Cardeal Sarah: 'Comunhão generalizada na mão faz parte do ataque de Satanás à Eucaristia'

Por Diane Montagna para o LifeSiteNews
Tradução: João Pedro de Oliveira 

O chefe do dicastério vaticano sobre liturgia está convocando os fiéis católicos a voltarem a receber a Sagrada Comunhão na boca e de joelhos

NO PREFÁCIO PARA UM novo livro sobre o assunto, o Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino, escreve: “O mais insidioso ataque diabólico consiste em tentar extinguir a fé na Eucaristia, semeando erros e encorajando um modo inapropriado de recebê-la. A guerra entre S. Miguel e seus anjos, de um lado, e Lúcifer, de outro, verdadeiramente continua nos corações dos fiéis”. Disse ele ainda que “o alvo de Satanás é o Sacrifício da Missa e a Presença Real de Jesus na Hóstia consagrada”.

O novo livro, de Pe. Federico Bortoli foi lançado em italiano com o título: “La distribuzione della comunione sulla mano. Profili storici, giuridici e pastorali” (A distribuição da Comunhão na mão: considerações históricas, jurídicas e pastorais).

Recordando o centenário das aparições de Fátima, Sarah escreve que o Anjo da Paz, que apareceu aos três pastorinhos antes da visita da bem-aventurada Virgem Maria, “mostra-nos como devemos receber o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo”. Sua Eminência descreve, então, os ultrajes com que Jesus é ofendido hoje na Santa Eucaristia, incluindo “a chamada ‘intercomunhão’” (prática de cristãos de diferentes confissões participarem da mesma mesa eucarística).

Sarah dá sequência a seu discurso destacando como a fé na Presença Real “influencia o modo como recebemos a Comunhão, e vice-versa”, e propõe o Papa João Paulo II e Madre Teresa como dois santos modernos que Deus nos deu para imitarmos em seu reverência e na recepção da Santa Eucaristia.

“Por que nos obstinamos em comungar de pé e na mão?”, o Prefeito da Congregação para o Culto Divino se pergunta. A maneira como a Santa Eucaristia é distribuída e recebida, ele escreve, “é uma importante questão sobre a qual a Igreja de hoje deve refletir.”

Abaixo, com a autorização de "La Nuova Bussola Quotidiana", onde o prefácio primeiramente foi publicado, oferecemos aos nossos leitores uma tradução [n.t.: feita diretamente do original em italiano] de vários pontos chave do texto do Cardeal Sarah.



A Providência, que dispõe sábia e suavemente todas as coisas, oferece-nos a leitura do livro A distribuição da Comunhão na mão, de Federico Bortoli, justamente depois de havermos celebrado o centenário das aparições de Fátima. Antes da aparição da Virgem Maria, na primavera de 1916 (outono no hemisfério sul), o Anjo da Paz apareceu a Lúcia, Jacinta e Francisco, e disse-lhes: “Não temais. Sou o Anjo da Paz. Orai comigo”. […] Na primavera de 1916, na terceira aparição do Anjo, as crianças notaram que o Anjo, que era sempre o mesmo, segurava em sua mão esquerda um cálice acima do qual se estendia uma Hóstia. […] Ele deu a Hóstia consagrada a Lúcia e o Sangue do cálice a Jacinta e Francisco, que permaneceram de joelhos, enquanto lhes dizia: “Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus.” O Anjo prostrou-se novamente por terra, repetindo com Lúcia, Jacinta e Francisco por três vezes a mesma oração.

