Cardeal Sarah: 'Comunhão generalizada na mão faz parte do ataque de Satanás à Eucaristia'

Por Diane Montagna para o LifeSiteNews
Tradução: João Pedro de Oliveira 

O chefe do dicastério vaticano sobre liturgia está convocando os fiéis católicos a voltarem a receber a Sagrada Comunhão na boca e de joelhos

NO PREFÁCIO PARA UM novo livro sobre o assunto, o Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino, escreve: “O mais insidioso ataque diabólico consiste em tentar extinguir a fé na Eucaristia, semeando erros e encorajando um modo inapropriado de recebê-la. A guerra entre S. Miguel e seus anjos, de um lado, e Lúcifer, de outro, verdadeiramente continua nos corações dos fiéis”. Disse ele ainda que “o alvo de Satanás é o Sacrifício da Missa e a Presença Real de Jesus na Hóstia consagrada”.

O novo livro, de Pe. Federico Bortoli foi lançado em italiano com o título: “La distribuzione della comunione sulla mano. Profili storici, giuridici e pastorali” (A distribuição da Comunhão na mão: considerações históricas, jurídicas e pastorais).

Recordando o centenário das aparições de Fátima, Sarah escreve que o Anjo da Paz, que apareceu aos três pastorinhos antes da visita da bem-aventurada Virgem Maria, “mostra-nos como devemos receber o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo”. Sua Eminência descreve, então, os ultrajes com que Jesus é ofendido hoje na Santa Eucaristia, incluindo “a chamada ‘intercomunhão’” (prática de cristãos de diferentes confissões participarem da mesma mesa eucarística).

Sarah dá sequência a seu discurso destacando como a fé na Presença Real “influencia o modo como recebemos a Comunhão, e vice-versa”, e propõe o Papa João Paulo II e Madre Teresa como dois santos modernos que Deus nos deu para imitarmos em seu reverência e na recepção da Santa Eucaristia.

“Por que nos obstinamos em comungar de pé e na mão?”, o Prefeito da Congregação para o Culto Divino se pergunta. A maneira como a Santa Eucaristia é distribuída e recebida, ele escreve, “é uma importante questão sobre a qual a Igreja de hoje deve refletir.”

Abaixo, com a autorização de "La Nuova Bussola Quotidiana", onde o prefácio primeiramente foi publicado, oferecemos aos nossos leitores uma tradução [n.t.: feita diretamente do original em italiano] de vários pontos chave do texto do Cardeal Sarah.



A Providência, que dispõe sábia e suavemente todas as coisas, oferece-nos a leitura do livro A distribuição da Comunhão na mão, de Federico Bortoli, justamente depois de havermos celebrado o centenário das aparições de Fátima. Antes da aparição da Virgem Maria, na primavera de 1916 (outono no hemisfério sul), o Anjo da Paz apareceu a Lúcia, Jacinta e Francisco, e disse-lhes: “Não temais. Sou o Anjo da Paz. Orai comigo”. […] Na primavera de 1916, na terceira aparição do Anjo, as crianças notaram que o Anjo, que era sempre o mesmo, segurava em sua mão esquerda um cálice acima do qual se estendia uma Hóstia. […] Ele deu a Hóstia consagrada a Lúcia e o Sangue do cálice a Jacinta e Francisco, que permaneceram de joelhos, enquanto lhes dizia: “Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus.” O Anjo prostrou-se novamente por terra, repetindo com Lúcia, Jacinta e Francisco por três vezes a mesma oração.

O Anjo da Paz mostra-nos, então, como devemos receber o Corpo e Sangue de Jesus Cristo. A oração de reparação ditada pelo Anjo, infelizmente, é tida como obsoleta. Mas quais são os ultrajes que Jesus recebe na Hóstia consagrada, e dos quais precisamos fazer reparação? Em primeiro lugar, existem os ultrajes contra o próprio Sacramento: as horríveis profanações, das quais alguns convertidos do satanismo já deram testemunho e ofereceram descrições repugnantes; são ultrajes ainda as Comunhões sacrílegas, quando não se recebe a Eucaristia em estado de graça, ou quando não se professa a fé católica (refiro-me a certas formas da chamada “intercomunhão”). Em segundo lugar, constitui um ultraje a Nosso Senhor tudo o que pode impedir o fruto do Sacramento, especialmente os erros semeados nas mentes dos fiéis a fim de que eles não mais acreditem na Eucaristia. As terríveis profanações que acontecem nas chamadas “missas negras” não atingem diretamente Aquele que é ultrajado na Hóstia, encerrando-se tão somente nos acidentes do pão e do vinho.

É claro que Jesus sofre pelas almas dos profanadores, almas pelas quais Ele derramou o Sangue que elas tão cruel e miseravelmente desprezam. Mas Jesus sofre ainda mais quando o dom extraordinário de sua presença divino-humana na Eucaristia não pode levar seu potencial efeito às almas dos fiéis. E aí nós entendemos que o mais insidioso ataque diabólico consiste em tentar extinguir a fé na Eucaristia, semeando erros e encorajando um modo inapropriado de recebê-la. A guerra entre Miguel e seus anjos, de um lado, e Lúcifer, de outro, verdadeiramente continua nos corações dos fiéis: o alvo de Satanás é o sacrifício da Missa e a presença real de Jesus na Hóstia consagrada. Essa tentativa de rapina segue, por sua vez, dois caminhos: o primeiro é a redução do conceito de “presença real”. Muitos teólogos não cessam de ridicularizar ou de esnobar — não obstante as contínuas advertências do Magistério — o termo “transubstanciação”. […]

Vejamos agora como a fé na Presença Real pode influenciar o modo de receber a Comunhão, e vice-versa. Receber a Comunhão sobre a mão comporta induvidavelmente uma grande dispersão de fragmentos. Ao contrário, a atenção às mais pequeninas partículas, o cuidado na purificação dos vasos sagrados, o não tocar a Hóstia com as mãos sujas de suor, tornam-se profissões de fé na presença real de Jesus, ainda que seja nas menores partes das espécies consagradas: se Jesus é a substância do Pão Eucarístico, e se as dimensões dos fragmentos são acidentes apenas do pão, pouco importa que o pedaço da Hóstia seja grande ou pequeno! A substância é a mesma! É Ele! Ao contrário, a desatenção aos fragmentos faz perder de vista o dogma: pouco a pouco poderia começar a prevalecer o pensamento: “Se até o pároco não dá atenção aos fragmentos, se administra a Comunhão de um modo que os fragmentos podem se dispersar, então quer dizer que Jesus não está presente neles, ou está ‘até um certo ponto’.”

O segundo caminho em que acontece o ataque contra a Eucaristia é a tentativa de retirar, dos corações dos fiéis, o sentido do sagrado. […] Enquanto o termo “transubstanciação” nos indica a realidade da presença, o sentido do sagrado permite-nos entrever a absoluta peculiaridade e santidade do Sacramento. Que desgraça seria perder o sentido do sagrado precisamente naquilo que é mais sagrado! E como é possível? Recebendo o alimento especial do mesmo modo como se recebe um alimento ordinário. […]

A liturgia é feita de muitos pequenos ritos e gestos — cada um dos quais é capaz de exprimir essas atitudes carregadas de amor, de respeito filial e de adoração a Deus. Justamente por isso é oportuno promover a beleza, a conveniência e o valor pastoral desta prática que se desenvolveu ao longo da vida e da tradição da Igreja, a saber, receber a Sagrada Comunhão sobre a língua e de joelhos. A grandeza e a nobreza do homem, assim como a mais alta expressão do seu amor para com o Criador, consiste em colocar-se de joelhos diante de Deus. O próprio Jesus rezava de joelhos na presença do Pai. […]

Nesse sentido, gostaria de propor o exemplo de dois grandes santos dos nossos tempos: São João Paulo II e Santa Teresa de Calcutá. Toda a vida de Karol Wojtyla esteve marcada por um profundo respeito à Santa Eucaristia. […] Malgrado estivesse extenuado e sem forças […], estava sempre disposto a ajoelhar-se diante do Santíssimo. Ele era incapaz de ajoelhar-se e levantar-se sozinho. Precisava que outros lhe dobrassem os joelhos e depois o levantassem. Até os seus últimos dias, ele quis dar-nos um grande testemunho de reverência ao Santíssimo Sacramento. Por que somos assim tão orgulhosos e insensíveis aos sinais que o próprio Deus oferece para o nosso crescimento espiritual e para o nosso relacionamento íntimo com Ele? Por que não nos ajoelhamos para receber a Sagrada Comunhão, a exemplo dos santos? É assim tão humilhante prostrar-se e estar de joelhos diante de Nosso Senhor Jesus Cristo — Ele, que, “sendo de condição divina, […] humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Fl 2, 6–8)?

Santa Madre Teresa de Calcutá, uma religiosa excepcional a que ninguém ousaria chamar de tradicionalista, fundamentalista ou extremista, e cuja fé, santidade e dom total de si a Deus e aos pobres são conhecidos de todos, possuía um respeito e um culto absoluto ao Corpo divino de Jesus Cristo. Certamente, ela tocava quotidianamente a “carne” de Cristo nos corpos deteriorados e sofridos dos mais pobres dos pobres. No entanto, cheia de estupor e respeitosa veneração, Madre Teresa se abstinha de tocar o Corpo transubstanciado do Cristo; ao invés disso, ela O adorava e contemplava silenciosamente, permanecia por longos períodos de joelhos e prostrada diante de Jesus Eucaristia. Além disso, ela recebia a Sagrada Comunhão diretamente na boca, como uma pequena criança que se deixava humildemente nutrir por seu Deus.

