Cristianismo, capitalismo e comunismo - parte 1


NOSSO HABITUAL leitor Filipe Santos enviou-nos, no post "Bono Vox, do U2: 'O capitalismo tira mais pessoas da pobreza do que doações'!", o comentário que reproduzimos abaixo, seguido de nossa resposta. Entendemos que seria importante dedicar uma postagem específica para tratar deste tema, pois a mensagem de Filipe representa uma certa linha de pensamento que é compartilhada por outros leitores. Segue:

Graça e Paz!
Discussão polêmica e extensa! Mas gostaria de dar uma contribuição singela.
Creio que o Cristianismo pode se desenvolver bem, não importa o sistema político vigente, desde que os Cristãos permaneçam fiéis. E isso é o que importa.
Acredito também que a Igreja deve viver num "Comunismo Cristão", segundo o livro de Atos:
Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam suas propriedades e bens, e dividiam o produto entre todos, segundo a necessidade de cada um. Atos 2, 44-45.
Isso é amor entre irmãos. Agora, o problema é o Comunismo Político, porque é um sistema ateu e, portanto, diabólico e que causou muitos males aos Cristãos.

Prezado Filipe, será que estou com a visão turva ou você escreveu mesmo “comunismo cristão”?! Ora, esta é uma expressão tão auto-contraditória quanto seria, por exemplo, falar em “corintiano palmeirense” ou “flamenguista vascaíno”, ou talvez numa “diária noturna” ou numa “noitada diurna”... Ou é uma coisa ou é outra, não tem como ser as duas, porque são antagônicas. Logo, sim, ao menos entre cristãos realmente comprometidos, realmente não há polêmica quanto a este assunto.

Ocorre uma evidente e recorrente confusão da parte de algumas pessoas com relação a termos como comunidade (comum unidade) e comunismo (ideologia comum, no caso, política), o que se confirma através de outras mensagens que recebemos, semelhantes à sua: o assunto é atual e premente. Tentaremos, então, lançar alguma luz sobre ele. A todo que vier a ler este artigo, instamos: leia com atenção antes de nos considerar retrógrados (o título de 'conservador' parece ser hoje mais ofensivo do que o de assassino ou o de ladrão, mas nós o ostentamos com muita honra!). Temos uma sólida convicção: não compensa ser “moderninho” ou “antenado” com o mundo moderno se não estivermos, antes de tudo, “antenados” com a Verdade. E a Verdade é a mesma ontem, hoje e eternamente (Hb 13,8).

Entrando definitivamente no assunto, antes de tudo é preciso saber que o termo comunismo tem um significado muito próprio. Os dicionários definem comunismo como (atenção) “uma doutrina ou sistema que preconiza a comunidade dos bens e a supressão da propriedade privada" (MICHAELIS, Moderno Dicionário da Língua Portuguesa – Melhoramentos) e “ideologia e doutrina política (concebida por Karl Marx) que visa a um sistema social (...) e econômico a se desenvolver a partir do socialismo (...).

Em outras palavras, o termo "comunismo" não tem o simples significado de comunidade, no sentido de grupo que compartilha bens e serviços fraternalmente. Há todo um conjunto de significados envolvidos para o termo comunismo; trata-se, exatamente isto, de uma doutrina bem específica, – ateia desde as bases, posto que é materialista em sua essência. – É por isso que, em todos os lugares onde o comunismo prevaleceu, os cristãos foram perseguidos, sacerdotes e religiosos massacrados, templos destruídos, etc.

O problema e o perigo maior provém, exatamente, dessa ideia tão romântica quanto falsa sobre comunismo; é assim também que os seus simpatizantes tendem a se fanatizar. A cena política atual de nosso país é um exemplo perfeito: o governo do PT, de ideologia declaradamente socialista, mesmo mergulhado na lama da corrupção (com fatos concretos e fartamente comprovados) e pontuado pela mais grossa incompetência, que leva a nação à ruína, conta ainda com um grande grupo de fanáticos apoiadores que se comportam como fundamentalistas religiosos, cegos por opção para a realidade e apelam para as mais esdrúxulas argumentações na defesa dos seus ídolos.

Um fanático é, basicamente, um cego (voluntário) para a realidade objetiva dos fatos. Você lhe dá, por exemplo, o Livro Negro do Comunismo nas mãos; eles leem e dizem: "Não, eu não concordo com o que aconteceu na antiga União Soviética, nem com o que acontece na China Comunista ou na Coreia do Norte... Também não acho certo o que se faz na Venezuela ou em Cuba, e muito menos quero viver em algum país comunista, mas 'eu acho' que os ideais comunistas são bons... Acho que o conceito em si é até compatível com o do cristianismo...".

Nada mais absurdo. O fato incontestável é que esse comunismo idealizado, de igualdade para todos, esse sonho quase infantil de um lugar onde todos serão iguais, onde não haverá hierarquia, em que tudo é de todos e nada pertence a ninguém, não passa de completa utopia, um delírio dourado que só tem alguma chance de se concretizar no país das maravilhas (aquele da Alice).

Ou estaremos nós sendo demasiado "chatos", azedos, negativos? Hoje em dia é tão “bacana” ser comunista, é quase que uma obrigação moral declarar-se simpático ao comunismo, que é tão moderno, tão admirável... A maioria dos nossos artistas compartilha desta ideia. E não só os artistas, como também os homens e mulheres que integram a chamada "classe falante", isto é, aqueles à frente dos veículos de comunicação. "Dá ibope" ser comunista. Tomemos o exemplo do arquiteto “comunista” Oscar Niemeyer: nada mais patético do que ver um homem que vivia numa casa cuja área construída é maior do que um quarteirão inteiro do seu bairro, um homem que colecionava automóveis de luxo e imóveis esplendorosos, que frequentava as festas e eventos da mais fina flor da sociedade, desfrutando de todo tipo de regalia que só o capitalismo pode proporcionar... Usando o bonezinho do PC do B! Aí está um legítimo representante da chamada “esquerda caviar”.

