Bono Vox, do U2: "O capitalismo tira mais pessoas da pobreza do que doações!"


O PROF. GEORGE AYITTEY (foto), pesquisador do Independent Institute, conheceu há alguns anos o astro do rock irlandês Bono Vox, da banda U2, durante uma conferência TED. E lembra-se bem da conversa que tiveram, e da impressão que as ideias do artista lhe causaram.

O Prof. Ayittey estava discursando e, ao saber que Bono estava na plateia, disse: “Fiz um esforço especial para demolir a instituição da ajuda externa"… Conta ele: "Mais tarde, Bono disse que havia gostado do meu discurso, mas não concordava comigo que a ajuda externa não é eficaz para acabar com a pobreza. Então, dei-lhe um exemplar do meu [brilhante] livro "Africa Unchained: The Blueprint for  Africa's Future” ('África Desacorrentada: Plano para o Futuro').


Bono com o livro e seu autor, à sua esquerda

Bono Vox (o nome de batismo é Paul David Hewson) é vocalista de uma das bandas de rock mais bem sucedidas da história, e se tornou um grande defensor da expansão da ajuda externa dos EUA e de outros programas do governo (como o cancelamento da dívida) para aliviar a situação de sofrimento no mundo, seja relacionado às epidemias de AIDS e malária e à pobreza extrema, entre outras questões.

Bono foi ainda co-fundador e Diretor Executivo da empresa de capital de risco Elevation Partners, e tornou-se um dos músicos mais ricos do mundo (talvez o mais rico) depois de investir no lançamento das ações do Facebook, o que rendeu mais de US$ 1,5 bilhão(!) para a empresa.



Bono também é declaradamente cristão (veja aqui, aqui e aqui), filho de pai católico e mãe protestante. Seu encontro com São João Paulo II tornou-se famoso, quando o Papa fez questão de experimentar os célebres óculos personalizados do "cheio de estilo" Bono Vox (foto). O músico declarou ainda em seu livro "Bono on Bono" (p. 201): "Quanto mais velho eu fico, mais encontro conforto no catolicismo romano".

Admirador da obra de C. S. Lewis1, Bono usou trechos de sua obra "The Screwtape Letters" ('As Cartas do Inferno'), no vídeo para a música "Hold Me, Thrill Me, Kiss Me, Kill Me", tema do filme "Batman Forever". Recentemente, ele deu a entender em uma entrevista a Jim Daly, na "Focus on the Family", que Lewis poderá inspirar também o próximo álbum do U2. Segue:

Bono: É muito chato seguir esta Pessoa de Cristo em todo lugar (rindo), porque Ele exige muito da sua vida.

Daly: É muito difícil...

Bono: E é impossível tentar manter-se à altura.

Daly: Na verdade, Bono, C. S. Lewis tem uma citação que eu adoro: “Quando um homem está ficando melhor, ele compreende cada vez mais claramente o mal que restou nele. Quando um homem está ficando pior, ele entende a sua própria maldade cada vez menos”. Isso é forte, não é?

Bono: Sim, pode até ser que isso venha a ser o próximo álbum do U2, mas não vou dar crédito nenhum a ele nem a você (risos).

+ + +

Recentemente, baseando-se em sua fé cristã (e possivelmente sob a influência econômica do Professor Ayittey?), em um discurso na Universidade de Georgetown, Bono mudou seu ponto de vista econômico e político e declarou que só o capitalismo pode acabar com a pobreza (reconhecendo que, dentre os sistemas político/econômicos de que o ser humano dispõe, o melhor ou no mínimo o 'menos pior' ainda é o capitalismo).

“A ajuda assistencial é apenas um paliativo”, disse o artista. – “O comércio e o capitalismo empreendedor tiram mais pessoas da pobreza do que a mera ajuda. Precisamos que a África se torne uma potência econômica".

Bravo! Um expoente do pop, um ícone da música, um artista  reconhecido e "antenado" com o mundo finalmente percebeu o óbvio! Bono encorajou os alunos de Georgetown a pensar no que podem fazer para apoiar efetivamente as pessoas na África e em outros países em desenvolvimento (como o Brasil) que têm necessidade de justiça e conforto. E refez a velha questão usando de outras palavras: o que ajuda mais? Dar um peixe ou ensinar a pescar? O que leva mais dignidade ao ser humano em situação de miséria? Capacitá-lo, dar-lhe condições para que se erga, torne-se produtivo e construtor de sua própria história, ou mantê-lo cativo de verdadeiras esmolas estatais, na forma de doações governamentais que, além de tudo, lhe tornam refém de determinados partidos políticos?

