Bono Vox, do U2: "O capitalismo tira mais pessoas da pobreza do que doações!"


O PROF. GEORGE AYITTEY (foto), pesquisador do Independent Institute, conheceu há alguns anos o astro do rock irlandês Bono Vox, da banda U2, durante uma conferência TED. E lembra-se bem da conversa que tiveram, e da impressão que as ideias do artista lhe causaram.

O Prof. Ayittey estava discursando e, ao saber que Bono estava na plateia, disse: “Fiz um esforço especial para demolir a instituição da ajuda externa"… Conta ele: "Mais tarde, Bono disse que havia gostado do meu discurso, mas não concordava comigo que a ajuda externa não é eficaz para acabar com a pobreza. Então, dei-lhe um exemplar do meu [brilhante] livro "Africa Unchained: The Blueprint for  Africa's Future” ('África Desacorrentada: Plano para o Futuro').


Bono com o livro e seu autor, à sua esquerda

Bono Vox (o nome de batismo é Paul David Hewson) é vocalista de uma das bandas de rock mais bem sucedidas da história, e se tornou um grande defensor da expansão da ajuda externa dos EUA e de outros programas do governo (como o cancelamento da dívida) para aliviar a situação de sofrimento no mundo, seja relacionado às epidemias de AIDS e malária e à pobreza extrema, entre outras questões.

Bono foi ainda co-fundador e Diretor Executivo da empresa de capital de risco Elevation Partners, e tornou-se um dos músicos mais ricos do mundo (talvez o mais rico) depois de investir no lançamento das ações do Facebook, o que rendeu mais de US$ 1,5 bilhão(!) para a empresa.



Bono também é declaradamente cristão (veja aqui, aqui e aqui), filho de pai católico e mãe protestante. Seu encontro com São João Paulo II tornou-se famoso, quando o Papa fez questão de experimentar os célebres óculos personalizados do "cheio de estilo" Bono Vox (foto). O músico declarou ainda em seu livro "Bono on Bono" (p. 201): "Quanto mais velho eu fico, mais encontro conforto no catolicismo romano".

Admirador da obra de C. S. Lewis1, Bono usou trechos de sua obra "The Screwtape Letters" ('As Cartas do Inferno'), no vídeo para a música "Hold Me, Thrill Me, Kiss Me, Kill Me", tema do filme "Batman Forever". Recentemente, ele deu a entender em uma entrevista a Jim Daly, na "Focus on the Family", que Lewis poderá inspirar também o próximo álbum do U2. Segue:

Bono: É muito chato seguir esta Pessoa de Cristo em todo lugar (rindo), porque Ele exige muito da sua vida.

Daly: É muito difícil...

Bono: E é impossível tentar manter-se à altura.

Daly: Na verdade, Bono, C. S. Lewis tem uma citação que eu adoro: “Quando um homem está ficando melhor, ele compreende cada vez mais claramente o mal que restou nele. Quando um homem está ficando pior, ele entende a sua própria maldade cada vez menos”. Isso é forte, não é?

Bono: Sim, pode até ser que isso venha a ser o próximo álbum do U2, mas não vou dar crédito nenhum a ele nem a você (risos).

+ + +

Recentemente, baseando-se em sua fé cristã (e possivelmente sob a influência econômica do Professor Ayittey?), em um discurso na Universidade de Georgetown, Bono mudou seu ponto de vista econômico e político e declarou que só o capitalismo pode acabar com a pobreza (reconhecendo que, dentre os sistemas político/econômicos de que o ser humano dispõe, o melhor ou no mínimo o 'menos pior' ainda é o capitalismo).

“A ajuda assistencial é apenas um paliativo”, disse o artista. – “O comércio e o capitalismo empreendedor tiram mais pessoas da pobreza do que a mera ajuda. Precisamos que a África se torne uma potência econômica".

Bravo! Um expoente do pop, um ícone da música, um artista  reconhecido e "antenado" com o mundo finalmente percebeu o óbvio! Bono encorajou os alunos de Georgetown a pensar no que podem fazer para apoiar efetivamente as pessoas na África e em outros países em desenvolvimento (como o Brasil) que têm necessidade de justiça e conforto. E refez a velha questão usando de outras palavras: o que ajuda mais? Dar um peixe ou ensinar a pescar? O que leva mais dignidade ao ser humano em situação de miséria? Capacitá-lo, dar-lhe condições para que se erga, torne-se produtivo e construtor de sua própria história, ou mantê-lo cativo de verdadeiras esmolas estatais, na forma de doações governamentais que, além de tudo, lhe tornam refém de determinados partidos políticos?

Em sua fala, Bono comparou o esforço pelo crescimento, seja temporal ou espiritual, ao comprometimento de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, em servir aos outros. – “Isso é o que estou esperando que aconteça aqui em Georgetown com vocês”, disse ele.  – "Porque quando você aceita, de fato, que as crianças em algum lugar distante da aldeia global têm o mesmo valor que você aos olhos de Deus, ou até mesmo apenas aos seus olhos, então a sua vida muda para sempre, você vê algo que não poderá mais deixar de ver".

C. S. Lewis compreendeu bem a falácia e mesmo o mal do estatismo ao abordar as dores e o sofrimento de nosso mundo, e que o paternalismo estatal não é capaz de sanar o mal da pobreza, ao contrário: acaba por perpetuá-la. Congratulamo-nos com a nova percepção de Bono Vox sobre o assunto. O trabalho marcante do Professor Ayittey também pode ser encontrado no livro "Making Poor Nations Rich: Entrepreneurship and the Process of Economic Development" ('Tornando Ricos os Países Pobres: o Empreendimento e o Processo do Desenvolvimento Econômico'], do Independent Institute, editado por Benjamin Powell.

