Solenidade de São Pedro e de São Paulo


“TU ÉS PEDRO, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja...” – Jesus se referia à fé que Pedro n’Ele anunciara. Esta fé institui o fundamento sólido da Igreja, torna-a firme e capaz de vencer as forças adversas. Todos aqueles que, como Pedro, adotam a fé em Jesus Cristo Filho do Deus vivo, passam a fazer parte deste edifício extraordinariamente sólido que nunca cairá. Nada nem ninguém poderá impedir a Igreja de realizar a sua missão de salvação.

Pedro, que acaba de exteriorizar a sua fé em Cristo, caracteriza os Apóstolos e todos os cristãos que praticam a mesma fé.

Este Apóstolo aparece sempre em primeiro lugar e é aquele que deve confirmar a fé dos outros. Ele é o incumbido de manter a unidade de todos os cristãos nessa mesma fé. Por isso, a Igreja confia no Bispo de Roma, Sucessor de Pedro, como responsável de preservar a fé em Cristo recomendada por esse Apóstolo, a fim de executar tal missão no decurso de todos os tempos.

Temos a obrigação de rejeitar tudo aquilo que não é evangélico no nosso modo de perceber o ministério do Papa e a sua autoridade na Igreja. Devemos ajustar-nos, sobretudo, àquilo que Jesus repetiu tantas vezes e com tanta evidência: «Aquele que for o maior, proceda como se fosse o menor, e o que governar proceda como o que serve os outros» (Lucas 22,26).

É esta também a visão de Paulo. Poucos meses antes de morrer, fechado numa prisão de Roma, escreve a Timóteo, seu companheiro de missão, dando-se conta que o seu fim está próximo, faz um balanço de toda a sua vida. Está convencido que, no anúncio do Evangelho, realizou a sua imposição principal como os atletas que participam nas competições desportivas no estádio: consumiu todas as suas forças pela causa justa do anúncio do Evangelho, quando afirma: «Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé».

Está convicto de que Deus lhe dará também a ele, no dia em que for recebido na morada eterna, a coroa da vitória que espera todos aqueles «que aguardaram com amor a sua vinda», isto é, a todos aqueles que, como ele, tenham lutado pela justiça.

Pedro e Paulo apontaram-nos com que abnegação à Igreja, com que qualidade de amor, com que desprendimento e com que coragem deve ser cumprido o ministério do anúncio do Evangelho. São o modelo de lealdade à vocação cristã quando somos confrontados com situações nada fáceis: perante a amargura, o isolamento, o desentendimento, ou a marginalização a que nos possam algemar.

Como nos refere a primeira leitura, quem sofre por causa de Cristo deve demonstrar, como Pedro e Paulo, o seu amor franco e dedicado à Igreja, mesmo quando todos lhe são desfavoráveis. Do seu lado terão sempre o «anjo do Senhor» para ampará-los e libertar, como fez com Pedro no momento em que ele mais precisava.

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Fonte:
'Encontro com o Bispo', por Dom Antônio Carlos Rossi Keller, disp. em:
encontrocomobispo.org/2015/06/solenidade-de-sao-pedro-e-de-sao-paulo.html
Acesso 29/6/015
ofielcatolico.com.br

Exemplo terrível para aqueles que não apreciam o grande Tesouro da Missa (Excelências da Santa Missa – conclusão)


Leia o primeiro capítulo

Por S. Leonardo de Porto-Maurício, da Ordem dos Frades Menores (1676-1751)

S. Leonardo de
Porto-Maurício
SÃO TOMÁS E SÃO BOAVENTURA, os dois doutores da Igreja, ensinam, como dissemos anteriormente, que o Santo Sacrifício da Missa é de valor infinito, tanto pela Vítima que é aí oferecida, – que é o Corpo e Sangue, a Alma e Divindade de Nosso Senhor JESUS CRISTO, – quanto pelo fato de que é Ele mesmo Quem principalmente o oferece. No entanto, muitos há que o tem em tão pouca estima que colocam tal Tesouro sacratíssimo abaixo do mínimo interesse. Outra finalidade não tem este opúsculo, da primeira á última página, senão dar uma ideia justa desta Preciosidade, tão grande e que não tem preço.

E, se até aqui, este santo Sacrifício era para os meus leitores um Tesouro oculto, agora que lhe conhecem o Valor infinito, tomem a resolução de aproveitá-lo, assistindo à Santa Missa todos os dias! Para a isso mais incitá-lo, vou contar uma história apavorante, que será a conclusão desta obra.

Enéias Silvio Piccolomini, mais tarde Pio II, refere que em certa região da Alemanha havia um fidalgo de grande linhagem que, tendo caído na pobreza, vivia retirado em uma de suas terras. Aí acabrunhado pela melancolia, estava prestes deixar-se dominar pelo desespero, e satanás o impelia, cada dia, a pôr uma corda ao pescoço a fim de dar cabo da vida. Nesse combate contra a tristeza e a tentação, recorreu a um santo confessor, que lhe deu o excelente conselho de não passar, nem um dia, sem assistir à Santa Missa.


Pio II

O fidalgo aceitou o conselho e logo o colocou em prática; e fez mais: para ficar seguro de nunca faltar à Santa Missa, tomou um capelão que devia estar pronto a oferecer, cada manhã, o Santo Sacrifício, a que ele assistia com grande fervor e devoção.

Um dia, porém, o capelão dirigiu-se bem cedo a uma aldeia um pouco afastada para assistir um padre recém-ordenado, que lá celebrava sua primeira Missa. O fidalgo, receoso de ficar privado da Santa Missa naquele dia, dirigiu-se apressadamente para a tal aldeia. Todavia, no caminho encontrou um camponês, que lhe disse que podia voltar dali, pois a Santa Missa do novo sacerdote já havia terminado, e que na aldeia não se celebraria outra. A esta notícia, o fidalgo perturbou-se e exclamou entre lágrimas: “Que vai ser de mim, hoje?” O camponês, que nada podia entender de tão pungente aflição, replicou num tom de gracejo e ímpio ao mesmo tempo: “Não choreis, senhor, eu vos venderei a Missa que acabo de assistir. Dai-me o manto que trazeis, e eu vo-la dou.”

Gentil, o outro homem aceitou a estranha proposta do camponês, e, entregando-lhe o manto, encaminho-se para a Igreja. Fez uma breve oração no lugar santo, e voltou em seguida para casa. Ao chegar ao sítio em que se detivera pouco antes, qual não foi seu espanto ao ver, enforcado num carvalho, morto como Judas, o desgraçado camponês que lhe "vendera" sua Missa.

"O Remorso de Judas",
Giovanni Canavesio, 1491
A tentação de suicídio passara do fidalgo ao camponês, que, privado do socorro que a Santa Missa lhe alcançara, não soubera resistir ao diabo. O fato acabou de convencer o bom fidalgo de quão eficaz era o Remédio sugerido pelo confessor, e mais se firmou em sua resolução de assistir, todos os dias, à Santa Missa.

Duas coisas de grande importância eu quisera que notásseis neste terrível caso. Primeiro, a grosseira ignorância de grande número de cristãos que, não sabendo apreciar as riquezas imensas na Santa Missa, vão a ponto de taxá-la por um preço material. Daí vem a linguagem inconveniente de algumas pessoas que falam em pagar ao sacerdote a sua Missa. Pagar a Missa! E onde encontrareis fortuna capaz de igualar o valor de uma única Santa Missa, já que ela vale mais que todo o Paraíso? Ó, ignorância revoltante! Esse pouco de dinheiro que dais ao sacerdote, vós lho dais para seu sustento, mas não como pagamento, pois a Santa Missa é um Tesouro sem preço.

Porque vos exortei, neste livrinho, a assistir, todos os dias, à Santa Missa e encomendar quantas puderdes, é possível que Satanás vos coloque no espírito esta ideia: “Os padres nos exortam a encomendar muitas Missas, por motivos muito bonitos e especiais. Mas nem tudo que brilha é ouro. Sob esta aparência de zelo eles escondem seu proveito e no fim das contas vê-se que o interesse é que lhes inspira a conduta e as palavras.” Que erro o vosso, se pensais assim! Dou graças a DEUS de me ter inspirado abraçar uma ordem na qual se professa a mais estrita pobreza, e não se recebem espórtulas pelas Missas.

Se nos oferecessem cem escudos por uma só Missa, jamais os  aceitaríamos, pois dizemos todas as nossas Missas na intenção que tinha Cristo na Cruz, quando ofereceu ao Eterno PAI o primeiro Sacrifício do Calvário. Se, portanto, alguém há que possa elevar a voz sem receio de censura, sou eu que só busco o vosso interesse.

Ora, tudo que vos aconselhei neste opúsculo vo-lo repito novamente; rogo-vos assistir a muitas Santas Missas e encomendai o mais que puderdes. Tereis amontoado um grande tesouro que vos aproveitará neste Mundo e no outro. A segunda verdade que deveis depreender da história precedente é a eficácia da Santa Missa, para alcançar todo bem e preservar-se de todo mal, e em particular para adquirir forças espirituais, a fim de vencer todas as tentações. Deixai-me, portanto, dizer-vos ainda: à Santa Missa! À Santa Missa! Se quereis a vitória sobre vossos inimigos e ver todo o inferno vencido e dominado.

Resta-me ainda dar-vos um aviso, que se dirige também tanto aos sacerdotes, aos religiosos, como aos leigos: é que, para receber com grande abundância os frutos da Santa Missa, importa ir a ela com a máxima devoção. Vós, leigos, portanto, assisti com toda a devoção à Santa Missa, e para isto, se quiserdes, utilizai-vos deste livrinho e ponham em prática, cuidadosamente, tudo o que nele vai indicado. Em pouco tempo, posso assegurar-vos pela experiência, verificareis uma mudança sensível em vosso coração, e tocareis com as mãos o grande bem que daí há de auferir a vossa alma.

E vós, sacerdotes, deveis temer a Justiça de DEUS, quando, por uma pressa exagerada ou por negligência irreverente, executardes mal as santas Cerimônias, precipitardes as palavras, confundirdes os movimentos; quando, numa palavra, despachardes a Missa. Refleti que consagrais, que tocais e recebeis o Filho do Altíssimo, e que não podeis, sem falta, omitir a menor cerimônia ou fazê-la de modo negligente ou defeituoso, como a ensina o sábio Suarez: Vei unius caeremoniae omissio culpae reatum inducit (As palavras omitidas da cerimônia levam à culpa)!

Por isso, João d´Avila, o oráculo da Espanha, não punha em dúvida que o Soberano Juiz pedirá aos sacerdotes uma conta mais rigorosa de todas as Missas que tiverem celebrado, do que qualquer outra obrigação. Assim, tendo ouvido dizer que um jovem sacerdote passara à outra vida, ao terminar sua primeira Missa, aquele santo homem soltou um suspiro e disse: “Ele celebrou, então, a Santa Missa?”. E como lhe respondessem que o neo-sacerdote tivera a felicidade de morrer logo depois de celebrá-la, replicou: “Ah! Grande conta tem ele de dar a DEUS, se celebrou uma Missa!”. E vós e eu, que tantas temos celebrado! Como nos arranjaremos no Tribunal de DEUS?

