por nossos pecados! Mas então, me direis, basta assistir ou encomendar uma única Santa Missa para pagar as maiores dívidas com DEUS, em vista de tantos pecados cometidos, pois, sendo infinito o seu valor, com ela daremos a DEUS uma satisfação infinita. – Devagar!, eu vos peço. Realmente, se bem que o valor do Santo Sacrifício seja infinito, deveis saber, entretanto, que DEUS o aceita numa medida limitada e finita, mais ou menos, conforme a devoção maior ou menor de quem o celebra, manda celebrar, ou a ele assiste. "Quorum tibi fides cógnita est et nota devotio" ('Quanto a eles, sua fé e devoção são conhecidos por Ti'), diz a Santa Igreja no Cânon da Santa Missa, e, por esta linguagem dá-nos a entender o que ensinam expressamente os Doutores, e é que a maior ou menor satisfação proporcionada pela Santa Missa, quanto à pena devida por nossos pecados, depende da disposição de quem a celebra ou a ela assiste.

Note-se aqui o erro daqueles que preferem as Missas mais curtas e menos devotas, ou, o que é pior, que a elas assistem com pouca ou nenhuma devoção. É verdade que todas as Missas são iguais do ponto de vista do Sacramento, como ensina São Tomás; não o são, porém, quanto aos efeitos que delas provêm. Quanto maior a piedade atual ou habitual do celebrante, maior será o fruto de seu Sacrifício. Assim, não fazer diferença entre um padre mais fervoroso e outro menos, seria o mesmo que, para pescar, lançar mão indiferentemente de uma rede de malhas pequenas ou grandes.

Diga-se o mesmo dos que assistem à Santa Missa. E, ainda que eu vos exorte, o mais que posso, a assistir muitas vezes à Santa Missa, advirto-vos: mais glória dais a DEUS com aquela única Missa assistida com devoção e adoração profundas, e retirais mais e melhor fruto do que assistir cinquenta vezes sem a mesma disposição, – apesar do  que chamamos ex opere operato1, – do que um outro há de tirar de cinquenta.

“Na satisfação, olha-se mais a piedade do oferente que a quantidade da oblação”: “In satisfactione magis attenditur affectus offrentis quam quantitas oblationis”, diz São Tomás de Aquino.

Pode acontecer, sem dúvida, que, com uma única Missa, assistida com extraordinária devoção, se dê satisfação à Justiça de DEUS por todos os pecados ainda do maior pecador, conforme se depreende do Santo concílio de Trento, que diz: “Graças à oferenda deste santo Sacrifício, DEUS concede o dom da verdadeira penitência, e por ela o perdão dos pecados, ainda dos mais graves”. No entanto, visto não conhecermos claramente a disposição interior com que assistimos à Santa Missa, nem a satisfação correspondente, devemos ter o cuidado em assistir a muitas, o mais que pudermos, e assistir com todo o amor e devoção possíveis. Felizes de vós, se depositardes uma grande confiança em DEUS, que tão admiravelmente exerce Seu Amor neste Divino Sacrifício, e se assistirdes com fé, fervor e reverência, a todas as Santas Missas que puderdes!

Afirmo-vos que podeis alimentar a doce esperança de alcançar diretamente o Paraíso, sem passar pelo Purgatório. À Santa Missa, portanto, à Santa Missa! E que jamais se ouça de vossos lábios esta palavra escandalosa: “Uma Missa a mais, uma Missa a menos, não tem importância...”.

** Ler o capítulo seguinte


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1. N. do E.: "Ex opere operato" é uma expressão teológica latina que significa "pela obra operada", e se refere ao fato de que os Sacramentos realmente são eficazes: conferem a Graça quando o Sinal Sacramental é validamente realizado, não como resultado de atividade da parte do receptor, mas pelo Poder e Promessa de Deus. Ainda assim, não contrariando esta realidade, S. Leonardo diz que muito mais proveito tira dos Sacramentos aquele que deles participa com grande piedade, com autêntico espírito de adoração.
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Fonte:
MAURÍCIO, Leonardo de Porto. As Excelências da Santa Missa, conforme a ed. romana de 1737 dedicada a S.S. o Papa Clemente XII
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A Igreja cresce na China


IGREJAS NA CHINA estão transbordando à medida que se multiplica o número de cristãos no país. No passado, a repressão comunista levou muitos a se converterem em segredo, – conversões que continuam a frutificar.

