Posts recentes

POSTS RECENTES > Carregando...

Chamar o sacerdote de padre (pai) contraria a Bíblia?


RECEBEMOS DO LEITOR Marcelo Mattos a seguinte mensagem:
“Olá, pessoal!
É com muito prazer que recorro a vocês, que muitas vezes foi fonte de esclarecimento acerca das doutrinas da Unica e Verdadeira Igreja de Cristo, para me esclarecer sobre um trecho da bíblia.
Certa vez, vi uma citação de um irmão protestante, sobre o sacerdócio, a qual dizia: "E a ninguém chameis de pai sobre a terra, porque um só é vosso Pai, aquele que está nos céus". (São Mateus 23, 9)
Ele dizia que não podemos chamar o sacerdote de "padre", e que sequer devíamos ter padre, baseado nesse versículo. Poderiam me ajudar a sanar essa duvidazinha?
Agradeço a atenção, e parabenizo o excelente trabalho de vocês. Abraços!"

Caríssimo Marcelo Mattos, em primeiro lugar agradecemos pela confiança depositada em nosso modesto apostolado. Para a elaboração deste nosso estudo, recorremos à consulta das aulas do fiel e valoroso Bispo Titular de Palmares (PE), Exmo. e Revmo. Dom Henrique Soares da Costa (foto), que já respondeu à mesma pergunta em sua página. Nosso desejo e nossa oração para que a leitura deste texto seja útil ao maior número possível de almas, ad maiorem Dei gloriam.

†  †  †

O título “Papa”, atribuído ao Sucessor de S. Pedro, pode ser traduzido por "pai". O termo “padre”, tão comumente atribuído aos presbíteros, de origem latina, também significa "pai". Estaria então a Igreja, na prática, desobedecendo a um preceito dado diretamente por Jesus Cristo, constante no Evangelho segundo S. Mateus (23,9), de não chamar a ninguém sobre a terra de pai? É o que veremos.

Um primeiro fato, que precisamos sempre manter em mente, é que o Evangelho nunca poderá ser reduzido à letra, isto é, às interpretações literais e isoladas de determinados versículos, porque "a letra mata, mas o Espírito vivifica" (2Cor 3,6). É extremamente perigoso tomar uma palavra ou frase de Jesus e procurar compreendê-la fora de seu contexto próprio e de sua real intenção. Quem tenta fazê-lo, quase sempre, erra e trai a Vontade do Senhor. A Escritura somente pode ser compreendida no mesmo Espírito na qual foi escrita, e esse Espírito é Dom de Deus à sua Igreja. – É sumamente importante esta adesão de fé, esta atitude de fundo, porque sem ela as Sagradas Escrituras tornam-se pura fonte de erros, de confusão e de divisões sem fim.

Basta ver aonde a loucura do livre exame da Bíblia, apregoado por Lutero, levou o protestantismo: hoje são dezenas de milhares de seitas derivadas do movimento de protesto inicial, desde as mais radicais, imersas em fechamento e fanatismo fundamentalista, às mais liberais, que "casam" homossexuais e até os admitem como "pastores", "bispos" e "bispas". – Além disso, se a Bíblia afirma que é Deus nosso Pai maior, igualmente enfatiza que nosso "Pastor" é Jesus Cristo, conforme lemos no Evangelho segundo S. João (10, 12), e não homem algum. Se o questionamento quanto ao termo "padre" parte de um protestante/"evangélico", que tem a Bíblia como única regra de fé e prática, já começa descabido, pois aquele que acusa faz exatamente a mesma coisa, chamando seu orientador espiritual de "pastor".

Dito isso, vamos à questão propriamente posta. – Nosso Senhor afirma que não devemos tratar a ninguém por pai no contexto de uma polêmica com escribas e fariseus, que se pretendiam detentores da dignidade e da autoridade de pais espirituais da comunidade judaica, assumindo assim o privilégio da Promessa divina feita a Abraão. Longe de querer ensinar que seria pecado chamar, por exemplo, ao nosso progenitor de pai, o Cristo claramente diz que a Paternidade suprema, em sentido absoluto, – o Princípio e o Modelo perfeito de toda paternidade, – brota do Criador de todas as coisas, seu e nosso Pai do Céu.

Ninguém poderia ser verdadeiramente pai, a não ser em referência ao Pai de Jesus, e mais uma vez as Sagradas Escrituras o confirmam, mais adiante: "Dele procede toda a paternidade no Céu e na Terra" (Ef 3,14). Qualquer um que se considere pai espiritual sem reconhecer Jesus como o Filho do Pai verdadeiro, pleno e perfeito, trai o sentido da paternidade e usurpa a Paternidade divina, deformando-a.

Adiante, são muitos os caminhos que poderíamos tomar para demonstrar que a passagem em questão não pode ser tomada literalmente, por exemplo, simplemente considerando o Mandamento Divino de honrar pai e mãe. É o próprio Deus Todo-Poderoso, diretamente, ordenando que honremos nossos pais segundo a carne. Seria honroso a algum pai que seu próprio filho se negasse a chamá-lo de "pai"? Ora, se não podemos chamar a absolutamente ninguém de pai a não ser Deus, é assim que deveria ser, e haveria uma insolúvel contradição na Bíblia. Seria este um bom começo, uma boa reflexão inicial. Avançaremos, entretanto, bem além daí.



Outros casos semelhantes nas Sagradas Escrituras

No estudo acadêmico, aprendemos que a linguagem bíblica é, frequentemente, superlativa, generalizante. É próprio da pedagogia dos autores sagrados, por exemplo, usar às vezes o termo "todos" para dizer "muitos"; "eternamente" para dizer "muito tempo"; "sem fim" para dizer "grande quantidade"; etc. Assim, encontramos na Bíblia diversos paralelos muito semelhantes a este caso da proibição de se chamar a qualquer pessoa humana de pai. 

É exatamente o mesmo quando Jesus diz à pessoa que se dobra diante dele e o chama "bom mestre": “Por que me chamais bom? Ninguém é bom, a não ser somente um, que é Deus” (Mc 10,18).

Esta passagem deveria ser extremamente desconcertante para todo aquele que, ao mesmo tempo em que se pretende cristão, elege a Bíblia como única regra de fé. Ora, se formos interpretar o texto ao pé da letra, como na passagem de S. Mateus (23,9) que estamos examinando, teríamos que dizer que Jesus não é Deus, porque ele parece repreender quem o chama "bom", dizendo que somente Deus é bom. E Será que Jesus não é bom? Então, Ele não é Deus? Além disso, estaria também dizendo o Senhor que não existiu nem existe nenhuma pessoa humana neste mundo que pudéssemos chamar de bom ou boa? 

A resposta para todas as questões acima, evidentemente, é um grandioso e sonoro não. O que Jesus evidentemente está dizendo é que toda verdadeira bondade provém do Pai, e que toda bondade que não for imagem e expressão da Bondade do Pai não é verdadeira bondade.

Outro exemplo interessante, no mesmo sentido, é a passagem da Epístola aos Romanos (3,10), que afirma categoricamente: "Não há nenhum justo (no mundo); não há nem um sequer."

Mais uma vez, a linguagem superlativa, que tende às expressões generalizantes. Se não há nenhum justo no mundo, então como é que o Evangelho segundo S. Lucas (1,6) diz que Zacarias e Isabel, pais de S. João Batista, "eram ambos justos perante Deus, andando sem repreensão em todos os Mandamentos e preceitos do Senhor"? Além disso, o próprio Batista é chamado "varão justo e santo" (Mc 6,20). Há diversos outros exemplos, e também no Antigo Testamento encontramos as afirmações de que Noé e Jó, entre outros, eram justos.

Que fazer, então? Se a passagem de Romanos está correta, então as outras, que mencionam homens e mulheres justos, estão erradas? Ou teria S. Paulo Apóstolo se equivocado ao escrever aquela frase, e deveríamos então riscá-la de nossas Bíblias? Nem uma nem outra. A questão se resolve quando entendemos o que já demonstramos no início deste estudo: nem tudo o que se lê na Bíblia Sagrada deve ser entendido literalmente, e este é um dos motivos pelos quais o Senhor nos deu a Igreja, coluna e sustentáculo da Verdade (1Tm 3,15) para todo aquele que deseja segui-Lo, – porque é ela, a mesma Igreja, o Corpo do Cristo (1Cor 14-20), isto é, a continuidade histórica do Salvador no mundo. É por meio da Igreja, legítima autora (inspirada pelo Espírito Santo) e fiel depositária da Palavra de Deus (nas Escrituras e na Tradição, por ordem do Cristo), que podemos compreender a Mensagem que Deus tem para nós.


