Sobre o Papa e a questão da educação sexual

As célebres, polêmicas e tantas vezes temerárias "coletivas de avião" concedidas pelo papa Francisco costumam render assunto para alguns dias... Por um lado, a característica falta de cuidado do atual Sumo Pontífice ao escolher as palavras acabou por formar, inadvertidamente, um batalhão de bombeiros apagadores de incêndio que se apressam a vir "explicar" ao grande público "o que o Papa realmente quis dizer..."; por outro, há aqueles que aprenderam a permanecer sorrateiramente à espreita, esperando qualquer mínimo deslize do Santo Padre para provocar um grande estardalhaço. O bate-boca da vez envolve o fato de ter Francisco se posicionado a favor da educação sexual nas escolas. Reproduzimos aqui a opinião de nosso bom amigo Luiz Felipe Nanini, tornada pública nas redes sociais.



É IMPRESSIONANTE COMO o nível de má vontade na sociedade atual, tão bem refletida pelas redes sociais digitais, caminha a passos cada vez mais largos... 

Novamente, radicais de direita e esquerda brigam para ver qual dos dois tem mais dificuldade em interpretar um texto. Para os ditos "direitistas", o Papa estaria contrariando o atual governo e incentivando a degradação da sociedade; para os esquerdistas, o Papa está corroborando o seu velho discurso imoral e anticristão. Mas qualquer pessoa dotada do mínimo de honestidade intelectual e que saiba o básico sobre interpretação de texto percebe que nenhum dos dois discursos se sustenta. 

O que o Papa disse claramente, respondendo uma pergunta sobre a Igreja se "omitir" a respeito da educação sexual é que deve haver uma correta educação sexual, que mostre a sexualidade como o Dom de Deus que é, como algo santo e sublime, sem monopólio ideológico de espécie alguma. Desejável seria sempre uma educação sexual nos moldes da Teologia do Corpo de S. João Paulo II, que mostra a grandeza da relação sexual, do mistério que envolve a união do corpo e da alma dos esposos.

É preciso notar que estamos em uma sociedade onde a sexualização vem por todos os meios possíveis, desde a internet e TV até a conversa entre amigos, etc... É praticamente impossível privar a nossa juventude de um conhecimento precoce e na maior parte das vezes deturpado sobre sexualidade. Dessa forma, como realmente não é mais possível combater tla triste realidade, é necessário que haja uma correta educação sexual, justamente para sanar o problema da errada sexualização vindo de diversos meios. Nesse sentido, os pais, e eles não conseguindo, o seu subsidiários próximos, como a escola, deveriam ensinar a sexualidade em toda sua grandeza e sacralidade.

É claro que infelizmente vivemos em tempos de ideologização do ambiente escolar, então a proposta do Papa seria quase impossível de se realizar. Mesmo assim, continua uma proposta, principalmente a quem preze pela educação católica, que pode reverter aos poucos a onda de má sexualidade que vem engolindo a sociedade... Se a revolução sexual entrou principalmente por meio das escolas, a contrarrevolução encontra na Educação o campo mais fértil para poder reverter a degradação moral da sociedade.

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Encerramos com uma belíssima e modelar citação do mesmo Papa Francisco (na verdade um tapa nas faces de todos os ditos 'católicos de IBGE'), dita nessa mesma coletiva, mas que todavia não repercutiu em nossa Imprensa miserável e tão desonesta:

Sugeriria aos leigos: não diga que é ‘católico, se não dá testemunho. Em vez disso, você pode dizer: sou de educação católica, mas sou morno, sou mundano, peço desculpas, não me olhem como exemplo...”


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Padre Penido: uma biografia exclusiva de O FIEL CATÓLICO


Por Henrique Sebastião

É claro que a mensagem evangélica visa, além do intelecto, a pessoa toda, pois é esta que vive. Portanto, dependerá muito da atitude que cada pessoa adotará diante dessa vida nova, divina, que se lhe oferece, a aceitação ou a rejeição da Doutrina. A quem deseja a vida cristã, logo se lhe apresentarão argumentos justificativos da crença; a quem não a deseja, não convencerão os mais portentosos milagres, as mais sólidas razões. É a vida que leva à Verdade religiosa.[1]

CONSIDERADO POR MUITOS como o primeiro grande filósofo do Brasil, o padre Maurílio Teixeira-Leite Penido foi, certamente e no mínimo, um de seus mais competentes teólogos e o maior tomista brasileiro de todos os tempos.

Chegou a este mundo no dia 2 de novembro de 1895, no seio de duas famílias abastadas, uma de Juiz de Fora, MG, outra de Petrópolis, RJ, onde nasceu. Foi educado na Europa, onde foi morar com a mãe – em Paris, Roma e Suíça – de 1906 até 1921.

Obteve o Bacharelado em Letras pela Sorbonne, em 1913. Doutorou-se em Filosofia e Teologia pela Universidade de Friburgo (Suíça), onde mais tarde veio a lecionar. Foi ainda professor da Faculdade Nacional de Filosofia do Rio de Janeiro e do Seminário São José, também no Rio.

No campo da Teologia, adquiriu renome mundial por ter resgatado a importância do conceito de analogia na obra de Sto. Tomás de Aquino. Era comumente chamado “o Teólogo da Analogia”. Sua tese de doutorado em Teologia, "A Função da Analogia em Teologia Dogmática" (‘Le Rôle de l’Analogie en Théologie Dogmatique’), é considerada por muitos o que de melhor já se escreveu sobre o tema em todos os tempos. A maioria dos seus textos foram escritos originalmente em francês.

Penido tornou-se referência obrigatória em matéria de analogia para gerações de tomistas no mundo inteiro. Entre os que reconheceram a sua influência e se confessaram devedores das suas contribuições, estão Mandonnet, Maritain e Journet, entre outros.

Sua obra foi também citada como referência no assunto pelo grande Étienne Gilson. Seu livro sobre os Sacramentos, da celebrada série “Iniciação Teológica”, permanece o melhor já editado no Brasil sobre o tema. Outras obras primas de sua autoria são as de uma mesma coletânea, a saber: “O Mistério dos Sacramentos” (Petrópolis, 1954); “O Mistério da Igreja” (Petrópolis, 1952) e “O Mistério de Cristo” (São Paulo, 1968); estas permanecem referências obrigatórias em Eclesiologia e Cristologia, respectivamente, para todo aquele que pretende seriamente estudar a Teologia. Foi também um exímio teólogo da Mística. Seu principal estudo nesse sentido está consignado neste “O Itinerário Místico de São João da Cruz” (Petrópolis, 1949).

Padre Penido tornou-se logo um autor reconhecido no meio intelectual europeu, em especial no “entre deux guerres”[2]. De fato, até hoje seus escritos enriquecem o currículo do ensino da Filosofia de inúmeras universidades do Velho Mundo, como a de Louvain, Bélgica, e de Friburgo, na Suíça, onde Penido se doutorou e exerceu o magistério, de 1927 a 1938.

Um diferencial importante de sua obra são as ideias expostas de maneira clara, as assertivas lógicas e a comunicabilidade de proposições complexas de maneira fluida, em frases leves, mas sem prejuízo da profundidade do que comunicam. Seus textos não são rígidos, enfadonhos ou monótonos, ainda que trate de temas difíceis. Chega a acrescentar ao que escreve alguns toques de poesia e até certas notas de ironia, no que se aproximava de um dos seus referenciais, Machado de Assis.

De fácil compreensão, porém jamais raso; exaustivamente metódico no desenvolvimento dos temas que escolhia abordar, sabe-se que Padre Penido não publicava o que quer que fosse sem antes redigi-lo várias vezes – nunca menos de três, a julgar por seus manuscritos.

Quando, em 1938, o Cardeal Leme –, instado por Alceu de Amoroso Lima, um fiel admirador –, convidou Penido a organizar e ocupar a Cátedra de Filosofia da recém-fundada Universidade do Distrito Federal, o sacerdote transferiu-se para o Brasil, onde viveria por mais três décadas produzindo obras admiráveis, porém sem jamais ter se adaptado (graças a Deus!) ao lamentável gosto nacional pela superficialidade e pelo improviso.

O próprio Padre Penido ironizou, com fina maestria, essa sua peculiar qualidade:

Nota Baruzi como um dos traços fundamentais de São João da Cruz o horror à dispersão. É, infelizmente, o único ponto em que me assemelho ao Santo. [...] A irremediável logorreia de que sofrem os povos de cultura mediterrânea acumula comparações, amontoa epítetos, muitas vezes com arte, quase nunca com acribia[3]. É tão mais fácil deixar-se arrebatar pelo entusiasmo, em vez de averiguar, com minúcia, até que ponto cada vocábulo traduz a realidade objetiva. Afinal de contas, não passam de palavras, sons vazios, e tempo perdido. A acribia, ao contrário, é uma virtude. Horror ao vago, ao impreciso, esforço constante por atribuir o maior rigor possível à expressão; trabalho penoso e árido que não seduz a imaginação, menos ainda a afetividade; trabalho compensador, todavia, porquanto contribui a imunizar contra o erro, a penetrar a verdade.[4]

A paixão pela veracidade é a nota dominante em sua obra, acompanhada de uma peculiar segurança e atratividade muito própria. Saudando seu segundo livro, “Le Rôle de l’Analogie en théologie dogmatique” (Felix Alcan, Paris, 1931), Benoit Lavaud escreveu: “...É um raro mérito, cuja ausência muitas vezes deploramos em obras de resto excelentes e luminosas, saber unir, à segurança e à precisão, a elegância sóbria do estilo, e, quando necessário, um pouco de humor”[5].

