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15 de agosto | Sobre a Quaresma de São Miguel Arcanjo – até o dia 20 ainda é tempo de começar


TODO DIA 15 de agosto, Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, inicia-se para os católicos um tempo devocional denominado "Quaresma de São Miguel Arcanjo". É um período de 40 dias (excluídos, portanto, os domingos) que vai até 29 de setembro, encerrando-se com a festa dos Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael.

Breve biografia de Allan Kardec e as origens do espiritismo

Fotogênico, seus retratos parecem mostrar um homem importante...
Já a sua biografia aponta para uma outra realidade.

HIPPOLYTE LÉON Denizard Rivail era seu nome verdadeiro. No seu país de origem, a França, assim como em todo o resto do mundo, é praticamente um completo desconhecido. Apenas no Brasil é tido, por uma parcela da população, como um grande personagem da História, um "mestre" da humanidade...

'João de deus'(?) e o espiritismo


UMA CONSIDERAÇÃO A MAIS sobre as denúncias que envolvem o charlatão João Tarado, chamado "médium 'João de Deus'" [na verdade, o nome dele é João Teixeira de Faria. De nossa parte, ficamos impressionados com a desfaçatez com que toda a mídia trata tal patife por 'médium' – como se essa invenção espírita fosse um fato inquestionável – e, mais além, como continuam chamando esse maníaco de 'João de Deus']...

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Sobre a Quaresma de São Miguel Arcanjo


TODO DIA 15 de agosto, Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, inicia-se para os católicos um tempo devocional denominado "Quaresma de São Miguel Arcanjo". É um período de 40 dias (excluídos, portanto, os domingos) que vai até 29 de setembro, encerrando-se com a festa dos Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael...

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A Igreja Católica aceita a 'mediunidade' e/ou invocação dos mortos?


É COMUM NOS DEPARARMOS, em publicações espíritas diversas, sejam impressas ou virtuais, com a divulgação de "notícias" dando conta de que a Igreja Católica estaria "reconhecendo" e/ou "aceitando" a prática da evocação dos espíritos dos mortos, e assim reconhecendo a veracidade da doutrina espírita. O leitor espírita Valdemir Faleiros nos questiona a respeito do "museu das almas do purgatório", mantido pela Igreja Católica, que no seu entender seria uma "prova" de que a Igreja admite as teses espíritas...

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Reencarnação: uma análise racional, lógica, moral e espiritual


NESTE PROSSEGUIMENTO de nossa abordagem da teoria da reencarnação, partimos para a contemplação de alguns aspectos fundamentais –, os mais essenciais dentre todos –, na compreensão do assunto como um todo, e que é ordinariamente negligenciado tanto pelos defensores quanto pelos críticos da mesma teoria.

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História e implicações da teoria da reencarnação dos espíritos


ESTA ABORDAGEM contempla os aspectos morais, éticos, racionais e lógicos, inclusive matemáticos, envolvidos nos sistemas filosófico-religiosos que adotam como fundamento a teoria da reencarnação. Este será o primeiro de uma série de capítulos de um estudo que pretende explicar em detalhes as diversas razões que tornam a reencarnação uma impossibilidade moral, lógica e mesmo matemática, logo também metafísica. Antes de entrar nas particularidades do assunto, consideramos conveniente publicar a breve história da ideia da reencarnação no mundo...

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Católico e espírita?! – calúnias espíritas contra a Igreja  – conclusão


SEGUE A SEGUNDA parte do artigo sobre a disparidade que há entre o espiritismo e a Sã Doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo, visando esclarecer as difamações e calúnias frequentemente divulgadas por representantes do espiritismo numa tentativa de desonrar a Igreja Católica.

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Católico e espírita?! – calúnias espíritas contra a Igreja


Um leitor que se identifica com o nome Jonas Souza enviou-nos a seguinte mensagem, ao post "Breve biografia de Allan Kardec e as origens do espiritismo":
Sou Católico, e tenho uma profunda admiração pelo Chico Xavier, pela pessoa humana que dedicou a vida em prol do próximo. O que está escarço na sociedade em que vivemos, não importa a religião, qual seja a doutrina ou credo, o amor ao próximo têm que existir acima de tudo, e ainda mais o respeito. Não somos seres capazes de entender o Criador, somos meras criaturas e assim como tudo criado, somos imperfeitos, dizer o que é certo ou errado não cabe a nos, quada qual têm seu modo de viver e como viver, em que acreditamos fica a cargo de cada consciência; vivemos em uma sociedade e não isolados em mundos particulares, respeitar a opinião do próximo se faz necessário para que possamos viver em harmonia."

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Há compatibilidade entre cristianismo e espiritismo?


A leitora "Lila" enviou-nos a pergunta que reproduzimos abaixo:

Vou sempre no centro espirita e sou muito bem tratada, sou católica mas eles dizem que não importa a religião da pessoa. (...) Não troco a minha religião por nada, mas não vejo problema ir no centro espírita. Qual o problema nisso?"

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Catolicismo, dogmas e espiritismo


UM LEITOR, identificado como "Paulo", enviou-nos, no post "Quem foi Chico Xavier?" a mensagem que publicamos abaixo:

"Acho que o principal beneficio do espiritismo é que não nos são impostos Dogmas . O Espiritismo diz que :'Não há salvação , fora da caridade', não temos a necessidade de atacar nossos irmãos que pensam diferente. O tempo que é perdido por muitos tentando desmascarar crenças contrárias as suas , é um pecado , pois poderia ser empregado de maneira mais útil e edificante."

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O espiritismo, o cristianismo e as muitas doutrinas - conclusão


RECEBEMOS, DE mais um leitor espírita anônimo, inconformado com a publicação de nossa postagem puramente informativa sobre Chico Xavier, uma mensagem que publicamos em duas partes, por ser longa e com muitos questionamentos, – cuja elucidação, porém, poderá ser do interesse público. Segue abaixo a segunda e conclusiva parte, seguida de nossas respostas:

"Então amigo, não julgue e sim faça sua parte...Estude sim mas faça sua parte, não seja um fanático, e sim um exemplo do bem e para o bem...

Não sou tão bom em palavras ou na língua portuguesa mas busco meu humilde conhecimento para aprender com os bons homens deste mundo, com suas escrituras, obras, com o bem, pois todos colocam lições boas em nossas vidas. O equivoco, o erro, as falhas humanas esqueço e busco tirar o que estes colocaram de bom como ensinamento e exemplo...

Entenda o que Deus nos colocou, entenda a missão de Jesus neste mundo, se não entender quando Jesus vier vamos novamente matá-lo por nosso julgamento ignóbil, por nossa curta visão, por nosso fanatismo e por nossa falta de absorver o bem. Em tudo podemos tirar o bem, basta mudarmos nossa visão de doutores da lei, donos da verdade e donos do certo...o que é certo neste mundo, quem garante que esta ou aquela religião é verdadeira, quem garante que tais escrituras foram as relíquias de Deus e de Jesus...

Que Deus lhe ilumine, e busque aprender, tire o melhor de cada religião, por que nem Deus nem Jesus disse esta é a religião ou escritura verdadeira, mas disse sim: Ame a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Se entender isto não mais julgarás, não mais condenará seu irmão, não vai querer ser o certo e sim irá buscar aprender com tudo e com todos... Em tudo podemos tirar o bem...

O mais importante é o que você tem feito para o bem seu, de seu semelhante, quantas horas você esta guardando para o auxílio ao próximo, para visitar o enfermo, o preso, o desabrigado, os necessitados, o que tem feito de bem, como trato seus entes querido, como tem tratado seu próximo."

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O espiritismo, o cristianismo e as muitas doutrinas


RECEBEMOS, DE mais um leitor espírita anônimo, inconformado com a publicação de nossa postagem puramente informativa sobre Chico Xavier, uma mensagem que publicaremos em partes, por ser longa, com diversos questionamentos cuja elucidação poderá ser do interesse público. Segue abaixo a primeira parte, seguida de nossas respostas

"Ao Navegar pela internet me deparei com assuntos religiosos e criticas ao médium Chico Xavier. Observei bem sua escrita, é de profissional, de alguém letrado, com certeza, porém, observe o vosso julgar....

Eu busco conhecer tudo sobre religiões e ensinamentos que estas nos colocam.... Cada religião tem alguns pontos bons e outros não tanto... Enfim amigo, qual é a religião certa...qual é o correto, vejo que é um critico Católico e não observa os pontos bons e os exemplos que cada religião traz ao ser humano.

Jesus foi morto justamente por pessoas como vós...julgaram-no e condenaram-no sem observar o que ele trazia de bom. Olhe as obras e os ensinamentos que pregava Jesus, e aqueles que estão buscando seguir seus exemplos....

Chico, Madre Tereza, Buda, Dalai Lama, Gandhi, Martin Luther King, Mandela, Francisco de Assis, Néfi (Mórmon), O Profeta Mohamed, e outros diversos homens que buscaram na fé em Deus levar um pouco de fé, caridade, humanismo aos homens, levar ensinamento, honra, caráter, dignidade, respeito, auxílio e amor..."

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Quem foi Chico Xavier?

Santo? Insano? Farsante? Amplie seus conhecimentos sobre este polêmico assunto


EM 2010, espíritas de todo o país comemoraram os 100 anos de nascimento do maior "médium" brasileiro, e em 2012 um pograma de TV o elegeu, por votação popular, "o maior brasileiro de todos os tempos"...

