Introdução aos Sacramentos da Igreja

A partir desta postagem, O Fiel Católico inicia uma série especial sobre os Sacramentos da Igreja, começando por esta introdução, a partir da qual partiremos para o estudo e apreciação de cada um dos Sacramentos em particular. Os textos desta seção especial são totalmente fundamentados no Catecismo da Igreja Católica (CIC). Boa leitura!



PARA FALAR dos Sacramentos, é bem possível utilizar a passagem do Livro do Profeta Isaías: “Tirareis com alegria as Águas das Fontes da Salvação!” (Is 12,3).

Sacramentos são canais da Graça, das bênçãos divinas e da redenção para a humanidade, isto é, para cada um de nós. São sinais da Salvação de Deus para todo aquele que crê, conforme a promessa de São João Evangelista: “Quem crê nEle (Nosso Senhor Jesus Cristo) não é condenado.” (João 3,16-18).

O Catecismo da Igreja Católica define os Sacramentos como “Sinais sensíveis (palavras e ações), acessíveis à nossa humanidade atual (que) realizam eficazmente a Graça que significam, em virtude da ação de Cristo e pelo poder do Espírito Santo.” (CIC §1084). O que isto quer dizer, exatamente?

Quer dizer que a Graça Divina, que é inefável, espiritual e imperceptível aos nossos sentidos físicos (a não ser em seus efeitos) assume um meio que pode ser percebido e experimentado por nós, seres humanos. Pelos Sacramentos, a Graça santificante de Deus torna-se possível de ser vista, tocada, provada... Foi preciso que Jesus Cristo escolhesse um meio de se comunicar e interagir com os seres humanos neste mundo, e Ele o fez através dos Sacramentos.

São João Crisóstomo (344 - 407 dC), bispo e doutor da Igreja, esclareceu bem a questão:

“Cristãos, se vocês fossem incorpóreos, os dons de Deus para vocês também o seriam; mas como suas almas estão unidas aos seus corpos físicos, Deus quis apresentar-se por meio dos dons sensíveis...”1

Em outras palavras, como vivemos num mundo físico, Deus manifesta sua Graça por meio de sinais físicos. Os efeitos sobrenaturais dos Sacramentos manifestam-se, assim, por meio da matéria, como na água no Batismo e no pão e no vinho da Eucaristia. Diz a oração cerimonial: “Ó Deus, pelos sinais visíveis dos Sacramentos realizais maravilhas invisíveis”. São estes os sinais visíveis dos Sacramentos: a água do Batismo, o óleo do Crisma e da Unção dos enfermos; o pão e o vinho da Eucaristia; a imposição das mãos do Bispo sobre o ordinando; as palavras que exprimem a consagração dos noivos que se unem em Matrimônio; a contrição e a satisfação da Confissão ou Penitência.

A celebração litúrgica dos Sacramentos pertence à dimensão dos símbolos, que é uma linguagem expressiva que representa a imensa riqueza que Cristo tem para nós. A Igreja teceu, em torno destes símbolos da Graça, um cerimonial bastante elaborado, rico em devoção e poesia, a partir de uma estrutura que também é pedagógica. As orações, gestos e ritos próprios acentuam a ação da Misericórdia e do Poder Divinos.

Os Efeitos dos Sacramentos - Os efeitos sobrenaturais dos Sacramentos não dependem da competência ou do “poder” do sacerdote ou do ministro do Sacramento, pois é Cristo mesmo quem opera através do seu devido representante. Toda virtude do Sacramento vem do Redentor, que é o seu Autor e principal Ministro. Apenas Cristo, enquanto Deus, poderia instituir estes meios de santificação pelos quais Ele prosseguiria, através dos tempos, o seu trabalho sacerdotal.



A Graça conferida por cada Sacramento é a participação na Vida Divina e/ou o crescimento nela, e também o auxílio eficaz para a prática das virtudes. Há, de fato, um efeito que é comum a todos os Sacramentos: a graça santificante, que nos aperfeiçoa como cristãos e nos torna mais aptos a seguir o Caminho que é o próprio Jesus Cristo.

Há também o efeito específico de cada Sacramento, a graça sacramental. Três Sacramentos conferem o caráter, que é um sinal espiritual que permanece para sempre. São eles o Batismo, a Confirmação e a Ordem, os quais só podem ser recebidos uma vez. A partir do Batismo, os Sacramentos pressupõem a fé. Conclui-se daí que os Sacramentos não são atos ou materiais “mágicos”, nem simples rituais sem a participação ativa e consciente da pessoa que os recebe. A resposta do fiel, dada com fé, é um elemento constitutivo do Sacramento, que é encontro, e como tal, necessita de diálogo. Um chama (Deus) e outro responde (fiel).

Levar outros à Graça - Viver a realidade sacramental é intensificar o nosso encontro pessoal e livre com o Filho de Deus. Isto modifica o modo de ser e leva o fiel, pouco a pouco, cada vez mais perto da perfeição da vida cristã. Mas levar as outras pessoas às Fontes da Vida e da Salvação também é missão de todo cristão: eis um belo e santo apostolado.

Os Sacramentos foram instituídos por Cristo e confiados à Igreja para que sejam levados a todos os povos. Através deles os cristãos exprimem e fortalecem a sua fé, prestam culto a Deus e santificam suas vidas.

Os Sacramentos são sete: Batismo, Eucaristia, Confissão, Crisma, Matrimônio, Ordem e Unção dos Enfermos.

As ações de amor de Jesus, - curando os doentes, perdoando os pecados, impondo as mãos às crianças, consolando os sofredores, instruindo àqueles que queriam aprender sobre o Reino de Deus... - Todos estes gestos se refletem e se prolongam nos Sacramentos realizados na comunidade cristã, em seu Nome e na força do seu Espírito. Saibamos nós desfrutar das maravilhas destas inesgotáveis Dádivas que recebemos de Deus gratuitamente, e saibamos também compartilhar o quanto é bom sermos fiéis católicos.

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1. MOSHEIM, John Laurence, D.D. Ecclesiastical History, Ancient and Modern, vol. VI. London: T. Cadell, 1826, p. 243.

ofielcatolico.blogspot.com

2 comentários:

  1. Bom ensinamento! Acredito que nossa fé se fortalece na medida que nos deparamos com estas explicações. Saber o que a Nossa Igreja Católica assimilou dos ensinamentos de Jesus, traduzidos de forma material nos Sacramentos, facilita o entendimento dos fieis.

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  2. Muito bom o seu artigo.

    Maria Celeste

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