Origem e história do papado

Como surgiu o papado? O Papa é infalível? Quais as funções e a importância do Sumo Pontífice para a nossa fé?


SABEMOS QUE O PAPA é o supremo representante da autoridade da Igreja, para ensinar e zelar pela guarda da verdadeira doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas de onde vem tão grande e importante autoridade? Como todo cristão deve saber, essa autoridade foi dada diretamente pelo Filho de Deus, num ato que ficou registrado de maneira bastante clara nos Evangelhos, para que ninguém tivesse dúvidas.

No capítulo 16 do Evangelho segundo S. Mateus, Vemos que Pedro é o discípulo que primeiro compreende a Natureza divina de seu Mestre, e que tal entendimento lhe é dado como Dom de Deus, não é fruto de sua própria capacidade intelectual meramente humana. Em resposta, Jesus lhe dá um novo nome, junto com uma nova e importantíssima missão: Simão filho de Jonas se torna a Pedra (‘Pedro’ no português), sobre a qual será edificada a Igreja do Senhor neste mundo. E confirmando o que acabara de declarar, Jesus ainda entrega a este mesmo Pedro as Chaves do Reino dos Céus, e declara que tudo que ele ligar ou desligar na Terra será ligado ou desligado no Céu (Mt 16, 15ss).

Mais claro do que isso, impossível. Jesus instituiu a sua Igreja, – que é uma e indivisível, – sobre Pedro, e lhe conferiu autoridade sobre esta Igreja.

Infelizmente, porém, existem os que não compreendem (outros que não querem compreender) esta passagem tão essencial dos Evangelhos: chegam a dizer que Jesus não se referiu a Pedro como Pedra Fundamental, e sim a si mesmo, Jesus, que é chamado de “Pedra Angular” no Livro dos Atos dos Apóstolos (4, 11).

A declaração do Senhor, porém, é tão direta e tão objetiva que é difícil entender como alguém poderia se confundir a seu respeito. Primeiro, Jesus chama Simão de “Pedro”, isto é, “Pedra”; ao mesmo tempo, na mesma frase, diz que sobre aquela Pedra edificaria a sua Igreja, e ainda concede a este que chama “Pedra” as Chaves do Reino do Céu, dando-lhe autoridade para “ligar” ou “desligar” na Terra e no Céu! Do que mais precisamos para aceitar que Jesus concedeu autoridade a Pedro sobre sua Igreja, que ali nascia?

É claríssimo, é mais do que óbvio que se Jesus estivesse dizendo que era Ele mesmo esta “Pedra”, diria simplesmente “Eu sou a Pedra”, assim como fez quando disse “Eu sou a Porta”, “Eu sou o Bom Pastor”, “Eu sou a Ressurreição e a Vida”, etc. E, claro, não faria sentido nenhum concluir a sua declaração entregando a Pedro as Chaves do Reino dos Céus.

“E Simão, respondendo, disse: ‘Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo'. E Jesus, respondendo, disse-lhe: ‘Bem-aventurado és tu, Simão filho de Jonas, porque não foi a carne e o sangue que te revelaram isto, mas meu Pai, que está nos Céus. Pois também eu te digo que tu és Pedro (Pedra), e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja: as portas do Inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do Reino dos Céus; tudo o que ligares na Terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na Terra será desligado nos Céus.’" (Mateus 16, 15-19)

A autoridade de Pedro, o primeiro Papa, é representada pelas Chaves do Reino dos Céus, ou seja, o Cristo o autoriza a tomar as decisões doutrinárias da Igreja, que viria a se tornar Católica, isto é, Universal, de todos, e não só para o povo de Israel. De Pedro deveriam partir as decisões e orientações para todas as comunidades da Igreja primitiva, como vemos em At 16, 4-5: “Nas cidades pelas quais passavam, ensinavam que observassem as decisões que haviam sido tomadas pelos Apóstolos e anciãos em Jerusalém”.

Os Apóstolos foram os 12 discípulos que Jesus escolheu para transmitir sua Mensagem ao mundo. “Apóstolo” não é alguém que lê a Bíblia, interpreta ao seu modo e aluga um salão para chamar de “igreja”. Não! Os Apóstolos e os anciãos formaram o primeiro clero, foram os primeiros sacerdotes. Vemos nos Evangelhos (Mc 3,13-19, MT 10,1-4, Lc 6,12-16) que Jesus escolheu doze Apóstolos entre seus discípulos; os que não foram escolhidos permaneceram na condição de fiéis. A palavra “Papa”, significa “pai”, e alude à paternidade espiritual sobre a grande comunidade cristã na Terra. Temos o Pai Maior no Céu, que é Deus Criador e Todo-Poderoso, e um pai espiritual terreno, que nos foi designado pelo próprio Filho de Deus.

O termo “Papa” surgiu como um título carinhoso dado ao Bispo de Roma durante o crescimento da Igreja, ainda no tempo do Império Romano, e que permanece até hoje. A palavra provém possivelmente do latim Papa, do grego πάππας, que se diz Pappas, uma palavra carinhosa para pai).

O primeiro Papa já usava a sua autoridade sobre a Igreja Por exemplo, em Atos dos Apóstolos vemos que alguns fariseus recém-convertidos ao cristianismo diziam que era necessário circuncidar os pagãos e lhes impor a Lei de Moisés antes de aceitá-los como cristãos. Começou uma grande discussão. Ficou acertado que Paulo, Barnabé e outros iriam resolver a questão com os Apóstolos e anciãos numa reunião em Jerusalém. Reuniram-se, e depois de uma grande discussão, a Bíblia diz que Pedro se levantou e falou a todos: “‘Irmãos, sabeis que já há muito tempo Deus me escolheu dentre vós, para que da minha boca os pagãos ouvissem a Palavra do Evangelho... (...) Por que provocais a Deus, impondo aos discípulos um jugo que nem nossos pais e nem nós mesmos podemos suportar? Nós cremos que pela Graça seremos salvos, exatamente como eles’. E toda a assembléia o ouviu silenciosamente” (At 15, 1-12).

É por isso que cristãos não circuncidam seus recém-nascidos: Pedro aboliu a circuncisão, com a autoridade que o próprio Cristo lhe deu.

O primeiro documento conhecido dado por um Papa é o de Clemente I, ainda do primeiro século, e trata da intervenção numa disputa em Corinto, Grécia. Já no século II, Santo Inácio, e algum tempo depois Santo Ireneu, enfatizaram a posição única do bispo de Roma. O papado é uma das instituições mais antigas e duradouras do mundo, e, sejamos católicos ou não, teremos que reconhecer que teve uma participação proeminente na história da humanidade. De S. Pedro até Francisco foram 267 Papas, numa sucessão apostólica direta, que nunca foi interrompida, por mais que muitos ditadores e inimigos da Igreja tenham lutado contra ela. A Profecia do Senhor nunca deixou de se cumprir: o Inferno não prevalece contra a Igreja edificada por Ele!

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Fontes bibliogáficas:
• CONGAR, Yves. Igreja e Papado. São Paulo: Loyola, 2007;
• HACKMANN, Geraldo L. Borges. A Amada Igreja de Jesus Cristo. São Paulo: EdiPUCRS, 1997.
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Veneração à Virgem Maria

Católicos realmente adoram Maria como se fosse uma "deusa"? Qual o significado da Teologia Mariana? Tire definitivamente as suas dúvidas...-



SE CREMOS que Deus é Pai; se cremos que Jesus é o Cristo, o Ungido, o Filho de Deus, também precisamos respeitar, honrar e amar a mãe de Jesus, a Virgem Maria.

Se cremos que todos os que amaram verdadeiramente a Deus nesta vida estão no Céu, e que aqueles que seguiram Jesus e morreram acreditando n'Ele estão ao seu lado, seria o cúmulo do absurdo supor que a mãe do Cristo aqui na Terra não estivesse junto a Ele no Céu. Maria, ela que, segundo a Bíblia Sagrada, era cheia do Espírito Santo, declarou de si mesma:

De hoje em diante, todas as gerações me chamarão bem-aventurada!” (Lc 1, 48)

Nosso Salvador não salvaria sua própria mãe? Nós, cristãos, cremos que recebemos por Graça o direito e o poder de pedir e interceder junto a Deus. Podemos pedir ao Pai em nome de Jesus, ou falar diretamente a Jesus e pedir que nos conceda suas bençãos. O próprio Senhor Jesus Cristo ensinou isso nos Evangelhos, e que Graça maravilhosa é esta! Não devemos deixar jamais de conversar com nosso Senhor, que, sendo Deus, se fez homem e fraco, por amor a cada um de nós. Foi Ele somente quem sofreu as piores dores e deu a própria vida em sacrifício pela nossa salvação. Jesus é nosso único "Senhor", com sentido de Deus; é Um com o Pai e o Santo Espírito, nosso único Salvador, e exclusivamente por Ele recebemos a vida eterna. Jesus Cristo também é nosso único Mediador junto ao Pai, e isto quer dizer que somente Ele, sendo Deus, por seu Sacrifício de valor infinito pôde nos resgatar do pecado e salvar as nossas almas. Enquanto cristãos, precisamos assumir que é Ele, – e exclusivamente Ele, – que está e estará eternamente no centro da nossa fé (que por isso é 'cristocêntrica'), das nossas orações e da nossa salvação.

