A Igreja Católica e a escravidão

'Casamento de negros (escravos) de uma casa rica',
pelo pintor e historiador Jean-Baptiste Debret 

RECEBEMOS DO LEITOR "Gui-2000" a mensagem que reproduzimos abaixo:

O meu professor chegou na sala falando que a Igreja era a favor da escravidão na época colonização! E que ela considerava que os negros não tinham almas, e falou ainda que tava numa bula, Dum Diversos, só que ai pesquisei, mas n achei neste saite, e mostrei que n era bem aquilo, mas ai ele me disse que a Igreja na epoca tinha poder para acabar com a escravidão, contanto que na epoca nem se discutia sobre, só começou a discutir sobre o assunto no século 19! (...) Eu nem sei o que faço mais, meus professores falam coisas erradas da Igreja ao meu ver, revogo, e eu que estou errado, porque n tenho fontes históricas, alguém poderia me explicar tudo e me dar fontes históricas!

Agradecemos ao nosso dileto leitor pela mensagem, que nós dá oportunidade de tentar esclarecer tema tão importante, e pela confiança depositada em nosso apostolado. Logo de cara, esclarecemos que a Bula Dum Diversas, publicada aos 18 de junho de 1452 pelo Papa Nicolau V e dirigida ao rei Afonso V de Portugal, dava permissão de “capturar e subjugar os sarracenos e pagãos (...) inimigos de Cristo”, e não se refere absolutamente à escravidão. “Sarracenos” (do grego sarakenoi) era o nome pelo qual eram conhecidos os muçulmanos pelos cristãos medievais (os termos 'islãmico' e 'muçulmano' foram introduzidos nas línguas europeias séculos mais tarde).

Para entender porque o papa Nicolau V emitiu essa Bula, é preciso reconhecer o contexto histórico e considerar que se tratava de um período de guerra, quando a Igreja, por exercer grande influência sobre os poderes seculares, entendia que deveria intervir contra a barbárie que era, então, perpetrada contra os cristãos. Tal documento foi escrito em uma época de feroz perseguição muçulmana contra a cristandade, e Constantinopla estava sob ameaça de ataque; de fato, apenas um ano depois disso os muçulmanos subjugaram os cristãos bizantinos, saqueando e pilhando por vários dias antes de dar aos sobreviventes condições para a rendição. O Papa autorizava, então, a tomada de prisioneiros de guerra e o seu encarceramento.

Assim, a “Dum Diversas” era uma Bula para o seu tempo, necessariamente presa a um contexto e a circunstâncias bem específicas, que não nos diz respeito hoje e que de modo algum favoreceu ou fomentou a escravidão. Representa, simplesmente, uma autorização de resistência e reação contra o inimigo agressor em uma situação extrema, de guerra. Ponto.

Estamos a tratar, aqui, de um assunto bastante complexo, porém, para desarmar de vez o seu professor adepto da luta de classes marxista, que insiste em ver o europeu como eterno opressor e os africanos como eternas vítimas, é importante saber que, por um longo período histórico, o tráfico negreiro era feito por negros dentro da África. Mais: desde muitos séculos antes da chegada dos europeus, as tribos, reinos e impérios negros africanos praticavam o escravismo em larga escala: africanos eram vendidos pelos próprios africanos, de outras etnias, que tinham grandes mercados espalhados pelo interior do continente, abastecidos por guerras entre as tribos e com sequestros aleatórios[1].

Posteriormente, os muçulmanos (os 'sarracenos' citados na Bula de Nicolau V) iniciaram o chamado escravismo branco, quando iam até a Europa buscar principalmente cristãos para escravizá-los, com total apoio dos líderes africanos. Tal fato é fartamente comprovado, por exemplo, na descrição do “império de Mali” feita pelo cronista muçulmano Ibn Batuta (1307-1377), um dos maiores viajantes da Idade Média, e o depoimento de al-Hasan (1483-1554) sobre Tumbuctu, capital do império de Songai. Ademais, havia tribos africanas que praticavam sacrifícios humanos, naturalmente, de escravos. Às vezes, para interromper a chuva, mulheres escravas eram crucificadas[2]. Curiosamente, por algum motivo, nenhum desses crimes hediondos afeta a sensibilidade dos militantes esquerdistas.