Como é fácil declarar-se "comunista" quando se tem à disposição todos os confortos, tecnologias e prazeres que só o sistema capitalista tornam possíveis. Faz lembrar o mito Che Guevara, que adorava Coca-cola e morreu com um belíssimo Rolex no pulso.

Outro fato interessante: a quase totalidade dos grupos de jovens agitadores esquerdistas que promoveram e praticaram o vandalismo nas recentes manifestações populares no Brasil, ostentando foice e martelo em nome da "revolução", era formada por filhos de empresários de classe média-alta, autênticos "filhinho(a)s de papai" que estudam nas melhores universidades particulares, ganham mesadas bem maiores que o meu salário e viajam para os EUA e Europa duas vezes por ano. Os legítimos filhos do proletariado, em sua imensa maioria, cultivam interesses bem mais condizentes com a realidade.


Uma das cenas mais ridículas dos últimos tempos: o deputado Jean Wyllys, militante dos direitos dos homossexuais, caracterizado como Che Guevara. – Parece que ninguém contou para ele que o verdadeiro Che perseguia os homossexuais, sendo que muitos deles foram mortos pela ditadura cubana ou enviados para os "UMAP", campos de concentração cubanos que de tão desumanos geraram protestos internacionais até mesmo dos próprios comunistas...

Para os nossos afetados “artistas” e comunicadores, não há maior símbolo de status social do que ter sido perseguido durante a ditadura militar. Todos eles dizem que foram perseguidos pela ditadura. Ah, a ditadura militar no Brasil! Para muitos, o regime de terror mais hediondo, a monstruosidade mais desumana que já existiu na face da Terra! – Curioso é que os mesmos sujeitos que berram tão indignados diante das quatrocentas e poucas mortes atribuídas, direta ou indiretamente, à ditadura militar no Brasil em 21 anos de existência, são fervorosos partidários de uma ideologia que gerou ditaduras como a da China (que vitimou cerca de 60 milhões de inocentes), da URSS (responsável por cerca de 20 milhões de assassinatos), de Cuba (que ceifou 100 mil vidas), – sem falar das modalidades requintadas de tortura usadas pelos comunas, – e acham tudo isso muito justo ou justificável... Parece que, para essas pessoas, assassinato se justifica quando o número das vítimas ultrapassa a casa dos seis dígitos.


O modo de vida comunitário dos primeiros cristãos

Uma pergunta sem resposta: onde e quando o comunismo deu certo, na História? E, por favor, caríssimo Filipe, não venha citar o modo de vida dos primeiros cristãos, porque esta é uma comparação completamente esdrúxula, estrambótica, estapafúrdia e o que mais começar com “es”... Mais uma vez eu preciso mencionar aquela mesma história, da qual já lhe falei tantas vezes: nós podemos usar da Escritura para justificar qualquer pensamento, qualquer ideologia ou qualquer prática política, por mais nefasta que seja. O sola scriptura permite e até favorece essas aberrações.

Ora, o modo de vida das primeiras comunidades cristãs não tem nada, absolutamente nada a ver com o comunismo, e é exatamente esse tipo de pensamento ingênuo, superficial e utópico que vem corroendo as estruturas da Igreja Católica (e também das protestantes históricas, pelo que sei) a partir de dentro, de um modo que à primeira vista pode ser imperceptível, mas que tem efeitos devastadores. Então vamos, juntos, buscar entender porque uma coisa não tem absolutamente nada a ver com a outra.

Antes de tudo, por favor, compreenda que quando tratamos do sistema social dos primeiríssimos cristãos, conforme descrito brevemente no Livro dos Atos, estamos falando de:

1) Um grupo pequeno: estamos analisando um contexto de alguns milhares de pessoas (no máximo), e, – muito importante: – pessoas fortemente unidas em torno de um mesmo ideal e de uma mesma fé, concentrados num território pequeno e bem demarcado.

a. Estes primeiros "detalhes" fazem toda a diferença! – Imagine tentar implantar este mesmo regime, por exemplo, num país pluricultural como o Brasil, de uma população de 200 milhões de habitantes espalhados por uma área de 8 515 767,049 km2! 

E só para "apimentar" ainda mais este "angu", considere que estamos falando de um povo que idolatra a figura do “malandro”, que acha lindo "ser esperto", que valoriza a tal “malemolência” do brasileiro. Responda sinceramente: você acha que haveria alguma chance (mínima que seja) de um sistema idêntico ao dos primeiros cristãos dar certo dentro desse contexto absurdamente diferente? Ou será que a corrupção da classe política (esta sim a verdadeira 'zélite' de que tanto falam nossos atuais governantes, a verdadeira 'classe opressora' dos trabalhadores) tornaria alguns milionários em detrimento de uma imensa maioria de excluídos?

b. Um sistema comunitário (comunitário, não comunista!) parece ter dado certo, por algum tempo, naquele lugar determinado, com um determinado grupo e sob condições muito, muito específicas, sendo a mais importante destas a fé comum, tendo como elemento principal a Graça santificante de Deus. Além disso, a própria Bíblia deixa transparecer que, mesmo nesse contexto infinitamente mais simples e mais propício, já aconteciam conflitos e disputas: diversas epístolas o evidenciam. Não é preciso pensar muito para notar que a comparação entre comunismo e a Igreja primitiva é, com muita boa vontade, no mínimo ingênua. No mínimo.

2) Além de tudo, os cidadãos que constituíam a Igreja primitiva eram dóceis ao poder do Estado, pois acreditavam (como ainda acreditamos hoje) que toda autoridade temporal tem origem em Deus. Os textos do Novo Testamento são claríssimos neste sentido: ninguém ali pregava a revolução, não se pensava em construir o Reino de Deus aqui na Terra, como certos “teólogos (sic) da libertação” dos nossos tempos.

