Saudosistas de um futuro (melhor) que se anuncia!


Por Dom Henrique Soares da Costa

JÁ ESCUTEI MUITÍSSIMAS vezes os incomodados com os jovens que desejam a grande Tradição da Igreja e rejeitam o tanto de secularização e desmantelo em que nos encontramos, particularmente no tocante à liturgia, à doutrina e à moral. Irritados, rotulam esses jovens como "alienados", "clericais", "reacionários", "autoritários"… Ridicularizando, esses incomodados acusam esses jovens de terem saudade do que não viveram.

Pois eu digo: há, sim, alguns exageros e até algumas mentalidades patológicas de reacionarismo atávico; mas não é este o caso da grande maioria desses jovens: eles estão mesmo é cansados de tanta secularização, de tanta ideologia liberal, de tanto imanentismo preconceituoso, de tanto relativismo, de tantas arbitrariedades, de tanta falta de piedade. 

Eles não são saudosistas patológicos: têm, sim, uma saudável nostalgia daquilo que está no seu DNA: a verdadeira fé católica, o verdadeiro espírito católico, as verdadeiras atitudes de um católico! Já Paulo VI constatava, com imensa tristeza, que um tipo de mentalidade não católica havia entrado na Igreja Católica após o Vaticano II. Somente quem perdeu o sentido da Tradição e desconheça o que seja o sensus fidei (= o sentido/instinto da fé) ou o sensus fidelium (= o sentido de fé que os fiéis possuem por ação do Santo Espírito) pode apelar para um argumento tão raso quanto este, de chamar "saudosistas do que não viveram" aos jovens que trazem no seu "DNA espiritual" dois mil anos de vida cristã.

É bom que estejamos bem atentos: se tantos jovens – padres e seminaristas ou leigos – desejam mais retidão, coerência doutrinal, disciplina e seriedade nas coisas da Igreja é porque a ideologia do "espírito do Concílio" (que pouco ou nada tem a ver com a letra e com a real intenção do Concílio) fracassou e está devastando a Igreja: ao invés de uma primavera, colocou-nos num triste e frio inverno.

Mas, o Concílio Vaticano II ainda será sim uma primavera na Igreja, quando, levadas pelo vento, as folhas secas do “espírito do Concílio” caírem todas e despontarem, como já despontam, os brotos de uma equilibrada e fiel vivência do VII no sulco da grande Tradição da Igreja!

Esses jovens incômodos e esses movimentos críticos da bagunça aí presente são sinais efetivos desse despertar! 

Podem ocorrer exageros? Claro que podem! Podem haver reações mesquinhas e pouco evangélicas? Sem dúvida alguma! Podem existir pessoas desequilibradas e metidas a cruzados da Tradição, quando são somente apegadas a costumes, a tradições que não exprimem a grande Tradição? Certamente! Mas nada disso justifica refutar ouvir, rejeitar pensar nas legítimas questões que tantos e tantos jovens generosos, sinceramente católicos, colocam sobre os rumos que muitos dão à Igreja, escudando-se numa interpretação unilateral do Concílio Vaticano II!

Não aconteça que falemos tanto em acolher os jovens  jovens por nós idealizados  e tratemos a pontapés os jovens reais, concretos, que, sedentos, procuram na Igreja e nos seus pastores quem lhes dê a Vida em Cristo Jesus!

Eis aí: o DNA católico está vivo; por obra do Espírito do Ressuscitado, nunca morrerá! E esses jovens  e tantos adultos  são prova disto.


** Leia também: 'O que respondi no Facebook: Tradição, tradicionalismo e a arrogância da juventude'
www.ofielcatolico.com.br

2 comentários:

  1. Muito sensato o texto, a atual situação em que se encontra a Igreja, nos joga de um lado ou do outro. E no meio da confusão ficam aqueles que não sabem para que lado olham. Conheço muitos jovens que amam a Igreja como era, mas entendem que vivemos da continuidade, o que atrapalha o Concílio Vaticano II é realmente o "espirito", mas se fosse seguida a "letra" não haveria tanta confusão em torno dele.

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  2. O site é uma inspiração aos jovens católicos.
    Muito obrigado!
    Deus esteja sempre contigo.

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