Esclarecimentos sobre a polêmica envolvendo o colégio São Luís, o Estado de São Paulo e o apostolado O Fiel Católico


O JORNAL O ESTADO de São Paulo publicou uma matéria online, assinada pela jornalista Fabiana Cambricoli, sobre o polêmico evento no colégio São Luís que terá como tema "transversal"(?) a identidade de gênero, assunto sobre o qual havíamos tratado por aqui (leia). A matéria do "Estadão" cita a ação do nosso apostolado, que acabou ganhando uma grande repercussão, colocando-nos como grandes críticos do evento (que de fato somos) e citando também a petição online pelo cancelamento do encontro, que ajudamos a divulgar.

A referida matéria (aqui o link), que até ontem estava aberta para leitura pública, mas a partir de hoje só pode ser vista pelos assinantes do referido jornal (questionei o motivo à jornalista, que não me respondeu até às 12h13 de hoje, dia 23/9), dá um grande espaço ao reitor do colégio e promotor do evento, o padre Carlos Alberto Contieri que, em resposta às críticas, chama-nos a todos, indistintamente, de membros de "'cibermilícias' católicas" e de "pessoas que não falam a verdade e não são capazes de mostrar o rosto nem sua verdadeira identidade".

Bem, aqui estou eu, sou uma figura pública por meio deste trabalho, meu nome e meios de contato são também públicos e estou à disposição de quem quiser falar comigo, bem como todos os nossos irmãos e colaboradores da Fraternidade São Próspero.

Particularmente, acho curiosíssimo que usem sempre o argumento de que a intenção de eventos deste tipo é "promover o diálogo" e "provocar o debate", mas quando o debate vem, a reação é tachar os que se posicionam contra de integrarem "milícias" e de mentirosos! Que espécie de "debate" é este? Que tipo de "respeito" e "tolerância" um padre como este espera, se ele não respeita a opinião de um grupo de católicos autênticos e nem tolera o nosso direito de manifestar opinião?

Sobretudo, dois esclarecimentos se fazem necessários, e também duas observações importantes sobre a história toda:

1) O texto publicado no Estadão encerra dizendo que a redação do jornal tentou contato comigo e não obteve resposta até às 23h30 da quinta-feira, dia 21/9, data de publicação da matéria. Na realidade, eu recebi uma mensagem via Whatsapp quando faltavam 15 minutos para as 22h daquele dia. Eu vi a mensagem só no dia seguinte, quando o texto do jornal já tinha sido publicado. Outra nota foi mandada para a minha caixa de mensagens do Facebook, às 20h, mas, como sabem os meus leitores, a minha conta nessa rede social foi temporariamente bloqueada – sem nenhuma explicação – e por essa razão eu também não vi essa mensagem. De todo modo, como esperar que alguém prepare uma resposta para acusações tão graves em tão pouco tempo? Por que fui contatado tão em cima da hora? Só para dizer ao público que eles tentaram falar comigo e não conseguiram? Já o lado contrário teve muito mais tempo para elaborar suas argumentações. É este o proceder padrão do jornalismo do Estadão?

2) A reação do padre reitor é digna de nota. Fala em caridade, compreensão, diversidade e tolerância, mas... Reage da maneira mais intolerante possível quando alguém se manifesta contra o aquilo em que ele acredita. Que tipo de "diversidade" é essa, que não admite nada diverso daquilo que ele defende?! Uma postura bastante confusa e contraditória, para dizer o mínimo.

Por fim, quero dizer que houve uma pequena vitória e também apareceu um lado que considero bastante preocupante nessa história toda.

A pequena vitória é que, com toda a repercussão, na qual fomos protagonistas, o mesmo reitor do colégio, segundo depoimento do próprio, foi chamado  pelo bispo auxiliar de São Paulo (Titular de Alava) e Vigário Episcopal para a Educação e a Universidade, Dom Carlos Lema Garcia –, a quem admiro –, a prestar esclarecimentos sobre o evento, e precisou comprometer-se com o bispo a não fazer nada que contrarie a doutrina da Igreja. Aleluia! Sim, uma pequena vitória nossa, fiéis católicos.

O lado preocupante foi que (com tristeza) pude constatar que, realmente, pais e alunos do São Luís, ao menos em sua maioria, posicionaram-se a favor do evento e da presença do Drauzio Varella para tratar do assunto identidade de gênero, entre outros. Quando famílias supostamente católicas perdem a capacidade de se indignar, algo vai realmente muito mal e temos sérios motivos para preocupação.

