Grande Oração a São Miguel Arcanjo


GLORIOSÍSSIMO PRÍNCIPE da Milícia Celeste, São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate e na luta contra os dirigentes deste mundo de trevas, contra os espíritos malignos, espalhados pelos ares. Vinde em socorro dos homens que Deus criou à sua Imagem e Semelhança, e resgatou por grande Preço da tirania dos demônios.

A Santa Igreja vos venera como seu guarda e protetor; confiou-vos o Senhor a missão de introduzir na felicidade celeste as almas resgatadas. Rogai, pois, ao Deus da paz que esmague Satanás sob nossos pés, a fim de que ele não mais possa manter cativos os homens e fazer mal à Igreja.

Apresentai ao Altíssimo as nossas preces, a fim de que sem tardar o Senhor nos faça misericórdia, e contenhais vós o Dragão, a antiga Serpente, que é o Demônio e Satanás, e o lanceis acorrentado no abismo para que não mais seduza as nações. Amém.


Magnae Oratiae Sancte Michael Arcangele

Princeps gloriosissime caelestis militae, Sancte Michael Archangele, defende nos in praelio adversus príncipes et potestates, adversus mundi rectores tenebrarum harum, contra spiritualia nequitiae, in ad imaginem similitudinis suae fecit, et a tyrannide diaboli emit pretio magno.

Te custodem et patronum sancta veneratur. Ecclesia; tibi tradidit Dominus animas redemptorum in superna felicitate locandas. Deprecare Deum pacis, ut conterat Satanam sub pedibus nostris, ne ultra valeat captivos tenere homines, et Ecclesia nocere.

Offer nostras preces in conspectu Altissimi, ut cito anticipent nos misericordiae Domini, et apprehendas Draconem, serpentem antiquum, qui est diabolôs et Satanas, et ligatum mittas in abyssum, ut non seducat amplius gentes. Amen.

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Fonte:
LIMA, Pe. Antônio Lúcio da Silva, Orações do Cristão, Português - Latim. Paulus, 2012.
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A palavra de um homem opera o Sacrifício (Excelências da Santa Missa– III)


Leia o primeiro capítulo

Por S. Leonardo de Porto-Maurício, da Ordem dos Frades Menores

S. Leonardo de
Porto-Maurício
ADMIRAI-VOS, TALVEZ, de me ouvir dizer que a Missa é uma obra maravilhosa? E não é, com efeito, inefável Maravilha o que opera a palavra de um humilde sacerdote? Que língua angélica ou humana poderia explicar Poder tão excessivo?

Quem, jamais, poderia imaginar que a palavra de um homem, que não tem, naturalmente, a força de levantar da terra uma palha, receberia da Graça o poder surpreendente de fazer descer do Céu o Filho de DEUS?

Aí está um poder maior que o de transportar montanhas, esgotar o mar e abalar os céus; poder comparável, de certo modo, àquele primeiro Fiat com que DEUS fez surgir do nada todas as coisas, e que pode mesmo parecer sobrepujar, em outro sentido, aquele Fiat pelo qual a Virgem Santíssima atraiu a seu seio o Verbo Divino.

A Virgem Maria nada mais fez que fornecer a matéria do Corpo de Cristo, dela formado, de seu puríssimo sangue, mas não por ela nem por sua operação: enquanto que a voz do sacerdote, sendo instrumento de CRISTO no ato da Consagração, O reproduz de um modo novo e admirável, quer dizer, sacramentalmente, e isto tantas vezes quantas consagra.

O bem-aventurado João, o Bom, de Mântua, levou um eremita seu companheiro a compreender esta verdade. Este não conseguia se persuadir de que a palavra de um padre tivesse o poder de mudar a substância do pão no Corpo de JESUS CRISTO, e a do vinho em seu Sangue. O que é mais deplorável, tinha cedido a essa tentação diabólica. O servo de DEUS percebeu o erro do companheiro e, conduzindo-o a beira de uma fonte, aí encheu de água uma taça e deu-lhe de beber.

Depois de sorver toda a água, o outro confessou que jamais, em toda a sua vida, provara um vinho tão delicioso. Então João, o Bom, disse-lhe: “Não vedes o milagre, meu querido irmão? Se, por meio de um miserável como eu, a água se mudou em vinho pela onipotência divina, quanto mais deveis crer, por meio das palavras do sacerdote, que são palavras de DEUS, o pão e o vinho mudam-se no Corpo e Sangue de JESUS CRISTO? Quem ousaria jamais pôr limites à onipotência de DEUS?”. Bastou isso para dissipar o engano do eremita, que, expulsando de seu espírito toda a dúvida, fez grande penitência por seu pecado.

Um pouco de fé, – mas de fé viva, – e confessaremos que inúmeras são as prodigiosas prerrogativas contidas neste admirável Sacrifício. Aí veremos, com admiração, renovar-se a toda hora esse prodígio da sagrada humanidade de JESUS CRISTO, presente em milhares e milhares de lugares, e desfrutando, por assim dizer, de algo de imensidade que não possui nenhuma outra coisa, e só a este reservada, em recompensa do Sacrifício de sua vida, feita a DEUS Altíssimo.

Uma mulher fez com que um judeu incrédulo compreendesse esta verdade por meio de uma comparação material e grosseira. O homem achava-se numa praça com muitas pessoas. Nesse momento passou um padre que levava o Santo Viático a um doente. Todos os presentes se ajoelharam e prestaram homenagem ao Santíssimo Sacramento. Só o judeu ficou imóvel e não deu sinal algum de respeito. Vendo isso, a mulher levantou-se furiosa, arrancou-lhe o chapéu e deu-lhe um vigoroso bofetão, dizendo-lhe: “Desgraçado, porque não te prostras diante do verdadeiro DEUS presente neste Divino Sacramento?” – “Que Deus?”, replicou o judeu, “Se fosse verdade, a consequência seria haver muitos deuses, pois, ao celebrarem a Missa estaria um em cada um dos vossos Altares”. A estas palavras, aquela mulher tomou um crivo e, opondo-se ao sol, disse ao judeu que olhasse os raios filtrando-se pelos buracos. Em seguida, ajuntou: “Dize-me, há então muitos sóis passando pelas aberturas deste crivo, ou um só?” E, à resposta do judeu de que não havia senão um sol, a mulher replicou: “Por que te espantas, então, de que DEUS, feito Homem e feito Sacramento, possa ter, por um excesso de amor, uma Presença real e verdadeira sobre vários Altares, permanecendo, no entanto, uno, indivisível e imutável?”.

Foi o suficiente para confundir a incredulidade do judeu, que por esse raciocínio se viu constrangido a confessar a verdade de nossa Fé. Ó santa Fé! Apenas um raio de tua luz, e exclamaremos com fervor: Quem ousaria estabelecer limites à onipotência de DEUS?

Nesta grande concepção que tinha do poder de DEUS, Santa Teresa dizia, muitas vezes, que quanto mais sublimes eram os Mistérios de nossa fé, e profundos e impenetráveis à nossa inteligência, com tanto mais força e felicidade neles acreditava, sabendo bem que DEUS Todo-poderoso pode fazer prodígios infinitamente maiores. Reanimai, espontaneamente, vossa fé e confessai que este Divino Sacramento é o Milagre dos milagres, a Maravilha das maravilhas, e que sua maior excelência consiste em ultrapassar nossa pobre inteligência. E tomados de admiração dizei e repeti muitas vezes: Oh! Que grande Tesouro! Que imenso Tesouro! Se, porém, sua excelência prodigiosa não vos comove, que vos toque, ao menos, sua soberana necessidade.

** Ler o quarto capítulo

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Fonte:
MAURÍCIO, Leonardo de Porto. As Excelências da Santa Missa, conforme a ed. romana de 1737 dedicada a S.S. o Papa Clemente XIIofielcatolico.com.br

'Ainda hoje estarás comigo no Paraíso' – Um estudo sobre Lucas 23,43


UM LEITOR ANÔNIMO enviou-nos algumas questões interessantes, no seguinte comentário ao post "A morte, o Juízo Particular e o Juízo Final":

O texto é bem esclarecedor, como todos os artigos deste blog. Parabéns pelo excelente trabalho. Porém, gostaria que, se possível, uma dúvida minha fosse sanada, relacionada à uma objeção apresentada ontem por um protestante. Em diversos artigos postados em sites católicos, notei que o relato do "bom ladrão", situado em Lucas 23,39-43, é utilizado como prova de que a alma permanece inconsciente após a morte. Porém, me foram apresentadas três objeções:

1- A Bíblia diz que Jesus estabelecerá o seu Reino no fim dos tempos. Portanto, o relato é uma promessa futura, e não imediata.

2- O Evangelho narra que os soldados quebraram as pernas dos malfeitores, mas não as de Jesus, pois ele já estava morto. Portanto, o ladrão estava ainda vivo, o que atesta que tal promessa ocorrerá no futuro somente.

3- Jesus ressuscitou ao terceiro dia, e diz que não havia subido ao Pai. Portanto, seria impossível que o termo "hoje" fosse empregado no sentido defendido pelos católicos.
Gostaria de uma resposta. Obrigado!"