O Anjo da Paz mostra-nos, então, como devemos receber o Corpo e Sangue de Jesus Cristo. A oração de reparação ditada pelo Anjo, infelizmente, é tida como obsoleta. Mas quais são os ultrajes que Jesus recebe na Hóstia consagrada, e dos quais precisamos fazer reparação? Em primeiro lugar, existem os ultrajes contra o próprio Sacramento: as horríveis profanações, das quais alguns convertidos do satanismo já deram testemunho e ofereceram descrições repugnantes; são ultrajes ainda as Comunhões sacrílegas, quando não se recebe a Eucaristia em estado de graça, ou quando não se professa a fé católica (refiro-me a certas formas da chamada “intercomunhão”). Em segundo lugar, constitui um ultraje a Nosso Senhor tudo o que pode impedir o fruto do Sacramento, especialmente os erros semeados nas mentes dos fiéis a fim de que eles não mais acreditem na Eucaristia. As terríveis profanações que acontecem nas chamadas “missas negras” não atingem diretamente Aquele que é ultrajado na Hóstia, encerrando-se tão somente nos acidentes do pão e do vinho.

É claro que Jesus sofre pelas almas dos profanadores, almas pelas quais Ele derramou o Sangue que elas tão cruel e miseravelmente desprezam. Mas Jesus sofre ainda mais quando o dom extraordinário de sua presença divino-humana na Eucaristia não pode levar seu potencial efeito às almas dos fiéis. E aí nós entendemos que o mais insidioso ataque diabólico consiste em tentar extinguir a fé na Eucaristia, semeando erros e encorajando um modo inapropriado de recebê-la. A guerra entre Miguel e seus anjos, de um lado, e Lúcifer, de outro, verdadeiramente continua nos corações dos fiéis: o alvo de Satanás é o sacrifício da Missa e a presença real de Jesus na Hóstia consagrada. Essa tentativa de rapina segue, por sua vez, dois caminhos: o primeiro é a redução do conceito de “presença real”. Muitos teólogos não cessam de ridicularizar ou de esnobar — não obstante as contínuas advertências do Magistério — o termo “transubstanciação”. […]

Vejamos agora como a fé na Presença Real pode influenciar o modo de receber a Comunhão, e vice-versa. Receber a Comunhão sobre a mão comporta induvidavelmente uma grande dispersão de fragmentos. Ao contrário, a atenção às mais pequeninas partículas, o cuidado na purificação dos vasos sagrados, o não tocar a Hóstia com as mãos sujas de suor, tornam-se profissões de fé na presença real de Jesus, ainda que seja nas menores partes das espécies consagradas: se Jesus é a substância do Pão Eucarístico, e se as dimensões dos fragmentos são acidentes apenas do pão, pouco importa que o pedaço da Hóstia seja grande ou pequeno! A substância é a mesma! É Ele! Ao contrário, a desatenção aos fragmentos faz perder de vista o dogma: pouco a pouco poderia começar a prevalecer o pensamento: “Se até o pároco não dá atenção aos fragmentos, se administra a Comunhão de um modo que os fragmentos podem se dispersar, então quer dizer que Jesus não está presente neles, ou está ‘até um certo ponto’.”

O segundo caminho em que acontece o ataque contra a Eucaristia é a tentativa de retirar, dos corações dos fiéis, o sentido do sagrado. […] Enquanto o termo “transubstanciação” nos indica a realidade da presença, o sentido do sagrado permite-nos entrever a absoluta peculiaridade e santidade do Sacramento. Que desgraça seria perder o sentido do sagrado precisamente naquilo que é mais sagrado! E como é possível? Recebendo o alimento especial do mesmo modo como se recebe um alimento ordinário. […]

A liturgia é feita de muitos pequenos ritos e gestos — cada um dos quais é capaz de exprimir essas atitudes carregadas de amor, de respeito filial e de adoração a Deus. Justamente por isso é oportuno promover a beleza, a conveniência e o valor pastoral desta prática que se desenvolveu ao longo da vida e da tradição da Igreja, a saber, receber a Sagrada Comunhão sobre a língua e de joelhos. A grandeza e a nobreza do homem, assim como a mais alta expressão do seu amor para com o Criador, consiste em colocar-se de joelhos diante de Deus. O próprio Jesus rezava de joelhos na presença do Pai. […]