A santa se entristecia e lamentava sempre que via os cristãos receberem a Sagrada Comunhão nas próprias mãos. Ela afirmou inclusive que, segundo o que era de seu conhecimento, todas as suas irmãs recebiam a Comunhão apenas sobre a língua. Não é esta a exortação que Deus mesmo faz a nós: “Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fez sair do Egito; abre a boca e eu te sacio” (Sl 81, 11)?

Por que nos obstinamos em comungar de pé e na mão? Por que essa atitude de falta de submissão aos sinais de Deus? Que nenhum sacerdote ouse impor a própria autoridade sobre essa questão recusando ou maltratando aqueles que desejam receber a Comunhão de joelhos e sobre a língua: venhamos como as crianças e recebamos humildemente, de joelhos e sobre a língua, o Corpo de Cristo. Os santos dão-nos o exemplo. São eles o modelo a imitar que Deus nos oferece!

Mas como pode ter-se tornado tão comum a prática de receber a Eucaristia sobre a mão? A resposta nos é dada pelo Padre Bortoli, e confirmada por uma documentação até o momento inédita, e extraordinária por sua qualidade e dimensão. Tratou-se de um processo nem um pouco límpido, uma transição do que era concedido pela instrução Memoriale Domini ao modo que se difundiu hoje. […] Infelizmente, assim como aconteceu à língua latina e à reforma litúrgica, que deveria ter sido homogênea com os ritos precedentes, uma concessão particular tornou-se a gazua para forçar e esvaziar o cofre dos tesouros litúrgicos da Igreja. O Senhor conduz o justo por “caminhos retos” (Sb 10, 10), não por subterfúgios; assim, além das motivações teológicas demonstradas acima, até o modo como se difundiu a prática da Comunhão na mão parece ter-se imposto não segundo os caminhos de Deus.

Possa este livro encorajar aqueles sacerdotes e aqueles fiéis que, movidos também pelo exemplo do Papa Bento XVI — que nos últimos anos de seu pontificado quis distribuir a Eucaristia na boca e de joelhos — , desejam administrar ou receber a Eucaristia deste modo, muito mais apropriado ao próprio Sacramento. Minha esperança é de que haja uma redescoberta e uma promoção da beleza e do valor pastoral dessa forma de comungar. Segundo o meu juízo e opinião, essa é uma questão importante sobre a qual a Igreja de hoje deve refletir. Trata-se de um ato de adoração e de amor que todos nós podemos oferecer a Jesus Cristo. Muito me agrada ver tantos jovens que escolhem receber Nosso Senhor com essa reverência, de joelhos e sobre a língua. Possa o trabalho do Pe. Bortoli favorecer um repensar geral sobre o modo de distribuir a Sagrada Comunhão. Tendo acabado de celebrar, como disse no início deste prefácio, o centenário de Fátima, encoraje-nos a firme esperança no triunfo do Imaculado Coração de Maria: no fim, também a verdade sobre a liturgia triunfará.

** Assine a revista O FIEL CATÓLICO e tenha acesso a muito mais!

____
Fonte:
LifeSiteNews, 'Cardinal Sarah: Widespread Communion in the hand is part of Satan’s attack on the Eucharist', disp. em:
https://www.lifesitenews.com/news/cardinal-sarah-we-need-to-rethink-the-way-communion-is-distributed
www.ofielcatolico.com.br

O pecado da gula


TALVEZ A PRIMEIRA coisa importante a se dizer sobre este pecado seja que, hoje em dia, ele simplesmente não seja mais levado a sério. A tendência geral é levar o assunto na brincadeira: as pessoas acham “engraçadinho” ser guloso e comer demais. Segundo depoimento do nosso bom amigo, o Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Júnior, quase ninguém mais confessa o pecado da gula. Acham que isso nem é mais pecado. 

Há também aquela velha história de se dizer que fulano “come bem”, quando na verdade a pessoa come é muito, demais, além do necessário para a manutenção da saúde. “Comer bem”, mesmo, é comer direito, isto é, alimentar-se com equilíbrio, moderação e inteligência. 

Este pecado capital, porém, é muito perigoso e muito importante. O pecado da gula é, em última análise, uma tentativa dos seres humanos de buscar a felicidade na comida e na bebida, e daí sobrevém o consumo excessivo. A gula também se revela no consumo de álcool e drogas ilícitas, e pode ser a porta de entrada para outros pecados. É interessante notar que o Pecado Original se deu através do ato de comer: na ingestão de um fruto proibido. Adão e Eva poderiam comer qualquer fruto, de qualquer árvore do imenso Jardim do Éden, onde viviam em felicidade e santidade. Mas eles fizeram questão de ir além, não resistiram à tentação e comeram do único fruto que lhes era proibi-do por Deus. 

Eles achavam que, comendo daquele fruto, teriam uma recompensa maior do que toda a felicidade que eles já viviam no Paraíso, bem próximos a Deus. Resultado: o fruto que parecia doce e que lhes traria uma grande recompensa (‘ser como Deus’, segundo a promessa enganadora da Serpente), se revelou muitíssimo amargo. Adão e Eva perderam o Paraíso, a eterna juventude, a plena saúde, a vida eterna... 

A história da queda do homem, no livro do Gênesis, serve como uma boa analogia para compreender a essência do pecado da gula. Ser guloso é uma maneira de procurar a realização e a plenitude no corpo, na satisfação física, nos prazeres imediatos. 

O prazer de apreciar uma boa refeição ou uma boa bebida no foi dado para que nos alimentemos bem e preservemos a nossa saúde. Mas esse prazer não é um fim em si mesmo. Os gulosos tem fome e sede dos prazeres que o corpo tem a oferecer. Eles querem consumir a vida, querem comer e beber esta vida, espremer tudo que o mundo tem a oferecer; querem devorar a vida, e tentam fazê-lo intermitentemente, com sofreguidão. Mas comer demais acaba prejudicando a saúde, e, muito pior do que isso, pode corromper a alma, que se condiciona e se torna tão apegada aos prazeres físicos que não sobra energia para mais nada. Nem para as práticas espirituais, para pensar em Deus, para se cuidar espiritualmente.

Ser guloso é querer se realizar somente no corpo, na carne. A gula também é uma porta de entrada para o pecado capital da luxúria. É pela boca que perdemos o autocontrole e a noção do que é justo, harmonioso, equilibrado, benéfico para a saúde do corpo e da alma. 

No exagero do consumo das bebidas alcoólicas, por exemplo, muitos perdem a “noção do perigo” e se entregam às práticas sexuais desenfreadas, perdendo a capacidade de discernir o que é proveitoso e o que é prejudicial. Neste sentido, pode nos ser bastante favorável a prática da justa penitência, como o jejum moderado. Jejuar é como uma forma de mostrar ao seu corpo quem é que está no comando; é uma demonstração de autoridade do espírito sobre o corpo físico. É como fazer o seu espírito dizer ao seu corpo: “Sou eu quem manda aqui!”...

Uma dica bastante interessante, muito simples e muito útil na luta contra o pecado da gula é manter sempre em mente que o cérebro humano demora cerca de 20 minutos para registrar que o estômago já está cheio e que você já comeu o suficiente para se sustentar[1]. Então, se você se levantar da mesa com um“pouquinho de fome”, pouco depois vai se sentir completamente saciado (faça essa experiência e confirme). E estará também fazendo o melhor para vencer o pecado da gula.

Diversos estudos recentes demonstram que comer pouco, e principalmente menores quantidades nas refeições, é uma das maneiras mais eficazes para se alcançar uma vida mais longa e saudável. Um estudo de cientistas da Universidade de Kyoto, Japão, publicado na revista científica Nature, confirma essa tese. Segundo o estudo, “a restrição alimentícia é a intervenção mais eficaz (...) para estender a expectativa de vida”. 

Os cientistas de Kyoto conseguiram comprovar, ainda, que as cobaias do experimento que deixavam de comer durante dois dias prolongaram suas vidas em torno de 50%(!). Além disso, as cobaias que jejuavam a cada dois dias se mostraram mais resistentes aos processos do envelhecimento do que os animais que puderam comer o quanto quisessem[2].

Outro estudo recente revela que a restrição de calorias pode levar a uma vida mais longa e saudável. Os pesquisadores, ao fim e ao cabo, apenas confirmaram diversos outros estudos que já vêm ocorrendo há mais de 70 anos: um modo infalível de aumentar o tempo de vida dos animais é cortar/reduzir a sua ingestão alimentar diária em uma média de 30% a 40%. O procedimento protege as células contra o envelhecimento e doenças relacionadas ao avanço da idade, conforme publicado na revista científica Cell. Em entrevista à revista “Dieta Já!”, o Dr. Luís Fernando de Barros Correia, Clínico Geral e Chefe do Setor de Emergência do Hospital Samaritano do Rio de Janeiro, especializado em emagrecimento, declarou: “Se você comer apenas 80% da capacidade do seu estômago, não vai precisar de médico”[3].

São informações bastante interessantes, sem dúvida. Mas, para nós, ainda mais importante é saber que a moderação na comida e na bebida preserva, principalmente, a alma do pecado da gula. Afinal, esta vida, ainda que seja longa, um dia passa.

** Assine a revista O FIEL CATÓLICO e tenha acesso a muito mais!

______
1. Revista Bem Estar, 'Cérebro demora 20 minutos para registrar que estômago está cheio', dip. em: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2011/07/cerebro-demora-20-minutos-para-registrar-que-estomago-esta-cheio.html
Acesso 22/2/2018

2. Portal Terra, 'Estudo: comer pouco pode prolongar a vida dos mamíferos', dip. em:
http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI3391907-EI238,00.html
Acesso 22/2/2018

3. Idem à nota 1.
www.ofielcatolico.com.br

Menino pede presente 'especial' por sua Primeira Comunhão e faz centenas de pessoas felizes na Índia


Por Felipe Marques – Fraternidade São Próspero

Essa notícia chamou-me a atenção, não só pela bela ação que fez esse menino, mas pelo fato de que ele realmente crê na Presença Real de nosso Senhor Jesus Cristo na Eucaristia. Infelizmente, nos dias atuais, a raiz de muitos dos males que acometem a Santa Igreja é justamente a perda da fé na Presença Real de Cristo no Santíssimo Sacramento! Que essa matéria ajude nossos leitores a amarem a Eucaristia que é Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus. 