Esclarecidos esses pontos, nós também cremos que podemos e devemos interceder uns pelos outros, isto é, pedir uns pelos outros junto a Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo. Foi assim que Maria fez em Caná, pedindo a seu Filho e seu Senhor que ajudasse aqueles noivos. E Ele a atendeu, mesmo que aquela ainda não fosse "a sua hora" (Jo 2,4). Cremos que Maria, que é nossa Mãe, e também nossa irmã e companheira de caminhada, pode pedir também por nós ao seu Filho amado, agora que está com Ele na eternidade, em perfeita Comunhão. Cremos que, no Céu, os santos de Deus estão mais vivos do que nós, aqui na Terra, pois alcançaram a vida plena à qual Jesus se referiu (Jo 10, 10), e que podem nos ouvir, já que somos todos membros de um só Corpo (1Cor 12,27ss).

Maria foi a primeira cristã, o perfeito modelo de fé e de confiança em Jesus, testemunha fiel de tudo o que se passou na vida d'Ele, desde antes do nascimento até a Cruz. De Jesus, Maria entende mais do que qualquer outra pessoa humana! Não, ela não foi nem é “uma mulher qualquer”, como ouvimos dizer por aí: não foi acidente nem "sorte" a Graça mais do que tremenda que aconteceu em sua vida! Não é todo dia que uma virgem recebe de um arcanjo uma mensagem da parte do Deus Altíssimo, e não é todo dia que uma virgem fica sabendo, por meio de um aviso angélico, que será a mãe do Filho de Deus! Não, não é todo dia que uma virgem fica grávida por obra especialíssima e direta de Deus! Não é "qualquer mulher" que gera Alguém como Jesus Cristo, nosso Deus e Salvador de toda a humanidade!

Mas ainda não são todas essas razões que nos autorizam a chamar Maria “Mãe de Deus”. Ocorre que Jesus sendo Deus, e Maria sendo sua mãe, quando a chamamos assim, honramos devotamente a memória de Maria, mas a Jesus glorificamos, reafirmando todas as vezes que Jesus Cristo é Deus. Quem se nega a dizer que Maria é "Mãe de Deus", renega a divindade de Jesus Cristo. Simples assim. E como se essa lógica tão simples não bastasse, para que não restasse nenhuma dúvida, o próprio Deus, em Pessoa – na Pessoa do Espírito Santo, – confere a Maria este título: as Sagradas Escrituras são claríssimas em testemunhar que sua prima Isabel, cheia do Espírito Santo, proclamou Maria "Mãe do Senhor", precisamente com o sentido de "Mãe de Deus" (Lc 1, 41-43). Foi, portanto, o próprio Espírito Santo, que é Deus, Quem chamou Maria assim pela primeira vez.

Assim como está escrito, Maria foi escolhida desde o princípio dos tempos, porque o Sopro de Deus pairou de maneira especial sobre ela. A Vida que nela foi gerada era nada menos que a Vida do próprio Autor da Vida! Como podem alguns se negar a honrar Maria? Como podem se negar a lhe proclamar Bem-Aventurada e Cheia de Graça?

Podemos imaginar os risos, as brincadeiras, as lágrimas, as preocupações que ela teve com seu Filho Divino, o dia-a-dia ao lado do Senhor... Ninguém teve maior escola de espiritualidade que Maria! Nem mesmo os Apóstolos, que tiveram apenas três anos para aprender com Cristo: Maria teve trinta e três anos e nove meses! Se acreditamos na palavra e na santidade dos Apóstolos, que foram os autores da Bíblia, como duvidar de Maria, a mãe do Senhor? Se ela tivesse escrito um Evangelho, seria sem nenhuma dúvida o mais digno de crédito; porque ela esteve lá, junto até o último momento, e continuou com os discípulos depois da crucificação, integrando a Igreja que nascia. Aliás, no momento da crucificação, quando os Apóstolos fugiram, quem continuou ao lado do Senhor? Ela mesma... E os Apóstolos a ouviam. Muita coisa Maria deve ter lhes contado, muitos detalhes sobre a vida do Senhor. Senão, como eles poderiam saber, para escrever os Evangelhos? Maria foi a melhor testemunha do que realmente aconteceu com Jesus. Ninguém, absolutamente ninguém em toda a História, viveu a experiência Jesus Cristo mais do que ela.

Muitos títulos de honra a Igreja deu à Maria, e nos cabe procurar entendê-los corretamente. Infelizmente, aqui entramos nos exageros dos que parecem querer elevar a Mãe de Deus mais alto que o próprio Deus. Mais alto do que, com certeza, ela mesma deseja ser elevada. Estes estão no  lado oposto daqueles que a desrespeitam e renegam sua grande honra. Uns, na ânsia de anunciar as virtudes da Mãe, acabam por vezes exagerando; outros, no zelo de defender o papel único do Filho de Deus, terminam por desprezar o maravilhoso legado da desde sempre amada Mãe da Igreja.

A Igreja sabe o que é o Reino de Deus, quem é Jesus e quem é Maria, e nós precisamos aprender essas coisas. Devemos aprender a amar Maria com uma devoção pura e autêntica; falar muito com Jesus e com o Pai, pedir sempre a luz do Espírito Santo no que dizemos e no que fazemos. Devemos também falar com nossa Mãe do Céu, e devemos fazê-lo sabendo que com isto ganharemos muito, mas sabendo também que falar com Jesus é falar com Deus, e que falar com Maria é falar com um ser humano mais do que especial que está no Céu com Deus.

Nunca a Igreja ensinou que Maria é uma ‘deusa’, como acusam alguns dos nossos irmãos ditos "evangélicos". O Catecismo da Igreja Católica (CIC) deixa muito claro que é sempre o Deus Uno e Trino quem concede as graças. Nossa Mãe e Mãe da Igreja pede por nós, junto a Deus. Jesus concede, porque é nosso Intercessor junto ao Pai, e porque todo o poder lhe foi dado no Céu e na Terra. Maria consegue, pedindo. Se creem que tantos "pastores" conseguem graças e bençãos orando a Jesus, quanto mais ela, a Virgem Maria, que foi e continua sendo muito mais santa, mais unida a Jesus e mais pura e salva do que qualquer ser humano jamais foi?


Nossa Senhora é uma só: Maria, Mãe de Jesus. Mas ela recebeu diversos títulos e representações ao redor do mundo, como esta, feita na China: cada nação procurou retratá-la à sua maneira.

Nós levamos o Senhor na mente e no coração: Maria, além disso, o carregou no ventre: a Carne de Jesus Cristo, Deus encarnado, era a mesma carne de Maria. O sangue que fluía em Maria era o mesmo Sangue salvador que fluía em Jesus, e que foi derramado pela salvação da humanidade. Já parou para pensar nisso? Maria cuidou e protegeu Nosso Senhor desde quando Ele, por amor a nós, se fez um bebê indefeso. Que grande absurdo é querer "defender" Jesus tentando diminuir Maria!

Equilíbrio: é tudo de que precisamos para honrar e venerar Maria do jeito certo. É verdade que alguns católicos se equivocam neste assunto. Quantas vezes vemos pessoas prostradas diante das imagens de Maria nas igrejas, louvando e pedindo bençãos, mas... que pena, logo depois passam incólumes diante do Altar e do Santíssimo Sacramento, como se ali não se encontrasse Jesus Cristo em Corpo, Alma e Divindade! Muitos gostam de repetir que “se Jesus não estiver atendendo, é só pedir à Mãe que ela atende”, como se existisse uma espécie de oposição entre o Cristo e a Virgem; isto é absurdo. Também ouvimos afirmações como: “Tudo com Jesus, nada sem Maria!”... Sabemos que a intenção é boa, mas essas frases são geralmente infelizes, porque Cristo é Deus, Alfa e Ômega, Principio e Fim de todas as coisas. Quem O tem, tem tudo. Para quem está n'Ele, não existem condições. A Santíssima Virgem Maria, Mãe bendita, vive n'Ele, para sempre. Por isso é que se diz que ela que possui a "onipotência suplicante": Nosso Senhor, por assim dizer, não resiste às suas súplicas; mas devemos entender que Ele é o próprio Amor, em Pessoa – Deus que é Amor –, amor tão sublime e ilimitado que foi capaz de sofrer ao extremo, chegando à se entregar à morte, "e morte de cruz" por amor a cada ser humano. Assim, quando desejamos “a Paz de Cristo”, por exemplo, é desnecessário completar com “...e o amor de Maria”. O Amor que vem de Jesus e de Maria são o mesmo e um só: expressão máxima e perfeita do Amor Divino no mundo, que provém sempre d'Ele, o Autor da Vida e Deus de Amor, e que é pleno nela, para o compartilhar com toda a Igreja.

