O exemplo de Santa Gianna Molla


GIANNA BERETTA Molla era filha de Alberto Bereta e Maria de Micheli, ambos da Ordem 3ª Franciscana. O casal tinha onze filhos quando ela nasceu, em Magenta (Milão, Itália), a 4 de outubro de 1922, dia de São Francisco.

A 4 de abril de 1928, com cinco anos, ela fez a Primeira Comunhão. Desde esse dia, mesmo muito pequena, todos os dias acompanhava sua mãe à Santa Missa. Foi crismada dois anos depois, na Catedral de Bérgamo. Durante os anos de estudos e na universidade, enquanto se dedicava aos deveres, praticava a sua fé participando da Ação Católica e na caridade para com os idosos e necessitados, na Conferência de São Vicente de Paulo. Formou-se com louvor em medicina e cirurgia em 1949, e em 1950 abriu seu consultório médico. Entre seus clientes, demonstrava especial cuidado para com as mães, crianças, idosos e pobres.

Especializou-se em pediatria na Universidade de Milão em 1952, mas frequentou a Clínica Obstétrica Mangiagalli: por seu grande amor às crianças e às mães, pretendia unir-se ao seu irmão, Pe. Alberto, médico e missionário no Brasil. Ele, com a ajuda de seu outro irmão engenheiro, Francesco, construíram um hospital na cidade de Grajaú, Estado do Maranhão. Gianna, por sua saúde frágil, foi desaconselhada de ir ao Brasil.

Gianna era uma ardorosa defensora da vida, sobretudo das crianças, nascituras ou já nascidas. Dizia: “O direito à vida da criança é igual ao direito à vida da mãe! O médico não pode decidir. É um pecado matar no seio materno!”...

A quarta e quinta gravidez de Gianna terminaram em aborto espontâneo no segundo mês, sem explicação aparente. Em 1961, ela se viu grávida pela sexta vez. Como médica, sabia muito bem as complicações e os riscos da nova gravidez. Mas isso de modo algum diminuiu o amor pelo novo filho, amado e desejado como os outros.

Mas um enorme tumor tomara conta de seu útero. Seria necessário extirpá-lo. A cirurgia proposta para o caso era a histerectomia, ou seja, a remoção do útero. O objetivo não era matar a criança, mas retirar o órgão canceroso, onde, por acaso, estava a criança. A cirurgia seria necessária mesmo que Gianna não estivesse grávida, e a morte da criança seria um segundo efeito da cirurgia. Fazer a operação, neste caso, não seria um pecado. Mas Gianna, livre e heroicamente, recusou-se. Dizia ela: “A mãe dá a vida pelo filho!”.

Depois de grandes sofrimentos, no dia 21 de abril de 1962, o cirurgião fez uma cesariana e retirou do ventre de Gianna uma linda criança de quatro quilos e meio: uma menina! Seu pai lhe daria no Batismo o nome de Gianna Emanuela. “Gianna” em homenagem à mãe; “Emanuela” que quer dizer “Deus conosco”, para louvar a Presença de Deus entre os homens. Gianna tanto desejara aquela criança... Mas agora tinha que deixá-la. Essa grande mãe sabia que não poderia desfrutar da presença de Emanuela. Revelou Gianna a sua irmã missionária, que acabara de chegar da longínqua Índia, Ir. Madre Virgínia: “Finalmente estás aqui! Se soubesses, Ginia, quanto se sofre por ter de morrer quando se deixam os meninos todos pequeninos...”.

Em 25 de abril, Gianna fez a seguinte confidência a seu esposo: “Agora estou curada. Pietro, eu estava já no Além, e se soubesses o que eu vi... Um dia te direi. Mas como éramos demasiado felizes, estávamos muito bem, com nossos meninos maravilhosos, cheios de saúde e de graça e com todas as bênçãos do Céu, mandaram-me cá para baixo, para sofrer ainda, porque não é justo apresentarmo-nos ao Senhor sem sofrimentos”.

Disse Pietro depois: “Desde aquele momento, estou certo, Gianna nunca cessou, nos seus sofrimentos, nas suas agonias, a sua Comunhão com o Senhor e a sua comunicação com o Céu. Ela já não desejava que eu a acariciasse e beijasse: já pertencia ao Céu”.