Encerrando definitivamente a questão

Retomando o tema central deste estudo, é preciso saber que na comunidade cristã sempre houve aqueles chamados de "pais" no sentido espiritual, exatamente porque fizeram de suas vidas expressão da Paternidade do Pai do Céu, Paternidade que sempre exprime amor, providência, acolhimento, misericórdia, cuidado.

Por fim, apesar de todo o exposto até aqui, também é possível demonstrar o erro de quem pensa que é proibido chamar a um ser humano de pai, porque somente Deus mereceria este título, do modo mais simples, grosseiro e óbvio: mostrando onde a própria Bíblia claramente o demonstra, como quando exorta os cristãos a chamaram seus pais humanos, simplesmente, de "pais". Ora, o texto sagrado diz: "Filhos, obedecei a vossos pais segundo o Senhor; porque isto é justo" (cf. Ef 6,1). Evidentemente, se não fosse permitido chamar a ninguém de Pai, senão exclusivamente Deus, a própria Bíblia não o faria.

No Antigo Tetamento, as Escrituras chamam Abraão de "Pai de uma multidão" de povos ou nações, sendo que no hebraico bíblico o nome do Patriarca possui este exato significado.

Mais ainda, S. Paulo mesmo se apresenta como pai espiritual dos fiéis que por meio dele foram convertidos:

“Eu vos escrevo como a filhos bem-amados. Ainda que tivésseis dez mil pedagogos em Cristo, não teríeis muitos pais, pois fui eu quem pelo Evangelho vos gerou em Cristo Jesus." (1Cor 4,14-15)
“Meus filhos, por quem eu sofro de novo as dores do parto, até que Cristo seja formado em vós.” (Gl 4,19)

Também S. João, na sua Epístola, chama frequentemente os cristãos aos quais se dirige de "filhinhos". Vemos assim que ele se considerava pai espiritual da comunidade a que se dirigia.

O que transparece claramente de toda esta realidade é que toda e qualquer paternidade na comunidade cristã deve ter como Fonte, Modelo e Expressão, a Paternidade de Deus. Qualquer outro tipo de paternidade espiritual é idolátrica e sacrílega; é blasfêmia contra o Nome do Pai, que Jesus revelou vivendo como Filho perfeito.

Além disso, ainda que alguns exerçam na comunidade uma função de paternidade, essa função tem como alicerce e fundamento uma outra: a relação de fraternidade, já que fomos feitos todos filhos do Pai do Céu e assim somos todos irmãos. O presbítero, o padre, tem uma paternidade espiritual em relação aos fiéis católicos, mas, antes disso, é também seu irmão em Cristo; antes de ser padre é cristão. Esta é a relação fundamental. Nossa dignidade primordial é sermos cristãos, irmãos em Cristo Jesus. Antes de qualquer paternidade em Cristo, vem a fraternidade recebida como Graça no santo Batismo.

___
Ref.:
Este artigo é baseado em artigo de Dom Henrique Soares da Costa, intitulado "Não chamar a ninguém de pai", postado no site DomHenrique.com.br, atualmente indisponível.

Da oração mental ou contemplação divina


COMUMENTE NÓS, fiéis católicos, utilizamo-nos de fórmulas de oração, como o Pai-Nosso, os Salmos, o Santo Rosário, as orações e cânticos litúrgicos. Estas são formas da oração vocal, bem conhecida de todos, até dos não cristãos, e que pode ser feita também de modo espontâneo, com louvores, ação de graças e súplicas.

Outras vezes, porém, podemos falar com Deus em silêncio, apenas em nossos pensamentos e no enlevo de nossos corações, sem fórmulas fixas e sem palavra pronunciada: esta é a oração mental ou contemplação: eis o tema deste estudo.

Sem dúvida toda pessoa de fé gostaria de ter com frequência um diálogo espontâneo com Deus, em que pudesse falar ao seu Criador e Pai do Céu sobre sua vida, trabalhos, anseios, desejos e/ou problemas, dilemas, indecisões. A dura realidade, porém, é que nem sempre conseguimos esta santa comunhão. Muitos acabam desistindo da vida de oração, pensando: “Não é para mim...”. Este que vos fala, sempre atarefado e cronicamente ansioso, confessa que enfrentou grandes dificuldades para estabelecer um tempo de oração em sua vida.

Entretanto, que outro fim, mais do que este, mereceria nossos melhores esforços? A oração mental, quando aprendemos a fazê-la, torna-se fonte maravilhosa de paz, de luz interior, de profundíssimas e incomparáveis alegrias, de novas perspectivas de vida, de amor profundo pelo próximo e pela vida, de otimismo inabalável...

Reproduzimos abaixo o que diz o Catecismo da Igreja Católica (CIC) a respeito da oração mental ou contemplação, no capítulo que lhe é especialmente dedicado:

“O que é a contemplação? Responde Santa Teresa: 'Outra coisa não é a oração mental, a meu parecer, senão tratar de amizade – estando muitas vezes tratando a sós – com Quem sabemos que nos ama.' [Livro da vida, 8: Obras Completas (Paço de Arcos, Edições Carmelo 1994) p. 56].

A contemplação procura 'Aquele que o meu coração ama' (Ct 1,7), que é Jesus, e n'Ele o Pai. Ele é procurado, porque desejá-lo é sempre o princípio do amor, e é procurado na fé pura, esta fé que nos faz nascer d'Ele e viver n'Ele. Nesta modalidade de oração pode-se, ainda, meditar; todavia, o olhar vai todo para o Senhor.

A escolha do tempo e duração da contemplação depende duma vontade determinada, reveladora dos segredos do coração. Não se faz contemplação quando se tem tempo; ao invés, arranja-se tempo para estar com o Senhor, com a firme determinação de não se retirar d'Ele durante o caminho, sejam quais forem as provações e a aridez do encontro. Não se pode meditar sempre; mas pode-se entrar sempre em contemplação, independentemente das condições de saúde, trabalho ou afetividade. O coração é o lugar da busca e do encontro, na pobreza e na fé.

A entrada na contemplação é análoga à da liturgia eucarística: 'reunir' o coração; recolher todo o nosso ser sob a moção do Espírito Santo, habitar na 'casa do Senhor' que nós somos, despertar a fé para entrar na Presença d'Aquele que nos espera, fazer cair as nossas 'máscaras' e voltar o nosso coração para o Senhor que nos ama, de modo a entregarmo-nos a Ele como uma oferenda a purificar e transformar.

A contemplação é a oração do filho de Deus, do pecador perdoado que consente em acolher o Amor com que é amado e ao qual quer corresponder amando ainda mais (9). Mas ele sabe que o seu amor de correspondência é o que o Espírito Santo derrama no seu coração, porque tudo é Graça da parte de Deus. A contemplação é a entrega humilde e pobre à Vontade amorosa do Pai, em união cada vez mais profunda com o seu Filho muito amado.

A contemplação é a expressão mais simples do mistério da oração. É um dom, uma graça; só pode ser acolhida na humildade e na pobreza. É uma relação de aliança estabelecida por Deus no fundo do nosso ser (cf. Jr 31,33). A contemplação é comunhão: nela, a Santíssima Trindade conforma o homem, imagem de Deus, 'à sua semelhança'.

A contemplação é, também, por excelência, o tempo forte da oração. Nela, o Pai enche-nos de força, pelo Espírito Santo, para que se fortaleça em nós o homem interior, Cristo habite nos nossos corações pela fé e nós sejamos radicados e alicerçados no amor (cf. Ef 3,16-17).

A contemplação é o olhar da fé, fixado em Jesus. 'Eu olho para Ele e Ele olha para mim' – dizia, no tempo do seu santo Cura, um camponês d'Ars em oração diante do Sacrário [Cf. F. Trochu, Le Curé d'Ars Saint Jean-Marie Vianney (Lyon-Paris 1927) p. 223-224]. Esta atenção a Ele é renúncia ao 'eu'. O seu olhar purifica o coração. A luz do olhar de Jesus ilumina os olhos do nosso coração; ensina-nos a ver tudo à luz da sua Verdade e da sua Compaixão para com todos os homens. A contemplação dirige também o seu olhar para os mistérios da vida de Cristo. E assim apreende 'o conhecimento íntimo do Senhor' para mais o amar e seguir [cf. Santo Inácio de Loyola, Exercitia spiritualia, 104: MHSI 100, 224].