Foi a este mesmo Amor que Maria se entregou de corpo e alma; foi deste Amor que ela se fez serva, para se tornar "Nossa Senhora" para sempre. Se existem exageros ao se falar de Nossa Senhora, e isso leva alguns irmãos de outras comunidades cristãs a nos acusar de "idolatria", devemos saber que, dentro da verdadeira Fé cristã, nada nos desvia da verdadeira Comunhão dos Santos e nem da companhia e proteção da santíssima, amada e sempre Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus e de todos nós; exemplo incomparável de santidade sempre ao nosso lado no percurso do Caminho que é Cristo.

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Ref.:
OLIVEIRA, José Fernandes. Maria do Jeito Certo, São Paulo: Paulinas, 2008.
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Imagens na Igreja, outra vez

O LEITOR JOSÉ Tiago S. da Silva enviou-nos o seguinte comentário:
“A matéria sobre imagens na igreja está bem escrita, mas infelizmente não tem nenhuma base bíblica. Gostaria que me dissessem onde é que na Bíblia está escrito que devemos adorar imagem. Pelo contrário, isso é abominação e sempre foi. Obrigado.”

Entrada da Basílica de São Paulo, Roma

Nossa resposta – De fato o artigo publicado em nossa primeira edição não abordou a questão bíblica, que para os seguidores da sola scriptura (doutrina segundo a qual somente o que está escrito na Bíblia é que vale como base da fé), é o que mais importa. Para complementar a nossa abordagem sobre uma questão que motiva tanta polêmica, fizemos questão de publicar a pergunta, claro, com a devida resposta. E lá vamos nós, combater o bom combate:

Bem, todos concordam que a melhor maneira de demonstrar que a proibição bíblica às imagens não se refere e nem se aplica às imagens cristãs-católicas, é também a mais fácil: consultar a própria Bíblia. Pois é lá que encontramos a origem do uso de imagens no culto cristão. - Não para adoração, evidente, mas como objeto de veneração. - As escrituras não só defendem o uso das imagens, como também o ordena! Não? Vejamos...

Os "pastores evangélicos" que atacam o catolicismo enfatizando o trechos da Bíblia que proíbem as imagens de ídolos, como o do livro do Êxodo (20, 4-5), sempre ignoram completamente os fatos narrados a seguir, no mesmo livro, quando o próprio Deus ordena, em detalhes, a confecção da Arca da Aliança, o objeto sagrado por meio do qual o SENHOR se manifestaria ao povo:

"Farás também dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório.(...). Os querubins estenderão as suas asas por cima do propiciatório, cobrindo-o com as asas, tendo as faces voltadas um para o outro. E porás o propiciatório em cima da Arca (...). E ali virei a ti; e de cima do propiciatório, do meio dos querubins falarei contigo a respeito de todas as ordens aos filhos de Israel." (Êxodo 25,19-22)

E um pouco mais adiante diz:

"Então Moisés chamou Bezaleel e Aoliabe, e a todo homem hábil em cujo coração Deus tinha posto sabedoria, todo aquele cujo coração o moveu a se chegar à obra para fazê-la; e fizeram dois querubins de ouro; de ouro batido nas duas extremidades do propiciatório..." (Êxodo 36,2; 37,7-9)

Ora, bastaria a leitura desses dois trechos para se derrubar completamente a teoria de que Deus condena o uso de qualquer tipo de imagem no culto: se Deus mesmo ordena que façam imagens de anjos sobre a sua Arca, para do meio delas se manifestar, como poderia Ele condená-las? Se cremos na Bíblia, não podemos observar uma parte e ignorar as outras, mas sim analisá-la por inteiro, com discernimento e bom senso, e tudo dentro do seu devido contexto. É claro que as imagens condenadas são as imagens dos falsos deuses, e não toda e qualquer imagem, ao contrário; a Bíblia, já no Antigo Testamento, defende o uso das imagens no culto; e não só no livro do Êxodo. Há muitas afirmações em diversos outros livros. Outro exemplo:

"O povo veio a Moisés e disse: ‘Pecamos, pois temos falado contra o Senhor e contra ti. Pede por nós ao Senhor’. Moisés, pois, orou pelo povo. Então disse o Senhor a Moisés: ‘Faze uma serpente de bronze, e põe-na sobre uma haste; e todo que olhar para ela viverá’. (Números 21,7-9)

Mais uma vez, é Deus mesmo que ordena que se faça uma imagem, e para uso cultual. Através desta imagem, Deus opera a cura no povo! Alguém que estude a Bíblia seriamente poderia dizer que ela condena o uso de toda e qualquer imagem?

Mas a que parte das Escrituras deveríamos recorrer, especificamente, para descobrir se nos tempos bíblicos havia imagens no culto a Deus? Não seria ótimo se as Escrituras nos dissessem como era o interior do Templo de Deus, construído segundo a Vontade do Senhor? Pois ela o descreve, e com todos os detalhes! A questão toda fica muito simples de entender. Vejamos o que diz a Palavra de Deus (atenção às partes destacadas em vermelho):

"No ano 480 depois da saída dos filhos de Israel do Egito, Salomão, no 4° ano do seu reinado, empreendeu a construção do Templo do Senhor. (...) Fez no Santuário dois querubins de madeira de oliveira, com 10 côvados de altura. (...) Revestiu de ouro os querubins. Mandou esculpir em relevo, em todas as paredes da casa ao redor, no santuário como no Templo, querubins, palmas e flores abertas. Nos dois batentes de oliveira mandou esculpir querubins, palmas e flores desabrochadas, e cobriu-as de ouro."
"Para a porta do Templo fez vigas de oliveira, bem como batentes de cipreste. E Mandou esculpir neles querubins, palmas e flores desabrochadas, e os cobriu de ouro, ajustados às esculturas. (...) "Assim fez as colunas; e havia duas fileiras de romãs em redor sobre uma rede, para cobrir os capitéis que estavam sobre o alto das colunas. (...) Nos capitéis sobre o alto das colunas, no pórtico, figuravam lírios: eram de quatro côvados. Sobre as colunas, em cima do bojo, junto à rede, havia duzentas romãs, em fileiras, sobre um e outro capitel. Fez também o mar de fundição redondo (...)."
"Por baixo da borda em redor havia botões que o cingiam, dez em cada côvado (...). E firmava-se sobre doze bois, três dos quais olhavam o norte, três o ocidente, três o sul e três o oriente (...). Sua espessura era três polegadas, e a borda era em forma de lírio. Fez também duas bases de bronze: eram formadas de painéis e enquadradas de molduras. Nos painéis enquadrados haviam leões, bois e querubins, assim como nas travessas igualmente. Por cima e por baixo dos leões e dos bois pendiam grinaldas. (...) Nas placas dos esteios e painéis, assim como no espaço livre entre elas, esculpiu querubins, leões, palmas e grinaldas circulares. Deste modo fez as dez bases: todas com a mesma fundição, a mesma medida e os mesmos entalhes. (...) Todos estes objetos que Hirão fez para o rei Salomão, para a casa do Senhor, eram de bronze polido." (I Reis 7,13-51)

Querubins, anjos, flores, romãs, frutas, lírios, palmas, e até bois e leões! Havia muito mais imagens no Templo de Jerusalém do que em qualquer igreja católica de hoje! E a Bíblia diz que o Templo foi construído segundo a Vontade de Deus:

"Salomão edificará a minha casa e os meus átrios, porque o escolhi para ser meu filho, e eu lhe serei Pai." (I Crônicas 28,6)

Em I e II Crônicas há mais menções ao uso de imagens no culto a Deus, em I Crônicas 28,16-19 e II Crônicas 3,5-7/10-14, novamente citando querubins revestidos de ouro. Outra descrição é feita pelo profeta Ezequiel, um dos que mais condenou a idolatria no seu tempo. Ele menciona a presença das imagens como coisa perfeitamente normal:

"Em todas as paredes em redor, por dentro e por fora, tudo por medida: havia querubins e palmeiras de entalhe; e havia uma palmeira entre querubim e querubim; e cada querubim tinha duas faces: uma face de homem olhava para a palmeira de um lado, e uma face de leão novo para a palmeira do outro lado; assim era pela casa toda em redor. Desde o chão até acima da entrada estavam entalhados querubins e palmeiras, como também pela parede do Templo. As ombreiras das portas do templo eram quadradas; diante do Santuário havia coisa semelhante." (Ezequiel 41,17-21)

Interessante notar a descrição de um tipo diferente de querubim, com duas faces, uma de homem e outra de leão. O que diria um de nossos irmãos evangélicos entrando no Santuário de Deus, diante de tantas imagens entalhadas, bordadas, fundidas e esculpidas? “Idolatria”? Se o fizesse, estaria chamando o próprio Deus de idólatra!

