A Didaqué: a Instrução dos Apóstolos

Cristograma com Alfa e Ômega – Inscrição escavada na antiquíssima Basílica de São Lourenço Extramuros (Roma, Itália)

O DOCUMENTO conhecido como Didaqué (Διδαχń) é antiquíssimo; remonta aos tempos da primeiríssima geração da Santa Igreja. É anterior a alguns livros da própria Bíblia Sagrada, tendo sido escrito provavelmente antes do Evangelho de S. João, do Apocalipse e de algumas das epístolas.

"Didaqué"
é uma palavra grega que significa "instrução" ou "doutrina", e a obra era conhecida como "A Instrução dos Doze Apóstolos", – o que lembra muito o que diz o livro de Atos (2,42) sobre "o ensinamento dos Apóstolos". Assim como ocorre com relação a alguns livros do Novo Testamento, torna-se uma tarefa mais do que complexa precisar se a obra foi escrita diretamente por algum(ns) dos Apóstolos de Jesus ou sob a sua orientação, e se foi produzida por um só ou por vários autores.

De todo modo, trata-se indiscutivelmente de uma preciosidade documental, um conjunto de textos que nos permite um mergulho profundo no inconsciente dos primeiros seguidores de Jesus, contemporâneos dos Apóstolos e/ou de seus sucessores diretos; um olhar impressionantemente vivo e preciso sobre a maneira de ser e pensar das comunidades cristãs de dois mil anos atrás.

Atualmente, a maior parte dos estudiosos parece concordar que a obra é fruto da reunião de várias fontes escritas e/ou orais, que retratam a tradição viva das comunidades cristãs do primeiro século. Os locais mais prováveis de sua origem são a Palestina e a Síria.

A Didaqué é um manual da Religião, uma espécie de Catecismo dos primeiros cristãos: era o principal referencial escrito com que os primeiros seguidores do Cristo contavam além das Escrituras hebraicas (o conjunto organizado de livros que compõem a Bíblia Cristã, tal como a conhecemos hoje, ainda não estava completo nem definido). Esse documento, portanto, nos permite entender melhor as origens do cristianismo, nos dá uma ideia de como eram a iniciação, as celebrações, a organização e a vida das primeiras comunidades. O(s) autor(es) dirige(m) seus ensinamentos especialmente às comunidades formadas pelos primeiros convertidos, que vinham principalmente do paganismo.

O conteúdo e o estilo da Didaqué lembram imediatamente muitos textos do Antigo e do Novo Testamento, bem como outros escritos do século I dC. – O tom e os temas de muitas exortações se parecem bastante com os da literatura sapiencial e com diversos trechos dos Evangelhos canônicos. Dessa forma, esse Catecismo original é um testemunho incrivelmente preciso do modo de vida da Igreja primitiva. Entre outros elementos essenciais da fé da Igreja de sempre, o texto menciona Bispos e Diáconos, além dos Sacramentos do Batismo, da Confissão ou Penitência e da Eucaristia.

Um ponto notável é o clima de preocupação que a comunidade vive, dentro de uma sociedade estruturalmente pagã, de não se confundir com o ambiente, de não se deixar manipular por aproveitadores oportunistas disfarçados de profetas. Sente-se também uma esperança um pouco nervosa de uma escatologia (fim dos tempos) próxima. O tema da perseverança heroica no caminho da fé é outra característica marcante das comunidades nascentes, que ainda estão descobrindo a sua vocação e a sua missão no mundo.

Abaixo, disponibilizamos o conteúdo integral da Didaqué, para todos aqueles que desejam aprofundar seus conhecimentos a respeito da fé, das origens da Igreja e das raízes da verdadeira doutrina cristã. Que seja útil.



A DIDAQUÉ: A INSTRUÇÃO DOS DOZE APÓSTOLOS

"O Caminho da Vida e o caminho da morte"

Capítulo I

1 Existem dois caminhos: um da vida e outro da morte [Cf Jer 21,8; Dt 5,32s; 11,26-28; 30,15-20; Eclo 15,15-17]. A diferença entre ambos é grande.

2 O caminho da vida é, pois, o seguinte: primeiro amarás a Deus que te fez; depois a teu próximo como a ti mesmo [Cf Dt 6,5; 10,12s; Eclo 7,30; Lev 19,18; Mt 22,37]. E tudo o que não queres que seja feito a ti, não o faças a outro [Cf Mt 7,12; Lc 6,31].

3 Eis a doutrina relativa a estes mandamentos: Bendizei aqueles que vos amaldiçoam, orai por vossos inimigos, jejuai por aqueles que vos perseguem. Com efeito, que graça vós tereis, se amais os que vos amam? Não fazem os gentios o mesmo? Vós, porém, amai os que vos odeiam e não tenhais inimizade [Cf Mt 5,44s; Lc 6,27s; 6,32s].

4 Abstém-te dos prazeres carnais [Cf 1Ped 2,11]. Se alguém te bate na face direita, dá-lhe também a outra e tu serás perfeito. Se alguém te obrigar a mil (passos), anda dois mil com ele. Se alguém tomar teu manto, dá-lhe também tua túnica. Se alguém toma teus bens, não reclames, pois de todo o jeito não podes [Cf Mt 5,39ss; Lc 6,29].

5 Dá a todo aquele que te pedir, sem exigir devolução. Pois a Vontade do Pai é que se dê dos seus próprios dons. Bem-aventurado é aquele que dá conforme a lei, pois é irrepreensível. Ai daquele que toma (recebe)! Se, porém, alguém tiver necessidade de tomar (receber), é isento de culpa. Mas se não estiver em necessidade, terá que se responsabilizar pelo motivo e pelo fim por que recebeu. Colocado na prisão, ele não sairá de lá, até ter pago o último quadrante (centavo) [Mt 5,25s; Lc 12,58s].

6 Mas é verdade que a este propósito também foi dito: Que tua esmola sue em tuas mãos, até souberes a quem dar [Cf Eclo 12,1].


Capítulo II

1 O segundo mandamento da Instrução (dos Doze Apóstolos) é:

2 Não matarás, não cometerás adultério; não te entregarás à pederastia, não fornicarás, não furtarás, não exercerás magia nem bruxaria (charlatanice). Não matarás criança por aborto, nem criança já nascida; não cobiçarás os bens do próximo.

3 Não serás perjuro [Cf Mt 5,33; Ex 20,7] nem darás falso testemunho; não falarás mal do outro nem lhe guardarás rancor.

4 Não usarás de ambiguidade nem no pensamento nem na palavra, pois a duplicidade é uma trama fatal [Cf Prov 21,6].

5 Tua palavra não seja falsa, nem vã; mas, ao contrário, seja cheia de sinceridade e seriedade (comprovada pela ação).

6 Não serás cobiçoso nem rapace, nem hipócrita, nem malicioso, nem soberbo. Não nutrirás má intenção contra teu próximo [Cf Ex 20,13-17; Dt 5,17-21].

7 Não odiarás ninguém, mas repreenderás uns e rezarás por outros, e ainda amarás aos outros mais que a ti mesmo (que tua alma).


Capítulo III

1 Meu filho, evita tudo o que é mau e semelhante ao mal.

2 Não sejas odiento ou rancoroso, pois o ódio conduz à morte; nem ciumento, nem brigão ou provocador, pois de tudo isso nascem os homicidas.

3 Meu filho, não sejas cobiçoso de mulheres, pois a cobiça conduz à fornicação. Evita a obscenidade e os maus olhares, pois de tudo isto nascem os adúlteros.

4 Meu filho, não te dês à adivinhação, pois ela conduz à idolatria. Abstém-te também da encantação (feitiçaria) e da astrologia e das purificações, nem procures ver ou ouvir (entender) estas coisas, pois tudo isto origina a idolatria.

5 Meu filho, não sejas mentiroso, pois a mentira conduz ao roubo; não sejas avarento ou cobiçoso de fama, pois tudo isto origina o roubo.

6 Meu filho, não sejas furioso, pois isto conduz à blasfêmia; não sejas insolente nem malvado, pois tudo isto origina as blasfêmias.

7 Sê, antes, manso, pois os mansos possuirão a Terra [Cf Mt 5,5; Sl 31,11].

8 Sê longânime (têm grandeza de ânimo), misericordioso, sem falsidade, tranquilo e bom, e guarda com toda a reverência a instrução ouvida.

9 Não te eleves a ti mesmo e não entregues teu coração à insolência; não vivas com os "grandes" (deste mundo), mas com os justos e humildes.

10 Tu aceitarás os acontecimentos da vida como sendo bons, sabendo que a Deus nada daquilo que acontece é estranho.


Capítulo IV

1 Meu filho, lembra-te dia e noite daquele que te anuncia a Palavra de Deus e o honrarás como ao Senhor, pois onde se proclama sua Soberania aí está o Senhor presente [Cf Hb 13,7].

2 Todos os dias procurarás a companhia dos santos, para encontrar apoio em suas palavras.

3 Não causarás cismas, mas reconciliarás os que lutam entre si. Julgarás de maneira justa, sem considerar a pessoa na correção das faltas [Cf Dt 1,16s; Pr 31,9].

4 Não te demorarás em procurar o que te há de acontecer (adivinhação do futuro) ou não.

5 Não terás as mãos sempre estendidas para receber, retirando-as quando se trata de dar.

6 Se possuíres algo, graças ao trabalho de tuas mãos, dá-o em reparação por teus pecados.

7 Não hesitarás em dar e, dando, não murmurarás, pois algum dia reconhecerás quem é o verdadeiro Dispensador da Recompensa.

8 Não repelirás o indigente, mas antes repartirás tudo com teu irmão, não considerando nada como teu, pois, se divides os bens da imortalidade, quanto mais o deves fazer com os corruptíveis [Cf At 4,32; Hb 13,16].