Em primeiro lugar, agradecemos ao leitor pelas gentis e encorajadoras palavras. Nosso único objetivo com este trabalho é o de contribuir, – não na medida de nossas estreitas capacidades, mas pela Graça do Bom Deus, – no esclarecimento da fé católica aos que a buscam.

A tradição deu ao "bom
ladrão" o nome Dimas
Entrando nas questões que você propõe, é no mínimo curioso, e certamente é mais do que questionável, que essas objeções tenham partido de um protestante. Ora, são eles que fundamentam todo o conjunto de sua fé e práticas na literalidade do Texto Sagrado, e não nós, católicos. Se uma passagem bíblica trouxesse algum embaraço, alguma contradição com outras passagens bíblicas, isto seria um entrave muito maior para a crença deles do que para a nossa fé. O católico não se deixa perturbar com passagens bíblicas difíceis, porque sua fé não se fundamenta exclusivamente na interpretação particular das Escrituras, mas sim naqueles três pilares fundamentais: Magistério, Tradição e Escritura. Sendo assim, temos sempre a que recorrer quando encontramos dúvidas e obstáculos no prosseguimento do Caminho (que é o Cristo), e não ficamos reféns da nossa própria compreensão das letras. – Nós, que somos tão fracos e falhos. – Temos, antes de tudo, a orientação da Igreja, que é o Corpo de Cristo e a Coluna e o Sustentáculo da Verdade.

Isto posto, devo dizer que não estudei nada diretamente relacionado a estes temas muito específicos que você propõe. Em todo caso, preciso dizer que não vejo aí dificuldade alguma, pois o que estudei e aprendi é mais que suficiente para dissolver os aparentes problemas. Vejamos então as suas questões, uma por vez.


A Bíblia diz que Jesus estabelecerá o seu Reino no fim dos tempos; logo, o relato é uma promessa futura e não imediata

Como eu sempre digo por aqui, e como todo católico deve saber (e ter sempre essa resposta 'na ponta da língua', para dá-la a quem questioná-lo), as Sagradas Escrituras precisam ser compreendidas no todo, no seu conjunto, e este conjunto precisa convergir, tem que ser coeso. Se assim não fosse, não poderíamos crer nelas como divinamente inspiradas, pois o Espírito de Deus não poderia dizer algo numa passagem e contrariá-lo em alguma outra.

Muito bem. A partir daí, é sempre muito fácil responder ao protestante que acena com uma passagem bíblica que lhe parece dizer determinada coisa, usando uma outra passagem bíblica que demonstra uma realidade diferente. Por isso é que devemos, enquanto católicos, "criarmos vergonha na cara" e começarmos a estudar mais as Sagradas Escrituras, e com mais empenho e interesse. O católico comum, via de regra, parece ter pouco interesse na compreensão da própria fé, atendo-se a uma religiosidade mais prática e afetiva, ligada ao sentimento mas não à razão. A razão, entretanto, não é estranha à fé, porque procede da mesma Verdade Eterna (Deus), como ensinou o titã da fé Santo Tomás de Aquino. Fé e razão, portanto, não devem andar separadas: são como que as duas "pernas" da alma no Caminho da salvação. Se usarmos apenas uma perna, vamos mancando neste longo Caminho, e o nosso avanço será lento... Certamente nos atrasaremos, se é que conseguiremos chegar ao final.

Estudemos mais a Bíblia, meus irmãos católicos! Se os "cursos livres" oferecidos pelas nossas paróquias e mesmo boa parte das publicações populares atuais são fracos e até inconsistentes com a autêntica fé católica, pesquisem por si mesmos, procurem ajuda, esforcem-se! Um primeiro bom passo na direção certa, que eu aconselho, é adquirir um exemplar da Bíblia de Jerusalém e ler um capítulo por dia (ou um a cada dois ou três dias, ou pelo menos um por semana, conforme a disponibilidade de cada um), lendo também e com muita atenção as introduções e as notas de rodapé; compre um caderno, faça anotações, consulte o dicionário, aprofunde a pesquisa na internet... E reze! Suplique a Luz do Espírito Santo, com fé, amor e confiança antes de cada sessão de estudos. – Garanto que isto será de mais valia do que a conclusão de muitos "cursos" que hoje se oferecem por aí. Acredite: com boa vontade se progride muito!

Retomando a linha de raciocínio nesta resposta, eu desafiaria este protestante que o questiona, anônimo, a mostrar onde e quando é que Jesus falou, assim tão categoricamente, do Reino dos Céus como um evento futuro. Esta é uma interpretação particular dada como certa, já que os Evangelhos dizem muito claramente:

Interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o Reino de Deus, (Jesus) respondeu-lhes, e disse: O Reino de Deus não vem com aparência exterior. Nem dirão: 'Ei-lo aqui', ou: 'Ei-lo ali'; porque eis que o Reino de Deus está entre vós'." (Lc 17, 20-21)

O Senhor não diz que o Reino de Deus virá num futuro distante, mas sim que já está presente, como uma realidade já atuante. Ainda mais interessante é lembrar que outra tradução perfeitamente possível (usada em algumas versões) para o texto original em grego (ἐντὸς  ὑμῶν) é: "O Reino de Deus está dentro de vós".

Vemos então que esta primeira contestação parte de uma confusão entre o Reino de Deus ou Reino dos Céus, propriamente dito, e o advento do Dia do Juízo, quando o Reino de Deus será definitivamente consumado e consolidado, para todas as almas e definitivamente. O Reino de Deus é uma realidade; o dia do Juízo Final, no qual o mesmo Reino se tornará tudo em todos, é outra.


O Evangelho narra que os soldados quebraram as pernas dos malfeitores, mas não as de Jesus, pois ele já estava morto. Portanto, o ladrão estava ainda vivo, o que atesta que tal promessa ocorrerá no futuro somente

Quanto a esta segunda objeção, com toda a honestidade e humildade, devo dizer que não merece sequer ser considerada, porque é totalmente desprovida de sentido. Quem foi que disse que, para que a promessa de Cristo fosse cumprida, os dois (o Senhor e o ladrão) teriam que morrer juntos, no mesmo instante? Ou que o Senhor precisaria morrer depois? O fato de Jesus ter morrido primeiro invalidaria a sua promessa? Por quê? Tolice pura e mais nada, passemos a próxima questão porque não temos tempo a perder.


Jesus ressuscitou ao terceiro dia, e diz que não havia subido ao Pai. Portanto, seria impossível que o termo 'hoje' fosse empregado no sentido defendido pelos católicos

Quanto a esta terceira objeção, creio que já está bem respondida nesta mesma postagem ('A morte, o Juízo Particular e o Juízo Final'). Ora, como visto ali, o tempo de Deus não é o nosso tempo e, como dissemos no seu último parágrafo, a partir da perspectiva da eternidade não existe ondem nem amanhã, mas apenas o eterno "hoje", o eterno "agora".

Aliás, é exatamente esta perspectiva que explica e torna possível uma outra questão teológica considerada das mais difíceis para a nossa razão: a existência do Inferno. Por não haver "amanhã" é que aquelas almas jamais alcançarão o perdão. Não é que sofrerão "para sempre", numa sucessão de dias e noites, sem jamais obter a misericórdia divina. É que por terem adentrado a eternidade como inimigas de Deus, por sua decisão consciente, aquelas almas permanecerão nesta mesma condição no infinito "hoje" que é a eternidade, num lugar ou realidade onde não há tempo e, por isso mesmo, para elas não haverá a esperança de um amanhã melhor. Não há tempo, não haverá amanhã.

Ao contrário, mas da mesma maneira, para os que merecerem o Céu não haverá a possibilidade de novas tentações e quedas num "amanhã" incerto. Viveremos (valha-nos Deus!) numa realidade perene de bem-aventurança sem fim, na plenitude do Amor divino.

Assim, o "ainda hoje" de Jesus Cristo demonstra com clareza que, logo após a morte física, o "bom ladrão" e Jesus estão juntos, sim, de um modo que não somos capazes de compreender a partir do intelecto meramente humano, em um nível e numa existência que agora não podemos inteligir. Após esta vida, não estaremos mais limitados pela nossa atual experiência e noção do tempo (passado, presente, futuro), mas viveremos sempre no agora sem fim.

Rezamos para que esta reposta possa ajudar, a tantos quantos queira Deus, a compreender algo de sua Glória infinita
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A morte, o Juízo Particular e o Juízo Final


UM LEITOR ANÔNIMO enviou-nos, no post "Catequese fundamental: os vivos e os mortos, o Céu e a Terra, a Imaculada Conceição", esta muito singela mensagem:

Se os santos estão vivos então pra que a Biblia fala na ressureição?

Esta é, sem dúvida, uma daquelas questões bastante simples, mas que confunde muita gente. O eixo da questão parece estar vinculado à passagem bíblica de Hebreus (9, 27), que diz que "aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o Juízo". Vamos tentar, então, esclarecê-la, e para isso partiremos de uma breve reflexão sobre a finitude da vida neste mundo.