Tomemos, portanto, a salutar resolução de rever, ao menos no próximo retiro que fizermos, todas as rubricas do Missal e todas as cerimônias sacras, a fim de celebrar com a máxima perfeição possível. E estou certo de que se nós, sacerdotes, celebramos com um exterior grave e recolhido, e, sobretudo com grande fervor, os leigos, de sua parte, hão de decidir-se a assistir diariamente à Santa Missa. E teremos a consolação de ver renascer entre os cristãos de nossos dias o fervor dos primeiros fiéis da Igreja.

E vós, que é que estais fazendo? Por que é que não ides correndo para as igrejas para lá assistirdes fervorosamente a todas as Santas Missas que puderdes? Por que é que não quereis imitar os Anjos que, quando se celebra a Santa Missa, descem do Paraíso em grande número e vêm ficar ao redor do Altar em adoração, intercedendo por nós? E DEUS será soberanamente honrado e glorificado: é esta a única finalidade desta pequena obra. Orai por mim, rezando uma Ave Maria.

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Fonte:
MAURÍCIO, Leonardo de Porto. As Excelências da Santa Missa, conforme a ed. romana de 1737 dedicada a S.S. o Papa Clemente XII, pp. 78-82.

Todas as religiões são iguais? Todas dizem o mesmo, de modos diferentes?

Foi tudo em vão?

A PERGUNTA QUE DÁ título a este post é especialmente pertinente em nossos tempos. Vivemos numa sociedade em que a tolerância “politicamente correta” para com as diversas religiões não só está "na moda" como também constitui um verdadeiro compromisso para muita gente e para muitas organizações importantes. Nem todos são mal intencionados. Conheço pessoalmente homens e mulheres de bem que acreditam e pregam a igualdade entre todas as crenças, principalmente em nome da paz. E em nome da paz põem "num mesmo saco" a Religião, as diversas religiões e as seitas de todo e qualquer tipo.

"Pluralismo" e "tolerância" são palavras muito populares para a cultura atual. Todas as religiões teriam o mesmo valor, e nenhuma delas poderia ser considerada verdadeira, ao menos não se isto implicar dizer que alguma outra seja falsa. Quantas vezes cada um de nós já não terá ouvido dizer que “o importante é crer em alguma coisa”, ou, pior ainda, que "o importante é ser feliz"? O maior problema é que, – flagrante contradição, – nesta sociedade supostamente muito tolerante, quem afirma o contrário não é tolerado...

Ainda mais grave, mesmo dentro de ambientes religiosos, que teriam por obrigação defender a verdade perante o mundo, – sem a preocupação de atender a interesses particulares, sem “fazer média” com ninguém, – os conceitos de tolerância e de pluralismo têm adquirido enorme espaço, a ponto de determinados ensinamentos catequéticos terem se tornado, de certo modo, proibidos, porque são considerados assuntos "politicamente incorretos". Temas como o inferno, a necessidade da confissão, a inerrância da Igreja, o pecado mortal que é usar a (assassina) pílula anticoncepcional, – apenas para citar alguns poucos, – estão sendo evitados ou, pelo menos, "suavizados".

Já não se diz a verdade simplesmente, mas procura-se disfarçá-la ou “enfeitá-la”. É o caso, outro exemplo, quando se trata da Justiça de Deus. Muitos padres e catequistas já não querem mais falar em Justiça divina: dizem apenas que Deus é amor, que é misericórdia infinita, dando a entender que vai nos perdoar e levar para o Céu de qualquer jeito, independentemente do que sejamos ou façamos, como se de um dia para o outro a doutrina cristã tivesse mudado.

Nesta nossa época em que domina a pressão globalista a favor do relativismo e do sincretismo religioso, "ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, muitas vezes é classificado como fundamentalismo", como já esclarecia o grande Cardeal Joseph Ratzinger/ Papa Bento XVI (Missa Pro Eligendo Romano Pontifice, abril/2005).

O que se busca é uma espécie de religião única, globalista, que unifique todos os credos. Assim, cria-se a equivocada sensação de que qualquer proposta religiosa é válida para a salvação, até as mais absurdas, as mais contrárias aos valores que construíram a nossa civilização, a nossa sociedade. A tática consiste na elaboração de um sistema neopagão para o qual não exista nenhuma autoridade planetária que não a política. Obviamente, a doutrina católica, sobretudo o que afirma sobre o papado e a necessidade da Igreja para a salvação (artigos irrenunciáveis da fé cristã), tornam-se pedras de tropeço para esse objetivo.

O Magistério da Igreja, preocupado com a onda relativista, procurou e vem procurando esclarecer esses assuntos, em várias ocasiões. A fé católica não mudou, com de fato não pode mudar: continuamos crendo que o Verbo de Deus se encarnou uma única vez; que somente nEle se encontra a plenitude da Revelação e os meios necessários para o autêntico encontro com Deus. É através de Jesus Cristo e de sua continuação histórica na Terra, que é a Igreja Católica, que o homem pode ser salvo. Sabemos que não há outro Nome debaixo do céu pelo qual a humanidade possa alcançar a salvação (At 4,12), como reafirma a Declaração Dominus Iesus: "Assim como existe um só Cristo, também existe um só seu Corpo e uma só sua Esposa".

Portanto, para nós, católicos, já existe a Religião global e universal. Esta Religião é a católica, – sendo que a palavra quer dizer exatamente isto, universal. – A Católica é a Igreja para a qual todos os seres humanos foram criados, e Jesus veio a este mundo para que todos, aqui na Terra ou derradeiramente no Céu, pertençam a ela. Se alguém duvida que esta é a doutrina católica, basta consultar os documentos oficiais da Igreja, como a Declaração Dominus Iesus (2000) e/ou a notificação da Congregação para a Doutrina da Fé sobre o livro "Para uma teologia cristã do pluralismo religioso", do padre jesuíta Jacques Dupuis (lê-se 'Dipuí'). Este documento (2001) elencou 5 pontos básicos e inegociáveis da doutrina católica, principalmente na temática da salvação. A Santa Sé visava corrigir certos equívocos do seu autor, padre Dupuis, e, ao mesmo tempo, ajudar os católicos a praticarem uma reta reflexão acerca do pluralismo e da tolerância religiosa, dentro do que é aceitável e verdadeiramente católico.

Ponto 1 – Jesus Cristo é o único e universal Mediador da salvação de toda a humanidade. A notificação rechaça a tese de uma certa "ação salvífica do Verbo" alheia à Pessoa de Cristo, ou seja, "independentemente da humanidade do Verbo encarnado". Com isso, a Congregação reafirma a supremacia do cristianismo sobre todas as outras religiões. Somente na fé cristã Deus se encarnou, sofreu e morreu na cruz pela humanidade. A ideia segundo a qual Deus teria, de algum modo, se encarnado em todas as religiões, e que Jesus seria portanto apenas uma dessas muitas encarnações ou avatares é, para o cristianismo, simplesmente absurda, sem qualquer respaldo teológico ou bíblico.

Ponto 2 – A Revelação em Jesus Cristo é una e plena. É um dever de todo cristão crer firmemente na Mediação do Cristo, no cumprimento e na plenitude da Revelação nEle e através dEle. É "contrário à fé da Igreja" afirmá-la "limitada, incompleta e imperfeita". Não há uma única verdade de fé necessária à salvação que não esteja contida na Sã Doutrina cristã e, embora possam existir "elementos de verdade" nas outras religiões, todas elas, de uma maneira ou de outra, derivam "em última análise da Mediação frontal de Jesus Cristo". Nenhuma outra doutrina ou religião “completa” o cristianismo.

Ponto 3 – O Espírito Santo é plenamente capaz de agir "de maneira salvífica tanto nos cristãos como nos não-cristãos". Todavia, é "contrário à fé católica pensar que a ação salvífica do Espírito Santo possa estender-se para além da única e universal economia salvífica do Verbo encarnado". Isso quer dizer que toda ação do Espírito Santo tem por meio a Igreja, – o Sacramento universal da salvação, – mesmo entre os não-cristãos. A ação do Espírito Santo fora da Igreja existe, mas tem sempre a intenção de trazer todas as pessoas à Igreja de Cristo, que confere os Sacramentos para a santificação e salvação.

Ponto 4 – Recorda a vocação universal do homem. Toda a humanidade foi orientada para Jesus: existe uma vocação específica dos seres humanos de todos os tempos, de todos os lugares da História, para a Igreja de Cristo. Com isso, a Congregação afirma que "também os seguidores das outras religiões estão orientados para a Igreja e todos são chamados a fazer parte dela", não sendo possível "considerar as várias religiões do mundo como vias complementares à Igreja em ordem à salvação".

Ponto 5 – A Congregação para a Doutrina da Fé responde à pergunta central: "Podemos afirmar que todas as religiões são caminhos de salvação?" O esclarecimento é categórico ao definir que "não tem qualquer fundamento na Teologia católica considerar as (diversas) religiões, enquanto tais, caminhos de salvação, até porque nelas existem lacunas, insuficiências e erros que dizem respeito a verdades fundamentais sobre Deus, o homem e o mundo". As verdades contidas nestas religiões podem contribuir para a salvação dos seus membros enquanto verdades ligadas à Pessoa de Jesus Cristo. Mas não são, em si mesmas, caminhos de salvação para os homens.


Resumo

As muitas religiões, – enquanto religiões, – não são caminhos ou instrumentos de salvação. As verdades contidas nelas, – e que se encontram também fora delas, pois o Espírito Santo age em diversos povos, culturas e mesmo religiões, orientando as pessoas para Cristo e para sua Igreja, – podem servir como instrumentos que acabarão, indiretamente, conduzindo à salvação.

Esta doutrina, que para o gosto dos homens modernos muitas vezes parece antiquada, ao contrário do que alguns podem imaginar, está em plena concordância com o que afirma o Concílio Vaticano II, citada na Constituição Lumem Gentium (nº16). O pluralismo religioso é definitivamente uma realidade incompatível com a Doutrina católica de sempre.

Com estes ensinamentos a Igreja não quer dificultar o diálogo interreligioso, tampouco insuflar a intolerância. A Igreja quer, sim, conviver pacificamente com todas as culturas e religiões. Não raras vezes, convidou e convida para o diálogo humano fraterno e respeitoso. Mas não pode renunciar a missão  que lhe foi confiada por Nosso Senhor: "Ide pelo mundo e fazei discípulos entre todas as nações" (Mt 28, 19). Para que exista um diálogo saudável, é necessário que ambas as partes sejam sinceras e conscientes de suas identidades. Caso contrário, há o risco de se edificar uma casa sobre a areia da mentira e da falsidade, condenando-a, futuramente, ao desmoronamento. Foi o que explicou o Cardeal Ratzinger a propósito das polêmicas relacionadas à Declaração Dominus Iesus.

