Heresias, tão antigas e tão novas: diferença entre heresia, apostasia e cisma, e exemplos



INFELIZMENTE OU NECESSARIAMENTE, no decorrer da história da Igreja. Muitas vezes ocorreram divisões e separações, por vários motivos, gerando novas comunidades confessionalmente cristãs, inclusive devido a uma compreensão equivocada de determinados elementos da doutrina cristã. Por causa disso, aos poucos, surgiu a problemática da heresia como também do cisma e da apostasia. Mas qual seria a diferença entre estes termos?

O Código de Direito Canônico que rege a Tradição da Igreja, promulgado no dia 25 de janeiro de 1983 pelo papa João Paulo II, no Cân. 751 diz:

Chama-se heresia a negação pertinaz, após a recepção do Batismo, de qualquer verdade que se deva crer com fé divina e católica, ou a dúvida pertinaz a respeito dela; apostasia, o repúdio total da fé cristã; cisma, a recusa de sujeito ao Sumo Pontífice ou de comunhão com os membros da Igreja a ele sujeitos.

Vemos neste trecho que a heresia tem relação com uma postura de se negar ou de se duvidar de maneira persistente e contínua alguma verdade de fé ensinada pela Igreja como algo divinamente revelado. Enquanto isso, a apostasia configura um abandono total da fé cristã. Já o cisma é uma rejeição explícita da autoridade papal.

Desde os primórdios do cristianismo a Pessoa e o exemplo de vida de Jesus de Nazaré sempre geraram certo desafio de compreensão. Num primeiro momento a fé no Mistério da Encarnação gerava certo escândalo para alguns. Como o Deus criador e onipotente poderia ter se tornado humano assumindo tal realidade com suas fragilidades, como a fome, o sofrimento, a morte?

Conceber Jesus de Nazaré como alguém que tivesse uma dimensão tanto humana quanto divina parecia algo inconcebível para muitos judeus.


Dois exemplos iniciais

Nesse contexto surgiram duas correntes religiosas que expressam bem a dificuldade que alguns tinham de conciliar o humano e o divino na Pessoa de Jesus Cristo, aparecendo assim os primeiros desvios da fé cristã. Por um lado, temos o docetismo, que relativizava ou negava profundamente a humanidade em Cristo, – seu nascimento, sua paixão, enfim a realidade concreta da Encarnação. Jesus teria assumido o humano de forma aparente e não real.

Por outro lado, encontramos o ebionismo, no extremo oposto. Para este, reconhecer tanto a divindade quanto a humanidade em Cristo feriria a fé monoteísta. Assim, na perspectiva ebionista, Jesus foi apenas um grande homem e profeta que no momento de seu batismo recebeu a Força de Deus, mas não era Deus.

Esses dois modos de conceber a Pessoa de Cristo não foram aceitos na comunidade cristã. São João Evangelista e a tradição joanina salientam continuamente que "o Verbo se fez carne e habitou entre nós”. Há uma afirmação contínua do realismo da Encarnação nos textos joaninos, tanto no Evangelho como na primeira Epístola de São João.

Santo Inácio de Antioquia (séc.s I-II) foi um grande bispo e Padre da Igreja, isto é, um importante escritor do período antigo que colaborou profundamente na elaboração da doutrina cristã e na sua defesa. Sofreu o martírio em Roma por amor a Cristo e sempre defendeu uma cristologia que afirmasse tanto a humanidade quanto a divindade de Cristo. Na sua Carta aos Efésios (7,2), ele diz: “Existe apenas um médico, carnal e espiritual, gerado e não gerado. Deus feito carne, Filho de Deus e Filho de Maria Virgem, Vida verdadeira na morte, Vida primeiro passível e agora impassível, Jesus Cristo Nosso Senhor”.

Percebemos, desta maneira, que desde o início da Igreja já havia uma fé clara no Mistério de Cristo como Deus e homem, e uma postura de recusa a qualquer pensamento que negasse este dado da Revelação.




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Esta é a segunda parte de uma série de postagens relacionadas entre si, adaptadas do conteúdo do recém-lançado (e precioso) opúsculo do Prof. Dr. Joel Gracioso (Frat. Laical S. Próspero), “Heresias: tão antigas e tão novas” (Kenosis/DDM, 2015), que divulgamos, pedindo a Nosso Senhor que renove, nos corações dos homens, o amor sincero pela Verdade eterna.

** O opúsculo pode ser adquirido por e-mail:
contato@kenosispublicacoes.com.br

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Fonte:
GRACIOSO, Joel, Heresias: tão antigas e tão novas. São Paulo: Kenosis; DDM, 2015, pp. 15-17.
* O texto deste artigo contém excertos de Henrique Sebastião, autor/editor de 'O Fiel Católico'

A 'Missa do futuro' – 'Lex orandi, lex credendi'

ESTE FASCINANTE DOCUMENTÁRIO, produzido pelo apostolado norte-americano Roman Catholic Sacramental Foundation (lançado no já distante ano 2003) e apresentado pelo leigo Steve Mahowald, permanece como um dos mais elucidativos estudos (e apresenta uma valiosa pesquisa) sobre as mudanças introduzidas na Liturgia e na Doutrina da Igreja após os Concílio Vaticano II, bem como apresenta uma análise honesta sobre suas consequências, com algumas revelações que ainda hoje serão surpreendentes para muitos.

Lembra a máxima de nosso grande Santo Patrono, São Próspero de Aquitânia, "Lex orandi, Lex credendi" ('a lei da oração é a lei da fé'), ou: "Legem credendi, lex statuat supplicandia", pois a Igreja traduz em seus atos e em sua postura aquilo que professa em sua oração (CIC §1124). Daí a fundamental importância da liturgia como elemento constitutivo da santa e viva Tradição e na mais alta forma de oração da Igreja – a santa Missa – que vai, por sua vez, refletir o que a Igreja vive, pratica e realiza. Segue:
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Oração: uma fonte de energia divina

Por Padre Matthias von Bremscheid

A ORAÇÃO É UM COLÓQUIO de amor com Deus. A criança, que ama verdadeiramente os pais, gosta de falar com eles, manifesta-lhes tudo que agita seu coraçãozinho. Cada alegria que sente, vai logo comunicá-la à mãe, ou ao pai; expõe-lhes todas as suas dores; narra-lhes os seus receios; conta-lhes os seus interesses.

Se a criança passasse com seus pais um dia inteiro sem lhes dirigir uma só palavra, teriam eles muita razão em se queixar: “Nosso filho não nos ama, pois se nos amasse seria mais comunicativo conosco!”. É o que se dará contigo, jovem cristã: se amares a Deus vosso Salvador verdadeiramente e de coração, sentirás necessariamente que tens que falar com Ele e entreter-te com Ele, isto é, rezar sempre. A oração é para ti um dever sagrado, que não hás de omitir um só dia sequer.

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* Do livro “A Donzela Cristã” (Die christliche jungfrau), lançamento próximo da editora Caritatem com revisão e projeto gráfico de Henrique Sebastião e Frat. Laical S. Próspero


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Causas que configuram um casamento nulo perante a Igreja


MUITAS PESSOAS COMENTAM em nossa postagem sobre nulidade matrimonial, mesmo com o nosso aviso sobre a nossa incapacidade de analisar e/ou decretar quais casos se enquadram ou não em casamentos nulos perante a Igreja, e contam-nos seus casos particulares querendo a nossa opinião sobre se estão ou não vivendo em um casamento nulo. Reafirmamos, então, que os interessados devem procurar o Tribunal Eclesiástico de sua diocese para esclarecer as dúvidas – só este é que tem autoridade para informar e orientar os fiéis católicos – e então decidir se convém ou não entrar com um processo legal.

Além disto, há os casos em que a convivência é verdadeiramente insuportável ou mesmo perigosa à vida de um ou dos dois cônjuges e/ou dos filhos, por exemplo com agressões físicas que inviabilizem totalmente uma convivência minimamente aceitável: nessas raras situações, o fiel católico deve aceitar sua cruz e então poderá viver separado do marido ou da esposa corporalmente; porém sempre na castidade e na mortificação. 

Ditas essas coisas, dada a insistência de muitos, resolvemos alargar a nossa abordagem e esgotar assunto disponibilizando a lista das causas que podem tornar nulo o Matrimônio sacramental

Em primeiro lugar, todos entendam que a Igreja não "anula casamentos" validamente celebrados: o Sacramento contraído e consumado legitimamente não pode ser desfeito; o que pode acontecer é a Igreja, após um minucioso processo eclesiástico, reconhecer que nunca houve de fato aquele casamento, mesmo em alguns casos em que parecia aos familiares e amigos que fosse válido. Mas em que critérios a Igreja se baseia para decretar nulo uma união matrimonial? É o que veremos a partir daqui.


Causas que podem tornar nulo um casamento

As capacidades e limitações psíquicas dos noivos para contrair as obrigações matrimoniais para o resto da vida serão levadas em conta. Não basta analisar o comportamento externo de alguém para o conhecer; às vezes, muitos atos das pessoas são irresponsáveis, assumidos sem consciência plena porque pode faltar o senso de responsabilidade, a maturidade ou a liberdade necessárias para que o ato tenha pleno valor humano e jurídico.