Mais do que isso, o "império mouro" (o grande império muçulmano que conquistou o norte da África, Oriente Médio e a Península Ibérica, onde hoje se localizam Portugal e Espanha, sendo que 'mouro' vem do latim 'maures', que significa negro, devido a cor da pele dos dominadores), com o seu regime de califado (apesar da resistência das regiões que voltaram rapidamente ao domínio cristão) persistiu de 711 a 1452, o que nos leva a 741 anos de ocupação e escravidão do povo cristão, sendo que mesmo após serem expulsos, os mouros continuaram a escravizar portugueses, principalmente os que viviam no litoral. Mais ainda, apenas entre 1530 e 1780, época marcada pela pirataria costeira no Mediterrâneo e no Atlântico, mais de 1 milhão de europeus brancos foram escravizados por traficantes norte-africanos negros[3].

Tudo demonstra que o grande mito tão alardeado pelos socialistas, dos grandes e malvados opressores versus os pobrezinhos oprimidos, as eternas vítimas injustiçadas que precisam ser agora recompensadas pelo sofrimento dos seus antepassados, não se sustenta. A pavorosa realidade da escravidão fez parte da História da humanidade por um longo período, sendo sempre condenável por degradar o gênero humano, mas foi praticada por todos os povos e raças em algum momento, e evidentemente independe de cor de pele: brancos escravizaram brancos e negros, negros escravizaram negros e brancos. Exatamente por isso, a escravidão não pode ser usada como instrumento ideológico de espécie alguma, e menos ainda para favorecer políticas racistas, sejam brancas ou negras.

Por não ser o tema principal deste estudo, não nos aprofundaremos mais nos assuntos apresentados até aqui. Sobre a fundamentação do que foi informado até este ponto, recomendamos a leitura do artigo do Prof. Dr. Ricardo da Costa, “A expansão árabe na África e os Impérios Negros de Gana, Mali e Songai”, que apresenta fontes seguras e farta referência bibliográfica.


Crianças escravas levadas à igreja para o Batismo, por Debret

O que precisamos observar muito bem é que vivemos agora em uma época conturbada e meio insana, em que qualquer coisa afirmada levianamente ganha "aura" de verdade. Por exemplo, há alguns anos o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) disse que sessenta por cento dos congressistas brasileiros utilizavam serviços de prostitutas e que, por isso, eles gostariam de gozar dessa atividade em “locais mais seguros”. Para o deputado, deveríamos então regulamentar a vida das moças[4]. Rapidamente a notícia ganhou as manchetes dos jornais. Contudo, dias depois, Wyllys voltou atrás e –, em uma matéria muitíssimo menor, claro –, disse que baseou sua afirmação em sua “percepção da sociedade brasileira”, e que, de fato, desconhecia casos de pagamento de prostitutas por colegas[5].

Citamos o deputado do PSOL porque o próprio, em certa ocasião, valeu-se também de um trecho de uma mensagem do papa Bento XVI no XLVI Dia Mundial da Paz para mais uma de suas afirmações irresponsáveis: ocorre que o Papa defendera a “estrutura natural do Matrimônio” – a união entre um homem e uma mulher – quando negou que quaisquer outras formas radicalmente diversas de união fossem igualmente consideradas, pois elas “prejudicam, desestabilizam e obscurecem a função insubstituível do casamento”. Fazer essa equiparação constituía uma “ofensa contra a verdade da pessoa humana e uma ferida grave infligida à justiça e à paz”. Parafraseando o Papa, o deputado afirmou que “ferida grave infligida à justiça e à paz foi a escravidão de negros africanos apoiada pela Igreja Católica”(!)[6]

Nesse caso, Jean Wyllys não está só. Desgraçadamente, essa é uma das acusações mais comuns feitas à Igreja, especialmente pela esmagadora maioria dos nossos professores do ensino médio, que são marxistas e assim transmitem a "história" completamente deturpada aos nossos filhos em sala de aula. Segundo essa teoria, transmitida como se fosse fato histórico, teria a Igreja apoiado o sistema escravocrata, especialmente o ocorrido na África no período moderno (séculos XVI-XIX). 