3) Um outro elemento muito importante nessa história é compreender que os primeiros cristãos esperavam o retorno de Cristo para muito breve. Sabemos historicamente que alguns desses primeiros membros da Igreja não só deixaram tudo o que tinham, como também pararam de trabalhar, achando que a Parousia, – a segunda vinda do Cristo, – era para já, para as próximas semanas ou meses. O Apóstolo Pedro precisou advertir a Igreja a esse respeito, pois já havia murmuração e inquietação, visto que os dias se sucediam e nada acontecia: “Amados, não ignoreis uma coisa, que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia. O Senhor não tarda a cumprir sua Promessa, como pensam alguns, entendendo que há demora; Ele usa de paciência convosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a converter-se. Mas o dia do Senhor virá como ladrão...” (2Pd 3,8-10).

a. Este é um ponto essencial no quadro geral, que não pode ser ignorado: é bem mais fácil para alguém que acredita piamente que o Cristo está prestes a retornar, para julgar os vivos e os mortos, que venda tudo que tem e se entregue à vida comunitária, deixando tudo o que é mundano de lado, do que para alguém que não pensa deste modo.

* * *

Esclarecidos estes pontos fundamentais, busquemos compreender, através do testemunho direto da Sagrada Escritura, se há alguma possibilidade de relação harmoniosa entre as ideias comunistas marxistas-leninistas e o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Que diretivas estavam sendo transmitidas já às primeiras comunidades cristãs pelos Apóstolos? Vejamos:

Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por Ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. Porque os magistrados não são para temor quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela, visto que a autoridade é ministro de Deus para o teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada: ela é instrumento de Deus para fazer justiça e punir quem pratica o mal. É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência. Por esse motivo, também pagais tributos, porque os que governam são servidores de Deus (...). Pagai a todos o que lhe é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra. (Rm 13, 1-7)

A passagem é mais do que clara. Devemos obedecer ao governo que Deus põe sobre nós. Tudo o que esta passagem diz (assim como muitas outras) é o exato oposto do que prega a doutrina comunista revolucionária. Deus mesmo criou o governo, para estabelecer a ordem, punir o mal e promover a justiça (Gn 9,6; 1 Cor 14,33; Rm 12,8). Devemos obedecer ao governo – pagando impostos e seguindo as regras. – E se não o fizermos, estaremos demonstrando desrespeito contra Deus.

Evidentemente existem exceções, como nos casos de violência em que o governo adota medidas anticristãs e precisa ser combatido, como no caso da chamada "Guerra Cristera", no México. Por outro lado, note-se que quando o Apóstolo escreveu esse texto, ele estava sob o governo de Roma e durante o reinado de Nero, um dos mais impiedosos inimigos dos cristãos. Mesmo assim, Paulo reconhece a autoridade do governo e o coloca como regra para o cristão.

** Leia a continuação deste artigo
http://www.ofielcatolico.com.br/p/assine-nossa-revista.html

32 comentários:

  1. Henrique, tudo bem que devemos respeitos aos nosso governantes, isto é bíblico, e sempre foi ensinado pela Igreja. Porém, quando há um governantes ditatorial, que governa o povo a mãos de ferro, os oprime e realiza todo tipo de injustiça, neste caso é licito ou não o povo se revoltar, tirar tao tirano do poder e colocar outro que se adeque a governança do povo em geral.

    Anonimo Sidnei.

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    1. Um governo mais ditatorial que o governo de Nero é algo difícil de imaginar. Mesmo assim, na Sagrada Escritura, São Paulo exorta os cristãos a respeitar esse governo, porque todo poder provém de Deus, assim como Jesus disse a Pilatos: "Não terias poder nenhum se não te fosse dado do Alto" (Jo 19,11).

      Então, existem casos e casos. A questão está nos meios com que o povo procura derrubar um tirano. É uma discussão longa, sem dúvida.

      Abraço fraterno e a Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo

      Apostolado Fiel Católico

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    2. Henrique, como crítica construtiva e com todo o respeito, quero dizer que as Sagradas Escrituras nunca mandaram ninguém respeitar o governo anticristão de Nero, e sim orar pela sua conversão e esperar que o pior acabasse. Quanto ao que NSJC disse a Pilatos, ele estava dizendo que PILATOS não teria o poder de mandar matar Jesus se esse poder não fosse dado do alto, mas ele não disse que Pilatos não teria poder pra governar se não lhe fosse dado do alto. O Império Romano, por exemplo, foi fundado por pagãos assassinos que não queriam nem saber de Deus. É claro que tudo que acontece tem a permissão de Deus, pois de todo mal ele tira um bem, mas não podemos comparar o chamado do rei Davi ao governo de Stálin, por exemplo. Também posso usar de exemplo o Magnificat, no qual a Santa Mãe de Deus, NSVM (eu gosto de usar siglas), diz que Ele tira os poderosos dos seus tronos. Acho que o errado é dar a César o que é de Deus, misturando religião com qualquer luta revolucionária, que é o que o povo judeu da época de Nosso Senhor queria fazer e, como vc disse, existem casos e casos e a questão está no meios com que o povo procura derrubar um tirano. A paz de NSJC!

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    3. Bom dia!
      Henrique, Haveria algum sistema político-econômico condizente com o cristianismo?
      Vou publicar como anônimo, mas meu nome é Silvernandes Veras.

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  2. Graça e Paz!

    Henrique, concordo com o que você colocou no artigo. Como sempre muito bem estruturado. Mas acho que você me interpretou mal.

    Eu não acredito, de forma alguma, no comunismo como uma boa forma de governo. É totalmente incompatível com o cristianismo, tanto que eu o chamei de demoníaco.

    Isto posto, o que eu quis com "comunismo cristão" foi a ação do amor entre os primeiros cristãos, que derruba barreiras e os fez abrirem mão de propriedades privadas. Creio no amor de Cristo, não na política dos homens! Eu não quis colocar isto em igualdade ao sistema político do comunismo, de forma alguma.

    Deus te abençoe.

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    1. Mas é isso que diz o post, Filipe, e é exatamente aí que está o problema. Assim como você, muita gente faz essa perigosíssima e indevida comparação entre comunismo e comunidade ou fraternidade. É exatamente este o subterfúgio que o Partido usa para atrair filiações, especialmente dos jovens.

      Sabendo que o comunismo é, como você reconhece, demoníaco, deveríamos então evitar o termo para falar de algo tão santo como a relação de amorosa fraternidade que deve existir entre os verdadeiros cristãos. São coisas completamente diferentes e até, – como diz o post, – antagônicas.