9 Não retirarás a mão de teu filho ou de tua filha, mas desde sua juventude os instruirás no temor a Deus.

10 Não darás ordens com rancor ao teu povo ou à tua serva, que esperam no mesmo Deus que tu, para que não percam o temor de Deus que está acima de todos. Com efeito, Ele não virá chamar segundo a aparência da pessoa, mas segundo a preparação do espírito.

11 Vós, servos, sede submissos aos vossos senhores como se eles fossem uma imagem de Deus, com respeito e reverência [Cf Ef 6,1-9; Col 3,20-25].

12 Detestarás toda a hipocrisia e tudo o que é desagradável ao Senhor.

13 Não violarás os mandamentos do Senhor e guardarás o que recebeste, sem acrescentar nem tirar algo.

14 Na assembleia, confessarás tuas faltas e não entrarás em oração de má consciência. – Este é o caminho da vida.


Capítulo V

1 O caminho da morte é o seguinte: em primeiro lugar, é mau e cheio de maldições: mortes, adultérios, paixões, fornicações, roubos, idolatrias, práticas mágicas, bruxarias (necromancias), rapinagens, falsos testemunhos, hipocrisias, ambiguidades (falsidades), fraude, orgulho, maldade, arrogância, cobiça, má conversa, ciúme, insolência, extravagância, jactância, vaidade e ausência do temor de Deus;

2 Perseguidores dos bons, inimigos da verdade, amantes da mentira, ignorantes da recompensa da justiça, não-desejosos do bem nem do justo juízo, vigilantes, não pelo bem, mas pelo mal, estranhos à doçura e à paciência, amantes da vaidade, cobiçosos de retribuição, sem compaixão com os pobres, sem cuidado para com os necessitados, ignorantes de seu Criador, assassinos de crianças, destruidores da obra de Deus, desprezadores dos indigentes, opressores dos aflitos, defensores dos ricos, juízes iníquos dos pobres, pecadores sem fé nem lei. – Filho, fica longe de
tudo isso.


Capítulo VI

1 Vigia para que ninguém te afaste deste caminho da instrução, ensinando-te o que é estranho a Deus [Cf Mt 24,4].

2 Pois, se puderes portar todo o jugo do Senhor, serás perfeito; se não puderes, faze o que puderes.

3 Quanto aos alimentos, toma sobre ti o que puderes suportar, mas abstém-te completamente das carnes oferecidas aos ídolos, pois este é um culto aos deuses mortos.


"Celebração Litúrgica"

Capítulo VII

1 No que diz respeito ao batismo, batizai em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo em água corrente [Cf Mt 28,19].

2 Se não tens água corrente, batiza em outra água; se não puderes em água fria, faze-o em água quente.

3 Na falta de uma e outra, derrama três vezes água sobre a cabeça em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

4 Mas, antes do batismo, o que batiza e o que é batizado, e se outros puderem, observem um jejum; ao que é batizado, deverás impor um jejum de um ou dois dias.


Capítulo VIII

1 Vossos jejuns não tenham lugar com os hipócritas; com efeito, eles jejuam no segundo e no quinto dia da semana; vós, porém, jejuai na quarta-feira e na sexta (dia de preparação).

2 Também não rezeis como os hipócritas, mas como o Senhor mandou no seu Evangelho: Nosso Pai no Céu, que Vosso Nome seja santificado, que Vosso Reino venha, que Vossa vontade seja feita na Terra, assim como no Céu; dá-nos hoje o pão necessário (cotidiano), perdoa a nossa ofensa assim como nós perdoamos aos que nos têm ofendido e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal [Cf Mt 6,9-13; Lc 11,2-4], pois Vosso é o Poder e a Glória pelos séculos.

3 Assim rezai três vezes por dia.


Capítulo IX

1 No que concerne à Eucaristia, celebrai-a da seguinte maneira:

2 Primeiro sobre o Cálice, dizendo: Nós vos bendizemos (agradecemos), nosso Pai,
pela santa vinha de Davi, vosso servo, que vós nos revelastes por Jesus, vosso Servo; a Vós, a
Glória pelos séculos! Amém.

3 Sobre o Pão a ser quebrado: Nós vos bendizemos (agradecemos), nosso Pai, pela
Vida e pelo Conhecimento que nos revelastes por Jesus, vosso Servo; a Vós, a Glória pelos
séculos! Amém.

4 Da mesma maneira como este Pão quebrado primeiro fora semeado sobre as colinas e depois recolhido para tornar-se um, assim das extremidades da Terra seja unida a Vós vossa Igreja  em vosso Reino; pois vossa é a Glória e o Poder pelos séculos! Amém.

5 Ninguém coma nem beba de vossa Eucaristia, se não estiver batizado em Nome do Senhor. Pois a respeito dela disse o Senhor: "Não deis as coisas santas aos cães!".


Capítulo X

1 - Mas depois de saciados, bendizei (agradecei) da seguinte maneira:

2 Nós vos bendizemos (agradecemos), Pai Santo, por vosso Santo Nome, que fizestes habitar em nossos corações, e pelo conhecimento, pela fé e imortalidade que nos revelastes por Jesus, vosso Servo; a Vós, a Glória pelos séculos. Amém.

3 Vós, Senhor Todo-poderoso, criastes todas as coisas para a Glória de Vosso nome e, para o gozo deste alimento e a bebida aos filhos dos homens, a fim de que eles vos bendigam; mas a nós deste uma Comida e uma Bebida espirituais para a vida eterna por Jesus, vosso Servo.

4 Por tudo vos agradecemos, pois sois poderoso; a Vós, a Glória pelos séculos. Amém.

5 Lembrai-vos, Senhor, de vossa Igreja, para livrá-la de todo o mal e aperfeiçoá-la no vosso Amor; reuni esta Igreja santificada dos quatro ventos no vosso Reino que lhe preparaste, pois vosso é o Poder e a Glória pelos séculos. Amém.

6 Venha vossa Graça e passe este mundo! Amém. Hosana à Casa de Davi [Cf Mt 21,15]. Venha aquele que é santo! Aquele que não é (santo) faça penitência: Maranatá! [Cf 1Cor 16,22; Ap 22,20] Amém.

7 Deixai os profetas bendizer à vontade.


A Vida em comunidade

Capítulo XI

1 Se, portanto, alguém chegar a vós com instruções conformes com tudo aquilo que acima é dito, recebei-o.

2 Mas, se aquele que ensina é perverso e expõe outras doutrinas para demolir, não lhe deis atenção; se, porém, ensina para aumentar a justiça e o conhecimento do Senhor, recebei-o como o Senhor.

3 A respeito dos Apóstolos e profetas, fazei conforme os dogmas do Evangelho.

4 Todo o Apóstolo que vem a vós seja recebido como o Senhor.

5 Mas ele não deverá ficar mais que um dia, ou, se necessário, mais outro. Se ele, porém, permanecer três dias, é um falso profeta.

6 Na sua partida, o Apóstolo não leve nada, a não ser o pão necessário até a seguinte estação; se, porém, pedir dinheiro, é falso profeta.

7 E não coloqueis à prova nem julgueis um profeta em tudo que fala sob inspiração, pois todo pecado será perdoado, mas este pecado não será perdoado [Cf Mt 12,31].

8 Nem todo aquele que fala no espírito é profeta, a não ser aquele que vive como o Senhor. Na conduta de vida conhecereis, pois, o falso e o verdadeiro profeta.

9 E todo profeta que manda, sob inspiração, preparar a mesa não deve comer dela; ao contrário, é um falso profeta.

10 Todo profeta que ensina a verdade sem praticá-la é falso profeta.

11 Mas todo profeta provado (e reconhecido) como verdadeiro, representando o Mistério cósmico da Igreja, não ensinando, porém, a fazer como ele faz, não seja julgado por vós, pois ele será julgado por Deus. Assim também fizeram os antigos profetas.

12 O que disser, (supostamente) sob inspiração: "Dá-me dinheiro", ou qualquer outra coisa, não o escuteis; se, porém, pedir para outros necessitados, então ninguém o julgue.


Capítulo XII

1 Todo aquele que vem a vós, em nome do Senhor, seja acolhido. Depois de o haverdes sondado, sabereis discernir a esquerda da direita (pois tendes juízo).

2 Se o hóspede for transeunte, ajudai-o quanto possível. Não permaneça convosco senão dois ou, se for necessário, três dias.

3 Se quiser estabelecer-se convosco, tendo uma profissão, então trabalhe para o seu sustento.

4 Mas, se ele não tiver profissão, procedei conforme vosso juízo, de modo a não deixar nenhum cristão ocioso entre vós.

5 Se não quiser conformar-se com isto, é alguém que quer fazer negócios com o cristianismo. Acautelai-vos contra tal gente.


Capítulo XIII

1 Todo verdadeiro profeta que quer estabelecer-se entre vós é digno de seu alimento.

2 Do mesmo modo, também o verdadeiro mestre, como o operário, é digno de seu alimento.

3 Por isso, tomarás as primícias de todos os produtos da vindima e da eira, dos bois e das ovelhas e darás aos profetas, pois estes são os vossos grandes sacerdotes.

4 Se vós, porém, não tiverdes profeta, dai-o aos pobres.

5 Se tu fizeres pão, toma as primícias e dá-as conforme manda a lei.

6 Do mesmo modo, abrindo uma bilha de vinho ou de óleo, toma as primícias e dá-as aos profetas.

7 E toma as primícias do dinheiro, das vestes e de todas as posses e, segundo o teu juízo, dá-as conforme a lei.


Capítulo XIV

1 Reuni-vos no dia do Senhor (Domingo) para a Fração do Pão e agradecei (celebrai a Eucaristia), depois de haverdes confessado vossos pecados, para que vosso sacrifício seja puro.