Gianna com sua filha Gianna Emmanuela

Morreu Gianna no dia 28 de abril de 1962, uma semana depois de dar à luz sua última filha. Em 1972 foi iniciada a causa de sua beatificação. Em 1992, o Bem-aventurado Papa João Paulo II reconheceu um milagre acontecido com a brasileira Lúcia Silva Cirilo (Maranhão) por intercessão de Gianna. Em 24 de abril de 1994, o Papa declarou Gianna bem-aventurada. No dia 4 de outubro de 1997, no II Encontro Mundial do Papa com as famílias, Gianna Emmanuela Molla (foto abaixo), que hoje é médica como a mãe, estava no Rio de Janeiro, no estádio do Maracanã, na presença do Santo Padre e de 200.000 pessoas. Elevou uma oração à sua bem-aventurada mãe, agradecendo por ter-lhe dado a vida duas vezes: pela geração e pelo martírio. Um momento emocionante e inesquecível.

Santa Gianna Molla foi canonizada em 16 de Maio de 2004.

Gianna Emanuela em 1997, ao lado de Fr. Thomas Rosica

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Fonte bibliográfica:

ESTAÚN, Pedro. Personajes y virtudes, Madri: Ediciones Rialp, 2011, pp. 41-48;
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Existe o Purgatório?




A DOUTRINA HERÉTICA chamada Sola Scriptura ('somente a Bíblia', como única regra de fé e prática) é a principal dificuldade para a compreensão da realidade do Purgatório: ocorre que essa palavra específica não se encontra, literalmente, escrita nas páginas da Bíblia.

O problema maior, evidentemente, não está em ter-se a Escritura como regra (nós também a temos), mas sim em tê-la como única e exclusiva regra, principalmente devido às múltiplas interpretações possíveis do Livro sagrado. É perfeitamente possível interpretar qualquer texto – mesmo o Texto inspirado – de maneiras inúmeras, muitas vezes contraditórias entre si, e a prova disso está na diversidade de "igrejas" que incessantemente se multiplicam e disputam pela correta compreensão da Escritura. Nesse triste cenário, a verdade mais óbvia é sempre deixada de lado: a correta interpretação de um texto só pode partir daquele que o produziu e autenticou – no caso da Bíblia Sagrada, a Igreja Católica.

Sobre este assunto, já respondi da seguinte maneira a um colega de classe protestante que se dizia mais livre do que nós, católicos, por supostamente não precisar observar dogmas: "Como poderia ser assim, se o único grande dogma que vocês observam é a sua grande cadeia? O Sola Scriptura é o grande dogma protestante, não há dúvida disto, e você está acorrentado à letra do Livro Sagrado, sendo que esse mesmo Livro diz: 'Vós sois a carta de Cristo escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra (ou em folhas de papel), mas nas tábuas de carne (e nas páginas) do coração (...) o qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo Testamento, não da letra, mas do Espírito; porque a letra mata e o Espírito vivifica!'" (2Cor 3,3.6)...

Controvérsias à parte, o Purgatório é –, sim senhor –, ensinado nas Escrituras, e ensinado claramente, mesmo que não literalmente. Antes de abraçar o ingrato trabalho a que sempre nos obrigam, de demonstrar se "está escrito", ou se "não está escrito", seria interessante analisar a questão de uma maneira um pouco menos simplória.

A existência do Purgatório é uma simples exigência da razão humana – que nos foi dada por Deus e que nos torna humanos, porque sem esta seríamos iguais aos animais irracionais. A existência do Purgatório é também uma prova cabal do Amor que Deus tem por nós. Pare um pouco o leitor e pense: se nós, seres humanos falhos e imperfeitos, tentamos aplicar penas justas aos criminosos, proporcionais à gravidade dos crimes cometidos, e sabemos ser ainda mais misericordiosos quando são nossos filhos que pecam contra nós, quanto mais o Deus de Misericórdia Infinita (Lm 3,22), Deus que é Amor (1Jo 4, 8), não saberia lidar com os pecadores de acordo com as suas culpas?

