O que respondi no Facebook: Tradição, tradicionalismo e a arrogância da juventude

REPRODUZO ABAIXO a postagem que me foi enviada no Facebook, do seminarista carioca Matheus Muniz, que me parece um jovem cheio de fé e esperança e um futuro digno pastor da Igreja de Cristo. Respondi a esta postagem com um comentário que vem sendo replicado por diversas pessoas em suas próprias páginas, o que me chamou a atenção: talvez algo daquilo que ponderei possa ter algum valor intrínseco para o povo católico em geral. O problema citado pelo seminarista de fato existe e é palpitante, então resolvi publicar o comentário, seguido de minha resposta, por aqui. Segue abaixo; rogamos a Deus que seja útil.


Sabe qual é o problema? O problema é que esse jovem que se converte, nos nossos tempos, não é como o jovem de antigamente, e o digo por dois motivos: primeiro, porque ele é mais bem informado e está melhor preparado do que os nossos pais e avós estavam, na época deles; as disposições com que se aproximam da Igreja são bastante diferentes. Segundo, porque o projeto de Igreja que se apresenta para ele, hoje, também não é mais o mesmo que se apresentava aos nossos pais e avós.

O jovem de hoje, via de regra, se converte mais pela razão do que pela emoção. Ele se apaixonou e se converteu àquela Igreja heroica, dos santos e dos mártires; Igreja que preserva os dogmas; Igreja que está sempre disposta a dar a vida em sacrifício pela defesa da Verdade (que é Cristo); Igreja que tem valores inegociáveis; Igreja que celebra na Santa Missa a Renovação incruenta do Sacrifício do Calvário; Igreja que mantém a mesma fé apostólica por dois milênios; Igreja que é, enfim, a continuidade histórica de Nosso Senhor Jesus Cristo no mundo...

Aí ele faz o quê? Procura o padre da paróquia mais próxima para se confessar e receber os demais Sacramentos. Chegando lá, logo de cara, o padre já lhe diz que vários daqueles pecados que ele está confessando já não são mais pecados, que isso é coisa do passado, que agora a Igreja está se "modernizando"... E ele pensa: mas a Igreja por acaso mudou a doutrina? Deus pode mudar? Mas esse jovem bem informado sabe que aqueles são pecados que precisam ser confessados, sim; para ele, essa recepção é algo inesperado, muito estranho e também muito frustrante... Uma grande decepção.

Então ele vai à Missa e vê um bando de gente dançando, pulando e sambando, e o padre a dizer que a Missa é festa, que é "o encontro dos irmãos em torno da mesa da partilha" e todo um discurso socialista que ele abomina, porque sabe que é falso e anticristão (e que já foi por diversas vezes condenado pela Igreja, mas por alguma estranha razão continua na boca dos sacerdotes que deveriam combatê-lo). Também ouve muitos padres dizendo que "a religião não importa, o importante é o amor" ou "acreditar em alguma coisa" ou "ter Deus no coração"...

E esse jovem recém-convertido vai ficando cada vez mais perplexo, porque sabe que nada daquilo corresponde à verdadeira doutrina da Igreja. Quando, empolgado, ele procura alguma pastoral para integrar, pois como leigo quer participar ativamente no Corpo de Cristo, percebe uma série de intriguinhas, guerra de vaidades, fofoca de gente materialista e sem fé... Tudo menos a coerência com o Evangelho e o amor fraterno que ele esperava encontrar, e é mais do que nítido que esse estado de coisas é o resultado da má formação, da catequese deficiente, da falta de zelo dos pastores. E é assim que uma sucessão de tragédias vai fazendo com que esse jovem – que é inteligente, que estuda e tem uma fé ardente – perceba que há uma absurda e imensa distância entre a Igreja dos santos e dos mártires, a Igreja da música sacra, das catedrais, das artes e dos grandes teólogos, à qual ele realmente se converteu, e aquela caricatura de Igreja que ele encontra ali na paróquia da esquina, do pároco comunista militante e dos fiéis desinteressados.

E assim a perplexidade se torna indignação; ele se revolta e –, por amor a Deus –, quer protestar, quer combater as heresias entranhadas no seio do Corpo de Cristo que ele tanto ama e deseja.