2 Mas todo aquele que vive em discórdia com o outro, não se junte a vós antes de se ter se reconciliado, a fim de que vosso Sacrifício não seja profanado [Cf Mt 5,23-25].

3 Com efeito, deste Sacrifício disse o Senhor: "Em todo o lugar e em todo o tempo se me oferece um Sacrifício puro, porque sou o Grande Rei – diz o Senhor – e o meu Nome é admirável entre todos os povos" [Cf Mal 1,11-14].


Capítulo XV

1 Escolhei-vos, pois, bispos e diáconos dignos do Senhor, homens dóceis, desprendidos (altruístas), verazes e firmes, pois eles também exercerão entre vós a Liturgia dos profetas e doutores (mestres).

2 Não os desprezeis, porque eles são da mesma dignidade entre vós como os profetas e doutores.

3 Repreendei-vos mutuamente uns aos outros, não com ódio, mas na paz, como tendes no Evangelho. E ninguém fale com aquele que ofendeu o outro (próximo), nem o escute até que ele se tenha arrependido.

4 Fazei vossas preces, esmolas e todas as vossas ações como vós tendes no Evangelho de Nosso Senhor.


O Fim dos tempos

Capítulo XVI

1 Vigiai sobre vossa vida. Não deixeis apagar vossas lâmpadas nem solteis o cinto de vossos rins, mas estai preparados, pois não sabeis a hora na qual Nosso Senhor vem [Cf Mt 24,41-44; 25,13; Lc 13,35].

2 Reuni-vos frequentemente para procurar a salvação de vossas almas, pois todo o tempo de vossa fé não vos servirá de nada se no último momento não vos tiverdes tornado perfeitos.

3 Com efeito, nos últimos dias se multiplicarão os falsos profetas e os corruptores; as ovelhas se transformarão em lobos e o amor em ódio [Cf Mt 24,10-13; 7,15].

4 Com o aumento da iniquidade, os homens se odiarão, se perseguirão e se trairão mutuamente, e então aparecerá o sedutor do mundo como se fosse o filho de Deus. Ele fará milagres e prodígios e a Terra será entregue em suas mãos e ele cometerá crimes tais como jamais se viu desde o começo do mundo [Cf Mt 24,24; 2Tes 2,4-9].

5 Então toda criatura humana passará pela prova de fogo e muitos se escandalizarão e perecerão. Mas aqueles que permanecerem firmes na sua fé serão salvos por Aquele que os outros amaldiçoam [Cf Mt 24,10-13].

6 Aparecerão os sinais da verdade: primeiro o sinal da abertura no céu, depois o sinal do som da trombeta e, em terceiro lugar, a ressurreição dos mortos [Cf Mt 24,31; 1Cor 15-52; 1Tes 4,16].

7 Mas não de todos, segundo a Palavra da Escritura: O Senhor virá e todos os santos com Ele.

8 Então verá o mundo a vinda do Senhor sobre as nuvens do céu [Cf Mt 24,30; 26,64].

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Fonte:

• ALTANER, Berthold & STUIBER, Alfred. Patrologia, São Paulo: Paulinas, 1972, pp. 89/91

• DIDAQUÉ, O Catecismo Dos Primeiros Cristãos Para As Comunidade De Hoje
. São Paulo: Paulus, 1997.
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Sucessão Apostólica – a lista de todos os Papas


EIS AQUI aqui uma das grandes riquezas da Santa Igreja Católica: seus dois milênios de história e parte de sua  riquíssima Tradição estão representados na lista de todos os Sumo Pontífices: todos os Papas que governaram a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, desde Pedro até hoje.

Existem vários documentos que relatam a sequência dos Papas, cujo início consta na Bíblia Sagrada (veja aqui): manuscritos antigos, livros, enciclopédias; há um farto acervo de documentos históricos que comprovam a Sucessão Apostólica; desses, podemos destacar a obra Adversus Haereses ('Contra as heresias') de Santo Irineu de Lião, escrita por volta de 180 dC. Este escrito dá um testemunho da lista dos Papas, desde o primeiro Bispo de Roma, S. Pedro, até o Bispo contemporâneo da época da obra de Santo Irineu, Santo Eleutério, que foi o 12º sucessor do Bispo de Roma. A obra Liber Pontificalis ('Livro Pontifício'), escrita no século VI, apresenta a lista desde S. Pedro até Félix II (526–530). Também os testemunhos patrísticos (primeiros padres da Igreja) confirmam a sucessão apostólica. Todos estes documentos são reconhecidos pela historiografia oficial, e mesmo a Enciclopédia Barsa, no volume 12, página 43, publicou a lista com todos os Papas, desde S. Pedro até S. João Paulo II.

Para aqueles que possam ter dúvidas, é grande o volume dos registros históricos que comprovam que a Igreja de Jesus Cristo continuou nomeando os continuadores de Pedro e dos Apóstolos, como está descrito em detalhes no Didaquê, primeiríssimo manual dos Apóstolos, escrito antes de alguns livros dos livros no Novo Testamento, inclusive o Evangelho Segundo S. João. E como pessoas de fé, é claro que não podemos nos esquecer que no Evangelho segundo S. Mateus (28,19-20) Jesus Cristo garante aos Apóstolos: "Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo".

O mundo, é óbvio, não acabou com a morte de Pedro e os Apóstolos; mas a Igreja precisaria continuar, como o Senhor profetizou, – e Ele com ela, até o fim do mundo. – Por isso tornou-se necessária a ordenação dos sucessores, novas pessoas para dar continuidade à grandiosa missão recebida pela Igreja. Pedro, líder das primeiras comunidades, precisava de um sucessor. E assim foi feito ao longo dos vinte séculos de cristianismo, com o Papa sempre como figura central da Igreja que segue o Caminho, Nosso Senhor Jesus Cristo.

A pesquisa dos escritos dos sacerdotes dos primeiros séculos da era cristã, como os de Inácio de Antioquia, Irineu de Lyon, Justino, Clemente de Roma, Agostinho e inúmeros outros, demonstra que a Igreja fundada por Cristo, da forma como narrada nos Evangelhos, já era uma instituição, que precisou ser organizada e hierarquizada desde o princípio. A Igreja pode ser definida, corretamente, de diversas maneiras, mas ela também é uma instituição, a partir de um conjunto de pessoas com um fim comum: este fim é levar a Mensagem e a Salvação do Senhor à humanidade. Religião é o conjunto organizado de princípios, ideias e orientações que corresponde à doutrina da Igreja.

Assim, o catolicismo (isto é, o cristianismo universal) é constituído de uma doutrina (a Religião) pregada por uma Igreja, que vem sendo perpetuada na Terra, conforme a profecia do Cristo, desde os tempos de Pedro: "Os portais do Inferno não prevalecerão contra ela (...) e eis que estou convosco até o fim do mundo" ((Mt 16, 18; 28,19-20). E aqui na Terra, o comandante deste Corpo, cuja Cabeça é o próprio Deus Filho, é o Papa, assumindo a missão que lhe foi confiada diretamente pelo Senhor: "Bem aventurado és tu, Simão filho de Jonas, (...) pois de agora em diante és a Pedra sobre a qual edifico a minha Igreja. (...) O que ligares na Terra será ligado no Céu, e o que desligares na Terra será desligado no Céu" (Mt 16, 18).

Pedro não viveria eternamente neste mundo, e por isso mesmo precisou ser sucedido por outro Papa. Evidentemente, esses primeiros líderes do cristianismo não foram chamados ainda de "Papas". A palavra papa, – que vem do grego pappas e significa algo como o "pai" espiritual de uma comunidade, – foi, durante vários séculos, usada para designar todos os Bispos do Ocidente: a partir de Gregório VII, no ano 1073, tornou-se de uso exclusivo para o Bispo de Roma, que sempre foi a autoridade máxima da Igreja Católica na Terra.

Uma curiosidade: o Patriarca de Alexandria, autoridade da Igreja Ortodoxa Grega, também mantém o título de "Papa" até hoje. Assim como o costume de chamar de Papa ao Sumo Pontífice, o Bispo de Roma e legítimo sucessor de Pedro, esta se tornou uma tradição que permanece até os nossos dias.

Foram 266 Papas até hoje: a lista de todos os Papas segue abaixo, em ordem cronológica. Nela não estão incluídos os chamados "anti-papas", que foram clérigos eleitos ilegitimamente no decorrer da História: nesses casos houve usurpação do cargo pontifício. A lista está organizada em ordem decrescente, isto é, do último para o primeiro Papa: de Francisco até o Apóstolo Pedro.