Imagine um indivíduo que, por sentir fome, furtou um pacote de biscoitos no mercado. Logo depois, ele atravessa uma rua e é atropelado, vindo a falecer. Imagine que este indivíduo tenha aceitado Nosso Senhor Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador, em algum momento, e praticado muitas vezes o bem, durante sua vida.

Bem, tal pessoa pecou contra o sétimo Mandamento da Lei de Deus – "Não roubarás" (Ex 20,15; Dt 5,19; Mt 19,18) – e segundo a compreensão protestante "clássica" (se podemos chamar assim) por cometer pecado está afastado da perfeita Comunhão com o Pai Celestial. E em nosso exemplo morreu sem confessar este pecado. Mas... Será que este  ser humano, feito à imagem e semelhança de Deus – e este filho de Deus – mereceria receber como pena, por ter furtado um pacote de biscoitos para saciar a sua fome, uma pena eterna? Sofrer para todo o sempre num inferno de chamas? Será que esse castigo seria compatível com a perfeita Justiça Divina, proclamada no verso 137 do Salmo 119? E com a Misericórdia infinita de Deus, cantada no Livro das Lamentações (3, 22)?


'Provando biblicamente' a existência do Purgatório

A palavra “Purgatório” não aparece na Bíblia, literalmente. Esse termo foi definido pela Igreja. A mesma Igreja que a própria Bíblia Sagrada declara ser "a coluna e o sustentáculo da Verdade" (1Tm 3,15). Aqui é importante abrir parênteses para lembrar que nós, cristãos católicos, reconhecemos a realidade do Purgatório desde o primeiro século da Era Cristã, isto é, desde antes de o Novo Testamento da Bíblia existir enquanto tal. Mas o conceito do Purgatório, a realidade de um lugar ou estado de purificação das almas, é facilmente encontrado também nas Escrituras, como veremos agora.

Gregório Magno, Papa e Doutor da Igreja, no ano de 593dC já explicava o Purgatório conforme a Bíblia, nas palavras de Cristo:

Aquele que é a Verdade, Jesus, afirma que existe antes do Juízo um fogo purificador, pois Ele disse: ‘Se alguém blasfemar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado nem neste século nem no século futuro’ (Mt 12,32). Vemos então que certas faltas podem ser perdoadas neste mundo (neste século), e outras, num mundo (ou século) futuro. O pecado contra o Espírito não será perdoado neste mundo e nem no mundo futuro. Mostra o Senhor Jesus, então, que há pecados que serão perdoados após a morte.1

Em 1Coríntios, Paulo também ensina a realidade do Purgatório: fala por metáforas dos que constroem as suas casas sobre o Fundamento que é Cristo: alguns utilizam material resistente ao fogo, outros usam materiais que não resistem ao fogo. Paulo apresenta o Juízo de Deus justamente como fogo a provar as obras de cada um. Se a obra resistir, seu autor “receberá uma recompensa”; se não resistir, seu autor sofrerá uma pena, mas essa pena não é a condenação eterna, pois o texto diz que aquele cuja obra for perdida ainda se salvará: “Este perderá a recompensa; Ele mesmo, entretanto, será salvo, mas como que através do fogo” (1Cor 3,15).

Também em Mc 3,29, Jesus dá uma imagem nítida do Purgatório:

O servo que, apesar de conhecer a Vontade de seu Senhor, lhe desobedeceu, será açoitado com numerosos golpes. Mas aquele que, ignorando a Vontade de seu Senhor, fizer coisas repreensíveis, será açoitado com poucos golpes. (Lc 12,45-48)

Aí está o que a Igreja chama de Purgatório: Jesus mesmo ensina que, após a morte, há um estado em que os que foram pouco fiéis serão purificados por algum tempo, de acordo com suas culpas, e não eternamente.

Outra passagem bíblica que confirma o Purgatório é Lucas 12, 58-59:

Faze o possível para entrar em acordo com o teu adversário no caminho até o magistrado, para que ele não te arraste ao juiz, e o juiz te entregue ao executor, e o executor te ponha na prisão. Digo-te: não sairás dali até pagares o último centavo.

