Seria a Virgem Maria uma deusa pagã? – conclusão

Representação da deusa Gaia ou 'Mãe Terra'


Por David MacDonald
Tradução de Carlos Martins Nabeto
Adaptação de Henrique Sebastião


A Const. dogmática Lumem Gentium

Apresentamos alguns parágrafos da Lumen Gentium, documento oficial da Igreja, redigido no Concílio Vaticano II, que é frequentemente citado pelos "evangélicos" quando tratam do título "Rainha do Céu". A Lumen Gentium, ao contrário, claramente reafirma a autoridade de Rei dos reis de Jesus Cristo sobre o Céu e a Terra:

- 60. Um só é nosso Mediador segundo as palavras do Apóstolo: 'Há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem; ele também se entregou para resgatar a todos' (1Timóteo 2,5-6). Porém a missão maternal de Maria diante dos homens de nenhuma forma obscurece nem diminui esta mediação única de Cristo; pelo contrário, melhor demonstra seu poder. Porque todo o influxo salvífico da bem-aventurada Virgem em favor dos homens não nasce de nenhuma lei mas sim do divino beneplácito, provém da superabundância dos méritos de Cristo, se apóia em sua mediação, dela depende totalmente e da mesma retira todo o seu poder e, longe de impedi-la, fomenta a união imediata dos crentes em Cristo.
- 62. ...Porque nenhuma criatura pode se comparar jamais com o Verbo Encarnado, nosso Redentor; porém, assim como o sacerdócio de Cristo é participado de diversas maneiras, tanto pelos ministros como pelo povo fiel, e assim como a bondade única de Deus se difunde realmente de formas distintas nas criaturas, assim também a mediação do Redentor não exclui, mas suscita em suas criaturas uma múltipla cooperação que participa da única fonte. A Igreja não duvida em professar esta missão subordinada de Maria, a experimenta continuamente e a recomenda ao coração dos fiéis para que, apoiados nesta proteção maternal, se unam mais intimamente ao Mediador e Salvador.
- 66. ...Segundo as palavras proféticas dela mesma: 'Daqui por diante todas as gerações me chamarão feliz, porque o Todo-Poderoso fez em mim grandes coisas' (cf. Lucas 1,48-49)... enquanto se honra a Mãe, o Filho - em razão do qual foram criadas todas as coisas (cf. Colossenses 1,15-16) e em quem o Pai quis que residisse toda plenitude (cf. Colossenses 1,19) - seja melhor conhecido, seja amado, seja glorificado e sejam cumpridos os seus mandamentos.
- 67. ...Assim mesmo, exorta encarecidamente aos teólogos e aos pregadores da Palavra divina, que se abstenham com cuidado, tanto de todo falso exagero, como também de uma excessiva estreiteza de espírito, ao considerar a singular dignidade da Mãe de Deus[3]. Cultivando o estudo das Sagradas Escrituras, dos Santos Padres e doutores e das liturgias da Igreja, sob a direção do Magistério, ilustrem retamente os dons e privilégios da Santíssima Virgem, que sempre se referem a Cristo, origem de toda verdade, santidade e piedade.



Estátuas da Mãe com o Menino

Alguns sustentam que as imagens de Maria com o Menino Jesus nos braços foram inspiradas em estátuas de Ísis carregando em seus braços Hórus, ou alguma outra deusa pagã que tivesse sido representada carregando seu filho, ou mesmo (no caso dos mais desonestos) que seria uma forma enrustida de homenagem às tais deusas. Sim, é hilário, mas isso existe.

É realmente necessária uma dose cavalar de má vontade associada com a mais profunda ignorância para não entender que qualquer imagem representando qualquer mãe com uma criança nos braços poderia ser comparada, superficialmente e na aparência, a uma imagem sacra que represente a Virgem Maria com o Menino Jesus em seus braços. Isso porque a maternidade é – como não poderia deixar de ser – uma coisa comum a todas as culturas ao redor do mundo em todos os tempos. Assim sendo, não pode ser difícil a um ser pensante entender porque as imagens que se referem à qualquer maternidade sejam parecidas em qualquer religião.

E chegando à casa, encontraram o menino nos braços de Maria, sua Mãe; se prostraram e o adoraram.
(Mateus 2,11)

Por acaso os magos cometeram idolatria ao reverenciar o Menino nos braços de sua Mãe? Você seria capaz de não adorar a Cristo se o visse nos braços de sua Mãe? Seria capaz de não reverenciar e prestar seu respeito àquela mulher admirável a quem fora concedida a graça incomparável de gerar o próprio Deus salvador do mundo?

Os católicos apresentam Maria segurando o Menino não só porque ela teve o privilégio único de tê-lo carregado nos braços, quando Ele se fez frágil e pequenino por amor a cada um de nós, mas também justamente para ressaltar que a glória dela vem d'Ele. Isto a torna uma deusa pagã?! Se assim fosse, poderíamos culpar qualquer artista, fotógrafo ou escultor que retratasse uma mãe com seu filho. E isso, claro, não seria justo. Mais ainda, seria pura loucura.