Nesse sentido, gostaria de propor o exemplo de dois grandes santos dos nossos tempos: São João Paulo II e Santa Teresa de Calcutá. Toda a vida de Karol Wojtyla esteve marcada por um profundo respeito à Santa Eucaristia. […] Malgrado estivesse extenuado e sem forças […], estava sempre disposto a ajoelhar-se diante do Santíssimo. Ele era incapaz de ajoelhar-se e levantar-se sozinho. Precisava que outros lhe dobrassem os joelhos e depois o levantassem. Até os seus últimos dias, ele quis dar-nos um grande testemunho de reverência ao Santíssimo Sacramento. Por que somos assim tão orgulhosos e insensíveis aos sinais que o próprio Deus oferece para o nosso crescimento espiritual e para o nosso relacionamento íntimo com Ele? Por que não nos ajoelhamos para receber a Sagrada Comunhão, a exemplo dos santos? É assim tão humilhante prostrar-se e estar de joelhos diante de Nosso Senhor Jesus Cristo — Ele, que, “sendo de condição divina, […] humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Fl 2, 6–8)?

Santa Madre Teresa de Calcutá, uma religiosa excepcional a que ninguém ousaria chamar de tradicionalista, fundamentalista ou extremista, e cuja fé, santidade e dom total de si a Deus e aos pobres são conhecidos de todos, possuía um respeito e um culto absoluto ao Corpo divino de Jesus Cristo. Certamente, ela tocava quotidianamente a “carne” de Cristo nos corpos deteriorados e sofridos dos mais pobres dos pobres. No entanto, cheia de estupor e respeitosa veneração, Madre Teresa se abstinha de tocar o Corpo transubstanciado do Cristo; ao invés disso, ela O adorava e contemplava silenciosamente, permanecia por longos períodos de joelhos e prostrada diante de Jesus Eucaristia. Além disso, ela recebia a Sagrada Comunhão diretamente na boca, como uma pequena criança que se deixava humildemente nutrir por seu Deus.

A santa se entristecia e lamentava sempre que via os cristãos receberem a Sagrada Comunhão nas próprias mãos. Ela afirmou inclusive que, segundo o que era de seu conhecimento, todas as suas irmãs recebiam a Comunhão apenas sobre a língua. Não é esta a exortação que Deus mesmo faz a nós: “Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fez sair do Egito; abre a boca e eu te sacio” (Sl 81, 11)?

Por que nos obstinamos em comungar de pé e na mão? Por que essa atitude de falta de submissão aos sinais de Deus? Que nenhum sacerdote ouse impor a própria autoridade sobre essa questão recusando ou maltratando aqueles que desejam receber a Comunhão de joelhos e sobre a língua: venhamos como as crianças e recebamos humildemente, de joelhos e sobre a língua, o Corpo de Cristo. Os santos dão-nos o exemplo. São eles o modelo a imitar que Deus nos oferece!

Mas como pode ter-se tornado tão comum a prática de receber a Eucaristia sobre a mão? A resposta nos é dada pelo Padre Bortoli, e confirmada por uma documentação até o momento inédita, e extraordinária por sua qualidade e dimensão. Tratou-se de um processo nem um pouco límpido, uma transição do que era concedido pela instrução Memoriale Domini ao modo que se difundiu hoje. […] Infelizmente, assim como aconteceu à língua latina e à reforma litúrgica, que deveria ter sido homogênea com os ritos precedentes, uma concessão particular tornou-se a gazua para forçar e esvaziar o cofre dos tesouros litúrgicos da Igreja. O Senhor conduz o justo por “caminhos retos” (Sb 10, 10), não por subterfúgios; assim, além das motivações teológicas demonstradas acima, até o modo como se difundiu a prática da Comunhão na mão parece ter-se imposto não segundo os caminhos de Deus.