O Cristo não diz: “Nunca mais sairás dali”, mas ensina claramente: ao fim desta vida, seremos entregues ao Juiz, que poderá nos mandar a uma prisão de onde não sairemos até saldarmos as nossas dívidas – mas da qual um dia sairemos. A condenação não é eterna em alguns casos, diferentes dos daqueles que vão ao Inferno. A mesma afirmação está em Mt 5, 22-26.

Mais: em 1Pedro (3,18-19; 4,6) vemos uma outra afirmação que nos leva inequivocamente à conclusão da existência do Purgatório:

Cristo padeceu a morte em carne, mas foi vivificado quanto ao Espírito. Neste mesmo Espírito Ele foi pregar aos espíritos detidos na prisão: aqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes.

Obviamente, o Cristo não teria porque pregar àquelas almas, se elas não tivessem a possibilidade de salvação: vemos que os antigos estavam numa “prisão” temporária. Novamente, aí está o Purgatório: um estado onde as almas aguardam pela Salvação definitiva. Evidentemente não é o Céu, um lugar ou estado de alegria eterna na Presença de Deus, mas também não é um lugar de tormento eterno e irremediável. É um lugar ou estado da alma onde os espíritos são purificados, um lugar ensinado claramente na Bíblia Sagrada, inclusive pelo próprio Senhor Jesus Cristo.

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1. São Gregório Magno, Diálogos 4,39.
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Fontes bibliográficas:
• CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. 9. ed. Petrópolis: Vozes, 1998.
• Website Veritatis Splendor, artigo "O Purgatório, a Igreja primitiva e os Santos Padres", diponível em:
http://veritatis.com.br/patristica/patrologia/435-o-purgatorio-a-igreja-primitiva-e-os-santos-padres
Acesso 25/3/014
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Os Sacramentais da Igreja Católica

Fonte de água benta em estilo barroco

OS SACRAMENTAIS têm grande valor de santificação e consagração, pois, por meio deles, Deus derrama sobre o homem suas bênçãos. Cremos que é da Vontade do SENHOR nos abençoar por intermédio da Igreja, e abençoar nossas casas, nossos corpos, nossos objetos. E onde existe a bênção de Deus, o demônio não pode tocar.

Ao entrar em uma igreja, impulsionado pela fé e pela beleza do ambiente que o cerca, o fiel católico se ajoelha diante do Sacrário, faz o Sinal da Cruz, molhando ou não a ponta dos dedos na água abençoada pelo sacerdote, repete uma a oração tradicional da Igreja, como o Pai-Nosso... E possivelmente nem sempre se tenha a noção exata de cada um destes atos. São os Sacramentais.

Os Sacramentais estão bem perto, ao nosso alcance, e são de grande benefício espiritual, como pequenos canais de comunhão com o Santo Criador. A palavra Sacramental significa “semelhante a um Sacramento”, mas há grandes diferenças entre uma coisa e outra. Os Sacramentos (Batismo, Crisma, Eucaristia, Confissão, Unção dos enfermos, Ordem e Matrimônio) foram instituídos diretamente por Jesus Cristo para conferir a Graça santificante que apaga o Pecado e fortalece nossas almas, preparando-nos para a vida eterna no Céu. Já os Sacramentais não conferem a Graça à maneira dos Sacramentos, mas são como que vias para ela, e como tal ajudam a santificar as diferentes circunstâncias da vida humana. Os Sacramentais despertam no cristão sentimentos de amor santo e de fé. Diz o Catecismo da Igreja Católica (§1670-1667):

«Os Sacramentais (...) oferecem aos fiéis bem dispostos a possibilidade de santificarem quase todos os acontecimentos da vida por meio da Graça divina que deriva do Mistério Pascal da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. (...) A Santa Mãe Igreja instituiu também os sacramentais. Estes são sinais sagrados por meio dos quais, imitando de algum modo os sacramentos, se significam e se obtêm, pela oração da Igreja, efeitos principalmente de ordem espiritual. Por meio deles, dispõem-se os homens para a recepção do principal efeito dos sacramentos e são santificadas as várias circunstâncias da vida.»1(II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 60: AAS 56 (1964) 116: cf. CIC can. 1166; CCEO can. 867)

Os Sacramentais produzem seu efeito, no dizer teológico, Ex opere operantis (pela ação daquele que opera), isto é, depende da boa disposição dos que os operm. Assim, para que haja um frutuoso efeito das graças dos Sacramentais, são necessárias nossa plena consciência e boa disposição ao recebê-los (o amor, a fé, o respeito e reverência, a reta intenção, o espírito de adoração, o comprometimento interno...).