2013 - ... - Francisco (Jorge Mario Bergoglio)
2005 - 2013 - Bento XVI (Joseph Ratzinger)
1978 - 2005 - João Paulo II (Karol Woityla)
1978 - 1978 - João Paulo I (Albino Luciani)
1963 - 1978 - Paulo VI (Giovanni Battista Montini)
1958 - 1963 - João XXIII (Angelo Giuseppe Roncalli)

Conc. Vaticano II, a partir do qual surgem dúvidas quanto à legitimidade dos papas subsequentes

1939 - 1958 - Pio XII (Eugenio Pacelli)
1922 - 1939 - Pio XI (Achille Ratti)
1914 - 1922 - Bento XV (Giacomo Marchese della Chiesa)
1903 - 1914 - Pio X (Giuseppe Sarto)
1878 - 1903 - Leão XIII (Giocchino Vincenzo de Pecci)
1846 - 1878 - Pio IX (Giovanni Conte Mastai-Ferretti)
1831 - 1846 - Gregório XVI (Bartolomeo Cappellari)
1829 - 1830 - Pio VIII (Francesco Saverio Castiglioni)
1823 - 1829 - Leão XII (Annibale della Genga)
1800 -1823 - Pio VII (Luigi Barnaba Chiaramonti)
1775 - 1799 - Pio VI (Giovanni Angelo Conte Braschi)

1769 - 1774 - Clemente XIV (Lorenzo Ganganelli)
1758 - 1769 - Clemente XIII (Carlo Rezzonico)
1740 - 1758 - Bento XIV (Prospero Lambertini)
1730 - 1740 - Clemente XII (Lorenzo Corsini)
1724 - 1730 - Bento XIII (Pietro Francesco Orsini)
1721 - 1724 - Inocêncio XIII (Michelangelo Conti)
1700 - 1721 - Clemente XI (Giovanni Francesco Albani)
1691 - 1700 - Inocêncio XII (Antonio Pignatelli)
1689 - 1691 - Alexandre VIII (Pietro Ottoboni)
1676 - 1689 - Inocêncio XI (Benedetto Odescalchi)

1670 - 1676 - Clemente X (Emilio Altieri)
1667 - 1669 - Clemente IX (Giulio Rospigliosi)
1655 - 1667 - Alexandre VII (Fabio Chigi)
1644 - 1655 - Inocêncio X (Giambattista Pamphili)
1623 - 1644 - Urbano VIII (Maffeo Barberini)
1621 - 1623 - Gregório XV (Alessandro Ludovisi)
1605 - 1621 - Paulo V (Camillo Borghesi)
1605 - Leão XI (Alessandro Ottaviano de Medici)
1592 - 1605 - Clemente VIII (Ippolito Aldobrandini)
1591 - Inocêncio IX (Giovanni Antonio Facchinetti)

1590 - 1591 - Gregório XIV (Niccolo Sfondrati)
1590 - Urbano VII (Giambattista Castagna)
1585 - 1590 - Sisto V (Felici Peretti)
1572 - 1585 - Gregório XIII (Ugo Boncompagni)
1566 – 1572 - Pio V (Michele Ghislieri)
1559 - 1565 - Pio IV (Giovanni Angelo de Medici)
1555 - 1559 - Paulo IV (Gianpetro Caraffa)
1555 - Marcelo II (Marcelo Cervini)
1550 - 1555 - Júlio III (Giovanni Maria del Monte)
1534 - 1549 - Paulo III (Alessandro Farnese)

1523 - 1534 - Clemente VII (Giulio de Medici)
1522 - 1523 - Adriano VI (Adriano de Utrecht)
1513 - 1521 - Leão X (Giovani de Medici)
1503 - 1513 - Júlio II (Giuliano della Rovere)
1503 - Pio III (Francesco Todeschini-Piccolomini)
1492 - 1503 - Alexandre VI (Rodrigo de Bórgia
1484 - 1492 - Inocêncio VIII (Giovanni Battista Cibo)
1471 - 1484 - Sisto IV (Francesco della Rovere)
1464 - 1471 - Paulo II (Pietro Barbo)
1458 - 1464 - Pio II (Enea Silvio de Piccolomini)

1455 - 1458 Calisto III (Alfonso de Bórgia)
1447 - 1455 Nicolau V (Tomaso Parentucelli)
1431 - 1447 Eugênio IV (Gabriel Condulmer)
1417 - 1431 Martinho V (Odo Colonna)
1406 - 1417 Gregório XII (Angelo Correr)
1404 - 1406 Inocêncio VII (Cosma de Migliorati)
1389 - 1404 Bonifácio IX (Pietro Tomacelli)
1378 - 1389 Urbano VI (Bartolomeo Prignano)
1370 - 1378 Gregório XI (Pedro Rogerii)
1362 - 1370 Urbano V (Guillaume de Grimoard)

1352 - 1362 - Inocêncio VI (Etienne Aubert)
1342 - 1352 - Clemente VI (Pierre Roger de Beaufort)
1334 - 1342 - Bento XII (Jacques Fournier)
1316 - 1334 - João XXII (Jacques Duèse)
1305 - 1314 - Clemente V (Bertrand de Got)
1303 - 1304 - Bento XI (Nicolau Boccasini)
1294 - 1303 - Bonifácio VIII (Bento Gaetani)
1294 - Celestino V (Pietro del Murrone)
1288 - 1292 - Nicolau IV (Girolamo Masei de Ascoli)
1285 - 1287 - Honório IV (Giacomo Savelli)

1281 - 1285 - Martinho IV (Simão de Brion)
1277 - 1280 - Nicolau III (Giovanni Gaetano Orsini)
1276 - 1277 - João XXI (Pedro Juliani)
1276 - Adriano V (Ottobono Fieschi)
1276 - Inocêncio V (Pedro de Tarantasia)
1271 - 1276 - Gregório X (Teobaldo Visconti)
1265 - 1268 - Clemente IV (Guido Fulcodi)
1261 - 1264 - Urbano IV (Jacques Pantaleon de Troyes)
1254 - 1261 - Alexandre IV (Reinaldo, conde de Segni)
1243 - 1254 - Inocêncio IV (Sinibaldo Fieschi)

1241 - Celestino IV (Gaufredo Castiglione)
1227 - 1241 - Gregório IX (Hugo, conde de Segni)
1216 - 1227 - Honório III (Censio Savelli)
1198 - 1216 - Inocêncio III (Lotário, conde de Segni)
1191 - 1198 - Celestino III (Jacinto Borboni-Orsini)
1187 - 1191 - Clemente III (Paulo Scolari)
1187 - Gregório VIII (Alberto de Morra)
1185 - 1187 - Urbano III (Humberto Crivelli)
1181 - 1185 - Lúcio III (Ubaldo Allucingoli)
1159 - 1180 - Alexandre III (Rolando Bandinelli de Siena)

1154 - 1159 - Adriano IV (Nicolau Breakspeare)
1153 - 1154 - Anastácio IV (Conrado, Bispo de Sabina)
1145 - 1153 - Eugênio III (Bernardo Paganelli de Montemagno)
1144 - 1145 - Lúcio II (Gherardo de Caccianemici)
1143 - 1144 - Celestino II (Guido di Castello)
1130 - 1143 - Inocêncio II (Gregorio de Papareschi)
1124 - 1130 - Honório II (Lamberto dei Fagnani)
1119 - 1124 - Calisto II (Guido de Borgonha, Arcebispo de Viena)
1118 - 1119 - Gelásio II (João de Gaeta)
1099 - 1118 - Pascoal II (Rainério, monge de Cluny)

1088 - 1099 - Urbano II (Odo, Cardeal-Bispo de Óstia)
1086 - 1087 - Vítor III (Desidério, abade de Monte Cassino)
1073 - 1085 - Gregório VII (Hildebrando, monge)
1061 - 1073 - Alexandre II (Anselmo de Baggio)
1059 - 1061 - Nicolau II (Geraldo de Borgonha, Bispo de Florença)
1057 - 1058 - Estevão X (Frederico, abade de Monte Cassino)
1054 - 1057 - Vitor II (Geraldo de Borgonha, Bispo de Florença)
1049 - 1054 - Leão IX (Bruno, conde de Egisheim-Dagsburg)
1048 - Dâmaso II (Poppo, conde de Brixen)
1047 - 1048 - (Teofilato de Túsculo) - 3º Pontificado

1046 - 1047 - Clemente II (Suidgero de Morsleben)
1045 - 1046 - Gregório VI (João Graciano Pierleone)
1045 - Bento IX (Teofilato de Túsculo) - 2º Pontificado
1045 - Silvestre III, romano
1033 - 1045 - Bento IX (Teofilato de Túsculo) - 1º Pontificado
1024 - 1032 - João XIX (conde de Túsculo)
1012 - 1024 - Bento VIII (conde de Túsculo)
1009 - 1012 - Sérgio IV (Pietro Buccaporci)
1003 - 1009 - João XVIII (João Fasano de Roma)
1003 - João XVII (Giovanni Sicco)

999 - 1003 - Silvestre II (Gerberto de Aurillac)
996 - 999 - Gregório V (Bruno de Carínthia)
985 - 996 - João XV
983 - 984 - João XIV (Pedro Canipanova)
974 – 983 - Bento VII
972 – 974 - Bento VI
965 - 972 - João XIII (João de Nardi)
964 - Bento V
963 - 965 - Leão VIII
955 - 964 - João XII

946 - 955 - Agapito II
942 - 946 - Marino II (ou Martinho III)
939 - 942 - Estevão IX
936 - 939 - Leão VII
931 - 935 - João XI
928 - 931 - Estevão VIII
928 - Leão VI
914 - 928 - João X (João de Tossignano, Arcebispo de Ravena)
913 - 914 - Lando
911 - 913 - Anastácio III

904 - 911 - Sérgio III
903 - Leão V
900 - 903 - Bento IV
898 - 900 - João IX
897 - Teodoro II
897 - Romano
896 - 897 - Estevão VII
896 - Bonifácio VI
891 - 896 - Formoso
885 - 891 - Estevão VI

884 - 885 - Adriano III
882 - 884 - Marino I (ou Martinho II)
872 - 882 - João VIII
867 - 872 - Adriano II
858 - 867 - Nicolau I
855 - 858 - Bento III
847 - 855 - Leão IV
844 - 847 - Sérgio II
827 - 844 - Gregório IV
827 - Valentim

824 - 827 - Eugênio II
817 – 824 - Pascoal I
816 – 817 - Estevão V
795 – 816 - Leão III
772 – 795 - Adriano I
768 – 772 - Estevão IV
757 – 767 - Paulo I
752 – 757 - Estevão III
752 - Estevão [II] (pontificado de apenas 4 dias)
741 – 752 - Zacarias

