Depressão e Fé


Por Patrícia Mattos

UMA PESQUISA DA UNIVERSIDADE Columbia, nos Estados Unidos, demonstrou que a espiritualidade pode ser uma poderosa arma contra a depressão. O que não significa que a depressão seja falta de fé, mas sim que a fé pode contribuir na cura da doença. Isso porque a confiança em Deus ajuda os seres humanos a terem esperança, coisa que falta na vida de uma pessoa afetada pela depressão.

Padre Ricardo Araújo
Além de tristeza profunda, desmotivação para o trabalho e pensamentos negativos sobre a vida, uma das consequências da depressão é o afastamento da pessoa a Deus, aos outros e uma sensação de abandono. A vivência religiosa pode ajudar a pessoa a se situar no mundo novamente, uma vez que pode retomar o sentido da vida através da convivência com outras pessoas e da vida em comunidade. O Padre Ricardo Araújo (foto), responsável pela Paróquia São Benedito e capelão do Hospital Beneficente Santa Gertrudes na cidade de Cosmópolis - SP, lembra que uma pessoa religiosa não é somente aquela que reza em sua individualidade, mas também a que vive sua espiritualidade dentro de uma comunidade de pessoas que possuem o mesmo objetivo: buscar a salvação e construir o Reino de Deus.


Ao contrário do que muitos dizem por aí, a depressão não é um castigo de Deus. Ricardo acrescenta que ao longo de nossas vidas construímos coisas que nem sempre são boas, mas não sabemos lidar com elas. “A misericórdia de Deus e seu amor são infinitos, Ele sempre nos dá a chance de voltarmos e refazermos a vida. Por isso, a vivência da fé dentro de uma comunidade é importante para quem está com depressão, pois ela vai encontrar o consolo de Deus através das pessoas e também vai poder compreender que pode fazer de sua vida uma vida diferente através do seu próprio agir. Além de preencher o vazio que a depressão causa”.



Pe. Márcio A. Krefer
O Padre Márcio Adriano Krefer (foto), da Paróquia Nossa Senhora da Glória – Vila Bela - SP, acrescenta que o cristão tem as ferramentas essenciais para sair do estado depressivo. “Em primeiro lugar, crendo em Deus com muita confiança, e estabelecendo uma comunhão com Deus por meio da oração pessoal e comunitária, aceitando a Palavra de Deus e o conselho dos membros da comunidade. Aquele que acredita em Deus e tem uma vida de oração e fé, tem um instrumento precioso de superação da enfermidade”


Para exemplificar com uma história bíblica, Pe. Ricardo usa o livro do profeta Isaías, onde um relato nos ajuda a entender melhor tal situação. Isaías é chamado para anunciar a esperança aos povos, uma vez que se vive num momento em que as pessoas estão no exílio e são oprimidas pelas lideranças políticas e sociais. “Ele traz em seu anúncio a confiança no ‘Servo Sofredor’, que é o Messias, aquele que virá para libertar o povo da escravidão e da opressão. O ‘Servo Sofredor’ relata a vida de muitas pessoas que vivem na angústia, na desolação, na depressão por muitos motivos, mas que não se deixam abater porque sabem que podem encontrar consolo, cura e libertação através da fé. Também nos ajuda a compreender que por mais difícil que seja o momento de nossa vida, ele não passa de um momento e que, muitos outros virão. É preciso ter esperança e não deixar de lutar por uma vida e por um mundo melhor”. Essa é a esperança alimentada pela confiança em Deus.


Pe. Ricardo aconselha que, aqueles que estão passando por um momento como esse sejam perseverantes. Que usem o momento para crescerem e amadurecerem. Que não se afastem da vivência religiosa e rezem, mesmo sem vontade, pois a oração é uma forma de desabafo e de entrega dos problemas a Deus. “Em vários casos as pessoas precisam também de ajuda profissional, pois a depressão é uma doença e precisa ser tratada em um conjunto de fé e ciência, que não podem andar separadas”, lembra.