A contemplação é escuta da Palavra de Deus. Longe de ser passiva, esta escuta é obediência da fé, acolhimento incondicional do servo e adesão amorosa do filho; participa do 'sim' do Filho que se fez Servo e do 'faça-se' da sua humilde serva.

A contemplação é silêncio, este 'símbolo do mundo que há de vir' [cf. Santo Isaac de Nínive, Tractatus mystici, 66: ed. A. J. Wensinck (Amsterdam 1923) p. 315; ed. P. Bedjan (Parisiis-Lipsiae 1909) p. 470.] ou 'linguagem calada do amor' {São João da Cruz, Carta, 6: Biblioteca Mística carmelitana, v. 13 (Burgos 1931) p. 262. [Cf. São João da Cruz, Carta Sexta: Obras Completas (Paço de Arcos, Edições Carmelo 1986) p. 967]}. Na contemplação, as palavras não são discursos, mas acendalhas que alimentam o fogo do Amor. É neste silêncio, insuportável para o homem 'exterior', que o Pai nos diz o seu Verbo encarnado, sofredor, morto e ressuscitado e que o Espírito filial nos faz participar da oração de Jesus.

A contemplação é união à oração de Cristo na medida em que nos faz participar no seu Mistério. O Mistério de Cristo é celebrado pela Igreja na Eucaristia e o Espírito Santo faz-nos viver dele na contemplação, para que seja manifestado pela caridade em ato.

A contemplação é uma comunhão de amor, portadora de vida para a multidão, na medida em que é consentimento em permanecer na noite da fé. A noite pascal da ressurreição passa pela da agonia e do sepulcro. São estes três tempos fortes da 'Hora' de Jesus, que o seu Espírito (e não a 'carne', que é 'fraca') nos faz viver na oração contemplativa. É preciso consentir em velar uma hora com Ele (Cf. Mt 26, 40-41).


Resumindo:


• A Igreja convida os fiéis para uma oração regular: orações quotidianas, Liturgia das Horas, Eucaristia dominical, festas do ano litúrgico.

• A Tradição cristã compreende três expressões principais da vida de oração: a oração vocal, a meditação e a contemplação, que têm em comum o recolhimento do coração.

• A oração vocal, fundada na união do corpo e do espírito na natureza humana, associa o corpo à oração interior do coração, a exemplo de Cristo que orava ao Pai e ensinava o 'Pai-nosso' aos seus discípulos.

• A meditação é uma busca orante que põe em ação o pensamento, a imaginação, a emoção, o desejo. Tem por finalidade a apropriação crente do tema considerado, confrontado com a realidade da nossa vida.

• A contemplação é a expressão simples do mistério da oração. É um olhar de fé fixo em Jesus, uma escuta da Palavra de Deus, um amor silencioso. Realiza a união com a oração de Cristo, na medida em que nos faz participar no seu Mistério.


(CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, n.s 2709 a 1724)

A prática

Pe. Francisco Faus
São páginas preciosas. Resta saber, exatamente, como alcançar esses tesouros-espirituais incomensuráveis. Como viver a experiência inefável da legítima contemplação cristã, tão belamente descrita nas linhas acima, na prática? Pretendemos, das profundezas de nossa pequenez e com o auxílio de um grande diretor espiritual, o Revmo. Padre Francisco Faus (foto), auxiliar nossos leitores nesta via santa.

Em primeiro lugar, é conveniente que tenhamos hora e lugar certos e apropriados. O Catecismo diz que "a escolha do tempo e da duração da oração mental depende duma vontade determinada… Não fazemos oração quando temos tempo: reservamos um tempo (...) com a firme determinação de (...) não o tomarmos de volta." (§2710).

Nosso Senhor Jesus Cristo diz: "Entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo..." (Mt 6,6). Um lugar próprio, que evidentemente não precisa ser o seu quarto, que pode ser uma igreja ou capela sossegada e silenciosa (infelizmente hoje nem todas o são) ou um jardim, um parque… O importante é que se possa estar só e tranquilo para se concentrar (não faça deitado na cama, porque o risco de cochilar é grande). E a duração, para começar, pode ser, por exemplo, de dez minutos diários, que depois pode ser conveniente aumentada. Não esqueça, porém, que uma oração mental íntima, de “linha direta” com Deus, pode surgir a qualquer momento e em qualquer lugar. Aproveite todas as inspirações do Espírito Santo.

Quando você tiver hora e lugar certos, antes de dizer qualquer coisa, comece elevando seu pensamento, com máxima dedicação e intensidade, ao seu divino Interlocutor, isto é, DEUS. Pronuncie, verbal ou mentalmente, um ato de fé na Presença do SENHOR; por exemplo: “Creio firmemente que estás aqui, que me vês, que me ouves”, ou: “Senhor, que eu te veja com os olhos da fé”.

Inicie o diálogo com simplicidade. Diga-lhe mentalmente, por exemplo: “Senhor, ajuda-me a falar contigo”, ou “Jesus, não sei o que dizer”, ou “Meu Deus, perdoa-me, mas hoje peço algo de que muito necessito”. Se não lhe ocorrer nada, faça então como aquele rapaz, distribuidor de leite em domicílio, conhecido de São Josemaria, que abria a porta da igreja e só dizia: “Jesus, aqui está João, o leiteiro!”.

“As palavras na oração" – diz também o Catecismo – "não são discursos, mas acendalhas (gravetos  ou outra coisa que sirva como combustível) que alimentam o fogo do Amor” (§2717).

Às vezes pense num assunto concreto, para falar dele com simplicidade. Por exemplo, pergunte ao Senhor Jesus: “Por que me irrito sempre com aquela pessoa?”. Peça por luz e forças, e tente ser completamente sincero diante d’Ele: “Será que eu sou orgulhoso, e por isso não sei compreendê-la?”.

Leve os Salmos, um livro de orações ou de reflexões espirituais. Quando se sentir seco, sem saber o que dizer, abra-o e leia um trechinho. Essa leitura breve poderá ser como que sua “pista de decolagem” da oração mental e, às vezes, o levará a tornar a meditação mais reflexiva.

Alguns precisarão de mais "pista para decolar", ler um trecho mais longo, outros de menos. O importante é que quando uma ideia da leitura nos atinja, esforcemo-nos em refletir e tentar descobrir alguma aplicação prática: “Isso é o que eu deveria fazer!” Se isso acontecer, peçamos a Deus forças para melhorar naquele ponto, e agradeçamos pelas inspirações que Ele despertou em nós.

Um exemplo de um texto brevíssimo, que poderia ser “pista de decolagem” de uma boa oração mental, é o ponto nº 814 do livro "Caminho" do citado santo: “Um pequeno ato, feito por amor, quanto não vale!”. Fale disso com Deus: “Senhor, quantos atos pequenos – como um sorriso em lugar de um olhar sisudo, um pormenor de ordem material, uma pequena ajuda no trabalho – eu poderia ter feito hoje com amor-caridade, e não fiz! Ajudai-me a enxergar essas coisas e a fazê-las, para a vossa Glória”.

Peça e proponha-se algumas dessas ações simples, mas frutuosas; às vezes, apenas dizer “bom dia” de modo mais cordial em casa, na escola ou no trabalho já pode fazer uma grande diferença. Isso já seria um bom fruto da oração mental.

___
Ref.:
FAUS, Francisco. Para estar com Deus, Conselhos de Vida Interior. 2ª ed. Cultor de Livros: São Paulo, SP,2012.p.13

Nunca antes na história deste país houve manifestação cívica de tamanhas proporções


15 de março de 2015 – AMIGOS LEITORES e irmãos em Cristo, é muito difícil, e seria até hipócrita de minha parte, não falar do palpitante momento político e histórico que vivemos hoje. A situação atual é mais do que apenas importante, e mais do que apenas tensa. Vemos a ameaça do ex-presidente Lula, líder do partido governista, ameaçando convocar o "exército do MST" caso seja preciso, e discursos do presidente-ditador da Venezuela insinuando intervir caso ocorra, de fato, o impeachment da presidente Dilma.