Acima de toda e qualquer teoria ou especulação humana, vemos que idolatria é uma coisa completamente diferente do uso que a Igreja Católica faz das imagens: nós honramos nossos símbolos do Sagrado. Os querubins eram símbolos sagrados. A serpente de bronze era um símbolo do Sagrado, até começar a ser adorada: aí teve que ser destruída. Aí vemos claramente que o problema não está na imagem em si, e sim no uso que se faz dela. Assim com os leões e bois do Templo, que também eram símbolos do sagrado. "Idolatrar" seria adorar uma estátua como se fosse um deus. Nós, católicos, não somos tão ignorantes, para confundir Deus com uma estátua.

E para encerrar a nossa consulta bíblica, sugerimos Hebreus 9,5-8: nessa passagem, o Apóstolo Paulo menciona os querubins de ouro e o cajado de Arão, guardado no interior da Arca da Aliança. Este trecho derruba de uma só vez duas alegações usadas contra os católicos: mostra que o uso das imagens no culto religioso, assim como o antigo costume de se preservar relíquias nas igrejas (objetos dos santos, preservados em sua memória), nunca foram sinônimos de “idolatria”. Essa tradição também já vêm desde os tempos de Moisés. Novamente, é a própria Bíblia que nos justifica.

Esperando ter respondido bem ao leitor Tiago, nos despedimos na esperança de que nossa resposta possa ter lançado luz a este velho assunto. A Paz de Cristo a todos, e continuem nos enviando suas dúvidas e questionamentos, que serão sempre muito bem-vindos.
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Breve biografia de Allan Kardec e as origens do espiritismo


HIPPOLYTE LÉON Denizard Rivail era seu nome verdadeiro. No seu país de origem (França) e em todo o mundo é quase um completo desconhecido, mas no Brasil é tido, por uma parcela da população, como um grande personagem da História, um "mestre" da humanidade.

Nascido filho de um casal de classe média, desde cedo demonstrou uma grande aspiração em obter reconhecimento acadêmico e público, e principalmente de alcançar o status de intelectual, algo muito valorizado na sociedade do seu tempo. Inicialmente, procurou destacar-se em áreas diversas do conhecimento, como química, física e anatomia.

Em certo ponto de sua carreira, parece ter-se perdido entre disciplinas, talvez indeciso com que rumo tomar, estudando um pouco de muitas áreas mas sem chegar a aprofundar-se em nada especificamente. Já era patente o seu costume de copiar grandes trechos de obras consagradas e adaptá-las ao seu modo de pensar, hábito que vem desde muito cedo em sua carreira, quando tentou publicar livros como "A química de fulano de tal segundo Hippolyte L. D. Rivail" ou "A matemática de sicrano, segundo H. Léon Denizard Rivail".

Com o nome negativamente associado a esses fracassos iniciais, exatamente nesse período de aceitação das suas limitações pessoais, que se impunham como obstáculo praticamente intransponível para que fosse aceito no rigoroso mundo acadêmico da época, Rivail tomou conhecimento da nova moda que agitava uma parcela da elite burguesa da época: o controverso alegado fenômeno das chamadas "mesas girantes", supostamente provocados por "espíritos", que encantava moçoilas e rapazes festivos e frívolos, em sua maioria com muito dinheiro para gastar e poucas aspirações sérias para a vida. Rivail parece ter percebido ali uma oportunidade de se destacar.

Passou então a frequentar as mansões da sociedade, acompanhando de perto as manipulações de magnetizadores e ilusionistas que produziam truques como mesas se movendo e pancadas ouvidas em salas fechadas, a maioria sem se comprometer em afirmar que se tratavam de fenômenos reais: eram encontros que aconteciam mais como passatempo, por pura diversão, sem nenhuma pretensão científica. Posteriormente, tais demonstrações foram abundantemente desmascaradas como truques e fraudes grosseiras, mas...

Mas, por motivos desconhecidos, ao invés de denunciar as fraudes, Rivail dedicou-se ao "estudo" e à estruturação do que passou a chamar de "fenômeno mediúnico". Foi quando resolveu mudar de nome, de Rivail para Allan Kardec (estando seu nome de batismo, como visto, desacreditado nos meios acadêmicos), e novamente passou a plagiar obras consagradas, dessa vez religiosas. Com alguma criatividade e praticamente nenhum rigor científico, juntou elementos de textos sagrados de grandes religiões universais para criar uma doutrina própria, ato que ele mesmo chamou (no que foi seguido pelos seus admiradores) com o indefinível termo "codificação" ou "decodificação".

Copiar e juntar ideias contidas em livros sagrados vários e princípios essenciais de diversas tradições religiosas antigas, bem como juntar crenças e doutrinas orientais com certos aspectos específicos do cristianismo, misturando tudo com vistas a comprovar pontos de vista próprios, forçando uma harmonia impossível entre o Evangelho e a crença hinduísta na reencarnação: este ato passou a ser denominado, pelos espíritas, como a "codificação do espiritismo"...

No auge de sua carreira, Kardec chegou a gozar de livre acesso aos meios burgueses e festas badaladas da alta sociedade, até que o modismo da comunicação com os mortos esfriou. Consta que morreu deprimido, não sendo mais convidado para os grandes eventos e nem tendo conseguido se destacar no ambiente acadêmico.


Fundadoras indiretas do espiritismo dito 'kardecista': as irmãs Fox

O espiritismo "codificado" por Kardec teve como base o desenvolvimento de práticas mais antigas de necromancia (consulta aos mortos). Dentre os nomes mais evidentes desse tipo de espiritismo anterior a ele, encontramos o de Franz Anton Mesmer, que assombrou a Europa pelos idos de 1774 com seus "prodígios na prática do espiritismo e do hipnotismo", e Swedemborg, contemporâneo de Mesmer, que dizia ter recebido de Deus o poder para explicar as Escrituras e comunicar-se com o outro mundo...


Margareth e Catharine Fox

Além das influências de Mesmer e Swedemborg, o que mais despertou a atenção de Kardec foram as experiências das irmãs Margareth e Catharine Fox, que provocaram grande sensação na época: diversos místicos e cientistas amadores realizaram "pesquisas" e pseudo-experiências com as moças.

Foi em Hydesville, Nova York, no ano de 1848, que Margareth Fox e sua irmã Catharine promoveram o início do espiritismo moderno. Elas alegaram que vinham ouvindo "pancadas" compassadas na casa onde moravam, e que responderam também com pancadas e estalidos de dedos, tendo ouvido respostas. Criaram, então, uma espécie de código de comunicação com um "espírito", que segundo elas teria pertencido a um antigo morador daquela casa, assassinado com a idade de trinta e um anos.

Curiosos de toda a parte foram atraídos pela história, e as irmãs Fox davam verdadeiros "shows" de comunicação com o tal "espírito", "conversando" com ele através de "pancadas" na madeira... Tais acontecimentos foram divulgados de tal maneira que abalaram o pensamento de muitas pessoas. Um esqueleto humano, convenientemente encontrado na adega da casa, em local escondido, deu às alegações das irmãs uma divulgação ainda maior, e elas acabaram recebendo uma credibilidade tão grande que atraíram o interesse de pessoas de todas as camadas sociais. Ficaram famosas e passaram a promover espetáculos de "efeitos físicos", os quais, segundo elas, eram conduzidos por espíritos.

Os espíritas da época afirmaram, publicamente, que o espiritismo começou com as irmãs Fox. No "Congresso Internacional do Espiritismo", realizado em 1925, em Paris, foi aprovada a proposta de exigir um monumento comemorativo em Hydesville, que recebeu a seguinte inscrição: "Erigido a 4 de dezembro de 1927, pelos espíritas de todo o mundo, em comemoração da revelação do espiritismo moderno em Hydesville (NY), a 31 de março de 1848, e em homenagem à mediunidade, base de todas as demonstrações sobre as quais se apoia o espiritismo".[1] - Em homenagem às irmãs Fox, foi gravada e instalada em Hydesville, na residência das irmãs, a placa com as seguintes inscrições: "Casa de habitação das irmãs Fox, cuja comunicação mediúnica com o mundo espírita foi estabelecida a 31 de março de 1848. A morte não existe. Não há mortos"[1].