Cinco anos mais tarde, Jacques Maritain acabava de consagrar o autor, cujo terceiro livro, “Dieu dans le Bergsonisme” (Desclée de Brouwer, Paris, 1936) não hesitava em considerar magistral, sem descuidar de louvar-lhe o estilo: “Com uma apresentação literária impecável e pura, o livro é daqueles que se lêem com apaixonado interesse”; ao que acrescentava Gustave Thibon: “...Se aproveitamos sem reservas a clareza das distinções e das sínteses operadas (é porque) o estilo está à altura do pensamento. Seu autor atingiu um grau de nitidez e de riqueza que poucos escritos filosóficos possuem” [6].

Não há como se exagerar na urgência de uma renovada atenção à riqueza e à profundidade de uma obra sem par entre nossos compatriotas, e em tantos aspectos pioneira. Obra que tanto honrou o nome de nosso país quanto enriqueceu as mais altas instâncias do saber, coisa tão escassamente cultivada entre nós nestes dias em que amargamos o lamentável resultado de anos de primazia dos métodos revolucionários.

Neste esboço de apresentação ao leitor daquele brasileiro que se constituiu em um marco do mais alto teor do nosso pensamento, limitamo-nos a informar (os que dela não se inteiraram ainda) de um fato capital para o desenvolvimento da Filosofia moderna, e certamente um dos mais eletrizantes duelos filosóficos no mundo europeu dos anos novecentos: o trabalho de crítica profunda e detalhada com que nosso conterrâneo, com dois livros e ensaios em revistas especializadas, efetivamente virou pelo avesso a crescente influência de um dos mais originais e celebrados filósofos do século XX, Henri Bergson.

Ao publicar o acima citado "Dieu dans le Bergsonisme", na efervescente Paris de 1936, Penido não imaginava que aquele seu terceiro livro instantaneamente faria dele uma celebridade europeia. Afinal, voltava a um velho assunto, abordava pela segunda vez o pensamento de um filósofo notável, verdadeira coqueluche já então por quase meio século. Fato por si só raríssimo, sua aguda tese para o doutorado de Filosofia em Friburgo, “La méthode intuitive de M. Bergson: un essai critique” (Felix Alcan, Paris, 1918) foi recebida na mais ilustre casa de saber da Europa com a classificação “Summa
cum Laude”.

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Encerramos esta biografia com o vivo e tocante depoimento do nosso querido Mons. Maurício Curi, Vigário Patriarcal na Eparquia da Igreja Católica Greco-Melquita no Cairo:

Quando fui, no ano 1960, para o Seminário São José do Rio Comprido, para cursar a Filosofia, lá vivia o Monsenhor Penido (era assim que o chamávamos). Ele já estava nos últimos anos de sua vida. Eu pouco sabia de seu itinerário teológico na Europa, mas o escolhi para ser meu confessor. Lembro-me bem do que fazia quando eu ia confessar-me: pegava o crucifixo que conservava em sua escrivaninha e o colocava diante de mim. Ainda o vi, em 1966, após a Teologia que cursei fora do Brasil, em Jerusalém, e o encontrei com a mente ainda perfeitamente lúcida e bom conselheiro como sempre. Nossa conversa (ele respondia datilografando à máquina, pois então não podia mais falar) foi sobre a virtude da pobreza e o sacerdote diocesano. Ano passado [2017], quando estive no Rio e me inteirei do fato de que alguns candidatos já estão com a Causa de Beatificação em marcha, perguntei ao meu interlocutor: 'e ninguém ainda pensou no Monsenhor Penido?'. E essa pessoa, altamente colocada na Hierarquia, respondeu-me, um tanto surpreso com a minha interrogação: 'Já se pensou, sim, e parece que é uma Academia de Filosofia que está cogitando propor o seu nome'...
Monsenhor Maurício Curi


• Biografia produzida para a obra 'Itinerário Místico de São João da Cruz' para a editora Molokai (São Paulo, 2019)

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1. PENIDO. Iniciação Teológica I, o Mistério da Igreja, Petrópolis: Vozes, 2ªed., 1956, p.22.
2. O período entre as duas grandes guerras mundiais, que vai de novembro 1918 a setembro de 1939.
3. Atenção e escrúpulo na pesquisa, crítica e documentação de uma obra. Estilo preciso e rigoroso; escolha minuciosa de palavras.
4. TOLENTINO, Bruno. Padre Maurílio Teixeira-Leite Penido: palavras precisas, para penetrar a verdade. Núcleo de Fé e Cultura da Pontifícia Universidade de São Paulo, seção Fé e Razão, disp. em:
https://pucsp.br/fecultura/textos/fe_razao/17_padre_maurideo.html
Acesso 24/11/2018
5. Idem.
6. Ibidem para ambas as citações.

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Referência:
1. TOLENTINO, Bruno. Op. cit.
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A santidade necessária aos sacerdotes

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Pelo Bem-Aventurado Arcebispo Fulton Sheen

A VIDA MORAL E espiritual do sacerdote relaciona-se de duas maneiras com o Corpo Místico de Cristo. 1) Sua santidade ajuda a santificar os fiéis. 2) A santidade da comunidade cristã, por sua vez, ajuda a santificá-lo[1].

Na Última Ceia, Nosso Senhor deu a seus sacerdotes uma razão convincente para que fossem santos, dando-se a Si mesmo como exemplo: "Eu me consagro a Mim mesmo por eles, para que também eles sejam consagrados por meio da verdade. Não é só por eles que Eu rezo; rezo por aqueles que encontrarão a fé em Mim, mediante as palavras deles" (Jo 17,19.20).

Santificou-se Ele não só para Si mesmo, mas também por eles. Eles, por sua vez, haviam de se santificar pela Igreja, Corpo de Cristo, e por todos os crentes futuros. A espiritualidade começa por cima, não por baixo. O espelho reflete a luz do sol, mas não a cria. A santidade é uma pirâmide: como suave bálsamo derramado sobre a cabeça, que escorre pelas faces; bálsamo que escorreu pelas barbas de Aarão e chegou até a orla de sua roupa (Sl 132,2).

Deus é Santo; essa santidade vem à Terra em Cristo. Ele confere sua santidade a seus sacerdotes, com a colaboração destes; eles, na medida em que a aceitam, contribuem para santificar o povo. O povo não dá ao sacerdote os poderes especiais de santificação que ele tem: Nosso Senhor é que lhe deu esses poderes, e lhes deu para permitir que o sacerdote santificasse o povo. Do alto da montanha, onde se comunga com Deus, desce a santidade. Assim, Moisés, depois de ter com Deus, desceu de novo até o povo e o livrou da impureza (Ex 19,14).

Pelo bem da Igreja, Nosso Senhor veio ao mundo e (como diz Ele) santificou-se a Si si mesmo. Mas o que significa exatamente essa expressão? Como alguém pode consagrar-se a si mesmo? Pôde Aarão consagrar-se a si mesmo? Posso consagrar-me? Ele, porém, Cristo, pôde consagrar-se a Si si mesmo, pois é o “Sumo Sacerdote, agora, eternamente, com o sacerdócio de Melquisedec” (Heb 6,20). Pode santificar-se, por ser ao mesmo tempo Sacerdote e Vítima: "Ordenai vossas vidas na caridade, tendo como modelo essa caridade que Cristo nos mostrou quando se entregou por nós, um sacrifício em odor de suavidade, como oferenda a Deus" (Ef 5,2).

No uso bíblico, dedicar ou santificar significava pôr de parte como oferta a Deus, como sacrifício. "Separarás para o Senhor teu Deus todos os primogênitos de tuas vacas e de tuas ovelhas" (Dt 15,19). "Não há resgate do primogênito do boi, nem da ovelha; eles são separados para o SENHOR" (Nm 18,17).

Todos os sacrifícios do Velho Testamento eram "santos"/santificados (especialmente separados; postos à parte) para o SENHOR como “primogênitos” (Lc 2,7). Na Sexta-Feira Santa, a própria santificação do Cristo, como afirmou Ele na noite anterior, era a causa meritória da santificação de seus sacerdotes e de seu povo. São Paulo compreendeu isso com clareza ao dizer: "Cristo mostrou amor à Igreja quando Se se entregou por ela, purificando-a".


O 'Pai Nosso' do Sumo Sacerdote

A partir do que vimos, fica claro que Nosso Senhor se fez “sacro” ou “sacerdotal” ou “santo”[2] para o nosso bem. Para reproduzir essa santidade em nós, sacerdotes, é necessária ajuda do Céu. Na noite da Última Ceia, Jesus falou ao Pai Celeste por nós, dizendo o seu próprio Pater Noster. Antes, Ele o dissera aos Apóstolos, quando lhe perguntaram como deviam rezar "Quando rezais, deveis dizer, 'Pai  nosso...' (Lc 11,2).

Nosso Senhor nunca disse “Pai Nosso” – d’Ele e de nós juntos – mas sim “Meu Pai” e “Vosso Pai”, porque Ele é Filho Natural; nós somos filhos adotivos. Sua oração sacerdotal da noite da Quinta-Feira Santa, como a oração que dera aos Apóstolos anteriormente, continha sete pedidos. O primeiro “Pai Nosso” era para todos, mas este “Pai Nosso” é só para o sacerdote. Ele resume as virtudes que distinguem o sacerdote.

1. Perseverança: “Santo Pai, guarda-os em Teu teu nome” (Jo 17,11).

2. Alegria: “Que a minha Alegria seja deles e alcance neles a plenitude” (Jo 17,13).

3. Libertação do mal: “Que os guardes do que é mau” (Jo 17,15).

4. Santidade por meio do sacrifício: “Santifica-os na Verdade” (Jo 17,17).

5. Unidade: “Para que eles sejam, todos, um só; para que também eles sejam um só em Nós, como Tu, Pai, és em Mim, e Eu em Ti” (Jo 17,21).