RUBÉN TEM 9 ANOS e vive em um povoado de Valência (Espanha). É mais uma das milhares de crianças que, todos os anos, recebem a Primeira Comunhão em todo o mundo, mas ele tinha claro que, por esse grande dia, queria apenas um presente. Por isso, distribuiu através do aplicativo "Whatsapp", entre os convidados, uma carta escrita a mão na qual explicava que estava “muito feliz” por compartilhar com todos eles seu “grande encontro com Jesus”. 

“Graças a Deus, tenho todo o necessário. Então, pensei que, se quiser me dar algum presente por este dia, pode dar muito mais frutos fazendo uma doação anônima para um projeto de ‘Manos Unidas’ (Mãos Unidas), com o qual estou colaborando”, indicava o pequeno. Explicava também que o projeto consiste na “compra e instalação de placas solares em uma casa de acolhida para meninas da Índia”. 

Assim, graças à generosidade deste menino, esta ONG recebeu 7.075 euros. Segundo explica o jornal ‘El País’, embora a decisão de doar seus presentes de Primeira Comunhão tenha partido do próprio Rubén, a ideia foi de sua mãe, Amparo García, a qual explicou ao jornal que as crianças recebem tantos brinquedos que chega a um ponto em que deixam de valorizá-los. Mas, ressaltou ela, a ideia surgiu porque, como católica, entende que a Primeira Comunhão é um “encontro com Jesus” e receber presentes distrai do significado da cerimônia. 

Apenas três pessoas insistiram em dar-lhe outro tipo de presente. Os demais convidados concordaram em fazer uma doação a esta ONG da Igreja Católica, como Rubén havia pedido. O projeto com o qual o menino colaborou generosamente está na cidade de Guawhati (Índia), perto das fronteiras com Butão e Bangladesh. Nesta ONG, religiosas salesianas acolhem meninas que vivem na rua e que foram vítimas de abusos e exploração. Com o dinheiro que Rubén doou, será possível instalar placas solares para a manutenção térmica do centro. 
____
Fonte:
ACI Digital, disp. em:
acidigital.com/noticias/menino-pede-presente-especial-por-comunhao-e-faz-centenas-de-pessoas-felizes-na-india-19797/
Acesso 20/2/2018
www.ofielcatolico.com.br

Quem está orquestrando o movimento LGBTQ no interior da Igreja?

Pe. James Martin, SJ

Por Lawrence England*, em 'Benoit et moi'
Tradução para O FIEL CATÓLICO
de Roberto Leal Ferreira


VALE A PENA RECORDAR aquela entrevista dada alguns anos atrás pelo Papa, na qual, ao lhe perguntarem acerca de Mons. Ricca e de um escândalo homossexual, respondeu com o famoso comentário: "Se alguém for gay e buscar a Deus com boa vontade, quem sou eu para julgar?". E seguiu citando, com relativa exatidão, um trecho do Catecismo, como ele mesmo disse, acerca da necessidade de se tratarem as pessoas homossexuais com respeito, sensibilidade e compaixão.

Acontece que seu confrade, o Pe. James Martin, jesuíta e seu companheiro na omissão[1], hábil em remendar e deformar a doutrina e o Evangelho, também deseja muitíssimo citar essa seção do Catecismo e utilizá-la para seu atual ministério LGBTQI ['Q' é de 'queer' e 'I' de 'intersex']. Um ministério que, na Igreja, goza de patrocínio e apoio poderosos, tacitamente da parte de Francisco –, que não tem interesse em promovê-lo –, e abertamente da parte de estranhos personagens nomeados cardeais por Francisco: é o caso de Tobin, Cupich e Kevin Farrell, que defendem em geral o ministério subversivo do Pe. James Martin e o querem em suas dioceses para enganar seus rebanhos. São homens muito fiéis a Francisco e, em especial, a seu Magistério contraditório, ambíguo e sutilmente revolucionário.

Este Papa jamais – nem uma única vez – ensinou, no menor documento, discurso ou entrevista, as partes precedentes do Catecismo, que chamam a atenção para a gravidade do pecado do ato homossexual ou para a natureza desordenada da atração. Tampouco para a parte que vincula essa condição à Cruz. Nem o Pe. James Martin, SJ. Pensam alguns que Francisco é tão confuso que mencionou o Catecismo, o citou, mas talvez “não saiba” em pormenor o que o Catecismo diz sobre esses aspectos da homossexualidade, tão do agrado do lobby homossexual, tanto dentro como fora do Vaticano.

Acho que o contrário é que é verdade. O Pe. James Martin e o Papa Francisco conhecem, ambos, perfeitamente o ensinamento da Igreja sobre o homossexualismo, mas desdenham esses aspectos da posição da Igreja que entram em conflito com a agenda gay militante e se recusam deliberadamente a ensiná-los. Precisamos começar a levantar sérias questões acerca do papel do Papa Francisco na homossexualização da Igreja, pois é certo que ele faz a sua parte, por todos os meios.

No caso do Pe. James Martin, apesar de sua perdoável desvantagem de formação por ser jesuíta (como Francisco), foi-lhe diversas vezes comunicado que a sua apresentação do ensinamento da Igreja é incompleto e deficiente do ponto de vista da integridade católica, porque a sua premissa básica se serve do vocabulário do Catecismo sobre o “respeito” e a “sensibilidade”, mas omite o resto do ensinamento da Igreja sobre o assunto e faz um desvio pela teologia moral queer, inserindo entre os argumentos, de quebra, suas próprias suposições subjetivas. Exatamente como Francisco, porém, dedica a maior parte do seu ministério LGBTQI a ressaltar os aspectos positivos ou moralmente neutros do cristianismo. “Não devemos julgar”; “as pessoas LGBT têm dignidade”; “tenho certeza de que há santos homossexuais”; etc.

Em compensação, o Papa Francisco nunca fala de homossexualismo, mas, caros leitores, para virar de ponta cabeça os ensinamentos da Igreja ele não precisa disso. Por quê? Porque tem o Pe. James Martin para pregar, com toda a liberdade e sem nenhum tipo de censura. Ele não pode expor sua verdadeira mensagem sem criar inúteis conflitos e controvérsias. Não queremos acordar as crianças, não é? Percebe com clareza que deve permanecer calado sobre o assunto. Tudo o que Francisco precisa fazer é criar a atmosfera para que certas plantas floresçam. Seu colega jesuíta e conselheiro de mídia, o Pe. James Martin, SJ, mal fala de outra coisa. É como se fosse a sua profissão – ser o comandante-chefe da ala LGBT, liquidar a Doutrina católica e disparar contra a Igreja, enquanto Francisco distrai as pessoas com a sua personalidade única e, enfim, com seu sempre maior culto da personalidade.

Mas a característica que os dois têm em comum é a omissão deliberada dos ensinamentos tais como dados para instrução cristã dos fiéis. E depois dos escândalos gays que atingiram a Igreja durante este pontificado, bem como do escândalo da crise dos abusos com crianças que hoje abala Francisco, não posso impedir-me de pensar que essa tendência dos dois homens é eloquente. Comportam-se exatamente do mesmo modo. Martin nutre-se ferozmente da ambiguidade de Francisco e das narrativas sobre a mudança de paradigma, e Francisco, valendo-se exatamente dos mesmo métodos de dissimulação que Martin, fornece tranquilamente a Martin o vazio doutrinal e as mudanças de paradigma de que ele precisa para levar adiante o seu projeto LGBTQI na Igreja. É uma relação simbiótica: Martin vive de Francisco e Francisco cria a cultura para que Martin viceje.

Começamos a matutar: será que trabalham juntos para a mesma causa? A “emancipação" do movimento gay militante na Igreja? Há um ou dois anos, eu não teria acreditado, teria achado que Francisco se interessava em subverter a moral católica por motivos que só ele conhecia; quanto mais eu penso em seu comportamento dos últimos cinco anos, porém, mais fica claro que, longe de se preocupar com o "lobby gay" no Vaticano (que, ao contrário dos maçons, não usam carteirinha, como sabemos [alusão às palavras do Papa na viagem de volta da Jornada Mundial da Juventude do Rio, depois do famoso 'quem sou eu...'])[2], seus esforços parecem apoiar e fortalecer seu movimento de um modo realmente estratégico, o que se torna mais flagrante, simplesmente observando o tipo de companhia que ele escolhe.

Na única oportunidade em que o Papa abordou realmente o assunto – em razão de um escândalo gay que tornava inevitável a pergunta de um jornalista – usou exatamente a mesma tática do Pe. James Martin em sua campanha para manipular e mutilar os ensinamentos da Igreja sobre o homossexualismo: forneceu um fundamento a partir do Catecismo, ignorando a verdade revelada menos popular e inserindo seu próprio paradigma infundado ali onde a verdadeira doutrina católica deveria aparecer, fixando-a numa frase que sugere a misericórdia e a clemência, mas recebida como uma atitude de indiferença calculada ao pecado e até mesmo como a linguagem do pecado.

