Profecia de Ratzinger sobre o futuro da Igreja, feita em 1969

Por Pe. Richard Heilman
Tradução de Henrique Sebastião



PARA UMA RÁDIO alemã, no ano 1969, o então padre Joseph Ratzinger ofereceu uma impressionante previsão sobre o futuro da Igreja, em detalhes de sinais que sem dúvida já estamos assistindo nos nossos tempos. O conteúdo da referida entrevista, postado pelo padre Richard Heilman no portal "Roman Catholic Men", reproduzimos abaixo:

O futuro da Igreja pode e vai sair daqueles cujas raízes são profundas e que vivem da plenitude pura de sua fé. Não será daqueles que se acomodam apenas ao momento de passagem ou daqueles que meramente criticam os outros e assumem que eles próprios são varas de medição infalíveis; nem será daqueles que tomam o caminho mais fácil, que esquivam a paixão da fé, declarando falsa e obsoleta, tirânica ou legalista tudo o que faz exigências aos homens, que os fere e os obriga a sacrificar-se.

Para expor isto de modo mais positivo: o futuro da Igreja, uma vez mais e como sempre, será remodelado pelos santos –, pelos homens –, ou seja, por aqueles cujas mentes sondam mais profundamente do que os slogans do momento, que veem mais do que os outros veem, porque suas vidas abraçam uma realidade mais ampla. O altruísmo, que liberta os homens, só é alcançado através da paciência, nos pequenos atos cotidianos de abnegação. Por esta prática diária, que revela a um homem de quantas maneiras ele é escravizado pelo seu próprio ego, os olhos de um homem são lentamente abertos. Ele enxerga apenas na medida em que viveu e sofreu.

Se hoje já não conseguimos mais tomar consciência de Deus, é porque achamos tão fácil evadir-nos, fugir das profundezas de nosso ser, seja por meio dos narcóticos ou de algum ou outro prazer. Assim, nossas próprias profundidades interiores permanecem fechadas para nós mesmos. Se é verdade que um homem só pode ver com o seu coração, então, quão cegos somos!

Como tudo isso afeta o problema que estamos examinando? Significa que a grande conversa daqueles que profetizam uma 'Igreja sem Deus' e 'sem fé' é apenas conversa vazia. Não precisamos de uma Igreja que celebre o culto da ação nas orações políticas. Isto é absolutamente supérfluo. Portanto, tal 'igreja' se destruirá. O que permanecerá é a Igreja de Jesus Cristo, a Igreja que crê no Deus que se tornou homem e nos promete vida além da morte. O tipo de padre que não passa de assistente social pode ser substituído pelo psicoterapeuta e outros especialistas; mas o sacerdote que não é apenas 'um especialista', que não se mantém à margem observando o jogo, dando conselhos 'oficiais', mas em Nome de Deus se coloca à disposição do homem e permanece ao lado dele em suas tristezas, alegrias, esperanças e medos.

Vamos dar um passo adiante. Da crise de hoje surgirá a Igreja do amanhã – uma Igreja que perdeu muito. Ela vai se tornar pequena e terá que começar de novo mais ou menos desde o início. Ela não poderá mais habitar muitos dos edifícios que construiu em prosperidade. À medida que diminuir o número de seus adeptos, perderá muitos dos seus privilégios sociais. Em contraste com uma idade mais precoce, será vista mais como uma sociedade voluntária, na qual se entra entra apenas por livre decisão. Como uma sociedade pequena, fará demandas muito maiores na iniciativa de seus membros individuais. Indubitavelmente, ele descobrirá novas formas de ministério e ordenará ao sacerdócio os cristãos aprovados que perseguem alguma profissão. Em muitas congregações menores ou em grupos sociais autônomos, a assistência pastoral será normalmente fornecida desta forma. Ao lado deste lado, O ministério de tempo integral do sacerdócio será indispensável como antigamente. Mas, em todas as mudanças que se podem adivinhar, a Igreja encontrará de novo a sua essência e com convicção naquilo que sempre esteve no seu centro: a fé no Deus Trino, em Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, na Presença do Espírito até o fim do mundo. Na fé e na oração ela reconhecerá novamente os Sacramentos como a adoração de Deus e não como um assunto para a erudição litúrgica.

A Igreja será uma Igreja mais espiritual, não presumindo um mandato político, flertando tão pouco com a esquerda como com a direita. Será difícil para a Igreja, pois o processo de cristalização e clarificação lhe custará muita energia valiosa. Isso a fará pobre e fará com que ela se torne a Igreja dos mansos. O processo será ainda mais árduo, pois a estreiteza sectária, assim como a auto-vontade pomposa, terão de ser derramadas. Pode-se prever que tudo isso levará tempo. O processo será longo e cansativo como foi o caminho do falso progressismo na véspera da Revolução Francesa –, quando um bispo podia ser visto como 'inteligente' se zombasse dos dogmas e até insinuasse que a existência de Deus não era certa –, para a renovação do século XIX.

Mas quando esta 'peneiração' tiver passado, um grande poder fluirá de uma Igreja mais espiritualizada e simplificada. Os homens, em um mundo totalmente planejado, se encontrarão indescritivelmente solitários. Se eles perderem completamente a visão de Deus, sentirão todo o horror de sua pobreza. Em seguida, descobrirão o pequeno rebanho de crentes como algo totalmente novo. Eles a descobrirão como uma esperança para eles, uma resposta a qual sempre procuraram em segredo.

E assim, parece-me que a Igreja está enfrentando tempos muito difíceis. A verdadeira crise mal começou. Teremos de contar com grandes tréguas. Mas estou igualmente certo sobre o que permanecerá no final: não permanecerá a Igreja do culto político, que já está morto, mas a Igreja da Fé. Pode muito bem não ter mais o poder social dominante que teve até recentemente; mas vai desfrutar de um frescor e um reflorescimento e será vista como Casa do homem, onde ele vai encontrar vida e esperança para além da morte.

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Fonte:
https://catholicismpure.wordpress.com/2016/06/25/father-joseph-ratzinger-1969-prediction-of-the-future-of-the-church/?utm_content=buffer8d4c1&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer
www.ofielcatolico.com.br

4 comentários:

  1. GRANDE PROFETA. GRANDE SANTO. GRANDE DOUTOR DA IGREJA.
    MUITO GRATO AO HENRIQUE SEBASTIÃO PELO ZELO NA TRADUÇÃO. UM BEIJO NO CORAÇÃO
    URBANO MEDEIROS E FAMÍLIA
    (MINAS GERAIS)

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  2. Realmente um texto profético. A gente não imagina mas naquele tempo já se insinuava essa ação forte dos modernistas e comunistas dentro da Igreja. A coisa toda começou muito antes do VII

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  3. Arrepiante. Não há como duvidar da grandeza de Ratzinger. É um santo vivo.

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  4. “...quando um bispo podia ser visto como 'inteligente' se zombasse dos dogmas e até insinuasse que a existência de Deus não era certa...”

    Hoje, não é diferente, a meu ver. Para ser considerado culto e “politicamente correto”, deve ouvir e concordar com a “voz do povo” laico e leigo que está contida na “Amoris laetitia”.

    Seja louvado Nosso Senhor Jesus Cristo!

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