Isso é verdade? Não. Mais ainda, a verdade é exatamente o contrário disso. Vamos aos fatos?

Começamos observando que na Bíblia há várias passagens relativas a escravos (especialmente o Antigo Testamento). Quase sempre são prescrições atenuantes. Por exemplo: não se deve entregar um escravo fugitivo[7], nem utilizá-lo em tarefas degradantes ou serviços desnecessários[8]; ao escravo é reservado o dia de descanso (no AT, o sábado)[8]. Em Eclasiástico, lemos:

Emprega-o [o escravo] em trabalhos, como lhe convém, e, se não obedecer, prende-o.
Mas não sejas muito exigente com as pessoas e não faças nada de injusto. Tens um só escravo? Que ele seja como tu mesmo, pois o adquiriste com sangue. Tens um só escravo? Trata-o como a um irmão, pois necessitas dele como de ti mesmo.
(Eclo 33, 29-32)

Em resumo: a religião desde sempre buscou, ao menos, atenuar a escravidão. Essa foi basicamente a herança do mundo antigo no que diz respeito aos preceitos religiosos. Com a ascensão social e política da Igreja na Idade Média, e a consequente cristianização das monarquias, a pressão a favor dos pobres, das mulheres e dos escravos tornou-se maior. Por exemplo, uma lei do século VI (por influência da Igreja) afirmava que nenhum escravo poderia ser preso caso estivesse em um Altar católico: seu dono deveria pagar uma pesada multa caso fizesse isso. Nos séculos, conhecidos pelos especialistas como Alta Idade Média (V-X) o Catolicismo que se difundiu na Europa pressionou aquelas sociedades a considerar a escravidão algo ultrajante aos seres humanos, já que, pela fé em Jesus Cristo, somos todos filhos de Deus[10].

Apesar disso, a escravidão só lentamente diminuiu – para dar lugar, pouco a pouco, à servidão, na qual a dignidade humana estava muito acima daquela da escravidão: nesta, o escravo era uma coisa que falava; naquela, o servo tinha deveres mas também direitos (como, por exemplo, a inalienabilidade da terra).

Mas os homens são dificilmente civilizados (e com revezes regulares). Mesmo com a pregação regular da Igreja, na Europa medieval a escravidão continuou tão comum que teve que ser reiteradamente condenada pela Igreja (e o foi, formalmente, nos Concílios de Koblenz, de 922; no de Londres, de 1022, no Conselho de Armagh, na Irlanda, de 1171).

No Concílio de Londres, por exemplo, foi decidido: “Que futuramente, na Inglaterra, ninguém queira entrar naquele comércio nefasto no qual estavam acostumados a vender homens como animais irracionais” (artigo 27 – veja).

O problema era que nas antigas leis romanas, em seu código civil reorganizado nos anos 529-534 pelo imperador bizantino Justiniano I como Corpus Iuris Civilis, o Conjunto do Direito Civil (veja), regulamentava a escravidão. Segundo ele, embora o estado natural da Humanidade fosse a liberdade, os direitos dos povos poderiam, no entanto, substituir a lei natural e escravizar pessoas. Basicamente um escravo era: 1) alguém cuja mãe era escrava; 2) qualquer pessoa capturada em batalha; 3) qualquer um que se vendeu para pagar uma dívida (fato ainda comum nos primeiros séculos medievais, herança da Antiguidade).

Com a ascensão do Cristianismo, o direito também se cristianizou. Os advogados medievais, a partir do século XI, chegaram à conclusão que a escravidão era contrária ao espírito cristão. Isso para cristãos (portanto que não venham hipócritas acusar a Igreja de legislar para não cristãos). Em contrapartida, por exemplo, o Islã difundiu largamente a escravidão. Vejamos isso com mais pormenor.