      Apostolado Fiel Católico

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    2. Belo post sobre o tema recorrente dos cristãos primitivos versus doutrinas de esquerda, parabéns pelo trabalho e que Nosso Senhor frutifique esses esforços pois cresce o número de católicos que se reconhece malformado e deseja aprender o que nossa Santa Madre Igreja ensina e defende. É nesse ponto que reside o problema, de vez que até que um indivíduo reconheça que não conhece muito bem um assunto, costuma desenrolar argumentações e mais argumentações frouxas e açucaradas de uma suposta afinidade entre a vida comunitária dos primeiros cristãos e os loucos genocidas da esquerda que envernizam seus discursos com conceitos e posições virtuosas que parasitou do cristianismo, porém, os retirou de sua origem verdadeira e os faz de bois de piranha para atrair os incautos que se impressionam com slogans sobre valores humanitários e de virtudes. A resposta que motivou este excelente post prova isso. (Segue)

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    3. É muito duro se reconhecer enganado, é duríssimo, terrível: é um acontecimento que, em muitos aspectos, quebra o amor-próprio da pessoa, sua autoimagem e sua noção de valor próprio. É terrível reconhecer que não se tem cultura, que se passou muitos anos da vida cativo à influência da TV e da "grande imprensa", que as diretrizes do Ministério da Educação há décadas estão viciadas em malversar o conhecimento e trabalham no sentido fazer propaganda de esquerda, escamoteando alguns fatos, distorcendo outros fatos e passando uma visão de mundo muito utilitária e à esquerda, sempre. Que terrível reconhecer que os poucos livros que se leu eram de qualidade medíocre, e só reforçavam a visão revolucionária da vida. Ou, no caso de universitários de Ciências Humanas, de onde saem tantas pessoas influentes na sociedade, a dominação cultural de esquerda é clara e direta, com o expurgo de obras e autores mais efeitos ao estudo e aos fatos, e o que se ensina vem por professores muito influenciados pela mídia e que leram mal e pouco...

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    4. (Seguindo) A crise que vivemos enquanto país passa por tudo isso, e ainda pelo fato de que os agentes de toda a desinformação que nos é passada diariamente por noticiários, pela formação da escola, pelos artistas de vários segmentos, autores, pelos agentes governamentais e sua corrupção, pelos agentes acomodados no serviço público tem uma concentração flagrante entre os nascidos na década de 40, 50 e 60 do século passado. Isso, de várias formas, impacta no entendimento dentro das famílias. Nós somos da mesma geração dos que estão protagonizando os escândalos atualmente, os tão orgulhosos representantes da paz, do amor e da liberdade naqueles loucos anos. Não é um acidente, nem uma coincidência, mas desde décadas atrás nós não estávamos entendendo nada do que era lançado na sociedade em termos de ideias e comportamentos, e nem quisemos saber quais seriam as consequências... Por isso a situação tão grave de hoje.

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    5. (Seguindo) Em meio a essa crise toda, uma coisa fica clara: não podemos continuar sendo como viemos sendo. Temos de contrariar a índole brasileira, contrariar essa mentalidade televisiva, massiva, e nos tomarmos de amor pelo estudo, pelos fatos, e o que é ainda mais importante, amor pela Verdade que nos deixou nosso Senhor Jesus Cristo em sua amada Igreja Católica, e superando a inveja tão mal disfarçada que nutrimos por todos aqueles que levam essas coisas a sério. Peço a Deus que nossos filhos sejam sensíveis a essa mudança em nós, que queremos exemplificar coisas realmente boas, realmente “adultas”, ainda que tardiamente, passados dos 60 anos... Gosto muito do trabalho deste site, tenho encontrado material valioso para tirar as orelhas de burro que por tanto tempo estiveram em minha cabeça e eu não via. Felicidade a todos e aproveitem bem a Santa Quaresma para orar, jejuar, dar esmola e se converter.

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    6. Belo relato, caríssimo Alceu, irmão em Cristo Jesus!
      Que Deus vos abençoe!

      Seja sempre louvado Nosso Senhor Jesus Cristo!

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  3. Eu sempre fico pensando: se todos vendiam suas coisas, não ia chegar o momento em que não haveria mais compradores?

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    1. Anônimo, talvez sim. Mas as coisas não eram sempre vendidas de qualquer forma, mas sim para saciar nas necessidades das pessoas.
      Veja que nessa época, quando Pedro prega e 3 mil pessoas se convertem, muitas eram viajantes que decidiram ficar em jerusalém para participar da Igreja. Então aqueles que já estavam na Igreja, em solidariedade, vendiam bens para ajudar no sustento dessas famílias até que pudessem se sustentar sozinhas. E não mediram esforços para isso. A bíblia mostra muito fortemente esse amor entre irmãos no livro de Atos.
      Espero ter ajudado!

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  4. Boa tarde! Graça e paz, caro Henrique!
    Creio que o Filipe colocou o que deveria para que a resposta fosse dada como o foi.
    A idéia de associação (comunismo x comuidade cristã) nunca havia me passado pela mente, mas como você mesmo diz no post, é comum entre muitas pessoas.
    Eu gostaria de saber mais, de ler mais e de estudar mais. Vejo e participo de eventos em que a palavra é moderada, demasiadamente, para que não ofenda os "cristãos" presentes. Eu respeito isso. Não sei como seria a Igreja se não fosse a moderação. Mas sinto falta de palavras diretas, firmes e sem receios, como as que colocou no post, alicerçadas pela Escritura.
    Gostaria de conversar mais a respeito do assunto, mas o farei por e-mail, cokm calma e sem pressa.
    Obrigado por suas palavras e por seu trabalho! Que o Espírito continue a te orientar sempre, assim como o tem feito!

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  5. Caros irmãos em Cristo! A Paz! Quero parabenizá-los pelo texto recheado de informações tão reais e verdadeiras. Que as graças e bênçãos do Espírito Santo recaiam sobre este apostolado e também sobre o nosso Brasil, para que nunca tentem implantar o Comunismo por aqui. Haja vista os decretos de excomunhão postos por nossa Igreja para quem for adepto desta ideologia.