6. Viver constantemente na companhia de Cristo: “Pai, meu desejo é que todos aqueles que me confiaste possam estar comigo onde Eu estou” (Jo 17,24).

7. O vislumbre da Glória do Céu: “Para verem a minha Glória” (Jo 17,24).


Quantas vezes soa a nota de alegria, e glória e felicidade! E tudo é condicionado por estar “com Ele”; era este o seu propósito ao escolhê-los como seus sacerdotes. Mas, antes de oferecer essa prece, Ele nos disse que jamais estaríamos imunes à provação. A vitória, porém, é certa. Já vencemos! "No mundo, encontrareis tribulação; mas tende coragem, Eu venci o mundo!" (Jo 16,33).


O que implica a santidade

Nosso Senhor santificou-se por nós, e isso – como foi indicado – implicava sacrifício. Ele se imolou, exatamente como era imolado tudo o que se dedicava ao Senhor no Velho Testamento.

Tal pastor, tal ovelha; tal sacerdote, tal povo. A liderança do Sacerdote-Vítima gera uma Igreja santa. O que os sacerdotes são na paróquia, na diocese e na nação, assim também serão os fiéis. Assim como a multidão recebeu o pão em Cafarnaum, por intermédio dos discípulos, assim também os fiéis recebem a santificação de Cristo mediante a nossa santificação [dos padres]. Ao ver atingida essa meta, a última expressão da alma sacerdotal de Nosso Senhor foi: “Está consumado” (Jo 19,30). As dezenas de milhares de cordeiros que derramaram seu sangue como tipos já não eram necessários. O Cordeiro de Deus imolara-se a Si mesmo. Todo sacerdote deve operar um ato semelhante de autossacrifício, e então passar seus frutos a todo o povo: Fazei isso em memória de mim (conf. Lc 22,19).

A coisa que Cristo especificamente ordenou que cada sacerdote repetisse e renovasse era o símbolo sacramental de sua Morte. A vivência dessa morte é a santificação.

Mas por que deve a Cruz ser tomada todos os dias? Porque há um valor de resgate para cada alma. Algumas custam caro. Exigem grande sacrifício. Não que Cristo recuse a sua Misericórdia, mas Ele quis dispensá-la por nossas mãos. E a menos que as mãos do sacerdote estejam feridas, a misericórdia de Cristo não passa tão facilmente a elas. A mundanidade retém as bênçãos, o poder, a cura, a influência.

A Igreja não causa impressão no mundo enquanto os de fora a virem veem apenas como uma “seita” ou uma “organização” ou “uma das grandes religiões”. Nosso Senhor causou seu impacto pela Cruz (Jo 12,32). Cristo ferido redimiu; e só uma Igreja ferida pode efetivamente aplicar tal redenção. Quando a Igreja progride, onde as conversões são numerosas, lá Cristo é de novo pobre, de novo cansado das jornadas missionárias, mais uma vez vítima em seus santos sacerdotes.

Cada sacerdote mundano trava o crescimento da Igreja; cada santo sacerdote o promove. Ah, se todos os sacerdotes soubessem como sua santidade torna santa a Igreja, e como a Igreja começa a declinar quando o nível de santidade entre os sacerdotes cai abaixo do nível de santidade do povo!


Cristãos santos garantem santos sacerdotes

A santidade desce à Igreja vinda de Deus Santíssimo, por meio de Cristo, seus bispos e seus sacerdotes, para a comunidade inteira, que é o Corpo Místico. Há, porém, ao mesmo tempo, um movimento ascendente de santidade que vai da comunidade cristã a Deus Santíssimo. Isso vale, sobretudo, para as vocações ao sacerdócio e à vida religiosa.

Não há sacerdote que não inste os fiéis a rezar por vocações. Mas muitas vezes as frases são formais. Diz aquilo porque tinha que dizer, porque é o que se esperava dele. Na mente de alguns padres, essas palavras são apenas parte dos avisos, lado a lado com o bingo paroquial ou a festa do final de semana para arrecadar fundos.

Essas outras atividades tem o seu valor, é claro. Elas também fomentam a vida cristã e, portanto, estimulam vocações. Mas será que podemos colocá-las na mesma categoria que a oração? Dentre as centenas de maneiras possíveis de fomentar vocações, a oração foi a única que Nosso Senhor especificou: "Abundante é a messe", disse-lhes Ele, "mas são poucos os operários; deveis pedir ao Senhor a que pertence a messe que envie operários para a ceifa" (Lc 10,2).

O que provocou tais palavras? Diz Lucas que Cristo as pronunciou quando escolhia setenta e dois discípulos (Lc 10,1). Mateus descreve com mais minúcia a situação. Foi depois de uma longa jornada, observou ele, e o Coração do Senhor estava cheio de compaixão pelas massas famintas de conhecimento do Céu, mas que não sabiam onde ir buscar aquilo de que careciam:

E olhando para aquelas multidões, compadeceu-se delas, vendo-as cansadas e quebrantadas, como ovelhas sem pastor. Disse, então, aos discípulos: 'Abundante é a messe', mas são poucos os operários; deveis pedir ao Senhor a que pertence a messe que envie operários para a ceifa.
(Mt 9, 36-38)

Não só os que já estão na Igreja, mas também os que estão fora dela o fazem ansiar por operários, para que o trigo abundante não apodreça nos campos. Sua compaixão pela multidão era dupla. Porque estavam famintos, Ele milagrosamente alimentou cinco mil. Porque suas almas sofriam, ovelhas sem pastor, Ele se compadeceu.

Há milhões de almas sem o Alimento da Eucaristia, sem a cura da Penitência, vivendo em casas construídas na areia, porque não conhecem a Rocha. Nelas o sacerdote deve ver o que Nosso Senhor via quando olhava as multidões: o perigo da perdição eterna! Eis aqui incontáveis acres maduros para a ceifa, mas como são poucos os operários para a messe!

Por outro lado, apresentar candidatos à Ordenação sem o devido discernimento é correr o risco de ser responsabilizado pelas subsequentes falhas daqueles que decepcionam o Sumo Sacerdote. O sacerdote deve, portanto, evitar os métodos do mundo ao promover vocações. É possível conquistar clientes nos negócios por meio de técnicas publicitárias, mas as vocações exigem uma abordagem diferente. Podemos nunca ser muitos, podemos nunca ser sábios aos olhos do mundo, mas tudo o que fizermos deve ser feito através da "loucura da Cruz".

"Considerai, irmãos, as circunstâncias de vossa vocação; não muitos de vós sois sábios à maneira do mundo, nem muitos poderosos, nem muitos nobres. [...] nenhum ser humano tem razão de se gabar na Presença de Deus." (1 Cor 1,26.29)


Valor das orações para as vocações na família

Cada família é uma igreja dentro de uma igreja dentro da Igreja. “Saúda os irmãos de Laodiceia, e também a Ninfas, com a igreja que tem em sua casa” (Cl 4,15). O exemplo clássico das orações de uma mãe por uma vocação é Ana. Ana era estéril. “Por que lhe negara Deus a maternidade?” (1 Rs 1,5). Prometeu ela a Deus que, se Ele lhe enviasse um filho, ela o consagraria a Deus como sacerdote. Em oração, três vezes ela humildemente se chamou de serva do Senhor (1 Rs 1,11). O Magnificat remete à prece de Ana.

O ponto fulcral da história é que a vocação vem através da oração, muitas vezes de uma mãe, mesmo quando tudo parece inútil. Em uma pesquisa de um grupo de seminaristas, três de cada quatro indicaram que suas mães foram uma grande inspiração no desenvolvimento de suas vocações. Já São Paulo notara a influência da mãe e da avó no fomento da vocação de Timóteo. "Essa fé habitou em tua avó Loide e em tua mãe Eunice, antes de ti; estou convencido de que ela habita também em ti (2 Tm 1,5). Louva São Paulo a fé desse jovem sacerdote e encontra a causa instrumental num piedoso pano de fundo familiar. A terceira geração dessa família fiel é que trouxe o fruto de uma vocação.

Assim também as célebres mães de Agostinho, Crisóstomo e Basílio e, como a mãe de muitos sacerdotes hoje, sua fé sincera e autêntica produziu um legado para a Igreja. Disse certa vez Lord Shaftesbury: “Dai-me uma geração de mães cristãs, e eu mudarei a face da Terra em doze meses”.

A decadência dos lares é muitas vezes acusada pelo número escasso de vocações em nossos tempos. Embora isso seja verdade, não vos esqueçais dos lares cristãos! É muito fácil tornarmo-nos como Elias ao lamentar a corrupção de Israel.

"Vede como os filhos de Israel esqueceram a tua aliança, derrubaram teus altares e passaram teus profetas ao fio da espada! Deles, só eu permaneço, e agora também a minha vida está perdida" (3 Rs 19,14). Disse-lhe o Senhor, porém, que ele fora mais fiel do que suspeitava: "No entanto, Eu Me me reservarei sete mil homens em todo Israel; joelhos que jamais se dobraram a Baal" (1 Cr 19,18).

Há muita coisa boa, basta procurar. O que disse Pascal se aplica igualmente às vocações e às conversões: “Há só dois tipos de homens que podem ser chamados racionais – aqueles que servem a Deus de todo coração, porque o conhecem, e aqueles que o procuram de todo coração, porque não o o conhecem”.  É fácil ser severo com os outros. Quando Tiago e João sugeriram a Cristo que punisse os samaritanos que não o recebessem, receberam esta réplica: "O Filho do Homem veio para salvar a vida dos homens, não para destruí-las" (Lc 9,55).