731 – 741 - Gregório III
715 – 731 - Gregório II
708 – 715 - Constantino
708 - Sisínio
705 – 707 - João VII
701 – 705 - João VI
687 – 701 - Sérgio I
686 – 687 - Cônon
685 – 686 - João V
683 – 685 - Bento II

682 – 683 - Leão II
678 – 681 - Agatão
676 – 678 - Dono
672 – 676 - Adeodato II (ou Deusdedite II)
657 – 672 - Vitaliano
654 – 657 - Eugênio I
649 – 655 - Martinho I
642 – 649 - Teodoro I
640 – 642 - João IV
638 – 640 - Severino

625 – 638 - Honório I
619 – 625 - Bonifácio V
615 – 618 - Adeodato I (ou Deusdedite I)
608 – 615 - Bonifácio IV
606 – 607 - Bonifácio III
604 – 606 - Sabiniano
590 – 604 - Gregório I Magno
579 – 590 - Pelágio II
575 – 579 - Bento I
561 – 574 - João III

556 – 561 - Pelágio I
537 – 555 - Vigílio
536 – 537 - Silvério
535 – 536 - Agapito I (ou Agapeto)
533 – 535 - João II
530 – 532 - Bonifácio II
526 – 530 - Félix III
523 – 526 - João I
514 – 523 - Hormisdas
498 – 514 - Símaco

496 - 498 - Anastácio II
492 - 496 - Gelásio I
483 - 492 - Félix II
468 - 483 - Simplício
461 - 468 - Hilário (ou Hilaro)
440 - 461 - Leão I Magno
432 - 440 - Sisto III
422 - 432 - Celestino I
418 - 422 - Bonifácio I
417 - 418 - Zózimo

40. 402 - 417 - Inocêncio I
39. 399 - 402 - Anastácio I
38. 384 - 399 - Sirício
37. 366 - 384 - Dâmaso I
36. 352 - 366 - Libério
35. 337 - 352 - Júlio I
34. 336 - Marcos
33. 314 - 335 - Silvestre I
32. 310 - 314 - Melcíades
31. 309 - 310 - Eusébio

30. 307 - 309 - Marcelo I
29. 296 - 304 - Marcelino
28. 282 - 296 - Caio
27. 274 - 282 - Eutiquiano
26. 268 - 274 - Félix I
25. 260 - 268 - Dionísio
24. 257 - 258 - Sisto II
23. 254 - 257 - Estevão I
22. 253 - 254 - Lúcio I
21. 251 - 253 - Cornélio

20. 236 - 250 - Fabiano
19. 235 - 236 - Antero
18. 230 - 235 - Ponciano
17. 222 - 230 - Urbano I
16. 217 - 222 - Calisto I
15. 199 - 217 - Zeferino
14. 189 - 199 - Vítor I
13. 174 - 189 - Eleutério
12. 166 - 174 - Sotero
11. 154 - 165 - Aniceto

10. 143 - 154 - Pio I
9. 138 - 142 - Higino
8. 125 - 138 - Telésforo
7. 116 - 125 - Sisto I
6. 107 - 116 - Alexandre I
5. 101 - 107 - Evaristo
4. 90 - 101 - Clemente I
3. 79 - 90 - Anacleto (ou Cleto)
2. 64 - 79 - Lino
1. 33-64 - Pedro Apóstolo


___________
Fontes e referência bibliográfica:
• HACKMANN, Geraldo Luiz Borges. A Amada Igreja de Jesus Cristo - Manual de Eclesiologia como Comunhão Orgânica, Porto Alegre: PUC-RS, 2003.

• BATTISTINI, Frei. A Igreja do Deus Vivo - Curso Bíblico Popular Sobre a Verdadeira Igreja. São Paulo: Vozes, 2010.
ofielcatolico.com.br

Bono Vox, do U2: "O capitalismo tira mais pessoas da pobreza do que doações!"


O PROF. GEORGE AYITTEY (foto), pesquisador do Independent Institute, conheceu há alguns anos o astro do rock irlandês Bono Vox, da banda U2, durante uma conferência TED. E lembra-se bem da conversa que tiveram, e da impressão que as ideias do artista lhe causaram.

O Prof. Ayittey estava discursando e, ao saber que Bono estava na plateia, disse: “Fiz um esforço especial para demolir a instituição da ajuda externa"… Conta ele: "Mais tarde, Bono disse que havia gostado do meu discurso, mas não concordava comigo que a ajuda externa não é eficaz para acabar com a pobreza. Então, dei-lhe um exemplar do meu [brilhante] livro "Africa Unchained: The Blueprint for  Africa's Future” ('África Desacorrentada: Plano para o Futuro').


Bono com o livro e seu autor, à sua esquerda

Bono Vox (o nome de batismo é Paul David Hewson) é vocalista de uma das bandas de rock mais bem sucedidas da história, e se tornou um grande defensor da expansão da ajuda externa dos EUA e de outros programas do governo (como o cancelamento da dívida) para aliviar a situação de sofrimento no mundo, seja relacionado às epidemias de AIDS e malária e à pobreza extrema, entre outras questões.

Bono foi ainda co-fundador e Diretor Executivo da empresa de capital de risco Elevation Partners, e tornou-se um dos músicos mais ricos do mundo (talvez o mais rico) depois de investir no lançamento das ações do Facebook, o que rendeu mais de US$ 1,5 bilhão(!) para a empresa.



Bono também é declaradamente cristão (veja aqui, aqui e aqui), filho de pai católico e mãe protestante. Seu encontro com São João Paulo II tornou-se famoso, quando o Papa fez questão de experimentar os célebres óculos personalizados do "cheio de estilo" Bono Vox (foto). O músico declarou ainda em seu livro "Bono on Bono" (p. 201): "Quanto mais velho eu fico, mais encontro conforto no catolicismo romano".

Admirador da obra de C. S. Lewis1, Bono usou trechos de sua obra "The Screwtape Letters" ('As Cartas do Inferno'), no vídeo para a música "Hold Me, Thrill Me, Kiss Me, Kill Me", tema do filme "Batman Forever". Recentemente, ele deu a entender em uma entrevista a Jim Daly, na "Focus on the Family", que Lewis poderá inspirar também o próximo álbum do U2. Segue:

Bono: É muito chato seguir esta Pessoa de Cristo em todo lugar (rindo), porque Ele exige muito da sua vida.

Daly: É muito difícil...

Bono: E é impossível tentar manter-se à altura.

Daly: Na verdade, Bono, C. S. Lewis tem uma citação que eu adoro: “Quando um homem está ficando melhor, ele compreende cada vez mais claramente o mal que restou nele. Quando um homem está ficando pior, ele entende a sua própria maldade cada vez menos”. Isso é forte, não é?

Bono: Sim, pode até ser que isso venha a ser o próximo álbum do U2, mas não vou dar crédito nenhum a ele nem a você (risos).

+ + +

Recentemente, baseando-se em sua fé cristã (e possivelmente sob a influência econômica do Professor Ayittey?), em um discurso na Universidade de Georgetown, Bono mudou seu ponto de vista econômico e político e declarou que só o capitalismo pode acabar com a pobreza (reconhecendo que, dentre os sistemas político/econômicos de que o ser humano dispõe, o melhor ou no mínimo o 'menos pior' ainda é o capitalismo).

“A ajuda assistencial é apenas um paliativo”, disse o artista. – “O comércio e o capitalismo empreendedor tiram mais pessoas da pobreza do que a mera ajuda. Precisamos que a África se torne uma potência econômica".

Bravo! Um expoente do pop, um ícone da música, um artista  reconhecido e "antenado" com o mundo finalmente percebeu o óbvio! Bono encorajou os alunos de Georgetown a pensar no que podem fazer para apoiar efetivamente as pessoas na África e em outros países em desenvolvimento (como o Brasil) que têm necessidade de justiça e conforto. E refez a velha questão usando de outras palavras: o que ajuda mais? Dar um peixe ou ensinar a pescar? O que leva mais dignidade ao ser humano em situação de miséria? Capacitá-lo, dar-lhe condições para que se erga, torne-se produtivo e construtor de sua própria história, ou mantê-lo cativo de verdadeiras esmolas estatais, na forma de doações governamentais que, além de tudo, lhe tornam refém de determinados partidos políticos?

Em sua fala, Bono comparou o esforço pelo crescimento, seja temporal ou espiritual, ao comprometimento de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, em servir aos outros. – “Isso é o que estou esperando que aconteça aqui em Georgetown com vocês”, disse ele.  – "Porque quando você aceita, de fato, que as crianças em algum lugar distante da aldeia global têm o mesmo valor que você aos olhos de Deus, ou até mesmo apenas aos seus olhos, então a sua vida muda para sempre, você vê algo que não poderá mais deixar de ver".

C. S. Lewis compreendeu bem a falácia e mesmo o mal do estatismo ao abordar as dores e o sofrimento de nosso mundo, e que o paternalismo estatal não é capaz de sanar o mal da pobreza, ao contrário: acaba por perpetuá-la. Congratulamo-nos com a nova percepção de Bono Vox sobre o assunto. O trabalho marcante do Professor Ayittey também pode ser encontrado no livro "Making Poor Nations Rich: Entrepreneurship and the Process of Economic Development" ('Tornando Ricos os Países Pobres: o Empreendimento e o Processo do Desenvolvimento Econômico'], do Independent Institute, editado por Benjamin Powell.