A única diferença entre o que o Santo Padre fez durante a entrevista no avião e o que o Pe. James Martin faz a cada semana é que a conclusão do Santo Padre sobre a questão foi formulada na linguagem da neutralidade objetiva e equilibrada, dando maior ênfase à necessidade de um julgamento dos indivíduos de "boa vontade". Poderíamos muito bem levantar a seguinte questão: será que esses eclesiásticos cujo estilo de vida escandaloso compromete os ensinamentos da Igreja, mas recebem uma proteção especial da parte de Francisco, são mesmo homens de "boa vontade" para com a Igreja? A única razão que temos para acreditar nisso é a autoridade do Papa. Talvez eles tenham boa vontade... para com Francisco, seu fiel amigo e aliado! A "neutralidade" humana, baseada na necessidade do "diálogo", é a marca crítica deste pontificado, e ela envolve tudo, desde o acordo com a China comunista até o esvaziamento da Academia pontifícia pró-vida, passando pelo elogio de Emma Bonino [líder abortista italiana, N do T], pela perseguição contra os Franciscanos da Imaculada e pelas palavras: «Não existe um Deus católico ».

É claro, isso não é de modo algum "neutralidade", mas a tentativa de destruição do Cristianismo com métodos subversivos e enganadores. Sabemos que todas essas coisas são veneno para a Fé, mas, para afirmar a "neutralidade", o verdadeiro catolicismo deve ser contrariado continuamente.

Convém também notar que, no escândalo China-Vaticano, o Agente Parolin é o alvo das bombas, como também quando anuncia que Amoris Laetitia equivale a uma "mudança de paradigma" na Igreja, que muda tudo o que veio antes. O próprio Francisco jamais disse: «Oi pessoal, a minha Exortação é uma mudança de paradigma que altera a realidade». Não foi Francisco que anunciou a perspectiva de um “revolucionário” e iminente acordo com a China, acordo que substituirá os membros fiéis da Hierarquia por fantoches do regime comunista. Personagens absurdamente controvertidos, fatores de divisão, ofereceram-se para se imolar no lugar de Francisco, tomar decisões catastróficas e dizer coisas escandalosas, para promover os planos de Francisco ou o plano comum que têm entre eles, e afastar, assim, de Francisco o ardor das chamas, anunciando eles mesmos tais coisas.

Mas, durante todo esse tempo, Francisco parece observar como espectador, aplaudindo, como quando recebeu um homem seminu que fez um espetáculo de circo só para ele.




O trabalho deles parece ser o de bancarem os durões e fazerem para valer o trabalho sujo, enquanto Francisco continua a beijar bebezinhos e a dar uma de bonzinho; e a gratificar com um perpétuo e plausível desmentido aqueles que, cada vez menos numerosos, persistem em querer desesperadamente acreditar que o Papa ainda pense como católico.

Até o Chile e as revelações escandalosas sobre Barros [bispo acusado de acobertar casos de crimes sexuais (N do E)], tudo isso funcionava perfeitamente. Hoje, tudo desmorona. Por quê? Porque Francisco exagerou e violou sua própria regra de sobrevivência. Disse mui claramente que o caso Barros era sua decisão pessoal e que jamais a entregou a ninguém. Chegou até a pôr no olho da rua três sacerdotes da Congregação para a Doutrina da Fé, para preservar o sujeito. Recebeu até a carta de uma vítima e se expôs, ele mesmo, a acusações de ter mentido acerca do recebimento de provas.

Cometeu o mesmo erro com Maradiaga [Cardeal Arcebispo de Tegucicalpa, acusado de uso pessoal de verbas da Universidade Católica de Honduras, da qual é chanceler (N do E)], tranquilamente absolvido antes de uma investigação adequada. Agora, tem de assumir a autoria de decisões que parecem completamente injustificadas. Proteger quem protege pedófilos e foi testemunha de violências contra crianças? É, a Equipe Francisco [referência a um grupo de cardeais que teria conspirado para eleger Francisco no último conclave (N do T)] deveria estar muito preocupada, agora, porque até o “Sr. Boa Gente”, na máfia, parece comprometido até o pescoço, envolvido ao mesmo tempo pela bandeira do arco-íris e pela bandeira vermelha da corrupção.

A pergunta que não quer calar é a seguinte: essa gente trabalha para Francisco, trabalha ele para eles, trabalham uns para os outros ou trabalham todos para uma força exterior?
Dito isso, outro pedaço da máscara de Francisco caiu esta semana, quando anunciou que o seu retiro de Quaresma seria ministrado por um sacerdote muito focado nos LGBT, que de Cristo se limita a pensar que «odiava as regras ». Mais ou menos como Francisco, então!

Evidentemente, o Pe. James Martin está neste momento muito ocupado; o Papa, então, encontrou outra pessoa para pregar o grande retiro gay. O que é de conhecimento público a este respeito é uma dose maciça de aprovação sutil do ministério LGBTI e da "teologia queer" na Igreja. Aqueles que ouvirem falar disso hão de supor que esse Papa demonstra uma vez mais a sua neutralidade humana sobre as questões homossexuais.

Ninguém jamais vai suspeitar que o homem vestido de branco seja um agente subversivo que se empenha em dizimar o Cristianismo ou um chefão importante do lobby homossexual instalado no Vaticano, que luta pela normalização das relações e ligações homossexuais, ou que possa ele mesmo estar tão envolvido em escândalos homossexuais, a ponto de ser objeto de chantagem ou de estar sob controle. Ninguém jamais vai pensar isso, porque o Papa se veste de branco, símbolo de pureza. Neste momento, esse Papa só está no poder porque ninguém o pode destituir. Depois desse escândalo, se ele fosse bispo, cardeal ou padre, teria sido discretamente destituído ou aposentado.

Tudo isso levanta algumas questões: que fim levou o relatório sobre a máfia gay que Bento XVI entregou ao seu sucessor, para que dele se ocupasse? Quem queria ver purificada a "imundície" da Igreja Católica? E, falando sério, quem mais estava na festinha de Cocco [cardeal Coccopalmerio, muito próximo ao Papa, cujos auxiliares foram flagrados pela polícia italiana numa orgia gay regada a cocaína em pleno Vaticano (N do T)] durante a Quaresma, o ano passado? Talvez nunca venhamos a saber, mas o histórico do Papa Francisco quanto a esta questão pode dar motivos de preocupação a alguns. Parece que temos atualmente na Igreja uma situação em que a agenda homossexual floresce livremente entre os muros da Igreja Católica. Francisco ajuda essa causa de um modo tão sinistro, que é permitido perguntar se, na realidade, não é ele que a dirige.

Seja qual for o papel do Papa Francisco nessa epidemia cada vez mais grave, esse contágio da heresia e a promoção do pecado afligem as almas na Igreja, e as pessoas homossexuais estão entre os fiéis católicos que, aderindo ao Magistério intemporal da Igreja e buscando testemunhar a Verdade, sofrem uma real marginalização dentro da Igreja. São eles – e não os bispos renegados, os eclesiásticos sem fé e os advogados do ministério LGBTQ – que parecem cada vez mais deixados de lado, sendo-lhes mostrada a porta do deserto, "fora do acampamento ". Mas deixarei a Joseph Sciambra a tarefa de lhes falar mais a este respeito neste vídeo:

____
* As opiniões do autor não necessariamente refletem as deste apostolado. Compartilhamos o artigo por entender que suas gravíssimas denúncias trazem uma infelizmente necessária reflexão para os nossos dias conturbados e de confusão generalizada no interior da Igreja.


1. Em abril de 2017, o Pe. Martin foi nomeado pelo Papa como consultor do Serviço de Comunicação do Vaticano (ver reinformation.tv ).


2. O Papa disse, na tradução "oficial":
"Escrevemos muito sobre o lobby gay. Não encontrei ninguém no Vaticano que me desse seu bilhete de identidade com "gay" . Eles dizem que existem alguns. Eu acho que quando você está com essa pessoa, você deve distinguir entre ser gay e lobby; porque os lobbies, todos não são bons. Este é ruim. Se uma pessoa é gay e procura o Senhor, mostra boa vontade, quem sou eu para julgar? O catecismo da Igreja Católica explica isso de uma maneira muito bonita, mas ele diz, espere um pouco, como ele diz ... ele diz: "Não devemos colocar essas pessoas à margem por isso, elas devem ser integradas na sociedade". O problema não é ter essa tendência, não, devemos ser irmãos, porque essa é uma coisa, mas se houver algo diferente, outra coisa. O problema é fazer essa tendência, um lobby: mobília do lobby, políticos do lobby, mestres do lobby, muito lobby. Esse é o maior problema para mim."

____
Fonte:
Le lobby gay dans l'Eglise, em Benoit et moi, disp. em:

http://benoit-et-moi.fr/2018/actualite/le-lobby-gay-dans-leglise.html
Acesso 17/2/2018

** Assine a revista O FIEL CATÓLICO e tenha acesso a muito mais!
www.ofielcatolico.com.br

Acordo entre China comunista e Vaticano pode ferir a autoridade moral e espiritual da Igreja?

Católicos se reúnem em Hong Kong pela notícia de que Beijing e o Vaticano, cujas relações foram cortadas depois que o Estado comunista foi fundado, em 1949, estão entrando em acordo. A pergunta que fazem é: "A que custo?" (Imagem: Reuters)

ESTE É MAIS UM daqueles assuntos dos quais preferiríamos não falar, mas a que nossa consciência nos obriga. Neste momento, a Igreja Católica corre um sério risco de ter gravemente solapada a sua autoridade espiritual e moral perante seus fiéis, mergulhando milhões de almas em confusão. Isto fatalmente acontecerá caso o Vaticano concretize o surreal acordo com o governo comunista chinês. A esse  respeito, alerta também um grupo de líderes católicos baseado em Hong Kong e formado por advogados, acadêmicos e ativistas dos direitos humanos.

Esses fiéis católicos assinaram uma carta aberta destinada aos bispos de todo o mundo, por meio da qual expressam a sua perplexidade, consternação e grave preocupação por esse acordo, segundo o qual o Vaticano reconheceria sete "bispos" nomeados pelo Partido Comunista da China para a sua falsa "igreja patriótica" – a qual, como é de conhecimento público, foi criada com o único intuito de afastar as almas daquele país da verdadeira Igreja Católica.