Por todo lado, a cada minuto pipocam novos escândalos de corrupção envolvendo o partido do governo e diversos jornalistas (não de hoje) vem denunciando que grupos do MST vêm sendo militarmente treinados palas FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

Magníficos, tremendos, maciços protestos, que não são "contra tudo e contra nada", como aqueles de 2013, e nem "contra a corrupção", genericamente falando, mas sim contra o PT, contra Lula, contra Dilma e seus sequazes, explodem hoje em todo o Brasil. Só na Avenida Paulista, mais de um milhão e duzentos mil, segundo as estimativas conservadoras da Polícia Militar. Estamos falando, simplesmente, da maior manifestação cívica popular da história do Brasil. Foram registrados em 25 Estados do Brasil e no Distrito Federal, alcançando desde pequenos municípios até as grandes metrópoles, como Salvador, Curitiba, Rio e São Paulo (onde foi quebrado o recorde histórico de pessoas nas ruas em manifestações populares). Surpreendente para muitos, também por todo o Norte e Nordeste grandes multidões marcharam, desde a manhã e durante todo o dia, até a noite, contra o atual governo.

Logo no início da manhã, as principais emissoras tentavam convencer o espectador incauto de que estas espetaculares manifestações não eram contra o partido do governo, e sim, simplesmente "contra a corrupção". Já no início da tarde, porém, não era mais possível querer tampar o sol com a peneira, e os gritos de "fora PT" já não podiam mais ser abafados.

A grande mídia fez de tudo para tentar salvar a pele do governo. Esforçaram-se para negar o que é mais do que nítido. Alguns pseudo-jornalistas chegaram a dizer que não havia pedido de impeachment(!) nas ruas, num esforço patético que se viu completamente frustrado diante das impressionantes dimensões do movimento, e da consciência dessa gente de bem que está nas ruas, a partir de hoje, – insisto, – bem diferente do que ocorria nos protestos de 2013.

Pois bem. O impeachment ou não de Dilma já não é mais a questão principal. O mais importante e fundamental desse protesto é que as pessoas não querem mais saber do PT e, especialmente, não aceitam mais a sua ideologia político-social que elege e beneficia criminosos (incluindo os de colarinho branco que engrossam suas próprias fileiras) como vítimas, e pune quem só quer trabalhar e produzir. Que divide a sociedade em classes (nós contra eles, negros contra brancos, gays contra heterossexuais, mulheres contra homens) para poder conquistar.

O impeachment, se acontecer, será uma consequência natural deste repúdio. Claro e evidente que apenas a queda de Dilma não resolve a gigantesca crise em que o PT mergulhou o Brasil. Por isso, o principal resultado deste mega-protesto que cresce avassaladoramente e se espalha por todo o Brasil é a proscrição do PT e de todos os partidos de viés comunista e/ou dito socialista bolivariano. Haverão de ser, com a Graça do Bom Deus, todos dissolvidos. – Os brasileiros estão gritando, hoje, nas ruas, que não aceitarão mais que psicopatas, histéricos e tarados ideológicos vermelhos lancem o Brasil no fundo do poço como fez o Foro de São Paulo na Venezuela.

Demorou, mas este povo brasileiro caiu na realidade. Foi quebrado o feitiço "petralha". Já não adianta mais que jornalistas vendidos tentem negar a tão simples realidade dos fatos. Não adianta mais tentar mudar o foco do assunto, por exemplo falando da inépcia de Alckmin em prevenir a crise hídrica. 

Mesmo assim, é claro, ainda existem grupos que defendem o governo deste partido, cujo líder ameaça convocar o "exército do MST" se for preciso. Um partido que traz as FARC para dar treinamento militar a esses criminosos. Pessoas que não se indignam ao ver os discursos de Nicolás Maduro com sutis ameaças à soberania do Brasil caso aconteça o impeachment de Dilma. Sim, ainda existem pessoas favoráveis a todo esse caos. A diferença é que agora eles já não são mais os únicos a se mobilizar, a se reunir, a se organizar em defesa de seus ideais. O microfone e a pena, geralmente, ainda estão em suas mãos; porém, cada vez mais, isso deixa de fazer toda a diferença.  O brasileiro, finalmente, está aprendendo a pensar por si próprio. Laus tibi, Domine!
www.ofielcatolico.com.br

A quem interessa exigir a “posição oficial” da Igreja a respeito de tudo?

Por Jorge Ferraz (Deus lo Vult!)



A RESPEITO DESTA MATÉRIA cuja manchete alardeia que um “Diretor de jornal católico ataca PT e defende saída de Dilma”, talvez valha a pena fazer algumas considerações.

Antes de qualquer coisa, é preciso esclarecer que as informações a respeito do jornal católico ('O São Paulo', da Arquidiocese de São Paulo) estão todas truncadas. O texto do blog de Roldão Arruda diz o seguinte:

"O jornal ainda não defendeu o impeachment. Em editorial sobre o escândalo na Petrobrás, publicado na semana passada, com o título 'Mãos Sujas de Petróleo', o seu diretor escreveu: 'Os hábeis marqueteiros do governo querem desviar os olhos da população para o que, de fato, importa: nunca se montou um esquema tão aparelhado, tão profissional, para desviar dinheiro público.'

Ora, a edição mais recente do jornal, – a da “semana passada” (o texto do Estadão foi publicado em 11 de março), – não traz nada disso. Em sua edição 3042 (11 a 17 de março de 2015), "O São Paulo" tem um editorial intitulado “Oposição é necessária e faz bem”. Trata-se de um texto curto, bastante equilibrado, que fala sobre o pronunciamento da Sra. Presidente no domingo último e o protesto «ao som da batida de panelas vazias» que se lhe seguiu. E conclui dizendo que qualquer democracia exige «um povo que não se acomode, nem perca a capacidade de se indignar com o que é injusto, e, por fim, que não transforme diferenças de opiniões em ódio de classes». Não há aqui sombra de ataque a partido algum.

O editorial referido está na edição 3029 (26 de novembro a 2 de dezembro de 2014), do final do ano passado, portanto. Nele, sim, encontra-se a passagem que Roldão cita em seu texto. No entanto, também aqui não há sombra de defesa a nenhum movimento de impeachment (até porque seria extemporâneo procurá-la em um texto produzido no final de novembro último, quando o movimento que promete ir às ruas no próximo domingo não estava ainda delineado).

Ainda: no corpo do texto, na passagem já citada, é dito claramente que «[o] jornal ainda não defendeu o impeachment». A redação, verdadeiramente péssima, induzindo o leitor a cogitar coisas totalmente inverídicas, talvez nos autorize a indagar sobre o verdadeiro propósito do seu autor: se é passar informações fidedignas a respeito do Pe. Michelino Roberto ou se, ao contrário, objetiva associar um órgão de comunicação oficial da Arquidiocese de São Paulo ao golpismo antidemocrático do qual está sendo desde o início chamado o clamor pelo impeachment de Dilma Rousseff.

Um: o jornal não defendeu o impeachment; ponto. Ao colocar que «ainda não defendeu», o escritor leva a crer que o periódico esteja em vias de fazê-lo, e que a ausência de um texto conclamando os católicos a apoiarem o impedimento da Sra. Rousseff é mera falha técnica prestes a ser sanada. Tudo isso é puro delírio do autor do texto. 

Dois: uma vez que o padre disse, com todas as letras, – e isso está consignado no próprio texto do blog, – que «suas manifestações nas redes sociais refletem o que ele pensa como cidadão» e «não refletem necessariamente a posição editorial de 'O São Paulo'», é gratuita a alusão ao Semanário da Arquidiocese que permeia todo o texto. 

Três: questões políticas concretas de impeachment e congêneres não demandam manifestações “oficiais” da Igreja Católica, como eu expliquei aqui recentemente. E, no fundo, parece ser esse o intuito do sr. Roldão: enquadrar o que ele chama de “posição católica” em algum dos dois lados do litígio, para forçar as autoridades eclesiásticas a o confirmarem ou rejeitarem. Afinal, após despejar as suas ilações político-religiosas, ele termina seu texto quase que solicitando esta manifestação da Igreja:

"Oficialmente, a Igreja Católica ainda não se manifestou sobre o debate…"

É preciso rejeitar liminarmente, por princípio, não apenas a tentativa de empurrar a Igreja hierárquica para o lado “pró” ou “contra” o impeachment, mas também a própria noção de que é possível haver uma “posição oficial” da Igreja a respeito dessas coisas. Os católicos que porventura estejam se organizando para se manifestar no próximo domingo, pedindo o impedimento da presidente, estão fazendo isso enquanto cidadãos brasileiros, e não “enquanto católicos”. Isso precisa ficar muito claro.

