Uma boa notícia: o brexit



Por Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa – Capela Santa Maria das Vitórias

ALGUÉM DISSE UMA vez que o homem é uma ilha de problemas cercado por um oceano de mistérios. Pois nesta Festa de São João a Inglaterra mostrou-se justamente o contrário: é uma ilha de mistérios cercada por um oceano de problemas. É verdade que a Inglaterra, ao longo dos séculos, causou para a civilização grandes problemas com seus pensadores e hereges: quanto mal causou, ainda na Idade Média, um Guilherme de Ockham e depois, ao tempo da Reforma, um Henrique VIII, e, mais tarde, um David Hume e outros filósofos empiristas?

Contudo, os ingleses sempre se distinguiram por um grande sentido prático e uma grande prudência nas questões políticas. Basta citar como exemplo o grande pensador Edmund Burke, com sua obra "Reflexões sobre a revolução em França", em que explica a insanidade do espírito revolucionário com o seu abstracionismo e igualitarismo proclamando direitos sem saber de onde obter os recursos necessários para que tais direitos sejam reais.

É preciso reconhecer igualmente, com admiração, como os ingleses souberam preservar e adaptar suas instituições políticas, repelindo o republicanismo ideológico que infelicita o mundo moderno. Só mesmo no terreno fétido do Brasil de hoje, só no Brasil dos ladrões lulopetistas é que se ouve aquela pérola de Márcio Tomás Bastos, repetida a torto e a direito: “Esta não é uma postura republicana”, ou:  “Este deputado sempre agiu como um republicano”.

A monarquia inglesa pode não ser um regime monárquico puro, mas uma simples realeza decorativa (é lamentável que se tenha perdido a autoridade benfazeja de um rei que exerça ao menos um poder moderador ou fiscalizador acima dos políticos e dos interesses partidários). Entretanto, a continuidade da monarquia inglesa, apesar de a rainha ser uma "papisa" de uma seita herética execrável, representa um valor do povo inglês, o firme desejo de preservar sua identidade nacional. Isto, em nossos dias infelizes (quando se organiza um poder mundial que pretende padronizar, uniformizar todas as instituições, abolindo os costumes nacionais históricos, privando os povos de suas riquezas espirituais peculiares) é muito positivo.

De modo que o resultado do plebiscito que decidiu a saída do Reino Unido da União Europeia deve ser festejado por todos os católicos que veem com preocupação a formação de um poder político anticristão no Velho Continente a serviço de uma ordem mundial maçônica visceralmente inimiga da Igreja Católica e hostil a todos os valores decorrentes da lei natural. Com efeito, nos últimos anos vimos a Europa transformando-se em algo talvez pior que a antiga União Soviética. Assistimos impotentes à agressão a tudo o que é caro ao coração de um católico. Assistimos à senhora Ângela Merkel promovendo a invasão da Europa por levas e mais levas de muçulmanos e tantos outros desastres.

Realmente o Brexit representa uma esperança de um futuro melhor não só para os ingleses, que se defendem de um oceano de problemas que os cercava e ameaçava, mas também para todas as outras nações da Europa e para todo o Ocidente. Marca o início de uma grande luta para que as nações europeias recuperem sua soberania política, econômica e militar.

Há, porém, uma condição impreterível a ser observada. É absolutamente necessário que as lideranças políticas, as figuras mais representativas das nações europeias, não pensem apenas em seus interesses econômicos, mas estejam conscientes do seu dever de defender os fundamentos morais e espirituais das nações europeias, suas raízes históricas, suas famílias, seus valores religiosos. Sem tal consciência, diante de qualquer dificuldade econômica que possa sobrevir nos próximos meses, há o risco de um recuo.

De fato, a Inglaterra, na festa de São João Batista, revelou-se uma ilha misteriosa que sabe solucionar os seus problemas. Oxalá os outros povos assimilem com prudência as boas lições que ela lhes dá hoje e rejeitem os erros que os filósofos ingleses de outros tempos espalharam pelo mundo inteiro. A propósito, é oportuno lembrar que, se Bossuet e Joseph De Maistre viam com inquietação o desenvolvimento das ideias políticas, filosóficas e religiosas da Inglaterra, De Bonald, em sua obra magistral "Théorie du pouvoir politique et religieux", fazia uma interessante análise: a Inglaterra, para conservar sua constituição monárquica, tenderia a voltar para o seio da Santa Igreja. Hoje, a ilha misteriosa é um dos países onde mais se adota o rito litúrgico romano tradicional. De maneira que, conservando a coroa e trono, e recuperando a fé católica, a Inglaterra poderá quem sabe ajudar as nações do continente a resgatar a sua soberania e a recuperar suas antigas constituições.

Finalmente, observamos que outra lição importante a tirar do ocorrido na Ilha misteriosa é que a grande mídia mundial, corrupta e mentirosa, a serviço da Nova Ordem, vinha nos últimos dias manipulando as pesquisas de opinião e agora inicia uma batalha pela convocação de um novo referendo. Tomara que os ingleses começassem a empastelar esses pasquins e, se necessário, fizessem uma guerra civil capaz de se espalhar por toda a Europa.