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Biografia de Allan Kardec e as origens do espiritismo


HIPPOLYTE Léon Denizard Rivail era seu nome verdadeiro. No seu país de origem (França) e em todo o mundo é praticamente um desconhecido, mas no Brasil é equivocadamente tido por alguns como um grande personagem da História, um "mestre" da humanidade...

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'João de deus'(?) e o espiritismo


Por Bruno Braga e Henrique Sebastião

UMA CONSIDERAÇÃO A MAIS sobre as denúncias que envolvem o charlatão João Tarado, chamado "médium 'João de Deus'". Na realidade, o nome dele é João Teixeira de Faria. De nossa parte, ficamos impressionados com a desfaçatez com que toda a mídia trata esse patife por 'médium' – como se essa invenção espírita fosse um fato inquestionável – e, mais além, como continuam chamando um maníaco que usa e abusa da crença e da fragilidade das pessoas de "João de Deus".

    Aqui nos concentraremos na justificativa mais comum, que sempre ouvimos e lemos – até da parte de cristãos de boa-fé – para tentar distanciar o acusado do espiritismo como um todo: a prática das obras de caridade. Antes, porém, convém refletir: ora, se os atos praticados em Abadiânia são contrários àquilo em que creem os espíritas e vão contra as determinações da Federação Espírita Brasileira (FEB), que vem agora emitir nota (leia) dizendo que não recomenda o tipo de "atendimento" individual que fazia o tal João, então por que nenhum representante do espiritismo se manifestou antes, publicamente, condenando o farsante?

    Há realmente muitíssimos casos semelhantes a este (como por exemplo o de um outro 'médium' paranaense acusado de abuso sexual por mais de 60 menores), que, se não envolvem necessariamente crimes sexuais, estão sempre ligados a charlatanismo, abuso da voa vontade alheia e, principalmente, enriquecimento ilícito. Quem não se lembra, entre tantos, do engenheiro Rubens de Faria Júnior, outro "médium" que dizia incorporar o espírito do "Doutor Fritz" (um fictício médico alemão que teria ajudado judeus durante a 1ª Guerra Mundial) e fez uma fortuna milionária em curto espaço de tempo, cobrando, à época, R$20,00 de cada uma das mais de 2 mil pessoas que diariamente procuravam os galpões que mantinha no Rio de Janeiro e em São Paulo? Rubens se fingia de "humilde" e andava em carros simples, sem que ninguém soubesse que possuía uma coleção de automóveis Mercedes, em nome de terceiros. Na época, foi comprovado que tinha sete carros importados, apartamentos no Rio e em Miami, e seus bens não-declarados à Receita superavam R$ 1 milhão.

    Fato é que a nossa podre grande mídia ajudou o quanto pôde no estabelecimento de toda essa situação, em inúmeras reportagens e "documentários" que faziam uma verdadeira apologia do espiritismo e nos quais o tal "João de deus" era sempre tendenciosamente retratado como um grande homem, um exemplo de amor ao próximo, um santo desapegado que só sabia fazer o bem e a caridade... Algo muito parecido com o que fizeram com Chico Xavier. Aliás é esta, como dissemos, a bandeira e a tese mais comum dos que tentam justificar o espiritismo, alegando que se trata de uma doutrina válida: a das "obras de caridade".

    "Os espíritas realizam muitas obras sociais", "os espíritas ajudam muita gente", etc., etc. Sim, é verdade que os espíritas têm suas "boas obras", e é verdade também que uma obra de caridade é, em si, uma coisa boa. No entanto, a obra de caridade não pode ser o critério último para atestar uma prática ou ação, sobretudo no âmbito da fé. Dou um exemplo que pode, em princípio, ser visto como radical, mas ao qual se aplica o mesmo princípio fundamental. A famigerada "Church of Satan" também realiza determinadas obras de caridade. Porém, é preciso no mínimo especular, tomando-se um horizonte mais amplo: como a "igreja de Satanás" conduz e coloca as pessoas envolvidas por essas obras diante da perspectiva da eternidade?

    A mesma pergunta deve ser feita com relação ao espiritismo ou, de forma mais apropriada, com relação ao espírita em pessoa. Sabe-se – por meio da experiência e do testemunho de autoridades eclesiásticas – que a invocação de espíritos expõe tanto o médium quanto o seu eventual "paciente" a influências maléficas e em muitos casos à possessão demoníaca[1].

    Quanto ao juízo referente a tal prática, ele é bastante claro:

Não recorrais aos que evocam os espíritos, nem consulteis os adivinhos, para não vos tornardes impuros. Eu sou o SENHOR vosso Deus.
(Lv. 19, 31)

Quando tiveres entrado na terra que o SENHOR teu Deus te dá, não imites as práticas abomináveis dessas nações. Não haja em teu meio quem faça passar pelo fogo o filho ou a filha, nem quem consulte adivinhos, ou observe sonhos ou agouros, nem quem use a feitiçaria; nem quem recorra à magia, consulte oráculos, interrogue espíritos ou evoque os mortos. Pois o SENHOR abomina quem se entrega a tais práticas. É por tais abominações que o SENHOR teu Deus deserdará diante de ti estas nações.
(Dt. 18, 9-12)

    Ademais, é preciso considerar que a obra de caridade supre uma necessidade temporal; mas em última análise, o que está em jogo, aí, é a eternidade – dado o contexto acima, determinada obra pode conduzir a uma situação de risco a pessoa e o seu destino eterno. Por isso, importa recordar a lição do Papa Bento XVI, que não hesitou em afirmar:

Só na verdade é que a caridade refulge e pode ser autenticamente vivida. A verdade é luz que dá sentido e valor à caridade. Esta luz é simultaneamente a luz da razão e a da fé.[2]

    Enfim, óbvio que nem todo alegado "médium" – ou espírita – é um abusador sexual ou é desonesto. Evidente que não. Mas é igualmente evidente que, se João de deus, por conta da própria natureza da prática de invocar e de se submeter a espíritos, pode ter sido exposto à influência maléfica e à possessão demoníaca, da mesma forma se expõe todo e qualquer espírita, e todas as pessoas que de alguma forma se aproximam dessa prática [3].



_______

Ref.s e bibliografia

[1]. Cf. [http://bit.ly/2Ed5S4B]; [http://bit.ly/2UF4q0I];
LARA, Duarte Sousa. Demônio, exorcismo e oração de libertação em 40 questões. São Paulo: Canção Nova, 2014. pp. 61-63, questões 7, 8, 9, 10.

[2]. Bento XVI, Caritas in Veritate, 3 [http://w2.vatican.va/…/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-v…].

[3]. Idem à nota 1.

* Blog do Bruno Braga
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Reencarnação: uma análise racional, lógica, moral e espiritual


** Leia a primeira parte desta série

NESTE PROSSEGUIMENTO de nossa abordagem da teoria da reencarnação, partimos para a contemplação de alguns aspectos fundamentais –, os mais essenciais dentre todos –, na compreensão do assunto como um todo, e que é ordinariamente negligenciado tanto pelos defensores quanto pelos críticos da mesma teoria.


Aprendizado, evolução, consciência e memória

A melhor maneira de começar a elucidar o problema é partindo de um exemplo prático bastante corriqueiro. Vejamos...

Eu tenho um cão. Não foi nada fácil, mas ele aprendeu a fazer as suas necessidades fisiológicas no lugar certo. Sabe por quê? Porque muitas vezes eu o surpreendi no ato de sujar a sala ou o corredor e o repreendi energicamente, falando alto e com firmeza: “Não pode!”, e imediatamente o levei para o local adequado. Esse método funciona porque, com a repetição, o cão acaba associando o ato à reprimenda. Com muita persistência e a repetição constante, ele termina por antecipar que será repreendido se usar outro local para suas necessidades que não seja o indicado. A prática de procurar o local certo, por fim, torna-se automática. Vitória!

Mas se você vir o cachorro fazendo suas necessidades num local inconveniente, esperar uma hora e só depois repreendê-lo, isso não vai funcionar. Ele não vai aprender nada desse jeito. Por quê? Ora, porque ele não sabe a razão de estar sendo repreendido! Nesse caso, puni-lo seria pura perda de tempo e até crueldade. Dadas as óbvias diferenças (que muita gente ultimamente parece não ser mais capaz de perceber) entre animais e seres humanos, o mesmo acontece com as crianças. Se uma criança não souber porque está sendo repreendida ou castigada, se ela não se lembrar o que fez de errado para merecer a "bronca", não vai aprender. Todo castigo dado sem explicação será cruel e injusto. Portanto, é claro, também às crianças – assim como a qualquer aprendiz, em qualquer idade – convém admoestar em tempo hábil.

Pois bem. Segundo a teoria da reencarnação, analogamente todos nós estaríamos na mesma condição do cão punido uma hora depois da travessura. Estaríamos respondendo por crimes que nem sabemos que cometemos. Bem, se eu não me lembro de nada, a punição será sempre cruel e injusta para mim. E ainda que não se use o termo "punição" (que os espíritas não apreciam), a ideia é exatamente a mesma: responder hoje por atos esquecidos, cometidos em uma outra vida.

