Padre Rodrigo Maria esclarece polêmica


Em resposta a uma leitora do apostolado Fratres in Unum, após a divulgação recente de certas polêmicas envolvendo o seu nome, Padre Rodrigo Maria esclarece a sua situação canônica, bem como sua posição junto às obras religiosas Arca de Maria e Opus Cordis Mariae. Reproduzimos a publicação desse apostolado nosso irmão, na qual o sacerdote vai apresentando e respondendo às perguntas da leitora parte por parte, da mesma maneira, aliás, que costumamos fazer por aqui, também. Abaixo.


CARÍSSIMA MARIA, NÃO costumo responder a comentários na internet, mas acredito que é oportuno responder às perguntas que você fez a fim de esclarecer também a outras pessoas que possam ter as mesmas dúvidas. Desde já agradeço a oportunidade.

O Padre Rodrigo pode não ser o superior, mas tudo nessa Fraternidade tem a característica dele”

R- Fui fundador da Fraternidade Arca de Maria, comunidade à qual pertenceu boa parte daqueles que hoje compõe a OPUS CORDIS MARIAE. Alguns deles, que são hoje dirigentes da nova Fraternidade, estiveram comigo por mais de 10 anos, sendo formados por mim. Portanto, é natural que reflitam a formação que receberam, mas não apenas isso: a OPUS CORDIS MARIAE foi fundada pelos irmãos e irmãs que hoje estão à frente da mesma, com a devida orientação e apoio da Autoridade eclesiástica, a fim de viverem o carisma que me foi inspirado, da maneira como foi inspirado e aprovado pela Igreja. O bispo que orientou toda fundação da OPUS CORDIS MARIAE (Dom Rogelio Livieres) discerniu que o carisma que aqueles irmãos e irmãs haviam abraçado era autêntico e justificava a fundação de uma nova fraternidade com o propósito de vivê-lo, o que realmente foi feito após Dom Livieres consultar Roma (Congregação dos Religiosos) e obter o voto favorável para a dita fundação. Sendo assim, é muito natural que se encontrem neles muitos elementos da formação que eles receberam. São jovens bons que amam a Igreja e querem ser santos. Refletem Maria a quem são consagrados e de quem são Apóstolos.

Por que ele teve que sair da Arca?”

R- Eu não tive que sair, mas sim fui afastado. O pretexto dado para o meu afastamento foi que minha presença na Fraternidade atrapalhava a Visita Apostólica que estava sendo realizada. Foi determinado pela Congregação dos Religiosos que eu não poderia ter contato com os membros até o fim da visita, a qual terminou em novembro de 2014. Nenhuma outra razão foi alegada para o meu afastamento, embora, de modo oficioso, autoridades e colaboradores das mesmas, disseminaram, de maneira leviana, as mais pérfidas acusações a meu respeito. Mas, para se compreender o que realmente aconteceu é preciso compreender a atual situação da Igreja, que possui hoje em seu quadro dirigente muitos senhores que têm por programa combater e neutralizar todas as pessoas e movimentos que são considerados conservadores e que, de certo modo, representam um “modelo de Igreja” que eles querem ver sepultado. Todos os que não se adequam ao relativismo revolucionário reinante e ousam pregar a imutável doutrina católica estão debaixo de perseguição.

Não possuo nenhum vínculo jurídico com a OPUS CORDIS MARIAE. Ajudei-os enquanto estive no Paraguai, mas saí daí já faz quatro meses e onde vivo não há casas dessa comunidade, assim como não vive aí nenhum de seus religiosos.

Quem quiser saber a história dessa nova Fraternidade deve se dirigir diretamente a eles, pois poderão falar por eles mesmos.

Porque foi suspenso? Qual foi o engano?”