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  6. Olá, fiquei encantada e orgulhosa de saber que existem pessoas tão inspiradas por Deus, que são capazes de estudar e passar para nós Católicos o verdadeiro papel do Cristão, vocês são D+. Abraços Vânia Sampaio de Palmeira dos Índios, Alagoas

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  7. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Há algum grupo de e-mail ou fórum onde discutasse esses temas de maneira séria e simples como aqui e que não seja vinculado ao Facebook?

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    1. Agradeço, em nome de todo o nosso apostolado, pelas palavras de incentivo, Joyce.

      Quanto ao grupo, por absoluta falta de tempo, ele não existe, ao menos não ainda.

      A Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo

      Apostolado Fiel Católico

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  8. Citações dos Papas da Santa Igreja a respeito do Comunismo / Socialismo:


    Papa Pio IX (1846-1878):
    “Transtorno absoluto de toda a ordem humana” “[…] tampouco desconheceis, Veneráveis Irmãos, que os principais autores desta intriga tão abominável não se propõem outra coisa senão impelir os povos, agitados já por toda classe de ventos de perversidade, ao transtorno absoluto de toda a ordem humana das coisas, e entregá-los aos criminosos sistemas do novo socialismo e comunismo” (Pio IX, Encíclica Noscitis et Nobiscum)

    “[…]o “comunismo”, o “socialismo”, o “nihilismo”, monstros horrendos que são a vergonha da sociedade e que ameaçam ser-lhe a morte” (Leão XIII, Encíclica Diuturnum Illud)

    “[…] esta seita de homens que, debaixo de nomes diversos e quase bárbaros se chamam socialistas, comunistas ou nihilistas, e que, espalhados sobre toda a superfície da terra, e estreitamente ligados entre si por um pacto de iniquidade, já não procuram um abrigo nas trevas dos conciliábulos secretos, mas caminham ousadamente à luz do dia, e se esforçam por levar a cabo o desígnio, que têm formado de há muito, de destruir os alicerces da sociedade civil. É a eles, certamente, que se referem as Sagradas Letras quando dizem: ‘Eles mancham a carne, desprezam o poder e blasfemam da majestade’ (Jud. 8)” (Leão XIII, Encíclica Quod Apostolici Muneris)

    “[…] os socialistas e outras seitas sediciosas que trabalham há tanto tempo para arrasar o Estado até aos seus alicerces” (Leão XIII, Encíclica Libertas Praestantissimum).
    Socialismo católico, uma contradição: "Ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista"
    “E se este erro, como todos os mais, encerra algo de verdade, o que os Sumos Pontífices nunca negaram, funda-se contudo numa concepção da sociedade humana diametralmente oposta à verdadeira doutrina católica. Socialismo religioso, socialismo católico são termos contraditórios: ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista” (Pio XI, Encíclica Quadragesimo Anno

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  9. Se eu compreendi corretamente o Felipe, me parece que ele quis passar uma ideia de cristianismo de comunidade fraterna e não de cristianismo de fundo ideológico comunista. Logo o termo "comunismo cristão" deve certamente ser repelido, pois pode confundir as pessoas.
    Creio que a Igreja e sua mensagem que vem do Cristo, não se alinham nem ao capitalismo nem ao comunismo e baseio minha afirmação nas Encíclicas Rerum Novarum e Populorum Progressio.
    Penso que talvez, o capitalismo seja visto como um mal menor e por isso necessitado de ajustes. O espírito capitalista de acumulo de bens, que coloca o lucro acima da dignidade do homem, é e sempre foi combatido pela Igreja. Em um trecho diz o Papa Leão XIII (RN): "O século passado destruiu, sem as substituir por coisa alguma, as corporações antigas, que eram para eles” (operários) “uma protecção; os princípios e o sentimento religioso desapareceram das leis e das instituições públicas, e assim, pouco a pouco, os trabalhadores, isolados e sem defesa, têm-se visto, com o decorrer do tempo, entregues à mercê de senhores desumanos e à cobiça duma concorrência desenfreada. A usura voraz veio agravar ainda mais o mal. Condenada muitas vezes pelo julgamento da Igreja, não tem deixado de ser praticada sob outra forma por homens ávidos de ganância, e de insaciável ambição. A tudo isto deve acrescentar-se o monopólio do trabalho e dos papéis de crédito, que se tornaram o quinhão dum pequeno número de ricos e de opulentos, que impõem assim um jugo quase servil à imensa multidão dos proletários". Mas também adverte: "Os Socialistas, para curar este mal, instigam nos pobres o ódio invejoso contra os que possuem, e pretendem que toda a propriedade de bens particulares deve ser suprimida, que os bens dum indivíduo qualquer devem ser comuns a todos, e que a sua administração deve voltar para - os Municípios ou para o Estado". Por outro lado, mas em consonância, Papa Paulo VI diz o seguinte na Populorum Progressio: Sabe-se com que insistência os Padres da Igreja determinaram qual deve ser a atitude daqueles que possuem em relação aos que estão em necessidade: "não dás da tua fortuna, assim afirma santo Ambrósio, ao seres generoso para com o pobre, tu dás daquilo que lhe pertence. Porque aquilo que te atribuis a ti, foi dado em comum para uso de todos. A terra foi dada a todos e não apenas aos ricos". Quer dizer que a propriedade privada não constitui para ninguém um direito incondicional e absoluto. Ninguém tem direito de reservar para seu uso exclusivo aquilo que é supérfluo, quando a outros falta o necessário. Numa palavra, "o direito de propriedade nunca deve exercer-se em detrimento do bem comum, segundo a doutrina tradicional dos Padres da Igreja e dos grandes teólogos". Surgindo algum conflito "entre os direitos privados e adquiridos e as exigências comunitárias primordiais", é ao poder público que pertence "resolvê-lo, com a participação ativa das pessoas e dos grupos sociais".
    Quanto a questão de governos tiranos a Populorum Progressio também marca a posição da Igreja: "Não obstante, sabe-se que a insurreição revolucionária – salvo casos de tirania evidente e prolongada que ofendesse gravemente os direitos fundamentais da pessoa humana e prejudicasse o bem comum do país – gera novas injustiças, introduz novos desequilíbrios, provoca novas ruínas. Nunca se pode combater um mal real à custa de uma desgraça maior".

