A vitória de Bolsonaro e a via dos cristãos


DEPOIS DE LONGOS DIAS, semanas e meses de tensão e muita guerra de nervos –, com direito a agressões, calúnias, a incessante divulgação de notícias falsas, ameaças, atentado e prenúncios de atentados –, e tudo o que de mais rasteiro, imoral e degradante o ser humano é capaz de conceber e produzir, chegamos, afinal, ao desfecho das eleições nacionais de 2018. Ufa!

Bolsonaro, como já disséramos, era a única alternativa possível aos católicos, por motivos óbvios: representava a única opção contra o criminoso, imoral e anticristão projeto de poder petista, arquitetado para se eternizar no governo do nosso país. Um projeto que foi, desgraçadamente, apoiado por uma grande quantidade de padres e bispos católicos, agindo debaixo das bênçãos da desmoralizada CNBB.

Todavia também não nos faltaram – graças ao Bom Pastor que nos prometeu que o Inferno jamais triunfará contra a sua verdadeira Igreja – honrados e dignos sacerdotes que se levantaram com firmeza e coragem em defesa do único candidato que, malgrado todos os seus muitos defeitos, posicionava-se como homem temente a Deus e a favor da família, da vida, das instituições tradicionais, das liberdades individuais, da propriedade privada, dos sãos valores pátrios – e contra o aborto, as ideologias perniciosas como a da "identidade de gênero", o controle social, a estatização de todos os meios de produção e a implantação do perverso bolivarianismo em nosso país. 

Ficou provado que, assim como o PT e o PC do B, também a CNBB (que até agora não saudou em nota pública o novo presidente democraticamente eleito, como sempre fez com Lula e Dilma) não representa o povo brasileiro. Assim como sucedeu na ocasião do plebiscito sobre o desarmamento (2005) e nos recentes debates sobre a maioridade penal, a conferência de bispos posicionou-se contra a vontade e os anseios da maioria do povo católico. Felizmente, não foram ouvidos, do mesmo modo como em 2015, quando não conseguiram adesão para a sua campanha de assinaturas para a reforma política. 

Faz-nos lembrar do que vaticinou Santo Atanásio de Alexandria, que passou 17 anos de sua vida exemplar no exílio, condenado por bispos hereges, ao escrever, de lá do longínquo século IV, sua eterna "Carta ao meu rebanho":

Ainda que os católicos fiéis à Tradição se reduzam a um punhado, são estes a verdadeira Igreja de Jesus Cristo.

Bravo! Os fiéis católicos – sacerdotes e leigos – triunfam. Mas não podem relaxar e desfrutar o sabor desse triunfo a não ser por um breve momento. O inimigo é formidável em persistência e não se deixa abater. Não foram capazes de esperar mais do que um mísero dia após o domingo da histórica eleição para dar vazão à sua frustração cheia de ódio e rancor: já começaram os protestos, a arruaça e o desrespeito à democracia nas mesmas velhas mentiras berradas a plenos pulmões em suas passeatas. Já o movimento "Povo sem medo" interrompe o trânsito da Avenida Paulista... "Povo"? Ora, mas foi o povo mesmo quem decidiu, pela via genuinamente democrática, escorraçar essas hostes do poder. 

De fato, é tragicômico que falem tão insistentemente em "democracia" quando não aceitam a escolha mais bela e exemplarmente democrática – por ser um fruto espontâneo da conscientização de um povo que tirou do ostracismo um homem simples e que mal sabe elaborar um belo discurso, porém honesto e que diz muito daquilo que queremos ouvir de um governante, que nos representa e é tão transparente quanto o mais fino cristal.

Fará um belo governo? Não sabemos. Decepcionará? Talvez. É um exemplo de cristão? Certamente que não, como já dissemos em outras oportunidades. Aliás, é muito difícil definir se ele é, afinal, católico ou protestante. Mas nós não votamos para Papa, e sim para o Presidente da República, e é certo que estamos diante de um homem que inegavelmente traz o valor da coragem, da humildade e de se posicionar sem meias palavras, qual  "Athanasius contra mundum", contra tudo e contra todos a favor daquilo que é certo. 