Já o Padre Márcio Adriano gosta de relembrar a vida de Jó. Um homem piedoso, íntegro e reto, que temia a Deus e mantinha-se sempre afastado do mal. Tinha uma família linda, muitas posses e, apesar de ser rico tinha um respeito profundo a Deus. “Em um certo momento de sua vida, quando tudo parecia estar na paz e na abundancia de felicidade, começam as provações. Jó começa a perder os seus bens, suas ovelhas e sua família toda. Tudo isto acontece de uma hora para outra. Em pouco tempo, Jó havia perdido tudo. E apesar de tudo, não blasfemou contra Deus. Viveu muitas aflições, agonia e tristeza na alma. Jó declara: ‘a minha alma está desgostosa da vida’ (Jó 10,1). Sente a amargura no seu coração e só pensa no sepulcro. Jó estava vivendo uma tremenda tristeza na alma: ‘Meus olhos se escurecem de tristeza e todo o meu corpo não é mais que uma sombra’ (Jó 17,7). Onde está a felicidade? E a esperança? Para Jó não havia mais saída. Muita tribulação e desconsolo. Viveu uma verdadeira depressão profunda. A angustia o aniquilava. Depois de muito tempo de luta, conversa com Deus, oração constante, Jó recebeu a graça da superação. O Senhor o abençoou muito mais do que quando vivia na felicidade com sua família e seus bens. Recebeu muito mais bens e felicidades porque confiou em Deus, não desistiu de lutar, não se entregou ao escarnio. Esse é um exemplo bíblico de fé e coragem, de provação e superação”, comenta.

Ele complementa que é importante procurar estar com as pessoas, com a família, procurar bons relacionamentos, sair do hábito cotidiano para redescobrir o valor das coisas, das pessoas e do mundo que o cerca; procurar não se entregar ao desanimo; e buscar na oração a força para superar a cada momento as situações de desconforto e cansaço. “Temos que ter em mente que o tratamento para a depressão requer cuidar do corpo e da alma. A medicina cuida do corpo. Porém, só Deus pode curar a alma. A pessoa não pode apenas tratar da alma se muitas vezes o corpo está fragilizado e acaba não colaborando para a restauração total da pessoa. Para isto é fundamental procurar um médico psiquiatra e um psicólogo para que o diagnostico seja dado e para saber como se comportar diante das situações”, finaliza.

O Cristão tem uma ferramenta muito importante na superação das dificuldades: a fé e a luta constante. É preciso acreditar de verdade em um Deus que cura, e, sobretudo, que salva. Crer em Deus ajuda consideravelmente a pessoa na resposta ao tratamento médico. Mas não podemos nos esquecer de que a depressão é uma doença assim como muitas outras em nossa sociedade e exige um tratamento em conjunto. A medicina e a fé precisam andar juntas.
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6 comentários:

  1. A depressao vem insistindo entrar na minha vida e eu vou insistindo em clamar a Deus. As vezes me sinto completamento sozinha. Busco os sites catolicos e muito tem me ajudado. DEUS ABENÇOE VOCES.

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    1. Prezada, caso não conheça, neste programa do Pe. Paulo Ricardo tem bons conhecimentos para ajudar a livrar-se da depressão, que em muitos casos pode ser um problema espiritual:

      https://padrepauloricardo.org/programas/direcao-espiritual

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  2. Depressão pode ser falta de fé?
    Não digo uma total falta de fé, mas sim um desvio do caminho da santidade. Todos somos chamados a santidade mas como humanos sofremos e quando olhamos o mar agitado e sentimos o frio da tempestade afundamos. E quando voltamos a acreditar, voltamos nossos olhos a Deus vemos que temos um barco seguro.
    Então a depressão pode ser esse escorregão na fé?

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  3. Eu sinto um depressão tão grande, me sinto tão inferior, feia, gosto de pessoas da internet e de outros países que nem gostam de mim. Eu não sei mais o que fazer, fora meus problemas familiares que não são poucos...

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  4. Hoje me sinto totalmente perdido, desanimado, angustiado, perdi a alegria em viver. Rezo sem acreditar que posso sair dessa, rezo ainda pra pedir forças pra minha família, pedir forças para mim, mesmo acreditando que não consigo mais sair desse abismo no qual caí. Não consigo mais conversar com ninguém, acho que já desistir de viver.

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    1. Caro, creio que seria importante procurar alguma ajuda médica (um psicólogo ou psiquiatra). E continue rezando sempre, mesmo que lhe pareça faltar a fé.

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