Que São Jorge, patrono da Inglaterra, esmague o dragão União Europeia e liberte as nações da antiga cristandade.

Anápolis, 24 de junho de 2016

___
Fonte:
Capela Santa Maria das Vitórias, disponível em:
http://santamariadasvitorias.org/uma-boa-noticia-na-festa-do-santo-precursor-o-brexit/
Acesso 5/3/014
ofielcatolico.com.br

8 comentários:

  1. HENRIQUE,

    O site poderia tratar sobre o assunto MAÇONARIA? Eu conheço o que a Igreja diz a respeito, mas desejaria saber como explicar a imensa incompatibilidade da Igreja com a Maçonaria.

    Seria um material único em nosso idioma.

    Obrigado.

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    1. João, não sou o Henrique, mas se o Sr quiser uma doutrina completa que trata justamente sobre essa imensa INCOMPATIBILIDADE entre a Santa Igreja e a maçonaria esta aqui:

      http://www.estantevirtual.com.br/b/dom-boaventura-kloppenburg/igreja-e-maconaria-conciliacao-possivel-/3207421182?q=dom+boaventura+kloppenburg+igreja+e+maconaria

      Conheço o autor do livro, tenho duas obras dele. Esse é Católico de verdade, pode confiar, fica apenas a sugestão caso o Henrique não trate do tema e você queira se aprofundar.

      A Paz de Cristo!
      Salve Maria Imaculada!

      André

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    2. Aproveitando a publicação deste artigo sobre o Brexit gostaria de sugerir a publicação de novo artigo sobre a influência do Comunismo/Socialismo no fundamentalismo Islâmico e se as citações proféticas nas aparições Marianas referem-se aos eventos terroristas constantes na atualidade.

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    3. Sugeri um artigo, mas não me apresentei.

      Salve Maria

      Denilson

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  2. É uma pena quando vemos tentativas de uniformizar o pensamento dos católicos - principalmente quando advindas de figuras do clero - em temas que a Igreja deixa à livre escolha de seus fiéis.

    Um católico pode ser contra o regime monárquico e a favor do republicano (como é o meu caso) ou pode ser monarquista. Pode ser favorável ao Brexit (como eu, ao menos considerando a atual formatação da UE) ou não. Pode ser ou não favorável à União Européia (aliás, de concepção democrata-cristã em suas origens.

    Realmente, uma pena!

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    1. Agradeço por compartilhar as suas impressões, Wagner, mas não vejo o artigo do pe. João Batista – que é um antigo colaborador do nosso apostolado e digníssimo sacerdote da Igreja de Cristo – como uma "tentativa de uniformizar o pensamento dos católicos".

      Realmente não cremos que o nosso público (formado em sua quase totalidade por pessoas cultas ou pelo menos esclarecidas) venha a entender que esteja obrigado, como se fora por força de algum dogma, a concordar com os pontos de vista do Padre aqui expressos.

      Trata-se de uma crônica, um texto claramente opinativo e que, no nosso entendimento, merece espaço por aqui, assim como mereceria um texto que expressasse visão diferente, de algum de nossos colaboradores, desde que mantida a observância às regras que nos impõem os princípios cristãos fundamentais. Aliás, se quiser produzir um artigo deste tipo, publicaremos com prazer.

      A Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo

      Apostolado Fiel Católico

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  3. Francisco Marques30 de junho de 2016 09:31

    Sou católico e vivo na Europa.
    Conheço bem o projeto Europeu, não é perfeito mas conseguiu unir-nos.
    Esta união assustou alguns países da América e da Ásia, que tudo têm feito para a destruir.
    Sabemos que separados seremos mais fracos e como aconteceu no passado, navegaremos ao sabor desses países que querem destruir a nossa união para mais facilmente comandarem o mundo.
    Estamos a falar duma União que comporta 3 países que têm menos de 1 milhão de habitantes: Malta, Luxemburgo e Chipre. Em que a maior parte dos países têm menos de 10 milhões de habitantes. O país com melhor qualidade de vida da União Europeia, o Luxemburgo, tem uma área de 316 km2.
    Com todos os defeitos que se podem apontar, os cidadãos europeus sentem-se mais seguros, com melhor qualidade de vida, melhores infraestruturas, livres para construírem a sua vida em qualquer país da União…
    A Inglaterra vai ficar mais uma vez fechada na sua arrogância, desistiu de lutar por uma União mais flexível, “um novo tipo de união” como tem defendido o Papa Francisco.
    Discordo da opinião do autor do artigo e atrevo-me a dizer, com todo o respeito, que, como católico, não gostei do tom.

    Além da pergunta: que sistema político queremos? Coloco-vos outra, tão atual, que Igreja queremos?

    Não é o sistema político que nos deve assustar mas a falta de fé.

    Salvé Rainha…

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  4. Agora com o atentado terrorista na França vão dar razão ao Reino Unido.

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