A missão da Igreja é universal, pois corresponde ao chamado do Salvador, que quer que todos as pessoas sejam salvas. Mas esta missão se dá através dEle, o Filho de Deus encarnado, Jesus Cristo; a salvação dos homens só acontece por meio de Jesus Cristo, em sua continuação histórica neste mundo: a Igreja Católica.

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Fontes:
DECLARAÇÃO "DOMINUS IESUS" SOBRE A UNICIDADE E A UNIVERSALIDADE SALVÍFICA DE JESUS CRISTO E DA IGREJA, Congregação para a Doutrina da Fé
NOTIFICAÇÃO A PROPÓSITO DO LIVRO DE JACQUES DUPUIS "PARA UMA TEOLOGIA CRISTÃ DO PLURALISMO RELIGIOSO" (1997), Congregação apra a Doutrina da Fé, disp. em
vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20010124_dupuis_po.html
Acesso 7/10/013
* Adaptado do episódio 191 da série de vídeos "A Resposta Católica", do Pe. Paulo de Azevedo Jr., disponível em http://padrepauloricardo.org/episodios/nos-podemos-afirmar-que-todas-as-religioes-sao-caminhos-de-salvacao
Acesso 7/10/013
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Teoria de gênero? – ou – A sociedade ocidental enlouqueceu de vez?


Pelo Prof. Joathas Belo*, especialmente para O Fiel Católico


A TESE PRINCIPAL da "teoria de gênero" diz: "o gênero é um construto cultural, logo, ele independe do sexo biológico". O que isso quer dizer? "Gênero" é uma palavrinha "mágica" que encobre mais do que revela alguma coisa; significa o papel social masculino ou feminino.

Evidentemente que esse papel é construído, em boa medida, na sociedade, pois ele não vem "pronto", por assim dizer, junto com o sexo biológico. Mas a inferência que se faz a partir do dado verdadeiro da construção cultural dos papéis sociais da masculinidade e da feminilidade, de que tais papéis não têm relação com o sexo biológico, não procede. Isto porque as ideias sobre os papéis sociais dos sexos masculino e feminino nascem precisamente da diferença que, fenomenologicamente, se expressa na fisiologia e na anatomia do varão e da mulher. Tais ideias respondem à pergunta: "como estas diferença e complementaridade biológicas se projetam na vida social?".

Trata-se, portanto, de interpretar o que é ser varão ou mulher, e não de que cada um "decida" se é homem ou mulher (ou, ainda, um terceiro 'gênero' nem masculino, nem feminino, mas “neutro”). Não se "constrói" a masculinidade ou a feminilidade, simplesmente, mas sim o sentido social desta diferença. A perspectiva de gênero sofisma, – ao tomar uma parte (o papel social do sexo) como o todo (o sexo mesmo), – a ponto de alguns teóricos chegarem a negar a própria realidade do sexo biológico (até esta já seria uma interpretação)!

Uma real preocupação com as injustiças ou opressões concretas que se cometem em nome de uma concepção rígida dos papéis sociais masculino e feminino deveria apelar à igual dignidade ontológica das pessoas feminina e masculina, mas nunca a uma condição sexual amorfa, que poderia ser modelada arbitrariamente. Não existe "pessoa humana" em abstrato: toda pessoa é pessoa feminina ou masculina; a condição sexuada é fato inerente ao ser humano.

Negar essa diferença é, sem percebê-lo, recair numa [falsa] postura "espiritualista", segundo a qual o ser humano é sua "alma", como diriam os antigos, ou sua "mente", como se diz hodiernamente. O corpo não teria nada a ver com a identidade da pessoa, mas seria um mero "acidente" ou "instrumento" que o sujeito –cartesiano – poderia usar ao seu bel prazer. A Filosofia clássica afirma que as diferenças psíquicas nascem precisamente das diferenças corpóreas; nesse sentido, a sexualidade não é um atributo meramente corpóreo, mas pessoal (do ser humano inteiro), portanto, também psíquico ou espiritual.



Se a questão fosse meramente teórica, os parágrafos acima encerrariam o assunto. Porém, os “teóricos” do gênero são, na realidade, ideólogos, e a questão não é científica, mas política: é parte de um programa político mais amplo cuja pretensão é destruir a imagem cristã da família, a beleza da complementariedade entre os sexos, a profundidade do amor humano entre homem e mulher, para erigir, em seu lugar, uma “família” fundada exclusivamente no que a teologia cristã chama “concupiscência”, o desejo irracional propalado por Nietzsche e Freud.

Uma ideologia assim deve ser vencida pela força do testemunho de amor das famílias, conjugado à firmeza na recusa de toda e qualquer influência dessas ideias sobre os filhos. Tais ideias são erradas do ponto de vista lógico e são nocivas do ponto de vista moral.

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* O Prof. JOATHAS BELLO é Mestre em Filosofia pela PUC-RJ e Doutor em Filosofia pela Universidade de Navarra (Espanha), atualmente professor No Seminário da Diocese de Niterói, na faculdade de São Bento e na FAETEC-RJ.
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Dia do grande São João Batista, voz do Precursor que clama no deserto


A Igreja celebra tanto o seu nascimento (24 de junho) quanto o seu martírio (29 de agosto) em solenidades próprias

Por Felipe Marques – Assoc. São Próspero

JOÃO BATISTA é a voz que nasce de um pai mudo e a alegria que brota num ventre estéril. O seu próprio nome (ןָנָחוֹי – Yôhanan) é uma mensagem, a mensagem de alegria que esta voz irá anunciar: “Deus Dá a Graça”. João Batista, ponte entre o Antigo e o Novo Testamento, está intrinsecamente ligado ao plano de salvação do Cristo, assim como os demais profetas que passaram pela Terra anunciando a vinda do Messias. Visto que seu nascimento também é um milagre, João Batista não é apenas outro profeta que anuncia o Cristo, mas o último profeta que anuncia o Salvador, e convive com Ele.

Há 6 meses de distância entre o nascimento de São João Batista e o de Nosso Senhor Jesus Cristo. João é o Precursor; profeta ao mesmo tempo do Antigo Testamento e da Nova Aliança entre Deus e os homens; – essa conexão se dá através da seguinte realidade: seu pai, Zacarias, que era sacerdote, está no Templo, lugar do culto da antiga Aliança. Ali, onde ele oferta o sacrifício a Deus, recebe o anúncio angélico do nascimento de seu filho.

Tanto Zacarias quanto Isabel eram de idade avançada; além disso, Isabel era estéril. Devido à incredulidade no anúncio do Anjo, São Gabriel, Zacarias perdeu a voz, recuperando-a somente quando São João Batista nasceu. Santo Agostinho nos faz ver o quanto é significativo que o Batista, tido como a Voz que Clama no Deserto, ao nascer, dê também a voz de volta ao seu pai. Porque era importante que o Antigo testamento, que já havia então esvaziado seu conteúdo, se tornasse agora uma voz realmente, uma voz capaz de anunciar a chegada do Messias. Os Padres da Igreja traçam o seguinte paralelo: São João Batista é a voz, e Nosso Senhor Jesus Cristo é a Palavra. A Palavra é mais que a voz: João Batista é um veículo que transmite a Mensagem, e Jesus é a própria Mensagem.

No Evangelho segundo São João, – no versículo 30 do capítulo 3, – diz o Batista: “Convém que Ele cresça e eu diminua”. É necessário entender essa relação que São João tem com o Antigo Testamento, que deve diminuir, para que a Boa Nova cresça. O Antigo Testamento perde a voz, para que a Mensagem real, que é o próprio Cristo, seja entregue a todos.



Outro fato significativo é que de um útero estéril nasceu São João Batista. Do útero infrutuoso de Isabel nasce o Anúncio da Vida. A alegria é fruto do amor, e só se alegra quem sabe que é amado. A alegria floresce de uma ação racional da alma inteligente, que recebe uma notícia, e essa notícia, por sua vez, tem um conteúdo que nos alerta para a realidade de que somos amados por Deus, – e esse conteúdo, esse alerta, é uma graça divina! Vemos, pela vida de São João Batista, que não somos frutos do acaso; nós fomos pensados e acalentados pelo Pensamento divino, como está escrito em Isaías 49: “O SENHOR chamou-me antes de eu nascer; desde o ventre de minha mãe, Ele tinha meu nome”. Deus nos sonhou, e aqui está a fonte da verdadeira alegria: podemos dizer que temos a certeza de que desde o ventre de nossas mães fomos queridos, fomos amados e desejados.

Não é possível ir ao Novo Testamento sem passar pelo Antigo Testamento. É necessário passar pelo deserto para depois chegar à Fonte de Água da Vida; São João Batista é o novo Elias que combateu a idolatria, contra os anunciadores de Baal. Antes de destruir a idolatria externa, porém, é necessário destruir a idolatria interna. João vai para o deserto, se veste com pele de camelo e come gafanhotos com mel, demonstrando total despojamento de si mesmo, para que Deus possa falar verdadeiramente com ele e por ele; para que Cristo cresça e o Batista diminua.

Comparado ao grande profeta Elias pelo próprio Cristo (Mt 11,1-19), São João Batista, “o maior entre aqueles que nasceram de mulher”, é a representação pura do ascetismo cristão, o reflexo do despojo de si mesmo que culmina na Glória de Deus. Desde o ventre de sua mãe, foi agraciado com diversos dons, um deles motivo de reflexões referentes à saudação de Nossa Senhora para sua prima Isabel, porque muitos se perguntaram: como pôde uma criança em desenvolvimento, um feto de 6 meses estremecer de alegria ao ouvir a saudação da Mãe de Deus? Em resposta, os escolásticos se dividem em dois grupos distintos:

a) Aqueles que creem que essa alegria se deu pura e simplesmente devido um milagre de Deus, uma graça;

b) Aqueles que creem que Deus, em sua imensa Glória, permitiu que aquele feto fizesse uso da razão de forma antecipada e então, diante da saudação de Maria Puríssima, sentisse alegria.

São, ambas, belíssimas posições, e nas duas vemos o Poder e a Glória de Deus que age em favor de seus pequeninos. Essa visão pode ser notada em toda a vida de João, que afirmou com grande convicção “Depois de mim vem Outro mais poderoso do que eu, ante o qual não sou digno de me prostrar para desatar-lhe a correia das sandálias” (Mc 1,7).
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Sobre as heresias


INICIAMOS, COM ESTE artigo, uma série direcionada especialmente à fundamentação dos conhecimentos dos pesquisadores católicos, – e do público em geral, – sobre o tema das heresias. Entendemos que há uma profunda necessidade de ampliarmos os nossos conhecimentos a esse respeito, até porque vivemos dias em que muitos ditos cristãos perderam o amor pela Verdade, caindo nas malhas do relativismo, corrente filosófica que entende que simplesmente não há esta Verdade universal, e que cada época e indivíduo teriam seu próprio modo de ver/entender o mundo: sua própria “verdade particular”.

