O dia e a noite


Por Dr. Valdir Reginato1

EM UM ENCONTRO internacional, – numa hipótese de ficção, – reúnem-se cientistas do mundo inteiro para tomar uma decisão jamais pensada: reformular o conceito de dia e noite. Afinal, é necessário atualizar, diante das transformações do mundo moderno, principalmente após o advento da eletricidade, a ideia de dia e noite.

Não tem mais sentido falarmos de dia e de noite, quando o homem, a partir da eletricidade, passou a poder viver de modo tão diferente. Podemos passar horas da noite trabalhando com os recursos da luz elétrica e, por outro lado, dormirmos durante o dia, num ambiente sem luminosidade. Podemos fazer dias com longas jornadas, conforme o interesse das atividades desenvolvidas. Podemos mesmo ignorar a existência do ciclo dia-noite, e vivermos mergulhados nos oceanos ou no subsolo a dezenas de metros da superfície, promovendo o ciclo que bem entendermos ser o melhor para os que ali habitam.

Será possível até promover uma agricultura que sobreviva a essas condições, assim como a criação de animais. Ao fim, não haveria mais sentido em considerarmos o dia e a noite como um “fenômeno da criação” a ser respeitado. Afinal, nos tornamos senhores livres destas limitações que oprimiam o povo antigo, ignorante, que chegou até a cultuar estes astros como responsáveis pela vida no planeta!

No entanto, ainda que se consigam realizar todas estas maravilhas da tecnologia que mascaram a existência do dia e da noite, o fato em si continua sendo a realidade certa e incontestável: o dia e a noite continuam existindo. Mais: são os grandes responsáveis pelo planeta permanecer no equilíbrio e nas condições necessárias para sua preservação. A presença ou não da luz, que pode ser reproduzida por outras fontes, ou o próprio calor nela contido, são apenas uma parcela da magnitude do fenômeno a que denominamos ciclo dia e noite.

Não é este o momento para reflexões astronômicas e geográficas, com todas as suas leis físicas, químicas e biológicas; mas é do ensino fundamental que o dia e a noite são condições que determinam a vida no planeta. Uma associação onde a complementaridade é perfeita, não podendo nunca ser dia onde é noite, e não podendo ser noite onde é dia. É fato que nas pequenas áreas, localizadas nos extremos polos, estas condições beiram uma situação limítrofe, apresentando-se extraordinariamente em relação ao todo do planeta. Porém, não fugirá a identidade do ciclo. – É importante salientar que muito se tem falado dos excessos destas inversões do dia e noite à custa dos recursos da energia artificial.

Na linha de uma vida saudável, sabemos cada vez mais que viver na condição da natureza é um bem enorme à saúde física e mental do ser humano. Permanecer em ambientes artificiais por períodos prolongados favorece o desenvolvimento de doenças, quer físicas ou mentais. Constatações conhecidas são as permanências prolongadas no espaço, ou as dos profissionais que invertem permanentemente o ciclo em função de suas atividades.

Isto significa que a maquiagem que adultera a realidade objetivamente existente do dia e da noite, ainda que possa ser defendida com veemência por alguns, jamais conseguirá anular o fato incontestável: o ciclo dia e noite existe e não está nas mãos humanas poder modificá-lo. Mais: a maquiagem que queira escondê-lo pode acarretar graves danos à saúde.

Na mesma linha de raciocínio temos assistido, recentemente, debates que chegam mesmo a atritos nas argumentações, a respeito de se modificar a sexualidade humana. O que há pouco mais de dez anos seria impensável, – e até ridículo, – é apresentado como uma grande descoberta do século XXI que passou totalmente desapercebida por toda a história da humanidade até agora. Como nunca antes se percebeu que a sexualidade masculina e feminina não está estabelecida na criança, mas foi decorrente de um processo cultural repressor, machista e competitivo que divide homens e mulheres, quase como a insuflar a dignidade masculina e escravizar a inferioridade feminina?!

Torna-se, segundo os defensores da ideologia de gênero, defender com todos os recursos disponíveis na mídia, que a criança deve ser educada numa neutralidade democrática sexual, sem “discriminação”, para que possa depois escolher livremente a condição que deseja ser, e não em definitivo, mas conforme as circunstâncias do momento! Pode parecer inacreditável, mas é isto. E assim estão se posicionando nas escolas, com a introdução de leituras que deturpam o “conservadorismo” e abrem para a luz da “democratização da sexualidade”!

É imprescindível que os pais estejam alertas ao que se oferece para leitura aos seus filhos. Apesar de derrotado este projeto nas instâncias federal e municipal, a pressão forçada, parcial e autoritária desta doutrina está deturpando a orientação das crianças. A nossa omissão não nos poupará das nefastas consequências.

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1. Valdir Reginato é médico, Doutor em Ciências e especialista em Bioética pela USP. Atua em medicina de família e terapia de família. É membro do Centro de História e Filosofia das Ciências da Saúde da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP); membro do Comitê de Ética em Pesquisa pela UNIFESP; professor nas áreas de História da Medicina, Filosofia da Ciência e Bioética na UNIFESP, para os cursos de Biomedicina e Enfermagem. Introduziu em 2007 a disciplina de Espiritualidade e Medicina nos cursos de Medicina e Enfermagem na UNIFESP. É autor do livro 'Aprendendo a ser pai em dez lições' (Paulinas, 3ª edição). Com centenas de artigos publicados em revistas diversas, é coordenador da Pastoral da Família da paróquia Nossa Senhora do Brasil e colunista da revista 'O Fiel Católico'.
www.ofielcatolico.com.br

4 comentários:

  1. Olá! Realmente devemos nos posicionar firmemente contra tal ideologia de forma a proteger nossas crianças.
    Abraços e fique com Deus!

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  2. Rosa M. M. Andrade3 de outubro de 2015 19:30

    Educar nossos filhos, netos... nessa confusão de realidades é bastante difícil. Ainda assim, precisamos er fortes e coerentes com nossa formação cristã, católica. precisamos estar em constante trocas de informações com a Santa Igreja.

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  3. Paz e bem !
    Com certeza temos que nos unir e defender a família que Deus deixou como exemplo de graças e bençãos.
    Abraços.

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  4. Paz de CRISTO. Uma coisa que combato muito;(não sei certo ou errado) é: DEUS fez homem e mulher e disse: Crescei e multiplicai-vos. Agora pergunto: donde veio lésbica e viado?

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