R- Como bem disse um bispo amigo: “O nome disso é perseguição”… Fui acusado de desobediência e sofri um ”processo” administrativo por conta dessa acusação. O processo foi feito por um Vigário Geral, que aproveitou-se da ocasião de confusão em Ciudad del Este e quis, como se diz: “jogar para a galera”, lançando-me na fogueira em um momento em que muitos queriam (e querem) a minha cabeça (infelizmente, a Igreja está cheia desse tipo de gente sórdida que se presta a esse tipo de serviço sujo com os olhos em alguma vantagem pessoal ou promoção)… O tal “processo” durou duas horas. O afã em querer prejudicar e de dar satisfação aos perseguidores foi tão grande que fez com que o promotor do “processo”, ancorado no poder que possuía naquele momento, perdesse todo senso de justiça e também do ridículo, de modo que o “processo” foi todo viciado e completamente fora das normas do Direto Canônico. A saber:

A) Fui avisado do “processo” apenas um dia antes de comparecer em juízo;

B) O Vigário Geral que foi o acusador foi também o fiscal e o juiz do mesmo “processo”;

C) O “processo” durou exatamente duas horas;

D) Não foram apresentadas provas conclusivas de NADA;

E) Não me foi dado o direito de constituir defesa;

F) Não me foi dada a oportunidade de falar com o bispo (como manda o Direito Canônico), com quem tive sempre ótimo relacionamento, para esclarecer o que se estava chamando de desobediência, pois todas as coisas das quais fui acusado de fazer em “desobediência” na verdade eu possuía a autorização do bispo para fazê-las…mas… não tinha passado pelo Vigário Geral…;

G) A sentença fulminante que foi dada expressa toda a fúria persecutória daquele que moveu o “processo”: mesmo sendo um “processo” ADMINISTRATIVO, aplicou-se indevidamente, uma das mais duras penas de um processo PENAL: a proibição de celebrar pública ou privadamente, na diocese ou fora dela qualquer sacramento ou sacramental…;

O então Vigário Geral, que fez esse “processo” infame, acusou-me de desobediência por eu ter ido três vezes ao Brasil (sendo duas para completar um tratamento dentário e uma para visitar meu pai que estava gravemente enfermo), por estar fazendo os hangouts na internet (pois segundo ele, era apostolado fora da diocese, uma vez que pessoas de fora da diocese o assistiam!..), por dar assistência ou falar com ex-membros da Arca de Maria, entres outras coisas do mesmo porte…o que é necessário se saber é que: TODAS essas minhas ações foram permitidas pelo meu bispo, o que torna falsa e caluniosa a acusação de desobediência… é evidente que esclareci tudo isso durante as duas horas que durou o processo, mas não foram aceitas minhas alegações…prevalecendo o desejo de destruição a minha pessoa por parte do detrator, o que levou a aplicação da pena sem que se fossem apresentadas provas e sem que houvesse o direito a defesa, passando-se assim por cima de todas as prerrogativas do Direito.

O tal Vigário Geral chegou a tal grau de sordidez que acusou-me de ter inventado uma doença para meu pai a fim de “dar voltas por aí”… foi necessário que eu trouxesse os documentos do hospital e do médico que assistiu meu pai durante o período que ele esteve na U.T.I…

Aconteceu que no próprio decreto de punição me era dado o prazo de 10 dias para recorrer, o que assistido por excelente advogado canônico, foi feito em tempo hábil. Embora houvesse tentado muito, não consegui ter acesso direto ao bispo. Quem conseguiu protocolar minha defesa e entregar cópia da mesma ao bispo que estava saindo de viagem para Roma foi o anterior Vigário Geral, muito próximo do bispo e superior de comunidade daquele que era então o Vigário Geral. Quando o bispo (Dom Rogelio Livieres) se inteirou do que realmente estava acontecendo, procurou corrigir o erro e restabelecer a justiça. Ocorreu, porém, que, em Roma, o bispo foi deposto e quando voltou não tinha mais autoridade para fazê-lo, embora tenha realmente tentado. Entretanto, Dom Livieres, mesmo deposto, escreveu ao bispo que o sucedeu no governo da diocese pedindo ao mesmo que aceitasse o meu recurso e corrigisse aquela situação. De fato, um mês depois, o decreto de suspensão foi revogado por outro decreto que me restituía parcialmente o uso de ordens, sendo que o restante foi sendo dado aos poucos, até que pude ministrar todos os sacramentos, mas permanecendo a restrição de, fora da diocese de Ciudad del Este, fazê-lo apenas privadamente. Aconteceu que, em janeiro de 2015, apresentei o pedido formal para deixar a diocese de Ciudad del Este, o que me foi concedido de forma escrita em abril desde ano. Tendo sido acordado que o bispo que me acolhesse me daria uso pleno de ordens, o que de fato aconteceu, sendo essa minha situação atual. Talvez seja útil dizer que possuo a documentação escrita do que acima está afirmado.