O acordo, que visa restaurar as relações entre China e Vaticano, cortadas há quase 70 anos, segundo muitos analistas, teólogos e pensadores católicos, poderia criar um novo cisma na igreja na China – com grande potencial para repercutir universalmente.

"Estamos preocupados com o fato de o acordo não apenas deixar de garantir a liberdade desejada pela [verdadeira] Igreja, mas também por representar um golpe ao poder moral da mesma Igreja", diz a carta. "Por favor, repensem o acordo atual e parem com um erro irreversível e lamentável".

A carta vem menos de duas semanas depois que um grande líder católico da Ásia acusou o Vaticano de "vender a Igreja" em seus esforços para entrar em acordo com o governo chinês. O cardeal  Joseph Zen, arcebispo emérito de Hong Kong, divulgou em carta de 29 de janeiro (2018), publicada pelo noticioso AsiaNews, alguns importantes esclarecimentos sobre os dramáticos e inacreditáveis desdobramentos da conjunção da política vaticana com a repressão religiosa comunista na China.

O prelado fez notar, em primeiro lugar, que de fato os representantes vaticanos querem obrigar a bispos legítimos a entregar suas dioceses aos bispos ilegítimos –, um deles excomungado –, todos eles "bonecos" do Partido Comunista.



O Cardeal Zen (foto) escreveu:

Reconheço que sou pessimista sobre a situação atual da Igreja na China, mas meu pessimismo se baseia na minha longa e direta experiência da Igreja na China. Tenho uma experiência direta da escravidão e humilhação a que estão submetidos nossos irmãos bispos. De acordo com as informações recentes, não há razão para mudar essa visão pessimista.

O governo comunista está produzindo novas e mais estritas regulações que restringem a liberdade religiosa. A partir de 1º de fevereiro de 2018, a Missa da comunidade 'clandestina' (isto é, legítima, fiel a Roma) não será mais tolerada. (...) Se eu penso que o Vaticano está vendendo a Igreja Católica na China? Sim, definitivamente, se continuar seguindo na mesma direção e com tudo o que vem fazendo nos últimos anos e meses.

(Asia News)

No mês passado, o Vaticano pediu a dois bispos "subterrâneos"  – que operam sem a aprovação do governo chinês, numa situação semelhante a dos bispos dos tempos das perseguições romanas – para renunciar em favor dos fantoches nomeados pelo governo comunista – um dos quais excomungado da Comunhão da Igreja em 2011(!).

Um deles, Guo Xijin, disse no fim de semana que obedecia "a decisão de Roma" e que respeitaria qualquer acordo entre as autoridades de Pequim e do Vaticano. Guo e o segundo bispo, Zhuang Jianjian, estão sob vigilância policial e Guo vem sendo repetidamente detido, inclusive por 20 dias no ano passado.


A situação atual e a propaganda

A questão das nomeações de bispos está no centro dos esforços para restabelecer as relações entre o Vaticano e a China, que foram separadas oficialmente após a fundação do Estado comunista em 1949.

Há entre 10 a 12 milhões de católicos na China, com cerca de metade adorando em igrejas subterrâneas e metade em igrejas geridas pelo governo. O governo chinês nomeou sete bispos, que não são reconhecidos por Roma. Até 40 bispos subterrâneos apoiados por Roma operam sem a aprovação do governo chinês.

As negociações para restaurar os laços entre os dois poderes começaram há mais de 18 meses, mas a questão dos bispos tem sido um obstáculo importante.

No ano passado, o presidente chinês, Xi Jinping, disse ao congresso do Partido Comunista que "as religiões na China devem ser orientadas pelos chineses", e que o governo deve "fornecer orientação ativa às religiões para que elas possam se adaptar à sociedade socialista".

Novos regulamentos entraram em vigor em 1 de fevereiro, especificando os tipos de organizações religiosas que podem existir, onde podem existir e as atividades que podem organizar.

Houve uma repressão às igrejas protestantes em expansão, sendo que muitas foram forçadas a remover as cruzes de seus templos e outras foram dissolvidas.

De acordo com a carta aberta dos líderes católicos citados no início desta, "o partido comunista na China, sob a liderança de Xi Jinping, destruiu repetidamente cruzes e igrejas, e a 'Associação Patriótica Católica da China', controlada pelo Estado, mantém um pesado controle sobre os católicos".

"A perseguição religiosa nunca parou. Xi também deixou claro que o partido fortalecerá seu controle sobre as religiões", prossegue a carta, e continua: "Não vemos nenhuma possibilidade de que o próximo acordo possa levar o governo chinês a cessar com a perseguição à Igreja e a parar suas violações da liberdade religiosa".

_____
Com informações do 'The Guardian' e 'National Catholic Register'

O pecado da preguiça


A PREGUIÇA É UM DOS principais obstáculos para o despertar da alma em direção a Deus. Ela se manifesta principalmente por três vias, ou em três maneiras bem típicas: há a preguiça do conforto, que nos faz querer permanecer estáticos, sempre no mesmo lugar, porque agir daria muito trabalho. A preguiça do coração, que acontece quando nos sentimos desencorajados e desestimulados por motivos diversos. Por fim, há a preguiça da amargura, que se dá quando nada mais nos importa e já não nos sentimos vivos. É como que um estado de morte em vida.

Como todo pecado capital, a preguiça leva a cair em outros pecados (saiba mais). Mas o que é que tem de mais aquela “preguicinha gostosa” –, perguntariam muitos –, como uma soneca num domingo à tarde ou entregar-se a um relaxar despreocupado num dia de folga, quando não temos nada de urgente para fazer? De fato, temos simpatia pela preguiça, tanto que quando se usa a palavra no Google nos vem à tela imagens de fofos gatinhos cochilando de barriga para cima ou simpáticos bichos-preguiça em sua cômica letargia. Mas, ora, não é esse tipo de preguiça que se enquadra na definição do pecado capital. 

O pecado é a preguiça espiritual, a inércia voluntária, a recusa em fazer aquilo que se sabe que se deve fazer. A pior e mais grave preguiça é a de cumprir a missão para a qual fomos chamados neste mundo. Você foi chamado por Deus, para vencer o mundo e se realizar n'Ele; você foi chamado a amar! Esta é a verdadeira vocação fundamental de todo cristão. Mas se você tende a achar que o amor dá muito trabalho, então amar ao próximo como a si mesmo, parece uma missão impossível. Sim, o amor é realmente difícil, dá trabalho, exige grande paciência. Isto assusta os fracos e, assim, surge a preguiça espiritual.

A desculpa mais comum dos preguiçosos é aquela do tipo: “Eu nasci assim, eu sou assim mesmo, esse é o meu jeito...”. E por esse caminho vai-se permanecendo na miséria, patinando sempre nas mesmas limitações, saindo do nada e chegando a lugar algum, dia após dia – tudo por pura preguiça espiritual. 

O grande pecado é a preguiça de se elevar do mundo, de ir além do lugar comum, avançar além da sua malfadada zona de conforto, para assumir integralmente a nossa maior vocação, que é a sublime Vocação do Amor de Deus. Precisamos verdadeiramente colocar em Deus nossas esperanças e dizer: “Vou assumir esta missão, vou iniciar de uma vez esta jornada, enfrentar todas as dificuldades para chegar aonde Deus me chama!”. Deixe de lado a preguiça de fazer a Vontade de Deus, este é o único meio para alcançar a real felicidade. Você não foi chamado para a miséria nem para se perder em maus caminhos. Você foi chamado para ser filho de Deus: é Ele quem o chama para realizar, neste mundo, a Obra extraordinária do Amor. A preguiça espiritual o impede de fazê-lo. Impede-o, portanto, de viver plenamente. 

Basta observar e você verá que o mundo de hoje vive na preguiça espiritual. O mundo diz: “Não adianta, nós somos humanos, somos assim mesmo, o mundo é assim mesmo, as pessoas são desse jeito, não adianta querer lutar por mudança”... Mas Cristo nos diz que precisamos lutar, sim. É preciso reagir, pois a preguiça nos arrasta para uma vida sem sentido, uma vida inútil. 

Podemos até praticar esportes, fazer uso de exercícios físicos, pois eles, em certo sentido, também facilitam o caminho para as boas e proveitosas práticas espirituais, já que nos dão mais ânimo e disposição.Você, que reencontrou a Igreja há pouco tempo, também pode ouvir, vez ou outra: “Você está exagerando, está se tornando um 'fanático'”... Veja, é a preguiça espiritual batendo à sua porta. 

Você começa a achar que tem que voltar à velha vida, ao seu modo de vida antigo... Mas, se o bom Deus assim quiser, aí já é tarde, porque algo muito importante (e maravilhoso) aconteceu na sua vida: você não consegue mais se alegrar no pecado, como antes, porque já foi atingido pelo Amor de Deus. 

O preguiçoso espiritual é este: não consegue achar felicidade no pecado, mas também não quer se elevar para Deus, porque não tem coragem de assumir uma mudança radical na sua vida. E assim vai permanecendo na miséria, mais ou menos como o filho pródigo que, sendo filho de um rei, quis viver a sua vida longe do pai e acabou sentindo inveja dos porcos, que pelo menos tinham sua lavagem para comer (Lucas 15, 11-24). 

Deixe de ser preguiçoso! Levante-se agora e tome o Caminho de volta para a Casa do Pai. E é claro que esse Caminho tem nome: Jesus Cristo!Conscientize-se de que viver em Deus é a melhor coisa que podemos fazer por nós mesmos nesta vida, por-que a Vontade de Deus é sempre o melhor para cada um de nós. Quantas vezes nos decepcionamos por pensar que ter liberdade é viver segundo os nossos impulsos naturais, fazer tudo o que queremos sem nos preocupar com Deus ou com o próximo? E achando que somos livres caímos em vícios, machucamos as pessoas que nos amam, perdemo-nos em sofrimentos e frustrações? 