Começo com uma citação do reconhecido historiador Fernand Braudel (1902-1985):

O tráfico negreiro não foi uma invenção diabólica da Europa. Foi o Islã –, desde muito cedo em contato com a África Negra através dos países situados entre Níger e Darfur e de seus centros mercantis da África Oriental –, o primeiro a praticar em grande escala o tráfico negreiro (...). O comércio de homens foi um fato geral e conhecido de todas as humanidades primitivas. O Islã, civilização escravista por excelência, não inventou, tampouco, a escravidão nem o comércio de escravos.[11]

Enquanto isso a Igreja Católica, reiteradamente, condenava a escravidão. Há inúmeras bulas papais a respeito: na Sicut Dudum (1435), Eugênio IV (1383-1447) manda libertar os escravos das ilhas Canárias; em 1462, Pio II (1405-1464) instrui os bispos a pregarem contra o tratamento de escravos negros etíopes e condena a escravidão como um “crime tremendo”; Paulo III (1468-1549), na bula Sublimus Dei (1537) recorda aos cristãos que os índios são livres por natureza (estes, ao contrário dos povos negros, não praticavam a escravidão); em 1571 o dominicano Tomás de Mercado (1525-1575) declarou desumana e ilícita a escravidão; Gregório XIV na bula Cum Sicuti (1591) e Urbano VIII na Commissum nobis (1639), também condenaram formalmente a escravidão[12].

Paramos no século XVII. Há muito, muito mai provas de que a Igreja sempre se posicionou contra a escravidão e que evidenciam a atitude caluniosa e criminosa dos que afirmam o contrário[13].

Qual "o resumo da ópera"? Simples: os que querem conhecer a verdade devem estudar o passado, não acreditar em quem o (re)inventa para que confirme ideologias particulares.


Lista de fatos e documentos oficiais da Igreja Católica Apostólica Romana contra a escravidão

a) Aos 13 de janeiro de 1435, a Bula Sicut Dudum, do papa Eugénio IV, manda restituir à liberdade os cativos das ilhas Canárias.

b) Aos 7 de setembro de 1462, o papa Pio II (1458-1464) dá instruções aos bispos contra os tratamentos dos negros proveniente da Etiópia condenando formalmente o comércio de escravos como “magnum scelus” (grande crime) [14].

c) Em 1537, o papa Paulo III (1534-1549), através da Bula Sublimus Dei (23 de maio) e da encíclica Veritas Ipsa (9 de junho), adverte aos cristãos que os índios “das partes ocidentais, e os do meio-dia, e demais gentes”, são “livres por natureza”.

d) Em 1571, Tomás de Mercado, teólogo de Sevilha, com aprovação eclesiástica declara desumana e ilícita a traficância de escravos. Em sua Summa de Tratos y contratos, afirma não haver justificativa para negócio tão infame.

e) Em 1591, o papa Gregório XIV (1590-1591) publica a Bula Cum Sicuti (1591, op. cit.) condenando formalmente a escravidão.

f) Em 1639, o papa Urbano VIII (1623-1644), também se pronuncia contra a escravidão na Bula Commissum Nobis (op. cit.).

g) O papa Bento XIV (1740-1758) na Bula Immensa Pastorum escreve: “...recebemos certas notícias não sem gravíssima tristeza de nosso ânimo paterno, depois de tantos conselhos dados pelos mesmos Romanos Pontífices, nossos Predecessores, depois de Constituições publicadas prescrevendo que aos infiéis do melhor modo possível dever-se-ia prestar trabalho, auxílio, amparo; não descarregar injúrias, não flagelos, não ligames; não escravidão, não morte violenta, sob gravíssimas penas e censuras eclesiásticas...”

h) Em 1839, o papa Gregório XVI (1831-1846) publica a Bula In Supremo, por meio da qual condena a escravidão da seguinte forma: “Que os fiéis se abstenham do desumano tráfico de negros ou de quaisquer outros homens”.

i) Em 1888, o Papa Leão XIII, na Encíclica In Plurimis, dirigida aos bispos do Brasil, pede-lhes apoio ao Imperador (Dom Pedro II) e à sua filha (Princesa Isabel), na luta que estavam a travar pela abolição definitiva da escravidão.

j) Fato histórico: houve três Papas africanos na história da Igreja: Vencedor ou Victor, Gelasius e Melquiades ou Miltíades.

k) Fato histórico 2: há uma grande quantidade de santos negros, canonizados pela Igreja Católica, inclusive escravos/ex-escravos como São Benedito, Santa Bakhita, a Beata Nhá Chica, o Beato Pe. Francisco de Paula Victor e outros.