Para meditar sobre o fim de nossas vidas neste mundo é conveniente lembrar primeiro da sua origem. “Deus criou o homem imortal; fê-lo à sua imagem e semelhança. Por inveja do demônio, entrou no mundo a morte” (Sb 2, 23-24). Nós não fomos criados para a morte. Haviam no Paraíso duas árvores: a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal e a Árvore da Vida. A única proibição de Deus a Adão e Eva foi comer do fruto da primeira, e mesmo assim eles pecaram, afastando-se da Graça, perdendo sua condição especial de criaturas próximas de Deus. Foram, então, expulsos do Paraíso. Um dos significados mais profundos dessa narrativa é bem claro: a causa da morte é o pecado, que separa de Deus.

A morte é castigo, porém um castigo de Pai. Deus, sendo infinitamente Bom e Misericordioso, fez até da justa punição um meio de nos reconduzir ao Caminho da vida. Mesmo hoje, no estágio atual da história da humanidade, nem mesmo aos que foram restaurados pelo Sacrifício de Cristo convém, ainda, a imortalidade. Morreremos todos para este mundo, para alcançarmos um destino muitíssimo melhor do que esta vida repleta de limitações, frustração, misérias e dores.

Importa notar que a morte, mesmo sendo o fim natural de todos os seres vivos, sempre nos causa estranhamento e sofrimento. Ficamos inconformados quando ela chega. Por quê? Se, como diz o provérbio popular, “a morte é a única certeza desta vida”, por que não somos capazes de encará-la natural e tranquilamente?

A resposta católica é: nós não nos conformamos com a morte porque fomos feitos para a imortalidade. Foi para a vida eterna que Deus nos fez; por isso não aceitamos o fim de tudo.



Exatamente por isso a fé é necessária. Precisamos da fé para ganhar a vida plena e eterna após a morte. O mais grave é que a maioria de nós prefere simplesmente ignorar este assunto, não pensar nisso agora: é como fingir que a realidade inevitável da morte não existe. Muito mais prudente  e sensato seria pensar no assunto, e muito, desde agora, porque nossa alma é imortal, e quando deixarmos este mundo, a nossa história estará apenas começando...

O pó voltará a ser pó, mas a alma é incorruptível. E cada um de nós será julgado conforme suas obras. “A árvore para no lugar onde caiu” (Ecl 11,3). Por isso, é fundamental morrer em estado de Graça, morrer “revestido de Cristo”, em Comunhão com Deus. Tudo o mais é secundário. “Que adianta ao homem possuir o mundo inteiro e perder a própria alma?” (Mc 8, 36). Como não sabemos nem o dia nem a hora de nossa morte, o cristão deve estar sempre preparado para ela.


Juízo Particular

Está destinado aos homens morrer uma só vez, e depois disso vem o Juízo
(Hb 9, 27)

É por isso que, vivos ou mortos, nos esforçamos por agradar-Lhe. Porque teremos de comparecer diante do Tribunal de Cristo. Ali, cada um receberá o que mereceu, conforme o bem ou o mal que tiver feito enquanto estava no corpo
(2Cor 5,9-10)

Todos serão julgados logo após a morte: este é o Juízo Particular, o julgamento individual de cada um. Entrando na Eternidade, todos se apresentarão diante do Rei dos reis, e as nossas vestes deverão ser brancas (Mt 22,1s): em outras palavras, devemos nos purificar espiritualmente, viver bem e na caridade, buscar praticar sempre a Vontade de Deus, para um dia morrer bem. Quem vive dessa maneira, e conscientemente, não se apavora com a ideia da morte. Em vez de tristeza ou medo, há confiança e serenidade. Mesmo nos piores sofrimentos, no fundo da alma daquele que crê permanece a esperança, que dá paz e alegria.

Já ao pecador inveterado, podemos perceber claramente que o inverso acontece: mesmo na saúde e na riqueza, desfrutando dos melhores prazeres do mundo, assim que para de se entorpecer nas muitas sensações, sente o vazio profundo da sua vida, na sua alma a ausência de Deus. Só há desespero, insatisfação, tédio, desânimo, sentimentos depressivos.

A felicidade, em plenitude, só se encontra no Céu, em Deus: está na contemplação e “posse” de Deus, contemplação e posse da Verdade, da Beleza e do verdadeiro Amor. Só em Deus seremos plenamente felizes e realizados. E para chegar ao Céu é preciso levar Deus dentro de si, desde agora, desde já.


O Juízo Universal

Além do juízo particular, que ocorre logo após a morte de cada um, há o Juízo Universal, que é o julgamento coletivo, que ocorrerá no fim dos tempos. O Antigo e o Novo Testamento falam do assunto. O capítulo 5 do Livro da Sabedoria é inteiramente dedicado ao Juízo Final.

Já o livro do Profeta Isaías (66, 18) diz:

Virei recolher as tuas obras e os teus pensamentos e irei reuni-los com os de todas as gentes e línguas; e eles comparecerão, todos, e verão a minha Glória.

Nos Atos dos Apóstolos (1,11) vê-se que, logo após a Ascensão, a volta de Jesus como Juiz foi anunciada por dois anjos. Os Apóstolos S. Mateus (cap. 24) e S. Lucas (cap. 21) falam longamente sobre o assunto.



No Juízo Final, o julgamento será definitivo. Depois, haverá o Céu ou o Inferno. Este mundo físico acabará. Quando e como, exatamente, será o fim do mundo, não sabemos. Jesus diz que nem os anjos o sabem. No último dia, haverá a ressurreição da carne: os justos ressuscitarão gloriosos, semelhantes ao Cristo ressuscitado. Para estes, a morte será o encontro com o melhor de todos os pais: o Pai do Céu. E tudo o que foi encoberto será conhecido; a verdade será revelada a todos. Será a hora da perfeita reabilitação dos caluniados, dos difamados, dos injustiçados, dos sofredores. Os que tem fome e sede de Justiça serão saciados.

Muitos teólogos entendem que o desdobramento do Julgamento divino em Juízo Particular e Juízo Final ou Universal deve-se ao fato de nós, seres humanos, pensarmos em termos de sucessão cronológica: um morre hoje, outro amanhã. Mas para Deus, isto é, da perspectiva da eternidade, existe um só momento: a própria eternidade. Sendo Deus eterno, para Ele não há hoje e amanhã; Deus é o eterno EU SOU. De fato, até a ciência humana já reconhece e compreende que tudo o que realmente existe é um único momento, que não tem princípio nem terá fim. O Juízo Particular e o Universal, a partir desta perspectiva, seriam, de um modo que não podemos agora compreender, uma só coisa: uma mesma realidade vista a partir da eternidade, e não a partir da sucessão cronológica das vidas humanas à qual estamos habituados e  presos.
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Do antropocentrismo ao pântano

Será possível compreender ou aceitar que isto...

...tenha se tornado isto?

Por Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa – Capela Santa Maria das Vitórias

A OBJEÇÃO que com frequência se formula contra o restabelecimento da liturgia romana tradicional como o rito ordinário da Igreja é que tal rito é expressão de uma cultura ultrapassada, esclerosada, incapaz de cativar a sensibilidade do homem de hoje. É claro que essa objeção não leva em conta as razões teológicas em favor da liturgia de sempre e contra os desvios doutrinários do rito reformado, conforme ressaltaram abalizados estudos feitos por teólogos, liturgistas e ilustres prelados. Trata-se de uma objeção superficial de cunho antropológico, psicológico ou, talvez, sociológico, que não considera devidamente o problema cultural, este, sim, o verdadeiro desafio para a evangelização do homem moderno.

Como se sabe, alguns dos “profetas” da nova teologia, condenada por Pio XII na encíclica Humani Generis, diziam que o discurso teológico devia deixar de lado os princípios metafísicos, que se tinham tornado ininteligíveis ao homem moderno, e abrir-se à grande contribuição que a psicologia, a sociologia, a antropologia cultural e outras ciências modernas poderiam dar-lhe e garantiriam à Igreja um êxito espetacular no cumprimento de sua missão em nossos tempos, visto que o homem moderno tem sua sensibilidade e seu gosto voltados para essas disciplinas.

Ora, a receita da nova teologia foi adotada, mas, infelizmente, a Igreja, que já estava combalida havia tantos séculos por um humanismo e liberalismo anticristãos, ficou ainda mais debilitada ao abeberar-se dessas fontes que exaltavam a liberdade do homem moderno mais “consciente” de sua individualidade e aptidão para transformar a realidade; – ao abeberar-se dessas fontes que exaltavam também a cultura democrática laica dos nossos dias, que seria, até, uma cultura mais cristã que a dos séculos passados da cristandade, na medida em que seria mais aberta aos ideais de igualdade, justiça social, liberdade, autonomia e outros valores semelhantes que não teriam sido devidamente cultivados nos tempos da cristandade.

Não é necessário apontar os frutos amargos produzidos por tal discurso de exaltação da cultura moderna. As estatísticas provam a calamidade resultante do fato de a cultura secular ter sido assimilada pela Igreja, sobretudo a partir do Vaticano II. Tampouco é necessário provar que tal discurso se tornou realmente o discurso oficial da Igreja e não algo marginal, abusivo, ou simples desvio de correntes dissidentes. Basta recordar o que disse Paulo VI no final do concílio, o que disse o cardeal Ratzinger à revista "Jesus" e o que diz quase a toda hora Francisco I.
O que interessa a um católico hoje é ter ideias claras sobre o significado da cultura, a fim de defender a pureza da sua fé e evitar erros perniciosos, como os promovidos pelos mestres e epígonos da nova teologia.