Para esclarecer ainda mais o nosso ponto de vista, usaremos de outro exemplo bem prático: suponhamos que você esteja aprendendo a dirigir. Você não entende nada da condução de veículos automotores. Procura um professor; na primeira aula ele começa a lhe ensinar tudo o que você tem que fazer: como acionar o motor, acelerar e frear, trocar as marchas, usar os faróis e setas. Passam uma hora inteira juntos, praticando. A aula termina, você vai para casa, finda o dia e chega a noite; vai dormir satisfeito. Mas, no dia seguinte, você acorda tendo esquecido tudo o que o professor ensinou! Então volta à autoescola para a segunda aula; como não se lembra da aula anterior, porém, o professor vai precisar recomeçar a instrução inteira novamente, a partir do zero, porque tudo o que lhe foi transmitido foi perdido e a aula anterior não valeu de nada.

É um fato muito simples e claro como água. Se você esquece de tudo, o aprendizado volta à estaca zero, simplesmente porque a aprendizagem é um processo cumulativo (além de dinâmico, pessoal e gradativo). É mais do que óbvio que ninguém nunca seria capaz de "evoluir" dessa forma. Você nunca poderia aprender nada, se continuasse perdendo a sua memória de uma existência para outra. O aprendizado é como a adição: todo dia você vai acrescentando conhecimento e experiência, até chegar ao ponto desejado. Esse total é o que você aprendeu até agora, o seu verdadeiro grau de evolução, seja intelectual ou moral. Todavia sem memória ativa não pode haver aprendizado.

Como vemos, o "detalhe" que faz toda a diferença é que a memória é bem mais importante do que costumamos considerar. A memória, de fato, representa um dos componentes mais básicos das nossas consciências. Em última análise, poderíamos mesmo dizer que a memória é aquilo que somos, o que você é, o seu "eu" real, o seu "self". Se você retira a memória de um indivíduo consciente e pensante, esse indivíduo simplesmente deixa de existir enquanto pessoa, tornando-se como um vegetal.

Agora imaginemos que um certo Sr. Silva viveu criminosamente, por algum tempo. Ele poderia perfeitamente, em algum momento da sua vida, vivenciar uma retomada de consciência e mudar o seu proceder a partir daquele ponto. Consequentemente, se ele resolve mudar de atitude, toda a sua vida muda para melhor. Mas o que possibilitou essa mudança? Uma decisão pessoal. O Sr. Silva vinha agindo de uma determinada maneira, mas depois de algum tempo se arrependeu e reviu as suas atitudes. Podemos nos arrepender de um mal feito, por vários motivos: ao vermos um semelhante que sofre por nossa causa, por entendermos que somos também responsáveis pelo bem da coletividade, por compaixão, por medo de punição ou simplesmente por entendermos que fazer o bem é, em algum nível, mais gratificante do que praticar o mal.

Muito bem. Acontece que, mais uma vez, esse tipo de mudança para melhor só é possível quando o indivíduo faz uso da memória. Se eu não me lembro de algo ruim que fiz, como poderia optar pela mudança? Somente se eu me lembro do que fui, do que fiz de ruim e das consequências dos meus atos, é que posso me arrepender. Como alguém poderia se arrepender de algo que nem sabe que fez? Como escolher o melhor caminho para a sua vida, sem a memória das experiências vividas? É por se lembrarem do mal que fizeram (e das consequências dos seus atos) que algumas pessoas resolvem procurar alguém que prejudicaram, para se desculpar e/ou tentar compensar de algum modo o mal feito, com o compromisso de não repetir o mesmo erro. Eis a verdadeira evolução espiritual.



As inclinações naturais

Dependendo da sociedade em que nascer, você será uma pessoa totalmente diferente. Se você tivesse nascido no Japão, hoje seria uma outra pessoa, não só com costumes diferentes, mas também com valores morais diferentes daqueles que tem. Se tivesse nascido nos EUA, na África ou na Europa, idem. Tendências naturais fora do seu controle equivalem a boa parte do que você é, e este é um fato científico fartamente comprovado em estudos diversos. É um fato tão inescapável que Nosso Senhor Jesus Cristo o esclareceu – porque poderia aparentar uma injustiça divina que nem todos recebam as mesmas capacidades e oportunidades nesta vida – que cada um será cobrado conforme aquilo que lhe foi dado (Lc 12,47-48).

Ainda assim, caro leitor, a sua personalidade não poderia se desenvolver dentro de nenhum sistema cultural sem o uso da sua memória. Seja você brasileiro, indiano, chinês, nigeriano ou alemão, imagine se hoje você ensina ao seu filho sobre quem ele é, sobre a sua família, sua cultura e bons valores, e também sobre o certo e o errado. Além disso, nesse mesmo dia ele aprende, por experiência própria, que botar a mão sobre a chama acesa do fogão é algo muito perigoso. Bem, ele aprendeu coisas importantes nesse dia. Evoluiu enquanto ser consciente. Mas agora imagine que, amanhã, ele simplesmente vá acordar sem se lembrar de nada do que ocorreu hoje! O que aconteceria? Tal criança não seria capaz de absolutamente nenhum progresso, seja moral, intelectual ou de qualquer outra ordem. Não seria possível evolução alguma na vida de uma pessoa assim, e ela viveria até o último dos seus dias repetindo sempre e sempre as mesmas experiências, sem aprender nada, nunca.

Somos aquilo que sabemos que somos, isto é, o que lembramos que somos, e isso não é teoria, é fato científico. Alguns talvez se lembrem da comédia "Como se fosse a primeira vez", protagonizado por Drew Barrymore e Adam Sandler. Numa cena hilária, o protagonista procura a mocinha (que tem um transtorno de memória crônico adquirido num acidente) numa clínica especializada, e lá encontra um paciente cuja memória recente dura apenas alguns segundos. Os dois se cumprimentam e se apresentam, mas, logo em seguida, após algumas poucas palavras trocadas, o homem volta a se apresentar. Os dois novamente se apertam as mãos e dizem seus nomes, mas... alguns segundo depois, o doente se esquece e volta a se apresentar. Uma cena cômica, mas esse tipo de transtorno existe e na vida real não tem nada de engraçado. Um ser humano com uma doença desse tipo é como um zumbi, um morto-vivo. Exatamente como seria a alma humana, migrando de um corpo para outro, indefinidamente, sem nunca se lembrar quem foi ou o que fez em sua existência anterior: marcando passo eternamente na mesma situação, indefinidamente, incapaz de usar a experiência adquirida para melhorar. É assim que, inexorável, inevitável e obviamente, a teoria da reencarnação, enquanto processo evolutivo, cai por terra.


A lei do carma e o livre-arbítrio

Muitos reencarnacionistas acreditam no carma ou karma. Outros tantos dizem que não, mas na realidade o conceito de ação e reação "cármica" (que é bem diferente da lei física de ação e reação), isto é, a crença de que vamos todos receber o retorno do que fizemos, nesta vida ou na outra, está sempre presente. Alguns tentam argumentar dizendo que a coisa não é assim tão simples, que a questão toda envolve um complicado processo evolutivo, mas o fato é que esse processo implica sempre um conceito idêntico ao do carma. Um conceito impossível de aceitar, se fizermos uso do nosso discernimento mais elementar, livre de apegos à qualquer doutrina. Se não, vejamos:

O carma seria como uma força invisível e irresistível que está sempre a registrar tudo que você faz, a cada momento, para depois manipular circunstâncias para que você sofra ou goze, dependendo do mal ou do bem que fez, nesta ou em alguma outra vida. Sem dúvida um sistema incompatível com o livre-arbítrio e ainda mais incompatível com o conceito cristão do perdão incondicional e da gratuidade. Segundo a teoria da reencarnação, Deus perdoa, desde que você pague. Isto é perdão? Jesus nos ensinou a pedir: "Perdoai as nossas dívidas". O que é perdoar uma dívida? Esquecer essa dívida, deixar para lá, como se ela nunca tivesse existido, ou obrigar o devedor a pagar o que deve, de um jeito ou de outro? Se a sua dívida tem que ser paga, de qualquer maneira, nesta vida ou na outra, faz sentido pedir perdão para as nossas dívidas? Não; elas serão saldadas de qualquer maneira.

Isto significaria que o Perdão divino na verdade não existe, e que nenhuma dívida poderia ser perdoada: todas elas precisariam ser pagas, inexoravelmente, sem escapatória, sendo esta uma lei espiritual/universal imutável. E se esta é uma lei inapelável, então as pessoas não são livres.

Olhando mais de perto, veremos que esta lei estaria, na maior parte das vezes, usando uma pessoa para punir outra. Ora, se alguém me dá uma surra porque eu surrei uma outra pessoa, nesta ou numa outra vida, onde está o livre-arbítrio da pessoa que surgiu para me dar uma surra, como reação pelo que eu fiz? Essa pessoa está agindo, hoje, como compensação pelo que eu fiz ontem, mas... Agora ela vai ter que receber a compensação dela também!? Nesse exemplo hipotético, precisaria depois surgir um terceiro, para surrar o segundo, e depois um quarto para surrar o terceiro e assim sucessivamente, sem fim... Ou então, ele me surra hoje, e amanhã eu volto a surrá-lo, depois ele me surra novamente, sendo um ato a reação do outro ato, ad infinitum. Claro que aqui estamos falando em surras como metáfora para todas a más ações que praticamos na vida.