Não, esses jovens não são "carrascos". Sim, existem os radicais, aos quais falta caridade e humildade para enxergar que Nosso Senhor está ali, mesmo naquela paróquia tão cheia de problemas, e que é preciso paciência e amor fraterno para mudar as coisas, mais do que arrogância e duras criticas. Sim, mas também há uma geração (graças a Deus!) de jovens que não se conformam de ver que a "fumaça de Satanás" não só penetrou, mas infestou a Igreja de Cristo, contaminou o ar, sufoca aqueles que querem ser santos. Com toda a justiça, esses jovens se sentem indignados, e eu digo que me identifico totalmente com eles!

Estes não se dobram e nem se dobrarão a ninguém, nem a padres nem a bispos traidores, nem às conferências vendidas às ideologias esquerdistas. São jovens cheios de ira santa diante dos vendilhões do Templo! Estes, sim, merecem o apoio de todo verdadeiro fiel católico. A estes, eu digo: Contem com o meu respeito e as minhas orações; já não sou tão jovem, mas eu já fui e continuo sendo um de vocês!

www.ofielcatolico.com.br

40 comentários:

  1. Identifico-me com muita com muitas das coisas enumeradas pelo Henrique Sebastião e posso dizer que também fui levado à Igreja, por graça primeiramente, pois essa é um dom sobrenatural (2º Timóteo I-8 e 9; Romanos XI-6), e depois pelo uso da razão. Embora os abusos litúrgicos não fossem tão longe a ponto de ter pessoas sambando, na paróquia para a qual eu me dirigi no começo da minha conversão, há pouco mais de dois anos, existem muitas dessas ações nefastas. Há catequistas ensinando “sola fide” e livre exame, que as pessoas, fora da Igreja, podem perfeitamente se salvar e outras heresias. Finalizando, essa mentalidade descrita no artigo impera por lá e, creio, em quase todas as paróquias, capelas que não são tradicionais.
    Eu mesmo fui tido como o cara chato várias vezes, não por meio de palavras, mas por intermédio daquele olhar reprovador que, para mim, é inefável, mas penso que a maioria das pessoas sabe do que eu estou falando. E essas admoestações ocorriam justamente pelo motivo elencado, porque para aqueles que conhecem um pouco de doutrina é muito doloroso ver a crise que se passa no seio do corpo de Cristo. Não vou mais a essa paróquia, hodiernamente frequento quase que exclusivamente a missa de sempre.
    Infelizmente, a maioria dos católicos é totalmente ignorante de doutrina, não sabem nem o mais comezinho. Vi, há um tempo, que apenas 15 % dos fiéis vão à missa todo domingo e, desses, apenas 8% se confessa regularmente. Daí podemos concluir que cerca de 1% leva a fé minimamente a sério. A crise é avassaladora, não há como negar. Penso, na minha humílima opinião, que o CV II tem enorme responsabilidade nisso sim! É fato que o que esse seminarista falou ocorre, já li alguns chamando até mesmo o Pe. Paulo Ricardo de herege. Todavia, essas pessoas estão a léguas de distância de ser o maior problema da Igreja, há, antes, o clero traidor, os teólogos da libertação, os relativistas e quejandos.
    Oremos pela Igreja.

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  2. Indignação com tantos teólogos da libertação e toda sorte de hereges e de falsos profetas no seio da Igreja não se vê, agora quando há conversões inspiradas pelo Espírito Santo de jovens ardentemente desejosos de que a Igreja de Cristo seja verdadeiramente de Cristo, aí não faltam críticas. Quem é qualquer criatura para questionar os desígnios divinos? Se o Espírito Santo assim deseja e com toda sua onisciência sabe que a Igreja precisa se voltar à tradição da Igreja de 2 milênios, quem é que pensa ser qualquer criatura a questioná-Lo? Eu mesmo posso dizer que me converti humildemente pela graça do Espírito Santo há 3 meses e muito me consola saber que há tantos que desejam e lutam pela verdadeira Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, da mesma forma a que sinto que fui chamado. Nossa Senhora tem nos mostrado os sinais dos tempos e bendita seja a digníssima Mãe de Deus por convocar um exército dos soldados de Cristo para esses novos tempos que estão por vir. Botemos nossos joelhos no chão e oremos e nos sacrifiquemos para que a Igreja de Jesus Cristo prevaleça e o Imaculado Coração de Maria triunfe sobre a cabeça de satanás. Salve Maria! Paz e bem!