Que é cultura? Pode um católico defender uma cultura desvinculada dos princípios metafísicos? Que é uma cultura cristã? Tentarei dar minha modesta contribuição sobre um assunto tão importante para o homem de fé de nossos dias, que, infelizmente, apesar da facilidade de acesso à informação, não tem muitas vezes os elementos e critérios necessários para um juízo seguro sobre o problema.

Cultura, como dizem bons autores, é tudo aquilo que o homem produz em sociedade, com vista ao seu aperfeiçoamento pessoal ou melhoria da sua vida. É tudo aquilo que o homem acrescenta à natureza, colocando-a a seu serviço e para seu aperfeiçoamento como ser racional. É tudo aquilo que o espírito humano concebe ou realiza, seja contemplando o mundo (a religião, a filosofia, a literatura, as artes plásticas etc), seja aperfeiçoando ou pondo a serviço do homem os recursos naturais (desde a domesticação dos animais, o cultivo da terra, a tecelagem, a construção de moradias, até a mais avançada ciência meteorológica apta a prevenir as mais graves catástrofes da natureza). Ou ainda, cultura é tudo aquilo que o homem faz consigo mesmo para melhorar sua qualidade de vida: alimentação, higiene, vestuário, cuidado com a saúde física e psíquica. Cultura, portanto, diz um autor, é um termo análogo, no sentido de que se refere tanto ao cultivo da natureza quanto ao cultivo do espírito humano.

É inegável que o mundo moderno, desprezando a metafísica e a teologia, alcançou um grande progresso material e melhorou as condições físicas da vida do homem na Terra. Mas é inegável também que tão extraordinário progresso apresenta uma flagrante desordem, que reverte em prejuízo do seu próprio autor. Trata-se, com efeito, de uma cultura e de um progresso de um homem que recusa ordenar-se ao seu Criador e teima em voltar-se a si mesmo como se fosse a medida e o fim de todas as coisas. Trata-se de uma cultura que não se desenvolve a partir de uma contemplação de um cosmo bem ordenado por uma Inteligência Ordenadora, onde todas as coisas têm o seu devido fim que o homem, ser inteligente, deve conhecer, respeitar e colaborar para seu aperfeiçoamento. Mas, ao contrário, é uma cultura que se desenvolve a partir de uma concepção de um mundo caótico em que o homem se julga um semideus para fazer tudo que quiser.

Completamente diferente é a cultura que se desenvolveu ao longo dos séculos da cristandade. Acolhendo toda a sabedoria dos gregos e dos romanos e à luz da Revelação divina, o homem, regenerado pela Graça Divina, construiu uma cultura e uma civilização a partir da concepção de mundo em que tudo estava bem ordenado e tinha um fim, porque era obra da criação de um Deus bom e providente. E tal visão de ordem refletia-se em toda a realidade: na vida pessoal, na vida familiar e social. Com efeito, todas as atividades humanas tinham de estar ordenadas para a glória de Deus e salvação da alma, sem que se incorresse no erro de um espiritualismo exagerado característico do maniqueísmo e do catarismo. A cultura cristã não desprezava, como se pensa, a realidade material, a corporeidade do homem, pois, ao contrário do erro de antigos filósofos como Sócrates e Platão, o corpo não era considerado um cárcere da alma. Na cultura cristã, prevaleceu o bom senso de uma concepção de homem que afirmava a unidade substancial composta de corpo e alma espiritual imortal. A cultura cristã não acorrentou a inteligência e a imaginação do homem do seu tempo. Realmente nas universidades o homem medieval gozava de plena liberdade para fazer suas investigações, experiências e produzir belas obras de arte que até hoje admiramos na Europa.

Por outro lado, cumpre dizer que se a cultura é produto do homem, o homem não deixa de ser influenciado fortemente por ela. Não determinado, mas influenciado e condicionado por ela. São poucos os homens realmente capazes de modificar ou reformar a cultura do seu tempo, mas são legiões aqueles que por ela são fortemente marcados. E aqui bate-se o ponto. Os homens da Igreja tinham de estar mais atentos para a malícia da cultura revolucionária moderna que afasta o homem de Deus e o deforma, não obstante todo o palavrório de exaltação do homem. É necessário que as autoridades se esforcem por preservar os católicos da influência da cultura moderna anticristã. Todos vemos como o homem hoje se degrada espantosamente: a violência, as piores grosserias, vulgaridades e perversões nas relações humanas, embrutecimento, hedonismo são os “valores” da cultura da liberdade e do individualismo. De fato, do altar da religião antropocêntrica ruma-se rapidamente para um pântano em que a humanidade se perderá.

Dentro desta realidade que se retrata, talvez com exagero de cores mas sem desfigurá-la, o rito romano tradicional da Missa é sem dúvida um antídoto contra os inúmeros males dessa cultura de morte e ajudará o homem a submeter-se a Deus, a descobrir o seu verdadeiro lugar dentro do mundo, a respeitar a ordem estabelecida por Deus, verdades estas tão bem expressas nas suas cerimônias encantadoras e cheias de mistério.


Pe. João Batista de Almeida Prado Ferraz Costa
Anápolis, 12 de junho de 2014
Festa de São Barnabé Apóstolo,
dentro da Oitava de Pentecostes

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O verdadeiro ecumenismo: urgências e desafios numa via de mão dupla


Os Papas Bento XVI e Francisco vêm mantendo frutuoso diálogo com o Patriarca Bartolomeu I de Constantinopla (Igreja Ortodoxa)

A PALAVRA "ECUMENISMO" sempre foi usada pela Igreja Católica com o sentido de uma reunião do conjunto dos bispos. Assim, um Concílio que reúna os bispos católicos do mundo todo é um concílio ecumênico, mesmo que seja uma reunião só de católicos.

Foi somente no final do século passado que a palavra "ecumenismo" passou a ser utilizada para definir um movimento surgido nos meios protestantes, buscando a reunião de todas as comunidades protestantes.

A Igreja Católica, há muito, deseja a unidade cristã, crendo que promover a reintegração de todos os cristãos na Unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo é de fato a Vontade de Nosso Senhor Jesus Cristo. A Igreja expressou essa vontade através do Concílio Vaticano II, no Decreto Unitatis Redintegratio (Roma, 1964), do qual consta o seguinte trecho:

"Todo aquele que crê em Cristo, mesmo que não pertença à Igreja Católica, encontra-se em algum tipo de Comunhão com a verdadeira Igreja. Não existe ecumenismo verdadeiro sem uma conversão interior, e a Igreja Católica é a plena depositária da Palavra e das graças divinas. As demais igrejas devem dela aproximar-se na Comunhão da graça."

Assim, embora a Igreja Católica tenha sido a única fundada por Cristo, e essa Igreja de Cristo tenha que ser Una ('Se um reino se dividir contra si mesmo, tal reino não pode subsistir', cf. Mc 3,24), é fato que existem hoje diversas denominações ditas cristãs, que professam a fé em Jesus Cristo como Deus, Senhor e Salvador, e a Igreja Católica busca, como sempre buscou, acolher e re-unir a todos. Ecumenismo é aproximação, cooperação, busca fraterna da superação das divisões entre católicos, ortodoxos e protestantes históricos (evidentemente, aqui dificilmente se incluem as seitas estapafúrdias que, embora pretendam professar a fé em Cristo, claramente renegam as bases mais elementares de sua doutrina). E a questão que fica, o problema a ser solucionado, sem dúvida é: como superar as (muitas vezes grandes e importantes) divisões?

O Concílio Vaticano II deseja que as iniciativas dos filhos da Igreja Católica progridam em conjunto com as iniciativas dos nossos irmãos separados. Todos nós somos chamados a viver a proposta do ecumenismo: todos juntos, ao menos nesse sentido um só povo, no Amor de Cristo. O Ecumenismo é um convite ao diálogo entre as Igrejas Cristãs, e a uma evangelização renovada.

As divisões contrariam a vontade de Cristo e sem nenhuma dúvida dificultam a cumprir o Mandamento pregação do Senhor, de levar o Evangelho a toda criatura (Mc 16,15). Eis aí apenas um dos motivos pelos quais a unidade cristã se faz urgente. Todavia, as dificuldades já começam acerca da própria palavra ecumenismo, gera confusão acerca do seu real significado. Eis o motivo pelo qual, muitas vezes, talvez seja preferível e certamente mais apropriado falar em "unidade cristã", do que falar em ecumenismo.

Ocorre que, popularmente (e equivocadamente) convencionou-se entender a palavra ecumenismo com o sentido de uma espécie de religião universal, global. Dá-se a entender que não importa em que se crê, desde que haja respeito mútuo. O ecumenismo religioso seria a reunião de todas as religiões, seitas e crenças, cristãs ou não. É por esse motivo que, embora o verdadeiro significado da palavra não seja este, convém evitar a confusão, optando pelo termo unidade cristã.