Consideremos o caso real de uma mulher que foi vítima de um cruel assaltante: ele a baleou, o tiro atingiu sua coluna vertebral e a condenou a passar o resto da vida numa cadeira de rodas. Se isso foi a consequência de algo que ela fez em outra vida, então o assaltante está apenas cumprindo a Justiça divina, manifestada nessa suposta lei de ação e reação espiritual, fazendo a mulher pagar sua dívida. Mas não estaria ele próprio iniciando uma ação, usando o seu livre-arbítrio? E então, estaria ele também gerando carma ruim para si mesmo. Se for esse o caso, se ele está iniciando uma ação fazendo uso do seu livre-arbítrio, então não podemos explicar o sofrimento com base em vidas passadas, porque para alguém iniciar uma ação é preciso que tenha o direito de fazer o que quiser, independentemente do que aconteceu em uma outra vida. É um poço sem fundo, um círculo vicioso sem solução, sem razão de ser e completamente insano.

Outro exemplo: se um homem resolve estuprar a primeira mulher que passar no beco, tarde da noite, usando seu livre-arbítrio, essa mulher não tinha nada a ver com isso. Ele usou o seu livre-arbítrio para fazer o mal a uma pessoa inocente. Dizer que a moça estuprada tinha algo para pagar ou aprender também não explica nada, porque sempre teria que existir uma equivalência proporcional entre os que decidem prejudicar alguém e os que devem ser prejudicados para pagar as suas dívidas. Em outras palavras, as circunstâncias teriam que ser manipuladas o tempo todo, para levar os que querem punir alguém ao encontro dos que precisam ser punidos.

Esta noção não pode ser compatível, de modo algum, com o conceito de livre-arbítrio. O tipo de controle que o carma teria que exercer sobre todas as pessoas e coisas seria algo injusto para todos. É muito mais coerente afirmar que as pessoas fazem o que querem e sofrem as consequências por isso nesta vida –, de acordo com as circunstâncias específicas de cada caso –, do que crer na atuação de uma força invisível que a tudo controla, numa sucessão de vidas sem fim. O estuprador poderá sofrer com um peso na consciência, que vai carregar para o resto da vida. Suas noites de sono não serão as mesmas. Mas ele também pode ser um daqueles tipos realmente frios, que não sabe o que é consciência: ainda assim, ele viverá sob o risco de ser preso a qualquer momento, se a mulher voltar a vê-lo e chamar a polícia. Há também o risco de o marido ou algum parente dela decidir fazer justiça por conta própria. Ele viverá, então, sob o efeito do medo, desconfiado, sentindo-se constantemente ameaçado. Enfim, sua má ação poderá gerar "N" consequências em sua vida. Esta é a lei de ação e reação que a simples observação do mundo natural demonstra ser real. E assim é muito mais simples, prático e justo para todos.

O livre-arbítrio exige acaso. Somente pode existir liberdade num sistema imprevisível. Nosso direito de decidir o que é certo e errado precisa, além da memória, da liberdade.
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História e implicações da teoria da reencarnação dos espíritos


ESTA ABORDAGEM contempla os aspectos morais, éticos, racionais e lógicos, inclusive matemáticos, envolvidos nos sistemas filosófico-religiosos que adotam como fundamento a teoria da reencarnação. Este será o primeiro de uma série de capítulos de um estudo que pretende explicar em detalhes as diversas razões que tornam a reencarnação uma impossibilidade moral, lógica e mesmo matemática, logo também metafísica. Antes de entrar nas particularidades do assunto, consideramos conveniente publicar a breve história da ideia da reencarnação no mundo.

Católico e espírita?! – calúnias espíritas contra a Igreja – conclusão

SEGUE ABAIXO a segunda parte do artigo sobre a disparidade que há entre o espiritismo e a Sã Doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo, visando esclarecer as difamações e calúnias frequentemente divulgadas por representantes do espiritismo numa tentativa de desonrar a Igreja Católica.


Leia antes a primeira parte deste estudo


2 – "O Vaticano não soube, porém, senão produzir obras de caráter exclusivamente material."
(p. 31)

No desenrolar do texto de Chico Xavier, escrito em nome do "espírito Emmanuel", o festival de absurdas e maldosas mentiras vai-se tornando cada vez pior. Segundo o suposto “espírito” – que a esta altura já poderíamos chamar tranquilamente de diabólico, pois quem sustenta falso testemunho está a serviço do maligno –, a Igreja Católica sempre foi fútil e nunca criou nada que auxiliasse a elevação da alma humana(!). Segundo ele, o canto sacro (gregoriano e franco-romano), a orquestra sinfônica, os corais polifônicos, a riquíssima arte sacra, a extasiante liturgia, o cerimonial da Santa Missa, do Matrimônio, bem como os ritos de todos Sacramentos, e mais além o método científico, a estruturação dos cemitérios (que resolveram um gravíssimo problema civil e de saúde pública), a arquitetura das igrejas e catedrais (que recriou a maneira de se pensar a engenharia da construção civil), os majestosos vitrais e esculturas que contavam as histórias da Bíblia para os analfabetos, a criação da Universidade, a cartografia, a alfabetização de tantos povos, as centenas de milhares de obras assistenciais e de caridade espalhadas pelo mundo, que foram o auxílio e a esperança dos feridos de guerra, dos doentes, órfãos, idosos, viúvas e inválidos abandonados pelo Estado em tantas épocas de crise, etc, etc, etc... Nada disso tem valor algum!

Tudo isso e muito mais é enquadrado pelo suposto "espírito" maligno, ao qual Xavier ousou dar como nome um título do Filho de Deus, como “obras de caráter exclusivamente material”...


3 – "Ninguém ignora a fortuna gigantesca que se encerra, sem benefício para ninguém, nos pesados cofres do Vaticano." (p. 57)

Peço perdão pelo desabafo, mas preciso observar que Xavier e/ou o seu “espírito” mentor, além de maledicente, é puramente estúpido. Existe, sim, alguém que ignora a “fortuna gigantesca” do Vaticano: o próprio Vaticano! Se alguém tiver dúvidas a esse respeito, basta confirmar a situação financeira do menor Estado do mundo, que hoje em dia é pública. O fato é que, já há vários anos consecutivos, o Vaticano vem apresentando déficit orçamentário (confira).

Não, o Vaticano não é rico, como pensam muitos. Seu maior patrimônio material se restringe, quase que unicamente, ao acervo em obras de arte, estas sim, de valor inestimável. São históricas, belíssimas e impressionantes. Mas isso não é sinônimo de fortuna e grande riqueza para um país. O Vaticano, como dito, é o menor país do mundo: bem administrado, mas não rico.


4 - "A Igreja fez mais vítimas que as dez perseguições mais notáveis" (p. 56):

Patético. Mais uma afirmação criminosa, que de tão esdrúxula sequer mereceria comentários. Todo inimigo da Igreja em algum momento apela para o ultrapassado argumento da Inquisição. Será que "o espírito" amigo de Chico Xavier acreditava nas fábulas escritas por Voltaire? Será que ele, por exemplo, acreditou que a Igreja teria mandado matar quatro milhões de mulheres na Inglaterra, como tantas vezes ouvimos e lemos por aí, quando a população de Londres do século XV era de aproximadamente seis milhões de pessoas? Bem, se ainda existem ingleses no mundo, hoje, esta já é a prova cabal da ridícula calúnia.

O Papa João Paulo II afirmou certa vez: “Na opinião do público, a imagem da Inquisição representa praticamente o símbolo do escândalo”. E perguntou “Até que ponto essa imagem é fiel à realidade?”. Vamos, então, aos fatos: aqui, a elucidação da questão depende diretamente dos dados e números históricos; apresentemo-los, então (para mais informações, leia este estudo específico):

Vamos tomar como referência as atas do grande Simpósio Internacional sobre a Inquisição – do qual participaram 30 reconhecidos historiadores de diversas confissões religiosas –, com o objetivo de conferir um tratamento histórico e definitivo ao controverso tema Inquisição: uma proposta feita e motivada (atenção) pela própria "cruel" Igreja Católica.

O encontro realizou-se entre os dias 29 e 31 de outubro de 1998. Com a total abertura dos arquivos da Congregação do Santo Oficio e da Congregação do Índice. As atas deste Simpósio foram, alguns anos depois, reunidas e apresentadas ao público sob a forma de livro, contendo 783 paginas, intitulado originalmente “L’Inquisioni”, por Agostinho Borromeo, historiador, professor da Universidade de La Sapienza de Roma e presidente do Instituto Italiano de Estudos Ibéricos. 

As atas documentais do Simpósio já foram e continuam sendo utilizadas em diversas obras acadêmicas; tais documentos são o resultado de uma profundíssima pesquisa sobre os dados realmente históricos dos processos inquisitoriais: as seguintes afirmações foram declaradas pelo historiador Agostinho Borromeo[1]:

Sobre a “terrível” Inquisição Espanhola: “A Inquisição na Espanha celebrou, entre 1540 e 1700, 44.674 juízos. Os acusados condenados à morte foram apenas 1,8% (804) e, destes, 1,7% (13) foram condenados em 'contumácia', ou seja, pessoas de paradeiro desconhecido ou falecidos os quais, em seu lugar, simbolicamente se 'executavam' bonecos”.

Sobre a famosa “caça às bruxas”: “Dos 125.000 processos ocorridos em toda a sua história, os tribunais da Inquisição espanhola condenaram à morte 59 pessoas” (a propaganda anticatólica diz que foram 'milhões'!).

Constatou-se que os tribunais religiosos eram indubitavelmente mais brandos que os tribunais civis; que tiveram poucas participações nestes casos, o que não aconteceu com os tribunais civis que, estes sim, condenaram à morte milhares de pessoas.