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  3. Henrique meu irmão, emocionado com a sua resposta ao comentário.(Sou um desses jovens e penso conforme você escreveu). Não podemos nunca faltar com a caridade e o amor ao próximo, mas também não podemos ser omissos e COMPACTUAR COM OS ERROS DOS IRMÃOS E DO CLERO DENTRO DA PRÓPRIA IGREJA, FAZENDO VISTA GROSSA E FINGINDO QUE NADA ACONTECE, SENDO OMISSOS, COVARDES...

    EU AMO A SANTA IGREJAA!!

    O AMOR PELA VERDADE (CRISTO CRUCIFICADO) NOS CONSOME...

    A Paz de Cristo!

    Salve Maria Imaculada!

    André

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    1. Salve Maria Imaculada, André, e graças a Deus pelo exército de jovens que vem e do qual você faz parte! Deus vos salve e fortaleça para que procedam à "Reforma da reforma"!

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    2. graças á deus nunca fizeram isso aqui na nossa paróquia, como estou fazendo crisma, o catequista ensina que deve respeitar os protestantes e ficar atento aqueles que agem de maneiras "estranhas" (nunca julgar, por mais difícil que seja... )

      bom, vendo por uma perspectiva eu tenho sorte.

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  4. Faço dessas também as minhas palavras sem tirar nem acrescentar uma vírgula. Incluindo o fechamento desta resposta quando di: Contem com o meu respeito e minhas orações; já não sou tão jovem, mas sou um de vocês!

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  5. Querido irmão, sou apenas uma catequista em uma pequena comunidade em Diadema e amo a IGREJA de Cristo!Concordo com o que você disse, mas quero reiterar que esses jovens precisam de apoio e orientação.a INTENÇÃO DELES É LOUVÁVEL E ADMIRÁVEL e eu também os apoio.Mas temo que com o tempo, a proporção de jovens "radicais"aumente, exatamente por todos os motivos que você acabou de descrever.Nesse caso, qual o caminho para acolher e orientar bem esses jovens sedentos pela verdade,JÁ QUE MUITAS VEZES ELES NÃO ACEITAM NENHUMA ORIENTAÇÃO,FORA DO QUE APRENDEM NA INTERNET
    ? OBRIGADA"

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    1. kila silva, acho que você está se prendendo apenas ao que observa na net. Esses jovens que você chama de "radicais", muitos não são na realidade, apenas defendem e VIVEM o evangelho IMUTÁVEL de Nosso Senhor Jesus Cristo, sem relativismo, em observância aos ensinamentos da Santa Igreja e dos Santos Padres no decorrer da história Eclesiástica.

      Reitero, a maioria deles tem um bom conhecimento sobre a Doutrina CATÓLICA, vivem os Sacramentos, (Confissão Frequente, Eucaristia, Santa Missa), além da DIREÇÃO ESPIRITUAL (muito neglicenciada em muitas Paróquias e importantíssima para a "caminhada" do leigo).

      Pode acreditar, muitos deles estão bem encaminhados, são dirigidos por excelentes Sacerdotes, lutam pela Santidade verdadeira. Não caia na "onda" de meia dúzias de pessoas que "aprendem na internet".

      Já experimentou discutir a Doutrina Católica com os defensores da Tradição? não é simplesmente aprendizado de internet... Muitos amam a Santa Igreja e vivem com amor e caridade defendendo sua Fé Católica.

      E na grande maioria, estão melhores encaminhados... mais "seguros", pois tem bons Confessores e Diretores que não relativizam, ensinam, amam ,CORRIGEM... melhores que muitos padres da TL esquerdistas em que muitos não cumprem seu papel de guiar as ovelhas nas verdades eternas, e vivem de discurso "meloso" e que tudo pode, isso ou aquilo não é pecado... conheça um verdadeiro fiel católico, que defende sua Fé sem temor, com AMOR e você talvez mude de opinião.

      A Paz de Cristo!

      Salve Maria Imaculada!