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1. Pensador cristão de forte influência no século passado. Apesar de não ter abraçado o catolicismo, Lewis paradoxalmente tem sido responsável por um grande número de conversões de protestantes ao catolicismo, em especial de pentecostais, devido ao praticamente perfeito alinhamento de suas ideias com a doutrina católica. Sheldon Vanauken compara Lewis com Moisés: conduziu o povo à terra prometida sem que ele próprio entrasse nela. Segundo Christopher Derrick, seu grande amigo e discípulo, os leitores de Lewis, seguindo suas percepções e princípios teológicos, são muitas vezes capazes de perceber algo que o próprio autor, em razão de problemas de natureza psicológica não enxergou por si mesmo.

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• Ref.: este post contém trechos do artigo "
Bono: o capitalismo tira mais pessoas da pobreza do que as doações", do website do Instituto Liberal, disponível em:
institutoliberal.org.br/blog/bono-o-capitalismo-tira-mais-pessoas-da-pobreza-do-que-as-doacoes/
Acesso: 29/4/014.

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Católica e protestante: por que existem Bíblias diferentes?

O ESTUDO QUE ORA apresentamos vem sendo solicitado desde o início deste nosso trabalho: traz respostas para perguntas que, de tempos em tempos, sempre nos fazem, e que já foram dadas em outras páginas católicas competentes, mas que faltavam aqui. Procuramos condensar e aprofundar estas respostas. Que sejam úteis a todos aqueles que, de boa vontade, procuram a Verdade.


Qual a diferença entre a Bíblia católica e a protestante?

A diferença entre a Bíblia católica e a protestante está no Antigo Testamento (AT). O Novo Testamento (NT), que constitui o eixo e o cumprimento de toda a fé cristã, é exatamente igual, tanto para católicos quanto para protestantes, contendo os mesmos 27 livros, que vão do Evangelho de Mateus até o Livro do Apocalipse. – A diferença, então, está no cânon dos livros do AT. Em outras palavras, a diferença está na lista dos livros que compõem o AT: para os católicos, são 46 livros; na Bíblia protestante, são 39, sendo que faltam os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, Carta de Jeremias e os livros dos Macabeus, além de partes de Daniel e Ester. Estes livros são os chamados "deuterocanônicos", e veremos o que isso significa mais adiante. Veja a lista completa dos livros da Bíblia católica neste link.

A diferença vem de longe e tem uma longa história. Como foi acontecer, quando e por quê? É o que veremos a seguir.


Qual a origem da diferença? O começo da história...

O povo católico, ao longo do tempo, sempre observou a orientação do Magistério da Igreja, isto é, a orientação dos Apóstolos escolhidos diretamente por Jesus e seus sucessores, que dão testemunho de que o Evangelho transmitido e a fé confessada são os mesmos ensinados pelo Cristo. Somente no século XVI é que surgiu o grupo denominado protestante, que renegou a autoridade do Magistério da Igreja. Esse grupo acreditava, entre outras coisas, que a Igreja Católica havia se corrompido e que eles deveriam retomar os costumes da "igreja primitiva"; – evidentemente, conforme eles imaginavam que seriam esses costumes.

Nesse processo, os protestantes acabaram descobrindo que os judeus tinham uma lista diferente de livros sagrados. Depois de Lutero, o pai do protestantismo, sobreveio um período de intensas disputas, de uma rivalidade que crescia, e tudo servia como pretexto para aprofundar ainda mais o abismo da separação entre os que confessavam a fé em Jesus Cristo. Era uma questão de tempo até que os protestantes deduzissem que a "terrível" Igreja Católica tinha acrescentado livros à Bíblia.

Muitos pensam que foi Lutero quem retirou os sete livros da Bíblia cristã, o que é um engano bem primário. Na realidade, a mudança foi um processo lento, e foi somente no século XIX que os protestantes decidiram abolir de vez os sete livros chamados deuterocanônicos de sua lista.

O AT foi escrito originalmente em hebraico e aramaico: seus livros compõem a Bíblia judaica, chamada Mikrá ou, mais popularmente, Tanakh. Esta é constituída dos livros da Lei (Torá ou Chumash, os cinco primeiro livros da Bíblia cristã, o Pentateuco), os livros dos Profetas (Neviim) e os livros chamados Escritos (Ketuvim). Interessante notar que o processo de canonização desses livros, pelos judeus, também foi muito lento. Primeiro foram canonizados os livros da Torá, depois os dos Profetas e, somente muito tempo depois os dos Escritos. Para que se tenha uma ideia, na época de Jesus o cânon (a lista 'oficial') da Bíblia judaica ainda não estava fechado: os judeus contemporâneos de Jesus ainda debatiam sobre quais seriam os verdadeiros livros sagrados(!). Os saduceus, por exemplo, só aceitavam os livros da Torá; os fariseus aceitavam também os Profetas e os Escritos, mas não totalmente, entendendo que a inspiração dos Escritos ainda não estava concluída.

Nosso Senhor Jesus Cristo deu a ordem que todo cristão conhece bem: os Apóstolos deveriam ir pelo mundo a evangelizar todos os povos. Ocorre que a língua mais falada no mundo daquela época era o grego. Logo, os Apóstolos começaram a pregar o Evangelho em grego, e passaram a utilizar a tradução das Escrituras denominada Septuaginta ou Tradução dos Setenta, que havia sido elaborada em Alexandria antes do tempo de Cristo (no séc. III aC).

A Septuaginta contém os sete livros que permanecem até hoje na Bíblia Sagrada católica, e todo biblista competente (inclusive muitos conhecidos doutores protestantes) é capaz de perceber que, em diversas citações que o NT faz do AT, a tradução utilizada é a da Septuaginta. Esse era, portanto, o conjunto dos livros sagrados utilizado pelos Apóstolos. A Igreja Católica, como única Igreja que procede diretamente de Jesus Cristo e dos Apóstolos, adotou essa mesma versão da Bíblia, e não haveria como ser diferente.

Ocorre que nos primeiros tempos da Igreja, quando os judeus perceberam que os Apóstolos pregavam o Evangelho, expulsaram-nos das sinagogas. Esse fato contribuiu para que os judeus fechassem de uma vez o cânon dos seus livros sagrados, rejeitando tudo o que era cristão. Assim, no final do século I, decidiram pela exclusão definitiva dos sete livros que constavam da Septuaginta.

Resumindo a história, portanto, vemos que o AT da Bíblia católica, com a lista completa, da Septuaginta, foi adotado e canonizado pelos Apóstolos de Cristo e seus sucessores, desde o início da Igreja; o AT da Bíblia protestante foi canonizado pelos rabinos judeus, cerca de um século depois de Cristo.

Antes e além de qualquer debate, a mais simples realidade dos fatos é esta: os protestantes, ao aceitarem o cânon da Bíblia judaica, estão aceitando a autoridade dos rabinos judeus depois de Cristo, e negando a autoridade dos Apóstolos, a quem o próprio Cristo deu autoridade sobre a Igreja.

Lembramos, por fim, que os 27 livros do NT, que os protestantes aceitam e adotam normalmente, foram definidos e canonizados pela mesma Igreja Católica que definiu e canonizou os livros do AT. Aceitam, portanto, a autoridade da Igreja para definir os livros do NT, mas não a aceitam quanto à definição dos 46 livros do AT.



Informações muito importantes

Até o terceiro século de nossa era, o cânon do NT não estava ainda definido. Haviam muitas listas de livros, entre canônicos e apócrifos (não autênticos/não inspirados). E havia muita discussão sobre quais livros deveriam integrar as Sagradas Escrituras. Assim, vemos facilmente que não há fundamento algum na  "espinha dorsal" da doutrina protestante da sola Scriptura, que afirma que "a Bíblia é a única regra de fé e prática do cristão", simplesmente porque a Igreja, nos seus primeiros quatrocentos anos (no mínimo), simplesmente não tinha a Bíblia que nós temos hoje para observar, sendo sua principal regra de fé e prática a condução do Magistério da Igreja e a observância da Tradição dos Apóstolos.

Dentro dessa realidade histórica, devemos compreender bem: a Bíblia é a Tradição dos Apóstolos por escrito, e é nesse sentido que se constitui num dos fundamentos da fé cristã, ao mesmo tempo em que depende da Igreja para ser corretamente compreendida. Como diz sempre meu colega e irmão em Cristo Lucas Henrique (Firmat Fides): "Ler as Escrituras sim, em sintonia com o pensamento do sujeito que a confeccionou: a Igreja Católica", inspirada pelo Espírito Santo.

O primeiro documento da Igreja que fez referência ao cânon da Bíblia Católica atual (46 livros do AT e 27 livros do NT) foi o do Concílio de Hipona, da época de Santo Agostinho (354-430). O Decretum Damasi, publicado no ano 382, diz: "Agora tratemos das Escrituras divinas, do que a Igreja Católica universal deve acolher e o que deve evitar". E o Catecismo da Igreja Católica (§120) atesta:

Foi a Tradição apostólica que fez a Igreja discernir quais escritos deveriam ser enumerados na lista dos Livros Sagrados. Esta lista completa é denominada 'cânon' das Escrituras". Como disse Santo Agostinho: "Ego vero Evangelio nos crederem, nisi me catholicae Ecclesiae commoveret auctoritas" – "Eu não creria no Evangelho, se a isto não me levasse a autoridade da Igreja Católica."


Por que "Deuterocanônicos"?

Em cerca de 300 ou 400 anos antes do nascimento de Jesus, muita gente imigrou da Palestina para o Egito. A primeira geração desses imigrantes falava o hebraico e o aramaico, que são línguas semelhantes. Seus filhos, porém, começaram a falar o idioma usado na terra em que viviam, e os seus netos já não entendiam mais a língua dos seus antepassados. – Algo muito parecido como o que vemos acontecer hoje com os netos de imigrantes italianos, por exemplo, que chegaram à cidade de São Paulo em inícios do séc. 20, que hoje já não falam mais a língua de seus avós.

