“Olá, pessoal!
É com muito prazer que recorro a vocês, que muitas vezes foi fonte de esclarecimento acerca das doutrinas da Unica e Verdadeira Igreja de Cristo, para me esclarecer sobre um trecho da bíblia.
Certa vez, vi uma citação de um irmão protestante, sobre o sacerdócio, a qual dizia: "E a ninguém chameis de pai sobre a terra, porque um só é vosso Pai, aquele que está nos céus". (São Mateus 23, 9)
Ele dizia que não podemos chamar o sacerdote de "padre", e que sequer devíamos ter padre, baseado nesse versículo. Poderiam me ajudar a sanar essa duvidazinha?
Agradeço a atenção, e parabenizo o excelente trabalho de vocês. Abraços!"
Basta ver aonde a loucura do livre exame da Bíblia, apregoado por Lutero, levou o protestantismo: hoje são dezenas de milhares de seitas derivadas do movimento de protesto inicial, desde as mais radicais, imersas em fechamento e fanatismo fundamentalista, às mais liberais, que "casam" homossexuais e até os admitem como "pastores", "bispos" e "bispas". – Além disso, se a Bíblia afirma que é Deus nosso Pai maior, igualmente enfatiza que nosso "Pastor" é Jesus Cristo, conforme lemos no Evangelho segundo S. João (10, 12), e não homem algum. Se o questionamento quanto ao termo "padre" parte de um protestante/"evangélico", que tem a Bíblia como única regra de fé e prática, já começa descabido, pois aquele que acusa faz exatamente a mesma coisa, chamando seu orientador espiritual de "pastor".
Ninguém poderia ser verdadeiramente pai, a não ser em referência ao Pai de Jesus, e mais uma vez as Sagradas Escrituras o confirmam, mais adiante: "Dele procede toda a paternidade no Céu e na Terra" (Ef 3,14). Qualquer um que se considere pai espiritual sem reconhecer Jesus como o Filho do Pai verdadeiro, pleno e perfeito, trai o sentido da paternidade e usurpa a Paternidade divina, deformando-a.
Adiante, são muitos os caminhos que poderíamos tomar para demonstrar que a passagem em questão não pode ser tomada literalmente, por exemplo, simplemente considerando o Mandamento Divino de honrar pai e mãe. É o próprio Deus Todo-Poderoso, diretamente, ordenando que honremos nossos pais segundo a carne. Seria honroso a algum pai que seu próprio filho se negasse a chamá-lo de "pai"? Ora, se não podemos chamar a absolutamente ninguém de pai a não ser Deus, é assim que deveria ser, e haveria uma insolúvel contradição na Bíblia. Seria este um bom começo, uma boa reflexão inicial. Avançaremos, entretanto, bem além daí.
Outros casos semelhantes nas Sagradas Escrituras
Esta passagem deveria ser extremamente desconcertante para todo aquele que, ao mesmo tempo em que se pretende cristão, elege a Bíblia como única regra de fé. Ora, se formos interpretar o texto ao pé da letra, como na passagem de S. Mateus (23,9) que estamos examinando, teríamos que dizer que Jesus não é Deus, porque ele parece repreender quem o chama "bom", dizendo que somente Deus é bom. E Será que Jesus não é bom? Então, Ele não é Deus? Além disso, estaria também dizendo o Senhor que não existiu nem existe nenhuma pessoa humana neste mundo que pudéssemos chamar de bom ou boa?
Mais uma vez, a linguagem superlativa, que tende às expressões generalizantes. Se não há nenhum justo no mundo, então como é que o Evangelho segundo S. Lucas (1,6) diz que Zacarias e Isabel, pais de S. João Batista, "eram ambos justos perante Deus, andando sem repreensão em todos os Mandamentos e preceitos do Senhor"? Além disso, o próprio Batista é chamado "varão justo e santo" (Mc 6,20). Há diversos outros exemplos, e também no Antigo Testamento encontramos as afirmações de que Noé e Jó, entre outros, eram justos.
Que fazer, então? Se a passagem de Romanos está correta, então as outras, que mencionam homens e mulheres justos, estão erradas? Ou teria S. Paulo Apóstolo se equivocado ao escrever aquela frase, e deveríamos então riscá-la de nossas Bíblias? Nem uma nem outra. A questão se resolve quando entendemos o que já demonstramos no início deste estudo: nem tudo o que se lê na Bíblia Sagrada deve ser entendido literalmente, e este é um dos motivos pelos quais o Senhor nos deu a Igreja, coluna e sustentáculo da Verdade (1Tm 3,15) para todo aquele que deseja segui-Lo, – porque é ela, a mesma Igreja, o Corpo do Cristo (1Cor 14-20), isto é, a continuidade histórica do Salvador no mundo. É por meio da Igreja, legítima autora (inspirada pelo Espírito Santo) e fiel depositária da Palavra de Deus (nas Escrituras e na Tradição, por ordem do Cristo), que podemos compreender a Mensagem que Deus tem para nós.
Encerrando definitivamente a questão
Mais ainda, S. Paulo mesmo se apresenta como pai espiritual dos fiéis que por meio dele foram convertidos:
“Eu vos escrevo como a filhos bem-amados. Ainda que tivésseis dez mil pedagogos em Cristo, não teríeis muitos pais, pois fui eu quem pelo Evangelho vos gerou em Cristo Jesus." (1Cor 4,14-15)
“Meus filhos, por quem eu sofro de novo as dores do parto, até que Cristo seja formado em vós.” (Gl 4,19)
Além disso, ainda que alguns exerçam na comunidade uma função de paternidade, essa função tem como alicerce e fundamento uma outra: a relação de fraternidade, já que fomos feitos todos filhos do Pai do Céu e assim somos todos irmãos. O presbítero, o padre, tem uma paternidade espiritual em relação aos fiéis católicos, mas, antes disso, é também seu irmão em Cristo; antes de ser padre é cristão. Esta é a relação fundamental. Nossa dignidade primordial é sermos cristãos, irmãos em Cristo Jesus. Antes de qualquer paternidade em Cristo, vem a fraternidade recebida como Graça no santo Batismo.
Este artigo é baseado em artigo de Dom Henrique Soares da Costa, intitulado "Não chamar a ninguém de pai", postado no site DomHenrique.com.br, atualmente indisponível.


















Conta-se que certo empresário muito rico, mesmo sendo ateu, em viagem à Índia fez questão de ir conhecer Madre Teresa de Calcutá: ele tinha admiração pelo seu despojamento, coragem e obra. Chegando à casa das missionárias, onde Madre Teresa vivia, encontrou-a em meio a um mar de crianças miseráveis, muitas doentes, num quadro desolador. Viu uma velha senhora, que poderia estar descansando e aproveitando tranquilamente seus últimos anos de vida, sacrificando-se, literalmente, pelo bem do próximo.