Apenas estes dois simples fatos históricos, citados por último, são suficientes para derrubar por completo a teoria de que a Igreja tenha, em algum momento, assumido ou compactuado com posições racistas contrárias às pessoas negras.

A igualdade entre os homens diz respeito essencialmente à sua dignidade pessoal e aos direitos que daí decorrem. Qualquer forma de discriminação nos direitos fundamentais da pessoa, seja social ou cultural, ou que se fundamente no sexo, na raça, na cor, na condição social, na língua ou na religião deve ser superada e eliminada, porque contrária ao plano de Deus.
(CIC §1935)

____
Notas:

1. COSTA FILHO, Adriano Augusto. 1300 anos da invasão Moura em Portugal, Mundo Lusíada. Disp. em:
http://www.mundolusiada.com.br/colunas/opiniao-luso-descendente/7112011-1300-anos-da-invasao-moura-em-portugal/
Acesso 29/3/017.

2. COSTA, Ricardo da. “A expansão árabe na África e os Impérios Negros de Gana, Mali e Songai (sécs. VII-XVI)”. In: NISHIKAWA, Taise Ferreira da Conceição. História Medieval: História II. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009, p. 34-53.

3. FURTADO, Renato. Negros escravizaram portugueses por mais de 741 anos, Rentato Furtado contra a idolatria estatadl, disp. em:
http://renatofurtado.com/wp/2015/05/13/negros-escravizaram-portugueses-por-mais-de-741-anos/
Acesso 29/3/017.

4. 'Eu diria que 60% da população masculina do Congresso Nacional faz uso dos serviços das prostitutas, então acho que esses caras vão querer fazer uso desse serviço em ambientes mais seguros.'
(http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2013-01-15/60-dos-homens-do-congresso-usam-prostitutas-diz-o-deputado-jean-wyllys.html)

5. Folha de São Paulo, sexta, 18 de janeiro de 2013
(http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/01/1216594-jean-wyllys-diz-que-se-baseou-em-sociedade-ao-falar-de-prostituicao.shtml).


6. Conf. Tweeter do deputado (veja).

7. 'Não entregarás a seu senhor o servo que, tendo fugido dele, se acolher a ti' (Dt 23,15).

8. 'Porque são meus servos, que tirei da terra do Egito; não serão vendidos como se vendem os escravos. Não te assenhorearás dele com rigor, mas do teu Deus terás temor.' (Lv 25,42-43).

9. 'Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu Deus; não farás nenhum trabalho nele, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu boi, nem o teu jumento, nem animal algum teu, nem o estrangeiro que está dentro de tuas portas; para que o teu servo e a tua serva descansem como tu.' (Dt 5,14).

10. 'Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes. Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar. De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados. Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio. Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo. Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.' (Gal 3,22-28).

11. BRAUDEL, Fernand. Gramática das Civilizações. São Paulo: Martins Fontes, 1989, p. 138.

12. Documentos oficiais da Igreja contra a escravidão.

13. Uma obra com fontes primárias sobre o tema é: BALMES, Jaime. A Igreja Católica em face da escravidão. São Paulo: Centro Brasileiro de Fomento Cultural, 1988.

14. Denzinger-Sch'ánmetzer. Enquirídio dos Símbolos e Definições nº 668 citado em: BETTENCOURT, Dom Estevão Tavares, OSB. O Tráfico Negro no Brasil e a Igreja.

______
Fontes e ref. bibliográfica:


* Este estudo baseia-se em artigo do Prof. Dr. Ricardo da Costa, medievalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), publicado no jornal 'Gazeta do Povo' em 2/2/013.