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1. Pensador cristão de forte influência no século passado. Apesar de não ter abraçado o catolicismo, Lewis paradoxalmente tem sido responsável por um grande número de conversões de protestantes ao catolicismo, em especial de pentecostais, devido ao praticamente perfeito alinhamento de suas ideias com a doutrina católica. Sheldon Vanauken compara Lewis com Moisés: conduziu o povo à terra prometida sem que ele próprio entrasse nela. Segundo Christopher Derrick, seu grande amigo e discípulo, os leitores de Lewis, seguindo suas percepções e princípios teológicos, são muitas vezes capazes de perceber algo que o próprio autor, em razão de problemas de natureza psicológica não enxergou por si mesmo.

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• Ref.: este post contém trechos do artigo "
Bono: o capitalismo tira mais pessoas da pobreza do que as doações", do website do Instituto Liberal, disponível em:
institutoliberal.org.br/blog/bono-o-capitalismo-tira-mais-pessoas-da-pobreza-do-que-as-doacoes/
Acesso: 29/4/014.

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Católica e protestante: por que existem Bíblias diferentes?

O ESTUDO QUE ORA apresentamos vem sendo solicitado desde o início deste nosso trabalho: traz respostas para perguntas que, de tempos em tempos, sempre nos fazem, e que já foram dadas em outras páginas católicas competentes, mas que faltavam aqui. Procuramos condensar e aprofundar estas respostas. Que sejam úteis a todos aqueles que, de boa vontade, procuram a Verdade.




Qual a diferença entre a Bíblia católica e a protestante?

A diferença entre a Bíblia católica e a protestante está no Antigo Testamento (AT). O Novo Testamento (NT), que constitui o eixo e o cumprimento de toda a fé cristã, é exatamente igual, tanto para católicos quanto para protestantes, contendo os mesmos 27 livros, que vão do Evangelho de Mateus até o Livro do Apocalipse. – A diferença, então, está no cânon dos livros do AT. Em outras palavras, a diferença está na lista dos livros que compõem o AT: para os católicos, são 46 livros; na Bíblia protestante, são 39, sendo que faltam os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, Carta de Jeremias e os livros dos Macabeus, além de partes de Daniel e Ester. Estes livros são os chamados "deuterocanônicos", e veremos o que isso significa mais adiante. Veja a lista completa dos livros da Bíblia católica neste link.

A diferença vem de longe e tem uma longa história. Como foi acontecer, quando e por quê? É o que veremos a seguir.


Qual a origem da diferença? O começo da história...

O povo católico, ao longo do tempo, sempre observou a orientação do Magistério da Igreja, isto é, a orientação dos Apóstolos escolhidos diretamente por Jesus e seus sucessores, que dão testemunho de que o Evangelho transmitido e a fé confessada são os mesmos ensinados pelo Cristo. Somente no século XVI é que surgiu o grupo denominado protestante, que renegou a autoridade do Magistério da Igreja. Esse grupo acreditava, entre outras coisas, que a Igreja Católica havia se corrompido e que eles deveriam retomar os costumes da "igreja primitiva"; – evidentemente, conforme eles imaginavam que seriam esses costumes.

Nesse processo, os protestantes acabaram descobrindo que os judeus tinham uma lista diferente de livros sagrados. Depois de Lutero, o pai do protestantismo, sobreveio um período de intensas disputas, de uma rivalidade que crescia, e tudo servia como pretexto para aprofundar ainda mais o abismo da separação entre os que confessavam a fé em Jesus Cristo. Era uma questão de tempo até que os protestantes deduzissem que a "terrível" Igreja Católica tinha acrescentado livros à Bíblia.

Muitos pensam que foi Lutero quem retirou os sete livros da Bíblia cristã, o que é um engano bem primário. Na realidade, a mudança foi um processo lento, e foi somente no século XIX que os protestantes decidiram abolir de vez os sete livros chamados deuterocanônicos de sua lista.

O AT foi escrito originalmente em hebraico e aramaico: seus livros compõem a Bíblia judaica, chamada Mikrá ou, mais popularmente, Tanakh. Esta é constituída dos livros da Lei (Torá ou Chumash, os cinco primeiro livros da Bíblia cristã, o Pentateuco), os livros dos Profetas (Neviim) e os livros chamados Escritos (Ketuvim). Interessante notar que o processo de canonização desses livros, pelos judeus, também foi muito lento. Primeiro foram canonizados os livros da Torá, depois os dos Profetas e, somente muito tempo depois os dos Escritos. Para que se tenha uma ideia, na época de Jesus o cânon (a lista 'oficial') da Bíblia judaica ainda não estava fechado: os judeus contemporâneos de Jesus ainda debatiam sobre quais seriam os verdadeiros livros sagrados(!). Os saduceus, por exemplo, só aceitavam os livros da Torá; os fariseus aceitavam também os Profetas e os Escritos, mas não totalmente, entendendo que a inspiração dos Escritos ainda não estava concluída.

Nosso Senhor Jesus Cristo deu a ordem que todo cristão conhece bem: os Apóstolos deveriam ir pelo mundo a evangelizar todos os povos. Ocorre que a língua mais falada no mundo daquela época era o grego. Logo, os Apóstolos começaram a pregar o Evangelho em grego, e passaram a utilizar a tradução das Escrituras denominada Septuaginta ou Tradução dos Setenta, que havia sido elaborada em Alexandria antes do tempo de Cristo (no séc. III aC).

A Septuaginta contém os sete livros que permanecem até hoje na Bíblia Sagrada católica, e todo biblista competente (inclusive muitos conhecidos doutores protestantes) é capaz de perceber que, em diversas citações que o NT faz do AT, a tradução utilizada é a da Septuaginta. Esse era, portanto, o conjunto dos livros sagrados utilizado pelos Apóstolos. A Igreja Católica, como única Igreja que procede diretamente de Jesus Cristo e dos Apóstolos, adotou essa mesma versão da Bíblia, e não haveria como ser diferente.