Verdadeira origem da devoção mariana

Quando e como começou a devoção mariana? Com o santo anjo Gabriel, quando disse a Maria: "Salve, cheia de Graça: o Senhor é contigo!" (Lucas 1,27). Quando sua prima Isabel, inspirada pelo Espírito Santo gritou: "Bendita és tu entre as mulheres... Bendita sois porque creste!" (Lucas 1,41-45)... Não foi Deus mesmo quem inspirou essas primeiras homenagens a Maria? Inclusive, o Espírito Santo inspira a Maria a proclamar uma profecia sobre si mesma: "De agora em diante, todas as gerações me chamarão bem-aventurada" (Lucas 1,47). Estes são os fundamentos bíblicos mais que suficientes para a devoção mariana.

Logo, está mais do que claro a relação dos católicos com Maria não tem origem na adoração de deusas pagãs, mas sim nos primeiros cristãos que abandonaram o paganismo e nunca mais adotaram suas práticas.

Condenação pública do Vaticano às deusas da 'Nova Era' (mov. 'New Age')

O Vaticano oficializou e publicou a sua posição sobre o movimento New Age (Nova Era) em um documento que trata de como tais teorias sobre a "mãe-terra" (a deusa pagã Gaia ou suas equivalentes) são contrárias à fé católica e à fé de todos os cristãos. Nossos leitorese podem acessar esse documento no site do Vaticano, acessando o seguinte link: Documento Jesus Cristo Portador da Água Viva.

Vemos com total clareza que a Igreja Católica não quer nada com "Gaia" e nem com as deusas pagãs adoradas pelos seguidores da Nova Era. Tais falsas divindades tampouco têm algo a ver com Maria, a Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo.


Una nota pessoal acerca de Maria

Espero não ter causado animosidades com este artigo. Muitos desejariam que tudo acerca de Maria fosse deixado de lado pela Igreja, visando obter uma maior unidade com os demais cristãos. Eu somente desejo ajudar a construir uma ponte entre católicos e protestantes. Não creio que evitar Maria ajudaria a construir a unidade. A maior parte dos sentimentos mais fechados contra Maria tem surgido dentro do movimento protestante nos últimos 100 anos. Muitos dos pais da Reforma nutriam fortes sentimentos positivos em favor de Maria, inclusive C.S.Lewis, Calvino, Heinrich, Bullinger e John Wesley. Inclusive o próprio Martinho Lutero falou dela em primeira pessoa, dizendo: "Nenhuma mulher é como tu. És mais que Eva ou Sara, bendita sobre toda nobreza, sabedoria e santidade" (Sermão, Festa da Visitação de 1537).

Alguns cristãos sentem que haveria uma maior unidade dentro da Igreja se todos deixássemos de falar de Maria. No entanto, ela não sairá da minha vida (nem da sua) a menos que se lhe peça. E com toda a franqueza, isso seria como dizer para minha mãe para que se vá e nunca mais pense em mim. Eu fiz isso uma vez com minha mãe biológica e foi algo muito doloroso. A Virgem Maria me corrigiu; ela ficaria imensamente ferida se eu lhe pedisse que me deixasse, porém isso causaria dano bem maior a mim mesmo. Assim, não posso deixar de lado o que tenho a ver com ela, ao menos em minha própria vida, assim como ocorre na vida de milhões de cristãos que vivem no Espírito de Cristo e foram enriquecidos por sua relação com Maria.

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3. Cfr. Pius XII, Nunius radioph., 24 oct. 1954: AAS 46 (1954) p. 679. Litt. Encycl. Ad coeli Reginam, 11 oct. 1954: AAS 46 (1954) pág. 637.
www.ofielcatolico.com.br

Um comentário:

  1. É bom que venham matérias como estas para esclarecer a doutrina católica em torno de Maria, pois em tempos no qual uma novela traz Maria com filhos os ditos irmãos de JESUS, nada melhor que vir matérias como estas para demonstrar aos católicos, que ao invés de ver novelas de ditas redes evangélicas, deveriam se informar em sites e blogs como estas.

    Ao examinar as imagens destas deusas pagãs e de Maria, nota-se diferenças gritantes, que demonstram que em quanto estas deusas pagãs se demonstram como senhoras pomposas e dominadoras, as diversas imagens de Maria demonstram sua humildade em ser a Serva do SENHOR, um exemplo, são as imagens orantes de Maria com as mãos postas e atitude de serva e orante, como a de N.S. Aparecida, de Lourdes ou de Fátima. São por estas imagens, que se vê as diferenças entre as desusas pagãs e de Maria, no qual demonstra nitidamente que de divindade pagã Maria não tem nada, e sim o que demonstra-se nela é sua humildade de ser: humilde; serva; mãe e mulher, e por sua humildade, DEUS a elevou acima das meras criaturas coroando-a como Rainha do céus e da terra, fazendo jus ao que seu FILHO mesmo ensinou: Quem se eleva será humilhado e que sem humilha será exaltado.

    Sidnei.

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