Antes e depois da Confissão

Nota do autor: esse texto nasce de simples reflexões pessoais a respeito do valor do Sacramento da Confissão, –, que é tão banalizado e desprezado hodiernamente –, após eu mesmo me confessar com um sacerdote santo que deu-me excelentes orientações e foi-me um verdadeiro pai. Caro leitor, estamos na Quaresma, eis o tempo de conversão. Volte para Deus, arrependa-se, confesse-se! Que lhe seja útil.



Por Felipe Marques – Fraternidade Laical São Próspero

Antes da Confissão, meu coração batia e meu corpo movia-se, entretanto, creio que eu estava morto. Era um verdadeiro sepulcro caiado, daqueles que descreve nosso Senhor nos Santos Evangelhos: por fora, uma aparência aprazível, por dentro, podre como um defunto em decomposição. Antes da Confissão, eu pensava que todos os prazeres da vida, inclusive os pecaminosos, poderiam me satisfazer. Todavia, descobri que, sem Deus, até os prazeres deste mundo podem se tornar causa de dor e sofrimento para nós. 

Antes da Confissão, caminhei pelo vale das sombras e temi todos os males, porque, afinal de contas, por minhas próprias culpas e infidelidades, eu havia expulsado a Deus de minha vida. E, sem Deus, há apenas trevas e sofrimentos neste “vale de lágrimas” em que vivemos. 

Antes da Confissão, percebi-me sozinho no mundo, pois, ainda que Deus esteja sempre intentando e buscando que o pecador se converta, eu havia usado mal de minha liberdade e era escravo de meus próprios vícios. Antes da Confissão, enxerguei apenas maldade nas pessoas ao meu redor e dentro de mim mesmo. Por faltar com misericórdia para com o próximo, eu havia faltado com misericórdia para comigo mesmo. Julguei-me imperdoável!

Mas tudo foi transformado por Cristo. Depois da Confissão, minha consciência havia sido acalmada pelo mesmo brado do Mestre que parecia dormir na barca de minha vida, enquanto o mar revolto de minhas paixões lançava-me de um pecado a outro, assim como pareceu dormir na barca em que estava com os Apóstolos.

Depois da Confissão, entendi a paz que sentiram os pastores ao ouvirem os anjos cantarem: "Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade"… Não havia recebido uma paz qualquer, uma paz falsa, egoísta e preguiçosa como a que o mundo oferece. Não!

Paz de Deus aos homens de boa vontade. Depois da Confissão, já não temia a morte. Temia apenas morrer em estado lastimável de despreparo para encontrar-me com meu Senhor e prestar contas das coisas que fiz com o tempo de vida que me foi dado. Depois da Confissão, entendi que os consultórios dos psicólogos estão lotados hoje em dia porque os confessionários estão vazios em nossas paróquias.

Depois da Confissão, o Sopro da Vida, que é o Paráclito, envolveu-me de santo Amor e eu tive a alegria de ser salvo e perdoado, mais uma vez. Depois da Confissão, nada mais faz sentido fora de Deus! Meu verdadeiro Amor, meu verdadeiro Amigo, meu verdadeiro Senhor, é Aquele que entregou-se no madeiro da Cruz por mim, para me salvar. Enxerguei que Ele é o único que está comigo em todos os momentos de minha vida! Depois da Confissão, posso afirmar que sou feliz, ainda que sofra. Depois da Confissão, gozo da verdadeira liberdade, a liberdade dos filhos de Deus! Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!

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3 comentários:

  1. "Depois da Confissão, entendi que os consultórios dos psicólogos estão lotados hoje em dia porque os confessionários estão vazios em nossas paróquias."

    isso se ainda houvesse confessionários em nossas paróquias! sniff sniff

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    1. Infeliz realidade... Na minha paróquia temos um, mas, infelizmente, o novo pároco não usa.

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    2. Graças ao bom Deus, na minha ainda não chegamos nesse estado. Muito pelo contrário. Tem padre confessando todos os dias. Em alguns domingos, os 4 confessionários chegam a funcionar, e a fila sempre é longa

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