Ocorre que nos primeiros tempos da Igreja, quando os judeus perceberam que os Apóstolos pregavam o Evangelho, expulsaram-nos das sinagogas. Esse fato contribuiu para que os judeus fechassem de uma vez o cânon dos seus livros sagrados, rejeitando tudo o que era cristão. Assim, no final do século I, decidiram pela exclusão definitiva dos sete livros que constavam da Septuaginta.

Resumindo a história, portanto, vemos que o AT da Bíblia católica, com a lista completa, da Septuaginta, foi adotado e canonizado pelos Apóstolos de Cristo e seus sucessores, desde o início da Igreja; o AT da Bíblia protestante foi canonizado pelos rabinos judeus, cerca de um século depois de Cristo.

Antes e além de qualquer debate, a mais simples realidade dos fatos é esta: os protestantes, ao aceitarem o cânon da Bíblia judaica, estão aceitando a autoridade dos rabinos judeus depois de Cristo, e negando a autoridade dos Apóstolos, a quem o próprio Cristo deu autoridade sobre a Igreja.

Lembramos, por fim, que os 27 livros do NT, que os protestantes aceitam e adotam normalmente, foram definidos e canonizados pela mesma Igreja Católica que definiu e canonizou os livros do AT. Aceitam, portanto, a autoridade da Igreja para definir os livros do NT, mas não a aceitam quanto à definição dos 46 livros do AT.



Informações muito importantes

Até o terceiro século de nossa era, o cânon do NT não estava ainda definido. Haviam muitas listas de livros, entre canônicos e apócrifos (não autênticos/não inspirados). E havia muita discussão sobre quais livros deveriam integrar as Sagradas Escrituras. Assim, vemos facilmente que não há fundamento algum na  "espinha dorsal" da doutrina protestante da sola Scriptura, que afirma que "a Bíblia é a única regra de fé e prática do cristão", simplesmente porque a Igreja, nos seus primeiros quatrocentos anos (no mínimo), simplesmente não tinha a Bíblia que nós temos hoje para observar, sendo sua principal regra de fé e prática a condução do Magistério da Igreja e a observância da Tradição dos Apóstolos.

Dentro dessa realidade histórica, devemos compreender bem: a Bíblia é a Tradição dos Apóstolos por escrito, e é nesse sentido que se constitui num dos fundamentos da fé cristã, ao mesmo tempo em que depende da Igreja para ser corretamente compreendida. Como diz sempre meu colega e irmão em Cristo Lucas Henrique (Firmat Fides): "Ler as Escrituras sim, em sintonia com o pensamento do sujeito que a confeccionou: a Igreja Católica", inspirada pelo Espírito Santo.

O primeiro documento da Igreja que fez referência ao cânon da Bíblia Católica atual (46 livros do AT e 27 livros do NT) foi o do Concílio de Hipona, da época de Santo Agostinho (354-430). O Decretum Damasi, publicado no ano 382, diz: "Agora tratemos das Escrituras divinas, do que a Igreja Católica universal deve acolher e o que deve evitar". E o Catecismo da Igreja Católica (§120) atesta:

Foi a Tradição apostólica que fez a Igreja discernir quais escritos deveriam ser enumerados na lista dos Livros Sagrados. Esta lista completa é denominada 'cânon' das Escrituras". Como disse Santo Agostinho: "Ego vero Evangelio nos crederem, nisi me catholicae Ecclesiae commoveret auctoritas" – "Eu não creria no Evangelho, se a isto não me levasse a autoridade da Igreja Católica."


Por que "Deuterocanônicos"?

Em cerca de 300 ou 400 anos antes do nascimento de Jesus, muita gente imigrou da Palestina para o Egito. A primeira geração desses imigrantes falava o hebraico e o aramaico, que são línguas semelhantes. Seus filhos, porém, começaram a falar o idioma usado na terra em que viviam, e os seus netos já não entendiam mais a língua dos seus antepassados. – Algo muito parecido como o que vemos acontecer hoje com os netos de imigrantes italianos, por exemplo, que chegaram à cidade de São Paulo em inícios do séc. 20, que hoje já não falam mais a língua de seus avós.

Então sentiram a necessidade de uma tradução das Escrituras. Essa tradução foi feita aos poucos, e foi muito demorada: começou em torno do ano 250 antes de Cristo e levou quase 100 anos até ficar pronta. Foi assim que se formaram duas versões da Bíblia: uma em língua hebraica, para os judeus da Palestina, e outra em língua grega, para os judeus que viviam no Egito. Durante esse tempo, os judeus do Egito escreveram mais alguns livros em grego, e por isso a Bíblia deles ficou maior. – Num certo momento, os judeus da Palestina confrontaram as duas Bíblias e fizeram uma lista dos livros que para eles eram sagrados. Deixaram fora da lista os livros que os judeus do Egito haviam escrito, em grego. Os do Egito souberam disso, mas continuaram usando sua lista maior.

Também os cristãos adotaram a Bíblia (AT) que segue a lista dos judeus do Egito, que se espalhou por todo o mundo desde aquele tempo, pois a língua mais falada era o grego. – Por volta do ano 400 dC, o Papa Dâmaso pediu a S. Jerônimo que traduzisse a Bíblia para o latim, pois naquele tempo era a língua mais usada, e era preciso uma nova tradução que todos pudessem entender. S. Jerônimo concordou, mas não conhecia hebraico. Procurou um velho rabino judeu de Belém para ter aulas, e os dois acabaram se tornando muito amigos. Trocaram ideias sobre a Bíblia, e Jerônimo parece ter sido influenciado pelo rabino quanto às ideias dos judeus ortodoxos.

Jerônimo então denominou os 7 livros que não constavam da Bíblia hebraica como “deuterocanônicos”: deutero significa segundo; cânon significa lista. Até hoje a Igreja define com esse termo esses livros, porque foram escritos numa segunda fase da história sagrada do AT.