O outro aspecto importante a ser observado é que a Santa Igreja Católica, como vimos, sempre orientou à superação das divisões para a União em Cristo, nela mesma, a Santa Igreja diretamente instituída pelo Senhor e preservada na Tradição dos Apóstolos, e não haveria como ser diferente. Enquanto católicos, dizemos um sonoro e claro "não" à confusa ideia de união entre todas as crenças, à criação de uma nova religião supostamente universal, de uma "nova era" e uma nova "religião universal", mais parecida com uma seita holística. E nesse sentido estamos, ironicamente, bem próximos do pensamento dos líderes de outras grandes religiões, como por exemplo o Dalai Lama, autoridade máxima do budismo mundial, que em sua quarta visita ao Brasil (veja aqui) se declarou chocado por ver como tantos ocidentais se declaravam budistas apenas por "moda" (palavras dele), por considerarem uma religião exótica, de belos e misteriosos rituais, o que supostamente conferiria um "charme" diferenciado aos seus praticantes.

A Igreja Católica é, como diz o seu nome, universal, e desde sempre una, pois os cristãos desde a origem aderiram a uma só fé, num só SENHOR, um só batismo e uma só doutrina, para integrar um só Corpo, – o de Nosso Salvador Jesus, o Cristo. Em sentido absoluto e próprio, torna-se inegável que é a única Igreja realmente ecumênica, no sentido puro da palavra, pois permanece aberta a todos os homens e mulheres, de qualquer idade, de todos os povos, de todas as culturas e línguas, de todos os tempos, presente em todos os continentes, entre todas as nações. É a única Igreja autêntica, por sua origem Divina; por tudo isso é que nós, católicos, jamais devemos temer "ofender" alguém ao proclamar estas simples verdades. Entre manter (forçadas) boas relações sociais com todos e confessar a Verdade, todo cristão precisa saber fazer, sem medo, a segunda opção.

Além de tudo, lamentavelmente, existe a necessidade urgente de se superarem as divisões dentro da própria Igreja Católica, e este talvez seja o maior dos desafios: A falta de união entre católicos parece ser o fator que mais enfraquece a Igreja e fomenta a apostasia em nossos tempos. A esse propósito, declara o Secretário da Conferência Episcopal Espanhola, Pe. Juan Antonio Martinez Camiño:

"A comunhão na Igreja tem hoje dois desafios: viver um ecumenismo intra-católico e uma comunhão nos seus conteúdos. Necessitamos de um ecumenismo intra-católico e uma aceitação cordial de todos naquilo que é fundamental à nossa fé, pois é nossa União a Deus em Cristo, por meio do seu Espírito, que nos anima e põe a todos e a cada um, segundo nosso estado, em pé de evangelização. Necessitamos realmente da comunhão na caridade entre os distintos grupos eclesiais. Sem esse testemunho de Unidade é difícil a evangelização e o testemunho cristão. O segundo nível da comunhão de que necessita a Igreja é a comunhão nos conteúdos, na Mensagem, na Doutrina. Esta comunhão é fundamental, e continuará avançando na medida em que avancemos na comunhão da caridade. São coisas distintas, mas vão absolutamente unidas."

Não se pode negar que disse muito bem o Revmo. Padre Camiño. Rezemos por essas intenções e esforcemo-nos em fazer muito bem a nossa parte, cada um de nós.
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Nefilins: os gigantes da Bíblia


'A LEITORA Valdelice Silva Pyetra enviou-nos a seguinte pergunta:

"Olá, Paz de Cristo. Eu quero tirar uma dúvida, (...) eu já ouvi muito falar de Sodoma e Gomorra e os anjos caídos do céu. Algumas crenças religiosas afirmam que esses anjos tiveram relações sexuais com humanos dos quais surgiram os gigantes, enquanto outras crenças negam a possibilidade de que os anjos tenham tido relações. Embora o texto realmente dê a entender que realmente isso tenha acontecido. Como todos sabem essa história se encontra em Gênesis 6,1-4 Me parece um tanto complicado e eu gostaria mesmo de saber a verdadeira tradução por nossos irmãos católicos. Aguardo respostas, obrigada."

Prezada Valdelice,

Em primeiro lugar, é preciso manter sempre em mente que nem tudo o que está escrito na Bíblia, especialmente as narrativas do Antigo Testamento, devem ser tomadas ao pé da letra. Há muita simbologia, analogia e alegoria nesses escritos. Por isso mesmo, tudo deve ser compreendido à luz do Magistério da Igreja, que é nossa mãe e mestra.

Pois bem, a passagem que você nos propõe é sem dúvida das mais difíceis, e para ela existem variadas interpretações que nos apresentam os teólogos e pesquisadores de linhas diversas:


1. Influência das mitologias pagãs

Para alguns estudiosos, o trecho de Gênesis em questão poderia ter origem mitológica, ou seja, ter sido transcrito pelo autor sagrado, com objetivo de ilustrar uma ideia teológica (que não abordaremos aqui) sem indicação da fonte original. Assim fazendo, estaria o hagiógrafo salientando, por exemplo e entre outras coisas, que o mundo ia de mal a pior e precisava da intervenção de Deus, o que acabou por culminar no Dilúvio.

Os defensores desta interpretação entendem que os "filhos de Deus" seriam então, originalmente e segundo essa suposta fonte extrabíblica, deuses mitológicos que se uniram às "filhas dos homens" (=mulheres). De fato, a tradição pagã contemporânea a esses textos é rica em mitologias envolvendo deuses e semideuses que se envolvem com humanas e tem filhos com elas, que depois se tornam heróis e guerreiros prodigiosos. Os católicos tradicionais, evidentemente, não aceitam esta interpretação mitológica, que traduz por "deuses" a expressão "filhos de Deus".


2. Filhos de anjos

Alguns cristãos primitivos, fazendo eco a uma tradição rabínica, chegaram a interpretar "filhos de Deus" como anjos que teriam se unido às "filhas dos homens", gerando descendentes gigantes. Isso parece ser ratificado por Judas 1,6 e 2Pedro 2,4, embora tais passagens de fato não abonem esse modo de interpretação.

Muito cedo na história da Igreja, porém, já a partir do século IV, autores cristãos levantaram entendimentos contrários a esta interpretação, até porque, sendo seres espirituais, sem corpo material, os anjos não teriam como manter cópula carnal com mulheres. Diz Nosso Senhor: "Na ressurreição (os homens e mulheres) não se casarão nem serão dados em casamento; mas serão como os anjos de Deus no Céu" (Mt 22,30).


Imagens forjadas que circulam pela internet, como esta e a do cabeçalho, simulam achados arqueológicos espetaculares, que comprovariam a existência dos gigantes bíblicos...

3. Filhos de Set e filhas de Caim

Esta interpretação, que parece ser a mais alinhada com a Tradição da Igreja, vê nos "filhos de Deus" os descendentes de Set (população fiel ao Senhor) e, nas "filhas dos homens", os descendentes de Caim (uma população infiel). O resultado dessa união seria uma geração de "gigantes" (em hebraico nefilim; em grego: gigas), o que pode expressar um elemento da mitologia dos povos pagãos primitivos que existiram nas circunvizinhanças (enaquim, enim, refaim, zonzomin), tidos como de alta estatura e realizadores de monumentos megalíticos. – Aliás, provêm dos primitivos povos ugaríticos textos que apresentam gigantes mitológicos (os "refaim") como heróis míticos e fundadores de dinastias.

Ora, diversas passagens do Antigo Testamento demonstram que os hebreus acreditavam na existência de povos de altíssima estatura, ao mesmo tempo fortes, soberbos e revoltados contra Deus. Podemos vê-lo, por exemplo, em: Números 13,3; Deuteronômio 2,20-21; 3,11; 1Samuel 17,4; 1Crônicas 11,23; etc. Também encontramos referências a esses "gigantes" nos livros deuterocanônicos: Eclesiástico 16,7; Judite 16,6 e Sabedoria 14,6.

Para que se tenha ideia da altíssima estatura destes "gigantes", o texto de Deuteronômio 3,11 descreve como Og, um remanescente dos refaim, tinha uma cama de ferro que media 9 côvados de comprimento, – o que equivale a 4 metros!

Retomando a análise da última interpretação, esta é favorecida também pelo fato de o antiquíssimo tratado rabínico Bereshitrabba (26,7) afirmar que refaim é o nome primitivo dado ao nefilim, heróis nascidos de mulheres engravidadas pelos "filhos dos deuses" (há um forte e inegável traço de influência mitológica aqui). Diante disto, é bem possível e razoável supor que os israelitas tenham preferido usar a palavra nefilim para designar os refaim da mitologia pagã. – Tal substituição de palavras não deve causar estranhamento no contexto escriturístico. De modo semelhante, podemos ver em 1Crônicas (8,33), por exemplo, que Saul gerou Esbaal, que significa "homem de Baal"; Como este nome tinha conotação pagã, porém, o autor de 1Samuel (14,49), sem cerimônia, verte-o para Isvi, ou seja, "homem de Javé"!