São poucos os sacerdotes cujo nível do serviço que prestam a seus rebanhos seja tal que mereça o tributo pago pelos gálatas a São Paulo, quando o descreveram “como o anjo de Deus, como Cristo Jesus” (Gl 4,14); mas a cada momento está presente, para todo sacerdote, a oportunidade de sentir a própria grandeza e a própria pequenez, o próprio poder e a própria nulidade.

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1. Jesus Cristo, sendo Deus, evidentemente é Santo em Si mesmo desde sempre. O texto se refere à missão própria assumida por Nosso Senhor, justamente a de tornar-se humano para ser nossa salvação – e também nosso modelo. O Cristo é plenamente Deus e, para a nossa salvação, fez-se plenamente homem. Como homem, também Ele submeteu-se humanamente a todas as nossas dores e fraquezas: foi tentado como todos nós e também precisou santificar a sua vida, assim como deve fazer todo ser humano que queira ganhar o Céu.

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SHEEN, John Fulton. O sacerdote não se pertence, São Paulo: Molokai, 2018, cap. 4.
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Uma reflexão do grande Padre Faber para hoje


Quanto às consequências da tristeza, elas são terríveis. Não há nada que dê ao diabo tanto poder sobre nós: até mesmo o pecado mortal frequentemente serve muito menos aos interesses do inferno. A tristeza entorpece o efeito dos sacramentos e destrói sua influência benfazeja; torna amargo o que é doce e converte os remédios da vida espiritual em veneno. Sob sua ação deletéria, nos tornamos tão delicados que somos incapazes de sofrer e trememos diante do simples pensar em uma mortificação corporal. A coragem, que nos é tão necessária para crescer na santidade, apressa-se em sair de nós, como a água que escoa de um vaso poroso, e nos tornamos tímidos e passivos quando deveríamos estar em plena atividade e ardor. A visão de Deus está velada à nossa alma, e a cada dia em que esse acesso de tristeza se prolonga, vemo-nos afundar mais e mais no abismo e descer tão baixo que daí em diante nenhum consolo razoável poderá nos alcançar. Não importa quão forte seja essa expressão, não exageramos em dizer que a tristeza espiritual é uma tendência para o estado de Caim e de Judas[1]. [...] Mas como podemos vencer as tentações? É necessário ter bom humor, sempre bom humor.[2]

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1. FABER, Frederick William, Padre. Progrès de l'âme dans la vie spirituelle, t. I, cap. XIV, Petrópolis: Vozes,1956, pp. 286-287, in LANDRIOT, Jean-François-Anne, Arcebispo de Reims, França. 'A mulher piedosa, Rio de Janeiro: Caritatem, 2019, pp. 112 (nota 18).
2. Idem, T. II, cap. XVI, p. 69.

Padre Faber, sacerdote católico inglês da Congregação do Oratório, convertido do anglicanismo por influência do Cardeal Newman e do Movimento de Oxford, foi um notável teólogo que influenciou algumas das mentes mais brilhantes de sua época e um vigoroso autor de livros e ensaios, além de profícuo compositor de hinos sacros.

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Há um novo bispo para a FSSPX. Com a aprovação de Francisco.


ORDENADO BISPO PELAS mãos do Santo Padre o Papa Bento XVI, aos 6 de julho do ano do Senhor 2007, um dia antes de o Sumo Pontífice liberar oficialmente a liturgia tradicional da Missa, Dom Vitus Huonder escolheu para seu episcopado o lema Instaurare omnia in Christo – o mesmo de São Pio X. 

Juntamente com Dom Athanasius Schneider –, esse valoroso cruzado dos nossos tempos –, Dom Huonder tornou-se um dos principais intermediários entre a Cúria Romana e a FSSPX. Agora foi confirmado que ele será mais um dos bispos da Fraternidade. Mais uma prova de que, apesar das tempestades, a barca de São Pedro pertence a Cristo, que a protege apesar de todos os pesares. 

Apenas algumas semanas atrás, o portal católico Rorate Caeli publicou uma análise dos movimentos do Papa Francisco em relação à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX ), em um artigo intitulado "The Vatican and the SSPX – Prospects for 2019" ('O Vaticano e a FSSPX – Perspectivas para 2019').

Nesse texto, Côme de Prévigny revelava que o Papa e a FSSPX vinham trabalhando para a concretização da regularização total da Fraternidade, ainda que "por partes". Juntamente com a abolição da Comissão Pontifícia Ecclesia Dei, assinada em 17 de janeiro, e que também sinaliza um caminho de regularização da FSSPX, outra notícia datada do mesmo dia (veiculada pela revista francesa 'Monde & Vie' de 17 de janeiro de 2019, n.965, p.19) também ajudou a esclarecer o que está acontecendo. Segue abaixo um resumo.


Um novo bispo para a FSSPX

Já faz vários meses que Dom Vitus Huonder, bispo de Chur (Suíça), indicou sua vontade de viver a sua aposentadoria com a Fraternidade São Pio X. Agora, seu desejo foi oficializado. Dom Huonder, considerado um conservador, não é apenas amigo da FSSPX, mas também é próximo do Papa Francisco – que recusou sua renúncia em 2017 [veja a postagem do Rorate da época].

Em outras palavras, pode-se viver a aposentadoria na FSSPX como em qualquer outra congregação religiosa regular e plenamente católica. De acordo com as informações veiculadas pelo portal, Dom Huonder viveria sua aposentadoria em uma escola mantida pela Fraternidade na Suíça. Em suma, temos aqui um exemplo do "estatuto por partas" do qual já desfruta a Fraternidade. E com a benção de Francisco, o "Papa das periferias": aí está uma evidência incontestável da regularização da FSSPX.

Dom Huonder tem 76 anos e sua diocese é a da maior cidade da Suíça, Zurique; suas opiniões conservadoras não são muito populares entre os membros mais influentes do seu rebanho.

Que Cristo Rei do Universo conduza mais esse prelado na missão de salvaguardar a Fé da Igreja!

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Fonte:
Rorate Caeli, em
https://rorate-caeli.blogspot.com/2019/01/papally-approved-unexpectedly-new.html
Acesso 21/1/2019

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A graça de praticar a caridade

RECEBEMOS DE NOSSO leitor Felipe Wagner – em resposta ao nosso pedido – um singelo porém cativante depoimento, que em sua simplicidade revela algo importante sobre a fé cristã católica e os modos como Deus atende mesmo aos nossos menores pedidos, quando são da sua Vontade. Segue:



Próximo do fim do ano de 2018, estava eu rezando um Terço pedindo para Deus me conceder a graça de fazer mais caridade. E pelo poder da oração no mesmo dia fui atendido. Orei em casa e depois fui fazer meus afazeres e, ao sair de casa à pé, encontrei um senhor embriagado dormindo próximo a um poste. Para piorar, estava chuviscando e o senhor vestia apenas uma bermuda e uma camiseta; com a chuva caindo em cima dele, sua pele encontrava-se arroxeada naquele instante. 

Eu, como pecador, tive a infelicidade de passar por cima dessa pessoa, porém com a bondade de Deus, quando olhei para trás havia já um outro senhor que cutucava o cidadão embriagado com um guarda chuva, fato que eu achei engraçado e me deu força para voltar atrás e ajudar.

Fim da história: o senhor do guarda-chuva me deixou sozinho com a pessoa que dormia no chão, e eu consegui acordá-lo, tirá-lo da chuva, cobri-lo com um cobertor e alimentá-lo com uma bebida quente. Então, sim aquele dia eu agradeci a Deus por ter me dado mais uma chance, pois Ele já sabia que eu passaria reto na primeira vez. Essa minha experiência, por mais simples que pareça, mostra o poder da nossa oração e mostra que só Deus é Bom. Sejamos Bons com Ele. Salve Maria!

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Da queda do Homem, da natureza humana e da misericórdia infinita de Deus


O TEXTO A SEGUIR, uma livre adaptação do capítulo I da obra "This Tremendous Lover", de Dom Eugene Boylan, OCR (1904-1964) aborda questões teológicas fundamentais com base na interpretação clássica (literal) das narrativas do AT, notadamente do relato da Criação do Livro do Gênesis. Atualmente, a quase totalidade dos teólogos, em consonância com o Magistério da Igreja, admitem a interpretação dos personagens Adão e Eva como a personificação analógica da humanidade primitiva, já que o próprio estudo da filologia demonstra que "Adão" e "Eva" não são necessariamente nomes próprios de pessoas históricas. 

Sem abrir mão da fé primordial de que fomos criados por Deus e pela Vontade divina –, tenha sido ou não a partir da criação de um casal primordial –, a Igreja deixa para a pesquisa científica as investigações das realidades pré-históricas. O Livro do Gênesis, evidentemente, usa de linguagem figurada ou parabólica em diversos trechos para nos revelar verdades espirituais muitíssimo mais profundas do que a mera narrativa literal de acontecimentos primais. Deus pode ter criado o ser humano, homem e mulher, servindo-se da evolução da matéria até chegar ao grau de complexidade dos organismos humanos –, o que, aliás, concorda com a ordem do surgimento dos seres vivos dada pela Bíblia –, e isso em nada diminui a fé cristã ou a infalibilidade da Bíblia Sagrada.


* * *

“No princípio”, diz-nos S. João, “era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus” (Jo 1,1). Todas as coisas começaram com Deus que, Ele próprio, não tem princípio, pois existe desde sempre.