Durante o Concílio Ecumênico de Florença, no ano de 1439, os bispos se pronunciaram oficialmente e atestaram por documento oficial que a Igreja Católica reconhece como Escritura Sagrada todos os livros da lista usada pelos Apóstolos e adotados pela Igreja primitiva: a versão completa que temos hoje, com 46 livros do AT e 27 do NT.

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Fontes e referência:

• Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Jr., em
http://padrepauloricardo.org/episodios/qual-e-a-diferenca-entre-a-biblia-catolica-e-a-biblia-protestante
Acesso 12/8/013 (Contém trechos do artigo do site).
• Pe. Lucas de Paul Almeida, CM (Diocese de Bauru), em
Acesso 12/5/013.
• LIMA, Alessandro Ricardo. O Cânon Bíblico, 
Brasília: DeGarcia, 2007.
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Os Documentos da Igreja


UM LEITOR deste site, que se identifica como Kelson Vieira, enviou-nos a seguinte mensagem:

"Paz e bem!
Deixa eu ver se entendi uma coisa. Sobre os documentos da Igreja (vindos do Vaticano), estes são tão verdadeiros quanto as sagradas escrituras? Do contrario até que ponto são verdadeiros? E sobre escritos dos Doutores da Igreja, o que podemos afirmar?

São perguntas importantes. A Igreja ensina que certas compreensões da Sã Doutrina, que ela guarda e proclama, tornaram-se possíveis através de uma Revelação gradual, dada por Deus através dos tempos. Podemos dizer que esse processo vem desde o tempo do Antigo Testamento, pois Deus se comunica com o seu povo desde antes da vinda de Cristo.

Jesus Cristo, único Salvador da humanidade, trouxe e anunciou o Evangelho final e definitivo, mas a compreensão do seu Evangelho se baseia na Revelação que se dá progressivamente no correr da História. Por isso, necessitamos sempre de constante estudo, reflexão, oração, meditação.

Essa compreensão gradativa da Revelação, no entanto, permanece sempre fiel à Tradição, e é sempre orientada pelo Magistério da Igreja à qual foi confiada a autoridade sobre a mesma Sã Doutrina, diretamente por Nosso Senhor. Esta definição progressiva é chamada de “desenvolvimento da Doutrina”. Aqui é que se encaixam os documentos da Igreja, e onde sua fundamental importância fica evidente.

Alguns têm certa dificuldade com esta realidade, imaginando que a afirmação de que a doutrina se desenvolve com o passar do tempo é contraditória, se a Igreja Católica também afirma que sua doutrina é idêntica àquela que os Apóstolos já tinham. Existiria aí uma dicotomia?

A resposta é não. ocorre que existem duas categorias distintas no desenvolvimento da Doutrina: a propriedade objetiva do que é a mesma doutrina e a compreensão subjetiva desta propriedade objetiva. Uma comparação simples pode facilitar a compreensão desta realidade. Olhemos para os primeiríssimos cristãos: é bem provável que eles não tivessem, – ao menos não formalmente, – a formulação do conceito de Trindade para falar de Deus. Todavia encontramos, nas Sagradas Escrituras, inúmeras afirmações que não deixam margem para dúvida de que já se entendia Jesus como Deus, assim como também o Espírito Santo, além do Deus Pai do Antigo Testamento.

Possivelmente, a evidência máxima nesse sentido esteja no Evangelho segundo S. Mateus, na passagem em que o Cristo manda batizar os conversos em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (28,19). Mesmo assim, não é dito explicitamente, em nenhuma parte das Escrituras, que Deus é Trindade, nem que Deus é Um em Três Pessoas coexistentes. A palavra “Trindade” não se encontra na Bíblia, e o conceito formal da doutrina da Santíssima Trindade não foi formulado pelos Apóstolos. Mesmo assim, nós sabemos muito bem que eles confessavam Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Logo, a Doutrina da Santíssima Trindade já estava presente na Revelação trazida por Nosso Senhor Jesus Cristo desde sempre, mas foi desenvolvida no correr dos tempos, por filhos eminentes da Igreja. Ela não foi “inventada” por um teólogo, pensador ou doutor, apenas compreendida e desenvolvida. Desenvolver a Doutrina é perscrutá-la, dissecá-la, observá-la para notar suas nuances, e transmiti-las aos irmãos de fé, – os outros membros do Corpo do Senhor, que é a Igreja.

Isso significa que os conceitos por trás das declarações dogmáticas que surgiram depois do período apostólico já eram essencialmente possuídos pelos Apóstolos, embora, em alguns casos, não formulados por eles. Eles conheciam e confessavam estas verdades, embora de modo elementar, ainda não formal. Em outras palavras, – outro exemplo, – os termos e sentenças dogmáticas que descrevem a Consubstanciação de Cristo ao Pai como “Homoousios” (uma só Substância) não foram explicitamente def.inidos pelos Apóstolos, mas o conceito por trás da verdade objetiva lhes foi dado “de uma vez por todas” por Cristo, – ainda que esses conteúdos talvez não fossem possuídos conscientemente por eles, ao menos no formato dogmático com que o Concílio de Niceia os professou.

Assim, o desenvolvimento da Doutrina acontece pelo conhecimento cada vez mais claro de certos pontos da Revelação, que entretanto sempre foram os mesmos e sempre afirmaram a mesma verdade objetivamente, seja no século 1 ou no 21. Uma analogia para a questão, embora imperfeita, é a dos estudos da ciência oceanográfica: a civilização humana conhece há muitas gerações, por exemplo, o Oceano Atlântico. Ainda assim, o nosso conhecimento do Oceano Atlântico têm aumentado desde que nossos ancestrais descobriram que ele simplesmente existia. O conhecimento gradual do que é o Oceano Atlântico, – sua temperatura, movimento, topografia, fauna e f.lora, etc. – não modifica a realidade imutável do próprio Oceano, que permanece o mesmo de sempre, como já era desde o começo. Nosso conhecimento subjetivo do Oceano Atlântico é que sofre crescimento. Nossa percepção do Oceano Atlântico, entretanto, nunca crescerá tanto a ponto de imaginarmos que, algum dia, a humanidade se recusará a chamá-lo de oceano e dizer, ao invés disso, que se tratava de uma montanha o tempo todo.