    Penso que se a Igreja tem uma ideologia, é a caridade, o amor e cuidado desinteressado e espontâneo para com os pobres. E se acaso a indiferença e o egoísmo prevalecerem, a ponto, de a dignidade do homem ser ameaçada pela miséria, é dever do Estado imbuído de valores cristãos, intervir, em caso e situação específica, para resgatar o despojado de dignidade. Isso não me parece ser comunismo, muito menos capitalismo, mas sim cristianismo.

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    1. Caro Tiago, eu realmente quero acreditar que você não sabe o que significa a palavra ideologia. Também espero que quando você diz que "se a Igreja tem uma ideologia" esteja pensando "se a Igreja tem uma posição definida sobre o tema é que deve haver...".
      Ideologia não é uma coisa boa, como explica o padre Paulo Ricardo no vídeo que você pode acessar no seguinte link:
      https://padrepauloricardo.org/episodios/o-que-e-uma-ideologia.
      E mesmo que a Igreja tivesse uma ideologia, ou seja, se ideologia fosse algo bom, ela constituiria defender o Evangelho e pregá-lo A TODOS, ricos ou pobres, a fim de que todos se salvassem. A paz de NSJC!

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    2. Verdade Petrivalianici, ideologia realmente é uma terminologia duvidosa e sempre que possível deve ser evitada, mas a deixei como uma condição (se a igreja tiver...). A usei no sentido de algo (caridade) a ser difundido e buscado, pois penso que a caridade é umas das mensagens principais, senão a principal, do Evangelho.
      A paz de Cristo!

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    3. Ainda assim você está errado, Tiago, pois o que é difundido e buscado pela Igreja continua sendo a salvação das almas. Mas esse algo que você falou é em relação à economia (ou seja, o debate em questão) ou é O algo a ser difundido e buscado? Ora, a caridade é algo que deve ser feito, enquanto que o que deve ser buscado é a Salvação.
      O Evangelho possui várias mensagens, como entre elas as de que Nosso Senhor veio ao mundo para nos salvar, morreu por nós e ressuscitou, prometeu a vinda do Espírito Santo, fundou Sua Igreja, etc. Outra coisa são as virtudes e aspectos dEle presentes no Evangelho, como a Caridade, a Justiça, a Fidelidade, a Misericórdia, a Paz, etc.
      Estou falando tudo isso, principalmente, porque eu tive a impressão de que você deixou transparecer um linguajar materialista, senão marxista, no seu comentário (no que novamente espero estar errado). Quando você diz que "a caridade, o amor e cuidado desinteressado e espontâneo para com os pobres.", por exemplo, fica parecendo que você resume a caridade ao amor e cuidado desinteressado para com os pobres, ao invés de falar que É O AMOR QUE SE DOA PARA QUALQUER PESSOA. Deu a entender, ao menos para mim, que você reduziu a caridade a algo meramente material, e destinado somente a um pequeno grupo. E mesmo que você esteja falando da caridade NESTE âmbito social e econômico específico, entenda: ela se aplica a toda e qualquer pessoa, rica ou pobre, escrava ou livre, judia ou grega (como qualquer tipo de caridade, inclusive).

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    4. Petrivalianici respeito sua opinião, mas a opção da Igreja é em favor dos pobres. Nas linhas seguintes lhe explico porque penso assim. Asseguro que não tem nada haver com materialismo. Fique tranqüilo, não sou adepto do marxismo. E nem quero deturpar a caridade ao submetê-la a sistemas econômicos. Também não concordo com sua ideia de colocar em separado a mensagem das virtudes, pois a mensagem é o meio pelo qual as virtudes ou valores são propagados, um é inseparável do outro. E os pobres não são um pequeno grupo como você disse, na verdade, são um grupo imenso.

      É inegável que a caridade ainda seja algo a ser buscado, a ser almejado, pois ainda não a vivemos em plenitude. A meu ver, a caridade, ou seja, o amor, continua como o centro do Evangelho. Cristo nos salva por amor, a Salvação veio ao mundo por amor, como disse o papa emérito Bento XVI: Deus caritas est (Deus é amor) (Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu o seu Filho único para que todo o que n'Ele crer (...) tenha a vida eterna ). A salvação é a conseqüência do amor, da caridade. A caridade é a engrenagem que possibilita que todo o bem seja posto em movimento. Já nos ensinava São Paulo: E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.

      O papa emérito reproduz nesta encíclica a fala de Santo Agostinho: “Se vês a caridade, vês a Trindade”. “O amor do próximo, radicado no amor de Deus, é um dever antes de mais para cada um dos fiéis, mas é-o também para a comunidade eclesial inteira, (...). A consciência de tal dever teve relevância constitutiva na Igreja desde os seus inícios: « Todos os crentes viviam unidos e possuíam tudo em comum. Vendiam terras e outros bens e distribuíam o dinheiro por todos de acordo com as necessidades de cada um » (Act 2, 44-45). Lucas conta-nos isto no quadro duma espécie de definição da Igreja, entre cujos elementos constitutivos enumera a adesão ao « ensino dos Apóstolos », à « comunhão » (koinonia), à « fracção do pão » e às « orações » (cf. Act2, 42). O elemento da « comunhão » (koinonia), que aqui ao início não é especificado, aparece depois concretizado nos versículos anteriormente citados: consiste precisamente no facto de os crentes terem tudo em comum, pelo que, no seu meio, já não subsiste a diferença entre ricos e pobres (cf. também Act 4, 32-37). Com o crescimento da Igreja, esta forma radical de comunhão material — verdade se diga — não pôde ser mantida. Mas o núcleo essencial ficou: no seio da comunidade dos crentes não deve haver uma forma de pobreza tal que sejam negados a alguém os bens necessários para uma vida condigna (Bento XVI, Deus caritas est).