• COSTA, Ricardo. A Igreja Católica e a escravidão. Disp. em:
http://www.ricardocosta.com/artigo/igreja-catolica-e-escravidao

Acesso 29/3/017

• VIANA, Marina. Documentos Oficiais da Igreja contra a escravidão. Disp. em: http://apologistascatolicos.com/index.php/magisterio/documentos-eclesiasticos/decretos-e-bulas/506-documentos-oficiais-da-igreja-contra-a-escravidao
Desde 27/3/012, acesso 29/3/017

• AJAYI, J. F. Ade. História Geral da África, vol. VI, África do século XIX à década de 1880, 
UNESCO, 2010, p. 79.
www.ofielcatolico.com.br

16 comentários:

  1. Tem algumas citações nesse apostolado tbem que eu sempre acompanho.

    http://www.ocatequista.com.br/blog/item/17939-sacerdotes-negros-nos-tempos-da-escravidao-conta-essa-pro-seu-professor-mentiroso

    Muito Obrigado #ofielcatolico

    ResponderExcluir
  2. Excelente o artigo, fiel católico! eu já tinha lido algo sobre, mas como sempre aqui está mais bem esclarecido, com mais fontes bibliográficas e notas esclarecedoras. Excelente esse o fiel católico.

    Ivo

    ResponderExcluir
  3. Absolutamente incrível!
    Tal minuncioso e brilhante estudo deveria ser espalhado por todos aos quatro ventos.
    Deus os abençoe.

    ResponderExcluir
  4. Que Deus abençoe sempre esse saite, depois que o conheci me ajudou muito! E durante estas semanas minha preofessora de Literatura, que é Católica, disse que a Igreja Católica nunca deu valor a mulher, revoguei e não concordei, começamos a debater, e no final das contas ela me disse que por exemplo mulher não pode ser Padre e nem Papa, kkkkkk, falei que Jesus veio como homem e ele foi o primeiro Sacerdote, mas ne meus colegas falaram que eu estava errado, porque a Igreja sempre foi a errada da história, a cada dia percebo mais como meus colegas iam na Igreja e depois do Ensino Médio pararam de ir na Igreja, por causa das acusações, então cheguei para um amigo meu que era coordenador de grupos de Jovens, e ele disse que nos sabemos que na prática a Igreja nunca deu valor a mulher somente da boca para fora, o pior disso tudo é que eu estudo numa escola Católica, da ordem dos Escolapios, diretor é um Padre, e o mais engraçado de tudo que a minha vocação é ser Padre, pois Deus me mostrará, mas sou taxado como Idolatra a Igreja Católica, pois não concordo com nada que um professor que nunca estudou a Igreja a fundo fala distorcidamente,além dela acusar que a Igreja nunca deu valor a mulher e meus colegas me julgarem como errôneo e Idólatra, principalmente colegas feministas, ela também afirmou um pouco antes que no Concílio de Trento a Igreja era a favor da Adoração a Santos, eu disse que não, mas o problema que eu que sou o errado!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Como os inimigos da Igreja são contraditórios... isso me lembra os infiéis judeus, ao quererem incriminar o Verbo Encarnado perante Pôncio Pilatos... suas acusações e "testemunhos" eram contraditórios. Hora a Igreja é acusada de menosprezar a mulher, hora a Igreja é acusada de adorar uma mulher... pela vontade Divina, uma mulher foi magnificada a ter parte na Redenção da humanidade, Salve a excelsa Maria Mãe de Deus, nossa Co-Redentora!

      Excluir
    2. Amém irmão, Salve a Mãe Santíssima!!