Encerro disponibilizando, abaixo, a íntegra do texto que mandei para a jornalista do Estadão, ainda ontem, no qual, num curtíssimo tempo, tentei sintetizar quem somos, em que cremos e as nossas razões para termos reagido como reagimos. Muito obrigado a todos os leitores que nos apoiaram e continuam nos apoiando! Rezem por nós e nosso trabalho por aqui. Precisamos de vocês sempre, e cada vez mais.


Fraternidade São Próspero e a teoria da identidade de gênero

Tentarei ser o mais sucinto possível, mas o assunto é complexo. Vou, então, relacionar e enumerar os meus pontos principais, para facilitar a compreensão.

1) Falo não apenas em nome da Fraternidade São Próspero, mas simplesmente em nome dos fiéis católicos. Em primeiro lugar, gostaria de dizer isto, que somos simplesmente católicos – não somos “tradicionalistas” nem “ultraconservadores” ou outra coisa desse tipo, mas apenas pais, mães de família e jovens católicos que só desejam continuar católicos, observando em nossas vidas aquilo que a Igreja prescreve e sempre prescreveu – pois a Igreja não muda ao sabor dos ventos, não se adapta aos modismos passageiros nem às ideologias da moda: a verdade será sempre verdade e a mentira sempre mentira, não importa o quanto se tente relativizar tudo.

[Uma frase atribuída a Joseph Goebbels, ministro da propaganda nazista, diz que ‘uma mentira repetida mil vezes se torna verdade’. O fato concreto, porém, é que uma mentira continuará sendo sempre mentira, ainda que toda a sociedade esperneie gritando que é verdade. Vivemos, hoje, tempos em que a maior parte daqueles que nos governam, juntamente com aqueles que ensinam os nossos filhos nas escolas, e os que controlam a grande mídia, querem nos convencer – e/ou muitas vezes nos obrigar a aceitar, até por força de lei – certas proposições e ideias que, simplesmente, não podemos aceitar por obrigação de consciência.]

2) Em segundo lugar, acusam-nos de promover “discurso de ódio”, mas nós não odiamos ninguém, não queremos o mal de ninguém, pelo contrário: queremos o bem da sociedade e de cada pessoa. Queremos justiça, fraternidade, prosperidade, beleza, harmonia. Mas entendemos que nada disso é possível sem valores realmente fundamentais como a honestidade e o compromisso com a verdade. A família é, para nós, um bem fundamental, a celula mater da sociedade, sem a qual nenhum progresso real será possível, para o país e para os cidadãos.

3) Por que a indignação com o evento no Colégio São Luís?

Por diversos motivos. Primeiro, porque vivemos atualmente um momento de luta em nossa sociedade, com a rede pública completamente tomada por professores ideologizados até o último fio de cabelo e que procuram declaradamente “doutrinar” nossos filhos, desde a mais tenra idade, contra a Igreja, a família tradicional e tudo aquilo que temos por mais sagrado. Neste cenário, a ideologia do gênero é uma bandeira e, assim, são muitos os pais que, desesperados, matriculam seus filhos em colégios pagos, arcando com altas mensalidades, muitas vezes à custa de grande sacrifício, numa tentativa de livrar os seus filhos deste mal.

Aí vem um colégio católico promover um evento que de fato será, claramente, uma apologia à ideologia de gênero, já que o palestrante é um dos seus principais promotores.

Drauzio Varella tem artigos publicados promovendo a ideologia do gênero e, recentemente, entrevistou o deputado Jean Wyllys, permitindo que este último "explicasse" a todos nós –, pobres supersticiosos preconceituosos e ignorantes que precisamos ser educados para a nova ordem global –, a "diferença entre orientação sexual e identidade de gênero". Nós não somos obrigados a aceitar tal coisa.

4) Em nosso grupo, somos estudantes, professores, doutores, sacerdotes. Pessoas que estudam e procuram se inteirar a respeito dos assuntos importantes. Não precisamos de “explicação” de um suposto “especialista” para entender que a teoria de gênero não passa, realmente de ideologia e mais nada. O Drauzio Varella certamente vai apresentar argumentação pseudocientífica e talvez pesquisas ou dados que confirmem o seu ponto de vista. Mas...