Todavia não é apenas o relativismo (tão fortemente denunciado pelos Papas João Paulo II e Bento XVI), que nos atinge. Presenciamos agora, estarrecidos, um fortíssimo espírito de desobediência e infidelidade. Muitos católicos “discordam” abertamente do Magistério da Igreja até naqueles pontos definidos dogmaticamente. Neste contexto ressurgem antigas heresias já condenadas pela Igreja em outras eras, com aparência de “grandes novidades”, com força redobrada, causando confusão e enormes estragos às consciências dos fiéis. Quantos questionam se Jesus é de fato Deus? Se é o único Salvador? Interpela-se a Virgindade Perpétua de Maria. Duvida-se da Presença real do Senhor na Eucaristia. Questiona-se a Santa Missa como atualização do Sacrifício do Calvário. Relativizam-se as Escrituras por meio de uma leitura reducionista e racionalista. Satanás virou um mito ou apenas uma questão psicológica. Questiona-se a eficácia e mesmo a necessidade dos Sacramentos. A Tradição tornou-se algo ultrapassado, algo que até se pode estudar como quem admira uma peça de museu. E para que estudar os Padres da Igreja, afinal?

Além de tudo, vemos uma crítica violenta à moral católica, considerada ultrapassada e sem sentido. Quantos supostos católicos defendem o aborto, a eutanásia, o sexo livre, o homossexualismo, o divórcio?

Em várias passagens do Novo Testamento somos alertados sobre falsas doutrinas. Os apóstolos tinham a contínua preocupação de transmitir fielmente a mensagem do Senhor Jesus. São Paulo, na Carta aos Gálatas (1,6-8), determina que seja considerado anátema qualquer um que apresente um evangelho diferente daquele que foi anunciado pelos Apóstolos.

Enfim, no mundo atual é nítida a perseguição ao pensamento cristão. Além disso, muitas vezes através dos meios de comunicação são transmitidas várias informações falsas, às vezes tendenciosas e parciais, sobre a fé cristã. Aqueles cristãos que não possuem uma formação muito sólida ficam confusos e, ou se afastam da Igreja ou até permanecem, mas com o claro intuito de instituir uma “igreja” totalmente nova, “moderna”, que agrade ao mundo.

Devido a toda a realidade descrita até aqui, entendemos que se faz necessário esclarecer o público católico e a população em geral, sobre o que vem a ser, na perspectiva cristã e católica, uma heresia, um cisma e uma apostasia. Assim como analisar as diversas heresias antigas, – mas sempre tão (e cada vez mais) vivas, tais como o ebionismo, o docetismo, o gnosticismo, o arianismo, o apolinarismo, o macedonianismo, o montanismo, o adocionismo, modalismo, o nestorianismo, o monofisismo, o iconoclasmo. E também quais Pais da Igreja combateram essas correntes de pensamento.



Esta é, portanto, a introdução de uma série de postagens relacionadas entre si, adaptadas do conteúdo do recém-lançado (e precioso) opúsculo do Prof. Dr. Joel Gracioso, “Heresias: tão antigas e tão novas” (Kenosis; DDM, 2015), que publicaremos em capítulos, rezando e pedindo a Nosso Senhor que renove, nos corações dos homens, o amor sincero pela Verdade.

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Exemplos para os servos e trabalhadores rurais (Excelências da Santa Missa XXII)


Leia o primeiro capítulo

Por S. Leonardo de Porto-Maurício, da Ordem dos Frades Menores (1676-1751)

S. Leonardo de
Porto-Maurício
O APÓSTOLO SÃO Paulo diz que aquele que não cuida de seus servos é pior que um infiel: "Si quis suorum et máxime domesticorum curam non habet, fidem negavit, et est infideli deterior" (1Tm 5,8). Estende-se este cuidado não só ao corpo, como também, e muito mais, à alma. Se, portanto, seria grande injustiça deixar faltar aos próprios servos o alimento corporal, seria trair ainda mais gravemente o seu dever privá-los de alimentos espirituais, e especialmente não lhes facilitar a assistência diária à Santa Missa, cuja privação é uma perda que patrão nenhum, por poderoso e rico que seja, conseguiria jamais compensar.

Quando DEUS fez aliança com Abraão, ordenou-lhe circuncidar não só a si, mas ainda a todos os servos e escravos: "Tam vernaculus quam empititius circuncidetur (Gn 1,12). É evidente que um bom cristão não deve contentar-se de ser fiel, só ele, ao culto divino,  principalmente assistindo ao Sacrifício da Santa Missa, mas deve cuidar que seus servos e os outros membros da família também o sejam.

Era este o piedoso costume de São Elzéar, conde de Arian. Entre as boas regras que deu á sua casa, a primeira era que, a cada manhã, todos assistissem à Santa Missa: servos, servas, lacaios, todos queria ele ver na Igreja à hora da Santa Missa.

É costume santo, que muitos fidalgos praticam em Roma, cardeais e prelados que diariamente assistem à Santa Missa e fazem questão de ver ao seu redor todos os componentes de sua casa. E não creiais que o tempo assim empregado pelos servidores seja perdido para vós. DEUS vos há de computá-lo. Santo Isidoro não passava de um pobre lavrador, mas tomava o cuidado de nunca faltar à Santa Missa pela manhã. DEUS, então, para demonstrar-lhe quanto prezava esta devoção, mandava aos Anjos lavrar o campo de Isidoro enquanto ele estava na Igreja.

Não é de esperar que DEUS faça para vós milagres tão sensíveis, mas de muitas maneiras irá Ele recompensar-vos por vossa piedade. Podeis conjeturá-lo pelo que sucedeu a um pobre operário. Era um vinhateiro que mantinha sua família com o suor de seu rosto, e que tinha o hábito de assistir, cada dia, à Santa Missa, antes de ir para o trabalho. Dirigindo-se uma manhã bem cedo ao local onde se tratava trabalho, esperava que algum patrão viesse contratá-lo para aquele dia. Ouviu, porém, o repicar do sino, e, conforme o costume, foi à igreja rezar.

Terminada aquela Santa Missa, foi celebrada outra, e ele, levado por sua devoção, deteve-se para assisti-la. De volta, enfim, ao lugar costumado, encontrou-o deserto, pois todos os trabalhadores tinham sido já contratados e haviam partido para o trabalho nos campos. O pobre homem encaminhava-se muito triste para casa, quando encontrou um cidadão muito rico, o qual, notando-lhe o ar preocupado, perguntou-lhe o motivo daquele pesar.
 – "Que se há de fazer? Hoje de manhã, para não perder a Santa Missa, perdi minha diária", respondeu. – “Não se aflija, replicou o rico, vá a igreja, assista a outra Missa em minha intenção, e logo à tarde lhe pagarei sua diária". O operário obedeceu e assistiu a todas as Santas Missas celebradas naquele dia.

À tarde, foi receber seu salário, idêntico ao que se costuma pagar na região. Voltava ele muito satisfeito, quando lhe veio ao encontro um desconhecido (era o próprio JESUS), que lhe perguntou qual o salário recebido por um dia tão bem empregado. Ao ser informado da quantia, exclamou: “Tão pouco, por trabalho de tão grande mérito?! Volta a esse rico e dize-lhe que se não aumentar tua recompensa, seus negócios irão muito mal.” O homem, com toda simplicidade, deu o recado ao rico, e este lhe deu mais cinco moedas, despedindo-o em paz. O vinhateiro deu-se por muito satisfeito com o aumento, mas JESUS não se contentou. Ao saber que o aumento fora somente de cinco moedinhas, disse: “Não basta, volta a esse rico e adverte-o de que se não lhe der melhor retribuição, pode esperar terrível desgraça.” Foi-se novamente o trabalhador, e um tanto embaraçado fez sua comunicação em meias palavras. O rico ouvi-o, e, tocado interiormente por DEUS, deu-lhe uma boa quantia para comprar uma roupa nova.

Admirais, sem dúvida, a atenção da Divina Providência socorrendo esse pobre vinhateiro, em retribuição à sua terna piedade de assistir diariamente à Santa Missa, e tendes razão. Mais admirável ainda foi, porém, a graça que a soberana Misericórdia concedeu ao rico. Com efeito, na noite seguinte JESUS apareceu-lhe em sonho, e lhe revelou que, em consideração ás Santas Missas assistidas por aquele pobre trabalhador, poupava-o de uma morte súbita que naquela mesma noite devia precipitá-lo no Inferno. A esta revelação espantosa, o rico despertou, arrependeu-se de sua vida pecaminosa, e tornou-se devotíssimo da Santa Missa. Daí em diante, passou a assistir ao Santo Sacrifício todas as manhãs. Mais ainda, começou a encomendar diariamente muitas Santas Missas em diversas igrejas, e, enfim, depois de uma vida virtuosa, findou seu dia em feliz morte.

Por aí vedes como é liberal a bondade de DEUS para aqueles que se mostram devotos da Santa Missa. Portanto, à Santa Missa, meus queridos amigos, à Santa Missa! E ficai certíssimos de que nesta maravilhosa devoção encontrareis o que há de melhor para todos.

** Ler o capítulo seguinte

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Fonte:
MAURÍCIO, Leonardo de Porto. As Excelências da Santa Missa, conforme a ed. romana de 1737 dedicada a S.S. o Papa Clemente XII, pp. 75-78.
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A Igreja e o "arrebatamento"


RESPONDENDO DE PRONTO á pergunta título: tal e qual vem sendo pregado por algumas dentre as muitas "igrejas" ditas "evangélicas", não. O tão falado “arrebatamento” refere-se a uma passagem da primeira Carta aos Tessalonicenses, capítulo 4, que fala sobre cristãos sendo “raptados” e levados às nuvens para encontrarem o Senhor nos ares, além de algumas outras passagens bíblicas difusas e de difícil interpretação (são elas: Ap 3,10; Lc 17,34-35; Mt 24,40-41).

Muitos protestantes têm interpretações equivocadas dessas passagens, tanto assim que, a esse respeiuto, umas congregações disputam com outras, e um livro publicado inicialmente no ano de 1995 nos EUA, intitulado “Left Behind” ('Deixados para Trás'), e que de lá para cá ganhou diversas novas edições, ajudou consideravelmente a popularizar essa ideia de que os fieis serão literalmente “raptados” deste mundo para encontrar o Senhor antes da grande tribulação que se aproxima. – Segundo essa teoria, os cristãos vão simplesmente "desaparecer" do convívio de todos, para encontrarem-se com Jesus nas nuvens e depois avançarem com Ele ao Céu para aguardar o fim dos tempos.