Mas...

Apesar de toda a divulgação e de toda a empolgação dos entusiastas do espiritismo que nascia, o fato é que tanto Catharine como Magareth Fox acabaram se retratando publicamente e confessando a farsa que haviam elaborado.

Magareth foi a primeira. Ela sempre tivera uma vida atribulada: enquanto ganhava dinheiro e ficava famosa às custas das representações teatrais em que fingia invocar espíritos, cada vez mais afundava-se no alcoolismo, e foi processada por maltratos aos seus filhos. Depois de muito sofrimento, caindo em si, resolveu confessar a sua fraude. O jornal New York Herald de 24 de setembro de 1888 publicou na íntegra a sua retratação. O mesmo jornal, pouco depois, em 10 de outubro do mesmo ano, publicou a retratação de sua irmã Catharine Fox.

Magareth, no dia 21 de outubro de 1888, um mês após a sua retratação pública, ainda compareceu ao palco da Academia de Música de Nova York, onde fez questão de desmascarar-se a si mesma e denunciar publicamente todas as mentiras que levaram muitos a acreditar no espiritismo[2]. Diante de uma numerosa assembleia, formada por pessoas que ali haviam comparecido porque ainda acreditavam na sua "mediunidade" e que por conta de suas suas artimanhas haviam se tornado espíritas, ela demonstrou os truques de mágica que haviam sido feitos sob o disfarce de "mediunidade". Foi um grande alvoroço, e do grande número de espíritas presentes na casa, muitos negavam-se a aceitar os fatos. A maioria dos presentes, porém, viu-se obrigada a aceitar que tivera sido ludibriada. A Sra. Margareth Fox Kane manteve-se de pé sobre o palco; tremendo e muito envergonhada, abjurou solenemente do espiritismo, enquanto sua irmã Catharine Fox Jencken, de um camarote, dava assentimento a tudo que ela dizia...

Foi colocado diante dela uma mesinha de madeira. Tirando o sapato, Margareth colocou sobre a mesa o pé direito. Toda a platéia prendeu a respiração, sendo recompensada por uma série de pequenas e fortes pancadas - aqueles misteriosos sons que, por mais de quarenta anos, tinham assustado e atordoado milhares de pessoas nos EUA e na Europa. Uma comissão composta de três médicos escolhidos entre a platéia subiu ao palco, e após haver-lhe examinado o pé enquanto batia os "toques", concordou, sem hesitação, que o ruído era produzido pela ação da primeira articulação do dedo grande do pé. Um ano depois, por razões desconhecidas, Margareth resolveu desmentir a própria confissão, alegando que tinha recebido dinheiro para fazê-lo, o que de fato não fazia nenhum sentido, pois ela teria muito mais a ganhar, financeiramente falando, se mantivesse a história inicial. Além disso, sua irmã Katherine não voltou atrás em suas declarações e, de todo modo, Margareth já havia demonstrado, publicamente, como produzia os misteriosos estalos que atribuíam a espíritos do além... Abaixo, a confissão literal de Margareth, feita em outubro de 1888:

"Minha irmã Katie foi a primeira a descobrir que por esfregar os dedos podia produzir certo ruído com as juntas e que o mesmo efeito podia ser produzido com os artelhos. Descobrindo que podíamos criar ruídos com nossos pés - primeiro com um pé, depois com ambos - praticamos até poder fazer isso com facilidade quando a sala estava às escuras. Ninguém suspeitava de que fosse um truque nosso, pois éramos crianças ainda tão novas... Todos os vizinhos julgavam que havia algo, e desejaram descobrir do que se tratava. Estavam convencidos de que alguém havia sido assassinado na casa. Perguntaram-nos a respeito, e praticávamos as pancadas, sendo uma para "sim", três para "não", como passamos fazer daí por diante. Nada sabíamos sobre espiritismo então. O assassinato, concluíram, devia ter sido cometido na casa. Finalmente, encontraram um homem chamado Bell e disseram que o pobre inocente havia cometido um assassinato na casa, e que aqueles sons procediam dos espíritos das pessoas assassinadas. O pobre Bell passou a ser evitado e visto como assassino por toda a comunidade. No que tange a espíritos, nem eu nem minha irmã pensávamos a respeito disso. (...) Tenho visto tanto engano danoso que estou disposta a prestar assistência o quanto puder e positivamente declarar que o espiritismo é uma fraude da pior descrição. Faço isso perante Deus, e minha ideia é denunciá-lo (...). Estou convicta de que esta declaração, partindo solenemente de mim, a primeira e mais bem sucedida nesse engano, romperá a força do rápido crescimento do espiritismo e comprovará ser tudo uma fraude, hipocrisia e engano."


Kardec não soube disso

O "codificador" do espiritismo moderno, que baseou suas conclusões nas experiências das irmãs Fox,  não viveu o suficiente para assistir á retratação das irmãs, tendo falecido cerca de dezenove anos antes. Se ele estivesse vivo na época, teria sido sincero e feito uma revisão de tudo o que escrevera? Não sabemos e não temos como saber. O fato é que os escritos de Kardec ganharam força após a sua morte e até mesmo após a elucidação da fraude das Irmãs Fox.

Parece que nenhuma biografia de Kardec já publicada menciona os fatos aqui expostos, embora sejam bem documentados, e o motivo é bem simples. Ocorre que praticamente a totalidade de biografias de Kardec de que dispomos, em língua portuguesa, são apologéticas; são, de fato, verdadeiros panfletos de propaganda espiríta. Todas são produzidas e/ou patrocinadas por entidades e organizações espíritas. Evidentemente, tais biografias são tendenciosas e não revelam nada de negativo ou comprometedor que envolva o espiritismo, tampouco seu fundador ou suas origens. Por outro lado, autores imparciais simplesmente não se interessam em pesquisar sobre o assunto, simplesmente por sua irrelevância.

Já que, na prática, os espíritas nada podiam provar do quanto afirmavam, passaram das tentativas de comprovação empírica de suas doutrinas para a pura pregação teórica e, via de regra, carregada de pueril  emocionalismo. Assim permanece até os dias de hoje.

__________________
Fontes e ref. bibliográfica:
• DALLEGRAVE, Geraldo E. Reencarnação, 12ª ed. São Paulo: Loyola, 1975
• DENIS, Leon. No Invisível. São Palo: FEB, 2008
• KLOPPENBURG, Boaventura. "O Espiritismo no Brasil". Petrópolis: Vozes, 1960
• QUEVEDO, Oscar G. Palavra de Iahweh e espiritismo. São Paulo: Loyola, 2001
Contém trechos baseados em artigo do Prof° Alirio Freire
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Aprenda a rezar o Terço Bizantino

 ** Como rezar

A ORAÇÃO através deste terço é um caminho para a libertação que o Nome de Jesus pronunciado constantemente traz ao nosso ser, em sua totalidade. Você não precisa necessariamente ter o terço bizantino para rezá-lo: um terço comum serve; o mais importante é a sua fé e a sua reta intenção. Depois de escolhido o tema, você repetirá dez vezes cada jaculatória (oração curta, de uma frase), nas contas em que se reza cada Mistério do Terço Mariano. Repita dez vezes cada jaculatória, até terminar as 50 contas dos Mistérios do Terço. Deixamos abaixo algumas sugestões de orações.


1) Como instrumento de Cura Física:

* Jesus, me ajuda;
* Jesus, me cura;
* Eu te amo, Jesus;
* Fica comigo, Jesus;
* Obrigado, Senhor!



2) Família (domingo):

* Senhor Jesus Cristo;
* Senhor Jesus Cristo, neste domingo, tem misericórdia de minha família;
* Senhor Jesus Cristo, salva minha família;
* Senhor Jesus Cristo, que minha família cresça no teu Amor;
* Obrigado, Senhor Jesus Cristo!



3) Renovação (segunda-feira):

* Senhor Jesus Cristo;
* Senhor Jesus Cristo, liberta-me do desânimo e mau humor;
* Senhor Jesus Cristo, abençoa-me nesta segunda-feira;
* Senhor Jesus Cristo, renova e alegra-me nesta segunda-feira;
* Obrigado, Senhor Jesus Cristo!



4) Depressão (terça-feira):

* Senhor Jesus Cristo;
* Senhor Jesus Cristo, nesta terça-feira, liberta-me da depressão;
* Senhor Jesus Cristo, preenche todas as áreas da minha mente com teu Amor;
* Senhor Jesus Cristo, equilibra a minha mente;
* Obrigado, Senhor Jesus Cristo!



5) Angústia (quarta-feira):

* Senhor Jesus Cristo;
* Senhor Jesus Cristo, nesta quarta-feira, liberta-me de toda angústia;
* Senhor Jesus Cristo, preenche todas as áreas do meu ser com paz;
* Senhor Jesus Cristo, equilibra-me com teu amor;
* Obrigado, Senhor Jesus Cristo!