Em resumo: uma interpretação bastante provável para a passagem de Gênesis 6,1-4 é que da união entre o povo descendente de Set (=filhos de Deus) e o povo descendente de Caim (=filhas dos homens) surgiu o povo dos "refaim", que tinha como principal característica sua alta estatura, talvez até decorrente de alguma desordem biológica. Além do mais, estudos arqueológicos e genéticos demonstram que a estatura dos homens da antiguidade era menor que a atual, e o contato com uma raça de homens de média de dois metros de altura, por exemplo, seria chocante. Some-se a isso o hábito cultural dos semitas de supervalorizar ou exagerar os fatos, e temos uma boa explicação. – Comparativamente, se uma tribo de pigmeus se deparasse com os jogadores de um time de basquete profissional, poderiam tranquilamente considerá-los "gigantes". – E da mesma forma como os bons costumam se corromper andando na companhia dos maus, desta união entre os descendentes de Set e os de Caim resultou a crescente corrupção da espécie humana. É assim que os Padres e Escritores eclesiásticos têm entendido esse difícil texto, ao menos desde o séc. IV.

Importa dizer, por fim, que essa interpretação não esgota o assunto. Futuros estudos, pesquisas, descobertas arqueológicas e filológicas poderão trazer novas possibilidades. Não há como nós termos sempre 100% de certeza a respeito dos detalhes e minúcias de textos veterotestamentários tão antigos, cujos significados, por vezes, acabam-se perdendo nas brumas dos séculos. Isso não deve ser motivo de preocupação para nós. Tais detalhes não irão influir no percurso da nossa salvação, nem nos embaraçar no Caminho que leva ao Céu: Nosso Senhor Jesus Cristo. – E este deve ser sempre o fundamento da nossa fé, do nosso ânimo e de todas as nossas ações. Estudos como estes são interessantes; entretanto, servem mais como complemento ao conhecimento que realmente importa: o conhecimento da Vontade de Deus.

Deus a abençoe e guarde, Valdelice, e Maria Santíssima interceda por sua vida!

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• Adaptado do artigo "Como explicar Gên. 6,1-4? Quem eram os gigantes e os 'filhos de deus'?", do site "Veritatis Splendor", disponível em:
http://www.veritatis.com.br/inicio/espaco-leitor/5416-como-explicar-gen-6-1-4-quem-eram-os-gigantes-e-os-filhos-de-deus
Acesso 24/9/014
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Todos os Caminhos Levam a Roma – a história da conversão de Scott e Kimberly Hahn


ESTA É EXCLUSIVAMENTE para indicar, com muita ênfase, a leitura de um pequeno (224 páginas) e despretensioso livro que "dormia" em minhas prateleiras já há alguns bons meses, e que somente há dois dias resolvi tomar em mãos para ler. – E já finalizei a leitura, absolutamente encantado, mesmo com todo o trabalho e estudos acumulados que se amontoam sobre minha mesa. – O livro não é novo; foi publicado em 1993 nos EUA e traduzido e lançado em 2002 pela editora Diel (Portugal) para países de língua portuguesa, mas somente em 2013 passou a ser distribuído no Brasil pela Cléofas.

Muito popular nos EUA e em outros países, já é relativamente bem conhecido também no Brasil. É do tipo que se quer ler de um só fôlego; daqueles que, quando começamos a ler, não queremos mais parar. Refiro-me à obra autobiográfica que em português foi intitulada "Todos os Caminhos Levam a Roma" ('Rome, Sweet Rome'), escrita a quatro mãos pelo ex-pastor e ex-professor de seminário protestante Scott Hahn e sua esposa, Kimberly, mestra em Teologia protestante e ex-pregadora anticatólica.

Dr. Scott Hahn, mestre e doutor, Ph.D em Teologia Bíblica, é considerado um dos maiores especialistas em Bíblia do mundo, – sendo exatamente esta a razão (seus profundos conhecimentos) que o levou a converter-se num católico fervoroso, antes de sua esposa, que depois de anos de relutância acabou por se enveredar pelo mesmo caminho. – Atualmente, ele é professor de Teologia e Sagrada Escritura na Universidade Franciscana de Steubenville, EUA (desde 1990). Em 2005, foi designado pelo Papa Bento XVI como Catedrático de Teologia Bíblica da Liturgical Proclamation, no Seminário St. Vicent, Latrobe (Pensilvânia). É autor de grande quantidade de livros, que são altamente recomendados pelas autoridades eclesiásticas, especialmente nos EUA, entre os quais o Arcebispo de Denver, Dom Charles J. Chaput; o Arcebispo de Milwaukee, Dom Timothy M. Doulan; o Arcebispo de Chicago, Cardeal Francis George; o Arcebispo de Washington, Dom Donald W. Werl, o Arcebispo de Nova York, Cardeal Edward Egan; etc...


Dr. Scott Hahn
Síntese

O livro é a autobiografia de um casal presbiteriano convertido ao catolicismo mediante o atento e apurado estudo das Sagradas Escrituras e a análise histórica, teológica e também bíblica da Sagrada Tradição e do Magistério da Igreja Católica.

Com muita seriedade, empenho e persistência, primeiro o marido, Scott, e depois sua esposa, Kimberly, passam a descobrir, entender e confirmar que tudo o que lhes mantinha afastados da Igreja Católica estava fundamentado em preconceitos infundados. Ao mesmo tempo, averiguaram e passaram a confirmar, passo a passo, que as duas pilastras essenciais do protestantismo: somente a fé (Sola Fide) e somente a Escritura (Sola Scriptura), carecem de qualquer fundamento na própria Bíblia. Diante da conversão do marido, a esposa fica desolada; com muito amor e boa vontade, porém, e empreendendo imenso esforço para romper a colossal barreira de preconceitos que lhe haviam sido incutidos na alma contra o catolicismo, acaba por abraçar a mesma fé do esposo.

Já há algumas décadas que se vêm registrando numerosas conversões do protestantismo ao catolicismo, com a Graça de Deus, por meio do estudo cada vez mais embasado e realmente aprofundado das Sagradas Escrituras, comparado ao da História da Igreja, especialmente da Patrística. – E, importante que se diga, a impressionante conversão deste casal ocorreu apesar da mentalidade progressista que tomou conta do clero católico em nível mundial: apesar de tantos padres, bispos e leigos católicos que praticamente não se empenham em converter mais absolutamente ninguém. – O próprio Scott Hahn relata como, no início de sua longa jornada de retorno a Casa do Pai, procurou padres de paróquias próximas, e como ficou desorientado ao perceber como não faziam a mínima questão de recebê-lo, sendo que um certo Pe. Jim chegou a lhe dizer: "Creio que na verdade você não precisa se converter. Depois do (Concílio) Vaticano II não é muito ecumênico converter-se. O melhor que você pode fazer é simplesmente ser o melhor presbiteriano que puder".

Sua esposa, Kimberly, então uma protestante e anticatólica convicta, além de talentosa pregadora, cujo maior sonho era ser "esposa de pastor", dizia ao marido: "Talvez a Igreja sobre a qual você está aprendendo e lendo [tão perfeitamente coerente com as Escrituras e alinhada com tudo o que entendemos por cristianismo], simplesmente já não exista mais".


Pe. Shenan J. Boquet e Henrique Sebastião

Mesmo assim, apesar de tudo, – apesar dos maus padres e maus bispos, do mau exemplo de tantos e tantos maus católicos, de todo o desvio da sagrada Liturgia, do desleixo quase total para com a catequese, das interpretações estapafúrdias de um tal de "espírito do concílio", que hoje parece ser mais adorado do que o próprio Espírito Santo de Deus, apesar do grande descaso na salvação das almas... O fato é que, ainda assim, mesmo contra tamanha e tão medonha torrente de misérias, não cessam de aumentar os casos de conversões à Igreja Católica, de modo especial nos EUA (maior país protestante do mundo) como me confirmou pessoalmente inclusive o Pe. Shenan Boquet, presidente da Human Life International, por ocasião do II Congresso Internacional pela Verdade e pela Vida (Mosteiro de São Bento de São Paulo, 11/2011).

Apresento abaixo uma coletânea de trechos do livro em questão, rogando a Deus que muitos de meus leitores se sintam motivados a adquirirem-no e, com muito prazer, desfrutar de sua tão saborosa quanto edificante leitura.


 Preconceitos

Como já dito, e como geralmente acontece entre os protestantes, também Scott e Kimberly eram marcados por profundos preconceitos contra a Igreja Católica. Assim diz Scott:

"No Seminário encontrei um colega chamado Gerry Matatics. Entre os alunos presbiterianos, nós dois éramos os únicos suficientemente inflexíveis no nosso anticatolicismo para defender que a Confissão de Westminster devia conservar uma tese que a maioria dos reformados estava disposta a abandonar: o Papa era o Anticristo. Embora os protestantes – Lutero, Calvino, Zwingll, Knox e outros – tivessem muitas diferenças entre si, todos eram unânimes na convicção de que o Papa era o Anticristo e que a Igreja de Roma era a rameira da Babilônia".

Scott e sua esposa se colocaram no rol daqueles que odiavam uma falsa imagem da Igreja Católica e não a verdadeira imagem (que eles ignoravam). O próprio Scott Hahn comenta em sua autobiografia que "o falecido Arcebispo Fulton Sheen escreveu um dia: 'Talvez não haja nos Estados Unidos uma centena de pessoas que odeiem a Igreja Católica; mas há milhões de pessoas que odeiam o que erroneamente supõem que é a Igreja Católica'.".