      Excluir
    3. Gui-2000, que Deus te conceda graça na tua vocação! Essa perseguição que você tem na escola só é o começo, caso você venha a se tornar padre será maior! Todo católico já ouviu alguma vez na vida esses tipos de acusações contra a sua fé, você não está só!
      Quando as acusações partirem de professores pergunte a eles se existem fontes e documentos oficiais da época que comprovem o que eles estão falando. Quando as acusações partirem de "católicos" e não-católicos, pergunte também quanto tempo eles levaram estudando sobre a doutrina e sobre a Igreja que tem + de 2000 anos de história. Afinal parece haver muitos especialistas em Catolicismo, teologia e história na sua escola.
      Aproveita e aconselha a eles a conhecer o livro "Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental" de Thomas Woods. Também há disponível um vídeo dele no Youtube com o título : "Igreja Católica:Construtora da Civilização Ocidental.

      Espero te ajudado. Que a Santíssima Virgem te abençoe.

      Excluir
  5. E o que respondo quando o professor me tachar como errado e eu não tiver fontes de qualquer tipo, históricas e religiosas? E é difícil explicar religiosamente para pessoas e professores que não são Católicos, até mesmo para Católicos Ignorantes que não pesquisam, aceita o que professores falam dentro de sala de aula? Tenho muita dificuldade com isso, e pergunto mais uma coisa, o que seria ser omisso, Pois as vezes penso eu não contrapor estes ensinamentos erroneos, mas tudo isso me machuca, pois é a Igreja de Cristo, é a ele que amo, e me sinto na missão de fazer o certo, então o que seria ser omisso?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Se estiver rezando pela conversão dos ignorantes, já está fazendo algo muito grande e muito mais importante. Claro, defender a Verdade também é necessário, mas, infelizmente, isso não converterá as pessoas. Lembre-se, quando o próprio Deus foi ensinar como se faria presente nas nossas vidas de uma vez para sempre, muitos o abandonaram por achar suas palavras muito estranhas... se não se lembra do que estou falando, estou falando de Cristo explicando a Eucaristia, não o compreenderam e muitos o abandonaram. Explicar a verdade sobre a Igreja é uma forma lógica de converter as pessoas, mais a lógica na conversão faz um papel quase "tercerário". O que converte as pessoas é o sobrenatural, não vem de quem dá o testemunho e nem do ouvinte mas do Espírito Santo. E para que Este possa agir é necessário humildade, só a partir daí a lógica começa a participar... assim sendo, a melhor maneira é sempre rezar pela conversão dos ignorantes. Melhor, não única.

      Excluir
    2. Muito obrigado irmão, concordo plenamente!!

      Excluir
  6. Essa ideia é tão ridícula, afinal, o próprio nome da Igreja já é um atentado contra escravidão proveniente de raça... o que significa "Católica"? Esse tolo desse "professor" não sabe?! Que Santa Ifigênia interceda pela conversão deste.

    ResponderExcluir
  7. Caros irmão em Cristo, Salve Maria. Oportunamente encontrei um escrito que havia salvo após debater com algum herege alguns anos atrás. Obviamente que tal escrito é fruto de pesquisa nos diversos sites católicos.
    Vejamos a opinião da Santa Igreja á respeito da escravidão.: *Voltemos, pois as medidas da Igreja. Em 873, o papa João VIII em uma carta a um príncipe da Sardenha diz:

    “Há uma coisa a respeito da qual desejamos admoestar-vos em tom paterno; se não vos emendardes, cometereis grande pecado, e, em vez do lucro que esperais, vereis multiplicadas as vossas desgraças. Com efeito, por instituição dos gregos, muitos homens feitos cativos pelos pagãos são vendidos nas vossas terras e comprados por vossos cidadãos que os mantêm em servidão. Ora consta ser piedoso e santo, como convém a cristãos, que, uma vez comprados, esses escravos sejam postos em liberdade por amor a Cristo, a quem assim proceda, a recompensa será dada não pelos homens, mas pelo mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isto exortamo-vos e com paterno amor vos mandamos que compreis dos pagãos alguns cativos e os deixeis partir para o bem de vossas almas.”[7]

    De igual forma, as condenações serão reafirmadas pelo papa Pio II em 1462. Em uma época que o tráfico escravo estava ressurgindo na Europa, principalmente devido às conquistas portuguesas[8], Pio II afirma que o tráfico escravo é magnum scelus, um “grande crime”.[9] Outras censuras ao escravismo e ao tráfico serão reforçadas pelos papas como Urbano VIII (1639) e Bento XIV (1741), sendo que o último prescreveu excomunhão para os senhores que maltratassem seus escravos.[10] Gregório XVI, em 1839 dirá em uma epístola que:

    “Admoestamos os fiéis para que se abstenham do desumano tráfico dos negros ou de quaisquer outros homens que sejam.”