      André

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    2. Eles aceitam sim, desde que vc tenha conhecimento aprofundado sobre teologia e filosofia.

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    3. Olá, Kila, tudo bem?
      Gostaria de reiterar as palavras de nosso irmão André quando ele fala que, na realidade, tais jovens não são "radicais", mas pessoas que, fervorosamente, procuram viver o Evangelho de Nosso Senhor em sua plenitude em sem os tais relativismos contemporâneos.
      O ocidente, infelizmente, após o Iluminismo, vem jogando fora toda uma tradição que o manteve em pé como um espaço civilizatório que irradiava influência para todo o restante do mundo. De lá para cá, nos últimos séculos, nos deixamos levar por discursos cada vez mais enfeitados na forma e vazios em seu conteúdo.
      Assim, muito me alegra quando vejo um jovem procurar-me para pedir orientação sobre a História da Igreja, sobre os Santos Sacramentos, sobre as orientações dos Pais da Igreja e dos Santos Monges.
      Hoje, pela graça de Deus, sou responsável por uma missão da Igreja Ortodoxa da Polônia em Mato Grosso e muito me alegro quando vejo que a Igreja de Cristo se renova com jovens desse tipo: mais intelectualizados, com gosto pelo conhecimento, leitores contumazes, questionadores... deixemo-los assim e os saudemos, pois serão eles que manterão viva a chama de Pentecostes!
      Aliás, para concluir, eu te digo: aquilo que tu chamas de "radical" em tua paróquia, em nossa missão nós chamamos de "cristão autêntico".
      Fiquemos todos com a paz da Santíssima Trindade.

      Irmão José de Lucas
      Missão da Igreja Ortodoxa da Polônia em Mato Grosso
      Eparquia Ortodoxa do Brasil

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    4. Caríssima Kila, se estes jovens aos quais você se refere são "radicalmente" pela Verdade, que é Cristo, e o que não estão aceitando são os abusos deste ou daquele padre, então não há no que corrigi-los. Eles estão certos e cumprindo seu papel enquanto dignos cristãos e fiéis católicos!

      O melhor jeito de acolhê-los é simplesmente pondo-se ao lado deles e dizendo: "Parabéns, graças a Deus que nos manda soldados de Cristo como vocês para resgatar a fé da Igreja e restaurar as coisas!". Apenas, talvez, em alguns momentos e determinadas circunstâncias, seja necessário pedir a eles que tenham paciência, porque no ímpeto da juventude – sim, é verdade – podem acabar se esquecendo que a caridade fraterna também é obrigação cristã.

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  6. História da minha vida, sou ex-protestante, quando fui fazer catequese... nada que eu via era o que estava no Catecismo. Era só relativismo, a Igreja mudou, a Igreja foi fundada por Constantino, tem que liberar sacerdócio feminino, tem que liberar casamento pra "divorciados" e toda sorte de bobagem. Graças a Deus consegui me firmar na Verdade, Cristo e sua Igreja infalível. VOU SÓ NA MISSA TRIDENTINA HOJE

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    1. Há muitos como você, anônimo; uma verdadeira multidão, e eu mesmo tenho o prazer de conhecer muitos. Isso me anima e faz reacender em mim a fé na divina Providência que jamais deixará que a Igreja de Cristo sucumba, mesmo que os verdadeiros fiéis católicos, a bordo da Barca de Pedro, naveguem num mar de apostasia.

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  7. A Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo!!! Aproveitando o assunto do post sobre tradicionalistas, gostaria que o Henrique ou qualquer fiel me tirasse uma dúvida. A Missa de Paulo VI é correta? O Missal Romano pode ter falhas, ou ele é infalível? Já ouvi dizer que algum Papa afirmou em Concílio que a Missa Tridentina é imutável. Também ouvi dizer que Paulo VI recebeu ajuda de pastores protestantes para fazer a Nova Missa. Isso é verdade??? O Concílio Vaticano é infalível ou não??? Estou confuso!!! Com a Igreja de Cristo sufocada pela fumaça de Satanás fica difícil enxergar a verdade. Desde já, obrigado.




