Fé na Igreja – Por que estar com a Igreja?

Um texto mais do que oportuno para o momento e a situação que vivemos – e que dá sinais de que vai perdurar e piorar, até que as coisas sejam restauradas no interior da Igreja, seja pela ação interna de homens santos movidos pela Inspiração divina –, como ocorreu nos tempos de Santo Atanásio, São Basílio e São Gregório –, seja pela Intervenção divina mais radical, como a volta de Nosso Senhor.


"Edifica a tua casa sobre rocha firme." (Mt 7, 21.24-27)


NO ÚLTIMO CARNAVAL, participei de um retiro de um grupo da Renovação Carismática Católica – depois de alguns anos sem o mínimo interesse em estar em grupos do tipo. O fato é que minha vinda para a Igreja aconteceu diretamente pelo trabalho da RCC: meus pais se conheceram em um grupo de jovens da Renovação, fui catequizado por um integrante dela, conheci algumas práticas de devoção com eles (como, por exemplo, a comunhão de joelhos), etc.; os carismáticos me iniciaram no Catolicismo.

Porém, algumas coisas fizeram eu me afastar da RCC: os gravíssimos abusos litúrgicos e a soberba enorme das pessoas. Esta segunda se manifesta muito claramente no enaltecimento do sentimentalismo (que pode ser notado em frases como “não sei o que, não sei o que, eu sinto isso no meu coração”, etc.); nos erros doutrinais ensinados por muitos “pregadores”, que não pregam nada além de si mesmos, que não conhecem a própria Igreja, e até mesmo falam abertamente contra os seus ensinamentos, que ensinam práticas não-católicas como o puritanismo, o ecumenismo exagerado que culmina na imitação de diversas práticas de protestantes pão-com-ovo; e no fato de que muita gente que aspira ao conhecimento da Doutrina Católica é impedida por não fazer parte deste ou daquele “ministério”.

Essas e outras coisas me afastaram dos carismáticos, o que foi bom, já que consegui saciar fora a sede que tinha lá dentro. Enfim, sempre que tenho a oportunidade de criticar os vícios dos carismáticos, o faço; mas isso não significa que não seja grato pelo trabalho que fazem trazendo as pessoas à Igreja, não vou cuspir no prado onde comi.

Mas por que, então, insisto nessas críticas? De modo geral, o faço pelo apreço e gratidão que tenho pela RCC ter sido minha porta de entrada para a Igreja. Seus membros são homens de carne e osso – como os leitores e este que vos escreve –, são pecadores e falhos; por suposto que isso não justifica os erros de ninguém, mas pelo menos torna-os compreensíveis, e só a partir disso é possível ajuda-los a trilhar o caminho da Verdadeira Fé.

Saí da Renovação e comecei um longo e árduo caminho por grupos ditos “tradicionalistas”. O que encontrei? O mesmo: homens pecadores que – pasmem – também erram: a mocinha de véu e saia era menos controlada que fogueira de São João; o rapaz de terninho e suspensório era tão soberbo quanto o próprio Diabo; o professor famosinho era como que uma encarnação da vaidade, a quem São Pedro Damião condena pela idolatria das Letras. Saí de um ninho de vaidade e ignorância das coisas da Terra e do Céu para entrar noutro de Vaidade, ciência das coisas da Terra e ignorância das coisas do Céu.

Então comecei a entender a frase do Venerável Fulton Sheen: “você diz que não vem à Igreja porque tem muitos hipócritas aqui; eu lhe digo que venha, porque sempre cabe mais um”.

Da minha experiência com a Teologia da Libertação, apenas conto o fato de que fui obrigado a presenciar a invocação de Ogum, Iemanjá e outras entidades pagãs durante a celebração de uma “missa afro” presidida por um bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo (cujo nome não menciono aqui porque pode ser encontrado na lista dos bispos que estiveram presentes no 14º Inter-eclesial das CEBs, e porque Dom Eduardo ficaria muito chateado em ser mencionado com tanto desprezo num texto escrito por um rapaz com menos da metade de sua idade).



Enfim, parei de frequentar grupos católicos por esses motivos, todavia, topei com a hierarquia: leigos influentes, monges, frades, padres, cônegos, bispos... vi tanta miséria, tanta coisa digna de um filme sobre a máfia – coisas que não cito aqui para preservar os estômagos dos leitores –, que, durante uma perseguição que sofria, me vi caído de joelhos na basílica Nossa Senhora da Assunção (a igreja do Mosteiro de São Bento, de São Paulo), dizendo a Cristo Senhor Nosso: “Senhor, muitos motivos me foram dados para largar a Sua Igreja, mas eu não consigo”.

“Eu não consigo”, mas por quê? “A dificuldade em explicar 'Por que eu sou Católico' é que há dez mil razões para isso, todas se resumindo a uma única: o catolicismo é verdadeiro”, disse Chesterton. Eis a minha dificuldade em largar a Igreja: a pesar de todos os males internos de que sofre, ela é Corpo Místico de Cristo, ela é verdadeira, guardiã e mestra da Verdade, nela está Cristo vivo e verdadeiro.