Será que alguém tem preguiça de ir ao passeio, ao churrasco com amigos, ao futebol? Então por que a preguiça de ir à Missa? Por que preguiça de buscara Comunhão com Deus em todos os momentos da vida, se essa é a melhor coisa que pode existir neste mundo? Bom trabalho para todos.

** Assine a revista O FIEL CATÓLICO e tenha acesso a muito mais!
www.ofielcatolico.com.br

O pecado da luxúria


ALGUMAS PESSOAS VÊM confundindo o significado da palavra "luxúria". Por ignorância, imaginam que luxúria seria a qualidade de alguém que vive no luxo... O significado verdadeiro da palavra, porém, nada tem a ver com "luxo". Luxúria é a corrupção do próprio corpo, a lascívia, a sensualidade exacerbada; é uma tendência para o abuso do sexo.

Sexo saudável tem a ver com amor entre um casal, e tem a ver também com a reprodução humana, com levar adiante as gerações. Usar o sexo somente para diversão, como se fosse uma forma de lazer, fatalmente trará consequências negativas para a vida da pessoa e para as vidas dos seus próximos.

Quando a Igreja diz que devemos usar o sexo somente dentro do casamento, não é para reprimir nem privar ninguém da liberdade. Essa não é uma postura castradora contra o jovem, que quer descobrir as boas coisas da vida e desfrutar delas alegremente. O que a Igreja faz é nos ajudar a encontrar a verdadeira e perfeita liberdade, que foi prometida pelo Cristo. “Se o Filho do Homem vos libertar, sereis verdadeiramente livres” (João 8, 36).

Ser livre não é fazer tudo aquilo que queremos, do jeito que queremos e na hora em que quisermos. O problema é que nós somos ainda imperfeitos, e em muitos aspectos somos como crianças engatinhando, aprendendo a viver. Por isso, o Senhor diz: “Se não estiverdes em Mim, nada podereis fazer” (João 15, 5). Assim, tudo aquilo a que nos entregamos sem medidas, sem nos  educarmos, pode nos escravizar. Mesmo as coisas boas podem se transformar em vícios que nos privam da liberdade que Deus nos dá, e o sexo se inclui aí. Na realidade, a prática sexual desordenada tem um potencial tremendo para se tornar um dos piores vícios, escravizando-nos cruelmente. Se não for combatida, pode levar à animalização do ser humano, e muitos casos desse tipo foram relatados como alerta em testemunhos impressionantes, como é o caso de Joseph Sciambra, um ator pornográfico homossexual norte-americano que se converteu à Fé cristã católica. Em seu livro "Swallowed by Satan" ['Tragado por Satanás'], ele relata como Nosso Senhor o salvou "da pornografia, da homossexualidade e do ocultismo". Disponibilizamos a seguir um breve resumo da sua história, publicado no site do Padre Paulo Ricardo.


Pornografia: um capítulo à parte

Tudo começou no norte da Califórnia, onde Joseph nasceu, em 1969. Enquanto o movimento homossexual criava uma espécie de "bairro gay" no distrito de Castro, San Francisco, o rapaz crescia folheando revistas pornográficas desde a mais tenra idade. Embora fosse mandado para colégios católicos desde o jardim de infância, a educação liberal que recebia naqueles anos pós-Concílio Vaticano II não tinha nada a ver com a verdadeira fé da Igreja. Sciambra cresceu sem fé: sequer sabia quem era Jesus Cristo.

Nessa situação trágica, já viciado em pornografia, Joseph foi atrás de sexo mais "emocionante". À procura de descargas de dopamina cada vez maiores, passou a consumir material homossexual. Esse é, na verdade, um roteiro muito comum entre os dependentes de pornografia. Como o cérebro da pessoa vai ficando "dormente" aos conteúdos ditos "softcore" (pornografia mais leve), o adicto busca drogas cada vez mais pesadas: da mera nudez e sexo heterossexual, passa ao sexo contra a natureza, até as relações violentas e fetiches absolutamente monstruosos. Um abismo atrai outro abismo e coisas que são extremamente repugnantes para qualquer pessoa normal vão se tornando aceitáveis e até atraentes para o viciado.

Com 19, Joseph passa a frequentar o distrito de Castro. No convívio com um homem mais velho, que se torna seu amante e começa a filmar suas performances sexuais, ele entra mais e mais fundo no mundo da pornografia, agora como ator. Como, em suas palavras, o ser humano não é capaz de não acreditar em nada, Sciambra mergulha no ocultismo: do esoterismo new age, chega ao satanismo. Gravando cenas sexuais cada vez mais extremas e perigosas, porém, ele é acometido por sérios problemas médicos, até adoecer e, por fim, chegar à beira da morte. Em uma "experiência de quase-morte" (near-death experience), Joseph se vê às portas do Inferno, escoltado por dois demônios. Desesperado, ele afinal clama pelo auxílio de Deus. Assim, ganha uma nova oportunidade e volta à vida.

Depois desse acontecimento e de uma longa jornada de conversão, Sciambra refez o caminho rumo à Igreja Católica. Em seu apostolado na Internet, ele conta como "desceu aos infernos" e, agora, leva uma vida de fé e castidade. Hoje, o rapaz que passou boa parte de sua juventude à procura de parceiros sexuais tem, em São José, o seu modelo de pureza e masculinidade.

No vídeo intitulado "Dead Gay Porn Stars Memorial", abaixo, Joseph Sciambra faz memória de um grande número de atores pornográficos homossexuais vitimados pela AIDS, outros tantos que cometeram suicídio ou morreram de overdose de drogas.


Na internet há muitos outros vídeos semelhantes, revelando o fim terrível que têm muitas "estrelas pornô" e o segredo sujo por trás dessa indústria de moer carne humana. Pesquisas comprovam, por exemplo, que 75% dos atores pornográficos são dependentes químicos e 88% das imagens encenadas por eles são verbalização de violência. Também são conhecidas várias histórias de atrizes pornográficas que, tendo conseguido sair deste mundo – no qual eram tratadas realmente como animais –, trazem até hoje, no entanto, as lembranças dolorosas de seu passado. Os produtores desses filmes, preocupados apenas em ganhar dinheiro, contratam médicos que só querem saber de melhorar o desempenho sexual dos atores, enquanto sua saúde definha, muitas vezes até a morte.

Esse vídeo –, assim como outros, na mesma linha –, dão-nos ocasião para uma meditação. Ao olhar para aquelas faces jovens, de olhares tristes, como que mortos em vida, pergunte-se onde estão agora e em que estado de alma morreram. Ainda pior, todavia, pode ser o efeito causado nas vidas dos milhares que assistiram seus filmes. Quantas tragédias custaram apenas um clique? Um clique que ceifa vidas humanas, alimenta a cruel e impiedosa indústria pornográfica e, sobretudo, lança almas – de quem produz quanto as de quem consome – na perdição eterna.

Mesmo em vida, a pornografia deixa sequelas emocionais seríssimas, de modo que se pode dizer que ela realmente mata a capacidade humana de amar. Olhando para o homem, é possível notar algo que o distingue de todos os animais: a capacidade que tem de se contrariar. Os animais podem ser contrariados – quando, por exemplo, um macho deseja uma fêmea, mas outro, mais forte, o impede de acasalar –, mas não são capazes de se privar de alguma coisa isso voluntariamente, pelo bem do outro, como o homem é capaz.

Com o vício, essa capacidade humana fica tremendamente comprometida. A pessoa que vê pornografia e se masturba com frequência perde a própria força de vontade. Na medida em que cresce a dependência, pessoas chegam a se masturbar sem sequer sentir prazer. Como, para proteger o organismo, os receptores dos neurônios bloqueiam a passagem de dopamina, cada ato sexual é cada vez menos satisfatório. É por isto que, depois de cada ato, os jovens ficam extremamente nervosos: já que não conseguiram o prazer fácil que desejavam, irritam-se. Há vezes em que essa ira fica contida, transformando-se em uma espécie de tristeza – trata-se da acídia, sobre a qual falamos por aqui.

Fechadas em si mesmas e transformadas por uma visão completamente distorcida de sexualidade, as pessoas chegam a se tornar incapazes de uma relação sadia com o outro. O relacionamento conjugal é profundamente abalado. Aos esposos adictos se seguem esposas tristes e inseguras. As mulheres veem que não podem ter a beleza artificial e falsa das atrizes pornográficas. Muitos maridos, por sua vez, viciados na ilusão inventada pela indústria pornográfica, passam a sofrer de problemas como impotência e disfunção, porque também não se podem comparar aos verdadeiros garanhões humanos dos filmes.

A pornografia realmente mata o amor, desumaniza o ser humano. Que tenhamos, pois a coragem de assumi-la como a grave doença que é, e buscar a restauração.


Castidade e vida sexual saudável

O Sexto Mandamento de Deus trata dos pecados contra a castidade, que "significa a integração correta da sexualidade na pessoa e, com isso, a unidade interior do homem em seu ser corporal e espiritual" (CIC 2337). Ainda segundo o Catecismo, "todos os batizados são chamados a viver a castidade", cada um dentro do seu estado de vida, evidentemente. (CIC 2348)

O prazer sexual não é algo condenável, como muitos ainda imaginam, desde que seja vivido em harmonia com as suas finalidades: união e procriação. Isso quer dizer que aos casais, unidos em matrimônio e abertos à vida, é perfeitamente natural obter os prazeres oriundos da relação sexual. Somente quando o prazer sexual é dissociado de seu objetivo primeiro, sendo buscado como um fim em si mesmo, torna-se moralmente desordenado. A masturbação e a pornografia inserem-se nesse contexto. São, portanto, ofensas à castidade.