Em sua fala, Bono comparou o esforço pelo crescimento, seja temporal ou espiritual, ao comprometimento de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, em servir aos outros. – “Isso é o que estou esperando que aconteça aqui em Georgetown com vocês”, disse ele.  – "Porque quando você aceita, de fato, que as crianças em algum lugar distante da aldeia global têm o mesmo valor que você aos olhos de Deus, ou até mesmo apenas aos seus olhos, então a sua vida muda para sempre, você vê algo que não poderá mais deixar de ver".

C. S. Lewis compreendeu bem a falácia e mesmo o mal do estatismo ao abordar as dores e o sofrimento de nosso mundo, e que o paternalismo estatal não é capaz de sanar o mal da pobreza, ao contrário: acaba por perpetuá-la. Congratulamo-nos com a nova percepção de Bono Vox sobre o assunto. O trabalho marcante do Professor Ayittey também pode ser encontrado no livro "Making Poor Nations Rich: Entrepreneurship and the Process of Economic Development" ('Tornando Ricos os Países Pobres: o Empreendimento e o Processo do Desenvolvimento Econômico'], do Independent Institute, editado por Benjamin Powell.

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1. Pensador cristão de forte influência no século passado. Apesar de não ter abraçado o catolicismo, Lewis paradoxalmente tem sido responsável por um grande número de conversões de protestantes ao catolicismo, em especial de pentecostais, devido ao praticamente perfeito alinhamento de suas ideias com a doutrina católica. Sheldon Vanauken compara Lewis com Moisés: conduziu o povo à terra prometida sem que ele próprio entrasse nela. Segundo Christopher Derrick, seu grande amigo e discípulo, os leitores de Lewis, seguindo suas percepções e princípios teológicos, são muitas vezes capazes de perceber algo que o próprio autor, em razão de problemas de natureza psicológica não enxergou por si mesmo.

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• Ref.: este post contém trechos do artigo "
Bono: o capitalismo tira mais pessoas da pobreza do que as doações", do website do Instituto Liberal, disponível em:
institutoliberal.org.br/blog/bono-o-capitalismo-tira-mais-pessoas-da-pobreza-do-que-as-doacoes/
Acesso: 29/4/014.

www.ofielcatolico.com.br

16 comentários:

  1. Cara, louvo a Deus por sua vida e por seu apostolado! Matéria excepcional. Muito bom. Valeu mesmo! José Orlando

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  2. A Igreja Católica condena veemente o Capitalismo. Sistema diabólico, que tira dos pobres para dar para os ricos.

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    1. Meu prezado Claudio Scarparo, essa tal igreja que você cita só pode ser a "igreja católica marciana" ou talvez seria mais adequado dizer "marxiana".

      Ou isso ou então você está se referindo à "igreja" da sua imaginação, porque a Igreja Católica Apostólica Romana desde sempre condenou o comunismo e apoiou o sistema capitalista, e com ela os santos, os Papas e todo católico minimamente consciente do real significado dos Evangelhos, desde que Jesus veio ao mundo. Até Nossa Senhora, em suas aparições, condenou o sistema comunista. – Pois o Senhor mesmo disse :"A César o que é de César", e: "Pobres sempre os tereis". Ele jamais disse algo como: "Viva la revolucion!"... Quem disse essa frase foi um homem que de cristão não tinha nadinha, aliás ele odiava e perseguia a Igreja.

      E olha que bem antes disso, lá nos tempos do Antigo Testamento, Deus Pai já havia dado os Mandamentos de "Não roubar" e "não cobiçar os bens do seu próximo". – Que parte de "BENS DO SEU PRÓXIMO" está difícil entender? Bens que o seu próximo trabalhou para conquistar, que ele merece possuir. Só na cabeça dos "católicos marxianos" é que a propriedade privada é um crime, e sendo assim o Mandamento Divino não teria sentido.

      Só uma observação: o capitalismo não tira de alguém para dar para outro alguém, como você delira. O sistema utópico que propõe isso é o comunismo, vide nosso governo atual, comprando popularidade com bolsas e mais bolsas, sem se importar em levar dignidade aos miseráveis, em ensinar a pescar ao invés de distribuir peixinhos: tira de quem produz para dar a quem só desfruta, a saber, a classe realmente mais opressora de todas: a classe política.

      Finalizo com um link direto para o portal oficial do Vaticano, onde há um pequeno exemplo do que a Igreja Católica realmente ensina sobre o sistema comunista:

      Carta Encíclica Divinis Redemptoris

      Apostolado Fiel Católico

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    2. Graça e Paz!

      Discussão polêmica e extensa! Mas gostaria de dar uma contribuição singela.
      Creio que o Cristianismo pode se desenvolver bem, não importa o sistema político vigente, desde que os Cristãos permaneçam fiéis. E isso é o que importa.
      Acredito também que a Igreja deve viver num "Comunismo Cristão", segundo o livro de Atos:

      Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam suas propriedades e bens, e dividiam o produto entre todos, segundo a necessidade de cada um.
      Atos 2, 44-45.