      Evidente que a caridade não consiste unicamente em assistência material, mas esta é também parte muito relevante daquela. E isso não quer dizer que a caridade se dirija apenas aos pobres, que por ventura a recebam, mas a todos. Ora, não só o que recebe caridade se sente reconfortado, mas também aquele que a pratica, é uma via de mão dupla, que não implica de forma alguma em materialismo. É graça de Deus, pois Nele, aquele que faz a caridade também a recebe, ainda que saia de mãos vazias.

      Continua...

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    5. “Com o passar dos anos e a progressiva difusão da Igreja, a prática da caridade confirmou-se como um dos seus âmbitos essenciais, juntamente com a administração dos Sacramentos e o anúncio da Palavra: praticar o amor para com as viúvas e os órfãos, os presos, os doentes e necessitados de qualquer género pertence tanto à sua essência como o serviço dos Sacramentos e o anúncio do Evangelho” (Deus caritas est).

      Portanto, devemos é ter cuidado de não entrar na onda daqueles, que, ao ouvirem qualquer crítica mais dura da Igreja em relação ao descaso para com os pobres, á acusam de comunismo/marxismo. A opção pelos pobres, não é marxismo é a opção do próprio Cristo, é a opção da Igreja, e isso não significa abandono dos demais. Quando há dois irmãos e um é doente e mais fraco, é natural que a mãe lhe dispense maior atenção, maiores cuidados e incentive o irmão mais forte a ajudar e proteger o mais fraco. O Papa Francisco sempre nos lembra: “A Igreja é mãe”, mãe de todos, ricos e pobres. E não deve de maneira alguma, a opção pelos pobres, caracterizar a Igreja como se fosse uma mãe desnaturada, e sim estimular nos demais a opção pelos irmãos mais fracos.

      A caridade não deve temer o marxismo, ao contrário, o marxismo deve temer a caridade cristã, pelo risco de ser desmascarado como o sistema cruel e desumano que é. Dar migalhas aos pobres num sistema que os aprisiona a um estado de dependência política, tal qual, um animal que se prende ao dono que o alimenta (como faz o atual governo), não é caridade á nível de sociedade e nunca deve ser confundida com a autêntica caridade cristã.

      A paz de Cristo!

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    6. Concordo! Mas bem, quando eu falei 'pequeno grupo' quis dizer um grupo específico, no meio de tantos outros. A opção preferencial da Igreja é pelos pobres, sim, no que diz respeito à uma determinada assistência material básica que os pobres precisem mais (assim como pelas viúvas, doentes, órfãos, etc). Eu não neguei nada disso. Apenas estranhei determinadas expressões que você usou que me pareceram favorecer a confusão de que a caridade MATERIAL é necessariamente a ajuda aos pobres, e não a qualquer tipo de necessitado (doentes, presos, órfãos, viúvos, idosos abandonados pela família, tristes e angustiados, etc).
      Não tendo acusado a Igreja de ser comunista/marxista, não vejo motivo para me enquadrar no grupo que você citou. A paz de NSJC!

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    7. Petrivalianici, não devemos ser reticentes na hora de lembrar as pessoas, em geral, de seus deveres para com os mais pobres. Concepções superficiais, não podem nos convencer de que a caridade é um esquema invejoso, que quer nivelar o mundo em uma classe social única. O termo “pobre” não é excludente. Se uma pessoa precisa fazer um tratamento caríssimo, não se pode deixar de ajudá-la porque, ela tem uma bela casa com piscina, carro do ano na garagem etc. E essa ajuda não se resume, ou significa pagar uma cirurgia. Uma visita, uma palavra de consolo, ou uma oração, são formas de caridade efetivas. Mas não devemos hesitar em lembrar que os recursos existem, que o egoísmo muitas vezes traz sofrimentos e isso não torna a caridade em materialismo.

      Como afirma o papa Paulo VI na Populorum Progressio: “Os povos da fome dirigem-se hoje, de modo dramático, aos povos da opulência. A Igreja estremece perante este grito de angústia e convida a cada um a responder com amor ao apelo do seu irmão”. Este é o espírito que rege a Igreja, sem medo de classificações, conjecturas. É gritante, em pleno século XXI, em nossa sociedade que se diz cristã, pessoas morrerem pela falta de acesso a tratamento médico, pela falta de um cobertor ou alimento. A Igreja não deve temer denunciar tais situações com veemência. Aqueles que pensam que caridade é uma luta de classes, que opõe os pobres aos ricos, não a conhecem e não nos devem intimidar.
      E em nenhum momento me referi a você, em nossa conversa, não o estou acusando ou julgando, mas sim uma mentalidade que eu considero perigosa.
      A paz de Cristo!

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    8. Concordo novamente, com o que você disse, Tiago. Eu nunca falei que caridade é um esquema invejoso ou que a material não se destina também aos ricos. Pelo contrário, falei exatamente o oposto disso. Como você está se dirigindo a mim, fica parecendo que você está se referindo a mim, como se eu estivesse contradizendo o que você está falando, daí a minha observação. Mas relaxe, entendi o que quis dizer. A paz de NSJC!

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    9. Em nossa conversa eu quis expor alguns pontos de vista que me inquietavam, não lhe conheço, portanto seria injusto emitir opiniões a seu respeito. Quis comentar com você algumas coisas que eu leio, percebo nas mídias etc. Apesar de me dirigir a você, alguns assuntos eram comentários mesmo.

      Sua preocupação é legítima, pois sabemos que grupos em nosso meio, tentaram e tentam subverter a caridade. Devemos estar sempre vigilantes!

      A paz de Cristo!

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  10. Creio que seria útil o autor citar, por que não, documentos OFICIAIS da Igreja sobre o Comunismo e também sobre a relação com governantes.