Possa este livro encorajar aqueles sacerdotes e aqueles fiéis que, movidos também pelo exemplo do Papa Bento XVI — que nos últimos anos de seu pontificado quis distribuir a Eucaristia na boca e de joelhos — , desejam administrar ou receber a Eucaristia deste modo, muito mais apropriado ao próprio Sacramento. Minha esperança é de que haja uma redescoberta e uma promoção da beleza e do valor pastoral dessa forma de comungar. Segundo o meu juízo e opinião, essa é uma questão importante sobre a qual a Igreja de hoje deve refletir. Trata-se de um ato de adoração e de amor que todos nós podemos oferecer a Jesus Cristo. Muito me agrada ver tantos jovens que escolhem receber Nosso Senhor com essa reverência, de joelhos e sobre a língua. Possa o trabalho do Pe. Bortoli favorecer um repensar geral sobre o modo de distribuir a Sagrada Comunhão. Tendo acabado de celebrar, como disse no início deste prefácio, o centenário de Fátima, encoraje-nos a firme esperança no triunfo do Imaculado Coração de Maria: no fim, também a verdade sobre a liturgia triunfará.

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Fonte:
LifeSiteNews, 'Cardinal Sarah: Widespread Communion in the hand is part of Satan’s attack on the Eucharist', disp. em:
https://www.lifesitenews.com/news/cardinal-sarah-we-need-to-rethink-the-way-communion-is-distributed
www.ofielcatolico.com.br

6 comentários:

  1. Excelente colocação, gosto muito de suas matérias

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  2. Fernando Siqueira1 de março de 2018 19:54

    Sinceramente não consigo ver o povo recebendo mais a SANTA EUCRISTIA na boca e de joelho,o povo perdeu completamente o respeito ao sagrado e mais, nem acreditão na transubstanciação que há sobre o altar, e nos que recebe com toda a FÉ PIEDADE e DEVOÇÃO somos tachado como loucos e até mesmo como quem quer se aparecer até mesmo de sacerdotes. Tempos dificeis enfrentamos dentro da igreja mas na vinda do MESTRE veremos quem é que queria chamar atenção.

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    1. Que santidade há em estar dentro da Igreja, no momento da comunhão, observando com ar de crítica e reprovação o comportamento do irmão que apenas não pratica o mesmo gestual que o seu? Será que é isso que Deus espera de nós? Não será essa incapacidade de aceitação que tem levado o mundo a esse caos em que vivemos? Fique em Paz irmão.

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    2. "Aceitar" exatamente o quê, anônimo? Que se desrespeite o Corpo de Cristo? Que se receba a sagrada Comunhão e se consuma a Hóstia Consagrada como quem come um biscoito, como vem acontecendo? Se eu achar tudo isso muito "normal", então estarei sendo um bom cristão?

      Não. Se você prestar o mínimo de atenção, verá que não é a falta de "aceitação" que tem levado o mundo para o caos em que vivemos, e sim exatamente o contrário: é o "politicamente correto" que quer nos obrigar a "aceitar" absolutamente tudo, até os maiores e mais impensáveis absurdos, como por exemplo a pedofilia e a zoofilia, para não ser taxado de "intolerante". Acredite ou não, isso está acontecendo agora.

      O mundo vai começar a melhorar, anônimo, a partir do instante quem que pararmos de "aceitar" tudo em nome de uma absurda tolerância. Tolerância para com o mal, com o erro, com o crime, com a violência, com as insanidades da pior espécie.

      De nossa parte, só queremos imitar Cristo, que jamais aceitou tudo e todos, mas condenou abertamente o pecado e a hipocrisia.

      Apostolado Fiel Católico

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    3. Fernando Siqueira4 de março de 2018 12:59

      Em nenhum momento eu disse anônimo que vou a igreja para reparar ou criticar quem recebe ou não a comunhão na boca, só dei minha opnião sobre o que o cardeal Sarah espera do povo que vai a Santa Missa. E de fato não vejo mesmo mais respeito do povo a Santa Eucaristia, agora se você não tem esse amor pela Santa Eucaristia pessa a ELE, pois esse amor que eu sinto não vem de mim, mais Sim dele isso se chama graça. O homem vê a face mas Deus o coração.

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  3. Eu recebo jesus na boca e de joelhos a muito tempo amo Jesus Eucaristia

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