Partindo desta analogia, vemos a Revelação como é objetivamente. Foi-nos dada de uma vez por todas e é imutável: é o que é. Ainda assim, rezando, meditando, contemplando, estudando e vivenciando, vão se percebendo certas facetas deste diamante que antes não havíamos notado. Este crescimento em conhecimento nada adiciona à Revelação no sentido objetivo, mas demonstra que nossa compreensão a seu respeito se desenvolve subjetivamente.



A Revelação, imutável e definitiva, é transmitida pela Igreja sob a forma da Tradição: a Sã Doutrina cristã e católica está expressa e resumida no Credo dos Apóstolos, no Credo Niceno-Constantinopolitano e também nos documentos da Igreja, que ao longo da história cresceu na fé e produziu a Teologia. Dessa maneira foram criadas diversas formas de comunicação desta compreensão da Revelação, destinadas a toda a Igreja (clero e leigos). Assim é que surgiram os documentos, as diretrizes e as normas baseadas na experiência e observância da prática cristã e da Doutrina da Igreja. Logo, tudo que até hoje foi publicado oficialmente pela Igreja (documentos) têm grande importância para a compreensão da autêntica Fé cristã.

Se o Magistério da Igreja extrai da Revelação Divina todo o ensinamento que dá aos fiéis, – que se compõe da Tradição oral que veio dos Apóstolos e da Tradição escrita, e se é sobre essa Tradição (escrita e oral, com igual importância nas duas formas), que o Magistério assenta seus ensinamentos infalíveis, – podemos dizer que sim, os documentos da Igreja são tão verdadeiros quanto a Sagrada Escritura. E como sabemos, sem a Revelação oral, que chegou até nós por meio da Sagrada Tradição, a Bíblia não existiria, já que ela foi redigida, canonizada e preservada pela mesma Igreja através dos séculos. As Sagradas Escrituras, portanto, a Sagrada Tradição da Igreja por escrito.




Documentos oficiais da Igreja e sua classificação

Se um documento é oficial aparece na Acta Apostolicae Sedis. Abaixo, a classificação dos documentos pontifícios.

Carta Encíclica:

a) doutrinal,

b) exortatória,

c) disciplinar;

Epístola Encíclica;

Constituição Apostólica;

Exortação Apostólica;

Carta Apostólica;

Bula;

Motu Proprio.
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Jesus, nossa Páscoa!


LUZ QUE IRROMPE na escuridão, Luz que vence todas as mortes, que ilumina todos os caminhos. Na beleza de uma igreja às escuras na celebração da vigília do Sábado Santo, que começa do lado de fora, com a Benção do Fogo e o acender do Círio Pascal, cuja luz passa de vela em vela, nas mãos dos irmãos de fé; afinal, depois de um longo período de recolhimento e penitência, a Igreja toda se ilumina! É chegada a hora de celebrar a Ressurreição e a Vida!

O Círio Pascal está aceso! Chegou o tempo da alegria, de cantar Glória e Aleluia, de nos sentirmos vivos e felizes, de entender que fomos feitos filhos e filhas de Deus, que a morte foi vencida para sempre, e que todo o sofrimento da Cruz, juntamente com todas as nossas dificuldades, tiveram um propósito maior. Propósito que agora se cumpriu plenamente!

A Homilia da noite do "Sábado de Aleluia" é sempre carregada de sentido, de verdade e de esperança. Diz que Jesus nos precedeu no Céu, que foi à nossa frente... E que nós temos que ser como as pessoas daquela primeira hora da manhã de Páscoa, primeiro dia da semana, o Domingo da Ressurreição do Senhor. Deus é o Senhor do impossível! Afinal podemos nos saciar da mais pura Alegria, diretamente nas Fontes da Salvação! Luz da Luz, iluminai nossos caminhos! É festa! O Senhor Ressuscitou! ALELUIA!




No Antigo Testamento, Moisés, o primeiro grande profeta de Deus e o primeiro a proclamar a Unicidade divina, liderou o povo hebreu, subjugado e escravizado no Egito, no caminho para a liberdade. Deus manifestou seu Poder através de Moisés, mediante Sinais e Maravilhas. No processo de libertação do povo, guiado por Deus através de Moisés, foi instituída a celebração da primeira Páscoa: toda a assembléia de Israel deveria tomar um cordeiro, que seria imolado de maneira determinada, e com o seu sangue seriam marcadas as portas das casas, para a salvação do povo de Deus. Desta forma ficou instituída a festa da Páscoa, comemorada até hoje pelo povo judeu: "Conservareis a memória daquele dia, celebrando-o como uma Festa em honra do Senhor: fareis isto de geração em geração, pois é uma instituição perpétua" (Ex 12,14).

A instituição da Páscoa Cristã se deu na imolação de Cristo, Cordeiro de Deus e Salvador do Mundo. Na primeira festa da Páscoa, Deus libertou o povo da escravidão e proclamou sua Aliança com Israel. Na segunda, o próprio Filho de Deus tornou-se Cordeiro Imolado, para libertar toda a humanidade do jugo do pecado e da morte. O Sangue de Jesus, – o Messias, o Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o Pecado do mundo, – nos liberta para sempre, com sua Paixão, Morte e Ressurreição.


Purificai-vos do velho fermento, para que sejais massa nova, porquanto Cristo, nossa Páscoa, foi imolado!" (1Cor 5,7)


Jesus veio ao mundo para cumprir a Escritura, e por sua Vontade foi crucificado exatamente no dia da preparação da festa da Páscoa, para que, a partir de sua Morte e Ressurreição, fosse instituída a Nova e Eterna Aliança com Deus Pai.