    Enzo Gabriel

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    1. Também quero ver essa resposta >

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    2. Caro Enzo, Salve Maria!
      vou tentar esclarecer as tuas dúvidas, dentro da minha capacidade:
      1) a Missa de Paulo VI é válida, pois foi promulgada pelo Romano Pontífice, que é a suprema autoridade em matéria de fé e doutrina;
      2) o Papa Paulo VI não ab-rogou a Missa Tradicional (dita de S. Pio V), logo esta tabmém é válida, como lembrou Bento XVI no motu proprio Summorum Pontificum;
      3) o Consilium, órgão criado por Paulo VI para elaborar a Missa Nova, foi comandado pelo arcebispo Annibale Bugnini, que convidou 6 pastores protestantes como "observadores";
      4) o Concílio Vaticano Ii é tão infalível quanto qualquer outro. O que sucedeu foi que um falso "espírito do Concílio" foi empurrado goela abaixo de fiéis que não suspeitavam de nada do que viria pela frente, e que acederam em espírito de confiança em seus pastores, nem sempre com os melhores resultados mais por causa das intenções imperfeitas dos pastores do que por defeito intrínseco ao que era apresentado aps fiéis para ser crido.
      Espero ter ajudado.

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    3. Ronald Pinheiro, o Concílio Vaticano II não é dogmático. Foi um concílio pastoral, logo não possui infalibilidade, em nenhum momento foi proclamada alguma verdade de fé.

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    4. Muito obrigado, Ronald!!! Me esclareceu!!!

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    5. Carlos: sim, eu sei que o Concílio Vaticano II não fez nenhuma nova formulação dogmática, e que isto foi usado pelos adeptos da língua dupla para fazer avançar, por meio de linguagem dúbia, coisas que não estavam na cabeça da esmagadora maioria dos padres conciliares. Por isso eu disse que um falso "espírito do concílio" foi imposto aos fiéis, pos causa das "intenções imperfeitas" dos pastores que deviam velar pelo rebanho. Nada disso, contudo, faz do Concílio Vaticano II falível, ou "herético", como querem alguns. Chamo atenção para uma fala muito reveladora do Card. Donald Wuerl, (um dos que carregam hoje a tocha do "espírito" do concílio): ele chamou o Concílio de "evento de linguagem". Isto é linguagem descontrucionista, e trai exatamente o que a ala modernista quis fazer, e fez: usar de uma linguagem que pudesse ser interpretada tanto de maneira ortodoxa quanto de maneira heterodoxa, e lutar depois para impor a sua própria narrativa, por meio das conferências episcopais de cada país. Veja:http://www.churchmilitant.com/news/article/synod-showdown-reportoctober-19-2015

      Há muita coisa para fazer para pôr a Igreja de volta nos trilhos e sair desta crise. Devemos começar buscando a santidade pessoal, que é muito mais difícil que acusar o Concílio de "falível", mas é o que Deus quer para todos nós. E quem chegar à santidade primeiro escreve pro Papa (seja ele quem for) para lhe dar conselhos. Eu, por enquanto, eu não tenho santidade nenhuma para oferecer à Igreja, então acho melhor ficar na minha.
      Mas, pra fechar, te digo: o Concílio não fez nenhuma NOVA afirmação de fé, mas ele REAFIRMOU as verdades promulgadas pelos concílios anteriores. Tanto é assim que D. Marcel Lefèbvre assinou os documentos conciliares junto com todos os outros bispos (a aprovação média era de 95%). Os bispos entenderam que os documentos eram aceitáveis do ponto de vista ortodoxo, CONTANTO que fossem ortodoxamente explicados. Desnecessário dizer que isto acabou não acontecendo, e que as conferências episcopais acabaram por se sobrepor à autoridade dos bispos individuais. Isto tudo é lamentável, mas rezemos, trabalhemos e passemos a Fé adiante. A Igreja começou com apenas 12, e é indestrutível. Pela graça de Deus havemos de levar nossos filhos e netos no caminho da Fé Católica, contra os modernistas de todos os matizes e contra o pai deles, Lúcifer.

      Salve Maria!