Nossa vida neste mundo é limitada em muitos sentidos, e também nós só podemos compreendê-la, em suas diversas dimensões, muito imperfeitamente, pois ela nos chega pouco a pouco, um dia de cada vez, sucessivamente, e não toda de uma vez. Temos de esperar que a um momento se suceda outro momento, assim como as contas do Rosário que passam através dos dedos das pessoas devotas.
Mas a vida de Deus é ilimitada em todo sentido; Ele a possui toda, de uma vez, ontem hoje e amanhã como uma só coisa completa, perfeita, finalizada. O Ser supremo existe por Si mesmo, é infinito sob todos os aspectos, infinitamente "feliz", pleno e completamente suficiente a Si mesmo. Nem podemos julgar que Ele se sinta só, pois, além de em Deus existir a Trindade de Pessoas divinas, n'Ele repousa e tem seu início e seu fim toda a diversidade de vida que conhecemos e que não conhecemos.

No conhecimento humano, podemos distinguir um entendimento que conhece, um objeto que é conhecido e uma ideia que representa, na mente, o objeto conhecido. Existe sempre, porém, uma grande diferença entre a ideia e o objeto a que ela corresponde. No conhecimento divino, todavia, há a perfeição. Deus conhece-se a Si mesmo, e seu conhecimento é tão perfeito que corresponde exatamente ao objeto conhecido. A Ideia, ou o “Verbo”, como diz S. João, que Deus tem de Si mesmo é tão perfeita que é o próprio Deus: a segunda Pessoa da Santíssima Trindade; o Verbo é Deus. Não há “dois deuses”, mas há duas Pessoas em um só e único Deus, o Conhecedor e o Conhecimento: o Pai e o Filho. Estes Dois são Um só Deus.

Em Deus existe também Vontade e Entendimento, e Deus se ama de acordo com o seu conhecimento. O Amor mútuo do Pai e do Filho é perfeito, e esse Amor é também uma Pessoa: a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, a quem chamamos Espírito Santo. Estas Três Pessoas são Um só Deus.

Falha-nos a linguagem; nossos idiomas, bem como nossa capacidade intelectual, são insuficientes para que possamos falar da Vida e da Felicidade da Santíssima Trindade, que tudo compartilha sem nada dividir, pois cada uma das Três Pessoas é o mesmo Deus – pois existe um só Deus. Sua união de amor é tão íntima que essas três Pessoas têm uma só natureza, uma existência, uma vida. Tudo lhes é comum, ainda que cada uma tenha aquilo que poderíamos chamar sua "personalidade" distinta.

Em resumo, a Vida de Deus é uma União extática de conhecimento e amor – felicidade completa e sem fim. Deus não tem necessidade de qualquer outra coisa; sua realização, plenitude e felicidade são de tão elevado grau que nada as poderia aumentar.

Apesar disso Ele decidiu, em sua infinita bondade, compartilhá-las com mais alguém. E foi assim que nos criou, tirando-nos do nada, ou do que era não Deus. Deus não poderia, sem contradição, agir por qualquer motivo que não fosse Ele próprio. Sendo a Verdade Infinita, Deus não nega sua própria supremacia. Entretanto, ao idealizar o plano de toda a criação para sua própria glória, decidiu glorificar-se a Si próprio, tornando felizes as suas criaturas. E quando essas criaturas se revoltaram contra os seus planos, Ele foi mais longe em sua bondade e dispôs as coisas por forma a encontrar sua glória na sua misericórdia. É esse um princípio fundamental que nunca deve ser esquecido: Deus criou o mundo para sua própria glória, mas glorifica-se nesta vida pela sua misericórdia.

Os anjos eram puros espíritos, independentes da matéria, dotados de poderes essenciais de conhecer e amar, uma vez que esses poderes pertencem a todos os seres racionais. O Universo material foi criado em primeiro lugar, sem vida de qualquer espécie; a seguir, vieram as formas mais baixas de vida, a que chamamos vida vegetativa, composta de seres com o poder de crescer e reproduzir-se. Seguiu-se-lhe a criação dos animais, seres que têm o poder de sensação e o que se pode chamar de apetite sensitivo, além dos poderes de que são dotadas as plantas. Por fim, Deus criou o homem como indivíduo único, chefe da raça humana, mas nele manifestou a sua bondade de modo especial.

A essência da natureza humana compõe-se de duas partes: animalidade e racionalidade. O homem encontra-se, assim, em posição única no Universo, porque participa, de todas as formas, da natureza de todas as criaturas: o seu corpo é feito de matéria, como o resto do universo; alimenta-se e cresce como indivíduo, e multiplica-se como raça do mesmo modo que as plantas; compreende com os sentidos e experimenta desejos sensitivos, como os animais irracionais, e participa até da natureza dos anjos, porque é um ser racional dotado de entendimento e vontade. Numa palavra, pode conhecer e pode amar, e nisso até se assemelha a Deus.

Mas essa mesma complexidade da sua natureza pode conduzi-lo a dificuldades, porque a natureza animal, no homem, tem conhecimento e desejos próprios que podem opor-se e mesmo antecipar-se às decisões da sua natureza intelectual mais elevada, a qual deve regular suas ações. Além disso, essa complexidade poderia significar que a vida corpórea do homem teria de acabar, pois ele não é, por sua natureza, imortal. Foi no que diz respeito a estes dois pontos que Deus mostrou a sua bondade: porque, na criação do homem, Deus não se mostrou satisfeito em dotá-lo com a perfeição de tudo o que a natureza humana exigia, mas foi além, acrescentando dois privilégios. O primeiro, o privilégio da imunidade da morte; o outro foi o que é conhecido como dom da integridade.

Para compreender este último privilégio, temos de partir do princípio de que, sendo animal, o homem é dotado do poder de conhecimento dos sentidos e pode experimentar desejos do que é agradável aos mesmos. Pode desejar alimentos ou prazer, pode exaltar-se; está, na realidade, sujeito a todas as paixões animais. Ora, esta vida dos sentidos, no homem, procura o seu próprio bem, que não é de forma alguma idêntico ao bem real indicado pelas suas faculdades racionais. Pode, assim, surgir um conflito no próprio ser do homem, como diz S. Paulo: “A carne tem desejos contrários ao espirito” (Gl 5,17) – e poderá tornar-se necessário um grande e penoso esforço para assegurar a devida supremacia da razão.

Adão e Eva foram ainda dotados de outro privilégio: o da “integridade”, em virtude do qual sua razão tinha domínio completo sobre sua natureza animal; não podiam ser arrastados pelos desejos dos sentidos para ações irracionais, e o seu juízo não podia ser enganado pelas paixões. Tinham domínio completo sobre si mesmos, e a sua natureza operava em completa harmonia e devidamente subordinada às suas faculdades mais elevadas.

Mas a benignidade de Deus nem então se mostrou satisfeita. Toda a criação está cheia de sua misericórdia e, na própria formação de Adão e Eva, sua bondade generosa e sua misericórdia manifestaram-se magnificamente. Não contente em fazê-lo participar de toda a natureza criada, Deus dignou-se a erguer o homem até o fazer participar da sua própria natureza divina. É certo que esta participação da Natureza de Deus não converte o homem em Deus; o homem não participa da natureza divina como participa, por exemplo, da natureza animal; a mudança nele operada por esta participação é mais acidental que substancial; mas, ainda assim, o homem foi elevado à ordem sobrenatural, foi-lhe dada uma vida que está muito acima do seu fim e poderes naturais; foi elevado ao estado da Graça Santificante.

Poderiam-se escrever muitas páginas sobre esta matéria, mas o verdadeiro significado da Graça continuaria sendo um mistério. Pretendemos apenas resumir aqui o nosso pensamento. Diga-se, porém, desde já, que o amor ou encontra igualdade, ou a produz: para que exista verdadeiro amor entre dois seres, torna-se necessária certa igualdade de natureza. Para que o homem pudesse amar a Deus, dignou-se Deus conceder-lhe uma tal participação na natureza divina que o habilitasse a possuir, por forma misteriosa, qualquer coisa que correspondesse ao poder, próprio de Deus, de conhecer e amar a Deus.

Por um privilégio extraordinário, o homem estava destinado, a participar – embora em grau finito –, da vida da Santíssima Trindade, e esta comparticipação devia começar mesmo aqui, na Terra.

Este foi um privilégio essencialmente sobrenatural; um privilégio a que a natureza do homem não tinha qualquer direito, nem nela havia qualquer razão que o exigisse, por qualquer título. Adão e Eva receberam a vida sobrenatural, e todas as suas faculdades foram dotadas de novos poderes e qualidades, que os habilitariam a viver essa vida nova, tão superior à sua natureza, e impossível de alcançar pelos seus próprios esforços.

Era um estado absolutamente sobre-humano, e que exigia poderes sobre-humanos; representava uma elevação do homem a uma ordem inteiramente nova e sobre-humana. Significava que o homem era colocado perante um fim de felicidade suprema inteiramente novo e sobre-humano, que se pode definir como uma participação na própria felicidade de Deus. Desde então, a felicidade natural, mesmo no seu mais alto grau, já não o poderia satisfazer. O homem teria consequentemente de se decidir: ou unir-se a Deus e partilhar da sua alegria, ou então permanecer para sempre no inferno da privação eterna.

A própria natureza das coisas impôs ao homem certas obrigações de adoração e obediência a Deus, de quem era tão dependente. Mas Deus impôs ainda um preceito especial a Adão e Eva, a fim de lhes recordar a sua sujeição e os habilitar a honrá-lo. Sanções terríveis cairiam sobre eles, se tal preceito não fosse acatado. Colocou Adão e Eva num jardim de delícias, onde tinham tudo o que era necessário à sua felicidade completa, mas excluiu uma árvore e determinou que não comessem dos seus frutos: “Porque, em qualquer dia que comeres deles, morrerás certamente” (Gn 2).