Mesmo sem apoio e sem tempo na TV, esse homem investiu obstinadamente e sem medo contra as velhas raposas da velha política, contra a militância estúpida da grande mídia de massa, contra a maior parte dos nossos "artistas" mais populares (e até artistas internacionais icônicos!), contra todos os principais veículos tradicionais de informação do país (que não se furtaram a falsear notícias contra ele) e até contra boa parte da mídia internacional (que lhe taxava com os mesmos rótulos claramente injustos que seus mais radicais adversários inventaram por aqui), contra uma gigantesca seita de professores que domina as nossas escolas e universidades, contra os bispos da CNBB, contra padres midiáticos... E, mesmo assim, mesmo com todos esses poderosos influenciadores de opinião trabalhando juntos, o bom senso venceu: num país cuja população majoritariamente se confessa cristã, a ideologia socialista-materialista foi defenestrada. Ladraram os cães, passou a caravana. 

Não, o povo verdadeiramente cristão não está órfão, ainda que muitos dos seus pastores tenham se bandeado para o lado dos lobos. Quantos testemunhos desesperados recebemos nós, que dirigimos um modesto apostolado, de fiéis católicos que se viram, forçados por suas consciências, a confrontar seus párocos que insistiam em fazer dos Altares sagrados palanques políticos! Mas não se deixaram confundir. O Deus de infinita misericórdia teve piedade de nós. 

Para ao futuro da Igreja no Brasil e o indisfarçável mal-estar que tomou conta das nossas paróquias, é impossível prever um desfecho. Particularmente, creio em um novo cisma, caso as coisas continuem a avançar da mesma maneira como hoje. Num artigo muito feliz, o polêmico e por vezes imprudente, porém necessário apostolado "Fratres in Unum" comparou a situação a "uma procissão em que o andor foi para um lado e o povo foi para o outro…" (leia). 

Sim, é verdade: avançando em direções opostas, cada um segue o seu rumo: os verdadeiros fiéis católicos, que amam a Cristo e se colocam sob a proteção de sua Mãe santíssima, procurando santificar as suas vidas, vão para um lado; para outro, vão os bispos insensatos que clamam contra uma "ditadura" imaginária, enquanto apoiam indiretamente as reais e concretas ditaduras socialistas, sanguinárias e anticristãs, ao redor do mundo de hoje. 

Perceberão esses príncipes da Igreja, algum dia, que abandonaram suas ovelhas? Que, enquanto fazem política, seus filhos erram, abandonados e confusos, desejando ardentemente por quem lhes pregue o autêntico Evangelho? Não notarão que as almas que lhes foram confiadas estão migrando aos milhões para as seitas, onde serão impiedosamente exploradas, até perderem totalmente a fé? Até quando os ungidos de Cristo escolherão servir como cabos eleitorais para os inimigos da vida, da família e do próprio Cristo? Quantos dentre eles entenderão que a grande apostasia já chega? Verão, porventura, os sinais dos tempos? Perceberão que os brasileiros quiseram, por temor a Deus e obedientes ao Evangelho, tomar um rumo oposto ao seu próprio? Regressarão ao bom Caminho e retomarão a verdadeira Fé da Igreja como sempre foi? 

Para essas questões cruciais, não temos as respostas. Mas sabemos que a Verdade liberta e que a oração dos justos pode muito. Reforcemos a cada dia o nosso pacto com a Verdade, que é Jesus Senhor, e peçamos aos Céus com fé inabalável. Nosso Senhor nos dá o poder de decisão e o direito de escolha: façamos uso desses dons preciosos com temor, com amor e com a sabedoria que Ele mesmo nos dá!