Nós sabemos bem que as pesquisas científicas e clínicas mais avançadas apontam no sentido contrário do que ele apresenta como se fosse verdade científica incontestável. A AMD (Associação de Médicos pela Diversidade), por exemplo, na Audiência Pública sobre a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), apresentou o documento intitulado “Contribuição e apelo médico-científico acerca da terceira versão da Base Nacional Comum Curricular”, assinado por um grande grupo de médicos brasileiros e contendo um rol de pesquisas e estudos realmente sérios (e isentos), reconhecidos pela comunidade científica, demonstrando que não há nenhum fundamento de fato científico ou clínico que sustente a tal identidade de gênero e suas proposições.

Ora, se, no mínimo, não há consenso entre profissionais da medicina e cientistas a respeito do assunto, em nome de quem ou do quê a sociedade brasileira deveria ser obrigada a aceitar uma proposição –, insistimos –, puramente ideológica?

5) Insiste-se incansavelmente na ideia de que é muito importante trazer essa questão do gênero para o “debate”, mas isto já foi debatido e a população brasileira, em sua esmagadora maioria, manifestou-se contrária. O Plano Nacional de Educação, por exemplo, após uma série de manifestações populares, retirou do seu corpo o termo “gênero”, mas há um grupo minoritário –, porém muito barulhento, organizado e bem financiado, inclusive por organizações internacionais –, que simplesmente não respeita a vontade soberana do povo.

A conclusão é que justamente este grupo –, que tanto gosta de falar em “respeito”, “diversidade” e “tolerância”, que supostamente só quer “promover o debate” e grita em nome da “democracia” –, são eles mesmos que não respeitam a decisão da maioria e nem o direito de os cristãos (que representam aproximadamente 90% da população brasileira) participarem do debate público, manifestarem a sua opinião, anseios e esperanças para o futuro.

O Estado é laico, não ateu, não anticristão. Os valores cristãos construíram a sociedade ocidental: em nome de quê ou de quem seremos agora varridos para debaixo do tapete da História, nós que somos a maioria?

Por fim, quero que fique realmente claro que não temos a pretensão de nos intrometer na vida privada de quem quer que seja. A intimidade de quem não compartilha da nossa fé não nos interessa, nem julgamos pessoas. Combatemos, isto sim, ideias que consideramos perniciosas. Não odiamos pessoas homossexuais, ao contrário, nós as acolhemos. Temos depoimentos de pessoas com tendências homossexuais que são felizes por abraçar a fé e um estilo de vida diferente daquele que a sociedade agora quer lhes impor.

Cremos no Evangelho e, portanto, buscamos viver a santidade e as virtudes cristãs – este caminho é para todas as pessoas, sem discriminar absolutamente ninguém, nem por cor ou raça e nem por preferência sexual. Também entendemos que ninguém é obrigado a ser católico ou cristão. Mas nós temos o direito de sê-lo, temos voz e exigimos, desses que tanto querem “respeito”, que saibam respeitar primeiro.
www.ofielcatolico.com.br

18 comentários:

  1. Só vou discordar numa coisa, viu,. Foi uma GRANDE VITÓRIA! Como vc falou Henrique juntos somos mais fortes! Parabéns a todos os envolvidos!

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    1. Muito obrigado Luis! Continue rezando por nós.

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  2. Parabéns pelas palavras irretocáveis!

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    1. Vamos lutando, com a graça de Deus e muita luta, vamos completar a carreira.

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  3. Perfeita resposta, Henrique Sebastião. Sabemos que da imprensa brasileira não podemos esperar grandes coisas, infelizmente das Universidades e Colégios católicos tampouco. A fumaça de Satanás já adentrou na Igreja há tempo, e tudo isso é reflexo. Um fraterno abraço.

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    1. Infelizmente, a situação é terrível. Rezemos pela Santa Igreja e lutemos para defendê-la e para sermos santos.

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  4. A "fumaça" faz-se presente sob a forma insidiosa de uma falsa compreensão da tolerância e um falso manto da caridade. Preocupante a reação (impulsiva? inconsciente?) dos pais. A "força do querer"? Que o Espírito Santo -- A "força do amor" -- de Deus, nos sustente e anime. São Paulo está certo. Nossa batalha é contra as "forças do mal".