Sentenças de um famoso inquisidor – “Em 930 sentenças que o Inquisidor Bernardo Guy pronunciou, em 15 anos, houve 139 absolvições, 132 penitências canônicas, 152 obrigações de peregrinações, 307 prisões e 42 'entregas ao braço secular'”, isto é, ao Estado (AQUINO, 2009, p.23).

O Simpósio concluiu, ao final, que as penas de morte e os processos em que se usou de tortura foram raros e pouco expressivos, ao contrário do se imaginava e do que foi amplamente propagado, por séculos a fio. Tais dados históricos definitivos representam a verdadeira demolição das falsas e fantasiosas ideias sobre a Inquisição. E, sim, Chico Xavier e o "espírito Emmanuel" não só ajudaram a difundir essas graves calúnias históricas, como também exageraram-nas a um nível inédito.

Dados os parcos números finais sobre a Inquisição, e considerando-se que o "espírito evoluído" afirmou que "a Igreja fez mais vítimas do que as dez perseguições mais notáveis", poderíamos indicar-lhe, por exemplo, a leitura do Livro Negro do Comunismo (esgotado nas livrarias: download gratuito aqui), desenvolvido por vários pesquisadores de renome mundial e que aponta as 100 milhões de vítimas do regime vermelho.


5 – “...a imensidade de crimes perpetrados à sombra dos confessionários penumbrosos.” (p. 52):

A maledicência elevada à categoria poética! Se o “espírito” conhece tantos "crimes" assim, por que não cita pelo menos um? Note-se que a Igreja, Noiva do Cordeiro, é Santa e Imaculada, apesar de abrigar pessoas sujeitas ao pecado. E, como sempre dizemos por aqui, isto é assim desde os tempos de Pedro e Paulo. Evidente que padres, bispos e até alguns Papas falharam, e muitas vezes gravemente. A Igreja nunca negou tais fatos. Todavia, estas são indiscutivelmente exceções à regra. Temos uma superlativa maioria de Papas santos, sejam canonizados (80 pontífices receberam o título oficialmente) ou não.

Partindo do pressuposto que o “espírito Emmanuel” é uma “entidade de luz”, de mente elevada, é estranho que se ponha a denegrir toda a Instituição Igreja baseado numa minoria que não a representa, ao invés de reconhecer, por exemplo, a glória que merece uma multidão de santos; entre os papas, São Víctor III, Santo Eugênio III, São Gregório X, São Bento XI, Santo Inocêncio XI, São Pio IX; Santo Urbano II e Santo Urbano V ou Santo Inocêncio V, entre muitos outros, sem falar em Santo Agostinho, São Boaventura, Santo Tomás de Aquino, Santa Teresa de Ávila, São João da Cruz, Santa Teresa do Menino Jesus, São Gregório Magno, São Luiz Rei de França, Santa Catarina de Senna, Santa Perpétua, Santo Afonso de Ligório, São Josemaria Escrivá, São Thomas Moore, São Francisco de Assis, São João Maria Vianei, São Pio de Pietrelcina, São Pio X, Papa Leão XIII, Santa Rita de Cássia, Santo Antônio, São Bernardo, São Eleutério, etc, etc, etc...

Entre os expoentes da Igreja, são milhares de exemplos da mais nobre santidade e do mais alto quilate moral, contra pouquíssimos casos controversos. Mas o tal “espírito” faz questão de ignorar todo um imenso quadro de luzes e dar notoriedade à manchinha no canto da tela. Julga e condena baseado exclusivamente nas supostas falhas, que nem chega a citar, com a clara intenção de difamar e minar a confiança do povo em geral na Igreja, enquanto ignora toda uma maravilhosa história de dois mil anos de fé, heroísmo, caridade e luta pela justiça, revestida de grandiosos milagres, muitos comparáveis às maravilhas descritas na Bíblia (como os Milagres Eucarísticos, os Sinais de Fátima, as milhares de curas milagrosas clinicamente atestadas em Lourdes, e tantos outros), e a inestimável contribuição à construção da civilização ocidental.


6 – "O 'célebre livro de taxas', do tempo de Leão X, em que todos os preços de perdão para os crimes humanos estão estipulados.” (p. 61):

Neste ponto, o festival de barbaridades verbais torna-se cômico, malgrado ainda mais grave. "Célebre livro"?! Ora, o tal “espírito” deveria ter uma fonte de informação realmente muito privilegiada. Tão boa que sabe mais do que o próprio Leão X! Qualquer estudante ou pesquisador que disponha, por exemplo, da coletânea “Compêndio dos Símbolos, Definições e Declarações de Fé e Moral” (Denzinger e Hünermann, Paulinas & Loyola), que representa "a história da Santa Sé sem lacunas" e contém a totalidade dos documentos do Magistério com relação à fé e moral, com mais de 1.400 páginas, pode estudar a coleção dos documentos promulgados por Leão X e descobrir que não há ali absolutamente nada que faça referência ao tal “livro de taxas”.

Como todo caluniador da Igreja, o "espírito" acusa-a de crimes que muitas vezes nem sequer existiram ou daqueles que, se existiram, não foram cometidos por seus membros, como é o caso dos excessos ocorridos durante a baixa Idade Média pela população e pela nobreza, sem participação ou aprovação da Igreja, como já vimos por aqui. Acusar sem provas, difamar, mentir: estes seriam os hábitos de um “espírito de luz”?

Neste ponto abrimos parênteses para desmentir uma falsa informação amplamente difundida na internet, por páginas ateias, protestantes e espíritas: a existência de uma tal "taxa camarae", que teria sido promulgada em 1517[2]. Pois bem, os documentos de Leão X estão dispostos da seguinte maneira:

• Bula “Apostollici Regiminis” – 1513;
• Bula “Inter Multiplices” – 1515;
• Bula “Pastor Aeternus Gregem” – 1516 (esta inclusive determina a doutrina das indulgências conforme observada até os dias de hoje);
• Bula “Exsurge Domine” – 1520 (excomunhão de Martinho Lutero).

Demonstramos e comprovamos em definitivo, portanto, que não há nenhum documento da Igreja –, que tenha sido produzido por Leão X, em 1517, ou por qualquer outro papa, em qualquer outro ano –, que contenha as tais "taxas". Ainda assim, segundo "espírito" difamador, esse livro que não existe seria "célebre"...


7 - "...o dogma da Santíssima Trindade é uma adaptação ocidental da Trimurti da antiguidade oriental":

Esta é provavelmente a pior de todas as acusações. Antes de qualquer coisa é importante esclarecer que foi Allan Kardec quem adaptou e misturou doutrinas religiosas do oriente e do ocidente, numa “salada” sincrética absurda, para formular a sua doutrina, que ele chamou espiritismo; principalmente elementos do cristianismo com outros do hinduísmo.

Recordando que, segundo Nosso Senhor Jesus Cristo, o único pecado que não será perdoado é a blasfêmia contra o Espírito Santo, perguntamo-nos se Chico Xavier teria alguma noção sobre o que a doutrina da Igreja Católica ensina sobre a Santíssima Trindade e o que a doutrina hindu fala sobre a Trimurti, para chegar a proferir um desvario assim tão grande. Vejamos uma breve explicação:

A Doutrina sobre a Santíssima Trindade, segundo a fé católica, “consiste em venerar um só Deus (em Três Pessoas) na Trindade, e a Trindade na Unidade, sem confundir as Pessoas nem separar a Substância; pois uma é a Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo; mas uma é a Divindade (...)”[3].

O Catecismo da Igreja Católica esclarece ainda que "os cristãos são batizados 'em Nome' do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e não 'nos nomes' destes três, pois só existe Um Deus, que é simultaneamente Pai Todo-Poderoso, seu Filho Único e o Espírito Santo: a Santíssima Trindade"[4]; e completa com a seguinte definição: "A Trindade é um Mistério de fé no sentido estrito, um dos 'Mistérios escondidos em Deus que não podem ser conhecidos se não forem revelados do alto'. Sem dúvida, Deus deixou vestígios de seu Ser trinitário em sua obra de Criação e em sua Revelação ao longo do Antigo Testamento. Mas a intimidade de seu Ser como Santíssima Trindade constitui um Mistério inacessível à pura razão e até mesmo à fé de Israel antes da Encarnação do Filho de Deus e da missão do Espírito Santo"[5].

A Visão hindu sobre a Trimurti é a seguinte: “O Sanatama Dharma, a teologia hinduísta, se fundamenta no culto aos avatares (manifestações corporais de um ente espiritual imortal), que muitos hinduístas reverenciam como deuses. Caso particular é o da Trimurti, trio divino composto pelos três maiores deuses: Brahma, o criador; Vishnu, o conservador, e Shiva, o destruidor. O culto direto aos membros da Trimurti, porém, é relativamente raro: em vez disso, costumam-se cultuar avatares mais específicos e mais próximos da realidade cultural e psicológica dos praticantes, como Krishna, Avatar de Vishnu”[6].

Basta um breve olhar para notar que são conceitos completamente diferentes, e que divergem fundamentalmente. Enquanto a Teologia cristã, que é monoteísta, define a Santíssima Trindade como um só Deus Todo-Poderoso que se manifesta à humanidade em Três Pessoas distintas, a Trimurti são três deuses separados, sendo cada um deles possuidor de atributos próprios: um cria, outro mantém e outro destrói a criação, e assim infinitamente num ciclo cósmico interminável.