É impossível dizer ao certo quantos cristãos existem hoje na China, mas ninguém nega que o número cresce, e rapidamente. O governo, contrariado, diz que são cerca de 25 milhões no total, entre católicos e protestantes, mas as estimativas independentes mais conservadoras apontam para algo em torno dos 60 milhões. – Os novos cristãos podem ser encontrados em vilarejos no interior e também nas grandes cidades, onde vivem os jovens de classe média.

A estrutura do cristianismo chinês é complexa: durante todo o século XX, foi associado ao "imperialismo ocidental". Após a vitória dos comunistas, em 1948, os missionários cristãos foram expulsos do país, mas a fé cristã continuou sendo permitida nas igrejas aprovadas pelo Estado, – desde que essas igrejas se mantivessem fiéis, primeiramente, ao Partido Comunista... – Para o líder Mao Tsé Tung, as religiões eram um "veneno". Sob seu comando, a Revolução Cultural (décadas de 1960 e 1970) tentou erradicar a Igreja.

Porém, forçados a praticar sua religião em segredo, os cristãos chineses não apenas sobreviveram. Agora, com seus próprios mártires, os fiéis se multiplicaram em número e também em fervor.

Desde a década de 1980, quando a fé religiosa voltou a ser permitida no país, as igrejas oficiais vêm conquistando cada vez mais espaço próprio, mas ainda estão subordinadas à "Administração do Estado para Assuntos Religiosos". Estão proibidas de tomar parte em qualquer atividade religiosa fora dos locais designados ao culto e têm de aderir ao slogan "Ame o país – ame sua religião". Em troca, o Partido promove o ateísmo nas escolas, mas se compromete a "Proteger e respeitar a religião, até o momento em que ela, por si só, desapareça".

Tanto protestantes quanto católicos estão divididos, na China, entre igrejas oficiais e não oficiais. A Associação Patriótica Católica, aprovada oficialmente, nomeia seus próprios bispos e não tem permissão de manter qualquer contato com o Vaticano, embora os católicos estejam autorizados a reconhecer a autoridade espiritual do Papa. Mas existe no país a Igreja Católica extraoficial, maior, que conta com o apoio do Vaticano. Pouco a pouco, Vaticano e governo da China tentam chegar a um acordo. Bispos ordenados são hoje reconhecidos por ambas as partes.

A fé católica dos chineses é sólida. Na manhã do último Domingo de Páscoa, no centro de Pequim, uma igreja celebrou quatro Missas. Todas estavam lotadas, com mais de 1500 fiéis.Nas montanhas a oeste de Pequim, na cidadezinha de Ho Sanju, uma igreja católica erguida no século 14 recebe fiéis até hoje. A fé robusta dos que frequentam a igreja, muitos deles já idosos, resistiu à invasão japonesa e à Revolução Cultural. O hospital do vilarejo é administrado por freiras, uma delas vinda da Mongólia, onde há uma grande concentração de católicos. É em cidadezinhas como essa que a Igreja Católica recruta jovens que receberão treinamento para a vida religiosa.


Igrejas domésticas

As maiores concentrações de fiéis, no entanto, encontram-se nas chamadas "igrejas domésticas". clandestinas, essas igrejas vêm se espalhando pelo país. Destas, as autoridades consideram inaceitável a recusa em aceitar qualquer forma de autoridade oficial sobre elas. Falando à BBC, uma jovem cristã descreveu o fenômeno: "(Na China) todos trabalham muito, não têm tempo para atividades sociais. Mas na igreja as pessoas sentem um calor, se sentem bem-vindas. Elas sentem que as pessoas as amam de verdade, então querem fazer parte da comunidade, muitos vêm por isso".