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  8. Confesso que este foi um das melhores textos sobre o assunto que li até hoje.

    também tenho um.blog, visiteo-o e deixe um comentario, ou até mesmo uma crítica

    http://sociedadelegiaoeucaristica.blogspot.in/?m=1

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  9. Muito interessante a situação, e peço licença para fazer minhas as suas palavras, Sr. Henrique Sebastião. Infelizmente, noto em muitos seminaristas a disposição do seminarista Matheus Muniz, a de submissão cega àquilo que só possui verniz católico, ao mesmo tempo em que critica e ridiculariza o que possui alta catolicidade. Triste atitude em alguém que está em intensa fase de aprendizado... Seminaristas, padres e religiosos que agem assim bem espelham esta passagem do Ev. Segundo São Mateus 23, 13: "Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês fecham o Reino dos céus diante dos homens! Vocês mesmos não entram, nem deixam entrar aqueles que gostariam de fazê-lo.". É comum a disposição daqueles que, mesmo nos estágios iniciais do ingresso no Clero, se mostram como meros "burocratas da fé", não querem se abrasar na fé, estudar, fazer devoção pessoal séria, se ater ao essencial, e isso obrigatoriamente requer mergulhar na Tradição... Que Nosso Senhor os acorde enquanto é tempo! Quanto à questão dos paroquianos mais velhos com catequese capenga, ouvi um relato que me deixou de queixo caído, que uma leiga de minha paróquia me contou, sem corar, e sem mostrar remorso: há alguns anos, o então padre de nossa paróquia se deparou com uma situação complicada, pois naquele ano ninguém se inscrevera na turma de Catequese com Adultos - não haveria crismandos na próxima Vigília Pascal. Então o sacerdote, sem segundas intenções, conversando com ministros e coordenadores da paróquia, veio a saber que um número alarmante deles não era crismado! O padre ficou atarantado com a situação e, com jeito, quis saber porque naqueles anos todos nenhum daqueles católicos se interessou em completar sua iniciação cristã, se todo ano se abriam novas turmas para a Catequese com Adultos... Nessas horas, infelizmente, ninguém pronuncia palavra, mas lançam ao interlocutor o famoso olhar de "O senhor por acaso sabe com quem está falando? Desse jeito, vou ter que descrever minha exemplar folha corrida de serviços na paróquia, nunca faltei em minhas escalas, sempre fui ativo, sempre estive à frente em várias pastorais, conselhos, coordenações ao longo de décadas, sou dizimista que nunca falha (assim como meu pai, minha mãe, meu avô e minha avó, espero não ter que relembrar que sem nossa família esta paróquia não seria o que é...), da altura de minhas cãs e rugas, o senhor vem me falar de crisma? De me inscrever em catequese? Me respeite! Vou me ofender se o senhor tocar nesse assunto novamente, pior ainda se for em público!"... Daí os longevos lançaram no pobre padre o também velho argumento de autoridade. O padre não queria que aquela situação se prolongasse, e não queria se indispor com os paroquianos, que se recusaram terminantemente a entrar na Catequese com Adultos e a receber o Sacramento... O padre, então, propôs que fizessem UM DIA de preparação catequética, para que não ela não fosse omitida de todo, e então poderiam receber a Santa Crisma. Apenas sob nessas condições aceitaram e, assim, um dia antes da Vigília Pascal, os velhos corocos e velhas corocas fizeram uma aulinha de DUAS HORAS de duração, e receberam o Santo Sacramento da Confirmação, o qual recusaram por décadas mesmo assíduos à Igreja... Sinceramente, EU TENHO VERGONHA DESSAS PESSOAS, TENHO VERGONHA DE QUE HAJA ESSE TIPINHO DE GENTE NA SANTA MADRE IGREJA. (continua)