Sola Fide
– Somente a fé

Scott Hahn era, então, um ministro presbiteriano, casado com Kimberly, também presbiteriana. Em virtude de suas funções como pregador, ele teve que estudar com afinco os grandes princípios do credo protestante, a começar pela sua primeira coluna: "Somente pela fé" somos salvos.

"Pouco a pouco chegamos a nos convencer de que Martinho Lutero deixou que suas convicções teológicas pessoais contradissessem a própria Bíblia, à qual supostamente tinha decidido obedecer em vez de obedecer à Igreja Católica. Tinha declarado que a pessoa não se justifica pela fé atuando no amor, mas que se justifica apenas pela fé. Chegou mesmo a acrescentar a palavra 'somente' depois da palavra 'justificado' na sua tradução alemã de Romanos 3,28, e chamou à Epístola de Santiago 'epístola falsificada' porque Santiago diz explicitamente: 'Vedes que pelas obras se justifica o homem e não apenas pela fé'."
"Uma vez mais, e por muito estranho que nos parecesse, a Igreja Católica tinha razão num ponto fundamental da doutrina: ser justificado significa ser feito filho de Deus e ser chamado a viver a vida como filho de Deus mediante a fé com obras no amor. Efésios 2,8 esclarecia que a fé – que temos que ter – é um Dom de Deus, não por causa das nossas obras, pelo que ninguém se pode vangloriar, e que a fé nos torna capazes de realizar as boas obras que Deus quer que realizemos. A fé é ao mesmo tempo um Dom de Deus e a nossa resposta obediente à misericórdia de Deus."
"A rigor, deve-se distinguir entre 'ser justificado' e 'ser salvo'. Ser justificado é tornar-se justo, amigo de Deus, passando do estado de pecado para o estado de graça. É o que São Paulo tem em vista nas suas cartas. Ser salvo é perseverar na graça recebida até o fim da vida terrestre. Esta perseverança não é possível se o fiel cristão não manifesta a sua fé através de boas obras. – É o que São Tiago tem em vista na sua carta."

Sola Scriptura
– Somente a Escritura


Scott & Kimberly Hahn

A outra coluna fundamental do credo protestante é o princípio "Somente a Escritura"; é regra de vida. Também esta desmoronou mediante o estudo realmente sério e descomprometido das doutrinas humanas sobre a Bíblia Sagrada, como também narra Scott em seu livro.

Profº Hahn ensina que a doutrina da Sola Fide simplesmente não é bíblica, e que esse grito de guerra da Reforma não se sustenta quando confrontado com as Cartas de Paulo.

Como bem se sabe, o outro grito de guerra da Reforma foi a Sola Scriptura: que a Bíblia é a nossa única autoridade, em lugar do Papa, dos Concílios ou da Tradição. Um belo dia, um de seus alunos protestantes lhe perguntou: "Professor, onde é que a Bíblia ensina que 'a Escritura é a nossa única autoridade?'". Scott conta o que aconteceu depois:

"Fiquei a contemplá-lo e comecei a sentir um suor frio. Disse-lhe: 'Vejamos primeiro Mateus 5,171 e depois 2 Timóteo 3,16-17: 'Toda a Escritura inspirada por Deus é útil para ensinar, para rebater, para corrigir e para formar na justiça, de modo que o homem de Deus seja perfeito, e preparado para toda obra boa'. E depois podemos ver também o que diz Jesus acerca da Tradição em Mateus 152. Mas a sua resposta foi cortante: 'Mas, professor, Jesus não estava condenando toda a Tradição em Mateus 15, e sim só a tradição corrupta. E quando 2 Timóteo 3,16 menciona 'toda a Escritura' não diz 'só a Escritura' é útil. Também a oração, a evangelização e muitas outras coisas são essenciais. E o que dizer de 2 Tessalonicenses 2,15? – 'Ah, sim... Tessalonicenses...', – balbuciei debilmente, – 'o que é que se diz aí?' – 'Paulo diz aos Tessalonicenses: Portanto, irmãos, mantende-vos firmes e guardai as tradições que haveis aprendido de nós, de palavra ou por carta'."
"Saí pela tangente: 'Ouça, John, estamos nos afastando do tema. Avancemos um pouco mais e já voltaremos a falar sobre isto na próxima semana'. Posso assegurar que ele não ficou satisfeito. Nem eu. Quando voltei para casa naquela noite, contemplei as estrelas e murmurei: 'Senhor, o que está acontecendo? Onde é que a Escritura ensina a doutrina da sola Scriptura?'. Foram duas as colunas sobre as quais os protestantes basearam a sua revolta contra Roma. Uma já tinha caído, e a outra estava a cambalear. Senti medo. Estudei toda a semana. Não cheguei a nenhuma conclusão. Telefonei então a vários amigos. Sem êxito. Finalmente, telefonei a dois dos melhores teólogos da América, e também a alguns dos meus ex-professores."
"Todos aqueles que consultava se surpreendiam de que lhes fizesse essa pergunta. E sentiam-se ainda mais perturbados ao verem que não ficava satisfeito com as respostas que me davam. A um professor eu disse: 'Talvez eu esteja sofrendo de amnésia, mas esqueci-me das simples razões pelas quais nós, protestantes, cremos que a Bíblia é a nossa única autoridade. Dr. Gerstner, creio que a questão principal é o que a Bíblia ensina sobre a Palavra de Deus, já que em nenhum lugar reduz a Palavra de Deus apenas à Escritura. Pelo contrário, a Bíblia diz-nos em muitos lugares que a autorizada Palavra de Deus deve buscar-se na Igreja: na sua Tradição (2 Ts 2,15; 3, 6), assim como na sua pregação e ensino (1Pe 1, 25; 2Pe 1, 20-21; Mt 18, 17). Por isso penso que a Bíblia apoia o princípio católico Solum Verbum Dei, 'só a Palavra de Deus', em vez do princípio protestante Sola Scriptura, 'só a Bíblia'."


O Governo da Igreja

Completando sua afirmação de que as Escrituras não bastam, Scott apresenta a seguinte imagem:

"Desde a época da Reforma, foram surgindo mais de vinte e cinco mil diferentes confissões protestantes, e os especialistas dizem que na atualidade surgem cinco novas por semana. Cada uma delas afirma seguir o Espírito Santo e o sentido autêntico da Escritura. Deus sabe que devemos precisar de algo mais."
"O que eu quero dizer, Dr. Gerstner, é que quando os fundadores da nossa Nação nos deram a Constituição, não se contentaram só com isso. Imagine o que teríamos hoje se a única coisa que nos tivessem dado fosse um documento, por muito bom que fosse, junto com a recomendação 'Que o espírito de George Washington guie cada cidadão'? Teríamos a anarquia, que é precisamente o que temos entre os protestantes no que se refere à unidade da Igreja. Em vez disso, os nossos pais fundadores deram-nos algo mais do que a Constituição; deram-nos um Governo - formado por um Presidente, um Congresso e um Senado - todos eles necessários para aplicar e interpretar a Constituição. E, se isso é necessário para governar um país como o nosso, o que é que será necessário para governar uma Igreja que abarca o mundo inteiro?"
"É por isso, Dr. Gerstner, que começo a acreditar que Cristo não nos deixou apenas com um livro e o Seu Espírito. Aliás, o Evangelho não diz uma única palavra aos apóstolos acerca de escreverem; além disso, só menos de metade deles escreveram livros que foram incluídos no Novo Testamento. O que Cristo disse realmente a Pedro, foi: 'Sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja... e as portas do inferno não prevalecerão contra ela'. Por isso parece-me mais lógico que Jesus nos tenha deixado juntamente com a Sua Igreja - composta por um Papa, Bispos e Concílios -tudo o que é necessário para administrar e interpretar a Escritura."


A Eucaristia

Nos trechos abaixo, Scott se refere às aulas que dava sobre João 6, 22-66:

"Comecei imediatamente a pôr em causa o que os meus professores me tinham ensinado - e o que eu próprio andava a pregar à minha congregação - acerca da Eucaristia como um mero símbolo, um símbolo profundo, certamente, mas apenas um símbolo."
"Depois de muita oração e de muito estudo, acabei por reconhecer que Jesus não podia estar a falar simbolicamente quando nos convidou a comera Sua carne e a beber o Seu sangue. Os judeus que O ouviam não teriam ficado ofendidos nem escandalizados com um mero símbolo. Aliás, se tivessem interpretado mal Jesus, tomando as Suas palavras à letra - quando Ele queria que as palavras fossem tomadas em sentido figurado - teria sido fácil ao Senhor esclarecer esse ponto. Na verdade, já que muitos dos discípulos deixaram de O seguir por causa deste ensinamento (vers. 60), teria estado moralmente obrigado a explicar que falava apenas em termos simbólicos. Mas nunca o fez."

Em consequência das convicções adquiridas pelo estudo sincero e sistemático, Scott houve por bem abraçar o catolicismo, mesmo à revelia de sua esposa, a qual só mais tarde se converteu. É muito interessante observar a caminhada dos convertidos até a fé católica: a graça os impele a superar hesitações, obstáculos, comentários.

