É recomendável (ou lícito) fazer promessas a Deus?


UM LEITOR E ASSINANTE de nossa revista, cujo nome não fomos autorizados a divulgar, enviou-nos por e-mail a pergunta que reproduzimos abaixo:

Sou católico praticante (...). Tenho uma duvida: É correto fazer promessas? Não consigo ver sentido nessa pratica, prometer algo a Deus ou a um santo em troca de uma benção, de um milagre isso não é querer comprar Deus? Gostaria que vcs me esclarecessem esta duvida. Desde já obrigado!"

Em primeiro lugar, agradecemos pela confiança em nosso apostolado. Quanto à sua pergunta, sim, a Igreja aprova a prática das promessas ou votos feitos perante Deus, – mas, sem dúvida, existe muita confusão e muita dificuldade para se compreender o assunto. – O problema é que há muita ignorância quanto a esta matéria, e o fato de vivermos em um país de maioria ainda inculta piora muito a situação. Reproduzo abaixo o que diz o Catecismo da Igreja Católica sobre o assunto:

2101. Em várias circunstâncias, o cristão é convidado a fazer promessas a Deus. O Batismo e a Confirmação, o Matrimônio e a Ordenação sempre as contêm. Por devoção pessoal, o cristão pode também prometer a Deus este ou aquele ato, oração, esmola, peregrinação etc. A fidelidade às promessas feitas a Deus é uma manifestação do respeito devido à Majestade divina e do amor para com o Deus fiel.
2102. "O voto, isto é, a promessa deliberada e livre de um bem possível e melhor feita a Deus, deve ser cumprido a título da virtude de religião." O voto é um ato de devoção no qual o cristão se consagra a Deus ou lhe promete uma obra boa. Pelo cumprimento de seus votos, o homem dá a Deus o que lhe prometeu e consagrou. Os Atos dos Apóstolos nos mostram S. Paulo preocupado em cumprir os votos que fizera.
2103. A Igreja atribui um valor exemplar aos votos de praticar os conselhos evangélicos: A Mãe Igreja alegra-se ao encontrar em seu seio muitos homens e mulheres que seguem mais estreitamente o despojamento do Salvador e mais claramente o demonstram, aceitando a pobreza na liberdade dos filhos de Deus e renunciando às próprias vontades; submetem-se eles aos homens por causa de Deus, em matéria de perfeição, além da medida do preceito, para que mais plenamente se conformem a Cristo obediente. Em certos casos a Igreja pode, por motivos adequados, dispensar dos votos e das promessas."


O voto de Jacó (Gn 28)
Desde os tempos do Antigo Testamento há o costume de se fazer votos a Deus, mas sempre houve também sérias recomendações a esse respeito: "Mais vale não fazer voto, que prometer a não ser fiel à promessa" (Ecl 5,4), adverte-nos o Livro Sagrado, que mostra também como São Paulo Apóstolo quis se submeter às obrigações do voto do nazireato: “"Paulo permaneceu ali (em Corinto) ainda algum tempo. Depois se despediu dos irmãos e navegou para a Síria e com ele Priscila e Áquila. Antes, porém, cortara o cabelo em Cêncris, porque terminara um voto" (At 18,18).

Oferece a Deus um sacrifício de louvor e cumpre teus votos para com o Altíssimo."
(Sl 50,14)

É fundamental lembrar que as promessas não obrigam Deus a nos dar o que Ele não quer dar, pois sabe o que é melhor para cada um de nós (mesmo que não pareça e não possamos compreendê-lo em certos momentos), mas estas podem obter do Senhor, muitas vezes através da intercessão dos santos, graças de que necessitamos. Lembremo-nos de que Nosso Senhor Jesus Cristo nos mandou pedir, e pedir e com insistência. Mas não nos esqueçamos de que estes pedidos, segundo as exortações do Senhor, devem ter sempre como foco principal os bens espirituais e a salvação de nossas almas

Outro ponto essencial é saber muito bem que as promessas nada têm de "mágico" ou de mecânico, nem podem ser encaradas como uma espécie de barganha com Deus, pois não se destinam a “dobrar a Vontade do Senhor. Às vezes alguns fiéis prometem coisas que não podem cumprir, – seja por falta de condições físicas, psíquicas ou financeiras, – e depois amedrontam-se pelo castigo divino. Pior ainda é quando alguém faz uma promessa para que outro a cumpra, sem o seu consentimento. Os pais, por exemplo, não devem fazer promessas para os filhos cumprirem.

No fim, as melhores promessas que podemos fazer diante de Deus, – e que já fazemos em todas as Santas Missas e sempre que recebemos os Sacramentos, – são aquelas que o próprio Cristo nos ordena: a oração, o auxílio aos necessitados e o jejum (cf. Mt 6,1-18), que são reflexo das Virtudes teologais, que são as mais perfeitas virtudes que podemos ter e cultivar: fé, esperança e amor/caridade. Assim, a Santa Missa é o centro e o alimento por excelência da vida cristã. A esmola “encobre uma multidão de pecados” (cf. 1Pd 4,8; Tg 5,20; Pr 10,12); o jejum e a mortificação purificam e libertam das paixões o ser humano. O Salvador disse ainda que certos males só podem ser eliminados pelo jejum e pela oração (Mt 17,21).