A “posição da Igreja” existe em relação àquelas coisas que, em seu conjunto, integram o Seu patrimônio doutrinário e moral: daí, por exemplo, que «ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista» (Quadragesimo Anno); que é necessário a todo católico empenhar-se para que «as leis e as instituições do Estado não lesem de modo algum o direito à vida, desde a sua concepção até à morte natural, mas o defendam e promovam» (Evangelium Vitae); ou que «todos os fiéis são obrigados a opor-se ao reconhecimento legal das uniões homossexuais» (Congregação para a Doutrina da Fé, em 'Considerações sobre os projetos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais'). 

A tentativa de multiplicar “posições oficiais” da Igreja a respeito de miudezas políticas, – como a marcha pelo impeachment ou o abaixo-assinado pela reforma política, – não passa de um artifício capcioso para obscurecer a clareza da sua posição sobre aquilo que é verdadeiramente obrigatório e inegociável para os cristãos na sociedade: afinal, se a Igreja se manifesta sobre tudo, então ela fica reduzida ao papel dos “formadores de opiniões” contemporâneos que hoje dizem uma coisa e, amanhã, o seu contrário. Se a Igreja “compra” as brigas pequenas (aquelas que, no fundo, podem ser perdidas sem grande prejuízo), então ela não precisa ser levada tão a sério quando se pronunciar a respeito das brigas grandes. Em uma palavra: associando-lhe em demasia às coisas que passam, terminam por lhe enfraquecer o peso da manifestação quando ela se manifesta pelas coisas que não passam. E isso os católicos não podem admitir apaticamente. Essas armadilhas, cumpre denunciar com vigor.

____
Fonte:
Deus lo Vult!, em
http://deuslovult.org/2015/03/12/a-quem-interessa-exigir-a-posicao-oficial-da-igreja-a-respeito-de-tudo/
Acesso 13/3/015
www.ofielcatolico.com.br

Renunciar à política?





 NA CRISE ATUAL (crise religiosa, política, moral, econômica etc.) os homens de bem julgam-se impotentes diante da triste realidade, sem nenhuma perspectiva de mudança ou melhoria. Muitos chegam a dizer: “Se hoje é quase um milagre um moço direito encontrar uma moça virtuosa e constituir uma boa família, que dizer então de uma reforma geral da sociedade que renove seus costumes, instituições e métodos políticos? Logo, é preferível renunciar à política”.

Quanto à participação na vida política, hoje há muita confusão originada pela democracia moderna. A mentalidade revolucionária criou a ficção da “cidadania”, querendo obrigar todos os homens a ter uma participação ativa e igualitária no governo da cidade, sem levar em conta a hierarquia social legítima. Daí o sufrágio universal igualitário, individualista e obrigatório. Na verdade, a atividade política do homem deve basear-se na constituição orgânica da sociedade (uma sociedade constituída de pequenas sociedades ou instituições intermediárias) e ser, assim, uma colaboração de cada membro da sociedade para o bem comum, conforme sua situação concreta e sua possibilidade real de retribuir à sociedade o bem que esta lhe proporciona. É um absurdo o que se verifica hoje: reservar cotas para tipos de gente se candidatar aos cargos eletivos, afastando as pessoas (principalmente as mulheres) do seu ambiente natural, onde poderiam cumprir suas obrigações e concorrer espontaneamente para o prosperidade geral.

Hoje, quando todas as instituições estão abaladas, realmente é impossível uma atividade política que produza um efeito imediato e concreto. Não obstante, como somos naturalmente "animais políticos" e recebemos ainda, apesar de tudo, muitos benefícios da sociedade em que vivemos, não podemos isolar-nos completamente e viver alheios à política. Houve um pensador que disse: “Quando acaba a política começa a guerra”. Hoje a tentação é acrescentar: não sei o que é pior!

Não proponho aqui a ideia de que os católicos se organizem em agremiação e entrem no jogo político da sórdida partidocracia que nos infelicita. Proponho que procurem dar sua contribuição dentro dessa concepção orgânica de sociedade e sejam realistas, bem conscientes de que não há, nunca houve e nunca haverão condições sócio-políticas ideais, perfeitas, para que possamos ter uma atuação política em maior ou menor grau segundo a realidade de cada um. Podemos ao menos tentar exercer alguma influência, ainda que seja mediante o “direito ao voto”.

Ademais, meditando um pouco sobre a história, podemos ver como Deus sempre socorreu a sua Igreja e o seu povo por meio de homens políticos. Sem estes, que foram por assim como causas segundas pelas quais a providência age na história, dificilmente a Igreja teria saído de situações embaraçosas que ameaçavam seriamente a sua obra e continuidade. Comprova-se essa lei da Providência divina desde o Antigo Testamento. Com efeito, que foram os caudilhos Moisés e os Irmãos Macabeus senão instrumentos nas mãos de Deus para ensinar a Religião verdadeira, guiar o seu povo que parecia mergulhar na idolatria?

Outrossim, é digno de nota que nem sempre os homens escolhidos por Deus para desempenhar uma missão política de transcendência histórica foram impolutos e modelos de todas as virtudes. Apenas se revelaram capazes de conduzir os povos na direção correta. Basta pensar, por exemplo, em Constantino o Grande, a quem Santo Agostinho, sem incorrer nos exageros de Eusébio de Cesareia, dá o nobre epíteto de "príncipe cristão". Que teria sido da Igreja sem ele? É claro, Deus tinha outros meios para livrar sua Igreja da perseguição, mas de fato serviu-se de Constantino. Ou, ainda, séculos mais tarde, um Carlos Magno? Que teria sido da Igreja e da civilização sem ele?

Vale a pena ainda recordar outros exemplos para ilustrar esta verdade de que Deus não descura da política para conduzir sua Igreja nos momentos mais trágicos da história ou castiga seu povo privando-o de príncipes dignos para entregá-lo à escumalha. Quando em Constantinopla o cismático Fócio se utilizou de toda sorte de artimanha para assenhorear-se da sé patriarcal do império enganando o Papa João VIII, foi o imperador Leão o filósofo quem livrou a Igreja de tal calamidade. O Papa João VIII não se mostrou então à altura da gravidade do problema; pelo contrário, foi tão condescendente que gerou a lenda da papisa Joana, pois teria sido mais fraco que um eunuco. Mais tarde, quando Miguel Cerulário consumou o cisma da Igreja Grega, infelizmente não houve um imperador que socorresse a Igreja e, embora o Papa fosse bom e prudente (São Leão IX), ele não conseguiu evitar a tragédia do cisma, porque certamente lhe faltou o apoio de um imperador. Reinava em Constantinopla a imperatriz Teodora.

Séculos mais tarde no Ocidente, por ocasião da pseudo-reforma luterana, que teria sido da Igreja se não houvesse um imperador como Carlos V, com todas as falhas e defeitos que possa ter tido? Certamente, os reveses da Igreja teriam sido muito maiores. Os meios pelos quais chegou ao trono do Sacro Império não foram nada honrosos: – comprou os membros do colégio de eleitores com dinheiro tomado de empréstimo ao banqueiro Jacob Fugger, cuja família se tornaria mais tarde uma família principesca do Sacro Império. Todavia, sem dúvida, Carlos V foi um homem providencial na luta contra os hereges e os infiéis. Embora no plano concreto não tivesse conseguido realizar muita coisa, fomentou o espírito de cristandade num tempo em que as nações começavam a preocupar-se apenas em seus interesses políticos particulares.

E para remate destas reflexões sobre a História, recorde-se que em tempos mais próximos de nós o imortal São Pio X considerava o Império Austro-Húngaro um elemento importante para a segurança da Igreja.

Em suma, ao eventual leitor católico destas mal traçadas linhas digo apenas que é um equívoco primário pensar que em nossos dias não se deve lutar contra o esquerdismo político difuso em todo Ocidente porque a direita seria a outra mão da mesma força política oculta, que manipularia todo o jogo de cartas marcadas pela maçonaria. É um equívoco, entre outras razões, porque a direita é um termo ambíguo que abarca ideários políticos diferentes, adaptados às circunstâncias as mais diversas. No entanto, à medida que serve de reação à anarquia promovida pelo marxismo cultural que corrompe nossa juventude a “direita” merece nosso apoio prudente.

