Treze cardeais escrevem carta ao Papa por ocasião do Sínodo sobre a família


TREZE SIGNATÁRIOS com cargos de primeira magnitude na hierarquia da Igreja enviaram ao papa Francisco uma carta, concisa e clara, em que submetem à atenção do Sumo Pontífice uma série de “preocupações”, suas e de outros Padres sinodais, sobre os procedimentos do Sínodo, segundo esta opinião “configurado para facilitar resultados pré-determinados sobre questões controversas importantes”, e sobretudo com relação ao Instrumentum laboris”, considerado inadequado como “ texto de orientação e fundamentação de um documento final”. Entre eles estão, em ordem alfabética:

• Carlo Caffara, arcebispo de Bolonha, Itália, teólogo, o primeiro presidente do Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família;

• Thomas C. Collins, arcebispo de Toronto, Canadá;

• Timothy M. Dolan, arcebispo de Nova York, Estados Unidos;

• Willem J. Eijk, Arcebispo de Utrecht, Países Baixos;

• Gerhard L. Müller, ex-bispo de Regensburg, na Alemanha, a partir de 2012 prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé;

• Wilfrid Fox Napier, arcebispo de Durban, África do Sul, o vice-presidente do sínodo já em curso como também da reunião anterior, em outubro de 2014;

• George Pell, arcebispo emérito de Sydney, na Austrália, a partir de 2014 prefeito da secretaria do Vaticano para a economia;

• Robert Sarah, ex-arcebispo de Conakry, Guiné, a partir de 2014 Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos;

• Jorge L. Urosa Savino, Arcebispo de Caracas, Venezuela.


Segue abaixo o texto da carta, traduzido da versão original (em inglês):

Santidade,

Como o Sínodo sobre a Família se inicia, e com o desejo de vê-lo produtivamente servindo à Igreja e ao seu ministério, nós respeitosamente pedimos que Vossa Santidade considere uma série de preocupações que temos ouvido de outros padres sinodais, e que compartilhamos.

Enquanto o documento preparatório do Sínodo, o 'Instrumentum Laboris', tem elementos admiráveis, tem também seções que se beneficiariam de uma substancial reflexão e reformulação. Os novos procedimentos que orientam o Sínodo parecem garantir sua influência excessiva sobre as deliberações e sobre seu documento final. Tal como está, e dadas as preocupações manifestadas por muitos padres sobre suas várias seções problemáticas, o 'Instrumentum' não pode adequadamente servir como texto de orientação ou fundamento de um documento final.

Os novos procedimentos sinodais serão vistos por alguns como carentes de abertura e genuína colegialidade. No passado, o processo de oferecer proposições e votar essas proposições serviu ao propósito valioso de adotar as medidas concebidas na mente dos padres sinodais. A ausência de proposições e discussões relacionadas e de votação parecem desencorajar o debate aberto e restringir a discussão a pequenos grupos. Assim, parece-nos urgente que a elaboração de proposições a serem votadas por todo o Sínodo devam ser restauradas. A votação de um documento final sai tarde demais no processo para que se faça uma revisão completa e um sério ajustamento do texto.

Além disso, a falta de participação dos padres sinodais na composição da comissão de redação criou um desconforto considerável. Os membros foram indicados e nomeados, não eleitos, sem consulta. Da mesma forma, qualquer um trabalhando na elaboração de documentos no âmbito dos pequenos círculos deveria ser eleito, não nomeado.

Por sua vez, esses fatos criaram uma preocupação de que os novos procedimentos não são fiéis ao espírito tradicional e ao propósito de um sínodo. Não está claro porque essas mudanças processuais são necessárias. Um número considerável de padres sente que o novo processo está destinado a facilitar resultados pré-determinados sobre importantes questões em disputa.

Finalmente, e talvez o mais urgentemente, vários padres expressaram preocupação de que um sínodo projetado para tratar de um assunto pastoral vital, – o reforço da dignidade do Matrimônio e da família, – pode tornar-se dominado pela questão teológica/doutrinária da Comunhão para os divorciados civilmente recasados. Se assim for, isso vai inevitavelmente levantar ainda mais questões fundamentais sobre como a Igreja, daqui para a frente, deverá interpretar e aplicar a Palavra de Deus, sua Doutrina e sua disciplina às mudanças nas culturas. O colapso das igrejas protestantes liberais na era moderna, acelerada por seu abandono dos elementos-chave da fé e da prática cristã em nome da 'adaptação pastoral', merece muita cautela em nossas próprias discussões sinodais.

Santidade, nós oferecemos estes pensamentos em um espírito de fidelidade e agradecemos por considerá-las.

Fielmente em Jesus Cristo

_________
Por Sandro Magister, 12 de outubro de 2015 | Tradução: Gercione Lima – FratresInUnum.com

Fonte:
Fratres in Unun, 'Treze cardeais escrevem ao papa. Eis aqui a carta', disp. em:
http://fratresinunum.com/2015/10/14/treze-cardeais-escreveram-ao-papa-eis-aqui-a-carta/
Acesso 13/10/015
www.ofielcatolico.com.br

Um comentário:

  1. Meu Deus!!!!
    Como pode? Sacerdotes com cargos de primeira magnitude na hierarquia da Santa Igreja, aceitar ou deixar que membros fossem nomeados e indicados para cargos eletivos sem nenhuma consulta prévia. Até parece o nosso Congresso Nacional, onde são feitas nomeações para as diversas comissões de inquéritos, com conchavos por “baixo dos panos” e conluios.
    É lamentável...
    Deixa transparecer que se trata do primeiro Sínodo realizado pela bimilenar Santa Igreja de Jesus Cristo, com tantas imperfeições, expulsões, manipulações e algumas evidencias de agendas ocultas desde o seu inicio em outubro do ano passado.

    Seja sempre louvado Nosso Senhor Jesus Cristo!

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