O leitor deve estar se perguntando o motivo de eu ter ido a um retiro carismático no carnaval deste ano, sendo que parei de participar de grupos de qualquer espiritualidade determinada. A resposta é: depois de tudo o que tenho vivenciado, consegui compreender a supracitada frase do Venerável Arcebispo Dom Fulton Sheen. Embora Corpo Místico de Cristo, os membros da Igreja são seres humanos, são falhos, e a pesar disso, cada membro não é a Igreja completa. Os meus erros e pecados são MEUS erros e pecados, e não erros e pecados da Igreja. Por isso fui ao tal retiro, e lá tive a oportunidade de catequizar pessoas sedentas de uma água que não é a do Poço de Jacó (Cf. Jo 4, 5-42).

Uma das pessoas com quem tive a oportunidade de conversar é um rapaz que acabara de se afastar da seita dos Testemunhas de Jeová. Em certo ponto de uma das conversas ele me disse o porquê de ter saído da seita: “tem muita panelinha, muita gente ‘cuidando da sua vida’”, “se você vier pra Igreja pelas pessoas”, respondi, “sairá pelo mesmo motivo”. Em seguida expliquei – e repeti diversas vezes aos amigos que fiz lá – que estamos na Igreja porque ela é Corpo Místico de Cristo, porque Ele a edificou, porque Ele está com ela até o fim dos tempos e porque as portas do Inferno NÃO prevalecerão contra ela. Esta é a nossa Fé. Cremos verdadeiramente em Cristo Senhor Nosso e nas verdades que disse e diz por meio da Igreja.

Recentemente, Bernardo Küster “jogou m*#%@ no ventilador” ao denunciar verdadeiros crimes contra a fé, cometidos por religiosos, padres e bispos comunistas e apóstatas. Isso causou um enorme rebuliço: gente contra, gente a favor, gente contra e a favor (apoiam as denúncias mas contrariam o método), etc.. Muitos começaram a questionar a integridade da Igreja por conta desses erros de seus membros.

Irmãos, tenhamos fé nas palavras de Nosso Senhor: as portas do Inferno não prevalecerão.

É esta a mensagem que quis passar com este texto, para que você, católico devoto, não se perturbe com o fato de que há prelados apóstatas; a estes, o Inferno aguarda (porque 'o chão do Inferno é pavimentado com crânios de bispos', como disse São João Crisóstomo). 

Para você, prosélito, que acaba de chegar à Igreja e encontra a casa bagunçada, não se assuste, o foco e o centro é Nosso Senhor Jesus Cristo; para você, católico de fachada, devoto exterior, converta-se enquanto é tempo; “Convertei-vos e crede no Evangelho”, porque, no final, os Fiéis se salvarão e os Infiéis queimarão pela eternidade no Inferno.

Referi-vos estas coisas para que tenhais a paz em Mim. No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo!” (Jo 16, 33)

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14 comentários:

  1. Belíssimo texto!
    Dá até um alento à alma, nestes tempos tão difíceis para os católicos que não querem
    abandonar o barco.

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  2. Texto maravilhoso!!!

    A Paz do Senhor esteja sempre com todos nós.

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  3. Compartilho do mesmo pensamento. Amamos a Igreja apesar de seus membros pecadores... e somos um deles... Meu pai me "salvou" do protestantismo com a seguinte frase dita em alto e bom tom: "Nasci católico e vou morrer católico".

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  4. Parabéns pelo texto! Deus te abençoe sempre para que continue este trabalho importantíssimo! Um grande abraço!

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  5. Mais um belo texto de meu amigo, Igor. Parabéns, irmão! Continue firme, é uma honra servir a Deus ao seu lado.

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  6. Minha porta de entrada na Igreja Católica foi o meio tradicionalista; fiz primeira comunhão, fui crismado, entrei numa associação de Nossa Senhora; depois de um pouco mais de 20 anos de frequência afastei-me voluntariamente e parcialmente do meio tradicional, hoje também assisto a missa nova. Não estava suportando mais os tradicionais, não todos é claro; críticos, panelinha, às vezes grossos com os outros por causa de Nosso Senhor etc; vi também moças de ótimas famílias católicas tradicionais dando mal exemplo; na verdade o que vai salvar a gente não são nossas boas obras, embora sejam indispensáveis, mas sim a misericórdia de Deus, logicamente de maneira bem entendida!

    Wagner

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  7. Recomendo ao autor do texto, que reze diariamente o santo rosário e então compreenderá com Maria os graves problemas da santa igreja. o católico que não reza o rosário de maria padece nas trevas pq somente esta oração pode nos revelar a beleza da fé católica e nos levar a verdadeira santidade.

