A FRATERNIDADE SACERDOTAL Sacerdotal São Pio X (FSSPX) dirigiu uma suplicante Carta Aberta ao Papa Leão XIV e ao Colégio dos Cardeais, tornada pública ontem (24 de junho de 2026), acompanhada de uma piedosa Profissão de Fé Católica.
Com um espírito de profunda humildade, a FSSPX reafirma sua fidelidade à Tradição da Igreja e o reconhecimento pela autoridade de Leão XIV e pela hierarquia eclesiástica, expressando profundo sofrimento diante da crise atual. Longe de desafiar a autoridade do Papa ou de buscar divisão, a Fraternidade apresenta-se suplicante, convencida de que não virão deles mesmos as soluções para a crise, mas “a Tradição contém todos os remédios para os males mais profundos que afligem a Igreja e o mundo”.
Diante das sagrações episcopais previstas para 1º de julho de 2026, os superiores da FSSPX veem este ato não como rebelião, mas como uma obrigação grave e um gesto de sobrevivência: sem bispos fiéis à Tradição, em breve o rito tridentino e a Sã Doutrina perene da santa Igreja, perpetuada por dois milênios, correm seríssimo risco de desaparecer à vista dos fiéis.
A carta e a profissão de fé podem ser lidas integralmente no site oficial da FSSPX (leia na íntegra em fsspx.news), que permanece a fonte primária. A declaração que acompanha o documento contém 154 afirmações irretocáveis em defesa das doutrinas tradicionais da Igreja, inclusive sobre os Sacramentos, a Revelação divina, a Virgem Maria, a rejeição da falsa noção de ecumenismo criada no concílio Vaticano II e a fidelidade à Missa que foi decretada como de direito perpétuo no Concílio de Trento[1].
Esses documentos da FSSPX são o mais recente desenvolvimento em uma série de desacordos públicos com a Santa Sé sobre as consagrações episcopais planejadas pela FSSPX sem a aprovação papal.
A Santa Sé disse em 13 de maio que as consagrações seriam um ato cismático, resultando em excomunhão automática para os bispos consagrantes e para os consagrados.
Em 16 de junho (2026), Leão XIV alertou a Fraternidade São Pio X de que as suas planejadas consagrações episcopais corriam o risco de levar ao cisma, pelo fato de eles se recusarem "a aceitar alguns elementos fundamentais da Igreja, começando por diversos pontos do Concílio Vaticano II" (saiba mais), uma declaração nitidamente enviesada, a partir do momento em que não se pode considerar realmente os documentos do Vaticano II como "elementos fundamentais da Igreja", já que o polêmico Concílio não definiu nenhum dogma e justamente se declarou, do início ao fim, meramente pastoral e não dogmático.
Segundo o portal ACI Digital, a Sala de Imprensa da Santa Sé não respondeu ao pedido de comentário até o dia de ontem.
_______
[1] S.S. o Papa São Pio V, em 1570, por meio da Bula Quo Primum Tempore, promulgou o Missal Romano reformado “ex decreto sacrosancti Concilii Tridentini” (conforme o decreto do santo Concílio de Trento) e concedeu solenemente o seu uso “in perpetuum” (perpetuamente), proibindo alterações e concedendo a todos os sacerdotes o direito de usá-lo sem restrições, sob pena de anátema.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
** Inscreva-se para a Formação Teológica da FLSP e além das aulas mensais (com 5 disciplinas fundamentais da Teologia: Dogmática, História da Igreja, Bíblia, Introdução à Patrística e Ascética & Mística) receba acesso aos doze volumes digitais (material completo) do nosso Curso de Sagradas Escrituras, mais a coleção completa em PDF da revista O Fiel Católico (43 edições), mais materiais exclusivos, novas atualizações frequentes e descontos na compra de livros católicos. Para assinar agora, use este link. Ajude-nos a continuar trabalhando!
AVISO aos comentaristas:
Este não é um espaço de "debates" e nem para disputas religiosas que têm como motivação e resultado a insuflação das vaidades. Ao contrário, conscientes das nossas limitações, buscamos com humildade oferecer respostas católicas àqueles sinceramente interessados em aprender. Para tanto, somos associação leiga assistida por santos sacerdotes e composta por profissionais de comunicação, professores, autores e pesquisadores. Aos interessados em batalhas de egos, advertimos: não percam precioso tempo (que pode ser investido nos estudos, na oração e na prática da caridade) redigindo provocações e desafios infantis, pois não serão publicados.