O livro “Left Behind” ganhou esse título a partir de uma passagem de Lc 17 e outra semelhante em Mt 24, que falam da vinda do Senhor como nos dias de Noé e nos dias de Lot. E Evangelho segundo S. Mateus (24) diz o seguinte:
Como foram os dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem … eles comiam, bebiam, casavam-se e eles não sabiam até que veio o dilúvio e os varreu a todos, assim será também a vinda do Filho do homem. Em seguida, dois homens estarão a trabalhar no campo, um será levado e o outro será deixado para trás. Duas mulheres estarão a moer no moinho, uma será levada a outra será deixada para trás.
“Veja”, argumentam os entusiastas do arrebatamento, “um será levado, o outro deixado. É o arrebatamento! Jesus leva os cristãos e deixa os ímpios para trás!”...

Mas há problemas com essa interpretação. Note-se que a vinda de Jesus está sendo comparada aos que ocorreu dias de Noé e nos dias de Lot. Sendo assim, vejamos: depois do dilúvio, quem foi deixado? Noé e sua família, que eram exatamente os justos, enquanto os pecadores foram levados. Também nos tempos de Lot, depois que Sodoma e Gomorra tornaram-se cinzas, quem foi deixado? Lot e suas filhas, os justos, mas os pecadores foram levados.

Em segundo lugar, lembremo-nos do versículo 17 de 1Ts, que diz que aqueles que são “deixados” é que vão ao encontro de Jesus nos ares, não os que são levados. Ou seja, os justos são deixados para trás. – Em outras palavras, o cristão deveria desejar ser deixado para trás, para que possa ir ao encontro de Jesus, que irá acompanhá-lo de volta à Terra em sua segunda e definitiva vinda. – Portanto, não haverá arrebatamento tal e qual tratam publicações como "Left Behind".


Explicação de cada uma das teorias protestantes sobre o arrebatamento

Qual a sua versão do arrebatamento? – Você é "pré", "médio/meso" ou "pós? – Se você não sabe como responder a essa pergunta, você provavelmente é católico. A maioria dos fundamentalistas dentre os ditos "evangélicos" sabe que essas palavras são sinônimos de pré-tribulação, meso-tribulação e pós-tribulação. Os termos referem-se a quando o arrebatamento deve ocorrer. Este é um pondo.


O Milênio

Em Apocalipse 20,1-3; 7-8, lemos:
Vi, então, descer do céu um anjo que tinha na mão a chave do abismo e uma grande algema. Ele apanhou o Dragão, a primitiva Serpente, que é o Demônio e Satanás, e o acorrentou por mil anos. Atirou-o no abismo, que fechou e selou por cima, para que já não seduzisse as nações, até que se completassem mil anos. Depois disso, ele deve ser solto por um pouco de tempo. (...) Depois de se completarem mil anos, Satanás será solto da prisão. Sairá dela para seduzir as nações dos quatro cantos da Terra (Gog e Magog) e reuni-las para o combate. Serão numerosas como a areia do mar.

O período de mil anos, conforme nos diz o autor sagrado, é o Reinado de Cristo. Esse período é popularmente chamado de Milênio. O Milênio é o prenúncio do fim do mundo. O capítulo 20 do Apocalipse é interpretado de três maneiras por diferentes protestantes conservadores: as três escolas de pensamento são chamadas pós-milenismo, amilenismo e pré-milenismo. Vamos analisá-las brevemente.


Pós-Milenismo

Segundo Loraine Boettner, no seu livro "Millennium" (mesmo autor do caluniuoso do patético livro anticatólico 'Catolicismo Romano'), pós-milenismo é “a visão de que as últimas coisas que sustentam o Reino de Deus estão sendo estendidas no mundo agora, através da pregação do Evangelho e da obra salvadora do Espírito Santo; que o mundo finalmente está para ser cristianizado, e que o retorno de Cristo ocorrerá no final de um longo período de justiça e paz, comumente chamado de Milênio".

Esta opinião foi popular entre os protestantes do século XIX, quando o progresso era esperado até mesmo na religião e antes dos horrores do século XX . Hoje, poucos a mantêm, exceto grupos como os reconstrucionistas cristãos, uma consequência do movimento conservador presbiteriano.

Comentaristas apontam que o pós-milenismo deve ser distinguido da visão de teólogos liberais e seculares que preveem melhoria social e até mesmo que o Reino de Deus venha puramente através de meios naturais, ao invés de sobrenaturais. Pos-milenialistas, no entanto, argumentam que o homem seja incapaz de construir um "paraíso terrestre" por si mesmo; o Paraíso só virá pela Graça de Deus.

Pos-milenialistas típicos também dizem que o milênio mencionado em Apocalipse 20 deve ser entendido em sentido figurado e que a expressão “mil anos” não se refere necessariamente a um período fixo de dez séculos, mas a um tempo indefinidamente longo. Por exemplo, o Salmo 50 (vs. 10) fala da Soberania de Deus sobre tudo o que existe e diz-nos que Deus é o Dono “do gado sobre milhares de montanhas”, o que não é para ser entendido literalmente. No final do milênio, aconteceria então a Segunda Vinda, a ressurreição geral dos mortos e o Juízo Final.

O problema com a ‘teoria’ do pós-milenismo é que a Bíblia não descreve que o mundo vivenciará um período de cristianização completa (ou relativamente completa) antes da Segunda Vinda. Existem inúmeras passagens que falam da era entre a primeira e a segunda vinda como um momento de grande tristeza e luta para os cristãos. Uma passagem reveladora é a parábola do trigo e do joio (Mt 13,24-30; 36-43). Nesta, o Cristo declara que os justos e os ímpios serão ambos plantados e crescerão lado a lado no campo de Deus ('o campo é o mundo', conf. Mt 13,38) até o fim do mundo, quando serão separados, julgados, e serão ou lançados no fogo do inferno ou herdarão o Reino de Deus (Mt 13,41-43).

Não há nenhuma evidência bíblica de que o mundo acabará por tornar-se totalmente (ou mesmo quase que totalmente) cristão, mas que sempre haverá um desenvolvimento paralelo dos justos e os ímpios até o Julgamento Final.


Amilenismo


A visão amilenista interpreta Apocalipse 20 simbolicamente, e não vê o Milênio como uma era de ouro terrestre em que o mundo será totalmente cristianizado, mas como o atual período de reinado de Cristo no Céu e na Terra, através da sua Igreja (que para os protestantes é apenas o conjunto dos que 'aceitam a Jesus como Senhor e Salvador', espalhados no mundo). Esta foi a opinião dos chamados "reformadores" protestantes e ainda é a visão mais comum entre os protestantes tradicionais, embora não seja assim entre a maioria dos chamados "evangélicos" mais novos e as seitas fundamentalistas.

Amilenistas também acreditam na coexistência do bem e do mal na Terra até ao fim. Para estes, a tensão que existe na Terra entre os justos e os ímpios será resolvida apenas com a volta do Cristo no fim dos tempos. A idade de ouro do Milênio seria, ao invés, o Reinado celestial de Cristo com os santos, do qual a Igreja na Terra participa de alguma forma, embora não da forma gloriosa como será na Segunda Vinda.

Amilenistas salientam que os tronos dos santos que reinarão com Cristo durante o milênio parecem fixados no Céu (Ap 20,4) e que o texto nada diz sobre Cristo na Terra durante esse Reinado com os santos. "Explicam" eles que, embora o mundo nunca vá ser totalmente cristianizado até a Segunda Vinda, o Milênio não tem efeitos sobre a Terra a que Satanás está preso, de tal forma que ele não poderá enganar as nações no sentido de dificultar a pregação do Evangelho (Ap 20,3). Eles apontam que Jesus falou da necessidade de “amarrar o homem forte” (Satanás), a fim de saquear a sua casa, resgatando as pessoas de seu aperto (Mt 12,29).

Quando os discípulos voltaram de uma turnê de pregação do Evangelho, rejubilando-se com a forma como os demônios estavam sujeitos a eles, Jesus declarou: “Eu vi Satanás cair como um relâmpago” (Lc 10,18). Assim, para o evangelho avançar em todo o mundo, é necessário que Satanás seja atado em um sentido, mesmo que ele ainda possa estar ativo (1Pd 5,8).

O Milênio é uma época de ouro não quando comparado com as glórias do porvir, mas em comparação a todas as eras anteriores da história humana, nas quais o mundo fora engolido em trevas pagãs. Hoje, um terço da raça humana é cristã, e muitos mais ainda repudiam os ídolos pagãos e abraçam o culto ao Deus de Abraão, Isaac e Israel.


Pré-Milenismo

Em terceiro lugar na lista, há o pré-milenismo, atualmente o mais popular entre os fundamentalistas e ditos "evangélicos" (ainda que, há um século atrás, fosse o amilenismo). A maioria dos livros escritos sobre o fim dos tempos, como o de Hal Lindsey, "A Agonia do Grande Planeta Terra", são escritos sob uma perspectiva pré-milenista.

Como os pós-milenistas, os pré-milenistas acreditam que os mil anos sejam uma era de ouro na Terra, durante a qual o mundo será completamente cristianizado. Ao contrário dos pós-milenistas, acreditam que essa era irá ocorrer após a Segunda Vinda e não antes, para que Cristo reine fisicamente na Terra durante o Milênio. Eles acreditam que o Juízo Final só ocorrerá após o fim do Milênio, o que muitos interpretam como um período de exatamente mil anos.

Mas as Escrituras não apoiam a ideia de um período de mil anos entre a Segunda Vinda e o Juízo Final. Cristo declara: “Porque o Filho do Homem há de vir com os seus anjos na glória de seu Pai, e então retribuirá a cada homem pelo que ele tem feito” (Mt 16,27), e “Quando o Filho do Homem vier na sua Glória, e todos os anjos com Ele, então, se assentará em seu Trono glorioso. Diante dEle serão reunidas todas as nações, e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos …. E eles [os bodes] irão para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna" (Mt 25,31-32, 46).


Doutrina do  Arrebatamento

Os pré-milenistas muitas vezes dão muita atenção à doutrina do arrebatamento. De acordo com essa doutrina, quando Cristo voltar, todos os eleitos que morreram serão ressuscitados em seus corpos físicos e transformados a um estado de glória, junto com os eleitos viventes, e então serão arrebatados para estarem com Cristo. O texto-chave referente ao arrebatamento é 1Ts 4,16-17, que afirma: “Porque o mesmo Senhor descerá do Céu com um grito de comando, com o chamado do Arcanjo e com o som da Trombeta de Deus. E os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro, depois nós, os vivos, que ficam, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor ".

Os pré-milenistas acreditam, assim como praticamente todos os cristãos (exceto alguns pós-milenistas), que a segunda vinda será precedida por um momento de grande aflição e perseguição do povo de Deus (2Ts 2,1-4). Esse período é chamado frequentemente a tribulação. Até o século XIX, todos os cristãos concordavam que o arrebatamento, – embora não fosse chamado assim, – ocorreria imediatamente antes da Segunda Vinda, no final do período de perseguição. Esta posição hoje é chamada de “pós-tribulacional” porque afirma que o arrebatamento virá depois da tribulação.