Se de fato vivemos o longo período quaresmal de introspecção, contemplação e reflexão, jejum e penitência, chegou o momento de nos entregarmos à mais perfeita e plena Alegria! É Páscoa! Jesus, nossa Páscoa, é Deus Vivo, Santo, Forte e Eterno! Uma santa e feliz Páscoa para todos!
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Santo Sábado de Aleluia


NO SÁBADO SANTO honra-se a sepultura de Jesus Cristo e sua descida à mansão dos mortos; depois do sinal do Glória, começa-se a honrar sua gloriosa Ressurreição.

A noite do Sábado Santo, denominada também Vigília Pascal, é especialíssima e solene. A Vigília Pascal era antigamente celebrada à meia-noite, depois mudada, infelizmente, por questões práticas(?). Ela não pode, entretanto,  começar antes do início da noite, e deve terminar antes da aurora do domingo. – É considerada "a mãe de todas as santas vigílias", pois nesta a Igreja mantém-se de vigia à espera da Ressurreição do Senhor, a consumação de toda a nossa fé, e celebra-a com os Sacramentos da Iniciação cristã.

Esta noite é "uma vigília em honra do Senhor" (Ex 12,42). Assim ouvindo a advertência de Nosso Senhor no Evangelho (Lc 12, 35), aguardamos o retorno do Cristo, tendo nas mãos velas acesas, para que ao voltar nos encontre vigilantes e nos faça sentar à sua Mesa.

A vigília desta noite é dividida do seguinte modo:

1) A Celebração da Luz;

2) A meditação sobre as maravilhas que Deus realizou desde o início pelo seu povo, que confiou em sua Palavra e em sua Promessa;

3) O nascimento espiritual de novos filhos de Deus através do Sacramento do Batismo;

4) E por fim a tão esperada Comunhão Pascal, na qual rendemos ação de graças à Nosso Senhor por sua Gloriosa Ressurreição, na esperança de que possamos também nós ressurgir como Ele para a vida eterna.



Benção do Lume Novo

As luzes da igreja estão todas apagadas. Do lado de fora está um fogareiro preparado pelo sacristão antes do início das funções, com a faísca tirada de uma pedra. Então o celebrante abençoa o fogo e o turiferário recolhe algumas brasas bentas e as coloca no turíbulo. A pedra representa Cristo, "a pedra angular" que, sob os golpes da cruz, jorrou sobre nós o Espírito Santo.

O fogo novo, representativo da Ressurreição de Nosso Senhor, luz Divina apagada por três dias, que há de aparecer ao pé do túmulo de Cristo, que se imagina exterior ao recinto da igreja, e resplandecerá no Dia da Ressurreição. Deve ser novo este fogo, porque Nosso Senhor, simbolizado por ele, acaba de sair do túmulo.

Essa cerimônia era já conhecida nos primeiros séculos da cristandade. Tem sua origem no costume romano de iluminar a noite com muitas lâmpadas. Essas lâmpadas passam a ser símbolo do Senhor Ressuscitado, que surge de dentro da noite da morte.


A procissão com o Círio Pascal

Após a cerimônia de preparação do Círio Pascal, é ele solenemente introduzido no templo por um diácono que, por três vezes, ao longo do cortejo pela nave central, canta elevando sucessivamente o tom: "Eis a luz de Cristo" (Lumen Christi). O coro responde: "Graças a Deus" (Deo Gratias). Em cada parada vão se acendendo aos poucos as velas: na primeira vez é acesa a vela do celebrante; na segunda parada, feita no meio do corredor central, são acesas as velas dos clérigos; na terceira vez, por fim, se acendem as velas dos assistentes, que comunicam as chamas do Círio bento até toda a igreja estar iluminada.

As velas são acesas no Círio Pascal, pois nossa luz vem de Cristo. O diácono, que vem vindo, é, portanto, mensageiro e arauto da boa nova: anuncia ao povo a Ressurreição de Cristo, como outrora o Anjo às santas mulheres.

As palavras Lumen Christi significam que Jesus Cristo é a única Luz do mundo.

A procissão, que se forma atrás do Círio Pascal é repleta de símbolos. É alusão às palavras de Nosso Senhor: "Eu Sou a Luz do mundo. Quem me segue não anda nas trevas, mas terá a Luz da Vida" (Jo 8,12; Jo 9,5; 12,46). O Círio, conduzido à frente, recorda a coluna de fogo pela qual Deus precedia na escuridão da noite ao povo de Israel ao sair da escravidão do Egito e lhe mostrava o caminho (Ex 13, 21). – O cristão é aquele que, para iluminar, se deixa consumir na Luz maior, e que em sua luz acende outras, dando sua própria vida, como ensinou e fez Nosso Senhor Jesus Cristo (Jo 15,13).



O Precônio Pascal

Ao término da procissão, na qual se introduz o Círio no Templo, é ele colocado em local apropriado. Com a vela acesa na mão, renovamos nossa fé, proclamando Jesus Cristo, Luz do mundo que ressurgiu das trevas para iluminar nosso caminho. E lembramos que por vocação todo cristão é chamado a ser também luz, como Ele mesmo nos diz: "Vós sois a luz do mundo. Que, portanto, brilhe vossa luz diante dos homens, para que as pessoas vejam vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai, que está nos Céus!" (Mt 5,14.16).

O diácono, após incensar o Círio e o Livro, canta o Precônio Pascal, do latim Praeconium Pascale, que significa Anunciação da Páscoa (vídeo acima), em que se exaltam os benefícios da Redenção e que é um belo poema, a partir da vela, sobre o trabalho das abelhas e o material para a sua confecção, o significado da luz ao longo da história de Israel e, de modo especial, sobre Jesus, a Luz do mundo. As magníficas palavras deste hino são atribuídas a Santo Ambrósio e a Santo Agostinho. É esse canto o antigo Lucernário da Vigília Pascal. O nome Lucernário foi dado às orações que se diziam na reunião litúrgica ao acenderem-se as luzes ao anoitecer (veja letra e tradução aqui).