Somente a imaginação de um desvairado lunático poderia conceber que os Papas tivessem plagiado os hindus para criar o “mito" da Santíssima Trindade. Mais inacreditável é a coragem para afirmar tal barbaridade mesmo com a disponibilidade das abundantes fontes primárias a respeito da mesma disciplina, tanto nas Sagradas Escrituras quanto em uma grande quantidade de documentos oficiais históricos do princípio da Igreja. Citaremos brevemente, abaixo, apenas alguns dos mais conhecidos e diretos.

Ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.”
(Mateus 28,19)

A Ele [Jesus Cristo] seja dada a glória, com o Pai e o Espírito Santo, pelos séculos dos séculos. Amém.”
(São Policarpo, Século I)[7]

O Espírito Santo, que é preexistente, que criou todas as coisas, Deus o fez habitar no corpo de carne que Ele quis. Pois bem. Esta carne em que o Espírito Santo habitou serviu bem ao Espírito, caminhando em santidade e pureza, sem macular absolutamente nada o mesmo Espírito. Como tinha, pois, levado uma conduta excelente e pura, e tomado parte em todo trabalho do Espírito e cooperado com Ele em todo negócio, portando-se sempre forte e valorosamente, Deus a tornou partícipe juntamente com o Espírito Santo. Com efeito, a conduta desta carne agradou a Deus, por não ter se maculado sobre a Terra enquanto teve consigo o Espírito Santo. Assim, pois, tomou por conselheiro a seu Filho e os anjos gloriosos para que esta carne, que tinha servido sem reprovação ao Espírito, alcançasse também algum lugar de repouso e não parecesse ter perdido a recompensa pelo seu serviço, porque toda a carne em que habitou o Espírito Santo, se encontrada pura e sem mancha, receberá sua recompensa.”
[Pastor de Hermas (séc. I/II),
5ª Parábola, 6,5-7] [8]

Este teve doze discípulos, os quais, após sua ascensão aos Céus, percorreram as províncias do Império e ensinaram a grandeza de Cristo, de modo que um deles percorreu aqui mesmo, pregando a doutrina da verdade, pois conhecem o Deus criador e artífice do universo em seu Filho Unigênito e no Espírito Santo, não adorando nenhum outro Deus além deste.”
[Aristides, Apologia 15,2 (séc. II)] [9]

Assim, pois, suficientemente resta demonstrado que não somos ateus, pois admitimos um só Deus Incriado e Eterno, e Invisível, Impassível, Incompreensível e Imenso … Quem, portanto, não se surpreenderá de ouvir chamar de ‘ateus’ aqueles que admitem um Deus Pai, um Deus Filho e um Espírito Santo, que demonstram seu poder na unidade e sua distinção na ordem?” 
(Atenágoras de Atenas, Súplica em Favor dos Cristãos, séc. II) [10]


Fica definitivamente demonstrado e comprovado que Chico Xavier ou o “espírito Emmanuel” mentem: a doutrina da Santíssima Trindade é fundamental para a sustentação de todo o Edifício de Fé do cristão desde os primórdios da Igreja.

* * *

Como vimos, as “revelações” do “espírito Emmanuel”, se examinadas a fundo, não passam de uma coleção de ridículas mentiras, maledicência, distorção e blasfêmia. Por outro lado, a pesada e contínua propaganda que a mídia promove a respeito de Chico Xavier anestesiou a mente de muitos brasileiros com relação à enxurrada de provas dos seus crimes e dos grosseiros erros contidos em seus escritos. É obrigação de todo aquele que conhece a Verdade propagá-la e combater o engano provocado pela mentira e pelo seu autor principal, que é o diabo.

Para os católicos, lembramos que é pecado a participação no espiritismo, pois já há tempos esclareceu a Igreja que a doutrina espírita é nociva para as almas, afastando o homem da salvação eterna e das bem-aventuranças do Céu. Quem tiver entendimento para entender, entenda.


_________
Notas e ref. bibliográfica:

1. Fontes dos dados sobre a Inquisição:

• L’INQUISIONI. Atas do Simpósio sobre a Inquisição, 1998.


• AQUINO, Felipe. Para entender a Inquisição. 1º ed. Cleofas. Lorena. 2009.


• PERNOUD, Régine. A Idade Média: Que não nos ensinaram. Ed. Agir, SP, 1964.

• ROPS. Henri-Daniel. A Igreja das Catedrais e das Cruzadas. Vol. III. Ed. Quadrante, São Paulo. 1993.

• DEVEVIER, W. A Historia da Inquisição, curso de apologética cristã. Melhoramentos, São Paulo, 1925.

• TOSSERI, Olivier. 'A Inquisição tinha poderes absolutos'. Falso!, revista História Viva, artigo disp. em:
www2.uol.com.br/historiaviva/artigos/a_inquisicao_tinha_poderes_absolutos_falso_.html

Acesso 1/6/016

2. Um aspecto interessante dessas falsas histórias difundidas irresponsavelmente na internet: algumas referências chegam a citar os 'preços dos pecados' que a Igreja cobraria nesse período histórico em libras, a moeda corrente do Reino-Unido(?). Ocorre que a moeda utilizada no Vaticano não era a libra. Teria o mesmo 'espírito' inspirado algum inglês a falsificar a fábula das tais taxas? É imporante lembrar que a Igreja Católica foi sumariamente banida da Inglaterra até o século XIX, sendo extremamente hostilizados os católicos residentes ou mesmo visitantes, e até hoje enfrentamos restrições naquele país. Claro está que não se tratam de apenas erros e enganos, mas de pura má-fé, calúnia e desonestidade: flagrante crime doloso contra o qual a Igreja deveria tomar urgentes providências.

3. Santo Tomás de Aquino, Princípio do Símbolo Quicumque.

4. Catecismo da Igreja Católica, §233.

5. Idem, §237.

6. HAZEN, Walter. Inside Hinduism. Missouri: Milliken Pub., 2003.

7.  São Policarpo o declara em seu martírio, vide PADOVESE, Luigi. Introdução à Teologia Patrística - 2ª edição. São Paulo: Loyola, 2004.

8. LADARIA, Luis F. O Deus Vivo e Verdadeiro. São Paulo: Loyola, 2005, p. 139.

9. BUENO, Daniel Ruiz. Padres Apologetas Griegos. Madri: BAC, 1954, p. 130.

10. MORESCHINI, Claudio & NORELLI, Enrico. História da Literatura Cristã Antiga Grega e Latina. São Paulo: Loyola, 1996.
www.ofielcatolico.com.br

Católico e espírita?! – calúnias espíritas contra a Igreja

À esquerda, representação artística(?) do 'espírito Emmanuel', o suposto mentor de Chico Xavier

Um leitor que se identifica com o nome Jonas Souza enviou-nos a seguinte mensagem, ao post "Breve biografia de Allan Kardec e as origens do espiritismo":

Sou Católico, e tenho uma profunda admiração pelo Chico Xavier, pela pessoa humana que dedicou a vida em prol do próximo. O que está escarço na sociedade em que vivemos, não importa a religião, qual seja a doutrina ou credo, o amor ao próximo têm que existir acima de tudo, e ainda mais o respeito. Não somos seres capazes de entender o Criador, somos meras criaturas e assim como tudo criado, somos imperfeitos, dizer o que é certo ou errado não cabe a nos, quada qual têm seu modo de viver e como viver, em que acreditamos fica a cargo de cada consciência; vivemos em uma sociedade e não isolados em mundos particulares, respeitar a opinião do próximo se faz necessário para que possamos viver em harmonia."

ESTE ARTIGO não é apenas uma resposta a este leitor específico; antes, constitui uma necessária abordagem de nossa parte quanto a uma das situações mais estranhas com a qual, infelizmente, repetidamente nos confrontamos: a absurda figura do "católico-espírita", isto é, o sujeito que se declara católico mas simpatiza com o espiritismo ou admira algum(ns) de seus representantes. Certamente precisaremos de mais do que um único artigo para tratar de um tema tão amplo e importante, em seus muitos seus detalhes e nas múltiplas questões que suscita.

Antes de tudo, esclarecemos que não é a nossa intenção atacar os espíritas ou simpatizantes do espiritismo. Pretendemos, isto sim, elucidar, orientar e alertar o povo católico quanto à enorme incoerência daqueles que afirmam ser, a um só tempo, católicos e espíritas, demonstrando o tremendo grau da disparidade que há entre a doutrina espírita e a Sã Doutrina de nosso Senhor Jesus Cristo. Neste processo, não temos como nos eximir da necessidade de apresentar e esclarecer as graves difamações e calúnias que são frequentemente divulgadas por muitos dos representantes do espiritismo (muitas vezes alguns dos principais), em websites, revistas e livros, contra a Igreja Católica. Boa parte do povo católico ignora completamente esta importante realidade.

Chico Xavier jovem
Esta abordagem partirá de um exemplo prático e gritante – o mesmo trazido pelo nosso leitor – já que, apesar das polêmicas, Francisco Cândido Xavier é geralmente considerado o mais expressivo alegado “médium” espírita que houve no Brasil (sobre este controverso personagem já falamos com detalhes aqui). Há uma verdadeira multidão que, mesmo fora dos ambientes espíritas, vê os seus escritos como verdadeiras e valiosas revelações do além-túmulo. 

Até aí, não há problemas que diretamente nos digam respeito, já que não nos cabe interferir na liberdade que cada um recebe do próprio Criador para escolher o caminho que vai seguir. Trata-se, entretanto, não apenas de um problema particular, já que envolve o engano e a falsidade ideológica as quais, algumas vezes e em determinadas situações, enquanto exegetas católicos temos por obrigação analisar e procurar esclarecer (veja nossos artigos e estudos específicos). Vivemos, graças a Deus, num país democrático (apesar de todos os problemas) onde todos são livres para praticar a sua religiosidade desde que se respeitem os direitos do próximo: assim como ninguém é obrigado a ser católico ou espírita, todos temos o direito de expressar opinião e somos livres para debater ideias.