John N. Darby
Mas em 1800, alguns começaram a clamar que o arrebatamento ocorrerá antes do período de perseguição. Esta posição, hoje conhecida como o ponto de vista ”pré-tribulacional”, também foi abraçada por John Nelson Darby, um dos primeiros líderes de um movimento fundamentalista que ficou conhecido como dispensacionalismo. A visão pré-tribulacional do arrebatamento de Darby foi então adotada por um homem chamado Cyrus Ingerson Scofield, que ensinou esta posição nas notas de rodapé de sua Bíblia de Referência Scofield, que foi amplamente distribuída na Inglaterra e nos Estados Unidos.

C. I. Scofield
Muitos protestantes que leram a chamada "Bíblia de Referência Scofield" aceitaram sem críticas esta sua interpretação particular, e adotaram a sua visão pré-tribulacional, apesar de que qualquer cristão jamais tivesse ouvido falar de algo assim nos 1800 anos anteriores de história da Igreja.

Eventualmente, uma terceira posição foi desenvolvida, ficando conhecida como a “meso-tribulacional” ponto de vista que afirma que o arrebatamento ocorrerá durante o meio da tribulação.

Finalmente, um quarto ponto de vista elaborou que não haverá um arrebatamento único no qual todos os crentes serão reunidos a Cristo, mas que haverá uma série de "mini-arrebatamentos" que ocorrerão em momentos diferentes com relação à tribulação. Nem seria preciso esclarecer que toda essa confusão fez com que o movimento se dividisse em campos mais ou menos radicalmente opostos.

O problema com todas essas posições (exceto o ponto de vista histórico, pós-tribulacional, o qual foi aceito por todos, inclusive os não pre-milenialistas) é que eles dividem a Segunda Vinda em eventos diferentes. No caso da visão pré-tribulacionista, acredita-se que Cristo teria três vindas: uma quando nasceu em Belém, uma quando retornará para o arrebatamento no início da tribulação e uma no final da tribulação, quando estabelece o Milênio. Esse ponto de vista, de três vindas, parece contrário às Sagradas Escrituras.

Dale Moody
Os problemas com a visão pré-tribulacional são evidenciados pelo teólogo (e pré-milenista) batista Dale Moody, que escreveu:… “A crença em um arrebatamento pré-tribulacional contradiz todos os três capítulos do Novo Testamento que mencionam a tribulação e o arrebatamento juntos (Mc 13,24-27; Mt 24,26-31; 2Ts 2,1-12). A teoria é tão falida biblicamente que a habitual defesa é feita através de três passagens que não chegam a mencionar uma tribulação (Jo 14,3; 1Ts 4,17; 1Cor 15,52)". Estas são passagens mais importantes, mas elas não dizem uma palavra sobre um arrebatamento pré-tribulacional. A pontuação é de três a zero, três passagens que ensinam um arrebatamento pós-tribulacional e três que não dizem nada sobre o assunto.


Afinal, qual é a posição católica?

Depois de nos dedicarmos à tarefa inglória de tentar esclarecer tamanha confusão, faz-se necessário dizer da postura da primeira Igreja quanto ao assunto. Vamos a ela.

Sobre o Milênio, nós, católicos, tendemos a concordar com Sto. Agostinho e com os amilenistas. Assim, a posição católica tem sido historicamente “amilenista”, embora não usemos esse termo, ao menos costumeiramente. A Igreja tem rejeitado a posição pré-milenista, às vezes chamada de “milenarismo” (cf. Catecismo da Igreja Católica, §676). Embora a Igreja não tenha dogmaticamente definido a questão, em 1940 o Santo Ofício considerou que o pré-milenismo “não pode ser ensinado com segurança”.

Com relação ao arrebatamento, os católicos certamente acreditam que o evento de nossa reunião com Cristo terá lugar, embora geralmente não usem comumente a palavra “arrebatamento” para se referir a esse momento. – Situação que traz em si certa ironia, uma vez que o termo “arrebatamento” é derivado dos textos da Vulgata Latina, a tradução oficial da Bíblia Católica, em 1Ts 4,17 – que significa 'seremos raptados' (do latim rapiemur).

Nihil obstat:  
Cheguei à conclusão de que os materiais 
apresentados
neste trabalho estão livres de erros doutrinais ou morais.
Bernadeane Carr, STL, Censor Librorum, agosto 10, 2004
Imprimatur:  
De acordo com 1983 CIC 827 
Permissão
para publicar este trabalho é concedida.

† Robert H. Brom,
Bispo de San Diego, 10 de agosto de 2004


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Fonte:
Artigo publicado na página do apostolado "Ecclesia Militans", disponível em
https://igrejamilitante.wordpress.com/2011/06/01/entenda-o-arrebatamento-as-diferentes-posicoes-protestantes-e-o-que-ensina-a-igreja-catolica/
Acesso 17/5/015
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Biblioteca católica: livro 'Bernadette Soubirous', de Francis Trochu


A OBRA "BERNADETTE Soubirous" conta duas histórias: a da aparição da Virgem Maria em Lourdes, França, em 1858, e a da garota camponesa de apenas 14 anos, – criada na pobreza e analfabeta, – para a qual Nossa Senhora apareceu. É também a história da vida oculta de Bernadette como uma freira comum no seu convento em Nevers, onde ela alcançou o ápice da santidade.

Sua infância e vida familiar, bem como seu caráter, – honesta, inteligente e direta, – são descritos com maestria. O livro conta em detalhes sua descrição de Nossa Senhora, os eventos em torno das 18 aparições, a oposição das autoridades civis e os milagres de Lourdes. Santa Bernadette padeceu muito no corpo e na alma em sua vida como freira. A Virgem Maria lhe dissera: “Não te prometo a felicidade neste mundo, mas no próximo”. A promessa seria cumprida, quando a santa morreu com apenas 35 anos de idade. Na morte, ela parecia jovem e bela, apesar de todo o tormento da doença que sofreu, e, quando seu corpo foi exumado, 30 anos depois, permanecia incorrupto.

• 512 páginas
• Francis Trochu

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• Com o Sem. Filipe David (Arquidiocese de São Paulo / 'O São Paulo' ed. 3048/seção 'Pelo mundo')
www.ofielcatolico.com.br

Relações pré-matrimoniais: um tabu?


Por Valdir Reginato para revista O Fiel Católico n.9*

A MAIORIA DOS JOVENS casais de namorados atualmente sequer levam esta hipótese em consideração. Conhecer e “ficar” tornou-se quase condição natural para duas pessoas que se dispõe a ter um relacionamento, não necessariamente prolongado. A virgindade e a castidade ficaram emboloradas no dicionário, e alguns já duvidam se sairão na próxima edição. Alguns podem dizer que nos casos em que há um compromisso moral, com data marcada, não haveria problema nessa situação, pois já há um “casamento de fato”, afetivo e de responsabilidade; só falta assinar para tornar-se de direito.

Afinal, tem sentido falar sobre isso na sociedade atual? Não é preciso virar esta página uma vez por todas? – Certos fatos permanecem como lendas ao longo da História. Lendas associadas, frequentemente, a um período de ignorância, a tradições esquisitas, que não cabem mais na sociedade moderna, científica e tecnológica, com avanços nas teorias que contemplam a complexidade fisiológica e psíquica do comportamento em sociedade. Não somos mais primitivos para pensar no porquê da virgindade dos noivos, parte de quase todas as lendas das primeiras civilizações, até o encanto de castidade das princesas medievais, que chegou aos nossos tempos. É necessário um "basta" a esta visão irreal do ser humano!

Interessante que, a estas supostas lendas do mito da pureza pré-conjugal, associava-se outra tradição que também vai se perdendo na memória: “E viveram felizes para sempre...”. Que absurdo! Como alguém pode viver feliz para sempre?! Ainda mais preso a outra pessoa... Eis outro aforisma da história do mundo que parece caducar aos ouvidos dos jovens.


Atribui-se ainda algum valor à pureza e à castidade?

Consequentemente, a “felicidade para sempre”, desejo incrustado no íntimo do coração de qualquer ser humano, associava-se a estes dois pré-requisitos: pureza de corações pré-conjugais e fidelidade permanente, em que a ideia do adultério assombrava, como desastroso terremoto, a felicidade. Podemos dizer que eram contos de fadas de uma fase (de milhares de anos), impostos por uma sociedade paternalista e preocupada na preservação do patrimônio familiar, na qual não havia liberdade de sentimentos? Nas últimas décadas, as luzes nos tiram das trevas para um mundo novo! Será verdade?

Os dados apontam que os jovens continuam acreditando no casamento. Apesar das fraquezas humanas, hoje desvinculadas de qualquer culpa moral, consideram ainda que “resistir” até as núpcias é uma história de fortaleza, respeito, admiração, valorização. Assim como as comemorações de bodas de prata, ouro ou diamantes fazem com que assistamos o cumprimento de uma meta que, mesmo difícil, é possível e digna de admiração. Do mesmo modo, sempre causa constrangimento saber que um(a) amigo(a), divorciou-se, sem causa alarmante.

O que estamos dizendo é que ainda que a meta seja alta, e tenha dificuldades que exigem esforço virtuoso, com muito Amor, a referência se apresenta como ponto de chegada. Contudo, quando se pretende transformá-la numa “lenda” muito romântica e sonhadora, passaremos a estabelecer metas “flexíveis” e relativas ao desejo do empenho que cada um considere para si. Seria esta uma boa alternativa às exigências para o cumprimento das “tradições milenares”?

Os resultados já estão ao nosso alcance. As estatísticas demonstram que os divórcios são muito mais comuns quando os casais têm relações pré-matrimoniais, principalmente se desde o início de namoro. A infeliz comparação, que se denominou “test-drive” para casar, não demonstrou sucesso em relação à tradição, ao contrário. Isto só facilitou adiar o casamento por tempo indeterminado, até que cada um tenha tudo que acha importante para si. Alguns prolongam tanto este período que acabam se separando; afinal, não estavam casados, e partem para uma nova tentativa. Evidentemente, isto acarretou a falta de compromisso com filhos, fator complicador para “cônjuges responsáveis” com a paternidade e a maternidade. A conclusão é que a união de um casal de namorados tornou-se uma vida de egoísmo a dois, onde por direito à felicidade própria não se assume compromisso com o outro. Importante é que cada um seja feliz, não necessariamente juntos.