Acrescente-se, por fim, que só sairemos da situação calamitosa em que nos encontramos quando Deus Nosso Senhor nos der (...) um grande estadista católico que o secunde. E se este for santo, tanto melhor. Mas não é necessário. Basta ser como um Carlos V, um General Franco e tantos outros.

Pe. João Batista de Almeida Prado Ferraz Costa
Anápolis, 4 de março de 2015

___
Fonte:
Capela Santa Maria das Vitórias, disponível em:
http://santamariadasvitorias.org/mais-4-anos/
Acesso 5/3/014
ofielcatolico.com.br

Restringir o aborto reduz a mortalidade materna, assinala estudo


AO CONTRÁRIO DO QUE QUEREM fazer crer os adeptos da legalização do aborto, as evidências clínicas apontam que nos países em que o aborto é descriminalizado, a mortalidade feminina aumenta. No dia 23 de fevereiro (2015) foi publicado no científico British Medical Journal um estudo que assegura que, em lugares onde as leis de aborto são mais restritas, a mortalidade materna é menor, em comparação com aqueles lugares que têm leis de aborto mais liberais.

O MELISA Institute, organismo responsável pelo estudo, compilou dados de distintos Estados do México e depois os comparou segundo “um indicador padrão de saúde materna conhecido como Razão de Mortalidade Materna (RMM), em 18 Estados com legislações menos permissivas e 14 estados com legislações mais permissivas, durante um período de 10 anos, entre 2002 e 2011”.



 O Dr. John Thorp (foto), médico ginecologista e pesquisador da Universidade de North Carolina em Chapel Hill, explicou — no site do MELISA Institute — que já se esperavam estes resultados do estudo, já que, em outra pesquisa realizada no Chile (a cargo do epidemiologista Elard Koch) e publicado pela revista PLoS ONE, a redução da RMM “continuou inalterada, ainda depois da restrição legal do aborto” introduzida em 1989.

Thorp destacou que não é factível que “a mudança para uma legislação de aborto menos permissiva aumente as mortes maternas per se”. Além disso, indicou que um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Stanford em 23 estados norte-americanos, publicado no Journal of Public Health, demonstrou que, quando as leis de aborto são menos permissivas, baixam as taxas de complicação por aborto.

Já o Dr. Joseph Stanford, médico e pesquisador da Universidade de Utah, assegurou que não basta ter leis de aborto mais restritas, também é necessário cobrir outras variáveis, como o acesso a controles pré-natais, atenção profissional no parto e cuidados obstétricos de emergência: tudo isso é fundamental para reduzir a morte materna.



 O Instituto MELISA é uma instituição sem fins lucrativos para a pesquisa biomédica avançada. Seu fundador e diretor é o médico chileno Dr. Elard Koch (foto), enfático em afirmar por distintos meios que a mortalidade materna não diminui quando se aprova o aborto.

Todo o exposto se insere no contexto da recente apresentação no Chile do projeto de despenalização do aborto, por parte do governo de Michelle Bachelet, em três ocasiões: a suposta inviabilidade do nascituro, o “risco” de perder a vida da mãe e o estupro. A proposta legislativa, que será discutida no Congresso do país, inclui o aborto para menores de 14 anos.

___
Fonte:
ACI
http://www.acidigital.com/noticias/restringir-o-aborto-reduz-a-mortalidade-materna-assinala-estudo-17671/
Acesso 6/3/015

ONU deve parar de promover a cultura da morte, afirma Arcebispo


O EXMO. E REVMO. SR. ARCEBISPO de Assunção, Dom Edmundo Valenzeula (foto), em comunicado, emitiu admirável declaração ao Secretário Geral da ONU, Ban Ki Moon, em visita ao Paraguai durante a semana passada (25-26/2/015), trecho da qual reproduzimos abaixo:

“Não podemos omitir a nossa preocupação com a pressão exercida constantemente sobre o Paraguai, que é um Estado livre e soberano, pelos assim chamados 'especialistas da ONU', muitos dos quais aderem a ideologias obscuras que contradizem abertamente nossos valores humanos e cristãos. A força moral de uma nação é encontrada em suas crenças e valores, que devem estar em harmonia com uma educação integral e saudável, que leve em conta todas as dimensões da pessoa humana e não deve rejeitar a fé, que é uma dimensão fundamental da estrutura psico-social e espiritual do ser humano. Infelizmente, várias recomendações da ONU sobre direitos humanos para o Paraguai e outros países incluem supostos 'novos direitos', como os proclamados por grupos radicais que se dedicam a promover a legalização do aborto, a eutanásia, as uniões homossexuais com a possibilidade de estas duplas poderem adotar crianças.

É papel da Igreja ser defensora das crianças, especialmente aquelas com algum tipo de deficiência e/ou as que ainda estão no ventre de suas mães, e agora corremos o sério risco de sermos expulsos da sociedade, se os novos cânones da cultura da morte, promovidas por agentes internacionais em nível global, forem aceitos, o que seria legalizar o mal sob os auspícios do Estado. (...) Enquanto nós compartilhamos alguns bons objetivos comuns propostos pela ONU, estamos contudo vigilantes na salvaguarda dos valores humanos e cristãos do nosso povo, para que o desenvolvimento se concentre em promover uma vida plena e digna para os nossos cidadãos.”

Segundo o Arcebispo, essa pressão incide sobre áreas sensíveis como “a constituição natural da família, à contracepção, o aborto e a proteção total e integral da vida humana desde a concepção até a morte natural”. Para o Arcebispo, a ONU deve respeitar os valores e crenças dos povos e aceitar que “o papel de guiar espiritualmente e moralmente pertence à família e à religião”.
___
Fonte:
CNA, em
http://www.catholicnewsagency.com/news/paraguay-archbishop-to-un-stop-pushing-abortion-gay-marriage-65002/
Acesso 9/3/014
www.ofielcatolico.com.br

Dar esmolas: preceito da Igreja


UM DOS PRECEITOS aos quais os católicos estão obrigados, não só durante a Quaresma mas também durante todo o ano, – e em todo o tempo de suas vidas, – é o de assistir os pobres e sofredores em suas necessidades, seja com ajuda material, conforto psicológico e emocional, dedicando ao menos um tempo mínimo para confortar (seja auxiliando concretamente ou ao menos ouvindo) àqueles que não tem ninguém ao seu lado e a dizer-lhes uma palavra de esperança.

Sim, dar esmolas é um preceito da Igreja. Jesus mandou dar esmola, mas precisamos entender o conceito de esmola. Qual seria a a maneira mais correta, justa, humana e socialmente responsável de dar esmolas? Dar dinheiro aos pedintes nas ruas ou colaborar com alguma instituição de caridade confiável, preferencialmente ligada à Igreja?

Essa discussão é controversa e merece atenção especial. Particularmente, venho sentindo o problema na pele de modo especial nos últimos anos, pois o número de moradores de rua em São Paulo, megalópole onde vivo, vem crescendo assustadoramente. Em 2010, o FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) já apontava um crescimento de 57%(!), e de lá para cá a situação certamente se agravou ainda muito mais. Em 2012, o Censo do IBGE dizia que entre 0,6 e 1% da população brasileira é constituída de moradores de rua! Isso nos dá a impressionante estimativa de 1,8 milhões de moradores de rua no território nacional(!). São quase dois milhões de pessoas jogadas debaixo de viadutos, espalhadas pelas calçadas, dormindo ao relento, estendendo as mãos nos cruzamentos, nas portas das casas, das igrejas...

Um quadro, de fato, assustador. E o lado mais cruel dessa história é que qualquer cidadão minimamente consciente desta imensa metrópole chamada São Paulo, que abriga por certo uma das maiores parcelas desta imensa população de rua, sabe muito bem que a uma parte importante destes pedintes é formada por aproveitadores, vadios por opção e/ou alcoólatras/consumidores de drogas,que por sua vez ajudam a sustentar o tráfico.

A outrora elegante Avenida Paulista é o mais perfeito exemplo: suas largas calçadas encontram-se atualmente tomadas por esmoleiros, homens e mulheres, crianças e idosos, mães com bebês a tiracolo... Especialmente à noite, o passeio público tornou-se uma grande chateação. Não se andam dez metros sem que alguém lhe pare para pedir dinheiro.