Já a masturbação é definida pelo Catecismo da Igreja como "a excitação voluntária dos órgãos genitais, a fim de conseguir um prazer venéreo. Na linha da Tradição constante, tanto o Magistério da Igreja quanto o senso moral dos fiéis afirmaram sem hesitação que a masturbação é um ato intrínseca e gravemente desordenado" (CIC 2352).


A consequência mais séria

Além de tudo, quando se usa e abusa do sexo indiscriminadamente, cedo ou tarde pode-se acabar gerando uma criança, e pior, provavelmente uma criança indesejada – e uma criança é para sempre. Justamente porque uma criança é para sempre, o relacionamento de duas pessoas que compartilham intimidades sexuais também deve ser para sempre. É simples assim. Afinal, toda criança tem o direito de ter um pai e uma mãe responsáveis. Por isso é que precisamos saber usar do sexo com uma pessoa que amemos profundamente, e com quem tenhamos intimidade, cumplicidade e estabilidade: nosso(a) esposo(a). "E serão os dois uma só carne; e assim já não serão dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem" (Mt 10, 8-9).

Vemos na sociedade humana global a família cada vez mais desagregada, e por quê? Em boa parte, justamente por causa do pecado da luxúria; por vermos o sexo como um tipo de lazer, um prazer individual, egoísta, uma diversão que serve para "desestressar" e que não exige responsabilidade nenhuma. Mas não foi assim que Deus planejou. Fato é que todas as vezes que vamos buscar sexo somente por prazer, voltamos um pouco piores do que fomos. Todas as vezes que uma pessoa faz sexo contra a estabilidade que deve ter, dentro da união matrimonial (que é a Vontade de Deus para nós), fica um sentimento depressivo de perda, de tristeza, de uma espécie de morte ou a sensação de que algo bom foi perdido, como um cristal que se quebra. Com o sexo gratuito cria-se uma ilusão, e a ilusão, claro, nunca corresponde às expectativas. Sempre se sai decepcionado, a alma vai se tornando a cada vez um pouco mais manchada. 


Vencer a Luxúria

Para vencer a luxúria –, o desregramento de procurar a felicidade no sexo –, só há um jeito: cair na realidade. E cair na realidade significa não se deixar usar e levar por ilusões. O estilo de sexo trazido pela pornografia é claramente falso, fantasioso, artificial. Deturpa a dignidade humana até as últimas consequências. Satanás é o pai da mentira e o maior inimigo da humanidade, e o que ele diz? “Entregue-se, faça sem medidas e você vai ser feliz!”; mas quando você o escuta e faz como ele diz, não fica feliz, não alcança a plenitude que desejava e imaginava, ao contrário: tudo que acontece é um afastar-se de Deus e um tornar-se cada vez mais dependente, depressivo, privado da liberdade, do domínio sobre o próprio corpo.

O principal órgão sexual do ser humano é o cérebro. Quanto mais nos entregamos à nossa imaginação, às fantasias desmedidas, mais nos perdemos, mais nos tornamos escravos dos nossos próprios desejos. Como sair desse triste estado mental?

Através do contato diário, concreto e amoroso com Deus é que conseguimos reverter essa situação, ir além dessa tendência que se parece com a lei da gravidade: sempre nos puxa para baixo. Reze diariamente, vá a Igreja com frequência, ocupe sua mente com as coisas santas, o serviço ao próximo (sua paróquia com certeza está precisando de voluntários para diversos trabalhos e pastorais)...

Ajude o seu cérebro a se livrar das ilusões, aproximando-se cada vez mais de Deus, que é a Verdade, e da sua Igreja: quando surgir um desejo ou um ímpeto para a luxúria, reze ou vá praticar um ato de caridade. Implore a Virgem Santíssima que o liberte, e também a São José, seu castíssimo esposo e nosso pai espiritual. Sem dúvida é mais fácil falar do que fazer, mas assim é que se liberta a alma do vício da luxúria.

** Assine a revista O FIEL CATÓLICO e tenha acesso a muito mais!

___
Ref.:
'A pornografia mata o amor, disp'. em:

https://padrepauloricardo.org/aulas/a-pornografia-mata-o-amor
Acesso 12/2/2018

www.ofielcatolico.com.br

Santificar o carnaval é possível – e as divinas beneficências aos que o fazem


Fidem posside cum amico in paupertate illius, ut et in bonis illius laeteris” [Guarda fé ao teu amigo na sua pobreza, para que também te alegres com ele nas suas riquezas]
(Ecclus. 22, 28)

Sumário

Para desagravar o Senhor ao menos um pouco dos ultrajes que lhe são feitos, os Santos aplicavam-se nestes dias do Carnaval, de modo especial, ao recolhimento, à oração, à penitência, e multiplicavam os atos de amor, de adoração e de louvor para com seu Bem-Amado. Procuremos imitar estes exemplos, e se mais não pudermos fazer, visitemos muitas vezes o Santíssimo Sacramento e fiquemos certos de que Jesus Cristo no-lo remunerará com as graças mais assinaladas.


* * * * * * * *

POR ESTE AMIGO, a quem o Espírito Santo nos exorta a sermos fiéis no tempo da sua pobreza, podemos entender Jesus Cristo, que especialmente nestes dias de Carnaval é deixado sozinho pelos homens ingratos e como que reduzido à extrema penúria. Se um só pecado, como dizem as Escrituras, já desonra a Deus, o injuria e o despreza, imagine-se quanto o divino Redentor deve ficar aflito neste tempo em que são cometidos milhares de pecados de toda a espécie, por toda a condição de pessoas e quiçá até mesmo por pessoas que lhe estão consagradas. Jesus Cristo não é mais suscetível de dor; mas, se ainda pudesse sofrer, havia de morrer nestes dias desgraçados e havia de morrer tantas vezes quantas são as ofensas que lhe são feitas.

Beato Henrique Suso
É por isso que os santos, afim de desagravarem o Senhor um pouco de tantos ultrajes, aplicavam-se no tempo de Carnaval, de modo especial, ao recolhimento, à penitência, à oração, e multiplicavam os atos de amor, de adoração e de louvor para com o seu Bem-Amado. No tempo de carnaval Santa Maria Madalena de Pazzi passava as noites inteiras diante do Santíssimo Sacramento, oferecendo a Deus o Sangue de Jesus Cristo pelos pobres pecadores. O Bem-aventurado Henrique Suso guardava um jejum rigoroso afim de expiar as intemperanças cometidas. São Carlos Borromeu castigava seu corpo com disciplinas e penitências extraordinárias. São Filipe Néri convocava o povo para visitar com ele os santuários e exercícios de devoção. O mesmo praticava São Francisco de Sales, que, não contente com a vida mais recolhida que então levava, pregava ainda na igreja diante de auditório numerosíssimo. Tendo o conhecimento de que algumas pessoas por ele dirigidas se relaxavam um pouco nos dias de carnaval, repreendia-as com brandura e exortava-as à Comunhão frequente.

Numa palavra, todos os santos, porque amaram a Jesus Cristo, esforçaram-se por santificar o mais possível o tempo de Carnaval. Meu irmão, se amas também este Redentor amabilíssimo, imita os Santos. Se não podes fazer mais, procura ao menos ficar, mais do que em outros tempos, na Presença de Jesus sacramentado, ou bem recolhido em tua casa, aos pés de Jesus crucificado, para chorar as muitas ofensas que lhe são feitas.

Ut et in bonis illius laeteris” [para que te alegres com ele nas suas riquezas. O meio para adquirires um tesouro imenso de méritos e obteres do Céu as graças mais assinaladas, é seres fiel a Jesus Cristo em sua pobreza e fazeres-lhe companhia neste tempo em que é mais abandonado pelo mundo: Fidem posside cum amico in paupertate illius, ut et in bonis illius laeteris. Oh, como Jesus agradece e retribui as orações e os obséquios que nestes dias de Carnaval lhes são oferecidos pelas almas suas prediletas!

Santa Gertrudes
Conta-se na vida de Santa Gertrudes que certa vez ela viu num êxtase o divino Redentor que ordenava ao Apóstolo São João que escrevesse com letras de ouro os atos de virtude feitos por ela no Carnaval, afim de a recompensar com graças especialíssimas. Foi exatamente neste mesmo tempo, enquanto Santa Catarina de Sena estava orando e chorando os pecados que se cometiam na “quinta-feira gorda”, que o Senhor a declarou sua esposa, em recompensa (como disse) dos obséquios praticados pela Santa no tempo de tantas ofensas.


Santa Catarina de Sena
Amabilíssimo Jesus, não é tanto para receber os vossos favores, como para fazer coisa agradável ao vosso divino Coração, que quero nestes dias unir-me às almas que vos amam, para vos desagravar da ingratidão dos homens para convosco; ingratidão essa que foi também a minha, cada vez que pequei. ― Em compensação de cada ofensa que recebeis, quero oferecer-vos todos os atos de virtude, todas as boas obras, que fizeram ou ainda farão todos os justos, que fez Maria Santíssima, e mesmo as que fizestes Vós mesmo quando estáveis nesta Terra. ― Entendo renovar esta minha intenção todas as vezes que nestes dias disser: ‘Meu Jesus, misericórdia!’[1]. ― Ó grande Mãe de Deus e minha Mãe Maria, apresentai vós este humilde ato de desagravo a vosso divino Filho, e por amor de seu sacratíssimo Coração obtende para a Igreja sacerdotes zelosos, que convertam grande número de pecadores.”

** Assine a revista O FIEL CATÓLICO e tenha acesso a muito mais!

______
1. Indulgência de 300 dias cada vez.
____
Fonte:
SANTO AFONSO DE LIGÓRIO. Meditações Para todos os dias e Festas do ano, tomo I.
www.ofielcatolico.com.br

Abuso na Missa pelo falecimento da ex-primeira dama: igreja é transformada em palanque político e a santa Missa torna-se comício petista

Por Padre Ricardo de Barros Marques


O corredor central da igreja foi forrado com bandeiras e cartazes de apologia a Lula e apoio ao PT. Graças a Deus, os tempos são outros: desta vez, muitos fiéis, constrangidos, indignaram-se e protestaram!