Pode acontecer que o vínculo matrimonial nunca tenha existido, também, se houver algum erro que torne o consentimento dos noivos inválido.

O Código de Direito Canônico (CDC) da Igreja lista 19 motivos que configuram um casamento nulo ou inválido, os quais relacionamos abaixo. É sumamente importante aos interessados que procurem no CDC a descrição ou explicação de cada cânone relacionado, pois em muitos casos o nome que se dá a determinada situação não correspondo àquilo que parece em linguagem comum. Quem não possui este importante documento da Igreja pode lê-lo online ou baixá-lo no link a seguir:

Baixar o CDC (português) em PDF.


Relação das causas que configuram a nulidade de um casamento

A. Falhas de consentimento (cân.s 1057. 1095-1102)

1. Falta de capacidade para consentir (cân. 1095)

2. Ignorância (cânon 1096)

3. Erro (cân. 1097-1099)

4. Simulação (cân. 1101)

5. Violência ou medo (cân. 1103)

6. Condição não cumprida (cân. 1102)

B. Impedimentos dirimentes (cân. 1083-1094)

7. Idade (cân. 1083)

8. Impotência (cân. 1084)

9. Vínculo (cân. 1085)

10. Disparidade de culto (cân. 1086, cf cân. 1124s)

11.. Ordem Sacra (cân. 1087)

12. Profissão Religiosa Perpétua (cân. 1088)

13. Rapto (cân. 1089)

14. Crime (cân. 1090)

15. Consanguinidade (cân. 1091)

16. Afinidade em linha reta (parentesco de descendência direta cân. 1092)

17. Honestidade pública (cân. 1093)

18. Parentesco legal por adoção (cân. 1094)

C. 19. Falta de forma canônica na celebração do Matrimônio (cân.s 1108-1123)


*  *  *

Os cânones do Código de Direito Canônico sobre cada item seguidos de um artigo explicativo para cada item de forma bastante didática pode ser encontrados no livro “Família, Santuário da Vida” (Ed. Cléofas), do prof. Felipe Aquino.

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Sobre as 'Missas de cura e libertação' – o Magistério da Igreja tira as dúvidas

Não fosse pela arquitetura e pela presença do padre, não seria possível distinguir esta Missa de um culto protestante pentecostal

VOLTA E MEIA ALGUÉM nos pergunta "o que achamos" ou qual é o nosso parecer a respeito das celebrações das chamadas "Missas de cura e libertação". Entendemos por bem responder a essa questão que parece não querer calar e que representa a dúvida de muitos.

Sobre esse assunto – que invariavelmente gera polêmicas desnecessárias – outros apostolados competentes já prestaram bons esclarecimentos, como é o caso do site nosso parceiro Aleteia. Este estudo, pois, contém trechos de um artigo publicado neste veículo pelo nosso irmão leigo Alex Teles, com excertos e complementos nossos, além de nossos próprios desenvolvimentos e considerações.

[Pedimos àqueles leitores que por acaso não gostem ou 'não concordem' com o exposto neste estudo que leiam até o final ou, se preferirem, que saltem para a última parte, onde apresentamos a simples e fácil solução para toda a polêmica envolvendo o assunto em questão]

Em primeiríssimo lugar, é preciso saber que a ninguém deveria interessar a opinião do Henrique Sebastião ou de qualquer membro da nossa fraternidade, ou mesmo do nosso apostolado como um todo. A opinião de qualquer fiel católico, e mesmo a opinião particular de qualquer sacerdote, ou até a opinião do próprio Papa, não são mais importantes e nem superam a posição definida e oficial da Igreja Católica. No caso em questão, essa definição existe e é bem clara. Vejamos:

No Missal romano há uma seção intitulada “Missas para diversas necessidades”, a qual pode ser utilizada para diversas finalidades particulares. Existem ainda as Missas especiais de Rogações, as Missas para as Quatro Têmporas e a Missa pelos enfermos. Todavia quanto a Missas "de cura e libertação" não existe absolutamente nada.

O Magistério da Igreja jamais promulgou um próprio para alguma Missa do tipo "de cura e libertação", e o motivo, de fato, é bastante óbvio: dizer "Missa de cura e libertação" é um pleonasmo, isto é, uma redundância: é a mesma coisa que dizer "água de molhar" ou "sol de iluminar". A verdadeira Santa Missa, que é uma só, por sua própria natureza e essência, cura e liberta.

De fato, não existem vários tipos de Missa. A Missa é uma só, ainda que possa ser celebrada em ritos diferentes: é a renovação do Sacrifício do Cristo pela nossa salvação, no Calvário, como diz o Catecismo:

O Sacrifício de Cristo e o Sacrifício da Eucaristia são um único Sacrifício: "É uma só e mesma vítima, é o mesmo que oferece agora pelo ministério dos sacerdotes, que se ofereceu a si mesmo então na cruz. Apenas a maneira de oferecer difere". "E porque neste divino sacrifício que se realiza na Missa, este mesmo Cristo, que se ofereceu a si mesmo uma vez de maneira cruenta no altar da cruz, está contido e é imolado de maneira incruenta, este sacrifício é verdadeiramente propiciatório".

A Missa é ao mesmo tempo e inseparavelmente o memorial sacrifical no qual se perpetua o Sacrifício da Cruz, e o banquete sagrado da comunhão no Corpo e no Sangue do Senhor.

A santa Missa é o Sacrifício do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, oferecido sobre os nossos Altares, debaixo das espécies de pão e de vinho, em memória do Sacrifício da Cruz. (...) É o Sacrifício da Missa o mesmo que o da Cruz? O Sacrifício da Missa é substancialmente o mesmo que o da Cruz, porque o mesmo Jesus Cristo, que se ofereceu sobre a Cruz, é que se oferece pelas mãos dos sacerdotes seus ministros, sobre os nossos Altares, mas quanto ao modo por que é oferecido, o Sacrifício da Missa difere do Sacrifício da Cruz, conservando todavia a relação mais íntima e essencial com ele.

Catecismo da Igreja Católica (§§1367. 1382) / Catecismo de São Pio X, qq. 652-653

O Catecismo Romano diz a mesma coisa com clareza e precisão ainda maiores para o que nos interessa neste estudo:

Dizemos , portanto, que o Sacrifício que se oferece na Missa e o Sacrifício oferecido na Cruz são e devem ser considerados como um único e mesmo Sacrifício. Da mesma forma , a Vítima é uma e a mesma, Cristo Senhor Nosso, que uma vez só Se imolou de modo cruento no Altar da Cruz.

"As vítimas", cruenta e incruenta, não são tampouco "duas vítimas", mas constituem uma única, cuja imolação se renova todos os dias na Eucaristia, desde que o Senhor assim determinou: "Fazei isto em Minha memória! " Mas o Sacerdote também é o mesmo, Cristo Nosso Senhor. Pois os ministros que oferecem o Sacrifício, não fazem prevalecer a sua própria, mas a Pessoa de Cristo, quando consagram Seu Corpo e Sangue. É o que mostram as próprias palavras da Consagração. Não diz o sacerdote: "Isto é o Corpo de Cristo" , mas diz: "Isto é o Meu Corpo". Representando, assim, a Pessoa de Cristo Nosso Senhor, converte a substância do pão e do vinho na verdadeira substância de Seu Corpo e Sangue.

Nestes termos, é preciso ensinar, sem nenhuma hesitação, um ponto que também já foi exposto pelo Sagrado Sínodo. O Sacrossanto Sacrifício da Missa não é apenas um Sacrifício de louvor e ação de graças, ou uma simples comemoração do Sacrifício consumado na Cruz, mas é também um verdadeiro Sacrifício de propiciação, pelo qual Deus se toma brando e favorável a nosso respeito.

Por conseguinte , se imolarmos e oferecermos esta Vítima Sacratíssima com pureza de coração, fé ardente e profunda compunção de nossos pecados, podemos estar certos de que havemos de conseguir "do Senhor misericórdia e graça em tempo oportuno" (Hb 4,1 6).

Pois é tão agradável ao Senhor o perfume desta Vítima, que [por ela] nos dá os dons da graça e da penitência , e desta maneira nos perdoa os pecados . Este é o sentido daquela súplica oficial da Igreja: "Quantas vezes se celebra a memória deste Sacrifício, tantas vezes entra em ação a obra de nossa Redenção" (Secreta da dominga IX depois de Pentecostes). Noutros termos, este Sacrifício incruento derrama, então, sobre nós os abundantíssimos frutos do Sacrifício cruento.

Depois, ensinarão os párocos ser tal a virtude deste Sacrifício que não só aproveita a quem oferece e a quem comunga, mas também a todos os fiéis cristãos, quer vivam ainda conosco aqui na terra, quer já tenham morrido no Senhor, sem estarem de todo purificados. A estes últimos não é aplicado com menos fruto do que se aplica aos vivos, por seus pecados, penas, satisfações, por qualquer desgraça e aflição. Assim o ensina, com absoluta certeza, a Tradição Apostólica.