Arderá daí em diante o Círio Pascal, em todas as funções, durante quarenta dias, recordando a permanência na Terra de Cristo ressuscitado. Retirar-se-á no dia da Ascensão, isto é, no momento em que Jesus Cristo ressuscitado sobe ao Céu.


Leitura das Profecias

Nos primórdios da Igreja, nesta hora, aproximavam-se os catecúmenos para receberem o Batismo. A fim de ocupar a atenção dos fiéis e para a maior instrução dos catecúmenos, liam-se na tribuna passagens da Sagrada Escritura apropriados ao ato. Eram as Doze Profecias, como resumo histórico da Religião: criação, dilúvio, libertação dos israelitas, oráculos messiânicos.

Atualmente são feitas apenas nove leituras, sete do Antigo Testamento e duas do Novo. Para cada leitura, há uma oração, com cântico ou salmo responsorial. Após a sétima leitura, são acessas as velas do Altar a partir do Círio Pascal e o sacerdote entoa o canto do Gloria in Excelsis, com acompanhamento de instrumentos musicais e de sinos, que ficaram calados durante todo o Tríduo sagrado. A Igreja, portanto, entra inteira na alegria pascal. Logo em seguida é feita a primeira leitura do Novo Testamento (Rm 6,3-11), que é sobre o Batismo.

Após o término das leituras, o sacerdote entoa o canto solene do "Aleluia", quebrando o clima de tristeza e contrição que acompanhava todo o tempo da Quaresma. Esse canto solene, repetido gradativamente três vezes em tom cada vez mais alto, representa a saída de Cristo da sepultura e expressa o crescente júbilo pela Vitória do Salvador. Por fim, proclama-se um trecho do Evangelho sobre a Ressurreição de Jesus, levando-se em consideração o ciclo anual A, B e C.


Benção da pia batismal

Terminada a leitura das Profecias, vai o Clero para a pia batismal. Na frente do cortejo, a Cruz e o Círio Pascal, símbolos de Cristo que deve alumiar a nossa peregrinação terrena, como em outras eras a nuvem luminosa norteava o rumo dos israelitas no deserto.

O celebrante abençoa a água num magnífico prefácio em que são lembradas as maravilhas que Deus quis operar por meio da água; depois, com a mão divide em quatro partes a água já purificada, e derrama algumas gotas nos quatro pontos cardeais. Enfim, nessa pia batismal, mergulha por três vezes o Círio Pascal, simbolizando o poder regenerador que Jesus Ressuscitado dá a essa água e, também, nossa participação em seu Mistério Pascal, no qual morremos ao pecado e ressuscitamos para a vida da Graça. E ainda deita nela um pouco do óleo dos catecúmenos e do santo Crisma. Essa água será usada nos batizados ao longo do ano e na aspersão do povo.

Quando não há Batismo-Confirmação, sempre se benze a água, que é levada solenemente até a pia batismal.

Antigamente, após os ritos preparatórias, era administrado o Batismo solene aos catecúmenos (os que se iniciavam na fé cristã) que, durante três anos, viviam um processo intenso de preparação para ingressar na Igreja, com um rigor maior na Quaresma e na Semana Santa. Findos os ritos preparatórios, os catecúmenos, jubilosos, eram levados ao lugar onde haveriam de receber o Batismo. A aspersão dos fiéis que hoje em dia o celebrante faz, avançando através da igreja, com a água acabada de benzer, recorda esta antiga cerimônia .

Depois da benção da pia batismal, volta o préstito ao coro, cantando a Ladainha de Todos os Santos, recordando os que viveram com fidelidade a Graça Batismal. Chegados ao pé do Altar, o celebrante e seus ministros prostram-se para meditar ainda na Morte e Sepultura de Nosso Senhor.

O final do Sábado Santo, com seus três aspectos do mesmo e único Mistério Pascal: Morte, Sepultamento e Ressurreição de Jesus, está no ápice do Tríduo Pascal. Primeiro está a Morte na Sexta-feira; depois Jesus no túmulo, no Sábado; e, em seguida, a Ressurreição, no Domingo, iniciada, porém, na noite de Sábado, por isso dito "Sábado de Aleluia", na Vigília Pascal.

A Missa do Sábado Santo é a primeira das duas cantadas na Páscoa. Esta Celebração ostenta o caráter de extremo júbilo e magnificência, em forte contraste com a mágoa intensa da Sexta-feira Santa. Vemos agora os Altares e os dignatários paramentados, em grande gala. Reboam as notas alegres do Gloria in Excelsis, unidas ao eco dos sinos festivos! O Aleluia, não mais ouvido desde o início da Quaresma, ressurge após a Epístola. – Essa é, na realidade a Missa da madrugada da Páscoa. É a celebração, por assim dizer, da Aurora da Ressurreição.




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• Adaptado de artigo de Emílio Portugal Coutinho para a
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Santa Sexta-feira da Paixão do Senhor


HOJE É UM dos dias mais importantes de todo o calendário cristão. É o dia de celebrar o Sacrifício Redentor de Nosso Senhor Jesus Cristo pela salvação de nossas almas.

Por isso mesmo, é triste observar certas comunidades católicas que caem na monotonia, que celebram seus momentos e datas mais importantes sem emoção, sem verdadeira entrega e sem entrar no espírito da celebração. Isso é válido para todos os momentos do Calendário Litúrgico, e mais ainda na ocasião das vésperas da Páscoa do Senhor, o momento máximo da Igreja, quando ela inteira vem celebrando a Semana Santa. É uma ocasião simplesmente, literalmente, maravilhosa para renovarmos nossa espiritualidade e nossa fé cristã! Uma Semana que começou contemplativa, segue agora introspectiva e se encerrará em grande festa.