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    1. Uma das coisas que mais me entristeceu nessa situação toda foi justamente ver que os pais e os alunos estão bem alienados, reféns das agendas globalistas. Graças a Deus encontramos também boas pessoas que lutam pela Verdade e vocês, nossos leitores, sempre nos apoiando! Obrigado.

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  5. Aleluia,aleluia,aleluia. É já uma Victoria, mas temos que lutar ainda mais. Foi um bom começo nesta guerra. Se o clero se omitir, o povo de Deus não se omitira jamais. Viva Deus em Seu Filho Cristo Jesus.

    Irmão Henrique, Deus tirou-te do proprotestantismo para uma missão bem identificada na Sua Igreja.

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    1. Esse trecho me comoveu muito: "Irmão Henrique, Deus tirou-te do protestantismo para uma missão bem identificada na Sua Igreja." O meu irmão Henrique é realmente um grande soldado de Deus, ainda bem que o temos conosco nessas trincheiras.

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  6. E a minha observação não foi aceita, será
    porque falei em homossexual que existe e merece respeito! Paulo T Pável Catolississo
    de pé no chão e olhar para Deus!

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    1. ERRATA: queria dizer:
      Paulo T Pável "Catolicissimo"

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  7. Não entendo como uma padre desse não é excomungado, temos uma grande luta a ser travada dentro da própria igreja, não entendo como o Pe. James Martin foi recentemente nomeado pelo Papa Francisco o consultor da Secretaria para a Comunicação do Vaticano, ao invés de ser excomungado foi promovido, não consigo entender isso !

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    1. Realmente, há coisas que também não entendo... Luto para não fazer julgamentos temerários, mas é difícil demais, ainda mais nas situações que vivenciamos! Só por Deus mesmo para ficarmos firmes. Foco em Cristo e na Sua Santa Igreja, vamos ao combate!

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  8. Amigo Henrique, eu passei a seguir o seu site não foi por acaso. Estava meio desanimada com a minha igreja, não conseguia mais acreditar em muitas coisas devido tantos escândalos. Uma cidadezinha tão pequenina e vítima de uma catastrófica massa que cresce e cresce, coisa que eu só via em capitais. Depois que me tornei mãe fui tomada por um medo, não tinha orientação, o ultimo padre foi preso por pedofilia, fora outros crimes absurdos, o substituto, apesar de ser uma pessoa muito querida por todos, é muito passivo, não tem voz ativa. Enfim! Rezei e pedi a Deus para me mostrar um caminho, pois não suportava mais o medo de minhas filhas crescerem levadas por toda essa loucura da atualidade. Meu pedido foi atendido e eu fui direcionada a sua página, estou bastante fortalecida nafé graças a ele, criei coragem para gritar quando preciso, pois o Deus que os meus pais me apresentaram desde pequena, não aceita essas coisas. Vc me ajudou, nas dúvidas eu me recorro ao seu site e num é que elas são esclarecidas. Por favor, continue nos deixando informados. Abraços

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    1. Caríssima leitora que infelizmente não deixou o nome,

      São testemunhos como o seu que me motivam a continuar trabalhando. Como disse poucos dias atrás ao meu irmão de fé e de apostolado Felipe Marques, sou prova viva de que Deus, por um mistério insondável, realmente tira de odres indignos, como eu, vinho excelente.

      Vejo que o que eu produzo por aqui dá belos frutos, e me encolho, atemorizado. Ai de mim, que sou tão pequenino!

      Mas graças a Deus, que é tudo para a sua maior glória!

      A Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo

      Apostolado Fiel Católico

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    2. Comentários como esse nos ajudam a entender que o que realmente vale em nossa vida é trabalhar para Deus e Sua Santa Igreja. Que incrível!

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  9. Deus seja louvado pelos nossos leitores e amigos. Que graça é poder ler tais comentários e testemunhos. Obrigado caríssimos! Muito obrigado! Nosso Senhor chamou os sãos e os melhores, porém, eles estavam ocupados para comparecer ao banquete. Então, Cristo em Seu amor pediu que nos chamassem a nós, pobres, cochos, cegos, leprosos... Nós que estávamos abandonados pelo caminho. Estamos aqui não porque somos ótimos, mas porque Deus é bom e não conseguiu os melhores, cá estamos. O que nos consola é saber, como disse o Papa Bento XVI que "Deus usa de instrumentos inadequados para fazer Seus trabalhos."

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