Catecismo Romano n.s 74-77

É claríssima, portanto, a Doutrina neste sentido: é a única santa Missa – a renovação do Sacrifício de Nosso Senhor – apenas por ser o que já é, e por excelência, a fonte de toda cura e libertação para nós, pecadores.

Portanto, dizer que um determinado tipo de celebração seja em algum sentido superior ou "mais abençoado" do que outro, ou que uma forma de se rezar a Missa seja espiritualmente "mais forte", "mais ungida" ou qualquer coisa semelhante, além de não ter nenhum sentido ou fundamento, ainda se configura em pecado contra a Igreja e contra Deus. É coisa que só diria alguém que ainda não se converteu, pois de fato ainda não conheceu a Igreja nem reconhece a Cristo como Ele é.

Sim, toda Missa cura e liberta, uma vez que basta o Milagre Eucarístico e a sagrada Comunhão para sanar todos os males daquele que tem fé, no tempo oportuno. É e sempre foi esse o ensinamento da santa Igreja Católica Apostólica Romana. Desgraçadamente, porém, nestes tempos tão complicados em que vivemos, essa verdade tão simples quanto inquestionável já não convence a muita gente. A muitos, parece ultrapassado pensar assim, uma vez que temos padres utilizando-se de argumentos "espertos" para dizer o contrário. Dizem que tal padre "celebra de uma forma diferente", que tal Missa é "mais dinâmica" ou "mais próxima do povo", e assim vão introduzindo novidades sem fim, invenções mirabolantes introduzidas "ao gosto do freguês" e que são temerárias, para dizer o mínimo, na medida em que confundem as mentes simples e, via de regra, desvirtuem a sacralidade da Celebração Eucarística.

Para chegar a uma conclusão, é necessário definir as características básicas de uma Missa dita "de cura e libertação", para que possamos analisar com fundamento se a sua natureza condiz ou não com a Doutrina da Igreja:

Através da simples observação, vemos que nessas Missas são introduzidos os seguintes elementos:

• Orações especiais e novas, que não constam do Missal; preces geralmente espontâneas pela cura e libertação dos presentes;

• Abundância de cantos, sempre emotivos e não litúrgicos, muitas vezes até profanos. Por vezes até as orações essenciais, como o Pai-Nosso, são cantadas, e a letra da música não corresponde exatamente à Oração do Senhor, mas contém diversas alterações/adaptações;

• Homilias igualmente sentimentalistas, que buscam a emoção fácil, muitas vezes recheadas de conceitos de "auto-ajuda" estranhos à fé cristã e que destoam completamente da Liturgia da Palavra do dia em que se celebra. Não é raro que se apele a pregações típicas da herética "teologia da prosperidade" protestante;

• Novas ações que não constam da ação litúrgica prevista, como por exemplo a exposição e procissão do Santíssimo Sacramento no Ostensório durante a própria Missa; uma infinidade de gestos alheios  às prescrições do Missal.



Orações especiais’ por cura e libertação

A autoridade perene e inequívoca do Santo Padre, o Papa, foi exercida por meio da Congregação para a Doutrina da Fé, na “Instrução sobre as orações para alcançar de Deus a cura” nos seguintes termos (atenção aos nossos destaques):

Art. 2 – As orações de cura têm a qualificação de litúrgicas, quando inseridas nos livros litúrgicos aprovados pela autoridade competente da Igreja; caso contrário, são orações não litúrgicas.

Art. 3 – § 1. As orações de cura litúrgicas celebram-se segundo o rito prescrito e com as vestes sagradas indicadas no Ordo benedictionis infirmorum do Rituale Romanum.

Logo, qualquer oração que não esteja inserida nos textos litúrgicos ou que não tenha sido devidamente aprovada pelo Bispo Diocesano, conforme o Cân. 838 do CDC, não são litúrgicas e não podem ser utilizadas na Missa. O povo católico pode e até deve rezar a Deus espontaneamente, mas não o padre durante a Missa. Da mesma forma, qualquer Missa que deseje rogar a Deus pela cura dos enfermos deve seguir a prescrição canônica em sua forma.

Não são da Tradição cristã e católica e nem foram tratadas ou autorizadas por Roma em qualquer documento as orações por “libertação” durante a Missa, a não ser aquelas dos ritos próprios e os de exorcismo.

Não é permitido inserir orações na Santa Missa alheias àquilo que ordena a Santa Sé. Ponto. Resta questionar, então, se ao menos as orações de exorcismo previstas poderiam ser utilizadas para o fim de libertação nas Missas. Sobre isso diz o mesmo documento:

Art. 8 – § 1. O ministério do exorcismo deve ser exercido na estreita dependência do Bispo diocesano e, em conformidade com o can. 1172, com a Carta da Congregação para a Doutrina da Fé de 29 de Setembro de 1985(31) e com o Rituale Romanum(32).

§ 2. As orações de exorcismo contidas no Rituale Romanum devem manter-se distintas das celebrações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas.

§ 3. É absolutamente proibido inserir tais orações na celebração da Santa Missa, dos Sacramentos e da Liturgia das Horas.

Mesmo assim, o Direito permite, no entanto:

§ 2. Durante as celebrações (...) é permitido inserir na Oração universal ou «dos fiéis» intenções especiais de oração pela cura dos doentes, quando esta for nelas prevista.

Por tanto, mesmo na Oração Universal, a oração pela cura dos enfermos só se faz quando for canonicamente prevista.


Dos cantos emotivos e não litúrgicos

É fato já bastante discutido, em inúmeros documentos oficiais da Igreja – alguns infalíveis – qual a natureza do canto litúrgico (em 'O Quirógrafo de São João Paulo II', na 'Tra le sollecitudini', no Documento da 48ª Assembleia Geral da CNBB, etc).

Mais ainda, a “Instrução sobre as orações para alcançar de Deus a cura” também diz:

Art. 9 – Os que presidem às celebrações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas, esforcem-se por manter na assembleia um clima de serena devoção, e atuem com a devida prudência, quando se verificarem curas entre os presentes. Terminada a celebração, poderão recolher, com simplicidade e precisão, os eventuais testemunhos e submeterão o fato à autoridade eclesiástica competente.

Os padres não devem estimular os choramingos, as histerias, as manifestações ruidosas e os berros eufóricos. O clima da celebração deve manter-se o mesmo de toda celebração litúrgica, principalmente o da Eucaristia: silencioso, devocional, piedoso e amoroso, assim como já aconselhava o Apóstolo desde os tempos apostólicos: "Tudo, no culto a Deus, deve ser feito com ordem e decência" (1Cor 14,40).


Das homilias destoantes da Liturgia da Palavra do dia

O Papa Bento XVI decreta, na Sacramentum Caritatis (SC) e na Verbum Domini (VD), sobre a natureza das homilias:

1) A sua «função [o seu fim] é favorecer uma compreensão e eficácia mais ampla da Palavra de Deus na vida dos fiéis» (SC n. 46 e VD n. 59).

2) «A homilia constitui uma atualização da mensagem da Sagrada Escritura, de tal modo que os fiéis sejam levados a descobrir a presença e eficácia da Palavra de Deus no momento atual da sua vida» (VD n. 59).

3) «tenha-se presente a finalidade catequética e exortativa da homilia» (SC n. 46).

A respeito do caráter exortativo, a VD menciona a conveniência de, mesmo nas breves homilias diárias, «oferecer reflexões apropriadas […], para ajudar os fiéis a acolherem e tornarem fecunda a Palavra escutada» (n. 59).

4) Um ponto importante sobre o foco central da homilia: «Deve resultar claramente aos fiéis que aquilo que o pregador tem a peito é mostrar Cristo, que deve estar no centro de cada homilia» (VD n. 59).

Portanto, não há lugar na homilética litúrgica para homilias como as que costumam figurar nestas Missas, e menos ainda para os padres-estrelas que aparecem mais do que o próprio Cristo.


Dos novos momentos na ação litúrgica

Não raro, os sacerdotes que se dispõem a esses verdadeiros "shows de auditório" na liturgia costumam introduzir momentos estranhos à ação litúrgica que se celebra. Segundas homilias, interrupções à oração eucarística, etc.

Quanto a isso, a Instrução Geral do Missal Romano é também clara e direta (IGMR 46 à 90), indicando que a Santa Missa consta das seguintes partes:

1) Ritos Iniciais (entrada, saudação, ato penitencial, Kyrie, Glória e oração coleta);

2) Liturgia da Palavra (leituras bíblicas, salmo responsorial, aclamação ao Evangelho, proclamação do Evangelho, homilia, profissão de fé e oração universal);

3) Liturgia Eucarística (preparação dos dons, oração sobre as oblatas, oração eucarística, rito da Comunhão, oração dominical, rito da paz, fração do Pão e Comunhão);

4) Rito de Conclusão (notícias breves, saudação e bênção do sacerdote, despedida da assembleia, beijo no altar).