A história da transgressão dessa ordem, por Adão e Eva, e sua consequente expulsão do jardim são bem conhecidas, mas as consequências tremendas que resultaram destes acontecimentos, a enormidade da ofensa, suas causas e seu desfecho não são tão bem compreendidos. A primeira personagem a entrar em ação nesses acontecimentos foi o demônio que, em forma de serpente, falou com Eva e a aconselhou a desobedecer às ordens de Deus. Quem era o demônio?

Para responder a essa pergunta, temos de recordar que Deus já tinha criado certo número de seres racionais, chamados anjos. São puros espíritos, com completa independência da matéria, e pessoas dotadas de grandes faculdades mentais. São muito superiores ao homem e pertencem a uma classe de seres muito mais elevada.

A própria forma como exercem as suas operações mentais é diferente da do homem, pois, enquanto este procede passo a passo no processo gradual do raciocínio, eles veem a verdade imediatamente e à primeira vista, sem se enganarem. As faculdades intelectuais dos anjos, inclusive dos pertencentes aos graus mais baixos da hierarquia angélica, são muito superiores às maiores inteligências humanas. Segundo se deduz, aos anjos, depois de terem sido criados, foi dada liberdade de servirem a Deus e de se lhe submeterem. Mas um dos mais categorizados, chamado Lúcifer, acompanhado dum exército de adeptos, recusou-se a tal submissão. Sua atitude pode resumir-se na frase clássica: “Não servirei”.

O resultado dessa revolta foi a condenação dos anjos rebeldes ao inferno; e aqueles que obedeceram a Deus foram confirmados na sua amizade, entrando em plena posse das alegrias do Céu. Não é unânime a opinião sobre o motivo exato que levou esses anjos à revolta. Alguns sustentam que Deus os pôs a par do seu plano de os elevar à participação em sua própria natureza, o que implicaria o fim de sua supremacia em sua própria ordem e uma nova dependência de Deus. Outros dizem que lhes foram manifestados os planos de Deus referentes à raça humana, e que eles se insurgiram contra a proposta de terem de se sujeitar às naturezas humanas de Cristo e de sua Mãe. Mas, fossem quais fossem as circunstâncias que os incitaram à revolta, o seu pecado foi de orgulho e desobediência.

Seria erro pensar que a condenação imediata dos anjos rebeldes, sem terem tempo de reconsiderar e se arrepender, possa ter qualquer reflexo na misericórdia de Deus. A própria sublimidade das faculdades dos espíritos angélicos é tal que a reconsideração, no sentido em que a tomamos, seria sem sentido. Estavam em plena posse da realidade dos fatos, e absolutamente isentos de qualquer paixão terrena ou de falta de reflexão que perturbasse os seus juízos e, por isso, conheciam bem suas obrigações e mediram a hediondez do seu crime, com uma clarividência que nem podemos conceber.

Nenhuma parcela de tempo para reconsiderar os levaria a voltar atrás em sua decisão. Pelo seu pecado, perderam a felicidade do Céu e tornaram-se merecedores das penas inenarráveis do inferno. Isso implicava o terrível castigo da perda de Deus, da perda de toda a possibilidade de amarem a Deus ou a qualquer outra coisa, e isso vinha aliado ao conhecimento claro de que só no amor de Deus podiam encontrar felicidade, e que o seu ato livre tinha tornado esse amor impossível para sempre.

O ódio que passaram, então, a devotar a Deus e a tudo o que lhe pertencia não se pode descrever. Quando se aperceberam do plano de Deus de criar a raça humana e de erguer os seus membros às posições sublimes que eles próprios tinham perdido, sua fúria não conheceu limites. A partir desse momento, aquelas inteligências poderosas não se pouparam esforços para destruir a raça humana.

E foi com esse fim que seu chefe, que conhecemos como o demônio, falou a Eva sob a forma de serpente, perguntando-lhe por que razão Deus tinha determinado que ela e Adão deviam se abster de comer os frutos de uma árvore especial. Ao ouvir sua explicação, replicou negando que a morte seria o resultado da desobediência e que, se comessem deles, “seriam como deuses, conhecendo o bem e o mal” (Gn 3,5).

Não é fácil explicar o significado exato desta frase; envolve a ideia de independência completa de Deus e o poder de ajuizar, por eles próprios, o que seria o bem e o que seria o mal. Era, de fato, um apelo ao orgulho – esse desejo desordenado de importância própria. E como tal foi ele recebido.

As explicações coloridas e tocantes que por vezes se dão quanto à fraqueza de Eva, que se teria deixado arrastar pelo encanto dos frutos, ou pela sede num dia particularmente sufocante, ou ainda pela sua falta de reflexão, não têm qualquer fundamento. Eva, possuindo o dom da integridade, não podia se deixar arrastar por qualquer fraqueza proveniente da rebelião de seu apetite sensitivo. Pelo contrário, ela sabia claramente – e mais claramente do que o podemos imaginar –, o que significaria a transgressão da ordem divina para ela, para seu marido e para toda a raça humana, de quem seria mãe. Mas, apesar disso, “tomou do fruto dela e comeu; e deu a seu marido, que também comeu”.

Só depois do pecado de Adão é que foi possível avaliar as terríveis consequências da rebelião, que envolviam a ruína da felicidade temporal e eterna de toda a raça humana. À primeira vista, parece não haver proporção entre o pecado e suas consequências – o ato de se comer uma “maçã” e a ruína de toda a raça humana – tanto mais que alguns pretendem ver nessa história uma alegoria sobre qualquer pecado mais grave, um pecado talvez da carne. Tal teoria é incorreta e desnecessária, porque Adão e Eva não eram apenas homem e mulher, mas possuíam também o dom da integridade e, por isso, não podiam ser arrastados por qualquer paixão. Para apreciar a verdadeira malícia do seu pecado, temos de ler no seu espírito e procurar compreender a enormidade do seu orgulho e desobediência; porque esse foi o pecado dos nossos primeiros pais – orgulho e desobediência, esta derivada daquele.

É bom que tenhamos em conta a perfeição da natureza de Adão. Sua mente era dotada de faculdades e de conhecimento, dons esses que nenhum dos seus filhos possuiu em tão alto grau. Sem estar sujeito a paixões, ele via a vida com toda a clareza, compreendia perfeitamente a sua dependência de Deus e os deveres que tinha para com Ele. Sabia perfeitamente que Deus o tinha erguido gratuitamente à condição de participante da sua própria natureza divina, e o tinha tornado seu amigo. Sabia ainda que ia ser o pai da raça humana, e que fora favorecido com os dons da sabedoria e com os conhecimentos necessários para instruir sua descendência. Sabia, além disso, que sua participação na vida de Deus pela Graça dependia de sua obediência a Ele, e entendia claramente que, se perdesse a Graça pelo pecado, não só ele próprio a perderia, como também a perderiam seus filhos.

Conhecendo tudo isso, ele, calma e deliberadamente, decidiu revoltar-se contra as ordens expressas de Deus, e com seu orgulho e revolta rejeitou os planos divinos para a felicidade de toda a raça humana.

Os primeiros efeitos dessa revolta manifestaram-se imediatamente, quando o par delinquente compreendeu logo que o seu privilégio de integridade estava perdido. No próprio momento em que, pela revolta, eles firmaram a independência da sua natureza humana e rejeitaram a subordinação a Deus, que era necessária para poderem participar da natureza divina, a sua natureza animal deixou de estar sujeita à razão e começou, então, essa infindável revolta da carne contra o espírito, que se chama concupiscência. Mas não foi só isso: as próprias forças químicas que constituíam o seu corpo revoltaram-se também, pois que, retirado o dom da imortalidade, era fatal a desintegração de todo o organismo humano pela morte. Foram expulsos do jardim de delícias e condenados a ganhar o seu pão “com o suor do rosto” até que, depois de uma vida de trabalho e esforços, voltassem pela morte ao pó de onde tinham vindo.

O fato de Adão e Eva terem-se arrependido do seu pecado e terem sido perdoados por Deus não salvou seus filhos. Seus descendentes nasceram no estado de privação da Graça, conhecido como Pecado Original, e passaram a estar sujeitos a todas as misérias inerentes à perda da amizade de Deus e à sua sujeição ao poder do demônio.

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** A obra 'This Tremendous Lover' foi publicada no Brasil sob o título 'Amor Sublime'. Dom Eugene Boylan (1904-1964), monge trapista, destacou-se como autor de temas espirituais.

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Alma de jovem – os dois lagos e a escolha de Hércules


Extraído da obra de Tihamer Toth*

Os dois lagos

QUANDO EU ERA um jovem estudante, ia muitas vezes passear à beira de um lago situado na montanha. Os raios do sol alegremente lhe dançavam no espelho cristalino. Suas ondulações puras deixavam perceber a vida buliçosa dos seres que lhe povoavam o fundo de cascalho. Nadavam belos peixinhos aqui e acolá, mal podendo conter a sua satisfação ao contato dos cálidos raios solares.

Na margem, sonhavam as flores miosótis, e a vegetação aquática agradavelmente montava guarda sobre a sua superfície, com folhas como lâminas de sabre. Ao redor inclinavam-se com dignidade os salgueiros, que, com ar meditativo, fruíam, do céu sorridente, o azul que se refletia na água. Uma aura de ar fresco circulava através dos ramos, e os caniços inclinavam-se à sua passagem.