Então sentiram a necessidade de uma tradução das Escrituras. Essa tradução foi feita aos poucos, e foi muito demorada: começou em torno do ano 250 antes de Cristo e levou quase 100 anos até ficar pronta. Foi assim que se formaram duas versões da Bíblia: uma em língua hebraica, para os judeus da Palestina, e outra em língua grega, para os judeus que viviam no Egito. Durante esse tempo, os judeus do Egito escreveram mais alguns livros em grego, e por isso a Bíblia deles ficou maior. – Num certo momento, os judeus da Palestina confrontaram as duas Bíblias e fizeram uma lista dos livros que para eles eram sagrados. Deixaram fora da lista os livros que os judeus do Egito haviam escrito, em grego. Os do Egito souberam disso, mas continuaram usando sua lista maior.

Também os cristãos adotaram a Bíblia (AT) que segue a lista dos judeus do Egito, que se espalhou por todo o mundo desde aquele tempo, pois a língua mais falada era o grego. – Por volta do ano 400 dC, o Papa Dâmaso pediu a S. Jerônimo que traduzisse a Bíblia para o latim, pois naquele tempo era a língua mais usada, e era preciso uma nova tradução que todos pudessem entender. S. Jerônimo concordou, mas não conhecia hebraico. Procurou um velho rabino judeu de Belém para ter aulas, e os dois acabaram se tornando muito amigos. Trocaram ideias sobre a Bíblia, e Jerônimo parece ter sido influenciado pelo rabino quanto às ideias dos judeus ortodoxos.

Jerônimo então denominou os 7 livros que não constavam da Bíblia hebraica como “deuterocanônicos”: deutero significa segundo; cânon significa lista. Até hoje a Igreja define com esse termo esses livros, porque foram escritos numa segunda fase da história sagrada do AT.

Durante o Concílio Ecumênico de Florença, no ano de 1439, os bispos se pronunciaram oficialmente e atestaram por documento oficial que a Igreja Católica reconhece como Escritura Sagrada todos os livros da lista usada pelos Apóstolos e adotados pela Igreja primitiva: a versão completa que temos hoje, com 46 livros do AT e 27 do NT.

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Fontes e referência:

• Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Jr., em
http://padrepauloricardo.org/episodios/qual-e-a-diferenca-entre-a-biblia-catolica-e-a-biblia-protestante
Acesso 12/8/013 (Contém trechos do artigo do site).
• Pe. Lucas de Paul Almeida, CM (Diocese de Bauru), em
Acesso 12/5/013.
• LIMA, Alessandro Ricardo. O Cânon Bíblico, 
Brasília: DeGarcia, 2007.
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Os Documentos da Igreja e o verdadeiro desenvolvimento da Doutrina

UM LEITOR deste site, que se identifica como Kelson Vieira, enviou-nos a seguinte mensagem:

"Paz e bem!
Deixa eu ver se entendi uma coisa. Sobre os documentos da Igreja (vindos do Vaticano), estes são tão verdadeiros quanto as sagradas escrituras? Do contrario até que ponto são verdadeiros? E sobre escritos dos Doutores da Igreja, o que podemos afirmar?

São perguntas importantes. A Igreja ensina que certas compreensões da Sã Doutrina, que ela guarda e proclama, tornaram-se possíveis através de uma Revelação gradual, dada por Deus através dos tempos. Podemos dizer que esse processo vem desde o tempo do Antigo Testamento, pois Deus se comunica com o seu povo desde antes da Vinda de Cristo.

    Jesus Senhor, único Salvador da humanidade, trouxe e anunciou o Evangelho final e definitivo, mas a compreensão deste mesmo Evangelho se baseia na Revelação que se dá progressivamente no correr da História. Por isso, necessitamos sempre de constante estudo, reflexão, oração, meditação.

    Essa compreensão gradativa da Revelação, no entanto, permanece sempre fiel à Tradição, e é sempre orientada pelo Magistério da Igreja à qual foi confiada a autoridade sobre a Sã Doutrina, diretamente por Nosso Senhor. Aqui é que se encaixam os documentos da Igreja, e onde sua fundamental importância fica evidente.

    Alguns têm certa dificuldade com esta realidade, imaginando que a afirmação de que a doutrina se desenvolve com o passar do tempo é contraditória, se a Igreja Católica também afirma que sua doutrina é idêntica àquela que os Apóstolos já tinham. Existiria aí uma dicotomia?

    A resposta é não. Ocorre que existem duas categorias distintas no desenvolvimento da Doutrina: a propriedade objetiva do que é a mesma doutrina e a compreensão subjetiva desta propriedade objetiva. Uma comparação simples pode facilitar a compreensão: olhemos para os primeiríssimos cristãos: é bem provável que eles não tivessem – ao menos não formalmente –, a formulação do conceito de Trindade para falar de Deus. Todavia encontramos, nas Sagradas Escrituras, inúmeras afirmações que não deixam margem para dúvida de que já se entendia Jesus como Deus, assim como também o Espírito Santo, além de Deus Pai, e do mesmo moco é nítido que as Três Pessoas são Um só Deus. 

    Possivelmente, a evidência máxima nesse sentido esteja no Evangelho segundo S. Mateus, na passagem em que o Cristo manda batizar os conversos em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (28,19). Mesmo assim, não é dito explicitamente, em nenhuma parte das Escrituras, que Deus é Trindade, nem que Deus é Um em Três Pessoas coexistentes. A palavra “Trindade” não se encontra na Bíblia, e o conceito formal da doutrina da Santíssima Trindade não foi formulado nem definido formalmente pelos Apóstolos. Mesmo assim, nós sabemos muito bem que eles confessavam Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Logo, a Doutrina da Santíssima Trindade já estava presente na Revelação trazida por Nosso Senhor Jesus Cristo desde sempre, mas foi desenvolvida no correr dos tempos, por filhos eminentes da Igreja. Ela não foi “inventada” por um teólogo, pensador ou doutor, apenas compreendida e desenvolvida. Desenvolver a Doutrina é perscrutá-la, dissecá-la, observá-la para notar suas nuances, e transmiti-las aos irmãos de fé, os outros membros do Corpo do Senhor, que é a Igreja.

    Isso significa que os conceitos por trás das declarações dogmáticas que surgiram depois do período apostólico já eram essencialmente possuídos pelos Apóstolos, embora, em alguns casos, não formulados por eles. Eles conheciam e confessavam estas verdades, embora de modo elementar, ainda não formal. Em outras palavras – outro exemplo – os termos e sentenças dogmáticas que descrevem a Consubstanciação de Cristo ao Pai como “Homoousios” (uma só Substância) não foram explicitamente definidos pelos Apóstolos, mas o conceito por trás da verdade objetiva lhes foi dado “de uma vez por todas” por Cristo, ainda que esses conteúdos talvez não fossem possuídos conscientemente por eles, ao menos no formato dogmático com que o Concílio de Niceia os professou.

    Assim, o desenvolvimento da Doutrina acontece pelo conhecimento cada vez mais claro de certos pontos da Revelação, que entretanto sempre foram os mesmos e sempre afirmaram a mesma verdade objetivamente, seja no século I ou no século XXI. Todavia é fundamental entender que o aperfeiçoamento de nossa compreensão da Doutrina não, pode, de modo algum e em nenhum tempo, nos levar à contradição com o que já foi dito e definido: assim, nenhum Papa pode contrariar o que outro tenha ensinado sobre a moral e a doutrina. Se a Igreja definiu que só há uma religião verdadeira e que fora desta ninguém se salva, ninguém, nem a máxima autoridade eclesiástica, poderá ensinar o contrário, e se o fizer, é anátema, quer dizer ex-communio, fora da comunidade dos cristãos, está excomungado, não faz mais parte do Corpo Místico que é a Igreja. Plenamente conscientes dessa realidade, os Apóstolos, inspirados pelo Espírito Santo, advertiram-nos solenemente nas páginas das Sagradas Escrituras:

Ainda que nós mesmos [ainda que seja uma máxima autoridade da própria Igreja, portanto] ou um Anjo do Céu [nenhuma revelação particular, ainda que acompanhada por grandes prodígios e aparentes milagres] vos ensine um evangelho diferente do que já pregamos, seja anátema. (Gl 1,8)


    Uma analogia válida para essa questão, embora imperfeita, é a dos estudos da ciência oceanográfica: a civilização humana conhece há muitas gerações, por exemplo, o Oceano Atlântico. Ainda assim, o nosso conhecimento do Oceano Atlântico têm aumentado desde que nossos ancestrais descobriram que ele simplesmente existia. O conhecimento gradual do que é o Oceano Atlântico – sua temperatura, movimento, topografia, fauna e f.lora, etc. –, mas isso não modifica a realidade imutável do próprio Oceano, que permanece o mesmo de sempre, como já era desde o começo. Nosso conhecimento subjetivo do Oceano Atlântico é que sofre crescimento. Nossa percepção do Oceano Atlântico, entretanto, mesmo que cresça, nunca poderá nos levar a afirmar que não é oceano, e sim uma montanha.

    Partindo dessa analogia, vemos a Revelação como é objetivamente. Foi-nos dada de uma vez por todas e é imutável: é o que é. Ainda assim, rezando, meditando, contemplando, estudando e a vivenciando honestamente, vão-se percebendo certas facetas deste precioso diamante, que antes não havíamos notado. Esse crescimento em conhecimento nada adiciona à Revelação no sentido objetivo, mas demonstra que a nossa compreensão a seu respeito se desenvolve subjetivamente.