Na expectativa do Domingo da Páscoa e da Ressurreição do Senhor, vivemos quarenta dias de contrição, interiorização e penitência, para comemorar enfim a grande Vitória sobre o pecado e a morte. Vencendo as forças das trevas, Jesus ressurgiu triunfal, para nos garantir a vida eterna! Mas antes do momento de celebrar nossa imensa alegria cristã, por sermos católicos e por termos sido feitos filhos de Deus, precisamos viver a Sexta-Feira da Paixão do Senhor.



Este é o segundo dia do Tríduo Pascal. O que Jesus realizou ontem nos ritos da Santa Ceia, Ele hoje realiza na dureza e angústia da Cruz: entregou-se totalmente por nós, consumou por nós a sua vida, numa total entrega ao Pai, que nos reconcilia com o Pai. Hoje não é dia de reuniões festivas nem de se empanturrar com bacalhoadas e consumo das bebidas alcoólicas. Hoje, o verdadeiro cristão católico jejua e se abstém de carne.

A Liturgia de hoje é solene e dramática. O Altar é desnudo, sem nenhum ornamento. De fato, não há palavras para exprimir o imenso Mistério que celebramos: o Filho eterno, Deus Santo, Vivo e Verdadeiro, nesta Tarde sacratíssima, por cada um de nós se entregou à morte, – e morte de cruz! Para contemplar o Mistério hoje celebrado, tomemos, então, com temor e tremor, as palavras da Epístola aos Hebreus, que escutamos. Hoje não se celebra a Eucaristia, mas, às 15h, os cristãos se reúnem em santa assembléia para fazer memória da Paixão e Morte do Senhor, exaltando a Santa Cruz. Que o dia de hoje seja de silêncio, oração e penitência. São as leituras do dia:

• Is 52,13 – 53,12
• Sl 30
• Hb 4,14-16; 5,7-9
• Jo 18,1–19,42


Mesmo sendo Deus e Filho de Deus, o Cristo aprendeu o que significa a obediência a Deus a partir da experiência humana, até as últimas consequências. Eis aqui uma realidade que jamais poderemos compreender totalmente! O Filho Eterno, o Filho que viveu sempre na intimidade do Pai, o Filho infinitamente amado pelo Pai, no seu caminho neste mundo aprendeu a descobrir, a cada dia, a vontade do Pai Celeste e a ser a ela obediente! Mais ainda: esta obediência lhe custou lágrimas, angústias, humilhação, dores e sofrimento extremo! Toda a existência do Senhor Jesus foi uma total dedicação ao Pai, uma absoluta entrega, no dia-a-dia, nas pequenas coisas... Jesus foi procurando e descobrindo a vontade do Pai nos acontecimentos, nas pessoas, nas Escrituras. E pouco a pouco foi percebendo que esta Vontade ia levá-lo à cruz. E nosso Deus Salvador, ao mesmo tempo Poderoso e Forte, e doce, manso e humilde de coração, foi se entregando, se esvaziando, se abandonando por Amor a cada um de nós.

Abba! Pai! Tudo é possível para Ti: afasta de mim este cálice; porém não o que eu quero, mas o que Tu queres!” (Mc 14,36). Para o Senhor Jesus Cristo, como para nós, a Vontade do Pai muitas vezes pareceu enigmática, e Ele teve que discerni-la e descobri-la entre trevas densas e dolorosas. Mas, ao fim, como nos comove a entrega total do Cristo: “Pai, em tuas Mãos entrego o meu Espírito!” (Lc 23, 46). Em tuas Mãos, amado Pai, eu me abandono! Para nós, o Filho é modelo e caminho de amor ao Pai. Ser cristão é entregar-se ao Senhor Deus como ele se entregou. E esta entrega total foi por nós: “Cristo, por nós, fez-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Fl 2,8).



“Mas, na consumação de sua vida, tornou-se causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem”. Isto é, tornado perfeito na obediência, consumando toda a sua existência humana de modo amoroso e total, entregando-se ao Pai por nós, ele se tornou causa da nossa salvação! Vejam, irmãos: não se oferecem mais ao Pai sacrifícios de vítimas irracionais e impessoais! Agora é o próprio Cordeiro santo e imaculado que, com todo o amor de seu Coração, com toda a dedicação de sua Alma, se oferece livremente por nós todos! Façamos também nós, de nossas vidas, uma entrega total ao Pai, com Jesus: entrega de nossos atos, de nossos pensamentos, de nossos afetos, de nossos negócios, de nossa vida familiar e profissional, de nossas decisões e escolhas, de nossas relações humanas, de nossas alegrias e sofrimentos. Tudo, absolutamente tudo, ofereçamos ao Pai com Jesus e por Jesus, e entraremos na salvação que Ele nos trouxe por sua cruz!

Nesta santíssima Sexta-Feira da Paixão, somos convidados a não somente contemplar, admirados, a entrega total do Filho ao Pai amado, mas também somos chamados a participar dessa mesma entrega. É assim que Cristo é causa de salvação para nós!

Senhor Jesus, que o teu sublime exemplo de amor ao Pai e a nós, nos comova e converta o coração, tire-nos da preguiça espiritual e nos livre de uma vida cristã morna e falsa! Senhor, obrigados por tão grande prova de Amor a nós e ao mundo todo! Obrigados por tuas dores, obrigados por tua cruz, obrigados por tua morte e por tua sepultura!

Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos, porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo!
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Começa a Semana Santa

DOMINGO DE RAMOS, portal de entrada solene para a Semana Santa dos cristãos. Desde o princípio da Quaresma viemos nos preparando, com jejum, penitência e caridade: agora, celebramos a entrada triunfal de Jesus, o Cristo, Nosso Senhor, em Jerusalém, a Cidade Santa. Ele vem para consumar o Mistério Pascal, o Plano da Salvação de Deus para a humanidade. Recordando esse momento com fé e grande amor, acompanhamos o Senhor, para que que, participando agora de sua Cruz, possamos um dia ter parte da Sua ressurreição. Hosana nas alturas! Bendito o que vem em Nome do Senhor!






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