Nem dentro nem fora desses momentos a liturgia aceita "inovações". Algumas celebrações, em especial as pontificais, possuem de fato momentos adicionais, estes, porém, estão especificamente descritos pela Santa Sé nos livros litúrgicos (Cerimonial dos Bispos, Pontifical Romano, Ritual de Bênçãos, etc) e se prestam à finalidade sacramental para a qual foram criados, em conformidade com a Doutrina e Tradição de sempre.


Da exposição ou procissão do Santíssimo Sacramento do Altar no ostensório durante a Missa

Sobre a exposição ou procissão do Santíssimo com o fim de se pedir graças especiais de curas ou favores particulares, a santa Igreja o considera ilegítimo, conforme o Documento do Cardeal Ratzinger já citado:

“[…]Também estas celebrações são legítimas, uma vez que se altere o seu significado autêntico. Por exemplo, não se deveria pôr em primeiro plano o desejo de alcançar a cura dos doentes, fazendo com que a exposição da Santíssima Eucaristia venha a perder a sua finalidade; esta, de fato, «leva a reconhecer nela a admirável presença de Cristo e convida à íntima união com Ele, união que atinge o auge na comunhão sacramental”».

O auge da união com Cristo se atinge na Comunhão sacramental e esta é parte da Celebração Eucarística. É para Cristo dentro de si que o fiel católico deve olhar, é neste que deve meditar, é com este que deve manter e desfrutar um momento de santa intimidade que resulta na cura da alma, logo após recebê-lo sacramentalmente, e não para fora, uma vez que “dentro” Éle está mais próximo e íntimo do que “fora”. O rito de exposição do Santíssimo, portante, não cabe na Santa Missa, salvos os casos pontificais presentes nos textos litúrgicos.


Dos gestos alheios às prescrições do Missal

A IGMR é clara:

42. Os gestos e atitudes corporais, tanto do sacerdote, do diácono e dos ministros, como do povo, visam conseguir que toda a celebração brilhe pela beleza e nobre simplicidade, que se compreenda a significação verdadeira e plena das suas diversas partes e que se facilite a participação de todos[52]. Para isso deve atender-se ao que está definido pelas leis litúrgicas e pela tradição do Rito Romano, e ao que concorre para o bem comum espiritual do povo de Deus, mais do que à inclinação e arbítrio de cada um.
A atitude comum do corpo, que todos os participantes na celebração devem observar, é sinal de unidade dos membros da comunidade cristã reunidos para a sagrada Liturgia: exprime e favorece os sentimentos e a atitude interior dos presentes.

Assim está demonstrado que, conforme a legítima Doutrina cristã e o ensinamento perene da Igreja de Cristo, não há e nem pode haver "Missa de cura e libertação", como em uma celebração que seja diferente da Missa desde sempre celebrada pela Igreja. Se alguém não é capaz de alcançar as graças de que verdadeiramente necessita mediante a assistência à santa Missa como sempre foi, é porque 1) ainda não atingiu a fé que se espera de um verdadeiro fiel católico ou 2) pela Vontade de Deus, que muitas vezes supera a nossa compreensão. Nesses casos, a paciência e a perseverança são as virtudes pelas quais se demonstra a fidelidade de cada um.


Então, o católico não pode rezar ‘fora da caixa’? – A simples e fácil solução

Sim, pode. Sabemos bem que, para muitos, o que apresentamos até aqui soa rígido, desprovido de caridade, legalista, farisaico. Sempre que alguém tenta explicar a invalidade dessas inovações na santa Missa, vê-se confrontado com testemunhos de pessoas que dizem ter alcançado a conversão e/ou grandes curas por meio dessas celebrações.

É verdade que Deus conhece o coração de cada um, e o Espírito Santo cura, concede graças e age como o vento, que "sopra onde quer" (Jo 3,8), até mesmo fora da Igreja; se assim não fosse, como poderiam os pagãos se converter? Não estamos aqui a julgar os corações e almas de ninguém, apenas apresentamos a posição da Igreja quanto ao assunto.

Não é permitido ou não é possível rezar fora dos moldes, numa relação íntima e mais espontânea do fiel para com Deus? Sim, é permitido; sim, é aconselhável. Padre Pio conversava intimamente com seu anjo da guarda e com outros anjos, e tinha conversas amigáveis com a Virgem Maria e até mesmo com Nosso Senhor em Pessoa.

O que dizemos – que é o que a Igreja diz – é que a Missa não é o lugar para essa espontaneidade e menos ainda para que os fiéis ou padres exerçam a sua criatividade nas orações, nos cantos e outras formas de exercer a fé. É bom que os irmãos troquem seus pios testemunhos, por exemplo. É bom que se relacionem, que rezem juntos espontaneamente, também uns pelos outros. É bom que se apoiem mutuamente: isso só fortalece a fé cristã, que é essencialmente comunitária. Por isso é que em nossas orações dizemos sempre "Pai nosso", e não "meu Pai"; e por isso dizemos "rogai por nós" e não "rogai por mim". Essa convivência fraterna – com a oração fraterna, comunitária, livre e espontânea – é mais do que salutar, é autêntica, desejável e deve ser estimulada... Fora da Missa.

Este é o grande "segredo" e a grande solução para toda a polêmica que envolve o assunto aqui abordado. A coisa toda é muito simples e bem fácil de se resolver. O que é preciso é apenas conciliar o jeito de ser deste povo brasileiro, tão alegre, tão expansivo e tão dançante – características essas muitas vezes incompatíveis com a sacralidade da Celebração Eucarística – com o desejo de adorar e louvar a Deus com liberdade: isto pode-se alcançar com a organização de grupos de oração pelos próprios fiéis, que se reúnam em horários próprios, por exemplo antes ou depois da Missa. Nesse tipo de encontro, sim, pode-se dar vazão a toda essa energia e essa criatividade que sobram.

Mas que não se confundam as coisas e que se compreenda que na Missa estamos diante de uma outra realidade, completamente diferente. Assim, tudo se resolve.


Fala Dom Armando Bucciol


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13 lições do primeiro carnaval da era Bolsonaro


Por Frederico Rodrigues

1. Escolas de samba que possuem ligações com o tráfico e milícias viraram exemplo de consciência social.

2. Depois de hibernar durante 4 governos petistas (corruptos, apoiadores de ditaduras e que geraram milhões de desempregados, além de arruinar a economia do país), escolas e blocos descobriram que é legal criticar o governo. Provavelmente faltou material na era PT...

3. O crime de "atentado ao pudor" é apagado do Código Penal durante 5 dias.

4. É absolutamente proibido ultrajar qualquer religião (inclusive o islamismo e especialmente as ditas 'de matriz africana'), com exceção do Cristianismo: neste caso, quanto mais agressivo, vil e de mau gosto, melhor. Se o alvo for o próprio Jesus Cristo, ganham-se pontos com a Imprensa.

5. Se estiver em um bloco de rua, ao passar na frente de uma igreja ou de um culto cristão, não se esqueça de tirar as calças e mostrar suas partes íntimas aos fiéis que estiverem lá dentro. Esses cristãos precisam aprender sobre tolerância e respeito.

6. Respeite as mulheres, as lésbicas, os gays, os "trans" e os negros. Já os homens héteros e brancos não precisam de respeito, afinal eles são a razão de todos os males do mundo, e além disso não sofrem assédio. Aliás, você, homossexual que levar um fora de um homem hétero, não se esqueça de fazer um escândalo e dizer que está sofrendo homofobia do "macho escroto". Lacração garantida.

7. Para ser abuso contra uma mulher, basta a palavra da alegada vítima. Mas se for uma mulher importunando um homem para ficar com ele, e ele não quiser, nesse caso o correto é fazer piada desse frouxo. Todos contra o machismo!

8. Tolerância e respeito acima de tudo. Mas se vir um carro com adesivo do Bolsonaro na rua, o correto é bater nos vidros e nas portas e apavorar a família que está lá dentro. Não podemos deixar esses fascistas passar impunes. O que quer dizer a palavra "fascismo", mesmo? Ah, não importa. Lula livre!

9. Mesmo que você não soubesse quem era a Marielle Franco antes dela morrer, e mesmo que ninguém saiba quem a matou, diga que ela é "um exemplo de resistência"(?) pra você. Ninguém vai entender ao que você está "resistindo", mas o sucesso é garantido.

10. A esquerda já definiu as regras sobre qual fantasia você poderá usar. Por exemplo, não se pode vestir nem de índio nem de mulher. O problema é que a esquerda também diz que roupa não tem "gênero". Logo é impossível se fantasiar de mulher porque não existe "roupa de mulher". Entendeu? Nem eu.

11. Entretanto é permitido se fantasiar de mulher caso a fantasia seja para zombar do abuso sexual sofrido pela Ministra Damares quando criança.

12. Seu bloco é uma porcaria e você não sabe como aparecer? Acrescente críticas ao Bolsonaro e desfrute de publicidade gratuita e infinita nos grandes veículos da Imprensa "imparcial".

