Ouvir a recitação do Rosário e acompanhar mentalmente as récitas e os Mistérios é uma forma legítima de oração: gostaríamos de saber qual foi a sua experiência com estes vídeos.
Na tradição espiritual católica, a oração mental dispensa o pronunciar audível de palavras. Santo Tomás de Aquino, na Suma Teológica (II-II, q. 83, a. 12-13), explica a relação entre a oração vocal e a atenção interior. A palavra pronunciada é um auxílio; a elevação da mente a Deus é o elemento essencial. Mais ainda, o Doutor Comum ressalva que a voz deve ser empregada na medida em que ajuda a devoção; se a distrai, deve-se mesmo omiti-la. Por isso, na oração particular, nem sempre se exige o uso da voz.
Assim, ouvir passivamente a gravação com intenção de oração, unindo interiormente a própria mente e o coração àquilo que se escuta, é verdadeiramente rezar. E, quando se contemplam os Mistérios da vida de Cristo, essa prática adquire também uma dimensão meditativa. Deus Nosso Senhor nos auxilie para que este conteúdo sirva a muitas almas. Que a Virgem Santíssima rogue por nós neste sentido.
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[1] O termo “oração mental” como categoria técnica (distinta da vocal) se desenvolve mais plenamente depois de Santo Tomás, na tradição carmelita e jesuítica dos séculos XVI e XVII (Santa Teresa, São Pedro de Alcântara, Santo Inácio). Em Santo Tomás, a mesma distinção é feita nos termos aqui citados, entre a oração em sua essência (ato da mente) e a oração vocal como expressão.