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  8. Fernando Siqueira6 de março de 2018 20:19

    De fato teríamos mil razões para abandonarmos a igreja se parasemos em homens. É interessante se lermos em Mateus cap.16 quando Jesus edifica a sua igreja sobre Pedro e logo em seguida diz a ele afasta-se de mim satanás. Isto é a maior prova de quanto a igreja sofreria por causa desses homens de cabeça dura . E é isso que aconteceu e esta acontecendo com maior grau de heresia nestes tempos atuais. Por isso eu diria que nem Pedro "Aonde iremos Senhor só Tu tem palavras de vida eterna " Nunca te abandonarei o Mãe Igreja, pois aqui temos alimento para alma, e uma Mãe que sempre nos protege das garras de satanás. AMO DE MAIS A MINHA IGREJA "CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA"

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  9. Parabéns! Eu também já chorei meditando essas coisas tão dolorosas para um fiel católico; isto porque é terrivelmente doloroso para Nosso Senhor, vendo a sua Igreja nesse estado. Mas também compreendi que tudo isso deve acontecer, antes da sua vinda. Perceveremos na fé, na oração e na caridade. Esio Firmino.

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  10. Diante dessas situações as lágrimas também vieram e compartilho do mesmo pensamento. Carreguemos a cruz com Fé e Coragem. Abraço.

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  11. Parabéns pelo texto.

    Concordo, mas realmente acho que a Igreja precisa de um "sacode", parece que entrou em coma e não consegue sair...

    Um dos, ou talvez o maior dos males da Igreja hoje é o comodismo. Os escândalos do clero, são até superados, mas o comodismo parece insuperável.

    Jesus disse ide e evangelizai, ide e batizai, mas boa parte do clero, especialmente os bispos entenderam: espere e acomodai. E esse é o retrato da Igreja de hoje, uma instituição sem vigor missionário evangelizador, apenas de manutenção.

    Os maiores sinais do comodismo da Igreja de manutenção, na minha opinião são: Obsessão com pastorais, pensa-se que tudo se resolve com pastorais, elas cuidam desde relacionamentos conjugais a dependência química, o que é importante. Mas o cuidado espiritual, o cuidado para com a fé, ainda mais importante, é quase inexistente. Não se tem nada para oferecer aquelas pessoas que estão vacilantes na fé, se afastando da Igreja. Alguns chegam ao cúmulo do comodismo e dizem: é obrigação do católico frequentar a missa! Não se pode desenvolver um único argumento para convencer da necessidade de frequentar a missa? Acaso ir a missa todo domingo por obrigação e sem fé resolve alguma coisa? Mas dizer que ir a missa é uma necessidade, requer argumentos, argumentos requerem estudo e isso dá trabalho!

    Outro sinal é confundir simplicidade e humildade, com falta de criatividade, improviso e coisas mal feitas. Não precisa reformular a missa toda, são detalhes. Exemplo: Antes da missa, há um aprofundamento das leituras do dia (já vi fazerem isso com retroprojetor até), acolhida (bom dia, seja bem vindo, se precisar de algo...), durante a missa, um grupo de apoio de canto bem ensaiado, músicas que as pessoas conheçam para poderem acompanhar etc. Já vi padre chegando em paróquia e com pequenos detalhes e mais capricho, fazer a Igreja ficar lotada. Em contraste, a maioria das paróquias que conheço, a pessoa chega e tem uma sra recitando o terço, ave Maria... se gravar a oração e reproduzir em aparelho de som, dá no mesmo, porque é como se não tivesse ninguém ali, mera repetição mecânica de palavras. Uns acompanham, enquanto a maioria fica conversando ou "boiando". As músicas, parecem que são escolhidas apenas para quem ensaiou cantar e o restante das pessoas continuam boiando em vários momentos da celebração... Fazer algo por fazer, não dá bons frutos.

    E o resultado de tudo isso, é que a Igreja que a 20, 30 anos atrás, se preocupava apenas com as 99 ovelhas do rebanho e esquecia uma desgarrada que fugia, agora mantém uma ovelha no rebanho enquanto as demais 99 se perdem.

    Não dá só pra dizer que as pessoas não cumprem obrigação, hoje somente 10% de católicos frequentam a missa regularmente, sinal de alerta máximo...

    A paz de Cristo!

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  12. Tudo que li aqui é lindo e maravilho, o povo de Deus abrindo suas bocas e protestando os erros dos fieis, não tão fieis assim, espero nós aqui que conhecemos este site e outros católicos, possamos melhorar oque precisa ser melhorado, impor o que precisa ser imposto e evangelizar sem cessar.

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  13. Ultimo comentario não me identifiquei
    Meu nome é Delto

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  14. Este site é maravilhoso e é mt importante para nós católicos. O material de vcs foi fundamental para mim, consegui ter acesso às informações que muitas vezes é mal comunicada pela nossa Igreja. Por isso, fiz questão de ser assinante.As pessoas precisam conhecer mais sobre a nossa igreja. Aprendi a ser e a amar mais a minha igreja após conhecer o site de vcs. Obrigado, Rodrigo

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