13. De repente tornou-se imprescindível politizar a festa do começo ao fim. Afinal, sabemos que nada será melhor para o país do que seguir a opinião de uma multidão bêbada e descontrolada que emporcalha as ruas enquanto se afoga em drogas e se entrega à promiscuidade desenfreada.

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A Quaresma e São José


Por Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa
– Capela Santa Maria das Vitorias


NORMALMENTE, DURANTE O MÊS de março, a piedade católica se concentra em duas grandes devoções: a Quaresma e a solenidade do glorioso patriarca São José, celebrada dia 19.

Hoje em dia, apesar de toda a secularização, os exercícios espirituais da Quaresma continuam em alta, haja vista ao rito penitencial da quarta-feira de cinzas, que ainda atrai multidões de fiéis.

Como se sabe, a Quaresma é um tempo privilegiado de reflexão, de reconciliação e conversão que nenhum pecador pode desprezar. Parece que na Quaresma Deus nos repete as palavras dirigidas ao nosso pai Adão, depois da desobediência: “Adão, onde estás?” A única coisa diferente deve ser nossa atitude. Podemos (e devemos) ter vergonha dos nossos pecados; devemos ter, sobretudo, contrição dos nossos pecados, mas não devemos esconder-nos de Deus como nossos primeiros pais.

Com efeito, depois que o Verbo se fez carne e morreu por nós na cruz, devemos ouvir o Pai do Céu que nos chama amorosamente e comparecer diante d'Ele, para com Ele nos reconciliarmos por meio do Sacramento da Confissão, de maneira que não venhamos a perder o Paraíso.

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A outra grande devoção do mês de março, como disse, é a festa de São José. Esta, infelizmente, parece que vem perdendo seu brilho e o lugar de honra que em outros tempos ocupou no coração dos católicos.

Entretanto, São José continua sendo o maior dos Santos. Os bons teólogos esmeraram-se em explanar as glórias do Santo Patriarca.

Para entender a grandeza de São José, convém recordar o que diz Santo Tomás de Aquino. Ensina o Doutor Angélico que uma missão ou tarefa excepcional confiada por Deus a uma pessoa requer desta uma santidade ou dignidade proporcionada (Cf. S. T. III, q. 7. ar. 9). Ora, a missão de São José em relação ao Menino Divino foi a mais alta, abaixo apenas a de Maria Santíssima. Portanto, a dignidade e a santidade de José é a mais alta depois da de Nossa Senhora.

É verdade que há uma controvérsia sobre se a primazia de dignidade e santidade depois da Virgem Maria compete a São José ou ao Santo Precursor São João Batista, que teve o privilégio de ser purificado da nódoa do pecado original ainda no ventre materno. O ilustre cardeal Próspero Lambertini, futuro Papa Bento XIV (um dos papas mais respeitados da história da Igreja por sua vastíssima cultura), diz em sua obra sobre a canonização dos santos que é só provável, mas não certo, que São José seja superior a São João Batista. A questão é saber o que é mais digno: ser pai nutrício ou adotivo de Jesus Cristo ou ser seu precursor, santificado no ventre materno pelas palavras de Maria Santíssima.

A favor da superioridade de São José milita uma razão (mal compreendida, infelizmente, por muitos católicos): São José é verdadeiro esposo da Virgem Maria. É de fé e quem o nega é herege.

Não procede absolutamente a objeção que diz que, havendo Nossa Senhora feito voto de virgindade, não poderia haver contratado verdadeiro matrimônio com São José. Seu casamento seria um casamento aparente. A citada objeção não procede porque no matrimônio se pode distinguir o contrato que dá um direito sobre os corpos dos cônjuges e o uso de tal direito. E o objeto principal do contrato matrimonial é só o direito aos corpos e não uso desse direito. Ora, nada impede que os cônjuges, depois do consentimento matrimonial, que dá direito aos corpos, decidam não fazer uso de tal direito, por um fim mais alto. A Igreja sempre admitiu, em certas circunstâncias e por motivos justos, o chamado casamento josefino.

Ademais, cumpre recordar que é um dogma de fé católica, definido pelo Concílio Lateranense de 649, a perpétua virgindade de Maria Santíssima: Nossa Senhora foi virgem antes, durante e depois do parto.

Em conseqüência, resulta natural perguntar em que consistiu a paternidade de São José. A Igreja ensina que a paternidade de São José em relação a Jesus não é uma paternidade fictícia, embora não seja carnal. É uma paternidade real (ainda que não física) porque São José é verdadeiro esposo de Maria Virgem.

Como se sabe, o Messias, de acordo com as Sagradas Escrituras, devia ser descendente do Rei Davi. Ora, os evangelistas São Mateus e São Lucas atestam que São José pertencia à casa real de Davi e silenciam sobre a ascendência de Maria, porque não era costume entre os hebreus mencionar a genealogia das mulheres, mas, como a lei prescrevia que os casamentos se realizassem dentro da mesma parentela, a genealogia de São José indicada pelos evangelistas vale para Maria Santíssima.

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Por derradeiro, é preciso dizer que a missão de São José é tão sublime que nenhum dos epítetos que se lhe atribuem habitualmente expressa perfeitamente sua dignidade. Pai nutrício, pai adotivo, pai putativo, nenhum desses títulos se adéqua plenamente a São José. Como vimos, é pai real de Jesus, ainda que não biológico.

A Sagrada Escritura, ao referir-se a São José, diz que ele era um varão justo. Na linguagem bíblica, justo é o homem que pratica todas as virtudes. E São Paulo diz que o justo vive da fé.

Qual não seria a fé do Santo Patriarca? Conformou seu proceder, durante toda a sua vida, à Lei de Deus. Confiou em Deus nos momentos mais difíceis: a concepção de Nossa Senhora por obra do Espírito Santo, a noite de natal, a fuga para o Egito etc.

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Que São José nos ajude a guardar íntegra a fé católica nos dias dolorosos por que passa a Santa Igreja.

Que São José seja para todos nós modelo de paternidade. Aos chefes de família, ajude-os a entender que ser pai não é apenas pôr um homem no mundo e assegurar-lhe bem-estar material, mas exercer uma responsabilidade, uma autoridade amorosa, sobre o filho que Deus lhes confiou, para que um dia alcance o céu. Aos sacerdotes, aos párocos, ajude-os também a estar bem convencidos de que não são simples administradores de uma paróquia, que não são simples amigos e companheiros dos seus paroquianos nas iniciativas e eventos sociais da paróquia, mas são sobretudo pais dos seus fiéis.

José justíssimo, terror dos demônios, rogai por nós!

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Pesquisa aponta que católicos que frequentam o rito antigo da Missa são mais fiéis à doutrina católica

Imagem rara mostra o Santo Padre Pio de Pietrelcina
durante celebração da Santa Missa tradicional

UM ESTUDO REALIZADO nos EUA comparou o comportamento dos católicos que frequentam a chamada missa nova – ou missa de Paulo VI – isto é, a do rito ordinário em vernáculo que temos hoje, idealizada no CVII e imposta a toda a Igreja a partir de 1970, com o comportamento daqueles que frequentam a Missa tradicional, de rito extraordinário ou tridentina. O resultado apontou que existe maior fidelidade doutrinária e moral dos católicos que procuram frequentar o rito tridentino do que daqueles que preferem o novus ordo.

A diferença, de fato, é gritante; refere-se às questões mais centrais da fé católica, como o posicionamento com relação ao aborto, os relacionamentos gay, a contracepção, a frequência às Missas e às Confissões, a taxa de fertilidade dos casais e a frequência de doações financeiras. O estudo foi conduzido pelo padre norte-americano Donald Kloster e confirmou a percepção que esse Sacerdote – que há mais de 20 anos celebra alternadamente nos dois ritos – já tinha.

Segue a tradução do artigo publicado no website Catholic Herald, por Henrique Sebastião:


Os católicos nos EUA que frequentam a missa tradicional latina são muito mais fiéis ao ensinamento da Igreja do que aqueles que frequentam o Novus Ordo, segundo pesquisa recente.

Estudo conduzido pelo padre Donald Kloster comparou os católicos que compareceram à missa tradicional (daqui por diante 'TLM', de Traditional Latin Mass, em inglês) com os resultados de pesquisas anteriores de católicos em geral, a grande maioria dos quais participam da Missa Novus Ordo (NOM).

Os autores descobriram que 99% dos católicos que frequentam a TLM cumprem suas obrigações semanais, em comparação com apenas 22% daqueles que vão para a NOM. 98% também vão para a Confissão ao menos uma vez por ano, como é de preceito, e também não deixam de assistir à Missa semanal, em comparação com somente 25% dos participantes da NOM.

A pesquisa também descobriu que os participantes da TLM são muito mais fiéis ao ensino da Igreja sobre questões morais. Apenas 2% dos católicos que frequentam a TLM aprovam a contracepção, 1% aprova o aborto e 2%  apoiam o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Em contraste, pesquisas anteriores sugerem que 89% dos participantes da Missa NOM aprovam a contracepção, 51% são favoráveis ao aborto e 67 % apoiam o casamento entre pessoas do mesmo sexo(!).