    Também o papa Leão XIII, no século XIX apoiará as tendências abolicionistas no Brasil, que obtiveram êxito com a lei Áurea em 1888.
    Nos sermões do Padre Vieira podemos observar a reprovação ao tráfico e à escravidão. No Sermão XIV, por exemplo, reafirma a igualdade natural dentre os homens.[12] No mesmo Sermão diz que os negros não são inferiores, mesmo tendo sito gentios e cativos.[13] Sobre o tráfico escravo considera no Sermão XXVII que:

    "Nas outras terras, do que aram os homens e do que fiam e tecem mulheres se fazem os comércios: naquela (na África) o que geram os pais e o que criam a seus peitos as mães, é o que se vende e compra. Oh! trato desumano, em que a mercancia são homens! Oh! mercancia diabólica, em que os interesses se tiram das almas alheias e os ricos são das próprias'' [14]*

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Caro Sidnei, irmão em Cristo Jesus,
      poderias nos indicar as fontes dos ditames supracitados?
      Grato!
      Seja louvado Nosso Senhor Jesus Cristo!

      Excluir
    2. Amigo André, na Bíblia Sagrada na primeira carta de São Paulo aos Tessalonicenses:
      "Se cremos que Jesus morreu e ressurgiu, cremos também que Deus trará, mediante Jesus e juntamente com ele, aqueles que nele dormiram.
      Dizemos a vocês, pela palavra do Senhor, que nós, os que estivermos vivos, os que ficarmos até a vinda do Senhor, certamente não precederemos os que dormem.
      Pois, dada a ordem, com a voz do arcanjo e o ressoar da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá do céu, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro.
      Depois disso, os que estivermos vivos seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares. E assim estaremos com o Senhor para sempre."
      1 Tessalonicenses 4:14-17
      Acredito que o Sidnei se refere a este texto que os evangélicos pregam.

      Excluir
    3. Anônimo, solicitei indicação das fontes dos ditames emanados pelo Magistério da Santa Igreja. Percebeu agora?

      Excluir
  8. Prezado,
    Fiel Católico

    Sou protestante e sei que as nossas divergências irão continuar,mas estou lhe escrendo pedindo que você pudesse me eclarecer o que foi realmente o Concílio Vaticano II para a Igreja Católica.
    Meu questionamento é que ouço vários católicos dizendo este Concílio não é verdadeiro e que as mudanças proposto e feito depois dele estariam erradas.
    Eclarecendo não é uma crítica,apenas estou solicitando uma explicação de um assunto que me chamou bastante atenção.
    Vistando o seu site,percebo que é sério e você conhece bem a doutrina Católica e os assuntos relacionados a ela.

    Agrdeço antecipamente,


    Que Graça e Bençã de Deus esteja sobre você e a sua família

    ResponderExcluir

** Assine a revista O Fiel Católico digital e receba nossas novas edições mensais em seu e-mail por uma colaboração mensal de apenas R$7,00. Ajude-nos a continuar trabalhando pelo esclarecimento da fé cristã e católica!


AVISO aos comentaristas:
Este não é um espaço de "debates" e nem para disputas inter-religiosas que têm como motivação e resultado a insuflação das vaidades. Ao contrário, conscientes das nossas limitações, buscamos com humildade oferecer respostas católicas àqueles sinceramente interessados em aprender. Para tanto, somos associação leiga assistida por santos sacerdotes e composta por professores doutores, mestres e pesquisadores. Aos interessados em batalhas de egos, advertimos: não percam precioso tempo (que pode ser investido nos estudos, na oração e na prática da caridade) redigindo provocações e desafios infantis, pois não serão publicados.

Receba O Fiel Católico em seu e-mail