Muitos viciados são recolhidos das ruas pela Prefeitura e levados para centros de desintoxicação e ressocialização (cujos serviços lamentavelmente deixam muito a desejar, o que é um outro grave problema), mas não aceitam permanecer ali, nem querem ajuda de espécie alguma no sentido de buscar a reabilitação. Outros (e são muitos) rejeitam ajuda mesmo de suas próprias famílias, e simplesmente se recusam a sair das ruas, onde não precisam obedecer regras e sempre têm, até com facilidade, quem lhes dê dinheiro e comida. Diversas reportagens e estudos já demonstraram que não são raros os pedintes que, nas ruas, chegam a ganhar bem mais do que boa parte dos nossos trabalhadores assalariados. Viver nas ruas, para muita gente, é um estilo de vida, uma opção e, até mesmo, um bom negócio. 

O nosso atual governo entende que é "um direito" de todo cidadão morar na praça, na rua, debaixo do viaduto, como se fosse um amontoado de lixo, urinando, defecando e fazendo sexo na via pública, às vezes cometendo pequenos furtos, muitas vezes entorpecendo-se à vista de todos, num suicídio lento e progressivo... Onde bem entender. Já o cidadão comum, achacado por uma quantidade colossal de impostos (somos recordistas mundiais) deve se submeter a tudo sem reclamar. O seu direito de viver numa cidade minimamente humanizada, por certo, tem menor importância.


Cartaz da campanha 'Criança quer futuro', da prefeitura de Curitiba (PR)

Talvez a pior faceta desta grande tragédia esteja no fato de que as maiores vítimas das esmolas irresponsáveis são as crianças. Muitas famílias recebem do Governo Federal uma ajuda mensal em dinheiro para que seus filhos deixem de vender produtos nas ruas. Entretanto, muitos abrem mão deste benefício e preferem continuar a explorar seus filhos, expondo-os aos perigos das ruas, porque é mais lucrativo. Muitas dessas crianças, quando voltam para casa sem ter conseguido vender, são barbaramente espancadas. Então, quando compramos produtos de crianças nas ruas, em vez de ajudar, podemos estar reforçando ainda mais as correntes da miséria e da exploração.

Algumas pessoas dizem que compreendem este grave problema, e por isso não dão dinheiro, e sim comida. A intenção é boa, mas na prática dá no mesmo: torna-se apenas um outro jeito de incentivar a pessoa a se acomodar na situação de pedinte. Que criança ou adolescente vai querer ficar num abrigo, quando as ruas oferecem tantas falsas vantagens imediatas? Com tanta gente "boazinha" disposta a sustentá-la, mantê-la exatamente do jeitinho que ela está: na rua, na indigência? Com acesso a todos os prazeres e vícios do mundo, ela nunca vai se animar a mudar o rumo de sua vida.

Sim, ao dar esse tipo de esmola estamos ajudando, mas num sentido diferente: ajudamos a manter essa criança nas ruas, e assim o seu destino é quase certo: prostituição, vício, delinquência, crime e morte precoce. 

A esmola irresponsável torna mais difícil para as pastorais e equipes humanitárias convencerem as crianças dos aspectos negativos da rua. "É uma concorrência desleal", diz a coordenadora da Comissão Municipal de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil, Júlia Obst.

A questão da caridade cristã confunde-se com o grave problema social. É nítido que a grande maioria da população de rua (ao menos aqui de São Paulo) está nessa situação por opção própria. Minha experiência em pastorais e vivência em casas de acolhida me levaram a perceber que, quando damos esmola na rua, diretamente ao pedinte, ajudamos no agravamento da situação. É triste, mas boa parte dessa população não quer ajuda e nem quer se ajudar.



As imagens acima são da campanha 'Esmola não ajuda', da
Secretaria de Assistência Social de Ribeirão Preto

Sei que a certos ouvidos esta fala soa, talvez, um pouco radical, principalmente da parte de um cristão, e muitos serão rápidos em me chamar de "desumano", em julgar que me falta caridade e todo esse tipo de coisa, mas vejo claramente um povo que é muito “bonzinho” nos momentos errados, mas que não tem consciência, capacidade ou vontade para enxergar o que há debaixo do tapete, as realidades mais profundas. Concordo com as campanhas "Esmola Não Ajuda", da Secretaria de Assistência Social de Ribeirão Preto, e "Criança quer futuro", da Prefeitura de Curitiba, com cujas imagens ilustrei este artigo. 

Faço questão de dizer, porém, que sim, existem as exceções, existem certos momentos em que encontramos pessoas que realmente precisam de uma ajuda material e, como cristãos, devemos ajudar. A questão, aqui, é saber e manter em mente que estes casos devem se incluir exatamente na categoria de exceção, e não configurarem a regra.

Outras pessoas, ainda, dizem que gostam de ver e tocar quem estão ajudando, querem fazer caridade "olho no olho", e confesso que me incluo entre estes. É uma experiência transformadora procurar o olhar do Cristo no olho do irmão que sofre. E para viver essa experiência, temos muitas casas de acolhida, mantidas pela Igreja ou não. Infinitamente mais válido do que entregar um trocado na mão de alguém, por exemplo, é procurar uma família pobre, que passa por dificuldades (quem não conhece uma?), e ajudar concretamente.

Outra possibilidade é o cristão concretizar esta ajuda ao irmão que sofre de modo anônimo, enviando uma cesta básica, por exemplo, algum dinheiro ou víveres, sem se identificar, na medida do possível ('...Quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita; para que a tua esmola seja dada em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, Ele mesmo te recompensará publicamente.' – Mt 6,3-4).

Todo católico pode e deve promover o encontro com os pobres, prioridade absoluta do atual Papa, Francisco. É nossa obrigação oferecer amor, carinho, compreensão, amizade; precisamos oferecer esse conforto e esse calor humano a quem que precisa. Eu, que visito regularmente uma casa de acolhida para homens em situação de rua, tenho frequentemente a oportunidade de viver essa experiência profunda, e digo que isso é ser cristão tanto ou mais do que estudar e conhecer a Doutrina. Nem toda a Filosofia e a Teologia juntas são capazes de nos aproximar do Cristo tanto quanto uma vida de concreto amor a Deus e ao próximo. "Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras. Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Crês em Deus; fazes bem. Também os demônios creem e tremem" (Tg 2,18-19).

Resumindo, existem muitas instituições sérias precisando de nossa ajuda, e fazemos muito melhor colaborando com elas, da melhor maneira que pudermos, do que dando dinheiro a quem pede nas ruas. Os seus trocados não vão ajudar realmente àquela pessoa em farrapos, mas uma instituição organizada pode fazer muito, e temos variadas belíssimas obras por aí tentando fazer a diferença e contando com o nosso esforço e presença.

Quando damos esmola do jeito errado, ajudamos uma verdadeira "indústria da esmola", que se encontra em plena expansão. Alguns pedintes vêm se "profissionalizando" na arte de comover as pessoas, com histórias tristes e choro ensaiado. Esmola na rua não é solução. O assunto é longo e, evidentemente, não há como esgotá-lo neste espaço, mas em outros países foram feitas interessantes experiências no sentido de orientar a população a evitar a esmola nas ruas e ajudar de modo que realmente faça a diferença. O resultado foi uma diminuição drástica na população de rua, que passou a procurar ajuda especializada e a se ajudar ao invés de se acomodar e passar a vida pedindo. Para ajudar de fato os necessitados, é preciso mudar a mentalidade. Dar dinheiro na rua não é caridade; é atraso para o nosso país.

Finalizo com uma citação da Didaqué, o primeiro Catecismo da Igreja. Siga cada um a sua consciência. Deus sabe de que maneiras praticamos a nossa caridade. Pessoalmente, me recuso a fazer parte deste verdadeiro negócio que é a mendicância no Brasil, deste sistema viciado e vergonhoso.

"Dê a quem te pede e não peças para devolver, pois o Pai quer que seus bens sejam dados a todos. (…) Ai de quem recebe: se recebe por estar necessitado, será considerado inocente; mas se recebe sem ter necessidade, deverá prestar contas do motivo e da finalidade pelos quais recebeu. Será posto na prisão e interrogado sobre o que fez; e daí não sairá até que tenha devolvido o último centavo. A esse respeito, também foi dito: Que a tua esmola fique suando nas mãos, até que saibas para quem a estás dando.” (Didaqué, 1, 5-6)
ofielcatolico.com.br

"Católico praticante" ?!