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  10. (continuação) A paroquiana que me contou essa história faz parte dos "narizes empinados" que estão na linha de frente dos leigos da paróquia, e refere-se com o maior desprezo ao Santo Sacramento da Crisma, confessando que não fez a menor diferença em sua vida, que apenas atendeu o pedido do padre para cumprir uma formalidade... Eu procuro não ser implicante, só que averiguando a faixa etária dessas pessoas, o que encontrei? Nascidos nas décadas de 40 e 50... eu mencionei a respeito em um comentário a post anterior. O padrão se repete. Essas pessoas não se dão conta de que pouco são católicas e, sim, socialistas. Pois seu critério máximo é o ativismo, muito comum nas fileiras da esquerda e muito prezada pela pedagogia de Paulo Freire. Para completar a palhaçada, soube, pela boca de alguns dos medalhões da paróquia, que na última missão popular alguns deles bateram à porta de um dirigente espírita, que os convidou a entrar e enumerou a eles as obras de caridade que seu centro espírita realizava há anos... Os "missionários bonzões" não tiveram o que replicar, elogiaram o dirigente espírita, despediram-se e foram embora achando-se menos do que o pagão, a quem reputam como mais caridoso e "mais de Jesus" do que muitos católicos... É ou não é de cair do queixo uma coisa dessas? Eu não sei como essas pessoas fazem para ter um sono reparador à noite... acho que só na base do Prozac mesmo. Sei que estou chovendo no molhado, e que esse tipo de coisa ocorre em muitas paróquias Brasil afora. Só quis dar dois exemplos para dizer que é esse tipo de católicos, leigos e clero, com quem certamente o seminarista Matheus Muniz conviveu, se formou até agora e do qual guardou os testemunhos de vida... Os "católicos jujubas" estão cada vez mais amedrontados e acuados ante os católicos que tem usado a internet para aprender sobre a fé e a Igreja, estão sendo cobrados cada vez mais conforme os dias passam. Felizmente, o padrão de católicos que se tem não terá como ser como vem sendo. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo, e que o Imaculado Coração de Maria seja a nossa salvação!

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    1. “Ainda que os católicos fiéis à Tradição se reduzam a um punhado, são eles a Verdadeira Igreja de Jesus." - Santo Atanásio

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  11. Bom dia Henrique

    Estou enviando novamente meu comentário, pois ontem pelo que me parece, não foi aprovado
    ou por algum outro motivo não chegou.
    Quero dizer que me identifico totalmente com esse perfil do texto. Eu que estou chegando agora e
    já me considero um fiel católico(não oficialmente ainda, infelizmente). Foi exatamente por essa Igreja
    Histórica dos Santos e dos Mártires pela qual me apaixonei. E não a militante do Bof's e quetais por exemplo...
    Aproveito o espaço, pra te pedir que veja um email que te enviei, na sexta-feira passada. Não sei se você
    não viu ou passou batido na correria.
    Afinal foi através desse seu site abençoado que me converti.
    Rezo pra que eu encontre uma paróquia que preze pela Sã Doutrina, e não caia nas mãos desses vendilhões do templo.

    A Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo.

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  12. Parabéns! Bela resposta, é isto mesmo!

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  13. É sempre bom lembrar, que estes “jovens recém convertidos, com o ar tradicionalista e arrogância sem tamanho...”, felizmente não carregam sobre si “trejeitos afeminados”. São garotos machos, no vestir, no olhar e no falar. E isto faz toda a diferença, e, por isto mesmo, não são bem vindos aos seminários diocesanos. São perseguidos e maltratados pelos “coleguinhas” e “formadores”.
    E é por isto, graça a Deus, que a Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, cresce a cada ano em vocações sacerdotais. Esperamos que no futuro próximo a Administração Apostólica se expanda por todo território brasileiro.
    Quem ainda não leu, leia a matéria do link abaixo:
    https://fratresinunum.com/2015/02/24/cresce-o-apostolado-da-administracao-apostolica-sao-joao-maria-vianney-2/

    Seja louvado Nosso Senhor Jesus Cristo!

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    1. Concordo 100% André. Sou vocacionado, heterossexual,(no vestir, olhar,falar, e em qualquer outra situação caracterizadora) e meu Confessor-Diretor não quis, muito menos eu, o ingresso no seminário diocesano da minha cidade, por esses motivos que você citou e MUITOS OUTROS que já conhecemos, infelizmente. André, tem como você me mandar seu email ou número para contato? Gostaria de conversar brevemente sobre esse assunto e sobre a citada Administração Apostólica.

      Salve Maria Imaculada!

      A Paz de Cristo!

      André

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    2. André, aqui é o seminarista Matheus Muniz. Gostaria de entrar em contato com você e perguntar acerca das afirmações sobre mim na sua postagem. Esse é o meu número (21) 96989-2996. Se não quiser ligar, envie o seu número por inbox no Facebook. Você fez afirmações sérias!