Se a prática das promessas levar o cristão católico ao exercício dessas boas obras, então é salutar. Se de algum modo visarem o egoísmo e a vaidade, envolverem a crença de manipulação de energias espirituais ou ainda camuflarem sentimentos incompatíveis com a autêntica fé cristã, então são condenáveis. Aqui vale lembrar que as promessas ou votos católicos nada têm a ver com as “as ditas obrigações” de certos cultos afro-brasileiros, que visam o comércio e a manipulação de realidades invisíveis, mas são expressões do mais puro amor filial ao Deus Uno e Trino.

http://www.ofielcatolico.com.br/2000/01/assine-revista-o-fiel-catolico-digital.html

9 comentários:

  1. Deve-se evitar fazerem promessas pois geralmente são feitas em horas de emoção, situação difícil e nem sempre cumpridas; o aconselhável, penso eu, é prometer a si mesmo de melhorar de vida se obtiver a quem rogue a graça necessitada!
    Se me permitem - Confira no site abaixo onde a CNBB está aplicando suas contribuições em "EVANGELIZAÇÃO"!
    V vai adorar!
    fidespress.com/brasil/nao-de-um-tostao-na-coleta-da-cnbb
    No próximo dia 13/12 boicote, a não que v queira ajudar os movimentos sociais(milicias comunistas) do PT!

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    1. Com certeza irei contribuir com a campanha para a evangelização da CNBB,se a Conferencia de todos os Bispos do Brasil diz que e' para a evangelização,porque vou deixar de acreditar nela que esta em comunhão com toda a igreja reconhecidamente ,inclusive com cartas como a que o Papa Sao João PauloII ,quando esta completou 50 anos,para acreditar que vai para milicias do Pt? Quem e' catolico e até quem não e' conhece a CNBB,E VOCÊ Renam quem e'? Vou acreditar na organização que representa os apostostolos de Cristo no Brasil,ou num tal de Renam?

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    2. Olá, Ivanildo,

      Eu gostaria, se você me permitir, de lhe propor uma reflexão.

      Se olharmos para a história da Igreja, veremos que em muitas oportunidades houveram bispos hereges, como por exemplo na época da heresia cátara. Apenas para citar um caso famoso, se nos lembrarmos do processo que levou à injusta execução de Santa Joana D'Arc, veremos que foi levado a curso com a participação de bispos e abades mitrados.

      Então, não é por ser bispo que é inatacável, entende isto? São sucessores dos apóstolos? Sim. Cometem erros? Sim. Estão sujeitos ao pecado, e também a pecados graves? Sim.

      Então, nem tudo aquilo que um bispo ou um grupo de bispos faz é necessariamente infalível, assim como nem mesmo o Papa é infalível, no sentido de impecável. Também tivemos Papas verdadeiramente terríveis no passado.

      Que o PT nasceu em berço católico, promovido por bispos, é fato bem conhecido. Que a CNBB está completamente dominada pelos vermelhos, isso não é segredo nenhum.

      Estes fatos representam um grande escândalo? Sim. Isso deve abalar a nossa fé? Não, pelos mesmos motivos já expostos: sabemos que as coisas sempre foram assim, e que sempre houveram Judas no seio da Igreja, desde a sua fundação até hoje.

      Estou chamando os Sr.s bispos de Judas? Não. O que estou dizendo é que existem novos Judas no seio da Igreja, hoje, e não são poucos. Estou dizendo que você não deve contribuir na campanha? Não. Estou tentando adverti-lo contra uma linha de pensamento muito ingênua.

      Concluindo, faça o que mandar a sua consciência. Por um lado, não podemos nos entregar a um pessimismo absoluto e achar que tudo está perdido, que não há bispos fiéis e santos, ou pelo menos bem intencionados, integrando a Conferência. Por outro, não podemos ser ingênuos e achar que, por serem os herdeiros dos Apóstolos, eles não erram.

      A Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo

      Apostolado Fiel Católico

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    3. Caro Henrique,
      Perfeita sua exposiçao. Sua costumeira lucidez e solida base de argumentos sao sempre esclaredoras e dignas de leitura.
      Ha sempre, com indubitavel certeza, o que aprender com seus comentarios.
      Abraços,
      Alexandre Pires.
      PS: Desculpe-me pela falta de acentos mas eu e meu smartphone ainda nao chegamos
      a um entendimento.

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  2. Gostei do esclarecimento! Eu penso que ao fazer uma promessa a Deus ou a um santo para que interceda por mim junto a Deus eu devo já ir cumprindo a promessa independente de alcançar a graça ou não. Por exemplo eu prometo rezar o terço todos os dias ou doar uma cesta basica, etc, então eu já cumpro a promessa antes de receber a graça assim estou demonstrando a minha confiança em Deus, que ouve minhas suplicas sempre e sabe o que é melhor pra mim.

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  3. Caro Henrique,
    Sem querer discordar de sua resposta nem polemizar com discussoes teologicas interminaveis, gostaria de ler, se possivel, seu comentario sobre a materia em questao face ao disposto no Sl. 139:6.
    Um abraço,
    Alexandre Pires

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  4. Gostei do post porque esta esclarecedor. Que o bom Deus nos ajude.

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  5. Estou aprendendo mt com vcs que Deus abençoe a td

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  6. Henrique sou novato nesse sate estou gostando muito do trabalho de voces já faz 2 meses que estou lendo os temas colocado no sate e o mais importante estou aumentando o pouco do meu concimento da nossa Igreja e sua doutrina que voces continue não sò com esse belissimo mas com Verdades da nossa fé que nos precisamos tanto cohencer a Paz para todos

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