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8 comentários:

  1. Lindo texto, lúcido e equilibrado!

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  2. Boa noite, será que o Vaticano está sabendo do que a CNBB está fazendo? SERÁ QUE ESTÃO GOSTANDO DE VER AS OVELHAS SE BANDEANDO PARA SEITAS QUE SEGUEM POR INCRÍVEL QUE SE POSSA CRER, ESTÃO AGINDO E SE COLOCANDO NO LUGAR QUE A IGREJA CATÓLICA DEVERIA ESTAR? É inconcebível ver os líderes da Santa Igreja defendendo quem nos persegue e matam no mundo todo. Devemos pedir uma resposta do Vaticano; ou apoia essa coisa ou destitui esses bispos, até para os que seguem e respeitam os que sofrem por ser católico pelo mundo, tenhamos uma posição.

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  3. Texto excepcional!!! Muitas das coisas que eu gostaria de dizer aos quatro cantos foram expressas aqui!!! Continuem fiéis a Cristo e à sua Igreja, à doutrina santa de Nosso Senhor Jesus Cristo, como fez o Grande Santo Atanásio!!! Dominus Vobiscum
    Ass: Antonio Carlos G. de Viterbo

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  4. Feliz por muitos cristão terem se levantado e defendido os nossos valores. Triste em ver muitos que se diziam fiéis e católicos praticantes, irem totalmente para o outro lado. Como se quisessem tapar os olhos e seguir o rumo que escolheu sem ao menos ter a mínima curiosidade de saber o que a Santa Igreja nos ensina. Oremos muito por esses irmãos que vendem sua fé e continuam nos bancos das igrejas, como se nada de errado tivessem feito.

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  5. Texto maravilhoso, relato de todo sentimento do verdadeiro fiel Católico, Que Jesus na sua infinita misericórdia nos continue dando coragem para combatermos o mal e defendermos a verdade, que Maria Santíssima interceda por nós sempre.

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  6. Troque bolivarianismo por comunismo. Simon Bolivar teve suas ideias deturpadas por esses infames esquerdopatas.

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  7. Concordo com o autor, acho que a CNBB deu um exemplo claro do momento de miudeza e irrelevância que a Igreja Católica atravessa no Brasil. Impressionante a falta de sintonia com as aspirações cristãs da população, defendidas pelo candidato eleito, que apesar de se declarar católico, recebeu forte apoio das lideranças neo pentecostais e evangélicos em todo país. Se Bolsonaro parece protestante? Seria um caminho até natural, diante da apatia, confusão e posicionamento contrário de várias lideranças católicas, me parece que nem mesmo o Vaticano se manifestou a respeito até o momento. Presenciamos a vitória contra a liberação do aborto, das drogas, as ideologias homossexuais e feminazis, corrupção e imoralidade, valores que nos são tão caros, ou não? Do que adianta se dizer a favor da vida, da família e dos valores Cristãos e apoiar o candidato que busca os destruir? Isso para mim se chama hipocrisia, e Nosso Senhor detestava a hipocrisia. Apesar das ilhas de coerência encontradas em meio ao clero, esta eleição presidencial deixa um gosto amargo, de que a Igreja se perdeu de tal forma, que não consegue mais se encontrar, nem mesmo nos momentos de clareza, bem contra o mal, valores Cristãos contra valores mundanos. E o resultado de tudo isso, como lembra o autor, é a debandada de milhões e milhões de almas, nem precisamos de senso para ter ciência disso, basta olhar amigos e familiares a nossa volta, como é difícil conseguir padrinhos católicos hoje em dia, muitos queridos já não estão mais na Igreja. E tragicamente é cada vez mais difícil de criticar, afinal de contas a maioria que passa para o lado de lá, declara convictamente que encontrou Jesus. Nossas lideranças religiosas estão extremamente necessitadas de marcar um encontro com Jesus e seu Evangelho, pois parece que existem graves divergências, precisam alinhar os ponteiros.

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  8. Texto fantástico....mas esperarar do Xico qqer atitude p c a cnbb, é perda de tempo....é esquerdinha tbm.... Realmente é chegada a grande apoatasia ....

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