    Sobre os governantes, não precisamos ir muito longe. Como estou catequizando minha namorada, lembro-me muito bem desse tópico. Leiam os parágrafos 2234-2243 do CATECISMO, do qual seleciono alguns trechos:

    2242. O cidadão é obrigado, em consciência, a não seguir as prescrições das autoridades civis,
    quando tais prescrições forem contrárias às exigências de ordem moral, aos direitos
    fundamentais das pessoas ou aos ensinamentos do Evangelho. A recusa de obediência às
    autoridades civis, quando as suas exigências forem contrárias às da recta consciência, tem a
    sua justificação na distinção entre o serviço de Deus e o serviço da comunidade política. «Dai
    a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus» (Mt 22, 21). «Deve obedecer-se antes a
    Deus que aos homens» (Act 5, 29):
    «Quando a autoridade pública, excedendo os limites da própria competência, oprimir os
    cidadãos, estes não se recusem às exigências objectivas do bem comum; mas é-lhes lícito,
    dentro dos limites definidos pela lei natural e pelo Evangelho, defender os seus próprios
    direitos e os dos seus concidadãos contra o abuso dessa autoridade» (27).


    --------------------------------------------
    Sobre o socialismo/comunismo, vejamos o que diz o mesmo Catecismo:

    2425. A Igreja rejeitou as ideologias totalitárias e ateias, associadas, nos tempos modernos, ao
    «comunismo» ou ao «socialismo». Por outro lado, recusou, na prática do «capitalismo», o
    individualismo e o primado absoluto da lei do mercado sobre o trabalho humano (167).
    Regular a economia só pela planificação centralizada perverte a base dos laços sociais: regulála
    só pela lei do mercado é faltar à justiça social, «porque há numerosas necessidades humanas
    que não podem ser satisfeitas pelo mercado» (168). É necessário preconizar uma regulação
    racional do mercado e das iniciativas económicas, segundo uma justa hierarquia dos valores e tendo em vista o bem comum.

    -------------------------------------------
    Mais alguns documentos da Igreja sobre o Socialismo/Comunismo:

    > Encíclica DIVINA REDEMPTORIS: https://w2.vatican.va/content/pius-xi/pt/encyclicals/documents/hf_p-xi_enc_19370319_divini-redemptoris.html

    > Rerum Novarum

    Para encerrar a questão, eu entendi o que o Filipe propôs: um sistema econômico que não seja tirânico como o socialismo, nem individualista ao extremo como o capitalismo liberal. Pois bem, a Igreja já propôs uma alternativa, encontrada na DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA. A base da DSI é a dignidade do ser humano, imagem e semelhança de Deus. Em suma, é o seguinte: devemos sim ter propriedade privada, trabalhar e enriquecer, mas não podemos colocar os bens e a propriedade acima das pessoas, nem as pessoas ou os bens acima de Deus.

    Você pode encontrar a DSI aqui: http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/justpeace/documents/rc_pc_justpeace_doc_20060526_compendio-dott-soc_po.html
    ---------------------------------------------
    PS: apenas aos curiosos, saibam que existem ainda hoje algumas comunidades católicas que vivem de forma semelhante aos primeiros cristãos do Atos. São algumas comunidades monásticas que compartilham os bens, levam toda a vida em comum.

    Fiquem com Deus.

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  11. Henrique, boa tarde!
    Para contribuir sobre este importante tema, indico o estudo do Prof. Orlando Fedeli, disponível em: http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=veritas&subsecao=religiao&artigo=desigualdade&lang=bra. Nele o professor demonstra como a própria DESIGUALDADE é um BEM. Segue abaixo alguns dos inúmeros ensinamentos contidos no referido texto:
    A desigualdade é uma lei da natureza. Deus tudo fez com desigualdade. Também entre os homens não há igualdade. Iguais na natureza, desiguais nos acidentes, os homens são semelhantes e não iguais. A desigualdade cresce com a perfeição do ser. Quanto mais perfeito é o ser, maior é a desigualdade. Quanto menos perfeito, menos é a desigualdade. As menores desigualdades existem entre as pedras. As maiores entre os anjos. Quanto mais um homem se aperfeiçoa, mais se diferencia dos outros. Querer impor a maior igualdade possível entre os homens é querer que eles não se aperfeiçoem, mas decaiam. A igualdade só se pode realizar pelo nível mais baixo. Só a desigualdade social permite o progresso social. Quanto mais degraus houver numa escala social, mais fácil será progredir e ascender socialmente. Quanto menos degraus houver, ou quanto mais eles forem desproporcionados, mais difícil será a ascensão, o progresso social. A solução socialista para o problema de uma sociedade excessiva e desproporcionadamente desigual é fazer a igualdade, isto é, retirar a escala social. Feito isso fica impossível progredir socialmente. O Estado então esmaga a pessoa. A civilização cristã medieval, sancionando as desigualdades postas por Deus, criou uma sociedade hierárquica com desigualdades proporcionais; facilitando a mobilidade, a ascensão e o progresso sociais. A Civilização Moderna, na medida em que tem por ideal a igualdade, rejeita o aperfeiçoamento dos indivíduos, porque isto os torna mais desiguais. Isso explica por que a sociedade igualitária atual é decadente. A desigualdade é um bem porque permite que haja no Universo uma imagem da Sabedoria de Deus através da ordem. "Quae a Deo sunt, ordinata sunt" "As coisas que procedem de Deus estão ordenadas" (Rom. XIII, 1).
    Mas este bem da ordem não poderia existir sem a desigualdade, pois só se podem ordenar seres diversos.
    Por outro lado, a ordem reflete a inteligência ordenadora. Portanto é a desigualdade que permite ser espelhada no Universo, através da ordem, a sabedoria de Deus.
    O prof. Orlando ensina também, de forma bastante clara e didática, sobre a desigualdade na Sagrada Escritura, sobre o anti-igualitarismo de Nosso Senhor Jesus Cristo, e também sobre o ensinamento dos papas a respeito desta temática. Recomendo a leitura na íntegra.
    Abraços. Fique com Deus e que Ele continue nos abençoando!

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  12. Para aqueles mais interessados, o THOMAS WOODS JR (mesmo autor do "Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental") escreveu um livro inteiro sobre a Igreja e o Livre Mercado.

    O livro (em inglês) está aqui: http://www.amazon.com/The-Church-Market-Catholic-Economics/dp/0739110365

    Alguns textos do site dele sobre a Doutrina Social: http://tomwoods.com/socialteaching/

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