Pe. Kloster disse que através dos seus mais de 20 anos celebrando a Missa em ambas as formas do Rito Romano, notou claras diferenças entre os dois grupos. A pesquisa, disse ele, “revela uma variação impressionante entre os católicos presentes ditos tradicionais ou conservadores, que preferem a celebração em latim, versus aqueles que frequentam a NOM. Essas diferenças são dramáticas ao comparar crenças, frequência à igreja, taxas de fertilidade e até mesmo em 'generosidade monetária' (doações e auxílio financeiro às obras de caridade)”.

“É importante ressaltar que as famílias TLM têm um tamanho de família quase 60% maior”, acrescentou o pe. Kloster, "e isso vai se traduzir em uma mudança demográfica dentro da Igreja".

“Os participantes da TLM doam cinco vezes mais, indicando que estes são muito mais comprometidos (concretamente falando) do que os participantes da NOM. Católicos TLM vão à missa todos os domingos, uma taxa 4 vezes e meia maior que seus irmãos NOM. Isso implica um profundo compromisso com a fé. A adesão quase universal à missa dominical retrata os católicos que estão profundamente apaixonados por sua fé e não podem imaginar a falta de seu privilégio dominical ”.

Aí estão alguns simples fatos. Finalizamos este artigo lembrando e ressaltando que ambos os ritos são válidos e lícitos na Igreja Católica. A pesquisa não tinha por finalidade "provar" a invalidade da  Missa nova ou qualquer coisa parecida com isso, já que o próprio autor do estudo é um sacerdote que a celebra com frequência. Todavia é inegável a influência da liturgia e dos ritos para o conjunto do que representa a autêntica Fé cristã como um todo. Não se tratam apenas de detalhes na celebração, não são meras posturas, gestos, posicionamentos e palavras: é a Fé de sempre da Igreja de Cristo sendo apresentada com clareza na sua celebração mais importante: a renovação do Sacrifício do Calvário. Não é "coisa de 'radtrad'" ou de "tradicionalistas" fanáticos: é a simples e inegável realidade, tão clara quanto o mais puro cristal.

Encerramos com dois vídeos bastante didáticos dos padre Jonas dos Santos e do padre Jorge Luís, este último do Apostolado FERR (Adm. Apostólica São João Maria Vianey), abaixo:



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Fonte:
Catholic Herald, em
https://catholicherald.co.uk/news/2019/02/27/traditional-latin-mass-attendees-more-devout-and-orthodox-study-says/?fbclid=IwAR3XZ30Xq-0Tud5jhuL4xeczluHjTOB_7SaVXdC3fJArVUT1g06Ww1XOVAE
Acesso 28/2/2019
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Caso padre Rodrigo Maria: considerações


RECEBEMOS DE UM leitor cujo nome não estamos autorizados a divulgar uma relação de perguntas bem organizadas e pertinentes com relação à situação envolvendo o padre Rodrigo Maria. Como há uma série de outros leitores que igualmente vêm nos cobrando a nossa posição a respeito, achamos por bem publicar essas perguntas, seguidas de nossas respostas. 

Antes de qualquer coisa, cabe lembrar que:

1º Não somos um veículo jornalístico, e menos ainda um canal de jornalismo investigativo; a missão que abraçamos, para a glória de Deus, é a de apostolado;

2º Por isso mesmo, longe de nós a pretensão de julgar um caso tão delicado. Com esta postagem temos a única e mera intenção de compartilhar as nossas impressões sobre o caso, na medida de nossas possibilidades, como se faz numa conversa franca entre amigos. Segue a mensagem com as perguntas, seguida das nossas respostas:

Li o artigo, li também as noticias na mídia sobre a suspensão pelo Papa Francisco. Abri o site "Templário de Maria" para conhecer melhor a organização. (...) Nos esclarecimentos do ex-Padre Rodrigo Maria ele diz que foi a conselho do Bispo que pediu sua dispensa do sacerdócio! Para dizer a verdade, não entendi. Ele diz que não tem nenhum processo contra ele na Cúria no Vaticano e que está processando 10 pessoas por difamação.

A minha pergunta é: porque pedir dispensa se foi calúnia e segundo ele nada existiu de errado?

Nós sabemos que a Igreja através de seus membros recebe calúnias a toda hora. Se ele tinha convicção do seu sacerdócio e que ele nada fez porque pedir dispensa? Se acusarem O Fiel Católico, você, Sebastião vai encerrar as atividades? Parece-me que não.

Para ser sincero, está mal explicado. Repercutiu na mídia. Isto é ruim. Pois diante de tantos casos de pedofilia e homossexualidade na Igreja acreditamos no que lemos. Porque a CNBB do Brasil e a Conferencia dos Bispos do Paraguai não o defenderam? Muito estranho.

É um fato que as notícias são desencontradas. Mesmo canais sérios e responsáveis, como O Antagonista, veicularam a história de um outro modo. E também é fato que as informações a que conseguimos acesso são um pouco, como você diz, estranhas. Sim, a própria nota oficial do agora ex-padre, que divulgamos por aqui, parece no mínimo insuficiente diante de acusações tão graves. 

Realmente não sou apenas mais um curioso desinformado dando palpites pela internet: já há alguns anos que colaboradores da Fraternidade São Próspero, pessoas bastante respeitáveis que atuam na Igreja (inclusive na condição de formadores) e que conhecem de perto o trabalho do padre Rodrigo Maria, enviam-nos avisos quanto às graves acusações contra ele. Recentemente, descobrimos que há até um site –, bem montado por sinal –, produzido especialmente para "desmascarar" o agora ex-padre, com uma grande coleção de textos difamatórios e a divulgação de uma série de depoimentos de noviças e freiras que teriam sido estupradas ou abusadas por ele. Ainda mais estranho, constam também tentativas de defesa do padre que só servem para piorar a situação, já que o seu argumento central é o de que ele só mantinha relações sexuais consentidas com essas moças: havendo o consentimento, ele seria inocente das acusações de estupro e/ou abuso...

A verdade, porém, é que se você o esmiuçar esses conteúdos todos com a mínima seriedade, não vai encontrar nada além de muitas e pesadas acusações anônimas e nenhuma prova. Não se encontra a identidade de quem está produzindo essas acusações, sob a desculpa do sigilo, e nem mesmo a identidade de quem está veiculando todas essas informações publicamente. Não se acha sequer algum meio para entrar em contato com as pessoas que produzem a coisa toda. Ora, se as acusações são verdadeiras, se o ex-padre é realmente esse monstro tão terrível, porque não dar nomes aos bois? É muito fácil para qualquer um acusar qualquer pessoa dos piores crimes, permanecendo escondido nas sombras. Muito fácil e muito covarde.

Resumindo, então, sim, há muito de estranho e de inexplicado por trás de tudo: por um lado, as explicações são lacônicas, genéricas e insuficientes; por outro, quem acusa não tem provas e nem mostra a cara, como seria de se esperar diante de uma situação dessas – como aconteceu, por exemplo, no caso do tal "médium" João, dito "de deus".

Como eu simplesmente não conheço a verdade por trás das aparências e dessas informações conflitantes, vou me ater a responder às perguntas feitas baseado naquilo que sei e que conheço do caso.  Lá vamos:

Ele diz que não tem nenhum processo contra ele na Cúria no Vaticano e que está processando 10 pessoas por difamação. A minha pergunta é: porque pedir dispensa se foi calúnia e (...) nada existiu de errado? Se ele tinha convicção do seu sacerdócio, e de que ele nada fez, porque pedir dispensa?

A explicação geral ou a resposta padrão que se dá para essa pergunta, da parte dos apoiadores do ex-padre, é basicamente a seguinte: ele preferiu pedir a dispensa por entender que como leigo poderia atuar melhor e com mais fruto na evangelização do que como padre, já que ele nunca teve paz e foi sempre perseguido por ser um padre conservador.

Será que isso faz algum sentido? Difícil responder, porque não conhecemos com exatidão o grau dessas perseguições e nem como, de que modos e com qual intensidade aconteciam. Que ele foi muito perseguido e cerceado em suas atividades, é um fato inegável, assim como foi e continua sendo perseguido o padre Paulo Ricardo e como será com qualquer sacerdote que se oponha à agenda esquerdista da CNBB. Mas pedir dispensa por isso? Não é demais? Abrir mão do sacerdócio, do tão precioso Sacramento da Ordem? Do poder de trazer Cristo ao mundo por suas mãos?

Sim, parece demais. Difícil e dificílimo crer que um sacerdote amantíssimo do Senhor, como Rodrigo Maria sempre se colocou, fosse abrir mão do estado clerical com tanta facilidade. Não faz sentido.

Por outro lado, é fato que como leigo, livre das amarras da obediência a bispos modernistas autoritários e indignos, ele poderá fazer muito mais em termos de evangelização.