As modalidades "alternativas" de "família", com a lei que permite a
adoção de crianças por "casais" homossexuais, mostram seus frutos:
nossas crianças sendo induzidas à pederastia desde tenra idade, como 
já se viu explicitamente na famigerada "parada do orgulho gay" 2015

Mesmo nos tempos modernos, admite-se que na sociedade a família é a célula fundamental. Família que se encontra descaracterizada em muitas "alternativas". O que assistimos e vivemos chegou a ser denominado “sociedade do descartável” pelo Papa Francisco, onde desde o copinho de café até a namorada, – ou companheira, como queiram, – obedecem as mesmas leis de uso e descarte. "O importante é ser feliz", berram a todo instante, mas o que facilmente se atesta, pela crescente procura por todo tipo de terapias, é uma população que confundiu a satisfação do orgasmo com a união livre, comprometida, fiel e permanente exigidas para um matrimônio de Amor, aberto como fonte para uma nova vida segundo os desígnios de Deus e como caminho de felicidade.


Megan Young
Deixo como esperança as palavras da belíssima miss Filipina Megan Young, de 23 anos. Um mês antes de vencer o concurso que lhe conferiu o título de “mulher mais bonita do mundo” (2013), em entrevista ao canal ABS-CBN, declarou-se contra o aborto, as relações pré-matrimoniais, o divórcio e outros do gênero. Ao fim, a entrevistadora conclusivamente pergunta como uma “boa garota” pode dizer "não" ao sexo antes do casamento, e recebe uma simples resposta: “Muito fácil: você diz 'não'. Quando alguém pressiona e você vê que está indo longe demais, isso significa que não lhe valoriza e não valoriza a relação. Se o rapaz está disposto a se sacrificar, isso diz muito”, concluiu Young.

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* Dr. Valdir Reginato é Doutor em História Social pela FFLCH-USP, Docente Adjunto e Diretor do CeHFi-EPM-UNIFESP e Doutor em Ciências pela FMUSP

Exemplos para os negociantes e artífices (Excelências da Santa Missa XXI)


Leia o primeiro capítulo

Por S. Leonardo de Porto-Maurício, da Ordem dos Frades Menores

S. Leonardo de
Porto-Maurício
INFELIZMENTE O "DEUS" dos nossos tempos é o dinheiro. Quão numerosos são os que se prostram diante dele e lhe oferecem adoração em todo tempo e lugar! O resultado é que, correndo atrás deste ídolo, esquecem o verdadeiro DEUS, e, por consequência, precipitam-se num abismo de desgraças e perdem toda a felicidade, enquanto que, na afirmação do Profeta e Rei, aqueles que buscam a DEUS antes de tudo, não caem em nenhum verdadeiro mal e têm acréscimo de todos os bens, "Inquirentes Dominum non minuentur omni bono – Os poderosos empobrecem e passam fome, mas aos que buscam o Senhor nada lhes falta". (Sl 33,11). Esta Palavra se verifica ainda mais naqueles que, antes de se entregarem ao seu trabalho ou a seus negócios, têm o cuidado de assistir ativa e atentamente à Santa Missa.

É o que prova a história dos três negociantes de Gúbio. Dirigiram-se a uma feira que se realizava num burgo chamado Cisterno. Depois de vender suas mercadorias, dois deles começaram a pensar na volta e resolveram partir no dia seguinte de madrugada, a fim de estarem em casa ao cair da tarde. O terceiro discordou desta resolução e declarou que, sendo o dia seguinte um domingo, não se punha a caminho sem antes ter assistido à Santa Missa. E exortou aos outros: se queriam voltar como tinham vindo, teriam primeiro que assistir à Santa Missa; em seguida fariam uma refeição e partiriam abençoados. Além disso, se não pudessem chegar naquela mesma noite a Gúbio, não faltariam albergues confortáveis no caminho. Os companheiros não se renderam aos conselhos salutares e sensatos; decididos a chegar naquela mesma noite aos seus lares, responderam que DEUS havia de perdoar-lhes se por aquela vez faltassem à Santa Missa.

Assim, no domingo, antes da aurora, sem entrar sequer na igreja, montaram a cavalo e tomaram a estrada para sua terra. Em breve chegaram à torrente de Corfuone, que a chuva torrencial da noite anterior engrossara a ponto de fazer transbordar. A água, em corrente impetuosa, sacudira e deslocara bastante a ponte de madeira. Os dois negociantes meteram-se por ela com seus animais, mas, bem não tinham chegado ao meio, rompeu-se o madeirame à pressão da água e os dois cavaleiros precipitaram-se no rio onde se afogaram, perdendo assim dinheiro, mercadorias e a vida.

Ao fragor desta catástrofe, acorreram os camponeses, e por meio de ganchos e varapaus conseguiram retirar os cadáveres, que deixaram estendidos na margem, para que fossem identificados e se lhes pudesse dar sepultura. O terceiro, entretanto, que se deixara ficar para cumprir o preceito de assistir à Santa Missa, pôs-se a caminho alegre e animado. Ao chegar à mesma torrente, viu na margem os dois mortos, e por curiosidade se deteve para olhá-los.

Reconheceu imediatamente seus dois amigos e ouviu emocionado a descrição da tragédia. Levantou, então, as mãos ao Céu, agradecendo a DEUS que tão misericordiosamente o preservara de semelhante desgraça, e abençoou mil vezes a hora que consagrara à Santa Missa, à qual devia sua saúde e salvação. Ao chegar a sua cidade, comunicou a triste notícia e excitou em todos os corações um vivo desejo de assistir todos os dias à Santa Missa.

Permita-me escrever aqui: Maldita avareza, que afasta DEUS de nosso coração e tira de certo modo a liberdade de pensar no grande negócio da salvação eterna! A fim de fazer compenetrarem-se de seu mal os negociantes avaros, tomarei mais um exemplo, este da Sagrada Escritura. Sansão, todos o sabem, foi amarrado com nervos de boi, com cordas novas que nunca tinham servido; por fim, revelou ele á pérfida Dalila que sua força residia em seus cabelos: e apenas lhe foram cortados, perdeu todo o vigor e caiu em poder dos filisteus, que lhe vazaram os olhos e condenaram a girar a mó.


Sansão cego e acorrentado, R. Westall R. Adel

Pois, bem, dizei-me: qual foi a falta maior de Sansão? Deixar-se amarrar com tantos laços? Não. Ele sabia perfeitamente que toda a força do país não poderia detê-lo. Todo o seu mal constituiu em revelar o que lhe dava força, e deixar que lhe cortassem os cabelos, sem os quais Sansão não era mais Sansão. Ora, suponhamos que um comerciante se deixe ligar por centenas de ocupações de balcão, de tráfico, de contas, de bancos: é uma avareza culpável? Não, não representa isso avareza. Todo o mal consiste em deixar-se cortar os cabelos. Explico-me. Este negociante está assoberbado de negócios. Mas, de manhã, cedinho, ouve o sino chamando para a Santa Missa, e diz: “Meus negócios, um momento de paciência: o primeiro ganho está na assistência a Santa Missa.” Aí tendes Sansão atado, mas com a cabeleira intacta.

Outro comerciante está ligado e apertado por sete cordas e mais: trabalhos a realizar, contas a saldar, cartas a escrever, sócios a atender. Este espera uma resposta, aquele um pagamento. Que labirinto! Quantos laços! Mas qual! Chega o domingo, ele se desembaraça de suas ocupações, e vai fervorosamente assistir a muitas Santas Missas e fazer suas devoções. Eis ainda Sansão amarrado, mas não despojado dos cabelos, pois com todos os afazeres ele não perde de vista o máximo dos negócios, sua salvação eterna. Atendei, porém, a isto: quando estais sobrecarregados de mil cuidados interesseiros e não tendes tempo de frequentar os Sacramentos e assistir à Santa Missa, ah, pobres Sansões! Então estais amarrados e com os cabelos totalmente cortados!

Ainda que lícitos sejam vossos ganhos, não o é vossa paixão do lucro. É uma avareza vergonhosa que atrairá sobre vós a desgraça de Sansão, e, como aconteceu a ele, a casa ruirá sobre vossa cabeça. E então, as coisas que ajuntastes, de quem serão? (Lc 12,20) Mas, como bem se pode imaginar, esses avarentos não se renderão nunca, se não os pegarmos pelo ponto fraco. Pois bem, seja. Que pretendeis? Enriquecer, acumular, ganhar sem cessar? Ora, qual o meio mais seguro? Ei-lo: assistir, ativa e devotamente à Santa Missa todos os dias.

Aprendei-o daqueles dois artesãos que Surius menciona. Exerciam ambos a mesma profissão; um tinha encargo de família, mulher, filhos e sobrinhos; o outro vivia só com sua mulher. O primeiro mantinha a casa decentemente e os negócios andavam às maravilhas. Não lhe faltavam nem fregueses em sua loja, nem encomendas de trabalhos; e todos os anos ainda punha de lado boas economias para o casamento das filhas. O segundo nunca tinha trabalho, passava fome, e caminhava para a ruína. Um dia disse confessadamente ao vizinho: mas o que é que fazes! As bênçãos de DEUS chovem sobre
a tua família, enquanto eu, infeliz de mim, vivo embaraçado nos negócios e todas as desgraças caem sobre a minha casa.

O amigo replicou, vou ensinar-te. Amanhã de manhã estarei em tua casa, e te mostrarei onde encontro tantos bens. Na manhã seguinte levou o amigo á Igreja para assistir à Santa Missa, e reconduziu-o, após, à oficina. Fez a mesma coisa duas ou três vezes. Disse então o outro: "Não precisas mais dar-te o trabalho de levar-me à Santa Missa: já sei o caminho, se está nela o teu segredo". – 'Concordo", respondeu o amigo. "Vá todos os dias assistir à Santa Missa, e verás que tua destino há de mudar". Aconteceu, com efeito, que, desde que ele começou a assistir diariamente à Santa Missa, começou a aparecer-lhe trabalho, e em pouco tempo pagou suas dívidas e repôs sua casa em excelente estado. Credes no Evangelho? Ora, se credes, como podeis por em dúvida esta verdade que ele atesta claramente: “Buscai, em primeiro lugar, o reino de DEUS e sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas. Querite primum regnum DEI, et haec omnia adjicientur vobis” (Mt 6,33).

Se duvidais ainda, fazei a experiência: assisti, com devoção e ativamente, à Santa Missa, durante um ano, e se vossos interesses temporais não tomarem melhor andamento, aceitarei todas as censuras. Não será, porém assim. Pelo contrário, tereis amplos motivos para agradecer-me.

** Ler o capítulo seguinte

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Fonte:
MAURÍCIO, Leonardo de Porto. As Excelências da Santa Missa, conforme a ed. romana de 1737 dedicada a S.S. o Papa Clemente XII, pp. 70-74.
www.ofielcatolico.com.br

12 de Junho – Festa do Sagrado Coração de Jesus


TODO O MÊS DE junho é dedicado ao Sagrado Coração de Jesus; a Festa ou Solenidade do Sagrado Coração de Jesus é no dia 12 de junho.