Tim Gardan, diretor do St Anne's College, em Oxford, ao lado das irmãs católicas de Sangyu

Aos poucos, o Estado vem procurando incorporar o cristianismo em sua "grande ideia" de uma "sociedade harmoniosa", slogan que domina a vida pública chinesa. Mas se há uma questão que com certeza preocupa as autoridades é a razão pela qual tantos vêm se voltando para a religião. Hoje, fala-se muito a respeito de uma "crise espiritual" na China. A frase foi usada até pelo premiê Wen Jiao Bao.

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Fonte:
BBC Brasil, em
http://bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/09/110912_china_r0eligiao_mv.shtml?print=1
Acesso 7/11/014
ofielcatolico.com.br

São Carlos Borromeu: Cardeal, reformador e santo


CARLOS BORROMEU nasceu no castelo de sua família, em Arona, próximo a Milão, em 2 de outubro de 1538, filho do Conde Gilberto Borromeu e de Margarida de Médicis, de casa nobre e influente na sociedade da época. Carlos era o segundo filho. Ainda criança, revelou grandes talentos e rara inteligência; construía réplicas minúsculas de altares, diante dos quais, em presença dos irmãos e amiguinhos, imitava as funções sacerdotais que observava na igreja.

Era acentuada a sua vocação religiosa: era penitente, piedoso, caridoso; o amor à oração e o desinteresse nas diversões e prazeres do mundo eram sinais claros. Aos 12 anos, a família o entregou para servir a Deus. – Aos 21, diplomou-se em Direito Canônico. Logo depois, fundou uma Academia para estudos religiosos, com aprovação de Roma. Aos 24 já era sacerdote e Bispo de Milão. Em sua breve trajetória, deixou-se guiar exclusivamente pela fé, atuando tanto na burocracia interna da Igreja quanto na evangelização, sem distinção entre uma coisa e outra. Muitos o consideram o primeiro Secretário de Estado, no sentido moderno. No silêncio de suas meditações, Carlos acalentava planos grandiosos para a reorganização da Igreja, que se concentraram na ideia de concluir o Concílio de Trento. Chamava insistentemente a atenção de seu tio, – à época Cardeal e que depois foi eleito o Papa Pio IV, – para tal necessidade. De fato, o Concílio se realizou, e Carlos quis ser o primeiro a executar as ordens das novas lei, ainda que para isso tivesse que deixar sua posição e ocupar outra inferior.

Carlos Borromeu sabia muito bem que a caridade abre os corações à verdadeira religião. Por isso, revertia a maior parte de sua receita aos pobres, reservando para si apenas o indispensável. Heranças e rendimentos dos bens de família, distribuia entre os carentes. Não tendo mais o que dar, pedia ele mesmo esmolas para os pobres e abria, assim, fontes de auxílio. Orientou muitas Ordens religiosas, e algumas que surgiram depois de sua morte o escolheram para padroeiro, dando continuidade à grandiosa obra de amparo que deixou.

Em 1576, veio a peste. Milão foi duramente assolada. Mais de cem padres pagaram com a vida pelas lágrimas que enxugavam, de casa em casa. Um dos mais ativos era Carlos Borromeu. Visitava os contaminados, levando-lhes o Sacramento e consolação, sem limites nem precauções, num trabalho incansável que lhe consumiu as energias. Chegou a flagelar-se em procissões públicas, pedindo perdão a Deus em nome de todo o povo.

Um dia, afinal, foi apanhado pela febre, que lentamente minou seu organismo. Morreu em 4 de novembro de 1584, dizendo-se feliz por ter seguido a Cristo e poder encontrar-se com Ele de coração puro. Tinha 46 anos de idade. Paulo V canonizou-o em 1610 e designou a festa em sua memória para o dia de sua morte.
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