Posso dizer que, em tempos passados, a revista O FIEL CATÓLICO foi produzida em parceria com padres, até que exatamente um deles – por sinal um diretor espiritual exemplar e que foi um dos meus maiores apoiadores, inclusive financeiramente – deu-me o seguinte conselho: “Persevere e continue  fazendo o trabalho que você faz, porque é necessário. Nunca pare. Mas desista de querer padres como parceiros: nós estamos sempre amarrados e você precisa de liberdade total para dizer o que precisa ser dito. Trabalhe como um leigo para os leigos, é disso que a Igreja precisa, hoje. Serão os leigos a sustentar a fé da Igreja nestes tempos difíceis...”.

Desde então, a nossa fraternidade desenvolve um apostolado como organização laical, ainda que sob a direção de dignos sacerdotes. E, de fato, só ganhamos com isso. No passado, muita coisa nós não podíamos dizer: ainda que os padres quisessem e concordassem com determinados textos, temiam por represálias dos bispos. Tínhamos que ficar no "feijão com arroz", no "politicamente correto" que nunca foi a nossa vocação.

No caso do ex-padre, é possível que ele tenha pensado em libertar-se de uma situação semelhante para poder fazer mais e melhor pela Igreja? Possível, sim. Altamente improvável, também. A dignidade especialíssima e a própria condição do sacerdócio não é coisa da qual se abra mão com essa facilidade. Em todo caso, repito que não sabemos o que realmente houve, e tecer qualquer veredito a respeito seria um pecado.

Nós sabemos que a Igreja, através de seus membros, recebe calúnias a toda hora. Se ele tinha convicção do seu sacerdócio e que ele nada fez porque pedir dispensa? Se acusarem O FIEL CATÓLICO, você, Sebastião vai encerrar as atividades? Parece-me que não.

Parece-lhe certo, meu irmão. Eu venho enfrentando muitos problemas e grandes dificuldades há onze longos anos. Enquanto trabalhei ligado a padres, fui também vítima de intrigas e maledicências, e vivo uma luta diária para me manter e aos meus trabalhos de apostolado financeiramente, mas não desisto jamais. De fato, nem penso nisso, é algo que não sou capaz de sequer considerar. Desde que decidi dedicar meu trabalho e minha vida a Deus e à sua Igreja, foi para sempre. Não vivo se não for para o Corpo de Cristo: morro pela Igreja, nunca sem ela. Já precisei pedir muito dinheiro emprestado, já temi não ter o alimento para botar à mesa para minha família, mas nunca cogitei parar com o apostolado. Trabalho muitíssimo para manter a revista, este site e agora o curso livre de Teologia que vem em breve, porque é o que assumi como missão de vida: a formação do povo católico. Às vezes (muitas) é difícil, penoso e extremamente cansativo. Mas não desisto por nada. Não consigo, então, imaginar um sacerdote que desista de sua missão por qualquer motivo.

Para ser sincero, está mal explicado. Repercutiu na mídia. Isto é ruim. Pois diante de tantos casos de pedofilia e homossexualidade na Igreja acreditamos no que lemos. Porque a CNBB do Brasil e a Conferencia dos Bispos do Paraguai não o defenderam? Muito estranho.

Que está mal explicado e que há muito de estranho nessa história toda, eis aí um fato, que já reconheci logo no início desta reflexão. Por outro lado, acreditar no que se lê, como você diz, é o que acaba acontecendo em grande medida, sem dúvida – mas é um grande erro. A grande mídia é podre, absolutamente podre, parcial e desonesta em larga escala, como ficou demonstrado com tenebrosa clareza nas campanhas das últimas eleições presidenciais.

Entre os maiores disseminadores de fake news estão justamente alguns dos maiores veículos de informação de que dispomos, os que mais formam a opinião das pessoas incultas. Eu mesmo, que atuei como jornalista e conheci muitos daqueles considerados como os nossos "grandes comunicadores", sei bem do que falo. Hoje praticamente não temos a notícia pura e simples: temos altíssimas doses de propaganda política e ideológica intermediando e mascarando tudo o que nos chega, a tal ponto que muitas vezes os fatos tornam-se irreconhecíveis. "Rapaz negro morto por segurança!", lemos em letras garrafais na primeira página. Será um caso de racismo? Aí você vai se inteirar do assunto e descobre que quem matou também era negro ou pardo. E por aí vamos... Então, aproveito para deixar uma dica aos meus leitores: não creiam em tudo o que leem!

Por fim, a última pergunta é das mais importantes: por que a CNBB e a conferência de bispos do Paraguai não o defendeu?

Caríssimo, tenha a certeza de que o padre Rodrigo Maria não era o tipo de padre que seria defendido pelos bispos vermelhos da CNBB. Pelo contrário, ele era mesmo do tipo que eles costumam perseguir. Há poucos anos, também o padre Paulo Ricardo foi perseguido em Cuiabá, e por muito pouco – com ampla manifestação dos leigos – não recebeu uma séria punição, inclusive com a proibição dos seus canais na internet e a imposição do silêncio obsequioso, o que o impediria de dar aulas e mesmo de se manifestar publicamente. Poucos o sabem, mas até o ano passado ele estava proibido (sim) de dar palestras, audiências ou mesmo se apresentar em qualquer espaço paroquial e/ou mantido pela Igreja em São Paulo.

Então, não; infelizmente não devemos e não podemos esperar que a CNBB proteja os padres fiéis à Tradição e que queiram pregar as verdades eternas do Evangelho sem concessões e sem ceder à onda "politicamente correta" que assola o mundo. Enquanto leigos que somos, não há pecado, como nunca haverá, em dizer a verdade, e também não há erro em manifestar a nossa angústia e os nossos anseios aos senhores bispos, como nos garante o Código de Direito Canônico em seu cân. 212, e como já pregou o grande São Francisco de Sales: “Os inimigos declarados de Deus e da Igreja devem ser difamados tanto quanto se possa, desde que não se falte à verdade, sendo obra de caridade gritar: ‘Eis o lobo!’, quando está entre o rebanho, ou em qualquer lugar onde seja encontrado” (Filotea ou Introdução à Vida Devota III, cp.28).

* * *

Por fim, resta-nos rezar e também fazer a nossa parte, cada um de nós, pelo bem da Igreja. Como não conhecemos a verdade por trás das insuficientes informações que nos chegam quanto ao caso em questão, não nos cabe formar uma opinião definitiva ou categórica. Além de tudo, a Igreja é realmente muito eficiente em “abafar” esse tipo de caso, como deve mesmo fazer, para que não haja escândalo e para preservar os envolvidos do julgamento público, que é sempre temerário. Diante de Deus, cada um encontrará a paga pelos seus atos, disto nós sabemos.


Aos gritos de ‘fora comunistas!, leigos calam 
bispos ‘vermelhos da CNBB em evento em Brasília


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Nota de esclarecimento sobre a atual situação do padre Rodrigo Maria


DADO O INTERESSE de muitos leitores e as informações desencontradas disponíveis em mídias diversas, com redatores de blogs e canais sujos (como os da 'Revista Forum', 'Diário do centro do mundo', 'Extra classe' e outros veículos tradicionalmente desonestos) lambendo os beiços de satisfação, qual cães raivosos ou urubus assanhados diante da carniça – e, claro, aproveitando para associar o problema com o fato de este ter sido um dos padres a apoiar Bolsonaro na campanha eleitoral de 2018 – e outros que, diante de fatos tão graves tentam simplesmente desmentir tudo e "tampar o sol com a peneira", estamos replicando a nota de esclarecimento disponibilizada pelo próprio agora ex-padre Rodrigo Maria em seus canais oficiais. Segue:


Diante da repercussão da nova situação do Padre Rodrigo Maria convém esclarecer e comunicar alguns pontos.

01 – A fé do Padre Rodrigo Maria, sua pertença e seu serviço a Igreja Católica nunca estiveram em questão. O mesmo seguirá no serviço a Deus e a Santa Igreja de Cristo;

02 – A renúncia ao exercício do ministério sacerdotal e consequentemente ao estado clerical, nunca foram desejados ou queridos pelo Padre Rodrigo Maria que, porém, acolheu a orientação de seu bispo para poder voltar a servir a Igreja, fazendo o que qualquer leigo pode fazer, sem ser impedido por amarras e restrições;

03 – O Padre Rodrigo Maria não deixou o exercício do ministério sacerdotal por confusão ou crise vocacional, mas tão somente para poder voltar a servir a Igreja da forma que compreendeu ser a mais adequada no momento, uma vez que há quase cinco anos vinha passando por restrições na realização de seu trabalho (às vezes parcial, às vezes totalmente); situação que poderia se prolongar por tempo indeterminado;

04 – O Padre Rodrigo Maria nunca foi afastado, interditado ou suspenso por Roma no exercício do ministério sacerdotal. Todas as restrições ou impedimentos por ele sofridos, emanaram da autoridade diocesana. Porém, é útil esclarecer que não pesa sobre ele nenhum tipo de castigo ou censura por parte da Igreja, seja universal ou diocesana;

05As falsas acusações enviadas a Roma (Congregação para Doutrina da Fé), foram consideradas sem fundamento por esse órgão da Santa Sé que as examinou;