O lago da montanha era como a alma de um jovem, transbordante de vida, de sorriso, de ventura; como um olho de criança arregalado, brilhante qual estrela...

Recentemente, após longos anos, encaminhei-me outra vez para lá.

Foi com espanto que vi em que se transformara o meu querido lago: um atoleiro lodoso de cor amarelo-esverdeada. A água estava-lhe turva e suja. O que ali se encerrava não se via, por causa das ervas daninhas, mas o ar pestilento que dele se exalava traía a podridão que ali havia. À passagem de alguém, répteis hediondos pulavam assustados, nas ervas ou na água lamacenta.

Onde está a bela vegetação aquática que altivamente montava guarda?

Para onde se foram os salgueiros da margem, que balouçavam suas coroas de folhagem?

Para onde se foi o reflexo do céu azul que sorria, refletido na superfície da água?

Tudo desapareceu. É inútil que caniços tentem brotar na sua margem; inclinam-se frouxamente ao menor vento. Por toda a parte, é só podridão e isolamento.

E senti meu coração apertar-se. Então, era aquele o formoso lago cristalino da minha juventude?

* * *
Os olhos dos jovens são tão belos quanto o miosótis, suas almas são como o lago cristalino da montanha que conheci na minha juventude.

Ai! Quantas, mais tarde, tornam-se pântanos lodosos!

Foi para que a tua alma sempre permanecesse pura como um cristal, meu filho, que escrevi estas linhas. Porque conservar pura a própria alma, e assim chegar à idade de homem, é a mais sublime tarefa da vida.



Conheces a história de Hércules, o célebre herói dos mundos lendários dos gregos? Era ele o ideal personificado da força viril e da coragem. Seu inimigo quis fazê-lo perecer desde o berço: ali, pôs ao seu lado duas serpentes; mas o menino, já robusto, esganou-as. Sua vida mitológica é cheia das mais belas façanhas. Matou a Hidra de Lerna, domou o touro de Creta, venceu as Amazonas, limpou as estrebarias de Augias, roubou o pomo de ouro das Hespérides... E, não obstante, esse herói fabuloso não escapou à prova que – é a verdade – nenhum homem pode evitar: também ele chegou um dia à encruzilhada dos caminhos, onde irrevogavelmente se faz necessária a tomada de uma decisão capital: Para onde irei? Que caminho seguirei?


No cruzamento dos caminhos

O seguinte episódio passou-se na juventude do herói lendário Hércules, quando, ainda menino, principiava ele a se tornar adolescente. Um dia, estando sozinho, mergulhado em seus pensamentos, duas mulheres apresentaram-se-lhe de repente. Uma falou-lhe assim:

– Vejo, Hércules, que perguntas a ti mesmo que estrada deves seguir na vida. Se me escolheres por companheira, irei conduzir-te por uma via agradável em que, durante toda a tua existência, só acharás prazer. Não terás outro cuidado senão saberes o que hás de comer e beber e como haverás de satisfazer os teus sentidos. Se me pertenceres, terás todas as alegrias, sem trabalho e sem dor...

Então Hércules a interrompeu:

– Mulher, qual é o teu nome?

– Meus amigos chamam-me Felicidade – respondeu ela –, e os meus inimigos dão-me o nome de Vício.

Entrementes, a outra mulher se aproximara.

– Eu não te quero enganar – disse ela. – Afirmo-te que os deuses não concedem grandeza nem bem algum sem trabalho e sem dor. Se me seguires, certamente terás que trabalhar muito. Se quiseres que toda a Grécia te louve por causa das tuas façanhas, esforça-te por fazeres bem a toda a Grécia. Se quiseres que teu campo dê frutos abundantes, amanha o teu campo. Se te quiseres tornar um guerreiro célebre, aprende a arte da guerra com os homens capazes. Se te quiseres tornar robusto, habitua o teu corpo a obedecer à razão, a suportar o trabalho penoso e o sofrimento.

Vício interrompeu-a:

– Estás vendo, Hércules, por que caminho penoso essa mulher quer te conduzir, e como eu te levo facilmente à ventura?

– Mísera és! –, exclamou a Virtude –, que ventura podes dar? Pode haver ventura mais miserável que a tua, já que nada fazes para adquiri-la? Comes antes de ter fome, bebes antes de ter sede. No verão, suspiras pelo gelo e pela neve. Desejas o sono não porque tenhas trabalhado muito, mas porque nada fizeste. Impeles ao amor os teus partidários antes que a natureza o reclame, e desonras a natureza pelo abuso dos dois sexos. Teus admiradores estão habituados a fazer coisas vergonhosas durante a noite e a dormir boa parte do dia. Como és imortal, os deuses excluíram-te do seu meio, e também os homens de bem te desprezam. Teus jovens amigos arruínam seus corpos, e os mais idosos perdem a alma. Na juventude, chafurdaram-se nos gozos até o enjoo; agora, em idade avançada, arrastam-se a suspirar. Envergonham-se das ações passadas, e agora a fadiga de sua vida desregrada pesa-lhes sobre os ombros.

Eu, ao contrário, habito com os deuses e no meio de homens bons. Sem mim, nada de nobre se produz no mundo. Honram-me os deuses e os homens. Os artistas me amam como sua auxiliar; os pais de famílias, como guardiã do seu lar. Para os que me seguem, a comida e a bebida são coisa agradável, porque só as usam quando delas precisam. O sono é-lhes mais doce que ao preguiçoso, e eles não lhe sacrificam um só dos seus deveres. Seus amigos os estimam e sua pátria os honra. E, finalmente, quando lhes é chegado o derradeiro momento, eles não descem às trevas do esquecimento, mas, ao contrário, sua lembrança continua a viver gloriosamente nos lábios das gerações futuras. Hércules, filho de ilustres pais, se agires assim, chegarás a uma glória eterna!

* * *
Eis aí como li a história de Hércules, num velho escritor grego –, Xenofonte –, no terceiro livro da obra intitulada De Cyri expeditione (Sobre a campanha de Ciro). E, agora, escrevi-a para ti, meu filho, porque um dia também chegarás certamente ao cruzamento dos caminhos, quando houveres de fazer a tua escolha e tiveres consciência desta averiguação imperecível das Sagradas Escrituras: “A carne tem desejos contrários aos da alma”. (Gálatas, V,17).

Presta, portanto, muita atenção!


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Fonte:
TOTH, Tihamer. O brilho da mocidade, Petrópolis: Vozes, 1959, pp. 29-32
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Aproximai-vos de Deus, e Ele se aproximará de vós! – o testemunho de Gil Martins

O DEPOIMENTO QUE RECEBEMOS de nosso dileto leitor Gil Martins é mais uma prova de uma das mais concretas máximas do verdadeiro cristianismo (que nada tem a ver com 'teologias da prosperidade' e outras heresias semelhantes): aquela que afirma que, de todo mal – muitas vezes necessário – Deus tira para nós um bem maior. É muito comum que o SENHOR sacuda as vidas daqueles que ama, qual Pai zeloso, para que acordem do sono das pífias ilusões do mundo para a vida verdadeira. 

As dificuldades, dores, provações e obstáculos que enfrentamos neste mundo não devem, portanto, desanimar, e sim nos motivar e fazer-nos procurar e continuamente retornar ao Criador e Doador de todos os bens, Fonte infinita de todas as Graças, o Deus de misericórdia infinita. Como disse o Apóstolo, "aproximai-vos de Deus, e Ele se aproximará de vós!" (Tg 4,8).

O cristianismo não é religião de fracos e nem dos materialistas que só pensam nos prazeres deste mundo. É a Religião dos fortes, que exige buscar a Verdade com coragem e ousadia, vencendo-se a si próprio todos os dias. No fim, virá a recompensa, e mesmo neste mundo, ainda nesta vida, seremos abundantemente recompensados por cada esforço, por cada pequeno sacrifício. Mas é preciso querer, e é preciso buscar essa proximidade com Deus, o que pode não ser fácil. E, não raro, Deus mesmo nos sacudirá para que abramos nossos olhos para a Fé e contemplemos sua Face. Segue logo abaixo o texto do leitor – que nos ilumine e fortaleça a todos.



Caros irmãos em Cristo, a paz esteja convoco!

Meu nome e Gil Martins, e meu testemunho é este:

Em 2016 eu tive dois problemas graves em minha família. Em maio desse ano, minha mãe precisou ser internada em um hospital, em estado grave devido a um aneurisma no coração. Permaneceu por dois meses internada. Eu não era de ir à igreja e estava quase me tornando um ateu, mas como a maioria dos cristãos, achava Deus "com cara de dipirona": só servia nos momentos de dor. Rezei muito e prometi a Deus que iria mudar se Ele salvasse minha mãe. E Ele a salvou.

Passado o perigo, porém, voltei a virar as costas para Deus; ouvia rock satânico, achava que o diabo não existia e não acreditava nele, mas não sabia que ele acreditava em mim e queria a minha alma. Foi aí que o bicho pegou!

No dia 12 de setembro de 2016, meu filho mais novo, Miguel, com seis anos de idade na época, acabou internado em estado grave no CTI do Hospital São Lucas, onde permaneceu sem previsão de alta devido a um vírus que contraiu e quase o levou à morte.

Desesperei-me. Os médicos diziam que ele dificilmente escaparia; as pessoas que o visitavam saíam com um semblante de quem crê que nada o salvaria. Cheguei a pensar em suicídio, pois não queria viver sem ele.