6) Enfermidade (quinta-feira):

* Senhor Jesus Cristo;
* Senhor Jesus Cristo, nesta quinta-feira, liberta-me de toda e qualquer enfermidade;
* Senhor Jesus Cristo, visita o mais íntimo de mim e cura-me no teu Amor;
* Senhor Jesus Cristo, equilibra-me fisicamente;
* Obrigado, Senhor Jesus Cristo!



7) Trabalho (sexta-feira):

* Senhor Jesus Cristo;
* Senhor Jesus Cristo, nesta sexta-feira, abençoa meu trabalho e empreendimentos;
* Senhor Jesus Cristo, que eu possa me realizar no meu trabalho;
* Senhor Jesus Cristo, pelo teu Amor, que eu possa prosperar;
* Obrigado, Senhor Jesus Cristo!



8) Estresse (sábado):

* Senhor Jesus Cristo;
* Senhor Jesus Cristo, neste sábado, liberta-me do esgotamento e do estresse;
* Senhor Jesus Cristo, que eu possa descansar neste final de semana;
* Senhor Jesus Cristo, reanima-me com teu amor;
* Obrigado, Senhor Jesus Cristo!



Mas você não precisa se prender a essas fórmulas. Você poderá usar várias outras formas de louvor, ação de graças e súplicas, conforme o seu desejo ou sua necessidade. Exemplos:

* Meu Jesus, misericórdia!

* Eu te amo, meu Jesus!

* Vinde Espírito Santo e remove (seu problema)!

* Sangue de Cristo, liberta (fale o nome da pessoa que você quer ajudar)!

* Deus Santo, Deus forte, Deus imortal, tende piedade de (nome da pessoa)!

* Eu te adoro, Senhor Jesus Cristo, e ao Pai em vós, porque pela vossa santa cruz remistes o mundo!


E quaisquer outras, desde que feitas dentro do contexto da fé e da doutrina cristãs, com espírito puro e adorador e com confiança no SENHOR. Abaixo, vídeos para cada dia da semana, começando pelo sábado. O Domingo, Dia do Senhor e de participar da Santa Missa, deixamos em aberto para a sua oração espontânea, - que pode ser em intenção da família, conforme sugerido acima, ou outra que seja mais urgente ou conveniente ao seu momento específico.


Segunda:




Terça:




Quarta:




Quinta:




Sexta:




Sábado:

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Imagem na Igreja é idolatria?

'Jesus, o Bom Pastor' (séc. III/IV)

UMA DAS MAIORES disputas entre católicos e os ditos "evangélicos" está, sem dúvida, na questão do uso das imagens na Igreja. A Igreja Católica defendeu o seu uso desde o princípio, e também as igrejas cristãs ortodoxas, ao contrário de certas novas comunidades protestantes ou derivadas do protestantismo, denominadas "evangélicas". Ocorre que, a partir de Lutero, novos grupos confessionalmente cristãos passaram a encarar a questão como um insulto ao Mandamento divino que proíbe a confecção de imagens: "Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra" (Ex, 20,4-5).

Muitos pastores frequentemente atacam os católicos, chamando-os de "idólatras", nome que na antiguidade era dado aos pagãos adoradores de ídolos, como se as imagens usadas nos templos católicos representassem ídolos, ou – ainda pior – dando a entender que a Igreja ensina a "adorar" essas imagens.

Basta uma breve e simples averiguação para se constatar que nada disso corresponde à verdade: em primeiro lugar, as imagens que se encontram nas igrejas católicas não são "ídolos", isto é, não representam deuses estranhos (é a isso que o termo se refere). Segundo, a Igreja jamais ensinou a “adorar” essas imagens, mas sim que se tratam de representações artísticas, com função de homenagem à memória dos santos e anjos e do próprio Jesus Cristo. Muito simples.

Para começar a entender a questão, é necessário antes entender o que é uma "imagem". Para cumprir o Mandamento bíblico "ao pé da letra", isto é, fora do seu contexto, e não usar imagem de modo algum, nós teríamos que derrubar todas as estátuas e monumentos das praças e museus; queimar as obras clássicas das galerias de arte; não poderíamos possuir qualquer objeto figurativo, nem algum livro com figuras ou deixar uma filha brincar de boneca; não se poderia fixar em parede algum cartaz; não assistir TV (imagens em movimento) nem ter um porta-retratos, nem nada parecido com isso! Em última análise, o registro e porte de documentos oficiais estaria proibido, pois exigem fotografia, que se trata de um tipo de imagem gravada em papel.


A produção artística da humanidade começou antes da própria escrita, que se origina em aprox. 4000 aC. Nossos antepassados começaram a retratar as formas da natureza de forma artística, com pinturas e esculturas, já na Pré-História, no período Paleolítico, que tem início há cerca de dois milhões de anos e estende-se até c. 8000/10000 aC. Sem a produção de imagens, não teríamos a escrita

Desde a origem da humanidade, já na época das cavernas, o homem sempre se utilizou de pinturas, desenhos e esculturas para dar a entender ou explicar suas ideias. Esses meios serviram (e ainda servem) para auxiliar a visualizar e compartilhar conceitos abstratos de uma mente para outra; isto é, para explicar o que não poderia ser definido em palavras. E sabemos que foi exatamente daí que surgiu a escrita. – Portanto, se não fosse pelo costume ancestral de se representar o mundo e a vida através de imagens (primeiramente gravadas na pedra e que depois se tornariam símbolos e sinais), nós não teríamos a escrita; – consequentemente, não teríamos a própria Bíblia Sagrada.


O Mandamento

Para que se possa observar, respeitar e/ou obedecer a qualquer proibição, regra ou preceito (seja ou não de cunho religioso), evidentemente é preciso entender a quê se refere. – Neste caso específico, não é difícil entender, acima de qualquer dúvida, que a proibição do Antigo Testamento da Bíblia se refere explicitamente à adoração e não ao simples uso cultual: "Não terás outros deuses diante de Mim..." – Claro que a proibição se refere às imagens dos deuses dos povos pagãos que rodeavam a terra de Israel naquela época, os quais tinham muitas vezes a forma de pássaros, répteis e outros animais terrestres, seres marinhos e outros (por isso a especificação 'nem do que há em cima no céu nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra'). A proibição se refere a um tipo específico de imagem (falsos deuses pagãos), para um uso específico (a adoração ao falso deus na imagem), e não a todo e qualquer tipo de imagem, em toda e qualquer situação. Para qualquer pesquisador que possua o mínimo de conhecimento a respeito do contexto histórico do Antigo Testamento isso é mais do que óbvio.

Mesmo nas igrejas protestantes mais antigas da Europa (berço do protestantismo) e dos Estados Unidos (maior país protestante do mundo), é comum e frequente o uso de pinturas, crucifixos, vitrais, imagens de anjos e símbolos religiosos. Apenas as novas e novíssimas seitas cristãs derivadas do protestantismo original (que são fundamentalistas e adotam uma interpretação totalmente literal da Bíblia), que se proliferam especialmente nos países subdesenvolvidos da América Latina (destaque para o Brasil), é que insistem em dizer que o texto bíblico proíbe irrestritamente o uso de todo e qualquer tipo de imagem no culto religioso.

Como entender tal fenômeno? A análise do problema nos força a escolher entre uma de duas explicações:

a) Os líderes de tais seitas agem de má-fé. Infelizmente é fato histórico que novas seitas heréticas, para se estabelecer e aumentar o número dos seus adeptos em países de maioria católica, sempre optaram por desestabilizar a fé da população, utilizando-se, entre outras táticas, de artifícios caluniosos;

b) Ignorância. É bastante provável que ao menos uma parte dos "pastores" de algumas dessas seitas realmente acreditem no que ensinam. Nesse caso, fica evidente o seu total despreparo como líderes religiosos, pois demonstram completo desconhecimento do contexto histórico e filológico em que surgiram as leis do Antigo Testamento. Evidentemente, não basta ler a Bíblia: é preciso entender o que ela realmente diz. Exatamente por isso, Jesus Cristo deu autoridade aos seus Apóstolos. Se fosse para cada um ler os Textos sagrados e interpretá-los do "seu jeito", baseados apenas na sua própria inteligência e nas suas sensações, não haveria como não acontecer o que está acontecendo agora: milhares de "igrejas" que não param de surgir todos os dias, cada uma ensinando uma doutrina diferente da outra. Hoje temos até "bispo" defendendo aborto e "igreja evangélica" gay(!), quando toda a Bíblia ensina que somos formados e escolhidos por Deus "desde o ventre materno" (conf. Salmo 22, 10 / Jeremias 1, 5 / Jó 31, 15 / Salmo 139, 13), e condena com toda a clareza a prática homossexual (conf. Gn 19,5-7; Lv 18,22; Lv 20,13 Jz 19,22-23; Rm1,21-31). Absurdo teológicos, entre muitos outros absurdos.