Todos sabemos que o coração é um órgão muscular situado na cavidade torácica, que recebe o sangue e o bombeia por meio de movimentos ritmados, fazendo fluir a vida em todo o corpo. Mas, além de designar um órgão vital do corpo humano, a palavra “coração” também significa, num sentido analógico, um conjunto de valores de ordem moral e espiritual. Assim, metaforicamente, diz-se que tal pessoa tem um “coração de ouro”, e/ou que alguém tem um “coração de pedra”. No primeiro caso, significa que tal pessoa é bondosa, generosa, amorosa; no segundo, que alguém é insensível, mesquinho, frio. Pode-se dizer também que alguém tem o coração aberto ou fechado, manso ou cheio de ódio, mole ou duro, etc, etc. Rotineiramente, fazemos inúmeras correlações simbólicas a propósito do coração humano.

Nas Sagradas Escrituras, encontramos quase mil vezes repetida a palavra “coração”. Vejamos um exemplo, extraído do Antigo Testamento:
Eu lhes darei um só coração e os animarei com um espírito novo: extrairei do seu corpo o coração de pedra, para substituí-lo por um coração de carne.
(Ez 11, 19)

Agora, um exemplo do Novo Testamento:
Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus!(Mt 5, 8)

Sumamente vinculada ao símbolo que o coração representa, está a devoção ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo. Em primeiro lugar, simbolizando o infinito Amor de Deus pelo gênero humano: o Sagrado Coração de Jesus faz parte de sua adorável Pessoa. Entre os elementos integrantes da Pessoa de Cristo, nenhum há tão apropriado como o coração para ser objeto de culto especial. Simboliza a obra do Amor infinito levada ao extremo, pelo nosso bem, pelo Verbo feito homem, no Mistério da Encarnação e Redenção. Portanto, o culto tributado ao Sagrado Coração de Jesus é culto tributado a Jesus Cristo na qualidade de amante do homem.

A Encíclica Haurietis Aquas, de Pio XII  (1956), – considerada por excelência o documento sobre o culto ao Sagrado Coração de Jesus, e leitura indispensável a este respeito (leia aqui), – foi escrita com a finalidade de expor os fundamentos teológicos desse culto, e publicada exatamente no centenário da extensão, para toda a Igreja, da Festa Litúrgica do Coração de Jesus. Esse memorável documento pontifício ensina:
O Coração do nosso Salvador reflete de certo modo a imagem da Divina Pessoa do Verbo, e, igualmente, das suas duas naturezas: humana e divina; e nEle podemos considerar não só um símbolo, mas também como que um compêndio de todo o Mistério da nossa Redenção. Quando adoramos o Coração de Jesus Cristo, nEle e por Ele adoramos tanto o Amor incriado do Verbo divino como o seu amor humano e os seus demais afetos e virtudes, já que um e outro moveram nosso Redentor a imolar-se por nós e por toda a Igreja, sua Esposa.
(N. 43)


O primeiro e maior de todos os Mandamentos

Sta. Margarida
Maria Alacoque
Um escriba de Jerusalém, doutor da lei, perguntou a Jesus qual era o primeiro de todos os mandamentos. Eis a resposta de Nosso Senhor: “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente, e com todas as tuas forças” (Mc 12,30).

Se de todo coração uma pessoa ama a Deus, estará disposta a sacrificar-se por Ele; estará pronta a combater aqueles que atacam e desprezam seus divinos Ensinamentos, e tudo fará para reparar as ofensas que se fazem contra Deus. Qualquer ofensa a Ele, tomará como se fosse mais grave que uma ofensa pessoal, e desejará ardentemente consolá-lo pelo ultraje recebido.

S. Claudio Colombière
Exemplo admirável desta disposição foi a vida de Santa Margarida Maria Alacoque (1647-1690), enaltecida por Nosso Senhor como “Discípula dileta de meu Coração”. A ela se deve, – com o apoio de seu diretor espiritual, São Claudio de la Colombière, – a grande expansão, no século XVII e nos seguintes, da devoção ao Sagrado Coração de Jesus, principalmente na reparação àquele Coração ofendido pelos pecados dos homens. A ela Nosso Senhor pediu (em Paray-le-Monial, França) que fosse instituído o excelente costume da Comunhão reparadora das primeiras sextas-feiras de cada mês.

Além desta grande santa mística, poderíamos citar muitas outras almas santas que difundiram atos de piedade para desagravar o Divino Coração. Um exemplo é o da simples menina Jacinta, a quem Nossa Senhora, no ano de 1917, apareceu em Fátima. Com apenas 10 anos, ela já tinha uma clara noção disso. Pouco antes de seu falecimento, disse à sua prima Lúcia: “Se eu pudesse meter no coração de toda a gente o lume que tenho cá dentro no peito, a queimar-me e a fazer-me gostar tanto do Coração de Jesus e do Coração de Maria!”. Palavras singelas, mas que revelam o quanto uma menina inocente se abrasava de Amor de Deus e se compadecia daqueles Corações ofendidos.


Muitos católicos vivem como se Deus não existisse

O mundo atual sofre os abalos de um terrível terremoto moral. Todas as instituições da sociedade e do Estado encontram-se flageladas por crises profundas, porque o Criador e Redentor do gênero humano deixou de estar no centro das cogitações, até no centro dos corações daqueles que se dizem católicos. Ele é ultrajado de todos os modos, tendo sido destronado na sociedade neopagã de nossos dias.

Como remediar essa catastrófica situação? O Papa São Pio X indicou-nos uma solução: “Se alguém pedir uma palavra de ordem, sempre daremos esta e não outra: Restaurar todas as coisas em Cristo”. Para isso, a necessidade de se reentronizar o Sagrado Coração de Jesus nas almas, nas famílias, nas instituições, em todas as nações. Numa palavra: restaurar a Realeza social e divina d’Aquele que é “Rei dos reis e Senhor dos senhores” (Ap 19,16). Para isso, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus é o remédio por excelência.

Não sejamos, então, surdos e ingratos a essa sublime devoção, correspondendo ao Divino Amor de Deus por nós. Como corresponder? Procurando fazer tudo conforme seus divinos Preceitos, e evitar tudo o que os contraria. Assim, estaremos purificando nossos corações e assemelhando-os ao Sacratíssimo Coração. 

Uma breve aplicação: por obra da funesta Revolução Francesa, o Rei Luís XVI foi condenado à guilhotina. Subiu ao patíbulo com toda a paciência, mas quando o carrasco quis atar-lhe as mãos, num gesto enérgico ele não o permitiu, dizendo que não aceitaria tal humilhação. Seu último confessor, o Pe. Edgeworth de Firmont, então, disse-lhe: “Senhor, esta humilhação será ainda mais um traço de semelhança entre Vossa Majestade e Nosso Senhor Jesus Cristo”. Ao ouvir isto, Luís XVI respondeu: “Se isso agrada a Jesus, estou pronto para ser amarrado”.

Tal resposta do soberano francês poderia ser aplicada em todas as circunstâncias de nossa vida: estarmos sempre prontos a fazer tudo o que agrada a Jesus; e nada, absolutamente nada que o desagrade. Para chegar à perfeição dessa prática habitual, é muito aconselhável a jaculatória do final da Ladainha do Sagrado Coração: “Jesus, manso e humilde de coração. Fazei nosso coração semelhante ao vosso!”.

História da Devoção ao Sagrado Coração de Jesus

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus surgiu no século XVII, quando Santa Margarida Maria de Alacoque, religiosa do convento das Irmãs da Visitação de Paray-le-Monial, recebeu a visita de Nosso Senhor, que lhe apareceu por três vezes. A primeira foi em dezembro de 1673, a segunda em 1674 e a terceira em 1675, quando o Cristo manifestou-se-lhe com o peito aberto e apontando seu próprio Coração, e exclamou: "Eis o Coração que tem amado tanto aos homens a ponto de nada poupar até exaurir-se e consumir-se para demonstrar-lhes seu Amor. E em reconhecimento não recebo senão ingratidão da maior parte deles".

Durante essas aparições, Jesus fez 12 grandes promessas àqueles que fossem devotos de seu Coração Misericordioso e que participassem da Santa Eucaristia, comungando pela reparação dos nossos pecados e dos pecados do mundo, toda primeira sexta-feira de cada mês, durante nove meses seguidos. Depois, em 11 de junho de 1899, o Papa Leão XIII consagrou todo o gênero humano ao Sagrado Coração de Jesus, afirmando ser esse o maior ato de todo o seu pontificado.

Dessa forma, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus difundiu-se por todo o mundo e foi recomendada por muitos Papas da Igreja. Muitos grandes Santos, como São Francisco de Assis, Santo Inácio de Loyola, Santa Tereza D’Avila e outros, dedicaram terna devoção, admiração e adoração ao Sagrado Coração de Jesus. Hoje, o movimento do Apostolado da Oração ao Sagrado Coração de Jesus zela por essa devoção e a propaga pelo mundo todo. Listamos, abaixo, as doze promessas de grandes benefícios espirituais para às vidas daqueles que têm essa santa devoção:

1ª Promessa: “Eu darei aos devotos de meu Coração todas as graças necessárias a seu estado”.

2ª Promessa: “Estabelecerei e conservarei a paz em suas famílias ”.

3ª Promessa: “Eu os consolarei em todas as suas aflições”.

4ª Promessa: “Serei refúgio seguro na vida e principalmente na hora da morte”.

5ª Promessa: “Lançarei bênçãos abundantes sobre os seus trabalhos e empreendimentos”.

6ª Promessa: “Os pecadores encontrarão em meu Coração fonte inesgotável de misericórdias”.

7ª Promessa: “As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas pela prática dessa devoção”.

8ª Promessa: “As almas fervorosas subirão em pouco tempo a uma alta perfeição”.

9ª Promessa: “A minha Bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de meu Sagrado Coração”.

10ª Promessa: “Darei aos sacerdotes que praticarem especialmente essa devoção o poder de tocar os corações mais endurecidos”.

11ª Promessa: “As pessoas que propagarem esta devoção terão o seu nome inscrito para sempre no meu Coração”.

12ª Promessa: “A todos os que comunguem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna”.



Pequena Oração de Consagração ao Sagrado Coração de Jesus, de Santa Margarida Maria Alacoque

Santa Margarida Maria compôs uma belíssima oração de Consagração ao Sagrado Coração de Jesus, que se chama “Pequena Consagração”. Reze-a com um "santinho" nas mãos ou diante da imagem do Sagrado Coração de Jesus. Você certamente receberá muitas graças.
Eu, (seu nome), entrego e consagro ao Sagrado Coração de Jesus minha pessoa e minha vida, minhas ações, dores e sofrimentos, e quero me servir de todas as partes de meu ser apenas para honrá-Lo, amá-Lo e glorificá-Lo.Amém!”

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Ref.:
• SCHNEIDER, Roque. Espiritualidade do Coração de Jesus. São Paulo: Loyola, 2002
• DUFOUR, Gerard. Rezar 15 dias com Margarida Maria, São Paulo: Loyola, 2003
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