Heresias, tão antigas e tão novas: o arianismo

Interessantíssima concepção artística da Santíssima Trindade,
 pelo artista alemão Fridolin Leiber (1853– 1912)

Ler a primeira parte desta série

NA IGREJA ANTIGA, de modo particular no século IV, um dos grandes problemas que a atingiu foi o arianismo, uma corrente de pensamento proveniente de um sacerdote de Alexandria chamado Ário.

O arianismo dá continuidade a determinadas questões sobre a Pessoa de Jesus Cristo e a realidade da Santíssima Trindade. Como compreender o humano e o divino em Jesus? Qual a relação de Jesus, o Filho, com o Pai?

Ao tentar responder a essas questões, Ário se perdeu em demasia entre vários elementos da filosofia grega, querendo enquadrar a fé nos moldes da lógica e do discurso racional. Aqui está, talvez o primeiro equívoco dos arianos, achar que é possível pegar o dado revelado e reduzi-lo aos critérios da razão. A Tradição cristã defenderá um diálogo necessário entre fé e razão, porém deixando claro os limites da razão.

Além disso, neste período, muitos autores tanto cristãos quanto não cristãos, entendiam que entre Deus e o mundo haveria seres intermediários subordinados a Divindade que teriam como finalidade estabelecer a ligação entre Deus, que seria totalmente inacessível, e a realidade criada.

Ora, Ário, influenciado por esses princípios e ao mesmo tempo entendendo que Deus era um Ser absoluto, uno, totalmente transcendente, imutável, fora do tempo, não conseguia conciliar esta noção de Deus com a fé tradicional da Igreja que defendia a divindade e a humanidade de jesus e também a ideia de que Deus seria uno e trino ao mesmo tempo. Assim, para o arianismo, a Encarnação de Deus em Jesus de Nazaré é a realidade da dimensão Trinitária de Deus, era o ápice de um discurso ilógico e irracional.
Desta maneira, parar salvar a coerência da fé cristã, Ário propõe que Jesus, o Filho, até poderia ser divino, mas um “deus menor”, subordinado ao Pai, este sim Deus no sentido absoluto.

Esta subordinação ariana provocou várias reações contrárias. Primeiramente do bispo Alexandre de Alexandria que no ano 318 realizou um sínodo local e condenou o pensamento de Ário. Todavia, Ário continuou tendo apoio de alguns setores da Igreja e da sociedade da época. Assim, no ano 325, convocado pelo imperador Constantino, ocorre o I Concílio Ecumênico, isto é, universal da Igreja na cidade de Niceia.

Com a presença de mais de 300 bispos, o Concílio definiu que Jesus, o Filho, é “Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não feito, consubstancial (homoousios) ao Pai, por Ele foram feitas todas as coisas”.

Com isso fica laro que o Filho e o Pai tem a mesma Natureza, o mesmo Ser divino, logo possuem a mesma dignidade e poder, não havendo um maior e outro menor. O Senhor Jesus não foi apenas um grande homem, um profeta, muito menos um líder revolucionário.


Santo Atanásio de Alexandria

Infelizmente, o processo de recepção das decisões tomadas em Niceia não foi tranquilo. Santo Atanásio (295-373), por exemplo, que foi uma grande coluna da Igreja e um grande defensor da fé conforme esclarecida em Niceia, ficou exilado várias vezes por combater o arianismo.

Enfim, que possamos em nossos dias ter a coragem de Santo Atanásio de defender a verdadeira fé católica, pois é muito comum hoje em dia salientar a humanidade de Jesus ao ponto de negar ou relativizar sua divindade.



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Esta é a quinta parte de uma série de postagens relacionadas entre si, adaptadas do conteúdo do recém-lançado (e precioso) opúsculo do Prof. Dr. Joel Gracioso, “Heresias: tão antigas e tão novas” (Kenosis/DDM, 2015), que divulgamos, pedindo a Nosso Senhor que renove, nos corações dos homens, o amor sincero pela Verdade eterna.

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Fonte:
GRACIOSO, Joel, Heresias: tão antigas e tão novas. São Paulo: Kenosis; DDM, 2015, pp. 15-17.
* O texto deste artigo contém excertos de Henrique Sebastião, autor/editor de 'O Fiel Católico'

6 comentários:

  1. Podemos dizer que os Testemunhas de Jeová, é uma versão moderna do arianismo`.

    Sidnei

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  2. Infelizmente essa tentação da heresia sempre existiu na igreja de Jesus Cristo.

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    1. É verdade sim, temos hoje as milhares de seitas protestantes, cada qual mais relativista que a outra, disputando entre si e se acusando de hereges.
      Mesmo dentro da Igreja temos hereges, como apoiadores ou membros da esquerdista TL, repassando um cristianismo fraternalista, humanitário, sem transcendência alguma, atendendo a interesses ideológicos, como dos comunistas, caso do PT aliado a esses movimentos.
      Na direção da CNBB por não censurarem os comunistas e aparentemente por não os afrontar, acabar por ser ponto de apoio deles, por omissão!
      Até no anterior e recente Sínodo das Famílias, temos hereges, como os ostensivos defensores de se permitir a S Comunhão aos em segunda uniões vinculados ao casamento anterior, aos homossexuais em sodomia, apoiadores de marxistas, defensores de uso das pílulas anticoncepcionais, do dia seguinte, todos os contraceptivos, quer membros do clero ou da Alta Hierarquia, traidores de Jesus e de sua Igreja!
      Talvez seriam infiltrados da maçonaria, comunistas ou protestantes!

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    2. Por isso que muitos sao chamados mas poucos os escolhidos.Muita gente no segundo, terceiro, quarto casamento. Uso de pilulas e geral,muitos macons infiltrados em tudo que e lugar.Teologia da Prosperidade ganhando terreno. A porta ta estreita para chegar ao Ceu.

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  3. Poderia por favor me orientar onde encontrar nesse site, como se fundamentou a fé da santíssima trindade em relação aos concílios.

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    1. Ainda não publicamos nenhum artigo tratando deste tema específico, João Carlos, mas é uma sugestão bastante interessante, que será levada em consideração.

      A Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo

      Apostolado Fiel Católico

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