Por que falar mal do bispo? Por que não obedecer?”

As perguntas acima estão mal formuladas, pois já contêm acusações antes de buscar os devidos esclarecimentos. Em se tratando do bispo de Limeira, o que se viu foi a reação de algumas pessoas que conhecendo de perto a realidade, responderam às falsas, graves e caluniosas acusações que o mesmo fez a meu respeito assim como a toda uma Fraternidade, no caso a OPUS CORDIS MARIAE.

Possuir um cargo na Igreja não é salvo conduto para caluniar e difamar ninguém, antes a nobreza da função impõe a necessidade de uma muito maior vigilância e prudência nas atitudes. Jamais deve ser tida como atitude de humildade o calar-se diante de injustiças gritantes, ainda que vinda do alto, de nossas autoridades que deveriam ser mais coerentes e empenhadas de dar exemplo da caridade e amor ao próximo que tanto apregoam.

O que vossa excelência fez foi verdadeiramente grave e deve, sim, ser corrigido e reparado.

Quanto à obediência, sou eu que agora pergunto: em que o bispo foi desobedecido?… As acusações que o mesmo fez foram totalmente gratuitas, não encontrando nenhum respaldo na realidade. Me informei diretamente com os que foram acusados e eles afirmaram que nenhum irmão jamais celebrou ou tentou celebrar naquela diocese, que não receberam bens, nem mesmo proposta de doação de nenhuma pessoa ou família ali, que não foram a Descalvado-SP e não têm ou tiveram nenhuma vocação dali… de onde o sr. bispo retirou essas informações? Gostaríamos também de saber… e o que é muito mais grave: afirmar que essa Fraternidade não tem comunhão com a Igreja (sic!), quando a mesma nasceu orientada e aprovada por um bispo da Igreja e possui aprovação canônica de seus seus estatutos, modo de vida e mesmo das orações…essa atitude foi realmente muito leviana, pois a afirmação é falsa e portanto caluniosa, especialmente por ser ele um bispo da santa Igreja.

As pessoas e instituições têm o direito ao bom nome, e cabe a quem acusa provar tudo quanto diz, sob a pena de justamente ser classificado como leviano, difamador e caluniador.

E para os pretensos ”humildes” ou “incondicionalmente obedientes” que pensam agradar a Deus apoiando o erro de uma pessoa pelo simples fato de ser uma autoridade, respondo com Pio XII: “A verdade é uma barreira que nem mesmo a ‘caridade’ pode transpor” . Realmente, é preciso muito mais humildade para suportar a perseguição e a execração do que para se submeter ao capricho de algumas autoridades a fim de salvar a própria pele.

Devemos amar as pessoas e não os erros que elas cometem.

Desejo de todo coração que a normalidade se restabeleça e que nossas autoridades compreendam que o respeito e obediência que lhe devemos não implicam em concordar ou apoiar seus erros e mazelas. Não apenas os fiéis, mas também os padres e bispos devem obedecer ao Evangelho e à Santa Igreja.

O perdão cabe a todos os que se arrependem. Que celebremos nossa unidade, na Verdade e Caridade de Cristo.

Pe. Rodrigo Maria, escravo inútil da Santíssima Virgem

___
Fonte:
Fratres in Unum, Padre Rodrigo Maria fala, disp. em:
https://fratresinunum.com/2015/08/03/padre-rodrigo-maria-fala/

Acesso 26/8/017
www.ofielcatolico.com.br

3 comentários:

  1. NOSSA SENHORA DO EQUILÍBRIO, ROGAI POR NÓS!!!
    - procurem conhecer esta devoção maravilhosa.
    Ass. Urbano Medeiros - artista Católico em MG

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  2. Rodrigo María, irmão trovão, Anderson Reis, Moisés Rocha e muitos outros irmãos perseguidos pelos hereges dentro da própria igreja,que querem destruir a consagração pelo método de São Luis Maria de Monforte. "Cheio de raiva por causa da mulher, o dragão começou a combater o resto dos filhos dela"...(Apc 12,17).Precisamos ser homens de Rosário diário para combatermos esses hereges que se dizem católico.

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  3. Pe. Rodrigo Maria um grande Padre. em suas omilias faz gosto assitir uma prova e conhecedordo evangelo, é uma pena que venha ocorrendo essa perseguição.

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