06 – Após o parecer de Roma (CDF), que não encontrou fundamento nas acusações enviadas aí contra o Padre Rodrigo Maria, o bispo diocesano resolveu realizar um processo local para averiguar as acusações que foram feitas. Hoje, o citado processo não existe mais e o Padre Rodrigo Maria não foi condenado, em nenhum momento, em decorrência do mesmo;

07 – Não existe na Justiça comum nenhuma denúncia ou processo contra o Padre Rodrigo Maria, e o que havia a nível canônico, como já dito, foi extinto sem que houvesse qualquer condenação;

08 – Segue na Justiça comum do Brasil os processos que o Padre Rodrigo Maria está movendo contra 10 pessoas que o caluniaram e denegriram publicamente em redes sociais;

09 – O Padre Rodrigo Maria nunca recebeu nenhum salário durante todo o tempo em que serviu em sua diocese no Paraguai, nem pediu ou recebeu da mesma qualquer tipo de ajuda financeira a título de auxílio para essa nova etapa de sua vida. Confiando na Providência divina, com a Graça de Deus e seu trabalho, procurará prover seu próprio sustento;

10 – O Padre Rodrigo pretende utilizar o tempo que se seguirá para alcançar junto a Deus a graça de uma mais profunda conversão e purificação, retomando ao serviço de evangelização e formação da forma possível a seu estado;

11 – Fazendo eco ao ensinamento magisterial de sempre da Santa Igreja Católica, seguirá lutando pela Sã Doutrina, contra a mentalidade e prática revolucionária e pelo bem e salvação dos irmãos;

12 – O Padre Rodrigo Maria deixa expressa sua gratidão a Deus e ao povo a quem pôde servir como sacerdote durante 19 anos. E, ao mesmo tempo em que pede perdão a Deus e aos irmãos pelas muitas faltas e erros cometidos durante sua caminhada, suplica a todos a caridade da intercessão para que seja fiel a vontade de Deus nos passos que se seguirão;

Assim que, juntamente com seu orientador espiritual, o Padre Rodrigo Maria entender ser o tempo, falará pessoal e diretamente sobre os temas aqui tratados.

A página TEMPLÁRIO DE MARIA, assim como outras mídias, continuarão a postar as pregações, formações e artigos do Padre Rodrigo Maria.

Na consciência de que a ordenação sacerdotal imprime caráter indelével tornando-o receptor das sagradas Ordens, “Sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque”, segue, de nossa parte, o respeito, a gratidão e o compromisso de oração pelo Padre Rodrigo Maria.

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Ser cristão num mundo 'politicamente correto'


RECEBEMOS DE UM LEITOR anônimo, ao nosso artigo "O uso do incenso na Igreja Católica", o comentário que reproduzimos abaixo:

Sou católico, mas não concordo com os comentários impróprios feitos às outras religiões não católicas. Acho que deveria apenas cuidar de responder à pergunta formulada e não discorrer sobre uma questão que nem ao menos foi comentado.

Obrigado por expressar a sua opinião, anônimo. Diante do seu comentário, eu fiz questão de reler o texto, pronto a retificar qualquer passagem que pudesse ter soado "imprópria". Confesso que não encontrei nada que eu pudesse considerar rude ou ofensivo.

Sabe, não sou o que chamam "politicamente correto"; longe disso. Já até perdi bons empregos por causa disso. Tenho por hábito expressar-me com clareza, direta e objetivamente, procurando obedecer à ordem de Nosso Senhor: "O teu sim seja sim e o teu não seja não; o que passa disso vem do Maligno" (Mt 5,37). – Está aí uma coisa que o nosso mundo contemporâneo não suporta.

Para este apostolado, a verdade tem prioridade absoluta, e só depois dela ter sido posta com muita clareza é que vamos nos preocupar com o respeito humano – que é bem-vindo e ajuda muito nos relacionamentos –, mas para um cristão não deve ser o mais importante.



Fez-me lembrar da notícia que vi há pouco tempo, do cartaz de um filme de super-heróis que foi alvo do ataque raivoso de um bando de feministas e levou a produtora a desculpar-se e retirá-lo de circuito, o que gerou grande prejuízo. O problema todo é que, nesse cartaz, havia a imagem de um supervilão segurando pelo pescoço uma outra supervilã... Ora, isso não tem nada de machista, bem ao contrário, só demonstra que, no universo dos super-heróis, tanto os personagens masculinos quanto os femininos são dotados de poderes sobre-humanos, e por isso mesmo dá-lhe Mulher-Maravilha, Viúva Negra, Super-Girl e Mulher Hulk (entre muitas outras) surrando um bando de marmanjos desavisados por aí... E ninguém reclama.

O grande problema é que há agora uma praga terrível que infesta o mundo, que degenera as mentes e nos leva a um perigosíssimo estado de coisas: vivemos uma época em que apenas ter opinião sobre qualquer assunto já é "ofensivo" para alguém. E na religião não é diferente. Deveria, por motivos óbvios, mas não é. Absolutamente tudo o que qualquer pessoa diga precisa vir, necessariamente, antecedido por um "na minha opinião..." e seguido de um "...mas respeito todas as opiniões contrárias".

É proibido ter opinião! É proibido alguém dizer que gosta do azul, porque as pessoas que gostam do amarelo podem se ofender. É proibido dizer que 1 + 1 = 2, para não ofender os que não sabem somar e pensam que o resultado é 3, ou 4, ou 10 ou 1.000. Aliás, em muitas situações, os professores em sala de aula já não podem mais corrigir os alunos quando eles erram, por medo de traumatizá-los. Se o garoto diz: "Nós vai", a professora de português nem sempre pode ensinar que o correto é "nós vamos" porque isso seria um preconceito absurdo, uma atitude opressora, e afinal de contas a língua é o povo que faz... Que mal tremendo o marxismo fez ao mundo, meu Deus!

Assim, os estudantes mais aptos, ao invés de incentivados, são impedidos de progredir rápido, em "respeito" aos menos dotados, para que estes últimos não se sintam diminuídos, oprimidos pela elite dominante, e assim vamos "emburrecendo" um pouco mais a cada dia que passa. Hoje, alunos chegam ao ensino médio sem saber escrever, sem conhecer o hino nacional, sem saber quem descobriu o Brasil.

Vivemos um tempo em que é proibido dizer a verdade, porque a verdade, para o nosso mundo, não existe objetivamente. Cada um tem "a sua verdade", e o máximo que eu posso fazer é apresentar a "minha verdade", mas só se eu deixar bem claro que é apenas isto mesmo: a minha opinião, o que eu penso e o que eu "acho", pois a verdade, em última análise, não existe; cada um tem a sua e tudo bem. Eu tenho que aceitar, por exemplo, que dois homens e um cachorro que moram juntos são "uma família", tão ou mais digna que a minha, com meu pai e minha mãe que me geraram, eu e meus irmãos.

Tenho que aceitar, por força de decreto-lei, chamar um barbado de metro e oitenta, que nasceu com um grande pênis entre as pernas, de "senhorita" ou "senhora", e sabe por quê? Porque ele diz que "se sente" uma mulher. E tenho que aceitar que, na escola, ele use o mesmo banheiro que a minha filha, pelo mesmo motivo. Se eu me recusar, posso ser preso junto com ladrões e assassinos. Aliás, estes últimos têm muitas ONGs e associações para protegê-los, mas eu não serei considerado digno de piedade. Não eu, homem heterossexual, branco neto de europeus, capitalista e católico, pois represento em mim a pior escória que o mundo foi capaz de produzir.

Deixa-se então para lá e finge-se que não se ouve o fato insofismável que grita: apenas afirmar que "a verdade não existe" já é afirmar que pelo menos esta afirmação (que a verdade não existe) é verdadeira: logo, a verdade existe, de qualquer maneira! Sim, dizer que a verdade não existe é uma afirmação auto-contraditória em si mesma, mas sente-se lá e fique quieto quem não quiser arrumar confusão com o mundo. Bem, enquanto cristão de fé viva, que não se inclui entre os "mornos" que o Senhor vomitará fora de seu Corpo, estou disposto a comprar briga com o mundo inteiro pela Verdade, que é o próprio Cristo. Todavia nessa guerra não quero matar; quero antes dar a minha vida, se preciso for, para que a conheçam –, a Verdade que liberta, que é meu Sumo Bem e meu Tudo assim como é para todos os homens e mulheres, mesmo que não saibam ou não o reconheçam, – e que é a única Solução para esse mundo insano.

Pergunto-me o que seria de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nunca foi "politicamente correto" e não hesitou em chamar os hipócritas de hipócritas, ou de S. João Batista ('o maior dentre os nascidos de mulher') que chamou os falsos fariseus de "raça de víboras"... Se os ouvidos atuais se tornaram tão frágeis e delicados que qualquer palavra um pouquinho mais rígida parece insuportável, o que diriam, hoje, de um Messias que expulsa os vendilhões do Templo abaixo de chibatadas?

A Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo, leitor anônimo!

Henrique Sebastião

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