O mais grave problema, como já vimos, é que não são poucos os brasileiros que professam a fé católica mas também consideram os livros espíritas, como os de Chico Xavier e Zíbia Gasparetto, entre muitíssimos outros, como obras “inspiradoras” e “reveladoras”. Para o espanto dos verdadeiros católicos, muitos destes preferem ler tais escritos a estudar as vidas dos grandes santos, os Padres da Igreja ou conhecer o Catecismo e mesmo os Evangelhos; eis o motivo de termos mencionado Chico Xavier logo no início deste artigo.

É verdade que essas atitudes equivocadas nem sempre ocorrem por má-fé. Alguns agem de consciência "leve", julgando ingenuamente que o fato de ser católico não impede de crer, por exemplo, na reencarnação, e incrivelmente não percebem o evidente (supremo) absurdo desta situação. Ocorre que a leitura de tais obras leva muitas vezes o católico a absorver um conhecimento totalmente deturpado da realidade, o que termina por subverter o seu raciocínio inclusive em relação à verdadeira história da Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo – a mesma à qual Ele prometeu que, contra ela, as portas do inferno jamais prevaleceriam (Mt 16,18) e junto da qual estaria até o fim deste mundo (Mt 28,20).

O livro “Emmanuel” é um ótimo exemplo. Nele, Chico Xavier pretende relatar casos "verídicos" que um alegado "espírito de luz", que ele chama exatamente de "Emmanuel", lhe teria relatado sobre a Igreja Católica. Note bem o leitor que não estamos a nos meter em assuntos doutrinais internos dos espíritas, e sim cumprindo a nossa obrigação de elucidar a nossa própria doutrina. São calúnias atrás de calúnias, cada qual mais absurda que a outra. O autor, de fato, descreve as mesmas afirmações proferidas por H. L. Denizard Rivail (ou Alan Kardec), que, por sua vez, as retirou de autores anticatólicos da época da Revolução Francesa e do chamado racionalismo francês.


Os trechos reproduzidos a seguir são da 4ª edição do Livro 'Emmanuel'. Assim diz Chico Xavier sobre as 'revelações' que lhe teriam sido ditadas pelo 'espírito Emmanuel':

1. A história do papado é a história do desvirtuamento dos princípios do cristianismo, porque, pouco a pouco, o Evangelho quase desapareceu sob suas despóticas inovações. Criaram os pontífices o latim nos rituais, o culto das imagens, a canonização, a confissão auricular, a adoração da hóstia, o celibato sacerdotal. Noventa por cento das instituições são de origem humaníssima, fora de quaisquer origens divinas (...)” (p. 30);

2. “O Vaticano não soube, porém, senão produzir obras de caráter exclusivamente material (...)” (p. 31);

3. “Ninguém ignora a fortuna gigantesca que se encerra, sem benefício para ninguém, nos pesados cofres do Vaticano (...)” (p. 57);

4. “Ele (o 'espírito Emmanuel') sabe que a Igreja “fez mais vítimas que as dez perseguições mais notáveis (...)” (p. 56);

5. “Ele conhece a imensidade de crimes, perpetrados à sombra dos confessionários penumbrosos (...)” (p. 52);

6. “Tem notícias do célebre livro de taxas, do tempo de Leão X, em que todos os preços de perdão para os crimes humanos estão estipulados” (p. 61);

7. “Sabe que o dogma da Santíssima Trindade é uma adaptação ocidental da 'Trimurti' da antiguidade oriental (...)” (p. 30).

Sim... É difícil ler tantas e tão grossas mentiras (não há como dizer de outro jeito), ainda mais pregadas em nome de um suposto "espírito de luz" ao qual o autor deu o sagrado nome Emmanuel – que os Evangelhos atribuem como título a Nosso Senhor e que significa "Deus Conosco" –, e manter a calma ou o respeito humano. Curioso é que são os espíritas os primeiros a exigir "respeito" logo que alguém lhes teça críticas, mesmo se baseadas em fatos concretos (nosso artigo puramente informativo sobre Chico Xavier, por exemplo, recebeu uma verdadeira tempestade de comentários furiosos exigindo 'respeito', e outros tantos que nos mandavam cuidar dos problemas de nossa própria Igreja).

Evidente que nenhum católico minimamente consciente seria capaz de ler as barbaridades enumeradas acima e não se indignar. Para os espíritas, porém, isso tudo foi “revelado” a Francisco Cândido Xavier por um espírito evoluidíssimo.

O que nos interessa em primeiro lugar é encontrar a resposta para o ponto mais essencial do problema: há alguma verdade nas afirmações apresentadas? Corresponderiam, afinal, essas pseudo-revelações à realidade objetiva dos fatos? Se sim, em que nível?

Analisamos breve e objetivamente as sete grandes calúnias espíritas listadas acima. Pretendemos publicar esta análise em duas partes, pela sua extensão. Segue abaixo a primeira; que seja de proveito aos nossos leitores, é o que rogamos a Deus pela intercessão da santíssima Virgem.


1 – 'A história do papado é a história do desvirtuamento dos princípios do cristianismo, porque, pouco a pouco, o Evangelho quase desapareceu sob suas despóticas inovações. Criaram os pontífices o latim nos rituais, o culto das imagens, a canonização, a confissão auricular, a adoração da hóstia, o celibato sacerdotal. Noventa por cento das instituições são de origem humaníssima, fora de quaisquer origens divinas.' (p. 30)

Diante de tantas acusações, será preciso analisar este item parte por parte, ou seja, observar e esclarecer cada uma das coisas que o “espírito” classificou como "desvirtuamento":


a) “Criação” do latim nos rituais?

Completo absurdo. O latim foi utilizado na Liturgia e nos escritos da Igreja, comprovadamente, já desde o século II, e com a expansão do cristianismo no Ocidente tornou-se idioma oficial (a partir do séc. III), tendo início o chamado período cristão da língua latina. A Missa provavelmente já era celebrada em latim em Roma, que se tornou a sede do cristianismo, desde os tempos de Pedro e Paulo. Com as invasões bárbaras e a queda do Império Romano, o latim tomou o lugar do grego também como língua de uso universal[1].

S. Jerônimo traduziu as Sagradas Escrituras do grego, hebraico e aramaico para o latim vulgar (vulgata), justamente para que pudesse ser bem compreendida por toda a cristandade. Sem sombra de dúvida o latim foi incluído na Liturgia dos ritos e na documentação dos ensinamentos não para "distanciar a Igreja do Evangelho", como mente Xavier em seu livro, passando-se por porta-voz de um “espírito de luz”: ao contrário, a Igreja o fez para aproximar e unir os cristãos, como sempre foi do seu maior interesse. Além de tudo, as línguas provenientes do latim são, hoje, maioria no mundo, o que por si só evidencia e corrobora esta simples realidade.

Podemos concluir, então, que o “espírito Emmanuel”, se existisse, teria se equivocado ou mentido. Não poderia ser, portanto, um “espírito de luz” (estaria mais próximo, realmente do 'pai da mentira'). Enquanto verdadeiros cristãos, lembramos a admoestação divina que nos foi transmitida pela pena do Apóstolo:

Ainda que um anjo do céu (ou um ‘espírito de luz’) vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, que seja anátema.
(Gl 1,8)


b) O papado 'criou o culto das imagens'?

Lamentável. Qualquer iniciante no estudo da História sabe que o uso das imagens no culto religioso é muitíssimo anterior à própria fundação da Igreja. Poderíamos dizer até que as imagens religiosas são inerentes ao conceito de civilização humana. Podemos também citar inúmeros exemplos de imagens confeccionadas por decreto divino, como a Arca da antiga Aliança (Ex. 25,18-20) com os querubins, a serpente de bronze de Moisés (Núm. 21,8-9) e o Templo de Salomão (1Reis 6,23-25 e 7,29), que era repleto de imagens esculpidas e em relevos, pinturas, tapeçarias, etc. Tudo isso muito antes de existir a Igreja. Não há absolutamente nenhum sentido em se afirmar que o papado "criou o culto das imagens". A única explicação de alguém proferir tal disparate tem que partir da pura ignorância, da má-fé ou de ambas combinadas.

Ainda se formos condescendentes e admitirmos que o trecho em questão pudesse se restringir ao contexto da Igreja, isto é, do Novo Testamento, veremos que este mesmo também nos apresenta uma grande variedade de imagens representativas da Glória de Deus. Vemos o Espírito Santo descer sobre o Cristo na forma de uma pomba (Mt 3,16); no Apocalipse, Jesus aparece sob a imagem de um Cordeiro, "digno de receber" todo Poder e todo louvor (Ap 5,12), e também sob a imagem de um Leão (o 'Leão de Judá' que triunfa para romper os Sete Selos). Por fim, é importante notar que o próprio Jesus jamais condenou o uso cultual das imagens no Templo de Deus, onde foi apresentado, onde pregou aos doutores da Lei e do qual expulsou os vendilhões.