Os pontos abordados por Scott interessam a todo cristão desejoso de encontrar a Verdade religiosa. Sua experiência vem a ser escola para outros. Os argumentos são claríssimos e irrrefutáveis . O protestante que afirma serem 66 os livros da Bíblia, não o pode provar pela Bíblia; recorre à tradição dos judeus de Jâmnia, embora diga que segue somente a Bíblia, e do mesmo modo ocorre em inúmeros outros pontos.


...Creio que a amostra que acabamos de apresentar é suficiente para dar uma ideia da grande contribuição que traz este livro nos estudos de todo homem ou mulher de boa vontade, que esteja honestamente empenhado em conhecer, simplesmente, a Verdade que liberta.

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1. Mt 5, 17: "Não penseis que vim revogar a Lei e os Profetas. Não vim revogá-los, mas dar-lhes pleno cumprimento".

 2. Mt 15, 3: Disse Jesus: "Porque violais o mandamento de Deus por causa da vossa tradição?".

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Síntese adaptada do artigo de Dom Estêvão Bettencourt (OSB) "Todos os Caminhos vão dar a Roma", disponível em
http://www.pr.gonet.biz/kb_read.php?head=0&num=1750
Acesso 27/8/014

• HAHN, Scott & Kimberly. Todos os Caminhos Levam a Roma, Lorena: Cléofas, 2013.

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Invasão islâmica mundial


O QUE ACONTECERIA se o bebê George, futuro rei da Inglaterra, se convertesse um dia a uma religião não cristã? O arcebispo da Cantuária, líder anglicano que celebrou o batismo do menino, disse que não se importaria se isso acontecesse (conf.: Daily Mail). Os próprios pais do menino, aliás, raramente vão à igreja, assim como seu avô, o Príncipe Charles. Essa é a família real perfeita para representar a fé, – ou a falta dela, – no Reino Unido, em que apenas 8% das pessoas entre 30 e 50 anos frequentam a igreja anglicana assiduamente.

A igreja anglicana [que teve origem num ato de adultério], fundada graças aos caprichos de um rei lascivo, oferece ao povo britânico um cristianismo aguado, afundado em heresia e relativismo. Não surpreende que essa caricatura triste e vazia do catolicismo já não convença mais quase ninguém. E é neste vácuo espiritual que o islamismo, uma religião de fortes convicções, está encontrando espaço e criando raízes.

Muitos pensam que o radicalismo islâmico ameaça o mundo somente por meio da ação de grupos armados. Grande engano! A jihad ganha força e se espalha no Ocidente especialmente por meio da dominação cultural. Essa realidade medonha já se delineia com traços fortes em toda a Europa, e de modo especial na Grã-Bretanha, onde a minoria muçulmana faz pressão constante para impor suas crenças e costumes.



Os britânicos carregam uma forte culpa pelo seu passado imperialista. Agora, pendendo para o outro extremo da mentalidade de dominação, estão dispostos a renunciar a seus valores e cultura em nome do multiculturalismo. Essa é uma ideologia de esquerda que prega que todas as culturas devem ser igualmente valorizadas, promovidas e protegidas pelo Estado. Assim, em vez de o imigrante se adaptar à cultura do país que o acolhe, o Estado e os nativos desse país é que devem se desdobrar para assimilar a cultura do imigrante.

Na mente dos britânicos está inculcada a ideia de que, se for preciso, os seus costumes podem e devem ser solapados, só para não ofender os “coitadinhos” imigrantes. O problema é que muitos imigrantes ignoram que o respeito é uma via de mão dupla. E ocorrem aberrações como as cenas mostradas no vídeo abaixo, em que uma cidadã britânica assiste pelas ruas de sua cidade, estarrecida, uma marcha de centenas de muçulmanos gritando “Reino Unido, vá para o inferno” e dizendo que mulheres sem burca são um bando de sem-vergonhas. A moça britânica, pau da vida e muita corajosa, tenta explicar aos manifestantes que é inaceitável que estrangeiros insultem os nativos daquela forma.


"Não a democracia! Queremos somente o islam!"

Mas o "mundo fofo" dos multiculturalistas está começando a desabar. Em junho deste ano, o ministro da Educação britânico, Michael Gove, denunciou um esquema armado por muçulmanos para impor o islamismo nas escolas e controlar a rede de ensino. Eles vêm infiltrando professores e diretores nas escolas. Quando conseguem isso, passam a perseguir os alunos e professores não-muçulmanos, até que eles sejam expulsos ou peçam demissão.

Esse desastre já vem ocorrendo há mais e dez anos, mas o governo, de modo intrigante, fazia vista grossa (conf.: Diário Digital e The Telegraph).

Na Escócia, 30 crianças não-muçulmanas da Parkview Primary School tiveram que visitar uma mesquita (conf.: Gatestone Institute). Chegando lá, foram instruídas [constrangidas] a recitar a declaração de fé maometana: “Não há deus senão Alá e Maomé é seu mensageiro” (vídeo abaixo). Tudo isso sob a desculpa politicamente correta de conhecer os valores e crenças diferentes para poder melhor respeitá-los. Agora imaginem o alvoroço que os muçulmanos fariam se soubessem que trinta crianças maometanas haviam sido levadas para uma igreja e instruídas a recitar o Credo.



Em Londres, no distrito de Tower Hamlets, 85 das 90 escolas proibiram o consumo de carne de porco, apenas para atender ao desejo da minoria muçulmana, que considera pecado consumir esse alimento. Em Nottingham, uma escola primária, – a Greenwood Primary School, – cancelou a peça de Natal para que não interferisse em um festival maometano (Daily Mail)!

Ainda em Tower Hamlets, os muçulmanos ameaçam com morte mulheres sem véu e gays. Nos postes e outros locais de evidência do bairro, eles chegaram a fixar cartazes com o seguinte aviso: “Você está entrando em uma zona controlada pela Shária. Regras islâmicas são aplicadas” (Daily Mail).

Tudo isso já parecia suficientemente absurdo, até que… Neste mês, vieram à tona os casos (atenção) de 1.400 menores brancas britânicas abusadas sexualmente e traficadas para prostituição por muçulmanos, pelo país inteiro. De 1997 a 2013, – por longos e inacreditáveis dezesseis anos, – as autoridades da cidade de Rotherham nada fizeram para deter os criminosos!

Muitas das vítimas foram à polícia denunciar os agressores (entre elas, meninas de 11 anos que haviam sido estupradas por vários homens), mas as autoridades fizeram corpo mole com as investigações e não tomaram nenhuma providência! O problema era, simplesmente, que os suspeitos eram quase todos muçulmanos paquistaneses! E aquilo que um cidadão britânico teme mais que o inferno é ser acusado de racismo; se isso acontecer, ele pode perder o emprego, a guarda dos filhos, a respeitabilidade.

...E tal medo não é exagerado. Tudo lá naquelas bandas [qualquer semelhança com cultura de classes marxista impetrada no Brasil pelo governo PT não é mera coincidência] é motivo para alguém ser chamado de “racista”. Recentemente, uma menina inglesa foi denunciada por sua própria professora por crime de racismo (!) apenas porque pediu para se sentar do lado de outra colega de classe, já que a menina ao seu lado não falava a sua língua e ela tinha dificuldades para se comunicar com ela.

Não querendo "arrumar sarna para se coçar", as autoridades de Rotherham se omitiram, para não serem acusadas de associar a escravidão sexual de menores a uma etnia específica. Como bem disse o escritor português João Pereira Coutinho, a lógica dessa gente é: “Melhor pedófilo que racista”.

Ainda sobre a islamização do Reino Unido, o blog “Islamidades” tem um post muito interessante sobre a forte ligação do Príncipe Charles com o Islã (veja aqui).

O gravíssimo problema, porém, – que por certo é a concretização de um grande castigo divino sobre a humanidade inteira, – não é só da Inglaterra; é mundial. É, sim, mais grave na Europa, mas o objetivo islâmico é, declaradamente, a conquista mundial; o Brasil não fica de fora. Há alguns anos, a justiça brasileira retirou do YouTube um vídeo sobre islamização da Europa. O grupo "Comunidade Eclesial" e uma igreja batista de São Paulo foram judicialmente notificados e obrigados a retirar de circulação um vídeo sobre a islamização da Europa (saiba mais). Como a internet, ao menos por enquanto, é indomável (o governo já se move com ações concretas para controlar a rede, também, num curto prazo), você pode assistir o referido vídeo abaixo (até que nós também sejamos amordaçados). Assista com atenção, e trema:



Enquanto isso, os líderes da Igreja de Cristo estão muito ocupados promovendo ações em prol do ecumenismo, do diálogo fraterno com todas as religiões, da abertura cada vez mais ampla e irrestrita para o mundo, na garantia do direito de liberdade religiosa do indivíduo... Oremos, irmãos, porque algo grande está para acontecer, e não será nada fácil suportar os anos que estão por vir.

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Fonte:
Artigo "Da Rainha ao Califa: a islamização do Reino Unido", do site "O Catequista", disponível em:
http://ocatequista.com.br/archives/13943
Acesso 18/9/014
ofielcatolico.com.br

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