Os sacramentais nos preparam para receber e cooperar com as graças que Deus nos concede. São, por si mesmos, - como o próprio nome indica, - atos fugazes e transitórios e, não permanentes, como no caso dos Sacramentos.



Quais são os Sacramentais?

Os Sacramentos da Igreja, como sabemos e vimos, são sete. Já os Sacramentais são numerosos, sendo que muitos teólogos os classificam em seis grupos:

• Orans: basicamente são as orações que se costuma rezar publicamente na Igreja, como o Pai Nosso e as Ladainhas.

• Tinctus: o uso da água benta e certas unções que se usam na administração de alguns Sacramentos e que não pertencem à sua essência.

• Edens: indica o uso do pão bento ou outros alimentos santificados pela bênção de um Sacerdote.

• Confessus: quando se reza o Confiteor, individual ou publicamente, para pedir perdão a Nosso Senhor por nossos pecados e falhas, das quais já não nos lembramos mais. Cremos que Deus, já neste ato, nos cumula de graças2.

• Dans: esmolas ou doações, espirituais ou corporais, bem como os atos de misericórdia prescritos pela Igreja. – Acima das esmolas que possamos dar, está o bem espiritual que possamos fazer ao próximo. Além desse ato ser um Sacramental, adquirimos uma série de méritos pela caridade fraterna e pelas outras virtudes que a acompanham.

• Benedicens: as bênçãos que dão o Papa, os Bispos e os sacerdotes; os exorcismos; a bênção de reis, abades ou virgens e, em geral, todas as bênçãos sobre coisas santas.

Certos objetos bentos de devoção, como medalhas, velas e escapulários, também são considerados Sacramentais: o Crucifixo, a Medalha de Nossa Senhora das Graças e a Medalha de São Bento estão entre os maiores exemplos, sendo fundamental entender que não são "talismãs" nem "amuletos da sorte", e sim sinais visíveis de nossa fé.  Não agem automaticamente contra as adversidades, como se tivessem "poderes mágicos", mas são como recursos auxiliares para nos unir ainda mais a Nosso Senhor e devem nos estimular no progresso da fé.

No caso do crucifixo, em sua forma clássica ou na versão de São Damião, representam nossa fé na palavra do Cristo, que diz que todo aquele que quiser segui-lo deve carregar a sua própria cruz. Sabemos muito bem que a cruz que devemos carregar não é esta pequena peça que trazemos ao pescoço, pendendo de um cordão ou de uma correntinha, mas é uma maneira de nos lembrarmos sempre disso, além de funcionar como uma espécie de testemunho de nossa fé.

Quantas graças, quantas dádivas da Santa Igreja à nossa disposição!


Efeitos dos Sacramentais

Os efeitos que produzem ou podem produzir os Sacramentais dignamente recebidos são muitos. Em geral:

• Obtêm graças atuais (temporais), com especial eficácia, pela intervenção da Igreja (ex opere operandis Ecclesiae).

• Perdoam os pecados veniais por via de impetração, enquanto que, pelas boas obras que fazem praticar e pela virtude das orações da Igreja, excitam-nos aos sentimentos de contrição e atos de caridade.

• Às vezes, perdoam toda pena temporal dos pecados passados, em virtude das indulgências que costumam acompanhar o uso dos Sacramentais.

• Obtêm-nos graças temporais, se convenientes para nossa salvação. Por exemplo, a restauração da saúde corporal, a proteção numa viagem perigosa, etc.

“Não há uso honesto das coisas materiais que não possa ser dirigido à santificação dos homens e o louvor a Deus.”(II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 61: AAS 56 (1964) 116-117)

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1. O Confietor ('Confesso') é uma oração penitencial que tem origem nos primórdios do Cristianismo e em que nós, reconhecidos dos nossos pecados, buscamos a misericórdia e o perdão de Deus. O texto abaixo é a forma completa da oração, introduzida no rito da Missa no século XI. Na Missa atual é rezada uma versão abreviada, mantendo-se o costume tradicional de se bater no peito ao se recitar "minha culpa, minha tão grande culpa" (na versão abreviada) em sinal de humildade.