'Cristo diante de Pilatos', escultura em marfim dos anos 400dC

Muita gente também não sabe que a origem do uso das imagens cristãs remonta aos períodos primitivos do cristianismo. Quando a maior parte das populações era composta de pessoas iletradas (analfabetos), a compreensão das histórias bíblicas se fazia por meio de desenhos e esculturas. As primeiras comunidades cristãs já se identificavam com símbolos e imagens, como a cruz, o peixe, o cálice, o cordeiro e outros, e logo passaram a representar o Cristo como Bom Pastor, que no começo era a figura de um jovem sem barba e cabelos frisados, carregando uma ovelha nos ombros. Logo a seguir surgiram as representações do Cordeiro Pascal e os ícones (esculturas) alusivas aos acontecimentos da vida de Cristo conforme narrados nos Evangelhos.

A tradição do uso das imagens, portanto, vem dos primeiros cristãos, como um meio para dar a conhecer e transmitir a fé e o amor a Cristo e preservar a memória dos santos. Entre as muitíssimas provas deste fato, estão as catacumbas dos primeiros cristãos –, a maioria localizada em Roma –, onde ainda se conservam imagens, em especial as da santíssima Virgem Maria, como as de Santa Priscila, anteriores ao séc. III.

** Leia também:

*** Imagens na Igreja, outra vez

**** Sola Scriptura e as imagens no culto
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A 'teologia' da prosperidade é doutrina cristã? É ensinada na Bíblia Sagrada?

Adoração ou tentativa de barganha com Deus? Servir a Deus ou ser servido por Deus? Honrar ou ser honrado por Ele? Ir à igreja buscar a Deus ou para ficar rico? A teologia da prosperidade é 'bíblica'?



“LEILÕES DA FÉ”: assim ficaram popularmente conhecidos os cultos, tidos como "religiosos", em que se propõe a barganha com Deus, na propagação de ensinamentos do tipo "quem der mais será mais abençoado": eis a base da pregação dos que promovem a malfadada “'teologia' da prosperidade”, uma proposta de se servir a Deus não por amor ou devoção, mas com a intenção de ser recompensado.

Segundo essa linha de pensamento –, que por incrível que pareça é defendida por indivíduos que se autoproclamam “cristãos” –, se você frequentar tal “igreja” e ouvir o que diz o “pastor”, especialmente pagando o dízimo e fazendo generosas ofertas, será ricamente abençoado. Além disso, se tiver problemas conjugais, serão sanados. Se tiver algum desejo material, como um carro importado, uma grande viagem, aquela reforma da casa ou montar uma empresa, ele será realizado. Deus espera que você demonstre a sua fidelidade através de polpudas doações financeiras; em troca, todos os seus desejos e vaidades serão satisfeitos, e você viverá com saúde uma longa e próspera existência nesta Terra...

Mas como essa história começou? Especialistas apontam que a "'teologia' da prosperidade" surgiu nos Estados Unidos, nas décadas de 1950 e 60. De acordo com o Dr. Leonildo Silveira Campos, sociólogo e professor da Universidade Metodista de São Paulo, trata-se de um conjunto de crenças “que afirma ser legítimo ao crente buscar resultados, ter fortuna favorável e enriquecer, obtendo o favorecimento divino para a sua vida material”[1]. Já o teólogo Paul Freston observa que “o princípio básico da 'teologia da prosperidade' é a doação financeira, entendida não como um ato de gratidão ou devolução a Deus pelos frutos da terra e do trabalho, mas como um investimento. Devemos dar a Deus para que ele nos devolva com lucro, em dobro”[2].

Observando de perto as propostas da "'teologia' da prosperidade", encontramos sérios motivos para preocupação. As promessas de felicidade terrena encontram solo fértil nos países em que existe um grande nível de exclusão social, o que possibilita a manipulação de mentes e corações simples em nome da fé. Além disso, sob essa perspectiva, a religião assume a lógica do consumo e do mercado, para a qual a dignidade do ser humano depende daquilo que ele tem, e não daquilo que ele é. Isso leva à ideia –, profundamente equivocada e perigosa –, de que ter mais dinheiro (ou mais saúde, beleza, ser mais feliz nos relacionamentos, etc.) significa ser mais amado por Deus, o que por sua vez é claramente antibíblico e contrário à proposta e ao exemplo de vida de Jesus Cristo.

É fácil notar que a "'teologia' da prosperidade" busca transformar a sublime mensagem dos Evangelhos em apenas mais um item da malfadada cultura do consumo exacerbado, levando a uma fé individualista e egoísta, para a qual o mais importante é a satisfação pessoal, com o bem da coletividade relegado a segundo plano. A lógica da Teologia da Prosperidade se fundamenta nas promessas de sucesso material e financeiro para quem é fiel a Deus: ensina que o nível de sucesso depende do valor da contribuição financeira. Esse discurso apresenta, claramente, uma proposta de troca entre o fiel e Deus. E como Deus não vem pessoalmente receber as doações, elas devem ser entregues àqueles que se colocam como representantes do Divino...


Famoso 'bispo evangélico' prostrado diante das pilhas de dinheiro ofertadas durante um 'mega culto': idolatria ao deus Mamon?

Aí estão os tristes fatos de uma realidade que vem crescendo a cada dia em nossa cidade e em nosso país. Nos bairros mais pobres de São Paulo, a cada quarteirão encontramos diversos pequenos salões ou garagens alugadas e transformadas em “igrejas”, sob as mais variadas (e criativas) denominações. Mas, ora, se a intenção desses supostos líderes espirituais é “salvar almas para Cristo” (como gostam de afirmar), e se eles acreditam mesmo no protestantismo, porque então abrem novas “igrejas” ao lado de outras já existentes? Não seria mais simples e lógico incentivar a população a frequentar as comunidades já existentes? Óbvio que o objetivo destes verdadeiros empresários da fé não é espiritual, ao contrário. Cabe aos verdadeiros cristãos a tarefa de substituir a "'teologia' da prosperidade" pela Teologia do Amor e da Gratuidade, aquela ensinada por Nosso Senhor nos Evangelhos.

Vale a pena refletir sobre um fato ocorrido na vida de Santa Teresa de Calcutá. Conta-se que certa vez um homem, ao vê-la cuidando das feridas purulentas de uma criança gravemente enferma, comentou que não teria coragem de fazer aquilo, nem que fosse para ganhar um milhão de dólares. Diante disso, a resposta de Madre Teresa foi a seguinte: “Por um milhão de dólares eu também não faria. Faço por amor!”.

Só pela gratuidade do amor vale a pena buscar a Deus. Só por amor faz sentido entregar a vida a Deus e assumir a vida cristã, com todas as suas alegrias e também com os seus desafios e obstáculos, como diz o Senhor: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a cada dia sua própria cruz e me siga” (Lc 9,23). Nunca, jamais Jesus disse que os seus seguidores abraçariam uma vida de prosperidade e alegrias, livre de todos os problemas deste mundo. Nada, feito sem amor, tem valor para Deus: o sentimento que havia em Cristo era o de intima compaixão para com os necessitados – jamais o de barganha, ou seja, ofertar para receber riquezas como pagamento. E se os defensores da "'teologia' da prosperidade" alegam se basear nas Escrituras Sagradas, a melhor maneira de concluir esta reflexão é com algumas afirmações diretas da Bíblia:

No mundo, tereis aflições. (...) Guardai-vos escrupulosamente de toda avareza e cobiça, porque a vida de um homem, ainda que ele esteja na abundância, não depende de suas riquezas.
Jesus Cristo (Lc 12, 15 e Jo 16, 33)

Aprendi a contentar-me com o que tenho. – Se alguém ensina outras doutrinas e discorda da Sã Doutrina de nosso Senhor Jesus Cristo, é orgulhoso e nada entende. Esse tal demonstra um interesse doentio por controvérsias e contendas acerca de palavras, que resultam em inveja, brigas e atritos constantes, entre os que têm a mente corrompida e que são privados da verdade, os quais pensam que a piedade pode ser uma fonte de lucro.
S. Paulo Apóstolo (Filipenses 4, 11; 1 Timóteo 6, 3-5)

“Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro. (...) Se quiseres ser perfeito, vai, vende os teus bens e dá aos pobres, e terás um tesouro nos Céus. Depois, vem e me segue’. E o jovem, ouvindo estas palavras, retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades.
Jesus Cristo (Matheus 6, 24 / 19, 21-22)

Quem tem olhos para ver, que veja a verdade... Não desanimemos. Nosso Deus tudo sabe e tudo vê, e um dia todos lhe prestarão contas. Os erros existem, mas o certo existe também. Continuemos estudando a Palavra de Deus escrita e os documentos da Igreja, suplicando a Deus e ouvindo atentamente a voz de nossa consciência. Tornemo-nos profundos conhecedores do Catecismo da Igreja Católica. Busquemos, sempre e antes de tudo, a Verdade, Jesus Cristo.