Por fim, se avançarmos além da esfera do cristianismo, existem infinitos exemplos que poderíamos citar, oriundos de todas as religiões, inclusive (talvez principalmente) do brahmanismo, onde Kardec foi buscar suas ideias de “evolução do espírito” através de uma gigantesca sucessão de “reencarnações”, para misturar com figuras e conceitos cristãos e confundir o raciocínio dos ingênuos.

Como se vê, é facílimo demonstrar que, de fato, a Igreja não “inventou” o uso cultual das Imagens, principalmente no sentido pejorativo que o texto lhe confere. De fato, trata-se de uma acusação tola, simplória e pueril, que só poderia partir de uma mente embotada ou bastante confusa.


c) O papado inventou a canonização?

O que é a canonização dada pela Igreja? Simplesmente o ato de atribuir o estatuto de Santo a um cristão de vida exemplar, e é claro que só a Igreja poderia fazê-lo, já que santo é alguém que integra o Corpo Místico de Cristo (a própria Igreja) e cumpre os mandamentos de Deus e da mesma Igreja. Logo, negar a canonização é negar a existência dos santos –, e sabemos bem que o espiritismo o nega –, já que não admite a existência do Céu nem do Inferno, mas prega que estamos todos, sem exceção, num processo de constante evolução espiritual.

O papado inventou a canonização dos santos, num tempo posterior e num contexto estranho ao da pregação do Cristo, como insinua o texto espírita? Evidente que não, já que a Igreja desde sempre creu e venerou os santos, e prová-lo é tão simples quanto apontar as inúmeras e claras citações dos Apóstolos neste sentido (que já iniciam muitas de suas epístolas saudando 'os santos' de tal lugar).

Sendo assim, tal afirmação do suposto "espírito" deveria se traduzir numa das revelações mais importantes de todos os tempos! Só mesmo uma inteligência extra-terrestre poderia supor que os Papas criaram a canonização, muitos anos depois de Cristo, com a intenção de afastar a Igreja do Evangelho! Estamos diante de algo realmente novo e revolucionário, que poderia mudar a história do cristianismo e da humanidade como um todo... Se tivesse o menor fundamento na realidade. E, se tivesse, precisaríamos urgentemente avisar a todos os cristãos do mundo, reconhecendo inclusive que nem mesmo S. João teve quem o alertasse deste absurdo, quando escreveu no Apocalipse: “E da mão do anjo subiu diante de Deus a fumaça do incenso com as orações dos santos” (Ap. 8,4).

Mais ainda, a grande "revelação" deste incrível “espírito” mostraria que nem mesmo o Rei Davi, lá no Antigo Testamento, sabia o que estava dizendo quando proclamou: “Os céus louvarão as tuas maravilhas, ó Senhor, e a tua fidelidade na assembléia dos santos” (Sl 89,5). Ora, se foram os Papas que inventaram a existência dos santos – ou os termos que os definem –, por que já antes de Cristo se falava neles? Perdoe-me o dileto leitor, mas esse trecho não merece maiores explicações, a não ser a menção de que aqui é preciso escolher entre o que diz a Bíblia Sagrada, em consonância com a Santa Igreja, ou o que teria uma alma "desencarnada" desconhecida assoprado aos ouvidos de Chico Xavier. Enquanto cristãos, julgamos desnecessário aconselhar nossos leitores a optar pela primeira.


d) O papado inventou a confissão auricular?

Afinal, uma verdade. O “espírito”, ainda que claramente mal intencionado, acertou uma. Mas será que esse “Emmanuel” e Chico Xavier sentiam saudades do costume dos tempos da Igreja primitiva, quando as confissões eram públicas, feitas diante de toda a assembleia, e o perdão só era dado meses após a confissão?

Humildemente, ousamos afirmar que é bem mais cômoda e misericordiosa a confissão auricular, em que o fiel e um padre em particular conversam a sós, com toda a caridade, tranquilidade e privacidade, e este último concede em nome de Deus o perdão dos pecados, permitindo que de imediato volte o confessante a participar da Comunhão do Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Especificamente na época em que o livro espírita foi escrito, a confissão era necessariamente feita no confessionário, com uma tela entre o padre e o penitente, que tinha por objetivo uma privacidade ainda maior, para que ninguém se sentisse envergonhado ou constrangido em confessar alguma falta mais embaraçosa. Tudo visava facilitar e tornar mais suave a obrigação do fiel. Para o “espírito Emannuel”, entretanto, isso é algo ruim, pérfido, planejado com sinistras e ocultas intenções.

Nunca é demais lembrar, neste ponto, que foi Nosso Senhor Jesus Cristo quem deu autoridade aos Apóstolos e aos seus sucessores para perdoar os pecados do povo (Jo 20,22-23). Por consequência, torna-se importantíssimo lembrar também que as Chaves do Reino dos Céus foram dadas a São Pedro e aos mesmos Apóstolos (Mt 16,18-19. 18,18. 28,16-20); consequentemente, aos seus sucessores, e não a “espíritos” desconhecidos, dos quais não temos como conhecer a origem, nem aos seus supostos “intérpretes”.


e) O papado criou a adoração da Hóstia?


Responder a acusações tão absurdas, tão sem pé nem cabeça, requer generosa dose de paciência, e como espanta saber que muita gente se perdeu e continua se perdendo em insanidades deste tipo! Ora, adorar a Deus é a prática cristã mais essencial, mais fundamental e a primeira entre todas, assim como era para os antigos judeus e para os praticantes de qualquer religião que professa a fé num Deus criador e todo-poderoso. Some-se a isto o fato de que nós, cristãos, cremos no que Jesus disse dEle mesmo: que é Deus e que está presente no Pão (Hóstia) e no Vinho consagrados, e surgirá mais do que clara a resposta quanto ao motivo de adorarmos o Santíssimo Sacramento do Altar. Não adoramos propriamente a hóstia em si, enquanto pão, porque seríamos estúpidos se o fizéssemos. Adoramos no Pão Consagrado a Jesus Cristo, Deus, Sacramentado.

Mais uma vez, algo tão simples que não merece maiores comentários. Se o leitor tiver dúvidas, leia mais a respeito neste estudo específico.


f) O papado criou o celibato sacerdotal?


A Igreja instituiu o celibato sacerdotal baseada nas recomendações diretas do seu Fundador, Jesus Cristo:

Nem todos são capazes de compreender o sentido desta palavra, mas somente aqueles a quem lho foi concedido. Porque há eunucos que o são desde o ventre de suas mães, há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens e há os que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos Céus. Quem puder compreender, compreenda. 
(Mt 19, 11-13)

Todo aquele que por minha causa deixar irmãos, irmãs, pai, mãe, esposa, filhos, terras ou casa, receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna.
(Mt 19,29)

Também o santo Apóstolo confirmou a mesma admoestação, deixando-nos o seu testemunho nas Sagradas Escrituras quanto à excelência do celibato, pondo-se como exemplo: "Digo aos solteiros e às viúvas que lhes é bom se permanecerem assim, como também eu" (1Cor 7, 8-9).

É, portanto, condição preferencial para o sacerdote que seja celibatário, sacrificando assim integralmente a sua vida pelo Reino de Deus. Como bem diz Nosso Senhor, só pode compreender isso quem verdadeiramente possui tal vocação.

Assim, a instituição do celibato é extensível a todos aqueles que querem seguir Jesus Cristo na condição especial de sacerdotes. É importante notar que o celibato não foi uma imposição do Papa, mas a formalização de uma prática ostensivamente utilizada pelos sacerdotes desde sempre, sendo o decreto apenas uma forma de tornar oficial a prática informal. Note-se que não há nenhum registro histórico de manifestações contrárias a instauração oficial do celibato e, até hoje, salvo raras exceções, há consenso entre os presbíteros sobre a necessidade e o valor do celibato.

Portanto, algo que é praticado desde o começo da Igreja não poderia de modo algum ter sido feito posteriormente, com o fito de afastá-la das suas origens. Se quisessem reclamar com alguém, o “espírito” e Chico Xavier deveriam ter reclamado com o Fundador da Igreja Católica: o Verdadeiro e Único Emanuel, Deus Conosco: Jesus Cristo.


g) Noventa por cento das instituições católicas são de origem humaníssima, fora de qualquer origem divina(!?)?


Curiosíssima sentença para um autor que pretende contestar a origem divina da Igreja. Se noventa por cento é humano, então dez por cento é divino? Em que isto implicaria? E, neste caso, quem seria capaz de "peneirar a Igreja" para poder descobrir o que nela é divino e o que é humano?

Bem, o leitor que se dispuser a pesquisar a sério e com empenho terminará por descobrir que a realidade é o exato oposto disso! Noventa por cento ou mais de tudo aquilo que define a Igreja é de origem divina para os cristãos, pois foi revelado pelo Espírito Santo ou instituído diretamente por Jesus Cristo. O que dizer da Santa Missa, da Transubstanciação, dos Sacramentos, da Comunhão dos santos, das revelações e milagres, da compilação e canonização das Sagradas Escrituras, do perdão dos pecados (dado gratuitamente a todo aquele que se arrepende e se converte, sem nenhuma necessidade de ‘reencarnações’ sucessivas num processo infinito de evolução moral), da Imaculada Conceição de Maria, etc, etc?..

Substancialmente, são essas e outras realidades sagradas que compõem aquilo que define a Igreja. Tudo o que há fora disso são formas das quais a Igreja dispõe para subsistir no mundo.

** Ler a conclusão

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1. COMBY, Jean. Para ler a história da Igreja, das origens ao século XV, vol. I, 3ª ed. São Paulo: Loyola, 2001
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