Confiteor Deo omnipotenti, beatae Mariae semper Virgini, beato Michaeli Archangelo, beato Ioanni Baptistae, sanctis Apostolis Petro et Paulo, et omnibus Sanctis, quia peccavi nimis cogitatione, verbo et opere: mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa. Ideo precor beatam Mariam semper Virginem, beatum Michaelem Archangelum, beatum Ioannem Baptistam, sanctos Apostolos Petrum et Paulum, et omnes Sanctos, orare pro me ad Dominum Deum nostrum. Amen.

Tradução: Confesso a Deus Todo-poderoso, à bem-aventurada sempre Virgem Maria, ao bem-aventurado Miguel Arcanjo, ao bem-aventurado João Batista, aos santos Apóstolos Pedro e Paulo, e a todos os santos, que pequei muitas vezes por pensamentos, palavras e ações, por minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa. Por isso, peço à bem-aventurada sempre Virgem Maria, ao bem-aventurado Miguel Arcanjo, ao bem-aventurado João Batista, aos santos Apóstolos Pedro e Paulo, e a todos os santos, que oreis por mim a Deus, Nosso Senhor. Amém.

Versão Abreviada (Missal de Paulo VI):

Confesso a Deus Todo-poderoso e a vós, irmãos, que pequei muitas vezes por pensamentos e palavras, atos e omissões, por minha culpa, minha tão grande culpa. E peço à Virgem Maria, aos Anjos e Santos, e a vós, irmãos, que rogueis por mim a Deus, Nosso Senhor.

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Fonte bibliográfica:


D'ELBOUX, Luiz G. Silveira. Doutrina católica 13ª ed., São Paulo: Loyola, 1997, pp. 96-98

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Por que a Igreja Católica é Romana?

Uma questão muito simples, porém às vezes mal compreendida; outras tantas vezes, usada como pretexto...



ALGUNS LEIGOS de outras comunidades religiosas, que nos enviam mensagens, declaram não compreender bem como a Igreja de Jesus Cristo pode ser chamada Católica Apostólica Romana. E o problema reside, como não é difícil supor, no último título.

Quando explicamos que “católica” significa universal, isto é, que a Igreja está para todos os homens e mulheres do mundo, de todas as nações, culturas e condições sociais, conforme a determinação de Nosso Senhor Jesus Cristo (Mc 16,15), normalmente não há refutação. Quanto ao termo “apostólica”, também não se criam maiores problemas, já que a verdadeira doutrina cristã é aquela que procede dos Apóstolos, e isso está dito e repetido na Bíblia inúmeras vezes (p/ex. 2Ts 2,15; 3,6). Mas e quanto ao título “romana”? Por que a Igreja é chamada assim?

E correm os mais afoitos, ligeiríssimos, a nos acusar de toda sorte de corrupção da fé cristã. Já ouvi as mais curiosas (e absurdas) associações e deturpações a esse respeito, até uma assim: "Você é católico romano, eu sou 'católico cristão'", - como se fosse possível ser cristão e não ser católico, no sentido próprio da palavra. É comum, inclusive, que algumas pessoas chamem a Igreja de Cristo apenas “Igreja Romana”, suprimindo seus títulos principais (Católica e Apostólica), numa triste tentativa de diminuir a sua importância ou negar a sua autenticidade histórica e autoridade sagrada, percebida claramente em todo o contexto e história do cristianismo.

Bem, mas, afinal, como é que a Igreja pode ser universal e romana ao mesmo tempo?

É um desses problemas tão simples que nos impressiona que possa provocar dúvidas. O fato é que o título “romana” não implica nacionalismo nem particularismo: não quer dizer que a Igreja pertença a Roma, ou que se limite a Roma, assim como aconteceria com uma empresa, por exemplo. Romana, no caso em questão, é apenas o título que indica o endereço da sede primacial da Igreja. Apenas isso.