QUANDO, NUM encontro social, a conversa gira em torno de assuntos religiosos, é bem comum ver alguém declarar, com a maior naturalidade: “Sou católico não praticante”...

Interessante é que a maioria parece achar muito normal e lógica essa afirmação, que raramente é contestada. Dias depois, numa outra oportunidade, numa outra conversa, é possível que alguém volte a fazer a mesma afirmação, e todos continuam achando tudo muito normal e lógico. Entretanto, perguntamos nós, como poderia alguém “ser” e, ao mesmo tempo, não “praticar”? 

Essa ideia de que se pode acreditar na Igreja, – e mais além e mais importante, considerar-se membro desta Igreja, – sem colocar em prática a sua fé, infelizmente, é tão comum que já se tornou a mentalidade predominante em muitos ambientes.

A justificativa de tal comportamento varia de pessoa para pessoa: existem aqueles que deixaram de lado a prática religiosa devido à decepção com algum líder ou administrador de sua comunidade: talvez o padre tenha feito ou dito alguma coisa que aquela pessoa não gostou, e pronto: já é motivo para abandonar a Igreja de Jesus Cristo, a vida de oração comum, as práticas, o aprendizado, a convivência com os irmãos de fé, os Sacramentos, a Comunhão no Corpo do Senhor... Simplesmente viram as costas e vão-se embora, sem mais. 

Alguns outros, meio sem perceber, vão abandonando pouco a pouco a vida de fé: deixam de ir à Missa um dia, depois outro... Quando percebem, não estão  indo mais à igreja, nem aos domingos e dias de preceito. Depois, vão deixando de rezar com regularidade, deixando de ler a Bíblia Sagrada e, quando notam, já organizaram suas vidas de tal maneira que nelas não há mais espaço para Deus. Quando alguém pergunta sua religião, geralmente ainda se declaram católicos, mas realmente não se importam muito com isso.

Outros ainda possuem um conhecimento tão superficial de sua religião que, para eles, qualquer notícia ou acontecimento que não possam compreender já é motivo de escândalo: sem reflexão, sem pudor e sem amor, simplesmente renegam a fé. Quando alguém critica a Igreja, muitas vezes, essas pessoas ajudam a criticar, ao invés de tentarem defendê-la ou buscar a informação segura sobre a quele assunto específico. Lembram-se que existe a Igreja apenas em ocasiões específicas e esporádicas, como a celebração de um batizado, o casamento de algum parente ou a Missa de falecimento ou de sétimo dia de algum amigo querido. Para estes, é como se a Igreja fosse apenas um lugar para reuniões sociais, festivas ou tristes. É uma fé de aparência e nada mais.

Algumas pessoas também deixam a prática religiosa com o argumento de que não gostam de normas, ritos e cerimônias, que eles veem como elementos de uma religião ultrapassada, antiga e antiquada: preferem inventar a sua própria religião, para si mesmos, do “seu jeito”. Não querem saber de "dogmas", e gostam de dizê-lo, – embora, na realidade, não saibam exatamente o significado e o sentido dessa palavra... – Esquecem-se de que somos humanos, e não anjos elevados: os anjos não precisam de gestos, sinais e nem mesmo de palavras para se relacionar com Deus, pois são seres espirituais. Nós, ao contrário, precisamos destes recursos, ao menos como meios de comunicação.

†   †   †

A Fé nos torna participantes da Família de Deus e membros da Igreja, e é através dela que seguimos o Caminho da Salvação, que é Jesus Cristo. Nossa Família cristã, a Igreja do Senhor, tem uma história de dois milênios, riquíssimas tradições e belíssima Liturgia, que se refletem nas belas celebrações. Pode ser que algumas pessoas não as entendam, mas, antes de simplesmente ignorá-las, ou pior, criticá-las, seria mais inteligente procurar conhecê-las, entender as suas origens e significados e tentar conhecer os seus valores.

O principal, muitas vezes, é invisível aos olhos, mas se manifesta através do visível, do palpável, do sensível aos sentidos físicos. O próprio Cristo, mesmo sendo Deus, ao assumir natureza humana observou os ritos e respeitou as normas religiosas: foi batizado, passou noites em oração, foi ao Templo de Jerusalém, ia as sinagogas, lia as Escrituras...

É hipocrisia dizer que se tem fé e não demonstrá-la nos gestos, nas atitudes, nas posturas diante da vida, e também nas práticas religiosas. A fé e o modo de vida não vivem separados. A Bíblia é radical e diz, com toda a clareza, que a fé sem obras é morta (Tg 2,14-26).

Conta-se que certo empresário muito rico, mesmo sendo ateu, em viagem à Índia fez questão de ir conhecer Madre Teresa de Calcutá: ele tinha admiração pelo seu despojamento, coragem e obra. Chegando à casa das missionárias, onde Madre Teresa vivia, encontrou-a em meio a um mar de crianças miseráveis, muitas doentes, num quadro desolador. Viu uma velha senhora, que poderia estar descansando e aproveitando tranquilamente seus últimos anos de vida, sacrificando-se, literalmente, pelo bem do próximo.

Comovido, este homem aproximou-se e se apresentou, declarando sua admiração pela religiosa. Madre Teresa foi gentil, mas não deixou de fazer o seu trabalho. Os dois conversaram por alguns minutos, até que e o rico empresário, prestando atenção ao grande crucifixo pendurado ao pescoço de Madre Teresa, comentou: “Admiro muito o seu trabalho e o seu exemplo de vida, mesmo não acreditando neste símbolo que a senhora usa”.

Ouvindo isso, Madre Teresa respondeu: “Meu filho, tudo que eu sou e faço, todas as coisas pelas quais você me admira... É tudo por causa do que este símbolo representa. Se não fosse pela minha fé e amor a Jesus Cristo Crucificado e Ressuscitado, você nem saberia que eu existo!”...

Se você que lê este artigo tem uma "fé morna", que não se reflete concretamente na sua vida prática, lembre-se deste exemplo de Madre Teresa. É assim que os santos nos ajudam: talvez mais do que pedindo por nós a Deus, no Céu, pelo seu exemplo de vida.
www.ofielcatolico.com.br

Florista idosa pode perder tudo por não querer colaborar em "casamento gay"

Esta avó preferiu não participar, com seus arranjos, de uma cerimônia de
"casamento" gay, e está sendo duramente punida por isso

BARRONELLE STUTZMAN, uma florista de 70 anos de idade, do Estado de Washington, DC (EUA), é alvo de dois processos judiciais apenas por que não quis elaborar os arranjos para o “casamento” homossexual de um de seus clientes. Um juiz estadual determinou, no dia 8, que Stutzman deveria dar todo o apoio necessário a “casamentos” homossexuais, mesmo que isso seja contrário à sua fé cristã. 

Tanto o Estado de Washington quanto o par de homens, que se pretende um “casal”, exigem agora uma indenização que arruinará tanto o negócio quanto a vida pessoal da florista idosa. Tudo o que ela trabalhou para construir, incluindo sua casa, o negócio da família e suas economias, estão agora em risco. 

Stutzman está sendo assessorada juridicamente pela Aliança Defendendo a Liberdade (ADF). Seu advogado, Kristen Waggoner, comentou: “Leis que deveriam proibir a discriminação podem parecer boas, mas o governo as tem utilizado para ferir pessoas, – para força-las a se conformar, para silenciá-las e puni-las se elas se recusam a violar suas crenças religiosas”.

* * *

"O Fiel Católico" pergunta: a discriminação está proibida, e as vítimas protegidas por lei, nos EUA (como em diversos países  do mundo contemporâneo). Enquanto cristãos católicos, achamos que deve ser assim. Mas, o que é "discriminação"? Como é que a sociedade dos nossos tempos entende esta palavra? Em que casos se enquadra e como se caracteriza a discriminação? Discriminar homossexuais é crime, mas será que a discriminação contra os cristãos, ao mesmo tempo, está não só legalizada, como até patrocinada pelo Estado? Será um ato de justiça punir tão duramente uma amável vovó, por agir de acordo com a sua fé e sua consciência cristã?

___
Fonte:
CNA, em
http://catholicnewsagency.com/news/grandmother-florist-may-lose-her-business-and-home-for-declining-gay-wedding-66410/
Acesso 24.2.015

** Saiba mais sobre o caso Barronelle Stutzman aqui (Alliance Defending Freedom)

*** Veja também: Pais são presos por não aceitarem 'ideologia de gênero'"
Subir