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    3. Caríssimo André, irmão em Cristo Jesus
      Infelizmente, eu não tenho maiores informações a respeito da Administração Apostólica, no entanto, se o xará pretende ter informações sobre vocações sacerdotais, queira acessar o site da Administração Apostólica no link Seminário, lá você vai ter as informações necessárias para o ingresso e outros:
      http://www.adapostolica.org/

      Seja louvado Nosso Senhor Jesus Cristo!

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    4. Consegui as informações necessárias André, te agradeço meu irmão em Cristo.

      A Paz de Cristo!

      Salve Maria Imaculada!

      André

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    5. Caríssimo Seminarista Matheus Muniz, irmão em Cristo Jesus!
      Sua bênção!
      Em nenhum momento da minha postagem citei o seu nome, apenas citei que na grande maioria dos seminários, os jovens a quem você se referiu, cito-os: “jovens recém convertidos, com o ar tradicionalista...”, são “personae non gratae” quase que na totalidade dos seminários diocesanos. Quanto aos “trejeitos afeminados” dentro dos seminários, é um problema sério, muito serio! É tão sério, que no ano de 2005, o então Santo Padre Bento XVI, expediu um documento a todos os reitores dos Seminários do mundo inteiro sobre os critérios de discernimentos vocacional, acerca das pessoas com tendências homossexuais e da sua admissão aos Seminários e às Ordens Sacras. Tal documento foi e é ignorado por todos os reitores de seminários, infelizmente! Creio que este problemão, é a raiz da pedofilia dentro da Santa Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.
      Espero ter-lhe esclarecido.
      Seja louvado Nosso Senhor Jesus Cristo!

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  14. Excelente comentário em resposta Henrique, concordo com esse pensamento. Quando você busca conhecimento sobre sua fé você tem uma visão que aquele que fica acomodado não tem, portando não entendem. Sobre alguns desses assuntos gostaria de comentar sobre o livro do padre Paul kramer, dentres vários assuntos que é abordado está sobre o Vaticano II e as mudanças que houve de lá pra cá e que não foram boas Para a Igreja e para o mundo. Queria saber se você conhece ou já leu o livro e se é Para dar crédito em tudo o que nele está escrito!?

    Desde já muito obrigado.

    Valter

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    1. O Derradeiro Combate Do Demônio é o nome do livro.

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  15. Gostei muuuito do que o Henrique Sebastião disse! Me identifico muito com ele! Não sou rad trad, gosto muito dos textos do CVII e até prefiro a missa nova, desde que celebrada devidamente, e reconheço que praticamente o único lugar onde se pode ser católico é em grupos mais tradicionais ou até tradicionalistas, e a única certeza de Liturgia bela e missa bem celebrada é onde tem missa tridentina. Eu já vi muitos padres cometendo abusos litúrgicos, falando heresias nas homilias, defendendo Teologia da Libertação, condenada pelo papa Bento XVI, e já até fui impedido de receber a comunhão na boca e de joelho! Ou seja, a gente tem que lutar por poder ser católico! Parabéns pela publicação!

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  16. Impossível ler esse texto e não se identificar!

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  17. obrigado!!!! me definiu no texto!! tambem ja fui "acusado" de ser muito radical...

    vou guardar esse pedacinho para os próximos acusadores

    E assim a perplexidade se torna indignação; ele se revolta e –, por amor a Deus –, quer protestar, quer combater as heresias entranhadas no seio do Corpo de Cristo que ele tanto ama e deseja.

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  18. Lamento tanto, não encontrar aqui fora, no mundo físico, ninguém com essas aspirações, aqui encontradas. Pessoas que defendam a verdadeira fé. Sinto-me uma aberração, um extra-terrestre, arcaico e "fora-de-moda". Gostaria tanto de encontrar pessoas assim. Que o bom Deus continue a suscitar verdadeiros adoradores de Deus e seguidores da fiel doutrina católica. Parabéns pelos textos elucidativos.

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    1. Não sei de onde o Sr. é, mas , infelizmente, fora dos círculos tradicionais realmente é muito difícil mesmo. Procure, se puder, um desses locais onde apenas a missa de sempre é celebrada.

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