De fato, a Igreja, atuando neste mundo, precisa ter um endereço, um referencial físico e postal, que é o do Bispo de Roma, feito Chefe visível por Cristo, o Papa. Em consequência, a Igreja Católica recebe, como uma espécie de “subtítulo”, a designação “romana”, mas isso em nada contraria a sua catolicidade/universalidade.

De modo semelhante, Jesus, Salvador de todos os homens, foi chamado “Nazareno”, porque, convivendo entre os homens, precisou usar um endereço físico neste mundo, que foi a cidade de Nazaré. E será que Nosso Senhor Jesus Cristo, por acaso, veio só para os habitantes de Nazaré? Evidentemente não. Chamá-lo de “Jesus Nazareno” ou “Jesus de Nazaré” compromete o caráter universal da sua missão? Claro que não. Da mesmíssima maneira se dá com o nome dado à Igreja que Ele instituiu neste mundo.



Importante para nós, católicos, é enxergar o Poder de Deus também nesse título de “católico romano”; - pois desde o inicio do cristianismo os católicos foram perseguidos, caçados, torturados e mortos justamente pelo Império Romano, durante centenas de anos. Desde a liberação da fé cristã pelo Imperador Constantino, porém, a sede dos cristãos está em Roma, como que a mostrar ao mundo que os perseguidores sucumbiram frente à Igreja de Deus. Ela, que foi perseguida e martirizada, hoje está situada exatamente na sede do antigo Império! Isso prova que Deus sempre transforma o mal em bem, como diz São Paulo: “Onde abundou o pecado, superabundou a Graça” (Rm 5,20).

Onde predominou o Império de Roma, - o maior já visto na História, e que levou a escravidão, o terror e a morte a milhões de pessoas, - este mesmo lugar Jesus Cristo converteu no maior centro de fé e difusão das Boas Novas da libertação, do amor fraterno e da vida em todo o mundo, através de sua Igreja, que perdurará até o fins dos tempos, segundo a Promessa do próprio Senhor, que vemos no Evangelho (Mt 28,20).

E como diz a Bíblia Sagrada, nenhuma instituição permanecerá se não for obra divina: “Se o teu projeto ou tua obra provém de homens, por si mesmo se destruirá; mas se provier de Deus, não podereis desfazê-la (At 5,38-39). O Império Romano caiu. A Igreja Católica Apostólica Romana, instituída por Nosso Senhor Jesus Cristo, permanece por dois milênios.

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Ref. bibliográfica:
CONGAR, Yves. Igreja e Papado, São Paulo: Loyola, 1997, pp. 33-49.
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Apelo em defesa da Sagrada Eucaristia


TEMOS VISTO visto multiplicarem-se os relatos de pessoas que comparecem à Missa, colocam-se na fila da Comunhão e, ao invés de receber a Eucaristia, pegam a Hóstia Consagrada e a guardam na bolsa ou no bolso, retirando-se em seguida. Possivelmente levam-nas para usar em rituais de quimbanda, cultos satânicos ou de magia negra. Segundo depoimento do Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Jr. (Arquidiocese de Cuiabá), chegam a profanar a Hóstia Sagrada até em sessões de sexo grupal de rituais satânicos, conforme o referido sacerdote ouviu de uma jovem em confissão!

Pedimos a todos os nossos irmãos católicos que, ao verem alguém furtando hóstias na hora da Santa Missa, impeçam essa pessoa! Com tanto respeito e delicadeza quanto for possível, mas com firmeza, vamos impedir que o Corpo de Nosso Senhor, que se entregou em Sacrifício e sofreu as piores dores e angústias pela nossa salvação, seja corrompido e desrespeitado dessa maneira! Quem vir acontecer tal crime horrendo, tome uma atitude! Não finjamos que não vemos, como tem acontecido! Chega dessa história de católicos passivos e “mornos”. Vamos à luta, porque é preciso!


Está acontecendo no mundo:

• Ato satânico contra Eucaristia teve jovens como autores

• Roubam hóstias consagradas em igreja católica nos Andes do Peru

• França: mais uma igreja profanada

• Blasfêmia na internet

• Missa de desagravo após sacrilégio no qual pisaram e jogaram cerveja sobre a Eucaristia


Assista abaixo à palestra de Pe. Paulo Ricardo a respeito da Adoração Eucarística, em 5 partes:









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