O game 'Pokémon GO' e a vida cristã


QUAL DE NÓS ainda não ouviu falar em "Pokémon GO"? O jogo rapidamente se tornou mania em nosso país, e espanta ver que não só crianças e adolescentes, mas também homens feitos e até pessoas de meia idade andam encantadas com a brincadeira. Nas redes sociais, muitos cristãos andam postando textos dizendo que este passatempo é perigoso, que desperta sentimentos ou instintos negativos, contrários à fé, que aqueles que o jogam cometem pecado... Não faltam aqueles mais radicais que chegam a demonizar o jogo, alguns até vendo nos personagens a tipificação de demônios ou deuses pagãos... 

Alguns dos nossos leitores e assinantes vêm nos pedindo, até com certa insistência, que tratemos deste assunto "da moda", o que num primeiro momento pareceu-nos desnecessário, afinal é só mais um joguinho de smartphone, com a diferença de ter se tornado um verdadeiro fenômeno mundial. Em todo caso, como a repercussão da coisa parece ter assumido proporções realmente incomuns, e vemos cada vez mais pessoas dedicando cada vez mais tempo a caçar monstrinhos virtuais por aí, consideramos que talvez seja mesmo o caso de refletir moralmente sobre o uso saudável desse tipo de diversão a partir da doutrina e da moral cristã e católica.

Para começar a tratar o assunto, dizemos que os entretenimentos saudáveis são válidos e mesmo importantes para a mente e a alma humanas –, que precisam de descanso tanto quanto o corpo físico necessita de repouso após um cansativo dia de trabalho. Nossos irmãos do apostolado Christo Nihil Praeponere, tratando sobre o mesmo tema, foram bastante felizes ao lembrar que grandes teólogos católicos já se debruçaram sobre esta questão. João Cassiano exemplificou de modo magistral, usando um episódio da vida do Apóstolo S. João comentado por Sto. Tomás de Aquino na Suma Teológica:

O bem-aventurado João Evangelista, ao ver que alguns se escandalizavam de o ver jogando com seus discípulos, mandou um deles, que trazia consigo um arco, disparar uma flecha. Depois que ele repetiu isso muitas vezes, o santo perguntou-lhe se poderia fazê-lo continuamente. O outro respondeu que, se assim procedesse, o arco se quebraria. O apóstolo então observou que, da mesma forma, a alma humana se romperia se jamais relaxasse a sua tensão."[1]

Os jogos e a diversão não são, portanto, necessariamente pecaminosos, pelo contrário. Relaxar um pouco, de vez em quando, é uma necessidade humana. O problema começa quando exageramos nesses pequenos prazeres e diversões, e fazemos deles o objetivo maior das nossas vidas. Quanto tempo diário é saudável dedicar à diversão, aos jogos, às pequenas alegrias que nos fazem relaxar da tensão do trabalho e das nossas duras obrigações? Cabe a cada um de nós a resposta, segundo a nossa própria consciência – mas não temos nenhuma dúvida de que muita gente anda exagerando e perdendo a noção da importância que cada coisa deve ter.

Será o caso de se pensar se muitos jogadores compulsivos do tal "Pokémon GO" não estarão inconscientemente substituindo a busca humana essencial – a grande busca por Deus para a qual nascemos e pela qual ansiamos desde o nosso nascimento – por uma coisa tão tola e fútil quanto um joguinho virtual, procurando  preencher o vazio profundo da sua existência e satisfazer os impulsos da sua alma pelo Criador pela caça infantil a seres imaginários como os "pocket monsters" japoneses.

Se por um lado não há pecado nos jogos lúdicos, também é verdade que muitos caem na armadilha (esta sim, diabólica) de viver a vida como se fosse um grande jogo ilusório; isto ocorre quando falta a necessária moderação. Assim, muitos transformam a sua passagem pelo mundo num grande recreio, como se estivessem por aqui "a passeio". Sobre este perigo já nos advertiu S. Francisco de Sales, lá no século XVI: "Se dás muito tempo aos jogos, eles já não são divertimento, mas tornam-se uma ocupação"[2]. Aí, sim, está o perigo para a alma e o pecado contra Deus. Desperdiçar exageradamente o tempo precioso diante de uma telinha de celular em busca de fúteis glórias imaginárias é desperdiçar o dom da vida dada por Deus.
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Notas:
1. Suma Teológica, II-II, q. 168, a. 2.
2. Filoteia ou Introdução à Vida Devota (III, 31). 8.ª ed. Petrópolis: Vozes, 1958, p. 257.
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Ref.:
Existe algum problema com o jogo 'Pokémon GO'?, Apostolado Christo Nihil Praeponere, disp. em:
https://padrepauloricardo.org/blog/existe-algum-problema-com-o-jogo-pokemon-go
Acesso: 11/8/016

www.ofielcatolico.com.br

3 comentários:

  1. SUJEITO A SE CONFERIR SE SERIA UM JOGUINHO TÃO INOCENTE...
    Pokémon é abreviação de Pocket Monsters e diversos o consideram algo santanista, como são a maioria de desenhos "infantis", alguns até instigando as crianças a repetirem palavras de invocação e/ou pedirem proteção aos "espíritos do bem" etc.
    As “conexões” mais possíveis entre Pokémon e o satanismo seriam:
    Os monstrinhos Pokémon seriam demônios, são capturados e invocados para fazer o mal e alguns Pokémon, como Murkrow e Darkrai, representariam bruxas, fantasmas e demônios.
    Outro ocultismo também são aplicados ao jogo, como exemplo o incenso, para atrair os monstrinhos, e também desmistificar aos poucos a palavra monstro, como algo bom.
    Os cristãos precisam discernir que as inovações tecnológicas se usadas em demasia - são super cativantes e cooptadoras das mentes - aparentemente inofensivas, não agregam nada à fé e menos ainda à vida espiritual e, dentre mais seriam para ser mais um meio de desviar as mentes para o niilismo, agarrando-se cada vez mais ás inovações tecnológicas que nos apresentam a cada dia.
    Essa e mais diversões, uma atrás da outra, os globalistas usariam os incautos de massa-de-manobra de uma elite que só precisa de nossa distração e falta de discernimento para nos enganar e fazendo-nos reféns de escravização no material-ateísmo.
    Há alguns santos que relacionaram a perda da fé de forma maciça no tempo da alta tecnologia, como Santa Hildegarda que profetizou: no tempo do avanço tecnológico, laicismo, decadência dos costumes, e então o castigo tremendo!
    Quer prova maior de decadencia de termos a maioria da mulheres vestidas ultra imodestas - a começarem das idosas, as mais novas então... - em todos os lugares, diversas até dentro da igrejas iguais a prostitutas, sem o mínimo pudor, mais se parecendo que estariam é "arrasando" nas ruas pelo visual erótico, porém instigando maus pensamentos e atiçando até à cobiça sobre elas.
    Até hoje, no caso acima, nunca, jamais ouvi numa homilia algo correlacionado nas igrejas, em muitas centenas de S Missas!

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    1. Uiii pocket Monsters. Uiiii demonio... Ah. Vá arrumar trampo que deve estar faltando e para de acreditar em conto da carochinha!!!!

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    2. né...

      o vício que leva á pessoas serem atropeladas/atropelarem os outros por causa do jogo é um problema, na verdade o vício é um problema. muitos me dizem que sou viciado em jogos, mas se fosse eu não "viveria minha vida"...

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