      Isso é amor entre irmãos. Agora, o problema é o Comunismo Político, porque é um sistema ateu e, portanto, diabólico e que causou muitos males aos Cristãos.

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    3. Prezado Filipe, comecei a responder seu comentário e o texto foi ficando extenso... Está se tornando um post que percebo necessário. Provavelmente será publicado amanhã. Obrigado pela participação.

      Apostolado Fiel Católico

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    4. Eu é que agradeço pela oportunidade.

      Deus te abençoe.

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    5. Abaixo, o link para o post-resposta, que será publicado em duas partes:

      Cristianismo, capitalismo e comunismo

      Apostolado Fiel Católico

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  3. Certa vez, em uma homília de um Padre aqui na minha Paróquia numa quarta-feira de cinzas, ouvi dele algo que me fez refletir muito. Este Padre disse que o sentido fundamental da esmola não é somente doar algumas moedas ou pão para o irmão necessitado que pede, o sentido pleno da esmola é a mudança, a promoção total do necessitado, ou seja, buscar meios de tirar a pessoa da situação que se encontra. Essa forma de pensar vai além de encontrar um necessitado e lhe oferecer algumas “migalhas” em moeda, antes, passa pela atitude de promover mudanças necessárias para que o irmão necessitado possa também viver com dignidade. É óbvio que não devemos nos fechar totalmente para quem necessita, mas antes de tudo devemos oferecer meios para tirá-lo da situação em que se encontra. Acredito que essa maneira de pensar vai de encontro com o que foi exposto neste artigo
    Parabéns pelo trabalho amigo!!
    Ah, antes que eu me esqueça... Meu blog não apareceu mais nas listas da sua fraternidade, gostaria (se possível, é claro) que ele fosse incluído novamente, haja vista que devido ao grande fluxo de visualizações no seu blog, fica mais fácil a divulgação dos nossos.

    Abraço Fraterno.

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  4. Sou Católico, e não sou Comunista. Mas discordo de você dizer que a Igreja apoia o Capitalismo... Como assim? em qual documento da Igreja que diz isso? Qual Papa disse isso? A Igreja não apoia Sistema algum. A Igreja apoia direitos iguais a todos, dignidade para cada cidadão. A Igreja preza que o Estado sempre seja temente ao Senhor e atue conforme a bondade ensinada pelo Senhor.

    Paz em Cristo. Abraço

    Leonardo Pinheiro

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    1. Prezado Leonardo, objetivamente falando, nós sabemos que temos, no Ocidente, já de longa data, duas propostas político-econômicas bem definidas: capitalismo e socialismo (com algumas nuances e peculiaridades, deste ou daquele pensador ou grupo político), isto é certo. Ponto.

      Logo, a partir do momento em que a Igreja condena oficialmente uma das duas propostas, no caso o socialismo/comunismo, como o faz (muitos não sabem, mas ser comunista é motivo de excomunhão automática), fica óbvio que o sistema antagônico, chamado pejorativamente de "capitalista" (termo aliás, criado por Marx), é aquele que a Igreja aprova.

      Evidentemente não é um apoio oficial, não se trata de militância nem nada do gênero. A Igreja não faz ativismo político, embora muitos de seus filhos o façam, e lamentavelmente, na maioria das vezes, no sentido errado.

      No mais, veja a resposta que publicamos ao Filipe Santos, sobre o mesmo assunto. Link abaixo:

      Cristianismo, capitalismo e comunismo

      Abraço fraterno e a Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo

      Apostolado Fiel Católico

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  5. Todo mundo sabe que o cantor Bono Vox é da Church of Ireland ( Igreja da Irlanda) província da Comunhão Anglicana e todo mundo sabe que o teólogo Lewis também era anglicano, por isso não havia necessidade de reabraçar a fé católica porque já o era.

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    1. Se ele era anglicano, ele não era católico e, logicamente, tinha necessidade sim de reabraçar a fé católica, anônimo. Essa necessidade só deixaria de existir se ele estivesse dentro da Igreja, e não no anglicanismo. A paz de NSJC!

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  6. Precisamos cada vez mais de expandir essas conclusões dos estudos políticos econômicos sobre a erradicação da pobreza no mundo. Só assim se faz cair por terra toda a lenda de marxismo, comunismo e socialismo, tão difundida com o Populismo "fajuto" da América Latina. Excecelente matéria!

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  7. Duas correções:

    1ª - É BONO. O VOX não existe a muuuuuito tempo.

    2ª - Quanto a religião dos pais dele, na matéria tá trocado.
    O pai era católico, a mãe que era protestante. :D

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  8. Comunismo cristão não existe. É inamovível e irreconciliável oxímoro!

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  9. Ainda sim precisamos da teocracia existente em nosso cotidiano para que possamos saber qual e a perfeita vontande do nosso PAI.

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