Um dia, chegando do hospital, meu pai me disse: "Filho, se Deus quer levar ele, você não pode fazer nada!". Aquelas palavras, que poderiam terminar de me destruir, me salvaram, pois foi como se acendesse um fogo dentro de mim. Ajoelhei-me no chão, e chorando pedi perdão a Deus por tudo que eu tinha feito de errado. Pedi que Ele livrasse meu filho da morte, pois confiava n'Ele e em seu poder, como está escrito no Evangelho de S. Marcos (11,22-23):

E Jesus, respondendo, disse-lhes: 'Tende fé em Deus; porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito'.


Apeguei-me muito a este versículo; tive fé no meu coração, como nunca tive em minha vida toda, e o resultado é que depois de três meses de intenso sofrimento, meu filho deixou o hospital. Está aqui comigo hoje, bem e com saúde. Desde então, busquei a me evangelizar mais, e foi quando conheci o site O Fiel Católico, que me ajudou muito a compreender a Doutrina da santa Igreja!

Hoje descobri que existe um Deus, sim; aprendi a ser católico de verdade e não um pagão batizado, sempre buscando a santidade, assim como nosso Salvador nos pede!

Que Nossa Senhora nos ilumine e nos guie até seu filho Jesus, e que o Espirito Santo nós faça uma Igreja mais santa, mais fiel e caridosa; que nunca nos afastemos d'Ele, pois Ele está sempre disposto a nos perdoar e fazer acontecer milagres e maravilhas em nossas vidas.
Louvado seja o Santo nome de Jesus! Amém!

O Deus de toda graça, que vos chamou em Cristo à sua eterna glória, depois que tiverdes padecido um pouco, vos aperfeiçoará, vos tornará inabaláveis, vós fortificará!
(1 Pe 5,10)

Belo Horizonte, 8 de janeiro de 2019


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O fim dos tempos e a vinda do Anticristo segundo Fulton Sheen


O venerável Fulton Sheen (1895 - 1979) escreveu – em sua obra “Communism and the conscience of the West” (O comunismo e a consciência do Ocidente) – algumas linhas verdadeiramente proféticas a respeito do fim dos tempos (ou a consumação dos séculos), a grande apostasia na Igreja e a vinda do Anticristo, que foram traduzidas para o português pelo padre Cléber Eduardo dos Santos Dias. Seguem abaixo as palavras do grande Arcebispo, seguidas de breves comentários do mesmo Pe. Cléber.


* * *

NÓS ESTAMOS VIVENDO os dias do Apocalipse – os últimos dias da nossa era. As duas grandes forças – do Corpo Místico de Cristo e do Corpo Místico do Anticristo – começam a desenhar as linhas de batalha para o embate final.

O Falso Profeta terá uma religião sem a Cruz. Uma religião sem um mundo vindouro. Uma religião para destruir as religiões. A Igreja de Cristo será uma delas. Haverá uma falsa igreja. E o falso profeta vai criar uma outra. A falsa igreja é mundana, ecumênica e global. Vai ser uma federação de igrejas.

E as religiões irão formar um tipo de associação global. Um Parlamento Mundial das Igrejas. [A Igreja verdadeira] será esvaziada de todo o conteúdo divino e será o corpo místico do Anticristo. O corpo místico hoje na Terra terá o seu Judas Iscariotes e o falso profeta. Satanás o recrutará dentre os nossos bispos.

O Anticristo não será chamado assim, porque, se o fosse, não teria seguidores. Ele não usará roupas vermelhas, nem vomitará enxofre ou usará um tridente ou terá uma cauda, como Mefistófeles em Fausto. De fato, tais coisas mascararam e ajudaram o diabo a convencer os homens de que ele não existe. Quanto mais o desconhecem como realmente é, mais poderoso ele se torna. Deus se definiu como "Eu Sou Quem Eu Sou" e o diabo como "Eu sou quem eu não sou".

Em nenhuma passagem das Escrituras encontramos defesa para a descrição popular do diabo como um palhaço vestido de vermelho. Pelo contrário, ele é descrito como um anjo caído do Céu, como "o príncipe deste mundo", cujo legado é nos convencer que não existe outro mundo.

Sua lógica é simples: se não há o Céu, também não há Inferno; se não há Inferno, então não há pecado; se não há pecado, então não há Juiz, e se não há nenhum Julgamento, então o mal é o bem e o bem é o mal.

Mas, acima de todas essas descrições, Nosso Senhor nos diz que o diabo será tão parecido com Ele mesmo que seria capaz de enganar até os escolhidos, e certamente nenhum diabo descrito pelas imagens humanas seria capaz de enganar os escolhidos. Então, como ele vai vir nesta nova era para ganhar seguidores para a sua religião?

A crença da Rússia pré-comunista é que ele virá disfarçado como um grande humanista; vai falar de paz, de prosperidade e de abundância; não como meios para levar-nos a Deus, mas como fins em si mesmos.

A terceira tentação, com a qual Satanás pediu a Cristo para adorá-lo em troca de todos os reinos do mundo, irá tornar-se a tentação de se ter uma nova religião sem a Cruz e sem liturgia, sem um mundo futuro, uma religião para destruir a Religião, ou uma política que é uma religião – que também dá a César até mesmo as coisas que são de Deus.

No meio de todo o seu amor aparente pela humanidade e do seu discurso simplista de liberdade e de igualdade, o Anticristo ocultará um grande segredo que não será revelado a ninguém: ele não acredita em Deus, porque a sua religião será uma fraternidade sem a paternidade de Deus, e ele vai querer enganar até os escolhidos. Ele vai estabelecer no mundo uma contra-igreja como falsa cópia da Santa Igreja, porque ele, o diabo, é o macaqueador de Deus.

Essa falsa igreja terá todos os aspectos e as características da Igreja de Cristo, mas em sentido inverso e esvaziada do seu conteúdo divino. Terá um corpo místico de Anticristo que exteriormente vai imitar o Corpo Místico de Cristo. Mas o século XX vai se juntar a esta contra-igreja com a alegação de que ela será infalível quando sua cabeça visível falar ex cathedra (...) sobre temas como economia e política e como pastor-chefe do comunismo mundial.


* * *

Padre Cléber E. S. Dias comenta o aterrador texto de Dom Fulton Sheen:

Diante desse lúcido e profético texto e da realidade em que vivemos é que devemos nos perguntar:

Nossos padres… Nossos bispos… Nossos leigos… Não reconhecem algo?

O texto fala lucidamente, com clareza de sol de meio-dia, sobre a nossa época.

Onde estão os padres e bispos considerados “mitos”, “opressores”, “católicos tradicionais”, que nunca abrem a boca em público e em alta voz para denunciar os lobos dentro da Igreja, ou, como nos ensina Fulton Sheen, os acólitos de Satanás, do Corpo Místico do Anticristo?

É certo que se um padre denuncia o erro vai ser perseguido até mesmo pelos seus “legítimos superiores”, mas que raios de homem é esse que diz ser todo de Deus e se acovarda diante dos homens?

Um padre, penso eu, tem de ser acima de tudo um padre, sem apodos, sem apelidos, sem títulos; e, para ser padre, é necessário, antes de tudo, ser homem.

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Ref. bibliográfica:
SHEEN, Fulton J. Communism and the Conscience of the West. Bobbs-Merril Company, Indianapolis, 1948, pp. 24-25.

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Como vencer o vício do fumo (tabagismo) – pela Graça Divina!

RECEBEMOS DE NOSSA dileta leitora, Norma Teresinha –, em resposta ao nosso pedido, um depoimento bastante inspirador e que revela muito sobre como a fé, a boa vontade e as práticas de piedade mais singelas são maravilhosamente recompensadas por Nosso Senhor Jesus Cristo, que é infinito em misericórdia e nunca deixa de abençoar e conceder abundantes graças a todos aqueles que o procuram, creem n'Ele e o amam.



O SENHOR tem me dado muitíssimas graças, mas vou falar de uma apenas.

Eu era uma fumante compulsiva. Não conseguia ficar por mais de duas horas sem fumar. Nem ia mais ao cinema, pois lá não podia fumar. Fiz uso de um monte de coisas e medicamentos indicados por médicos. Minha saúde estava se deteriorando rapidamente.

Mesmo grávida, fumei (menos, mas não conseguia parar). Todas as pessoas me criticavam, ou davam conselhos, etc. Um verdadeiro tormento, pois nada adiantava/ajudava em minha luta. Um dia, estava doente, novamente, por causa do cigarro. Fiquei de licença médica do trabalho. Já tinha rezado muito para que largasse o vício, sem sucesso Mas, dessa vez, resolvi, já que estava em casa, ler a Palavra do SENHOR duas vezes por dia e rezar 2 Rosários também por dia.

E no segundo dia, eu já não sentia vontade de fumar. Ao final de uma semana, além de estar 7 dias sem fumar, não sentia a menor vontade ou mal estar por não estar fumando.

Eu nem acreditava!!

Todo mundo, inclusive eu, achava que eu morreria fumando (e por causa do vício). Até hoje, porém, há mais de 10 anos, não voltei a fumar.

Escrevendo assim, talvez eu não consiga transmitir por meio de palavras toda a agonia e o sofrimento que eu vivi – ficava doente constantemente, gastava muito dinheiro com médicos e medicamentos, não ia mais aos lugares em que não fosse permitido fumar... Se ficava sem cigarros à noite, pagava a um taxista para que os comprasse para mim (para não deixar meus filhos sozinhos).

O milagre foi tão rápido e tão grande que até hoje fico maravilhada!

Dou o meu testemunho para todos.

No primeiro dia em que eu fiquei sem fumar, mudei as minhas senhas – sejam de banco, internet, cartão de crédito, etc. – para que eu nunca, mas nunca mesmo, me esqueça das maravilhas que Deus operou na minha vida.
Louvado seja o Senhor!!

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