A PROVÍNCIA FRANCISCANA da Imaculada Conceição do Brasil pronunciou-se a respeito do abuso que foi cometido em uma Missa celebrada no sábado dia 3 de fevereiro último num convento da Ordem Franciscana no Rio de Janeiro quando instrumentalizaram a celebração sagrada, transformando-a numa espécie de comício do PT.

Era para ser simplesmente a Missa pelo aniversário de falecimento da esposa do condenado pela justiça, sr. Lula da Silva, mas virou ode ao partido, causando escândalo aos fiéis católicos.

O que ocorreu [graças ao Bom Deus!] foi reprovado pela Província. Na nota de esclarecimento percebe-se que houve a reação do Superior franciscano graças a pressão feita nas redes sociais.

Abaixo, a reprodução da nota pública assinada pelo Ministro Provincial dos franciscanos.


Clique para ver a imagem ampliada


Segundo o site O Antagonista, também o Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro, D. Orani Tempesta, reprovou o uso de solo sagrado para o que teria chamado de "evento partidário" (veja).

** Assine a revista O FIEL CATÓLICO e tenha acesso a muito mais!
www.ofielcatolico.com.br

Um balanço da época pós-conciliar (1985), pelo Cardeal Ratzinger – conclusão

O texto abaixo é a conclusão de uma análise do então Cardeal Joseph Ratzinger, publicado no livro 'Les principes de la théologie catholique - Esquisse et matériaux' (ed. Tequi, 2005) sobre as principais consequências do concílio Vaticano II para a história da Igreja, quando se havia passado uma década do seu encerramento. O texto, bastante interessante, é também revelador em certos aspectos. Rezamos a Deus para que seja útil aos nossos leitores.

Tradução do francês para O FIEL CATÓLICO por Roberto Leal Ferreira 



** Ler a primeira parte

Como se chegou à evolução pós-conciliar?

Para explicar os acontecimentos, vou tentar dar algumas indicações – só algumas.

Em primeiro lugar, cumpre tomar consciência de que a crise pós-conciliar da Igreja católica coincide com uma crise espiritual global da humanidade, pelo menos no mundo ocidental: não temos o direito de apresentar como produto do Concílio tudo o que abalou a Igreja nestes último anos.

A consciência humana não é só marcada por decisões voluntárias do indivíduo; é também formada, em boa medida, pelas condições exteriores, resultantes de fatores econômicos e políticos: a palavra de Jesus, segundo a qual é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus é uma referência a uma situação deste tipo, e é impossível não escutá-la. Darei um só exemplo, tirado de nossa própria história: o esboroamento da velha Europa durante a primeira guerra mundial modificou totalmente, de imediato, o panorama espiritual e, em especial, da teologia. O liberalismo antes reinante, produto de um mundo satisfeito e seguro de si, perdera de repente toda significação, enquanto seus grandes representantes ainda eram vivos e ensinavam. A juventude passou a seguir, não mais Harnack, mas Karl Barth: formava-se em meio aos problemas de um mundo transformado uma teologia inspirada estritamente na fé revelada e desejosa, mui conscientemente, de ser de Igreja.

O retorno da antiga prosperidade durante a década de 1960 foi acompanhada de uma reviravolta semelhante no pensamento. A nova riqueza e a má consciência que a acompanhava provocaram essa espantosa mescla de liberalismo e de dogmatismo marxista que todos conhecemos. É por isso que não temos o direito de exagerar a parte do Vaticano II na evolução mais recente; o mundo protestante também, sem Concílio, tem de superar uma crise semelhante, e os partidos políticos se veem obrigados a enfrentar fenômenos com as mesmas origens.

E, no entanto, em sentido inverso, o Concílio foi de fato um dos fatores que pertencem à evolução da história mundial. Quando uma realidade tão profundamente arraigada nas almas como a Igreja católica é abalada em suas fundações, o terremoto atinge a humanidade inteira.

Quais são, então, os fatores de crise que provêm do Concílio?

Acho que duas disposições desempenham aqui seu papel, tendo ganhado uma importância cada vez maior na consciência dos Padres conciliares, dos conselheiros e dos relatores do Concílio.

Compreendia-se a si mesmo o Concílio como um grande exame de consciência da Igreja Católica; queria, por fim, ser um ato de penitência, um ato de conversão. Isso fica claro nas confissões de culpa, no caráter apaixonado da autoacusação, que não se limitou aos grandes pontos nevrálgicos, como a Reforma e o processo de Galileu, mas se estendeu, na concepção da Igreja pecadora, até ao plano dos valores comuns e fundamentais. Chegaram a temer fosse triunfalismo tudo o que se assemelhasse a uma complacência na Igreja, nas conquistas do passado, no que se mantivera até nós. A essa torturadora poda do que é próprio da Igreja unia-se uma vontade quase angustiada de levar sistematicamente a sério todo o arsenal de acusações dirigidas contra a Igreja e de não desdenhar nenhuma delas. Isso acarretava, ao mesmo tempo, a inquieta preocupação com não ser culpado em relação ao outro, dele aprender todo o possível e não buscar e não ver nele senão o que é bom.

Tal radicalização da exigência bíblica fundamental da conversão e do amor do próximo levou à incerteza em relação à nossa própria identidade, que continua sendo questionada, e, mais especificamente, a uma atitude de ruptura em relação à nossa própria história, que apareceu como cheia de todos os vícios, de modo que um recomeço radical se impunha como uma obrigação urgente.

É aqui que se insere o segundo tema ao qual gostaria de chamar a atenção. Sobre o Concílio soprou algo da era Kennedy, algo do otimismo ingênuo do conceito de grande sociedade: podemos conseguir tudo, basta querermos empregar bem os meios adequados. A ruptura da consciência histórica, a renúncia masoquista ao passado introduziram a ideia de uma hora zero, em que tudo ia recomeçar de novo e, enfim, tudo seria bem feito no que até então fora mal feito. O sonho da libertação, o sonho do completamente diferente, que, pouco depois, ganharia um caráter cada vez mais assinalado na revolta dos estudantes, já reinava, de certo modo, sobre o Concílio. Foi ele que, primeiro, atraiu as pessoas e, depois, as decepcionou, assim como o público exame de consciência primeiro trouxe alívio e, depois, repugnância.

Para um psicólogo, esse processo do espírito conciliar constituiria um bom exemplo do modo como as virtudes, pelo exagero, se transformam em seu contrário. A penitência é uma necessidade para o indivíduo e para a sociedade. Mas a penitência cristã não significa a negação de si mesmo, mas a descoberta de si mesmo. Os velhos Atos dos mártires cristãos dizem com insistência que estes jamais tiveram nos lábios palavras de insulto contra a criação. Nisso, eles se distinguiam dos gnósticos, nos quais a penitência cristã se transformou em ódio contra o homem, ódio contra a vida pessoal, ódio contra a mesma realidade. A condição interior prévia da penitência é precisamente a aquiescência à realidade como tal. Exprime-se a sua inversão moderna, por exemplo, numa declaração do grande pintor Max Beckmann: « A minha religião é orgulho diante de Deus, revolta contra Deus. Revolta porque nos criou, porque não nos podemos amar. Em meus quadros, lanço contra Deus como uma censura pelo que fez mal ».

Vemos, aqui, algo de totalmente fundamental: a ruptura radical consigo mesmo, onde entramos em fúria contra nós mesmos, onde não mais podemos suportar a criação, nem em nós, nem nos outros; isso não é mais penitência, mas orgulho. Ali onde cessa o sim fundamental ao ser, à vida, a si mesmo, ali também desaparece a penitência, que então se transforma em orgulho. Pois a penitência pressupõe que é permitido ao homem aquiescer a si mesmo. É, por natureza, uma descoberta do sim, ao evacuar o que obnubila esse sim. É por isso que a autêntica penitência leva ao Evangelho, ou seja, à alegria - à alegria também que encontramos em nós mesmos. A forma de autoacusação a que se chegou no Concílio, em relação à nossa própria história, não compreendia suficientemente isso e levou a manifestações de caráter neurótico.

Que o Concílio tenha abandonado formas falsas de autoglorificação da Igreja na terra; que, no que se refere à história da Igreja, tenha suprimido a tendência a defender todo o passado e, portanto, uma forma errônea de autodefesa, tudo isso foi bom e necessário. Mas é absolutamente necessário suscitar de novo a alegria de possuir intacta, em sua realidade, a sociedade de fé que provém de Jesus Cristo. É necessário redescobrir a via de luz que é a história dos santos, a história desta realidade magnífica em que se exprime vitoriosamente, ao longo dos séculos, a alegria do Evangelho. Se alguém, ao lhe evocarem a Idade Média, só encontrar na memória a lembrança da inquisição, devemos perguntar-lhe onde estão seus olhos: será que tais catedrais, tais imagens da eternidade, cheias de luz e de tranquila dignidade, teriam podido surgir, se a fé fosse apenas uma tortura para os homens?

Em suma: é preciso recordar com clareza que a penitência exige, não a desintegração da identidade pessoal, mas a sua redescoberta. E quando começar a se afirmar uma atitude positiva em relação à história, então desaparecerá por si mesma a utopia que imagina que até hoje tudo foi mal feito e que doravante tudo será bem feito. Os limites do realizável foram-nos bem claramente expostos pela maneira como terminou a era Kennedy, e a pacificação espiritual que julgamos observar hoje vem necessariamente, por um lado, de termos reencontrado um melhor equilíbrio entre realizar e receber, entre o cálculo e a meditação.

** Assine a revista O FIEL CATÓLICO e tenha acesso a muito mais!
www.ofielcatolico.com.br

Receba O Fiel Católico em seu e-mail