    A Revelação, imutável e definitiva, é transmitida pela Igreja sob a forma da Tradição: a Sã Doutrina cristã e católica está expressa e resumida no Credo e também nos documentos da Igreja, que ao longo da história cresceu na fé e produziu a Teologia. Dessa maneira foram criadas diversas formas de comunicação dessa compreensão da Revelação, destinadas a toda a Igreja (clero e leigos). Assim é que surgiram os documentos, as diretrizes e as normas baseadas na experiência e na observância da prática cristã e da Doutrina da Igreja. Logo, tudo que até hoje foi publicado válida e oficialmente pela Igreja (documentos) têm grande importância para a compreensão da autêntica Fé cristã.

    Se o Magistério da Igreja extrai da Revelação Divina todo o ensinamento que dá aos fiéis – que se compõe da Tradição oral que veio dos Apóstolos e da Tradição escrita, e se é sobre essa Tradição (escrita e oral, com igual importância nas duas formas), que o Magistério assenta seus ensinamentos infalíveis –, podemos dizer que sim, os documentos da Igreja são tão verdadeiros quanto a Sagrada Escritura. E como sabemos, sem a Revelação oral, que chegou até nós por meio da Sagrada Tradição, a Bíblia não existiria, já que ela foi redigida, canonizada e preservada pela mesma Igreja através dos séculos. As Sagradas Escrituras, portanto, são a Sagrada Tradição da Igreja por escrito.




Documentos oficiais da Igreja, tipos e classificação

Muitos se preocupam em saber qual o peso, a autoridade e/ou a importância de cada tipo de documento da Igreja e, nesses tempos de crise, isso se dá especialmente porque desejam saber se lhe devem obediência obrigatória ou não... Qual a autoridade e qual a hierarquia dos documentos pontifícios? Resposta: todos os pronunciamentos do Papa exigem respeito e obediência. Todos os seus documentos são importantes, porém, no geral, uma Bula tem mais peso que uma Encíclica. Todavia, para uma mesma definição o Papa pode usar documentos diferentes; por exemplo, Pio IX definiu o dogma da Imaculada Conceição com a Bula Ineffabilis Deus em 1854, enquanto que Pio XII definiu o dogma da Assunção de Maria pela Carta Apostólica Munificentissimus Deus em 1950. 

    Para resumir essa questão complicada, dizemos que não é preciso que o leigo comum se preocupe tanto com isso, porque basta saber que os documentos que obrigam a obediência precisam ser claros nesse sentido, conforme já explicamos em nosso estudo especial sobre a infalibilidade do Papa (acesse aqui).

    Se um documento é oficial, geralmente aparece na Acta Apostolicae Sedis. Abaixo, a classificação dos documentos pontifícios.

Carta Encíclica:

a) doutrinal,

b) exortatória,

c) disciplinar;

Epístola Encíclica;

Constituição Apostólica e Dogmática;

Exortação Apostólica;

Carta Apostólica;

Bula;

Motu Proprio.
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O exemplo de Santa Gianna Molla


GIANNA BERETTA Molla era filha de Alberto Bereta e Maria de Micheli, ambos da Ordem 3ª Franciscana. O casal tinha onze filhos quando ela nasceu, em Magenta (Milão, Itália), a 4 de outubro de 1922, dia de São Francisco.

A 4 de abril de 1928, com cinco anos, ela fez a Primeira Comunhão. Desde esse dia, mesmo muito pequena, todos os dias acompanhava sua mãe à Santa Missa. Foi crismada dois anos depois, na Catedral de Bérgamo. Durante os anos de estudos e na universidade, enquanto se dedicava aos deveres, praticava a sua fé participando da Ação Católica e na caridade para com os idosos e necessitados, na Conferência de São Vicente de Paulo. Formou-se com louvor em medicina e cirurgia em 1949, e em 1950 abriu seu consultório médico. Entre seus clientes, demonstrava especial cuidado para com as mães, crianças, idosos e pobres.

Especializou-se em pediatria na Universidade de Milão em 1952, mas frequentou a Clínica Obstétrica Mangiagalli: por seu grande amor às crianças e às mães, pretendia unir-se ao seu irmão, Pe. Alberto, médico e missionário no Brasil. Ele, com a ajuda de seu outro irmão engenheiro, Francesco, construíram um hospital na cidade de Grajaú, Estado do Maranhão. Gianna, por sua saúde frágil, foi desaconselhada de ir ao Brasil.

Gianna era uma ardorosa defensora da vida, sobretudo das crianças, nascituras ou já nascidas. Dizia: “O direito à vida da criança é igual ao direito à vida da mãe! O médico não pode decidir. É um pecado matar no seio materno!”...

A quarta e quinta gravidez de Gianna terminaram em aborto espontâneo no segundo mês, sem explicação aparente. Em 1961, ela se viu grávida pela sexta vez. Como médica, sabia muito bem as complicações e os riscos da nova gravidez. Mas isso de modo algum diminuiu o amor pelo novo filho, amado e desejado como os outros.

Mas um enorme tumor tomara conta de seu útero. Seria necessário extirpá-lo. A cirurgia proposta para o caso era a histerectomia, ou seja, a remoção do útero. O objetivo não era matar a criança, mas retirar o órgão canceroso, onde, por acaso, estava a criança. A cirurgia seria necessária mesmo que Gianna não estivesse grávida, e a morte da criança seria um segundo efeito da cirurgia. Fazer a operação, neste caso, não seria um pecado. Mas Gianna, livre e heroicamente, recusou-se. Dizia ela: “A mãe dá a vida pelo filho!”.

Depois de grandes sofrimentos, no dia 21 de abril de 1962, o cirurgião fez uma cesariana e retirou do ventre de Gianna uma linda criança de quatro quilos e meio: uma menina! Seu pai lhe daria no Batismo o nome de Gianna Emanuela. “Gianna” em homenagem à mãe; “Emanuela” que quer dizer “Deus conosco”, para louvar a Presença de Deus entre os homens. Gianna tanto desejara aquela criança... Mas agora tinha que deixá-la. Essa grande mãe sabia que não poderia desfrutar da presença de Emanuela. Revelou Gianna a sua irmã missionária, que acabara de chegar da longínqua Índia, Ir. Madre Virgínia: “Finalmente estás aqui! Se soubesses, Ginia, quanto se sofre por ter de morrer quando se deixam os meninos todos pequeninos...”.

Em 25 de abril, Gianna fez a seguinte confidência a seu esposo: “Agora estou curada. Pietro, eu estava já no Além, e se soubesses o que eu vi... Um dia te direi. Mas como éramos demasiado felizes, estávamos muito bem, com nossos meninos maravilhosos, cheios de saúde e de graça e com todas as bênçãos do Céu, mandaram-me cá para baixo, para sofrer ainda, porque não é justo apresentarmo-nos ao Senhor sem sofrimentos”.

Disse Pietro depois: “Desde aquele momento, estou certo, Gianna nunca cessou, nos seus sofrimentos, nas suas agonias, a sua Comunhão com o Senhor e a sua comunicação com o Céu. Ela já não desejava que eu a acariciasse e beijasse: já pertencia ao Céu”.


Gianna com sua filha Gianna Emmanuela

Morreu Gianna no dia 28 de abril de 1962, uma semana depois de dar à luz sua última filha. Em 1972 foi iniciada a causa de sua beatificação. Em 1992, o Bem-aventurado Papa João Paulo II reconheceu um milagre acontecido com a brasileira Lúcia Silva Cirilo (Maranhão) por intercessão de Gianna. Em 24 de abril de 1994, o Papa declarou Gianna bem-aventurada. No dia 4 de outubro de 1997, no II Encontro Mundial do Papa com as famílias, Gianna Emmanuela Molla (foto abaixo), que hoje é médica como a mãe, estava no Rio de Janeiro, no estádio do Maracanã, na presença do Santo Padre e de 200.000 pessoas. Elevou uma oração à sua bem-aventurada mãe, agradecendo por ter-lhe dado a vida duas vezes: pela geração e pelo martírio. Um momento emocionante e inesquecível.

Santa Gianna Molla foi canonizada em 16 de Maio de 2004.

Gianna Emanuela em 1997, ao lado de Fr. Thomas Rosica

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Fonte bibliográfica:

ESTAÚN, Pedro. Personajes y virtudes, Madri: Ediciones Rialp, 2011, pp. 41-48;
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Apelo em defesa da Sagrada Eucaristia


TEMOS VISTO visto multiplicarem-se os relatos de pessoas que comparecem à Missa, colocam-se na fila da Comunhão e, ao invés de receber a Eucaristia, pegam a Hóstia Consagrada e a guardam na bolsa ou no bolso, retirando-se em seguida. Possivelmente levam-nas para usar em rituais de quimbanda, cultos satânicos ou de magia negra. Segundo depoimento do Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Jr. (Arquidiocese de Cuiabá), chegam a profanar a Hóstia Sagrada até em sessões de sexo grupal de rituais satânicos, conforme o referido sacerdote ouviu de uma jovem em confissão!

Pedimos a todos os nossos irmãos católicos que, ao verem alguém furtando hóstias na hora da Santa Missa, impeçam essa pessoa! Com tanto respeito e delicadeza quanto for possível, mas com firmeza, vamos impedir que o Corpo de Nosso Senhor, que se entregou em Sacrifício e sofreu as piores dores e angústias pela nossa salvação, seja corrompido e desrespeitado dessa maneira! Quem vir acontecer tal crime horrendo, tome uma atitude! Não finjamos que não vemos, como tem acontecido! Chega dessa história de católicos passivos e “mornos”. Vamos à luta, porque é preciso!


Está acontecendo no mundo:

• Ato satânico contra Eucaristia teve jovens como autores

• Roubam hóstias consagradas em igreja católica nos Andes do Peru

• França: mais uma igreja profanada

• Blasfêmia na internet

• Missa de desagravo após sacrilégio no qual pisaram e jogaram cerveja sobre a Eucaristia
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