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1. CAMPOS, Leonildo Silveira. Teatro, templo e mercado, organização e marketing de um empreendimento neopentecostal. São Paulo: Vozes, 1997.
2. FRESTON, Paul. Evangelicals and Politics in Asia, Africa and Latin America. New York: Cambridge U. Press, 2001.
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Jesus, o Pão da Vida

Cristo está mesmo presente na Eucaristia, ou apenas "espiritualmente"? O pão e o vinho tornam-se de fato Corpo e Sangue do Senhor, ou são apenas "símbolos"? Tire suas dúvidas...



DESDE A ÚLTIMA e santa Ceia do Senhor, a Igreja nunca deixou de celebrar a Eucaristia, nem de crer na Presença Real de Jesus no Pão, a Hóstia Consagrada pelo sacerdote. A palavra "hóstia" vem do latim e significa "vítima". O cristianismo, ao entrar em contato com a cultura latina, agregou ao seu linguajar teológico e litúrgico a palavra “hóstia” exatamente para referir-se àquele que, por amor, tornou-se a maior “vítima” do pecado: Jesus Cristo. Os cristãos adotaram a palavra “hóstia” para referir-se ao Cordeiro imolado (vitimado) e, ao mesmo tempo ressuscitado, presente no Memorial Eucarístico.

Desde os primeiros tempos, desde o início da Igreja, os cristãos pregaram essa verdade recebida dos Apóstolos; algumas comunidades ditas "cristãs" dos dias atuais, porém, começaram a entender que a Eucaristia não contém a Maravilhosa Presença do Senhor, tratando-a como se fosse apenas um "símbolo", ou "lembrança" do Corpo de Cristo. Acham que Jesus é Pão da Vida apenas no sentido espiritual, e deixaram de crer na Presença Real do Senhor no Pão e no Vinho consagrados. Por desconhecerem o sentido das Sagradas Escrituras, que imaginam observar, e talvez por falta de confiança no incompreensível Poder Divino, acabam por desperdiçar este incomparável Presente de Deus para a humanidade.

Aqui apresentamos, de forma simples, o que a Bíblia Sagrada ensina sobre a Presença Real de Nosso Senhor Jesus Cristo nas Espécies Consagradas do Pão e do Vinho, - a Divina Eucaristia, - centro e sustento da nossa fé. Vejamos o que disse Jesus:

"Eu sou o Pão Vivo que desceu do Céu. Quem comer deste Pão viverá eternamente. E o Pão que eu hei de dar é a minha Carne, para a salvação do mundo."
(Jo 6,51)

Jesus afirma categoricamente: Ele é o Pão Vivo, o Pão da Vida, Pão que vivifica e transforma. O Senhor afirma claramente que este Pão descido dos Céus é a sua própria Carne, dada em Alimento para a salvação do mundo. Se o Pão é sua Carne, não podemos afirmar que Jesus é Pão apenas como "alimento espiritual". Ele também ensina que esse Pão desce dos Céus, pois o Cristo mesmo desceu dos Céus.

"Quem se alimenta da minha Carne e bebe do meu Sangue permanece em Mim, e Eu nele."
(Jo 6, 56-57)

Mais uma vez o Senhor declara que o Pão Consagrado é sua Carne, e o Vinho seu Sangue: ao comungarmos Corpo e Sangue de Nosso Senhor, passamos a pertencer a Ele, e Ele passa a habitar em nós. Devemos, portanto, nos alimentar de seu Corpo e Sangue para termos esta santa intimidade.

"Pois a minha Carne é verdadeiramente comida e o meu Sangue é verdadeiramente bebida."
(Jo 6,55)

Não há como ignorar a extrema clareza e a ênfase das palavras do Cristo: sua Carne e Sangue são verdadeiramente Alimento e Bebida. Ele jamais disse que sua Carne e Sangue estariam "simbolicamente" naquela comida e bebida. Ele também não disse: "Estou 'espiritualmente' nestes 'símbolos'"...

A Carne e o Sangue de Cristo estão verdadeiramente presentes na Eucaristia, para a nossa salvação, e os cristãos fiéis são convidados a comungar deles. Este é o claríssimo ensinamento das Escrituras. Diante de afirmações tão diretas do próprio Jesus Cristo, como podem ainda existir confusões? Isso só pode acontecer por má vontade ou, mais provavelmente, por pura falta de fé naquilo que diz a Palavra de Deus. Assim como os que questionam o Sacramento da Eucaristia hoje, também naquela época muitos Judeus disseram: "Como pode este homem dar-nos de comer a sua carne?" (Jo 6,52). Eles não eram capazes de compreender tão sublime e mística Revelação: Jesus falava de forma literal, sem meias palavras, que daria seu Corpo em Alimento. Isso deixou os judeus muito admirados e incrédulos.

Tal realidade é tão difícil de aceitar, e tão impossível de entender com a nossa inteligência humana, que até os próprios discípulos de Jesus disseram: "Dura é essa palavra! Quem pode escutá-la?" (Jo 6, 60). Não apenas os judeus, mas também os discípulos eram incapazes de entender! Esta Revelação provocou tal impacto que o Evangelho narra que, depois dela, "muitos discípulos voltaram atrás e não mais andavam com Ele" (Jo 6, 65-67). Assim como acontece até hoje.

"É necessário que vos empenheis não para obter esse alimento perecível, mas o Alimento que permanece para a vida eterna, o qual o Filho do homem vos dará."
(Jo 6, 27)

Mais importante que o pão de cada dia, para o sustento do corpo, é a Eucaristia, o Alimento que sustenta a alma e permanece para a vida eterna. Se a Eucaristia fosse apenas um "símbolo", como poderia ser "Alimento para a vida eterna”?

"Tomai e comei; isto é o meu Corpo."
(Mt 26, 26-28)

Na última ceia, Cristo cumpriu a Promessa: verdadeiramente institui a Eucaristia, seu Corpo e Sangue, como Alimento. De forma alguma, em lugar algum, Cristo diz: “isto ‘simboliza’ meu corpo”, ou “‘simboliza’ meu sangue”. Ele afirma diretamente: "Isto é o meu corpo". Quem ousaria desafiá-lo e dizer: "Senhor, estás enganado, isto não pode ser o teu Corpo!"? Mas, hoje, existem cristãos fazendo exatamente isso...

Também é interessante observar que, se houvesse apenas vinho no Cálice da Santa Ceia, Jesus não diria: "Este Cálice é a Nova Aliança no meu Sangue" (Lucas 22, 20). - Um cálice com vinho comum é um cálice com vinho apenas, e não poderia ser a nova e definitiva Aliança entre Deus e os homens. Mas, se este Cálice contém realmente o Sangue do Senhor Jesus, então estamos literalmente diante da Nova e Eterna Aliança com Deus, através de Jesus.

Como se não bastasse, para completar, o Apóstolo Paulo reafirma a mesma verdade em sua carta aos coríntios, questionando:

"O Cálice que tomamos não é a Comunhão com o Sangue de Cristo? O Pão (...) não é a Comunhão com o Corpo de Cristo?"
(I Cor 10,16)

Não foi dito que o Cálice e o Pão "simbolizam", que "representam" ou que são uma "recordação" do Sangue e Corpo, mas a Escritura afirma com convicção: o Cálice e o Pão são o Corpo e o Sangue, para a Sagrada Comunhão com o Senhor Jesus Cristo.

Concluímos este estudo com outra mensagem direta da Bíblia Sagrada:

"Cada um se examine antes de comer desse Pão e beber desse Cálice, pois aquele que come e bebe sem discernir o Corpo do Senhor, come e bebe a própria condenação."
(I Cor 11,28-30)

Para participar da Eucaristia, comer e beber do Banquete do Altar, é preciso discerni-lo, isto é, saber que o Pão e o Vinho são realmente Corpo e Sangue do Senhor. Poderia a Palavra de Deus ser mais clara e mais direta?

Eis aí a pregação apostólica. Eis aí a Palavra de Deus, contida na Bíblia Sagrada. Eis aí a Doutrina católica e apostólica, que vem sendo guardada pela verdadeira Igreja de Cristo desde os tempos dos Apóstolos. Quem tiver entendimento para entender, entenda.


Graças e louvores sejam dados a todo momento,
ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento do Altar! 
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