A santa Missa: seus significados imutáveis

Uma explicação tradicional da Missa, feita por um monge beneditino, liturgista, escritor e editor do Missal Tridentino para a Missa com o povo e do Missal Quotidiano para os fiéis: Dom Gaspar Lefebvre, OSB, traduzido pelos Monges Beneditinos de Singeverga, Portugal



O SACRIFÍCIO DA MISSA nada menos é do que o mesmo Sacrifício do Calvário perpetuado nos nossos Altares. Cometido o Pecado Original, que para sempre afastava o homem de Deus, só o Sacrifício de Jesus Cristo, Homem-Deus, restabeleceria no homem a capacidade de render à Majestade Divina, com a reparação da Culpa, aquele preito que toda criatura deve ao Criador. Como fulcro central da Religião, a Missa significa a atualização, levada a efeito pela Igreja, do Sacrifício de Cristo sobre a Cruz, sucesso primacial, único ato Redentor, posto no centro da História uma vez por todas, mas cuja Presença, desta sorte, perdurará na sucessão dos tempos.

No Calvário, Cristo tudo nos reconquistou. Filho de Deus feito homem e Cabeça da humanidade, substituindo-se, vítima inocente, à humanidade culpada; chamando a Si a Dívida do Pecado e dando-se à morte para a remir, Ele faz revogar a sentença do castigo que sobre nós pesava e restaura-nos na Amizade do Pai. Com Seu sacrifício, Jesus justificou-nos, quer dizer, satisfez por nós a Justiça divina e tornou-nos justos pela sua mesma inocência, participantes da sua própria Vida, enfim, seus co-herdeiros.

Ora, são as riquezas incalculáveis deste Tesouro do Calvário que a Missa, quotidianamente, nos faculta e propicia. Não que a morte cruenta do Senhor se repita: para todo o sempre fixado na Glória, Jesus não volta a morrer. Mas o Sacramento contido na Missa atualiza o que se operou sobre a Cruz. A separação do Corpo e do Sangue de Cristo, representada pelo Pão e pelo Vinho separados[1], miraculosamente se efetua no Altar em virtude da Transubstanciação: toda a substância do pão se transmuta na do seu Corpo, toda a substância do vinho na do seu Sangue. É, pois, bem a Vítima divina, em estado real de imolação, que a Missa faz ressurgir entre nós. O culto infinito de adoração, de ação de graças, de expiação e de súplica que, crucificado, o Filho rendeu a seu Pai, de novo o rende Ele sobre o Altar, todas as vezes que se celebra a Santa Missa.

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1. Há que se deixar claro, por cautela aos leitores menos dedicados e apressados, o que o autor quis dizer por "a separação do Corpo e do Sangue de Cristo, representada pelo pão e pelo vinho separados" [sic]. A Missa não é uma representação do Calvário, é o próprio Calvário, assim sendo o que o Corpo e o Sangue, verdadeiro Corpo e Sangue de Cristo, representam sobre o altar, uma vez que estão separados em recipientes diferentes - o Corpo sobre a patena e no cibório; e o Sangue no Cálice -, é a separação do Corpo e do Sangue de Cristo que se operou na Cruz, embora quem comunga o Corpo comunga o Corpo e o Sangue; quem comunga o Sangue, comunga o Sangue e o Corpo, porque em ambos Cristo é total. É esta a verdadeira, e corretíssima, noção de "representar", que não é mera encenação, mas um símbolo do rito romano, verdadeiro que o próprio Cristo instituiu. 
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Fontes:
• MISSAL ROMANO COTIDIANO por Dom Gaspar Lefebvre e os monges beneditinos de Sto. André traduzido pelos monges beneditinos de Singeverga com a colaboração do Revmo. Côn. S. Martins dos Reis. Biblica Bruges: Belgica, 1963.
• Missa Gregoriana em Portugal e no mundo, disp. em:
http://missatridentinaemportugal.blogspot.com.br/2011/04/compenetracao-na-liturgia-da-santa.html
Acesso 3/9/016

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